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Disciplina: Direito do Trabalho II Menção: Professor: Wagner Dias Turno: Noturno – Campus Asa Norte Semestre: 6º A Aluno(a): _________________________________________________________RA____________________ Recomendações: - Leia atentamente as questões. A interpretação faz parte da prova. - As proposições enceram regras, exceções constarão expressamente. - É franqueada consulta a legislação (sem comentários, notas explicativas, etc). - A utilização de outro material ensejará a desconsideração da prova. - Os itens falsos, quando solicitados, devem ser justificados para obter acerto no quesito. Boa prova. 1ª Questão Em 18.03.2019, Emília foi contratada, pelo prazo de dezesseis meses, por Sítio do Pica-pau Amarelo Ltda. Faltou injustificadamente no dia 30.08.2019 sendo, no dia seguinte, advertida por seu superior e efetuado o desconto correspondente no pagamento do mês. Seis meses após a admissão, em 18.09.2019, descobriu que estava grávida, não comunicando o fato ao empregador. O salário de julho foi pago junto com o de agosto/2020. A partir das informações, marque V ou F. 1.1_F_Sendo o contrato de trabalho celebrado com determinação de prazo e o fato de não ter a empregada confirmado a gravidez a seu empregador, ela não terá estabilidade provisória. O fato gerador da garantia de emprego gestacional é a concepção, não há necessidade de confirmar o estado gravídico ao empregador, súmula 244, II e III/TST. 1.2_V_Não é possível às partes dar aviso prévio. Porque se trata de contrato de trabalho celebrado com determinação de prazo, que não contém cláusula que assegura o direito recíproco de dar aviso prévio. Só por exceção seria admissível e, no enunciado, não consta a exceção, art. 481/CLT, súm. 163/TST. Aviso prévio é cabível nos contratos de trabalho indeterminados, art. 487/CLT. 1.3_V_O cenário não possibilita a declaração de culpa recíproca para a terminação do pacto laboral. A desídia (falta injustificada), art. 482, e/CLT, foi punida com advertência. Assim, não poderia ser esta mesma falta utilizada para configurar culpa recíproca, sob pena de incorrer em bis in idem. Outrossim, o atraso em um único mês não configura mora salarial, falta grave patronal, art. 483, d/CLT c/c DL 368/68, § 1º, art. 2º. 1.4_F_A sanção, advertência, não foi válida, uma vez que houve o desconto no salário do dia correspondente a falta, o que implicaria em bis in idem. Foi válida. O desconto do salário do dia não trabalhado não é punição, é correspondência, característica sinalagmática do contato de trabalho. Não havendo prestação laboral não tem contraprestação salarial, exceptio non adimpleti contractus. Punição é, advertência, suspensão e demissão por justa causa. 1.5_V_Comentendo Emília ato de improbidade, durante a gestação, o empregador pode demiti-la motivadamente. Porque sendo estável provisoriamente, em face da gestação, o empregador somente pode demitir motivadamente, por justa causa, art. 10, II, b/ADCT. 2ª Questão Uma engenheira, após regular aprovação em concurso, foi admitida em 01.12.2010 pela Caixa Econômica Federal como engenheira de edificações. Foi eleita para o Conselho Fiscal do Sindicato dos Engenheiros no Distrito Federal, cujo mandato foi até 31.03.2015. Foi eleita para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, como suplente, cujo mandato findou em 30.04.2020. No desempenho de suas ceub.br | SEPN 707/907, campus Asa Norte, CEP: 70.790-075, Brasília - DF • 3966-1201 atividades laborais sofreu um acidente, sendo prescrita licença médica de dez dias, de 20 a 30.11.2021. Quando de seu retorno ao trabalho, em 01.12.2021, foi dispensada, com determinação para cumprir o aviso prévio. Segundo as informações marque ‘v’ ou ‘f’, justificando os falsos. 2.1_F_Não foi válida a dação do aviso prévio. Foi válida. O empregado não adquiriu garantia de emprego porque o acidente de trabalho não ensejou a percepção de benefício previdenciário, uma vez que a licença médica foi de apenas dez dias. O termo inicial da estabilidade é a cessação do benefício previdenciário, inexistente na hipótese, súmula 378/TST. Não sendo estável pode ser dispensada. 2.2_V_O mandato, no sindicato de classe, não conferiu à empregada estabilidade provisória no emprego. A empregada foi eleita para o conselho fiscal do Sindicato, que não é cargo de administração, de direção sindical (art. 543/CLT e 8º/CF), não conferindo ao empregado estabilidade provisória, OJ 365/SDI.1-TST. 2.3_F_Não cumprindo a empregada o aviso prévio ficará configurada a falta grave de abandono de emprego. Porque não cumprindo o aviso prévio, o empregador pode é descontar das verbas devidas o valor referente ao aviso não cumprido, § 1°, art. 487, CLT. Ademais, durante o aviso prévio, a única falta grave que não se comete é abandono de emprego (súm 73/TST), porque abandono é uma falta presumida e, dado o aviso, foi manifestada, externada, a intenção de rescindir o contrato, não tendo que presumir. 2.4 Qual o termo final da garantia de emprego decorrente do mandato junto a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? 30/04/2021, um ano após o fim do mandato, que foi em 30/04/2020, § 1º, art. 625.B/CLT (|Lei 9958/2000). 2.5. Qual a duração do aviso prévio? 60 dias. O contrato de trabalho durou exatamente 11 anos. No primeiro ano 30 dias + 3 dias por cada ano posterior (3 X 10 = 30), Lei 12.506/13.10.2011, súm 441/TST. 3ª Questão Aga, foi contratado por Babilônia Serviços Ltda em 01.06.2020. A empregadora celebrou contrato de prestação de serviços com Banco do Brasil S/A, onde Aga passou a prestar serviços. Não recebeu o 13º salário de 2020. No regimento interno da empresa consta a obrigatoriedade do uso do crachá para o desempenho de seu mister. Em 20.01.2022 o Banco do Brasil S/A rescindiu o contrato de prestação de serviços com Babilônia. Em 1º.03.2022 Aga deu aviso prévio, comunicando que será cumprido. A par das informações responda “v” ou “f”. 3.1_V_A rescisão do contrato de prestação de serviços pelo Banco do Brasil S/A não configura factum principes para a rescisão do contrato de trabalho. Factum príncipes, é ato do gestor público, ato de gestão, de imperium, é o príncipe, Chefe do Poder Executivo (Presidente, Governador, Prefeito). O Banco do Brasil é pessoa jurídica, empresa de economia mista. 3.2_V_A não utilização do crachá para a execução do trabalho configura ato de indisciplina, passível de sanção. Porque esta obrigatoriedade consta de norma da empresa, dirigida a todos os empregados, que disciplina a forma de agir, art. 482, h/CLT. 3.3_V_Durante o aviso prévio não houve redução da jornada de trabalho. O aviso foi dado pelo empregado. Haverá a redução de jornada apenas quando a iniciativa é do empregador, art 488/CLT. 3.4_V_A extinção do contrato de trabalho foi por iniciativa do empregado e sem justa causa. Foi o empregado, Aga, deu aviso prévio, cabível apenas quando não há justa causa, art. 487/CLT. 3.5 Até quando deve ser efetuado o pagamento das verbas rescisórias? 10.04.2022, dez dias após a extinção do contrato de trabalho (art. 477, § 6º/CLT). Dado o aviso prévio, pelo empregado, em 1º.03.2022 (duração de 30 dias, art. 1º, da Lei 12.506/2011), o início é em 02.03 e o término do aviso/contrato é em 31.03.2022 (art. 489/CLT). 3.6 Até quando o empregado pode exercitar o direito de ação para reivindicar a reparação de eventuais direito? 31.03.2024, dois anos após extinção do contrato, art. 11/CLT, 7º, XXIX/CF. ceub.br | SEPN 707/907, campus Asa Norte, CEP: 70.790-075, Brasília - DF • 3966-1201 3.7 Quando prescreveria a ação para reivindicar o 13º salário de 2020, se o contrato estivesse em vigor? 21/12/2025. O 13º salário tem que ser pago até o dia 20 de dezembro (de todos os anos), Lei 4090/1962. Assim, a lesão nasce com o não pagamento, em 21.12. Como estava em vigor o contrato, teria até 5 anos, 21.12.2025. 4ª Questão Abba é empregada de Ômega Conservações Ltda. Seu cônjuge, A-ha, é empregado de uma empresa Pública Federal. Quando de sua admissão, em 25.09.2015, a empresa forneceu a Abba os equipamentos de proteção individual,instruindo-a quanto ao seu uso. Em determinada ocasião, a empregada foi advertida, por escrito, porque estava trabalhando sem utilizar os equipamentos de proteção. Abba concebeu e, no parto, ocorrido em 20.03.2019, veio a óbito, ficando seu cônjuge com a guarda da criança. Segundo as informações marque ‘f’ ou ‘v’. 4.1_F_A advertência aplicada a Abba é inválida, eis que ela não cometeu nenhum ato que configura falta. Válida a advertência, porque não usar o EPI ou usar incorretamente, configura ato faltoso, suscetível de punição, art. 158, § único, a, b, CLT. 4.2_F_Sendo A-ha empregado de uma empresa Pública Federal, concursado, ele não pode ser dispensado por seu empregador. Porque as empresas públicas e as sociedades de economia mista, embora integrem a Administração Pública, são equiparadas às empresas privadas para efeitos de relação de trabalho, art. 173, § 1º, II/CF. Embora a admissão seja por concurso, são empregados, CLT, com FGTS (e não servidores), não estáveis, súmula 390, II, OJ 247 da SDI.1/TST. Podem ser dispensados. 4.3_V_A-há não pode ser dispensado até o dia 20.08.2019, porque tem garantia provisória de emprego. Porque com o óbito de seu cônjuge no parto e, ficando com a guarda da criança, usufruirá do restante da estabilidade (LC 146/2014), até o 5° mês após o parto ocorrido 20.03.2019. 4.4_V_Em face das eleições ocorridas em 2022, A-há teve garantido o seu emprego até 01.01.2023. Trata-se da estabilidade durante o período eleitoral (3 meses que antecedem a eleições, primeiro turno, em outubro, até o dia da posse, 01.01.2023), apenas para os empregados das empresas públicas e das sociedades de economia mistas, Lei 9504/97, art. 73, V e § 1º. 4.5 Qual o termo final do contrato de trabalho de Abba? 20.03.2019, dia do óbito, que põe fim à personalidade e, por consequência ao contrato de trabalho que é personalíssimo. 5ª Questão Agar é empregado de Orion Ltda. Em 20.01.2015, discutiu com um cliente e, por este motivo, em 29.04.2015 foi advertido por escrito. Foi indicado, por seu sindicato, para representar os empregados no Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, sendo nomeado suplente, cujo mandato foi de 1º.01.2020 a 1º.01.2022. Em 28.3.2022, discutiu com um cliente, proferindo palavras de baixo calão, sendo, no dia seguinte, suspenso por dois dias. Inconformado com a suspensão, no dia seguinte, 31.03.2022, comunicou ao empregador sua demissão, asseverando que não cumprirá o aviso prévio. Segundo as informações marque ‘v’ ou ‘f’, justificando os falsos. 5.1_V_Não foi válida a advertência aplicada ao empregado. Não foi válida, porque entre cometer a falta em 20.01.2015 e a aplicação da punição em 29.04.2015 decorreu mais de quatro meses. Um dos requisitos para punir o empregador é o imediatismo, a atualidade falta. O entendimento jurisprudencial/doutrinário, é no sentido de ser até 30 dias este prazo. Decorrido este prazo induz a ocorrência do perdão tácito. Não tem mais falta, não há mais nexo, não pode punir. 5.2_V_A conta vinculada do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço não será movimentada, em face da extinção do contrato de trabalho. Porque a extinção do contrato de trabalho foi por iniciativa do empregado, que se demitiu, art. 20, Lei 8036/1990. ceub.br | SEPN 707/907, campus Asa Norte, CEP: 70.790-075, Brasília - DF • 3966-1201 5.3_F_Não foi válida a dação do aviso prévio porque estável provisoriamente? Embora estável provisoriamente até 01.01.2023 (um ano após o fim do mandato, art. 3º, § 9º, Lei 8036/1990) nada obsta que o empregado peça demissão. A garantia de emprego veda que o empregado o dispense. 5.4 Qual a duração do aviso prévio? 30 dias. Porque foi o empregado que deu o aviso prévio ao empregador, art. 1º, da Lei 12.506/2011. 5.5 Qual o termo final do contrato de trabalho? 30.04.2022. Dado o aviso, pelo empregado, em 31.3.2022 (duração 30 dias) o termo inicial é 01.04 e o final 30.04.2022. ceub.br | SEPN 707/907, campus Asa Norte, CEP: 70.790-075, Brasília - DF • 3966-1201