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UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA CENTRO DE FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE BACHARELADO EM BIOMEDICINA RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I Imagenologia Kedly Santos Carvalho Teixeira de Freitas - BA Abril, 2025 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por ter me dado sabedoria e por iluminar cada passo dessa jornada para concluir mais uma etapa. Aos meus pais, Ângela e Aleonidas que são meu alicerce, por todo amor, apoio e incentivo e por acreditarem em mim e no meu potencial, sem vocês eu não teria conseguido. As minhas irmãs, Larissa e Lohana por estarem sempre ao meu lado, pelos conselhos e pela parceria Ao meu namorado Tiago, meu eterno agradecimento por sempre estar ao meu lado, por todo suporte, carinho e por me encorajar todos os dias, e a Valéria por todo apoio e gentileza. Agradeço também aos professores Daniely e Wiliam Freitas, por toda dedicação em nossa formação. Suas orientações e apoio foram pilares importantes para a minha jornada acadêmica e para a realização deste estágio. A Dra. Cecília Gonçalves que não apenas compartilhou seu conhecimento e experiência, mas também abriu as portas da sua clínica para que esta experiência de estágio fosse possível. Aos técnicos de radiologia Emanuel, Lucas e Joabe, a experiência prática e o conhecimento que vocês compartilharam diariamente foram fundamentais para o meu aprendizado. Agradeço também às enfermeiras Gleiciane, Leila e Gleicia pela colaboração e pelo apoio. Suas dedicações e profissionalismo contribuíram para uma experiência de estágio mais completa. Aos meus companheiros de jornada, Daniele, Giuliene, Ana Paula, Maria Cecília, Thiago e Lucas por compartilhar os desafios e aprendizados. SUMÁRIO 1.INTRODUÇÃO GERAL ............................................................................................ 8 2. Objetivo Geral ......................................................................................................... 9 2.1 Objetivos específicos ............................................................................................ 9 3.0 TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA ................................................................ 9 3.1 Introdução a Tomografia Computadorizada .......................................................... 9 3.2 Equipamentos e Componentes da TC ................................................................ 10 3.3 Anamnese ........................................................................................................... 13 3.4 Preparo e posicionamento para TC ..................................................................... 14 3.5 Princípios Físicos ................................................................................................ 14 3.6 Indicações da TC ................................................................................................ 18 3.7 Contraindicações da TC ...................................................................................... 18 3.8 Meios de contraste .............................................................................................. 19 3.9 Artefatos na TC ................................................................................................... 20 4.0 Blindagens e segurança ...................................................................................... 21 5. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA .............................................................................. 23 5.1 Introdução à Ressonância Magnética ................................................................. 23 5.2 Princípios Físicos da RM ..................................................................................... 23 5.3 Equipamentos e Componentes da RM ................................................................ 25 5.4 Anamnese ........................................................................................................... 30 5.5 Posicionamento ................................................................................................... 30 5.6 Indicações da Ressonância Magnética ............................................................... 31 5.7 Contraindicações da Ressonância Magnética ..................................................... 31 5.8 Meio de Contraste ............................................................................................... 31 5.9 Artefatos .............................................................................................................. 32 6.1 Blindagens de segurança .................................................................................... 37 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 38 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 39 LISTA DE FIGURAS Figura 1- Ilustração da parte interna do Gantry ......................................................... 11 Figura 2- Mesa do Tomografo ................................................................................... 11 Figura 3- Computador para análises de Tomografia Computadorizada na Ultraimagem Diagnósticos ........................................................................................ 12 Figura 4-Componentes da Tomografia Computadorizada ........................................ 12 Figura 5- Painel de controle e bomba injetora na Clínica Ultraimagem ..................... 13 Figura 6- Valores de Densidade em Unidades Hounsfield (UH) para diferentes estruturas anatômicas ............................................................................................... 15 Figura 7- Janela para parênquima (A) e janela para mediastino (B) corte axial ........ 16 Figura 8 - Janela de partes moles, janela pulmão e janela óssea corte axial ........... 16 Figura 9 - Seios paranasais no plano axial................................................................ 17 Figura 10- Seios paranasais no plano coronal .......................................................... 17 Figura 11- Seios paranasais no plano sagital............................................................ 17 Figura 12– Imagem em 3D de um pulmão ................................................................ 17 Figura 13 – Imagem 3D de um crânio ....................................................................... 18 Figura 14 - Artefato devido estruturas metálicas (corte axial) ................................... 21 Figura 15– Artefato devido ao movimento do paciente (corte axial) .......................... 21 Figura 16 - Sistema típico para criação da imagem .................................................. 24 Figura 17- Planos da Ressonância Magnética .......................................................... 24 Figura 18 - Componentes da Ressonância Magnética .............................................. 25 Figura 19 – Diagrama do Pulso Spin Eco (SE) em RM ............................................. 26 Figura 20 - Sequência ponderada em T1 corte axial ................................................. 26 Figura 21 - Comparação entre a sequência T1 com e sem o contraste Gd corte axial .................................................................................................................................. 27 Figura 22 - Sequência ponderada em T2 corte axial ................................................. 27 Figura 23 - Sequência ponderada em FLAIR corte axial ........................................... 28 Figura 24 - Imagem ponderada em DWI corte axial .................................................. 28 Figura 25- Sequência de Difusão e Mapa de Coeficiente de Difusão Aparente (ADC) corte axial .................................................................................................................. 29 Figura 26- Imagemda mama no plano axial ponderado em T1 FAT SAT pós- contraste intravenoso, mostrando a gordura em hipossinal. ..................................... 29 Figura 27– Artefato de movimento (RM de crânio corte axial) .................................. 33 Figura 28 – Artefato de dobra (RM de crânio) ........................................................... 33 Figura 29– Artefato metálico devido a presença de grampos metálicos no cabelo (RM do crânio, sequência magnética ponderada em T1 no plano coronal e sagital) 34 Figura 30– Artefato metálico devido a presença de prótese metálica na cavidade oral (RM do crânio, sequência magnética ponderada em T1 no plano sagital) ................ 34 Figura 31– Zona I - RM: Área de acesso livre na Clínica Ultraimagem ..................... 35 Figura 32 – Zona II – RM: Área de acesso controlado Clínica Ultraimagem ............. 35 Figura 33– Zona III – RM: Área de acesso restrito Clínica Ultraimagem ................... 36 Figura 34– Zona IV – RM: Área de acesso restrito a sala do Magneto da Clínica Ultraimagem .............................................................................................................. 36 LISTA DE SIGLAS ADC Coeficiente de difusão aparente ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária AVC Acidente Vascular Cerebral 3D Tridimensional CFBM Conselho Federal de Biomedicina DWI Imagem Ponderada por Difusão FLAIR Fluid Attenuated Inversion Recovery GD Gadolínio RF Radiofrequência RM Ressonância Magnética TC Tomografia Computadorizada 8 1.INTRODUÇÃO GERAL A imagenologia é uma área dedicada a interpretar e criar imagens através de tecnologias não invasivas que conseguem visualizar as estruturas internas do corpo. Nessa área de atuação, são utilizados vários métodos de diagnóstico por imagem: radiologia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, cintilografia e ultrassonografia, entre outros. Cada uma tem a sua característica, indicação e limitação, sendo possível visualizar desde fraturas ósseas com raios-x até a avaliação de tecidos moles com a ressonância magnética. As imagens obtidas através desses exames, desempenham um papel importante na detecção precoce, monitoramento e tratamento de diversas doenças, fornecendo informações importantes para o médico e outros profissionais da saúde. O biomédico, por sua vez, possui um papel fundamental na área de imagenologia, que é regulamentada pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), que, através da Resolução nº 234, de 05 de dezembro de 2013, estabelece as atribuições do profissional habilitado em imagenologia. Essa regulamentação garante que o biomédico esteja apto a atuar com segurança e responsabilidade na área. No presente estágio, o foco principal foi nas áreas de tomografia computadorizada e ressonância magnética, onde tivemos a oportunidade de vivenciar e observar a rotina de trabalho nessas duas áreas, desde a preparação do paciente, posicionamentos, operação dos equipamentos, até o desenvolvimento de protocolos de exames. O presente Relatório de Estágio foi elaborado como resultado de atividades desenvolvidas na Clínica Ultraimagem Diagnóstico localizada na Rua Prudente de Moraes, 248, Centro, Teixeira de Freitas - BA. No período de 04/11/2024 até 26/03/2025, com carga horária de 510 horas, durante cinco horas diárias, distribuídas entre os períodos da manhã, tarde e noite no setor de Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética sob a supervisão e orientação da Dra. Cecilia Maria de Oliveira Gonçalves. A realização do estágio é uma experiência importante para a formação, pois nessa etapa aproxima o acadêmico da realidade permitindo compreender os desafios da área de formação. Através dessa experiência existe a oportunidade de relacionar os conteúdos vivenciados no curso e sua relação com a prática no ambiente de trabalho. 9 2. Objetivo Geral Este relatório de estágio tem como objetivo apresentar as atividades desenvolvidas no estágio supervisionado I, no setor de diagnóstico por imagem, com foco em ressonância magnética e tomografia. Sendo abordados os princípios de funcionamento de cada setor. Promover oportunidades de aprendizado significativo contribuindo com a formação no curso de biomedicina. 2.1 Objetivos específicos • Aplicar conhecimentos teóricos na prática; • Compreender os princípios de funcionamento, indicações clínicas e protocolos de exames da Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética, suas indicações clínicas e os protocolos de exames. • Participar da preparação do paciente para os exames, incluindo a orientação sobre os procedimentos e os cuidados necessários • Realizar a anamnese dos pacientes, coletando informações relevantes sobre o histórico de saúde e as queixas principais 3.0 TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA 3.1 Introdução a Tomografia Computadorizada A Tomografia Computadorizada faz parte dos diversos exames de imagenologia. Sendo um exame simples e não invasivo. Que utiliza raios-x que, ao serem emitidos por um tubo de radiação, atravessam o corpo e são captados por detectores para obter imagens transversais detalhadas dos órgãos e tecidos do corpo humano. Esses dados são processados por um computador, que cria imagens transversais do corpo, chamadas de cortes tomográficos. Essas imagens podem ser reconvertidas em imagens tridimensionais. Sendo útil para diagnosticar diversas doenças, desde fraturas até AVC. É um exame rápido que dura em média de 10 a 30 minutos, porém essa variação depende de alguns fatores como: área do corpo a ser examinada, uso de contraste e a colaboração do paciente. Durante o período de estágio tive a oportunidade de acompanhar o funcionamento do tomógrafo da Clínica Ultra Imagem Diagnóstico de 16 canais da marca Canon Medical Systems, um equipamento de alta tecnologia que permite uma resolução muito detalhada nas imagens. O tomógrafo de 10 16 canais realiza a varredura do corpo em menos tempo, o que proporciona um exame mais rápido e confortável para o paciente. 3.2 Equipamentos e Componentes da TC Os sistemas da Tomografia Computadorizada consistem em quatro componentes principais: • Gantry: É a parte do equipamento que envolve o paciente durante o exame, sendo a maior parte do equipamento, e possui um formato circular. É o aparato que permite a passagem do paciente posicionado sobre a mesa de exames. O gantry é composto pelos seguintes elementos: o Tubos de raio X: São fonte de geração da radiação ionizante. o Detectores: Esses são responsáveis por medir a quantidade de radiação que irá atravessar o corpo do paciente. Ele consegue converter essa radiação em sinais elétricos, que são enviados para o computador. o Colimadores: É responsável por reduzir a dose de radiação moldando e limitando o feixe e melhorando a qualidade da imagem. o Sistema de rotação: Os detectores e o tubo de raio X giram ao redor do paciente sincronizadamente durante o exame para aquisição de imagens em diferentes ângulos. o Filtro: Remove raios X de baixa energia (fótons desnecessários), o que otimiza o espectro do feixe e permite a varredura com uma dose menor. 11 Figura 1- Ilustração da parte interna do Gantry • Painel de controle: É o campo de interação entre o operador e o sistema de TC. Ele está acoplado ao gantry na sua parte externa, e permite controlar diversos aspectos do exame, como: movimentação da mesa, visualização e a comunicação com o sistema. • Mesa de exame: A mesa é onde fica o paciente fica deitado, ela se move através do gantry, permitindo que faça o escaneamento de diferentes regiões do corpo. Figura 2- Mesa do Tomógrafo • Computador: É considerado uma parte doequipamento, sendo essencial para o processamento dos comandos, ele recebe os sinais elétricos dos detectores e os processa, transformando-os em imagens digitais. Também é responsável por reconstruir, armazenar, visualizar e processar imagens. Este por sua vez, 12 fica na sala de comando que é separada da sala de exame onde ficam os profissionais da área registrando os exames no computador. Figura 3- Computador para análises de Tomografia Computadorizada na Ultraimagem Diagnósticos Figura 4-Componentes da Tomografia Computadorizada Além desses componentes, existe a bomba injetora que não é um equipamento obrigatório, porém faz parte dos equipamentos presente na clínica Ultraimagem. É um dispositivo utilizado para administrar o contraste iodado no paciente em alguns tipos de exames como a angiotomografia. Ela permite controlar com precisão a velocidade e o volume do contraste injetado, garantindo um fluxo contínuo. 13 Figura 5- Painel de controle e bomba injetora na Clínica Ultraimagem 3.3 Anamnese Através da anamnese, é possível identificar riscos, contraindicações e garantir a segurança do paciente durante o exame. Sendo necessário coletar informações antes da realização do exame. Nesse contexto, investiga-se cirurgias prévias, doenças renais, diabetes, tabagismo e tratamentos como quimioterapia e radioterapia. Em alguns casos, a anamnese pode indicar a necessidade de protocolos adicionais, como o uso de contraste. É necessário, realizar algumas perguntas específicas ao paciente, visando coletar informações cruciais para o exame, abordando o tempo de jejum, se o paciente já apresentou alguma alergia, qual o motivo da realização do exame incluindo a queixa principal e os sintomas apresentados, além do histórico médico do paciente, condições médicas como insuficiência renal, diabetes ou problemas cardíacos, pois podem exigir cuidados especiais durante o exame. Essas informações são essenciais para avaliar possíveis riscos e adaptar o protocolo do exame, se necessário. A maioria dos aparelhos tem restrições em relação ao peso do paciente, pois suportam até 120kg. Sendo necessário avaliar durante a anamnese para evitar situações desagradáveis na hora da realização do exame. 14 3.4 Preparo e posicionamento para TC O posicionamento para a realização de uma tomografia computadorizada varia de acordo com a área anatômica a ser examinada, sendo necessário que a região de interesse seja centralizada no equipamento. Antes de ir para a sala de exame, o paciente é direcionado para um vestuário onde deve trocar de roupa e receber um avental e o propé, sendo instruído a retirar todos os objetos metálicos que possam interferir nas imagens, como colares, relógios, próteses dentárias, brincos. Além disso, é necessário informar que deve manter-se imóvel durante a aquisição do exame para que não haja interferência nas imagens. Os exames são realizados com o paciente deitado, com o posicionamento e as marcações ajustadas de acordo com a área a ser examinada. É utilizado um laser infravermelho para centralizar a área e fornecer marcações precisas para o equipamento de tomografia, indicando onde passarão os feixes de raios-x. É recomendado que o paciente realize o exame sem acompanhantes, a fim de evitar a exposição desnecessária aos raios X. Em casos de crianças, idosos ou pacientes com necessidades especiais, a presença de um acompanhante é permitida, sendo necessário que ele utilize avental e colete plumbífero, que atuam como barreira de proteção contra a radiação ionizante. Além disso, nos exames feitos com administração do contraste é necessário um preparo antes da realização do exame. É indicado que o paciente fique em jejum de até 8 horas, esse período pode variar de acordo com a indicação médica e do exame que será realizado. Para exames da área digestiva como a enterotomografia ou até mesmo a tomografia de abdome, é indicado além do jejum o uso de laxantes para limpar o intestino. 3.5 Princípios Físicos O princípio da TC baseia-se na atenuação diferencial dos raios-x ao passarem por diferentes tecidos do corpo. Um tubo de raios-x emite um feixe de radiação ionizante, que é o colimador para minimizar a dispersão. Ao atravessar o corpo, os raios-x interagem com os tecidos, sofrendo atenuação, que é a redução da 15 intensidade do feixe devido a absorção e ao espalhamento de fótons pelos átomos do tecido. Tecidos mais densos, como os ossos, atenuam mais os raios-x do que tecidos menos densos, como os pulmões devidos ao ar. Parâmetros para aquisição da imagem Para a aquisição da imagem, o computador utiliza os dados que foram obtidos do sinal elétrico e constroem uma imagem digital. Essa imagem é representada em uma matriz composta por pixels. Em cada pixel, é atribuído um determinado valor de tonalidade com base na escala de Hounsfield que depende da intensidade da radiação que foi absorvida. A UH serve para quantificar a densidade da radiação utilizada, definindo a densidade da água como 0 unidades Hounsfield (UH), e a densidade do ar como - 1000 UH. Todos os outros tecidos biológicos têm densidades expressas em relação a esses valores. Figura 6- Valores de Densidade em Unidades Hounsfield (UH) para diferentes estruturas anatômicas Além disso, existe o janelamento que é uma técnica de pós-processamento que permite ajustar o contraste da imagem permitindo uma melhor avaliação de estruturas específicas. A janela do mediastino avalia melhor as estruturas na região do mediastino, podendo avaliar estruturas contidas no coração, esôfago e aorta, a janela de parênquima permite uma boa avaliação do parênquima pulmonar, a janela de tecidos de partes moles é utilizada para avaliar tecidos moles em geral, incluindo 16 órgãos abdominais (como fígado, rins, pâncreas), músculos e outras estruturas não ósseas, a janela de partes ósseas avalia toda a estrutura óssea Figura 7- Janela para parênquima (A) e janela para mediastino (B) corte axial Figura 8 - Janela de partes moles, janela pulmão e janela óssea corte axial Reconstrução e cortes da imagem na TC Na Tomografia Computadorizada é possível visualizar as imagens em diferentes planos, o axial que separa o corpo em duas partes de maneira horizontal, o coronal que é uma divisão entre as porções ventral ou anterior, dorsal, ou superior e o corte sagital que é um corte de lateral esquerda e lateral direita. A Partir do corte axial obtêm-se os outros dois cortes. 17 Figura 9 - Seios paranasais no plano axial Figura 10- Seios paranasais no plano coronal Figura 11- Seios paranasais no plano sagital Reconstrução 3D: são imagens tridimensionais obtidas através de estruturas internas, esse sistema 3D impacta positivamente na qualidade dos laudos, pois partes moles de órgãos, fissuras e vasos pode ser mais bem visualizado. Figura 12– Imagem em 3D de um pulmão 18 Figura 13 – Imagem 3D de um crânio 3.6 Indicações da TC A versatilidade da Tomografia Computadorizada permite a identificação precisa de fraturas ósseas, hemorragias internas e de traumas, além de fornecer uma avaliação abrangente do sistema musculoesquelético, incluindo braços, cotovelos, ombros, coluna lombar, bacia, coxas, pernas, joelhos e tornozelos. Além disso, a técnica possibilita a visualização detalhada de tumores, auxiliando na detecção precoce, caracterização e monitoramento do crescimento, bem como na identificação de placas arteriais, aneurismas e outras doenças vasculares. No âmbito pulmonar, desempenha um papel crucial no diagnóstico de embolia pulmonar, câncer e outras patologias, enquanto na Tomografia de abdome total permite a detecção de problemas renais, hepáticos e, no caso feminino, ginecológicos. Além disso, esse exame se revela uma ferramenta auxiliarindispensável no planejamento cirúrgico preciso de intervenções complexas. (FLEURY, n.d). 3.7 Contraindicações da TC Certas condições podem impedir que um paciente realize o exame de TC, porém, a maioria delas são voltadas para pacientes que irão fazer o uso do contraste iodado. Exceto isso, é contraindicado para pacientes claustrofóbicos sendo necessário realizar o exame com sedação, gestantes no primeiro trimestre devido a exposição do bebê a radiação pois, os órgãos ainda estão em formação e pessoas em situação de obesidade que pode ocorrer de não caber no equipamento. Pacientes 19 diabéticos não são contraindicados, porém, aqueles que fazem o uso de metformina devem suspender a medicação 48h antes do exame e só retornar com a medicação 48h depois. 3.8 Meios de contraste Os meios de contraste iodados é uma substância que consegue dar uma maior definição às imagens tomográficas, melhorando a qualidade das imagens fornecidas pela tomografia. De acordo com Lucio et al. (2023), o armazenamento adequado do contraste iodado, é em estufa a 37°C por pelo menos 28 dias, é crucial para otimizar sua fluidez e reduzir riscos de reações adversas. Além disso, o uso do contraste após a abertura do frasco deve ocorrer dentro de 24 horas, e o material aspirado não deve ser reaproveitado. A administração do contraste exige atenção a detalhes como a técnica de punção, o calibre do cateter intravenoso (jelco), o monitoramento da injeção e o fluxo correto. A escolha do calibre do jelco é crucial para garantir a qualidade das imagens e a segurança do paciente. Geralmente, calibres entre 18 e 20 são preferidos devido à necessidade de alto fluxo durante a injeção do contraste. É fundamental que haja rapidez na aplicação do contraste para obter imagens nítidas e detalhadas, permitindo a visualização precisa de estruturas vasculares e órgãos. Calibres maiores proporcionam uma vazão mais veloz, assegurando que o contraste alcance as áreas de interesse no tempo ideal para o exame. Além disso, o contraste iodado é um líquido viscoso, o que significa que flui com mais dificuldade em cateteres de menor calibre. A utilização de calibres adequados facilita a injeção, evitando obstruções e garantindo um fluxo constante. A segurança do paciente é outra consideração importante. A injeção de contraste sob alta pressão pode levar ao extravasamento do líquido para os tecidos circundantes, causando dor e lesões. Calibres maiores reduzem a pressão necessária, diminuindo o risco de extravasamento e hemólise. As principais contraindicações para o uso desse meio de contraste são hipertireoidismo manifesto e insuficiência renal. Paciente com a função renal comprometida, (níveis séricos elevados de ureia e creatinina) não deve ser submetido à injeção de contraste iodado, salvo se estiver em programa de diálise. Paciente 20 diabético em uso de cloridrato de metformina não deve receber contraste iodado, pois a associação dessas duas drogas pode causar acidose lática. Dessa forma, é necessário que o paciente faça a suspensão do medicamento dois dias antes e dois dias depois do exame contrastado. (SÃO PAULO, 2018) Possíveis reações após uso do contraste O contraste pode causar diversas reações desde as reações leves e mais comuns como uma sensação de calor, náusea ou vômito. Alguns poucos pacientes têm uma reação do tipo alérgica moderada que pode incluir coceira e/ou urticária, inchaço dos olhos ou lábios, espirros, ou, raramente, dificuldade para respirar. Nesses casos, se necessário, poderá ser administrada medicação para o tratamento dessas reações. Outrossim, podem ocorrer complicações mais graves como choque, insuficiência renal, problemas cardiorrespiratórios, contusão e perda da consciência, podendo levar até a óbito. Ocasiões em que serão tomadas condutas imediatas, como atendimento médico e administração dos medicamentos necessários. Fases de captação do contraste • Pré-contraste - Nessa fase são admitidas imagens antes da administração do contraste • Arterial - Essa fase o contraste circula apenas nas artérias, nela captura o realce máximo das artérias, útil para visualizar a vascularização de tumores e outras anormalidades • Venosa - Portal - O realce do parênquima hepático e de outras estruturas irrigadas pela veia porta, sendo essencial para detectar lesões hepáticas • Tardia - Visualiza principalmente o sistema urinário e tecidos que retêm o contraste por mais tempo. • Excretora - Nessa fase é possível visualizar rins, ureteres e bexiga, durante a excreção do contraste, é uma fase mais demorada podendo durar em torno de 15 minutos. 3.9 Artefatos na TC Os artefatos são distorções ou falhas das imagens, esses artefatos podem interferir negativamente no diagnóstico, dificultando a visualização da região de 21 interesse a ser analisada. Podendo causar até um diagnóstico equivocado devido às alterações presentes na imagem. As origens dos artefatos são diversas, e eles podem ser classificados baseando-se no fator que os causa. Dessa forma, podem ser causados por fatores físicos do aparelho podendo ocorrer imperfeições no scanner, ou ainda fatores relacionados à aquisição das imagens. Há também os artefatos de movimento, que podem ser causados pelo paciente sendo movimentos involuntários como a respiração, deglutição entre outros. Ou até mesmo movimentos voluntários causados por desconfortos ou medo. Há também o artefato devido a estruturas metálicas como implantes metálicos ou clipes cirúrgicos. E os artefatos de reconstrução ocorrem devido a erros nas reconstruções de secções adquiridas. (PEGORARO, 2015). Figura 14 - Artefato devido estruturas metálicas (corte axial) Figura 15– Artefato devido ao movimento do paciente (corte axial) 4.0 Blindagens e segurança 22 A Tomografia Computadorizada é um exame de imagem que desempenha um papel fundamental na área da saúde, porém, devido a radiação é exigido que as instituições de saúde se adequem rigorosamente à legislação vigente, investindo em equipamentos de radiologia adequados e seguros. Essa proteção radiológica é regulamentada por normas nacionais e internacionais, que estabelecem limites de doses de radiação para pacientes e trabalhadores que ficam expostos à radiação ionizante. No Brasil, um dos órgãos responsáveis por regulamentar a proteção radiológica em serviços de saúde é a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA), sendo responsável por monitorar 70% dos serviços de radiologia no país. Na construção dos equipamentos de radiologia e das salas de exames deve-se utilizar materiais com alta capacidade de radiação. Para garantir a segurança da TC a blindagem é essencial. Isso envolve materiais como chumbo e tungstênio, que absorvem a radiação, revestimento de equipamentos. A blindagem estrutural, com paredes, tetos e pisos revestidos de concreto e chumbo. As janelas por sua vez, devem ser protegidas com vidros plumbíferos, é um tipo especial de vidro que contém chumbo em sua composição. Dessa forma, o profissional consegue acompanhar o exame sem se expor à radiação. Além disso, é necessário que os profissionais e pacientes utilizem equipamentos de proteção individual (EPIs) como luvas e aventais plumbíferos. É válido salientar que, deve haver o controle de acesso ao local do exame e treinamento adequado dos profissionais. Há outras medidas de proteção que monitoram a dose de radiação recebida, existe a determinação da dosimetria ambiental, que são medidas de acordo com o programa de monitoração ambiental. Esta dosimetria é necessária para estimar as doses em locais onde pode existir exposição às radiações ionizantes, tanto de indivíduos ocupacionalmente expostos quanto de pacientes e público em geral. Através da colocação de dosímetros em áreas adjacentes à sala de exames, é possível monitorar e quantificar osníveis de radiação dispersa, assegurando que permaneçam dentro dos limites regulamentares. (SANTANA et al., 2015). 23 5. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA 5.1 Introdução à Ressonância Magnética O exame de Ressonância Magnética é um método que permite a captação da imagem de forma indolor e não invasiva. Diferente da Tomografia Computadorizada, esse método não possui radiação ionizante e sim campos magnéticos para alinhar os prótons no corpo, junto com o pulso de rádio, esse desalinhamento e realinhamento dos prótons é detectado e convertido em imagens. O tempo necessário para realizar uma ressonância magnética pode variar consideravelmente, desde alguns minutos até mais de uma hora. Essa diferença depende das regiões do corpo que precisam ser examinadas. As imagens coletadas durante o exame, ajudam na avaliação do paciente, pois, a partir dela o médico especialista é capaz de visualizar os vários tipos de tecidos e estruturas do corpo humano, definindo o que é normal e o que é patológico. Na clínica Ultraimagem Diagnósticos, tive a oportunidade de acompanhar o equipamento de Ressonância Vantage Elan 1.5T da marca Canon Medical Systems de 16 canais. 5.2 Princípios Físicos da RM Os núcleos de hidrogênio são favoráveis à imagem da RM. Ao colocar o paciente em um equipamento de RM, os núcleos de hidrogênio orientados randomicamente se alinham com o campo magnético estático. A fim de detectar um sinal, um pulso de RF perturbador é transitoriamente aplicado ao paciente, resultando em alteração do alinhamento desses núcleos. Quando o pulso de RF é desligado, os spins retornam ao estado de equilíbrio dissipando energia para as moléculas adjacentes. A taxa de perda de energia é mediada pelas propriedades de relaxamento intrínsecas do tecido, designadas de tempos de relaxamento longitudinal (T1) e transversal (T2). T1 representa a restauração da magnetização longitudinal ao longo do eixo do campo magnético principal, enquanto T2 representa o tempo de decaimento da magnetização no plano transverso. 24 Parâmetros para aquisição da imagem Para criar a imagem na RM, a onda de frequência perturba o alinhamento dos prótons, fazendo com que eles mudem de orientação e precessem em fase. Quando a onda de radiofrequência é desligada, os prótons retornam ao seu estado de equilíbrio, emitindo um sinal que é detectado e usado para criar a imagem. Na figura 15 representa resumidamente esse fluxo de informações, o gerador RF e o gerador de pulsos criam os sinais que, após serem amplificadas no transmissor são enviadas para o paciente através das bobinas de RF. Após a emissão dos sinais de retorno do paciente, eles são recebidos no receptor, e enviados para o computador, que irá processar e gerar a imagem. Figura 16 - Sistema típico para criação da imagem Planos da Ressonância Os planos da imagem referem-se às diferentes orientações em que as imagens são obtidas. Os planos da RM são o axial, sagital e coronal. Figura 17- Planos da Ressonância Magnética 25 5.3 Equipamentos e Componentes da RM • Magneto - É o imã principal, sendo responsável por gerar o campo magnético estático e intenso que é necessário para alinhar os prótons no corpo do paciente. • Bobinas de gradiente - As de gradiente codificam espacialmente os sinais da RM. Elas produzem campos magnéticos variáveis em 3 direções espaciais (x, y, z). Sendo a de gradiente X responsável por selecionar os cortes sagitais, a de gradiente Y cortes coronal e a de gradiente Z, os cortes axiais. Sendo assim, são responsáveis pela seleção de cortes, formação de imagens, codificação de frequência e codificação de fase. Figura 18 - Componentes da Ressonância Magnética • Bobinas de radiofrequência - Fazem parte do processo de mapear e codificar os sinais, nas quais são antenas transmissoras e receptoras de sinais de RF, e se adapta ao contorno do corpo. Elas possuem divisões e quanto menor for a bonina mais próxima da área de interesse melhor é a imagem obtida. São divididas em bobinas de corpo, crânio, tornozelo, pé, joelho, ombro, mão e punho. • Computador - Controla, processa e exibe as imagens. Sequências da RM As sequências no exame de RM são uma série de pulsos de radiofrequência e gradientes, que a partir delas formam um conjunto de imagens. Para descrever as sequências são utilizados termos para descrever a aparência dos tecidos, sendo eles, o hiperintenso que significa que o tecido é mais brilhante, isointenso, é um tom de 26 cinza tendo o mesmo brilho que o tecido de referência, e por fim o hipointenso que representa um tecido mais escuro. As sequências básicas são: • SPIN-ECO - É uma das técnicas mais básicas da RM. Sendo caracterizada por um pulso de 90 graus para orientar os spins nucleares, seguido por um pulso de 180 graus, que gera um eco. Figura 19 – Diagrama do Pulso Spin Eco (SE) em RM • T1 - Na sequência ponderada em T1 é ideal para visualização de estruturas com alta densidade de prótons, como gordura. Pois, a gordura tem uma alta intensidade de sinal nas imagens. É essencial para a avaliação de tumores, patologias vasculares e sistemas musculoesqueléticos. Figura 20 - Sequência ponderada em T1 corte axial 27 É importante ressaltar que, após aplicar o contraste no paciente e realizar as sequências específicas para contraste, é necessário que faça novamente uma sequência de T1, pois o contraste tem um alto sinal na sequência T1. Sendo necessário fazer T1 com contraste e sem contraste para que haja uma comparação entre as imagens obtidas. Figura 21 - Comparação entre a sequência T1 com e sem o contraste Gd corte axial • T2 - Na sequência ponderada em T2, os líquidos aparecem com intensidade de sinal mais brilhante. Dessa forma, estruturas como líquor, inflamações e edemas ficam mais destacados. Figura 22 - Sequência ponderada em T2 corte axial • FLAIR - É uma sequência eficaz para identificar lesões em pacientes com patologias neurológicas. Pois, é caracterizada pela supressão de fluidos , como o líquor. 28 Figura 23 - Sequência ponderada em FLAIR corte axial • DIFUSÃO (DWI - Diffusion Weighted Imaging)- É um marcador de celularidade, pois mede a mobilidade da água no interior dos tecidos. Nessa sequência a calota craniana não fica nítida nas imagens. Essa sequência é essencial para a avaliação de Acidentes Vasculares Cerebral (AVC), tumores, lesões agudas e patologias que alteram a difusão da água nos tecidos. Figura 24 - Imagem ponderada em DWI corte axial Logo após, a sequência de difusão obtém-se o mapa ADC (Coeficiente de Difusão Aparente), que é responsável por quantificar a difusão das moléculas de água nos tecidos. Sendo importante para auxiliar na avaliação de tumores, AVC, caracterização e monitoramento de diversas condições de órgãos do corpo. 29 Figura 25- Sequência de Difusão e Mapa de Coeficiente de Difusão Aparente (ADC) corte axial • FAT SAT - Essa sequência suprime ou anula o sinal dos tecidos adiposos (gordura) nas imagens, pois lança mão de um pulso de 90º prévio à sequência de pulso propriamente dita. Esse pulso causará a aceleração do vetor da gordura e este vetor ficará com o momento magnético diferente dos outros vetores. Em seguida, aplica-se um pulso de 90º da sequência de pulso (pulso excitatório), os vetores que não haviam sido excitados vão para o plano transverso, enquanto o vetor da gordura vai para o plano longitudinal negativo (180º) e começa a precessionar em maior velocidade, ficando fora de sintonia em relação aos outros vetores. Figura 26- Imagem da mama no plano axial ponderado em T1 FAT SAT pós- contraste intravenoso, mostrando a gordura em hipossinal. 30 5.4 Anamnese A Ressonância Magnética exige uma anamnese cuidadosa para garantir a segurançado paciente e a qualidade das imagens. Diferentemente de outros exames, a RM utiliza um campo magnético intenso, o que torna necessário a identificação e remoção de metais antes de realizar o exame. A anamnese deve abordar o histórico médico detalhado do paciente. Podendo abordar alergias, cirurgias prévias e doenças preexistentes. É primordial, a investigação sobre implantes e dispositivos metálicos, abrangendo desde marca-passos cardíacos e clipes de aneurisma até brincos, colares e piercing. Também deve ser exploradas condições específicas como gravidez, claustrofobia e histórico de convulsões. A coleta dessas informações é essencial para evitar riscos, como o aquecimento ou deslocamento de objetos metálicos pelo campo magnético, e para prevenir artefatos nas imagens que prejudicam o diagnóstico. 5.5 Posicionamento Na ressonância magnética, são utilizadas bobinas específicas para cada área a ser examinada. O exame é realizado com o paciente em sua maioria posicionado em decúbito dorsal, a área a ser analisada deve estar alinhada com o centro da bobina. É utilizado um laser infravermelho para centralizar a área a ser analisada. É importante esclarecer que o posicionamento pode variar dependendo do protocolo específico do centro de imagem e da condição do paciente, podendo variar o posicionamento em alguns casos específicos. É necessário conscientizar o paciente que durante o exame deve ficar imóvel, pois ao mover-se pode interferir na aquisição das imagens. Além disso, é utilizado em alguns exames suportes sob penas para elevar os membros inferiores, reduzindo a tensão na coluna e minimizando o movimento do paciente. E, além de suporte, o uso de almofadas e outros dispositivos como cintas que são utilizadas em alguns exames específicos como abdome total e pelve pois, é comum para garantir que o paciente permaneça imóvel e previna artefatos. 31 5.6 Indicações da Ressonância Magnética A ressonância magnética é o exame de escolha para investigação de lesões de ligamento e tendões, para problemas na coluna vertebral, para tumores do sistema nervoso central e para a investigação de doenças neurológicas, como a esclerose múltipla, além de doenças abdominais. 5.7 Contraindicações da Ressonância Magnética É contraindicado na RM, a presença de materiais ferromagnéticos no corpo do paciente, como certos implantes metálicos, marca-passos ou clipes de aneurisma cerebral antigos, pois representam um risco significativo devido ao forte campo magnético. Esses materiais podem se deslocar, causar lesões internas ou gerar artefatos nas imagens. Além disso, dispositivos médicos eletrônicos, como bombas de infusão ou neuroestimuladores. Outras contraindicações incluem a claustrofobia, devido ao espaço da máquina ser muito fechado e apertado pode causar claustrofobia no paciente. 5.8 Meio de Contraste Na ressonância magnética, o meio de contraste utilizado é o gadolínio que por sua vez desempenha um papel crucial ao realçar a visibilidade de estruturas internas, permitindo diagnósticos mais precisos. O gadolínio possui propriedades paramagnéticas, o que significa que ele altera o comportamento dos átomos de hidrogênio nos tecidos circundantes quando exposto a um campo magnético. Essa alteração afeta os tempos de relaxamento dos tecidos, especialmente o tempo de relaxamento T1. Ao encurtar o tempo de relaxamento T1, o gadolínio resulta em um aumento da intensidade do sinal nas imagens ponderadas em T1, tornando as estruturas que absorveram o gadolínio mais visíveis e distintas nas imagens de RM. Antes da aplicação do contraste, é necessário que o paciente assine um termo de consentimento que é disponibilizado na recepção da clínica. É fundamental que o profissional de saúde tenha a responsabilidade de informar detalhadamente o paciente sobre o procedimento, assegurando que este entenda suas implicações e concorde com o procedimento. 32 De acordo com o Manual Prático de Biomedicina no Diagnóstico por Imagem, do Hospital Sírio-Libanês, o meio de contraste gadolínio é administrado por via intravenosa. A quantidade em volume médio administrado é de 10 mL a 20 mL. O cálculo para a administração do contraste é baseado no peso do paciente e na concentração do agente de contraste utilizado. A dose padrão geralmente varia de 0,1 a 0,2 mmol/kg de peso corporal. Possíveis reações A incidência total de reações adversas aos meios de contraste na RM varia, aproximadamente, entre 2% e 4%. As reações adversas ao uso do GD podem ser divididas entre maiores e menores, e entre gerais e locais. • Reações menores gerais mais comuns são náusea, vômito, urticária e cefaleia, enquanto as locais são irritação, ardor e sensação de frio. • Reações adversas agudas maiores ao gadolínio, como laringoespasmo e choque anafilático, são raras. • Reações adversas após a injeção intravenosa de gadolínio são mais frequentes em pacientes que já tiveram reações prévias a qualquer tipo de contraste de uso interno, quer seja gadolínio ou contraste iodado (dobro de chance), e em pacientes com história de asma e alergias. (Meireles et al., 2012, p. 329) 5.9 Artefatos Um artefato é uma alteração ou distorção indesejada na imagem, que não deveria estar presente. Essa falha pode simular uma doença ou esconder estruturas importantes do corpo, dificultando o diagnóstico preciso. • Artefato de movimento: É causado devido a movimentos voluntários podendo ser o movimento de deglutição, movimento dos olhos, movimento por desconforto e claustrofobia. Ou movimentos involuntários, sendo eles os movimentos cardíacos, respiratórios, pulsação dos vasos, fluxo sanguíneo entre outros. 33 Figura 27– Artefato de movimento (RM de crânio corte axial) • Artefatos causados por filtros: São causados devido ao uso de filtros de homogeneidade que se apresentam na forma de ruídos externos ou faixas brilhantes atravessando a imagem. • Artefato de dobra: Ocorre quando a anatomia fora do FOV, dobra sobre a região de interesse e ficam sobrepostas na imagem. Figura 28 – Artefato de dobra (RM de crânio) • Artefato metálico: Ocorre devido a presença de objetos metálicos no corpo do paciente que interferem no sinal ao seu redor. 34 Figura 29– Artefato metálico devido a presença de grampos metálicos no cabelo (RM do crânio, sequência magnética ponderada em T1 no plano coronal e sagital) Figura 30– Artefato metálico devido a presença de prótese metálica na cavidade oral (RM do crânio, sequência magnética ponderada em T1 no plano sagital) 6. Zonas de segurança Os locais que utilizam o equipamento de ressonância devem ser divididos em 4 zonas. Essas zonas são projetadas para controlar o acesso e minimizar os riscos associados ao campo magnético. As quatro zonas devem conter sinalização com placas claras e visíveis, tendo um acesso rigorosamente controlado. Zona I - Área livre • É uma área mais externa, geralmente uma sala de espera onde a circulação e o acesso são liberados. 35 Figura 31– Zona I - RM: Área de acesso livre na Clínica Ultraimagem Zona II - Área controlada • Nessa zona, o acesso é controlado e restrito a pacientes e profissionais autorizados. O ideal é que os pacientes sejam submetidos ao questionário de segurança de metais, é onde ocorre a anamnese e a troca de roupa para utilização do avental e o propé que são disponibilizados na clínica. Figura 32 – Zona II – RM: Área de acesso controlado Clínica Ultraimagem Zona III - Área restrita • Nessa área o acesso deve ser estritamente controlado, sendo proibido permanecer sem autorização, pois geralmente é um corredor que fica próximo ao equipamento de ressonância e a sala de comando. 36 Figura 33– Zona III – RM: Área de acesso restrito Clínica Ultraimagem Zona IV - • Esta área é onde tem acesso direto com o equipamento da Ressonância.A segurança é máxima devido ao forte campo magnético, a entrada é permitida apenas para pacientes e profissionais. Figura 34– Zona IV – RM: Área de acesso restrito a sala do Magneto da Clínica Ultraimagem 37 6.1 Blindagens de segurança As salas de exame de RM onde fica o aparelho devem possuir uma blindagem RF(Rádio Frequência), denominada de Gaiola de Faraday. Essa blindagem envolve o ressonador e impede que eles entrem ou saiam de ondas eletromagnéticas. Um projeto de gaiola de faraday requer certas condições prévias de estudos (dimensões das aberturas, os níveis de piso e teto, insumos e outros), os quais são detalhados em uma pasta técnica. Também devem dispor de isolamento acústico, medidas para atenuação de vibrações mecânicas e sistema de evacuação massiva de gases criogênicos. 38 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estágio supervisionado é sem sombra de dúvidas um dos momentos chaves no processo de formação acadêmica, pois nessa etapa ocorre a experimentação de todo o conteúdo que foi abordado durante o curso de forma teórica. Além disso, é nesse período que de fato o aluno começa a ter um contato com o mercado de trabalho. Ao longo desse período, tive a oportunidade de estar presente em diferentes etapas do fluxo da clínica Ultraimagem, desde o preparo do paciente, observação da operação dos equipamentos até o acompanhamento das imagens. A imersão no ambiente dinâmico da clínica Ultraimagem, me proporcionou um aprendizado pratico complementando a formação teórica adquirida. A vivência prática me permitiu compreender os diferentes parâmetros de sequências, bobinas e o preparo do paciente para a obtenção de imagens de qualidade. A experiência de ter uma interação com uma equipe multidisciplinar, incluindo técnicos, enfermeiras e médicos radiologistas foi fundamental para a compreensão da importância do trabalho em equipe e da comunicação eficaz no ambiente de saúde. Em suma, o estágio supervisionado foi essencial pois, representou uma etapa crucial na minha formação acadêmica e profissional. 39 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Anvisa monitora 70% dos serviços de radiologia do país. Brasília, DF, 4 jul. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias- anvisa/2018/anvisa-monitora-70-dos-servicos-de-radiologia-do- pais#:~:text=O%20trabalho%20da%20Ag%C3%AAncia%20envolve,de%20 ultrassom%20e%20v%C3%A1rios%20outros. Acesso em: 02 abr. 2025. BEATO FILHO, Claudio Chaves. Práticas de Glosa e Anamnese. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 4, n. 1, p. [páginas do artigo, se disponíveis], 1994. Manual Prático de Biomedicina no Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês/edição Paula Caparroz Lucio... [et al.]. – 1. ed. – Santana de Parnaíba [SP]: Manole, 2023. MAZZOLA, Alessandro A.; STIEVEN, Karine I.; HOHGRAEFE NETO, Guilherme; CARDOSO, Georgina de Melo. Segurança em Imagem por Ressonância Magnética. Revista Brasileira de Física Médica, v. 13, n. 1, p. 761-770, 2019. Meireles, G. C. X., Kreimer, S., Marchiori, G. G. A., Galon, M. Z., & Scanavacca, R. (2012). Cinecoronariografia com Gadolínio em Pacientes com Alergia Grave ao Contraste Iodado. 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Artefatos em tomografia computadorizada: revisão de literatura e relato de caso. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Radiologia Odontológica e Imaginologia) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Odontologia, Porto Alegre, 2015. Ressonância magnética HCFAMEMA : protocolo de acesso de exame de ressonância magnética através da CROSS/ Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília. – Marília, 2020. SANTANA, P. C. et al. Níveis de radiação ambiental em serviço de tomografia por emissão de pósitrons acoplada a tomografia computadorizada (PET/CT). Radiologia Brasileira, v. 48, n. 1, p. 21-25, jan./fev. 2015. SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal da Saúde. Protocolos de acesso. São Paulo: Secretaria Municipal da Saúde, 2018. v. 1. SILVA, Ronaldo Corrêa Ferreira da. Tomografia computadorizada e risco de câncer. Revista Rede Câncer, Rio de Janeiro, ano 21, abril 2013.