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Psicologia Jurídica Psicologia Jurídica Relação da Psicologia com o Direito, principalmente, com o Direito Penal. Psicologia do Testemunho. Prática profissional voltada para a perícia, exame criminológico e laudos psicológicos baseados no psicodiagnóstico. Necessidade de fundamentar a decisão do magistrado. Psicologia Jurídica Na década de 60: Com o reconhecimento da profissão, novas atribuições e práticas foram se incorporando à Psicologia, principalmente em interface com outras Ciências e saberes. Décadas de 1970 e 1980: Primeiros registros de trabalhos de psicólogos em instituições de Justiça no Brasil (perícia terceirizada). Psicologia Jurídica 1985: 1o. Concurso público em São Paulo. Início da Década de 90: Luta dos psicólogos para criação do cargo junto ao Poder Judiciário. 2000: Título de Especialista em Psicologia Jurídica pelo CFP. Noções introdutórias da Psicologia Psicologia como Ciência – Wundt (1879); Seu status de ciência é obtido à medida que se “liberta” da Filosofia (estudava a alma); Sob os novos padrões de produção de conhecimento, passam a: definir seu objeto de estudo (o comportamento, a vida psíquica, a consciência); delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas de conhecimento, como a Filosofia e a Fisiologia; formular métodos de estudo desse objeto; formular teorias enquanto um corpo consistente de conhecimentos na área. Desenvolvimento humano Jean Piaget descreve o livro “Psicologia do Desenvolvimento”: “O desenvolvimento humano, portanto, é um processo de equilibração progressiva, uma passagem de um estado de menor equilíbrio para um estado de maior equilíbrio. Isto ocorre no âmbito da inteligência, da vida afetiva, das relações sociais, bem como no organismo de um modo geral”. A Psicologia do Desenvolvimento humano estuda as variáveis externas e internas dos indivíduos que levam às mudanças no comportamento em períodos de transição rápida (infância, adolescência e envelhecimento). Porém, teorias contemporâneas aceitam que as mudanças são mais marcadas em períodos de transição rápida, mas mudanças ocorrem ao longo de toda a vida do indivíduo, não só nestes períodos. Importante ampliar o entendimento do que é o estudo do desenvolvimento humano. É comum a ideia de que o desenvolvimento é produto de uma soma de pequenos aprendizados, de experiências que levam o ser humano a avançar. No entanto, dependendo da perspectiva teórica, pode haver grandes diferenças entre desenvolvimento e aprendizagem. O desenvolvimento do conhecimento se refere a um processo espontâneo que conduz ao amadurecimento do corpo, mente e sistema nervoso. Ou seja, um bebê só completa esse processo quando chega à idade adulta, atingindo o ápice de seu desenvolvimento. A aprendizagem, por outro lado, é causada por situações, eventos e experiências externas. Para Piaget é que ambos são opostos: o desenvolvimento do conhecimento é espontâneo e a aprendizagem é provocada. Psicologia do Desenvolvimento possui três finalidades principais: A primeira: reconhecimento da origem das condutas, sejam cognitivas, sociais, afetivas ou psicomotoras. A segunda: a identificação de mecanismos que provocam respostas e, por consequência, determinados padrões de comportamento. A terceira: utiliza esses conhecimentos para delimitar fases de desenvolvimento, revelando características comuns a cada uma. O desenvolvimento humano é formado por quatro pilares que estão, sempre, interligados: Aspecto físico-motor: descreve a maturação do corpo e da mente; Aspecto intelectual: se refere à capacidade cognitiva do ser humano; Aspecto afetivo-emocional: mostra a capacidade de integrar experiências e emoções, construindo seus sentimentos; Aspecto social: reações e posturas relacionadas às vivências em sociedade. Campos de discussões na Psicologia do Desenvolvimento. Antigas teorias relacionavam o desenvolvimento humano apenas a variáveis externas, ou somente às internas. Atualmente, existe um consenso de que ambos os tipos afetam a forma como o indivíduo cresce e se transforma. As variáveis internas consistem em processos presentes desde o nascimento, e bases genéticas que predispõem à formação de determinados comportamentos e características. Variáveis externas, por outro lado, descrevem a influência que o ambiente exerce sobre a maturação do ser humano, que se desenvolve de maneira distinta em diferentes sociedades e momentos históricos. Variáveis externas impactam, inclusive, no processo de aprendizagem, já que é necessária uma exposição a algo novo para aprender. Gestalt-terapia Em 1951 surgia, nos Estados Unidos, o movimento denominado “3º Força”, a Psicologia Humanista, em contrapartida ao Behaviorismo e à Psicanálise, denominados 1º e 2º forças, respectivamente, conferindo ao homem a condição de sujeito e não de objeto de estudo, responsável por suas escolhas. Nessa perspectiva, surge a Gestalt-terapia , como um dos exponentes deste movimento, enfatizando o autoconhecimento, satisfação, autossuporte e crescimento pessoal, vendo o homem como capaz de se autogerir, de se autorregular. Psicanálise Segundo a psicanálise, o desenvolvimento ocorre em resposta à procura por satisfação, direcionada pela libido desde que o ser humano nasce. Assim, a cada etapa do desenvolvimento, o indivíduo se concentra em uma parte do corpo e em ações que lhe dão mais prazer. São elas: fase oral, fase anal, fase fálica, fase de latência e fase genital. Behavorismo Sua contribuição para a Psicologia do Desenvolvimento se encontra na descoberta de que é possível alterar padrões de comportamento. O behaviorismo acredita, então, que os comportamentos mudam a partir de alterações ambientais, sendo o estímulo uma mudança no ambiente, e a reação, uma mudança realizada pelo indivíduo. Jean Piaget Como se dá a construção do conhecimento, ou seja, quais processos estão por trás da evolução na estrutura do pensamento do ser humano. O conhecimento é construído a partir de um sistema que busca se equilibrar, assimilando e acomodando novidades de maneira cíclica. Na assimilação, a pessoa entra em contato com o mundo exterior e aprende informações novas, que serão agregadas ao seu repertório. Em seguida, ocorre a acomodação, na qual essas informações são confrontadas com o que a pessoa já sabia e, a partir desse confronto, ocorre uma mudança na estrutura de seu pensamento – a construção de um novo conhecimento e consequente avanço cognitivo. O autor estudou a fundo o comportamento durante as primeiras fases da vida humana, chegando a quatro estágios de desenvolvimento cognitivo, desde o nascimento até a adolescência. São eles: Período sensório-motor (até 2 anos): No início da vida, os bebês se restringem a desempenhar movimentos reflexos, como a sucção, para que consigam se alimentar. Mas, com o tempo, aprimoram seus movimentos e incorporam outros objetos, além do seio materno, à sua rotina de sucção, indicando diferenciação entre seu corpo e o mundo exterior. Período pré-operatório (2 a 7 anos): Começando quando a criança aprende a falar. Permite que expressem seus pensamentos e emoções, embora ainda vejam o mundo de modo egocêntrico. Seu aprendizado é fundamentado por vivências e objetos que conhecem. Período operatório concreto (8 a 11/12 anos): Caracterizado pela construção de estruturas lógicas e redução do egocentrismo, contempla conhecimentos sobre regras sociais e senso de justiça. Período operatório formal (Adolescência): É nesse período que o indivíduo se torna capaz de exercitar a reflexão, criar hipóteses e deduções. Também amplia sua capacidade de raciocínio. Algumas questões da Psicologia Social Percepção social: A percepção ocorre desde a recepção dos estímulos sensoriais até o significado do estímulo. A percepção social é como nos percebemos e as características que colocamos. Atitudes: A partir da percepção social, relacionando com o afeto (+/-), desenvolve uma predisposição para agir em relação às pessoas. Para a PsicologiaSocial nós desenvolvemos atitudes (crença, valores, opinião) em relação ao objeto do meio social. (Podemos mudar nossas atitudes) Socialização: Participar de um determinado conjunto social, aprendendo seus códigos, suas normas e regras básicas de relacionamento, apropriando-se do conjunto de conhecimentos já sistematizados e acumulados por esse conjunto. Subjetividade Críticas a Psicologia Social, como algo relacional. Inserido o conceito de produções. Guattari entende subjetividade como algo produzido por instâncias individuais, coletivas e institucionais. Para Foucault, os modos de subjetivação são os processos através dos quais nos tornamos sujeitos, os meios pelos quais somos capturados por relações de forças implicadas no processo. O que entendemos, afinal, por subjetividade? Subjetividade Ao tentar afirmar-se paulatinamente como saber científico, distinto das especulações filosóficas, a psicologia começa a reivindicar para si, como objeto de seu saber, a subjetividade. Tudo aquilo que concorre para a produção de um “si”, um modo de existir, um estilo de existência. Deleuze e Guattari A subjetividade é produzida por agenciamentos de enunciação. Tomar a enunciação como agenciamento significa descentrá-la do sujeito e da relação emissor-receptor, potencializando, ao contrário, a indissociabilidade dos agenciamentos de enunciação de práticas concretas e das relações de poder. As produções colaborativas são sempre compostas por multiplicidades de cartografias. “Construir um mapa sempre inacabado, aberto, composto de diferentes linhas (...) suscetível de receber modificações constantemente”. Rizoma O rizoma é uma forma de pensamento e organização que contrasta com a estrutura hierárquica e linear tradicional. Em vez de pensar em termos de árvores ou estruturas verticais, eles propõem o rizoma como uma imagem que representa uma rede de conexões horizontais, múltiplas e não hierárquicas. O rizoma é caracterizado por sua natureza descentralizada, não linear e aberta, onde qualquer elemento pode se conectar a qualquer outro. O rizoma desafia a ideia de uma ordem fixa e estática, permitindo uma multiplicidade de conexões e possibilidades. Ele enfatiza a ideia de que o conhecimento, a cultura e a sociedade são compostas por uma rede complexa de relações e interações, em constante transformação e evolução. Foucault A subjetividade, o sujeito, para Foucault, envolve um processo de subjetivação, visto que, segundo suas próprias, não existe constituição do sujeito moral sem modos de subjetivação, ou seja, toda experiência que concretiza uma subjetividade envolve modos historicamente peculiares de se fazer a experiência do si (subjetivação). Os saberes e os poderes de todos os tempos procuram domar os processos de subjetivação. Biopoder Foucault vai tornando claro que o poder se expressava não apenas como poder disciplinar, mas também como biopoder (disciplina e biopolítica): não apenas o controle pelo não, mas também o controle pelo sim. Antes de o biopoder vigorar predominava um tipo de poder soberano, que dispunha do direito de vida e de morte sobre os súditos e operava pelo fazer morrer e pelo deixar viver. Era inspirado no “pátria potestas”, um mecanismo jurídico que concedia ao pai de família romano o direito de dispor da vida dos filhos, uma vez que a tinha dado. Não havia um modelo de subjetividade que definisse o sujeito, mas modos de viver que implicavam em subjetivações Estigma Conceito de estigma como processo de construção histórico-social. É a “situação do indivíduo que é inabilitado para a aceitação social plena” e refere-se a “um atributo profundamente depreciativo” (Goffman, 1982, p. 8), ou seja, é a condição de não possuir atributos considerados importantes por um grupo social. O estigma social é definido pela desaprovação das características e crenças pessoais que confrontam as normas culturais prevalentes em determinado grupo social, conduzindo os portadores destas características ou adeptos destas crenças à marginalização. Para ele, existem três formas de estigma: deformidades físicas (deficiências motoras, auditivas, visuais, desfigurações do rosto ou corpo); características pessoais e comportamentais (distúrbios mentais, comportamento político radical, desemprego, toxicodependências, vícios, prisão) e estigmas tribais (pertencimento a uma raça, nação, religião). “Expectativas normativas”: exigências rigorosas criadoras da identidade social de cada elemento desta relação social. A identidade social virtual tem relação com as exigências que a sociedade faz a uma pessoa ou grupo, esperando que seja ou aja de tal forma, como esperado. Já a identidade social real são os atributos que ela possui enquanto ser humano, para além de seu estereótipo ou história de vida. Quanto maior a discrepância entre a identidade virtual e real, mais forte será o estigma; quanto mais perceptível e acentuada a diferença entre o indivíduo estigmatizado e os normais, mais estigmatizante ela será; quanto maior a diferença entre os atributos reais e atribuídos, mais acentuada será sua problemática, devido ao controle social e submissão a ele. O estigma diz respeito ao como se vê o mundo e o seu redor, se na qualidade de “normal” ou de estigmatizado, e isso também tem relação com a forma como vejo os outros, a partir de um olhar estigmatizador e preconceituoso, com o objetivo de afastar e isolar os que são considerados “diferentes” e acabam tendo suas identidades deterioradas. Estigma como marcas sociais. Interação social Pode ser identificada estritamente como aquilo que ocorre unicamente em situações sociais, isto é, ambientes nos quais dois ou mais indivíduos estão fisicamente na presença imediata um do outro. Agimos de formas distintas, como aponta Goffman (2002), de acordo com o que esperam de nós e a preocupação com a nossa imagem diante dos outros e a idealização, ou seja, quando cumprimos o esperado em um determinado contexto e somos valorizados socialmente, inclusive cumprindo um estereótipo. Estereótipos Os estereótipos são representações mentais socialmente construídas que categorizam as pessoas com etiquetas facilmente reconhecíveis. São ideias preconcebidas que colocam as pessoas ou grupos sociais em “caixinhas”, criando rótulos, ditando seus comportamentos e padronizando sua imagem de forma bem preconceituosa. São, portanto, parte deste conjunto de crenças e atitudes que são ativados automaticamente e que geram expectativas a respeito de um determinado grupo ou pessoa que pertença a este grupo. Estas expectativas criadas pelos estereótipos enviesam constantemente as relações e julgamentos sociais. Preconceito O preconceito pode ser baseado ou não em sentimento precipitado, motivado por hábitos de julgamento ou generalizações apressadas. As pessoas podem estruturar os seus preconceitos ao optar pelo semelhante e afastar-se do diferente, o que pode influenciar as suas escolhas e o que incluem e excluem. O preconceito se utiliza dos estereótipo, gerando atitude discriminatória. O preconceito pode ter consequências em todos os níveis da vida social e as suas marcas permanecem. Discriminação É o preconceito em suas ações, é o ato de diferenciar, de dar tratamento diferente. O preconceito é ter ideias negativas ou estereotipadas sobre um grupo de pessoas, enquanto a discriminação é agir de maneira injusta ou desigual contra esse grupo por causa dessas ideias. image1.jpeg