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CINESIOLOGIA Profa. Débora Costa Osteologia e artrologia do ombro O complexo do ombro é formado pelos ossos úmero, escápula, clavícula e esterno e compreende cinco articulações: glenoumeral, acromioclavicular, esternoclavicular, escapulotorácica e subdeltoideana. As três primeiras são consideradas articulações verdadeiras (ou anatômicas, já que existe contato entre duas superfícies ósseas) e as duas últimas são falsas (ou funcionais, já que existem elementos que se interpõem entre os ossos, como os músculos). A articulação glenoumeral (articulação do ombro) é classificada, de acordo com seu formato, como sinovial do tipo esferoidal. A articulação esternoclavicular é anatomicamente considerada sinovial do tipo selar (biaxial), entretanto funcionalmente permite movimento ao redor de três eixos, sendo considerada a partir desse aspecto, triaxial. Os movimentos existentes são o de protração/retração, elevação/depressão, e rotação anterior e posterior da clavícula. A articulação acromioclavicular é classificada, de acordo com seu formato, como sinovial do tipo plana. As superfícies ósseas em contato são a extremidade acromial da clavícula e o acrômio. Nessa articulação ocorrem apenas deslizamentos entre as superfícies, que ocorrem em razão dos movimentos da escápula e clavícula. A articulação escápulo torácica não é uma articulação anatômica propriamente dita, pois existem elementos que se interpõem aos ossos envolvidos. Os movimentos existentes nessa articulação são os de elevação/depressão, abdução/adução e rotação lateral e medial. A articulação subdeltóidea é considerada uma articulação funcional (não anatômica), assim como a articulação escápulo torácica. Ela compreende o espaço entre a cabeça do úmero e o arco coracoacromial, arco formado anteriormente pelo processo coracoide, superiormente pelo ligamento coracoacromial e posteriormente pelo acrômio. Movimentos do Ombro A partir da posição anatômica é possível movimentar a articulação do ombro ao redor dos três eixos de movimento, látero-lateral, ântero-posterior e longitudinal o que caracteriza a articulação como triaxial ou com três graus de liberdade. O movimento de flexão ocorre quando o membro superior se eleva anteriormente e apresenta amplitude de 180º. Já o movimento de extensão ocorre quando o membro superior se desloca para trás e apresenta amplitude de aproximadamente 50º. Ambos os movimentos ocorrem no plano sagital e ao redor do eixo látero lateral. O movimento de abdução ocorre quando há afastamento do braço em relação ao corpo e tem amplitude de 180º, mesma amplitude da flexão máxima. A adução ocorre quando o braço se aproxima da linha média do corpo e pode ocorrer com o braço à frente do corpo, com amplitude de aproximadamente 30º ou ocorrer com o braço atrás do corpo, situação na qual a amplitude é muito pequena. Esses movimentos ocorrem no plano frontal e ao redor do eixo ântero-posterior. Os movimentos de rotação interna e rotação externa ocorrem quando a superfície anterior do úmero se desloca para dentro ou para fora, respectivamente. A amplitude de rotação externa é de 80º e a de rotação interna alcança 95º, quando passamos o braço atrás do corpo. Esses movimentos ocorrem no plano transversal e ao redor do eixo longitudinal. Outros dois movimentos são descritos em relação ao ombro, os de flexão ou adução horizontal e extensão ou abdução horizontal. Estes também ocorrem no plano transversal (horizontal) e ao redor do eixo longitudinal. As amplitudes são de 140º para a flexão horizontal e de 30º para a extensão horizontal. Sistema Ligamentar (Estabilizadores Estáticos) Os ligamentos são estruturas passivas, já que não produzem movimento ativamente como os músculos. Têm a finalidade de aumentar a estabilidade mecânica das articulações, guiar o movimento articular e prevenir o movimento excessivo. Quando ocorre movimento em excesso na articulação, lesões parciais ou totais podem ocorrer. A articulação do ombro apresenta grande mobilidade e reduzida estabilidade. Esse fato se deve, especialmente, porque a congruência óssea não fornece estabilidade, já que a cavidade glenoide é rasa e a cabeça do úmero tem um apoio reduzido nesse local. Vale ressaltar que a estabilidade dada pelos ligamentos estará diretamente relacionada ao seu “comprimento”, pois, se eles estiverem tensionados, oferecerão maior restrição ao movimento, ao passo que, se estiverem relaxados (frouxos), pouca restrição haverá ao movimento. O ligamento glenoumeral reforça anteriormente a articulação do ombro e apresenta três feixes, o superior, o médio e o inferior. Durante o movimento de abdução e extensão, os feixes médio e inferior ficam tensionados, enquanto que, na adução e flexão, eles ficam frouxos. Durante a rotação externa, os três feixes ficam tensionados e o contrário ocorre durante a rotação interna. O ligamento coracoumeral reforça a parte superior da cápsula articular. Apresenta 2 fascículos, que se inserem no tubérculo maior (posterior) e no tubérculo menor do úmero (anterior). Durante a extensão do ombro, existe tensão do fascículo anterior e durante a flexão, tensão do fascículo posterior. O ligamento coracoacromial apresenta base fixada no processo coracoide e ápice inserido no acrômio. Forma o arco coracoacromail, presente na articulação subdeltóidea. Sistema Muscular (Estabilizadores Dinâmicos) Para que a articulação do ombro possa oferecer estabilidade dinâmica e ao mesmo tempo cumprir sua função de mobilidade no espaço, diversos músculos atuam nessa região. Serrátil anterior Origem: superfícies laterais das 8- 9 primeiras costelas. Inserção: face costal da margem medial da escápula. Inervação: nervo torácico longo. Ação: faz a protrusão (abdução) e rotação lateral da escápula e a mantém contra a parede do tórax. Trapézio Origem: linha nucal superior, protuberância occipital externa, ligamento nucal, processos espinhosos de C7 – T11. Inserção: terço lateral da clavícula, acrômio e espinha da escápula. Inervação: nervo acessório (NC XI). Ação: eleva a escápula (parte superior), abaixa a escápula (parte inferior), retrai (todas as porções) e roda lateralmente a escápula (partes superior e inferior). Romboide maior Origem: processo espinhoso das vértebras de T2 – T5. Inserção: margem medial da escápula inferior à espinha da escápula. Inervação: nervo dorsal da escápula. Ação: fixa a escápula na parede do tórax. Faz sua retração (adução) e rotação medial, abaixando a cavidade glenoidal da escápula. Romboide menor Origem: ligamento nucal, processos espinhosos das vértebras C8 e T1. Inserção: margem medial da escápula, no nível da espinha da escápula. Inervação: nervo dorsal da escápula Ação: fixa a escápula na parede do tórax. Faz sua retração e rotação, abaixando a cavidade glenoidal da escápula. Levantador da escápula Origem: tubérculos posteriores dos processos transversos das vértebras C1-C4. Inserção: margem medial da escápula, desde o ângulo superior até a espinha da escápula. Inervação: ramos anteriores dos nervos espinais C3 e C4 e nervo dorsal da escápula. Ação: eleva medialmente a escápula e roda inferiormente a cavidade glenoidal. Subclávio Origem: margem posterior da 1ª costela. Inserção: superfície inferior do terço médio da clavícula. Inervação: nervo subclávio. Ação: fixa e abaixa a clavícula. Peitoral menor Origem: superfície externa da margem superior das costelas III-V. Inserção: processo coracoide da escápula. Inervação: nervo peitoral medial. Ação: abaixa o ângulo lateral e faz a protrusão da escápula. Subescapular Origem: fossa subescapular. Inserção: tubérculo menor do úmero. Inervação: nervos subescapulares superior e inferior. Ação: roda medialmente e aduz o braço na articulação do ombro. Supraespinal Origem: fossa supraespinal da escápula e fáscia do braço. Inserção: superfície superior do tubérculo maior do úmero. Inervação: nervo supraescapular. Ação: inicia a abdução do braço e age com os músculos do “manguito rotador” do ombro.Infraespinal Origem: fossa infraespinal da escápula. Inserção: superfície lateroposterior do tubérculo maior do úmero. Inervação: nervo supraescapular. Ação: rotação externa do ombro. Redondo menor Origem: 2/3 superiores da face posterior da margem lateral da escápula. Inserção: superfície inferior do tubérculo maior do úmero. Inervação: nervo axilar. Ação: rotação externa do ombro. Deltóide Origem: terço lateral da superfície anterior da clavícula, região lateral do acrômio, margem inferior da espinha da escápula. Inserção: tuberosidade para o músculo deltoide do úmero. Inervação: nervo axilar. Ação: parte clavicular – flexiona e roda medialmente o braço. Parte acromial – abduz o braço após os 15° iniciais realizados pelo músculo supraespinal. Parte espinal – estende e roda lateralmente o braço. Coracobraquial Origem: extremidade do processo coracoide da escápula. Inserção: face medial do terço médio do úmero. Inervação: nervo musculocutâneo. Ação: flexor e adutor do braço na articulação do ombro. Bíceps braquial Origem: cabeça longa – tubérculo supraglenoidal da escápula. Cabeça curta – extremidade do processo coracoide da escápula. Inserção: tuberosidade do rádio, fáscia do antebraço via aponeurose do músculo bíceps braquial. Inervação: nervo musculocutâneo (C5, C6). Ação: flexiona o ombro, flexiona e supina o antebraço na articulação do cotovelo. Tríceps braquial (cabeça longa) Origem: cabeça longa – tubérculo infraglenoidal da escápula. Inserção: superfície posterior do olecrano. Inervação: nervo radial. Ação: extensão ombro (somente a cabeça longa) e todas as porções estendem o cotovelo. Peitoral maior Origem: metade esternal da clavícula, esterno até a 7ª costela e cartilagens costais. Inserção: sulco intertubercular do úmero. Inervação: nervos peitorais lateral e medial. Ação: flexão, adução e rotação medial do ombro. Latíssimo do dorso (grande dorsal) Origem: processos espinhosos de T 7 a L 5, aponeurose toracolombar, crista ilíaca e três últimas costelas (X-XII). Inserção: sulco intertubercular do úmero. Inervação: nervo toracodorsal. Ação: extensão, adução e rotação medial ombro. Redondo maior Origem: face posterior do ângulo inferior da escápula. Inserção: lábio medial do sulco intertubercular do úmero. Inervação: nervo subescapular inferior. Ação: aduz e roda medialmente o braço. image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png