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RESUMOS MEDICINALOGIA 
Cirurgia pediátrica 
AFECÇÕES CERVICAIS 
➔ Higroma cístico: 
o Definição: é uma malformação linfática na 
região cervical posterior. 
o Quadro clínico: 
▪ Lesão cística, multiloculada e 
elástica, com transiluminação 
positiva. 
▪ Essa lesão pode crescer a ponto 
de gerar efeitos de massa. 
Essa malformação linfática pode estar em outros locais, 
como na axila ou no esterno. 
o Diagnóstico: através da clínica embora, em 
caso de dúvidas, possam ser utilizados 
exames de imagem (como USG e RM). 
o Tratamento: 
▪ É cirúrgico: ressecção completa 
com ligadura de todos os linfáticos. 
▪ Em caso de lesões complexas: 
realizar esclerose (com uso de 
Bleomicina) de forma associada. 
➔ Cisto do ducto tireoglosso: 
o Definição: ocorre por uma remanescência 
do ducto tireoglosso. 
o Quadro clínico: massa indolor em linha 
média cervical, adjacente ao osso hioide e 
móvel à deglutição. 
o Diagnóstico: geralmente é feito de forma 
clínica, mas em caso de dúvida, pode 
solicitar uma USG. 
o Tratamento: 
▪ Sempre é indicado e é cirúrgico: 
feito através do método de Sistrunk 
(ressecção completa do cisto, de 
todo o ducto e do osso hiode) 
➔ Cistos ou fendas branquiais: 
o Definição: consiste no fechamento ou 
desenvolvimento incompleto dos arcos 
branquiais. 
o Epidemiologia: o defeito do 2º arco 
branquial é o mais comum, representando 
aproximadamente 95% dos casos. 
o Quadro clínico: cisto ou drenagem de 
conteúdo ao longo da borda do 
esternocleidomastóideo. 
Diagnóstico: através da clínica embora, em 
caso de dúvidas, possam ser utilizados 
exames de imagem (como USG, RM e TC). 
o Tratamento: sempre é indicado e é 
cirúrgico: através da ressecção de todos os 
remanescentes do arco branquial. 
Se estiver infectado, é necessário tratar a infecção 
inicialmente. 
➔ Torcicolo congênito: 
o Definição: ocorre por fibrose e 
encurtamento do músculo 
esternocleidomastoideo. 
o Quadro clínico: 
▪ O quadro inicia poucas semanas 
após o nascimento sendo uma 
condição isolada. 
▪ A cabeça estará inclinada para o 
lado do músculo afetado e girada 
na direção oposta. 
o Diagnóstico: é clínico. 
o Tratamento: 
▪ Fisioterapia: quando iniciada de 
forma precoce, há sucesso em 
90% dos casos. 
▪ Orientações aos pais: com a 
realização de exercício de 
alongamento e reorganização do 
quarto do bebê. 
Em casos refratários, pode ser feita toxina botulínica ou 
cirurgia com divisão muscular. 
GASTROINTESTINAL 
➔ Atresia de esôfago e fístula traqueoesofágica: 
o São condições que normalmente são 
coexistentes e, por isso, vão ser faladas de 
forma conjunta. 
o Definição: 
Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina
RESUMOS MEDICINALOGIA 
▪ Atresia de esôfago: é a 
descontinuidade em algum ponto 
do esôfago 
▪ Fístula traquoesofágica (FTE): é a 
comunicação anormal entre a 
traqueia e o esôfago 
Normalmente quem possui essas condições possui 
outras condições associadas, que podem ser 
relembradas pelo mnemônimo VACTERL: 
V Anomalias da coluna vertebral 
A Atresia anal 
C Anomalias cardiovasculares 
T Fístula traqueoesofágica 
E Atresia esofágica 
R Anomalias renais e/ou anomalias do rádio 
L Defeitos nos membros 
 
o Classificação de Gross: 
Tipo A Há apenas atresia de esôfago 
Tipo B Há atresia de esôfago + fístula proximal 
Tipo C 
Representa 86% dos casos, sendo o tipo mais 
comum. É uma atresia de esôfago + fístula 
traquoesofágica distal. 
Tipo D Há atresia de esôfago + fístula proximal e distal 
Tipo E Há apenas a fístula traqueoesofágica 
 
o Quadro clínico: em geral, será de 
polidramnia, sialorreia, tosse, regurgitação 
e cianose. Contudo, pode haver 
manifestações mais específicas a 
depender se: 
▪ Só atresia de esôfago: abdômen 
escavado 
▪ Só fistula traquoesofágica: 
sintomas respiratórios 
Se for do tipo C (com fístula traquoesófágica) haverá 
distensão. 
o Diagnóstico: 
▪ Pré natal: feito pela USG, que 
verificará polidramnia e bolha 
gástrica pequena ou ausente. 
▪ Pós-natal: não passagem de 
sonda nasogástrica (10 – 15 cm). 
Além disso, pode ser evidenciado 
na radiografia um acúmulo de 
contraste e, se houver uma fístula 
traqueoesofágica distal, ar no trato 
gastrointestinal. 
o Tratamento: 
▪ Drenagem contínua do esôfago 
▪ Antibioticoterapia 
▪ Avaliar intubação orotraqueal e 
ligadura de emergência da FTE 
▪ Abordar atresia 
▪ Investigar outras malformações 
➔ Estenose hipertrófica do piloro e atresia 
duodenal: 
o Epidemiologia: acomete 1 - 3/1.000 
nascidos vivos 
o Menos associada a anomalias. Quando há, 
geralmente é associada à trissomia do 18 
(Síndrome de Apert). 
o É uma condição não congênita, geralmente 
ocorrendo a partir da 3ª – 5ª semana de 
vida 
o Quadro clínico: vômitos não biliosos, 
criança faminta com presença de oliva 
pilórica (massa em formato de azeitona na 
região do piloro) 
o Diagnóstico: feito pelo clínico e pela 
palpação da oliva pilórica por examinador 
experiente. 
Em caso de dúvida, pode solicitar uma USG. 
o Tratamento: pilorotomia de Fredet-
Ramstedt (pilorotomia extra mucosa) 
A estenose hipetrófica do piloro e a atresia duodenal 
apresentam manifestações clínicas semelhantes como 
vômitos, alcalose metabólica hipoclorêmica 
hipocalêmica e urina ácida. 
➔ Atresia duodenal: 
o É a descontinuidade da luz do duodeno, 
sendo uma condição congênita. 
o Epidemiologia: Acomete 1 – 10.000 
nascidos vivos. 
o Mais frequentemente associado a 
anomalias, como cardiopatias e trissomia 
do 21. 
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RESUMOS MEDICINALOGIA 
o Quadro clínico: vômitos biliosos presentes 
desde o nascimento. 
o Diagnóstico: confirmado pela radiografia 
de corpo inteiro, que expressará o sinal da 
dupla bolha. 
o Tratamento: cirúrgico, através de uma 
duodeno-duodenostomia. 
➔ Enterocolite necrosante: 
o Fatores de risco: prematuridade (principal) 
e baixo peso ao nascer. 
o Fisiopatologia: o prematuro terá alterações 
do TGI, desde isquemias leves até quadros 
mais avançados, com necrose. 
o Quadro clínico: 
▪ Achados inespecíficos: apneia, 
bradicardia, letargia e hipotermia. 
▪ Achados do TGI: intolerância 
alimentar, com presença de 
resíduos gástricos, distensão, 
sensibilidade, eritema e massa da 
parede abdominal 
▪ Deterioração do estado geral 
▪ Maior necessidade de suporte 
ventilatório 
o Achados radiográficos: 
▪ Inespecíficos: distensão e 
espessamento. 
▪ Específicos: pneumatose intestinal 
e gás na veia porta. 
▪ Pneumoperitônio: em caso de 
perfuração. 
Outro indicativo de perfuração é a paracentese positiva. 
o Tratamento clínico: 
▪ Dieta zero + sonda nasogástrica + 
nutrição parenteral total. 
▪ Reposição volêmica + correção de 
distúrbios 
▪ Antibioticoterapia 
▪ Suporte ventilatório 
o Tratamento cirúrgico: indicado em caso de 
perfuração. Não há consenso em relação à 
técnica, mas em geral, é uma ressecção + 
estomia ou anastomose primária se o 
paciente estiver estável. 
Se for um RN com muito baixo peso, o tratamento 
cirúrgico de escolha seria uma drenagem peritoneal. 
➔ Doença de Hirschsprung: 
o Definição: consiste na presença de um 
segmento do TGI com ausência de células 
ganglionares, Auerbach, Henle e Meissner. 
o Epidemiologia: é a causa mais comum de 
obstrução inferior em neonatos (1:5.000) 
A aganglionose é limitada ao retossigmoide em 80% 
dos casos. 
o Quadro clínico: 
▪ Distensão + ausência de 
eliminação do mecônio 
▪ Toque retal com saída explosiva de 
fezes. 
o Diagnóstico: 
▪ Enema contrastado: expressará a 
presença do cone de transição 
(diferença entre a área dilatada e o 
estreitamento). 
▪ Manometria retal: verificará o não 
relaxamento. 
▪ Biópsia retal: pode ser feita por 
sucção ou cirúrgica. Fechará o 
diagnóstico. 
o Tratamento: cirúrgico através da remoção 
do segmento agangliônico + reconstrução. 
Podem serrealizadas algumas técnicas: 
▪ Técnica de Swenson: ressecção 
do segmento aganglionar com 
anastomose coloanal. 
▪ Técnica de Soava: não há 
ressecção. É feita uma 
mucosectomia do segmento 
agangliônico com rebaixamento do 
segmento ganglionar. 
▪ Técnica de Dugamel: secção 
acima da zona de transição com 
anastomose da parede posterior. 
o Complicações: a principal é a enterocolite 
associada a Doença de Hirschprung, que é 
a complicação mais grave e 
potencialmente fatal. É uma complicação 
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RESUMOS MEDICINALOGIA 
que pode acontecer antes ou após a 
cirurgia. Dessa forma, há 03 cenários: 
Possível 
(grau I) 
Diarreia, leve distensão abdominal e radiografia 
com distensão leve. 
Definitivo 
(grau II) 
Diarreia explosiva, febre, letargia, distensão e dor 
abdominal. Radiografia com distensão e níveis 
hidroaéreos. 
Grave 
(grau III) 
História de obstrução, hipovolemia, choque, 
alteração do nível de consciência e sinais de 
peritonite. A radiografia demonstrará pneumatose 
intestinal e/ou pneumoperitônio. 
 
➔ Onfalocele e gastroquise: 
 Onfalocele Gastroquise 
Epidemiologia 
Associado a outras 
anomalias, como 
trissomias (21, 13) e 
cardiopatias 
Geralmente não 
associado a 
anomalias, mas, 
quando está, é a 
atresia intestinal. 
Definição 
É um defeito a nível da 
cicatriz umbilical com 
falha no retorno do 
conteúdo para a 
cavidade abdominal. 
É um defeito à 
direita do umbigo, 
da própria 
formação da 
parede abdominal 
Quadro clínico 
Costuma ser um 
defeito grande (> 04 
cm) e há a presença 
de intestino delgado e 
fígado, que serão 
revestidos por 
membranas 
Há a presença de 
intestino delgado 
sem membrana. 
Alfafetoproteína Pode se elevar 
Geralmente estará 
elevada. 
Conduta 
Estabilização + antibioticoterapia profilática + 
cirurgia 
 
GENITURINÁRIA 
➔ Escroto agudo devido a torção testicular: 
o Quadro clínico: dor testicular aguda, 
testículo aumentado, retraído, com 
orientação transversa, epidídimo 
anteriorizado, diminuição do reflexo 
cremastérico e sinal de Prehn negativo 
O sinal de Prehn é o alívio da dor com a elevação da 
bolsa escrotal. É positivo em causas inflamatórias. 
o Diagnóstico: é clínico. Se houver dúvida, 
pode ser realizada um USG com doppler, 
desde que não atrase a conduta. 
o Tratamento: 
▪ Cirúrgico a partir da correção da 
torção + avaliação + fixação 
contralateral. 
▪ Se o testículo for inviável: 
orquiectomia. 
A torção dos apêndices testiculares é a causa mais 
comum de escroto agudo. O quadro será mais insidioso 
e menos intenso. Em alguns casos, pode ser 
visualizado um ponto azulado. Na dúvida, é indicada 
cirurgia. Se durante a propedêutica, afastar a 
possibilidade de torção testicular, a conduta é 
conservadora. 
➔ Criptorquidia: 
o Definição: é a ausência de testículo na 
bolsa escrotal 
o Quadro clínico: 
▪ Hipotrofia da bolsa escrotal. 
▪ Se não houver palpação de 
testículos: 
• Unilateral: testículo 
abdominal 
• Bilateral: investigar 
anorquia através do 
estímulo de testosterona, 
LH e FSH. 
o Laparoscopia: 
▪ Indicada após afastar anorquia. 
▪ Será diagnóstica e terapêutica 
o Complicações: 
▪ Sub ou infertilidade 
▪ Câncer 
▪ Torção testicular 
o Tratamento: sempre é necessário tratar, 
sendo de forma aberta ou 
videolaparoscópica. O momento ideal para 
o tratamento depende da referência: 
▪ Campbel: 12 – 18 meses 
▪ SBP: até 02 anos, mas idealmente 
no 1º ano de vida 
Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina
RESUMOS MEDICINALOGIA 
▪ Nelson: 09 – 15 meses. 
Na presença de hérnia inguinal, é necessário operar 
imediatamente. 
O tratamento diminui o risco de infertilidade e de torção. 
Em relação ao risco de neoplasia, ainda não há um 
consenso. 
➔ Neuroblastoma: 
o Definição: é o tumor sólido mais comum no 
lactente. 
o Fisiopatologia: derivam de células 
primitivas da crista neural, podendo ocorrer 
em suprarrenal ou em gânglios simpáticos 
o Epidemiologia: 
▪ 65% se localizam no abdômen 
▪ 50% se localizam na medula 
suprarrenal. 
o Quadro clínico: 
▪ Massa abdominal dura e irregular 
que atravessa a linha média 
▪ Anemia e fraqueza: expressa 
invasão da medula óssea. 
▪ Dor: indica uma metástase óssea 
▪ Sinal do guaxinim: devido a 
acometimento periorbital. 
o Diagnóstico: 
▪ Palpação de massa abdominal que 
atravessa a linha média 
▪ Marcadores da urina (ácido 
homovanílica e vanilmandélico): 
podem ser solicidados. 
▪ Histopatológico ou aspirado de 
medula: são o padrão-ouro e 
verificarão células redondas. 
o Tratamento: é cirúrgico, associado ou não 
a quimio ou radioterapia. 
➔ Nefroblastoma (tumor de Wilms): 
o Epidemiologia: é o tumor renal mais 
comum sendo o 2º abdominal mais 
comum. 
o Definição: é um tumor composto por 
blastema metanéfrico, com presença de 
células blastemais, estromais e epiteliais. 
o Quadro clínico: 
▪ Massa abdominal que não 
atravessa linha média. 
▪ Hematúria: indica invasão do 
sistema coletor / ureter. 
▪ HAS: em 25% dos casos 
o Diagnóstico: USG ou TC 
o Tratamento: 
▪ Nefrectomia total: se unilateral. 
▪ Nefrectomia parcial: se bilateral. 
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