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Conceitos importantes Diverticulose: Refere-se à presença de pseudodivertículos no cólon, geralmente diagnosticados incidentalmente durante exames de imagem ou colonoscopia em pacientes assintomáticos. A diverticulose não implica sintomas ou inflamação. Doença diverticular: O termo é usado para descrever casos em que os divertículos causam sintomas, ainda que sem inflamação. A doença diverticular sintomática pode se manifestar com desconforto abdominal e, em alguns casos, com sangramento, sendo uma das principais causas de hemorragia digestiva baixa. Diverticulite aguda: Ocorre quando um pseudodivertículo sofre inflamação e infecção, resultando em sintomas agudos como dor abdominal, febre e leucocitose. Esse quadro diferencia-se da diverticulose assintomática ou sintomática e demanda atenção médica imediata. A diverticulite aguda é uma condição súbita, com duração de horas ou poucos dias, sendo um tipo de abdome agudo inflamatório. Doença diverticular complicada: Engloba casos nos quais a doença diverticular leva a complicações como abscessos, perfuração, peritonite ou formação de fístulas. A diverticulite aguda pode evoluir para essa fase caso não seja tratada prontamente. Doença diverticular ➝ Presença de divertículos no cólon. A doença diverticular acontece quando existem divertículos no cólon, principalmente no cólon sigmoide. Esses divertículos do cólon, na maioria das vezes, não são divertículos verdadeiros. Eles são chamados de pseudodivertículos. A diferença é: Divertículo verdadeiro: envolve todas as camadas da parede intestinal: mucosa, submucosa, muscular e serosa. Pseudodivertículo: só a mucosa e a submucosa “empurram para fora” através de pontos fracos da camada muscular. Esses pontos fracos existem principalmente onde os vasos sanguíneos atravessam a parede do intestino para irrigar a mucosa. Quando a pressão dentro do cólon aumenta, essa mucosa pode herniar por esses pontos frágeis, formando os divertículos. Isso é mais comum em pessoas com constipação, obesidade e tabagismo, porque esses fatores aumentam a pressão dentro do intestino. O local mais acometido é o cólon sigmoide, porque ele tem o lúmen mais estreito. Pela Lei de Laplace, quanto menor o diâmetro do intestino, maior tende a ser a pressão exercida ali. Dessa forma, o sigmoide, por ser uma região mais estreita, sofre mais pressão e tem pontos fracos na parede. Por isso, é o lugar clássico para formar pseudodivertículos. Fisiopatologia 1. Formação dos divertículos A doença diverticular ocorre pela formação de pseudodivertículos no cólon. Os pseudodivertículos são herniações da mucosa e da submucosa através da camada muscular da parede colônica. Eles não envolvem todas as camadas da parede intestinal, por isso não são considerados divertículos verdadeiros. Essas herniações surgem principalmente em pontos de fragilidade da parede do cólon, especialmente nos locais onde os vasos retos atravessam a camada muscular para irrigar a mucosa. 2. Papel da pressão intraluminal A formação dos pseudodivertículos está relacionada ao aumento da pressão intraluminal no cólon. Essa pressão elevada favorece a protrusão da mucosa e da submucosa através dos pontos frágeis da parede intestinal. O cólon sigmoide é o local mais acometido porque possui menor calibre, maior atividade segmentar e maior pressão intraluminal. Diverticulite aguda 3. Relação com a Lei de Laplace Pela Lei de Laplace, em estruturas cilíndricas, a tensão da parede se relaciona com a pressão interna e o raio. No cólon sigmoide, o menor diâmetro do lúmen contribui para maior pressão intraluminal durante as contrações segmentares. Por isso, o sigmoide é a região mais frequentemente acometida pela diverticulose e pela diverticulite no padrão ocidental. 4. Forma hipertônica A forma hipertônica acomete principalmente o cólon esquerdo, especialmente o sigmoide. É a forma mais comum em populações ocidentais. Nessa forma, há aumento da pressão intraluminal e maior atividade motora do cólon, favorecendo a formação de pseudodivertículos com lúmen mais estreito. O estreitamento do divertículo facilita a impactação de conteúdo fecal, aumentando o risco de inflamação e diverticulite aguda. 5. Forma hipotônica A forma hipotônica é mais associada ao cólon direito e à forma pancolônica. É mais comum em populações asiáticas. Nessa forma, os divertículos tendem a apresentar lúmen maior e menor pressão intraluminal, o que reduz o risco de obstrução e inflamação. Por outro lado, pode haver maior associação com sangramento digestivo baixo, devido à proximidade dos divertículos com os vasos retos. 6. Diferença entre diverticulose, doença diverticular e diverticulite Diverticulose é a presença de divertículos no cólon, sem necessariamente causar sintomas ou inflamação. Doença diverticular sintomática ocorre quando os divertículos causam sintomas, como desconforto abdominal, alteração do hábito intestinal ou sangramento, mas sem inflamação aguda evidente. Diverticulite aguda ocorre quando há inflamação de um divertículo, geralmente associada a dor abdominal, febre, leucocitose e sinais inflamatórios na tomografia. 7. Como ocorre a diverticulite aguda A diverticulite aguda geralmente começa quando há obstrução da abertura do divertículo por conteúdo fecal, fecalito ou restos alimentares. Essa obstrução leva ao acúmulo de muco e bactérias dentro do divertículo. Com isso, ocorre aumento da pressão local, estase, proliferação bacteriana, compressão vascular e isquemia da parede diverticular. Esse processo favorece inflamação local e pode evoluir para microperfuração ou macroperfuração. 8. Evolução para doença diverticular complicada Quando ocorre perfuração, o processo inflamatório pode ser bloqueado pelo omento, gordura pericólica ou estruturas vizinhas, formando uma inflamação localizada. Se a contenção for eficaz, o quadro permanece como diverticulite localizada. Se a inflamação progride, pode evoluir com complicações. As principais complicações são: • Abscesso; • Fístula; • Peritonite; • Obstrução intestinal; • Perfuração livre. Manifestações Clínicas Diverticulose A maioria dos pacientes é assintomática. Geralmente é descoberta incidentalmente em exames de imagem ou colonoscopia. Quando causa sintomas, pode ocorrer: • Sangramento digestivo baixo, geralmente com hematoquezia; • Desconforto abdominal; • Alteração do hábito intestinal, como constipação ou diarreia. Diverticulite aguda A diverticulite ocorre quando há inflamação de um divertículo. É conhecida como “apendicite do lado esquerdo”, pois costuma causar dor na fossa ilíaca esquerda, principalmente pelo acometimento do cólon sigmoide. Principais manifestações: • Dor abdominal em fossa ilíaca esquerda; • Febre baixa a moderada; • Inapetência; • Náuseas e vômitos; • Dor à palpação abdominal; • Defesa abdominal localizada; • Blumberg positivo em casos com irritação peritoneal. Achados laboratoriais Os exames podem mostrar: • Leucocitose com desvio à esquerda; • PCR elevada; • VHS elevado. A elevação importante da PCR pode sugerir maior gravidade ou risco de complicações. Sinais de gravidade Sugerem diverticulite complicada: • Dor intensa e progressiva; • Febre persistente; • Taquicardia; • Hipotensão; • Rigidez abdominal; • Sinais de peritonite; • Vômitos persistentes; • Piora clínica. Complicações Pode ocorrer em 25% dos casos: • Abscesso: coleção que se forma em região peridiverticular. Deve ser suspeitada em pacientes que não melhoram apesar da antibioticoterapia. • Perfuração: Pode ocorrer de duas formas: pela ruptura de um abscesso para a cavidade peritoneal ou pela ruptura direta de um divertículo, com extravasamento de conteúdo fecale consequente contaminação peritoneal. Essa condição leva ao desenvolvimento de peritonite, que é uma complicação rara, presente em cerca de 1–2% dos casos, mas mais comum em pacientes que apresentam seu primeiro episódio de diverticulite. • Peritonite: Secundário à contaminação peritoneal. O paciente apresenta "abdômen em tábua", dor abdominal difusa, e ausência de ruídos hidroaéreos abdominais. • Fístulas: O processo inflamatório pode resultar em uma fístula (comunicação) entre o intestino e algum órgão adjacente. A mais comum é a comunicação com a bexiga (fístula colovesical). O paciente apresentará pneumatúria, disúria, fecalúria. • Obstrução: Secundário ao processo inflamatório pode ocorrer espessamento da parede intestinal com redução da luz; levando a um quadro obstrutivo Diagnóstico Exame clínico e físico completo com toque retal. A partir disso, deve-se solicitar um exame de imagem para confirmação: • Tomografia Computadorizada de Abdômen e Pelve: melhor exame para o diagnóstico. Possui sensibilidade de 94% e especificidade de 99%. Os achados incluem: espessamento da parede intestinal localizada (> 4 mm), aumento de densidade da gordura pericólica e divertículos no cólon. • Ultrassonografia Abdominal: Apesar de possuir sensibilidade e especificidade iguais a da tomografia, é operador dependente, o que pode comprometer o diagnóstico. Os achados incluem reação inflamatória peridiverticular hipoecoica, formação de abscesso peridiverticular, espessamento da parede intestinal > 4 mm e divertículos no colono. • Ressonância Magnética: Exame não usual para esse diagnóstico, mas pode ser utilizado. Os achados incluem exudatos e edema pericolônicos; espessamento colônico e presença de divertículos. *Atenção: Colonoscopia ou Enema Opaco não devem ser feitos na vigência de Diverticulite Aguda pelo risco de perfuração. A colonoscopia é mandatório após 4 - 6 semanas do tratamento finalizado. Isso porque câncer de intestino pode mimetizar os sintomas e achados de diverticulite. Daí a necessidade de posterior investigação. Exames laboratoriais podem mostrar: • Leucocitose com desvio à esquerda; • PCR elevada; • VHS elevado. Estratificação de risco PCR >150mg/L é preditor de diverticulite aguda complicada e a combinação de PCR >150mg/L e fluido livre na tomografia computadorizada associa-se a um risco significativamente maior de mortalidade. Diagnósticos diferenciais • Apendicite aguda: mais comum quando a dor é na fossa ilíaca direita, especialmente em jovens. • Doença inflamatória pélvica: considerar em mulheres com dor pélvica, febre e secreção vaginal. • Doença inflamatória intestinal: Crohn e retocolite ulcerativa podem causar dor abdominal, diarreia e inflamação. • Gravidez ectópica rota: importante em mulheres em idade fértil com dor abdominal e sangramento vaginal. • Colite infecciosa/gastroenterite: suspeitar quando há diarreia, febre e sintomas gastrointestinais. • Câncer de cólon: pode simular diverticulite, principalmente se houver perda de peso, anemia ou sangramento retal. Classificação de Hinchey 0: ausência de complicação I: Inflamação Pericólica: Quadro de abscesso que fica confinado à região acometida. Mortalidadecom antibioticoterapia. Cirurgia eletiva em 6 - 8 semanas (Identificar trajeto fistuloso com ressecção do intestino lesado). C) OBSTRUÇÃO: Inicialmente tentar tratamento conservador (Sonda Nasogástrica + Antibioticoterpia). Se não houver melhora: cirurgia de emergência. D) PERFURAÇÃO/PERITONITE: Laparotomia exploradora com limpeza da cavidade. Pelo fato da maioria das vezes o divertículo estar no sigmoide se realiza a cirurgia de Hartmann que consiste em: Retossigmoidectomia Esquerda + Colostomia terminal proximal + Sepultamento do Reto Distal - Obs: em casos de Hinchey 3, pode-se tentar a lavagem laparoscópica Tratamento Cirúrgico QUANDO OPERAR Eletivo : • Diverticulite aguda não complicada: incapacidade de excluir neoplasia, primeiro episódio em imunocomprometidos - devido a maior taxa de mortalidade após cirurgia de emergência. A cirurgia em geral é a retirada do sigmoide que é o local mais acometido, e realiza-se a reconstrução do trânsito no mesmo momento (Retossigmoidectomia + reconstrução primária) • Abscesso: Em pacientes que tiveram quadro de abscesso > 4 cm. Cirurgia após 6 semanas. • Fístula: Em pacientes que evoluíram com fístula. Cirurgia após 6 semanas. *Obs: livros textos e alguns protocolos ainda defendem a cirurgia em imunocompetentes após 3 episódios. No entanto, as evidências atuais contraindicam: episódios anteriores não complicados não preveem uma incidência maior ou uma maior gravidade de recorrência. Portanto, o número de episódios anteriores não é mais usado como critério para cirurgia Emergencial : • Peritonite/Perfuração: Realiza-se a cirurgia de Hartmann, (Retossigmoidectomia Esquerda + Colostomia terminal proximal + Sepultamento do Reto Distal), pois usualmente o sigmoide está acometido. O paciente ficará com uma "bolsa" no abdômen por onde sairá as fezes. A reconstrução se dará de forma eletiva em média 6 meses após. A pergunta é: Por que não se retira o sigmoide e reconstrói primariamente de uma vez? Por dois motivos principais: a cirurgia de Hartmann é mais rápida, e depois uma anastomose não cicatrizaria pelo quadro infeccioso e debilitado do paciente, podendo romper facilmente. Procedimento cirúrgico de urgência Mais comum: Laparotomia com limpeza + Hartmann- Retossigmoidectomia Esquerda + Colostomia terminal proximal + Sepultamento do Reto Distal O que significa? Lavagem + Retirada do retossigmoide. Faz-se uma comunicação do intestino que sobrou pra cima com a parede abdominal(por onde as fezes vão sair), e fecha a outra ponta que sobrou pra baixo. (Imagine uma mangueira (intestino) sendo cortada em duas partes. A parte do meio é jogada fora (retosigmoide doente). A parte que sobrou pra cima se liga na parede abdominal (colostomia); a parte que sobrou pra baixo é simplesmente fechada (sepultamento do reto distal). Lógica cirúrgica? O divertículo está infectado/perfurado e é a razão da infecção. Tirando ele o problema está resolvido Acesso Cirúrgico?: Aberto - Laparotomia Exploradora Tempo cirúrgico? 2 - 4 horas. Anestesia? Geral. Tempo de alta? 10 - 15 dias. Complicações cirúrgicas? Infecção da ferida; obstrução intestinal; complicações na colostomia Complicações Abscesso É a complicação mais comum, ocorrendo em aproximadamente 17% dos pacientes hospitalizados com diverticulite aguda. Um abscesso diverticular pode ser observado na tomografia abdominal na apresentação inicial ou pode desenvolver-se posteriormente. Portanto, deve-se suspeitar de abscesso diverticular em pacientes com diverticulite não complicada que não apresentam melhora da dor abdominal ou febre persistente, apesar do início do tratamento com antibióticos. Obstrução Pode ocorrer obstrução colônica parcial, ou até total, devido ao estreitamento da luz pela inflamação pericolônica ou compressão de um abscesso diverticular, que geralmente se resolve com o tratamento da diverticulite. Pode ocorrer obstrução do intestino delgado por aderência ao fleimão ou abscesso. Nesses casos, além do tratamento da diverticulite com antibióticos e drenagem percutânea do abscesso (se ≥ 4 cm), é necessária a passagem de sonda nasogástrica para descompressão intestinal. A obstrução decorrente da formação de estenose não é comum, mas pode ocorrer, pois a inflamação crônica resulta em estreitamento da luz intestinal. Mesmo sendo uma obstrução parcial na maioria dos casos, os pacientes podem desenvolver sintomas significativos, com necessidade de tratamento cirúrgico eletivo. Fístula A inflamação da diverticulite aguda pode resultar na formação de uma fístula entre o cólon e as vísceras adjacentes. Os tipos mais comuns são as FÍSTULAS COLOVESICAIS (65%), colovaginais (25%), coloentéricas (7%), colouterinas (3%) e colocutâneas. A fístula colovesical é mais comum nos homens (2- 3:1), provavelmente devido à proteção uterina (atenção às mulheres histerectomizadas!). A cúpula vesical é o local mais comum da fístula. Clínica: pacientes com fístula colovesical costumam apresentar infecções urinárias de repetição, pneumatúria, fecalúria ou disúria. Pacientes com fístula colovaginal podem relatar passagem de fezes ou flatos pela vagina. Diagnóstico: normalmente é feito por meio de uma tomografia com contraste oral e retal, em que é visualizado ar dentro da bexiga, sem histórico de manipulação prévia. Esse é um sinal patognomônico de fístula colovesical. Um enema de bário pode revelar uma fístula colovesical em até 50% dos casos. Na cistoscopia, é possível visualizar cistite e um edema bolhoso no local da fístula. A colonoscopia pode não visualizar diretamente a fístula, mas permite um melhor estudo do cólon em busca de neoplasias e da doença de Crohn, que também são causas de fístula colovesical. Fístula colovesical. Tratamento: o tratamento inicial da fístula colovesical consiste em controle da infecção com antibioticoterapia e cirurgia eletiva posteriormente, ou seja, sigmoidectomia com anastomose primária e fechamento da fístula. Geralmente, devemos manter sondagem vesical de demora por pelo menos 7 dias após a cirurgia. Não esquecer de solicitar colonoscopia previamente à cirurgia para excluir outras causas da fístula, por exemplo, neoplasias. Perfuração A perfuração com peritonite generalizada pode resultar da ruptura de um abscesso diverticular na cavidade peritoneal (peritonite purulenta) ou da ruptura livre de um divertículo inflamado com contaminação fecal do peritônio (peritonite fecal). Embora apenas 1% a 2% dos pacientes com diverticulite aguda tenham perfuração com peritonite purulenta ou fecal, as taxas de mortalidade aproximam-se de 20%. Clinicamente, apresentam-se com dor abdominal difusa, defesa muscular e descompressão brusca positiva. Os ruídos hidroaéreos geralmente estão ausentes, devido ao íleo. Estenose colônica Ocorre devido a ataques recorrentes de diverticulite ou inflamação diverticular crônica persistente. Pacientes podem evoluir com obstrução colônica aguda sem diverticulite ou com sintomas mais insidiosos de dor abdominal e constipação. Geralmente necessitam de tratamento cirúrgico eletivo. Pontos importantes do tratamento Diverticulite aguda não complicada TOMOGRAFIA: discreto espessamento diverticular e borramento da gordura pericolônica. TRATAMENTO: ambulatorial, com antibióticos via oral contra bactérias Gram-negativas e anaeróbias, sintomáticos e dieta sem resíduos. ** Alguns autores indicam tratamento clínico sem uso de antibióticos. FALHA DO TRATAMENTO: internação para antibioticoterapia endovenosa e repetir a tomografia para avaliar complicações. Tratamento da diverticulite complicada HINCHEY IA: antibioticoterapia endovenosa. HINCHEYIB E II: Abscesso não passível de drenagem (