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AÇÕES POSSESSÓRIAS PROFESSOR: Gustavo Marshal Fell Terra @gustav_terra gustavo@oliveiraeterra.com.br (45) 9 9133-2192 SUBTÍTULO • TEXTO CONSIDERAÇÕES INICIAIS • O que são as ações possessórias? - As ações possessórias são instrumentos jurídicos destinados a proteger e recuperar a posse de um bem, impedindo turbações ou esbulhos. • Base normativa: - Código Civil (CC/2002): Regras sobre posse e direitos possessórios; - Código de Processo Civil (CPC/2015): Procedimentos específicos para defesa da posse; - Constituição Federal (CF/1988): Garantia do direito de propriedade e sua função social. - A posse está inserida no Livro do Direito das Coisas. SUBTÍTULO • TEXTO RAÍZES HISTÓRICAS DO DIREITO POSSESSÓRIO • Direito Romano: (i) Possessio como fato protegido contra terceiros, mas sem direitos absolutos; (ii) Diferenciação entre interdicta retinendae possessionis e recuperandae possessionis. • Brasil Colônia e Império: (i) Influência do direito português; (ii) Pouca distinção prática entre posse e propriedade; • Código Civil de 1916: (i) Posse vista como direito real menor; (ii) Proteção possessória vinculada ao direito de propriedade; • Código Civil de 2002: (i) Ampliação da proteção à posse; (ii) Reconhecimento da posse como um direito independente.Função social da posse passa a ter maior relevância. SUBTÍTULO • TEXTO PROTEÇÃO POSSESSÓRIA NO CÓDIGO CIVIL de 1916 • Código Civil de 1916 – Visão Patrimonialista: (i) Tratava a posse como um direito real menor, subordinado à propriedade. (ii) Proteção possessória limitada: Enfatizava a posse apenas como um reflexo do domínio. (iii) Ausência de função social: A posse não era analisada sob um viés de utilidade coletiva ou social. (iv) Art. 499 e seguintes: Disciplinavam ações possessórias de forma genérica, sem grande distinção procedimental. (v) Predominância da melhor posse: Beneficiava o possuidor que demonstrasse um vínculo mais forte com a propriedade. • Código Civil de 2002 – Ampliação da Proteção Possessória: (i) Posse com autonomia jurídica: Não depende necessariamente da propriedade para ser protegida. (ii) Reconhecimento da função social da posse: Alinhada aos princípios constitucionais (art. 1.228, §1º). (iii) Fortalecimento da proteção possessória: Qualquer possuidor pode buscar proteção, independentemente do direito de propriedade. (iv) Garantia de continuidade da posse: O CC/2002 protege posse nova e posse velha, evitando rupturas arbitrárias. (v) Artigos 1.196 a 1.210: Regulam a posse de forma mais detalhada e estruturada. SUBTÍTULO • TEXTO PROTEÇÃO POSSESSÓRIA NO CÓDIGO CIVIL de 1916 Código Civil de 2002Código Civil de 1916 ASPECTO Reconhecida com autonomia jurídica, independente da propriedade. Encarada como um direito real menor, subordinado à propriedade. Visão patrimonial. Visão sobre a posse Fortalecida, permitindo que qualquer possuidor busque proteção, independentemente de ser proprietário. Limitada, enfatizando a posse como reflexo do domínio. Proteção possessória Reconhecida e alinhada aos princípios constitucionais, conforme art. 1.228, §1º. Inexistente; a posse não era analisada sob uma perspectiva coletiva ou social. Função social da posse Artigos 1.196 a 1.210, com regulamentação detalhada e estruturada. Artigos 499 e seguintes, com disciplina genérica e pouca distinção procedimental. Regulamentação legal Garantia de continuidade da posse, protegendo tanto a posse nova quanto a velha, evitando rupturas arbitrárias. Predominância da melhor posse, beneficiando quem demonstrasse vínculo mais forte com a propriedade. Critério de proteção SUBTÍTULO • TEXTO ESTRUTURA NORMATIVA DA POSSE NO CÓDIGO CIVIL DE 2002 • Art. 1.196 – Conceito de posse: Possuidor é aquele que exerce de fato algum dos poderes inerentes à propriedade. • Art. 1.197 – Posse direta e indireta: Protege tanto quem detém fisicamente o bem quanto quem mantém vínculo jurídico com ele. • Art. 1.200 – Posse justa e injusta: Distingue posse obtida de forma legítima daquela adquirida de forma violenta, clandestina ou precária. • Art. 1.201 – Posse de boa-fé e má-fé: Diferencia o possuidor que desconhece vícios da posse daquele que age dolosamente. • Art. 1.210 – Proteção possessória: Possuidor pode manter, restituir ou impedir ameaça à posse, utilizando-se dos remédios possessórios. • Impacto das Mudanças no Código Civil: (i) Maior valorização da posse como instituto autônomo; (ii) Adoção de critérios mais justos para proteção possessória; (iii) Integração com princípios constitucionais, garantindo equilíbrio entre posse e propriedade; (iv) Maior eficácia nas ações possessórias, permitindo decisões mais rápidas e efetivas. SUBTÍTULO • TEXTO EVOLUÇÃO DA PROTEÇÃO PROCESSUAL (CPC/1973 VS. CPC/2015) • Código de Processo Civil de 1973: (i) Tratava as ações possessórias de forma detalhada, mas com maior formalismo e burocracia; (ii) Exigia a comprovação detalhada da posse e do esbulho/turbação para concessão da liminar; (iii) Enfatizava a necessidade de audiência de justificação prévia antes de decisões liminares. (iv) Não previa expressamente a possibilidade de tutelas de urgência na posse. (v) Possibilitava a cumulação de pedidos, mas sem sistematização clara; (vi) Tratava a posse sob uma ótica mais patrimonialista, com menos ênfase na função social; • Impacto da Reforma Processual: (i) Maior rapidez e efetividade na proteção da posse; (ii) Menos formalismo e maior flexibilidade na produção de provas; (iii) Prevenção de conflitos prolongados, incentivando soluções extrajudiciais; (iv) Adequação ao contexto social contemporâneo, equilibrando posse, propriedade e interesse coletivo. SUBTÍTULO • TEXTO EVOLUÇÃO DA PROTEÇÃO PROCESSUAL (CPC/1973 VS. CPC/2015) • Código de Processo Civil de 2015: (i) Procedimentos mais céleres e eficientes: Concessão de liminar imediata (art. 562, CPC/2015), dispensando audiência de justificação prévia quando houver prova suficiente da posse e da turbação/esbulho; (ii) Maior proteção ao possuidor legítimo: Enfatiza a função social da posse, tornando a proteção possessória mais dinâmica. (iii) Tutela provisória de urgência: Reforça a possibilidade de medidas imediatas para evitar o agravamento da violação possessória. (iv) Fortalecimento da audiência de mediação e conciliação: Incentiva a solução consensual do conflito antes de prosseguir com o litígio. (v) Regras mais claras sobre a atuação da Fazenda Pública: Protege ocupações coletivas e propriedades públicas de maneira mais objetiva. (vi) Possibilidade de pedidos cumulados: Permite que pedidos possessórios sejam acompanhados de pleitos indenizatórios e de reparação de danos, facilitando a tramitação e evitando demandas sucessivas. (vii) Integração com princípios constitucionais: O novo CPC harmoniza as ações possessórias com os valores da função social da propriedade, direito à moradia e pacificação social. SUBTÍTULO • TEXTO PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS • Princípio da Proteção da Posse: A posse é protegida independentemente da propriedade; • Princípio da Autotutela Moderada: Permite a defesa direta da posse, dentro dos limites legais (art. 1.210, CC); • Princípio da Função Social da Posse: A posse deve cumprir um papel útil à sociedade (art. 1.228, §1º, CC); • Princípio da Efetividade: O processo possessório busca uma solução célere para evitar prejuízos ao possuidor legítimo; • Princípio da Distinção entre Posse e Propriedade: A posse não se confunde com a propriedade, sendo possível reivindicá-la mesmo sem ser proprietário. SUBTÍTULO • TEXTO OBJETIVOS DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS • Garantir a proteção da posse: Evitar que terceiros interfiram indevidamente no exercício da posse legítima; • Assegurar a continuidade do uso e fruição do bem: Proteger o possuidor contra turbação (perturbação) ou esbulho (perda da posse); • Restabelecer a posse injustamente retirada: Permitir a reintegração do possuidor ao bem de forma rápida e eficaz; • Evitar conflitos sociais e assegurar a ordempública: Impedir a autotutela abusiva e garantir a pacificação social por meio da via judicial; • Compatibilizar a posse com sua função social: Evitar ocupações indevidas e garantir que a posse atenda a interesses coletivos e individuais legítimos. SUBTÍTULO • TEXTO NATUREZA JURÍDICA DA POSSE • Posse como fato e direito: A posse é uma situação fática (poder de fato sobre a coisa) e também um direito protegido juridicamente. • Posse como direito autônomo: A posse não depende da propriedade, sendo reconhecida como direito próprio, podendo ser exercida sobre coisas móveis ou imóveis, corpóreas ou incorpóreas. • - Posse de direitos reais menores (como usufruto, servidão): Considerada posse plena no Código Civil Brasileiro (art. 1.196), ao contrário do conceito romano de "quase-posse“; • - Posse indireta e direta: A posse pode ser exercida mesmo por força de um direito obrigacional, como em contratos de locação (art. 1.197). • - Posse e a função social: A posse é tratada de forma que atende à função social da propriedade e aos direitos fundamentais (moradia, acesso à terra). SUBTÍTULO • TEXTO TEORIAS SOBRE A POSSE • Teoria Subjetiva de Friedrich Von Savigny (Corpus + Animus Domini): • Para Savigny, a posse se caracteriza pela conjugação de dois elementos: o corpus, elemento objetivo que consiste na detenção física da coisa, e o animus, elemento subjetivo, que se encontra na intenção de exercer sobre a coisa um poder no interesse próprio de defende-la contra a intervenção de outrem. Não é propriamente a convicção de ser dono (opinio seu cogitatio domini), mas a vontade de tê-la como sua (animus rem sibi habendi), de exercer o direito de propriedade como se fosse o real titular. • Exemplo: Imagine que João empresta sua casa de praia para Pedro passar um final de semana. Pedro está fisicamente no imóvel (corpus), mas não tem intenção de ser dono. Para Savigny, Pedro não é possuidor, apenas detentor, pois lhe falta o animus domini. SUBTÍTULO • TEXTO TEORIAS SOBRE A POSSE • Pode se dizer, então, que Savigny entende que a posse exige dois elementos: Corpus (A detenção física da coisa); Animus (A intenção de agir como dono); • Outro Exemplo: Maria aluga um apartamento. Segundo Savigny, como ela não tem intenção de ser dona, mas apenas de usá-lo temporariamente, sua relação com o imóvel não configura posse, mas mera detenção. • Crítica: Essa visão foi considerada restritiva, pois impediria que locatários, comodatários e usufrutuários recorressem à proteção possessória. SUBTÍTULO • TEXTO TEORIAS SOBRE A POSSE • Teoria Objetiva de Rudolf Von Ihering (A posse como exteriorização da propriedade) • É denominada objetiva porque não empresta à intenção, ao animus, a importância que lhe confere a teoria subjetiva. Considera-o como já incluído no corpus e dá ênfase na posse, ao seu caráter de exteriorização da propriedade. Para que a posse exista, basta o elemento objetivo, pois ela se revela na maneira como o proprietário age em face da coisa. Portanto, basta o corpus para a caracterização da posse. A expressão, entretanto, não significa contato físico com a coisa, mas sim conduta de dono. • Exemplo: Um agricultor colhe sua safra e deixa os grãos armazenados no campo. Ele mantém a posse, mesmo sem contato físico direto, pois sua conduta demonstra domínio sobre a colheita. SUBTÍTULO • TEXTO TEORIAS SOBRE A POSSE • Para Ihering o foco não está na intenção interna, mas na forma como o indivíduo age em relação ao bem. • Outro Exemplo: Agora, se o mesmo agricultor esquecer uma joia no campo, ele perde a posse, pois um dono de joias normalmente não as abandona no campo. Isso demonstra que a posse é analisada objetivamente, com base na conduta comum do proprietário. • Resumo: Para Ihering, quem age como dono, independentemente da intenção subjetiva, possui a coisa e deve ser protegido pela lei. SUBTÍTULO • TEXTO TEORIAS SOBRE A POSSE NO CÓDIGO CIVIL • Código Civil (CC/2002): Art. 1.196: "Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.“ → Esse artigo reflete a teoria objetiva de Ihering, pois reconhece a posse apenas pela exteriorização do domínio, sem exigir o animus domini; • Art. 1.198: "Os atos de mera permissão ou tolerância não induzem posse.“ → Esse dispositivo se aproxima da teoria subjetiva de Savigny, pois exclui a posse quando não há intenção de ser dono (exemplo: hóspede de hotel ou comodatário). → Exemplo prático: Se João permite que Pedro estacione o carro na garagem de sua casa por amizade, Pedro não é possuidor, mas mero detentor, pois sua permanência ali decorre apenas de tolerância. Não há intenção de dono! • Art. 1.208: "Não induzem posse os atos violentos, clandestinos ou precários, senão depois de cessar a violência, ou a clandestinidade, ou a precariedade.“ → Aqui, há um equilíbrio entre as duas teorias, pois reconhece a posse somente quando há conduta de dono contínua e sem vícios. SUBTÍTULO • TEXTO TEORIAS SOBRE A POSSE NO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL • Art. 554: "Na pendência de ação possessória, é defeso, tanto ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceiro.“ → Esse artigo demonstra a proteção da posse independentemente da propriedade, alinhando-se à teoria objetiva de Ihering; • Art. 560: "O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e restituído no de esbulho.“ → Esse artigo reforça a proteção possessória com base na conduta do possuidor, sem discutir se ele tem ou não intenção de ser dono; • Art. 1.208: "Não induzem posse os atos violentos, clandestinos ou precários, senão depois de cessar a violência, ou a clandestinidade, ou a precariedade.“ → Aqui, há um equilíbrio entre as duas teorias, pois reconhece a posse somente quando há conduta de dono contínua e sem vícios. SUBTÍTULO • TEXTO CONCLUSÃO • A teoria de Savigny influenciou a distinção entre posse e mera detenção, como previsto no art. 1.198 do Código Civil. No entanto, o ordenamento jurídico brasileiro adota, em geral, a teoria objetiva de Ihering, que assegura proteção possessória mesmo àqueles que não são proprietários, como locatários e usufrutuários. • Na prática, o Judiciário tende a seguir a abordagem objetiva de Ihering, reconhecendo a posse e garantindo sua proteção também a locatários e arrendatários. • Resumo: • Savigny → Corpus + Animus (CC, art. 1.198, CPC, art. 554); • Ihering → Posse como exteriorização da propriedade (CC, art. 1.196 e 1.208, CPC, art. 560). SUBTÍTULO • TEXTO POR QUE SE PROTEGE A POSSE? • Objetivo da Proteção: (i) Garantir o uso econômico da coisa conforme as necessidades do possuidor; (ii) Facilitar o reconhecimento da posse por terceiros, distinguindo situações normais e anormais. • Ex01: Terreno cercado e cultivado: João cerca um terreno e começa a plantar. Quem passa pelo local percebe que alguém exerce um direito sobre o imóvel. Se Pedro invade e tenta ocupá-lo, João pode buscar proteção possessória, pois há demonstração objetiva da posse.. • Ex02: Lote abandonado sem qualquer sinal de uso. Em outra área, há um terreno sem cercas, sem construções e sem qualquer indício de aproveitamento. Se alguém entra nesse espaço, pode alegar que o local estava sem dono aparente, dificultando a defesa da posse pelo proprietário original. SUBTÍTULO • TEXTO POR QUE SE PROTEGE A POSSE? • Explicação: • O primeiro caso demonstra posse clara e reconhecível, protegida pelo direito. • O segundo gera incerteza, pois não há exteriorização da posse, podendo facilitar invasões ou questionamentos. • Conclusão: A proteção da posse evita conflitos e garante segurança jurídica, pois permite que terceiros reconheçam quem exerce direitos sobre o imóvel, sem necessidade de discutir a intenção subjetiva do possuidor. SUBTÍTULO • TEXTO EXEMPLOS • Súmula 619-STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessõese benfeitorias (STJ. Corte Especial. Aprovada em 24/10/2018, DJe 30/10/2018). • A jurisprudência sempre entendeu que se o particular ocupa um bem público, não se pode falar, neste caso, em posse, havendo mera detenção. Nesse mesmo sentido é a Súmula 619- STJ. Exceção: o STJ, no REsp 1.296.964-DF, disse que essa posição (invasor como mero detentor) possui uma exceção: se dois particulares estão litigando sobre a ocupação de um bem público, o STJ passou a entender que, neste caso, é possível que, entre eles, sejam propostas ações possessórias (reintegração, manutenção, interdito proibitório) • Como o tema já caiu em concursos: (2016 – CESPE – TJAM) O ocupante irregular de bem público tem direito de retenção pelas benfeitorias realizadas se provar que foram feitas de boa-fé. (Errado) . SUBTÍTULO • TEXTO POSSE X DETENÇÃO • Conceito de detenção: A detenção ocorre quando alguém tem a coisa sob sua guarda, mas sem a intenção de agir como proprietário. A detenção é caracterizada apenas pela detenção física do bem, mas sem o animus domini. Ou seja, o detentor apenas mantém a posse material da coisa, mas não age como se fosse o proprietário (Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas). • Ex. 01: Ana aluga um carro para o final de semana. Embora ela tenha o veículo sob sua posse física durante esse período, ela não age como proprietária do carro. Sua relação com o veículo é apenas de detenção, pois não há animus domini; Ana não tem a intenção de ser dona do carro, apenas o guarda e utiliza temporariamente. • Como foi cobrado em concurso (Procurador de João Pessoa/PB - CESPE): Leonardo, proprietário de uma chácara, contratou Tadeu para trabalhar como caseiro, oferecendo-lhe moradia na propriedade onde o serviço deverá ser prestado. Nessa situação, caso ocorra o esbulho da posse da chácara durante uma viagem de férias de Leonardo, Tadeu: Não terá legitimidade para ingressar com ação possessória, uma vez que a posse é mera detenção (Gabarito). SUBTÍTULO • TEXTO POSSE X DETENÇÃO • Diferença principal entre posse e detenção: A principal diferença entre posse e detenção está no animus domini. Enquanto na posse existe a intenção de agir como proprietário, na detenção, a pessoa apenas guarda ou mantém a coisa sem qualquer intenção de ser dona. • Resumo: Posse: Exerce-se com animus domini. Tem intenção de ser proprietário. Detenção: Exerce-se sem animus domini. A pessoa apenas guarda ou cuida do bem, sem intenção de ser proprietário. • Exemplo de aplicação jurídica: Se um locatário (detentor) é despejado de um imóvel sem justificativa, ele não tem o direito de defesa possessória, pois ele apenas detém o imóvel. Já o possuidor de um imóvel, mesmo que não seja proprietário, pode se valer de uma ação possessória se houver violação de sua posse. SUBTÍTULO • TEXTO EXEMPLO • STJ: Para configuração do animus domini, exige-se que a parte autora detenha efetivamente a posse do bem e não a detenção, devendo ser verificada a condição subjetiva e abstrata que demonstra a intenção de ter a coisa como sua, como ocorreu no caso. (STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 2.306.673-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 2/9/2024 - Info 830). • Como já caiu em concurso: • CESPE/CEBRASPE - PC PE - Delegado de Polícia – 2024: São requisitos para a aquisição da propriedade de bem imóvel na modalidade usucapião ordinária: (a) Animus domini; inexistência de oposição à posse; existência de justo título; existência de boa-fé; e posse ininterrupta por dez anos. (Correto) SUBTÍTULO • TEXTO EXEMPLO • Há possibilidade de transmutação da detenção em posse. STJ decidiu isso em um caso de um pastor que se desvinculou dos quadros de obreiros da religião, permanecendo, contudo, nas dependências do templo religioso. • STJ: “Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste em cumprimento de ordens ou instruções suas” (Art. 1.198, CC). 2. Na hipótese, o réu foi ordenado e designado para atuar na Comunidade de Cachoerinha, na condição de pastor, e justamente nessa qualidade é que se vincula ao patrimônio da Igreja: isto é, exercia o controle sobre o imóvel em nome de outrem a quem estava subordinado, caracterizando- se como fâmulo da posse. 3. A partir do momento em que pleiteou o seu desligamento do quadro de pastores, continuando nas dependências do templo, deixando de seguir ordens de legítimo possuidor, houve a transmudação de sua detenção em posse, justamente em razão da modificação nas circunstâncias de fato que vinculam a sua pessoa à coisa. (...) 4. Desde quando se desligou da instituição recorrida, rompendo sua subordinação e convertendo a sua detenção em posse, fez-se possível, em tese, a contagem do prazo para fins da usucapião – diante da mudança da natureza jurídica (Resp 1188937, LUIS FELIPE SALOMÃO). SUBTÍTULO • TEXTO POSSE E “QUASE-POSSE” • Visão Romana: (i) Só considerava posse aquela derivada do direito de propriedade; (ii) A posse decorrente de direitos reais menores, como usufruto e servidão, era chamada de quase posse, aplicada a direito sobre coisas alheias ou incorpóreas; (iii) A posse originada de direito obrigacional, como na locação ou comodato, também não era vista como posse plena. • Distinção de "Quase-Posse": Servidões pessoais e prediais, superfícies: Tratadas como quase- posse. Essa distinção NÃO se aplica no Código Civil Brasileiro, que considera essas situações como posse propriamente dita. • No Código Civil: Art. 1.196: Amplia o conceito de posse, incluindo os direitos reais menores. Art. 1.197: Desdobra a posse em direta e indireta, reconhecendo direitos obrigacionais. • João locou um imóvel a Maria, que exerce posse direta sobre o bem, embora não seja a proprietária. Mesmo assim, a locatária tem a posse do imóvel por força do contrato de locação, conforme o art. 1.197 do Código Civil. SUBTÍTULO • TEXTO BENS PÚBLICOS • O art. 99 do Código Civil classifica os bens públicos de acordo com a sua destinação (ou afetação: • Fonte: https://www.dizerodireito.com.br/2017/02/particular-que-ocupa-bem-publico.html SUBTÍTULO • TEXTO BENS PÚBLICOS • Situações de PARTICULARES EM BENS PÚBLICOS: • Fonte: www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/ac1ae6a547bf25a11284c7595eff 6df7?palavra-chave=Ihering&criterio-pesquisa=e SUBTÍTULO • TEXTO CLASSIFICAÇÃO DA POSSE • A posse, conforme tratada no Capítulo I do Livro III da Parte Especial do Código Civil, é um instituto fundamental do direito civil, distinguindo-se em diversas classificações. As principais são: (i) Posse direta e indireta; (ii) Posse justa e injusta; e (iii) Posse de boa-fé e posse de má-fé. • Além dessas, a doutrina reconhece outras formas de posse, como posse exclusiva e composse, posse nova e posse velha, posse ad interdicta e ad usucapionem, entre outras. • Embora a posse seja um conceito unitário, sua origem, exercício e intenções variam. Elementos objetivos (ligados ao exercício físico da posse) e subjetivos (relacionados à intenção do possuidor) influenciam sua classificação e a proteção jurídica concedida. O Código Civil de 2002 preservou os conceitos de posse justa e injusta, bem como de boa-fé e má-fé, mantendo a estrutura do Código de 1916. Essa distinção é essencial para determinar a proteção possessória e o uso dos interditos. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE • Posse direta e posse indireta; • Posse exclusiva, composse e posses paralelas; • Posse justa e posse injusta; • Posse de boa-fé e posse de má-fé; • Posse nova e posse velha; • Posse natural e posse civil/jurídica; • Posse ad interdicta e usucapionem; • Posse Pro diviso e indiviso. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (POSSE DIRETA E INDIRETA) • A distinção entre posse direta e posse indireta está prevista no art. 1.197 do Código Civil: “A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtudede direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. • POSSE DIRETA: ocorre quando uma pessoa tem a coisa sob sua posse física, mas temporariamente, em razão de um vínculo jurídico (ex.: locação, comodato, usufruto. • POSSE INDIRETA: refere-se à posse mantida por quem concedeu a posse direta a outro, preservando um vínculo jurídico sobre o bem. • Ex.: Locação: o proprietário de um imóvel aluga sua casa para um inquilino. O locatário tem a posse direta (usa o bem), enquanto o proprietário mantém a posse indireta (continua titular do direito sobre o imóvel). SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (POSSE, COMPOSSE E POSSES PARALELAS) • Art. 1.199, CC: “Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores”. • POSSE EXCLUSIVA: É a posse exercida por apenas uma única pessoa (física ou jurídica), seja ela direta ou indireta. • COMPOSSE: Ocorre quando duas ou mais pessoas exercem, ao mesmo tempo, poderes possessórios sobre a mesma coisa. • POSSES PARALELAS: Embora não mencionada expressamente no Código Civil, a posse paralela ocorre quando duas ou mais pessoas possuem simultaneamente um mesmo bem, mas com base em títulos diferentes e excludentes. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (POSSE, COMPOSSE E POSSES PARALELAS) • Exemplo: • Direito CIVIL. Cobrança de Aluguel. Herdeiros. Utilização exclusiva do imóvel. Oposição necessária. Termo inicial. Aquele que ocupa exclusivamente imóvel deixado pelo falecido deverá pagar aos demais herdeiros valores a título de aluguel proporcional, quando demonstrada oposição à sua ocupação exclusiva. Nesta hipótese, o termo inicial para o pagamentos dos valores deve coincidir com a efetiva oposição, judicial ou extrajudicial. dos demais herdeiros (REsp 570.723, Min. Nancy Andrighi). SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (POSSE JUSTA E POSSE INJUSTA) • A distinção entre posse justa e posse injusta está prevista no art. 1.200 do Código Civil: “É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.”. • POSSE JUSTA: É a posse que não apresenta vícios, ou seja, não foi adquirida com violência, clandestinidade ou abuso da confiança. • Exemplo: João compra um imóvel de Pedro e passa a residir nele de forma pacífica e pública. Como João adquiriu a posse sem engano ou força, trata-se de posse justa. • Atenção: A posse justa não se confunde com posse de boa-fé ou má-fé. Alguém pode ter uma posse justa, mas estar de má-fé (por exemplo, sabendo que comprou de quem não era o real proprietário). • POSSE INJUSTA:É aquela que contém algum dos três vícios. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (POSSE JUSTA E POSSE INJUSTA) • POSSE INJUSTA: É aquela que contém algum dos três vícios. • a) Posse Violenta: Quando é adquirida por meio de força física ou moral (ameaça, intimidação). Exemplo: João expulsa Pedro de um terreno com uso de ameaças ou agressão e passa a ocupá-lo. Como houve violência no ato da aquisição, trata-se de posse injusta por violência. • b) Posse Clandestina: Quando alguém toma posse de forma oculta, sem o conhecimento do legítimo possuidor. Exemplo: Um invasor ocupa um imóvel desabitado sem o conhecimento do dono e permanece escondido ali. Essa posse foi adquirida clandestinamente, tornando-a injusta. • c) Posse Precária: Ocorre quando alguém recebe um bem com a obrigação de devolvê-lo, mas se recusa a fazê-lo. Exemplo: Um locatário que, após o fim do contrato de aluguel, se recusa a desocupar o imóvel passa a ter posse precária. • Importante: Se alguém adquire a posse de forma injusta, mas depois passa a usá-la publicamente e sem contestação, os efeitos da posse injusta podem cessar com o tempo. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (BOA-FÉ e MÁ-FÉ) • Distingue-se posse de boa-fé e posse de má-fé prevista no artigo 1.201 do Código Civil: “É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.”. Boa-fé está relacionada ao conhecimento (ou desconhecimento) do possuidor sobre a legalidade da sua posse. • POSSE DE BOA-FÉ: É a posse de quem acredita, sinceramente e de forma justificada, que tem direito sobre o bem, desconhecendo qualquer vício que impeça sua posse ou propriedade. • Importante: O possuidor de boa-fé tem mais direitos, como indenização por benfeitorias e direito de retenção. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (BOA-FÉ e MÁ-FÉ) • POSSE DE MÁ-FÉ: Ocorre quando o possuidor sabe que não tem direito sobre a coisa, mas, mesmo assim, continua na posse. • Exemplo: João invade um terreno baldio sabendo que tem dono e tenta ficar lá o máximo de tempo possível. Ele tem ciência de que não é o proprietário, logo, sua posse é de má-fé. • Consequências: O possuidor de má-fé não tem direito à indenização por benfeitorias voluptuárias e pode ser obrigado a devolver os frutos colhidos do bem. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (NOVA E VELHA) • A posse nova e a posse velha influenciam a proteção possessória. O art. 558 do CPC determina os conceitos. • POSSE NOVA: Posse nova (menos de um ano e um dia): permite a concessão de liminar imediata para reintegração na posse, pois presume-se a necessidade de urgência. • POSSE VELHA: Posse velha (mais de um ano e um dia): a proteção possessória pode depender de uma análise mais aprofundada do juiz, exigindo prova do fumus boni iuris e do periculum in mora para obter uma tutela antecipada. • Além disso, o art. 1.211 do CC estabelece que, em disputas entre possuidores, a posse será provisoriamente mantida com quem detiver a coisa, desde que não a tenha obtido de forma viciosa (violenta ou clandestina). SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE • POSSE NATURAL: É a posse material, o simples fato físico de ter a coisa sob seu poder, independentemente de haver reconhecimento jurídico dessa posse. • Exemplo: Uma pessoa ocupa um imóvel abandonado, mas sem qualquer título ou justificativa legal. Ela tem apenas a posse natural, pois não há um reconhecimento jurídico dessa ocupação. • POSSE CIVIL/JURÍDICA: É a posse reconhecida pelo Direito, ou seja, quando o possuidor tem um título jurídico ou um fundamento legal para estar na posse do bem. • Exemplo: Um locatário que aluga um apartamento possui posse civil/jurídica, pois tem um contrato que lhe dá o direito de permanecer no imóvel. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (AD INTERDICTA e USUCAPIONEM) • O Código Civil não traz expressamente os termos "posse ad interdicta" e "posse ad usucapionem", mas seus conceitos podem ser extraídos dos seguintes artigos: art. 1.196, 1.210, 1.238 a 1.244, todos do CC. • POSSE AD INTERDICTA: A posse "ad interdicta" é aquela que pode ser defendida por ações possessórias (interditos possessórios), como interdito proibitório, manutenção e reintegração de posse, mas não conduz à propriedade pelo usucapião. • POSSE USUCAPIONEM: A posse "ad usucapionem" é aquela exercida por um longo período e que pode levar à aquisição da propriedade por usucapião. Para isso, precisa ser: (i) Ininterrupta; (ii) Pública (sem clandestinidade); (iii) Pacífica (sem violência); (iv) Com intenção de dono. SUBTÍTULO • TEXTO ESPÉCIES DE POSSE (PRO DIVISO e PRO INDIVISO) • POSSE PRO DIVISO: Ocorre quando dois ou mais possuidores compartilham a posse sobre um bem sem divisão física entre eles. Nenhum deles tem uma parte específica do bem; cada um possui uma fração ideal do todo. • Exemplo: Dois irmãos herdam um sítio e não fazem divisão formal. Ambos possuem o imóvel por inteiro, sem separar quem usa cada parte. • POSSE PRO INDIVISO: Ocorre quando os possuidores dividem de fato a área e passam a exercer posse exclusiva sobre partes determinadas do bem. Cada possuidor ocupa e administra uma parte específica do imóvel. • Exemplo: Dois irmãos herdam um sítio e um deles usa somente a parte da frente, enquanto o outro planta na parte de trás. Dois sócios compram um galpão e dividem: um usa a metadeesquerda e o outro a metade direita. SUBTÍTULO • TEXTO AQUISIÇÃO E PERDA DA POSSE • Conceito: Art. 1.223 do CC/2002: "Perde-se a posse quando cessam, embora contra a vontade do possuidor, o poder fático sobre a coisa.“. • Elementos essenciais: a cessação do poder de fato sobre o bem. • Distinção: perda da posse voluntária x involuntária. • Importância jurídica: a perda da posse pode impactar direitos reais e ações possessórias SUBTÍTULO • TEXTO AQUISIÇÃO DA POSSE • Posse originária: Ocorre quando o possuidor obtém a posse sem intermediação de um possuidor anterior. O título jurídico não é necessário, e o exercício da posse decorre diretamente de um ato próprio do possuidor. • Posse derivada: Ocorre quando a posse é transferida de um possuidor anterior a um novo possuidor. Nesse caso, há um vínculo jurídico entre o possuidor anterior e o novo possuidor, como na compra e venda, locação ou cessão de direitos. • Relevância da distinção: (i) Na posse originária, o possuidor adquire a posse com total autonomia, podendo alegar direito à usucapião; (ii) Na posse derivada, o novo possuidor assume os ônus e benefícios da posse anterior, sendo limitado pelos termos da transferência. SUBTÍTULO • TEXTO MODOS ORIGINÁRIOS DE AQUISIÇÃO DA POSSE • Apreensão da coisa: Quando alguém toma posse de um bem sem que houvesse possuidor anterior. Exemplo: Uma pessoa encontra um terreno sem sinal de propriedade privada, passa a ocupá-lo e inicia atividades agrícolas. • Exercício do direito: Ocorre quando a posse é adquirida pelo exercício de um direito reconhecido legalmente. Exemplo: Uma pessoa que recebe autorização do Estado para ocupar e utilizar uma terra pública destinada à reforma agrária. • Disposição da coisa ou do direito: Quando alguém, mesmo sem transmissão formal, passa a exercer posse sobre um bem por manifesta intenção do antigo possuidor. Exemplo: O proprietário de um imóvel abandona sua casa e um terceiro passa a ocupá-la continuamente sem qualquer oposição, podendo futuramente reivindicar usucapião. SUBTÍTULO • TEXTO MODOS ORIGINÁRIOS DE AQUISIÇÃO DA POSSE • Tradição: É a entrega da coisa pelo antigo possuidor ao novo possuidor, podendo ocorrer de diferentes formas. - Tradição real: Entrega física do bem, como a chave de um imóvel ao comprador. - Tradição simbólica: Transferência por um ato representativo, como a assinatura de um contrato de compra e venda de veículo. - Tradição ficta: Quando a posse é transferida sem deslocamento físico da coisa, como na constituição de um locatário em possuidor indireto. SUBTÍTULO • TEXTO MODOS ORIGINÁRIOS DE AQUISIÇÃO DA POSSE • Sucessão na posse: Ocorre quando a posse é transmitida em razão de herança, doação ou cessão. - Exemplo de herança: Um filho herda uma fazenda do pai e passa a exercer a posse sobre ela, ainda que nunca tenha morado no local; - Exemplo de doação: Um empresário doa um galpão comercial a uma entidade filantrópica, que passa a exercer a posse sobre o imóvel. - Exemplo de cessão: Um agricultor cede a posse de um lote rural para um amigo plantar temporariamente, sem transferência da propriedade. • Importância: Nos modos derivados, há continuidade de relação possessória, podendo o novo possuidor herdar direitos e vedações da posse anterior. SUBTÍTULO • TEXTO QUEM PODE ADQUIRIR A POSSE? • Pessoas naturais: Qualquer pessoa física com capacidade civil pode adquirir a posse. • Pessoas jurídicas: Empresas e entidades também podem deter a posse de bens móveis e imóveis. • Incapazes: Embora não possam exercer diretamente a posse, os incapazes podem possuí-la por meio de seus representantes legais. • Entes despersonalizados: Condomínios e espólios podem exercer posse para fins específicos. SUBTÍTULO • TEXTO REFLEXÕES FINAIS – AQUISIÇÃO DA POSSE • A aquisição da posse pode ocorrer por diferentes modos, impactando os direitos do possuidor. • A distinção entre posse originária e derivada tem consequências práticas, como a possibilidade de invocar proteção possessória. • 4 • Jurisprudência: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - FALTA DE INTERESSE DE AGIR - PROVA DO EXERCÍCIO DA POSSE E DO ESBULHO PRATICADO PELO RÉU - ALEGAÇÕES DECORRENTES DO DIREITO DE PROPRIEDADE - IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. O interesse de agir requer, não somente a necessidade de ir a juízo, mas também a utilidade, do ponto de vista prático, da prestação jurisdicional. Em ação possessória não se discute direito de propriedade. Para a procedência da ação possessória é indispensável que esteja devidamente comprovada a posse anterior, bem como a ocorrência de turbação ou esbulho. Sem a comprovação do exercício da posse pelo autor e a consequente perda por ato de esbulho praticado pelo réu, impõe-se a reforma da sentença para julgar improcedente o pedido de reintegração de posse. (TJ-MG - AC: 10000205326168001 MG, Relator.: Habib Felippe Jabour (JD Convocado), Data de Julgamento: 29/10/2020, Câmaras Cíveis / 12ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 03/11/2020). SUBTÍTULO • TEXTO MODOS DE PERDA DA POSSE • 1. Abandono: O possuidor deixa de exercer a posse intencionalmente, sem repassá-la a terceiros. • 2. Perda da coisa: Quando o bem é perdido ou desaparece, tornando impossível o exercício da posse. Pode ocorrer por caso fortuito, força maior ou destruição do objeto. • Exemplo: um bem móvel que se extravia ou imóvel tomado por forças naturais. • 3. Desapropriação: O Estado retira o bem por necessidade pública, mediante indenização, regulado pelo art. 5º, XXIV da CF. • 4. Alienação: Transferência voluntária da posse por venda, doação ou cessão. • 5. Posse por outrem: Outra pessoa passa a exercer a posse de maneira incontestada, levando à perda tácita da posse anterior. • 6. Perda forçada (esbulho): Quando alguém toma a posse sem consentimento do possuidor, podendo gerar ação de reintegração de posse. SUBTÍTULO • TEXTO ABANDONO DA POSSE • Definição: Renúncia expressa ou tácita ao direito possessório, sem transferência formal. • Efeito jurídico: Pode ensejar a ocupação por terceiros e gerar usucapião. • Exemplo: Proprietário de um terreno que deixa o local sem manutenção, permitindo ocupação de terceiros. • Exemplo 02: Imóvel urbano abandonado, levando à aplicação de políticas de função social da propriedade. • • Fundamentação legal: CC, art. 1.275, inciso III. SUBTÍTULO • TEXTO PERDA POR ALIENAÇÃO • Conceito: Transferência da posse e/ou propriedade por ato voluntário do possuidor. • Tipos de alienação: (i) Venda de um bem, transferência de posse e propriedade; e (ii) Doação ou cessão de posse sem contrapartida financeira. • Importância do registro: No caso de imóveis, a alienação da posse deve ser formalizada para evitar conflitos (CC, art. 1.227). • Exemplo: Venda de um imóvel alugado, onde o comprador pode ou não manter a posse do locatário. • SUBTÍTULO • TEXTO PERDA POR ALIENAÇÃO • Exemplo: • AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. FRAUDE À EXECUÇÃO. POSSE ADQUIRIDA MEDIANTE CESSÃO DE DIREITOS . AQUISIÇÃO ANTERIOR À CONSTRIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA MÁ-FÉ DO ADQUIRENTE. SÚMULA 375/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS . SÚMULA 303/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, cristalizada na Súmula 375, "O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente" . E mais, nos termos da tese firmada pela Corte Especial do STJ, em sede de julgamento de recurso especial repetitivo, "inexistindo registro da penhora na matrícula do imóvel, é do credor o ônus da prova de que o terceiro adquirente tinha conhecimento de demanda capaz de levar o alienante à insolvência" ( REsp 956.943/PR, Rel. p/ acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, DJe de 1º/12/2014). 2 . No caso dos autos, inexiste registro da penhora ou da existência da ação na matrícula do imóvel alienado, bem como não ficou comprovado que os agravados, terceiros adquirentes, tinham conhecimentoda execução movida em desfavor do alienante, sendo, portanto, inviável o reconhecimento da fraude à execução. 3. Nos termos da Súmula 303/STJ, "Em embargos de terceiro, quem deu causa à constrição indevida deve arcar com os honorários advocatícios." 4 . Agravo interno a que se nega provimento. (STJ - AgInt no AREsp: 1877541 DF 2021/0113115-3, Data de Julgamento: 02/05/2022, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 08/06/2022). SUBTÍTULO • TEXTO PERDA POR ESBULHO • Conceito: Perda da posse contra a vontade do possuidor legítimo, por ato ilegal de terceiro. • Elementos do esbulho: (i) Retirada da posse de forma violenta, clandestina ou precária; (ii) O possuidor original é impedido de exercer seu direito; (iii) Necessidade de atuação judicial para recuperação da posse. • Medidas cabíveis: • (i) Ação de reintegração de posse – Se a posse foi retirada à força; • (ii) Interdito proibitório – Se há ameaça de esbulho iminente. • Exemplos: • (i) Invasão de terras por movimentos sociais sem autorização judicial; • (ii) Despejo irregular sem ordem judicial. • (iii) Apropriação indevida de área por vizinho que amplia sua construção sobre terreno alheio. SUBTÍTULO • TEXTO CONSEQUÊNCIAS DA PERDA DA POSSE • Impacto nos direitos reais e obrigacionais: (i) Extinção de direitos possessórios e possíveis efeitos sobre a propriedade. (ii) Alteração na relação jurídica de contratos que envolvem a posse. (iii) Possível reversão da posse via ação judicial. • Efeito sobre a responsabilidade civil: (i) Se a posse foi retirada de forma ilícita, pode gerar dever de indenização. (ii) Esbulho e turbação podem acarretar reparação por danos materiais e morais. • Consequências processuais: (i) Reintegração de posse, interdito proibitório e manutenção de posse. (ii) Indenizações por perdas e danos quando há esbulho ou desapropriação indevida. • Exemplo prático: Caso de ocupação irregular em área urbana, onde a posse foi perdida involuntariamente e o possuidor precisou recorrer ao Judiciário para restabelecer seus direitos. SUBTÍTULO • TEXTO EFEITOS DA POSSE – INTRODUÇÃO • A posse não é apenas um fato, mas um instituto jurídico que gera efeitos patrimoniais e processuais. • O Código Civil e o Código de Processo Civil estabelecem direitos e deveres do possuidor, protegendo sua relação com o bem e terceiros. • A análise será dividida em: efeitos materiais, efeitos processuais, impacto da boa-fé e má-fé, e procedimentos específicos das ações possessórias. SUBTÍTULO • TEXTO EFEITOS MATERIAIS DA POSSE • Direito de usar e gozar do bem: O possuidor pode utilizar o bem conforme sua destinação econômica, sendo protegido contra interferências indevidas. • Produção de frutos e rendimentos: Possuidor de boa-fé: tem direito aos frutos percebidos antes da citação judicial. Possuidor de má-fé: deve restituir os frutos colhidos e indenizar perdas. • Direito à indenização por benfeitorias: Benfeitorias necessárias: São sempre indenizáveis, como reparos estruturais. Benfeitorias úteis: Indenizáveis para possuidor de boa-fé, como construção de garagem. Benfeitorias voluptuárias: Apenas direito de retirada, se não danificar o bem. • Responsabilidade pela deterioração: Boa-fé: Responde apenas por dano culposo. Má-fé: Responde por qualquer deterioração ou perda do bem. SUBTÍTULO • TEXTO EFEITOS PROCESSUAIS DA POSSE • Proteção possessória: A posse goza de amparo legal contra agressões externas. • Conversão da ação possessória em ação de indenização: Se não for possível restabelecer a posse, o possuidor pode pleitear compensação financeira. • Fungibilidade dos interditos possessórios: O juiz pode conceder outra proteção possessória caso o pedido do autor não corresponda exatamente ao meio adequado. • Cumulação de pedidos: O possuidor pode acumular ação possessória com pedido de indenização por danos materiais e morais. • Caráter dúplice das ações possessórias: O réu pode formular pedido possessório próprio dentro da mesma ação. • Pedido de multa: Possibilidade de cominar multa para evitar novo esbulho, turbação ou ameaça (Art. 555, CPC). SUBTÍTULO • TEXTO AÇÕES POSSESSÓRIAS • Legítima defesa e desforço imediato (Art. 1.210, §1º, CC): - O possuidor turbado ou esbulhado pode se manter ou restituir sua posse de forma imediata. - Pode usar da força deve ser proporcional e indispensável. - O abuso ou excesso pode gerar responsabilidade penal e civil.. • Interditos proibitórios e classificação das ações possessórias: Reintegração de posse: Esbulho – perda total da posse. Manutenção de posse: Turbação – perturbação, sem perda total. Interdito proibitório: Ameaça concreta de esbulho ou turbação. SUBTÍTULO • TEXTO AÇÕES POSSESSÓRIAS • Quadro resumido: SUBTÍTULO • TEXTO PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS NAS AÇÕES POSSESSÓRIAS • Ação de força nova: Deve ser ajuizada em até um ano e um dia após o esbulho ou turbação. Possui rito mais célere. • Ação de força velha: O esbulho ocorreu há mais de um ano e um dia. Aplica-se o procedimento comum, com dilação probatória. • Exigência de caução: Quando o juiz defere liminar para reintegração de posse, pode exigir caução para compensar eventuais prejuízos à parte adversa. SUBTÍTULO • TEXTO DISTINÇÃO ENTRE JUÍZO POSSESSÓRIO E JUÍZO PETRITÓRIO • Juízo Possessório: (i) Discute apenas a posse, independentemente da propriedade. (ii) Baseia- se na posse preexistente e em eventual esbulho ou turbação. Exemplo: Ação de reintegração de posse. • Juízo Petitório: Discute a propriedade do bem, e não apenas a posse. Exemplo: Ação reivindicatória para reaver imóvel de posse injusta. • Exceção de domínio: Nada impede que o réu intente ação de reconhecimento de domínio, na pendência de ação possessória fundada exclusivamente em atos concretos de posse. Porém, já se decidiu que “não há que se cogitar da incidência ou não da regra do art. 557 do CPC, se a ação petitória foi ajuizada antes da possessória.”. SUBTÍTULO • TEXTO AÇÕES POSSESSÓRIAS • Importância da tutela possessória para a estabilidade social e econômica: (i) A posse é protegida independentemente da propriedade, garantindo segurança jurídica a possuidores de boa-fé; (ii) Função social da posse: Utilização produtiva do bem, garantindo seu aproveitamento econômico e social; (iii) Relevância para pequenos agricultores, comunidades tradicionais e empreendedores urbanos. • Prevenção de Conflitos e Manutenção da Ordem: (i) As ações possessórias evitam que disputas sobre a posse resultem em violência ou autotutela; (ii) Proteção de bens públicos e privados contra ocupações ilegais; (iii) Garantia de previsibilidade jurídica para investidores e detentores de direitos reais sobre imóveis. SUBTÍTULO • TEXTO AÇÃO DE MANUTENÇÃO DA POSSE • Definição: Ação destinada a manter o possuidor no exercício da posse quando esta for turbada. • É entendida como direito autônomo em relação à propriedade. • Em relação a bens públicos, a posse é inerente ao domínio, o que confere ao ente público posse jurídica. • Requisitos: (i) Posse legítima (justa, contínua e pacífica); (ii) Ocorrência de turbação: atentado parcial contra a posse sem perda total; (iii) Data da turbação: requisito essencial para a ação; (iv) Prova da posse e da turbação. SUBTÍTULO • TEXTO AÇÃO DE MANUTENÇÃO DA POSSE • Detalhes: (i) Quando o possuidor sobre turbação, ou seja, limitação no seu direito de posse; (ii) O juiz pode conceder uma decisão liminar para garantir a continuidade da posse. • Procedimento: (i) Pedido liminar com base no artigo 561 do CPC; (ii) Apresentação de provas documentais e testemunhais; (iii) Fase de instrução e julgamento; (iv) Sentença e possibilidade de recurso. • Exemplo: Disputa de posse entre vizinhos em um imóvel rural. SUBTÍTULO • TEXTO AÇÃO DE MANUTENÇÃO DA POSSE • Detalhes: (i) Quando o possuidor sobre turbação, ou seja, limitação no seu direito de posse; (ii) O juiz pode conceder uma decisão liminar para garantir a continuidade da posse. • Procedimento: (i) Pedido liminar com base no artigo 561 do CPC; (ii) Apresentaçãode provas documentais e testemunhais; (iii) Fase de instrução e julgamento; (iv) Sentença e possibilidade de recurso. • Exemplo: Disputa de posse entre vizinhos em um imóvel rural. SUBTÍTULO • TEXTO APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE. POSSE TURBADA . COMPROVAÇÃO. REQUISITOS DO ART. 561 DO CPC. PRESENTES . SENTENÇA MANTIDA. 1. A tutela da posse se desenvolve por meio de três diferentes espécies de ações chamadas de interditos possessórios: reintegração de posse, manutenção de posse e interdito proibitório. 2 . O possuidor tem direito de requerer segurança, diante de esbulho iminente, de ser mantido na posse, em caso de turbação, e de ser reintegrado no caso de esbulho, inclusive por meio de expedição de mandado liminar, nos termos do art. 1.210 do Código Civil e dos arts. 560, 561, 562 e 567, todos do Código de Processo Civil . 3. Na ação possessória de manutenção de posse, como no presente caso, cabe ao autor comprovar sua posse; a turbação praticada pelo réu; a data de sua ocorrência e a continuação da posse, embora turbada. 4. Quanto à posse, o Código Civil adotou a teoria objetiva, na qual a posse é caracterizada pela vontade de agir em relação à coisa como proprietário, ou seja, é suficiente que o sujeito exteriorize atos de proprietário . 5. O conjunto probatório confere substrato suficiente para autorizar a manutenção da posse em favor dos autores/apelados, eis que tiveram sucesso na comprovação de efetivamente exercerem direitos possessórios sobre o imóvel, tendo, assim, direito à proteção contra ato de turbação cometido pela parte apelante. 6. Apelação conhecida e desprovida . Unânime. (TJ-DF 07021608620178070002 DF 0702160-86.2017.8 .07.0002, Relator.: ROMEU GONZAGA NEIVA, Data de Julgamento: 02/09/2020, 7ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 08/09/2020. Pág.: Sem Página Cadastrada .). SUBTÍTULO • TEXTO AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DA POSSE • Definição: Ação cabível quando o possuidor for esbulhado de sua posse, ou seja, totalmente destituído dela. • Requisitos: (i) Posse anterior ao esbulho; (ii) Ocorrência do esbulho (privação total da posse); (iii) Data do esbulho; (iv) Prova da posse e do esbulho. SUBTÍTULO • TEXTO AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DA POSSE • Procedimento: (i) Pedido liminar com base no art. 561 do CPC; (i) Citação do réu e audiência de justificação; (ii) Produção de provas e julgamento; (iii) Execução de sentença em caso de procedência. • Exemplo prático: ocupação irregular de imóvel por terceiros sem título jurídico. SUBTÍTULO • TEXTO ADMINISTRATIVO. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL E JUSTIÇA FEDERAL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE ENTRE PARTICULARES. IMÓVEL INTEGRANTE DE ÁREA QUILOMBOLA. LICENÇA DE OCUPAÇÃO EXPEDIDA PELO INCRA. LEGITIMIDADE DO TÍTULO DE PROPRIEDADE. LEVANTAMENTO DA CADEIA DOMINIAL. INTERESSE DA UNIÃO. I - Na origem, trata-se de ação proposta perante o Juízo estadual, estabelecida entre particulares, envolvendo reintegração de posse de imóvel que faz parte da comunidade quilombola denominada Retiro Ariri, conforme lista da Coordenação das Comunidades Quilombolas do Amapá - CONAQ/AP. (...) IV - No caso vertente, consta licença de ocupação expedida pelo INCRA, dando reconhecimento de posse a indivíduo, que seria o vendedor do imóvel para os réus, contra quem é imputada a conduta de esbulho possessório. V - Nesse contexto, não obstante o Juízo federal tenha invocado precedente desta Corte, para afastar o interesse da União, e, consequentemente, a competência da Justiça Federal para apreciação do feito, depreende-se que a controvérsia enquadra-se justamente na exceção, tendo em vista que há evidente debate sobre a legitimidade da posse do imóvel que constitui o objeto da ação de reintegração. VI - O art. 5º da Instrução Normativa n. 49 do INCRA dispõe que lhe compete a identificação, o reconhecimento, a delimitação, a demarcação, a desintrusão, a titulação e o registro imobiliário das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos. VII - Identificado o interesse jurídico da União, explicitado pela atuação da autarquia federal agrária em matéria fundiária coletiva, notadamente envolvendo área quilombola, suficiente para atrair a competência da Justiça Federal, ex vi do art. 109, I, da Constituição Federal. VIII - Com efeito, considerando as inegáveis repercussões das ações possessórias, bem como a existência de disputa sobre imóvel demarcado e cuja titularidade foi atribuída à comunidade quilombola, cabe exclusivamente ao Juízo federal resolver a questão. IX - Conflito conhecido para declarar competente o Juízo Federal da 1ª Vara Cível da Seção Judiciária do Estado do Amapá, o suscitado. (CC n. 190.297/AP, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 27/9/2023, DJe de 2/10/2023.) SUBTÍTULO • TEXTO SUBTÍTULO • TEXTO PEDIDO LIMINAR NAS AÇÕES POSSESSÓRIAS • Fundamento: Art. 562 do CPC • Requisitos para a concessão: (i) Comprovação da posse legítima; (ii) Demonstração inequívoca do esbulho ou turbação; (iii) Risco de dano irreparável ou de difícil reparação; (iv) Prestação de caução, caso determinada pelo juiz. • Efeitos: Garantia provisória da posse ao requerente até decisão final. SUBTÍTULO • TEXTO AÇÕES POSSESSÓRIAS – CONCLUSÃO • A relevância da tutela possessória para a proteção da posse legítima. • Demonstrar os requisitos mínimos, especialmente para a concessão da liminar. • A importância de um procedimento célere para evitar prejuízos ao possuidor legítimo. SUBTÍTULO • TEXTO EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANUTENÇÃO DE POSSE. LIMINAR DEFERIDA. COMPROVAÇÃO DA POSSE . PRESENÇA DOS REQUISITOS ELENCADOS NOS ARTS. 561 E 558 DO CPC. RECURSO NÃO PROVIDO. -A liminar de manutenção de posse será deferida quando comprovados os requisitos dos arts . 558 e 561 do CPC, quais sejam: a posse do autor; a turbação praticada pelo réu; a data da turbação; e, por fim, se tratar a ação de força nova - Comprovada a posse sobre o imóvel, bem como a turbação praticada, a menos de ano e dia, sem a perda da posse, deve ser mantida a liminar de manutenção de posse. (TJ-MG - Agravo de Instrumento: 22653539220248130000, Relator.: Des.(a) Rui de Almeida Magalhães, Data de Julgamento: 04/09/2024, Câmaras Cíveis / 11ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 05/09/2024) AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCEDIMENTO ESPECIAL. MANUTENÇÃO DE POSSE. MANDADO LIMINAR CONCEDIDO À ORIGEM . RECURSO DO RÉU. MANUTENÇÃO DE POSSE. REQUISITOS. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 561 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL . PRESSUPOSTOS PREENCHIDOS. PROVA SOBRE A POSSE EXERCIDA SOBRE O TERRENO. RÉU QUE INSTALOU UM PORTÃO PARA OBSTAR A PASSAGEM AO IMÓVEL. INFORMAÇÃO CONTIDA EM BOLETIM DE OCORRÊNCIA . NOTÍCIA DA TURBAÇÃO, SUA DATA E, EMBORA TURBADA, DA CONTINUAÇÃO DA POSSE. RECURSO DESPROVIDO. (TJSC, Agravo de Instrumento n. 5060369-26 .2023.8.24.0000, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, rel . Ricardo Fontes, Quinta Câmara de Direito Civil, j. 05-03-2024). (TJ-SC - Agravo de Instrumento: 5060369-26.2023 .8.24.0000, Relator.: Ricardo Fontes, Data de Julgamento: 05/03/2024, Quinta Câmara de Direito Civil) SUBTÍTULO • TEXTO INTERDITO PROIBITÓRIO • Conceito de Interdito Proibitório: Medida judicial preventiva que visa resguardar a posse diante de uma ameaça iminente de turbação ou esbulho. • Finalidade: Proteger a posse do autor sem necessidade de esperar a efetivação da violação possessória. • Importância: Essencial para evitar conflitos fundiários, especialmente em disputas envolvendo propriedades rurais, urbanas e bens públicos. • Diferença entre interdito proibitório, manutenção de posse e reintegração de posse:Interdito: (i) Proibitório: Protege contra ameaça de invasão ou turbação iminente. (ii) Manutenção de Posse: Protege quando a turbação já ocorreu. (iii) Reintegração de Posse: Protege quando o possuidor já foi esbulhado de seu bem. SUBTÍTULO • TEXTO FUNDAMENTO LEGAL • Código Civil: Art. 1.210, § 1º: Proteção ao possuidor contra ameaças de perda ou perturbação de sua posse. • Código de ProcessoCivil: Arts. 567 a 568: Regramento processual para ações possessórias preventivas. • Princípio da Autotutela da Posse: O possuidor tem direito à defesa de sua posse independentemente da propriedade do bem. SUBTÍTULO • TEXTO REQUISITOS PARA A AÇÃO • Posse Legítima: O autor deve demonstrar que exerce posse legítima sobre o bem, podendo ser posse direta ou indireta. • Ameaça Real e Imediata: Não basta um receio subjetivo, é necessário demonstrar indícios concretos da ameaça de turbação ou esbulho. • Prova da Ameaça: Documentos, contratos, registros fotográficos, vídeos, testemunhas, boletins de ocorrência e notificações extrajudiciais. • Pedido de Tutela Preventiva: Visa impedir a concretização da violação possessória antes que ocorra, garantindo a estabilidade jurídica da posse. (i) Fundamento legal: Art. 300 do CPC, que prevê tutela de urgência sempre que houver probabilidade do direito e risco de dano irreparável ou de difícil reparação; (ii) Fundamento específico: Art. 567 do CPC, que estabelece que o interdito proibitório cabe contra ameaça de turbação ou esbulho iminente; (iii) Medidas preventivas possíveis: Fixação de multa, ordem de afastamento dos ameaçadores, reforço na segurança da posse. SUBTÍTULO • TEXTO PROCEDIMENTO • Petição Inicial (i) Identificação do autor e do réu; (ii) Narração dos fatos com detalhamento da posse e da ameaça; (iii) Pedido de concessão de liminar para impedir a ameaça; (iv) Indicação dos meios de prova que serão produzidos. • Pedido Liminar: (i) Fundamentação legal: Art. 300 do CPC (probabilidade do direito e perigo de dano); (ii) Possibilidade de fixação de multa: Medida coercitiva para inibir descumprimento da ordem judicial. (iii) Análise pelo juiz: Pode ser concedida de forma antecipada, sem a oitiva da parte contrária. SUBTÍTULO • TEXTO PROCEDIMENTO • Audiência de Justificação: (i) Realização de audiência para que o autor comprove a posse e a ameaça; (ii) Possibilidade de o réu se manifestar sobre as alegações do autor; (iii) Juiz decide sobre a manutenção da liminar e prosseguimento do processo. • Sentença e Recursos: (i) Caso o interdito proibitório seja procedente, a decisão confirmará a tutela proibitiva; (ii) O réu pode recorrer ao Tribunal para reverter a decisão. SUBTÍTULO • TEXTO DIFERENÇAS ENTRE AS AÇÕES POSSESSÓRIAS SUBTÍTULO • TEXTO • INTERDITO PROIBITÓRIO. Turbação na posse comprovada. Direito à manutenção na posse, previsto no artigo 1.210 do Código Civil . Demonstrado pelos autores o cumprimento dos requisitos do artigo 561 do CPC. Provada a ameaça à posse e o justo receio dos autores, deve ser garantida a manutenção dos mesmos no local, mesmo porque o réu jamais exerceu a posse do imóvel. Precedentes. Sentença mantida . RECURSO DESPROVIDO. (TJ-SP - AC: 10000251620158260084 SP 1000025-16.2015.8 .26.0084, Relator.: Anna Paula Dias da Costa, Data de Julgamento: 13/10/2021, 38ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 13/10/2021). • EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE INTERDITO PROIBITÓRIO - TUTELA DE URGÊNCIA - MANDADO DE INTERDITO PROIBITÓRIO - AUSÊNCIA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES - NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. I - Nos termos do art. 560 do CPC, o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, desde que preenchidos os requisitos previstos no art. 561, do mesmo diploma legal. II - Ausentes os requisitos previstos nos arts. 561 e 567, do Código de Processo Civil, especialmente tendo em vista a necessidade de maior dilação probatória, deve ser indeferida a liminar de interdito proibitório. (TJ-MG - AI: 10000211901350001 MG, Relator.: Fernando Caldeira Brant, Data de Julgamento: 06/07/2022, Câmaras Cíveis / 20ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 07/07/2022).