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MECÂNICA DOS SOLOS / JOSÉ LAVRADOR FILHO /VALDIR AP. GALIANO AULA 04 – PERMEABILIDADE E ADENSAMENTO DOS SOLOS 1 Permeabilidade dos solos1 O estudo da percolação de água no solo (da permeabilidade) é importante porque intervêm num grande número de problemas práticos, tais como: drenagem, rebaixamento do nível d’água, cálculo de vazões, análise de recalques e estudo de estabilidade. O interior da Terra funciona como um vasto reservatório subterrâneo para a acumulação e circulação das águas que nele se infiltram. A água subterrânea é originada predominantemente da infiltração das águas das chuvas, sendo este processo de infiltração de grande importância na recarga da água no subsolo. A recarga depende do tipo de rocha, cobertura vegetal, topografia, precipitação e da ocupação do solo. A permeabilidade é a propriedade que o solo apresenta de permitir o escoamento da água através dele, sendo o seu grau expresso pelo coeficiente de permeabilidade, que é a velocidade real média de escoamento através dos vazios do solo, quando a espessura (L) da camada de solo (medida na direção do escoamento) é igual à respectiva perda de carga (Figura 1). 1.1 Lei de Henry Darcy (1856)2 “A velocidade (v) do fluxo de um líquido em um meio poroso é proporcional ao gradiente hidráulico” o Q: Vazão o A: Área da seção transversal ao fluxo o k: Coeficiente de permeabilidade o i: gradiente hidráulico ik A Q v AikQ A L h kQ 1.2 Coeficiente de permeabilidade: Facilidade com que a água percola por um meio poroso, no caso, o solo. Tem unidade de velocidade [L/T]. Determinável por meio de ensaios (Figura 2): Granulometria – quanto mais fino menor a permeabilidade; Porosidade – permeabilidade aumenta com a porosidade; Estrutura de solos argilosos e direção do fluxo – conforme a compactação e estratificação do solo, ou a presença de xistosidades. Grau de saturação Temperatura Figura 1 – percolação em um permeâmetro Figura 2 – permeâmetro de carga constante 2 Compressibilidade e Adensamento dos Solos Compressibilidade: relação entre a variação de volume do solo e a variação do estado de tensões efetivas. Adensamento: o processo de compressão ao longo do tempo de um solo saturado ocasionado pela expulsão de uma quantidade de água igual à redução do volume de vazios como resultado da transferência gradual do excesso de poro-pressão gerado pelo carregamento para a tensão efetiva. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1 CAPUTO, Homero Pinto. Mecânica dos solos e suas aplicações: Fundamentos, v.1. 6ª edição. Rio de Janeiro, LTC. 1988. ISBN13: 9788521605591. 234 p. (624.15136 C255m 6. ed.). 2 PINTO, Carlos de Souza. Curso Básico de Mecânica dos Solos com exercícios resolvidos. 3ª edição. Oficina de Textos, 2006. ISBN10: 8586238511; ISBN13: 9788586238512. (624.15136 P659c 3. ed.). MECÂNICA DOS SOLOS / JOSÉ LAVRADOR FILHO /VALDIR AP. GALIANO 2.1 Relação Carga-Deformação As deformações dos solos (argilas) são maiores que a dos materiais de construção (concreto), mas ocorrem em função do tempo, e não instantaneamente à aplicação da carga (Figura 3). Estas deformações, geralmente não uniformes, podem comprometer as estruturas assentadas sobre o solo. Para a estimativa dos recalques que ocorrem por adensamento, é necessário conhecer as propriedades dos solos e a distribuição de pressões produzidas no terreno. Figura 3 – Diagrama pressão-deformação 2.2 Ensaio de Compressão Edométrica Compressão do solo, dentro de um molde que permite apenas deformações de compressão, impedindo deformações laterais. Simulação do comportamento do solo quando é comprimido pela ação do peso de novas camadas que sobre ele se depositam Figura 4 – Adensamento sob fundação 2.3 Processo de Adensamento em uma argila saturada Distribuição da carga da fundação (Figura 5) a uma camada de argila saturada (compressível e coesiva), limitada por uma camada de areia (incompressível) e um leito rochoso (impermeável). 0 : pressão transmitida a um ponto M da camada compressível de argila saturada (constante no tempo) : pressão efetiva, parte da pressão transmitida às partículas sólidas; u : sobrepressão hidráulica, acréscimo de pressão neutra, parte da pressão transmitida à água que enche os vazios do solo; tut0 2.4 Teoria de Terzagui para cálculo de recalques em solos pré-adensados 21 e,e : índices de vazios 0H : altura equivalente às partículas sólidas 1H : altura total antes do carregamento: 101 e1HH 2H : altura total após o carregamento: 202 e1HH Índice de compressão: 12 21 C loglog ee C Recalque: 21 1 1 ee e1 H H 1 2 C 1 1 logC e1 H H fia ,, : tensão de pré-adensamento, tensão inicial e tensão final resultante do carregamento. rC : índice de recompressão Expressão geral para cálculo dos recalques: a f C i a r 1 1 logClogC e1 H H Figura 5 – Adensamento sob fundação Figura 6 – Cálculo de recalques Figura 7 – Índice de Compressão de argila orgânica mole (Baixada Santista)