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POLÍTICAS PÚBLICAS PARA 
EDUCAÇÃO DE JOVENS E 
ADULTOS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Vania Andretta Ratto 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Vamos apresentar para você um breve histórico da educação de jovens e 
adultos (EJA) no Brasil, com o qual você terá a oportunidade de aprofundar mais 
seus conhecimentos sobre o assunto, sendo cada tema abordado de extrema 
importância para a compreensão do sistema educacional brasileiro e seus 
programas de alfabetização, em cada período histórico. 
TEMA 1 – HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO PERÍODO 
COLONIAL 
Para que possamos conhecer as políticas públicas voltadas para a EJA, 
é imprescindível reconhecer a educação como um direito, pois, só assim, 
poderemos compreender a necessidade do desenvolvimento de ações que 
beneficiem os setores da sociedade que se caracterizam pela exclusão social e 
defasagem educacional. 
Uma vez que a colonização do Brasil havia fracassado, dado o insucesso 
do sistema de capitanias hereditárias, o Rei Dom João III resolveu encaminhar 
Tomé de Souza ao Brasil, em 1549, o qual passou a ocupar o cargo de 
governador-geral, viabilizando assim o processo de colonização do Brasil. Tomé 
de Souza e sua tropa iniciam assim, então, a construção da capital da colônia, 
que geraria riqueza para a metrópole e tornaria possíveis os câmbios comerciais 
entre Brasil e Portugal, por meio do desenvolvimento agrícola, pela organização 
de expedições em busca de metais preciosos e da prisão de índios para serem 
vendidos e escravizados. Para expandir a religião, Tomé de Souza também 
trouxe, em seu comboio, os primeiros padres jesuítas a bordo, entre eles Manoel 
da Nóbrega, José de Anchieta e Antônio Vieira, que representavam os 
verdadeiros soldados de Cristo, pois faziam parte de uma ordem religiosa 
católica denominada Companhia de Jesus e tinham por objetivo disseminar a fé 
católica pelo mundo. 
É nesse cenário que, em 1554, são fundadas a primeira escola do Brasil, 
em Salvador, e a segunda, em São Paulo, onde os jesuítas passam a difundir a 
cultura europeia nas terras indígenas e a organizar o sistema de educação que 
tinha como fundamento catequizar e converter os nativos à religião católica. 
Existia, pois, uma forte relação entre Estado e Igreja, marcada pelos interesses 
que se complementavam, já que o Estado precisava do apoio do clero para 
 
 
3 
explorar e administrar o território brasileiro, enquanto a Igreja precisava do apoio 
do Estado para catequizar os índios como mão de obra. 
É também nesse cenário que se encontra o marco inicial da trajetória da 
EJA, pois, desde o período da colonização do país pelos portugueses, os padres 
jesuítas chegam ao Brasil com a missão de defender os princípios cristãos, a fim 
de propagar a fé católica, juntamente com o trabalho educativo. Para que isso 
acontecesse, era necessário que os índios fossem alfabetizados. Assim, os 
padres jesuítas, pelas bases da catequização, deram início à educação colonial 
por meio da leitura e da escrita, envolvendo crianças, jovens e adultos indígenas 
em uma ação cultural e educacional. 
A partir dessa época, os religiosos passam a exercer uma forte influência 
europeia na sociedade, já que o Brasil era dependente de Portugal e precisava 
seguir os fundamentos do sistema capitalista, que privilegiava o 
desenvolvimento exploratório para atender à demanda dos portugueses por 
trabalhadores braçais. Com o desembarque da família real portuguesa em terras 
brasileiras, no início do ano de 1808, ocorrem muitas transformações políticas, 
econômicas e sociais que contribuíram para a deportação dos jesuítas do país, 
pois o influente ministro Marquês de Pombal acreditava que a grande autonomia 
política e econômica que os religiosos haviam conseguido era devido à prática 
da catequese. 
Enquanto o modelo educacional vigente na época atendia aos interesses 
da Igreja Católica – com seu caráter instrucional, que se baseou em orientações 
para o trabalho –, Marquês de Pombal enfrentava um entrave para poder atender 
aos interesses do Estado, outro ponto de grande divergência de interesses e que 
acabou justificando a expulsão dos jesuítas das terras brasileiras. Com isso, 
acontece a reforma educacional de Marquês de Pombal como tática necessária 
para suprir a lacuna deixada pela saída dos jesuítas e para modernizar o sistema 
educacional a favor do desenvolvimento da economia portuguesa, visando à 
manutenção e fortalecimento do regime monárquico. 
TEMA 2 – HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO PERÍODO 
IMPERIAL 
O período imperial foi marcado pela vinda da família real portuguesa, em 
1808, para o Brasil, para fugir do ataque francês a Portugal, acarretando muitas 
transformações como a criação de várias instituições e cursos de ensino 
 
 
4 
superior. Em 1822, com a conquista da Independência do Brasil, como resultado 
da separação entre Brasil e Portugal, o país deixa de ser uma colônia portuguesa 
e passa a ser uma nação independente. 
A Constituição outorgada em 1824 dava destaque especial à educação, 
garantindo instrução primária, gratuita, para todos os cidadãos, sendo essa 
época marcada pela realização da Assembleia Constituinte e Legislativa que 
propõe uma legislação com o objetivo de organizar a educação nacional, pela 
qual todas as cidades, vilas e lugares populosos passaram a ter escolas. De 
acordo com Haddad e Pierro (2000), embora não estivesse clara a preocupação 
com a EJA, nessa Constituição, o teor da legislação assegurava formação 
educacional a todos os cidadãos. Assim, subentende-se que a EJA também 
estava amparada na lei (Brasil, 1824). 
Infelizmente, o entusiasmo inicial com a instrução popular esbarrava nas 
precárias condições reais do país e, dessa forma, as propostas não passaram 
de mera ideologia do governo, que legislava em favor de uma instrução para o 
povo sem providenciar, todavia, os recursos para criar as condições necessárias 
para a existência das escolas e para o desenvolvimento do trabalho dos 
professores. E assim, no final do império, o Decreto n. 3.029/1881, também 
chamado de Lei Saraiva, instituiu, pela primeira vez, o título de eleitor, adotando 
as eleições diretas para todos os cargos eletivos do Império Brasileiro, não sem 
excluir os analfabetos do direito ao voto (Brasil, 1881). 
O período imperial termina com a existência ainda de poucas instituições 
escolares, apenas alguns liceus, em algumas províncias e capitais, colégios 
privados bem instalados nas principais cidades e cursos normais em 
quantidades insatisfatórias para as necessidades do país. Alguns cursos 
superiores garantiam o projeto de formação de médicos, advogados, políticos e 
jornalistas, estimulando assim que se efetivasse um grande abismo educacional 
em que a maioria da população brasileira, que era trabalhadora e pobre, se 
encontrava assim totalmente alheia ao interesse do governo imperial. 
TEMA 3 – HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO PERÍODO 
REPUBLICANO 
Mais de 50 anos depois, quando o Brasil já era uma república, surge o 
primeiro Plano Nacional de Educação (PNE), viabilizado pelo art. 150 da Carta 
Magna, a Constituição Brasileira de 1934, que estabeleceu que a educação era 
 
 
5 
dever do Estado e determinou a obrigatoriedade do governo de ofertar ensino 
gratuito e integral a todos, inclusive aos adultos que não conseguiram concluir 
seus estudos no ensino regular (Brasil, 1934). No entanto, foi só a partir dos anos 
1940 que a EJA começou a se constituir como política educacional, o que gerou 
avanços importantes no ensino de adultos. Com o término da Segunda Guerra 
Mundial e o fim da Ditadura Vargas, em 1945, marcava-se a necessidade de 
redemocratizar o país e aumentar as bases eleitorais, com a EJA passando a 
ser prioridade nos programas políticos. 
Em 1947, ocorre a realização da primeira Campanha Nacional de 
Educação de Adolescentes e Adultos– CEAA, que previa alfabetização desse 
público-alvo em até três meses; em seguida, surge o Serviço Nacional de 
Educação de Adultos – SNEA, que tinha por objetivo orientar e coordenar os 
trabalhos do ensino supletivo. Essa época também fica marcada pela realização 
do Congresso de Educação de Adultos e a criação de inúmeras escolas 
supletivas, voltadas para a população mais carente. 
Já nos anos 1950, há muitas críticas às propostas educacionais de 
adultos, trazendo à tona todas as suas mazelas, o que faz nascer uma nova 
visão sobre o analfabetismo, no país. No início dos anos 1960, vários 
movimentos sociais discutem a educação de adultos, como o Movimento de 
Educação de Base, criado pelo Decreto n. 50.370/1961, que buscava reconhecer 
e valorizar o aprendizado por meio da consideração do conhecimento popular 
(Brasil, 1961). É assim que nasce o Sistema Radioeducativo da Paraíba – Sirepa 
como um dos sistemas ligados ao Sistema Radioeducativo Nacional – Sirema, 
do então Ministério de Educação e Saúde, que foi muito utilizado, no Brasil, 
durante dez anos, de 1959 a 1969, com suas escolas radiofônicas. 
TEMA 4 – A VALORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO 
PERÍODO REPUBLICANO 
Em meio a esse movimento, surge uma referência em educação, hoje 
mundialmente reconhecida – o pernambucano Paulo Reglus Neves Freire. Paulo 
Freire foi pedagogo e filósofo, ocupou cargos públicos, como na Secretaria de 
Educação da Cidade de São Paulo, e trabalhou em diversas universidades. É o 
brasileiro com mais menções honrosas no mundo (41, no total). Esse homem, 
que teve uma infância e adolescência simples, em Recife, tinha propostas e 
novas ideias para alfabetizar os adultos, por intermédio de um método que 
 
 
6 
utilizava como pontos de partida a linguagem e o diálogo sobre a própria 
realidade dos alunos. 
Para Paulo Freire, a educação “[...] é um ato político e se a educação 
sempre ignorou a política, a política nunca ignorou a educação, e sempre 
procurou utilizá-la para manutenção de seus interesses”. Freire (2000, p. 121), 
em sua análise, destaca ainda que: 
A educação passa a ter sentido ao ser humano porque o seu existir se 
caracteriza como possibilidade histórica de mudanças. Somos ou nos 
tornamos educáveis porque, ao lado da constatação de experiências 
negadoras da liberdade, verificamos também ser possível a luta pela 
liberdade e pela autonomia contra a opressão e o arbítrio. 
Segundo Horiguti (2009), Paulo Freire utilizava um método diferente de 
alfabetização, cuja marca era uma perspectiva não aprisionada, mas, sim, 
libertadora, que tinha como base os conhecimentos dos alunos, suas 
experiências de vida, buscando os vocábulos que faziam parte do universo 
daqueles, entendidos como indivíduos que careciam adquirir, pela educação, 
criticidade, compreensão e capacidade de questionar sua própria realidade. O 
educador passa, então, a criar novas maneiras de abordar o conhecimento, que, 
antes, parecia tão distante do educando, e abre um novo caminho para o ensino 
de ler, interpretar conteúdos e escrever. 
Com isso, as propostas do pedagogo passam a inspirar os principais 
programas de governo, no que diz respeito à alfabetização e educação popular 
de adultos, já que essas eram as bases para a transformação da sociedade. 
Entre 1958 e 1961, as ideias progressistas de Paulo Freire marcaram a 
Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo – CNEA e o II Congresso 
Nacional de Educação de Adultos. 
Ao trabalhar com adultos analfabetos e pobres, Paulo Freire contribuía 
cada vez mais para tornar a educação libertadora, despertando, assim, a 
consciência dos discentes para as relações de opressão nos ambientes de 
trabalho e para as injustiças que existiam na sociedade. Porém, com o golpe de 
1964, tropas militares de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas do país e 
tomaram o controle do Estado em nome de seu próprio entendimento de 
democracia, liberdade, segurança e desenvolvimento nacional, marcando o 
início de um regime ditatorial no país e acabando, ainda que provisoriamente, 
com o ideal de uma educação libertadora. Desse momento em diante, a escola 
pública passa a conviver com a precarização e a queda na qualidade do ensino, 
 
 
7 
surgindo, assim, a migração dos filhos das elites para as instituições privadas de 
ensino. A partir disso, nasce a ideia de que os filhos dos ricos, que têm acesso 
a uma educação de qualidade, têm mais chances de entrar na universidade, 
enquanto que, aos filhos dos pobres, que estudam nas escolas públicas, resta o 
insucesso da entrada na universidade, acentuando as desigualdades sociais e 
educacionais do país. 
Com a destituição da educação popular, surge o Movimento Brasileiro 
de Alfabetização – Mobral – surgiu no dia 15 de dezembro de 1967, de 
acordo com a Lei n° 5.379, quando o governo assumiu o controle da 
alfabetização de adultos voltando-a para a faixa etária de 15 a 30 anos. 
Meses depois, foi designada a comissão que seria encarregada de 
elaborar os estatutos da instituição. Neste mesmo ano, no dia 29 de 
março os estatutos do Mobral foram aprovados, segundo o Decreto de 
nº 62.484. (Rangel, 2011, p. 14) 
A proposta do Mobral era a alfabetização funcional de jovens e adultos, 
com vistas a “[...] conduzir a pessoa humana a adquirir técnicas de leitura, escrita 
e cálculo como meio de integrá-la a sua comunidade, permitindo melhores 
condições de vida”. Infelizmente, o programa simplesmente treinava os operários 
para que soubessem ler e escrever, ainda que de forma rudimentar, e que 
reconhecessem seus deveres, sobretudo para a manutenção da ordem e da paz 
do regime. Com isso, o programa não atingiu sequer os objetivos de 
alfabetização, pois os representantes do governo não conseguiram enxergar que 
as políticas públicas e os programas voltados para a EJA só teriam êxito se o 
governo enfrentasse os problemas estruturais da sociedade como a miséria, a 
fome, o desemprego e a corrupção, que são parte estrutural das causas do 
analfabetismo. 
Nos últimos anos do programa, os resultados esperados do Mobral não 
eram, portanto, nada satisfatórios. Havia, ainda, grande volume de recursos 
públicos aplicados por aluno, o que tornava o processo caro e ineficiente. Sendo 
assim, no ano de 1985, o Mobral foi substituído pela Fundação Nacional de 
Educação de Jovens e Adultos – Fundação Educar, por meio do Decreto n. 
91.980/1985, entidade que, vinculada ao Ministério da Educação, herdou todo o 
patrimônio material e intelectual do Mobral (Brasil, 1985). 
A Fundação Educar tinha como objetivo fomentar a execução de 
programas de alfabetização e de educação básica destinados aos que não 
tiveram acesso à escola ou que dela foram excluídos prematuramente. Ela seria 
extinta, junto com as campanhas de alfabetização de adultos no Brasil, quando 
do desmantelamento do Estado operado no Governo Collor – com o Decreto n. 
 
 
8 
99.240/1990, várias fundações foram extintas, entre elas a Educar (Brasil, 1990). 
A Fundação Educar ainda chegou a elaborar materiais didáticos para serem 
distribuídos nas escolas públicas de todo o país. Entretanto, o uso desse material 
era opcional e, muitas vezes, tratado apenas como material complementar. Não 
obstante, muito desse material, que deveria ser produzido para os discentes 
adultos, visou apenas atingir o público infantil. De todas as regiões atendidas, o 
Nordeste foi a que mais teve jovens e adultos amparados pela Fundação Educar 
(Souza Junior, 2012). 
Antes disso, na década de 1970, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional – LDB, Lei n. 5.692/1971, implementara o ensino supletivo, no país, a 
fim de complementar a escolarização e atacar o problema do analfabetismo de 
maneira mais flexível para o indivíduo, suprindo suas deficiências (Brasil, 1971). 
Com o fim da ditadura militar, ocorre uma abertura que permite o surgimento de 
novas contribuições para a educação em nossopaís, o que faz com que a EJA 
receba uma nova configuração, numa busca de novas técnicas e metodologias 
de trabalho. 
TEMA 5 – POLÍTICAS PÚBLICAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO 
BRASIL 
Finalmente, é promulgada a Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, que passa a reger todo o 
ordenamento jurídico brasileiro até os dias atuais (Brasil, 1988). Desde a 
Independência do Brasil, em 1822, essa é a sétima Constituição que o país tem 
– e a sexta desde que somos uma república –, cujas principais determinações 
consistem em: 
• definição por um sistema presidencialista de governo, com eleição direta 
em dois turnos para presidente, governadores e prefeitos (nesse último 
caso, quando as cidades possuem mais de 200 mil eleitores); 
• transformação do Poder Judiciário em um órgão verdadeiramente 
independente, apto inclusive para julgar e anular atos do Executivo e do 
Legislativo; 
• orientação para o intervencionismo estatal e o nacionalismo econômico; 
• previsão de abrangente assistência social e ampliação dos direitos dos 
trabalhadores; 
 
 
9 
• possibilidade de criação de medidas provisórias, que permitem ao 
presidente da república, em situação de emergência, decretar leis com 
aplicação imediata e que só posteriormente serão examinadas pelo 
Congresso Nacional; 
• definição do direito ao voto para analfabetos e menores entre 16 a 18 
anos de idade; 
• ampla garantia de direitos fundamentais, que são listados logo nos 
primeiros artigos da Carta Magna, antes da parte sobre a organização do 
Estado (Brasil, 1988). 
É importante ressaltar que, no art. 205 da Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988, a educação é citada desta forma: “A educação, 
direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada 
com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, 
seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” 
(Brasil, 1988). 
Com a promulgação da nova Constituição, em 5 de outubro de 1988, teve 
início um novo projeto de LDB. No cenário mundial, o ano de 1990 passa a ser 
conhecido como Ano Internacional da Alfabetização – sendo marcado pela 
realização da Conferência Mundial de Educação para Todos, em Jontiem, na 
Tailândia. Em 1994, após o impeachment do Presidente Fernando Collor, 
acusado de corrupção, assumir a presidência do país seu vice, Itamar Franco, 
que elabora o Plano Decenal de Educação e cria a Comissão Nacional de 
Educação de Adultos – Cneja. 
No ano seguinte (1995), toma posse na Presidência da República 
Fernando Henrique Cardoso, que reforma o ensino no país. Somente em 1996 
surge a nova LDB, por meio da Lei n. 9.394/1996, que teve suas origens na 
Assembleia Constituinte de 1934, quando, pela primeira vez, foi determinado que 
a União elaborasse e aprovasse um plano nacional e uma lei que traçasse as 
diretrizes da educação nacional. O texto da LDB atual, conhecida também como 
Lei Darcy Ribeiro, foi sancionada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, 
tendo sua publicação no Diário Oficial da União em 20 de dezembro de 1996. É 
fundamental lembrar que a primeira LDB foi criada em 1961, tendo sido 
reformulada em 1971 até ganhar a forma atual, a de 1996 (Brasil, 1934, 1961, 
1971, 1996). 
 
 
10 
A LDB de 1996 estabeleceu, no seu Capítulo II, Seção V, o seguinte, 
sobre a EJA: 
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que 
não tiveram acesso ou continuidade de estudos nos ensinos 
fundamental e médio na idade própria e constituirá instrumento para a 
educação e a aprendizagem ao longo da vida. 
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e 
aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, 
oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as 
características do alunado, seus interesses, condições de vida e de 
trabalho, mediante cursos e exames. 
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência 
do trabalhador na escola, mediante ações integradas e 
complementares entre si. 
§ 3º A educação de jovens e adultos deverá articular-se, 
preferencialmente, com a educação profissional, na forma do 
regulamento. 
Essa definição de EJA reafirma a necessidade de um ensino gratuito, que 
garanta o acesso e a permanência dos jovens e adultos, desprovidos ainda de 
estudos, nas escolas públicas. Com a reforma do ensino, Fernando Henrique 
Cardoso descentraliza os recursos, passando a direcioná-los para o ensino 
fundamental de crianças e adolescentes, lançando um programa denominado 
Alfabetização Solidária, que acaba desativando a Cneja e criando, assim, 
políticas de aceleração do fluxo escolar e do registro de matrículas no ensino 
regular, descaracterizando bastante a EJA. 
Em 1997, o mundo volta os olhos para a Alemanha, que organiza a V 
Conferência Internacional de Educação de Adultos, quando surge a Declaração 
de Hamburgo sobre Aprendizagem de Adultos (Unesco, 1997). Ela afirma que a 
educação de adultos é a chave para o século XXI, sendo considerada tanto 
consequência do exercício da cidadania como condição para uma plena 
participação dos indivíduos na sociedade. 
No final da década de 1990 há um novo movimento de realização de 
fóruns sobre EJA, com os Encontros Nacionais de Educação de Jovens e 
Adultos – Enejas, que acontecem pela primeira vez na Região Norte do Brasil e 
contam com a presença de professores e agentes públicos responsáveis pela 
alfabetização daqueles que não tiveram oportunidade de ingressar em uma 
escola regular. Tem-se, então, a aprovação do Parecer n. 11/2000 do Conselho 
Nacional de Educação – CNE, que dispõe sobre as Diretrizes Curriculares 
Nacionais – DCNs que regulamentam a EJA (Brasil, 2000). 
Em 2002, o Instituto Nacional de Ensino e Pesquisas Educacionais Anísio 
Teixeira – Inep cria o Exame Nacional para Certificação de Competências de 
 
 
11 
Jovens e Adultos – Encceja, uma prova com o objetivo de avaliar o conhecimento 
daqueles que voltaram a estudar depois de não conseguiram concluir o ensino 
fundamental ou médio na idade adequada. Com isso, a EJA volta à agenda do 
governo federal em 2003, quando tem início a Década das Nações Unidas para 
a Alfabetização (2003-2012) e o governo brasileiro apresenta metas para 
erradicar o analfabetismo. 
Dessa forma, o ano de 2004 fica marcado pela reestruturação do 
Ministério da Educação – MEC, com a unificação das Secretarias de Erradicação 
do Analfabetismo e de Inclusão Educacional, resultando assim na criação da 
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – Secad, com 
o objetivo de agilizar os programas desenvolvidos pelo governo nessa área. 
Por outro lado, como parte integrante das medidas de combate à pobreza 
– fundamentais para a consolidação da EJA –, foi instituído o programa 
governamental Fome Zero. Nesse curso, a Lei n. 10.880/2004 estabeleceu o 
Programa Brasil Alfabetizado como responsabilidade do MEC. Com a 
promulgação do Decreto n. 5.478/2005, o governo lança o Programa Nacional 
de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio, na modalidade de 
EJA, com o objetivo de aperfeiçoar profissionalmente os alunos do ensino médio 
dessa modalidade. No entanto, a partir do Decreto n. 5.840/2016, o programa foi 
ampliado para toda a educação básica e passou a se chamar Programa Nacional 
de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade 
de Educação de Jovens e Adultos – Proeja (Brasil, 2004, 2005, 2016). 
O Proeja passa, assim, a contemplar os seguintes cursos, na modalidade 
de EJA: 
• Educação profissional técnica integrada ao ensino médio 
• Educação profissional técnica concomitante ao ensino médio 
• Qualificação profissional, incluindo a formação inicial e continuada 
integrada ao ensino fundamental 
• Qualificação profissional, incluindo a formação inicial e continuada 
concomitanteao ensino médio. 
Conforme Moura e Henrique (2012), por mais ambiciosa e importante que 
a iniciativa se revelasse, a oferta desse projeto, em âmbito nacional, revelava 
vários desafios, como instituições com quadro docente sem o preparo 
necessário para dar conta de tal demanda, em termos de formação acadêmico-
 
 
12 
pedagógica adequada à modalidade. Apesar dos seus problemas estruturais, o 
Proeja tem seus alicerces reforçados como forma de educação emancipatória, 
crítica e de qualidade voltada para os trabalhadores jovens e adultos, com um 
modelo de currículo integrado, que atendia à formação para o trabalho e garantia 
o direito constitucional dos estudantes ao conhecimento sistematizado. 
Em 2007, o MEC cria o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica 
– Fundeb. A partir desse momento, todas as modalidades de ensino passam a 
tomar parte dos recursos financeiros destinados à educação. “Embora tenha sido 
criado o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do 
Magistério – Fundef, a Educação de Jovens e Adultos, ainda ficou de lado pois 
os investimentos desse fundo, não previu qualquer favorecimento à expansão 
do Ensino de Jovens e Adultos” (Haddad, 2000). 
Em 2008, a EJA passa a fazer parte da LDB, ganhando mais aceitação 
do que a posição marginal que ocupava anteriormente. No governo do 
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora criado, como já mencionamos, o 
Programa Brasil Alfabetizado, que contribuiu assim para se diminuir o 
analfabetismo e se buscar universalizar a alfabetização de jovens e adultos, a 
partir dos 15 anos ou mais, com financiamento próprio para isso. Houve ainda 
uma outra grande conquista para a EJA, quando ela passou a ser contemplada 
com recursos do Fundeb, ainda que menores que as outras modalidades da 
educação. 
No ano de 2009, foram investidos milhões na compra de obras do 
Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos 
– PNLA, obras essas direcionadas para as redes públicas de ensino. Na 
sequência, é criado o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e 
Emprego – Pronatec, em 2011, com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de 
educação profissional e tecnológica – EPT para pessoas que quisessem estudar 
e ao mesmo tempo ter uma carreira profissional sólida, principalmente jovens e 
adultos que deixaram de estudar há um tempo e desejassem retomar os estudos 
e conseguir uma profissão, por meio da EJA. 
Com a Lei n. 13.005/2014, foi aprovado o PNE para o decênio 2014/2024, 
propondo elevar a escolaridade média da população como um todo e elevar a 
taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 
e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir 
em 50% a taxa de analfabetismo funcional no país. A EJA, como política pública 
 
 
13 
educacional, consta nesse PNE, obrigando estados e municípios a cumprirem 
suas metas, estratégias e diretrizes até o ano de 2024 (Brasil, 2014). De acordo 
com Haddad e Pierro (2015): “A ênfase na qualificação profissional da mão de 
obra marca também a abordagem conferida à EJA no segundo Plano Nacional 
de Educação (PNE), finalmente consignado na Lei n. 13.005/2014 após longos 
debates no Congresso.” 
Nasce então a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, já prevista no 
PNE e na Constituição Federal de 1988. Sua primeira versão foi redigida em 
2014 e em 2015 o documento foi aberto para consulta pública, permitindo assim 
que a sociedade pudesse contribuir com a elaboração da sua segunda versão. 
Em 2017, o MEC conclui a sistematização das contribuições e encaminha uma 
versão final do texto ao CNE, responsável por regulamentar e implementar a 
BNCC no sistema de educação em nosso país. Com isso, o texto introdutório da 
BNCC e as suas partes referentes à educação infantil e ao ensino fundamental 
foram aprovadas pelo CNE e logo oficializadas pelo MEC, sendo que o texto 
correspondente ao ensino médio restou ainda em processo de elaboração. Em 
2018, ocorre a entrega de parte da BNCC do ensino médio ao CNE, sendo que, 
em dezembro do mesmo ano, essa parte do texto do ensino Médio é 
homologada. Em 2019 já começa a reelaboração curricular do ensino médio de 
acordo com a BNCC – o novo currículo precisava então chegar à sala de aula 
(Brasil, 1988, 2018). 
A BNCC foi criada para ser referência para elaboração dos currículos 
escolares, porém o documento contempla diretrizes para a educação de crianças 
e adolescentes, não abrangendo a EJA. Isso deixa uma lacuna, já que as 
necessidades de uma criança de 8 anos são totalmente diferentes das 
necessidades de um jovem ou adulto fora do seu nível de escolaridade, pois os 
caminhos percorridos por alunos da EJA são bem diferentes dos de um aluno 
que está no ensino regular. Lembremos também que, na maioria dos casos, o 
retorno desses alunos ao estudo se dá por causa de uma exigência do mercado 
de trabalho. 
Outro ponto que merece destaque é que sejam adotadas práticas 
curriculares que motivem tais pessoas. Sabemos que uma boa parte dos alunos 
da EJA trabalha durante o dia e precisa estudar à noite para melhorar o seu 
curriculum vitae e, assim, conquistar uma renda melhor. Com essa rotina 
diferente, para que o aluno da EJA realmente aproveite o período escolar, é 
 
 
14 
necessário que haja aulas práticas e um currículo adaptado, diferentemente do 
ensino regular. Isso ajudará no aproveitamento e também no combate à evasão 
escolar. Sendo assim, esses discentes da EJA precisam ser motivados a serem 
protagonistas no meio social do qual fazem parte. 
Consideramos, assim, importante se conhecer o breve histórico da EJA 
no Brasil, pois só assim podemos entender os vários desafios que ainda devem 
ser enfrentados pelas políticas públicas em nosso país. Faz-se necessário, com 
base nessas políticas públicas, uma concepção ampliada de EJA que 
compreenda a educação como algo de oferta gratuita e um direito universal que 
todos têm de aprender, de ampliar e compartilhar de conhecimentos e saberes. 
Caso contrário, não conseguiremos avançar para minimizar as principais causas 
das mazelas da nossa sociedade. É emergencial se prover o acesso de jovens 
e adultos a um bom programa de governo que lhes permita a continuidade de 
ações e investimentos em programas de qualidade, tratando-se assim a EJA 
como contribuição importante para o desenvolvimento de nosso país. 
NA PRÁTICA 
Falar em EJA, no Brasil, implica conhecer o contexto histórico de avanços 
em busca de uma educação mais democrática e inclusiva, em nosso país. Assim, 
esperamos que você use seus conhecimentos e anote as principais vivências 
dos seus alunos, suas construções históricas e sociais, seus aprendizados e 
depois crie e aplique novas metodologias de formação que sejam mais próximas 
da realidade desses alunos, auxiliando, dessa forma, para que sua prática 
pedagógica seja mais relevante para eles. Dessa forma, utilize suas anotações 
para trabalhar a leitura e a interpretação de textos, a pontuação, os sinônimos e 
antônimos, fazendo com que seus alunos reconheçam, nesse contexto, a 
aprendizagem do letramento. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, você pôde conhecer um breve histórico da EJA no Brasil ao 
longo dos períodos colonial, imperial e finalmente no republicano, quando essa 
modalidade de educação passou a ser valorizada devido à trajetória do 
pernambucano Paulo Reglus Neves Freire, extremamente importante para a 
construção de políticas públicas, na educação, em nosso país. 
 
 
15 
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