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NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 14 
secretariaead@funec.br 
GRADUAÇÃO 
UNEC / EAD 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA 
DISCIPLINA: Nutrição Animal 
 
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA NUTRIÇÃO ANIMAL 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
A alimentação dos animais representa um aspecto fundamental na pecuária, 
respondendo por aproximadamente 70% dos custos totais de produção, independen-
temente do objetivo (seja para produção de carne, leite, lã, etc.). Todos os tipos de 
animais – de estimação, de criação, selvagens ou nativos – precisam de uma dieta 
balanceada para seu correto desenvolvimento e saúde. Fora de seus ambientes na-
turais, a dieta dos animais depende quase inteiramente da ação humana. Essa gestão 
inclui o planejamento meticuloso da alimentação, garantindo que seja fornecida em 
quantidades e proporções ideais, não apenas para a manutenção básica, mas tam-
bém para promover o crescimento, a produção de leite, carne, lã, entre outros produ-
tos, atendendo às necessidades de energia, proteínas, vitaminas, minerais, e outros 
nutrientes essenciais. 
 
 
2. DEFINIÇÃO DE TERMOS NA NUTRIÇÃO ANIMAL 
 
No âmbito da alimentação e nutrição animal, é comum a utilização cotidiana 
de certos termos, por vezes de maneira imprecisa. A adoção de terminologia ade-
quada, tanto na escrita quanto na fala, é vital para o progresso dos conceitos e para 
a assimilação precisa e direta dos princípios da nutrição animal. A seguir, são apre-
sentados alguns conceitos fundamentais para facilitar a compreensão tanto deste ma-
terial quanto de futuras referências. 
 
Alimento: refere-se a qualquer substância consumida por animais que pode 
ser metabolizada e utilizada pelo organismo, contribuindo para sua manutenção, sa-
úde e produção. Esses alimentos são compostos por nutrientes essenciais que de-
sempenham funções críticas no corpo do animal. 
Nutriente: é um componente específico dos alimentos, de natureza química 
definida, que, ao ser integrado ao metabolismo celular, sustenta a vida do animal. Os 
nutrientes incluem água, carboidratos, proteínas, vitaminas, lipídios (ou gorduras) e 
AULA 2 
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minerais. É importante destacar que o valor nutricional é proveniente dos nutrientes e 
não do alimento per se, permitindo a substituição de um alimento por outro, desde que 
o suprimento de nutrientes seja mantido. 
Alimentação animal: engloba o estudo da composição dos alimentos e das 
necessidades nutricionais dos animais, bem como as metodologias para fornecer di-
etas equilibradas de forma nutritiva e econômica. Este termo também pode se referir 
ao ato de ingestão dos alimentos. O objetivo primário da alimentação é satisfazer as 
demandas nutricionais dos animais, promovendo manutenção e produção eficientes. 
Além da importância vital para a saúde dos animais, há também um aspecto econô-
mico significativo, considerando que os custos alimentares podem representar entre 
60 a 80% do investimento total no ciclo produtivo, dependendo do sistema de produ-
ção adotado. Em síntese, a alimentação animal implica na provisão criteriosa de ali-
mentos, respeitando as necessidades específicas de cada espécie e categoria animal. 
Nutrição: envolve o conjunto de processos físicos, químicos e biológicos que 
permitem aos animais metabolizar os alimentos, abrangendo desde a ingestão até a 
utilização celular dos nutrientes, essenciais para manutenção, crescimento, produção 
e reprodução. 
Digestão: é o processo pelo qual o alimento é quebrado em nutrientes, atra-
vés de mecanismos físicos e químicos, permitindo a absorção celular no trato gastroi-
ntestinal e o transporte desses nutrientes para serem metabolizados no organismo. 
Este processo é crucial para a manutenção da vida animal, envolvendo reações que 
decompõem e sintetizam substâncias para o uso celular. 
Digestibilidade: refere-se à eficiência com que um animal aproveita os nutri-
entes dos alimentos, uma propriedade inerente ao alimento e não ao animal. 
Anabolismo e catabolismo: são processos metabólicos opostos, onde o pri-
meiro envolve a síntese de moléculas complexas a partir de moléculas simples para 
construir tecidos e órgãos, enquanto o segundo refere-se à quebra de moléculas com-
plexas em formas mais simples para liberação de energia. 
Excreção: é a eliminação de resíduos não absorvidos ou subprodutos meta-
bólicos, essencial para a limpeza e funcionamento saudável do organismo. 
Ração: é a totalidade do alimento fornecido a um animal em 24 horas, muitas 
vezes confundido com alimentos concentrados completos. 
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Ração balanceada: é uma mistura de alimentos que satisfaz integralmente 
as necessidades nutricionais dos animais. 
Dieta: consiste nos vários componentes alimentares e suas quantidades for-
necidas, podendo variar de acordo com as necessidades específicas de cada catego-
ria animal, incluindo dietas balanceadas, hipercalóricas ou hipocalóricas. 
Dieta balanceada: é aquela que atende exatamente às necessidades nutrici-
onais de um animal, conforme determinado pela análise das exigências nutricionais e 
da composição dos alimentos. 
Ingrediente: é qualquer elemento que faz parte de uma ração, dieta ou su-
plemento, sendo todos os alimentos considerados ingredientes de uma dieta, embora 
nem todos os ingredientes sejam necessariamente alimentos. Estes são categoriza-
dos em volumosos, concentrados, aditivos e suplementos. 
NDT: nutrientes digestíveis totais. 
Alimento volumoso: é caracterizado por sua alta composição em fibras, com 
mais de 25% de fibra detergente neutra ou mais de 18% de fibra na matéria seca, 
resultando em uma menor densidade de nutrientes como proteínas, carboidratos não 
estruturais e lipídios. Animais dependentes desse tipo de alimento precisam consumir 
grandes quantidades para sua manutenção. 
Alimento concentrado: apresenta uma menor quantidade de fibra (menos 
de 25% de FDN ou menos de 18% de fibra bruta), sendo assim mais rico em energia 
ou proteínas. Ele se divide em concentrados proteicos, com mais de 20% de proteína 
bruta na matéria seca, e concentrados energéticos, com menos de 20% de proteína 
bruta. 
Suplemento alimentar: é uma adição à dieta principal, consistindo em maté-
rias-primas ou misturas que fornecem nutrientes específicos (aminoácidos, vitaminas, 
minerais) e podem incluir aditivos. 
Aditivos: são componentes adicionados à alimentação que, apesar de não 
serem nutritivos, melhoram as características dos alimentos ou sua eficácia, como 
corantes e emulsionantes. 
Conversão alimentar (CA): é um indicador da eficiência com que o animal 
transforma o alimento consumido em produtos (carne, leite, lã), onde valores altos 
indicam menor eficiência produtiva. Para calcular a CA segue-se a fórmula: 
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Eficiência alimentar (EA): reflete a quantidade de produto animal gerado por 
unidade de alimento consumido, sendo um indicativo importante da produtividade. É 
o contrário da CA. No mesmo exemplo supra, é calculada através de: 
 
Fórmula: refere-se à composição quantitativa dos componentes de uma ra-
ção ou suplemento. 
Exigência nutricional: é a necessidadeespecífica de nutrientes de uma es-
pécie e categoria animal para manutenção, crescimento e reprodução ótimos. 
Deficiência nutricional: ocorre quando há uma falta ou insuficiência na in-
gestão de um ou mais nutrientes essenciais, afetando o desempenho do animal. 
Carência nutricional: descreve os sintomas manifestados pelo animal devido 
a uma deficiência nutricional prolongada, podendo surgir mesmo que o animal inicial-
mente não apresente sintomas. Isso destaca a importância da suplementação ade-
quada de vitaminas e minerais. 
 
 
3. CONSUMO DE ALIMENTOS 
 
O consumo alimentar é um elemento crucial para o desempenho dos animais, 
pois é através dele que são fornecidos todos os nutrientes necessários para o orga-
nismo. A quantidade de alimento ingerido tem um impacto direto na disponibilidade de 
nutrientes, sendo um fator decisivo na otimização da produção animal. Para potenci-
alizar o fornecimento nutricional, é essencial não só aumentar a quantidade de ali-
mento disponibilizado, mas também garantir que este seja rico em nutrientes e possua 
alta digestibilidade, melhorando assim a eficiência na utilização desses nutrientes. Es-
tratégias que visam o aumento do consumo alimentar devem ser cuidadosamente pla-
nejadas para alcançar a máxima produção. 
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O consumo de alimentos refere-se à quantidade de ração que o animal ingere 
em um dia, comumente medido em quilogramas de matéria seca por dia ou em per-
centual do peso vivo ou do peso metabólico. 
Dentro do campo da nutrição animal, o termo "consumo voluntário", ou ad 
libitum, é utilizado para descrever a ingestão de alimento quando este está constan-
temente disponível, exigindo facilidade de acesso e um ambiente confortável. No en-
tanto, na prática, o consumo voluntário pode ser limitado por fatores como competição 
entre os animais e condições de estresse, comuns em ambientes de produção. 
Existe também o conceito de "consumo potencial", que difere do consumo 
voluntário por representar a quantidade ideal de alimento necessária para satisfazer 
todos os requisitos nutricionais dos animais. Esse consumo é teórico e idealmente 
deve ser inferior ao consumo voluntário, assegurando que os animais possam atender 
suas necessidades diárias sem restrições. Caso o consumo potencial não seja alcan-
çado, pode haver um déficit nos nutrientes essenciais, afetando negativamente o bem-
estar e a produtividade dos animais. 
Na terminologia específica da nutrição animal, os conceitos de 
"fome" e "apetite" são distintos e geram confusão. Para esclarecer, 
"fome" é definida como o desejo ou impulso de comer, motivado por 
necessidades imediatas, enquanto "apetite" se refere ao impulso de 
consumir alimentos ou nutrientes específicos para satisfazer as deman-
das nutricionais do organismo. Assim, um animal pode não sentir fome mas ainda 
assim ter apetite por certos nutrientes que estão ausentes ou insuficientes em sua 
dieta. 
Os processos de seleção e domesticação de animais para produção zootéc-
nica transformaram suas tendências naturais de consumo para atender às demandas 
de produção, como no caso da produção leiteira. Na natureza, uma vaca consome o 
necessário apenas para sua manutenção e para produzir uma quantidade limitada de 
leite suficiente para a alimentação de seu filhote. Contudo, através da seleção gené-
tica, vacas foram adaptadas para produzir quantidades significativamente maiores de 
leite, exigindo, por isso, dietas mais ricas e em maiores quantidades. Por exemplo, 
para manter uma produção leiteira eficiente, recomenda-se o fornecimento de 1 kg de 
concentrado (com 18 a 20% de proteína bruta) para cada 3 kg de leite produzido. Esta 
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lógica aplica-se igualmente à produção de carne em animais de corte e à produção 
de ovos em galinhas poedeiras. 
O questionamento sobre o que restringe o consumo de alimentos nos animais 
leva a uma análise de fatores físicos, fisiológicos e psicogênicos que influenciam a 
ingestão de alimentos. Para desenvolver estratégias nutricionais eficazes, como aque-
las voltadas à maximização do consumo, é crucial compreender esses aspectos. Exis-
tem várias teorias que tentam explicar os padrões de consumo alimentar nos animais 
e os mecanismos que os regulam, destacando a importância de um enfoque holístico 
que considere todas as variáveis envolvidas. 
 
3.1 Fatores que influenciam na regulação do consumo 
 
Entre os fatores que impactam a regulação do consumo de alimentos em ani-
mais, os aspectos físicos são relativamente mais simples de entender. A limitação de 
espaço no trato digestivo, como o rúmen dos ruminantes e o estômago dos monogás-
tricos, significa que uma vez cheio, o animal interrompe a ingestão de alimentos. Esse 
mecanismo é mediado pela liberação de hormônios em resposta à distensão das pa-
redes do estômago, levando à sensação de saciedade. Alimentos volumosos, devido 
ao seu tamanho maior e consequente demora na digestão, tendem a ocupar mais 
espaço e por mais tempo, influenciando diretamente na quantidade de alimento con-
sumido. 
Além disso, a cinética da digestão e o trânsito dos alimentos 
pelo sistema digestivo, incluindo o tempo de retenção e as taxas de de-
gradação, são fatores físicos importantes que afetam a regulação do 
apetite. 
Entretanto, nem sempre a plenitude física do trato digestivo é o único limitante 
para o consumo de alimentos. Em cenários onde a dieta é altamente concentrada em 
nutrientes, o organismo pode atender às suas necessidades energéticas antes de 
atingir a capacidade máxima de ingestão, reduzindo o consumo mesmo que ainda 
haja espaço no sistema digestivo. A energia, nesse contexto, é um fator chave que 
influencia a redução imediata no consumo de alimentos. O desbalanceamento entre 
a energia e outros nutrientes, como proteínas e minerais, pode levar a casos de des-
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nutrição mesmo quando há abundância de alimento, se o animal satisfizer seu requi-
sito energético mas não os outros nutrientes essenciais. Forbes (1995) citado por Bu-
eno (2019) elaborou um modelo teórico que ilustra a relação entre as concentrações 
de um nutriente específico e o consumo de matéria seca. 
 
Figura 3 – Modelo teórico da influência da composição química do alimento sobre o 
consumo voluntário. 
 
 
Fonte: Adaptado de Forbes, 1995 apud Bueno, 2019. 
 
O consumo voluntário de alimentos pelos animais tende a se ajustar às quan-
tidades que satisfazem suas necessidades nutricionais essenciais. Quando os nutri-
entes são oferecidos em quantidades levemente superiores às necessárias, o impacto 
no consumo é mínimo. No entanto, se as concentrações de nutrientes são exagera-
damente altas, ao ponto de serem potencialmente tóxicas, ou se são extremamente 
baixas, observa-se uma redução significativa na ingestão de alimentos. Um exemplo 
ilustrativo é o de um animal que pode parecer bem nutrido por acumular reservas de 
gordura devido a uma dieta rica em energia, mas que sofre de anemia por deficiência 
de minerais essenciais, como ferro. Em situações de deficiência nutricional leve e tem-
porária, os animais podem aumentar seu consumo alimentar na tentativa de compen-
saras lacunas nutricionais. 
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O comportamento alimentar dos animais também é moldado pelas caracterís-
ticas intrínsecas dos alimentos e pelas condições ambientais. As propriedades orga-
nolépticas dos alimentos, como textura, odor, sabor e aparência, podem estimular ou 
reprimir o apetite, variando significativamente entre espécies. Adicionalmente, fatores 
psicogênicos relacionados ao ambiente, tais como conforto térmico, interações sociais 
e condicionamento, exercem um papel crucial na regulação do consumo diário de ali-
mentos. 
A seleção de alimentos por parte dos animais é influenciada por uma combi-
nação de fatores, com os sentidos sensoriais desempenhando um papel chave na 
pré-ingestão. Olfato, visão e tato são essenciais na avaliação preliminar do alimento, 
enquanto o paladar é fundamental após a ingestão para a identificação de sabores e 
influencia as preferências alimentares futuras. 
Entre as espécies animais, os ovinos destacam-se pela exigência quanto à 
qualidade dos alimentos, selecionando itens com melhores características organolép-
ticas quando há variedade disponível. Por outro lado, caprinos e suínos demonstram 
menos seletividade, consumindo uma ampla gama de alimentos. Os suínos, em par-
ticular, são notáveis pela sua eficiente conversão alimentar, transformando a dieta 
consumida em carne e gordura de forma mais eficaz que outras espécies. 
 
3.2 Teorias sobre a regulação do consumo 
 
Diversas teorias explicam os fatores que influenciam o consumo alimentar, 
variando conforme a espécie em questão. Uma das teorias mais antigas, introduzida 
por Mayer (citado por Bueno, 2019), é conhecida como glicostática. Esta teoria sugere 
que flutuações nos níveis de glicose no sangue podem estimular a sensação de fome 
ou de saciedade, influenciando assim a ingestão de alimentos. Embora esse meca-
nismo possa ser observado em várias espécies, é importante notar que certos ani-
mais, como ruminantes e carnívoros, não se baseiam principalmente em monossaca-
rídeos para energia, fazendo com que variações nos níveis de glicose tenham um 
impacto menor em seu comportamento alimentar. 
Kennedy (citado por Bueno, 2019) explorou a influência das reservas de gor-
dura em ratos, desenvolvendo a teoria lipostática, que postula que o consumo de ali-
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mentos é controlado por um mecanismo no hipotálamo que se ativa quando as reser-
vas de gordura estão altas, diminuindo assim a ingestão de alimentos. Inversamente, 
a diminuição dessas reservas, seja por restrição alimentar ou jejum, ativa sinais que 
aumentam o apetite do animal. 
Para os animais com múltiplos estômagos, como os ruminantes, Mertens (ci-
tado por Bueno, 2019) sugere a aplicação simultânea de duas teorias: o controle físico 
e o feedback metabólico. A teoria do controle físico relaciona-se com a capacidade de 
alimentos de baixa digestibilidade e/ou lenta passagem de ocupar espaço no sistema 
digestivo, especificamente no retículo-rúmen. Este fenômeno, aliado à presença de 
receptores que detectam a expansão dessas câmaras digestivas devido ao volume 
da digesta, regula o consumo alimentar. Basicamente, alimentos que rapidamente 
preenchem o estômago tendem a reduzir a ingestão, enquanto aqueles que ocupam 
menos espaço podem encorajar o animal a comer mais. Este princípio é intuitivamente 
compreendido ao reconhecer que um animal não continuará a comer se seu trato di-
gestivo estiver completamente cheio. 
Ao utilizar alimentos concentrados, que possuem um baixo potencial de en-
chimento, observa-se uma redução no consumo dos animais antes mesmo que o re-
tículo-rúmen esteja completamente cheio. Nesse contexto, a teoria do feedback me-
tabólico ou quimiostático, conforme apresentada por Mertens (citado por Bueno, 
2019), assume maior importância. Esta abordagem sugere que existe um limite de 
produção inerente aos animais, definido geneticamente, o qual é atingido sob condi-
ções de máxima eficiência nutricional. 
Um excesso na absorção de nutrientes ativa um mecanismo 
de feedback negativo que desestimula o consumo adicional, sendo a 
energia um dos principais moduladores deste processo. 
Dependendo do tipo de dieta, o consumo pode ser restringido por limitações 
físicas ou por feedback metabólico negativo, com ruminantes alimentados predomi-
nantemente com alimentos volumosos sendo influenciados pela capacidade física de 
seu sistema digestivo, enquanto aqueles que consomem dietas ricas em concentrados 
são mais afetados pelo controle metabólico. 
Além dessas teorias, que tendem a focar em fatores isolados ou conjuntos de 
fatores como principais limitantes do consumo, existem teorias integrativas que não 
fazem distinção clara entre os fatores. Um exemplo é a teoria da eficiência de uso do 
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oxigênio proposta por Tolkamp e Ketelaars (citado por Bueno, 2019), que sugere uma 
regulação do consumo alimentar visando maximizar a eficiência do oxigênio utilizado. 
Esta teoria postula que os animais ajustam seu consumo de energia de maneira a 
otimizar o uso do oxigênio e reduzir a formação de radicais livres. Apesar de ser uma 
ideia estimulante, Forbes (citado por Bueno, 2019) observa que, até o momento, há 
poucas evidências que corroboram plenamente esta teoria, embora os dados dispo-
níveis sejam promissores. 
 
3.3 O papel de agentes fisiológicos no controle do consumo 
 
Nas teorias regulatórias, destaca-se a influência de diversos mecanismos fi-
siológicos na modulação da ingestão alimentar. Estudos predominantes com animais 
de laboratório visam desvendar aspectos do metabolismo humano, embora a rele-
vância desses mecanismos também seja reconhecida em animais utilizados na pro-
dução agropecuária. 
 Glicose: exerce um papel vital na regulação da alimentação: níveis bai-
xos incentivam o consumo, enquanto níveis altos reprimem a ingestão. 
Esse fenômeno sustenta a teoria glicostática, evidenciado por experimen-
tos onde infusões de glicose reduziram a ingestão de alimentos. Além da 
concentração de glicose, hormônios como insulina e glucagon são funda-
mentais na manutenção do equilíbrio energético. 
 Glucagon: um hormônio peptídico produzido pelo pâncreas, estimula a 
conversão de glicogênio em glicose no fígado, aumentando a glicemia. 
Também promove a formação de glicose a partir de aminoácidos e a de-
gradação de lipídios em ácidos graxos, fornecendo energia e, consequen-
temente, reduzindo o apetite. 
 Insulina: produzida pelo pâncreas, age de forma oposta ao glucagon, 
facilitando a entrada de glicose nas células e influenciando áreas cerebrais 
que regulam o apetite e o metabolismo, promovendo assim o aumento da 
ingestão alimentar ao diminuir a glicemia. 
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 Neuropeptídio Y: o neuropeptídeo Y (NPY), presente tanto no sistema 
nervoso central quanto no periférico, é crucial na promoção da fome e, por 
extensão, da ingestão alimentar, através da comunicaçãoneuronal. 
 Peptídeo YY: secretado pelo intestino, atua no cérebro e retarda o trân-
sito intestinal, exercendo um efeito supressor sobre o apetite. 
 Leptina: peptídeo produzido principalmente pelas células de gordura e 
também pela placenta, descoberta em 1994 através da clonagem do gene 
ob em camundongos obesos. Esta descoberta confirmou a hipótese de que 
a leptina atua como um sinal de saciedade enviado ao cérebro, correlacio-
nando-se sua concentração no sangue com a quantidade de gordura cor-
poral. 
 Colecistoquinina: presente em duas variantes no trato gastrointestinal, é 
liberada ao detectar a presença de alimentos no duodeno, promovendo a 
saciedade por retardar a digestão. Embora tenha um papel significativo na 
regulação da ingestão em animais monogástricos, sua eficácia é menor em 
ruminantes devido à lenta progressão do alimento para o duodeno, resul-
tando em uma secreção mais estável de CCK. 
 Somatotropina e somatostatina: O hormônio do crescimento, ou soma-
totropina, não só influencia o desenvolvimento corporal, mas também ativa 
a lipólise, o que por sua vez estimula a ingestão alimentar para repor as 
reservas energéticas. A somatostatina, produzida pelo hipotálamo, regula 
negativamente a secreção de somatotropina. 
 Grelina: frequentemente referida como o "hormônio da fome", é secre-
tada pelo estômago e outros órgãos quando vazio, estimulando o apetite 
até que a alimentação ocorra. Este hormônio tem um papel inverso ao da 
obestatina, também derivada do mesmo gene, que reduz a fome. 
 Adrenalina: é um hormônio liberado durante situações de estresse, que 
prepara o corpo para atividades intensas, influenciando funções como a 
frequência cardíaca e a tensão arterial, além de diminuir o apetite, desta-
cando a importância de ambientes com mínimo estresse para animais em 
produção. 
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Além desses, existem numerosos outros agentes fisiológicos, incluindo nore-
pinefrina, serotonina, dopamina, e muitos mais, que desempenham papéis na com-
plexa regulação do apetite, como resumido na Tabela 2. 
 
Tabela 2 – Principais compostos fisiológicos atuantes na regulação do consumo de 
alimentos. 
 
Fonte: adaptado de Mancini e Halpern apud Bueno, 2019. 
 
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Na avaliação da digestão de alimentos pelos animais, é necessário lembrar 
que o trato digestório das diferentes espécies animais possui particularidades que 
alteram consideravelmente o modo como ocorre a digestão. O trato digestório, de 
modo simplório, é um tubo oco que se inicia na boca e termina no ânus. O compri-
mento, o volume e os compartimentos variam bastante de acordo com a espécie ani-
mal, mas alguns aspectos são comuns às principais espécies domésticas de inte-
resse. 
 
Processos físicos da digestão 
 
A digestão é um conjunto de processos tanto físicos quanto químicos que 
transformam o alimento em nutrientes disponíveis para serem absorvidos e metaboli-
zados. Inicialmente, a digestão começa com uma etapa física, que varia conforme o 
método que cada espécie utiliza para capturar e ingerir sua comida. Por exemplo, 
equídeos e ruminantes menores usam os lábios para agarrar a forragem. Equídeos 
cortam a vegetação com um movimento de cabeça lateral após prenderem com os 
incisivos, enquanto os ruminantes menores aplicam pressão com os incisivos inferio-
res contra uma superfície dura para arrancar o alimento. Grandes ruminantes utilizam 
a língua para levar a forragem à boca, onde é cortada ou arrancada. Cães e gatos 
recorrem a incisivos e molares para cortar ou rasgar o alimento, e nos alimentos mais 
macios, a língua e os lábios são mais utilizados. Suínos introduzem comida na boca 
através de movimentos labiais e linguais, sendo capazes de sorver líquidos pela jun-
ção dos lábios. A forma como as aves capturam alimentos é determinada pela estru-
tura específica de seus bicos, que é adaptada ao tipo de dieta, engolindo o alimento 
com movimentos rápidos da cabeça, apoiados pela gravidade. 
Uma vez capturado o alimento, a mastigação varia de acordo com a dentição 
do animal. Essa etapa tem como objetivo principal quebrar o alimento e misturá-lo 
com saliva. 
Os herbívoros realizam uma trituração mais intensa, atra-
vés de movimentos mandibulares circulares. Os ruminantes se 
distinguem por mastigar o alimento duas vezes: uma rápida, logo 
após a captura, para facilitar a deglutição, e outra mais lenta, 
após a regurgitação, do conteúdo do rúmen. 
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Finalmente, os alimentos mastigados e misturados com saliva são engolidos, 
iniciando-se voluntariamente e completando-se por um reflexo automático. 
 
Processos químicos da digestão 
 
Durante a digestão, os alimentos passam por diversas alterações químicas, 
desencadeadas pela ação de sucos digestivos específicos. Entre os principais sucos 
secretados por animais domésticos estão a saliva, o suco gástrico, o suco duodenal e 
o suco intestinal. 
 
Saliva 
Essencial na preparação inicial do alimento para digestão, a saliva mistura-se 
com o alimento para formar um bolo alimentar, tornando-o mais fácil de engolir graças 
à sua composição rica em água e mucina, que atua como lubrificante. Contém tam-
bém ureia, amônia, vários sais e a enzima amilase (ptialina), embora esta última não 
esteja presente em todas as espécies, como cães, gatos e ruminantes. Em ruminan-
tes, a saliva desempenha um papel crucial no equilíbrio do pH, graças aos altos níveis 
de bicarbonato de sódio e fosfatos, contribuindo para a produção diária de até 150 
litros de saliva. 
 
Suco gástrico 
Este suco é secretado pela mucosa do estômago e compõe-se de ácido clo-
rídrico, mucina, pepsina, lipase gástrica, renina, catepsina, entre outras substâncias. 
A secreção de ácido clorídrico varia conforme o volume e tipo de alimento consumido, 
desempenhando papéis essenciais na solubilização de minerais, ativação da pepsina, 
e na ação antisséptica contra micro-organismos presentes nos alimentos. A mucina, 
um composto viscoso, protege o revestimento estomacal, neutralizando o ácido clorí-
drico e inativando enzimas. Dentre as enzimas digestivas presentes, a pepsina é a 
principal proteolítica, atuando em um pH ácido e degradando proteínas em polipeptí-
deos menores, embora não afete certas proteínas como protaminas e mucina. A ca-
tepsina, ativa em um intervalo de pH mais alto que o da pepsina, e a renina, particu-
larmente importante na digestão de caseína em ruminantes lactentes, também são 
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componentes críticos. A lipase gástrica atua sobre gorduras de baixo ponto de fusão, 
mas é menos eficiente que a lipase pancreática. 
 
Suco pancreático 
O líquido denominado suco pancreático é uma substância clara, com seu pH 
oscilando entre 7,8 e 8,2, e desempenha um papel essencial na disponibilização da 
maioria das enzimas imprescindíveis para a decomposição integral dos alimentos. 
Este suco é constituído por enzimas proteolíticasnão ativas (como trypsinogen, 
chymotrypsinogen, procarboxypeptidase) que são posteriormente ativadas pela ente-
roquinase. Além de suas funções proteolíticas, este suco abriga amilase pancreática, 
lipase pancreática e lecitase. 
Uma vez que são ativadas, essas enzimas proteolíticas começam a trabalhar 
na quebra das proteínas e nos subprodutos de sua digestão parcial, previamente afe-
tados pelas enzimas estomacais. A tripsina, cuja eficiência se maximiza em um pH de 
8 a 9, decompõe quase todas as proteínas, transformando-as em polipeptídeos e em 
alguns aminoácidos. A quimiotripsina, que apresenta uma ação parecida com a da 
tripsina, também contribui para a coagulação do leite, desempenhando uma função 
análoga à da renina e da pepsina encontradas no suco gástrico. A carboxipeptidase 
se encarrega de romper a ligação peptídica na extremidade aminoácida com carboxila 
livre. 
A amilase pancreática, por sua vez, atua de maneira similar à amilase salivar, 
mas é significativamente mais eficaz devido à duração prolongada de sua ação, trans-
formando amido em dextrina e, subsequente, em maltose. 
Já a lipase pancreática é responsável por fracionar lipídios em diglicerídeos, 
monoglicerídeos, ácidos graxos e álcoois, que podem ser absorvidos, uma ação que 
é amplificada na presença de sais biliares, íons de cálcio e peptídios. 
Por fim, a lecitase, também conhecida como colesterolesterase, promove a 
esterificação dos ácidos graxos, gerando ésteres de colesterol e glicerofosfato de co-
lina. 
 
Suco entérico 
Conhecido por ser um fluido espesso, de aparência turva e/ou amarelada e 
levemente ácido (com pH de 5,5 a 6,0 nas áreas mais próximas e de 6,0 a 6,5 nas 
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mais distantes), o suco entérico é rico em muco e células esfoliadas da mucosa. Este 
suco é, na verdade, a combinação de dois líquidos digestivos distintos: o suco duode-
nal e o intestinal. 
O suco duodenal, de natureza alcalina (pH de 8,2 a 9,3), é incolor, abundante 
em mucina e contém amilase e enteroquinase (que ativa as proteinases do suco pan-
creático). O suco intestinal, por outro lado, possui uma coloração amarelada e é for-
mado por sais, mucina, várias enzimas, lipídios (incluindo fosfolipídios e gorduras) e 
colesterol. 
Entre as enzimas primordiais do suco entérico encontram-se as aminopepti-
dases, tripeptidases, dipeptidases, nucleotidases, nucleosidases, maltases e a lipase 
intestinal. As aminopeptidases atacam as ligações peptídicas nas extremidades das 
proteínas e peptídios. As tripeptidases e dipeptidases agem sobre as ligações peptí-
dicas de tripeptídios e dipeptídios, liberando aminoácidos. As nucleotidases (ou nu-
cleofosfatases) separam o ácido fosfórico dos nucleotídios, formando nucleosídios, 
que são divididos pelas nucleosidases (ou glucosidases) em bases purinas e pirimidi-
nas. As maltases convertem a maltose em duas moléculas de glicose. Enquanto isso, 
a lipase intestinal processa lipídios, embora sua eficácia seja menor quando compa-
rada à da lipase pancreática. 
 
3.4 A digestão no intestino grosso 
 
A população microbiana diversificada coloniza o intestino grosso de várias es-
pécies animais. Essa diversidade entre as espécies resulta em uma grande variação 
nas suas capacidades de digerir alimentos por meio de microrganismos nessa área 
do sistema digestivo. A composição microbiana também varia ao longo das diferentes 
seções do intestino grosso. Em certas espécies, como ruminantes, equinos e coelhos, 
a digestão realizada por micróbios no intestino grosso tem um papel significativo no 
processo digestivo total. Além disso, as comunidades microbianas presentes nessa 
região são fundamentais na produção de vitaminas B e K. No entanto, as quantidades 
produzidas geralmente não atendem às necessidades dos animais. 
 
 
 
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3.4.1 Particularidades digestivas 
 
Equídeos 
Quanto aos equinos, eles compartilham processos enzimáticos com os ani-
mais onívoros, mas se destacam pela sua capacidade de realizar uma digestão mi-
crobiana extensiva no intestino grosso. Embora produzam ptialina, uma enzima ami-
lolítica na saliva, esta tem eficácia limitada e não atua por tempo suficiente. Assim, a 
função principal da saliva nestes animais é a umidificação e lubrificação do alimento, 
o que facilita a deglutição. Os equinos produzem uma quantidade impressionante de 
saliva, chegando a 50 litros por dia por cada 10 kg de matéria seca ingerida. 
Considerando seu tamanho, o estômago dos equinos é relativamente pe-
queno, ficando ocupado em cerca de dois terços de sua capacidade. O esvaziamento 
do estômago acontece de 6 a 8 vezes ao dia, resultando em uma passagem acelerada 
do alimento. Essa rápida movimentação, aliada a um pH gástrico não muito ácido, 
resulta em uma baixa eficácia das enzimas digestivas nessa parte do sistema. 
O processo digestivo no intestino delgado é comparável ao observado em ou-
tros animais. A principal distinção reside na digestão que ocorre no intestino grosso, 
onde os alimentos podem ficar retidos por até 24 horas. Neste local, a atividade mi-
crobiana é similar à que acontece no rúmen dos animais com múltiplos estômagos. A 
densidade de microrganismos no cólon é inferior à encontrada no ceco. Sob uma dieta 
regular, somente em torno de 30% dos carboidratos solúveis e do amido alcançam o 
intestino grosso, sendo que a maior parte dos carboidratos presentes nesta área são 
de natureza fibrosa. Esses carboidratos são então decompostos por enzimas micro-
bianas, fermentados e transformados em ácidos orgânicos, como os ácidos acético, 
propiônico e butírico, que são absorvidos e servem como uma importante fonte de 
energia para o animal. 
A degradação das proteínas se dá no estômago e intestino delgado, através 
das enzimas digestivas do próprio organismo. No intestino grosso, contudo, os micror-
ganismos utilizam o nitrogênio disponível para formar proteínas microbianas. A eficá-
cia com que os equinos utilizam essas proteínas microbianas é motivo de debate, pois, 
apesar da formação de proteínas, estas não são degradadas em aminoácidos que 
possam ser absorvidos. Além disso, essa parte do sistema digestivo carece de locais 
adequados para a absorção de aminoácidos, o que sugere a ineficácia do uso de 
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fontes de nitrogênio não proteico na alimentação de equinos devido ao risco de into-
xicação por amônia, resultante da hidrólise e absorção desses compostos antes de 
atingirem o intestino delgado. 
Adicionalmente, a flora microbiana no intestino grosso dos equinos contribui 
para a produção de vitaminas do complexo B e K. Porém, essa produção tardia acaba 
sendo subutilizada devido à falta de locais apropriados para a absorção, indicando a 
necessidade de suplementação alimentar. 
 
Aves 
Ao contrário de outros animais domésticos, as aves não possuem dentes, de-
pendendo das características anatômicas do bico para capturar e processar o ali-
mento, o que inclui cortar ou fragmentar, mas sem a capacidade de mastigação. O 
sentido do gosto nas aves é menos desenvolvido, e o olfato é básico. A produção de 
amilase salivar é rara entre as aves, com o ganso sendo uma exceção notável. A 
deglutiçãoem aves é um processo mecânico, efetuado por movimentos abruptos da 
cabeça. 
Do ponto de vista anatômico, as aves se distinguem por terem um papo, ou 
inglúvio, situado na extremidade do esôfago. A função glandular do papo varia con-
forme a espécie, inexistente em galinhas, mas ativa em pombos, onde sua secreção 
é popularmente, mas incorretamente, referida como "leite de pombo". Alimentos úmi-
dos atravessam o inglúvio mais rápido do que os secos. 
O estômago das aves é dividido em duas partes: o proventrículo, que é glan-
dular e secreta suco gástrico, e a moela, de natureza muscular, que facilita a ação do 
suco gástrico e realiza a trituração dos alimentos. Este processo é crucial devido à 
incapacidade das aves de reduzir o tamanho das partículas alimentares por mastiga-
ção. 
A composição dos sucos digestivos nas aves assemelha-se à de outros ani-
mais. Na parte final do intestino, os cecos desempenham um papel na absorção de 
água e, embora possa haver fermentação nessa área, sua contribuição para a nutrição 
das aves é considerada mínima. 
 
 
 
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Ruminantes 
Na alimentação dos ruminantes, ocorrem duas fases distintas de mastigação. 
A inicial é rápida, visando apenas fragmentar o alimento para facilitar sua ingestão. Já 
a segunda fase, conhecida como ruminação, envolve um processo mais lento e pode 
acontecer várias vezes, seguindo episódios de regurgitação. Durante essa etapa, 
além da diminuição do tamanho das partículas de comida, ocorre a incorporação de 
uma quantidade significativa de saliva ao bolo alimentar. Esta saliva é essencial para 
preservar as condições ideais no rúmen que favorecem a atividade dos microrganis-
mos. 
Os ruminantes são classificados como animais com estômagos múltiplos, pos-
suindo um sistema digestivo com quatro compartimentos distintos em termos de es-
trutura e função. Estes compartimentos são o rúmen, retículo, omaso e abomaso, 
sendo este último o mais próximo em função a um estômago glandular típico. 
Desde o nascimento, apesar de suas diferenças estruturais serem aparentes, 
os compartimentos anteriores ao abomaso se encontram subdesenvolvidos. A função 
dessas seções começa a se destacar nas primeiras duas semanas de vida, alcan-
çando pleno desenvolvimento entre a décima e a décima segunda semana. 
A digestão iniciada pelo rúmen e retículo envolve processos microbianos, so-
bre os quais o animal não tem controle direto. No omaso, dá-se a absorção significa-
tiva de água, embora não ocorram processos de fermentação. Já no abomaso, tem 
lugar o início da digestão química e enzimática, característica do processo digestivo 
clássico. 
O rúmen atua como um vasto reservatório de fermentação, onde os alimentos 
são retidos por períodos extensos e submetidos à ação de enzimas produzidas por 
microrganismos. Essas enzimas são capazes de decompor uma ampla gama de nu-
trientes, inclusive materiais que seriam resistentes às enzimas digestivas do animal, 
como a celulose e a hemicelulose. A fermentação desses elementos, bem como de 
outros carboidratos, resulta na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), 
anteriormente conhecidos como ácidos graxos voláteis. Os principais ácidos produzi-
dos, e em maior volume, incluem o acético, propiônico e butírico. Em animais que se 
alimentam primordialmente no pasto ou que consomem dietas ricas em forragens, sob 
uma nutrição equilibrada, a distribuição desses ácidos gira em torno de 70% acético, 
20% propiônico e 10% butírico. Esses AGCC constituem a principal fonte de energia 
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para os ruminantes, distinguindo-os de outras espécies que dependem diretamente 
de monossacarídeos para energia. 
A proteína presente na dieta é em grande parte decomposta por enzimas mi-
crobianas, gerando proteínas microbianas. Os microrganismos do rúmen também po-
dem sintetizar proteínas a partir de moléculas simples como a amônia, permitindo a 
incorporação de nitrogênio não proteico na dieta dos ruminantes. Contudo, essa in-
clusão deve ser cuidadosa para evitar que a amônia não seja utilizada pelos micror-
ganismos e acabe sendo absorvida pelo animal, o que poderia levar a uma intoxica-
ção. Da mesma forma que os animais monogástricos, os ruminantes precisam de ami-
noácidos essenciais, que são obtidos tanto das proteínas microbianas sintetizadas no 
rúmen quanto das proteínas alimentares que não são degradadas nesse comparti-
mento. Normalmente, cerca de 85% da proteína metabolizável nos ruminantes provém 
de fontes microbianas, evidenciando a importância vital dessa relação simbiótica entre 
o hospedeiro e sua flora intestinal. 
 
 
4. DIGESTIBILIDADE DE ALIMENTOS 
 
Para avaliar adequadamente a dieta de animais, é importante entender a 
quantidade de nutrientes da dieta que são realmente utilizados pelo corpo dos ani-
mais. A parte do alimento que é efetivamente utilizada pelos animais corresponde à 
fração digestível. Obter essa informação requer a realização de uma análise da diges-
tibilidade do alimento, a qual determina o coeficiente de digestibilidade. Esse coefici-
ente indica a quantidade de alimento (ou nutriente, ou dieta) ingerido que não é elimi-
nado pelas fezes, sugerindo que foi absorvido pelo organismo do animal. É calculado 
como: 
 
Essa equação é válida para o cálculo de qualquer nutriente digestível, utili-
zando sempre as quantidades do mesmo nutriente. Por exemplo, se há intenção de 
calcular a digestibilidade da proteína bruta (PB) de dada dieta, a equação seria a se-
guinte: 
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Atualmente é preferível expressar o coeficiente de digestibilidade como uni-
dade adimensional. No entanto, muitos ainda usam, talvez pela praticidade, a expres-
são em percentagem ou em g/kg, bastando multiplicar o valor adimensional por 100 
ou por 1000, respectivamente. 
Na prática, opta-se por expressar o coeficiente de digestibilidade como uma 
unidade sem dimensão. Porém, é comum a utilização de percentuais ou a conversão 
para g/kg, multiplicando o valor sem dimensão por 100 ou por 1000, respectivamente, 
devido à sua conveniência. O princípio da digestibilidade aparente, embora fundamen-
tal e amplamente aplicável devido à sua simplicidade, apresenta limitações por não 
considerar certas nuances. Um desses problemas é que as fezes não consistem ape-
nas em resíduos indigestos dos alimentos; elas também incluem materiais de origem 
endógena, como células epiteliais descamadas, enzimas e muco. Ignorar os compo-
nentes endógenos nas fezes faz com que a digestibilidade aparente seja subavaliada 
em comparação com a digestibilidade verdadeira (ou real), que pode ser expressa 
como: 
 
 
Ainda que o conceito de digestibilidade verdadeira (ou real) seja mais acu-
rado, ele não está isento de problemas, como a perda de energia na forma de gases 
e calor. Essas perdas são particularmente notáveis em ruminantes devido ao volume 
substancial de gases produzidos pela fermentação microbiana intensa dos alimentos 
no rúmen. Durante esse processo, uma fração da matéria orgânica é liberada como 
gás, resultando em perdas que não são contabilizadas nas fezes ou absorvidas pelo 
organismo, o que pode levar a uma sobreestimação dadigestibilidade da dieta. 
Existem várias metodologias para avaliar a digestibilidade de dietas, nutrien-
tes específicos ou componentes alimentares. Métodos in vivo são considerados os 
mais precisos, mas também são os mais exigentes em termos de trabalho e custo, 
especialmente para o estudo de múltiplas dietas. Em situações onde é necessário 
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avaliar um grande volume de dietas, métodos in vitro e in situ podem oferecer vanta-
gens significativas. 
 
4.1 Digestibilidade aparente in vivo com coleta total de fezes 
 
Entre as técnicas in vivo, há dois tipos básicos: com coleta total de fezes ou 
com uso de marcadores. 
 
4.1.1 Digestibilidade aparente in vivo com coleta total de fezes 
 
Para a primeira abordagem, é necessário monitorar tanto o consumo dos ani-
mais quanto suas excreções fecais. Isso geralmente envolve o emprego de gaiolas de 
metabolismo ou arreios fecais. Dentro das gaiolas de metabolismo, os animais são 
alimentados em cochos e têm mobilidade restrita, o que facilita o controle exato do 
que é consumido e do que é excretado, especialmente quando se faz a separação 
adequada entre fezes e urina. Contudo, o confinamento pode causar estresse aos 
animais, alterando seus hábitos alimentares. Muitos animais, como bovinos, ovinos, 
caprinos, bubalinos, equinos e muares, são naturalmente pastores, e a alimentação 
em cochos pode não refletir o comportamento alimentar natural. 
Uma alternativa é a coleta total de fezes usando arreios, que envolve fixar 
uma bolsa impermeável ao animal para coletar as fezes. Apesar de permitir que os 
animais permaneçam em seus ambientes naturais, o desconforto causado pelos ar-
reios e o peso das fezes podem afetar negativamente seus padrões alimentares. No 
entanto, a precisão no controle do consumo e a coleta completa das fezes tornam os 
dados de digestibilidade in vivo com coleta total de fezes mais confiáveis. A mesma 
fórmula mencionada anteriormente é aplicada para calcular o coeficiente de digestibi-
lidade aparente em estudos in vivo que envolvem a coleta total de fezes. 
 
4.1.2 Digestibilidade aparente in vivo com uso de marcadores 
 
Não é sempre possível confinar os animais em compartimentos específicos 
para estudos metabólicos ou empregar dispositivos para coletar suas excreções. Em 
situações desse tipo, o emprego de indicadores torna-se uma ferramenta essencial 
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para investigações sobre a digestibilidade. Este método, que se destaca pela sua sim-
plicidade de implementação, tem o potencial de minimizar o estresse nos animais, 
variando conforme o método de aplicação dos indicadores. Essas substâncias são 
fundamentais para avaliar a quantidade de excreção fecal e a eficácia da digestão 
alimentar. Para serem efetivos em pesquisas sobre digestibilidade, os indicadores de-
vem cumprir duas condições essenciais: 
 
 o indicador não pode ser digerido pelo organismo; 
 a quantidade do indicador consumido deve ser integralmente excretada. 
 
Cumprir a segunda condição significa que o indicador não pode ser absorvido, 
modificado, ou interferir em qualquer processo durante sua passagem pelo sistema 
digestivo. Com a administração contínua por um período, espera-se que a recupera-
ção fecal do indicador, quando administrado com a alimentação, seja completa. 
Existe uma ampla variedade de indicadores aplicáveis a esse tipo de estudo. 
Alguns deles já estão naturalmente presentes na dieta dos animais, sendo por isso 
denominados "indicadores internos", como a fibra em detergente neutro indigestível 
(FDNi), a fibra em detergente ácido indigestível (FDAi), a celulose indigestível, as cin-
zas indigestíveis, entre outros. Por outro lado, existem aqueles que são adicionados 
artificialmente às dietas, conhecidos como "indicadores externos", incluindo o óxido 
crômico, o dióxido de titânio, as terras raras, entre outros. 
A equação para calcular o coeficiente de digestibilidade aparente (em porcen-
tagem) da matéria seca (CDMS) da dieta (ou dos nutrientes) em ensaios in vivo com 
o uso de marcadores é: 
 
Na fórmula, marcadordieta e marcadorfezes representam, respectivamente, as 
concentrações do marcador na dieta e nas fezes (expressas em base seca). Quando 
o objetivo é o cálculo do coeficiente de digestibilidade aparente (em porcentagem) de 
um dado nutriente (CDnutriente) da dieta (por exemplo, proteína, bruta, fibras, amido 
etc.), usa-se a seguinte equação: 
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4.2 Digestibilidade aparente in vivo de alimentos que não podem ser fornecidos 
isoladamente 
 
Frequentemente surge a demanda por determinar a digestibilidade de um de-
terminado ingrediente ou conjunto de ingredientes que faz parte da alimentação, po-
rém, não é viável fornecer esse item de forma isolada, como a única fonte alimentar, 
aos animais. Um caso típico é o farelo de soja, um componente usual nas dietas de 
várias espécies animais, que apesar de ser amplamente aceito quando incluído na 
alimentação, não suporta uma alimentação exclusiva baseada nele. Quando o objetivo 
é calcular a digestibilidade in vivo do farelo de soja para uma certa espécie e categoria 
animal, existem duas abordagens principais: o método da diferença e o método da 
regressão. 
 
4.2.1 Método da diferença 
 
Para o método da diferença é imprescindível elaborar duas dietas: uma com-
pleta, contendo o ingrediente sob análise, e outra idêntica à primeira, exceto pela au-
sência desse ingrediente específico. Após avaliar os coeficientes de digestibilidade de 
ambas as dietas, torna-se viável a estimação do coeficiente de digestibilidade do ali-
mento de interesse (CDalimento), por meio da seguinte equação: 
 
Na equação, CDdieta refere-se ao coeficiente de digestibilidade aparente da dieta in-
tegral e CDcomplemento ao da dieta sem o ingrediente focal; propingrediente repre-
senta a fração (valor adimensional) do ingrediente em relação à dieta integral. 
Assume-se neste método que os ingredientes da dieta não interagem significativa-
mente entre si, isto é, o coeficiente de digestibilidade da dieta completa é essencial-
mente a média dos coeficientes de todos os componentes. Entretanto, sabendo-se 
que essa suposição frequentemente não se sustenta, é crucial ter em mente que as 
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estimativas podem conter imprecisões a serem consideradas. Adicionalmente, a di-
gestibilidade pode flutuar com a formulação nutricional da dieta, e a remoção de um 
ou mais componentes da dieta completa altera a digestibilidade da dieta restante, fa-
zendo com que não mais represente a da dieta original. Apesar dessas ressalvas, 
trata-se de um procedimento direto e prático para avaliar a digestibilidade de um in-
grediente ou seus nutrientes. 
 
4.2.2 Método da regressão 
 
Para estimar a digestibilidade de um alimento por regressão, várias dietas 
contendo inclusões crescentes do alimento de interesse na composição devem ser 
utilizadas. É necessáriodeterminar os coeficientes de digestibilidade de todas as die-
tas, com proporções crescentes do alimento de interesse, e então plotá-los, permitindo 
uma regressão linear entre o nível de inclusão e os coeficientes de digestibilidade, 
como ilustrado na Figura 4. 
 
Figura 4 – Regressão linear entre proporções crescentes do alimento na dieta e seus 
respectivos coeficientes de digestibilidade. 
 
Fonte: Bueno, 2019. 
 
A regressão linear é do tipo y = ax + b, em que y representa os coeficientes 
de digestibilidade, a é a inclinação da reta (slope) e representa as alterações que as 
diferentes proporções têm sobre a digestibilidade, x é a proporção do alimento na dieta 
e b é o ponto de intercepção da reta com o eixo y, quando x é zero. Na Figura 4, a 
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inclusão do alimento cuja digestibilidade é desconhecida aumenta a digestibilidade da 
dieta, mas poderia ser o inverso. Nesse caso, o ingrediente tem coeficiente de diges-
tibilidade superior ao da dieta sem a sua inclusão, estimada pela regressão apresen-
tada na Figura 4 como o ponto de intercepção da reta com o eixo y (0,5765). Em outras 
palavras, a dieta sem o alimento (dieta complemento) possui coeficiente de digestibi-
lidade de 0,5765, ou 57,65%. 
Nesse exemplo, o slope da regressão é 0,245, o que significa que a cada 10% 
de inclusão do alimento a dieta teve o coeficiente de digestibilidade aumentado em 
0,0245 (ou 2,45%). Esse slope é a diferença entre os coeficientes de digestibilidade 
do alimento e da dieta complemento (sem o alimento de interesse). Sendo assim, 
estima-se que o alimento tenha coeficiente de digestibilidade de 0,8215 (ou 82,15%). 
Na forma de equação, a interpretação da equação de regressão y = ax + b (Figura 4) 
pode ser expressa da seguinte forma: 
 
Na fórmula, CDdieta corresponde ao coeficiente (CD) da dieta (y na regres-
são) quando a proporção do alimento na dieta (propalimento) é x (na regressão), 
CDcomplemento é o valor estimado do CD da dieta sem o alimento (b, valor de inter-
cepção da regressão) e a diferença (CDalimento – CDcomplemento) corresponde ao 
valor de a (slope da regressão). Sendo assim, o CD do alimento de interesse (CDali-
mento) é calculado como a + b. 
 
 
 
O método das regressões considera, mesmo que parcialmente, o efeito da inte-
ração entre os ingredientes de uma dieta sobre a sua digestibilidade, embora 
seja mais trabalhoso e demande mais animais (ou mais tempo) para a avaliação 
de todas as dietas necessárias. 
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5. DIGESTIBILIDADE OU DEGRADABILIDADE? 
 
Ainda que na literatura especializada exista uma certa mis-
tura na utilização dos termos digestibilidade e degradabilidade, eles 
se distinguem principalmente pelas fontes das enzimas que decom-
põem as moléculas dos alimentos, liberando os nutrientes de forma 
que possam ser absorvidos pelo animal. Digestibilidade refere-se à decomposição das 
moléculas por enzimas produzidas pelo próprio animal, enquanto degradabilidade diz 
respeito à ação de enzimas microbianas. Existem termos específicos baseados no 
local onde as populações microbianas se estabelecem, como a degradabilidade rumi-
nal ou cólo-cecal, indicando, por exemplo, que a degradabilidade ruminal é a porção 
do alimento ou nutriente que é metabolizado durante a passagem pelo rúmen, bene-
ficiando tanto os microrganismos presentes quanto o animal hospedeiro. Contudo, é 
importante notar que nem toda parte solubilizada é necessariamente absorvida. 
 
5.1 Digestibilidade ou disponibilidade? 
 
Por outro lado, disponibilidade é frequentemente confundida com digestibili-
dade, mas são conceitos distintos. Digestibilidade é o processo pelo qual a molécula 
é quebrada até seus componentes serem capazes de absorção, podendo ser resul-
tado da ação de enzimas específicas, ataque ácido, ou solubilização por hidrólise. 
Disponibilidade, em contraste, se refere à fração de um nutriente que está apta para 
ser absorvida pelo organismo. Por exemplo, uma proteína pode ser digestível e seus 
aminoácidos, uma vez digeridos, estão prontos para absorção e uso pelo corpo. No 
entanto, esses aminoácidos, se digestíveis, são desnaturados e perdem suas propri-
edades nutricionais. Assim, ao discutir a fração de um aminoácido que é efetivamente 
utilizada pelo organismo, o termo apropriado é a disponibilidade desse aminoácido. 
Esta nomenclatura também se aplica a minerais e outros nutrientes quanto à sua ab-
sorção e processamento metabólico. 
 
 
 
 
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5.2 Digestibilidade da energia 
 
Embora a energia não seja classificada como um nutriente por definição, seu 
papel é frequentemente equiparado ao de um, dada a essencialidade de compreender 
o conteúdo energético dos alimentos para atender às necessidades dos animais. 
Cada composto orgânico contém energia química, acessível ao animal através do me-
tabolismo. A quantidade total de energia presente nos alimentos é indicada por meio 
das unidades de energia bruta (EB), representando o calor gerado pela combustão 
completa de todas as moléculas orgânicas presentes no alimento, e pode ser medida 
em calorias (cal, kcal, Mcal) ou, mais apropriadamente, em joules (J, kJ, MJ). Há uma 
relação constante entre essas unidades: 
1 cal = 4,184 J 
 
A parcela da energia dos alimentos que pode ser absorvida é conhecida como 
energia digestível (ED), podendo ser quantificada nas mesmas unidades menciona-
das. No caso de ruminantes, existe ainda outra maneira de expressar a energia diges-
tível, através dos nutrientes digestíveis totais (NDT), embora seu uso tenha diminuído. 
Pode ser convertida para ED: 
 
1 g NDT = 4,409 kcal de ED = 18,447 kJ 
 
Portanto, NDT é a soma dos nutrientes digestíveis do alimento, em quantida-
des, expresso em g (ou kg), ou em proporções (em porcentagem) e é estimado pelas 
fórmulas: 
NDT= PBd + FBd + ENNd +2,25 × EEd 
ou 
NDT= PBd + FDNd + CNFd +2,25 × EEd 
 
Os componentes que contribuem para o NDT incluem a proteína bruta diges-
tível (PBd), a fibra bruta digestível (FBd), os extrativos não nitrogenados digestíveis 
(ENNd), o extrato etéreo digestível (EEd), a fibra em detergente neutro digestível 
(FDNd) e os carboidratos não fibrosos digestíveis (CNFd). Devido à inadequação da 
FB em refletir o verdadeiro conteúdo de fibras nos alimentos, prefere-se a segunda 
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abordagem para estimativa. O valor 2,25, que multiplica o conteúdo de EEd, reflete o 
fato de que os lipídios contêm aproximadamente 2,25 vezes mais energia bruta do 
que outros componentes orgânicos. No entanto, essa é apenas uma estimativa apro-
ximada, uma vez que a energia resultante da combustão completa de diferentes com-
postos orgânicos varia significativamente, por exemplo, as proteínas têm 5,6 Mcal/kg, 
os carboidratos variam entre 3,7 e 4,2 Mcal/kg, e os lipídios entre 9,6 e 9,4 Mcal/kg. 
A determinação da energia bruta é realizada com facilidade utilizando um ca-
lorímetro. Contudo,devido à ampla variação na digestibilidade e no metabolismo dos 
diferentes alimentos, a aplicação de energia bruta na formulação de dietas não é acon-
selhável. Animais de produção exigem quantidades significativas de energia, tornando 
crucial uma avaliação mais precisa da energia alimentar. A partição da energia é ilus-
trada na Figura 5. 
 
Figura 5 – Partição de energia no animal. 
 
Fonte: Bueno, 2019. 
 
A representação gráfica, referida como Figura 5, ilustra que subtraindo a ener-
gia das fezes da energia bruta, obtém-se a energia digestível (ED) dos alimentos. A 
energia disponível para o metabolismo do animal, denominada energia metabolizável 
(EM), é calculada pela subtração da energia perdida em gases de fermentação e na 
urina da ED. Durante o metabolismo, ocorre a produção de calor, e ao descontar esta 
energia, chega-se à energia líquida (EL) que está efetivamente à disposição do animal 
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tanto para sua manutenção (ELm) quanto para sua produção (ELp), abrangendo ga-
nho de peso, produção leiteira, postura de ovos, crescimento fetal, entre outros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATIVIDADES DE FIXAÇÃO 
 
1 - Como o termo "consumo voluntário" é definido no contexto da nutrição animal? 
a) A quantidade de alimento que um animal é forçado a comer em um período de 
24 horas. 
b) A quantidade de alimento que um animal escolhe comer quando limitado pelo 
espaço do cocho. 
c) A quantidade de alimento ingerida quando o alimento está disponível a todo o 
tempo. 
d) O mínimo de alimento que um animal precisa para atender suas necessidades 
energéticas. 
 
2 - Quais são as principais características que distinguem um "alimento concentrado" 
de um "alimento volumoso"? 
a) Alimento concentrado possui maior teor de água e menor teor de nutrientes. 
b) Alimento volumoso é rico em energia e pobre em fibras. 
c) Alimento volumoso tem um teor de proteína bruta (PB) superior a 20% da maté-
ria seca (MS). 
d) Alimento concentrado contém menor teor de fibra detergente neutra (FDN) e é 
rico em energia ou proteínas. 
 
3 - O que o termo "deficiência nutricional" descreve no contexto da alimentação ani-
mal? 
 
Vá no tópico VÍDEO COMPLEMENTAR em sua sala virtual e 
acesse o vídeo “Princípios da nutrição animal”. 
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a) A capacidade de um animal de consumir nutrientes além das suas necessida-
des diárias. 
b) A ingestão ou administração insuficiente de um ou mais nutrientes essenciais, 
afetando o desempenho normal do animal. 
c) A preferência de um animal por alimentos que não são parte de sua dieta natu-
ral. 
d) A escolha alimentar seletiva dos animais baseada em sabores e texturas prefe-
ridas. 
 
4 - No contexto da digestão ruminante, qual é a principal função da saliva adicionada 
à massa alimentar durante o processo de mastigação merícica? 
a) Acelerar a passagem do alimento pelo trato digestivo. 
b) Facilitar a absorção de aminoácidos no intestino delgado. 
c) Manter as condições ambientais do rúmen favoráveis à atividade microbiana. 
d) Promover a digestão enzimática dos carboidratos solúveis. 
 
5 - Qual dos seguintes compartimentos do estômago de aves é responsável pela tri-
turação dos alimentos? 
a) Moela 
b) Proventrículo 
c) Inglúvio 
d) Cólon 
 
6 - Nos ruminantes, a proporção aproximada de ácidos graxos de cadeia curta 
(AGCC) produzidos em animais com dietas ricas em forragem é de: 
a) 70% acético, 20% propiônico, 10% butírico. 
b) 50% acético, 30% propiônico, 20% butírico. 
c) 60% acético, 25% propiônico, 15% butírico. 
d) 80% acético, 10% propiônico, 10% butírico. 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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1) ANDRIGUETTO, José Milton et al. As bases e os fundamentos da nutrição ani-
mal. Reimpressão. São Paulo: Nobel, 2006. 
2) BUENO, Ives Cláudio da Silva. A importância da nutrição animal. In: ARAÚJO, Lú-
cio Francelino; ZANETTI, Marcus Antônio (Eds.). Nutrição Animal. Barueri: Ma-
nole, 2019. 
3) PESSOA, Ricardo Alexandre Silva. Nutrição animal: conceitos elementares. 1. ed. 
São Paulo: Editora Érica, 2014. 
4) TEIXEIRA, A. S. Alimentos e alimentação dos animais. Lavras: UFLA/FAEPE, 
1998. 
 
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