Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/12
 
 
 
 
 
 
 
 
ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA
DA EDUCAÇÃO
AULA 4
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/12
Prof. Everson Araujo Nauroski
CONVERSA INICIAL
Nesta aula, teremos contato com dois grandes pensadores e fundadores da sociologia: Max
Weber e Karl Marx. Veremos que as contribuições de Weber chamam a atenção para os fatores
subjetivos, para compreendermos as ações sociais como motivação e vontade. Sua teoria das formas
de poder vai nos permitir repensar o papel e a atuação dos professores em meio a um dos grandes
problemas na educação de adolescentes, a indisciplina.
Sobre Marx, veremos que sua crítica à escola está relacionada a sua crítica geral da sociedade
capitalista, em que a existência da escola é tida como ferramenta e estratégia de ideologização.
Veremos também que, mesmo entre seguidores desse autor, existem divergências, vendo na escola
um potencial transformador de pessoas e da sociedade.
TEMA 1 – PENSANDO A ESCOLA E A EDUCAÇÃO COM MAX WEBER
Entre os clássicos da sociologia, Weber (1864-1920) foi um grande inovador ao elaborar uma
metodologia diferenciada em sua pesquisa. Talvez pela distância e sua identidade cultural com a
Alemanha, tenha tido pouca influência da escola francesa de sociologia, estando mais propenso à
interlocução com a rica tradição intelectual de seu país, como historicismo de Wilhelm Dilthey (1833-
1911), segundo o qual tanto a história quanto as demais ciências do espírito, ou seja, ciências que
têm o fenômeno humano como seu objeto de estudo tem a mesma importância e validade que as
demais ciências da natureza. Também encontramos influências da filosofia de Emmanuel Kant e os
pensadores do romantismo alemão, que insistiam na crítica ao racionalismo iluminista e na
revalorização do sentido heroico da vida, da força da vontade e do caráter. Esses e outros elementos
deram um viés interdisciplinar a formação de Weber, que em sua trajetória intelectual transitou pela
economia, direito e posteriormente da sociologia como sua vocação (Nauroski, 2018).
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/12
Figura 1 – Max Weber
Crédito: Natata/Shutterstock.
Segundo dados biográficos, foi somente após o recebimento de uma herança, que lhe garantiu
alguma renda permanente que Weber pode se dedicar inteiramente a sociologia. Transformou sua
casa num centro de pesquisa, reunindo em torno de si grandes figuras intelectuais de sua época.
No início de seus estudos sociológicos, Weber estava interessado em compreender as razões
que levaram a unificação tardia da nação alemã. Ele estava convencido de que um país com o
tamanho, a força e o potencial da Alemanha deveria ter um algum papel de liderança e destaque no
cenário global. Como resultado de sua investigação, Weber formula sua teoria metodológica,
segundo a qual, mais do que explicar e analisar os fatos históricos, é preciso compreender as ações
dos indivíduos e o significado que os sujeitos atribuem a elas. Era formulada assim, sua teoria da
ação social, segundo a qual, existe um forte componente subjetivo subjacente aos fenômenos sociais
diversos, dos mais simples e prosaicos, aos maios complexos e grandiosos, essa perspectiva ficou
conhecida como sociologia compreensiva (Sell, 2011).
Mais que explicar e analisar os fatos sociais e históricos é preciso compreendê-los, sendo papel
do cientista social elaborar modelos racionais para tornar mais compreensível as ações humanas,
identificando fatores de irracionalidade, sentimentos, emoções, continuidades, equívocos e
obstáculos com os quais os indivíduos tem que lida no curso de suas ações e escolhas. Num esforço
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/12
de sistematizar sua teoria, Weber formulou vários conceitos, entre eles trazemos os mais recorrentes
nos estudos da sociologia weberiana.
1. Tipo ideal:  trata-se de um modelo interpretativo que serve para compreender um dado
fenômeno. Sua teoria da ação social representa quatro tipos ideais que auxiliam no entendimento de
diversos conjuntos de ações humanas. Isso ficará mais claro ao abordarmos a tipologia das ações.
2. Ação social direcionada a fim racional: tende a ser o tipo mais predominante nas sociedades
modernas. Exemplos: comprar e vender, estudar para melhorar os ganhos, investir para ter retorno
etc.
3. Ação social motivada por valores: quando agimos para defender a honra, a reputação, a
imagem, um bem ético ou moral.
4. Ação social motivada por afetividade: quando agimos por sentimentos. Mutirão, doações etc.
5. Ação social motivada por tradições: são comportamentos mobilizados de modo recorrente
por já fazerem parte da vida social e familiar dos indivíduos. Podemos pensar nas crenças, hábitos e
costumes de modo geral, ir ao estádio de futebol, frequentar a feirinha, ir à igreja aos domingos etc.
Em relação aos estudos que Weber fez sobre as questões de poder, é curiosa sua teoria,
concebendo o Estado como único ente de uma sociedade com legitimidade e exclusividade para uso
da força. Não podemos nos autotutelar, ou seja, numa situação de conflito não podemos fazer justiça
com as próprias mãos, exceto nas situações em que lei faculta como legítima defesa. Em outras
situações somos obrigados a buscar a mediação do estado por meio do poder judiciário e policial, de
modo que dos agentes do estado deverá ser sempre pautada pelo que é estabelecido em lei.
Ao caracterizar as manifestações do poder Weber estabelece três formas:  racional-legal,
tradicional e carismático. O primeiro tem relação com a estrutura burocrática em torno do Estado e
suas ramificações. A segunda forma refere-se ao poder estabelecido por força das tradições,
podemos pensar nas dinastias antigas como no antigo Egito, nas autocracias hereditárias, como na
Coréia do Norte, ou ainda na nossa versão caricatural do coronelismo das regiões nordeste do Brasil.
Sobre a terceira e última, podemos pensar em figuras como Getúlio Vargas, Gandhi e vários outros
personagens cuja o carisma e liderança personifica parte de seu poder de persuadir e influenciar (Sell,
2011).
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/12
TEMA 2 – PODER, BUROCRACIA E DESENCANTAMENTO DO
MUNDO
Suas conclusões sobre as relações de poder nos fornecem importantes subsídios para pensar a
dinâmica das escolas. Diferentemente de Durkheim, na sociologia de Weber não encontramos um
estudo específico sobre a escola e a educação, todavia, sua teoria nos ajuda a compreender que as
relações sociais não se explicam somente pelos aspectos coercitivos, mas resultam da complexidade
das interações humanas. Lembra? As ações sociais produzem a interação entre as pessoas, isso
acontece em função da expectativa que estabelecemos e relação aos comportamentos dos outros.
Partindo dessa premissa, podemos pensar inclusive no comportamento dos alunos, no problema
da indisciplina que tanto causa estresse em alunos e professores. Ora, se na base das interações
sociais estão as expectativas dos atores sociais, quais seriam as expectativas de alunos e professores
dentro de uma escola? Ou ainda indagar se a escola consegue captar as motivações e os diversos
sentidos construídos em torno da própria escola, da figura dos mestres, ou mesmo do ato de ensinar
e da aprendizagem como um todo. Ou seja, talvez no fundo do comportamento indisciplinado
estejam ausentes clareza de intenções, ou motivações claras sobre o que é desenvolvido. Obviamente
existem ainda outros fatores a serem considerados em relação ao problema da indisciplina, como
questões de ordem psicológica sobre saber lidar com limites, frustrações a figura de autoridade,
questões sociais envolvendo problemas com familiares dos alunos, ou ainda questões estruturais na
superlotação de salas de aula e ainda outros problemas com correlação.No entanto, não se pode
ignorar que a teoria de Weber tem grande potencial explicativo de vários aspectos da vida escolar.
O ambiente escolar é um espaço fértil para explorar esses conceitos, compreender, por exemplo,
de onde vem as motivações dos estudantes e ajudá-los a tomarem consciência dos diversos fatores
que os mobilizam, sejam os de ordem subjetiva ou ainda as questões de ordem economia e material.
Mesmo em relação à teoria do poder desse autor, é possível lançar luz à discussão de como
estão construídas as representações sociais em torno do professor. Os alunos temem, admiram ou
amam seus professores. Sua autoridade repousa no tempo de carreira e de instituição (tradição), ou
está baseado em seu domínio do conhecimento, sua organização e competência
(racional/burocrático), ou emana do carisma do professor e de sua capacidade de empatia e
influência de seus alunos. Seja como for, são elementos que ampliam as possibilidades de
compreensão de vários dos tópicos que fazem parte do universo escolar e educacional.
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/12
Weber chegou ao final de sua carreira bastante entristecido e pessimista em relação ao potencial
da sociedade capitalista. Já na sua famosa monografia A ética protestante e o espírito do capitalismo
estão presentes elementos de uma análise factual e conformada com a incapacidade de inovação na
sociedade capitalista. Weber acreditava na esfera política como capaz de superar a técnica e
burocratização da sociedade. A política vivida como vocação teria o potencial de arrancar a
sociedade de suas amarras técnicas e instrumentais (Nauroski, 2018).  
Segundo esse autor a lógica do capital, sua racionalidade fria acabou por colonizar praticamente
todas as esferas da vida. A burocratização do mundo não ficou restrita ao funcionamento do estado.
Ele chamou esse fenômeno de “gaiola de ferro” como se a racionalidade predominante nas
sociedades moderna funcionasse como um tipo de prisão que nos confina a todos. A consequência
dessa conjuntura ele denominou de desencantamento do mundo. Weber viu enfraquecendo na
modernidade aquele espírito heroico vivamente ilustrado pelo romantismo alemão, onde poetas e
pensadores escreviam e cantavam sobre a capacidade de superação do homem, de sua força, sua
imaginação e caráter.
O processo de burocratização e racionalização do mundo sobre égide do capitalismo
transformou a educação num projeto de treinamento em sucessivas etapas com vistas a preparar os
indivíduos para desempenhar as funções que esse sistema demanda. O escopo da formação fica
aprisionado na realização das metas culturais universalizadas de riqueza e sucesso.  Lembra-se das
aulas anteriores? O resultado dessa dinâmica, conforme aprendemos com Merton, estudioso de
Weber, diga-se de passagem, tem se mostrado bem problemática.
TEMA 3 – KARL MARX E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA PENSAR A
SOCIEDADE E A ESCOLA
Existe um princípio básico, diríamos até mesmo universal, de que, para entendermos bem um
autor, precisamos buscar compreendê-lo com base em seu contexto, nas circunstâncias marcantes de
sua época.
Um princípio válido para qualquer autor, não seria diferente para os clássicos da sociologia, e é
claro para Marx. A rigor, a modernidade e suas Revoluções Francesa e Industrial, além da
consolidação do capitalismo, representam o horizonte histórico, social e político dos três clássicos
fundadores da ciência sociológica.
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/12
Figura 2 – Karl Marx
Créditos: Dayat Banggai/Shutterstock.
No caso de Marx, já conhecemos alguns dos grandes problemas de sua época, lembra?
Proliferação das fábricas, proletariado, greves, urbanização acelerada, aumento das periferias, falta de
saneamento, epidemias etc. Esses e outros problemas advindos principalmente em razão do
crescimento econômico acelerado, e da industrialização na Europa tiveram grande impacto em sua
vida e obra.
Karl Heinrich Marx nasceu em 5 de maio de 1818 e morreu em 14 de março de 1883 com 64
anos de idade, pouco tempo depois da morte de sua esposa. Ele nasceu na cidade de Tréveris, região
da antiga Prússia, atualmente Alemanha, e teve uma trajetória de estudos que lhe garantiram uma
formação interdisciplinar nas áreas da história, sociologia, economia, filosofia e jornalismo. Desde
muito cedo, o jovem Marx se aproximou dos movimentos operários, unindo-se a sua causa. Sua
trajetória de intelectual militante o fez persona non grata em diversos países, dos quais teve que fugir
em razão da perseguição que sofreu por parte de autoridades e opositores de suas ideias.
Marx recebeu influência de diversos autores, do filósofo alemão Georg Georg Wilhelm Friedrich
Hegel (1770-1830) a ideia de dialética e totalidade, com a diferença que para Marx é vida social
concreta que condiciona o pensamento e não o contrário como cria Hegel e os idealistas. Do
também alemão Ludwig Feuerbach (1804-1872), aprimorou o conceito de alienação, mostrando o e
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/12
equivoco desse autor, ao explicar que a causa de fundo da alienação não é religião ou a teologia,
mas a própria condição de miséria e exploração dos homens, o que pode ser resumido pela sua
famosa expressão:
A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real e, de outro, o protesto contra a
miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, o
espírito de uma situação carente de espírito. Ela é o ópio do povo. (Marx, 1960, p. 82)
 Marx também leu e criticou os economistas ingleses como Adam Smith e David Ricardo por não
terem entendido que a riqueza advém do trabalho que o capitalista não paga ao funcionário, visto
que o trabalhador produz muito mais do que custa. Marx chamou essa situação de mais-valia, ou
mais trabalho, aquele porção de trabalho excedente, não pago.  Sua crítica não poupou nem os
chamados socialistas utópicos, como o conde de Saint-Simon (1760-1825) e o francês Charles Fourier
(1772-1837), que defendiam o melhoramento lento e gradual da sociedade, enquanto Marx queria
coloca-la abaixo.
Apesar das influências que recebeu Marx conseguiu elaborar uma teoria própria e original para
explicar a sociedade. Suas ideias tiveram enorme impacto no mundo moderno, principalmente por
ter defendido que o motor da história é a luta de classes e que havia chegado o tempo de maturação
histórica para a derrubada do capitalismo e a construção de uma nova sociedade, o comunismo (Sell,
2011).
Para entendermos a contribuição de Marx em relação a discussão sobre a educação e o papel da
escola precisamos antes compreender alguns de seus conceitos.
TEMA 4 – AS AMBIVALÊNCIAS DA ESCOLA
Uma das primeiras coisas que temos que saber sobre o pensamento social de Marx é seu
materialismo histórico e dialético. O materialismo de Marx concebe a realidade social como resultado
das relações concretas entre as pessoas, grupos e classes e é histórico no sentido em que assume
diferentes formatos ao longo do tempo, ou modos de produção como fazia questão de salientar. Já
houve o modo de produção asiático, o escravismo, o servilismo medieval e, por último, na
modernidade o capitalismo. A dialética desse processo se encontra nas tensões e contradições que
cada modo de produção carrega dentro de si. Marx estava convencido de que o capitalismo
carregava o germe de sua própria destruição na medida em que aumentava o abismo entre os
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/12
proprietários dos meios de produção (burgueses) e os proletários, donos unicamente de sua força de
trabalho e de seus filhos, ou prole, importantes para fazer a reposição da mão de obra nas fábricas. A
contradição entre riqueza e miséria, o avanço tecnológico e organização sindical levaria a classe
operária a tomar consciência de sua força e poder (maioria) além de favorecer o fortalecimentode
sua consciência de classe, unidade e organização. Esses fatores levariam a derrubada do sistema
capitalista e a criação de um novo modelo, o comunista (Nauroski, 2018).
Não faz parte do escopo dessas aulas analisar méritos ou equívocos nas ideias de Marx ou das
experiências socialistas que esse pensador inspirou pelo mundo.
Agora que já tivemos um entendimento do materialismo histórico e dialético, podemos trazer
duas categorias fundamentais do pensamento marxiano; infraestrutura e superestrutura. O conjunto
das relações de produção, ou seja o modo como cada sociedade organiza sua produção econômica
reflexe as relações de classe de uma sociedade. O resultado dessa dinâmica faz surgir um conjunto
de representações sociais, ideologias justificadoras da ordem estabelecida, o que Marx denominou
de superestrutura. Dessa forma compõe o aparato superestrutural de uma sociedade envolvendo a
esfera política, jurídica, econômica, religiosa, cultural e educacional. Em alguma medida, o conjunto
de instituições de uma sociedade tende a refletir em ideias, valores, crenças, símbolos, moral e
comportamento o modo concreto como essa sociedade está funcionalmente organizado. Assim, no
antigo Egito existia toda uma organização religiosa e escolar para validar e propagar o trabalho
escravo, a submissão e o poder do faro e seus sacerdotes, da mesma forma na Grécia e na Roma
antigas, assim como o servilismo encontrava na teologia católica vários argumentos de sustentação,
ameaçando e punindo com a morte e a excomunhão (não era mais cristão) aqueles que se rebelavam
contra a ordem estabelecida. Foi nesse contexto que surgiu o ditado poupar “entre a cruz e a
espada”, pois os revoltosos e insurgentes eram perseguidos, mortos, esquartejados e condenados à
danação eterna (Nauroski, 2018).
E na atualidade, pensando nas relações entre patrões e empregados, qual seria a ideologia
existente para convencer as pessoas a aceitar a precarização do trabalho, os baixos salários, a vida
dura e miserável de milhões de pessoas? Uma boa questão para refletirmos e tentarmos responder
posteriormente quando avançarmos mais em nossos estudos.
A crítica e o pessimismo de Marx em relação a escola é em função de a mesma integrar as
instituições da foram a superestrutura ideológica. Ou seja, numa conclusão lógica, a escola sendo
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/12
parte da superestrutura ideológica da sociedade capitalista, sua natureza, sua razão de ser encontra-
se subsumida pela lógica do capital que se utiliza da escola para veicular principalmente nas
gerações mais jovens seus valores, símbolos e crenças.
  Ao considerarmos ideias atualmente muito defendidas, como a de meritocracia, de que o
sucesso e o fracasso dependem do esforço das pessoas poderíamos dizer o discurso da meritocracia
é ideológico ou não? O modo como a nossa sociedade funciona não tem implicações no resultado
dos projetos de vida das pessoas? São questões que nos inquietam e nos ajudam a dialogar, rever e
mesmo desenvolver um posicionamento crítico.
Segundo Marx, analisando a história, na sociedade moderna, o Estado é constituído para
promover e defender os interesses das classes dominantes, “um balcão de negócios”. A manutenção
da ordem estabelecida tende a ocorrer em duas frentes, as forças de dissuasão que operam
principalmente na esfera ideológica, e as forças de repressão, que materializadas no poder policial e
mecanismos coercitivos do estado.
TEMA 5 – APATAÇÃO E EMANCIPAÇÃO COM BASE NA ESCOLA
A escola para Marx é uma instituição tipicamente burguesa, pois, em seu arranjo de
universalidade, gratuidade e obrigatoriedade, foi instrumentalizada em suas discursos e práticas
como fator de propagação e veiculação da ideologia dominante, ou seja, propagar e reforçar crenças,
valores, ideias, símbolos e representações que contribuem na manutenção da ordem estabelecida,
uma ordem que precisa ser aceita e não raro, defendida não só pelos que mais se beneficiam dela,
mas também dos que são por ela exploradas.
A escola moderna é fruto da organização do Estado burguês. Sua trajetória reforça esse
argumento. Em vários momentos históricos, as reformas educacionais refletem a força a influência
não só dos governos, mas dos grupos que o apoiaram. Contemporaneamente, estamos assistindo à
tentativa de alterar a organização curricular em alguns estados da federação. No caso do Paraná,
existe a intenção de inserir as disciplinas de empreendedorismo e educação financeira, fazendo com
as disciplinas de artes, filosofia e sociologia sejam reduzidas.
Essas reformas em nada lembram um projeto de educação politécnica defendida por Marx,
podendo acontecer no mesmo ambiente de trabalho ou em centros especializados, capaz de formar
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/12
indivíduos habilitados tanto a operar máquinas em seu trabalho, quanto capazes de ler, escrever e
interpretar criticamente o mundo em que vivem. Uma formação politécnica teórica e prática
englobando diferentes esferas da vida humana, corpo, mente espirito e sensibilidade. Um projeto
pedagógico dessa natureza não poderia segundo Marx ser concretizado no interior das escolas.
Outros autores seguidores de Marx divergiram dele em relação ao papel e capacidade da escola.
A esse respeito, é notória a contribuição de Antônio Gramsci (1891-1937), pensador italiano
considerado um neomarxista, para que que a escola possui uma ambivalência intrínseca a sua própria
condição de instituição social. Isso quer dizer que a escola pode tanto servir aos propósitos das
classes dominantes adotando discursos e práticas que corroboram a ordem capitalista, ou a escola
pode ser assumida por forças progressistas para promover um projeto diferente. A escola poderia ser
ocupada e redirecionada a construir uma nova hegemonia, a socialista convencendo e dialogando
com diferentes atores sociais de modo a convencê-los de que uma sociedade socialista seria melhor,
pois beneficiaria a todos, não somente os endinheirados como no capitalismo.
São perspectivas e olhares sobre a escola que despertam novas leituras e releituras estimulando
a reflexão e o gosto pelo aprofundamento e pela crítica. No fundo, o nosso objetivo com essas aulas
é despertar em cada estudante o potencial para elaborar sua própria sociologia e antropologia da
educação, lendo, dialogando e interpretando conceitos e autores.
NA PRÁTICA
Retome a explicações sobre as formas de poder de Max Weber e, com base nesse referencial,
analise a fonte da autoridade de alguns de seus professores. O objetivo é que você seja capaz de
caracterizar o poder exercido por eles e a forma como isso se fundamenta: na racionalidade/técnica,
na tradição ou no carisma.
FINALIZANDO
Chegamos ao final de mais uma aula, mas não ao final de nossos estudos, que seguem na
academia e na vida. O contato com Weber e Marx, dois clássicos da sociologia, nos permitiu
compreender um pouco melhor a dinâmica que envolve as relações entre escola, seus atores e a
sociedade. Weber nos mostrou que existem diferentes tipos de ações sociais e a compreensão das
23/04/2022 02:39 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/12
mesmas passa pelo entendimento das motivações dos agentes. Com Marx, somos provocados a
repensar a sociedade de acordo com suas contrações. Com base em suas categorias de infraestrutura
e superestrutura, a escola é concebida como uma instituição funcional ao capitalismo, ou em seu
potencial pedagógico e transformador.
REFERÊNCIAS
MARX, K., EMGELS, F. Sur la religion (SR).  Paris, Éditions Sociales, 1960
NAUROSKI, E. Teorias sociológicas e problemas sociais contemporâneos. Curitiba:
InterSaberes, 2018.
SELL, C. Sociologia clássica: Durkheim, Weber e Marx, Petrópolis: Vozes, 2011.

Mais conteúdos dessa disciplina