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CONCEITO DE DIREITO DAS COISAS 
 Direito das coisas é o ramo do Direito Civil que tem como conteúdo relações jurídicas estabelecidas entre 
pessoas e coisas, ou seja, tudo aquilo que não é humano e é suscetível de apropriação pelo homem, podendo ser 
determinada ou mesmo determináveis. 
 
CONCEITO DE DIREITOS REAIS 
 Direitos reais são entendidos como uma espécie do gênero “Direito das Coisas”, são relações jurídicas 
estabelecidas entre pessoas e coisas determinadas ou determináveis, tendo como fundamento principal o conceito 
de propriedade. 
 
 CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS REAIS SOBRE A PROPRIA COISA 
 -Oponibilidade erga omnes (dever geral à coletividade de abstenção, ou seja, o direito/obrigação 
deve ser exigido ou cumprido contra qualquer pessoa, não se limitando, unicamente, às partes envolvidas) 
 -Direito de sequela (afirma que o titular do direito real pode exercer o seu direito contra qualquer 
pessoa, reivindicando a coisa de quem quer que a detenha) 
 -Publicidade (é necessário que haja meios para que toda a sociedade tenha condições de conhecer 
da existência dos direitos reais, ou seja, é indispensável para a aquisição de titularidade de um direito real)(se dá 
pela tradição nos bens móveis e pelo registro do título no Cartório de Registro de Imóveis nos bens imóveis) 
 -Exclusividade (não é possível a incidência de dois ou mais direitos reais de igual conteúdo, ao 
mesmo tempo, sobre o mesmo bem)(é possível haver vários titulares, mas apenas um direito)(pode recair sobre o 
mesmo bem dois ou mais direitos reais, mas devem apresentar conteúdo diferente) 
 -Preferência (é predominante em relação aos direitos reais de garantia, conferindo ao titular do 
direito real de garantia o privilégio de ter o seu crédito satisfeito prioritariamente) 
 -Taxatividade (não há direito real sem lei que disponha sobre ele) 
 
 CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS REAIS SOBRE A COISA ALHEIA 
 -De gozo / fruição: permite o uso do bem, assim como o recebimento dos frutos que o mesmo 
produz. Uma vez que o proprietário deixa de fazer o uso ou fruir de sua propriedade em favor de outro, teremos a 
superfície, servidão, usufruto, uso e a habitação. 
 -De garantia: o direito real é oferecido pelo proprietário a fim de garantir o cumprimento de uma 
obrigação, como na penhora, hipoteca e anticrese. 
 -De aquisição: é o direito de adquirir um bem após o cumprimento de uma condição. 
 
 DIREITOS REAIS X DIREITOS PESSOAIS: PRINCIPAIS DIFERENÇAS 
 -Em relação ao sujeito de direito 
 Nos direitos pessoais existe a dualidade de sujeito, o ativo e o passivo (credor e devedor 
respectivamente), identificados no momento em que se constitui a relação jurídica. Já nos direitos reais, existe um 
só sujeito. 
 -Em relação à ação 
 Quando violados, os direitos pessoais atribuem ao seu titular a ação pessoal que se dirige 
apenas contra o indivíduo que figura na relação jurídica como sujeito passivo. Nos direitos reais, no caso de 
violação, estes conferem ao seu titular ação real contra quem indistintamente detiver da coisa. 
 
 -Quanto ao objeto 
 O objeto do direito pessoal é sempre uma prestação positiva (dar, fazer) ou negativa (não 
fazer) do devedor. No direito real, o objeto podem ser as coisas corpóreas ou incorpóreas, uma vez que tem como 
foco a apropriação de riquezas. 
 Os direitos reais não criam obrigações para terceiros. Todavia, pode-se admitir, que os 
direitos reais geram uma obrigação passiva universal, consistente no dever geral de abstenção da prática de 
qualquer ato que os atinja. 
 -Em relação ao limite 
 O direito pessoal é ilimitado, sensível à autonomia da vontade, permitindo a criação de 
novas figuras contratuais que não tem correspondente na legislação. 
 Já o direito real, não pode ser objeto de livre convenção, sendo este limitado e regulado 
expressamente por norma jurídica. 
 -Quanto ao modo de gozar os direitos 
 O direito pessoal sempre exige um intermediário, ou seja, alguém obrigado à prestação. 
Logo, o exercício do direito torna-se impossível a medida que depende do consentimento da outra parte, limitando 
a sua liberdade. 
 O direito real, por sua vez, supõe o exercício direto entre o titular e a coisa, desde que esta 
possa estar a sua disposição, não requerendo, ainda, qualquer intermediação para que seu titular exerça direito 
sobre a coisa.. Além disso, concede ao titular um gozo permanente, ao contrário do pessoal que extingue no 
momento em que a obrigação é cumprida. 
 -Em relação à posse 
 A posse só é suscetível no direito real, uma vez que esta é a exterioridade do domínio. 
 -Quanto ao direito de preferência 
 É restrito aos direitos reais de garantia, consistindo no privilégio de obter pagamento de 
uma dívida com o valor de bem aplicado exclusivamente à sua satisfação, ou seja, a responsabilidade da 
obrigação concentra-se sobre determinado bem do patrimônio do devedor. 
 
 (tudo isso mas resumido) 
 -Quanto ao sujeito de direito: DP=já sujeito ativo e passivo / DR=segundo a teoria clássica, há 
apenas o ativo 
 -Quanto à ação: DP=ação pessoal contra determinado indivíduo / DR=ação real contra quem 
detiver a coisa, sendo oponível erga omnes 
 -Quanto ao objeto: DP=prestação / DR=coisas corpóreas e incorpóreas 
 -Quanto ao limite: DP=ilimitado / DR=limitado 
 -Quanto ao modo de gozar o direito: DP=exige intermediário / DR=supõe exercício direto entre o 
titular e a coisa 
 -Quanto ao abandono: CARACTERÍSTICO DO DIREITO REAL 
 -Quanto à extinção: DP=extingue-se pela inércia / DR=conserva-se até que haja uma situação 
contrária em proveito de outro titular 
 -Quanto ao direito de sequela: PRERROGATIVA DO DIREITO REAL 
 -Quanto à usucapião: MODO DE AQUISIÇÃO DE DIREITO REAL (não do direito pessoal). 
 -Quanto à posse: SOMENTE O DIREITO REAL É SUSCETÍVEL À POSSE 
 -Quanto ao direito de preferência: RESTRITO AOS DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
 
 
 
POSSE - CONCEITO 
 A posse é o reconhecimento do exercício autônomo de alguma das faculdades inerentes ao domínio 
(situação de fato), ou seja, a exteriorização da propriedade. 
 Em toda posse há uma coisa e uma vontade, traduzindo-se no exercício de poder de fato, protegido pela 
ordem jurídica independentemente do título que o possuidor tenha sobre a coisa. 
 NEM TODO ESTADO DE FATO CORRESPONDE À POSSE (uma vez que, em alguns casos, é mera 
detenção). 
 
POSSE 
 NATUREZA DA POSSE 
 A natureza da posse é controversa, alguns acreditam tratar-se de um fato e outros como um direito (e 
alguns os 2). 
 Savigny afirma que a posse, em sua origem, é um fato, mas, por suas consequências, assemelha-se a um 
direito. 
 No CC, a posse é definida como exercício de fato, ou seja, o mero exercício das faculdades inerentes ao 
domínio configura a posse. Em relação aos efeitos, o CC trata-o como um direito. 
 
 Logo, caracterizada como direito, discute-se a natureza real ou pessoal do direito possessório. 
 O direito brasileiro entende a posse como DIREITO REAL, uma vez que é exercida sem intermediário, 
atribuindo ao titular poder direto e imediato sobre a coisa, que todos devem respeitar. 
 (a crítica a tal opinião predominante é de que falta a sequela à posse para a configuração desta como um 
direito real, uma vez que o possuidor não tem ação contra terceiro senão mediante a prova de que este recebeu a 
coisa sabendo que era proveniente de esbulho)(nos direitos reais propriamente ditos, é autorizado ao titular 
perseguir a coisa independentemente da boa ou má-fé do terceiro, ao contrário da posse, que requer a prova de 
má-fé de terceiro). 
 (além disso, outra crítica é de que a posse não tem previsão legal para o seu registro, não podendo ser 
considerada direito real). 
 
 ELEMENTOS DA POSSE 
 Teoria subjetivista (Savigny): Segundo a teoria, a posse não é mera detenção, baseando-se, 
principalmente, no critério psíquico, exigindo a intenção do possuidor de ser dono do bem. Logo, o detentor 
sempre será aquele que detém/guarda a coisa em seu poder, mas sem a intenção de apropriar-se dela. 
 Teoriaobjetivista (Ihering): Segundo a teoria, existe o elemento objetivo (o corpus) e o elemento 
subjetivo, ligado à vontade do possuidor. Nesse sentido, a posse é exteriorização da propriedade, não 
necessitando, obrigatoriamente, exercício de poder físico sobre o bem. 
 Ainda, a intenção do sujeito, o animus, é um elemento implícito, não exigindo a prova deste. 
 
 O CC brasileiro adota a teoria objetiva, ou seja, a ideia de que a posse se configura como mera “conduta de 
dono/proprietário”, pouco necessitando o exercício de poder físico e a vontade de ser dono dela. 
 
 DETENÇÃO 
 Detenção é aquele que, em razão de dependência relativa à outra pessoa, exerce sobre a coisa, 
não um poder próprio, mas o poder de fato dessa outra pessoa. 
 Em síntese, o detentor se encontra a serviço de outra pessoa, seguindo as suas ordens. 
 O DETENTOR NÃO TEM DIREITO AOS INTERDITOS POSSESSÓRIOS, NÃO PODENDO, AINDA, 
ADQUIRIR A COISA POR MEIO DA USUCAPIÃO. 
 
 QUASE POSSE 
 A posse se restringe às coisas corpóreas e a alguns direitos reais limitados, como o usufruto, as servidões e 
o penhor, sobre os quais se mostra possível exercer um poder dominial. 
 A posse associada a esses direitos, é denominada quase posse. 
 Em síntese, a posse é o exercício apenas de determinado direito real registrado no imóvel (ex: ser detentor 
de um bem alugado). 
 
 AUTONOMIA DA TUTELA DA POSSE 
 A posse deve ser analisada, segundo o STJ, de forma autônoma e independente em relação a propriedade, 
ou seja, como fenômeno de relevante densidade social, apresentando poder de ingerência socioeconômica sobre 
o bem. Assim, deve expressar o aproveitamento dos bens para o alcance de interesses existenciais, econômicos e 
sociais merecedores de tutela. 
 
 AUTONOMIA DA PROTEÇÃO DA POSSE 
 Devido à importância econômica atribuída à propriedade, o mero exercício, ou seja, a simples exteriorização 
do domínio, por si só, deflagra a proteção possessória. 
 A posse não é o exercício da propriedade ou de qualquer outro direito, é um estado de fato que se 
assemelha ao exercício de domínio, fazendo com que o possuidor comporte-se em relação a coisa de modo 
análogo ao proprietário, possibilitando que este proteja a posse, dada a não necessidade de título jurídico sobre a 
coisa (podendo até mesmo voltar-se contra o proprietário). 
 
 FUNÇÃO SOCIAL DA POSSE 
 A função social é a ideia da realização ou do uso de atividades de modo a beneficiar a 
sociedade/coletividade. 
A propriedade apresenta a sua função social expressamente prevista no rol das garantias constitucionais, 
todavia, não confere a esta qualquer precedência hierárquica em relação à posse. 
 Em relação à posse, esta apresenta proteção jurídica no momento em que cumpre a sua função social. 
Logo, a tutela jurisdicional exercida pelo Estado se dá com base na análise de que indivíduo cumpre melhor tal 
requisito, beneficiando a coletividade e respeitando a dignidade humana, além do exercício de direitos 
patrimoniais. 
 Portanto, ficará ao titular a necessidade de demonstrar atender à função imposta ao exercício de sua 
respectiva titularidade. 
 Segundo Silvio Perozzi, a propriedade depende social e juridicamente do Estado, existindo por vontade do 
Estado, ao contrário da posse que depende da própria abstenção de terceiros. 
 
 CLASSIFICAÇÃO DA POSSE 
 (posse exclusiva ou composse / direta ou indireta / justa ou injusta / de boa ou má-fé) 
 -Composse/condomínio: A composse é um estado de fato, caracterizando-se pela posse exercida, 
simultaneamente, por dois ou mais indivíduos sobre a mesma coisa INDIVISA. As duas pessoas tem faculdades 
iguais sobre a mesma coisa em sua integralidade, ao contrário do condomínio, em que o exercício da posse sobre 
a coisa é limitada quantitativamente pela proporção da fração ideal que lhes é atribuída. Logo, a composse não se 
restringe à comunhão de proprietários. 
 A jurisprudência reconhece a composse do casal em relação ao imóvel que lhes serve de moradia, 
ainda que pertença exclusivamente a um deles. 
 Só pra reforçar, na composse, TODOS os compossuidores exercem a posse sobre a coisa por 
inteiro, não se limitando a uma parte distinta ou delimitada do objeto. 
 Na composse, exige-se a necessidade de que todos os indivíduos exerçam igual direito à utilização 
do bem na sua integralidade, portanto, podem exercer todos os atos possessórios contanto que não exclua a 
posse dos demais, ou seja, sem excluir ou sacrificar o aproveitamento da coisa dos demais. Essa ideia é 
denominada “respeito mútuo da posse”. 
 Logo, sempre que privado ou ameaçado em sua posse, qualquer compossuidor pode invocar a 
tutela possessória em face dos demais compossuidores. 
 
 -Posse direta / indireta: A posse INDIRETA é aquela em que o possuidor transfere o exercício de 
alguma das faculdades inerentes ao domínio para outrem, considerado possuidor DIRETO. Os poderes do 
possuidor direto encontram-se, sempre, delimitados no título autorizador (causa possessionis da posse direta). 
 O título autorizador em si, tem origem convencional (a mais usual, decorrente de acordo entre as 
partes) ou legal (decorrente de uma norma jurídica imposta por lei 
 Em relação a terceiros, uma vez que a posse se apresenta como estado de fato, essa deverá ser 
respeitada independentemente do título que lhe tenha dado origem. Portanto, na defesa da posse, pouco importa 
se o possuidor é direto ou indireto, basta que se possa reconhecer, fáticamente, a qualidade de possuidor (ou 
seja, a proteção possessória se estende a ambos os possuidores). 
 Essa bipartição (de posse direta e indireta) não se confunde com a composse, uma vez que nessa 
existe a divisão horizontal dos compossuidores, ou seja, todos exercem poderes iguais sobre a coisa. Na posse 
indireta/direta, existe a divisão vertical dos possuidores, aproveitando a coisa de maneira distinta, ainda que 
receba igual proteção por parte do ordenamento jurídico. 
 Ainda, não se confunde possuidor direto com o detentor, uma vez que a própria palavra “detenção” 
já exclui a ideia de posse devido ao fato de que o detentor não exerce os poderes inerentes ao domínio, agindo, 
unicamente, em nome do possuidor e subordinado às orientações desse. 
 
 -Posse justa / injusta: A posse justa é aquela desprovida de vício no momento de sua aquisição. 
Obviamente, posse injusta será aquela cuja aquisição contenha, em sua origem, um dos três vícios possessórios 
mencionados pelo dispositivo: violência, clandestinidade ou precariedade. 
 Os vícios só podem ser alegados pelo possuidor agredido em face do agressor, produzindo efeitos 
erga omnes. 
 O esbulhador poderá defender judicialmente a sua posse em face de terceiro que viesse ameaçar 
esta. 
 O vício de posse violenta é aquele em que a coisa é tomada pela força contra a vontade de quem 
a possuia anteriormente. Deve estar presente no momento da origem da posse, dado que, caso praticada 
posteriormente, com o objetivo de proteger a posse JUSTA, não constituirá como vício possessório (todavia, pode 
configurar como ato ilícito, abusivo ou até mesmo exercício regular de direito). Essa defesa da posse por força 
própria (desforço pessoal) deverá ser realizada de forma IMEDIATA, razoável e proporcional à ameaça sofrida. 
 A coação moral também funciona como uma caracterização de violência, viciando a posse. Por 
exemplo, um cara (possuidor) é ameaçado de sofrer retaliação por parte do esbulhador, abandonando a coisa 
antes de sofrer a agressão física, rotulando a posse adquirida como violenta, mesmo sem agressão física. 
 Enquanto persistir a violência, não há aquisição de posse, dada a inexistência do exercício 
autônomo da posse em face do possuidor primitivo. Quando cessada a violência, considera-se adquirida a posse 
do esbulhador, mesmo qualificada como injusta. 
 
 O vício de posse clandestina é aquele que se adquire por meio insidioso, sem que o antigo 
possuidor se dê conta do ato aquisitivo. Não basta apenas a mera ignorância do legítimo possuidor para 
caracterizara posse clandestina, o possuidor deve proceder à sorrelfa, ou seja, deve ter o intuito de 
enganar/disfarçar/dissimular a sua presença e ocultar o ingresso à posse. 
 Como os atos praticados pelo esbulhador são clandestinos, não há exteriorização do domínio, logo, 
a posse não é adquirida. No momento que torna-se perceptível o exercício de alguma das faculdades dominicais, 
configura-se a posse nova, que, com o passar do tempo, adquire progressivamente proteção jurídica. 
 O vício de posse precária é aquela que se caracteriza pelo abuso de confiança daquele que 
recebe a coisa, como detentor ou possuidor direto, a fim de restituí-la posteriormente, mas não o faz no momento 
oportuno, retendo para si de maneira indevida. 
 Ou seja, se baseia no abuso de confiança e no descumprimento da obrigação de restituir. 
 A transmudação da detenção/posse direta (justa) em posse precária se dará de maneira probatória, 
logo, aquele que exerceu a posse da coisa em nome alheio terá o ônus de provar que passou a exercer o poder 
de fato sobre o bem por si próprio. Ao mesmo tempo, o locatário e o comodatário, que eram possuidores diretos 
do bem, terão o ônus de provar que o caráter da posse foi alterado. 
 Ao contrário da posse violenta ou clandestina, a posse precária se dá em um momento posterior, 
não na origem da posse. 
 
 -Posse de boa-fé/má-fé: Posse de boa-fé é aquela que o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo 
que impede a aquisição da coisa, ou seja, o indivíduo ocupa um bem sem saber de tais circunstâncias. Trata-se de 
uma noção de boa-fé subjetiva, uma vez que se encontra relacionada ao estado psicológico do agente que 
desconhece das irregularidades. 
 A posse de má-fé é aquela em que o indivíduo tem ciência de não obter do título que serve de 
causa possessória mas mesmo assim busca obter a posse. 
 O possuidor de má-fé é submetido a um tratamento mais severo do que o reservado ao de boa-fé 
em relação ao ordenamento jurídico. 
 Ao contrário do possuidor de má-fé, o de boa-fé tem direito à aquisição por usucapião, percepção 
dos frutos naturais percebidos e indenização pelas benfeitorias (necessárias e úteis) realizadas na coisa possuída. 
 O possuidor de má-fé, em relação às benfeitorias, só tem direito à compensação pelas benfeitorias 
necessárias. 
 Não é reconhecida boa-fé daquele que desconhece o vício possessório por erro inescusável ou 
ignorância grosseira. 
 
 Ainda no tocante da boa-fé subjetiva, o Art. 3 da LINDB determina que ninguém pode se escusar de 
cumprir a lei alegando seu desconhecimento. Portanto, teoricamente, o erro de direito nunca pode servir de 
fundamento de boa-fé porque ninguém se presume ignorar a lei. 
 Todavia, alguns autores, incluindo o STF, desde a vigência da codificação de 1916, sustentam que o 
erro de direito não afasta a boa-fé. Dessa forma, a boa-fé pode subsistir mesmo quando haja erro de direito, 
incumbindo ao possuidor demonstrar desconhecer a disposição legal que tornou viciada a posse. 
 
 Considera-se justo título o ato jurídico hábil a transferir o domínio ou a posse, mas que, em 
concreto, não produz esse efeito em razão de algum vício em sua constituição. 
 Logo, o ato jurídico não se reveste dos elementos ou requisitos necessários a produção do efeito 
translativo. É potencialmente eficaz, presumindo, assim, boa-fé do possuidor do justo título, necessitando, 
entretanto, de instrução probatória como papel decisivo para a determinação de conhecimento em relação à 
irregularidade por parte do possuidor. 
 Prevalece entendimento, sobretudo do STJ, de que o justo título é hábil a ensejar a declaração da 
usucapião ordinária. 
 
CARÁTER DA POSSE E A SUA MANUTENÇÃO 
 Caráter da posse é a modalidade pela qual se apresenta (legítima/ilegítima, viciosa/isenta de vícios, 
direta/indireta, etc…). Também diz respeito ao título pelo qual é adquirida, como a servidão, usufruto, 
arrendamento, penhor. 
 Em regra, a posse mantém o mesmo caráter com o que foi adquirida, logo, a posse adquirida de maneira 
violenta, clandestina ou precária manterá essas mesmas características (o mesmo ocorre pela de boa/má-fé, 
indireta/direta, etc…). 
 
 Todavia, o Art. 1203 do CC admite a prova em contrário, permitindo a inversão do título da causa 
possessionis (inversão do título da posse). 
 (Um exemplo foi tratado anteriormente, que é no caso do comportamento de um usufrutuário que, 
exercendo posse direta, deixa de restituir o bem, alterando o caráter de sua posse, tornando-a injusta)(mais tarde, 
caso não exista oposição do proprietário, o usufrutuário poderá adquirir a propriedade por usucapião). 
 
 Não é possível mudar, por própria e exclusiva vontade, a causa ou o título de sua posse, evitando, assim, 
que o detentor transforme a sua detenção em posse e a posse precária em legítima. Logo, não basta a vontade do 
possuidor de alterar o caráter da posse, sendo necessário verificar a inversão de seu título com base em 
circunstâncias concretas que possam ser comprovadas, afastando a presunção legal da manutenção do caráter 
originário da posse. 
 
 A posse pode passar de boa-fé para má-fé caso o possuidor passe a tomar conhecimento do vício 
possessório. A partir desse momento, presume-se que ele não mais os ignora, alterando o caráter da posse. 
 A propositura de uma ação judicial para disputar a coisa autoriza, também, a presunção de que o possuidor 
passa a tomar conhecimento do vício, transformando-o em um possuidor de má-fé. 
 Aí é claro né, a doutrina acaba se dividindo em três posicionamento diferentes em relação a identificação do 
momento exato em que ocorre a alteração do caráter nesse contexto. 
 1-A propositura da ação transmudar o caráter da posse 2-O caráter da posse só transmudar a partir da 
citação, quando o possuidor passa a ter ciência dos argumentos contrários à sua posse, não podendo ignorar os 
vícios que maculam a sua posse 3-A contestação infere na transmudação do caráter da posse. 
 (o entendimento 2 é o que prevalece na jurisprudência) 
 Os efeitos específicos da posse são produzidos, assim, desde a formação da relação processual, logo, em 
razão de seu efeito declaratório, retroage. 
 Assim, será feita a restituição dos frutos percebidos, a responsabilidade pelas deteriorações que a coisa 
sofrer (ainda que não tenha as causado desde a citação), bem como a perda das benfeitorias úteis e voluptuárias. 
 
 
 
 
 
5 OUTRAS CLASSIFICAÇÕES DA POSSE 
 Posse ad interdicta é aquela apta aos benefícios da proteção possessória, o titular dispõe das ações de 
reintegração e manutenção, além dos interditos proibitórios, caso a posse seja objeto de esbulho, turbação ou 
ameaça. 
 Posse ad usurcapionem é aquela que se qualifica para a aquisição da propriedade pela prescrição 
aquisitiva (usurcapião). 
 (só pra lembrar, caso apareça em algum lugar algo referente a esse tema: jus POSSIENDI é o direito à 
posse (legitimidade de o possuidor ter a coisa e desfrutar dos poderes inerentes a essa), jus POSSESSIONIS é o 
direito DE posse (a gama de proteção jurídica) 
 
 Posse nova é aquela com menos de 1 ano e 1 dia, posse velha é aquela com mais de 1 ano e 1 dia. 
 
 Em relação à função social da propriedade, a posse pode ser improdutiva ou posse pro labore (ambas 
podem constituir a posse ad usucapionem, embora apresentem regras distintas e específicas). 
 
 Uma classificação que aparece pouco na doutrina e na literatura (mas aparecem) é a posse imemorial, em 
síntese, aquela que não resta lembrança. 
 
 Posse pacífica é aquela que não foi obtida mediante violência física ou psicológica. 
 
 Por fim, a posse pode ser originária ou derivada, a originária nasce com o titular, não padecendo qualquer 
vício anterior (posse por usucapião provém da posse originária). A derivada é aquela que provém de outrem e 
continua com as mesmas características da anterior, incluindo os vícios. 
 
 
 
(alguns resumos resumidos, tava no slide ent eu vou colocar aq umas coisas pra ter mais informação e 
pa)(essa é uma parte do slide do alaerte q serviumais como uma “revisão”, pq repetiu muita coisa) 
 A posse, em resumo, é uma situação fática que a ordem jurídica protege como direito subjetivo autônomo 
em relação à propriedade, reconhecendo a produção de determinados efeitos jurídicos 
 Um dos principais efeitos da posse é a proteção interdital, abrangendo as ações possessórias e o desforço 
possessório, podendo se valer qualquer possuidor INDEPENDENTEMENTE do caráter da sua posse, ou seja, 
basta que exista posse para que seja admitida sua defesa em caso de turbação, esbulho ou ameaça. 
 Além disso, outros efeitos da posse (juridicamente qualificada) são: condução à usucapião, percepção de 
frutos, responsabilidade pelas deteriorações e a indenização por benfeitorias. 
 
 A proteção conferida ao possuidor dá-se de dois modos: pela legítima defesa e pelo desforço imediato 
(autotutela, autodefesa ou defesa direta), onde o possuidor mantém ou restebelece a situação de fato pelos seus 
próprios recursos / ou pelas ações possessórias (heterotutela), essas ações são denominadas interditos 
possessórios. 
 
 A legítima defesa é diferente do desforço imediato, uma vez que, no desforço imediato, já ocorreu a perda 
da posse (esbulho) possibilitando a reação do possuidor, retomando a coisa. 
 A legítima defesa só tem lugar enquanto a turbação perdurar, estando o possuidor na posse da coisa. 
EFEITOS MATERIAIS DA POSSE 
 Os frutos são bens acessórios, saindo do bem principal. Os frutos podem ser naturais (decorrentes da 
essência da coisa principal), industriais (originam da atividade humana) ou civis (se originam de uma relação 
jurídica ou econômica de natureza privada [rendimentos])(ex: aluguel de um imóvel). 
 No caso do estado em que se encontrarem, os frutos podem ser pendentes (ligados à coisa principal e que 
não foram colhidos), percebidos (já colhidos do principal e separados), estantes (foram colhidos e se encontram 
armazenados), percipiendos (são os que deveriam ter sido colhidos, mas não foram) ou consumidos (foram 
colhidos e não existem mais). 
 Embora separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. 
 
 O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos (os frutos pendentes, ao tempo 
em que cessar a boa-fé, devem ser restituídos depois de deduzidas as despesas da produção e custeio)(os frutos 
colhidos também devem ser restituídos com antecipação). 
 Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos logo que são separados. Os frutos civis 
reputam-se percebidos dia por dia (exceto os juros, sendo percebidos nos exatos vencimentos dos rendimentos). 
 
 O possuidor de má-fé responde por TODOS os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por sua 
culpa, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu má-fé. Ele só terá direito às despesas de 
produção e custeio. 
 Se os frutos deixaram de ser colhidos e, em razão disso, vieram a apodrecer, o possuidor também será 
responsabilizado. 
 Por fim, aplica-se o princípio da reparação integral dos danos (incluindo os danos emergentes e lucros 
cessantes, assim como alguns danos extrapatrimoniais, como os danos morais, se presentes). 
 
 Os produtos são utilidades que se retiram de uma coisa principal, diminuindo a sua substância. Nesse 
sentido, conflitos em relação a estes devem ser resolvidos com base no princípio do enriquecimento sem causa 
(enriquecimento à custa de outrem). Logo, será obrigado a restituir o indevido feita a atualização dos valores 
monetários. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la (a 
restituição será feita pelo valor do bem caso a coisa não mais subsistir). 
 
 As benfeitorias são bens acessórios introduzidos em um bem móvel ou imóvel, visando a sua conservação 
ou melhora da sua utilidade (é diferente dos frutos e produtos, visto que esses decorrem do bem principal, 
enquanto a benfeitoria é introduzida a ele). 
 As benfeitorias podem ser: necessárias (são essenciais ao bem principal, evitando que esse se deteriore, 
conservando-o), úteis (aumentam ou facilitam o uso da coisa, tornando-a mais útil) ou voluptuárias (são por mero 
deleite, mero luxo, não facilitando o seu uso, apenas tornando-o mais agradável). 
 Essa classificação das benfeitorias variam de acordo com a destinação ou localização do bem principal. 
 As benfeitorias são diferentes de pertenças, dado que esses não seguem o bem principal. Ainda, as 
pertenças são introduzidas por aquele que tem o domínio, ao contrário das benfeitorias que são estabelecidas por 
quem não é o proprietário. 
 
 
 Em relação a essa temática, o possuidor de má-fé responde pela perda ou deterioração da coisa, ainda que 
acidentais (salvo se provar que de igual modo se teriam dado)(RESPONSABILIDADE DO POSSUIDOR DE 
MÁ-FÉ É OBJETIVA)(mesmo por caso fortuito ou força maior ele será responsabilizado). 
 
 Por fim, um dos principais efeitos materiais relativos à posse é a usucapião (se tu esqueceu, é a prescrição 
aquisitiva do domínio), reconhecendo o direito ao domínio em favor de pessoa que, DE FORMA PACÍFICA E 
ININTERRUPTA, tenha como sua área de até 250m2, por cinco anos, sem oposição, utilizando-a para moradia 
própria ou de sua família desde que não seja proprietária de outro imóvel urbano ou rural. 
 
 
 
 
AÇÕES POSSESSÓRIAS 
 IUS POSSESSIONIS E IUS POSSIENDI 
 Eu falei já disso lá atrás, mas vo colocar dnv. O ius possessionis é o próprio exercício da posse, ou 
seja, o fato da posse. O ius possiendi é o direito à posse (derivado da titularidade de algum direito real ou 
obrigacional). 
 O proprietário que exerce algum dos poderes inerentes ao domínio sobre a sua coisa ostenta tanto 
o possessionis como o possiendi (tem a posse e tem o direito à posse). Já o mano que tomou a coisa contra a 
vontade do dono só terá em seu favor o ius possessionis, já que ele se encontra em poder da coisa, uma vez que 
não terá o ius possiendi, visto que essa relação de fato não se justifica em algum título jurídico. 
 
 JUÍZO POSSESSÓRIO E PETITÓRIO 
 O possuidor tem a faculdade de intentar ação possessória como decorrência do ius possessionis. 
No juízo possessório, protege-se a figura do possuidor, ainda que este não tenha direito à posse da coisa 
disputada (ius possiendi). Se o possuidor invoca o título que fundamenta a sua posse, a controvérsia do ius 
possessionis se desloca para o ius possiendi. 
 A proteção de quem invoca o ius possiendi há de ser conferida no juizo petitório, discutindo, então, 
o título do qual deriva a posse. Portanto, quem pretende reaver determinada coisa alegando ser seu dono deverá 
ingressar com a respectiva ação petitória, a saber, a reivindicatória. 
 Mesmo que se demonstre ser dono da coisa, o réu sairá “derrotato”, devido ao fato de molestar 
coisa alheia. 
 
 AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE 
 Visa devolver a posse que foi esbulhada do possuidor (esbulho é a injusta e total privação da posse, 
sofrida por alguém que a vinha exercendo, se tu esqueceu). Portanto, tem a finalidade de recuperar a posse da 
coisa pelo esbulhado e, se ela não mais existir, o seu valor. 
 
 AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE 
 Em síntese, visa proteger o possuidor de um bem imóvel para que ele se mantenha na posse. É 
destinada nos casos de turbação, ou seja, quando ainda não existe exclusão do possuidor, mas este anda 
sofrendo com ameaças ou perturbações a sua posse. 
 Essa “turbação” se configura como a violência praticada contra a vontade do possuidor, perturbando 
o exercício das faculdades do domínio sobre a coisa possuída, todavia, NÃO ACARRETA NA PERDA DA POSSE. 
 Esses atos praticados contra o possuidor não correspondem, apenas, à moléstia ao normal 
exercício da posse, mas também a diminuição do uso, gozo, eficácia ou disposição do bem, da tranquilidade, e, 
em geral, todos aqueles capazes de interferir negativamente na consecução dos fins sociais e econômicos do bem 
manutenido. 
 O resultado almejado da manutenção de posse é a cessação da moléstia, inclusivea demolição das 
obras realizadas pelo turbador. 
 
 INTERDITO PROIBITÓRIO 
 Na ação proibitória, não existe esbulho ou turbação, mas sim uma ameaça grave e atual de que a 
posse seja efetivamente violada, cabendo então, o interdito proibitório. 
 A concessão da tutela proibitória requer do autor a comprovação da sua posse, bem como a 
existência de ameaça iminente e grave (NÃO BASTA O MERO RECEIO DE VIOLÊNCIA FUTURA) 
 Essa violência não é, ainda, real, é uma ameaça iminente. 
 
 EXTENSÃO DA TUTELA NAS AÇÕES POSSESSÓRIAS 
 De acordo com o art. 555 do CPC, ao pleito principal, consistente na concessão do mandato de 
reintegração ou de manutenção, o autor poderá cumular o pedido de condenação do réu ao pagamento de 
indenização por perdas e danos decorrentes do esbulho ou da turbação, compreendendo o valor dos frutos 
gerados pela coisa que deixou de perceber enquanto privado da posse ou molestado no pleno gozo da coisa. 
 O autor pode, ainda, requerer ao juízo a imposição de medida necessária e adequada, como, por 
exemplo, a cominação de multa a fim de assegurar o efetivo cumprimento do mandado possessório, bem como 
evitar nova turbação ou esbulho. 
 
 POSSE NOVA E VELHA 
 O tempo da posse tem efeito no âmbito processual em caso de turbação ou esbulho (se tu 
esqueceu, dnv, posse nova é aquela de até 1 ano e 1 dia, a velha é aquela com mais de 1 ano e 1 dia). 
 Logo, existem as ações de força nova e força velha. A ação possessória ajuizada dentro de ano e 
dia da moléstia à posse é chamada de ação possessória de força nova, seguindo um procedimento especial 
disposto no Art 555 do CPC. A ação intentada após o termo de ano e dia é denominada ação de força velha, 
seguindo o procedimento comum. 
 A peculiaridade do procedimento especial consiste na concessão de mandado liminar em favor do 
AUTOR. Se a inicial se encontrar devidamente instruída, o mandado é expedido sem que o réu seja ouvido. Caso 
contrário, o juiz manda intimar o autor para que justifique o alegado esbulho ou turbação e o réu para que 
compareça à audiência a ser designada. 
 Caso a justificação do autor seja considerada suficiente, o mandado liminar é deferido. 
 (depois pode-se contestar a ação, aplicando, daí em diante, as regras do procedimento comum. 
 
 
 
 
 
 
 
TUTELA PROVISÓRIA DE EVIDÊNCIA DA POSSE 
 Ainda, no CPC, cabe o deferimento da tutela provisória. Nos casos em que ainda não demonstrado 
o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, se o juiz considerar evidente a procedência da ação 
possessória, cabe a tutela provisória se a defesa for abusiva ou manifestamente protelatória. 
 
 FUNGIBILIDADE DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS 
 As ações possessórias são fungíveis, ou seja, admite-se que o juiz aceite uma ação pela outra, 
outorgando o mandado possessório correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. 
 Além disso, essa característica se dá pela alta modificabilidade do estado de fato no curso do 
processo, podendo transformar situações de ameaça iminente em violência real, por exemplo. Assim, cabe ao juiz 
deferir o mandado de reintegração ainda que o autor tenha pleiteado, na inicial, a concessão do interdito 
proibitório. 
 As ações possessórias também tem natureza dúplice, portanto, o autor pode se tornar réu e o réu 
autor. 
 
 LITÍGIOS COLETIVOS PELA POSSE DE IMÓVEL 
 A lei processual estabelece regras específicas para a condução dos litígios coletivos pela posse de 
imóvel. Em síntese, tais litígios referem-se a situações que apresentam grande número de pessoas no polo 
passivo. 
 Dessa forma, a audiência de mediação é um importante instrumento para a composição de 
interesses nos litígios coletivos pela posse de imóveis. 
 Se for uma ação possessória de força velha, o juiz, antes de apreciar o pedido de concessão da 
medida liminar, deverá designar audiência de mediação (prazo de 30 dias). Ou seja, é incapaz a concessão da 
tutela antecipada de urgência ou evidência antes da audiência de mediação. 
 
 
DESFORÇO PESSOAL 
 É a possibilidade conferida ao possuidor turbado, ou esbulhado, para manter-se ou restituir-se por sua 
própria força (também chamada de legítima defesa possessória). 
 Constitui-se como modalidade de defesa direta admitida pela legislação civil, desde que a reação seja 
IMEDIATA e que sejam utilizados dos meios proporcionais à ofensa. Dessa forma, o possuidor, com sua própria 
força, poderá repelir turbação ou esbulho, não precisando recorrer ao Judiciário para defender a sua posse. 
 
 O primeiro requisito para a licitude do desforço é que os atos sejam realizados em seguida à agressão, 
constituindo ato contínuo. Algumas partes da doutrina acreditam que o desforço pessoal não se deve 
necessariamente ser imediato à agressão, podendo ocorrer apenas no momento em que o possuidor toma 
conhecimento da lesão feita à sua posse. 
 Contudo, a despeito da realidade fática, o legislador pode desconsiderar a perda da posse quando o 
possuidor distante a retoma assim que toma conhecimento do esbulho, tendo-a, nesse caso, por não perdida, não 
havendo necessidade de projetar um expediente excepcional da autotutela. 
 Se consolidada a turbação ou esbulho, caberá, unicamente, ao possuidor, recorrer aos interditos 
possessórios. 
 
 O segundo requisito é a defesa da posse somente com a utilização dos meios indispensáveis. Dessa 
forma, o excesso da defesa acarretará responsabilidade civil e punição na esfera criminal. Contudo, não se 
vislumbra legítima a autodefesa de bens patrimoniais com sacrifício da integridade psicofísica do agressor, a 
menos que se trate de legítima defesa intentada para a proteção da vida do proprietário ou de seus familiares. 
 Portanto, cabe, ao magistrado, a utilização do juízo de proporcionalidade. 
 
 Ainda, o desforço pessoal admite-se não somente ao possuidor, mas também ao servidor da posse, em 
razão do dever de guarda da coisa decorrente da relação jurídica estabelecida com o legítimo possuidor (ex: o 
caseiro de uma residência que conserva a coisa sobre ordens e instruções do titular, zelando por sua 
propriedade)(detentor também pode). 
 
 Também cabe desforço com apoio de terceiros, desde que, igualmente, esses não ultrapassem o 
imprescindível para a recuperação da posse. 
 Havendo excesso por parte dos funcionários, haverá responsabilidade civil também do empregador ou 
comitente (responsabilidade objetiva, ou seja, independentemente da existência de culpa). 
 
 Uma vez que não se trata de ato ilícito, a ordem jurídica não imputa ao possuidor o dever de ressarcir os 
danos causados que advierem da defesa da posse (contudo, caso a reação não seja imediata e proporcional à 
agressão, será descaracterizada a legítima defesa da posse, caracterizando ilicitude, e, consequentemente, 
perdas e danos). 
 
 
PERCEPÇÃO DOS FRUTOS 
 O direito aos frutos constitui-se como efeito da posse de boa-fé. Como eu ja meti lá atrás, frutos são 
utilidades que a coisa periodicamente produz SEM desfalque em sua substância. 
 São bens acessórios, pressupondo a existência do bem principal. Dividem-se em naturais, industriais e civis 
(como também já meti lá atrás)(só lembra q os naturais ocorrem sem intervenção humana). 
 Em relação ao vínculo com o bem principal, podem ser pendentes, percebidos, colhidos ou percipiendos. 
 
 A lei não confere, ao possuidor de má-fé, direito algum aos frutos gerados pela coisa, em razão da 
ilegitimidade de sua posse e da sua caracterização como agente de ato ilícito. Portanto, os frutos apropriados por 
esse indivíduo devem ser restituídos ao proprietário ou legítimo possuidor. 
 Entretanto, a lei define que ele pode ser compensado pelas despesas de produção e custeio com a coisa, 
evitando o enriquecimento sem causa do legítimo possuidor. 
 Em relação aos produtos (bens/qualidades que se retiram da coisa, diminuindo-lhe a qualidade), a lei impõe 
ao possuidor de má-fé o dever de restituição. 
 
 Em relação aos frutos colhidos por antecipação, ou seja, aqueles percebidos antes de atingirem a 
maturidade, mesmoque haja boa-fé, supõe a ideia de que se o possuidor não tivesse se antecipado, os frutos 
ainda estariam unidos à coisa, devendo ser restituídos ao proprietário ou legítimo possuidor, mesmo que de 
boa-fé. 
 
 
INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS 
 Como eu também já meti lá atrás, as benfeitorias são tudo aquilo acrescentado ao bem móvel ou imóvel 
para melhorá-lo, dar-lhe nova utilidade ou aprazimento. 
 Elas podem ser necessárias, úteis ou voluptuárias. 
 
 O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às 
voluptuárias. O fato de receber indenização pelas úteis e necessárias dá pela finalidade imprescindível de 
preservar o bem. Além disso, poderá exercer o direito de retenção pelo valor dessas benfeitorias, podendo reter a 
coisa em seu poder até o pagamento do reembolso devido, ou seja, a satisfação do seu crédito. 
 O possuidor não indenizado poderá reter essas benfeitorias, persistindo até o momento em que receba o 
que lhe é devido (em virtude do enriquecimento sem causa). 
 
 Especificamente, em relação às voluptuárias, por se tratar de melhorias supérfluas, a lei reconhece que o 
proprietário pode optar ou não por as realizar, portanto, não exige dele que indenize o possuidor. Caso não seja 
oferecida indenização, o possuidor de boa-fé poderá retirar as benfeitorias voluptuárias (esse direito só poderá ser 
exercido se não causar dano à coisa). 
 
 É um direito inerente ao indivíduo a instalação de benfeitorias necessárias e úteis, logo, a renúncia 
antecipada, por cláusula contratual, é nula em contrato de locação de imóvel urbano. 
 O mano pode renunciar, por disposição contratual, do direito de retenção pelo valor dessas benfeitorias. Tal 
conduta não configura vício na vontade. 
 
 Os efeitos jurídicos expostos são os mesmos para as acessões. 
 
 Já em relação ao possuidor de má-fé, o cara não tem direito à merda nenhuma, não pode reter as 
benfeitorias e muito menos tem o direito de levantar as mesmas. 
 O cara só tem direito à INDENIZAÇÃO, somente no âmbito das necessárias (entende-se que a conduta de 
erguer uma benfeitoria necessária se dá por boa-fé, uma vez que visa evitar a deterioração do bem). 
 Não existe, nesse caso, o enriquecimento sem causa. 
 Não cabe indenização, em favor do possuidor de má-fé, às benfeitorias voluptuárias. 
 
 O valor pago pelas benfeitorias, no caso de má-fé, será optado entre o seu valor atual e o seu valor de custo 
(quase sempre o mano vai escolher o de custo menor). Ao possuidor de boa-fé, será indenizado, 
necessariamente, o valor atual. 
 
 
RESPONSABILIDADE POR DETERIORAÇÕES 
 Como a posse não confere somente direitos ao possuidor, mas também deveres, haverá responsabilidade 
do possuidor de boa-fé se deu causa à perda ou deterioração da coisa. 
 Essa responsabilidade só irá ocorrer caso exista negligência, imperícia ou imprudência por parte do 
possuidor de boa-fé. Existe aqui, uma causa de responsabilidade subjetiva por ato ilícito. 
 
 O possuidor de má-fé tomou no cool. Ele responde pela perda ou deterioração da coisa ainda que 
decorrente de caso fortuito, respondendo mesmo na hipótese de acidente. 
 A única hipótese em que o possuidor de má-fé se exime da responsabilidade de indenizar é nos casos 
fortuitos inevitáveis, sendo estes, independentes de sua posse, ou seja, que tomariam lugar mesmo se a coisa 
estivesse em posse do proprietário. 
 Nesse caso, basta o ônus da prova da força maior e a prova de vulnerabilidade da coisa ao fortuito mesmo 
se estivesse em poder do proprietário. 
 (essa é mais uma excludente que evita o enriquecimento sem causa do proprietário). 
 
 Existe, ainda, a possibilidade de compensação dos danos com as benfeitorias, dado que se constitui 
modalidade de extinção das obrigações em que dois créditos recíprocos entre as mesmas partes se encontram, 
desaparecendo de forma integral. 
 Remanescerá o pagamento do saldo líquido de quem detinha o crédito de maior valor. 
 O valor do crédito entra em conta aquele critério da má-fé e boa-fé, ou seja, só entrará no valor, no caso de 
má-fé, as benfeitorias necessárias. 
 
 
MOMENTO DE AQUISIÇÃO DA POSSE 
 A definição do momento em que se adquire a posse se mostra extremamente relevante em razão dos 
efeitos decorrentes desta. 
 Por se tratar de uma situação eminentemente fática, a posse é considerada adquirida desde o momento em 
que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. 
 
 No caso do detentor, a sua aquisição de posse não se dá para si, mas sim para quem emitiu a instrução, 
dado que esse cumpre ordens. 
 
 No caso de representante, admite-se que a posse seja adquirida por representante legal ou convencional, 
podendo este ser o preposto a quem se confiou a tarefa de apoderar-se de determinado objeto. 
 No caso de terceiro sem mandato, também se configura lícita a aquisição, dependendo de ratificação 
(validação, confirmação). É um caso comum na gestão de negócios, em que o gestor age espontaneamente no 
interesse alheio sem que tenha recebido autorização. 
 Em síntese, quem adquire a posse de determinado objeto, no interesse de outrem, mas sem mandato, 
reputa-se possuidor até o momento da ratificação. Uma vez realizada a ratificação, os efeitos da representação ai 
outorgada retroagem, considerando, assim, que a posse do bem foi adquirida pelo próprio interessado. 
 
 Os atos de mera permissão ou tolerância não induzem posse (são atos de tolerância ou permissão aqueles 
provenientes, em regra, de relações de boa vizinhança, cordialidade ou familiaridade). 
 
 Atos violentos ou clandestinos não implicam na aquisição de posse enquanto não cessar a violência ou 
clandestinidade. A violência, além de caracterizar ilicitude, nega o exercício pacífico das faculdades do domínio. A 
clandestinidade, por sua vez, também impede que se visualize o exercício público e inconstante de um dos 
poderes inerentes ao domínio. 
 Quando cessada a violência ou clandestinidade, a posse será manifestada, porém, será considerada injusta 
devido ao fato de ser adquirida por meio vicioso. Contudo, cabe frisar que tal situação não significa a ausência de 
proteção legal, mesmo injusta, a posse deflagra o direito aos interditos possessórios e a contagem do prazo para 
usucapião. 
 
 A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem. 
 
FONTES DE AQUISIÇÃO DA POSSE 
 A aquisição pode resultar de lei, ato lícito de conduta, de negócio jurídico e de ato ilícito. 
 Por ser a posse eminentemente fática, admite-se igualmente a sua aquisição mediante ato lícito de conduta 
que exterioriza o exercício, em nome próprio, de algum dos poderes inerentes ao domínio. 
 A vontade que se manifesta na aquisição da posse não é a vontade negocial, mas a vontade natural que 
pressupõe a consciência da aquisição da posse. 
 
 O constituto possessório é uma disposição contratual evidenciada na aquisição de posse por negócio 
jurídico. Esse dispositivo prevê a aquisição da posse sem a apreensão material da coisa, tornando o indivíduo 
possuidor sem contato material com a coisa adquirida. 
 É frequentemente inserido no contrato de compra e venda de imóveis 
 NÃO SE PRESUME 
 
 A aquisição mediante ato ilícito se denomina esbulho possessório, ou seja, o esbulhador toma a posse da 
coisa para si contra a vontade do antigo possuidor. 
 É uma posse legalmente protegida, tendo direito aos interditos possessórios e à contagem de prazo para 
usucapião. 
 
 
 
TRANSMISSÃO DA POSSE 
 Primeiramente, a respeito da aquisição, ela se diferencia entre a aquisição originária e a derivada. 
 
 A originária é aquela que se produz independentemente de relação entre o adquirente e o titular anterior ao 
direito 
 Portanto, existe um direito novo, todavia, não existe transmissão, pois não existe mudança de titularidade de 
direito, mas sim, uma sequência de direitos, extinguindo o direito anterior. 
 
 A derivada opera por meio da transmissão de direito, justificada em relaçãoexistente entre o adquirente e o 
titular precedente. 
 Aqui, não existe direito novo nem extinto, mas sim, a presença de um mesmo direito que muda de titular, 
deslocando-se de um patrimônio para outro (basicamente, o adquirente sucede o transmitente na titularidade do 
direito). 
 Daqui, existem duas consequências importantes: a aquisição derivada tem como pressuposto de eficácia 
que o direito pertença ao transmitente, e que a incidência do princípio segundo o qual não se pode transmitir a 
outrem mais direito do que se tem. 
 SE A POSSE FOR INJUSTA, ASSIM SERÁ A POSSE DE SEU SUCESSOR (ninguém pode alterar, 
somente por sua vontade, a própria posse). 
 Dessa forma, a alteração do caráter da posse deve resultar objetivamente das circunstâncias fáticas e 
nunca pela mera vontade do possuidor. 
 
 
PERDA DA POSSE 
 A perda da posse tem relação mútua com o conceito de posse, ou seja, a partir do momento que o 
possuidor é privado da autoridade sobre a coisa, ou seja, pela perda de visibilidade do exercício do domínio, existe 
a perda da posse. 
 Para que a posse não seja perdida, é necessário a continuidade/conservação da posse, uma vez que essa 
existir, existe a posse (meio óbvio mas tamo ai) 
 Entende-se que há continuidade na posse enquanto não houver manifestação voluntária em contrário. 
 Ainda, só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele, 
se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido. 
 
 Por outro lado, a aquisição da posse se dá quando o novo possuidor exerce algum dos poderes inerentes à 
propriedade, dando lugar, também, à perda da posse pelo possuidor esbulhado. 
 
 Caso o proprietário, ao retornar o contato material com a coisa, depara-se com o conflito e recupera 
imediatamente a posse, pela desistência espontânea do esbulhador, o ordenamento jurídico considera a posse 
como ininterrupta e desconhece, do ponto de vista jurídico, o vício possessório. 
 
 A perda da posse, no esbulho, só ocorrerá no momento que o possuidor presencia o fato ou toma ciência 
desse, com ou sem reação. 
 Além disso, a vítima poderá requerer proteção possessória, pleiteando, inclusive, reintegração liminar 
quando se tratar de esbulho de menos de ano e dia (posse nova). Caso obtenha êxito na incursão judiciária, a 
perda da posse terá sido provisória. 
 
O possuidor pode despojar-se da coisa, deixando de existir a intenção de mantê-la. Essa conduta configura 
o abandono. Deve-se considerar um ato voluntário que demonstra desinteresse do titular pela coisa, 
equivalendo-se a uma renúncia, não devendo haver vícios de vontade, sendo, em síntese, espontâneo. 
O ABANDONO NÃO É PRESUMIDO, a coisa alheia perdida, por exemplo, implica o dever de restituí-la ao 
seu verdadeiro dono ou legítimo possuidor. 
O abandono é diferente de renúncia, dado que esse é um ato titular do direito de propriedade, implicando o 
despojamento do domínio da coisa. 
Para que a coisa abandonada se transforme em res derelictae (coisa abandonada e sem dono) é preciso 
que o autor do ato seja o proprietário. Quando existe a perda da posse pelo abandono, existe, assim, a perda da 
propriedade, convertendo assim, a coisa em res derelictae. 
 
A tradição é a entrega da coisa, é uma forma de transferência ordinária de propriedade da coisa móvel (a 
propriedade imóvel se transfere por registro do título). 
Na tradição, o alienante transfer a posse a outrem em razão de negócio jurídico, desaparecendo o animus e 
o corpus. 
Na tradição, um sujeito adquire a posse e outro a perde, para haver essa transferência, é necessária a 
intenção do transmitente em transferir a coisa. 
A simples entrega da coisa não implica a perda da posse, pois inexiste a intenção de transferir. 
 
Se houver desaparecimento da coisa móvel, cessará a posse, independentemente da intenção do 
possuidor. 
A destruição da coisa, proposital ou não, também levará a perda de sua posse. 
Quanto às coisas fora do comércio, como não são suscetíveis de apropriação, sedo colocadas por lei nesta 
condição, haverá a perda de sua posse.

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