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Questões resolvidas

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Posse
Natureza, conceito da posse e suas formas de aquisição, transmissão e perda.
Prof. Diego Brainer de Souza André
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender o fundamento da posse no ordenamento jurídico brasileiro, apresentando suas principais regras
e especificidades, desnudando as teorias, as suas classificações, as formas de aquisição, transmissão e perda
da posse, e, por fim, seu principais efeitos materiais adjacentes.
Preparação
Antes de iniciar este conteúdo, tenha em mãos o seuvade mecum, especialmente o Código Civil (Lei 10.406,
de 10 de janeiro de 2002).
Objetivos
Analisar as teorias da posse, seu conceito legal e suas classificações.
Identificar as formas de aquisição, transmissão e perda da posse.
Listar as principais perspectivas de efeitos da posse.
Introdução
A posse representa muito bem o Brasil real, e um grande desafio nacional continua sendo a falta de acesso a
bens essenciais, como a propriedade, garantidora da moradia, direito social previsto expressamente na
Constituição Federal. 
Para evitar os custos associados à lavratura da escritura pública, bem como ao registro da escritura no
cartório de registro de imóveis, garantidores da propriedade, muitas pessoas optam, diuturnamente, por
celebrar apenas o contrato de venda preliminar, assinar recibos ou papéis outros, representativos de “cessão
de posse”, sempre por meio de instrumento particular que não é levado ao Cartório de Registro de Imóveis. No
mesmo ato, a posse do imóvel é transferida para o promitente comprador.
Tal prática cria uma cisão entre o mundo que consta oficialmente dos cartórios, geralmente aproximado das
classes mais abastadas, e o efetivo, em que a posse de bens imóveis é normalmente transferida por meio de
contratos privados, não guarnecidos das formalidades necessárias. 
Assim, as terras são ocupadas por pessoas que, quando muito, apenas têm como título de titularidade um
contrato particular assinado pelo anterior proprietário, que, por sua vez, apoderou-se do bem por meio de
contrato particular celebrado com o anterior proprietário. 
Acrescente-se que parte da população brasileira não tem acesso à assistência jurídica e, por isso,
desconhece os procedimentos que devem ser cumpridos perante os cartórios para a efetivação da venda de
um imóvel. 
Devido a esses fatores, foi criado um mercado imobiliário informal no Brasil, atuando à margem das estruturas
públicas oficiais. Razão outra não há pela importância salutar em conhecer e estudar o regime da posse,
aquele que, como dito, é o do Brasil real, altamente informal.
A posse há de ser protegida, independentemente da propriedade, em nome da necessidade de
implementação da função social e da imperiosidade de se tutelarem interesses existenciais primordiais, como
os relacionados ao acesso à moradia. 
• 
• 
• 
1. Teorias da posse
Noções Introdutórias
Muito do que se debate sobre posse parte das premissas doutrinárias de dois autores: Friedrich Karl Von
Savigny, que publicou o seu Das Recht des Besitzes (Tratado da Posse) em 1803; e Rudolf Von Ihering, que,
em 1853, também expôs sua visão sobre o tópico. Apesar disso, há notável discussão sobre a posse até os
tempos atuais, e o perfeito entendimento da disciplina imprescinde da exposição sumária das lições desses
dois doutrinadores. Sendo assim, vamos a eles.
Friedrich Karl von Savigny (1779-1861)
Entende que a natureza da posse é, a um só
tempo, um fato e um direito: seria uma situação
fática em sua origem, que, em vista de suas
consequências, assemelha-se a um direito.
Rudolf von Ihering (1818-1892)
Entende que a natureza da posse é um
interesse juridicamente tutelado, isto é, um
direito subjetivo ao qual o ordenamento jurídico
protege e reconhece efeitos, como a tutela
possessória, por exemplo.
A perspectiva de Savigny parece contemplada, nesse ponto, no Código Civil, sendo o que se extrai do art.
1.196, ao dispor que “considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum
dos poderes inerentes à propriedade”. 
Logo, a posse, em si mesma considerada, deve ser vista como fato, mas, analisada em seus efeitos,
configura-se em direito, porquanto dela resultam prerrogativas como a usucapião e os interditos possessórios,
que independem de título dominial. 
Para ser possuidor, basta que haja o exercício, pleno ou
não, de algum dos poderes inerentes à propriedade
constantes no art. 1.228 do CC: “O proprietário tem a
faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de
reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua
ou detenha”. São, portanto, atributos da propriedade
(GRUD): Gozar; Reaver; Usar; Dispor.
Desse modo, se a posse nasce como uma situação de fato,
significa que independe de qualquer direito prévio que a
legitime. Com efeito, ocorre em relação:
Ao dono que utiliza o que é seu;
Ao terceiro autorizado a fruir coisas alheias, seja a título de usufruto, comodato, locação etc.;
A quem se incumbiu do dever de zelar por sua conservação (depositário);
E ainda em relação àquele que eventualmente tenha se apropriado injustamente do bem, contra a
vontade do proprietário.
• 
• 
• 
• 
Disso decorre que, em toda situação possessória, dessumem-se dois elementos:
 
A coisa;
A vontade traduzida no exercício do poder de fato, protegido pela ordem jurídica independente do
título que o possuidor tenha sobre a coisa.
É exatamente por esse motivo que se diz que mesmo o ladrão, desprovido de qualquer título, pode valer-se de
ações possessórias para defender a sua posse das agressões de terceiros. 
Se um sujeito, por circunstâncias da vida,
adentra determinado terreno, sabendo que não
lhe pertence, e monta sua casa ali, em
princípio, não tem direito nenhum, porém, a
partir do momento em que passa a exercer atos
inerentes ao domínio, nasce para ele um direito
possessório que será protegido pelo
ordenamento jurídico.
Note-se que a proteção da posse se mostra
viável sem que esteja fundada em um direito.
Claro que na maioria das vezes nasce de um
título, como no caso do locatário que tem a posse advinda do contrato de locação. Mas pode ser que não haja
direito fundante algum e, mesmo assim, tenha a posse tutelada.
O legislador confere à posse tutela autônoma, capaz de se sobrepor, por vezes, até mesmo ao interesse do
proprietário, sendo, nesse sentido, o Enunciado 492 da V Jornada de Direito Civil, segundo o qual “[a] posse
constitui direito autônomo em relação à propriedade e deve expressar o aproveitamento dos bens para o
alcance de interesses existenciais, econômicos e sociais merecedores de tutela”. 
Teorias da posse
O professor Diego Brainer discorrerá sobre as teorias da posse, suas características e distinções. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Teorias da Posse: subjetivistas e objetivistas 
Como explanado, Savigny e Ihering foram os responsáveis por desenvolver as duas mais importantes teorias
sobre a posse, usadas até hoje em diferentes ordenamentos jurídicos. Savigny criou a chamada Teoria
subjetiva da posse. De acordo com sua construção, a posse teria dois elementos, a saber: 
Corpus
Elemento material que se traduz na
possibilidade real e imediata de dispor
fisicamente sobre a coisa possuída.
Animus
Elemento intencional, que corresponde à
vontade do possuidor de ter a coisa como sua.
Isto é, para essa linha, conjugam-se dois elementos para a configuração da posse, quais sejam a apreensão
física da coisa e o chamado animus domini. Perceba-se, aqui, o especial foco no elemento anímico, de acordo
com o qual não se verifica suficiente o animus tenendi (consciência de ter a coisa consigo), mas na especial
intenção que tem o possuidor de ser dono da coisa. 
1. 
2. 
Por essa teoria, o locatário, o comodatário e o depositário não são possuidores, pois falta-lhes a intenção de
dono. 
Saiba mais
Em virtude dos grandes prejuízos de ordem prática que essa concepção causaria, a teoria subjetiva não
foi adotada no Brasil no CC/16 nem no CC/02, sendo relevante apenas para fins de usucapião,no que
tange ao conceito de posse ad usucapionem. 
Nesse sentido, a teoria de Savigny restringe sobremaneira a possibilidade de identificação da posse e da
tutela possessória. Isso porque, em diversas situações em que há apreensão física do bem (corpus),
inobserva-se animus domini (o locatário sabe que não é proprietário e não se comporta como tal, apenas
exercendo o uso do bem, ou seja, especificamente uma das prerrogativas dominiais, por exemplo). Pela teoria
subjetiva, assevera-se que tais sujeitos são apenas detentores.
Ihering, por sua vez, desenvolveu a chamada “teoria objetiva da posse”. De acordo com ele, afigura-se
irrelevante o animus domini, tal como compreendido por Savigny, notadamente ante a dificuldade de distinguir
a vontade de possuir em nome alheio (affectio tenendi) e a vontade de possuir como dono ou para ser dono.
Bastaria, pois, para a teoria objetiva, a exteriorização do domínio. 
Desse modo, embora Ihering exija, em sua teoria, o elemento corpus, seu significado ganha nova vestidura:
não se trata apenas da apreensão física da coisa, com o contato do possuidor com a coisa. O elemento
material deixa de privilegiar excessivamente o poder direto e imediato sobre o bem para ser identificado a
partir de sinais exteriores pelos quais se ateste que o objeto, onde se encontre, cumpra sua destinação
econômica. 
O aspecto objetivo corpus, então, passa a ser lido como “aproveitamento econômico”, levado a
efeito por meio do exercício de um dos poderes inerentes ao domínio.
Na teoria do Ihering, não há o elemento subjetivo, não se devendo, pois, averiguar vontade, desejo, intenção.
Nada disso importa. A teoria do Ihering é objetiva porque, em atenção ao que é exposto para o mundo,
mostra-se suficiente a chamada affectio tenendis, que é o comportamento consciente de aproveitamento da
coisa, ou seja, o sujeito estar ciente de que age implementando um dos poderes inerentes à propriedade, em
nome próprio, extraindo dali um aproveitamento econômico da coisa. 
Por exemplo, se virmos determinada pessoa morando em
uma casa, não há como dizer, prima facie, se é um locatário/
comodatário ou o próprio proprietário. Isso, pois,
ostensivamente, a posse parece uma propriedade,
exteriorizando-se por meio do exercício de um dos poderes
inerentes ao domínio.
É óbvio que essa definição de Ihering aumenta o leque de
possuidores. Veja: ao passo que o locatário, para Savigny,
não é possuidor, o é para Ihering, já que, segundo a sua
“teoria objetiva”, detém o corpus, exercendo os poderes
inerentes ao domínio, em nome próprio, bem como retirando aproveitamento econômico da coisa. 
Exemplo
Se alguém invadir o apartamento em que o locatário está morando, ou se atrapalhar o uso pacífico
daquela coisa, vê-se possível ajuizar uma ação possessória para proteger a sua posse. 
Sob o olhar de Ihering, apenas é detentor aquele que, embora exerça alguns dos poderes inerentes ao
domínio, não pode ser considerado assim, porque a lei o impede. Desse modo, para ele, a diferença entre
possuidor e detentor é uma questão legal, de sorte que se deve olhar para o regramento jurídico atinente.
No Brasil, adota-se, como regra, a teoria de Ihering, a permitir o chamado “desmembramento da posse” e a
facilitação da “tutela possessória” (na doutrina subjetivista, os locatários, comodatários e depositários, por
exemplo, apenas teriam proteção contra esbulho e turbação na posse se recorressem ao efetivo proprietário,
para que, na posição de único possuidor, tomasse as providências necessárias). E isso pode ser facilmente
extraído dos arts. 1.196 e 1.198, que não fazem qualquer referência à intenção na hora de definir o possuidor e
o detentor, respectivamente, conforme transcrito a seguir:
Art. 1.196
Considera-se possuidor todo aquele que tem,
de fato, o exercício, pleno ou não, de algum dos
poderes inerentes à propriedade.
Art. 1.198
Considera-se detentor aquele que, achando-se
em relação de dependência para com outro,
conserva a posse em nome deste e em
cumprimento de ordens ou instruções suas.
Classificações da posse
A posse pode ser classificada de diversas formas: 
Posse exclusiva ou composse;
Posse justa ou injusta (vícios objetivos);
Posse de boa-fé e posse de má-fé (vícios subjetivos);
Quanto ao tempo da posse (nova ou velha);
Posse ad interdicta e posse ad usucapionem;
Quanto ao título (ius possidendi e ius possessionis);
Posse direta e posse indireta (desmembramento possessório).
Vamos agora estudar mais detalhadamente essas formas.
Posse justa e injusta
Quando se fala que a posse é justa, há uma remissão natural ao que seria uma posse legítima, adquirida de
acordo com a ordem jurídica. Contudo, trata-se de uma alusão falsa. Cuidado, portanto, com a classificação
que diz respeito aos vícios objetivos. Segundo o artigo 1.200 do CC, “[é] justa a posse que não for violenta,
clandestina ou precária”. 
Dessa forma, posse justa é aquela sem vícios objetivos. A posse injusta, por sua vez, perfaz aquela que
apresenta, pelo menos, um dos três vícios objetivos: 
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Posse violenta
Obtida com violência física ou moral/psicológica
(roubo da posse).
Posse clandestina
Obtida na “surdina”, na “calada da noite”,
sorrateiramente, sem a possibilidade de defesa
da outra parte (furto da posse).
Posse precária
Obtida em abuso de confiança (estelionato ou
apropriação indébita).
Na posse clandestina e na posse violenta, observa-se que o possuidor injusto não tinha contato prévio com a
coisa. Na posse precária, ademais, o sujeito já exercia atos em relação àquela coisa, findando, porém, por
violar a confiança do legítimo possuidor, ao se insurgir contra as suas determinações. Pense-se naquele que,
havendo de restituir a coisa no lapso aprazado, deixa de fazê-lo no momento oportuno. Nessa perspectiva, a
origem da posse precária se afigura totalmente diversa da posse clandestina e da posse violenta. Frise-se
que:
Posse justa
É necessariamente uma situação que tem na
sua origem uma clandestinidade, violência ou
precariedade.
Posse injusta
É um tipo de posse que tem um vício na sua
origem, sendo algum obstáculo, havido na lei, à
aquisição da posse.
Se alguém falsifica um título do registro de
imóveis e vende a um terceiro, sob a
perspectiva do adquirente, essa é uma posse
justa, porque tem um vício objetivo proveniente
de um obstáculo na lei. Neste caso, ao mesmo
tempo em que não é um legítimo possuidor, não
ocorre clandestinidade, violência ou
precariedade.
Trata-se, ao fim e ao cabo, de uma posse justa,
mas não legítima. Enfatize-se, com efeito, que
posse justa não é sinônimo de posse legítima,
porquanto a posse justa é tomada sempre ao alvedrio da lei.
Para não esquecer: posse justa é posse ilegítima, pois possui vício na origem. 
Nesse passo, vale frisar o art. 1.208, de acordo com o qual: 
“Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância, assim como não autorizam a sua aquisição os
atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade”.
Outro adendo relevante diz respeito ao fato de quem tem posse injusta não tem ação possessória contra o
possuidor justo, apresentando tal prerrogativa apenas contra terceiro. Isso se deve em atenção ao caráter
relativo da posse. A posse é injusta somente em relação àquele que perdeu a apreensão física da coisa de
forma violenta, clandestina ou precária para o atual possuidor. Isto é, em relação a terceiros, trata-se de posse
legítima, da qual vai nascer tutela jurídica. 
Ademais, quem tem posse injusta não pode adquirir o bem por usucapião. No tocante aos vícios subjetivos, a
posse de boa-fé consta no art. 1.201 do CC, apresentado a seguir, in verbis: 
É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da
coisa.Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo prova
contrária, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção.
(Código Civil, art. 1.201)
Perceba que a boa-fé aludida no dispositivo é subjetiva, quediz respeito ao estado psicológico do sujeito.
Ainda à luz do ditame legal, a boa-fé é real quando o possuidor ignora obstáculo para a aquisição da
propriedade (caput) ou a boa-fé é presumida quando o possuidor tem um justo título (parágrafo único).
O justo título nada mais é que uma causa representativa que tenha fundamento no ordenamento jurídico,
referenciado no Enunciado 302 da IV Jornada de Direito Civil do CJF, como “o ato capaz de transmitir a posse 
ad usucapionem, observado o disposto no art. 113, CC”, que trata da boa-fé objetiva (“Os negócios jurídicos
devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”).
No mesmo sentido, do Enunciado 303 da IV Jornada de Direito Civil do CJF, extrai-se que:
Jornada de Direito Civil do CJF
A Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal se reúne desde 2002 para debater o Código
Civil e elaborar enunciados sobre as questões examinadas. O evento conta com a participação de
professores de Direito Civil, juízes federais, juízes estaduais, representantes do Ministério Público, da
Advocacia Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil.
"Considera-se justo título, para a presunção relativa da boa-fé do possuidor, o justo motivo que lhe autoriza a
aquisição derivada da posse, esteja ou não materializado em instrumento público ou particular. Compreensão
na perspectiva da função social da posse".
Por exemplo, um contrato válido e eficaz é justo título
(locação, comodato, depósito e compromisso de compra e
venda de imóvel registrado ou não na matrícula), seja
materializado por instrumento público ou particular.
Ressalta-se que o justo título traz uma presunção relativa
ou iuris tantum da boa-fé, que admite, portanto, prova
contrária. 
Na posse de má-fé, o possuidor não ignora obstáculo para a
aquisição da propriedade e não tem o justo título, como
ocorre com o invasor do imóvel de terceiro, que tem posse
injusta e de má-fé.
Atenção
Em regra, a posse justa equivale à posse de boa-fé e a posse injusta equivale à posse de má-fé, mas não
necessariamente. Excepcionalmente, a posse pode ser injusta e de boa-fé, como na situação em que um
bem é roubado e depois vendido para um terceiro que ignora o roubo. A posse desse terceiro é injusta e
de boa-fé. 
De toda sorte, esta classificação não se confunde com a anterior, pois, naquela, os vícios são objetivos (justa
ou injusta); aqui os vícios são subjetivos (boa e má-fé). Ademais, esta classificação gera efeitos para os frutos,
as benfeitorias e responsabilidades pela coisa (por perda e deterioração da coisa).
Posse direta e indireta
Quanto à relação pessoa-coisa, ao desdobramento ou ao paralelismo, extrai-se a classificação da posse em
direta e indireta a partir do art. 1.197 do CC, segundo o qual:
"A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou
real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra
o indireto".
Posse direta
Se faz presente quando a pessoa tem uma
relação imediata e corpórea com a coisa (poder
físico imediato), como ocorre com o locatário,
com o comodatário e com o depositário.
Posse indireta
É aquela decorrente do exercício de um direito,
como o de propriedade, sendo o caso do
locador, do comodante e do depositante. Note-
se que a posse direta é havida de quem tem a
posse indireta.
Em conformidade com o art. 1.197 do CC e também com o Enunciado 76 da I Jornada de Direito Civil, o
possuidor direto pode defender a sua posse contra o indireto (e vice-versa).
Como exemplo, menciona-se a situação na
qual, vigente contrato de locação, o locatário
viaja para o exterior e, quando retorna,
descobre que o imóvel foi invadido pelo
locador. Ato contínuo, o locatário ingressa com
ação de reintegração de posse contra o
locador, que alega em sua defesa ser
proprietário do imóvel (exceptio proprietatis).
Essa ação deve ser julgada procedente, pois,
nas ações possessórias, não cabe a alegação
de propriedade ou de outro direito real sobre a
coisa (art. 1.210, §2º, CC – “não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou
de outro direito sobre a coisa”).
Posse exclusiva ou composse
No Direito Romano, não se admitia a pluralidade de possuidores in solidum, ou seja, cujas posses incidissem, a
um só tempo, sobre o mesmo objeto por inteiro. Dessa maneira, firmada nova posse, a antiga se extinguia. Tal
dificuldade, todavia, findou superada a partir da compreensão da posse como um dos exercícios inerentes ao
domínio, afinal, se a titularidade pode ser comum, igualmente a posse assim poderá se manifestar. 
Logo, no direito brasileiro, admite-se a composse, também chamada de “posse comum”, que se distingue da
posse exclusiva. Em suma, depreende-se na composse o exercício simultâneo da posse por mais de uma
pessoa, sem que nenhuma delas possa excluir a outra. Diferencia-se a composse do desdobramento da
posse:
Composse
Todos podem utilizar a coisa diretamente.
Exemplo: O casal morando em um apartamento
que é propriedade de apenas um deles.
Desdobramento da posse
Um dos possuidores fica privado da utilização
imediata da coisa. Exemplo: Quando o
proprietário quando aluga seu imóvel, apenas o
locatário utiliza a coisa.
Efeitos da posse
Quanto aos efeitos, a posse se divide em:
Posse ad usucapionem
Possibilita a aquisição da propriedade por
usucapião, desde que preenchidos
determinados requisitos.
Posse ad interdicta
Possibilita o ajuizamento de ações possessórias
(interdito proibitório; manutenção ou
reintegração de posse).
Veja que a posse ad usucapionem não está presente em toda e qualquer posse. Pense-se na hipótese de
desmembramento da posse ante a existência de contrato de comodato por 30 anos. Essa posse direta do
comodatário, por si só, não será capaz de fazer com que ele adquira a propriedade do imóvel, por
perfectibilizar tão somente posse ad interdicta.
Nessa perspectiva, quanto aos bens públicos, por expressa vedação constitucional da aquisição pela
usucapião, não há de se falar em posse ad usucapionem. 
Quanto à presença de título, utilizam-se os termos:
No que tange ao tempo da posse, considera-se nova quando apresenta-se com menos de “ano e dia”; e velha
quando apresenta-se com mais de “ano e dia”. Por fim, importante consignar a inteligência do art. 1.203, do
CC, segundo o qual: 
"Salvo prova contrária, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida".
Nesse sentido, a modalidade pela qual a posse se apresenta, sendo legítima ou ilegítima, isenta ou não de
vícios, direta ou indireta, de boa-fé ou má-fé, a título de propriedade ou autorizada pelo titular do domínio, via
de regra, mantém o mesmo caráter. Logo, a posse adquirida de maneira violenta, clandestina ou precária,
guardará essas mesmas características, ressalvada da ocorrência da chamada “interversão da posse” ou
inversão do título da posse, fenômeno admitido em vista da literalidade do próprio art. 1.203 do CC, que
permite “prova contrária”. 
Dessa forma, embora seja impossível alterar o caráter da posse por exclusiva vontade de uma das
partes, é viável que haja a mudança de seu fundamento.
Suscita-se, por exemplo, da situação na qual o sujeito invadiu o terreno clandestinamente, mas,
posteriormente, resolve comprá-lo do legítimo proprietário, hipótese em que a posse passa a ser, para todos
os fins, legítima, ou seja, sem vícios de ordens objetiva ou subjetiva.
Vem que eu te explico
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Classificações da posse – posse justa e injusta
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
ius possidendi 
Para se referir à posse titulada (fundada em
contrato válido e eficaz, por exemplo). Não
pertence ao estudo da posse, e sim ao da
propriedade.
ius possessionis 
Para aludir à posse sem título,
também chamada posse autônoma
ou posse natural.
Classificações da posse – ad interdicta e ad usucapionem
Conteúdo interativoAcesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Acerca dos direitos afetos à posse no vigente Direito Civil brasileiro, é CORRETO afirmar que:
A
A posse não possui proteção jurídica em face da alegação de propriedade, uma vez que a propriedade, ou
outro direito real sobre a coisa, obsta manutenção ou reintegração na posse.
B
A posse violenta pode ser considerada justa, desde que não seja clandestina ou precária.
C
Denomina-se posse de boa-fé aquela que não for violenta, clandestina ou precária.
D
O justo título do possuidor lhe confere presunção relativa de boa-fé.
E
A posse é justa se o possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.
A alternativa D está correta.
A posse é autônoma em relação à propriedade, sequer sendo possível discutir propriedade em ação
possessória. Então, a posse tem, sim, proteção jurídica em face da propriedade; a posse é injusta quando
violenta, clandestina ou precária (vícios objetivos); nas alternativas C e E, houve a troca do conceito de
posse justa e de boa-fé.
Questão 2
A teoria subjetiva, proposta por Savigny, diz que a posse é “o poder direto ou imediato que tem a pessoa de
dispor fisicamente de um bem com a intenção de tê-lo para si e de defendê-lo contra a intervenção ou
agressão de quem quer que seja”. É correto afirmar que:
A
A posse justa se caracteriza pela ausência de violência, apenas.
B
Segundo esse entendimento, basta ter a coisa (corpus) para se tornar possuidor do bem.
C
A posse direta abarca integralmente o direito de posse.
D
A posse não limita o direito de dispor, até porque, na hipótese de possuidor e locador da coisa, este poderá
receber os alugueres.
E
A posse, no Direito brasileiro, está limitada ao uso e fruição da coisa, retirando-se do possuidor o direito de
sequela.
A alternativa C está correta.
Posse justa é a que não se apresenta, cumulativamente, de forma violenta, clandestina; segundo esse
entendimento, há de se ter corpus e animus domini; a posse pode limitar o direito de dispor; existe
proteção à posse e ela também pode ser disponibilizada.
2. Formas das relações de posse
Aquisição da posse
Definir o momento de aquisição da posse se mostra relevante para vários fins:
 
Contagem de prazo para usucapião
Possibilidade de desforço possessório
Deflagração de mecanismos processuais para a tutela possessória
Para a imposição da disciplina jurídica atinente à percepção dos frutos e benfeitorias
Compulsando a legislação, verifica-se que o atual Código Civil adotou modelo aberto, à diferença do que
ocorria no CC/16. De fato, pelo sistema atual, a posse é obtida quando se adquire qualquer dos atributos da
propriedade. Isto é, nos termos do art. 1.204 do CC: 
"Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer
dos poderes inerentes à propriedade".
Exemplo
Apreensão da coisa; Exercício de direito; Tradição (entrega da coisa); Disposição da coisa. 
Nos termos do art. 1.205 do CC, ademais, prevê-se que a posse pode ser adquirida pela própria pessoa, pelo
representante dessa pessoa ou por terceiro sem mandato:
"A posse pode ser adquirida: I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante; II - por terceiro
sem mandato, dependendo de ratificação".
Note-se que, no caso do terceiro sem contrato de mandato celebrado, chamado de “gestor de negócios”, é
necessária a ratificação pelo dono da coisa. Por cuidar de situação estritamente fática, a configuração da
posse pode ser sutil em determinadas situações em que não há tanta nitidez no exercício autônomo das
faculdades dominiais. O próprio CC traz normas auxiliares para tal fim. 
Ao ressaltar, no bojo do art. 1.204, que a faculdade dominial deve ser exercida em nome próprio,
estremam-se as figuras da posse e da detenção, sendo este o sujeito que cumpre ordens, como um
caseiro.
Na mesma linha, o próprio Código, no art. 1.208, impõe que atos de mera tolerância e permissão, fugazes e
precários per se, não atraem tutela possessória, o que se distingue de absoluto dos negócios jurídicos que
servem de título ao desmembramento possessório (em posse direta e indireta).
Da mesma intelecção do art. 1.208, extrai-se que não autorizam a aquisição da posse os atos violentos ou
clandestinos, senão depois de cessar a violência e a clandestinidade.
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Sabe-se, pois, que a violência nada mais é do que a
negação do exercício pacífico de qualquer das faculdades
do domínio, bem como que a clandestinidade impede que
se visualize o exercício público e inconteste de um dos
poderes inerentes à propriedade.
Dessa forma, enquanto houver violência ou clandestinidade
inexiste, por definição, aquisição de posse. Findas tais
situações, porém, manifesta-se a posse, evidentemente
injusta por haver sido adquirida de meio vicioso. Ainda de
maneira auxiliar, o art. 1.209 estabelece que: 
"[a] posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem".
Logo, não importa se o bem móvel se caracteriza como acessório ou pertença, pois a simples posse do imóvel
faz presumir, até prova contrária, a posse dos bens móveis nele contidos. Veja que a aquisição da posse pode
resultar da lei, do ato jurídico em sentido estrito, do negócio jurídico e mesmo do ato ilícito (esbulho). A
apreensão da coisa, representativa de ato lícito de conduta, cuida-se de ato jurídico em sentido estrito,
inconfundível com negócio jurídico. Sua validade, pois, não depende da capacidade de exercício do agente. 
Por esse motivo, até mesmo o incapaz pode
adquirir, por si próprio, a posse, desde que
possua consciência natural de seu
comportamento. Portanto, o menor de idade,
mesmo que sem assistência ou representação
de seus responsáveis, pode adquirir posse de
brinquedo mediante sua captação física.
Por meio do negócio jurídico, todavia, visualiza-
se a forma mais comum de aquisição da posse.
Aqui, vale dizer, a tradição ressai como a
maneira mais tradicional de operar a aquisição
da posse, seja de coisas móveis ou imóveis. No tocante à traditio, na prática, sabe-se que pode ser:
Tradição real (traditio rei)
É a entrega efetiva da coisa corpórea.
Tradição simbólica
há um ato representativo de transferência da coisa, como ocorre na traditio longa manu, quando a
coisa é disponibilizada para a outra parte com a entrega de chaves de um veículo.
Tradição ficta
Decorre de presunção, havendo aqui dois exemplos principais:
Traditio brevi manu – a pessoa possuía em nome alheio, mas agora possui em nome próprio,
situação em que o locatário compra o bem.
Constituto possessório (cláusula constituti) – a pessoa possuía em nome próprio e agora
possui em nome alheio, como na hipótese de determinada instituição financeira alienar a
agência bancária e ficar no imóvel a título de locatário. O constituto possessório, que nada
mais é que disposição contratual específica, tem por efeito a aquisição da posse sem a
apreensão material da coisa.
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Saiba mais
Além da tradição, a aquisição pode se dar ope legis, ou seja, por força de lei. O próprio ordenamento
jurídico determina que, acontecido certo evento, dá-se a aquisição da posse para o novo possuidor,
como no caso da transmissão da posse para herdeiros quando da abertura da sucessão. 
Formas de transmissão da posse
Da sistemática apresentada, a transmissão da posse pode se dar de duas formas nodais: 
Originária
Quando há um contato direto entre a pessoa e a
coisa.
Derivada
Quando há uma intermediação pessoal, sendo o
principal exemplo a tradição (entrega da coisa –
traditio).
A aquisição originária é a que se dá sem que a posse tenha sido transmitida pelo possuidor anterior, isto é,
sem que haja uma relação jurídica entre o possuidor anterior para o novo. Então, na aquisição originária, o
atual possuidor adquire por autoridade própria, em razão da prática de atos ostensivos independentes da
vontade do possuidor original. Para a aquisição originária, bastam a apreensão da coisa e o exercício de umadas faculdades inerentes ao domínio, nenhum deles transmitidos pelo possuidor originário. Por exemplo, o
sujeito que toma posse com violência faz uma aquisição originária da posse; o sujeito que invade um terreno
idem.
A aquisição derivada se verifica quando há uma relação jurídica anterior entre o possuidor originário e o novo.
Aqui, a posse é transmitida de um para o outro, com quando fundada em contrato, por exemplo. 
Hipótese de aquisição derivada ope legis, ademais, é o caso do art. 1.784 do CC, dispondo que: 
"Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários".
Trata-se, aqui, do “direito de saisine”, que é uma ficção legal inspirada no Direito francês, de acordo com a
qual, no momento da abertura da sucessão, ocorrida com a morte da pessoa, os herdeiros se tornam
proprietários e possuidores de todos os bens da herança, independentemente de qualquer formalidade.
Dispõe, ainda, o art. 1.206 do CC que: 
"[a] posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres".
Todo sucessor causa mortis recebe a posse no exato momento da abertura da sucessão, por força do direito
de saisine, com os mesmos atributos, inclusive vícios, que já havia nas mãos do de cujus. 
Ressalta-se o conhecido princípio da continuidade da posse, havendo exceção tão somente na
transmudação da posse injusta, violenta ou clandestina (interversio possessionis).
Em continuidade, determina o art. 1.207 do CC que: “[o] sucessor universal continua de direito à posse do seu
antecessor; e ao sucessor singular é facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais”. O
dispositivo retro difere duas situações: 
Isto é, para o sucessor universal, entende o legislador que a posse do herdeiro é a mesma do de cujus,
tratando-as sem solução de continuidade. Para o sucessor singular, o ditame houve por apenas facultar – e
não obrigar – o novo possuidor a se valer da duração da posse do anterior. A acessão de posse (soma das
posses), todavia, é deveras relevante, sobretudo para fins de usucapião. 
Por fim, enfatiza-se que como forma de evitar fraudes, aprovou-se o Enunciado 494, na V Jornada de Direito
Civil do CJF, para o qual:
"A faculdade conferida ao sucessor singular de somar ou não o tempo da posse de seu antecessor não
significa que, ao optar por nova contagem, estará livre do vício objetivo que maculava a posse anterior".
Perda da posse
O professor Diego Brainer discorrerá sobre as formas de perda da posse. Vamos assistir!
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Hipóteses de perda da posse
À semelhança da aquisição da posse, o CC/02 adotou também um modelo aberto de situações de perda da
posse. Nesse sentido, de acordo com o art. 1.223 do CC, “perde-se a posse quando cessa, embora contra a
vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196”. Isto é, pela norma, ocorre a perda
da posse quando findam o exercício dos atributos da propriedade, situação na qual o possuidor é privado da
autoridade sobre a coisa, o que se verifica com a falta de ostensividade do exercício do domínio.
O art. 520 do Código Civil de 1916, porém, elencava situações que ainda servem de exemplo hodiernamente: 
Abandono da coisa - res derelictae;
Tradição;
Perda ou destruição da coisa;
Posse de outrem;
Pelo constituto possessório).
Sucessor singular 
Caso do legatário – disposição testamentária
específica – tem-se a soma das posses de
modo facultativo.
Sucessor universal 
Caso do herdeiro legítimo ou
testamentário, em que ocorre a
acessão de posse ou acessio
possessionis de forma obrigatória.
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Assim, segundo acepção de Ihering, perde-se a posse
quando se deixa de obter aproveitamento econômico por
meio do exercício de um dos poderes inerentes ao domínio,
o que pode ocorrer pela perda da própria coisa. Remete-se
ao sujeito que tem um passarinho na gaiola, que acaba por
fugir. Deixa-se, aqui, de ter posse.
Outra situação dá-se com o abandono da coisa, quando
descarto, voluntariamente, bem meu no lixo, por exemplo. 
Na hipótese de perda da própria coisa, isso ocorre contra a
vontade do possuidor. Contudo, no abandono, a vontade
apresenta-se fundamental, ganhando a questão contornos mais complexos. Isso porque, dentre as
prerrogativas dominiais (usar, gozar e dispor) do proprietário, embora de forma limitada (pela função social ou
pelas normas do Estatuto da Cidade), existe a faculdade de não usar seu bem. Portanto, deve restar patente
essa intenção.
A terceira causa de perda da posse é a 
destruição da coisa, quando, por exemplo, o
sujeito sofre um acidente de carro e há perda
total do veículo; o carro pega fogo e, por isso,
perde-se a posse e a propriedade dela; o
cavalo morre e, diante disso, deixa-se de ter a
propriedade e a posse sobre ele.
Outra forma de perda da posse é a tradição. A
bem dizer, todas as formas de transmissão
derivadas são, de um lado, uma aquisição e, de
outro, uma perda da posse. Isto é, em
perspectiva fática, sempre alguém ganha e perde. Então, irremediavelmente, a tradição da posse implica, em
alguma medida, perda da posse por aquele que está fazendo a tradição. 
A quinta forma perfaz o chamado constituto possessório, em que o possuidor transmite sua posse plena e
passa a tê-la limitadamente. Por fim, também a posse de outrem enseja a perda da posse. Suscita-se a
situação de determinado sujeito adquirir bem da propriedade de outrem por usucapião. 
De muitas maneiras, então, o possuidor pode deixar de exercer o poder de fato sobre o bem, seja por
negligência ou desinteresse, seja por seu ímpeto de ceder a posse, pelo perecimento total do bem e por seu
extravio definitivo.
A causa mais sensível, porém, é a perda da posse pelo exercício do ius possessionis por terceiro, o
que pode deflagrar conflitos possessórios.
A esse respeito, dispõe o art 1.224 que: 
"Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele, se abstém
de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido".
O dispositivo epigrafado traz regra específica para a definição do momento da perda da posse quando o
possuidor não presencia o esbulho. Lembre-se, na posse clandestina, do exemplo do sujeito que viaja e o
vizinho, sorrateiramente, invade o seu terreno, do qual o proprietário apenas toma conhecimento do esbulho
depois de transcorrido um ano. Nesse caso, entende-se que o vizinho esbulhador não é possuidor, mas mero
detentor, visto que a posse era clandestina. Dessa forma, enquanto o proprietário não tem notícias da invasão,
não se considera que houve perda da posse. 
Por certo, compatibilizando esse posicionamento com a
dinâmica atual, em que a sociedade se encontra altamente
conectada e que há notável facilitação de comunicação, o
início da posse, segundo o teor legal, se dá quando o
possuidor legítimo tinha possibilidade de conhecer aquela
tomada da posse.
No exemplo dado, do indivíduo que estava viajando no
momento do esbulho, vale frisar que se ele tomar
conhecimento da situação e retornar para recuperar a
apreensão da coisa, conseguindo fazê-lo imediatamente,
considera-se que jamais houve perda da posse. Então, caso esse sujeito seja um simples possuidor ad
usucapionem, o fato de concluir que nunca houve perda efetiva da posse é importante para a contagem do
prazo de usucapião.
Discute a doutrina, igualmente, se o dispositivo em comento autorizaria o desforço possessório, previsto no
art. 1.210, §1º:
"O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o
faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou
restituição da posse".
Não obstante a regra do art. 1.224, prestigiar o proprietário em detrimento do possuidor, segundo parte da
doutrina, o ditame não pode ser interpretado de modo a descaracterizar o momento real do esbulho, isto é,
quando o esbulhador exterioriza as faculdades dominiais. O aludido preceito,limita-se, pois, a oferecer ao
legítimo possuidor, para todos os efeitos legais, a possibilidade de, encontrando-se ausente no momento em
que se deu o esbulho, retomar a sua posse como se nunca a houvesse perdido. 
Resumindo
Preserva-se a estabilidade da situação possessória quando de controvérsias fugazes, que se dissipem
facilmente com a simples presença do proprietário. 
Essa retomada, contudo, há de ser pacífica, afastada do desforço pessoal caracterizador da autotutela
permitida no art. 1.210, §1º, já transcrito. Como instrumento de legítima defesa, o desforço possessório só
pode se verificar em estritas situações que o legislador previu, o que não é este caso aqui, vez que já houve
tomada da posse há longa data. Decerto, no plano fático, a posse foi adquirida no momento em que o sujeito
passou a exercer atos inerentes ao domínio, e é naquela circunstância que o legítimo possuidor poderia fazer
o desforço possessório, inclusive com o uso da força. 
Vem que eu te explico
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Tradição
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Formas de transmissão da posse
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Verificando o aprendizado
Questão 1
No que se refere ao instituto da posse no Direito Civil brasileiro, ocorre a tradição brevi manu no caso em que:
A
O sucessor universal continua a posse do seu antecessor.
B
O possuidor de bem imóvel, em nome próprio, passa a possuí-lo em nome alheio.
C
A posse é exercida no âmbito de situação de dependência econômica ou de vínculo de subordinação
hierárquica.
D
Verifica-se a transmissão da posse pela regra da saisine.
E
O possuidor de coisa em nome alheio passa a possuí-la em nome próprio.
A alternativa E está correta.
Apenas a alternativa E direciona para o conceito de traditio brevi manu. Embora, de fato, apartado do
enunciado, as alternativas A e D encontram-se corretas. A alternativa B diz respeito ao constituto
possessório.
Questão 2
Adquire-se a posse:
A
Pelo próprio interessado, seu representante ou procurador, terceiro sem mandato (independentemente de
ratificação) e pelo constituto possessório.
B
Pelo próprio interessado, seu representante ou procurador, terceiro sem mandato (dependendo de ratificação)
e pelo constituto possessório.
C
Pelo próprio interessado e pelo constituto possessório, apenas.
D
Pelo próprio interessado, seu representante ou procurador (dependendo de ratificação), terceiro sem mandato
e pelo constituto possessório.
E
Pelo próprio interessado, seu representante ou procurador e por terceiro sem mandato (dependendo de
ratificação), apenas.
A alternativa B está correta.
A aquisição da posse pela gestão de negócios imprescinde de ratificação; a posse pode ser adquirida por
representante ou procurador e por terceiro sem mandato; só precisa de ratificação quando não há contrato
de mandato celebrado; o constituto possessório também é forma de aquisição da posse.
3. Efeitos da posse
Efeitos da posse
A posse traduz situação fática que o ordenamento jurídico protege como direito subjetivo autônomo em
relação à propriedade, de sorte que a ela se reconhecem diversos efeitos jurídicos. 
A maior parte da doutrina indica como efeitos da posse:
 
A condução à usucapião
O direito à percepção dos frutos
O direito à indenização por benfeitorias
A responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa
O direito aos interditos possessórios, inclusive o desforço pessoal
Tutela da posse
Um dos principais efeitos da posse (ao lado da condução à usucapião) é, sem dúvidas, a tutela da posse,
chamada proteção interdital, abrangendo as ações possessórias e a permissão de autotutela para a defesa da
posse, de que se podem valer qualquer possuidor, independentemente do caráter da posse.
Os interditos possessórios consistem, essencialmente, em meios processuais que o possuidor pode utilizar
para a defesa de sua posse. Nessas ações de juízo possessórios, distintas, pois, do juízo petitório, discute-se
apenas posse, e não a titularidade dominial, razão pela qual assevera-se no art. 1.210, §2º, CC, que:
"Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a
coisa".
É preciso diferenciar o juízo possessório (ius possessionis) e o juízo petitório (ius possidendi). Em ações
possessórias, está-se no âmbito do juízo possessório, em que se discute apenas o ius possessionis, nada
havendo se falar sobre o título jurídico que eventualmente possa ter originado aquela posse (vedação à
exceção de domínio). Isso porque eventual debate sobre título jurídico diz respeito ao ius possidendi, de juízo
petitório (ação reivindicatória). 
Dentre os interditos clássicos, inserem-se:
 
Ação de manutenção de posse
Ação de reintegração de posse
Interdito proibitório
Basta que haja turbação, esbulho e ameaça da posse, respectivamente, para que seja admitida a defesa da
posse. Frise-se que a ação de imissão na posse, não obstante tenha o condão de investir alguém na qualidade
de possuidor, de modo que antecede, a rigor, a posse, revela-se demanda de natureza petitória.
A ação de manutenção é utilizada para os casos de turbação, que nada mais é que o ato que embaraça o livre
exercício da posse, podendo ser intentada inclusive contra o proprietário da coisa. Neste ponto, o indivíduo
ainda exerce posse, mas não em sua plenitude, como outrora fazia, pois está sendo atrapalhado por outrem.
Nesse sentido, verifica-se aqui a dificuldade de praticar os atos que praticava anteriormente. 
Por sua vez, a ação de reintegração é ajuizada quando o possuidor defronta-se com um esbulho, que é a
perda da posse. 
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Note-se que o esbulho se diferencia da turbação porque nesta há apenas um incômodo, uma
moléstia; já naquele ocorre a própria exclusão da situação possessória.
Fecha a tríade das clássicas ações possessórias o chamado interdito proibitório, manejado preventivamente
para impedir que venha a ocorrer a turbação ou o esbulho. Basta, aqui, a violência iminente e justo receio de
perturbação possessória. 
Veja que, para a tutela contra a privação total da posse (esbulho), parcial (turbação) ou pelo simples receio
(ameaça), demanda-se que seja injusta. 
Se o sujeito, por exemplo, não paga as prestações devidas
em um negócio jurídico com garantia fiduciária, não se pode
utilizar uma ação de reintegração de posse para retomar a
coisa, uma vez que a perda da posse seria justa. Não é
exagerado reafirmar, ainda, que mesmo quem tem posse
injusta pode manejar tais ações.
Exemplo
A posse do ladrão é injusta em relação à vítima, mas é justa em relação ao resto da sociedade. Nessa
mesma perspectiva, ninguém mais pode ajuizar possessória ação contra o ladrão, a não ser a vítima, isso
em virtude da relatividade dos vícios possessórios. 
Os interditos clássicos não são os únicos meios de defesa da posse. A ação de dano infecto, por exemplo,
decorrente sobretudo do direito de vizinhança, intenta que o vizinho não pratique atos que possam atrapalhar
sua posse. 
Por exemplo, às vezes, o vizinho está fazendo
uma obra que pode turbar a posse do outro;
está podando árvore de forma irregular, porque
situada no terreno do vizinho. Então, a ação de
dano infecto é uma demanda que visa
principalmente evitar que a atuação de um
vizinho cause danos ao outro.
Desforço possessório
A proteção da posse também pode ser perfectibilizada de forma extrajudicial, quando ocorre o desforço
possessório, o qual é a possibilidade de o possuidor esbulhado ou turbado tutelar, por si só, com sua própria
força, a sua posse, repelindo a agressão do esbulhador ou do turbador. 
No art. 5º, XXXV, CRFB/88, há a inafastabilidade da atuação jurisdicional, de sorte que só quem tem o
monopólio da força no Estado Democrático de Direito é o Estado. A princípio, então, todas as controvérsias
devem ser submetidas ao Poder Judiciário. Se o devedor não entrega o objeto docontrato, o credor não pode
simplesmente entrar na casa do devedor, arrombar a porta dele e recuperar aquele bem. O Estado, por outro
lado, pode, desde que observadas as formalidades legais; mas não o particular.
Entretanto, existem algumas situações no nosso Código em que o legislador abre exceções a essa regra,
como a legítima defesa. 
Em tais hipóteses taxativamente previstas pelo legislador, o indivíduo pode se valer do exercício das
suas próprias razões, atuando manu militari para tutelar os seus interesses. 
É o que ele faz no direito de retenção, por exemplo, ou aqui no desforço possessório, havendo sempre de ser
exercida no exato limite da necessidade para repelir a agressão. No art. 1.210, §1º, do CC, temos a permissão
do legislador, relativa à autotutela da posse, que é justamente esse instituto do desforço possessório:
"O possuidor turbado ou esbulhado poderá manter-se ou destituir-se por sua própria força, contanto que o
faça logo; os atos de defesa ou de desforço não podem ir além do indispensável à manutenção ou restituição
da posse".
Nesse viés, para que o possuidor tenha direito ao desforço possessório, devem se fazer presentes os
seguintes requisitos:
 
Haja uma turbação ou um esbulho;
Agir imediatamente, na mesma hora. Se o possuidor sai para se organizar, pedir reforços e volta uma
semana depois, não pode;
Não ir além do indispensável, ante a excepcionalidade do instrumento de autotutela, sendo legítimo
apenas na medida exata do necessário para repelir a agressão.
No caso em que A invade a propriedade de B, mas A não
tem forças para enfrentar aquela pessoa. A, então, sai
imediatamente para chamar um de seus vizinhos. Se isso
ocorrer de pronto, não há qualquer problema, o que não
pode ocorrer é ele voltar dois dias depois.
Percepção dos frutos
Outro efeito direto da posse diz respeito à percepção dos
frutos, variando a solução conforme a posse seja de má-fé
ou boa-fé. No ponto, mitiga-se a regra segundo a qual os frutos pertencem aos proprietários. Cria-se, pois,
prevalência ao interesse do possuidor que imprime utilidade econômica à coisa possuída. 
Trata-se, aqui, do problema de um possuidor colher frutos e, posteriormente, o bem ser retomado por outrem.
Em síntese, o possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos e às despesas de produção e custeio dos
frutos pendentes, porém não faz jus aos frutos pendentes nem aos frutos colhidos por antecipação, que
devem ser restituídos. Já o possuidor de má-fé não tem direito a quaisquer frutos, mas tão somente de ser
indenizado pela produção e custeio dos frutos colhidos e percebidos, que devem ser restituídos. Essa é a
inteligência que se compreende dos arts. 1.214 e 1.216 do Código Civil, ambos transcritos a seguir: 
Art. 1.214
O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela
durar, aos frutos percebidos. Parágrafo único.
Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a
boa-fé devem ser restituídos, depois de
deduzidas as despesas da produção e custeio;
devem ser também restituídos os frutos
colhidos com antecipação. (...)
Art. 1.216
O possuidor de má-fé responde por todos os
frutos colhidos e percebidos, bem como pelos
que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o
momento em que se constituiu de má-fé; tem
direito às despesas da produção e custeio.
Note-se, de fato, uma preocupação especial do legislador com o possuidor de boa-fé, para que não fique sem
qualquer resguardo legal, apesar de o vício que macula a sua posse, e com a vedação ao enriquecimento sem
causa. 
1. 
2. 
3. 
Rememore-se, ainda, para a perfeita compreensão do assunto, que os frutos são tudo o que é produzido pelo
bem com periodicidade habitual, renovando-se tempo a tempo (diferentemente dos produtos, que se
esgotam), bem como que frutos percebidos são aqueles que já foram colhidos no momento correto; frutos
pendentes são aqueles que ainda não estão no momento de serem colhidos; e os frutos colhidos por
antecipação o foram feitos antes da hora.
Exemplo
Isso significa, por exemplo, que se João colheu frutos de boa-fé, não tem que devolver ao Caio nem
indenizá-lo, conservando com ele aqueles frutos. Todavia, quando cessa a sua boa-fé, se ele colher, tem
que devolver. Se não puder mais devolver, porque já consumiu ou vendeu, terá que indenizar. 
Indenização e retenção por benfeitorias
Mais um efeito da posse diz respeito à indenização e retenção por benfeitorias. Compulsando seu teor,
dessume-se que varia conforme: 
Modalidade de benfeitoria
Necessária, útil ou voluptuária.
Caráter da posse
Se de boa-fé ou de má-fé.
Trata-se, aqui, do problema de perquirir se o possuidor será indenizado ou não por benfeitorias que haja
realizado antes da retomada do bem por outrem. Pense na hipótese do sujeito que, antes de ter ciência da
ação judicial, fez várias obras em determinado imóvel. 
Em suma, o possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, podendo
exercer o direito de retenção. Quanto às benfeitorias necessárias, o possuidor de boa-fé tem o direito de
levantá-las, quando puder fazê-lo, sem detrimento da coisa. O possuidor de má-fé, ademais, somente tem
direito de ressarcimento pelas benfeitorias necessárias, não lhe assistindo direito de retenção da coisa, nem o
direito de levantar as benfeitorias voluptuárias.
Essa é a intelecção dos arts. 1.219, 1.220 e 1.222, ora apresentados, in verbis:
Art. 1.219
O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como,
quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da
coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
Art. 1.220
Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o
direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Art. 1.222
O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito de optar
entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé, indenizará pelo valor atual.
Relembre-se de que as benfeitorias podem ser: 
Necessárias
São imprescindíveis para a conservação da
coisa; que são indispensáveis para evitar a ruína
da coisa.
Úteis
Trazem apenas uma maior utilidade para o bem,
ou seja, um melhor aproveitamento da coisa.
Voluptuárias
Tem o objetivo de melhorar a recreação do bem
ou enfeitá-lo; trata-se de uma estética de
criação.
Responsabilização pela perda ou deterioração da coisa
Discussão igualmente relevante diz respeito à questão da responsabilização pela perda ou deterioração da
coisa enquanto estiver com o possuidor. Nesse caso, a bem dizer, aplica-se a “teoria dos riscos” do direito das
obrigações, dependendo da situação se houver culpa ou não; se o dano decorreu de caso fortuito ou força
maior; se o possuidor estava de boa-fé ou má-fé, o que se aproxima da lógica da mora. 
O devedor responde por culpa apenas, logo, se acontecer algum dano à coisa que ele tem que entregar ao
credor decorrente de caso fortuito ou força maior, ele se exime, e não responde. Vale, pois, proceder à leitura
dos dispositivos legais atinentes, ipsis litteris:
Art. 1.217
O possuidor de boa-fé não responde pela perda
ou deterioração da coisa, a que não der causa.
Art. 1.218
O possuidor de má-fé responde pela perda, ou
deterioração da coisa, ainda que acidentais,
salvo se provar que de igual modo se teriam
dado, estando ela na posse do reivindicante.
Usucapião
O professor Diego Brainer discorrerá sobre a aquisição da propriedade por usucapião, seu conceito e suas
espécies. 
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Aquisição da propriedade por usucapião
Por fim, também um dos principais efeitos da posse é o de permitir a aquisição da propriedade pela via da
usucapião. Há diversas modalidades: 
Usucapião extraordinária;
Usucapião ordinária;
Usucapião tabular
Usucapião especialíssima (que é a familiar);
Usucapião rural;
Usucapião urbana;
Usucapião especial.
Aqui, cumpreressaltar os requisitos gerais, relacionados diretamente à posse. Há dois gerais, que configuram
a posse ad usucapionem, aplicáveis para qualquer modalidade: 
Posse com animus domini
Intenção de ser dono para a aquisição por
usucapião.
Posse contínua, mansa e pacífica
Exercida sem violência, de forma incontestada,
por tempo necessário para o possuidor lhe
adquirir a propriedade.
A posse contínua, mansa e pacífica não pode ter sido objeto de contestação levada a cabo pelo
proprietário contra o qual se deseja usucapir.
Dessa maneira, o primeiro requisito para a aquisição da propriedade por usucapião consiste no exercício
possessório. O animus domini, se dispensável para a configuração da posse, segundo concepção
predominante de Ihering, que se caracteriza pelo simples exercício de fato de alguma das faculdades
inerentes ao domínio, torna-se indispensável para a deflagrar a prescrição aquisitiva (cf. construção de
Savigny).
Nesse viés, mostra-se absolutamente insuficiente o animus tenendi para a configuração da usucapião, sendo
necessária a intenção de domínio, de apropriação da coisa. Contudo, a usucapião, a rigor, não é efeito
exclusivo da posse. Na realidade, a posse é apenas um dos seus elementos integrativos, ao lado do tempo, do
justo título e da boa-fé, dentre outros requisitos específicos. 
A seguir, apenas para fins complementares de estudo, apresentamos esquema-resumo de todas as
modalidades de usucapião havidas e os seus substratos particulares.
Modalidades de
usucapião Substratos particulares
Usucapião Extraordinária
(art. 1238, CC/02)
15 anos; independente de título e de boa-fé; Exceção: 10 anos
se verificados todos os requisitos acima + moradia habitual ou
obra/serviços produtivos.
Usucapião Especial Rural
(art. 1239, CC/02)
5 anos; não proprietário de outro imóvel; 50 hectares; trabalho
+ moradia.
Usucapião Especial
Urbana (art. 1240, CC/02)
5 anos + moradia; não proprietário de outro imóvel; 250m².
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Modalidades de
usucapião Substratos particulares
Usucapião Ordinária (art.
1242, CC/02)
10 anos; justo título e boa-fé; Exceção: 5 anos + imóvel
adquirido onerosamente + registro cancelado + moradia
habitual ou investimentos.
Usucapião Especial
Urbana por Abandono de
Lar (art. 1240-A, CC/02)
2 anos + moradia + abandono de lar pelo coproprietário; sem
oposição + exclusividade; 250m²; independente de título e boa-
fé; não proprietário de outro imóvel.
Usucapião Coletivo: (art.
10 e ss. do Estatuto da
Cidade)
Áreas urbanas com mais de 250m²; população de baixa renda +
utiliza para moradia; 5 anos; impossível identificar os terrenos
ocupados por cada possuidor; possuidores não sejam
proprietários de outro imóvel urbano ou rural.
Vem que eu te explico
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Tutela da posse
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Desforço possessório
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Com referência à disciplina legal relativa à posse, assinale a opção correta.
A
Havendo colheita antecipada, o possuidor deverá devolver os frutos colhidos no caso de ter cessado a boa-fé.
B
No que tange às benfeitorias necessárias, no que diz respeito à indenização, faz diferença ser a posse de
boa-fé ou de má-fé.
C
Aquele que detiver a posse injustamente não poderá se utilizar dos interditos possessórios, mesmo em face
de terceiros que não tenham posse.
D
O dono da posse deve indenizar as benfeitorias necessárias pelo seu valor atual, mesmo ao possuidor de má-
fé, sob pena de enriquecimento sem causa.
E
O possuidor de boa-fé não responde pela perda da coisa, mas responde por sua deterioração, ainda que não
lhe dê causa.
A alternativa A está correta.
As benfeitorias necessárias são sempre ressarcidas, seja o possuidor de boa-fé ou má-fé; aquele que
detiver a posse injustamente poderá manejar interditos em face de terceiros; não precisa indenizar pelo
valor atual se estiver de má-fé (art. 1.222 do CC); responde por uma e por outra.
Questão 2
A respeito da posse, assinale a opção correta:
A
Diz-se de boa-fé a posse que não se reveste de clandestinidade, violência ou precariedade.
B
O locatário poderá defender a posse do imóvel locado, em caso de ameaça da posse, ou de efetiva turbação
ou esbulho, mas não poderá adquirir a propriedade pela usucapião, haja vista que a sua posse é ad interdicta.
C
A boa-fé mostra-se essencial para o uso das ações possessórias.
D
Não é possível a sua aquisição da posse por intermédio de representante.
E
Caso mais de uma pessoa se diga possuidora, será mantida provisoriamente no imóvel a que comprovar a
posse de boa-fé.
A alternativa B está correta.
Trocou-se posse justa por posse de boa-fé; a boa-fé não é essencial para possessórias; é possível sua
aquisição por representante; melhor posse não necessariamente é de boa-fé.
4. Conclusão
Considerações finais
A posse tem importância nodal no mercado imobiliário informal. Viu-se de que forma consta positivada em
nosso ordenamento as formas de aquisição da posse, extraída a partir do exercício de um dos poderes
dominiais, suas formas de transmissão, voluntárias e ope legis, para, ao fim e ao cabo, analisar os efeitos da
posse, em diversos planos. 
Coadunando os tópicos, verificou-se que o legislador houve por amplamente beneficiar o estado de lealdade:
o prazo para aquisição da propriedade por usucapião é deveras menor quando o possuidor está de boa-fé;
existe disciplina bastante diferente no que tange à percepção de frutos, considerando a boa ou má-fé do
possuidor; da mesma forma, o regramento das benfeitorias realizadas na coisa varia se de boa-fé faço uma
benfeitoria na coisa. 
Desse modo, para verificar se o sujeito se encontra de boa-fé ou não, deve-se buscar padrões de conduta
objetivos, em detrimento do estado anímico subjetivo, a partir do comportamento concreto manifestado,
sempre levando em consideração não o sujeito abstrato, mas em vista das circunstâncias socioculturais
daquela pessoa. Isto é, deve-se partir de uma análise subjetiva, porém objetivada para extrair um modelo de
conduta esperado de uma pessoa que se enquadre naquelas características. E se essa pessoa concreta,
embora ignore efetivamente o vício, se desviou do padrão de conduta adequado, caracteriza-se a má-fé.
Em uma palavra final, urge o aprofundamento do estudo da posse, tão relevante para o acesso a bens
essenciais, como, inclusive, a moradia.
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Agora, o professor Diego Brainer discorre sobre o que é a posse, como adquiri-la e seus efeitos.
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Sugere-se a leitura de dois textos atuais sobre o tema:
 
Posse no Direito Brasileiro: Para além do animus e do corpus, por Paulo Lobo. (Genjurídico)
 
Direito à Posse da Laje, por Marco Aurélio Bezerra de Melo. (Genjurídico)
Referências
AZEVEDO. A. V. Comentários ao Novo Código Civil. V. 7. Rio de Janeiro: Forense, 2005.
 
GOMES, O. Direitos Reais. 1909-1988, atualizado por Luiz Edson Fachin. 21. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2012.
 
MONTEIRO FILHO, C. E. do R.; RENTERIA, P.; TEPEDINO, G. Fundamentos do Direito Civil. V. 5. Rio de Janeiro:
Forense, 2020.
 
SCHREIBER, A. Manual de Direito Civil Contemporâneo. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.
	Posse
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Teorias da posse
	Noções Introdutórias
	Friedrich Karl von Savigny (1779-1861)
	Rudolf von Ihering (1818-1892)
	Teorias da posse
	Conteúdo interativo
	Teorias da Posse: subjetivistas e objetivistas
	Corpus
	Animus
	Saiba mais
	Exemplo
	Art. 1.196
	Art. 1.198
	Classificações da posse
	Posse justa e injusta
	Posse violenta
	Posse clandestina
	Posse precária
	Posse justa
	Posse injusta
	Atenção
	Posse direta e indireta
	Posse direta
	Posse indireta
	Posse exclusiva ou composse
	Composse
	Desdobramento da posse
	Efeitos da posse
	Posse ad usucapionemPosse ad interdicta
	Vem que eu te explico
	Classificações da posse – posse justa e injusta
	Conteúdo interativo
	Classificações da posse – ad interdicta e ad usucapionem
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Formas das relações de posse
	Aquisição da posse
	Exemplo
	Tradição real (traditio rei)
	Tradição simbólica
	Tradição ficta
	Saiba mais
	Formas de transmissão da posse
	Originária
	Derivada
	Perda da posse
	Conteúdo interativo
	Hipóteses de perda da posse
	Resumindo
	Vem que eu te explico
	Tradição
	Conteúdo interativo
	Formas de transmissão da posse
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Efeitos da posse
	Efeitos da posse
	Tutela da posse
	Exemplo
	Desforço possessório
	Percepção dos frutos
	Art. 1.214
	Art. 1.216
	Exemplo
	Indenização e retenção por benfeitorias
	Modalidade de benfeitoria
	Caráter da posse
	Art. 1.219
	Art. 1.220
	Art. 1.222
	Necessárias
	Úteis
	Voluptuárias
	Responsabilização pela perda ou deterioração da coisa
	Art. 1.217
	Art. 1.218
	Usucapião
	Conteúdo interativo
	Aquisição da propriedade por usucapião
	Posse com animus domini
	Posse contínua, mansa e pacífica
	Vem que eu te explico
	Tutela da posse
	Conteúdo interativo
	Desforço possessório
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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