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DIREITO 
PENAL 
na medida certa 
PARA CONCURSOS
Válter Kenji Ishida
2023
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CaP. 3 • tEoria do CrimE 85
3
TEORIA DO CRIME
3.1 CONCEITO DE CRIME
Em sede de dogmática jurídico-penal, é consenso que o direito penal é do fato e não do 
agente. Assim, a construção da teoria incide sobre o fato punível (Jorge de Figueiredo Dias, 
Direito penal, parte geral, 235). Teoria do delito ou teoria do crime. Desde 1.906, quando Beling 
introduziu o conceito de tipicidade, constituindo junto com a antijuridicidade e a culpabilidade, 
as bases da Teoria Geral do Delito, essas categorias desde então, são categorias fundamentais, 
por meio do qual se analisam os problemas mais importantes da conceituação jurídica de um fato 
como delito (Francisco Muñoz Conde, Teoria geral do delito, IX). A teoria do crime objetiva o 
estudo dos requisitos necessários para a configuração do crime, ou, em resumo, apura o conceito 
analítico do delito. Outrossim, a teoria do delito possui 3 funções: (1) a instrumental, servindo 
para interpretar e sistematizar a Parte Especial; (2) a garantista, baseada na busca pela segurança 
da aplicação da norma; (3) a crítica, levando à reinterpretação do direito penal, utilizando-se 
a política criminal. A teoria do delito abarca 4 grandes seções: (1) introdução; (2) teoria do 
delito; (3) culpabilidade; (4) teoria da pena. O crime abrange o fato típico e a antijuridicidade. 
Acrescenta-se aí o fato punível (Luiz Flávio Gomes e outro, Direito penal, v. 2, parte geral, p. 
162-163). Existem três conceitos de crime: o conceito material, o conceito formal e o conceito 
analítico (Nucci, Manual de direito penal, parte geral, parte especial, p. 160; 162).
1. conceito material de crime: violação de um bem penalmente protegido ou a violação de 
um bem jurídico que mereça proteção penal. É a lesão ou perigo de lesão ao referido bem. A 
doutrina fala em danosidade social (Jescheck, apud Maurach, Derecho penal, parte general, p. 
213). Mas para Jescheck, sancionar condutas nocivas não seria uma questão de bem jurídico, 
mas sim de política criminal (Roxin, Derecho penal, parte general, tomo I, p. 67), sendo conceitos 
interligados. Para NAUCKE, a partir da teoria da pena kantiana (retributivista), crime seria toda 
conduta merecedora de retribuição (Fábio da Silva Bozza, Bem jurídico..., p. 171). É um critério 
ou parâmetro sobre o que o direito penal deve punir e que varia de acordo com a sociedade em 
um momento histórico (Luiz Regis Prado, Curso de direito penal brasileiro, v. 1, p. 244). Nesse 
sentido, deve o Direito penal se aproximar da realidade social. Daí a necessidade de aproximar 
a Dogmática penal da Política Criminal. É necessário que as barreiras entre o Direito penal e a 
Política criminal se acabem (Busato, Fundamentos..., p. 7-8). O conceito material, todavia, não 
esgota o tema sobre a tipificação do ilícito penal porquanto existem crimes sem bens jurídicos, 
como as condutas imorais, que merecem punição apenas em caráter excepcional;
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2. conceito formal de crime: é a conduta proibida por lei decorrente da política criminal 
adotada. Vincula-se ao princípio da legalidade. É a visão do legislador sobre quais bens jurídicos 
devem ser tutelados e se extrai do próprio direito positivo. Para Maurach (Derecho penal, parte 
general, p. 213), a importância da diferenciação entre o conceito material e o formal reside no 
fato de que ambos cumprem funções diferentes. O conceito material representa a concepção da 
sociedade sobre aquilo que deve ser proibido. Já o conceito formal descreve a extensão concreta 
da faixa penal;
3. conceito analítico (dogmático): para alguns, também é denominado conceito formal e 
constitui a essência do estudo do crime no direito penal, sem dúvida, a parte mais importante tanto 
da parte geral como da especial. Trata-se da decomposição do delito em suas partes constitutivas 
(Prado, ob. cit., v. 1, p. 245). O delito é dividido por vários “fragmentos” (chamado de método de 
consideração analítica). Contrapondo-se à essa divisão, surgiu a teoria unitária. Carnelutti p. ex. 
afirmara que o crime não se constitui por partes fisicamente separadas (Giuseppe Bettiol, Derecho 
penal..., p. 166-167). Nessa linha, explica Giulio Battaglini: “O delito é um todo unitário, e não 
uma soma de elementos. Sua decomposição em elementos impõe-se, porém, a fim de se realizar 
a sistematização lógica dos institutos e também por razões práticas.” (Direito penal, 1º vol., p. 127). 
Além da própria ação, haveria a tipicidade, a antijuridicidade, a culpabilidade e a punibilidade.
São três as teorias sobre o assunto: a clássica, a neoclássica e a finalista.
Teoria clássica. A teoria clássica via a ação limitada ao movimento corporal. A voluntarie-
dade significa apenas a ausência de coação física. O elemento subjetivo (dolo ou culpa) para 
essa teoria se localizaria na culpabilidade. A antijuridicidade era puramente formal, cabendo a 
valoração do autor na culpabilidade. Von Liszt formulou o seguinte conceito: ato contrário ao 
direito, culpável e sancionado por uma pena (Luiz Flávio Gomes e outro, Direito penal, v. 2, parte 
geral, p. 173). A ação é um movimento corporal causador de um resultado no mundo exterior, 
a tipicidade. Apesar das críticas, foi a primeira a formular um sistema de classificação do crime.
Teoria neoclássica (neokantista). Basicamente uma vertente da teoria clássica, mas ao invés 
da ênfase na teoria naturalista, forneceu destaque para a relevância social. A tipicidade é uma 
conduta valorada negativamente pelo legislador. A antijuridicidade não é apenas formal, mas 
vinculada à danosidade social. Aqui, todavia, havia uma conjugação de elementos objetivos e 
subjetivos. Na sua essência, o caráter ilícito do fato era de natureza essencialmente objetiva. Esse 
entendimento é ainda adotado pelo direito penal italiano, que trabalha com elementos descritivos 
e normativos na tipicidade, deixando o elemento subjetivo para a culpabilidade.
Teoria finalista. Coube a Hans Welzel traduzir a teoria finalista para o direito penal. O 
homem dirige finalisticamente os processos causais naturais. O dolo passa a ser um elemento 
essencial da tipicidade (Jorge Figueiredo Dias, Direito penal, parte geral, p. 246). A ação deixa 
de ser um processo meramente causal e passa a ser exercício de uma atividade finalista. Con-
forme menciona o próprio autor: “la acción humana es el ejercicio de la actividade, finalista. La 
acción es, por lo tanto, un acontecer ‘finalista’ y no solamente ‘causal’... La finalidad es un actuar 
dirigido conscientemente...” (Hanz Welzel, Derecho penal, parte general, p. 39). O dolo jurídico 
do neokantismo (incluindo a consciência da ilicitude) passa a ser o dolo sem a consciência da 
ilicitude. A culpabilidade passa a ser essencialmente normativa, suprimidos o dolo e a culpa. A 
potencial consciência da ilicitude, por depender da valoração do juiz, é tratada como um elemento 
normativo e integra a culpabilidade. O finalismo enfim adota o dolo natural, abandonando o dolo 
jurídico que inclui a vontade e a consciência. O tipo biparte-se em objetivo e subjetivo (Luiz Flávio 
Gomes e outro, Direito penal, parte geral, p. 179). Contudo, dentro do conceito analítico, crime 
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é um fato típico, antijurídico e culpável também para a doutrina finalista. Uma das críticas ao 
finalismo foi sua destinação aos crimes dolosos, já que não existe finalidade nos crimes culposos.
Conceitos dados pelos doutrinadores: (conceito analítico de crime)
1. crimea necessidade de qualquer outra 
norma (MP-SP – 1a fase – 23-5-2010). Exemplo: homicídio; (2) adequação típica de subordinação 
mediata ou ampliada: o fato não se enquadra imediatamente, necessitando de outros dispositi-
vos legais, a chamada norma de extensão. Exemplo: tentativa. O tipo não fala em tentar matar 
alguém. Há necessidade de complementação: art. 14, II, do CP (descrição do delito tentado). 
Tipicidade formal. Trata do conceito de tipicidade tradicional. Tipicidade material. Exige, além 
da adequação típica, a ameaça ou lesão ao bem jurídico de forma inadmissível. Essa segunda parte 
seria um processo negativo (de exclusão da tipicidade). Tipicidade e ilicitude. A tipicidade e a 
ilicitude compõem o conceito analítico de crime (além da culpabilidade) e no direito penal 
são axiologicamente distintas. A composição do tipo em relação à ilicitude depende da corrente 
adotada: (1) teoria do tipo avalorado (Liszt-Beling): a tipicidade contém apenas os elementos 
objetivos, sem qualquer elemento normativo ou subjetivo; (2) teoria indiciária (Welzel-Maurach): 
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a tipicidade constitui uma presunção relativa da ilicitude; (3) teoria da identidade (Mezger-
-Sauer): a tipicidade conduz necessariamente à ilicitude, formando um todo unitário; (4) teoria 
dos elementos negativos do tipo (Merkel): prolongamento da terceira corrente. As causas de 
justificação seriam circunstâncias negativas do tipo (Prado, ob. cit., v. 1, p. 322-333). A segunda 
teoria seria atualmente a mais aceita: a tipicidade geraria uma presunção relativa da ilicitude: 
se “A” matou “B” haveria uma presunção inicial de inexistência de excludente de ilicitude. Mas 
essa presunção poderia ser afastada, predominantemente, não na fase de inquérito policial, mas 
sim na fase processual. O quadro a seguir apresenta as três teorias sobre o delito (Luiz Flávio 
Gomes e outro, Direito penal, v. 2, parte geral, p. 216-218).
Teorias
Causalista 
(Hungria, Noronha)
Finalista 
(Damásio, Mirabete)
Constitucionalista
(Luiz Flávio Gomes)
Conduta
Movimento corpóreo 
capaz de produzir alte- 
ração no mundo (sem 
dolo ou culpa)
Comportamento huma-
no consciente dirigido a 
uma finalidade (abrange 
o dolo ou culpa)
Realização voluntária de um 
fazer ou não fazer, típico, do-
minado ou dominável pela 
vontade
Requisitos 
do fato 
típico
Conduta voluntária, 
resultado naturalístico, 
nexo e adequação à lei
Conduta dolosa ou cul-
posa, resultado natura-
lístico, nexo e subsunção 
à lei
Fato formal e materialmen-
te típico, com 3 dimensões: 
formal, material-normativa e 
subjetiva. A tipicidade mate-
rial abrange o juízo de desa-
provação da conduta e do 
resultado e o juízo da imputa-
ção objetiva desse resultado.
Teoria funcionalista (teleológico-racional). Em primeiro lugar, não existe apenas um “fun-
cionalismo”, mas vários no direito penal alemão. Há nesses vários autores, uma concordância: 
a construção do sistema jurídico-penal não pode se limitar a dados ontológicos, ou seja, não 
se pode limitar a conceitos como o que é conduta e o que é causa. Deve-se basear-se também 
nos fins do direito penal: a proteção aos bens jurídicos através da prevenção geral e especial. 
Os conceitos devem ser submetidos a uma “funcionalização”, ou seja, os conceitos penais devem 
desempenhar um papel acertado no esquema. A construção teleológica do neokantismo é reto-
mada no funcionalismo. O funcionalismo constitui-se em um divisor de águas com relação ao 
finalismo (Luís Greco, Introdução à dogmática funcionalista do delito). A teoria constitucionalista 
não deixa também de ser “funcionalista”, já que se utiliza dos mesmos conceitos.
3.4.3 Elementos do tipo (definição do tipo pormenorizada)
1. objetivos (descritivos): referem-se à materialidade da infração, à forma de execução, 
tempo, lugar etc. Constituem o âmago (a parte principal) do estudo da estrutura (ou esque-
leto) do tipo penal. Na parte especial, é estudado como elemento objetivo do tipo ou tipo 
objetivo. Assim, um dos estudos do tipo penal é o estudo do “verbo” que descreve a conduta 
típica. No furto, o verbo é “subtrair”; no crime de tráfico de entorpecente, um dos verbos é 
“expor à venda”; no crime de receptação, um dos verbos é “conduzir”: em cada um desses 
verbos, cabe extrair o significado dos mesmos. Mas é preciso salientar que se houver exi-
gência de uma busca mais profunda do seu conceito, do seu significado, estaremos diante do 
elemento normativo tácito, o que leva a doutrina entender que no fundo, sempre existe uma 
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	Miolo_Medida Certa-Ishida-Direito Penal-1ed 102é fato típico e antijurídico, sendo a culpabilidade um pressuposto de aplicação da 
pena (Damásio de Jesus, Mirabete, Delmanto);
2. crime é fato típico, antijurídico, culpável e punível (Basileu Garcia, Battaglini);
3. crime é fato típico e culpável, estando a antijuridicidade dentro da própria tipicidade 
(Miguel Reale Júnior, adotando a teoria dos elementos negativos do tipo);
4. crime é fato típico, antijurídico e punível, constituindo a culpabilidade o vínculo do crime 
à pena (Luiz Flávio Gomes);
5. crime é fato típico, antijurídico e culpável, incluindo os finalistas (Francisco de Assis Toledo, 
Fragoso, Zaffaroni, Cezar Roberto Bitencourt, Luiz Regis Prado, Maurach) e causalistas (Hungria, 
Frederico Marques, Aníbal Bruno, Noronha, Manoel Pedro Pimentel) e também os adeptos da 
teoria social da ação que desejam um ajuste entre o causalismo e o finalismo (Jescheck, Wes-
sels). Esse conceito é majoritário no Brasil e no exterior (Nucci, Manual de direito penal, parte 
geral, parte especial, p. 161). Sob esse prisma, o menor de 18 anos não comete crime, pois falta 
a culpabilidade (imputabilidade);
6. Doutrina penal alemã: sistema tripartido (fato típico, antijurídico e culpável) e sistema 
bipartido (tipo do injusto e culpabilidade). 
Sistema bipartido alemão. No sistema bipartido, a tipicidade e a antijuridicidade são elementos 
integrantes do tipo do injusto, que podem admitir “operacionalização analítica separada”, mas não 
constituem categorias estruturais diferentes do fato punível. O tipo legal é a descrição da lesão de 
bens jurídicos (dano ou perigo de lesão concreto) e a antijuridicidade é um juízo de valoração 
do comportamento descrito no tipo legal, formando o conceito do tipo de injusto (OTTO). O 
sistema bipartido inclui a teoria dos elementos negativos do tipo de ADOLF MERKEL: tipo legal 
e antijuridicidade são a dimensões de descrição e valoração do conceito de tipo total do injusto. 
As causas de justificação estariam separadas dos tipos legais apenas por motivos técnicos. Isso 
porque todo o tipo penal deveria ser lido assim: “matar alguém, exceto em legítima defesa...”. A 
inclusão das excludentes de antijuridicidade no tipo penal transforma os preceitos permissivos 
em características negativas do tipo do injusto. Enquanto o tipo legal descreve as características 
positivas do tipo do injusto, as excludentes mencionam as características negativas que tornam o 
fato atípico. Existem, portanto, duas categorias principais: o tipo do injusto (tipo legal + ausência 
de justificação) e a culpabilidade. São adeptos: ENGISCH, ARTHUR KAUFFMANN, SCHÜ-
NEMANN e HERZEBERG. Dois fatores podem ser favoráveis ao bipartidarismo: a existência 
de tipos penais que contém o caráter do injusto no tipo penal (v.g. o caráter injusto do mal no 
crime de ameaça) e os tipos penais que não admitem a juridicidade ou licitude da conduta (p. 
ex. o exercício regular do direito no estupro, suprimindo-se a visão machista de admissão da 
relação sexual do marido com a mulher) (Juarez Cirino dos Santos, A moderna teoria do fato 
punível, p. 4).
SISTEMA BIPARTIDO:
FÓRMULA: CRIME = TIPO DO INJUSTO (TIPICIDADE + ANTIJURICIDADE) E CULPABILIDADE
Sistema tripartido alemão. Dominante na dogmática contemporânea, define crime como ação 
típica, antijurídica e culpável. Na linha do sistema tripartido, houve três modelos acima já anali-
sados, o modelo clássico, o neoclássico e o finalista. Diferenciam-se da teoria tripartida brasileira 
porque admitem como no sistema bipartido alemão, os conceitos de injusto e de culpabilidade 
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Mariana Correa
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(na doutrina brasileira, não se admite o conceito único de injusto). Mas na verdade, esse sistema 
admite a autonomia dos conceitos de tipicidade e de antijuridicidade. As funções da tipicidade 
e da antijuridicidade não se esgotam na constituição do tipo do injusto, mas realizam funções 
político criminais. Nesse diapasão, não se pode nivelar um fato atípico (matar um inseto) do fato 
de matar alguém em legítima defesa (WELZEL). São defensores: BAUMANN/ WEBER/ MITSCH; 
BOCKELMANN/ VOLK; JACKOBS; JESCHEK/ WEIGNEND, LACKNER, MAURACH/ ZIPE, 
WELZEL, WESSELS/ BEULKE; ROXIN (Juarez Cirino dos Santos, A moderna teoria do fato 
punível, p. 4-5). Dessa forma, o tripartidarismo é o que mais se aproxima do que se entende na 
doutrina brasileira, mas a doutrina alemã contém detalhes maiores. Jakobs e Roxin. Ambos os 
autores, classificados por JUAREZ CIRINO DOS SANTOS como adeptos do tripartidarismo, 
fornecem uma ênfase diferente. Jakobs fornece ênfase à culpabilidade (funcionalismo sistêmico), 
onde aquele que não realiza a sua função na sociedade, torna-se seu inimigo.
3.1 Conceito analítico de crime para Roxin. Roxin fala em um projeto de sistema teleológi-
co-político criminal. Entende o crime dessa forma. (1) Ação (conduta) resultado de uma valoração 
que permita imputar a alguém essa conduta. Não se trata algo empírico (afastando-se da conduta 
causalista e finalista), mas tendo o homem como centro espiritual da ação ou manifestação de sua 
personalidade. (2) Conduta típica. O amoldamento típico se perfaz através da avaliação da pena 
em abstrato, influenciada pela política criminal. Todo tipo deve ser interpretado segundo o fim da 
lei (teleológico). São utilizadas a prevenção geral e a culpabilidade. (3) Conduta injusta. Aqui se 
analisa a ação típica concreta. O termo injusto seria mais amplo do que o antijurídico porque a 
antijuridicidade não seria um conceito exclusivo do direito penal. (4) Conduta responsável. Inclui 
não apenas a culpabilidade, mas também a necessidade da pena em razão da prevenção especial. 
(5) Outros pressupostos da punibilidade. Nesse caso, esses pressupostos somente se aplicam a 
poucos preceitos penais, exemplificando como a conduta de denegrir símbolos estrangeiros. A 
avaliação de motivos vinculados à política exterior (Roxin, Derecho penal, parte general, tomo I, 
p. 218-223). Esse novo conceito é extremamente sutil e não pode ser enquadrado nos moldes 
do conceito analítico acima exposto.
O conceito analítico dominante moderno segundo Roxin: a síntese neoclássica-finalista. 
Existe uma mistura da anterior teoria neoclássica (Bauman) e a finalista (Welzel, Maurach). Esse 
entendimento não admite a teoria finalista como explicadora do conceito de ação, mas mantém o 
seu principal legado que é o dolo como elemento subjetivo. A conceituação da teoria “moderna” 
critica a teoria finalista que não consegue explicar os crimes culposos e os delitos de omissão 
com base no controle dos cursos causais. O fundamento do dolo como elemento subjetivo não 
se fundamentaria propriamente no conceito de ação, mas sim no sentido social da ação, que 
exigiria o dolo (Roxin, ob. cit., p. 202).
Funcionalismo (ou sistema racional-final ou teleológico). A partir de 1970, o funcionalismo 
surgiu como crítica ao finalismo. Não se pode admitir como o finalismo a vinculação do sistema 
jurídico penal a realidades ontológicas, incluindo a ação, a causalidade, mas tão somente a finalidades 
do próprio Direito Penal. Isso incluiria as bases político criminais da moderna teoria dos fins da 
pena. Essas bases se apoiam em dois pilares: (1) a teoria da imputação objetiva, que é o grande 
destaque do funcionalismo, como dimensão normativa do tipo; (2) a ampliação do conceito de 
culpabilidade. Assim, um moderno sistema penal deveria ser estruturado teleologicamente, ou 
seja, atendendo às finalidades valorativas. A ação funcionalista. A ação não estaria definida por 
algo empiricamente preexistente (no caso da teoria causalista, a conduta voluntária e no caso do 
finalismo, a conduta finalista), mas sim por uma identidade do aspecto valorativo: o homem como 
centro espiritual da ação. Não se inclui, portanto, condutas unicamentecorporais ou somáticas 
do homem, ou seja, sem o seu controle. São exemplos as condutas de um sonâmbulo ou de uma 
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CaP. 3 • tEoria do CrimE 89
pessoa que sofra ataque convulsivo (Roxin, ob. cit., p. 252). O tipo funcionalista. Para Roxin, o 
tipo penal em abstrato surge em atendimento à prevenção geral, visando desestimular a sociedade 
para a prática de delitos. Mas no caso do funcionalismo, a política criminal na prevenção geral 
exige a interpretação do fim da lei incriminadora e também uma precisão da lei penal, ou seja, 
não pode ser ambígua. Também em segundo lugar, incide sobre o tipo, a culpabilidade, vedando-
-se o princípio do versari in re illicita (dispensa do elemento subjetivo no tipo penal) (ob. cit., p. 
218-219). O injusto funcionalista. Deve-se falar em injusto e não somente em antijuridicidade. 
São três os elementos. (1) solução de conflito de interesses para a punição; (2) fundamento para 
a aplicação das medidas de segurança; (3) entrelaçamento do direito penal com todo o restante 
do ordenamento jurídico. Nossa preferência. Preferimos o conceito de crime como fato típico 
e antijurídico (posição bipartida), entendendo a culpabilidade como pressuposto de aplicação 
da pena. Exemplo é o homicídio. Matar alguém. Se atiro em alguém, existe previsão da lei ou 
do tipo, daí que cometi fato típico. Não ajo com alguma excludente de antijuridicidade, daí que 
a minha conduta é contrária à lei: fato típico e antijurídico. Esse entendimento do conceito de 
crime é denominado por Luiz Flávio Gomes (Direito penal, v. 2, parte geral, p. 182) de finalismo 
dissidente. Predomina na doutrina, inclusive mundial, o sistema tripartido clássico, prevendo os 
três elementos na conceituação do crime: tipicidade, antijuridicidade e culpabilidade, acrescido 
da autonomia dos mesmos (Luiz Flávio Gomes e outro, Direito penal, v. 2, parte geral, p. 207 e 
545). Classificação pela separação ou não da tipicidade e da antijuridicidade. Maurach cita outra 
classificação: (1) Teoria bipartida: dois elementos: o primeiro é a tipicidade e a antijuridicidade 
juntas mais a culpabilidade (Mezger e Sauer). (2) Teoria tripartida: são três elementos: tipicidade, 
antijuridicidade e culpabilidade. A tipicidade seria um mero indício de antijuridicidade, sendo 
esta a teoria dominante (Derecho penal, parte general, p. 224).
Atenção:
Prevalece na doutrina o entendimento de que crime é fato típico, antijurídico e culpável (teoria 
clássica tripartida).
Infração penal: abrange crime (delito) e contravenção penal. O art. 1º da Lei de Introdução 
ao Código Penal prevê o seguinte: “Considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena 
de reclusão ou detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena 
de multa; contravenção, a infração a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou 
de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente.” O sistema clássico brasileiro é bipartido, 
admitindo (1) o crime ou o delito; e (2) a contravenção, seguindo o modelo italiano. O art. 28 
da Lei de Drogas não estipula tecnicamente pena privativa de liberdade. Todavia, continua sendo 
denominado de “crime” (STF, RE 430.105-9-RJ, j. 13-2-2007). Na Alemanha, adota-se o sistema 
tripartido, incluindo (1) crime; (2) delito; e (3) contravenção. No sistema tedesco, a diferença 
entre crime e delito reside na pena em abstrato, tal qual na nossa Lei dos Juizados Especiais 
criminais. No caso de crimes, a privativa de liberdade cominada em abstrato seria de um ano 
ou maior, sendo que o CP alemão só prevê a pena máxima. 
No caso dos delitos, as penas privativas seriam inferiores a um ano ou com apenas pena 
pecuniária (Wessels, Direito penal, parte geral, p. 7).
Contravenção penal é uma espécie de infração penal de menor potencial ofensivo. Também 
através da Lei de Introdução ao Código Penal, em seu art. 1º, existe uma distinção sobre a forma 
de execução da pena. Se for crime, pena de reclusão e detenção e multa. Se for contravenção, 
prisão simples mais multa. Há uma tendência moderna em apenas se criar crimes e com pena 
somente de reclusão, não mais se criando tipos penais contravencionais.
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DIREITO PENAL NA MEDIDA CERTA PARA CONCURSOS • Válter Kenji Ishida90
Estrutura do crime: vamos analisar, agora, a forma de apresentação dos crimes da parte es-
pecial (exemplos: homicídio do art. 121, roubo do art. 157 etc.). Sujeito ativo do crime: é aquele 
que pratica o fato típico ou realiza o núcleo do tipo (pratica o verbo). Exemplo: no homicídio, 
qualquer pessoa física, pois qualquer ser humano pode praticar este crime. Todavia, a figura do 
sujeito ativo não se confunde com a de autor e inclui, portanto, o partícipe. Sujeito passivo do 
crime: é quem sofre a lesão ou o perigo de lesão (Luiz Flávio Gomes e outro, Direito penal, v. 
2, parte geral, p. 260). Pode ser geral (constante), que é o Estado, e particular (eventual), que 
pode ser a pessoa física ou jurídica e ainda o próprio Estado ou a coletividade. Em todos os 
crimes, o Estado é atingido. Por exemplo, o art. 340 do CP trata da comunicação falsa de crime 
ou contravenção, sabendo o agente que o fato não se verificou. Quem é o sujeito passivo? O 
Estado, pois é o serviço de segurança que fica prejudicado pela falsa comunicação de crime. 
Em todos os demais crimes, o Estado sempre é o sujeito passivo, sempre estará sendo atingido 
pelo cometimento de algum crime.
3.2 CAPACIDADE PENAL
1. conceito: conjunto de condições para que o sujeito seja titular de direitos e obrigações no 
campo penal; 2. pessoas físicas e jurídicas: atualmente, tanto a pessoa física (o ser humano) 
pode cometer um crime (exemplo: o homicídio) como também pode ser imputada a responsa-
bilidade penal à pessoa jurídica (por exemplo, uma empresa). A própria CF, em seu art. 225, § 
3º1, permitiu a penalização da pessoa jurídica. Historicamente, o sistema da common law sempre 
admitiu a responsabilidade penal da pessoa jurídica. Por outro lado, os Estados que aderiram 
aos sistemas codificados, incluindo a Europa Continental e a América Latina rejeitaram essa res-
ponsabilidade penal da pessoa jurídica. A exceção é a França que admitiu essa responsabilização, 
exceto para crimes essencialmente vinculados à pessoa física como o homicídio e o estupro. O 
Brasil, com a CF, adotou o sistema francês, mas limitou essa responsabilidade aos crimes am-
bientais (Juarez Cirino dos Santos, Direito penal, parte geral, p. 683). Como a mesma pode ser 
atingida? Através de uma pena restritiva de direitos, como no caso de interdição da empresa ou 
através de uma pesada multa (calculada em dias-multa). Por exemplo, a Lei nº 9.605/ 98, que 
trata dos crimes contra o meio ambiente, prevê que são penas restritivas de direitos da pessoa 
jurídica a suspensão de sua atividade (por exemplo, se explora a extração de ferro na Serra dos 
Carajás, o juiz pode ordenar a paralisação dessa atividade), interdição temporária de obra (uma 
empresa que está construindo uma rodovia como a Transamazônica, desmatando, pode sofrer 
como pena a paralisação desta obra) e finalmente existe a proibição de contratar com o Poder 
Público. Outra particularidade desta lei é o art. 34, que veda, por exemplo, a pesca no período 
em que a mesma é proibida, punindo com pena de um ano a três anos de detenção ou multa, 
ou ambas cumulativamente. Deixada de lado a discussão sobre a falta de ação ou omissão 
da pessoa jurídica, anteriormente, prevalecia na responsabilização da pessoa jurídica a teoria 
da dupla imputação, não admitindo que o delito seja direcionado exclusivamente à pessoa 
jurídica. Era a chamada responsabilidade indireta ou por ricochete (Luiz Flávio Gomes e outro, 
Direito penal,v. 2, parte geral, p. 260). Assim, a pessoa jurídica só responderia penalmente se 
houvesse responsabilização também da pessoa física. Essa posição jurisprudencial foi alterada, 
entendendo o STJ que é possível a responsabilização da pessoa jurídica nos crimes ambientais, 
1. Art. 225, § 3º, da CF: “As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os 
infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da 
obrigação de reparar os danos causados.”
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independentemente da responsabilização da pessoa física (RMS 39.173/ BA, Rel. Min. Reynaldo 
Soares da Fonseca, j. 6/ 8/ 2015, DJe 13/ 8/ 2015).
Objetos do crime: 1. o objeto pode ser jurídico: bem jurídico: o bem ou interesse protegido 
pela norma penal. Para Hassemer (Theorie und Soziologie des Verbrechens, p. 19 e ss apud Mau-
rach, Derecho Penal..., p. 216), existem dois aspectos no conceito de bem jurídico: (1) critério 
intrassistemático, que serve para organização dos tipos penais, relacionando-se ao conceito formal; 
(2) critério crítico do sistema: a escolha do bem jurídico se relaciona à política criminal e ao 
conceito material de direito material. No latrocínio, qual é o bem jurídico protegido? É crime 
complexo: primeiro se protege o patrimônio (objeto imediato), depois, o bem vida (mediato); 
2. objeto material é o elemento típico sobre o qual recai a conduta. O objeto da ação pode ser 
corpóreo. Por exemplo: no homicídio, a bem jurídico é a vida e o objeto material é o corpo 
físico. No crime de falsificação de documento público do art. 297 do CP, o objeto jurídico é a fé 
pública e o objeto material pode ser a cédula de identidade, com a colocação de outra fotografia. 
O objeto material pode ser ainda incorpóreo: nos crimes contra a honra, não existe corporifica-
ção do objeto, mas ele existe: a honra. Há crimes sem objeto material, como o falso testemunho 
(Luiz Flávio Gomes e outro, Direito penal, v. 2, parte geral, p. 261). Entre o bem jurídico e o 
objeto material não existe uma identidade (não são iguais), mas uma complementação (Busato, 
Fundamentos para um direito penal democrático, p. 55). 
Punibilidade: é a consequência jurídica do crime. Com a violação da norma, surge ao Estado 
o direito de punir (jus puniendi). A punibilidade não é requisito, isto é, não integra o conceito 
de crime para a maioria da doutrina.
3.3 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES
Crime comum: pode ser praticado por qualquer pessoa. Não exige nenhuma qualidade 
especial. É o caso do homicídio. Crime próprio: somente pode ser praticado por determinada 
categoria ou exige uma qualidade especial, mas admite coautoria ou participação de pessoa 
comum. Exemplo infanticídio: a mulher em estado puerperal pode matar o filho recém-nascido, 
mas pode haver outra instigando-a a fazer isto (exemplo: o marido). Se a mulher ordena que o 
marido mate (situação de infanticídio permitida pela doutrina dominante), o crime continua 
sendo próprio, pois exige uma condição ou qualidade especial, mesmo que essa qualidade este-
ja presente na figura do partícipe. Os crimes omissivos impróprios por exigirem uma qualidade 
especial também são exemplos de crimes próprios (Luiz Flávio Gomes e outro, Direito penal, v. 
2, parte geral, p. 258). Essa qualidade especial significa um destaque, uma separação efetiva 
entre a pessoa comum e a pessoa com qualidade ou característica especial. Roxin menciona a 
necessidade de o agente ter uma qualidade especial no que denomina crime especial (o que 
seria para nós o crime próprio). Existiria para esse agente criminoso um dever extrapenal, ou 
seja, seria uma “infração de dever”. Seria exemplo o crime de corrupção passiva previsto no § 
331 do CP alemão (Derecho penal, parte general, tomo I, p. 338). Assim, não se pode qualificar 
como característica ou qualidade pessoal, a pessoa contaminada pela doença grave no delito de 
perigo de contágio de moléstia grave. Em outras palavras, estar o agente criminoso contamina-
do pode ser uma característica, mas não uma característica especial que eleve o delito a crime 
próprio. Deve ser interpretado portanto, como qualquer pessoa que possua uma moléstia grave, 
ou seja, um crime comum. Na mesma toada, o crime de homicídio culposo ao volante. Por 
exigir o condutor (o motorista) não se pode qualificar como crime próprio, porquanto não se 
trata de uma qualidade especial. Trata-se de um crime comum, podendo ser exercido por qual-
quer pessoa, mas “de forma parcialmente vinculada”, quanto a esse requisito de ser o condutor 
(Renato Brasileiro de Lima, Legislação..., p. 1406). Crime próprio quanto ao sujeito passivo. De 
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regra, qualquer pessoa física ou jurídica pode ser sujeito passivo. Contudo, em alguns delitos 
existe um ente específico para ser sujeito passivo. P. ex. um dos poderes constitucionais (Execu-
tivo, Legislativo ou Judiciário) no crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. 
Esta classificação se torna imprópria, já que a rotulação de crime próprio deve se limitar ao 
sujeito ativo, não se estendendo ao sujeito passivo. Crime de mão própria: como o próprio 
nome diz, deve possuir a “mão” do agente, ou seja, deve atuar pessoalmente, o que o induz a se 
posicionar como autor. Segundo Janaina Conceição Paschoal (Direito penal, parte geral, p. 67), 
mão própria é o crime que não admite coautoria, mas tão somente a participação. Ou, ainda, 
crime de mão própria é aquele que deve ser cometido diretamente pela pessoa, não admitindo 
que outra realize para essa pessoa. Exige atuação pessoal e exclusiva do agente na autoria. Con-
forme Wessels: “Nos delitos de mão-própria o tipo pressupõe que a ação se realiza diretamente 
pela própria mão, porque o desvalor especial da conduta do delito em causa só deve ser realiza-
do deste modo. Quem não executa pessoalmente a ação não pode ser nem autor, nem coautor 
e nem autor mediato, mas somente partícipe (= instigador ou cúmplice) (Direito penal, parte 
geral, p. 10).’ Um exemplo é o crime de falso testemunho (art. 342) ou perjúrio: seguindo juris-
prudência dominante, não é possível a coautoria nesse tipo de delito pelo advogado. Convém 
anotar que tal limitação se restringe à coautoria, admitindo para a corrente dominante a parti-
cipação (RTJ 75/ 104). Porém, alguns julgados, ao rotularem tal crime como de mão própria, 
acabam por não admitir a coautoria e a participação (RT 601/ 321, RT 570/ 289). Outro exemplo 
é o crime de abandono intelectual (art. 246 do CP), já que não pode ser praticado senão pelos 
pais e trata-se de conduta omissiva. Igualmente o crime de abuso de autoridade na modalidade 
do art. 9º, parágrafo único, inciso I, da Lei nº 13.869/ 19, pois somente o juiz poderá deixar de 
ordenar o relaxamento de prisão. É possível nos tribunais que haja coautoria de juízes, mas isso 
não descaracteriza o crime de mão própria. Portanto, o correto é dizer que no crime de mão 
própria, a pessoa com qualidade pessoal, deve figurar como autora. O crime de mão própria 
não se confunde com o crime de domínio, em que se aplica a teoria do domínio do fato. 
Exemplo: homicídio cometido por agente em obediência ao chefe de quadrilha. Nesse caso, o 
crime é comum. Predomina, nesse caso, que o dominador é verdadeiro “autor”. Crime simples: 
é aquele que protege apenas um bem jurídico. Ex: o homicídio, já que protege somente a vida. 
Crime complexo: protege dois ou mais bens jurídicos. Ex: o latrocínio. Protege o patrimônio e 
a vida. Crime habitual: exige habitualidade para a consumação, ou seja, deve haver uma práti-
ca reiterada e contínua, não bastando que a conduta seja feita em apenas uma ocasião. Cadaato 
ou conduta isolada é um indiferente penal. Exemplo: casa de prostituição (art. 229 do CP). O 
crime habitual é denominado crime habitual próprio, distinguindo-se do habitual impróprio. 
Neste, existe uma reiteração de crimes instantâneos ou permanentes, como, p. ex., a prática 
reiterada de roubos (crime instantâneo), próprio da continuidade delitiva. Crime de dano: é o 
que se consuma com a efetiva lesão do bem. Por exemplo, no roubo, o bem patrimônio deve 
ser efetivamente atingido. Como conceito, o crime de dano se refere ao bem jurídico, diferen-
ciando-se do crime de perigo quanto ao momento de consumação do crime. Já o crime material, 
refere-se à consumação quanto ao resultado naturalístico. O que não se pode afastar é que o 
dano se aproxima do resultado naturalístico. Crime de perigo: é o que se consuma com a pos-
sibilidade de dano ou com o simples perigo ou risco. Esta classificação em muito se aproxima 
da fornecida aos crimes materiais em contraposição aos formais e de mera conduta. Por isso, 
entendemos que pode existir um crime de perigo (abstrato ou concreto) em um crime formal 
ou de mera conduta. A simples prática do verbo que gera a consumação nos crimes formais e 
de mera conduta, na verdade, contém o “perigo” da prática desse verbo. Exemplo: perigo de 
contágio venéreo do art. 130 do CP. Pode ser perigo individual (indivíduo ou grupo) ou 
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coletivo (número indeterminado de pessoas). Pode ser ainda perigo abstrato (presumido) ou 
concreto (deve ser provado). É possível um crime de perigo abstrato e ao mesmo tempo formal, 
como o crime de participação em suicídio ou automutilação. Existem crimes ecléticos ou mistos, 
incluindo na consumação, a ocorrência do dano e do perigo. É a hipótese do crime de epidemia. 
Para configuração, exige-se a contaminação por determinada parcela da população (dano), mas 
existiria a maior parte da população não contaminada (e nesse caso, existiria o perigo). Crime 
de ação única: contém apenas uma modalidade de conduta (aqui se entende verbo). Exemplo: 
no homicídio, existe uma única conduta descrita: matar alguém (art. 121 do CP).Crime de ação 
múltipla: contém tipos alternativos ou múltiplos, fornecendo mais de uma conduta. O exemplo 
típico é do art. 33 da Lei de Tóxicos, que contém vários verbos: adquirir, transportar, ter em 
depósito, vender, guardar etc. Mesmo que o agente realize mais de um verbo, o crime é único, 
aplicando-se o princípio da alternatividade: vários verbos, mas um único crime. Crime falho: 
incide na tentativa perfeita. O agente esgota todos os meios para consumar o crime, mas não 
consegue atingir o seu intento. Exemplo: o agente descarrega as balas de metralhadora na pessoa 
e esta ainda sobrevive. Ele, o agente, julga que tinha liquidado a vítima. Crime profissional: não 
se confunde com o crime próprio e nem com o de mão própria. Delito profissional é aquele 
praticado por profissional, valendo-se desta atividade para praticar. Pode incidir em: Crime 
funcional: é o praticado por funcionário público. Exemplo: concussão (exigência de dinheiro 
para não realizar ato – art. 316 do CP).Crime consumado: onde se reúnem todos os elementos 
de sua definição legal. O conceito é extraído do art. 14, I, do CP. Exemplo: no homicídio, o 
crime se consuma com a morte da vítima. Crime tentado: é aquele em que, iniciada a execução, 
não se consuma o crime, por circunstâncias alheias à vontade do agente. Exemplo: no homicídio, 
dispara cinco tiros, mas não mata a vítima. Seu desejo era matar, mas ocorreram circunstâncias 
que impediram a morte (exemplo: ser socorrido prontamente no nosocômio). Crime exaurido: 
é o que, depois de consumado, atinge suas últimas consequências, lesivas ou não. Exemplo: 
extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP) e o pagamento do resgate. Crime impossível: é 
aquele impossível de se consumar em razão da ineficácia absoluta do meio ou por absoluta 
impropriedade do objeto (art. 17 do CP). Por exemplo: algumas jurisprudências tendem a dizer 
que há ineficácia do meio (o furtador não iria, pelo seu método de furtar, consumar o crime) 
da pessoa que sai com objeto ou roupa etiquetada com alarme e este dispara, acionando a vigi-
lância. Ressalte-se que, na prática, a inserção de papel-alumínio dentro da sacola impede que o 
alarme soe, portanto, admitindo possibilidade da consumação. Solução: tecnicamente, comete 
tentativa de furto. Quanto ao crime impossível, o CP fala em “não se pune”, isto é, não se aplica 
a pena. Crime instantâneo: é aquele cuja consumação não se prolonga no tempo, ou seja, é de 
consumação imediata. Exemplo: furto (art. 155). Subtraiu e ficou com a posse tranquila, consu-
mou-se o crime. Crime permanente: é aquele cuja consumação se prolonga no tempo, enquan-
to perdurar a conduta do sujeito ativo. Isso depende da interpretação do verbo. Isso é impor-
tante para a prisão em flagrante, pois, como a consumação se prolonga, pode ser preso a 
qualquer momento. Está previsto no art. 303 do CPP: “Nas infrações permanentes, entende-se 
o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência”. Exemplo: art. 33 da Lei de 
Tóxicos (guardar droga para fim de tráfico) ou extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP): 
enquanto estiverem sequestrando, os sujeitos ativos podem ser presos em flagrante delito. A 
consumação ocorre num primeiro momento, mas prolonga-se no tempo até a cessação da con-
duta típica. Outrossim, no Inq. Nº 4.781 do STF, decisão de 16 de fevereiro de 2.021 do Min. 
Alexandre de Moraes, decidiu-se que as condutas 17, 18, 22, incisos I e IV, 23, incisos I, II e IV 
e 26, da Lei de Segurança Nacional, podem ter essa qualidade de permanência se houver publi-
cação em rede social na Internet (no caso Youtube) e existir grande acesso (no caso 55 mil 
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acessos). Crime instantâneo de efeitos permanentes: a consumação ocorre de imediato e seus 
efeitos não podem mais ser desfeitos. Exemplo: homicídio. A mata B. Mesmo se arrependendo, 
A não poderá mais remediar a situação. O efeito morte se perdura no tempo. O STF entendeu 
que o estelionato previdenciário é crime instantâneo de efeitos permanentes, ocorrendo a con-
sumação a partir do recebimento do primeiro benefício (HC 95379/ RS, Rel. orig. Min. Ellen 
Gracie, red. p/ o acórdão Min. Cezar Peluso, 25-8-2009). Mas, na verdade, o estelionato previ-
denciário é crime instantâneo, sem se poder catalogar como permanente, em razão da possibi-
lidade de reversibilidade. Crime eventualmente permanente: é aquele instantâneo, mas que, 
presentes determinadas características da conduta típica, será permanente (exemplo: o crime de 
estelionato praticado contra a Previdência Social, que se consuma cada vez que o agente recebe 
uma parcela do benefício indevido). Tecnicamente, seria crime continuado. Melhor exemplo 
seria do furto. O furto de uma carteira seria crime instantâneo. Já o furto de água, através de 
ligação clandestina, seria um crime permanente.
Então o que diferencia um crime instantâneo do crime permanente é o TEMPO DE DURAÇÃO DO 
VERBO.
Crime material: é aquele que requer um resultado dito naturalístico separado da conduta 
(ação ou omissão). Naturalístico é o mesmo que natural. No caso, um resultado que se produz na 
natureza. Exemplo: art. 121 – matar é a ação. Resultado naturalístico é a morte da vítima. Crime 
formal: é aquele que não requer o resultado previsto no tipo para a consumação, bastando a ação 
ou omissão do agente. Exemplo: extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP), basta a ação de 
sequestrar, não se exigindo a vantagem patrimonial (o dinheiro). O crime formal pode ou não 
admitir a tentativa. Praticado pelo meio oral, normalmenteé unissubsistente (injúria, ameaça ou 
assédio sexual oral), não admitindo a tentativa. Praticado pelo meio escrito, é possível o conatus 
(tentativa). Um exemplo que contém crime material e crime formal é o da corrupção passiva (do 
funcionário). No solicitar ou aceitar promessa de vantagem indevida, crime formal. No receber, 
crime material (tal qual no subtrair do furto). Há entendimento que nos três casos o crime é 
formal (entendimento predominante, já que o resultado naturalístico seria o ato de ofício). O 
crime formal, dispensando o resultado naturalístico, é também de perigo. P. ex. o STJ admitiu 
“o crime formal de perigo abstrato” na hipótese no crime do artigo 183 da Lei nº 9.472/ 1997, 
bastando que “que alguém desenvolva de forma clandestina as atividades de telecomunicações, 
sem necessidade de demonstrar o prejuízo concreto para o sistema de telecomunicações.” (AgRg 
no REsp 1430241/ RO, DJe 10/ 06/ 2014). Crime de mera conduta: é aquele que não precisa e 
não possui o resultado naturalístico no tipo penal. Exemplo: porte ilegal de arma permitida com 
numeração (art. 14 do Estatuto do Desarmamento) (TJSP – Apelação Criminal nº 990.08.052428-
3 – Guarujá – 9a Câmara de Direito Criminal – Relator: Sérgio Coelho – 10.12.09 – V.U. – Voto 
nº 9504). O crime se consuma apenas com o trazer consigo pelo agente. Suponha que o agente 
portasse para fins de praticar roubos. Essa finalidade (roubo) não é expressa no tipo do porte 
de arma, bastando para consumar o trazer consigo. Logo, é crime de mera conduta. Em igual 
sentido, o crime de omissão de socorro (art. 139 do CP). O tipo penal não prevê o resultado 
(por exemplo, a morte da vítima). Basta que o agente não socorra para consumar o crime, não 
existindo o resultado morte previsto no tipo penal. Os crimes formais e os de mera conduta são 
chamados de crimes de atividade. Classificação apenas em crime material e crime de mera 
conduta. Há autores como Juarez Tavares que classificam os crimes em crime de resultado 
(material) e em crime de mera atividade (mera conduta). Mas esta classificação em nada se re-
laciona à classificação da teoria causal acima exposta baseada no resultado naturalístico (Teoria 
do injusto penal, p. 244). Crime de resultado. Nesse sentido crime de resultado seria aquele em 
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que se poderia diferenciar no espaço e no tempo, a conduta (ação) e o efeito (resultado). Mas 
esse efeito não se limitaria ao resultado naturalístico (dano), mas abrangeria a lesão (dano) e 
o perigo concreto (Roxin, Derecho penal, parte generale, tomo I, p. 328). Portanto, o resultado 
naturalístico poderia ser representado pelo perigo concreto. Toda vez que se pudesse diferenciar 
duas fases, haveria delito de resultado. O homicídio se enquadraria, pois existiria a conduta e 
o resultado (dano), abrangendo a morte (Teoria do injusto penal, p. 244). Crime de mera ati-
vidade. Por outro lado, crime de mera atividade seria aquele em que não se pode diferenciar 
duas etapas, porquanto o efeito se esgota já na conduta (ação) (Roxin, Derecho penal, parte 
generale, tomo I, p. 328). O exemplo o delito de injúria: haveria duas etapas que já ocorreriam 
na conduta: a emissão da ofensa e o conhecimento pelo ofendido da ofensa. Daí este delito que 
para classificação clássica seria crime formal, na visão de Tavares seria crime de mera atividade. 
Daí não ter cabimento sob esse ponto de vista a classificação do crime formal. Isso porque em 
todos os delitos (de resultado e de atividade), haveria o dano ao bem jurídico (Teoria do injusto 
penal, p. 246). Na verdade, essa análise depende do que se considera resultado ou dano para a 
consumação do crime. Para a teoria causalista, entendemos com o resultado naturalístico (e não 
o perigo concreto). E também qual a conceituação de crime material e de mera conduta para 
ambas as correntes. A conceituação clássica e a própria teoria clássica sempre alvo de crítica dos 
penalistas alemães, só pode ser utilizada no universo penal brasileiro quando se demonstrar útil 
ao sistema jurídico-penal brasileiro. Na hipótese do direito penal brasileiro, a conceituação clássica 
se mostra ainda útil para trabalharmos com a consumação do delito e com o apenamento do 
agente criminoso. Crime comissivo: é o que exige uma atuação positiva do agente. Exemplo: 
no furto, art. 155 do CP, exige-se a realização do verbo subtrair.
Crime omissivo: é aquele que exige uma conduta negativa do agente, um não fazer quan-
do existiria obrigação para fazer. Existem os crimes de omissão própria, que são previstos no 
próprio tipo penal. Exemplo: omissão de socorro (art. 135 do CP) e o crime de abandono 
material, por exemplo, ao deixar de pagar a pensão (art. 244 do CP), e ainda o crime de 
abandono intelectual (art. 246 do CP), ao deixar de proporcionar ao filho o ensino primário. 
E ainda existem os crimes de omissão imprópria com previsão no art. 13, § 2º, do CP. Nesse 
caso, o agente criminoso assume a função de “garante”. Existe um dever de praticar uma con-
duta comissiva que não é obedecido. Crime progressivo: é aquele que exige do agente, para 
alcançar resultado mais grave, uma passagem anterior pelo resultado menos grave. Exemplo: 
no homicídio, há necessidade de produzir lesões corporais. Difere da progressão criminosa 
em que primeiro o agente quer praticar um crime (exemplo: lesão corporal) e depois deseja 
praticar outro (homicídio doloso), destacando-se nitidamente dois dolos, embora o agente tam-
bém irá responder só pelo homicídio doloso. Crime principal: é o que independe da prática 
de delito anterior. Exemplo: o furto ou roubo. Crime acessório: é o que depende da existência 
de infração anterior. Exemplo: art. 180 do CP (receptação) é crime acessório porque depende 
da existência de crime anterior (p. ex.: o furto). Crime hediondo: é aquele que causa maior 
repulsa ou reprovação social, causando clamor público. O critério é legal e taxativo, ou seja, só 
são hediondos os citados no art. 1º da Lei nº 8.072/ 90. O tráfico de drogas não é hediondo, é 
somente equiparado. Crime de flagrante esperado: é aquele em que o sujeito passivo aguarda o 
momento de sua consumação ou mesmo do exaurimento para a prisão em flagrante. É admitido. 
Consoante tese sobre prisão em flagrante do STJ: “No flagrante esperado, a polícia tem notícias 
de que uma infração penal será cometida e passa a monitorar a atividade do agente de forma 
a aguardar o melhor momento para executar a prisão, não havendo que se falar em ilegalidade 
do flagrante.” Crime de flagrante preparado: é aquele em que o agente é levado a praticar o 
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crime por instigação de alguém (teoria da armadilha)2. O exemplo é o policial disfarçado que 
induz o agente a adquirir o entorpecente para consumo próprio. Tratando-se de modalidade 
de crime impossível, não é válido, mas, no caso específico do tráfico, a jurisprudência admite a 
condenação por conduta anterior como guardar ou ter em depósito. Crime de responsabilidade: 
é aquele que viola dever de cargo ou função. Exemplo: crime de responsabilidade de prefeitos e 
vereadores (Decreto-lei nº 201/ 67). A sanção é nitidamente administrativa, como v.g. a perda do 
cargo. Crime de circulação ou de trânsito: é aquele praticado através de automóvel. Exemplos: 
homicídio culposo (art. 302 da Lei nº 9.503/ 97) e lesão corporal culposa (art. 303 da mesma 
lei). Crime vago: é aquele que, normalmente, não possui sujeito passivo determinado, sendo 
este a coletividade. Exemplo: crime de publicidade enganosa (art. 67 da Lei nº 8.078/ 90). Não se 
confunde com o crime oco, que é assim denominado porque o meio escolhido é ineficaz (crime 
impossível). Crime deatentado (ou crime de empreendimento): é aquele que equipara, no 
próprio tipo, a forma tentada e a consumada. Exemplo: crime do art. 2º, IX da Lei nº 1.521/ 51: 
“obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de 
pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve” (compra de bilhete 
“premiado”, com repasse para outros), “cadeias” (correntes da sorte), “pichardismo” (promessa 
de aquisição de várias mercadorias) e quaisquer outros equivalentes). Crime político: é aquele 
que atinge a soberania nacional e a ordem política (art. 359-K do CP). Se for exclusivamente 
político, não admite a extradição do estrangeiro (art. 5º, LII, da CF). Se vinculado ao terrorismo 
admite (art. 4º, VIII, da CF). Crime a distância ou de espaço máximo: é o que envolve dois ou 
mais países. Exemplo: tráfico de drogas que sai da Bolívia, passa pelo Brasil e acaba na França. 
Crime plurilocal: é aquele que ocorre dentro do território nacional, porém em locais distintos 
(o local da conduta é diferente do local do resultado). Ex: o agente atira em Carapicuíba (SP) 
e a vítima vêm a falecer em Itapevi (SP) (Renato Brasileiro de Lima, Manual de processo penal, 
p. 535). Crime transeunte: é aquele que não deixa vestígios. Exemplo: injúria verbal se não 
houver gravação (não há vestígios). Crime não transeunte (ou de fato permanente): é aquele 
que deixa vestígios, sendo obrigatório o exame de corpo de delito (art. 158 do CPP). Crimes 
de atentado ao Estado de Direito: são ilícitos que atentam contra o bem jurídico segurança 
nacional. Exemplo: crime do art. 359-L do Código Penal. Crime em ricochete: ricochete significa 
desvio de direção. Ocorre tal crime quando incide o chamado dolo direto de segundo grau. 
Exemplo: traficante atira em um bar na vítima que não pagou pela droga, mas acerta também 
os amigos da vítima. Quanto a estas, existe o dolo de segundo grau e o crime em ricochete. 
Há entendimento de que seria crime com dolo eventual.
3.4 FATO TÍPICO
3.4.1 Conceito
Evolução do conceito de tipo penal. Pode-se falar em 3 (três) fases conceituais do tipo penal. 
(1) Teoria da autonomia ou absoluta independência. O tipo com o caráter puramente 
descritivo, sem valoração (BELING). O conceito de Tatsbetand assume um significado técnico 
mais restrito. Para Beling, o tipo é meramente objetivo e descritivo. Mas o próprio Beling se 
refere à tipicidade como sempre antijurídica, dentro de certos limites. Nas palavras do próprio 
autor: “Assim, da sanção da lei deve-se inferir que o tipo de conduta a que se refere a lei penal, 
para o legislador, é antijurídica em todos os casos, dentro de certos limites, de modo que resta 
2. Cleber Masson, Leis de drogas, aspectos penais e processuais penais, 2ª Ed., 2.021, p. 83.
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apenas estabelecer quais são esses limites” (A ação punível e a pena, p. 14). (2) Teoria da indicia-
riedade ou da “ratio cognoscendi”. O tipo tendo o caráter indiciário da ilicitude. Isso significa 
que quando o agente pratica um fato típico, provavelmente esse fato também será antijurídico 
(MAYER). (3) Teoria da absoluta dependência ou da “ratio essendi”. O tipo como própria 
razão da ilicitude, sendo sua ratio essendi (MEZGER). Mezger ao tratar da antijuridicidade 
dentro da própria tipicidade adota uma posição antagônica a de Beling (Rogerio Greco, Código 
penal comentado, p. 36). Das palavras do próprio Mezger ao tratar INJUSTO como sinônimo 
de ANTJURIDICIDADE: “Uma ação só é punível se for antijurídica. A ANTIJURIDICIDADE, 
ou, como se costuma mencionar na atualidade, o INJUSTO, é um pressuposto imprescindível de 
todo fato punível. Antes, o termo mais utilizado era ‘antijuridicidade’, que significa simplesmente, 
que o delito constitui uma violação do direito, ou que se contradiz ao direito. Atualmente, em 
virtude da aversão a conceitos rigorosos ou uma certa predileção por expressões mais vagas, 
se prefere empregar, com dizemos, a palavra injusto (literalmente: no direito: ‘Unrecht’), que 
determina o conceito com menor precisão que a outra”. Mas MEZGER ao citar WELZEL, ex-
trai um conceito deste mais preciso sobre o injusto: “WELZEL, (Syst., 1951;15;16) atribui outro 
sentido às expressões ‘antijuridicidade’ e ‘injusto’. Segundo este autor, a antijuridicidade é uma 
característica de uma ação, e, mais exatamente, a relação que expressa um desequilíbrio entre 
a ação e o ordenamento jurídico, e injusto a ação antijurídica, como conjunto, a saber el 
objeto juntamente com su atributo valorativo (Edmundo Mezger, Derecho penal, parte general, 
p. 131) (negrito nosso). (4) Teoria dos elementos negativos do tipo. Para essa teoria o tipo 
penal é composto de elementos positivos (expressos) aos quais se somam elementos negativos 
(implícitos), incluindo causas excludentes de antijuridicidade (Rogerio Sanches Cunha, Manual 
de direito penal, parte geral, p. 321).
Teoria dominante na doutrina penal brasileira. É a segunda, ou seja, a teoria da indiciarie-
dade ou da “ratio essendi” (Rogério Sanches Cunha, Manual de direito penal, parte geral, p. 322). 
Fato típico. É o comportamento humano que se enquadra perfeitamente aos elementos 
contidos no tipo penal. Para Francisco de Assis Toledo, “para que uma conduta humana seja 
considerada crime, é necessário que dela possa, inicialmente, afirmar a tipicidade, isto é, que tal 
conduta se ajuste a um tipo legal de crime” (Princípios básicos de direito penal, p. 125). Para Nucci 
(Manual de direito penal, p. 183), a subsunção do fato ao tipo é a tipicidade, enquanto o fato 
típico seria a soma da conduta, nexo causal e resultado amoldados ao modelo legal. A doutrina 
penal brasileira é essencialmente objetivista, preocupando-se primeiramente com o atingimento 
do bem jurídico tutelado e só depois investigando o comportamento do agente. Mesmo o dolo é 
analisado posteriormente. Primeiro analisa-se o fato objetivo (Luiz Flávio Gomes e outro, Direito 
penal, v. 2, parte geral, p. 214).
Injusto penal. O injusto no sistema clássico (Liszt, Beling) comportaria um aspecto objetivo 
(tipicidade e antijuridicidade) mais outro aspecto subjetivo (localizado na culpabilidade). De 
qualquer forma, o estudo sempre recaiu sobre a tipicidade, a antijuridicidade e o dolo e a culpa. 
Com a inclusão do dolo no tipo penal, o injusto penal se restringiu à tipicidade e à antijuridi-
cidade. Haveria no caso um tipo total do injusto pela teoria da “ratio essendi” (Maria Fernanda 
Salesse Pereira, OS EFEITOS DA CONCEPÇÃO DO INJUSTO PENAL, p. 221, “in” www.ojs.toledo.br 
› direito › article › download, acesso em 02-01-2.020, 21h40min). O tipo incluiria a antijuridici-
dade, surgindo a teoria dos elementos negativos do tipo (Greco, Código penal comentado, p.36). Na 
doutrina penal brasileira, costuma-se separar a tipicidade da antijuridicidade. Isso não ocorre p. ex. 
na doutrina penal alemã que prefere entender como uma única fase, denominando esse amolda-
mento do fato ao injusto penal. Para Roxin, o injusto significa uma categoria que enquadra uma 
ação típica concreta, incluindo todos os elementos reais da respectiva situação (fática), conforme os 
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critérios permissivos e proibitivos. A antijuridicidade não seria uma categoria especial (Derecho 
penal, parte general, tomo I, p. 219).
Justificativa para a unidade do injusto. A unificação da tipicidade e da antijuridicidade 
ocorreu em razão da necessidade se fornecer uma estabilidade e uma universalidade para a 
ciência jurídica. Diferencia-se nesse ponto e nessa teoria, a antijuridicidade ou ilicitude do 
injusto. A antijuridicidade ou ilicitude entendidas como expressões sinônimas constituiriauma característica da ação, uma relação da conduta proibida ou imposta e a totalidade da 
ordem jurídica. O injusto representaria a ação típica e antijurídica. Os fundamentos do injusto 
dizem respeito tanto aos limites e pressupostos do tipo quanto ao juízo de antijuridicidade 
(Juarez Tavares, Teoria do injusto penal, p. 134). Os motivos para se exigir a união decorrem 
inicialmente de que a antinormatividade (tipicidade) e a oposição do cometimento frente à 
ordem jurídica devem ser vistos na sua totalidade. Em segundo lugar, enquadra-se no prin-
cípio da legalidade, exigindo que seus elementos sejam definidos em lei escrita e presentes 
ao caso concreto. A conjugação desses dois fatores é mais um critério da política criminal do 
que jurídico (Tavares, ob. cit., p. 134). Outra não é a ideia de Miguel Reale Jr., concebendo 
o delito na forma bipartida: “...em uma demonstração de que não tem a antijuridicidade au-
tonomia, mas constitui a outra face da tipicidade. Dessa forma, o delito se compõe da ação 
típica, em suas faces positiva e negativa, e da culpabilidade, o que não importa prejuízo para 
examinar a face negativa, e da culpabilidade, o que não importa prejuízo para examinar a 
face negativa da tipicidade separadamente, ou seja, as causas de exclusão da tipicidade, sob o 
nome de antijuridicidade” (Instituições de direito penal, parte geral, p. 145, apud Prado, Curso 
de direito penal, parte geral e parte especial, p. 178, nota de rodapé 3). HANS-LUDWIG 
GÜNTHER defende a distinção e não a unificação. Isso porque existiram as causas de ex-
clusão do injusto penal (atipicidade) e as de justificação (as excludentes de antijuridicidade). 
Roxin admite essa diferenciação, mas não vê necessidade nessa cisão, já que a questão seria 
puramente de política criminal. 
Fato típico como consequência de um raciocínio mental do juiz (imputação). Pode-se então 
situar a norma no mundo jurídico. Inclui uma proposição da seguinte forma: se acontecer 
determinado fato, aplicar-se-á determinada sanção. Esse é o verdadeiro conceito de norma 
jurídica: a vinculação de uma conduta ilícita a uma sanção. Por isso, nem todo texto legal 
pode ser tido como norma jurídica, considerando esse sentido estrito. O trabalho do jurista 
é de reconstituir ou religar o fato concreto à norma jurídica. O antigo art. 159 do CC de 
1916 é que melhor retratava essa ideia de obrigação, que é fundamental e vincula um efeito 
jurídico ao que ocorre no mundo real ou social. Quando um fato histórico se reproduz, há 
uma coincidência. Há uma abstração, um tipo. Por isso é que se diz que o sujeito faz um 
“tipo”. O tipo, assim, basicamente significa uma estrutura, um modelo. Existe um esquema 
mental de reconhecer um tipo, um standard. No direito penal, fala-se essencialmente em 
um tipo. Isso se passa na cabeça do julgador. É um fato puramente mental (um juízo). Não 
significa uma causalidade, baseada no tempo vs. espaço. O efeito jurídico é imputado pela 
norma (não é causado). A norma é que imputa, tratando-se de um processo mental. Quando 
existe um delito, há incidência, mas não ainda aplicação. Essa ocorre com a imputação da 
norma feita pelo juiz em um processo mental.
Excludente de tipicidade: (1) legal: prevista em lei. Exemplo: intervenção médico-cirúr-
gica do art. 146, § 3º; I; (2) supralegal: não está em lei. Exemplo: princípio da insignificância.
Adequação social: se a conduta é acolhida pela sociedade, deixa de ser considerada lesiva 
ao bem, tornando-a atípica. Exemplo: mostra de seios na praia e o ato obsceno.
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CaP. 3 • tEoria do CrimE 99
3.4.2 Elementos
1. conduta humana dolosa ou culposa; 2. resultado; 3. nexo de causalidade entre conduta e 
resultado; 4. enquadramento do fato material a uma norma penal incriminadora.
Note-se que o estudo técnico se prende à adoção de uma escola, entre as quatro: a escola 
clássica, a finalista, a da adequação social da ação e a da tipicidade conglobante. Para a escola 
clássica, a ação é eminentemente objetiva e dispensa o elemento subjetivo, que somente será ne-
cessário na culpabilidade. Para a escola finalista, não basta causar um resultado, mas é necessário 
buscá-lo. Para a teoria da adequação social, além da conduta, do dolo ou culpa, exige-se ainda 
um valor contrário aos valores sociais (Janaina Conceição Paschoal, Direito penal, parte geral, 
p. 40). A adequação social foi uma criação de Hans Welzel, para quem, embora possa existir 
uma tipicidade formal, poderia existir uma atipicidade quando socialmente adequada. Já para 
a teoria da tipicidade objetiva conglobante, cujo maior expoente é Zaffaroni, para que o fato 
seja típico, são necessários dois fatores: (1) a lesividade, ou seja, a afetação de um bem jurídico 
de forma significativa e; (2) a imputação objetiva, com a comprovação de que o agente se for 
autor, possui domínio sobre o fato e for partícipe, que sua conduta não seja banal ou inócua 
(Eugênio Raul Zaffaroni e outros, Manual de derecho penal, parte general, p. 370). Nesse caso, 
o bem jurídico não chega a ser afetado. É um corretivo da tipicidade legal. O mérito de Zaf-
faroni foi o de ser o primeiro a defender a necessidade da ofensividade inserida na tipicidade, 
contrapondo-se ao conceito tradicional de fato típico formal. Zaffaroni sistematizou a ideia de 
Roxin e passou a dividir a tipicidade objetiva em duas partes: a tipicidade sistemática (formal) 
e a tipicidade conglobante. A tipicidade conglobante abrange o estudo da lesividade (dano ou 
perigo concreto) e mais a imputação objetiva (nexo causal). Assim, Zaffaroni trabalha com o tipo 
objetivo sistemático que se contenta com a fórmula disposta no texto legal e com o tipo objetivo 
conglobante. A partir daí, deve-se verificar a existência de um conflito (função conglobante). 
Para Zaffaroni, nessa segunda etapa, o conflito (ou exclusão da tipicidade) deve levar em conta, 
dois fatores. O primeiro a lesividade, ou seja, uma lesão a um bem jurídico ou a um direito. O 
segundo fator é que exista uma imputação objetiva. Existe, portanto, uma valoração negativa 
(ao contrário) que retira a tipicidade objetiva. Sobre a lesividade, Zaffaroni trabalha tanto com 
o princípio da insignificância, dando o exemplo de alguém que se apodera de um fósforo para 
acender um cigarro. Não obstante, Zaffaroni acaba adentrando também nas excludentes de an-
tijuridicidade, exemplificando com a atipicidade da conduta do oficial de justiça que sequestra 
bens em razão de ordem judicial (estrito cumprimento do dever legal). É nesse ponto que sua 
teoria se torna inovadora, diferenciada. Sobre a imputação objetiva (negativa), Zaffaroni exem-
plifica com o cônjuge que atormenta o outro, acelerando a morte por ataque de coração. Nesse 
ponto, concluiu Zaffaroni, que seria apenas uma imputação moral (Manual de derecho penal, 
parte generale, p. 357-358).
Para Luiz Flávio Gomes (Direito penal, v. 2, parte geral, p. 236) que concorda em parte com 
Zaffaroni, a tipicidade é formal e material. A formal é a acima estudada. A material envolve 
ainda a desaprovação da conduta, a desaprovação do resultado jurídico e a imputação objetiva 
do resultado. Para referido autor, não se pode confundir tipicidade legal com tipicidade penal 
(que possui um conceito muito mais amplo). Em alguns casos, a jurisprudência, sem menção 
específica, já vinha afastando a tipicidade material, como no caso da embriaguez no crime de 
ameaça e de desacato e na hipótese de presentes resultados de pequena monta no crime de 
corrupção passiva.
Note-se que a consideração ou modelo é do crime material (conforme Fernando Capez, Direito 
penal, parte geral, p. 69), ou seja, aquele que, para a consumação, exige o resultado naturalístico. 
É exemplo a morte (resultado naturalístico) no homicídio.
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DIREITO PENAL NA MEDIDA CERTA PARA CONCURSOS • Válter Kenji Ishida100
A doutrina do Tatbestand. A evolução da teoria do tipo. O sentido literal da palavra, Tatbestand 
deriva de Tat = fato e bestehen = naquilo no que o fato consiste. Costuma-se atribuir a Ernst 
von Beling a criação dessa doutrina: “Toda figura delituosa autônoma se compõe de pluralidade 
de elementos, os quais se encontram na correspondente lei penal, e previstos, às vezes, expressis 
verbis (textualmente), às vezes de maneira sub inteligenda (subentendida), para fins de precisão 
na sua interpretação. Encontram-se esses elementos em parte na face externa (objetiva), em parte 
na face interna (subjetiva) da ação” (Beling, Esquema do direito penal: a doutrina do delito-tipo, 
p. 51-52). A “revolução” provocada por Beling é sobre a nova conceituação analítica de crime. 
A tipicidade a partir daí se desprenderia da antijuridicidade e da culpabilidade. Antes de Beling, 
o Tatbestand compreendida todo o delito. A função do tipo para Beling era definir o delito, 
mas de forma objetiva (sem o dolo). O caráter neutro do tipo livrava-o de valorações legais ou 
normativas que se relacionaram com o juízo de antijuridicidade. O tipo penal esgotava-se na 
imagem externa de uma ação determinada. Competia à norma a valoração da conduta. Beling 
diferenciou dentro do injusto objetivo, a tipicidade da antijuridicidade (Bitencourt, Tratado..., 
vol. 1, p. 349-350). A doutrina do tipo legal ou tatbestand é puramente germânica (Ernst Beling). 
Na Itália, p. ex. Delitala falava no conceito analítico de crime como fato humano, antijurídico e 
culpável (Giuseppe Bettiol, Derecho penal..., p. 172-173). Apesar de se creditar à Beling a criação 
da teoria do tipo penal, existe na verdade, uma evolução desse pensamento na visão de Jiménez 
de Asúa (Bitencourt, Tratado..., vol. 1, p. 349).
1ª fase (independência). É a acima retratada de Beling. 2ª fase (ratio cognoscendi da antiju-
ridicidade). É protagonizada por Max Ernest Mayer em seu Tratado de Direito Penal. A partir 
de Mayer é que a doutrina do tipo passou a ser mais aceita. Mayer aceitava o caráter descritivo 
do tipo objetivo, mas acrescentou que o fato da conduta ser típica constitui-se em indício de 
antijuridicidade3. A partir daí, Mayer admitia para o exercício da função indiciária, a existência de 
elementos normativos no tipo, criando um juízo de valor. A tipicidade é o primeiro pressuposto 
da pena, admitindo a antijuridicidade como a segunda (Bitencourt, ob. cit., p. 350-351). 3ª fase. 
Em 1931, Mezger publica o seu Tratado de Direito Penal, difundindo a teoria bipartida do delito. 
Houve uma decretação da falência do tipo descritivo-objetivo de Beling. Esta teoria bipartida de 
Mezger incluiu a tipicidade na antijuridicidade. A tipicidade mais do que simplesmente um indício 
de antijuridicidade. São essenciais a antijuridicidade típica e a culpabilidade típica. Tipicidade 
e antijuridicidade aparecem vinculadas. Mas essa bipartição não teve tanto sucesso, já que os 
doutrinadores ainda continuavam a achar a teoria de Mayer mais razoável (Bitencourt, ob. cit., 
351-352). 4ª fase. A fase defensiva. O destaque de Beling foi a construção do crime como fato 
típico, antijurídico e culpável, elementos estes independentes e harmônicos. Mas apesar disso, 
recebendo várias críticas, reformulou sua teoria, daí a denominação de fase defensiva de Beling. 
Beling distinguiu o tipo de delito (Deliktypus) do Tatbestand ou figura reitora. O tipo de delito 
abrange todas as características internas e externas. Já o Tatbestand não seria apenas descritivo 
como tipo de delito, inclui também a valoração jurídica extraída do acontecimento externo. 
Beling desejava superar alguns problemas como os da tentativa e participação em sentido estrito 
(Bitencourt, Tratado..., vol. 1, p. 353). 5ª fase. O finalismo e a tipicidade complexa. Consoante 
assinala Bitencourt (Tratado..., vol. 1, p. 554), Asúa não destacou essa quinta fase. A complexidade 
se daria pela existência do elemento objetivo, mas também o subjetivo, incluindo o dolo e a culpa. 
3. O indício significa que a maioria dos casos não comporta a excludente de antijuridicidade, e, portanto, 
as condutas são ilícitas. Tanto é que no sistema processual penal, existe uma presunção de ilicitude 
na conduta criminoso do homicídio doloso, não se permitindo o arquivamento, exceto no caso de 
legítima defesa explícita. Caso contrário, o caso deve ser levado para julgamento pelo tribunal do júri. 
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CaP. 3 • tEoria do CrimE 101
Tipo (tipo legal ou Tatbestand): conjunto de elementos descritivos do crime contidos na 
lei penal. É a descrição abstrata contida em uma lei (Luiz Flávio Gomes e outro, Direito penal, 
v. 2, parte geral, p. 228). Para Beling, é o “delito-tipo” (Esquema..., p. 51). Vulgarmente, é o 
“crime”. O direito penal é essencialmente tipológico (Prado, Curso de direito penal brasileiro, v. 
1, p. 322), ou seja, os crimes são descritos todos sob a forma de tipos. Quando Beling criou o 
tipo dogmático, este era ainda causal, já que o dolo ainda se localizaria na culpabilidade. Para 
Binding, o crime não é uma violação à lei penal, mas efetivamente a cumpre, ao se amoldar ao 
tipo penal (Joaquim Renzikowski, Direito penal e teoria das normas, p. 24).
Funções do tipo penal: (1) seletiva: escolhe os objetos jurídicos que serão protegidos; (2) 
garantista: vincula-se à garantia do princípio da legalidade; (3) indiciária da ilicitude: é o primeiro 
juízo da inadequação da conduta; (4) delimitadora do iter criminis.
Classificação dos tipos penais. (1) Tipo fundamental: descreve os requisitos essenciais do 
crime. Normalmente é o chamado caput (cabeça do artigo). Exemplos: homicídio simples (art. 
121, caput) e o furto simples (art. 155, caput). (2) Tipo derivado: integra o mesmo dispositivo 
legal e possui nítida vinculação com o tipo fundamental, mas possui aumento ou diminuição de 
alguma espécie. Exemplo: no homicídio, o homicídio privilegiado (art. 121, § 1º) e o qualificado 
(art. 121, § 2º). (3) Tipo autônomo: possui uma ligação com o tipo fundamental, mas é um crime 
independente. Exemplo: o infanticídio (art. 123). Tem ligação com o homicídio, mas possui um 
dispositivo próprio. (4) Tipo fechado: não exige um juízo de valor. Exemplo: o furto. (5) Tipo 
aberto: exige um juízo de valor. Exemplo: ato obsceno. (6) Tipo simples: é o que descreve só 
uma conduta. Exemplo: no art. 155, a conduta é apenas subtrair. (7) Tipo composto: é aquele 
que descreve várias condutas. Exemplo: o atual crime de estupro descreve a conjunção carnal e 
qualquer outro ato libidinoso. Incide o princípio da alternatividade nesse caso: embora cometa 
dois ou mais verbos, existe apenas um crime. (8) Tipo complexo: exige o requisito objetivo e 
subjetivo (teoria finalista). (9) Tipo congruente: não exige, nada mais além do dolo. Exemplo: 
homicídio. (10) Tipo incongruente ou congruente assimétrico: exige, além do dolo, um requisito 
subjetivo especial, denominado dolo específico para a doutrina italiana ou elemento subjetivo do 
injusto para a alemã. Exemplo: a finalidade de querer a coisa para si ou para outrem no furto 
(conforme Luiz Flávio Gomes e outro, Direito penal, v. 2, parte geral, p. 247-248).
Tipicidade: é a subsunção ou adequação do fato ao modelo previsto (Prado, ob. cit., p. 322). 
É o processo de seleção na lei de ações que o legislador quer sancionar penalmente, ou seja, 
uma adequação de um fato concreto à descrição que desse fato se faz na lei (Franciso Muñoz 
Conde, Teoria geral do delito, p. 4). Adequação típica: perfeita adaptação do fato à norma penal. 
A adequação típica é de fundamental importância, pois, se o fato não se amoldar, será atípico 
e, portanto, não constituirá ilícito penal. Formas de adequação típica: (1) adequação típica de 
subordinação imediata: o fato se enquadra de imediato, sem

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