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Matéria: Direito Penal 
Assunto: Teoria do crime - Erro, tentativa e 
Ilicitude 
 
 
 
Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia
DIREITO PENAL 
TEORIA DO CRIME - ERRO, TENTATIVA E ILICITUDE 
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SUMÁRIO 
1 ITER CRIMINIS ....................................................................................................................................... 3 
2 TENTATIVA ............................................................................................................................................ 6 
2.1 CONCEITO .......................................................................................................................................... 6 
2.2 ELEMENTOS DA TENTATIVA ................................................................................................................. 6 
2.3 ESPÉCIES DE TENTATIVA ...................................................................................................................... 7 
2.4 PUNIBILIDADE DA TENTATIVA ............................................................................................................. 9 
3 DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ ....................................................................... 12 
4 ARREPENDIMENTO POSTERIOR ............................................................................................................ 14 
5 CRIME IMPOSSÍVEL .............................................................................................................................. 17 
6 ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO ................................................................................................... 20 
7 ILICITUDE ............................................................................................................................................ 23 
7.1 CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE .................................................................................................. 23 
7.2 ESTADO DE NECESSIDADE ........................................................................................................................ 24 
7.2.1 REQUISITOS .............................................................................................................................................. 25 
7.3 LEGÍTIMA DEFESA ............................................................................................................................. 27 
7.4 ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL ......................................................................................... 29 
7.5 EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO ....................................................................................................... 30 
7.6 EXCESSO PUNÍVEL ............................................................................................................................... 31 
7.6.1 ESPÉCIES DE EXCESSO ............................................................................................................................... 32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1 ITER CRIMINIS 
O iter criminis, também conhecido como o "caminho do crime", representa o percurso 
seguido pelo agente desde o planejamento até a consumação do delito. Esse itinerário pode ser 
dividido em duas fases, interna e externa, e compreende quatro etapas distintas: 
1. Cogitação (cogitatio) 
Esta é a fase inicial, caracterizada pela representação mental do crime na mente do 
agente, na qual ele começa a idealizar a conduta criminosa. A cogitação é uma fase interna, 
não envolvendo qualquer manifestação externa da ideia criminosa, preparativos ou ações 
concretas. Portanto, a cogitação é sempre considerada impunível, pois permanece dentro do âmbito 
psicológico do agente. 
Etapas da cogitação: Dentro da fase interna da cogitação, podemos subdividi-la em três 
etapas: 
a) Idealização: É o momento em que a ideia criminosa surge na mente do agente. 
b) Deliberação: O agente pondera mentalmente sobre a conduta criminosa, 
considerando suas vantagens, desvantagens e possíveis consequências. 
c) Resolução: O agente toma a decisão de praticar (ou não) o delito. 
 
2. Atos preparatórios (conatus remotus) 
Nesta fase, o agente inicia a transição para a fase externa, adotando medidas 
materiais que visam à realização futura do crime, mas sem efetivamente executar o 
delito em si. Normalmente, os atos preparatórios são impuníveis, pois o agente não inicia a 
execução do crime propriamente dita. No entanto, eles podem se tornar puníveis em casos 
específicos, como quando há previsão legal de punição na fase dos atos preparatórios ou 
quando configuram um delito autônomo. 
Um exemplo de a preparação configurar um crime autônomo seria um sujeito que compra 
ilegalmente uma arma para cometer um homicídio. Se ele fosse preso nesse momento, ele não 
seria condenado por homicídio, pois não executou esse crime ainda, mas sim por comércio ilegal 
de arma de fogo. 
 
 
 
 
 
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3. Atos executórios 
Atos executórios são ações reais em que alguém começa a colocar em prática um 
plano criminoso para alcançar seu objetivo. Vamos usar um exemplo para facilitar o 
entendimento: 
Imagine que José queira fazer mal a Maria e planeje atirar nela. Ele espera que Maria passe 
pela porta de sua casa e, quando ela finalmente passa, dispara um tiro em sua direção. Nesse 
momento, ele começa a executar o crime. 
 
Na prática haverá situações em que não será fácil distinguir atos preparatórios, impuníveis, 
de atos executórios, puníveis. Pensando resolver esse problema, surgiram várias teorias. As 
principais são: 
1) Teoria Negativa: defende não ser possível a criação de um critério prévio para distinguir 
atos preparatórios e atos executórios, atribuindo essa análise ao juiz no caso concreto. 
2) Teoria Subjetiva: afirma não haver transição entre atos preparatórios e atos 
executórios. O que interessa é o plano do autor, isto, a vontade de realizar o crime. 
3) Teorias Objetivas: reclamam do agente a exteriorização do fato, ou seja, o início da execução 
do tipo penal. Se divide em: 
1. Teoria da Hostilidade do Bem Jurídico: atos executórios são aqueles que 
atacam o bem jurídico, enquanto que os atos preparatórios não o afronta ou expõe à 
perigo. 
2. Teoria Objetivo-Formal: são atos executórios existem quando o agente inicia a 
execução do verbo do tipo penal (preferida da doutrina, pq traz segurança jurídica). 
3. Teoria Objetivo-Material: consideram atos executórios o início da execução da 
conduta criminosa e os atos imediatamente anteriores, devendo o juiz, quando da 
análise dessa última situação, valer-se do critério do terceiro observador. 
4. Teoria Objetivo-Individual: consideram atos executórios o início da execução da 
conduta criminosa e os atos imediatamente anteriores, devendo o juiz, quando da 
análise dessa última situação, valer-se do critério plano concreto do autor. 
Embora não haja um consenso definitivo sobre qual teoria é a correta, muitos juristas 
preferem a teoria objetiva-individual, que leva em consideração as intenções do agente. Alguns 
também argumentam que essa abordagem pode ser complementada pela análise de ações 
imediatamente anteriores à açãoimperícia 
ou imprudência do agente em relação à moderação, e para alguns doutrinadores, também em 
relação à escolha dos meios necessários. Nesse caso, o agente responde por um crime culposo. Por 
exemplo, Tício, ao tentar se defender de tapas desferidos por uma mulher, empurra Mévia, que 
tropeça, cai e sofre ferimentos fatais na cabeça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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8 ESTUDO DIRIGIDO 
1. O que é o iter criminis e quantas fases ele possui? 
2. Quais são as etapas da cogitação, a primeira fase do iter criminis? 
3. O que são atos preparatórios no contexto do iter criminis? 
4. Como as teorias objetivas e subjetivas se relacionam com a distinção entre atos 
preparatórios e atos executórios? 
5. Quais são as duas abordagens principais em relação à punibilidade da tentativa e como elas 
diferem? 
6. O que é o "arrependimento posterior" no contexto do Código Penal e como ele afeta a pena 
de um crime? 
7. Quais são os requisitos necessários para que o "arrependimento posterior" seja aplicado a 
um crime? 
8. O "arrependimento posterior" se aplica apenas a crimes contra o patrimônio? Explique. 
9. Qual é a diferença entre denúncia e queixa no contexto do processo penal? 
10. Quais são os julgados importantes relacionados ao "arrependimento posterior" mencionados 
no texto? 
11. O que é um "crime impossível" e como ele é definido no Código Penal? 
12. Quais são as duas categorias de "crime impossível" mencionadas no texto e como elas 
diferem? 
13. Por que o exemplo de Tício tentando furtar Mévio não se enquadra como um "crime 
impossível"? 
14. Qual é a posição do STF e do STJ em relação ao uso de sistemas de vigilância em casos de 
furto? 
15. O que a Súmula 145 do STF estabelece em relação à preparação do flagrante pela polícia? 
16. O que é ilicitude e como ela se relaciona com a ação voluntária humana? 
17. Quais são as causas de exclusão da ilicitude mencionadas no texto e como elas são 
classificadas? 
18. Qual é a diferença entre estado de necessidade e legítima defesa? 
19. O que é o "exercício regular de direito" e como ele difere do "estrito cumprimento de dever 
legal"? 
20. O que é o "excesso punível" e como ele se relaciona com as causas de exclusão de ilicitude? 
Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Políciaprincipal, considerando o ponto de vista de quem comete o crime. 
 
 
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4. Consumação 
Nesta fase, o crime atinge sua realização plena, envolvendo todos os elementos previstos 
no tipo penal e causando a ofensa jurídica descrita na lei. O crime é considerado completo e acabado 
na consumação. 
 
5. Exaurimento 
O exaurimento é uma etapa subsequente à consumação do crime e não altera a tipificação 
da conduta criminosa. Envolve eventos que ocorrem após o crime ter sido consumado, como 
consequências adicionais, mas que não modificam a classificação do delito. 
O exaurimento não compõe a estrutura do Iter Criminis. 
 
Por exemplo, Tício planeja cometer um furto em uma loja. Ele decide levar uma mochila 
para colocar os itens roubados, mas ainda não começou a pegar nada da loja. Nesse ponto, ele 
está nos atos preparatórios do crime. Mais tarde, Tício entra na loja e começa a pegar produtos 
sem pagar, efetivamente iniciando o ato de furto (atos executórios). Após ser pego pela segurança 
da loja, ele é processado e condenado por furto, o que representa o exaurimento do crime, uma 
etapa subsequente que não altera a classificação do delito. 
 
Esquematizando: 
 
a) Cogitação → Impunível 
b) Preparação → Impunível, salvo quando constituir crime autônomo 
c) Execução → Pune-se a tentativa 
d) Consumação → Pune-se o crime consumado 
 
 
 
 
1ª etapa
Cogitação
2ª etapa
Preparação
3ª etapa 
Execução
4ª etapa
Consumação
Exaurimento
(não é fase do 
iter criminis)
Fase interna Fase externa 
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2 TENTATIVA 
2.1 CONCEITO 
Você conheceu o “caminho do crime”, denominado “iter criminis”. Ele é composto da 
cogitação, preparação, execução e consumação, das quais apenas as duas últimas têm importância 
para o estudo da tentativa. 
O Código Penal deixa claro que tentativa ocorre quando a execução de um crime se inicia 
e somente não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Veja: 
Art. 14 - Diz-se o crime: 
[...] 
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma 
por circunstâncias alheias à vontade do agente. 
A tentativa é frequentemente chamada por outros nomes, como crime imperfeito ou crime 
incompleto, em contraposição ao crime consumado, que é considerado completo. 
 
2.2 ELEMENTOS DA TENTATIVA 
De forma bem objetiva, podemos identificar três elementos que compõem a estrutura do 
crime tentado: 
1. Início da Execução: O ato inicial pelo qual o agente busca realizar o crime. 
2. Ausência de consumação devido a circunstâncias alheias à vontade: A não 
conclusão do crime devido a fatores externos que não estão sob o controle do agente. 
3. Dolo de Consumação: A intenção consciente do agente de concluir o crime. 
É fundamental notar que um aspecto crucial da tentativa é a presença do dolo da 
consumação, ou seja, o agente tinha a intenção e o desejo de concluir o crime, mas, devido 
a circunstâncias imprevistas, não conseguiu atingir seu objetivo. 
Neste contexto, surge uma questão importante que merece uma análise cuidadosa: é 
possível aplicar a tentativa quando se trata de dolo eventual? 
Antes de responder, quero lembrá-lo que no dolo eventual, o indivíduo antevê a 
possibilidade de um resultado, mesmo que não deseje expressamente alcançá-lo. Ele 
demonstra uma relativa indiferença quanto à sua concretização, adotando uma atitude como a 
seguinte: "Eu não tenho a intenção de provocar esse resultado, mas se acontecer, não me importo; 
isso não será motivo para interromper a minha ação. Não é meu objetivo, mas também não me 
preocupo com a sua realização". 
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A doutrina apresenta opiniões divergentes sobre esse ponto. No entanto, é relevante para 
a sua preparação para a prova entender que algumas bancas examinadoras defendem a aplicação 
da tentativa nos casos de dolo eventual. 
O STJ também entende compatíveis o dolo eventual e a tentativa: 
A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que se afigura 
compatível com o dolo eventual a modalidade tentada, mesmo no âmbito do delito de 
homicídio. 
AgRg nos EDcl no REsp 1711927/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 
15/08/2018 
 
Veja como foi cobrado esse tema em uma prova recente: 
Ano: 2021 Banca: CEBRASPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
Com relação à teoria geral do direito penal, julgue o item seguinte. 
O dolo eventual é incompatível com a tentativa. 
Gabarito: errado. A doutrina majoritária entente ser perfeitamente admissível a coexistência 
da tentativa com o dolo eventual. 
 
2.3 ESPÉCIES DE TENTATIVA 
1. Tentativa Branca ou Incruenta 
Nesse tipo de tentativa, o agente não consegue atingir o objeto material do crime. 
Por exemplo, imagine que Tício está usando uma blusa branca, que foi cuidadosamente lavada por 
sua mãe. Quando ele encontra Mévio, este começa a disparar tiros, mas nenhum deles acerta Tício. 
Nesse caso, a blusa branca permanece imaculada, pois o objeto não foi atingido. 
 
2. Tentativa Vermelha ou Cruenta 
Ao contrário da tentativa branca, na tentativa vermelha, a vítima é atingida, mas o crime 
não se consuma completamente. 
 
 
 
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3. Tentativa Perfeita 
Nesse tipo de tentativa, o agente demonstra incompetência, ou seja, ele utiliza todos os 
meios disponíveis para realizar o crime, mas mesmo assim não consegue consumá-lo. 
Um exemplo disso seria um indivíduo que está armado com um revólver contendo 6 cartuchos, usa 
todos os cartuhos, mas não consegue atingir a vítima de forma letal. 
 
4. Tentativa Imperfeita 
Na tentativa imperfeita, o agente inicia a execução do crime, mas não utiliza todos 
os meios à sua disposição. Por exemplo, um indivíduo começa a disparar tiros, mas é 
interrompido após o terceiro disparo pela chegada de policiais que passavam pelo local. 
Tipo de Tentativa Descrição Exemplo 
Tentativa Branca ou 
Incruenta 
O agente não atinge o objeto material do 
crime, ou seja, não causa o resultado 
desejado. 
Tício usa uma blusa branca 
imaculada e Mévio começa a atirar, 
mas nenhum tiro acerta Tício, 
deixando sua blusa branca sem 
marcas. 
Tentativa Vermelha 
ou Cruenta 
A vítima é atingida, mas o crime não se 
consuma completamente, ou seja, a 
vítima sobrevive aos ferimentos. 
Mévio atira em Tício, acertando-o no 
braço, mas Tício sobrevive graças a 
um rápido atendimento médico. O 
crime não é consumado 
integralmente. 
Tentativa Perfeita 
O agente demonstra incompetência, 
utilizando todos os meios disponíveis 
para cometer o crime, mas não consegue 
consumá-lo. 
Tício, portando um revólver com 6 
cartuchos, dispara todos eles em 
direção a Mévio, mas não consegue 
atingi-lo de forma letal, apesar de 
sua intenção de fazê-lo. 
Tentativa Imperfeita 
O agente inicia a execução do crime, 
mas não utiliza todos os meios à sua 
disposição,sendo interrompido antes de 
concluir a ação. 
Tício começa a disparar tiros em 
Mévio, mas é interrompido pela 
chegada de policiais após o terceiro 
disparo, impedindo-o de utilizar 
todos os meios disponíveis. 
 
 
 
 
 
 
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2.4 PUNIBILIDADE DA TENTATIVA 
Ao punir a tentativa, o Direito está resguardando um interesse jurídico, mesmo que esse 
interesse não tenha sido efetivamente ameaçado, mas simplesmente porque a tentativa poderia 
potencialmente levar a uma situação perigosa. A lei se preocupa com a proteção do sujeito passivo, 
mesmo que esse sujeito não tenha sentido medo ou percebido a ameaça. 
Existem duas teorias em relação à punibilidade da tentativa. 
a. Abordagem subjetiva: preconiza a imposição da mesma pena do delito consumado, 
com base na vontade do autor, que atuou contrariamente ao direito. 
b. Abordagem objetiva: sugere uma pena menor para a tentativa em comparação 
com o crime consumado, uma vez que o dano é menor ou não houve qualquer lesão 
efetiva ou perigo concreto de dano. Essa é a abordagem adotada pelo Código Penal ao 
determinar que: 
Art. 14 [...] 
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa 
com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um 
a dois terços 
A redução da pena relativa à tentativa deve ser determinada com base nas 
circunstâncias específicas da própria tentativa. Isso significa que as circunstâncias atenuantes 
ou agravantes eventualmente presentes não devem ser levadas em consideração na redução da 
pena, mas sim o progresso do agente em direção à consumação do crime. 
A redução dentro dos limites legais deve se basear em elementos objetivos, ou 
seja, no grau de avanço do agente ao longo do processo criminoso, e a porcentagem de 
redução deve ser ajustada de acordo com a maior ou menor proximidade do crime 
planejado. Em outras palavras, quanto mais o agente se envolveu na execução do crime, quanto 
mais perto ele chegou da consumação, menor será a redução da pena. 
 
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No caso de homicídio, a redução máxima tem sido aplicada especialmente em tentativas em 
que não houve lesão efetiva e também leva em consideração a gravidade da lesão real para 
determinar a pena na tentativa. 
No entanto, a lei estabelece exceções à regra geral no art. 14, parágrafo único, impondo a 
mesma pena tanto para a consumação quanto para a tentativa de causar o resultado prejudicial. 
Isso ocorre, por exemplo, em casos de evasão ou tentativa de evasão com violência de um preso 
(art. 352) e na conduta de votar ou tentar votar duas vezes (art. 309 do Código Eleitoral), entre 
outros casos. Veja: 
Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo 
submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência 
contra a pessoa: 
 
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena 
correspondente à violência 
 
2.4.1 CRIMES QUE NÃO ADMITEM TENTATIVA 
 
A regra geral é que os crimes dolosos são passíveis de tentativa, independentemente 
de serem materiais, formais ou de mera conduta. Como exemplo, consideremos o caso em 
que Mévio e Tícia decidem realizar um ato de exposição sexual explícita em uma praça pública. 
Quando estavam prestes a remover a última peça de roupa, foram abordados e detidos por 
policiais. Nesse cenário, suas ações se configuram como tentativa do crime de ato obsceno (um 
crime de mera conduta). Portanto, enfatizamos que a regra geral é a admissibilidade da tentativa 
em delitos dessa natureza. 
No entanto, existem algumas categorias de infrações penais que não permitem a tentativa: 
1) Crimes Culposos: Como já mencionado, a tentativa não é possível em crimes culposos, pois 
esses delitos só se consumam quando ocorre o resultado involuntário. No entanto, na culpa 
imprópria, onde o agente deseja um resultado que não ocorre por circunstâncias alheias à sua 
vontade, pode-se considerar uma tentativa, tratando-a como um crime doloso tentado que, 
devido ao erro ou excesso culposo, é tratado como crime culposo de acordo com a lei. 
2) Contravenções Penais: De acordo com a Lei de Contravenções Penais, a tentativa não é 
permitida para as contravenções penais. 
3) Crimes Habituais: A doutrina majoritária entende que a tentativa não é possível nos crimes 
habituais. Por exemplo, tentar praticar o curandeirismo. 
4) Omissivos Próprios: Crimes omissivos puramente, nos quais não é necessário um resultado 
natural decorrente da omissão, não permitem a tentativa. Se o sujeito deixou passar o momento 
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em que deveria agir, o crime se consuma; se ainda há oportunidade de agir, não se configura 
a tentativa. No entanto, nos crimes omissivos impróprios, a tentativa é admitida. Por exemplo, 
se uma mãe deseja a morte de seu filho recém-nascido e deixa de alimentá-lo, mas a vítima é 
socorrida por terceiros, isso constitui uma tentativa de infanticídio. 
5) Crimes Unissubsistentes: Esses são crimes em que a conduta é realizada em um único ato, 
não havendo um processo de tentativa. Um exemplo é o crime de desacato verbal, que se 
consuma quando a palavra ofensiva é proferida com o objetivo de menosprezar a função 
pública. 
6) Crimes Preterdolosos: Os crimes preterdolosos, que envolvem culpa no resultado, 
geralmente não admitem tentativa. No entanto, a tentativa é possível em crimes qualificados 
pelo resultado quando esse resultado está dentro do dolo do agente. Por exemplo, se alguém 
tentar matar a vítima durante um roubo, haverá tentativa de um crime qualificado pelo 
resultado. 
7) Crimes permanentes: a não admissão da tentativa em crimes permanentes decorre da 
natureza contínua desses delitos, nos quais a conduta criminosa se prolonga no tempo até ser 
interrompida pelo agente ou por intervenção externa. Diferentemente dos crimes de ato único, 
nos quais a tentativa pode ocorrer quando a ação criminosa não se completa, os crimes 
permanentes não possuem um momento de consumação claro, tornando impraticável a 
aplicação do conceito de tentativa. Nesses casos, a lei tende a responsabilizar o agente pela 
forma consumada do crime permanente ou, se a conduta cessar, pela tentativa somente se 
uma nova ação criminosa for iniciada após a interrupção do crime anterior. 
Portanto, a regra geral é que a tentativa é compatível com a maioria dos crimes dolosos, 
mas existem exceções específicas, como os mencionados acima, em que a tentativa não é admitida. 
Bizu: CCHOUPP 
Contravenções (art. 4º da LCP) 
Culposos 
Habituais (art. 229, 230, 284, CP) 
Omissivos próprios (art. 135 CP) 
Unissubsistentes (Injúria verbal) 
Preterdolosos (art. 129 § 3º CP) 
Permanente 
 
 
 
 
 
 
 
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3 DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO 
EFICAZ 
 
Imagine que Tício deseja assumir o cargo de presidente em uma empresa e decide 
administrar veneno a Mévio. Mévio ingere oveneno e começa a perder a consciência. Nesse 
momento, se Tício decidir agir de alguma forma para interromper o evento, como administrar um 
antídoto a Mévio, ele seria punido igualmente pelo crime consumado? 
O Código Penal incentiva a interrupção da execução e evitar o desfecho natural da ação 
criminosa. De acordo com essa disposição, se o agente decidir desistir da continuidade da 
ação criminosa ou tomar medidas para evitar o resultado, ele será responsabilizado 
APENAS pelos atos já cometidos até aquele momento. Observe: 
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na 
execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos 
atos já praticados. 
 
Deste artigo mencionado, surgem os conceitos de desistência voluntária e 
arrependimento eficaz, que constituem formas da chamada tentativa abandonada. Este termo é 
utilizado porque o crime não se concretiza devido à VONTADE DO AGENTE. 
 
Vamos examinar cuidadosamente cada um desses conceitos: 
1) DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA: O agente, por decisão voluntária, interrompe a execução 
do crime, deixando de realizar os atos subsequentes necessários para a consumação 
do delito. É importante observar, caro(a) concurseiro(a), que em nenhum momento o agente 
fica impossibilitado de prosseguir na execução, e este entendimento é de suma importância 
para sua PROVA. 
Por exemplo, Imagine que Tício prende Mévio (este Mévio sofre...) em uma parede e começa a 
atirar a uma distância de 50 metros, errando o primeiro disparo. Ele efetua o segundo disparo 
a 25 metros, também errando. Nervoso, decide se posicionar a 1 metro de Mévio e, ao encostar 
a arma em sua cabeça, vê uma foto da filha da vítima caída no chão. Comovido, mesmo com 5 
cartuchos no revólver, desiste da ação. Nesse caso, temos a desistência voluntária. 
 
 
 
 
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2) ARREPENDIMENTO EFICAZ: Ao contrário do que ocorre na desistência voluntária, o agente 
executa todos os atos necessários para a consumação do delito, mas toma medidas 
para evitar o resultado. 
Isso ocorre no exemplo mencionado anteriormente, no qual Tício administra veneno a Mévio. 
Mévio só não morrerá se Tício der a ele o antídoto. Se Tício age dessa forma e impede a morte, 
estamos diante do arrependimento eficaz. 
 
É importante destacar que o arrependimento eficaz só é possível nos crimes materiais, pois 
o Código Penal é claro ao dizer "impede que o resultado se produza". Portanto, se o resultado é 
essencial para o crime, não se trata de delitos formais ou de mera conduta. 
 
REQUISITOS 
É fundamental mencionar que existem dois requisitos a serem cumpridos para que o agente 
se beneficie do disposto no artigo 15. São eles: 
a) VOLUNTARIEDADE: A decisão deve surgir da mente do agente. 
b) EFICÁCIA: Deve efetivamente impedir o resultado. Se o agente tentou impedir, mas 
não teve sucesso, ele não se beneficiará. 
EFEITOS 
A desistência voluntária e o arrependimento eficaz não levam a uma diminuição 
da pena, mas sim à atipicidade do crime tentado. "Mas como assim, professor? Quer dizer 
que ele não será punido?" Claro que será, mas não pelo crime tentado, apenas pelos atos já 
praticados. 
Nos exemplos mencionados relacionados aos disparos de arma de fogo, por exemplo, o 
agente não será responsabilizado por tentativa de homicídio, mas apenas por lesões corporais. 
 
É isso que diz o art. 15 do Código Penal: 
Art. 15 O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na 
execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos 
atos já praticados. 
 
 
 
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4 ARREPENDIMENTO POSTERIOR 
Sobre arrependimento posterior, o Código Penal disp: 
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à 
pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da 
denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será 
reduzida de um a dois terços. 
O chamado "arrependimento posterior" é uma causa de diminuição da pena, o que o 
diferencia da "desistência voluntária" e do "arrependimento eficaz". Esse conceito se aplica quando 
o autor de um crime, que não envolve violência ou grave ameaça à pessoa, voluntariamente 
e antes do recebimento da denúncia ou queixa, restitui a coisa roubada ou repara o dano 
causado por sua ação. 
É importante destacar que, de acordo com a doutrina e jurisprudência, o "arrependimento 
posterior" pode ser aplicado a qualquer tipo de crime, não se limitando aos delitos contra 
o patrimônio. O requisito fundamental é que haja um dano passível de reparação, como 
estabelecido pelo texto legal. 
 
REQUISITOS 
Para que o arrependimento posterior seja aceito, é necessário cumprir os seguintes 
requisitos, de forma cumulativa: 
1. Crime sem violência ou grave ameaça: O crime não deve envolver violência física ou ameaça 
severa à pessoa. Exemplo: Furto sem agressão física. 
2. Reparação voluntária, pessoal e integral: A reparação do dano deve ser voluntária, ou seja, 
feita de livre vontade do autor. A reparação deve ser realizada pessoalmente pelo autor do 
crime, não por terceiros. A reparação deve abranger a totalidade do dano causado, não apenas 
uma parte. 
3. Limite temporal: A reparação do dano ou restituição da coisa roubada deve ocorrer antes 
do recebimento da denúncia ou queixa, ou seja, dentro de um prazo definido pela lei. 
 
 
 
 
 
 
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DENÚNCIA E QUEIXA 
Para ficar mais claro, é essencial que você entenda o conceito de denúncia e queixa. 
A principal diferença entre denúncia e queixa no contexto do processo penal reside no autor que 
inicia o processo e no tipo de crime envolvido. 
A denúncia é uma ação formal de acusação instaurada pelo Ministério Público ou outra 
autoridade competente em nome do Estado, geralmente para crimes graves de interesse 
público, como homicídios e tráfico de drogas. 
Por outro lado, a queixa é apresentada pela vítima do crime ou por seu representante 
legal, em casos de crimes de ação penal privada, nos quais o interesse particular da vítima é 
mais relevante, incluindo delitos como difamação e lesões corporais leves. 
 
Em resumo, o arrependimento posterior é aplicável quando o autor comete um crime sem 
violência, decide reparar voluntariamente o dano de forma pessoal e integral, e realiza essa 
reparação dentro do prazo estabelecido antes do recebimento da denúncia ou queixa. 
Julgados importantes sobre arrependimento posterior 
HC 165.312/SP STF - É possível o arrependimento posterior no caso em que o agente fez o 
ressarcimento da dívida principal antes do recebimento da denúncia, mas somente pagou os valores 
referentes aos juros e correção monetária durante a tramitação da ação penal. 
RE 1.187.976/SP STJ - A diminuição de pena no arrependimento posterior, estende-se aos 
demais coautores se um dos autores repara integralmente o dano. 
RE 1.242.294/PR STJ - Os crimes contra a fé pública e os crimes não patrimoniais 
em geral são incompatíveis com o arrependimento posterior, dada a impossibilidade 
material de haver reparação do dano ou restituição da coisa. 
 
 
 
 
 
 
 
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Agora que já conhecemos a desistência voluntária, o arrependimento eficaz e o 
arrependimento posterior, podemos resumir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARREPENDIMENTO EFICAZ 
EXCLUI A TIPICIDADE, 
RESPONDENDO O AGENTE 
PELOS ATOS JÁ 
PRATICADOS 
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA 
ARREPENDIMENTO POSTERIOR 
DIMINUI A PENA 
ARREPENDIMENTO 
EFICAZ 
ARREPENDIMENTO 
POSTERIOR VOLUNTÁRIA 
INÍCIO DA 
EXECUÇÃO 
FIM DA 
EXECUÇÃO 
CONSUMAÇÃO 
DO CRIME 
RECEBIMENTO 
DA DENÚNCIA 
OU QUEIXA 
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5 CRIME IMPOSSÍVEL 
O conceito de "crime impossível," também conhecido como "quase-crime," "tentativa 
inadequada" ou "inidônea," refere-se a uma situação em que a execução de um crime não 
pode ser consumada devido à ineficácia total dos meios empregados ou à completa 
inadequação do objeto material. 
Isso significa que, nas palavras do jurista Fernando Capez, o crime é "impossível de se 
consumar." O artigo 17 do Código Penal estabelece que a tentativa não é punível quando o crime 
não pode ser consumado devido à ineficácia absoluta dos meios ou à completa inadequação do 
objeto. 
Crime impossível 
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do 
meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível 
consumar-se o crime. 
 
Embora tanto o "crime impossível" quanto a "tentativa" envolvam a não consumação do 
crime, as diferenças são evidentes. 
Na tentativa, a consumação é plenamente possível, mas é impedida por circunstâncias 
alheias à vontade do agente. Em contrapartida, no "crime impossível," a consumação nunca poderia 
ocorrer, seja devido à ineficácia completa dos meios empregados, seja devido à total inadequação 
do objeto. 
O Código Penal adotou a chamada "teoria objetiva temperada" ou "intermediária" para 
configurar o "crime impossível," exigindo que os meios e o objeto do crime sejam 
absolutamente inidôneos para produzir o resultado. Em outras palavras, a inidoneidade 
absoluta significa que o crime nunca poderia ter sucesso. 
Por exemplo, um indivíduo que falsifica grosseiramente uma nota e tenta usá-la para 
comprar algo configura um "crime impossível," pois a nota é evidentemente falsa e ninguém a 
aceitaria. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESPÉCIES DE CRIME IMPOSSÍVEL 
Uma análise cuidadosa do artigo 17 revela duas categorias de crime impossível: 
1) Por ineficácia absoluta do meio: ocorre quando o método empregado pelo 
agente, que age de forma inadvertida, é completamente incapaz de produzir o 
resultado desejado, resultando em uma ausência total de potencial lesivo. Um 
exemplo ilustrativo é o caso de alguém que, por engano, tenta envenenar a vítima com 
açúcar, acreditando ser arsênico. Outro exemplo amplamente citado é o da tentativa de 
homicídio com uma arma de fogo desmuniciada ou cujas cápsulas já foram disparadas. 
Também se enquadra nessa categoria a chamada tentativa irreal ou supersticiosa, como 
quando alguém tenta matar outra pessoa por meio de magia ou bruxaria. 
2) por impropriedade absoluta do objeto: quando o objeto material sobre o qual o 
comportamento deveria incidir não existe ou, devido às suas circunstâncias ou 
condições, torna-se absolutamente impossível produzir o resultado desejado, 
devido a fatores desconhecidos pelo agente. Nesse cenário, há uma completa 
inadequação do objeto, pois o bem jurídico em questão está ausente. Isso pode ocorrer, 
por exemplo, quando uma mulher erroneamente acredita estar grávida e tenta realizar 
um aborto. Outro exemplo frequentemente citado é o caso de alguém que atira em 
direção a um cadáver, onde fica evidente que o bem jurídico protegido, a vida, já não 
existe. 
 
Agora, apresento uma situação hipotética: Tício tenta furtar Mévio, mas ao colocar a mão 
no bolso direito, não consegue pegar o objeto, pois ele estava no bolso esquerdo. Neste caso, 
podemos considerar isso como um crime impossível? 
A resposta é negativa, uma vez que o objeto material ainda existe e, neste caso, estamos 
diante de uma inadequação relativado objeto. Como o Código Penal exige uma inadequação 
ABSOLUTA, não podemos considerar isso como um crime impossível, mas sim como uma tentativa. 
Para concluir, consideremos um último cenário prático: Tício entra em um supermercado 
repleto de câmeras e seguranças, mas decide esconder um produto no bolso para evitar o 
pagamento. Mesmo com todo o monitoramento, ele é descoberto e detido pela polícia. Nesse caso, 
devido à vigilância, podemos considerar isso como um crime impossível? 
 
 
 
 
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A resposta é negativa. O STF e o STF já se manifestaram sobre esse tema: 
ENTENDIMENTOS JURISPRUDENCIAL 
Súmula 567 do STJ 
Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de 
segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a 
configuração do crime de furto. 
 
STF 
A existência de sistema de vigilância em estabelecimento comercial não constitui óbice para 
a tipificação do crime de furto. STF. 1ª Turma.HC 111278/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ 
o ac. Min. Luiz Roberto Barroso, julgado em 10/4/2018 (Info 897). 
 
 
Por fim, preste atenção na súmula 145 do STF: 
Súmula 145 do STF 
Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua 
consumação. 
 
Imagine que a polícia tenha informações de que um grupo de indivíduos está planejando 
realizar um assalto a um banco na próxima semana. Para evitar que o assalto ocorra e para prender 
os criminosos em flagrante, a polícia toma medidas preventivas. Eles montam uma operação 
secreta e, antes que os criminosos cheguem ao banco para realizar o assalto, a polícia os prende. 
 
Nesse caso, de acordo com a Súmula 145 do STF, não houve crime. Embora os indivíduos 
estivessem planejando cometer um assalto, a ação da polícia tornou impossível a consumação 
desse crime, pois eles foram presos antes de qualquer ato criminoso ocorrer. A súmula reconhece 
que a polícia agiu de maneira a impedir a prática do crime, e, portanto, não há crime a ser imputado 
aos suspeitos. 
 
 
 
 
 
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6 ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO 
Esse é um dos temas mais complicados para 
Erro sobre elementos do tipo 
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime 
exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em 
lei. 
 
Descriminantes putativas 
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas 
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse,tornaria a ação 
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o 
fato é punível como crime culposo. 
 
Erro determinado por terceiro 
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. Erro sobre 
a pessoa 
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não 
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou 
qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria 
praticar o crime. 
 
Erro sobre a ilicitude do fato 
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a 
ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá 
diminuí-la de um sexto a um terço. 
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se 
omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, 
nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência 
O erro de tipo no direito penal corresponde a uma interpretação equivocada da realidade. 
Inicialmente, esse erro é dividido em duas modalidades: 
1. Erro de tipo: Nessa situação, a falsa percepção da realidade afeta o elemento 
subjetivo do tipo penal, ou seja, o dolo e a culpa. 
2. Erro de proibição: Nesse caso, a interferência ocorre no âmbito da culpabilidade, mais 
especificamente no elemento da potencial consciência da ilicitude. 
No erro de tipo, o agente comete um equívoco ao perceber uma coisa como sendo 
outra, ou seja, ele tem uma representação falsa da realidade. Por exemplo, imagine Austin 
deixando seu carro estacionado em um supermercado e, ao voltar para casa, inadvertidamente 
entra em um veículo idêntico ao seu, que pertence a outra pessoa. Austin só percebe seu erro ao 
chegar em casa. Nesse caso, o erro de tipo exclui a intenção criminosa, pois fica claro que ele não 
tinha a intenção de cometer furto; foi um equívoco de percepção da realidade. Portanto, o ato não 
é considerado criminoso, pois o crime de furto não prevê a modalidade culposa. 
Já no erro de proibição, o indivíduo sabe exatamente o que está fazendo, mas 
acredita erroneamente que sua conduta é lícita. Por exemplo, Austin encontra um relógio 
valioso na rua, tenta encontrar o dono sem sucesso e, por isso, decide ficar com ele, acreditando 
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que "achado não é roubado". Nesse caso, Austin está ciente de que está se apropriando de algo 
pertencente a outra pessoa, mas erroneamente acredita que isso é permitido. No erro de proibição, 
a ignorância diz respeito à ilegalidade da ação. 
Tipo de Erro Erro de Tipo Erro de Proibição 
Erro Evitável 
➢ Crime culposo (se previsto em lei). 
➢ Culpa imprópria. 
➢ Reduz a pena (1/6 a 1/3). 
➢ Não exclui a culpabilidade 
➢ Reduz a pena (1/6 a 1/3). 
Erro Inevitável 
➢ Exclui o dolo e culpa. 
Fato atípico. 
➢ Isenta de Pena (exclui a 
culpabilidade). 
 
O erro essencial é aquele que impede o agente de perceber que está cometendo um crime 
e, portanto, sempre exclui o dolo. O erro de tipo pode ser classificado em 
inevitável/invencível/escusável (desculpável) e evitável/vencível/inescusável 
(indesculpável). 
O primeiro ocorre quando uma pessoa de "mediana prudência e discernimento" (o homem 
médio) cometeria o mesmo erro, excluindo tanto o dolo quanto a culpa. Um exemplo disso é quando 
alguém atira em um artista vestido de animal em uma floresta, confundindo-o com um cervo. Não 
havia intenção de matar, pois o autor não sabia que estava matando alguém, e o erro não poderia 
ser evitado mesmo com prudência mediana. 
O segundo tipo de erro de tipo é aquele que uma pessoa na mesma situação não cometeria, 
excluindo o dolo, mas mantendo a punição por culpa, se prevista em lei. Um exemplo seria se o 
atirador, em vez de confundir o artista com um cervo, errasse o alvo devido à sua miopia, 
configurando homicídio culposo. 
Tipo de Erro Características Exemplo Prático Consequências Legais 
Erro de Tipo 
Inevitável 
Ocorre quando uma pessoa de 
"mediana prudência" 
cometeria o mesmo erro. 
Exclui o dolo e a culpa. 
Um caçador atira em um 
artista vestido de animal 
na floresta, sem saber 
que estava matando 
alguém. 
Exclui o dolo e a culpa, tornando a 
conduta não criminosa. 
Erro de Tipo 
Evitável 
Ocorre quando uma pessoa na 
mesma situação não cometeria 
o mesmo erro. Exclui o dolo, 
mas mantém a culpa, se 
prevista em lei. 
Um caçador atira em um 
artista na floresta devido 
à sua miopia, poderia ter 
evitado o erro com 
óculos. 
Exclui o dolo, mas a culpa pode ser 
mantida, se prevista em lei. 
 
 
 
 
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Também é importante considerar o erro acidental, que ocorre quando o agente não tem 
impedimento em perceber que está cometendo um crime e, portanto, não exclui o dolo. Esse erro 
pode se manifestar de várias maneiras: 
1) Erro sobre o objeto material: Este erro diz respeito a confusões relacionadas ao objeto físico 
da ação do agente. Ele se divide em duas categorias: 
1.1) Erro sobre a pessoa: Isso acontece quando o agente atinge uma pessoa diferente da 
pretendida, confundindo-a com a vítima visada. Por exemplo, Austin deseja matar o 
estuprador de sua filha e dispara contra alguém que acredita ser o criminoso, mas acaba 
acertando um sósia da vítima pretendida. Nesse caso, a qualidade e as características da 
vítima que o agente visava são aplicadas, não as do sósia real. 
1.2) Erro sobre a coisa: Nesse tipo de erro, o agente se engana sobre uma característica 
irrelevante para a ilicitude da ação. Por exemplo, Austin acredita que está furtando um 
relógio valiosíssimo de ouro, mas, na realidade, é apenas um relógio dourado comum. Nesse 
caso, o erro é sobre uma condição juridicamente irrelevante e não exclui o dolo; Austin 
responderá pelo crime de furto. 
 
2) Erro na execução: Essa categoria envolve ações que resultam em efeitos diferentes do 
pretendido. Existem duas partes: 
2.1) "Aberratio criminis" ou "delicti": O agente atinge um bem jurídico diverso do pretendido. 
Na primeira parte, ocorre com um único resultado, como quando alguém lança uma pedra em uma 
vidraça (crime de dano) e, por erro, atinge a cabeça de alguém, causando lesão corporal. Nesse 
caso, o agente responde pelo resultado, se prevista a figura culposa, como lesão corporal culposa. 
Na segunda parte, o agente atinge tanto o bem jurídico visado quanto outro diverso do pretendido 
por erro na execução, por exemplo, quando o atirador, ao lançar uma pedra contra uma vidraça, 
fere uma pessoa na cabeça. Nesse caso, o agente responde por ambos os resultados em concurso 
formal. 
 
3) Aberratio causae: Refere-se ao erro sobre o nexo causal. O agente atinge o resultado 
pretendido, mas por meio de uma relação de causalidade diferente da imaginada. Por exemplo, 
Austin tenta matar seu desafeto Caracas empurrando-o de uma montanha para que caia em um 
rio e morra afogado. No entanto, Caracas cai da montanha, bate a cabeça em uma pedra e morre 
de traumatismo craniano. Nesse caso, Austin responde pelo homicídio, mas com erro sobre o nexo 
causal, já que causou a morte de Caracas por traumatismo craniano e não por afogamento. 
 
 
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7 ILICITUDE 
A ilicitude é a relação deconflito que se estabelece entre uma ação voluntária 
humana e o conjunto de leis jurídicas, resultando na ocorrência de dano ou na ameaça de dano 
a um bem jurídico protegido. 
No entanto, nem toda ação que seja crime, de acordo com as normas do 
ordenamento jurídico, deve ser punida. 
Para ilustrar, imagine o caso de Tício chegando em casa e encontrando um invasor armado 
prestes a assassinar sua esposa. Diante dessa situação, ele pega sua arma e mata o invasor. Nesse 
contexto, deveríamos considerar que Tício merece punição? Claro que não, porque sua ação é 
justificável. O que ele deveria fazer? Permitir que sua esposa fosse morta? A resposta, 
evidentemente, é negativa. 
Portanto, existem situações específicas que excluem a ilicitude de uma ação, conhecidas 
como CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE, um tópico crucial para sua prova. Vamos analisá-
las em detalhes! 
 
7.1 CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE 
A maioria das causas que excluem a ilicitude está prevista no Código Penal. Essas causas 
são denominadas causas legais e se dividem em genéricas e específicas. As causas genéricas estão 
estipuladas no artigo 23 do Código Penal e serão discutidas uma a uma. São elas: 
1. Estado de necessidade; 
2. Legítima defesa; 
3. Estrito cumprimento de dever legal 
4. Exercício regular de direito. 
 
As chamadas causas específicas, que são menos relevantes para concursos públicos, estão 
previstas na parte especial do Código Penal e se aplicam a delitos específicos, como no caso do 
artigo 142, que trata da injúria e da difamação, conforme exemplificado a seguir: 
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível: 
I - a ofensa proferida em juízo, durante a discussão de uma causa, 
pela parte ou seu advogado; 
II - uma opinião desfavorável emitida em crítica literária, artística ou 
científica, a menos que haja uma intenção clara de difamar ou injuriar; 
III - um julgamento desfavorável emitido por um funcionário público 
ao cumprir seu dever oficial. 
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Além das causas legais, a doutrina e a jurisprudência também reconhecem causas de 
exclusão da ilicitude que não estão diretamente previstas na lei, conhecidas como supralegais. 
Isso não implica em agir fora da lei, mas em uma extensão das normas legais, uma vez que 
nenhuma lei pode abranger todas as circunstâncias possíveis. Uma causa supralegal 
amplamente aceita, que é relevante para sua prova, é o consentimento da vítima. 
Portanto, se um indivíduo fizer uma tatuagem em outra pessoa com o consentimento dela, não 
cometerá lesão corporal, pois está respaldado pelo consentimento da vítima como uma causa 
supralegal de exclusão da ilicitude. 
Excludentes de ilicutude 
Genérica 1. Estado de necessidade; 
2. Legítima defesa; 
3. Estrito cumprimento de dever legal 
4. Exercício regular de direito. 
Específicas Previstas na parte específica do CP 
Supralegal Ex: consetimento do ofendido 
 
 
7.2 ESTADO DE NECESSIDADE 
Estado de necessidade é o sacrifício de um interesse juridicamente protegido para salvar de 
perigo atual e inevitável o direito do próprio agente ou de terceiros. É causa de exclusão de ilicitude, 
desde que outra conduta, nas circunstâncias reais, não fosse razoável exigir. 
Existem duas teorias adotadas mundialmente quanto ao Estado de Necessidade. Uma delas 
é a chamada "Teoria Unitária", adotada no Brasil, que determina um Estado de 
necessidade excludente da antijuridicidade. A outra é conhecida por "Teoria Diferenciadora", 
segundo a qual o Estado de Necessidade ora exclui a antijuridicidade, ora a culpabilidade. 
Um exemplo de estado de necessidade amplamente tratado na doutrina é o dos dois 
náufragos que avistam uma tábua de madeira capaz de suportar o peso só de um indivíduo. Durante 
a “briga” pela madeira, A deixa B morrer afogado a fim de se salvar. Neste caso, podemos dizer 
que A agiu em estado de necessidade. 
Perceba que no estado de necessidade não há uma agressão a um direito, mas um choque, 
em que alguém, na defesa de direito próprio ou alheio, se vê na contingência de praticar fato 
considerado criminoso, a fim de salvá-lo de perigo atual e iminente que não provocou por sua 
vontade, não sendo justo exigir-se o sacrifício desse direito. 
 
 
 
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Encontra-se disposto no artigo 24 do Código Penal nos seguintes termos: 
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato 
para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem 
podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo 
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. 
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o 
dever legal de enfrentar o perigo. 
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, 
a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. 
 
7.2.1 REQUISITOS 
A análise do artigo supracitado revela a existência de dois momentos distintos para a correta 
verificação da ocorrência do estado de necessidade. São eles: 
1. Situação de Necessidade: 
a) Perigo atual; 
b) Perigo não provocado voluntariamente; 
c) Ameaça a direito próprio ou alheio; 
d) Ausência de dever legal de aceitar o perigo. 
 
2. Fato necessitado 
a) Inevitabilidade do perigo por outro modo; 
b) Proporcionalidade. 
 
SITUAÇÃO DE NECESSIDADE 
a) Existência de perigo atual: Perigo é a exposição do bem jurídico a uma situação de 
probabilidade de dano. Sua origem pode vir de um fato da natureza, de seres irracionais ou 
mesmo da atividade humana. Atual é o que está acontecendo, é o perigo concreto, 
imediato, não se admitindo o uso de tal excludente quando se trata de perigo remoto, 
ou seja, de perigo passado. 
b) Proteção de direito próprio ou alheio: É necessário que o bem a ser salvo esteja protegido 
pelo ordenamento jurídico, pois, do contrário, não poderá alegar estado de necessidade. 
Exemplo: Um preso não pode matar o carcereiro sob o pretexto de exercício do seu direito de 
liberdade. 
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c) Perigo não provocado voluntariamente: A pessoa que deu origem ao perigo não pode 
invocar a excludente para sua própria proteção, pois seria injusto e despropositado. É o 
caso, por exemplo, do indivíduo que põe fogo em uma lancha por imprudência e depois mata o 
outro viajante afogado a fim de ficar com a única bóia existente. 
d) Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo: Deve inexistir o dever legal de 
enfrentar o perigo, pois caso a lei o determine, este deve tentar salvar o bem ameaçado sem 
destruir qualquer outro, mesmo que para isso tenha que correr os riscos inerentes à sua função. 
Exemplificativamente, não pode um bombeiro, para salvar um morador de uma casa em 
chamas, destruir a residência vizinha, quando possível fazê-lo de forma menos lesiva, ainda 
que mais arriscada à sua pessoa. 
 
FATO NECESSITADO 
a) Inevitabilidade do perigo: Somente se admite o sacrifício do bem quando o perigo for 
inevitável, bem como seja necessário a lesão a bem jurídico de outrem para escapar da 
situação perigosa. Exemplo: Se para fugir do ataque de um boi bravio de R$500.000,00 o 
agente puder facilmente pular uma cerca,não está autorizado a matar o animal. 
b) Proporcionalidade do sacrifício: Exige que o agente aja de acordo com a razoabilidade 
do sacrifício, ou seja, deve-se buscar sacrificar um bem de menor importância para salvar um 
bem de maior ou igual valor. Exemplo: Entre uma vida e o patrimônio, sacrifica-se o patrimônio. 
Mas e se o indivíduo, visando proteger bem próprio ou de terceiro, sacrifica outro bem jurídico 
de maior valor? Neste caso, não há exclusão do crime. É mantida a tipicidade, mas é possível 
a diminuição de pena nos termos do parágrafo 2º do artigo 23: § 2º - Embora seja razoável 
exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. 
Observe que no supra dispositivo legal não há OBRIGATORIEDADE da diminuição de pena, mas 
simplesmente a POSSIBILIDADE do magistrado, avaliando o caso, aplicar tal redução. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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7.3 LEGÍTIMA DEFESA 
A legítima defesa está prevista no artigo 25 do código penal: 
Legítima defesa 
 
 Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando 
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, 
atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
 Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput 
deste artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de 
segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima 
mantida refém durante a prática de crimes. 
Legítima defesa é a defesa necessária empreendida contra agressão injusta, atual ou 
iminente, contra direito próprio ou de terceiro, usando, para tanto, moderadamente, os meios 
necessários. 
Valendo-se da legítima defesa, o indivíduo consegue repelir as agressões a direito seu ou 
de outrem, substituindo a atuação da sociedade ou do Estado, que não pode estar em todos os 
lugares ao mesmo tempo, através dos seus agentes. A ordem jurídica precisa ser mantida, cabendo 
ao particular assegurá-la de modo eficiente e dinâmico. A legítima defesa deve atender, 
cumulativamente, aos seguintes requisitos: 
a) Agressão injusta; 
b) Agressão atual ou iminente; 
c) Defesa de direito próprio ou alheio; 
d) Uso moderado dos meios necessários. 
 
AGRESSÃO INJUSTA 
Agressão é o comportamento humano capaz de gerar lesão ou provocar um perigo concreto 
dano. Trata-se de atividade exclusiva do ser humano, não podendo ser efetuada por um 
animal, por exemplo. 
 Sendo assim, se um indivíduo é atacado por um animal e o mata, regra geral, pode 
ser caracterizado o estado de necessidade, mas não a legítima defesa. 
Dito isto, pergunto: Imagine que Tício faz um treinamento intensivo para que seu cachorro 
aprenda a atacar os outros quando ordenado. Em determinado momento, ao encontrar Mévio, 
ordena ao cão o ataque. Mévio, utilizando seu canivete, mata o cachorro. Neste caso, está 
caracterizado o estado de necessidade ou a legítima defesa? Para esta situação particular, temos 
a legítima defesa, pois Tício utiliza o cachorro como se fosse uma arma e obriga Mévio a repelir 
injusta agressão. 
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AGRESSÃO ATUAL OU IMINENTE 
A agressão humana injusta e real deve ser marcada pela atualidade ou pela iminência. 
Significa que a mesma deverá estar ocorrendo ou prestes a acontecer, e nunca quando 
já terminada. Aqui encontramos uma diferença com relação ao dispositivo que trata do estado de 
necessidade. Neste, temos a obrigatoriedade do perigo atual, enquanto na legítima defesa pode 
ser atual ou iminente. 
 
USO MODERADO DOS MEIOS NECESSÁRIOS 
O princípio fundamental a ser observado é o da proporcionalidade entre o ataque e a defesa. 
Portanto, aquele que optar por se defender deve empregar somente os meios estritamente 
necessários para essa finalidade. Caso contrário, o agente será responsabilizado por qualquer uso 
excessivo de força. 
Imagine que Tício e Mévio estão envolvidos em uma briga acalorada. Tício, em um momento 
de raiva, começa a agredir Mévio com socos e chutes. Mévio, em legítima defesa, consegue se 
desvencilhar de Tício e, para se proteger, empurra Tício para afastá-lo e evitar mais agressões. 
Nesse cenário, Mévio está agindo de forma proporcional, usando a força necessária para repelir o 
ataque injusto de Tício, sem recorrer a meios excessivos. 
 
LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA (IMAGINÁRIA) 
Trata-se de uma situação na qual o agente, em virtude de um equívoco, acredita 
erroneamente que está ocorrendo uma agressão injusta e iminente a seu próprio direito 
ou ao direito de outra pessoa. Um exemplo clássico disso é o caso anteriormente mencionado 
em que Mévio, ao colocar a mão no bolso para pegar um lenço, é erroneamente interpretado por 
Tício como se estivesse prestes a sacar uma arma, levando Tício a disparar tiros em resposta. 
Importante ressaltar que, nesse contexto, a exclusão da ilicitude não se aplica, uma 
vez que a situação não envolve uma agressão real ou iminente, mas sim um mal-entendido 
decorrente de um erro por parte do agente. 
A chamada "legítima defesa putativa" não constitui, tecnicamente, uma legítima 
defesa, ou seja, não é uma causa de exclusão da antijuridicidade. Na verdade, o que é 
denominado como legítima defesa putativa representa um erro de tipo, ou seja, o agente possui 
uma percepção equivocada da realidade que o leva a acreditar erroneamente que está agindo em 
legítima defesa, quando, na verdade, não está sendo alvo de qualquer agressão real. 
A legítima defesa putativa afeta o elemento do dolo, ou seja, a intenção do agente, ao fazer 
com que ele acredite erroneamente que sua conduta está justificada. No entanto, ela não exclui a 
antijuridicidade da conduta em si, ou seja, não torna a conduta legal. 
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LEGÍTIMA DEFESA X ESTADO DE NECESSIDADE 
Para sua prova, é importante que você saiba diferenciar bem legítima defesa e estado de 
necessidade. Por isso, separei para você as 5 principais diferenças. 
A) NO ESTADO DE NECESSIDADE, há um conflito entre dois bens jurídicos expostos a 
perigo; NA LEGÍTIMA DEFESA, há uma repulsa a um ataque; 
B) NO ESTADO DE NECESSIDADE, o bem jurídico é exposto a perigo; NA LEGÍTIMA DEFESA, 
o direito sofre uma agressão atual ou iminente; 
C) NO ESTADO DE NECESSIDADE, o perigo pode ou não advir da conduta humana; NA 
LEGÍTIMA DEFESA, a agressão só pode ser praticada por pessoa humana; 
D) NO ESTADO DE NECESSIDADE, a conduta pode ser dirigida contra terceiro inocente; NA 
LEGÍTIMA DEFESA, somente contra o agressor; 
E) NO ESTADO DE NECESSIDADE, a agressão não precisa ser injusta; NA LEGÍTIMA DEFESA, 
por outro lado, só existe se houver injusta agressão (exemplo: dois náufragos disputando a tábua 
de salvação. Um agride o outro para ficar com ela, mas nenhuma agressão é injusta). 
 
7.4 ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL 
Ao contrário do que fez ao definir o "estado de necessidade" e a "legítima defesa", o Código 
Penal não oferece uma definição explícita do conceito de "estrito cumprimento de dever legal", 
restringindo-se a estabelecer que: 
Art. 23. Não há crime quando o agente pratica o fato: [...] 
III – em estrito cumprimento de dever legal... 
O "estrito cumprimentodo dever legal" é uma causa de exclusão da ilicitude que ocorre 
quando um agente realiza uma ação típica em virtude do desempenho de uma obrigação 
imposta pela lei, dentro dos exatos limites dessa obrigação. Em outras palavras, quando a 
lei obriga alguém a agir de uma certa maneira, e essa pessoa age de acordo com o que a lei 
estabelece, sua conduta não é considerada ilícita. 
O conceito envolve duas expressões cruciais: "dever legal" e "estrito cumprimento". O 
"dever legal" é uma obrigação imposta pela lei, o que significa que o agente, ao agir de maneira 
típica, está apenas cumprindo uma obrigação legal. No entanto, é importante respeitar os limites 
que a lei estabelece para o cumprimento dessa obrigação, pois agir além desses limites resultaria 
em abuso ou excesso, removendo a excludente de ilicitude. 
 
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Um exemplo clássico de estrito cumprimento de dever legal é o caso de um policial que 
prende uma pessoa em flagrante delito. A lei obriga o policial a efetuar a prisão nesse cenário, e, 
ao fazê-lo, ele está cumprindo seu dever legal. No entanto, o policial deve se limitar a realizar 
apenas a prisão necessária, sem recorrer a excessos, como o uso desnecessário de força física ou 
ofensas verbais. 
Outro exemplo é o de um oficial de justiça que executa um mandado de penhora para retirar 
bens da casa de alguém. O mandado judicial impõe o dever legal de cumprir essa ordem, e o oficial 
de justiça está agindo dentro dos limites dessa obrigação legal. No entanto, ele deve se ater 
estritamente ao que o mandado determina, evitando tomar medidas além do necessário, como 
penhorar bens não especificados no mandado. 
Além disso, é importante ressaltar que o "elemento subjetivo" é essencial no estrito 
cumprimento do dever legal. O agente deve estar ciente de que está agindo de acordo 
com sua obrigação legal ao praticar uma conduta típica. Isso significa que a excludente não 
se aplica a condutas típicas culposas, apenas a condutas dolosas, e todas as excludentes de ilicitude 
se aplicam somente a crimes dolosos, não a condutas culposas. 
 
7.5 EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO 
A última excludente de ilicitude mencionada no artigo 23 do Código Penal é o "exercício 
regular de direito". Essa excludente pressupõe que uma pessoa tenha a faculdade de agir de 
acordo com o ordenamento jurídico, o que significa que sua ação, mesmo que tipificada como 
crime, não será considerada ilícita. 
Um exemplo disso é a correção de filhos por seus pais, desde que essa correção seja 
realizada dentro dos limites estabelecidos pela lei e não envolva maus-tratos. Além disso, o 
exercício regular de direito também se aplica a situações como a prisão em flagrante por um 
particular ou a ação de expulsar alguém que invadiu uma propriedade. 
É importante ressaltar que, mesmo no exercício regular de direito, não é permitido 
ultrapassar os limites impostos pela ordem jurídica. Por exemplo, se os pais, ao corrigirem seus 
filhos, praticarem maus-tratos, eles responderão criminalmente. 
Outro conceito relacionado ao exercício regular de direito são os "ofendículos", que são 
dispositivos defensivos usados em propriedades, como cacos de vidro no muro, cercas 
de arame farpado e maçanetas eletrificadas. Embora possam ser considerados uma forma de 
legítima defesa, na verdade, são considerados como exercício regular de direito, uma vez que não 
envolvem o elemento subjetivo de defesa contra uma agressão. Além disso, as lesões ocorridas na 
prática de esportes violentos também podem se enquadrar no exercício regular de direito, desde 
que estejam dentro das regras do esporte e sejam toleráveis. 
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DIFERENÇAS ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER 
LEGAL 
EXERCÍCIO REGULAR DO 
DIREITO 
NATUREZA 
COMPULSÓRIA: O agente está obrigado 
a cumprir o mandamento legal. 
FACULTATIVA: O agente está 
autorizado a agir pelo ordenamento 
jurídico, mas a ele pertence a opção 
de exercer o direito assegurado. 
ORIGEM 
O dever de agir tem origem 
exclusivamente na lei. 
O direito cujo exercício se autoriza 
pode advir da lei, de regulamentos 
e, para parte da doutrina, até 
mesmo dos costumes. 
 
7.6 EXCESSO PUNÍVEL 
Existem situações em que o agente, com base em uma causa de exclusão de ilicitude, 
comete excessos, ultrapassando os limites permitidos. Nesse sentido, o Código Penal, após 
estabelecer as causas genéricas de exclusão de ilicitude, estipula, no parágrafo único do artigo 23, 
que: 
Art. 23 [...] 
Parágrafo único - O agente, em qualquer das situações deste artigo, 
será responsabilizado pelo excesso doloso ou culposo. 
A frase "em qualquer das situações deste artigo" indica que o excesso, seja ele doloso ou 
culposo, é passível de punição em todas as circunstâncias legais de exclusão de ilicitude. Isso pode 
ser exemplificado da seguinte forma: 
➢ Excesso no estado de necessidade: Um indivíduo, tentando escapar de um cão feroz, quebra 
o vidro de um carro quando poderia ter se refugiado em uma casa disponível. O excesso no 
estado de necessidade está relacionado à condição "nem podia de outro modo evitar", conforme 
previsto no artigo 24 do Código Penal. 
➢ Excesso na legítima defesa: Mévio começa a atirar pedras em Tício, que então pega uma 
arma e dispara 14 vezes, incluindo 5 tiros na cabeça de Mévio. O excesso na legítima defesa 
ocorre quando o agente utiliza meios desnecessários ou não age com moderação. 
➢ Excesso no estrito cumprimento do dever legal: Tício, um policial, utiliza força excessiva 
para prender Mévio e continua agredindo-o após a prisão. O excesso no estrito cumprimento 
do dever legal ocorre quando o agente não respeita os limites definidos pela lei. 
➢ Excesso no exercício regular de direito: Tício, buscando educar seu filho Mévio, decide, no 
exercício regular do direito de corrigir o comportamento da criança, usar uma barra de ferro 
como castigo físico. O excesso no exercício regular de direito ocorre quando o direito consagrado 
pela lei é utilizado de maneira abusiva. 
 
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Esses exemplos ilustram como o excesso pode se manifestar em diferentes situações legais 
de exclusão de ilicitude, levando à responsabilização do agente, seja por dolo ou culpa. 
Esquematizando: 
EXCESSO CAUSA EXEMPLO 
No Estado de 
Necessidade 
"Nem podia de outro modo evitar" Indivíduo que quebra um carro 
para fugir de um cão feroz. 
Na Legítima 
Defesa 
Uso desnecessário ou sem 
moderação 
Agente que dispara 
excessivamente na legítima 
defesa. 
No Estrito 
Cumprimento Não observância dos limites legais 
Policial que continua agredindo 
após prender o agente. 
No Exercício 
Regular Exercício abusivo do direito 
Pai que usa violência excessiva 
para corrigir seu filho. 
 
 
 
 
 
7.6.1 ESPÉCIES DE EXCESSO 
DOLOSO OU CONSCIENTE: Este tipo de excesso é voluntário, onde o agente age de 
forma deliberada e conscientemente ultrapassa os limites legais. Um exemplo ilustrativo é 
quando um indivíduo desarma um assaltante e, mesmo após tê-lo imobilizado, dispara 
intencionalmente tiros em sua cabeça. 
CULPOSO OU INCONSCIENTE: O excesso culposo resulta da negligência,

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