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1 REVISÃO PROCESSO DO TRABALHO Introdução ao Processo do Trabalho Fundamentos do Direito Processual do Trabalho, iniciando com conceitos básicos da Ciência Processual segundo Francesco Carnelutti, como: • Bem, interesse, pretensão, lide, processo e suas causas (material, formal, eficiente e final). • Destaca a função do processo como meio estatal de composição da lide, e o papel da ação como instrumento de provocação do Judiciário. Aborda as espécies de processos judiciais: • Civil (patrimônio e estado da pessoa), • Penal (liberdade), • Trabalhista (verbas salariais e indenizatórias). Características do Processo do Trabalho • Jurisdição própria (VT, TRT, TST, STF); • Função conciliatória; • Legislação própria (CLT); • Poder normativo nos dissídios coletivos. Evolução Histórica do Processo • Direito Romano: ações confundidas com o direito material, processo inquisitório. • Costumes bárbaros: provas irracionais (ordálias). • Processo Canônico: inquirição escrita e decisão colegiada. • Glosadores e Comentadores: uso do Corpus Iuris Civilis. • Praxismo: influência das Ordenações do Reino em Portugal e Brasil. • Procedimentalismo: combate ao processo inquisitório, valorização da oralidade, publicidade e fundamentação. 2 • Processualismo Científico Moderno: distinção entre direito material e processual, com ênfase na função pública do processo. Processo na Era Digital • Início com digitalização dos autos; • Implantação do processo judicial eletrônico (a partir de 2012); • Virtualização das audiências e sessões com a pandemia da Covid-19 (2020). DIREITO MATERIAL – direito do trabalho – clt, leis etc. DIREITO FORMAL – processo do trabalho I. Processo de conhecimento – crise de certeza (dúvida sobre a afirmação do reclamante) II. Processo de execução – crise de adimplemento (pagamento) III. Processo cautelar – crise de segurança (testemunha adoece, empresa começa a perder dinheiro) ESTRUTURA Tribunal Superior do Trabalho ------------ Tribunal Regional Trabalho ----------- Varas do Trabalho --------------- Obs. Caso haja matéria constitucional pode subir para o STF. FASES DO PROCESSO DO TRABALHO I. Postulatória – Petição inicial, notificação e defesa. II. Saneamento – realizado em audiência. 3 III. Instrutória – produção de provas em audiência. (documentos, testemunhas, depoimento...) IV. Decisória – proferimento da sentença em audiência. V. Recursal – interposição de recursos. Petição Inicial – escrita ou oral - Art. 840 CLT Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal. § 1o Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante. § 2o Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em duas vias datadas e assinadas pelo escrivão ou secretário, observado, no que couber, o disposto no § 1o deste artigo. § 3o Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1o deste artigo serão julgados extintos sem resolução do mérito. Art. 853 CLT obrigatoriamente escrita. Art. 853 - Para a instauração do inquérito para apuração de falta grave contra empregado garantido com estabilidade, o empregador apresentará reclamação por escrito à Junta ou Juízo de Direito, dentro de 30 (trinta) dias, contados da data da suspensão do empregado. DA JURISDIÇÃO E DA COMPETENCIA a) Jurisdição: O Poder Judiciário é responsável por dizer o direito, ou seja, aplicar a jurisdição. 4 O termo jurisdição é de origem latina “jurisdictio”, podendo ser definida como o poder estatal de aplicar o direito, ou seja, de decidir, em relação a um caso concreto (lide). Segundo Marcelo Abelha, a jurisdição é a “função do Estado de, quando provocado, substituindo a vontade das partes, e mediante um processo democrático e justo, reconhecer e efetivar a tutela jurisdicional realizando assim a paz social”. Portanto, é o poder que o estado dá ao juiz de dizer o direito no caso concreto. Essa decisão tem força de lei entre as partes. Da mihi factum, dabo tibi jus: O princípio "Da mihi factum, dabo tibi jus" significa "Narra-me os fatos e eu te darei o Direito". Refere-se à necessidade de conhecer os fatos concretos de um caso para aplicar corretamente a lei. b) Competência: No que tange a competência deverão ser estudados o artigo 114 da Constituição Federal, bem como os artigos 643, 652, 653 e 659, todos da CLT) A competência é um critério de distribuição da jurisdição entre os diversos juízes. Os critérios de competência da Justiça trabalhista são repartidos em razão: das matérias (também chamada de razão objetiva ou em razão da natureza da relação jurídica); das pessoas (em razão da qualidade das partes envolvidas na controvérsia jurídica); em razão do lugar (também chamada de competência territorial) e em razão da função (também denominada competência em razão da hierarquia dos órgãos judiciários ou competência interna). COMPETENCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA: A competência material também é chamada de razão objetiva ou em razão da natureza da relação jurídica. É aquela competência para o julgamento de qualquer 5 conflito que decorra de relação de trabalho, isto é, a causa que envolva relação de emprego e trabalho. A Justiça do Trabalho é justiça federal especializada para resolver causas trabalhistas. Art. 114 - Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as ações que envolvam exercício do direito de greve III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. 6 § 1º Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros. § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. § 3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito. COMPETENCIA FUNCIONAL A competência Funcional é aquela fixada em razão de certas atribuições específicas conferidas aos órgãos judiciais em determinados processos. Estão em vários diplomas legais. (também denominada competência em razão da hierarquia dos órgãos judiciários ou competência interna). Competência funcional decorre das funções exercidas pelo juiz em determinado processo de acordo com as suas fases, ou seja, funções diferentes desempenhadasno decorrer do procedimento, inclusive quanto ao grau de jurisdição. A competência hierárquica é uma espécie de competência funcional por se referir à competência originária para conhecer e decidir a causa bem como à competência recursal, ou seja, para o julgamento de eventual recurso. (GARCIA, 2017). COMPETENCIA EM RAZÃO DO LOCAL – Artigo 651 da CLT É determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro – Artigo 651 da CLT. (também chamada de competência territorial). 7 “O apego arraigado ao artigo 651, da CLT, pode, em alguns casos, conduzir à denegação da Justiça, mediante o negatório do acesso ao Judiciário, princípio este insculpido no art. 5°, XXXV, Constituição Federal. Desta sorte, a interpretação da norma processual há de se pautar no asseguramento real e efetivo do acesso à Justiça. Esta ilação, podere-se, em passant, robustece-se ao lume do Direito Obreiro, onde se prima pela proteção do hipossuficiente (na expressão de Cesarino Jr)” (MARQUES, Gérson. Processo do trabalho anotado. São Paulo: RT, 2001. P. 47) DA COMPETENCIA ABSOLUTA E RELATIVA a) A competência absoluta compreende as questões ligadas ao interesse do Estado, quais sejam, material, pessoal ou funcional. Nestes casos trata-se de nulidade absoluta e deve ser declarada de ofício, em qualquer fase do processo. A Competência absoluta é de interesse do Estado, jamais poderá ser modificada. Não existe a possibilidade de alteração de foro por convenção das partes. (Artigo 62 do CPC). A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é inderrogável por convenção das partes. Poderá ser 1- Material, 2- Pessoal e 3 - Funcional Sentença proferida por juiz incompetente, cabe ação rescisória. b) Competência relativa está ligada ao interesse das partes, compreendendo o 1- território e 2 - valor da causa. Sendo relativa é de interesse das Partes (privado) As partes também podem suscitar a questão de incompetência, devendo a relativa ser alegada em sede de preliminar, na contestação, enquanto que a incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer outro momento, conforme artigo 64, §1º do CPC. Dessa forma, a relativa só pode ser requerida pelo réu, no prazo da resposta, sob a penalidade de preclusão (artigo 65 do CPC). O juiz não pode reconhecê-la de ofício, mas o Ministério Público pode alegá-la em benefício de réu incapaz se convir. 8 Caso não for arguida no momento oportuno o juiz incompetente passa ser competente Destaque-se que deverá ser alegada por meio de exceção de competência, que faz após 05 dias do recebimento da notificação. (Conforme CLT: Artigo 800. Apresentada exceção de incompetência territorial no prazo de cinco dias a contar da notificação, antes da audiência e em peça que sinalize a existência desta exceção, seguir-se-á o procedimento estabelecido neste artigo. Além disso, no caso de a ação ter terminado com a existência de decisão de mérito transitada em julgado proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente, o artigo 966 do CPC prevê a possibilidade da propositura de ação rescisória. A competência territorial é relativa. Exige alegação da parte interessada. No silêncio, ocorre prorrogação. dar-se-á a prorrogação da competência e o juiz que era incompetente passa a ser competente. ATENÇÃO: Foro de eleição – Quando as partes, acordam em um contrato, que eventual demanda será resolvida em determinado local. Ocorre que tal foro de eleição não é admitido no processo do trabalho, pois o artigo 651 da CLT é norma cogente (publica). 9 JUÍZES DO TRABALHO 1- Artigo 111, inciso III, da Constituição Federal; Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: III - Juizes do Trabalho. 2- Varas do Trabalho, Artigo 112 da Constituição Federal Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. Juiz do Trabalho (Juiz Singular) - extinção das Juntas de Conciliação e Julgamento (EC 24/1999). Ressalte-se que nas comarcas não abrangidas pela jurisdição trabalhista tramitará perante os Juízes de Direito. Recurso será o respectivo Tribunal Regional do Trabalho (TRT - Art. 112, CF) e não Tribunal de Justiça. Forma de Ingresso – Artigo 93 da Constituição Federal 1988. (Os Juízes do Trabalho devem manter perfeita conduta pública e privada e abster-se de atender solicitações ou recomendações relativas aos processos sob sua apreciação (artigo 658 da CLT). II.I GARANTIAS DOS JUÍZES: (ARTIGO 95, CF) Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em julgado; 10 II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII; III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. Parágrafo único. Aos juízes é vedado: I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério; II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo; III - dedicar-se à atividade político-partidária. IV - receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; V - exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração. a) Vitaliciedade (após dois anos do exercício da magistratura), somente podendo perder o cargo por sentença judicial transitada em julgado); b) Inamovibilidade (somente pode ser removido por interesse público, por voto de dois terços do respectivo tribunal, assegurada ampla defesa) e c) Irredutibilidade de subsidíos. Tendo em vista ser Juiz, não poderá exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo, uma de magistério (inciso I, do artigo 95 da CF) Ainda, é vedado dedicar-se à atividade político-partidária (inciso III,do artigo 95 da CF) 11 II,II ATUAÇÃO DO MAGISTRADO EM PRIMEIRO GRAU DE JURISDIÇÃO: Em apertada síntese, desempenha os trabalhos no Primeiro Grau de Jurisdição, em reclamatórias trabalhistas, ação de inquérito para apuração de falta grave, prestação de contas, consignação em pagamento, mandado de segurança, ação civil pública, cobrança de multas trabalhistas, anulatória de auto infração. Lembrete prático: Os juízes que atuam no segundo grau são chamados de Desembargadores. III - TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO – TRTS Artigos 111 e 115, ambos da Constituição Federal Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: II - os Tribunais Regionais do Trabalho; I. Composição: Desembargadores. II. Objetivo: Via de regra, decidir/julgar os recursos interpostos das decisões proferidas pelos juízes do trabalho (Primeiro Grau) – Recurso ordinário e agravo de petição; III. Competência originaria: - ações que devem ser interpostas diretamente no tribunal: a) Dissidio coletivo – âmbito do tribunal (quando os sindicatos são regionais); b) Mandado de segurança; c) Ação rescisória – decisão prolatada pelo Juízo de Primeiro Grau d) Ação anulatória de cláusula de acordo ou convenção coletiva – âmbito, competência do tribunal – Ex: convenção que viola direito previsto em lei; e) Habeas Corpus (H.C.) – Caso em que o magistrado do Trabalho determina prisão da parte (questionar). 12 COMPOSIÇÃO: No mínimo, no mínimo, setejuízes, recrutados, quando possível, na respectiva região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de setenta anos de idade, sendo (Artigo 115 da CF) Os Tribunais Regionais do Trabalho constituem a 2ª Instância da Justiça do Trabalho no Brasil. São 24 (vinte e quatro) Tribunais Regionais, que estão distribuídos pelo território nacional. O Estado de São Paulo possui dois Tribunais Regionais do Trabalho: o da 2ª Região, sediado na capital do estado e o da 15ª Região, com sede em Campinas. Os Tribunais Regionais do Trabalho têm competência para apreciar recursos ordinários e agravos de petição e, originariamente, apreciam dissídios coletivos, ações rescisórias, mandados de segurança, entre outros. O PREENCHIMENTO DAS VAGAS: Artigo 115 da CONSTITUIÇÃO FEDERAL: I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II - os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antiguidade e merecimento, alternadamente § 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários 13 § 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. 1) Advogados (OAB); Exige-se mais de dez anos de carreira, notório saber jurídico e reputação ilibada. A OAB indica lista sêxtupla, o tribunal escolhe lista tríplice e encaminha para escolha de um nome pelo Presidente da República. Art. 93 da CF. 2) Membros do Ministério Público do Trabalho (MTP). Os procuradores também devem ter mais de dez anos de carreira, sendo a lista sêxtupla elaborada pela Procuradoria Geral, já que a carreira não é regionalizada. O Tribunal reduz a lista a tríplice e envia ao Poder Executivo, para nomeação. Ressalte-se que o artigo 94 da Constituição Federal regula o quinto constitucional (1 quinto dos desembargadores do tribunal vem da advocacia (OAB) ou MP do ministério do trabalho - MPT). Os Tribunais podem ser divididos em turmas, cada uma formada por três juízes. “Justiça itinerante” e a possibilidade de funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais. Artigo 115, par. 1º e 2º da Constituição Federal. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – TST Artigo 111, inciso I da Constituição Federal Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: I - o Tribunal Superior do Trabalho; Disposição: O artigo 111-A, da CF, dispõe que o TST será composto por 27 ministros escolhidos entre brasileiros com mais de 35 anos e menos de 70 anos, nomeados pelo Presidente 14 da República, após prévia aprovação no Senado Federal, um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício. Os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior. Não precisam ser brasileiros natos, podendo ser naturalizados. Apenas para o STF é preciso ser brasileiro nato. Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compõe-se de vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior. § 1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho. § 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho: I a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho, cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira; II o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo- lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa, 15 orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas decisões terão efeito vinculante. § 3º Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar, originariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões. O TST só julga matéria de direito, não julga matéria fática V. MINISTÉRIO PÚBLICO Órgão independente. Não tem vínculo com o Poder Judiciário. Tem como função a fiscalização do judiciário, do executivo e do legislativo. A partir da CF/88 o MP deixou de ser órgão do Poder Executivo, passando a ser considerado uma “instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”. (art. 127). Consoante artigo 128 da Constituição Federal, o Ministério Público pode ser dividido em: I - o Ministério Público da União, que compreende: a) o Ministério Público Federal; b) o Ministério Público do Trabalho; c) o Ministério Público Militar; d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios; II - os Ministérios Públicos dos Estados. (Promotores e Procuradores de Justiça). 16 Os membros do MP desfrutam das mesmas garantias asseguradas aos Magistrados: a) vitaliciedade, b) inamovibilidade; c) irredutibilidade de subsídios. O Ministério Público do Trabalho pertence ao Ministério Público da União, com autonomia funcional e administrativa, sem vinculação ao Poder Executivo. Não tem mais por objetivo defender interesses da União, tarefa que cabe à Advocacia-geral da União. O chefe do Ministério Público da União é o procurador-geral da República, nomeado pelo Presidente da República. Da Competência, dos Órgãos e da Carreira Art. 85. São órgãos do Ministério Público do Trabalho: (A Lei Complementar 75, de 20/5/1993) I - o Procurador-Geral do Trabalho; II - o Colégio de Procuradores do Trabalho; III - o Conselho Superior do Ministério Público do Trabalho; IV - a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público do Trabalho; V - a Corregedoria do Ministério Público do Trabalho; VI - os Subprocuradores-Gerais do Trabalho; 17 VII - os Procuradores Regionais do Trabalho; VIII - os Procuradores do Trabalho. Art. 86. A carreira do Ministério Público do Trabalho será constituída pelos cargos de Subprocurador-Geral do Trabalho, Procurador Regional do Trabalho e Procurador do Trabalho. Parágrafo único. O cargo inicial da carreira é o de Procurador do Trabalho e o do último nível o de Subprocurador- Geral do Trabalho. O procurador-geral do Trabalho é o chefe do Ministério Público do Trabalho e exerce seu ofício perante o plenário do TST, instância onde atuam os subprocuradores- gerais. Os Procuradores do Trabalho são designados para funcionar junto aos TRT e, na forma das leis processuais, nos litígios trabalhistas que envolvam, especialmente, interesses de menores e incapazes. A competência está definida no art. 83 da Lei Complementar 75/93: Art. 83. Compete ao Ministério Público do Trabalhoo exercício das seguintes atribuições junto aos órgãos da Justiça do Trabalho: I - promover as ações que lhe sejam atribuídas pela Constituição Federal e pelas leis trabalhistas; II - manifestar-se em qualquer fase do processo trabalhista, acolhendo solicitação do juiz ou por sua iniciativa, quando entender existente interesse público que justifique a intervenção; 18 III - promover a ação civil pública no âmbito da Justiça do Trabalho, para defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos; IV - propor as ações cabíveis para declaração de nulidade de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção coletiva que viole as liberdades individuais ou coletivas ou os direitos individuais indisponíveis dos trabalhadores; V - propor as ações necessárias à defesa dos direitos e interesses dos menores, incapazes e índios, decorrentes das relações de trabalho; VI - recorrer das decisões da Justiça do Trabalho, quando entender necessário, tanto nos processos em que for parte, como naqueles em que oficiar como fiscal da lei, bem como pedir revisão dos Enunciados da Súmula de Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; VII - funcionar nas sessões dos Tribunais Trabalhistas, manifestando-se verbalmente sobre a matéria em debate, sempre que entender necessário, sendo-lhe assegurado o direito de vista dos processos em julgamento, podendo solicitar as requisições e diligências que julgar convenientes; VIII - instaurar instância em caso de greve, quando a defesa da ordem jurídica ou o interesse público assim o exigir; IX - promover ou participar da instrução e conciliação em dissídios decorrentes da paralisação de serviços de qualquer natureza, oficiando obrigatoriamente nos processos, manifestando sua concordância ou discordância, em eventuais acordos firmados antes da homologação, resguardado o direito de recorrer em caso de violação à lei e à Constituição Federal; 19 X - promover mandado de injunção, quando a competência for da Justiça do Trabalho; XI - atuar como árbitro, se assim for solicitado pelas partes, nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho; XII - requerer as diligências que julgar convenientes para o correto andamento dos processos e para a melhor solução das lides trabalhistas; XIII - intervir obrigatoriamente em todos os feitos nos segundo e terceiro graus de jurisdição da Justiça do Trabalho, quando a parte for pessoa jurídica de Direito Público, Estado estrangeiro ou organismo internacional. Promover ações, manifestar-se em qualquer fase do processo trabalhista, quando entender existente interesse público que justifica sua intervenção, sendo esta obrigatória no segundo e terceiro graus quando a parte for pessoa jurídica de Direito Público, Estado estrangeiro ou organismo internacional, promover ação civil pública, ações de declaração de nulidade de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção coletiva. Artigo. 793 da CLT.: A reclamação trabalhista do menor de 18 anos será feita por seus representantes legais e, na falta destes, pela Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo sindicato, pelo Ministério Público estadual ou curador nomeado em juízo. Assim, na falta de representantes legais de menores de 14 a 18 anos, a Procuradoria Regional, por intermédio de um procurador, funcionará, na primeira instância, como curador à lide nos dissídios individuais – Art. 793 da CLT. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 80, DE 4 DE JUNHO DE 2014 Altera o Capítulo IV - Das Funções http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/emc%2080-2014?OpenDocument 20 Essenciais à Justiça, do Título IV - Da Organização dos Poderes, e acrescenta artigo ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal. As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional: Art. 1º O Capítulo IV - Das Funções Essenciais à Justiça, do Título IV - Da Organização dos Poderes, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal. ............................................................................................ ..... § 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional, aplicando-se também, no que couber, o disposto no art. 93 e no inciso II do art. 96 desta Constituição Federal."(NR) Art. 2º O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar acrescido do seguinte art. 98: "Art. 98. O número de defensores públicos na unidade jurisdicional será proporcional à efetiva demanda pelo serviço da Defensoria Pública e à respectiva população. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art134. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art134%C2%A74 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#adctart98 21 § 1º No prazo de 8 (oito) anos, a União, os Estados e o Distrito Federal deverão contar com defensores públicos em todas as unidades jurisdicionais, observado o disposto no caput deste artigo. § 2º Durante o decurso do prazo previsto no § 1º deste artigo, a lotação dos defensores públicos ocorrerá, prioritariamente, atendendo as regiões com maiores índices de exclusão social e adensamento populacional." DISSÍDIOS INDIVIDUAIS TRABALHISTAS E SUAS CARACTERÍSTICAS. I- Intróito: Conceito: O significado original da palavra dissídio é divergência, aplicada principalmente em âmbito jurídico para nomear os processos de disputa (contenda). No direito trabalhista, o termo indica conflito, discórdia e desavença sobre as relações de trabalho. Assim, utiliza-se a palavra dissídio para denominar os processos judiciais que buscam solucionar os conflitos de trabalho, sejam coletivos ou individuais. De acordo com os artigos 643 e 763 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e artigo 114 da Constituição Federal, cabe à Justiça do Trabalho processar e julgar dissídios de ações trabalhistas. No caso em tela, o dissídio individual parte de ações movidas por determinadas pessoas, simplesmente denominadas trabalhador e empregador. Destaque-se as principais características do dissídio individual: 22 a) A ação tem por objeto interesses concretos de indivíduos; b) Os sujeitos da relação processual são o empregado e empregador; c) A esfera de interesse é totalmente particular; d) A reclamação escrita pode ser submetida pelo próprio autor em juízo; e) A sentença costuma ser perene, em vez de possuir um tempo determinado. Na mesma baila, há ainda o dissídio individual simples, que inclui apenas um sujeito, e o dissídio individual plúrimo, que reúne diferentes pessoas em um grupo com interesse singular. Quando o dissídio ocorre, o trabalhador entra na Justiça do Trabalho contra o empregador na tentativa de fazer valer os seus interesses. Cumpre ressaltar que motivações comuns para essa situação são: a) Reajuste salarial; b) Equiparação salarial; c) Cobrança ou desavença quanto ao acerto de verbas rescisórias considerando variáveis como as horas extras, além do FGTS e do 13° salário. Como dito anteriormente, o processo de dissídio individual acontece na esfera particular por ser uma questão direta entreum trabalhador e o empregador. Procura-se evitar que novos dissídios individuais ocorram, sobretudo tendo em mente que um caso pode desencadear outros similares. (Cite-se como exemplo quando os demais funcionários se dão conta de que a ação movida pelo colega ou ex-colega de trabalho foi bem-sucedida) I.I - DOS TIPOS DE DISSÍDIO INDIVIDUAL No que tange ao tema, existem três tipos de dissídio individual, quais sejam: 1) O Simples - é aquele em que apenas um trabalhador/empregado aciona a Justiça do Trabalho contra um ou mais empregadores 23 2) O Plúrimo : é aquele em que dois ou mais trabalhadores unem forças contra um ou mais empregadores. O termo jurídico utilizado é litisconsórcio que é um fenômeno processual em que existe pluralidade de sujeitos em um ou em ambos os lados algo que produz uma lide ou conflito de interesses que envolve dois ou mais empregados; 3) O Especial ou Inquérito Judicial – Trata-se de uma demanda/ação trabalhista que tem por objetivo investigar uma falta grave cometida por um empregado/funcionário/obreiro estável visando a rescisão judicial do contrato de trabalho, portanto, de um processo de direito do empregador I.II – Das Mudanças no dissídio individual com a reforma trabalhista Referente as mudanças no dissídio individual com a chamada reforma trabalhista, a Lei sob nº 13.467/2017, a cada data-base, um novo acordo realizado entre trabalhadores e empregadores passa a valer para a empresa e a categoria. Pode ser, inclusive, que esse acordo só seja firmado por meio de um dissídio coletivo. (Data- base No Brasil, data-base é o período do ano em que patrões e empregados representados pelos Sindicatos se reúnem para repactuar os termos dos seus contratos coletivos de trabalho. Neste período, os trabalhadores podem, de maneira coletiva através do Sindicato, reivindicar a revisão de salário, apontar a manutenção do acordo, além de incluir novas cláusulas. Do Rito Sumaríssimo nos Dissídios Individuais Referente ao rito sumaríssimo, também conhecido como Lei 9.957/2000, é o procedimento utilizado para dissídios trabalhistas individuais cujo valor da causa esteja entre 2 a 40 salários mínimos. Cumpre ressaltar que o procedimento sumaríssimo foi acrescentado à CLT no ano 2000, através de citada Lei, sob a justificativa de dinamizar o processo do trabalho, de forma a tomá-lo mais célere e eficaz na solução dos conflitos trabalhistas. Portanto, é 24 possível afirmar que os objetivos da Lei 9957/00 em simplificar o processo trabalhista e aumentar sua celeridade foram alcançados, ao menos, em parte, tendo em vista os dados obtidos pelo Tribunal Superior do Trabalho. Aponte-se como objetivos do procedimento sumaríssimo: a) celeridade do processo; b) efetividade processual; c) simplificação do procedimento; d) diminuição da dilação probatória. DOS DISSÍDIOS INDIVIDUAIS Fundamentação: Decreto-lei nº 5452 de 01/05/1943 – CLT Os estudos sobre o tema iniciam-se no artigo 837 da CLT: SEÇÃO I DA FORMA DE RECLAMAÇÃO E DA NOTIFICAÇÃO Art. 837 - Nas localidades em que houver apenas 1 (uma) Junta de Conciliação e Julgamento, ou 1 (um) escrivão do cível, a reclamação será apresentada diretamente à secretaria da Junta, ou ao cartório do Juízo. Art. 838 - Nas localidades em que houver mais de 1 (uma) junta ou mais de 1 (um) Juízo, ou escrivão do cível, a reclamação será, preliminarmente, sujeita a distribuição, na forma do disposto no Capítulo II, Seção II, deste Título. Art. 839 - A reclamação poderá ser apresentada: a) pelos empregados e empregadores, pessoalmente, ou por seus representantes, e pelos sindicatos de classe; 25 b) por intermédio das Procuradorias Regionais da Justiça do Trabalho. Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal. § 1o Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante. § 2o Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em duas vias datadas e assinadas pelo escrivão ou secretário, observado, no que couber, o disposto no § 1o deste artigo. § 3o Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1o deste artigo serão julgados extintos sem resolução do mérito. Art. 841 - Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou secretário, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeterá a segunda via da petição, ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer à audiência do julgamento, que será a primeira desimpedida, depois de 5 (cinco) dias. § 1º - A notificação será feita em registro postal com franquia. Se o reclamado criar embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado, far-se-á a notificação por edital, inserto no jornal oficial ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, afixado na sede da Junta ou Juízo. § 2º - O reclamante será notificado no ato da apresentação da reclamação ou na forma do parágrafo anterior. § 3o Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação. 26 Art. 842 - Sendo várias as reclamações e havendo identidade de matéria, poderão ser acumuladas num só processo, se se tratar de empregados da mesma empresa ou estabelecimento. DA AUDIÊNCIA DE JULGAMENTO Art. 843 - Na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua categoria. § 1º É facultado ao empregador fazer-se substituir pelo gerente, ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do fato, e cujas declarações obrigarão o proponente. § 2º Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, não for possível ao empregado comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato. § 3o O preposto a que se refere o § 1o deste artigo não precisa ser empregado da parte reclamada. Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não- comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. § 1o Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência. § 2o Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art789 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art789 27 § 3o O pagamento das custas a que se refere o § 2o é condição para a propositura de nova demanda. § 4o A revelia não produz o efeito mencionado no caput deste artigo se: I - havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação; II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; IV - as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. § 5o Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. Art. 845 - Oreclamante e o reclamado comparecerão à audiência acompanhados das suas testemunhas, apresentando, nessa ocasião, as demais provas. Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação § 1º - Se houver acordo lavrar-se-á termo, assinado pelo presidente e pelos litigantes, consignando-se o prazo e demais condições para seu cumprimento. § 2º - Entre as condições a que se refere o parágrafo anterior, poderá ser estabelecida a de ficar a parte que não cumprir o acordo obrigada a satisfazer integralmente o pedido ou pagar uma indenização convencionada, sem prejuízo do cumprimento do acordo. 28 Art. 847 - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes. Parágrafo único. A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico até a audiência. Art. 848 - Terminada a defesa, seguir-se-á a instrução do processo, podendo o presidente, ex officio ou a requerimento de qualquer juiz temporário, interrogar os litigantes. § 1º - Findo o interrogatório, poderá qualquer dos litigantes retirar-se, prosseguindo a instrução com o seu representante. § 2º - Serão, a seguir, ouvidas as testemunhas, os peritos e os técnicos, se houver. Art. 849 - A audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz ou presidente marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação. Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão. Parágrafo único - O Presidente da Junta, após propor a solução do dissídio, tomará os votos dos vogais e, havendo divergência entre estes, poderá desempatar ou proferir decisão que melhor atenda ao cumprimento da lei e ao justo equilíbrio entre os votos divergentes e ao interesse social. Art. 851 - Os tramites de instrução e julgamento da reclamação serão resumidos em ata, de que constará, na íntegra, a decisão § 1º - Nos processos de exclusiva alçada das Juntas, será dispensável, a juízo do presidente, o resumo dos depoimentos, 29 devendo constar da ata a conclusão do Tribunal quanto à matéria de fato. § 2º - A ata será, pelo presidente ou juiz, junta ao processo, devidamente assinada, no prazo improrrogável de 48 (quarenta e oito) horas, contado da audiência de julgamento, e assinada pelos juízes classistas presentes à mesma audiência. Art. 852 - Da decisão serão os litigantes notificados, pessoalmente, ou por seu representante, na própria audiência. No caso de revelia, a notificação far-se-á pela forma estabelecida no § 1º do art. 841. I.IV.II Das Característica do Procedimento Sumaríssimo: 1) Valor da causa - Prevalece o entendimento na doutrina e na jurisprudência de que o advento do procedimento sumaríssimo não revogou o procedimento sumário. Assim, os dissídios individuais cujo valor da causa supere 2 salários mínimos e não exceda a 40 vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação ficam submetidos ao procedimento sumaríssimo. 2) Partes - Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em que é parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional. Assim, quando for parte a Fazenda Pública (pessoas jurídicas de direito público interno União, Estados, Municípios, Distrito Federal, autarquias e fundações públicas), não será admitido o procedimento sumaríssimo. 3) Requisitos específicos da reclamação trabalhista - Além dos requisitos clássicos ou tradicionais (endereçamento, qualificação das partes, breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, pedido, data e assinatura do reclamante ou de seu representante), a petição inicial trabalhista deverá apresentar dois requisitos específicos no procedimento sumaríssimo: a) Pedido Líquido: o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor correspondente; https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art841 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art841 30 b) correta indicação do nome e endereço do reclamado: incumbe ao autor a correta indicação do nome e endereço do reclamado. 4) Prazo para apreciação da reclamação: a apreciação da reclamação deverá ocorrer no prazo máximo de 15 dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta especial, se necessário, de acordo com o movimento judiciário da Vara do Trabalho. Prazo para apreciação da reclamação. Esse prazo deverá ser analisado de acordo com a realidade da Vara do Trabalho. Por ser um prazo impróprio, direcionado aos juízes do trabalho e a seus servidores, poderá este ser mitigado ou relativizado de forma justificável, e partindo-se da premissa do número excessivo de processos na Vara. 5) Mudanças de endereço ocorridas no curso do processo: As partes e advogados comunicarão ao juízo as mudanças de endereço ocorridas no curso do processo, reputando-se eficazes as intimações enviadas ao local anteriormente indicado, na ausência de comunicação. 6) Audiência única: as demandas sujeitas a rito sumaríssimo serão instruídas e julgadas em audiência única, sob a direção de juiz presidente ou substituto, que poderá ser convocado para atuar simultaneamente com o titular. Assim, em tese, não será admitido o fracionamento das audiências, como é muito comum na praxe forense em relação ao procedimento ordinário. 7) Interrupção da audiência: interrompida a audiência, o seu prosseguimento e a solução do processo dar-se-ão no prazo máximo de 30 dias, salvo motivo relevante justificado nos autos pelo juiz da causa. Pode ocorrer da necessidade excepcional de interrupção da audiência, como, por exemplo, necessidade de prova pericial, ou número excessivo de documentos. Nesse caso, o seu prosseguimento e a solução do processo deverão ocorrer no prazo máximo de 30 dias, salvo motivo relevante justificado nos autos pelo juiz da causa. 8) Conciliação em qualquer fase da audiência: Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, em qualquer fase da audiência. Dessa forma, no procedimento sumaríssimo não temos momentos processuais de tentativas obrigatórias de conciliação, como ocorre no rito ordinário. 31 9) Registro resumido na ata de audiência: Na ata de audiência serão registrados resumidamente os atos essenciais, as afirmações fundamentais das partes e as informações úteis à solução da causa trazidas pela prova testemunhal. 10) Saneamento em audiência: Serão decididos, de plano, todos os incidentes e exceções que possam interferir no prosseguimento da audiência e do processo. As demais questões serão decididas na sentença. O saneamento na própria audiência é fundamental para a celeridade processual e a efetividade do processo. 11) Liberdade do juiz na produção probatória: O juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerado o ônus probatório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica. 12) Provas em espécie: Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente. Veja-se algumas considerações importantes sobre a matéria: a) prova documental: sobre os documentos apresentados por uma das partes manifestar-se-á imediatamente a parte contrária, sem interrupçãoda audiência, salvo absoluta impossibilidade, a critério do juiz; b) prova testemunhal: as testemunhas, até o máximo de duas para cada parte, comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. Só será deferida intimação de testemunha que, comprovadamente convidada, deixar de comparecer. Não comparecendo a testemunha intimada, ojuiz poderá determinar sua imediata condução coercitiva (carta-convite ou provado convite prévio); No caso em estudo, prevalece o entendimento na doutrina e na jurisprudência que acarta-convite ou prova do convite prévio para a intimação da testemunha no procedimento sumaríssimo não precisa ser necessariamente documental nem escrita, podendo ser até oral, com a comprovação por outra testemunha. 32 c) prova pericial: somente quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente imposta, será deferida prova técnica, incumbindo-se ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da perícia e nomear perito. As partes serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo comum de cinco dias. Assim, vale ressaltar que, como a prova pericial, por ser naturalmente complexa, não se coaduna com os princípios da simplicidade, da informalidade e da celeridade, sendo cabível no procedimento sumaríssimo somente em duas hipóteses: 1ª) quando a prova do fato exigir; 2ª) quando for legalmente imposta. 13) Sentença: A sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório. O juízo adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum. As partes serão intimadas da sentença na própria audiência em que prolatada. Assim, são características da sentença prolatada no rito sumaríssimo: 1ª) as partes ou requisitos serão apenas a fundamentação (motivação)e o dispositivo (conclusão), sendo dispensado o relatório; 2ª) mencionará apenas os elementos de convicção do juízo, com resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência; 3ª) apresenta um viés de justiça e equidade, uma vez que a decisão deverá ser amais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum; e 4ª) a intimação das partes deverá ocorrer na própria audiência em que prolatada. 14) Recursos: Neste procedimento tem-se regras específicas sobre os seguintes recursos: a) recurso ordinário (art. 895, §§ 1º e 2º, da CLT): será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal Regional do Trabalho; o relator deverá 33 liberá-lo no prazo máximo de 10 dias; a Secretaria do Tribunal ou Turma deverá colocá- lo imediatamente em pauta para julgamento; não há revisor; terá parecer oral do representante do Ministério Público do Trabalho presente à sessão de julgamento, se este entender necessário o parecer, com registro na certidão; terá acórdão consistente apenas na certidão de julgamento, bastando a indicação do processo e da parte dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente; se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, servirá de acórdão; os Tribunais Regionais do Trabalho, divididos em Turmas, poderão designar Turma para o julgamento dos recursos ordinários interpostos das sentenças prolatadas nas demandas sujeitas ao procedimento sumaríssimo; b) Recurso de Revista (artigo 896, § 9º, da CLT): nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violaçãodireta da Constituição da República. Assim, o recurso de revista no procedimento sumaríssimo apresenta apenas três hipóteses de cabimento, quando: 1) o acórdão do TRT contrariar a Constituição Federal; 2) o acórdão do TRT contrariar Súmula do TST; e 3) o acórdão do TRT contrariar Súmula Vinculante do STF. I.V Da Comissão de Conciliação Prévia (CCP) nos dissídios individuais A Comissão de Conciliação Prévia (CCP) foi criada com o advento da Lei n.9.958/2000, em consonância com o ideário da festejada autocomposição dos conflitos trabalhistas, que incluiu na CLT os arts.625-A a 625-H, in verbis: TÍTULO VI-A (incluído pela Lei nº 9.958, de 12.1.2000) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9958.htm#art1 34 DA COMISSÕES DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA Art. 625-A. As empresas e os sindicatos podem instituir Comissões de Conciliação Prévia, de composição paritária, com representante dos empregados e dos empregadores, com a atribuição de tentar conciliar os conflitos individuais do trabalho. Parágrafo único. As Comissões referidas no caput deste artigo poderão ser constituídas por grupos de empresas ou ter caráter intersindical Art. 625-B. A Comissão instituída no âmbito da empresa será composta de, no mínimo, dois e, no máximo, dez membros, e observará as seguintes normasI - a metade de seus membros será indicada pelo empregador e outra metade eleita pelos empregados, em escrutínio,secreto, fiscalizado pelo sindicato de categoria profissionalII - haverá na Comissão tantos suplentes quantos forem os representantes títularesIII - o mandato dos seus membros, titulares e suplentes, é de um ano, permitida uma recondução. § 1º É vedada a dispensa dos representantes dos empregados membros da Comissão de Conciliação Prévia, titulares e suplentes, até um ano após o final do mandato, salvo se cometerem falta grave, nos termos da lei. § 2º O representante dos empregados desenvolverá seu trabalho normal na empresa afastando-se de suas atividades apenas quando convocado para atuar como conciliador, sendo computado como tempo de trabalho efetivo o despendido nessa atividade. Art. 625-C. A Comissão instituída no âmbito do sindicato terá sua constituição e normas de funcionamento definidas em convenção ou acordo coletivo 35 Art. 625-D. Qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à Comissão de Conciliação Prévia se, na localidade da prestação de serviços, houver sido instituída a Comissão no âmbito da empresa ou do sindicato da categoria § 1º A demanda será formulada por escrito ou reduzida a termo por qualquer dos membros da Comissão, sendo entregue cópia datada e assinada pelo membro aos interessados. § 2º Não prosperando a conciliação, será fornecida ao empregado e ao empregador declaração da tentativa conciliatória frustrada com a descrição de seu objeto, firmada pelos membros da Comissão, que devera ser juntada à eventual reclamação trabalhista § 3º Em caso de motivo relevante que impossibilite a observância do procedimento previsto no caput deste artigo, será a circunstância declarada na petição da ação intentada perante a Justiça do Trabalho § 4º Caso exista, na mesma localidade e para a mesma categoria, Comissão de empresa e Comissão sindical, o interessado optará por uma delas submeter a sua demanda, sendo competente aquela que primeiro conhecer do pedido Art. 625-E. Aceita a conciliação, será lavrado termo assinado pelo empregado, pelo empregador ou seu proposto e pelos membros da Comissão, fornecendo-se cópia às partes. Parágrafo único. O termo de conciliação é título executivo extrajudicial e terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas Art. 625-F. As Comissões de Conciliação Prévia têm prazo de dez dias para a realização da sessão de tentativa de conciliação a partir da provocação do interessado. 36 Parágrafo único. Esgotado o prazo sem a realização da sessão, será fornecida, no último dia do prazo, a declaração a que se refere o § 2º do art. 625-D Art. 625-G. O prazo prescricional será suspenso a partir da provocação da Comissão de Conciliação Prévia, recomeçandoa fluir, pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustrada de conciliação ou do esgotamento do prazo previsto no art. 625-F Art. 625-H. Aplicam-se aos Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista em funcionamento ou que vierem a ser criados, no que couber, as disposições previstas neste Título, desde que observados os princípios da paridade e da negociação coletiva na sua constituição. I.V.I - Do Objetivo O objetivo da CCP é o de tentar desafogar o grande número de ações trabalhistas ajuizadas diariamente e as que já tramitam no Judiciário Trabalhista. Com efeito, tem como importante papel conciliar os conflitos individuais de trabalho. I.V.II - Das Características 1ª) A tentativa de conciliação extrajudicial somente é possível quando envolver conflitos individuais do trabalho, e não conflitos coletivos. 2ª) Um dos pontos mais importantes é a composição paritária dessas comissões, ou seja, idêntico número de representantes dos empregados e empregadores. 3ª) A instituição (criação) das comissões é facultativa, e não obrigatória. 4ª) Poderão ser criadas no âmbito das empresas (ou grupos de empresas) ou dos sindicatos (ou ter caráter intersindical). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art625d https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art625f 37 Destaque-se que devido à alta rotatividade de empregados e ao elevado número de reclamações trabalhistas na Justiça do Trabalho, o que, de certa forma, prejudica a imagem de grandes empresas ou grupos econômicos, é comum a criação das referidas comissões. Caso exista, na mesma localidade e para a mesma categoria, comissão de empresa e comissão sindical, o interessado optará por uma delas para submeter a sua demanda, sendo competente aquela que primeiro conhecer do pedido. A comissão instituída no âmbito do sindicato terá sua constituição e as normas de funcionamento definidas em convenção ou acordo coletivo. A comissão instituída no âmbito da empresa tem as suas regras definidas na própria CLT. Veja-se: 1 - Composição: No mínimo dois e, no máximo, dez membros, visto que metade deles será indicada pelo empregador e a outra metade será eleita pelos empregados. 2 - Eleição: Será feita em escrutínio secreto, com a fiscalização do sindicato da respectiva categoria profissional. 3- Suplentes: tantos quantos forem os representantes titulares. 4- Mandato: De um ano, permitida uma recondução, tanto para os membros titulares quanto para os suplentes. 5- Estabilidade provisória: Trata-se da garantia de emprego aos membros da CCP. Características: a) são titulares os representantes dos empregados, que passam por um processo eletivo; b) abrange tanto os membros titulares quanto os suplentes; c) termo final dá-se um ano após o fim do mandato; 38 d) no interregno de um ano somente poderão ser dispensados se cometerem falta grave. Cumpre destacar que a CLT é omissa quanto ao termo inicial da estabilidade provisória, ou seja, quando realmente começa essa garantia no emprego. Uma corrente entende que o “dies a quo” é a eleição, justamente pela lacuna no Diploma Consolidado. Outra corrente, tendo em vista que a hermenêutica jurídica preleciona como forma de integração do sistema jurídico a analogia, ou seja, ao caso concreto não regulado por lei aplica-se a norma que regulamenta caso semelhante. Analisando o ordenamento jurídico trabalhista, aplicam-se os arts. 8º, VIII, da CF/88 e 543, § 3º, da CLT, que delimitam o período de estabilidade provisória do dirigente sindical, qual seja, do registro da candidatura e, se eleito, até 1 ano após o final do mandato. Logo, o termo inicial correto para a estabilidade provisória do membro da CCP é o registro da candidatura, até porque isso lhe garantirá maior proteção contra represálias do empregador. Na mesma seara, em decorrência da controvérsia mencionada, há dúvida sobre a necessidade ou não de inquérito judicial para apuração de falta grave para o membro da CCP. Embora não seja pacífica, a linha de pensamento mais acertada é a da necessidade, por aplicação analógica do disposto ao dirigente sindical na Súmula 379 do TST. O representante dos empregados desenvolverá seu trabalho normal na empresa, afastando-se de suas atividades apenas quando convocado para atuar como conciliador, sendo computado como tempo de trabalho efetivo o despendido nessa atividade. Ainda, o tempo dedicado à atividade de conciliador consubstancia interrupção do contrato de trabalho, computando-se como tempo de trabalho efetivo. 5ª) A demanda será formulada por escrito ou reduzida a termo por qualquer dos membros da comissão, sendo entregue cópia datada e assinada pelo membro aos interessados. 6ª) Em caso de motivo relevante que impossibilite a observância da passagem obrigatória pela CCP (partindo da premissa de que isso é o que pressupõe a CLT),será a circunstância declarada na reclamação trabalhista ajuizada perante aJustiça do Trabalho. 39 7ª) As Comissões de Conciliação Prévia têm o prazo de 10 dias para a realização de sessão de tentativa de conciliação a partir da provocação do interessado. Dois caminhos são possíveis na referida sessão: a) sucesso no acordo aceita a conciliação, será lavrado o respectivo termo, assinado pelo empregado, pelo empregador ou seu preposto e pelos membros da comissão, fornecendo-se cópia às partes. O termo de conciliação é um título executivo extrajudicial e terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas; Destaque-se que as características do termo de conciliação lavrado na CCP são muito em concurso. Logo, atenção a elas: título executivo extrajudicial e eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas. Nesse sentido, alguns doutrinadores sustentam o não cabimento da eficácia liberatória geral com quitação ao extinto contrato de trabalho, pois isso seria prejudicial ao empregado, impedindo-o de ajuizar reclamação trabalhista para pleitear eventuais diferenças de parcelas pagas ou títulos trabalhistas não quitados, principalmente quando não for deficiente a assistência ao trabalhador. Assim, ainda que tenha realizado acordo na Comissão de Conciliação Prévia, o empregado poderia ajuizar reclamação trabalhista para discutir na Justiça do Trabalho tanto o aspecto formal (higidez na manifestação de vontade) quanto ao specto de fundo ou mérito (outras parcelas trabalhistas e eventuais diferenças). b) fracasso na tentativa de conciliação não prosperando a conciliação, será fornecida ao empregado e ao empregador declaração da tentativa conciliatória frustrada (também chamada de carta de malogro), com a descrição de seu objeto, firmada pelos membros da comissão, que deverá ser juntada à eventual reclamação trabalhista. 8ª) Esgotado o mencionado prazo de 10 dias sem a realização da sessão de tentativa de conciliação, será fornecida a declaração da tentativa conciliatória frustrada no último dia do prazo. 9ª) No que concerne ao prazo prescricional, se o empregado provoca a CCP, é porque não está inerte na busca de reparação de lesão ao seu direito trabalhista, e isso gera 40 reflexos indubitáveis à prescrição, que é a perda da pretensão de reparação do direito violado pela inércia do titular no decurso do tempo (o direito não socorre quem dorme). Por conseguinte, o prazo prescricional será suspenso a partir da provocação da CCP, recomeçando a fluir, pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustrada de conciliação ou do esgotamento do prazo de 10 dias. 10ª) Por derradeiro, aplicam-se aos Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista em funcionamento ou que vierem a ser criados as regras mencionadas, desde que observados os princípios da paridade e da negociação coletiva na sua constituição. I.V.III - Da Obrigatoriedade ou não da CCP Indubitavelmentea questão mais polêmica do tema Comissão de Conciliação Prévia é a passagem obrigatória ou facultativa do empregado por essa comissão antes do ajuizamento da reclamatória trabalhista. Em outras palavras, será que o empregado, na hipótese de não pagamento de haveres trabalhistas por parte do empregador, terá que passar pela CCP antes do ajuizamento de eventual reclamação trabalhista, ou poderá ingressar com ação diretamente no Poder Judiciário? Duas principais correntes formaram-se sobre a indagação: 1ªCorrente: a passagem pela CCP é obrigatória. Fundamentos: a) interpretação gramatical ou literal do caput do art. 625-D da CLT o dispositivo consolidado aduz que qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à Comissão de Conciliação Prévia se, na localidade da prestação de serviços, houver sido instituída a comissão no âmbito da empresa ou do sindicato da categoria. Compartilha- se a ideia de obrigatoriedade; b) esse requisito configura condição da ação (interesse de agir) ou pressuposto processual, cuja não observância acarretará extinção do processo sem resolução do mérito, com base no art. 485, IV e VI, do CPC/2015; c) o objetivo da CCP é desafogar o Poder Judiciário Trabalhista, que já tem inúmeras lides trabalhistas tramitando em sua estrutura funcional; 41 d) a autocomposição é a melhor forma de solução dos conflitos trabalhistas; e e) não há limitação do exercício do direito de ação. Caso reste infrutífera a tentativa de conciliação, nada impede o ajuizamento da exordial trabalhista, considerando-se que o prazo, contado da provocação do interessado, para a realização da sessão de tentativa de conciliação é exíguo, ou seja, de 10 dias. 2ªCorrente: a passagem pela CCP é facultativa. Fundamentos: a) a obrigatoriedade viola inexoravelmente o exercício do direito de ação(princípio da inafastabilidade da jurisdição) previsto no art. 5º, XXXV, da CF. Qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito fundamental não poderá ser excluída de apreciação do Poder Judiciário por uma lei; b) a passagem pela CCP não consubstancia condição da ação ou pressuposto processual de existência ou de validade do processo; c) a Súmula 2 do TRT da 2ªRegião defende a ideia da facultatividade da passagem pela CCP, não sendo uma condição da ação ou um pressuposto processual.