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AULA 6 JUSTIÇA DO TRABALHO Profª Paula Rena Beraldo 2 TEMA 1 – RECURSOS EM ESPÉCIE Ultrapassadas as questões formais e principiológicas acerca dos recursos, passemos aos estudos das espécies recursais existentes no âmbito trabalhista. 1.1 Embargos de declaração Os embargos de declaração no âmbito trabalhista, assim como na esfera cível, se prestam a: esclarecer obscuridade ou eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material, na forma disposta no art. 1022 do CPC: Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material. (Brasil, 2015) Jorge Neto (2019, p. 784) leciona que “a essência dos embargos declaratórios é adequar a decisão à realidade dos autos. O fim específico desse instituto é propiciar às partes junto ao órgão jurisdicional uma declaração com o objetivo de elucidas obscuridade, contradição ou omissão (art. 1022, I a III, CPC)”. Para parte da doutrina, os embargos não se enquadram como recurso, visto que não buscam a reforma do julgado, mas somente a adequação deste, contudo, importante seu estudo. De forma breve, cabe a indicação de alguns detalhes dos embargos. Aos embargos, poderá ser concedido efeito modificativo ou infringente, que é quando o juiz reconhece alguma das condições supra indicadas e, com isso, modifica a sua decisão em algum ponto, modificando-a. Os embargos de declaração também podem ser opostos apenas com intuito de prequestionamento, que é quando se exige que a matéria recursal seja pré-analisada para interposição de alguns recursos. A oposição dos embargos de declaração, desde que tempestivos, interrompem o prazo para interposição de outros recursos, na forma do art. 1026 do CPC. Posto este efeito interruptivo do prazo, os embargos muitas vezes são utilizados como artifício processual para “se ganhar tempo” pelas partes. Contudo, há que se ter cuidado, visto que se forem interpretados como meramente 3 protelatórios, ou seja, somente para “enrolar”, poderá ser imputada multa em até 2% do valor da causa (art. 1026, parágrafo 2º. do CPC). O prazo para oposição dos embargos de declaração é de 5 dias a contar da ciência da decisão. Os embargos de declaração não exigem preparo recursal. 1.2 Recurso ordinário O recurso ordinário é interposto objetivando impugnar sentenças proferidas por Juízes ou Tribunais do Trabalho (casos de competência originária, exemplo: mandado de segurança). A previsão da sua interposição consta do art. 893, II da CLT, bem como o prazo e as condições constam do art. 895 da CLT: Cabe recurso ordinário para a instância superior: I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 (oito) dias; e II - das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência originária, no prazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos. (Brasil, 1943) Dessa forma, o prazo para interposição é de 8 dias a contar da ciência da sentença. Para interposição de recurso ordinário, é necessário o preparo, ou seja, custas judiciais e depósito recursal, conforme estipulado em cada TRT. Como linhas gerais desse recurso, a petição inicial deverá ser encaminhada ao Juízo que proferiu a sentença, que intimará a parte contrária para oferecer resposta (contrarrazões), no mesmo prazo de 8 dias e, após, remeterá o recurso ao Tribunal para apreciação e julgamento. Jorge Neto (2019, p. 795) destaca que “o recurso ordinário também é oponível da decisão interlocutória terminativa da competência material trabalhista e contra a decisão interlocutória que acolhe a exceção da incompetência territorial”. Como regra geral, o recurso ordinário possui apenas o efeito devolutivo, podendo, em casos específicos, ser concedido o efeito suspensivo. 1.3 Recurso de revista Na definição de Cairo Jr. (2021, p. 859), “no processo do trabalho, o recurso de revista é aquele usado para demonstrar a irresignação da parte em relação às 4 decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho, no exercício da sua competência recursal”. A hipótese de interposição do recurso de revista está prevista no art. 896 da CLT: Cabe Recurso de Revista para Turma do Tribunal Superior do Trabalho das decisões proferidas em grau de recurso ordinário, em dissídio individual, pelos Tribunais Regionais do Trabalho, quando: a) derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da que lhe houver dado outro Tribunal Regional do Trabalho, no seu Pleno ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, ou contrariarem súmula de jurisprudência uniforme dessa Corte ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal; b) derem ao mesmo dispositivo de lei estadual, Convenção Coletiva de Trabalho, Acordo Coletivo, sentença normativa ou regulamento empresarial de observância obrigatória em área territorial que exceda a jurisdição do Tribunal Regional prolator da decisão recorrida, interpretação divergente, na forma da alínea a; c) proferidas com violação literal de disposição de lei federal ou afronta direta e literal à Constituição Federal. (Brasil, 1943) Em complemento a previsão legal, o TST possui algumas súmulas de conhecimento obrigatório com relação aos requisitos de admissibilidade do Recurso de Revista, são elas: Súmula 296, 333 e 337, que devem ser observadas sob pena do não conhecimento do recurso. O prazo para interposição do Recurso de Revista é de 8 dias a contar da ciência do acórdão. O preparo para interposição de recurso de revista consiste no pagamento de custas e depósito recursal para o empregador e das custas para o empregado. 1.4 Agravo de instrumento Nas singelas e breves palavras de Cairo Jr. (2021, p. 884), compreende-se a aplicação deste recurso: “No processo do trabalho, a agravo de instrumento serve, única e exclusivamente para impugnar decisão que nega seguimento de outro recurso que deveria ser apreciado por uma instância superior”. A previsão para sua interposição consta do art. 897, “b”, da CLT: 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: […] b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos. (Brasil, 1943) 5 O preparo para interposição de agravo de instrumento consiste no recolhimento de quantia equivalente a 50% do valor do depósito recursal previsto para o recurso que se pretende destrancar, além do recolhimento de custas. O parágrafo 5º do art. 897 da CLT dispõe acerca da formação do Agravo de instrumento: 5º Sob pena de não conhecimento, as partes promoverão a formação do instrumento do agravo de modo a possibilitar, caso provido, o imediato julgamento do recurso denegado, instruindo a petição de interposição: I - obrigatoriamente, com cópias da decisão agravada, da certidão da respectiva intimação, das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado, da petição inicial, da contestação, da decisão originária, do depósito recursal referente ao recurso que se pretende destrancar, da comprovação do recolhimento das custas e do depósito recursal a que se refere o parágrafo 7º do art. 899 desta Consolidação; II - facultativamente, com outras peças que o agravante reputar úteis ao deslinde da matéria de mérito controvertida. (Brasil, 1943) Contudo, em sendo eletrônicos os autos, nossa realidade atual na grande maioria do Poder Judiciário, dispensam-se a juntada das peças processuais, visto que possível consulta nos autos eletrônicos, na forma disposta no art. 1017, parágrafo 5º do CPC: Sendo eletrônicos os autos do processo, dispensam-se as peças referidas nos incisos I e II do caput, facultando-se ao agravante anexar outros documentos queentender úteis para a compreensão da controvérsia. (Brasil, 2015) O agravo de instrumento será apreciado pela instância superior à do recurso que se pretende “destrancar” e possui somente efeito devolutivo. 1.5 Agravo de petição No âmbito trabalhista, o agravo de petição é o recurso cabível na execução, conforme previsão do art. 897, alínea “a” da CLT: Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: a) de petição, das decisões do Juiz ou Presidente, nas execuções; (Brasil, 1943) Garcia (2019, p. 708) nos resume que “pode-se exemplificar o cabimento do agravo de petição em face da sentença de embargos à execução, à arrematação, à adjudicação, bem como sentença em ação de embargos de terceiro, incidente à execução”. 6 O agravo de petição exige limitação de matérias e valores impugnados, conforme disposto no parágrafo 1º do art. 897 da CLT: “O agravo de petição só será recebido quando o agravante delimitar, justificadamente, as matérias e os valores impugnados, permitida a execução imediata da parte remanescente até o final, nos próprios autos ou por carta de sentença” (Brasil, 1943). O prazo para interposição é de 8 dias, conforme consta do texto legal, bem como o prazo para contrarrazões. O valor das custas para interposição de agravo de petição é de R$ 44,26 estabelecido pela CLT e pagas ao final do processo. O Juízo precisa estar garantido para que seja interposto agravo de petição, ou seja, deve ser depositada a integralidade do valor da execução até o momento da sua interposição. O agravo de petição possui somente efeito devolutivo. 1.6 Demais recursos Os recursos destacados são os que possuem suas peculiaridades no âmbito trabalhista, contudo, são cabíveis ainda nesta esfera, com as mesmas regras dispostas no processo civil, a observar a indicação a cada caso na esfera trabalhista: recurso extraordinário, Correição Parcial, Agravo interno, embargos infringentes e outros. TEMA 2 – ACÓRDÃO A definição pontual de acórdão é: “Última sentença ou decisão final que, atribuída por uma instância superior, começa a valer como modelo para resolver casos, questões ou situações de teor semelhante; aresto” (Dicio, 2021). 2.1 Competência para proferir acórdão Sendo remetido ao Tribunal o processo/recurso, será analisado por três Juízes, que na segunda instância são chamados desembargadores. Um desembargador será o relator do processo e os demais os revisores, que chegam à conclusão sobre o processo, lavrando o Acórdão. No caso da Justiça do Trabalho, os acórdãos são proferidos pelos Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunal Superior do Trabalho. 7 2.2 Composição do acórdão Os requisitos essenciais da composição do acórdão são: ementa, relatório, motivação (ou fundamentação) e dispositivo. A ementa é o “resumo” do acórdão, no qual constam os pontos fundamentais. O relatório é a parte inicial do acórdão, ali restam relatados os fatos do processo e o direito que formarão o julgamento. A motivação ou fundamentação expõe as questões de fato e de direito constantes do relatório e que irão formar as bases lógicas da decisão. O dispositivo é a parte final do acórdão, que indicará a conclusão alcançada. O dispositivo é o posicionamento do Poder Judiciário sobre o processo examinado. 2.3 Do processo após acórdão Do acórdão é cabível recurso na forma já estudada. Não apresentado recurso, o acórdão transita em julgado, tornando definitiva e irrecorrível a decisão (a exceção dos casos em que cabível a ação rescisória, já estudada). Com o trânsito, os autos do processo são “remetidos” à vara de origem e inicia-se uma nova fase processual, quando cabível: a execução trabalhista. Haverá casos que incabível a execução, como casos de total improcedência da ação, cuja decisão não fora reformada no Tribunal, mantendo- se a decisão primeira instância, inexistindo objeto para a execução. 2.4 Exemplo de ementa de acórdão A título de melhor identificação, segue exemplo de ementa de acórdão extraída do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região – Paraná: TRT-PR-22-01-2016 VÍNCULO DE EMPREGO. SEGURANÇA DE CASA NOTURNA. AUSÊNCIA DE PESSOALIDADE E DE SUBORDINAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Ficou comprovada, no caso, a ausência do elemento pessoalidade, o que, por si só, já impede o pretendido reconhecimento de vínculo emprego nos termos do art. 3º da CLT, que impõe a presença concomitante de todos os requisitos ali elencados. Não bastasse, a relação entre as partes não contava com a subordinação jurídica do autor em relação ao réu, já que confirmada, pela prova oral, a ocorrência de recusas na prestação de serviços por parte do autor, remunerado por dia laborado. Inconcebível, num contexto de relação típica de emprego, a possibilidade de recusa de trabalho por 8 parte do empregado, sob pena, inclusive, de incorrer em justa causa por insubordinação (art. 482, h, da CLT). Sentença reformada. TRT-PR- 27481-2014-004-09-00-0-ACO-01328-2016 - 6A. TURMA. Relator: SUELI GIL EL RAFIHI. Publicado no DEJT em 22-01-2016. Desta ementa, com a numeração processual, poderá ser consultada a íntegra do acórdão. Habitualmente, as ementas são utilizadas para citação em outros recursos com base jurisprudencial a amparar as razões recursais de casos análogos. TEMA 3 – EXECUÇÃO TRABALHISTA A execução ocorre quando decorridos os prazos processuais e transitada em julgada a decisão final, ou ainda, em casos de descumprimento de acordo trabalhista, o qual se torna objeto da execução; por se tratarem de títulos executivos. Por se tratar de matéria extensa e com muitas possibilidades de cumprimento, caberá a nós o breve estudo do tema de maneira geral. 3.1 Conceito e início da execução Garcia (2019, p. 905) trata do tema: Além de reconhecer o direito, a sentença condenatória possui como função criar a sansão. Como ato jurídico judicial, a sentença declara o direito, bem como formula a obrigação e dá ao credor a tutela executiva. A sentença condenatória representa o título pelo qual poderá o credor solicitar o órgão judiciário, iniciando a execução. A execução é o momento de satisfação do crédito do autor. No âmbito trabalhista, contudo, na grande maioria das vezes. É nesse momento processual que se identificam as dificuldades processuais, visto que se faz necessário que as empresas/empregadores possuam patrimônio para saldar o débito constante da condenação, e nem sempre isso ocorre. Não raras vezes, o empregado “recebe” a prestação jurisdicional com a sentença/decisão final em seu favor, contudo, não obtém êxito na execução, não recebendo efetivamente o que lhe é devido – é o popular “ganhar e não levar”. A execução tem início quando o devedor ano cumpre de forma espontânea a condenação. 9 3.2 Títulos executivos trabalhistas O título executivo trabalhista é o que irá garantir o início da execução e estes podem judiciais e extrajudiciais. Como títulos judiciais, temos sentença trabalhista e o acordo judicial trabalhista, já conhecidos por todos e a sentença arbitral, na forma disposta no art. 515, VII do CPC. Como títulos extrajudiciais, temos o termo de ajuste de conduta, termo de acordo homologado pelas Câmaras de Conciliação Prévia, cheque e nota promissória emitidos por dívida inequivocadamente trabalhista e certidão de inscrição ativa da União vinculadas a relação trabalhista. Para que seja objeto da execução, o título precisa ser certo, líquido e exigível. Certo é quando o título possui os requisitos formais para produzir efeitos no mundo jurídico, não pode haver qualquer dúvida com relação a isso. A liquidez de um título executivo está vinculada a individualização do objeto ou do valor da obrigação de pagar quantia certa (Cairo Jr., 2021, p. 1012). Exigível é o título que deve estar vinculada a uma obrigação vencida e que não possua impeditivo, como suspensão ou termo fixado.Dessa forma, para que seja passível de execução, os títulos executivos trabalhistas devem preencher estes requisitos. 3.3 Formas de execução A execução pode ser definitiva ou provisória. 3.3.1 Execução definitiva A execução definitiva ocorrerá quando houver sentença transitada em julgado, e busca a satisfação integral do crédito trabalhista do exequente. É o caso por exemplo, da execução do título extrajudicial. 3.3.2 Execução provisória Há casos nos quais é possível adiantar a execução da sentença, instaurando o cumprimento provisório da sentença. Esse formato é definido por Cairo Jr. (2021, p. 1016): “é uma forma excepcional de ação de execução por título judicial, na qual se admite a prática 10 de determinadas medidas executivas antes de a sentença adquirir a qualidade da coisa julgada material”. Essa execução provisória deve ser instaurada pelo credor, não podendo ser instaurada de ofício pelo Juiz e deve seguir as regras do art. 520 do CPC. 3.4 O procedimento da execução Garcia (2019, p. 975) leciona que “o objeto do cumprimento de sentença (execução por quantia certa) é a expropriação de bens do devedor, a fim de satisfazer o direito do credor (art. 824, CPC)”. A execução está regulamentada pelo art. 880 e seguintes da CLT. Esta se inicia com a citação do devedor para que pague o débito ou garanta a execução no prazo de 48 horas, sob pena de penhora: Requerida a execução, o juiz ou presidente do tribunal mandará expedir mandado de citação do executado, a fim de que cumpra a decisão ou o acordo no prazo, pelo modo e sob as cominações estabelecidas ou, quando se tratar de pagamento em dinheiro, inclusive de contribuições sociais devidas à União, para que o faça em 48 (quarenta e oito) horas ou garanta a execução, sob pena de penhora. (Brasil, 1943) A partir da alteração do CPC em 2015, com a redação do art. 523, alguns juízes da Justiça do Trabalho começaram a aplicá-lo nas execuções trabalhistas, que passaram a ser cumprimentos de sentença trabalhista, no qual não mais a citação na forma do art. 880 da CLT, mas sim a intimação para pagamento em 15 dias, na forma do art. 523 do CPC: No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver. Parágrafo 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento. Parágrafo 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os honorários previstos no parágrafo 1º incidirão sobre o restante. Parágrafo 3º Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, mandado de penhora e avaliação, seguindo- se os atos de expropriação. (Brasil, 2015) Na prática, embora o art. 523 do CPC se apresente efetivo e atenda ao princípio da celeridade, trazendo rapidez à execução trabalhista, há grande discussão sobre a possibilidade de aplicação deste ao processo do trabalho, 11 tendo em vista que o CPC é aplicado de forma subsidiário, ou seja, quando as normas trabalhistas não possuem regramento acerca da questão, e não seria o caso, posto que a CLT possui regramento próprio e específico para a execução. Inobstante, logo no início, nos anos de 2015 e 2016, o art. do CPC tenha sido muito aplicado e discutido na Justiça do Trabalho, o TST se posicionou de forma contrária a aplicação deste artigo, fundamentando na questão da existência do art. 880 e seguintes da CLT que regulam a execução. Dessa forma, seguindo-se a execução pela CLT, sendo o devedor citado para pagamento e não tendo o feito em 48 horas, seguirá a mesma com os atos expropriatórios, de penhora, respeitando a ordem legal prevista no art. 835 do CPC. 3.5 Embargos do devedor Efetiva a penhora de bens ou garantida a execução, poderá o executado/devedor apresentar embargos ou impugnação, na forma disposta no art. 884 da CLT: Garantida a execução ou penhorados os bens, terá o executado 5 (cinco) dias para apresentar embargos, cabendo igual prazo ao exequente para impugnação. Parágrafo 1º - A matéria de defesa será restrita às alegações de cumprimento da decisão ou do acordo, quitação ou prescrição da dívida. Parágrafo 2º - Se na defesa tiverem sido arroladas testemunhas, poderá o Juiz ou o Presidente do Tribunal, caso julgue necessários seus depoimentos, marcar audiência para a produção das provas, a qual deverá realizar-se dentro de 5 (cinco) dias. Parágrafo 3º - Somente nos embargos à penhora poderá o executado impugnar a sentença de liquidação, cabendo ao exequente igual direito e no mesmo prazo. Parágrafo 4º - Julgar-se-ão na mesma sentença os embargos e as impugnações à liquidação apresentadas pelos credores trabalhista e previdenciário. Parágrafo 5º - Considera-se inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal ou em aplicação ou interpretação tidas por incompatíveis com a Constituição Federal. Parágrafo 6º - A exigência da garantia ou penhora não se aplica às entidades filantrópicas e/ou àqueles que compõem ou compuseram a diretoria dessas instituições. (Brasil, 1943) Para Garcia (2019, p. 1019), 12 A função dos embargos é propiciar ao devedor o exercício do direito de defesa. Assim, dá ensejo, a nova relação processual, a um novo processo no qual o devedor, ao defender-se, propõe uma nova demanda em face do credor, objetivando: (a) a discussão do crédito pretendido pelo exequente; (b) a desconstituição do título executivo; (c) a correção dos defeitos do processo de execução. Dessa forma, observe-se que a lei assegura o direito do devedor de se opor a penhora, contudo, desde que suas razões se enquadrem nos fatos expostos na legislação aplicável ao tema. TEMA 4 – MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO Na forma já exposta em uma das etapas de nossos estudos, o Ministério Público do Trabalho é parte integrante do Ministério Público da União. Cabe ao Ministério Público do Trabalho a promoção da defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, na forma disposta no art. 127 da Constituição Federal/1988. 4.1 Organização do MPT Os órgãos internos do Ministério Público são denominados procuradorias. O Ministério Público do Trabalho é formado por uma Procuradoria-Geral que atua perante o TST e outras 24 Procuradorias Regionais, que atuam perante os Tribunais Regionais do Trabalho. São órgãos do MPT, conforme previsão do art. 85 da Lei Complementar 75/1993: São órgãos do Ministério Público do Trabalho: I - o Procurador-Geral do Trabalho; II - o Colégio de Procuradores do Trabalho; III - o Conselho Superior do Ministério Público do Trabalho; IV - a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público do Trabalho; V - a Corregedoria do Ministério Público do Trabalho; VI - os Subprocuradores-Gerais do Trabalho; VII - os Procuradores Regionais do Trabalho; VIII - os Procuradores do Trabalho. Dessa forma, organiza-se o MPT atuante no âmbito trabalhista. 13 4.2 Princípios institucionais do MPT Segundo Garcia (2019, p. 139), os princípios institucionais do Ministério Público, aplicados também ao Ministério Público do Trabalho, são: unidade: no sentido de que os membros de cada Ministério Público, no caso, do Ministério Público do Trabalho, integram, um só órgão, sob uma mesma e uma direção; indivisibilidade: significando que os membros de cada Ministério Público podem ser substituídos, pois, no caso, atuam como órgão do Ministério Público do Trabalho; independência funcional: no sentido de que os membros do Ministério Público possuem independênciaem sua atuação funcional, sendo que a hierarquia existente refere-se ao aspecto administrativo. Há ainda na doutrina o princípio do promotor natural, que protege a promotor, no sentido de lhe assegurar a distribuição regular dos feitos, vetar o afastamento infundado e outras garantias. 4.3 Garantias e vedações As garantias e vedações aos membros do Ministério Público constam do parágrafo 5º do art. 128 da Constituição Federal, a saber: Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros: I - as seguintes garantias: a) vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado; b) inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de seus membros, assegurada ampla defesa; c) irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, parágrafo 4º, e ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, parágrafo 2º, I; II - as seguintes vedações: a) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais; b) exercer a advocacia; c) participar de sociedade comercial, na forma da lei; d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério; 14 e) exercer atividade político-partidária; f) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei. (Brasil, 1988) As garantias embora estipuladas aos membros do Ministério Público, são em favor de toda a sociedade, posto que essa a função destes é o atendimento e proteção dos direitos da sociedade, e necessitam exercer sua função com segurança e tranquilidade. 4.4 Atribuições do MPT É inerente ao Ministério Público a promoção de atos em defesa da ordem jurídica conforme constante do art. 127 da CF/1988, bem como suas atribuições de maneira geral estão previstas no art. 129 da CF/1988. Contudo, as atribuições específicas do Ministério Público do Trabalho estão dispostas art. 83 da Lei Complementar n. 75/1993: Compete ao Ministério Público do Trabalho o exercício das seguintes atribuições junto aos órgãos da Justiça do Trabalho: I - promover as ações que lhe sejam atribuídas pela Constituição Federal e pelas leis trabalhistas; II - manifestar-se em qualquer fase do processo trabalhista, acolhendo solicitação do juiz ou por sua iniciativa, quando entender existente interesse público que justifique a intervenção; III - promover a ação civil pública no âmbito da Justiça do Trabalho, para defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos; IV - propor as ações cabíveis para declaração de nulidade de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção coletiva que viole as liberdades individuais ou coletivas ou os direitos individuais indisponíveis dos trabalhadores; V - propor as ações necessárias à defesa dos direitos e interesses dos menores, incapazes e índios, decorrentes das relações de trabalho; VI - recorrer das decisões da Justiça do Trabalho, quando entender necessário, tanto nos processos em que for parte, como naqueles em que oficiar como fiscal da lei, bem como pedir revisão dos Enunciados da Súmula de Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; VII - funcionar nas sessões dos Tribunais Trabalhistas, manifestando-se verbalmente sobre a matéria em debate, sempre que entender necessário, sendo-lhe assegurado o direito de vista dos processos em julgamento, podendo solicitar as requisições e diligências que julgar convenientes; VIII - instaurar instância em caso de greve, quando a defesa da ordem jurídica ou o interesse público assim o exigir; 15 IX - promover ou participar da instrução e conciliação em dissídios decorrentes da paralisação de serviços de qualquer natureza, oficiando obrigatoriamente nos processos, manifestando sua concordância ou discordância, em eventuais acordos firmados antes da homologação, resguardado o direito de recorrer em caso de violação à lei e à Constituição Federal; X - promover mandado de injunção, quando a competência for da Justiça do Trabalho; XI - atuar como árbitro, se assim for solicitado pelas partes, nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho; XII - requerer as diligências que julgar convenientes para o correto andamento dos processos e para a melhor solução das lides trabalhistas; XIII - intervir obrigatoriamente em todos os feitos nos segundo e terceiro graus de jurisdição da Justiça do Trabalho, quando a parte for pessoa jurídica de Direito Público, Estado estrangeiro ou organismo internacional. Dessa forma, o MPT atuará como fiscal da lei, quando o representante do MPT com vista dos autos após as partes é intimado pessoalmente e poderá produzir provar e requerer medidas processuais, e como órgão agente, quando atuar na defesa dos interesses difusos, coletivos e individuais dos trabalhadores, em especial com o ajuizamento de ação civil pública. TEMA 5 – REVISÃO Os estudos sobre justiça do trabalho foram extensos e envolveram muitos conteúdos e detalhes importantes. Dessa forma, para que reste melhor fixado o conteúdo, esta aula se destina a uma breve revisão do conteúdo ministrado. 5.1 Primeiro encontro Estudamos sobre: A Justiça do trabalho como um órgão do Poder Judiciário brasileiro, que ganhou força com a legislação trabalhistas de Getúlio Vargas, em 1934, e instituição da CLT, em 1943. Atualmente, organiza-se em varas do trabalho, tribunais regionais e tribunal superior do trabalho, atualmente 24 TRTs no País. Tratamos ainda das competências da Justiça do trabalho, material, funcional, territorial e em razão do valor da causa. Estudamos um a um os princípios constitucionais aplicados ao processo do trabalho, que possuem aplicação direta. 16 Por fim, as peculiaridades da Justiça do trabalho – autonomia, jus postulandi e formalismo mínimo sempre primando pela celeridade processual. 5.2 Em seguida Adentramos a parte específica do processo trabalhista, com estudo das partes, reclamante e reclamado. Ainda acerca da legitimidade ativa e passiva, ordinária e extraordinária, tratamos da representação no processo do trabalho, que se divide em ordinária e extraordinária e, ainda, o estudo do litisconsórcio. Estudamos ainda sobre a intervenção de terceiros, assistência, denunciação a lide e chamamento ao processo e substituição processual. Encerramos esta aula com o estudo do jus postulandi, importante tópico da matéria. 5.3 Continuando Nos dedicamos ao estudo da solução de conflitos trabalhistas, autodefesa, autocomposição e heterocomposição. Da jurisdição estatal e dos dissídios individual e coletivo, estudamos ainda o rito sumaríssimo e os procedimentos especiais, inquérito para apuração de falta grave, ação de consignação em pagamento e ação revisional e, por fim, a ação rescisória. 5.4 Posteriormente Nos dedicamos ao estudo das audiências, conceitos, princípios, horário, duração e presença das partes, representação das partes, telepresencial e híbrida. Tipos de audiência trabalhista: • inicial ou conciliação; • instrução; • encerramento de instrução; e • una. E ainda, das provas, conceito, finalidade, objeto, princípios informativos, ônus da prova, prova do fato negativo, prova emprestada, valoração da prova, produção antecipada de provas. 17 Por fim, meios de prova, depoimento pessoal, prova testemunhal. 5.5 Última ocasião Por serem muitos os meios de prova, o estudo destes prosseguiu aos últimos conteúdos, na qual verificamosacerca das provas documental, pericial e inspeção judicial. As sentenças, tipos, requisitos, defeitos, publicação e intimação, coisa julgada. Falamos também sobre os recursos, princípios e efeitos. Dessa forma, com o conteúdo ministrado na aula de hoje, encerramos nosso conteúdo programático. 18 REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Centro Gráfico, 1988. ______. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a consolidação das leis do trabalho. ______. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Diário Oficial da União. Brasília, DF. Institui o Código de Processo Civil. CAIRO JR, J. Curso de direito processual do trabalho. 14. ed. rev., atual. e ampl. Salvador. Juspodivm, 2021. GARCIA, G. F. B. Curso de Direito Processual do Trabalho. 8. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2019. JORGE NETO, F. F. J. de Q. P. Direito Processual do Trabalho. 8. ed. revista e atualizada. São Paulo: Atlas, 2019.