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Júlio Cezar Matos @profjuliocezarmatos : Júlio Cezar Matos Conteúdo programático NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL: 1 Inquérito policial. 2 Ação penal. PROCESSO PENAL LEGISLAÇÃO (VADE MECUM) “Lei seca” (Código de Processo Penal – atualizado pela lei nº 13.964/2019) (Código Penal – atualizado pela lei nº 14.133, de 2021) DOUTRINA JURISPRUDÊNCIA QUESTÕES INQUÉRITO POLICIAL DIREITO PROCESSUAL PENAL – JÚLIO CEZAR MATOS INQUÉRITO POLICIAL Considerações preliminares Persecução penal Conceito de inquérito policial Qual a função do inquérito policial? A atividade investigatória de crimes é exclusiva da polícia judiciária? O juiz pode condenar o acusado com base exclusivamente nos elementos informativos colhidos no IP? PERSECUÇÃO PENAL A persecução penal em sentido amplo se desenvolve em dois momentos distintos. Inicia-se na fase preliminar, de investigação, via de regra pelo inquérito policial, que tem natureza administrativa, e pode se estender em juízo, caso ocorra instauração de processo, quando então o procedimento respectivo deverá observar princípios como o do devido processo legal, ampla defesa e contraditório. Conceito de inquérito policial Procedimento administrativo inquisitório e preparatório, presidido pela autoridade policial, o inquérito policial consiste em um conjunto de diligências realizadas pela polícia investigativa objetivando a identificação das fontes de prova e a colheita de elementos de informação quanto à autoria e materialidade da infração penal, a fim de possibilitar que o titular da ação penal possa ingressar em juízo. (CESPE / CEBRASPE - 2020 - PC-SE) Acerca do inquérito policial, julgue o item a seguir. Para a instauração de inquérito policial, bastam indícios suficientes da existência do crime, sendo dispensável, nesse primeiro momento, prova da materialidade do delito ou de sua autoria. ( ) Certo ( ) Errado CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL Procedimento escrito Sigiloso Inquisitivo Oficialidade Oficiosidade Discricionário Dispensável Indisponível SÚMULA VINCULANTE Nº 14 É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019) (...) §4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL Crimes de ação penal pública incondicionada a) de ofício b) requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público c) requerimento do ofendido ou de seu representante legal d) notícia oferecida por qualquer do povo e) auto de prisão em flagrante delito É possível instauração de inquérito policial decorrente de denúncia anônima? FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL Crimes de ação penal pública condicionada e de ação penal de iniciativa privada Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: (...) §4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado. §5º Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la. Qual a medida adequada na hipótese da autoridade policial indeferir o requerimento de abertura do inquérito policial? Diligências investigatórias (art. 6º e 7º do CPP) CPP, Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; IV - ouvir o ofendido; V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título VII, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura; VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; Diligências investigatórias (art. 6º e 7º do CPP) (...) VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias; VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) Diligências investigatórias (art. 6º e 7º do CPP) Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. Inquérito policial Incomunicabilidade do indiciado preso (art. 21 do CPP)* Indiciamento (Lei 12.830/2013) Conclusão (encerramento) do inquérito policial Prazo para a conclusão do inquérito policial Relatório da autoridade policial Destinatário dos autos do inquérito policial Ação penal pública Ação penal de iniciativa privada Prazos para conclusão do Inquérito policial HIPÓTESE PRESO SOLTO Regra Geral (art. 10, caput, c/c art. 3º-B, §2º do CPP) 10 + 15 dias 30 dias Polícia Federal (art. 66 da Lei nº 5.010/66) 15 + 15 dias 30 dias Lei de Drogas (art. 51 da Lei nº 11.343/06) 30 + 30 dias 90 + 90 dias Crimes contra a economia popular (art. 10, §1º da Lei 1.521/51) 10 dias 10 dias Inquérito Policial Militar (art. 20 do CPPM) 20 dias 40 + 20 dias Prisão Temporária (art. 2º da Lei nº 7.960/89) 5 + 5 dias Não se aplica Prisão Temporária (art. 2º, §4º da Lei nº 8.072/90) 30 + 30 dias Não se aplica Inquérito policial Arquivamento do inquérito policial Controle da obrigatoriedade da ação penal (art. 28 do CPP e art. 62 da LC 75/93) Desarquivamento (Súmula 524 do STF) CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (Antes da Lei nº 13.964/19) Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (Depois da Lei nº 13.964/19) Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementosinformativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) §1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) §2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Supremo Tribunal Federal STF, Súmula nº 524: “Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas”. MOTIVO DO ARQUIVAMENTO É POSSÍVEL DESARQUIVAR? 1) Ausência de pressuposto processual ou de condição da ação penal SIM 2) Falta de justa causa para a ação penal (não há indícios de autoria ou prova da materialidade) SIM 3) Atipicidade (fato narrado não é crime) NÃO 4) Existência manifesta de causa excludente de ilicitude STJ: NÃO STF: SIM 5) Existência manifesta de causa excludente de culpabilidade NÃO 6) Existência manifesta de causa extintiva da punibilidade NÃO Exceção: certidão de óbito falsa AÇÃO PENAL DIREITO PROCESSUAL PENAL – JÚLIO CEZAR MATOS AÇÃO PENAL CONCEITO: Direito público subjetivo, autônomo e abstrato, com previsão constitucional de exigir do Estado-juiz a aplicação do Direito Penal Material ao caso concreto. AÇÃO PENAL Classificação da ação penal: Ação penal pública Ação penal de iniciativa privada (CESPE - TJ-DFT) Acerca da ação penal e suas espécies, julgue o item seguinte. A legitimação ativa para a ação penal e a definição de sua natureza decorre da lei, sendo, de regra, ação pública, salvo se a lei expressamente a declara privativa do ofendido. ( ) Certo ( ) Errado (PC-AC - Agente de Polícia Civil) Sobre o tema “ação penal”, assinale a alternativa que, embora não esgote toda a classificação, apresenta classificações corretas das ações penais quanto ao exercício. a) Ação penal privada personalíssima, comum e subsidiária da pública. b) Ação penal pública, condicionada à requisição e condicionada à reclamação. c) Ação penal privada incondicionada e ação penal pública condicionada. d) Ação penal pública condicionada á representação e à reclamação. e) Ação penal pública personalíssima e ação penal pública subsidiária da ação privada. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA TITULARIDADE E PRAZO PRINCÍPIOS Obrigatoriedade Indisponibilidade (In)Divisibilidade* Intranscendência JURISPRUDÊNCIA Na ação penal pública, vigoram os princípios da obrigatoriedade e da divisibilidade da ação penal, os quais, respectivamente, preconizam que o Ministério Público não pode dispor sobre o conteúdo ou a conveniência do processo. Porém, não é necessário que todos os agentes ingressem na mesma oportunidade no polo passivo da ação, podendo haver posterior aditamento da denúncia. (STJ, HC 179.999/PA). JURISPRUDÊNCIA O princípio da indivisibilidade da ação, quanto a validade do processo, é inaplicável à ação penal pública, no sentido de que o oferecimento da denúncia contra um acusado ou mais, não impossibilita a posterior acusação de outros (STJ – 6ª T – Resp. 3888.473) JURISPRUDÊNCIA O princípio da indivisibilidade não se aplica à ação penal pública, podendo o Ministério Público, como 'dominus litis', aditar a denúncia, até a sentença final, para inclusão de novos réus, ou ainda oferecer nova denúncia, a qualquer tempo (STF, HC 71.538⁄SP) AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA Condicionada à representação do ofendido Titularidade da ação penal Representação Natureza jurídica da representação Legitimidade para o oferecimento da representação Destinatário da representação Prazo Retratação da representação Condicionada à requisição do Ministro da Justiça (CESPE / CEBRASPE - 2021 - CODEVASF) Com relação ao processo penal, julgue o item subsequente. A representação da vítima é uma condição de procedibilidade para a ação penal que dispensa formalidade, bastando a intenção das vítimas em autorizar essa persecução penal. ( ) Certo ( ) Errado (CESPE - 2020 - MPE-CE) Tales foi preso em flagrante em um parque de Fortaleza pela prática do crime de estupro, tendo sido reconhecido pela vítima, Marta, com a qual não possuía relação anterior. Há indícios de que Tales tenha praticado outros crimes sexuais, tendo sido também reconhecido por outras vítimas. A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir. O crime de estupro não admite retratação nem perdão pela vítima, cabendo ao Ministério Público oferecer a denúncia no prazo de cinco dias, estando Tales preso. ( ) Certo ( ) Errado (CESPE - 2020 - MPE-CE) João sofreu calúnia, mas veio a falecer dentro do prazo decadencial de seis meses, antes de ajuizar ação contra o ofensor. Ele não tinha filhos e mantinha um relacionamento homoafetivo com Márcio, em união estável reconhecida. João era filho único e tinha como parente próximo sua mãe. Nessa situação hipotética, o ajuizamento de ação pelo crime de calúnia a) somente poderá ser promovido pela mãe de João. b) poderá ser realizado pelo Ministério Público. c) poderá ser realizado por Márcio. d) não é cabível, haja vista a morte de João e) deverá ser realizado por curador especial, a ser nomeado para essa finalidade. (CESPE - 2020 - TJ-PA) A ação penal pública pode ser incondicionada ou condicionada à representação. Em relação à ação penal pública condicionada à representação, há a exigência da manifestação do ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo. Acerca da ação penal pública condicionada à representação, assinale a opção correta. a) A representação é uma condição de procedibilidade da ação penal, e sua ausência impede o Ministério Público de oferecer a denúncia. b) Opera-se a decadência da ação penal condicionada à representação se o direito de representar não for exercido no prazo de seis meses, a contar da data do fato criminoso. c) O ofendido pode, a qualquer tempo, exercer o direito de se retratar da representação, sendo a extinção da punibilidade sem resolução de mérito o efeito da retratação. d) A ação penal pública condicionada à representação é essencialmente de interesse privado e regida pelos princípios da conveniência e oportunidade. e) A irretratabilidade da representação inicia-se com a instauração do inquérito policial. AÇÃO PENAL PRIVADA TITULARIDADE E PRAZO Vitima maior de 18 anos e capaz Representante legal do ofendido menor ou incapaz Pessoas Jurídicas (CPP, art. 37) AÇÃO PENAL PRIVADA PRINCÍPIOS Oportunidade Disponibilidade Indivisibilidade Intranscendência RENÚNCIA PERDÃO Causa extintiva da punibilidade nas hipóteses de ação penal exclusivamente privada e de ação penal privada personalíssima. Causa extintiva da punibilidade nas hipóteses de ação penal exclusivamente privada e de ação penal privada personalíssima. Decorre do princípio da oportunidade Decorre do princípio da disponibilidade Ato unilateral Ato bilateral É concedida antes do início do processo É concedido durante o curso do processo Por força do princípio da indivisibilidade, a renúncia concedida a um dos coautores ou partícipes do delito estende-se aos demais Por força do princípio da indivisibilidade, o perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos,sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar. (CESPE / CEBRASPE - 2021 - CODEVASF) Com relação ao processo penal, julgue o item subsequente. As limitações ao direito de renúncia e ao perdão do ofendido são decorrentes da indivisibilidade da ação penal privada. ( ) Certo ( ) Errado AÇÃO PENAL PRIVADA Espécies de ação penal privada Ação Penal Privada Exclusivamente Privada (propriamente dita, exclusiva, comum, principal, genuína) Ação Penal Privada Personalíssima Ação Penal Privada Subsidiária da Pública (art. 5º, LIX da CF) (Acidentalmente privada, supletiva) O que se entende por ação penal indireta? (CESPE / CEBRASPE - 2021 - TCE-RJ) Considerando aspectos gerais do direito penal brasileiro, julgue o item subsecutivo. Não cabe ação penal privada subsidiária da pública se o Ministério Público, em vez de oferecer denúncia, promover o arquivamento do inquérito policial dentro do prazo legal. ( ) Certo ( ) Errado (2015 - CESPE - TJ-DFT) Paulo e Jean foram denunciados pela prática do crime de furto de joias, praticado contra Maria, tia sexagenária de Paulo. A subtração foi facilitada pelo fato de Paulo residir com a vítima. Quando da citação, Paulo não foi encontrado no novo endereço que havia fornecido na fase do inquérito, tendo sido o mandado entregue a outro morador, que se comprometeu a entregá-lo ao destinatário. Jean, que retornou para a França, seu país de origem, havia fornecido seu endereço completo ao delegado. A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir. Em razão do parentesco de Paulo e Maria, assim como do fato de ambos residirem juntos, é correto afirmar que se tratou de ação penal pública condicionada à representação da vítima. ( ) Certo ( ) Errado