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CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS 1) Contribuições Especiais As contribuições especiais representam um tributo de arrecadação vinculada, pois a destinação do seu recurso é elemento essencial para caracterizá-lo como espécie tributária e para diferenciá-las dos demais tipos de tributo. Esta espécie de tributo está prevista nos art. 149 e 149-A da CF/88 e é subdividida em grupos: a) Contribuições Sociais Contribuições da Seguridade Social Com o intuito de conceituar a seguridade social, o legislador constituinte, por intermédio do art. 194 da CF/88, destaca que ela “compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”. Nesse sentido, a receita arrecada a título de contribuições para a seguridade social são vinculadas a gastos do Poder Público com saúde, previdência e assistência social. Para o financiamento da seguridade social, o art. 195 da CF/88 prevê que são utilizados recursos provenientes dos entes políticos (financiamento indireto) e das contribuições sociais cobradas (financiamento direto) conforme tabela seguinte: • Do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, que incidem sobre: − a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; − a receita ou o faturamento; − o lucro; • Do trabalhador e dos demais segurados da previdência social; • Sobre a receita de concursos de prognósticos; • Do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. Regimes Previdenciários e Contribuições Previdenciárias A seguridade social é composta pela saúde, pela assistência social e pela previdência social. No que se refere ao último grupo apresentado, ele é composto por dois regimes: o Regime Geral de Previdência Social – RGPS e o Regime Próprio de Previdência Social – RPPS. O RGPS refere-se ao regime aplicável à iniciativa privada, enquanto o RPPS refere-se a regime aplicável ao serviço público. Para custeio desses regimes são cobradas contribuições da seguridade social, também conhecidas como contribuições previdenciárias. No que se refere ao RGPS, ele é financiado por contribuições previdenciárias federais, enquanto o RPPS é financiado por contribuição previdenciária federal, estadual, municipal ou distrital: depende do ente que o servidor faz parte. Contribuições Sociais Gerais As contribuições sociais gerais são instituídas para financiamento de área social distinta daquela compreendida como seguridade social e podem ser criadas por lei ordinária. Ex. (SESC), do Serviço Social da Indústria (SESI) ou do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Esses são exemplos de empresas privadas que prestam os conhecidos serviços sociais autônomos e fazem parte do “Sistema S”, conforme art. 240 da CF/88: Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE A CIDE, tributo de competência exclusiva da União, assim como as outras contribuições especiais, tem a sua natureza jurídica tributária determinada por meio da destinação legal da sua receita, sendo, por isso, um tributo de arrecadação vinculada. A CIDE é um tributo marcadamente extrafiscal, pois, como o seu próprio nome diz, ela é instituída pela União com o intuito de intervir no “domínio econômico”. Por intermédio da instituição de tributo com finalidade extrafiscal o Poder Público visa estimular ou desestimular determinadas atitudes dos contribuintes que impactam social ou economicamente. No caso da CIDE, ela é uma contribuição que é arrecadada e destinada para incentivo a determinado setor da economia. Ex. CIDE combustível; Adicional de Tarifa Portuária; Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM); • Contribuição ao INCRA Contribuição de Iluminação Pública – COSIP A COSIP foi inserida em nosso ordenamento jurídico em 2002, por intermédio da Emenda Constitucional de n. 39 que acrescentou o art. 149-A à Constituição Federal de 1988: Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 39, de 2002) Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 39, de 2002) Antes da sua previsão, o serviço de iluminação era remunerado mediante instituição de taxa. Quem tem competência para as instituir são os municípios e o DF. Contribuições Corporativas As contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, também chamadas de contribuições profissionais ou corporativas, são de competência privativa da União e estão previstas no art. 149, CF. Tendo em vista a sua característica de tributo de arrecadação vinculada, o produto da sua arrecadação deve ser destinado a beneficiar determinada categoria. Exemplos clássicos de contribuição corporativa são as anuidades cobradas pelos Conselhos de Fiscalização Profissionais, como o Conselho Regional de Medicina (CRM), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV. Outras Contribuições Sociais de Seguridade Social O legislador constituinte faculta à União a instituição de outras contribuições da seguridade social, distintas das já expressamente previstas na Constituição, conforme art. 195, par. 4º: Art. 195, § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Como se vê da parte final do dispositivo, esse artigo deve ser lido em conjunto com o art. 154, I, que concede à União competência residual para instituição de novos impostos, conhecidos como impostos residuais (inominados) 2) Contribuições sobre a Folha de Pagamento a) 20% referente ao INSS Patronal para as empresas NÃO optantes do Simples Nacional ; b) 1%,2% ou 3% referente a Risco de Acidente do Trabalho (RAT) e contribuição adicio nal, se for o caso, variando conforme o grau de risco, acrescido do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) a partir de janeiro/2010; e c) geralmente 5,80% de contribuição variável de Outras Entidade (Terceiros), destinada às entidades SENAI, SESC, SESI, etc., onde o INSS se incumbe de arrecadar e repassar. 3) Contribuições sobre o Faturamento ou a Receita Bruta Incidem sobre a Receita Bruta ou Faturamento, como o PIS e a COFINS. a) Pis e Cofins O Pis e a Cofins, são dois tributos previstos pela Constituição Federal nos artigos 195 e 239. Em suas definições temos: PIS (Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público –PIS/PASEP) instituído pela Lei Complementar 07/1970. COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar 70 de 30/12/1991. Os recursos do PIS são destinados ao pagamento do seguro-desemprego, abono e participação na receita dos órgãos e entidades para os trabalhadores públicos e privados, onde o PIS é destinado aos funcionários de empresas privadas, administrado pela Caixa Econômica Federal, e o PASEP destinado aos servidores públicos, administrado pelo Banco do Brasil. http://www.portaltributario.com.br/guia/pis_cofins.html http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp07.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp70.htm Já os recursos da Cofins são destinados principalmente para a área da saúde. b) Modalidades de Contribuição Existem três modalidades de contribuição para o Pis/Pasep, sendo elas: Sobre o Faturamento (0,65% ou 1,65%) Sobre a Importação(2,1%) Sobre a Folha de Pagamento (1%) De acordo com o Art. 2º da Lei 9.718/1998, todas as pessoas jurídicas de Direito privado, ou a elas equiparadas estão obrigadas a modalidade de Contribuição sobre o Faturamento, podendo sua alíquota variar entre 0,65% ou 1,65% de acordo com o regime de apuração. LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Já as entidades sem fins lucrativos que tenham empregados, estão obrigados a modalidade sobre a Folha de Pagamento, e sua alíquota será de 1%. Segue abaixo a listagem das entidades sem fins lucrativos que estão obrigados a modalidade sobre a Folha de Pagamento: Templos de qualquer culto; Partidos políticos; Instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; Instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; Sindicatos, federações e confederações; Serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; Fundações de direito privado; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9718compilada.htm Condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. c) Modalidades de contribuição para o COFINS A Cofins possui duas modalidades, sendo elas: Sobre o Faturamento (3% ou 7,6%) Sobre a Importação (9,75% + 1% Adicional) d) Regimes de Apuração Existem dois regimes de apuração para o Pis/Cofins, o regime cumulativo e o regime não cumulativo. O regime da cumulatividade consiste em um método de apuração no qual o tributo é exigido na sua inteireza, ou seja, toda vez que houver saídas tributadas, deve se efetuar o calculo em cima do total destas saídas, sem direito a amortização dos tributos incididos nas operações anteriores, resumindo, as empresas obrigadas a apurar o Pis e Cofins no regime cumulativo, não possuem direito a qualquer tipo de Crédito. No regime Cumulativo há a incidência dos tributos possuem as seguintes alíquotas: Alíquota de 0,65% para o PIS; e Alíquota 3% para a Cofins. Pis e Cofins Não Cumulativo Até 2002, o Pis e Cofins eram apurados apenas pelo regime cumulativo sem direito ao Crédito das operações anteriores, porém a Lei 10.637/2002 e a Lei 10.833/2003 mudaram esse cenário adicionando a Não Cumulatividade. A não cumulatividade, muito conhecida por já ser utilizada na cobrança de outros tributos, tais como o ICMS e o IPI, permite a apropriação de créditos com o montante cobrado na operação anterior, diferentemente do ICMS e IPI, no Pis e Cofins essa http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833compilado.htm apropriação de crédito deve ser segregada item a item, separando qual produto é tributado e qual não é, ao invés de já apropriar-se do total da operação. No regime Não Cumulativo há a incidência dos tributos que possuem as seguintes alíquotas: Alíquota de PIS é 1,65%; e Alíquota da COFINS 7,6%. Discussão Jurídica O PIS/COFINS também protagonizou a chamada “tese do século”, qual seja a discussão em torno da exclusão do ICMS da sua base de cálculo. Realmente, há muitos anos – desde que os tributos tinham diferentes materialidade (faturamento) e denominação (FINSOCIAL) – discute-se a inclusão do ICMS no cômputo das contribuições. Em março de 2017 (RE nº 574.706), finalmente, o STF decidiu, em sede de repercussão geral, que “o ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS)”. Mesmo após mais de quatro anos desde o julgamento, a decisão ainda não se tornou formalmente definitiva, em virtude da oposição de embargos de declaração pela União, com o objetivo de reduzir o impacto de supostos R$ 250 bilhões de reais aos cofres públicos. 4) Contribuição sobre o Lucro É determinada sobre o resultado tributável das empresas, atualmente denominada CSLL - contribuição social sobre o lucro líquido. A CSLL é um tributo de competência da União, que incide sobre o lucro líquido[1] das pessoas jurídicas domiciliadas no País ou a ela equiparadas. a) O que é CSLL Com origem na Constituição Federal de 1988, que definiu o lucro como uma das incidências das contribuições sociais, a CSLL foi instituída pela Lei nº 7.689/88 para financiar a seguridade social, tendo sofrido alterações em legislações posteriores até chegar no formato atual. A arrecadação da CSLL fica integralmente com a União, para financiamento da seguridade social. O fato gerador da CSLL é a apuração de lucro líquido, a partir do lucro contábil, com as adições e exclusões estabelecidas pela legislação tributária. http://www.portaltributario.com.br/tributos/csl.html applewebdata://6AD919C1-8037-4495-9FC7-7EEEB09EEDC6/#_ftn1 Como regra geral, o regime de apuração da CSLL deve seguir a opção feita para fins de IRPJ, que pode ser: (a) lucro real trimestral, no qual cada trimestre é um período-base específico; (b) lucro real anual, com antecipações mensais de CSLL devida; (c) lucro presumido; (d) regime nacional simplificado (SIMPLES). Nos dois últimos regimes, o cálculo da CSLL leva em conta o faturamento e outras receitas da pessoa jurídica: b) Alíquotas da CSLL As alíquotas aplicáveis da CSLL são: (a) 9% como regra geral; (b) 15% no caso de pessoas jurídicas de seguros privados e de capitalização, distribuidoras de valores mobiliários, corretoras de câmbio e de valores mobiliários, sociedades de crédito, financiamento e investimentos, sociedades de crédito imobiliário, administradoras de cartões de crédito, sociedades de arrendamento mercantil, associações de poupança e empréstimo, e cooperativas de crédito; (c) 20% no caso de bancos de qualquer espécie e agências de fomento. Note-se que, entre julho e dezembro de 2021, a Lei nº 14.183/2021 aumentou as alíquotas de 15% e 20% em 5%. Entidades sem fins lucrativos – tais como instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, educacional, científico, etc. – são isentas ou imunes à CSLL, conforme o caso, desde que atendam aos respectivos requisitos para gozo da isenção ou imunidade. c) Discussões jurídicas Por conta da similaridade do IRPJ e da CSLL, muito já se discutiu quanto ao possível bis- in-idem dos tributos, uma vez ambos possuem o lucro como base de cálculo, se diferenciando apenas pela alíquota prevista para cada tributo. Entretanto, a jurisprudência consolidou-se no sentido de que não há, na Constituição Federal, nenhuma norma que vede a incidência dupla de imposto e contribuição sobre o mesmo fato gerador, nem que proíba tenham os dois tributos constitucionalmente previstos tenham a mesma base de cálculo. https://www.jota.info/tributos-e-empresas/tributario/irpj-entenda-o-que-e-como-funciona-e-como-e-calculado-13052021 Outra importante discussão que envolve a CSLL, travada atualmente nos tribunais administrativos e judiciais, diz respeito ao não recolhimento do tributo por contribuintes que obtiveram do Poder Judiciário decisões favoráveis transitadas em julgado, que reconheceram, à época, a inconstitucionalidade da CSLL prevista na Lei 7.689/1988. Tal discussão é baseada em dois aspectos (a) posteriormente ao trânsito em julgado das decisões favoráveis aos contribuintes, o Supremo Tribunal Federal (STF)reconheceu a constitucionalidade da CSLL; (b) desde 1988, houve mudanças na legislação da CSLL que afetariam a decisão favorável transitada em julgado. Atualmente, aguarda-se julgamento dos Recursos Extraordinários (RE) 949.297 e 955.227, em sede de repercussão geral, por meio dos quais o STF irá apreciar o limite da coisa julgada em matéria tributária. Vale destacar que, por conta do princípio da anterioridade nonagesimal, aplicável à CSLL por força de dispositivo constitucional, qualquer alteração da legislação que implique aumento de carta tributária é aplicável somente após 90 dias da sua edição. Por fim, destaque-se que, conforme o artigo 11 da Lei º 13.202/2015, os acordos para evitar a dupla tributação que o Brasil firmou abrange não apenas o IRPJ, mas também a CSLL