Prévia do material em texto
RESUMO DIREITO CIVIL - 1 UNIDADE ● Primeiramente, vale salientar que o Direito Civil trata especificamente do Direito Privado. “O Direito Civil regula a vida das pessoas comuns”. O Direito Civil é o direito mãe, matriz, geral. Ele advém do Jus Civile do tempo dos romanos, entretanto passou por um processo de ramificação, dando origem à outros ramos responsáveis por uma parte específica das relações jurídicas privadas. Ex: Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto da Pessoa com Deficiência, etc. - PERSONALIDADE JURÍDICA: Caracteriza-se como sendo a aptidão genérica para titularizar e contrair deveres, sendo este, o atributo para ser sujeito de direito. Desta forma, toda pessoa, natural ou jurídica, é sujeito de Direito, e todo Sujeito de Direito, tem personalidade jurídica. art. 1 - Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil Aquisição da Personalidade Jurídica: A pessoa natural, para o direito, é o ser humano, enquanto sujeito de direitos e deveres. De acordo com o atual Código Civil, o surgimento da personalidade jurídica ocorre a partir do nascimento com vida, isto é, quando há batimentos cardíacos e respiração. Nas civilizações romanas, para conceder ao recém nascido a qualidade de pessoa, era necessário a existência da viabilidade e da forma humana (visão extremamente ultrapassada). Sobre o Nascituro: Cuida-se do nascituro do ente concebido, embora ainda não nascido, isto é, aquele que está no ventre. - Teoria Natalista: a personalidade jurídica opera-se a partir do nascimento com vida, desta forma, ainda não sendo pessoa, o nascituro possui mera expectativa de direito, tendo, portanto, direito à vida. Possui, ainda, direito a alimentos. Trata-se dos chamados ‘’Alimentos Gravídicos’’, que compreendem todos os gastos necessários à proteção do feto. Art. 2 o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro - Teoria Concepcionista: nesta, a personalidade jurídica opera-se desde a concepção, sendo assim considerado pessoa ainda que na qualidade de nascituro. obs: a teoria natalista é a teoria adotada em nosso ordenamento jurídico, embora a visão concepcionista esteja ganhando força na jurisprudência brasileira. obs: Maria Helena Diniz diz que os embriões concebidos in vitro gozam das mesmas garantias e direitos que os nascituros. Sobre o Natimorto: é aquele cujo foi expelido do ventre materno, sem vida. Não possui personalidade jurídica, nem direitos patrimoniais. No entanto, a lei assegura o direito ao nome na certidão de criança natimorta, o direito a um túmulo e o direito à imagem. - CAPACIDADE JURÍDICA: adquirida a personalidade jurídica, toda pessoa passa a ser capaz de direitos e deveres na ordem civil. No entanto, nem toda pessoa possui aptidão para exercer pessoalmente os seus direitos, mas caso possam exercer pessoalmente, possuem, além da capacidade de direito, a capacidade de fato ou de exercício. CAPACIDADE DE DIREITO + CAPACIDADE DE FATO = CAPACIDADE PLENA Capacidade de Direito: art. 1 - toda pessoa é capaz de direitos, capacidade comum a todos; Capacidade de Fato: somente aqueles que podem exercer pessoalmente, ou seja, exercer por si só os atos na vida civil; Capacidade Plena: exercem seus direitos sem precisar da ajuda de ninguém. Desta forma, pode-se ter a capacidade de direito, sem a capacidade de fato. - INCAPACIDADE CIVIL: quando a capacidade de fato é ausente, estaremos diante da incapacidade civil, seja ela absoluta ou relativa. ● INCAPACIDADE ABSOLUTA: é a falta de aptidão para praticar pessoalmente atos da vida civil, ou seja, é aquela pessoa impossibilitada de manifestar real e juridicamente a sua vontade. Não possui capacidade de fato. O Código Civil de 2016, em seu art. 5, trazia as seguintes previsões acerca dos Incapazes Absolutos: a) os menores de dezesseis anos; b) os loucos de todos os gêneros; c) os surdos mudos, que não puderem exprimir vontade; d) os ausentes, declarados por ato do juiz. O Código Civil de 2002, em seu art. 3, no entanto, trouxe uma nova abordagem a respeito do tema: a) os menores de dezesseis anos b) os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário entendimento para a prática desses atos c) os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Desta forma, insta salientar que com as mudanças introduzidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, retira-se a pessoa com deficiência da categoria de incapaz. Com isso, a pessoa com deficiência - aquela que tem impedimento de longo prazo, de natureza física, mental, sensorial ou intelectual - não deve ser mais tecnicamente considerada civilmente incapaz, na medida em que os art. 6 e 84 deixam claro que a deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa. Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para: I - casar-se e constituir união estável; II - exercer direitos sexuais e reprodutivos; III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. (...) Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas. § 1º Quando necessário, a pessoa com deficiência será submetida à curatela, conforme a lei. Deste modo, a pessoa com deficiência é legalmente capaz, ainda que se valha de institutos assistenciais para a condução da sua própria vida. Portanto, o art. 3 do Código Civil de 2002, que dispõe sobre os absolutamente incapazes, teve todos os seus incisos revogados mantendo-se na hipótese de incapacidade absoluta a do menor impúbere (menor de 16 anos). Art. 3 o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos Deste modo, o absolutamente incapaz precisará de um representante para manifestar a sua vontade. A vontade do incapaz é, juridicamente, relevante, porém, não tem poder de determinar uma decisão judicial. ● INCAPACIDADE RELATIVA: são aqueles que não possuem total capacidade de discernimento e autodeterminação e por isso precisam ser assistidos. Desta forma, o Código Civil de 1916, em seu art. 6, dispõe sobre os relativamentes incapazes: a) maiores de 16 e menores de 21 b) os pródigos c) os silvícolas (aqueles que vivem na selva) Já o Código Civil de 2002, em seu art. 4, dispõe o seguinte sobre o tema: a) os maiores de 16 e menos de 18 b) os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido c) os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo d) os pródigos Contudo, com a lei n.13.146/2015 do Estatuto da Pessoa com Deficiência reconstruiu/modificou essa disciplina normativa nos seguintes moldes: O inciso I, permaneceu com a sua previsão dos maiores de 16 e menores de 18 O inciso II, por sua vez, suprimiu a menção à deficiência mental, passando a prever somente ‘’os ébrios habituais e os viciados em tóxicos’’ O inciso III, passou a tratar exclusivamente das pessoas ‘’que por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade, isto é, em coma, Com isso, retirou-se a precisão acerca dos deficientes mentais O inciso IV, permaneceu com a sua previsão dos pródigos. Art. 4 - São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; IV - os pródigos. obs: pródigo é aquele que desordenadamente gasta e destrói o seu patrimônio, reduzindo-se à miséria. Sobre a Capacidade Civil dos Indígenas:O Código Civil de 1916, incluía os indígenas na condição de relativamente incapazes. Já o Código Civil de 2002, remeteu à legislação especial no seu art. 4, parágrafo único. Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. Deste modo, a lei n. 5371/1967, instituiu a Funai como representante e instituição de apoio ao indígena, sendo a lei 13.146/2015, responsável por substituir o termo ‘’índios’’ por ‘’indígenas’’. Suprimento da Incapacidade: o suprimento da incapacidade absoluta se dá através da REPRESENTAÇÃO. Isto é, o representante pratica o ato no interesse do incapaz. A representação será feita pelos tutores e pais. Se, porventura, o absolutamente incapaz praticar o ato jurídico sozinho, sem a representação legal, a hipótese é de NULIDADE, ou seja, a sua existência não é considerada, produzindo efeito Ex tunc, pois retroagirá. Já o suprimento da incapacidade relativa se dá através da ASSISTÊNCIA, isto é, o relativamente incapaz pratica o ato jurídico com o seu assistente. Se o relativamente incapaz pratica o ato jurídico sozinho, a hipótese é de ANULABILIDADE, ou seja, é sujeito a ser anulado, e se não for ou enquanto existe, é válido, produzindo efeito Ex nunc, pois não é retroativo e o seu efeito se dará a partir do entendimento. A assistência será feita pelos tutores e curadores. ● Curador (Curatela): se trata de alguém que cuida de um incapaz relativo em razão de causa psicológica. ● Tutor (Tutela): cuida de um menor na ausência dos pais, seja por ser órfão ou que não tenha contato com o pai. - CESSAÇÃO DA INCAPACIDADE: O Código Civil de 2002, dispõe, em seu art. 5 sobre o fim da incapacidade para o menor: Art. 5 o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II - pelo casamento; III - pelo exercício de emprego público efetivo; IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. ● EMANCIPAÇÃO: tem origem Romana - o sujeito estava sob autoridade do Pai, do Pater, e antigamente, era uma condição muito severa para o emancipado, uma vez que perdia o direito à herança. Atualmente, o instituto da emancipação é um meio de antecipar o fim da incapacidade civil. - Características: I - é irrevogável, uma vez concedida não se pode voltar atrás II - não está submetida a nenhuma promessa/situação III - pode ser ilegitimada casos houver vício de vontade - ex: falsificar documentos, forçar os pais IV - é um ato de efeito Ex nunc, pois só terá efeito dali em diante V - a emancipação é voluntária, não constitui como sendo um direito ou uma garantia do adolescente VI - a emancipação não vai impedir a atuação do ECA, ou seja, o emancipado vai continuar sendo tratado como adolescente - Emancipação Voluntária: é concedida pelos pais, excepcionalmente, por um só deles. Ex: viuvez, ausência, filiação ou guarda unilateral. A Emancipação deve está inscrita no cartório de Registro Civil. A emancipação, nesse caso, não irá desobrigar os pais quanto ao seu sustento financeiro do menor. Ela vai ter o objetivo de beneficiar o menor e não pode ser exigida por ele. Nesse caso, mesmo sendo irrevogável, os pais podem ser responsabilizados solidariamente pelos danos causados pelo filho que emanciparem. - Emancipação Judicial: é aquela concedida pelo juiz, ouvido o tutor, se o menor contar 16 anos completos. Presume-se a falta de ambos os pais, motivo pelo qual a emancipação só se dará pela via judicial, ao contrário da emancipação voluntária, que se realiza extrajudicialmente. - Emancipação Legal: A primeira hipótese é a do casamento: Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus representantes legais, enquanto não atingida a maioridade civil. Mesmo havendo a dissolução do casamento, seja pelo divórcio ou pela viuvez, o emancipado não retorna a anterior situação de incapacidade civil. Em caso de nulidade ou anulação, entende-se que a emancipação persiste apenas se o matrimônio fora contraído de boa-fé. Caso contrário, aí sim retorna a situação de incapacidade A segunda hipótese é pelo exercício de emprego público efetivo A terceira hipótese é pela colação de grau em curso de ensino superior A quarta e última hipótese é pelo estabelecimento civil ou comercial, desde que, em função de uma delas, o menor de 16 anos tenha economia própria. É necessário a existência de uma relação de emprego, não podendo ser através dos contratos de aprendizagem e nem pela jornada de tempo parcial. Neste caso, a carteira de trabalho, uma vez assinada, será o documento que irá validar a emancipação. Vale ressaltar que economia própria é o equivalente a no mínimo um salário mínimo, e por isso não se pode confundir com recursos próprios, uma vez que este pode vir de uma herança. - FIM DA PERSONALIDADE JURÍDICA: são duas as possibilidades para o fim da personalidade jurídica, sem elas a morte real, onde há uma certeza e a morte presumida, onde há uma presunção. ● Morte Real: Art. 6 o A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. - Morte no conceito jurídico: o nascituro com vida é a extração plena do material concebido (feto), cuja presença de batimentos cardíacos e a respiração se faz presente, ou seja, os sinais vitais. Sendo assim, a morte seria o oposto, ou seja, seria a quando não houvesse mais a presença dos batimentos cardíacos e da respiração. No entanto, houve um avanço na medicina e hoje esse quadro já é reversível e com isso adotou-se o critério da morte encefálica, que é quando não se pode, cientificamente falando, se reverter o quadro. Essa referência a essa morte encefálica se deve ao fato de que na nidação, isto é, na fixação do zigoto no útero, surge as primeiras células nervosas, ou seja, o sistema nervoso. Seria, portanto, o surgimento da personalidade jurídica da pessoa natural, e logo, o fim dessa atividade nervosa, seria a morte real. - Efeitos da morte: a) extinção do poder familiar b) dissolução do vínculo conjugal c) abertura da sucessão d) extinção do contrato personalíssimo ● Morte presumida: é quando não há a certeza da morte, apenas uma presunção, podendo ser sem ausência que, a exemplo de uma pessoa envolvida em um desastre ambiental ou com ausência, que é quando uma pessoa simplesmente desapareceu de seu domicílio. - Critérios para haver morte presumida: I - não haver um cadáver II - juízo de probabilidade de ocorrência da morte III - a sentença não faz coisa julgada, ou seja, pode haver recurso visto que há possibilidade do ausente aparecer. - Sem ausência: Art. 7 o Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. Exemplos: desastre aéreo, desastre ambiental, guerras civis, período ditatorial. Nesse caso, há uma circunstância para o acontecimento. - Com ausência: Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-ácurador ● PRIMEIRA FASE = CURADORIA DO AUSENTE Art. 23. Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente deixar mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem insuficientes. Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme as circunstâncias, observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores. Desta forma, a lei define a seguinte ordem legal escrita e sucessiva: art. 25. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo curador. § 1 o Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos descendentes, nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo. § 2 o Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. § 3 o Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador. Na nomeação do curador, o juiz, deve, necessariamente, fixar-lhes os poderes e obrigações, estando aquele equiparado aos tutores e curadores de incapazes. ● SEGUNDA FASE = SUCESSÃO PROVISÓRIA Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão. A ideia de provisoriedade é uma cautela que se exige, ainda que se antever o provável falecimento real do ausente, uma vez que não se tem, realmente, ainda, certeza de tal fato. Desta forma: I - se houver o retorno do ausente, ele assume seus bens e extingue o processo. II - se houver a certeza da morte do ausente, provando-se o óbito, converte-se em inventário. III - se houver, no entanto, a persistência da ausência, dá-se início a esta segunda fase. Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram interessados: I - o cônjuge não separado judicialmente; II - os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; III - os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte; IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas art. 28 - estipula-se um prazo de 180 dias após publicada na imprensa, para a produção de efeito da sentença que determinar a abertura da sucessão provisória. Logo que passe em julgado, procederá à abertura do testamento, caso existente, ou ao inventário e partilha de bens, como se o ausente tivesse falecido. Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão garantias da restituição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos. Quinhão: parte que lhe couber Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por desapropriação, ou hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína. Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando ativa e passivamente o ausente, de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que de futuro àquele forem movidas. Os artigos 33 e 34 dispõem sobre as seguintes hipóteses: Primeira Hipótese: O descendente, ascendente ou cônjuge que for sucessor provisório do ausente, fará seus todos, isto é, 100%, os frutos e rendimentos dos bens que a este couberem. Segunda Hipótese: outros sucessores, porém, deverão capitalizar metade desses frutos e rendimentos. A outra metade deverá permanecer guardada em caso do ausente aparecer. obs: se comprovar que o ausente ficou ausente de forma voluntária e injustificável, perderá ele, em favor do sucessor, sua parte que estava guardada. Terceira Hipótese: aquele que foi excluído pois ficou impossibilitado de prestar garantia, irá receber 50% do quinhão que lhe caberia. Art. 35. Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente, considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, que o eram àquele tempo. Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida a posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos, ficando, todavia, obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu dono. Desta forma: I - se houver a certeza de morte, converterá a sucessão provisória em sucessão definitiva, havendo o levantamento de cauções - devolução dos bens empenhados II - se houver retorno do ausente, cessa a sucessão provisória, analisando se a ausência foi ou não justificada III - se houver a persistência da ausência, dá-se início a terceira fase. ● TERCEIRA FASE: SUCESSÃO DEFINITIVA Art. 37. Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas. Deixa de se ter posse dos bens do ausente e passa a se tornar proprietário, perdendo o seu caráter resolúvel e tornando-se definitivo. Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele. É uma exceção por causa da idade do ausente Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo. Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o ausente não regressar, e nenhum interessado promover a sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, quando situados em território federal. Se o ausente não aparecer em 10 anos de seu desaparecimento, e se não houver interessados para requerer sucessão definitiva, os seus bens passarão para competência do Estado/União/Municípios. Se o ausente, no entanto, voltar depois de 10 anos de seu desaparecimento, ele apenas receberá aquele bem de acordo com o estado em que ele se encontrar. - COMORIÊNCIA: Art. 8 o Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos. Exemplo: João e Maria são casados entre si, sem ascendentes ou descendentes vivos. Falecem por ocasião do mesmo acidente. Pedro, primo de João, e Marcos, primo de Maria, concorreram à herança dos falecidos. Se a perícia de atestar que João faleceu 10 minutos antes que Maria, a herança de João seria transferida para sua esposa e posteriormente, após se agregasse ao patrimônio dela, seria arrecadado por Marcos. A solução inversa também se aplicaria caso Maria falecesse antes de João. No entanto, se nesse acidente seus corpos foram carbonizados sendo impossível averiguar a hora de seus óbitos, a lei define presunção de morte simultânea, o que determinará a abertura de cadeias sucessórias distintas. Assim, nessa hipótese, não sendo os comorientes considerados sucessores entre si, não haverá transferência de bens. A premoriência é um instituto de origem romana que é adotada em alguns países e que baseia-se nas características pessoais de cada indivíduo para fixar o horário do óbito. - REGISTRO PÚBLICO: faz papel jurídico, suprimindo a necessidade de não se deixar perder a memória de certas coisas. Sua finalidade é tornar público e servir como meio de prova para a existência de algo bem como dá eficácia ao negócio jurídico. Art. 9 o Serão registrados em registro público: I - os nascimentos, casamentos e óbitos; II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz; III - a interdição por incapacidade absoluta ou relativa; IV - a sentença declaratória de ausência e de morte presumida. Averbação é o ato de adicionar informações a algo que já existe. - Algo pode serregistrado, mas não ser averbado, porém, não existe nada que tenha sido averbado sem antes ter sido registrado. Art. 10. Far-se-á averbação em registro público: I - das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio, a separação judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal; II - dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação; - Características: a) é de interesse público - evita, por exemplo, que parentes recebam aposentadorias em nome de quem já morreu b) é de interesse privado - princípio da segurança jurídica, ex: saber quando alguém nasce c) possui efeito Erga Omnes - é algo que abrange um todo, vai além das pessoas envolvidas d) é mutável - a informação pode ser mudada, a exemplo da mudança do nome e) presunção absoluta de publicidade - não se pode dizer que não há conhecimento f) presunção relativa de autenticidade - presume-se que tudo que está nos registros públicos é verdade, até que se prove o contrário. RESUMO DIREITO CIVIL - 1 UNIDADE - PESSOA JURÍDICA: o ser humano é um ser que naturalmente tende a se agrupar/unir/associar para garantir a sua subsistência e, assim, realizar propósitos comuns. Com isso, o direito irá conferir personalidade jurídica a esse grupo, viabilizando a sua atenção autônoma e funcional, com personalidade própria e com vistas à realização de seus objetivos. ● Conceito: são entidades formuladas por pessoa (s) e/ou bens que a lei atribui personalidade jurídica própria para a realização de fins comuns, tornando-sujeitos de direitos e deveres. É um atributo concedido pelo Estado a um grupo de pessoas ou bens que possuem objetivos comuns e que cumpram os requisitos exigidos por lei. ● Natureza Jurídica: adota-se a teoria da realidade técnica. A pessoa jurídica será uma realidade diferente da pessoa natural. É independente da personalidade de seus membros, ou seja, a personalidade jurídica da pessoa jurídica não pode ser confundida com a personalidade jurídica da pessoa natural que a criou. ● Como surge uma pessoa jurídica? Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. A pessoa natural existe e por isso precisa de um registro, já a pessoa jurídica precisa de um registro para existir - com isso a pessoa jurídica vai adquirir personalidade jurídica, tornando-se sujeito de direitos e deveres na ordem civil. Art. 46. O registro declarará: I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. ● Classificação das pessoas jurídicas: O Código Civil de 2002, em seu art. 40, classifica as pessoas jurídicas em pessoas de direito público, interno ou externo, e de direito privado: Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. - pessoas jurídicas de direito público interno: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I - a União; II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios; IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. Trata-se internamente da República Federativa do Brasil. - pessoas jurídicas de direito público externo: Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. Ex: ONU, OMS - Responsabilidade das pessoas jurídicas de direito público: Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. - Pessoas jurídicas de direito privado: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I - as associações; II - as sociedades; III - as fundações. IV - as organizações religiosas; V - os partidos políticos. VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. - AS ASSOCIAÇÕES: Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. São entidades de direito privado, formadas pela união de pessoas, geralmente em grande número (os associados), com o propósito de realizar fins não econômicos, podendo ser educacional, profissional, religiosa. recreativos, desportivo, cultural, etc. obs: as associações podem desenvolver atividades econômicas, desde que haja finalidade de manutenção e sustento do seu próprio funcionamento. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria da sua atividade. Deste modo, há um projeto de lei que visa mudar o termo ‘’fins não econômicos’’ para ‘’fins não lucrativos’’. Ex: APAE, Associação dos estudantes de direito do brasil, clubes, une, etc. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. A obrigação é perante à associação, por exemplo, pagar a mensalidade. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I - a denominação, os fins e a sede da associação; II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III - os direitos e deveres dos associados; IV - as fontes de recursos para sua manutenção; V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. O estatuto da associação deverá ser registrado no cartório de registro civil das pessoas jurídicas. - Sobre os Associados das Associações privadas: Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Exemplo: o presidente da associação não pagará mensalidade; campeão de algum campeonato ganhará bolsa de estudos, sócio patrimonial terá direito a voto e o sócio não patrimonial não terá. Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Exemplo: a qualidade de associado é condizente com a finalidade da associação - uma associação que tem como requisito ser jogador de vôlei profissional. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si , na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Se o estatuto não houver previsão, o simples fato de alguém adquirir/ou transmitir quota/título fará da pessoa um associado com obrigações e direitos. - exclusão do associado: Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. Exemplo: danificar o patrimônio da associação, ofensa física a outro associado, falta de pagamento das mensalidades, etc. - direito do associado: Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstosna lei ou no estatuto. Exemplo: um associado de um clube de natação não poderá ser impedido de utilizar a piscina, se o estatuto prevê esse direito. No entanto, o associado poderá ser impedido de utilizar a piscina caso não tenha realizado o exame médico exigido pelo estatuto - Convocação da Assembleia Geral: Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: I – destituir os administradores; II – alterar o estatuto. Uma Assembleia Geral é uma convocação de todos os associados, com característica de ser um órgão deliberativo superior. Sendo assim, o estatuto pode prever outras atribuições. Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. É preciso fazer uma convocação geral e específica sobre o intuito da Assembleia, o seu quorum será definido pelo Estatuto. Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la Trata-se do direito de minorias. - Extinção das Associações Privadas: Assim como toda pessoa jurídica a Associação também poderá ser extinta. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. - O que acontece com o patrimônio da Associação uma vez que não se pode dividir para os associados? I - se o associado tiver um título, poderá ele pedir a restituição das cotas/frações II - o remanescente da Associação deve ser destinada a outra associação III - se não estiver previsto no estatuto, a assembleia geral decidirá para qual associação será destinado o remanescente do patrimônio. IV - Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. - AS FUNDAÇÕES: ● DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA: a doutrina da desconsideração da pessoa jurídica pretende o separamento episódico da personalidade jurídica da sociedade, em caso de fraude, abuso, ou simples desvio de finalidade, objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios, que passam a ter responsabilidade pessoal pelo delito causado. No entanto, vale salientar, que a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade não pode significar a sua total aniquilação, salvo casos excepcionais. A desconsideração da personalidade jurídica da pessoa jurídica deve perdurar somente durante o caso concreto, sendo portanto, temporário até que os credores se satisfazem no patrimônio pessoal dos sócios infratores, os verdadeiros responsáveis pelo delito praticado. Sendo assim, ressarcidos os prejuízos, a empresa, por força do princípio da continuidade, poderá, desde que apresente condições jurídicas e estruturais, voltar a funcionar. Com isso, o Código de Defesa do Consumidor expressa o seguinte: Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração Por meio dessa contribuição do Código de Defesa do Consumidor, a doutrina e a jurisprudência tratam do tema à luz da Teoria Maior, ao qual exige a comprovação de desvio de finalidade da pessoa jurídica ou a confusão patrimonial, e a à luz da Teoria Menor, que apenas decorre da insolvência do devedor, sendo aplicado pelo CDC. O Código Civil de 2002, em seu art. 50, por sua vez dispõe: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. Segundo regra legal, a desconsideração será possível a requerimento da parte ou do MP, quando lhe couber intervir, se o abuso consistir em: a) desvio de finalidade: desvirtuou-se o objetivo social, para se estabelecer fins não previstos contratualmente ou que sejam proibidos por lei. b) confusão patrimonial: a atuação do sócio ou administrador confundiu-se com o funcionamento da própria sociedade, utilizada como verdadeiro escudo, não podendo identificar a separação patrimonial de ambos. Deste modo, o patrimônio da pessoa natural não se confunde com o patrimônio da pessoa jurídica, uma vez que a pessoa jurídica independe dos membros que a compõe. Nas duas situações, faz-se necessário a ocorrência de prejuízo, individual ou social, para justificar a suspensão temporária de sua personalidade jurídica. RESUMO DIREITO CIVIL - 1 UNIDADE - DOMICÍLIO: O instituto Domicílio tem origem Romana, provém do termo ‘’domus origo’’, onde ‘’domus’’ significa casa, o lugar onde a pessoa se estabelece, e ‘’origo’’ significa origem, seria a ideia de onde a pessoa nasceu. Ele representa o local em que se presume que a pessoa, natural ou jurídica, pode ser encontrada enquanto sujeito de direitos e deveres na ordem civil. Configura, portanto, como sendo um imperativo de segurança uma vez que estabelece estabilidade para as relações jurídicas, facilitando o cumprimento das obrigações, seja para o interesse público ou privado. Vale salientar, que trata-se de uma presunção, não havendo garantia concreta. ● DOMICÍLIO VOLUNTÁRIO: Decorre do ato de livre vontade do sujeito que fixa residência em um determinado local de forma habitual (elemento objetivo), com ânimo definitivo (elemento subjetivo). Pode ser residencial, onde será sua residência, ou até mesmo profissional, onde exercerá sua atividade profissional. art. 70 - O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela se estabelece com ânimo definitivo. Desta forma, atenta-se ao termo ‘’ânimo definitivo’’, ao qual expressa que, não basta, pois, para configuração do domicílio, o simples ato material de residir, porém, mais ainda, o propósito de permanecer, convertendo aquele local em centro de suas atividades. É preciso, deste modo, analisar as circunstâncias, isto é, se houve a existência de relações sociais, profissionais, familiares, patrimoniais, entre outras. art. 71 - Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas. Trata-se da teoria da pluralidade de domicílios, sendo a sua finalidade conceder maior eficácia à norma. ● DOMICÍLIO PROFISSIONAL: É o local onde o sujeito fixa suas obrigações em relação à sua profissão, sendo, portanto, o lugar onde ele responderá pelas questões de seu trabalho. art. 72 - É também domicílio da pessoa natural, quantoàs relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. Assim sendo, o Domicílio Profissional poderá coincidir com o Domicílio Residencial da pessoa natural, sendo aplicável a teoria da pluralidade de domicílios, disposto no art. 71 do Código Civil de 2002, uma vez que, no Parágrafo Primeiro do art. 72, há uma disposição semelhante. Parágrafo Primeiro: Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relaçõe que lhe corresponderem. ● DOMICÍLIO APARENTE OU OCASIONAL: Esse tipo de domicílio é atribuído às pessoas que não possuem residência fixa, sendo o seu domicílio o local onde se encontrarem para cumprir seus deveres e obrigações e usufruir de seus direitos enquanto sujeito na ordem civil. É o caso das pessoas que vivem em viagens, por exemplo. Os exemplos de pessoas com esse tipo de domicílio são os ciganos, os artistas itinerantes e os de circos, além dos moradores de rua. É uma previsão legal que possui raízes nos povos nômades. art.73 - Ter-se-á por domicílio da pessoa natural que não tenha residência habitual, o lugar onde for encontrada. ● MUDANÇA DE DOMICÍLIO: art. 74 - Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de mudar. Parágrafo Único: A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que deixa e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem. A falta de declaração, no entanto, não acarretará em sanção alguma. ● DOMICÍLIO DA PESSOA JURÍDICA: Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: I - da União, o Distrito Federal; II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. § 1 o Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. § 2 o Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder. Vale salientar que o STF já assentou entendimento no sentido de que ‘’a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência ou do estabelecimento em que se praticou o ato.’’ - Súmula 363. ● DOMICÍLIO LEGAL OU NECESSÁRIO: decorre do mandamento da lei, ou seja, independe da vontade do indivíduo. Define-se de acordo com algumas características específicas. Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso. Desta forma: I - O domicílio do incapaz irá corresponder ao domicílio de seu representante legal. II - O domicílio do servidor público será onde ele exercer permanentemente suas funções. III - O domicílio do militar, sendo ele da marinha ou da aeronáutica, será onde ele estiver servindo, ou seja, o local onde ele estiver subordinado. IV - O domicílio do marítimo será onde seu navio estiver matriculado. V - O domicílio do preso, será onde ele estiver cumprindo sentença. Art. 77. O agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve. ● DOMICÍLIO CONTRATUAL OU ELEITO: É aquele definido pelas partes em uma relação jurídica/contrato, à luz do princípio da igualdade e da autonomia de vontade, para ser o centro de suas respectivas responsabilidades. Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. QUESTÕES DOUTRINÁRIAS: Morada: Local onde a pessoa se estabelece de forma provisória. É a ideia de estadia. Residência: é o local onde a pessoa se estabelece de forma habitual. Domicílio: é o local onde a pessoa se estabelece (elemento objetivo do domicílio) e pretende ficar (elemento subjetivo do domicílio).