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1ºAula Conceito avaliação de desempenho Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • entender os conceitos e as definições sobre a avaliação de desempenho; • oferecer informações para criar o próprio conhecimento sobre avaliação de desempenho; • entender como ocorre a avaliação de desempenho dentro de uma organização. Caros(as) alunos(as), estamos iniciando a disciplina Políticas de Avaliação de Desempenho. Nesta primeira aula, iremos estudar os conceitos e as definições, assim como o histórico e a evolução da Avaliação de Desempenho nas empresas, além dos procedimentos de implantação do processo. Bons estudos! 10Política de Avaliação de Desempenho Toda empresa espera o máximo de seu colaborador. E cada colaborador espera de sua empresa um retorno sobre o seu desempenho no cargo. Todo funcionário espera que o seu gerente lhe avalie de forma ética e eficaz. Para Ribeiro (2006, p. 34), “a avaliação de desempenho é o momento esperado pelo o funcionário para que alguém fale de seu desempenho. Assim, o gerente deve citar as realizações e os pontos positivos, mas também precisa estabelecer desafios e identificar pontos a melhorar”. Para Chiavenato (2002, p. 55), “no mundo em que vivemos, estamos a todo tempo avaliando o desempenho de coisas e pessoas que nos cercam”. Sendo assim, a avaliação nos permite dar um retorno ao avaliado sobre a qualidade de seus serviços e de seu desempenho. Segundo o autor, a avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa no cargo e o seu potencial de desenvolvimento futuro. Toda avaliação é um processo para estimular ou julgar o Valor, a excelência, as qualidades de alguma pessoa (2002, p. 57). Para Chiavenato (2002), essa avaliação no ambiente empresarial pode ser denominada de avaliação de desempenho, de mérito, avaliação de produtividade, avaliação de eficiência e assim por diante. O conceito ou o título utilizado para realização dessa política, depende da visão, do valor e da cultura que a organização tem da AD. Chiavenato (2002) resume a avaliação de desempenho como uma técnica de direção imprescindível à atividade administrativa, pois se constitui um meio para se localizar problemas de supervisão de pessoal, de integração do empregado à organização ou no cargo que ocupa, de dissonância, de desaproveitamento do empregado com potencial mais elevado do que aquele que é exigido pelo cargo, de motivação etc. Para Carvalho (1993), a avaliação de desempenho é um procedimento básico e necessário para acionar o sistema de recursos humanos, diante dos objetivos de (outputs), isto é, entradas. Conforme o autor, a AD é uma atividade típica de controle administrativo e, dessa forma, se torna parte da estratégia gerencial, cujo propósito é assegurar que os membros de sua equipe orientem seus esforços para os objetivos da organização. Sendo assim, Carvalho afirma que, “a avaliação de desempenho constitui-se em um conjunto de técnicas com a finalidade de obter informações sobre o comportamento profissional do avaliado durante o seu desempenho no trabalho”. Ora, o que se percebe nas palavras Seções de estudo 1 - Conceitos de avaliação de desempenho . Acesso em: 05 maio 2012, às 8h07. de Carvalho é uma comunhão com as palavras de Chiavenato. Até aqui, os autores são unânimes em conceituar a AD como um conjunto de técnicas que visam a avaliar o desempenho do empregado em seu cargo. Na busca por mais autores e por mais conceitos de avaliação de desempenho, depara-se pela repetição das ideias e dos conceitos. Chega-se, portanto, a uma conclusão de que a Avaliação de desempenho pode ser vista e conceituada de forma diferente em diferentes contextos. Por exemplo: 1 – a avaliação de desempenho é uma estratégia para assegurar resultados e melhorar as relações internas entre gerentes e avaliados. A organização que avalia os seus empregados, com certeza, desenvolve um canal de comunicação aberto e de confiança. Afinal, qual empregado não gostaria de saber como está indo em seu trabalho. Porém, essa avaliação não deve ter o caráter punitivo, mas um caráter de levantamento de potencial e de desempenho. Mas por que a AD é considerada uma estratégia? É muito simples: você leu neste texto que na visão de alguns autores, a AD é uma maneira de garantir a realização dos objetivos esperados pela empresa. Dessa forma, quando se trata da administração de recursos humanos ou da gestão de pessoas, a AD deve ser vista como uma estratégia para alcançar o que se deseja, isto é, passa a ser uma ação de eficácia. 2 – a avaliação de desempenho é uma ferramenta gerencial que permite ao administrador ou ao supervisor utilizá-la para identificar forças ou fraquezas de um funcionário no desempenho de seu cargo ou de seu comportamento na empresa. Considera-se uma ferramenta, pois é mediante um formulário padrão, reuniões ou contato direto com o avaliado que os administradores realizam o processo, assim como lhes transmite feedback. 3 – a avaliação de desempenho é um meio para se conhecer o desempenho do empregado no cargo. Considera-se um meio por acreditar que existam outros meios. 4 – a avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática e contínua do desempenho, das deficiências, das potencialidades do empregado, do gerente e da organização. Veja bem que o termo diz, “uma apreciação sistemática e contínua”. Isso quer dizer que o processo da avaliação de desempenho tem que ter um programa com começo e fim. Não se deve queimar etapas. Não se deve criar expectativas uma única vez e abandonar o programa. A avaliação de desempenho inclui uma série de etapas, critérios, métodos, fatores e variáveis organizacionais, que vai desde a cultura organizacional, a liderança até a estrutura e os recursos disponíveis. Avaliar desempenho não diz respeito apenas às questões salariais e comportamentais, mas ao desenvolvimento individual e organizacional, possibilitando através da medição e da mensuração do desempenho do empregado, tomar decisões quanto a promoção, aumentos salariais, planos de treinamento e até a permanência do avaliado na empresa. 5 – a avaliação de desempenho constitui uma série de técnicas. Define-se técnicas como a maneira de fazer alguma coisa. Cada homem tem a sua técnica para diferentes 1 - Conceitos de avaliação de desempenho 11 Desafio você, caro aluno, a conhecer o conceito de avaliação de desempenho em algumas empresas próximas de você. Investigue o que pensam e como definem a AD, os dirigentes, gerentes e supervisores. Na visão desses profissionais a AD é realmente necessária? Será que a AD traz realmente resultado? É investigar para ver. Divulgue o resultado no quadro de avisos, ok. Ao avaliar o desempenho do colaborador na empresa, desenvolva uma visão crítica sobre o desempenho no cargo. Não julgue as pessoas por suas opções de vida ou pelos seus credos, gostos e opções sexuais. Centre-se no desempenho, nos objetivos do cargo, nos objetivos da empresa e no resultado obtido por meio de cada trabalhador. Avalie sistematicamente, porém avalie com equidade, ética e humanismo. atividades. Sendo assim, cada empresa adota a sua técnica para avaliar o desempenho de seu colaborador, que vai desde conversas formais, reuniões, formulários, planilhas eletrônicas até softwares específicos e sofisticados. A utilização de cada técnica depende da realidade de cada organização, de seus objetivos e de seus recursos. A Avaliação de Desempenho não é uma atividade nova. Surgiu com os postulados clássicos da Administração Científica de Taylor. Em seus princípios, Taylor já enfatizava a necessidade de estabelecer padrões de desempenho para cada pessoa e, consequentemente, avaliar o resultado do trabalho de cada operário frente ao padrão de desempenho estabelecido e aos resultados esperados. Importante: a avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do desempenhoA. Gestão estratégica de pessoas com “Scorecard”. Interligando pessoas, estratégias e performance. Trad. Afonso Celso da Cunha Serra. 14.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. KAPLAN , Robert S.; NORTON, David P. A estratégia em ação: balanced scorecard. 21.ed. . Rio de Janeiro: Elsevier, 1997. ____. Organização orientada para a estratégia. Como as empresas que adotam o balanced scorecard prosperam no novo ambiente de negócios. 12.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000. Vale a pena Vale a pena ler 2ºAula Métodos tradicionais Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • identificar os tipos de métodos de avaliação de desempenho humano; • desenvolver uma visão geral das técnicas de avaliação de desempenho; • compreender que a avaliação desempenho dos funcionários das organizações podem apresentar problemas de ordem funcional, tais como: falta de precisão, confiabilidade, validade de conteúdo e aplicabilidade. Caros(as) alunos(as), nesta aula, iremos compreender os métodos de avaliação dos recursos humanos dentro de uma organização, compreendendo que em cada sistemática o desempenho atende determinados objetivos específicos e determinadas características das várias categorias de pessoal. Vocês serão capazes de identificar que a avaliação de desempenho é uma sistemática de comunicações, atuando no sentido horizontal e vertical da organização. Ou seja, as avaliações de desempenho, para serem eficazes, devem basear-se inteiramente nos resultados das atividades do homem na rotina do trabalho e nunca apenas em suas características de personalidade. Bons estudos! 20Política de Avaliação de Desempenho 1 – Métodos de avaliação de desempenho 2 – Técnicas para avaliar o desempenho humano 3 – Métodos tradicionais Seções de estudo 1 - Métodos de avaliação de desempenho A avaliação de desempenho humano poderá ser aplicada por meio de técnicas que podem variar intensamente, não de uma organização para outra, mas dentro da mesma organização que se trata de níveis diferentes de pessoal ou áreas de atividades diversas. Normalmente, as sistemáticas de avaliação de desempenho humano atende a determinados objetivos, traçados com base a uma política de Recursos Humanos. Assim, como as políticas de Recursos Humanos variam conforme a organização, não é de se estranhar que cada organização desenvolva a sua própria sistemática para medir a conduta de seus empregados. Como de maneira geral, a aplicação do pessoal é definida conforme o nível e as posições dos cargos, geralmente as organizações utilizam mais de uma avaliação de desempenho. É relativamente comum encontrar organizações que desenvolvem sistemáticas específicas conforme o nível e as áreas de distribuição de seu pessoal. 1.1 - Métodos de avaliação de desempenho humano Existem vários tipos, técnicas, sistemas, ou métodos, de avaliação de desempenho. Os métodos mais tradicionais de avaliação de desempenho são: • Método da Escala Gráfica Este método é incontestavelmente o método de avaliação mais utilizado e divulgado. Aparentemente, é o método mais simples, mas sua aplicação requer uma multiplicidade de cuidados, a fim de neutralizar a subjetividade e o prejulgamento do avaliador que podem ter enorme interferência. Utiliza um formulário de dupla entrada, no qual as linhas representam os fatores de avaliação de desempenho e as colunas representam os graus de avaliação dos fatores. Os fatores são selecionados para definir as qualidades a serem avaliadas. Cada fator é definido com uma descrição simples e objetiva para não haver distorções. Vantagens do método das escalas gráficas. a) Permite aos avaliadores um instrumento de avaliação de fácil entendimento e avaliação simples. b) Permite uma visão integrada e resumida dos fatores de avaliação, ou seja, das características do desempenho mais realçadas pela empresa e a situação de cada empregado diante delas; e c) Proporciona pouco trabalho ao avaliador no registro de avaliação. Desvantagens do método das escalas gráficas. a) Não permite muita flexibilidade ao avaliador que deve ajustar-se ao instrumento e não as características do avaliado. b) É sujeito a distorções e interferências pessoais dos avaliadores, que tendem a generalizar sua preciação sob os subordinados para todos os fatores de avaliação. Cada pessoa percebe e interpreta as situações segundo seu “campo psicológico”. Esta interferência subjetiva e pessoal de ordem emocional e psicológica relevam alguns avaliados ao hallo effecet ou afeto da esterotipação. c) Tende a rotinizar e bitolar os resultados das avaliações. Necessita de procedimentos matemáticos e estatísticos para corrigir distorções e influencia pessoal dos avaliadores. • Método da Escolha Forçada Desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial para a escolha de oficiais a serem promovidos. Esse método, aplicado experimentalmente, possibilitou resultados amplamente satisfatórios, sendo posteriormente adaptado e implantado em várias empresas. Ele consiste em avaliar o desempenho dos indivíduos por intermédio das frases descritivas de determinadas alternativas de tipos de desempenho individual. Em cada bloco, ou conjunto composto de duas, quatro ou mais frases, o avaliador deve escolher obrigatoriamente apenas uma ou duas que mais se aplicam ao desempenho do avaliado. a) Dentro de cada bloco há duas frases de significado positivo e duas de significado negativo. O avaliador escolhe a frase que mais se aplica e a que menos se aplica ao desempenho do avaliado. b) Em cada bloco há quatro frases de significado apenas positivo. São escolhidas as frases que mais se aplicam ao desempenho do avaliado. No formulário com blocos de significados positivo e negativo, o avaliador localiza as frases que possivelmente contam pontos, podendo assim, distorcer o resultado da avaliação. No entanto, no formulário com blocos de significado apenas positivo, a presença de frases com um único sentido dificulta a avaliação dirigida, levando o avaliador a refletir e ponderar sobre cada bloco, escolhendo a frase mais descritiva do desempenho do avaliado. As frases são selecionadas por meio de um procedimento estatístico que visa verificar a adequação do funcionário à empresa. Vantagem do método da escolha forçada a) Propicia resultados mais confiáveis e isentos de influências subjetivas e pessoais, pois elimina o efeito da estereotipação (hallo effect). b) Sua aplicação e simples e não exige preparo intenso ou sofisticado dos avaliadores. Desvantagens do método de escolha forçada a) Sua elaboração e montagem são complexas, exigindo um planejamento muito cuidadoso e demorado. b) É um método fundamentalmente comparativo e discriminativo e apresenta resultados globais. Discrimina 21 2 - Técnicas para avaliar o desempenho humano apenas empregados bons, médios e fracos, sem informações maiores. c) Quando utilizado para fins de desenvolvimento do RH necessita de uma complementação de informações de necessidade de treinamento, potencial de desenvolvimento etc. d) Deixa o avaliador sem noção alguma do resultado da avaliacão que faz a respeito de seus subordinados. • Método de auto - avaliação É o método por meio do qual o próprio empregado é solicitado a fazer uma sincera análise de suas próprias características de desempenho. Pode utilizar sistemáticas variadas, inclusive formulários baseados nos esquemas apresentados nos diversos métodos de avaliação de desempenho. • Método da avaliação por resultados Muito ligado aos programas de administração por objetivos, este método baseia-se numa comparação periódica entre os resultados fixados ou esperados para cada funcionário e os resultados efetivamente alcançados. As conclusões a respeito dos resultados permitem a identificação dos pontos fortes e fracos dos funcionários, bem comoas providências necessárias para o próximo período. É sobre tudo, um método prático, embora o seu funcionamento dependa sobre maneira das atitudes e dos pontos de vista do supervisor a respeito da avaliação do desempenho. • Métodos Mistos As organizações recorrem a uma mistura de métodos na composição do modelo de avaliação de desempenho, por ter uma grande complexidade em seus cargos. Os métodos de avaliação são extremamente variados, em todos os aspectos, pois cada organização ajusta os métodos às suas peculiaridades e necessidades. Cada organização tem seus próprios sistemas de avaliação do desempenho adequado às circunstâncias, à sua história e a seus objetivos. A avaliação de desempenho, muitas vezes, pode servir de base às políticas de promoção das organizações. O processo é efetuado periodicamente, normalmente com caráter anual, e consiste na análise objetiva do comportado do avaliado no seu trabalho, e posterior na comunicação dos resultados. Tradicionalmente compete aos superiores avaliarem os seus subordinados, estando à avaliação sujeita a correção posterior para que os resultados finais sejam compatíveis com a política de promoções (LACOMBE, 2006). A avaliação de desempenho é, em regra, semestral ou anual. Deve ser feita por escrito através de um questionário padronizado que visam classificar o desempenho do avaliado com base em critérios quantificáveis. No final, deverá incluir uma avaliação global do candidato seguindo uma escala de avaliação, previamente acordada, e incluir comentários qualitativos sobre o desempenho do avaliado que inclua as áreas prioritárias a melhorar. Esta informação será essencial como ponto de partida para a avaliação do período seguinte. Os tipos de técnicas de avaliação de desempenho mais utilizados são: a) Avaliação pelo Superior Hierárquico: É o método mais comum. Tem a vantagem de haver um único avaliador, o que garante alguma homogeneidade e rigor na interpretação dos critérios de avaliação e na análise comparativa de desempenho. A desvantagem principal é que o avaliador pode ser influenciado pela imagem global e histórica que possui sobre o avaliado e pelo o tipo de relacionamento técnico e pessoal. c) Avaliação a 360º: É o método de avaliação mais sofisticado. Todos os trabalhadores, independentemente da sua posição hierárquica, são simultaneamente avaliadores (conservando o anonimato) e avaliados. Esse método tem a vantagem dos subordinados terem a oportunidade de avaliar livremente o desempenho dos seus chefes, mas pode ter efeitos nefastos ao nível da motivação e dos sentimentos de auto - estima dos avaliados, sobretudo das pessoas em graus mais elevados da hierarquia. Ainda existem outros sistemas, ou métodos, de avaliação de desempenho. Os tipos de técnicas variam de acordo com a necessidade da equipe que sofrerá a avaliação, vejamos mais alguns métodos ou técnicas tradicionais que são muito utilizados nas empresas: a) Avaliação com Escalas Gráficas de Classificação: é o método mais utilizado nas empresas. Avalia o desempenho por meio de indicadores definidos, graduados através da descrição de desempenho numa variação de ruim a excepcional. Para cada graduação pode haver exemplos de comportamentos esperados para facilitar a observação da existência ou não do indicador. Permite a elaboração de gráficos que facilitarão a avaliação e o acompanhamento do desempenho histórico do avaliado. b) Avaliação de Escolha e Distribuição Forçada: consiste na avaliação dos indivíduos através de frases descritivas de determinado tipo de desempenho, em relação às tarefas que lhe foram atribuídas, entre as quais o avaliador é forçado a escolher a mais adequada para descrever os comportamentos do avaliado. Esse método busca minimizar a subjetividade do processo de avaliação de desempenho. c) Avaliação através de Pesquisa de Campo: baseado na realização de reuniões, entre um especialista em avaliação de desempenho da área de Recursos Humanos com cada líder, para avaliação do desempenho de cada um dos subordinados, levantando-se os motivos de tal desempenho por meio de análise de fatos e situações. Esse método permite um diagnóstico padronizado do desempenho, minimizando a subjetividade da avaliação. Ainda possibilita o planejamento, conjuntamente com o líder, do desenvolvimento profissional de cada um. d) Avaliação com Incidentes Críticos: enfoca as atitudes que representam desempenhos altamente positivos (sucesso), que devem ser realçados e estimulados, ou altamente negativos (fracasso), que devem ser corrigidos através de orientação constante. O método não se preocupa em avaliar as situações normais. No entanto, para haver sucesso na utilização desse método, é necessário o registro constante dos fatos para que estes não passem despercebidos. e) Avaliação com Comparação de Pares: também 22Política de Avaliação de Desempenho conhecida como comparação binária, faz uma comparação entre o desempenho de dois colaboradores ou entre o desempenho de um colaborador e sua equipe, podendo fazer o uso de fatores para isso. É um processo muito simples e pouco eficiente, mas que se torna muito difícil de ser realizado quanto maior for o número de pessoas avaliadas. f) Auto-Avaliação: é a avaliação feita pelo próprio avaliado com relação a sua performance, ou seja, os avaliados que medem a sua própria performance. O ideal é que esse sistema seja utilizado conjuntamente a outros sistemas, para minimizar o forte vies e a falta de sinceridade que podem ocorrer. No final, cada superior hierárquico analisa as respostas, faz a sua própria avaliação e reúne com cada um dos avaliados para discutir os resultados. Esse método estimula o empenho e desenvolvimento dos subordinados, mas os resultados podem ser condicionados pelos pontos de vista e os interesses individuais de cada avaliado. g) Avaliação com Relatório de performance: também chamada de avaliação por escrito ou avaliação da experiência. Trata-se de uma descrição mais livre acerca das características do avaliado, seus pontos fortes, fracos, potencialidades e dimensões de comportamento, entre outros aspectos. Sua desvantagem está na dificuldade de se combinar ou comparar as classificações atribuídas e por isso exige a suplementação de um outro método, mais formal. h) Avaliação por resultados: é um método de avaliação baseado na comparação entre os resultados previstos e realizados. É um método prático, mas que depende somente do ponto de vista do supervisor a respeito do desempenho avaliado. i) Avaliação por objetivos: baseia-se numa avaliação do alcance de objetivos específicos, mensuráveis, alinhados aos objetivos organizacionais e negociados previamente entre cada colaborador e seu superior. É importante ressaltar que durante a avaliação não devem ser levados em consideração aspectos que não estavam previstos nos objetivos, ou não tivessem sido comunicados ao colaborador. E ainda, deve-se permitir ao colaborador sua autoavaliação para discussão com seu gestor. j) Avaliação com Padrões de Desempenho: também chamada de padrões de trabalho. É quando há o estabelecimento de metas somente por parte da organização, mas que devem ser comunicadas às pessoas que serão avaliadas. k) Avaliação com Frases Descritivas: trata-se de uma avaliação através de comportamentos descritos como ideais ou negativos. Assim, assinala-se “sim” quando o comportamento do colaborador corresponde ao comportamento descrito, e “não” quando não corresponde. • A Responsabilidade da Avaliação de Desempenho A responsabilidade pelo processamento da verificação, medição e acompanhamento do desempenho humano é atribuída a diferentes órgãos dentro da organização, de acordo com a política de Recursos Humanos desenvolvida. Em algumas organizações existe uma rígida centralização da responsabilidade pela avaliação do desempenho, nesse caso é totalmente atribuída a um órgão de Staff pertencente a área de Recursos Humanos,em outros casos é atribuída a uma comissão de avaliação do desempenho, em que a centralização é relativamente amenizada pela participação de avaliadores de diversas áreas da organização. Em outras organizações ainda, a responsabilidade pela avaliação de desempenho é totalmente descentralizada, fixando-se na pessoa do empregado como uma parcela de controle por parte do superior direto. O meio termo mais utilizado é o sistema do qual existe centralização, no que tange ao projeto, a construção e a implantação do sistema, e a relativa descentralização, no que tange a execução. • O supervisor direto Na maior parte das vezes, a avaliação do desempenho e a responsabilidade de linha é função de Staff com assistência do órgão de ARH. Quem avalia o pessoal é o próprio chefe que, melhor do que ninguém, tem condições de acompanhar e verificar o desempenho de cada subordinado, ou seja, seus pontos fortes e fracos. Todavia os chefes diretos não possuem conhecimento especializado para poder projetar, manter e desenvolver um plano sistemático de avaliação de desempenho. Aqui entra a função Staff do órgão de ARH. • O empregado Algumas organizações utilizam a autoavaliação por parte dos empregados como método de avaliação de desempenho. Realmente, é pouco comum esse tipo de avaliação de desempenho, porque pode ser somente utilizado quando o grupo de trabalho é composto por pessoas de bom nível cultural e de alto quociente intelectual, além de equilíbrio emocional e de capacidade para fazer uma autoavaliação destituída de subjetivismo e distorções pessoais. É um tipo de avaliação de desempenho aplicável, com relativo sucesso ao pessoal de nível universitário que ocupa elevadas posições na empresa. Na autoavaliação de desempenho, o próprio empregado preenche o questionário e submete-o, posteriormente a seu superior e, juntos, analisam os resultados, as providências a serem tomadas e os objetivos de desempenho a serem atingidos. Todavia a avaliação de desempenho não pode ser exclusiva responsabilidade do próprio indivíduo, porque: a) pode haver uma heterogeneidade incrível de objetivos, com a fixação de padrões individuais de comportamento profissional; b) os empregados nem sempre têm condições de autoavaliar-se dentro dos requisitos estabelecidos pelo sistema, o que provocaria distorções e perda de precisão dos mesmos; c) os pontos de vista dos empregados dificilmente coincidem com os de seus superiores a cerca da avaliação de seu desempenho; d) os objetivos do desempenho podem tornar-se demasiadamente por pessoais e individuais, subjetivos e personalizados. • A comissão de avaliação de desempenho Em algumas organizações, a avaliação de desempenho é atribuída a uma comissão, especialmente designada para este fim e constituída de elementos pertencentes a diversos órgãos ou departamentos. A avaliação nesse caso é coletiva e cada membro terá igual participação e responsabilidade nos 23 Milani (1988) afirma que as técnicas atualmente utilizadas para avaliação de desempenho dos funcionários das organizações apresentam problemas de ordem funcional, tais como: falta de precisão, confiabilidade, validade de conteúdo e aplicabilidade. Tais problemas inviabilizam a eficiência e a obtenção dos resultados esperados dos métodos utilizados e requerem o desenvolvimento de novas abordagens para avaliação de desempenho. Como consequências das desvantagens apresentadas os sistemas tradicionais apresentam alguns problemas de ordem estrutural e operacional, que afetam proporcionalmente o desempenho organizacional: 1) podem gerar insatisfação e desmotivação nos funcionários; 2) o desempenho organizacional pode ser influenciado negativamente, ficando abaixo do esperado; 3) o ambiente de trabalho pode se tornar incerto; 4) podem surgir conflitos entre os funcionários da organização. Parece que nenhuma técnica para avaliação de desempenho é válida para todas as aplicações. Existem algumas técnicas que contêm dados válidos para atingir certos critérios e outras técnicas úteis para atingir outros objetivos. A maioria dos objetivos dos sistemas de avaliação de desempenho requer dados precisos e confiáveis sobre o desempenho atual em termos de realizações esperadas e atingidas e comportamentos necessários para atingir os objetivos de uma dada tarefa. Confiabilidade e precisão são mais fáceis de serem atingidas através de eventos observáveis e mensuráveis quando pequena ou nenhuma inferência é permitida (MILANI, 1988, p. 53-54). Cabe ressaltar que, os sistemas tradicionais de avaliação de desempenho são utilizados para avaliarem o desempenho dos funcionários em determinado período de tempo, ou seja, a análise dos dados coletados é realizada sobre informações passadas, que já ocorreram há algum tempo. Assim, é preciso ter cuidado com a análise e com a utilização dos resultados, julgamentos. Geralmente, a comissão é formada de membros permanentes e transitórios. Os membros permanentes e estáveis participarão de todas as avaliações e seu papel será a manutenção do equilíbrio dos julgamentos, do atendimento aos padrões e da constância ao sistema. Os membros transitórios ou interessados, que participarão exclusivamente dos julgamentos dos empregados direta ou indiretamente, ligados a sua área de atuação, terão o papel de trazer as informações a respeito dos avaliados e proceder ao julgamento e a avaliação. Enquanto os membros transitórios trazem a avaliação e julgam seus subordinados diretos ou indiretos. Os membros permanentes procuram manter a estabilidade e a homogeneidade das avaliações. 3 - Métodos tradicionais pois assim como as organizações, os indivíduos, seus comportamentos e desempenhos sofrem mutação e alterações em curto período de tempo. Portanto, as informações coletadas devem servir somente como parâmetros de análise e não como informações absolutas e definitivas sobre o desempenho dos funcionários. Determinar o melhor sistema de avaliação de desempenho depende de uma análise criteriosa, porque cada sistema tem sua peculiaridade, com pontos fortes e fracos. Um bom avaliador dispensa qualquer sistema, por melhor que seja. Um bom sistema ajuda muito, contanto que a organização leve em consideração às suas características. Desempenho humano ao organizacional Veremos, agora, o alinhamento do desempenho humano ao organizacional. Segundo Souza (2005), a necessidade atual do alinhamento do desempenho humano com ao organizacional tem como objetivo a ênfase nos aspectos críticos que tornam a gestão de desempenho uma estratégia poderosa para a concretização de estratégias corporativas e, por decorrência, da visão empresarial. Souza (2005 ) afirma que a interconexão de objetivos, por meio da atuação integrada dos diferentes segmentos, permite o alinhamento da missão e visão às estratégias corporativas, favorecendo a construção da identidade empresarial. Por tanto, a interligação deve ser realizada por meio de indicadores que favoreçam uma atuação gerencial integrada. Para ele, indicadores devem ser construídos não somente visando mapear o desempenho em níveis de instintos, mas devem permitir a avaliação, em conjunto, sob perspectivas distintas. Vamos ver como é esse processo de planejamento estratégico, de maneira bem resumida, e onde podemos visualizar o alinhamento do desempenho humano na gestão estratégia da empresa. O processo de planejamento estratégico compreende grandes etapas que são desenvolvidas basicamente no diagrama: A Visão é a descrição da situação desejada para a organização em um determinado ano horizonte. Exemplo: A visão da empresa Eternit é: “ser uma empresa diversificada e rentável no fornecimento de matérias -primas, produtos e soluções para construção civil. Manter sua liderançano setor de coberturas e ter participação relevante em outros segmentos, posicionada entre as cinco marcas mais 24Política de Avaliação de Desempenho reconhecidas do setor de materiais de construção.” A Missão é uma declaração de propósitos ampla e duradoura, que individualiza e distingue o negócio e a razão de ser da empresa em relação a outras do mesmo tipo. Exemplo: a missão da Eternit é: “desenvolver, fabricar e comercializar matérias -primas, produtos e soluções de excelência para construção civil, garantindo competitividade, rentabilidade e perenidade do negócio, com responsabilidade social e respeito ao meio ambiente.”. Os Valores são as condutas, posturas e atitudes das pessoas. O que a empresa valoriza. Os Valores da Eternit são: • agilidade; • compromisso com resultados; • ética; • excelência; • foco no cliente; • respeito ao meio ambiente; • transparência; • valorização do Colaborador. A definição de negócio de uma empresa tem como atribuição delimitar o âmbito de atuação da organização em escopo de serviços e clientes. Podemos citar como exemplos de definição de negócio, a empresa Harley- Davidson onde o seu negócio sobre ótica restrita é o de Motos e sobre a ótica ampliada é o de Estilo de Vida. A análise ambiental envolve o diagnóstico do ambiente interno e externo. O objetivo dessa atividade é construir uma visão integrada das evoluções prováveis do ambiente externo da organização, bem como antecipar oportunidades e ameaças para o seu bom desempenho e defesa. A Matriz de SWOT visa mapear e interpretar as interações entre Oportunidade e Ameaças versus Forças e fraquezas da empresa. Os Cenários são descrições sistêmicas de futuros qualitativamente distintos e dos caminhos que os conectam com sua situação de origem. Primeiramente, vamos distinguir o que são objetivos e metas com relação a prazos. Os objetivos são de longo prazo e metas são de curto prazo. Imagine uma escada com vinte degraus. Meta é cada degrau dessa escada e objetivo é a escada como um todo. Podemos, então, imaginar que meta é uma fração do objetivo. O objetivo e a meta devem ser específicos, mensuráveis, claros e basear-se em dados concretos. Assim, devemos detalhar cada objetivo em metas subsidiárias. Onde podemos encontrar na estrutura organizacional a atividade de avaliação de desempenho? Na estrutura organizacional abaixo, podemos encontrar onde se localiza o RH de uma empresa. A definição de negócio de uma empresa tem como Segundo Chiavenato (1999) existem seis processos básicos da Gestão de Pessoas: • processos de agregar pessoas; • processos de aplicar pessoas; • processos de recompensar pessoas; • processos de desenvolver pessoas; • processos de manter pessoas; • processos de monitorar pessoas. Podemos encontrar a atividade de avaliação de desempenho no Processo de Aplicar Pessoas, que significa: processos utilizados para modelar as atividades que os funcionários irão realizar na organização, acompanhar e orientar seu desempenho. As atividades encontradas nesse processo são de desenhos de cargos e avaliação de desempenho. Retomando a aula Relembrar o que foi estudado é importante para fi xar o conteúdo, por isso vamos de forma resumida apontar os principais tópicos estudados nas duas seções desta aula: 1 – Métodos de avaliação de desempenho O foco dessa seção foi os métodos de avaliação humana. Foram destacados vários métodos, como o método da escala gráfica, apontando aqui vantagens e desvantagens; método da escolha forçada; método de autoavaliação; método da avaliação por resultados; e o método misto. 2 - Técnicas para avaliar o desempenho humano Nessa seção, discutimos a questão das técnicas de avaliação de desempenho mais utilizadas, focando principalmente nas seguintes: avaliação pelo superior hierárquico, avaliação a 360º, avaliação com escalas gráficas de classificação, avaliação de escolha e distribuição forçada, avaliação através de pesquisa de campo, avaliação com incidentes críticos, avaliação com comparação de pares, autoavaliação, avaliação com relatório de performance, avaliação por resultados, avaliação por objetivos, avaliação com padrões de desempenho, avaliação com frases descritivas. Também foi tema dessa seção, a responsabilidade da avaliação de desempenho, destacando o papel do supervisor direto, do empregado e da comissão de avaliação de desempenho, 3 - Métodos tradicionais Na seção 3, identificamos os problemas enfrentados pela avaliação de desempenho. Também vimos a importância da atuação gerencial integrada para alinhar o desempenho humano na gestão estratégia da empresa. 25 ARAUJO, Luis César G. Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2006. FRANÇA, Ana Cristina Limongi. Práticas de Recursos Humanos – PRH: conceitos, ferramentas e procedimentos. São Paulo: Atlas, 2007. SOUZA, Vera Lúcia de. Gestão do desempenho: julgamento ou diálogo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002. STOFFEL, Inácio. Administração do desempenho: metodologia gerencial de excelência. Florianópolis: Perspectiva, 1997. Vale a pena Vale a pena ler Minhas anotações 4ºAula Métodos de avaliação de desempenho Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • entender os métodos de avaliação de desempenho tanto na teoria como na prática; • identificar os métodos de avaliação de desempenho e aplicá-los; • decidir qual método de avaliação de desempenho é o mais eficaz. Caros(as) alunos(as), nesta aula 4, estaremos estudando os métodos de Avaliação de Desempenho. A partir do estudo e de reflexões sobre o conteúdo, vocês estarão compreendendo conceitos e identificando casos práticos. Bons estudos! 36Política de Avaliação de Desempenho Seções de estudo 1 - Métodos de avaliação de desempenho 1 - Métodos de Avaliação de Desempenho Fonte: . Acesso em: 05 maio 2012, às 8h30. Quais os métodos ou as maneiras de avaliar, isto é, como avaliar e com que avaliar? Você deve estar se perguntando quais os métodos ou as maneiras de avaliar? E está agindo corretamente, pois a avaliação de desempenho não pode ser subjetiva, requer metodologia e sistematização para alcançar com eficácia os resultados esperados no processo. Segundo França (2007, p. 120). Cada sistema de avaliação tem as suas peculiaridades com pontos fortes e fracos. É preciso que se pense que cada sistema adapta- se melhor a um objetivo em particular. Cada método tem a sua qualidade e limitação e nenhum deles é capaz de alcançar por si só, todos os objetivos que levaram a organização a instituir os programas de avaliação de desempenho. O que se pode fazer é combinar cada sistema a um único objetivo na avaliação de desempenho. Para Lucena (1992, p. 88), “os instrumentos incluem não somente exemplos de formulários de avaliação como também outros instrumentos que compõem o sistema, como o documento normativo, que define a filosofia, os conceitos básicos, as normas e os procedimentos operacionais; os critérios para formulação de metas e definição de padrões de desempenho; os critérios para análise de capacitação profissional; e demais informações que possam contribuir para subsídios para o desenvolvimento do processo de AD”. Conforme Carvalho (1993), o método de avaliação de desempenho pode ser caracterizado como procedimentos utilizados pelo avaliador para obter os resultados ou dados esperados. Carvalho (1993, p. 54) ressalta que “[...] avaliação de desempenho, para ser eficaz deve se basear inteiramente nos resultados da atividade do avaliado, e nunca apenas em suas características de personalidade”. Para Carvalho (1993), toda organização deve adotar seupróprio pacote de métodos de avaliação de desempenho, levando em conta suas particularidades, política de RH e atividades exercidas pela força de trabalho. Lucena (1992) diz que uma recomendação relevante a fazer refere-se ao momento em que são criados os instrumentos de avaliação. Geralmente, a área de Recursos Humanos antecipa-se nesta fase, iniciando seu trabalho com o desenvolvimento do formulário de avaliação, sem ter definido o modelo conceitual, os objetivos, o documento normativo e, muito menos a análise do ambiente organizacional. Acredita-se que você já esteja consciente da importância do estabelecimento e da escolha do método de avaliação de desempenho. Pois então, observe a lista abaixo. Não se pretende, nesta aula, fazer um detalhamento de cada método, mas apresentá-lo na visão dos diversos autores, que em sua maioria trabalham em suas obras esses métodos. Dentre os existentes destacam-se: relatórios verbais, relatórios escritos, escalas gráficas, método da escolha forçada, pesquisa de campo, método do incidente crítico, entre outros. Esses métodos aqui apresentados são considerados, em sua maioria, métodos tradicionais. Classificam-se em quantitativos ou qualitativos. Os métodos quantitativos utilizam fatores quantitativos, isto é, numéricos. São considerados métodos seguros. Os métodos qualitativos são subjetivos, dependem mais de comparações e opiniões. Todos os métodos têm as suas vantagens e desvantagens. Cabe ao avaliador, juntamente com a Administração de recursos humanos, identificar o melhor método para a organização. Ao escolher um método para avaliar as pessoas na organização deve-se levar em conta também o tempo, os objetivos da avaliação e os resultados que se pretende alcançar. Vamos detalhar alguns métodos: Relatórios Verbais: considerado um método simples, de fácil aplicação, consiste no relato que o avaliador faz verbalmente sobre determinado avaliado, considerando determinado período de tempo. É um método limitado por não adotar critérios padronizados e estabelecidos. O relato depende da subjetividade de cada avaliador. Na atualidade, esse método é muito utilizado pelos gerentes que preferem evitar papeladas e emitir uma opinião mais pessoal e com liberdade de expressão. Considera-se um método qualitativo e muito utilizado na visão de Carvalho (1992). Esse método avalia o desempenho. Esse método apresenta como limitações, o favorecimento ao subjetivismo, ser incompleto, pois o avaliador pode esquecer detalhes importantes, estar preso a circunstâncias, esquecimento e falhas de memória, não há registro dos relatórios e das opiniões e não permite tabulação dos dados. Relatórios Escritos: trata-se de um método com algumas características do método verbal, porém, os relatos são emitidos pelos avaliados, mas são escritos. Tem como pontos fortes a liberdade de expressão do avaliador mediante o relatório e a rapidez em sua emissão. Apresenta algumas limitações, tais 37 como: a subjetividade, não permite tabulação dos dados e não é um método padronizado. O relato de desempenho do funcionário pode sofrer interferência emocional. Escalas Gráficas: segundo Carvalho (1992) e Chiavenato (1997), esse método é também denominado de sistemas gráficos, pois consiste em escalas contínuas e descontínuas. Trata-se de uma sequência de fatores de desempenho que o avaliador (supervisor ou gerente) pretende medir ou avaliar. Segundo França (2007), o método da escala gráfica “é o modelo mais usado nas empresas. Constitui-se em um sistema baseado em um gráfico de dupla entrada, apresentando nas linhas os fatores de avaliação e desempenho e nas colunas os graus desses fatores”. Fatores de Avaliação Fraco Sofrível Regular Bom Quantidade de trabalho executado pelo funcionário Pouca ( ) Alguma ( ) Média ( ) Grande ( ) Qualidade do tra- balho executado Péssima ( ) Sofrível ( ) Regular ( ) Boa ( ) Assiduidade do funcionário Nenhuma ( ) Pouca ( ) Regular ( ) Bastante ( ) Veja bem, você tem um formulário acima com alguns fatores e graus de avaliação. No lado esquerdo do formulário, você estabelece os fatores que deseja avaliar e no lado direito estabelece os graus. Cada organização, geralmente com a ajuda da Administração de recursos Humanos, estabelece os fatores que se deseja avaliar. O importante é saber estabelecer os métodos para algumas categorias de cargos, mesmo avaliando as pessoas. Por exemplo, ao avaliar funcionários em cargos operacionais, os fatores serão diferentes da avaliação de funcionários em níveis gerenciais. Pois nos cargos operacionais, os funcionários são avaliados na quantidade, na qualidade, no tempo e na assiduidade. Já os ocupantes de cargos administrativos e gerenciais devem e podem ser avaliados, na qualidade do atendimento, nas relações interpessoais, na criatividade, na iniciativa, na liderança e assim por diante. Pare um pouco e relembre o que foi dito lá atrás. A AD pode avaliar, comportamento, desempenho, competências, habilidades e resultados. Sendo assim, caro aluno, os fatores variarão em conformidade com o que se deseja avaliar. O método de escala gráfica se divide em dois tipos: contínua e descontínua. Escala gráfica contínua: o avaliador assinala uma escala comparativa entre dois extremos, máximo e mínimo. Qualidade do trabalho de arquivo de documentos !_____________________________________________! Bem abaixo Muito acima dos padrões dos padrões estabelecidos Escala gráfica descontínua: o avaliador utiliza um gráfico analítico descontínuo, em que estão presentes as gruas (escalas) de avaliação para cada fator. Não é um método numérico, mas qualitativo. Quantidade do trabalho de arquivo de documentos 1 2 3 4 5 ______________________________________________________________________________ Abaixo Próximo Dentro Pouco acima Bem acima dos padrões dos padrões dos padrões dos padrões dos padrões Caso você deseje compreender melhor esses métodos, consulte a obra de Chiavenato, Idalberto, “Gestão de pessoas ou Recursos Humanos”, ou a obra de Carvalho, Antonio Vieira, “Administração de Recursos Humanos”, ou outras obras que tratam do assunto. O método da escala gráfica contínua ou descontínua apresenta como limitações: o Efeito Halo, uma expressão utilizada para explicar que quando se avalia as reações alheias, tem-se a tendência de atribuir ao avaliado, ou seja, de avaliar o funcionário em um grau superior ou um grau inferior. Geralmente o avaliador atribui ao funcionário o conceito muito fraco ou muito bom, com relação a todos os fatores. Esse é um risco que o avaliado corre ao ser avaliado como muito bom ou fraco em todos os fatores. É preciso muito treinamento e isenção no processo. O termo foi criado pelo psicólogo Edward Lee Thorndike (1874-1949). Você pode se perguntar, e o que isso tem de ruim? Tem muita coisa, pois ninguém é tão bom em tudo que não precise melhorar. E ninguém é tão ruim em tudo que não apresente pontos positivos em alguns aspectos. Lembre-se, é preciso ética, equidade e habilidade interpessoal no processo da avaliação. A tendência central é a atitude do avaliador de avaliar o empregado apenas pela média, isto é, avalia-se pelo meio termo. Essa atitude é manifestada quando o avaliador não deseja prejudicar o avaliado. Essa atitude também não é recomendável, pois poderá prejudicar um empregado com ótimo desempenho ou favorecer um empregado com um desempenho pífio. Destaca-se também como limitações da Escala Gráfica, a ausência de flexibilidade como instrumento de avaliação. E a avaliação pode se tornar extremamente rotineira e limitada, prejudicando resultadosfinais de análise. Dentre as vantagens do método da Escala Gráfica, destacam-se: a facilidade de elaboração, pois permite ao avaliador uma compreensão imediata do método, assim que recebe o formulário em suas mãos; é um método rápido, pois consiste em assinalar os aspectos; permite uma visão dos vários fatores de avaliação em um mesmo formulário. Método da Escolha forçada: este, segundo Chiavenato (1997), é um método desenvolvido por uma equipe de americanos, durante a Segundo Guerra Mundial, para a escolha de oficiais das Forças Armadas Americanas que deveriam ser promovidos. O método foi criado para evitar 38Política de Avaliação de Desempenho o efeito halo e a tendência central do método da Escala Gráfica, visando a obter um sistema que neutralizasse esses efeitos, o subjetivismo e o protecionismo. É um método praticamente qualitativo. Consiste em avaliar o desempenho dos avaliados por intermédio de frases descritivas de alternativas de tipos de desempenho individual. Em cada bloco ou conjunto composto de duas, quatro ou mais frases, o avaliador deve escolher forçosamente apenas uma ou duas que mais se aplica ao desempenho do empregado avaliado, daí a denominação de escolha forçada (CHIAVENATO, 1997). Em resumo, apresentam-se ao avaliador algumas graduações nos formulários, forçando-o a optar por uma graduação. Apresenta como vantagem a de ser um método de AD bem superior aos demais processos; não há o perigo de ocorrer o efeito halo; apresenta maior facilidade de adaptação às necessidades específicas da organização; permite maior identificação das diferenças individuais no desempenho das funções e do trabalho. Como desvantagens ou limitações destacam-se a elaboração demorada e muita pesquisa. É um método essencialmente discriminatório, classificando os avaliados em bons, ruins, fracos ou excelentes; deixa o avaliador sem noção do resultado da avaliação que fixa a respeito de seus subordinados. Avaliação de desempenho Avaliado: Joaquim da Silva São José Registro: 0230 Cargo: Assistente Vendas Categoria: administrativo Setor: Vendas Gerência: Administrativa e Financeira Abaixo você encontra frases que correspondem ao desempenho combinadas em blocos. Marque um X na coluna ao lado, sob o sinal de “+”, para indicar a frase que melhor defi ne o desempe- nho do empregado e também com o sinal de “-” para a frase que menos defi ne o desempenho. Não deixe de preencher nenhum bloco. N° + - N° + - Faz apenas o que mandam 01 Tem medo de pedir ajuda 04 C o m p o r t a m e n t o irrepreensível 02 Mantém seu arquivo em ordem 05 Aceita críticas construtivas 03 Já apresentou queda de produção 06 N° + - N° + - Cortês com terceiros 07 I n t e r r o m p e constantemente o trabalho 11 Hesita ao tomar decisões 08 Nunca é infl uenciado 12 Merece toda confi ança 09 Tem bom potencial a ser desenvolvido 13 Tem pouca iniciativa 10 Nunca se torna desagradável 14 O exemplo acima apresenta apenas dois blocos, porém, pode- se acrescentar quantos blocos forem necessários, dependendo dos objetivos da avaliação e dos fatores que se pretende avaliar. Método de pesquisa de campo: criado por Guy W. Wadsworth, consiste na avaliação com base em entrevista de um especialista em avaliação com o superior do avaliado, mediante o qual se avalia o desempenho do empregado, identificando-se as causas, as origens e os motivos de tal desempenho, por meio de análise de fatos e situações. É um método de avaliação mais amplo que permite, além de um diagnóstico do desempenho do empregado, a possibilidade de planejar com o superior do avaliado seu desenvolvimento no cargo. Conforme dito, esse método é empregado em conjunto com o superior do avaliado e por uma assessoria, que pode ser externa ou interna (analista de RH ou Gerente de RH). Dentre as vantagens apresentadas por esse método, destacam-se, segundo Chiavenato (1997, p. 343): 1 – permite ao supervisor uma visualização do conteúdo dos cargos sob sua responsabilidade, e das habilidades, capacidades e conhecimentos exigidos; 2 – proporciona um relacionamento proveitoso com o especialista (assessor) em avaliação, que presta ao supervisor assessoria e treinamento de alto nível na avaliação de pessoal; 3 – permite um planejamento de ação capaz de remover os obstáculos e agilizar o processo e a comunicação; 4 – proporcionar melhorias no desempenho do avaliado; 5 – acentua a responsabilidade de linha e a função de staff na avaliação de pessoal; 6 – é um método mais completo de avaliação; 7 – permite uma avaliação imparcial e objetiva de cada funcionário, localizando a causa do comportamento e fontes de problemas. Como desvantagens, esse método apresenta as seguintes restrições: 1 – custo operacional elevado, pela atuação de um especialista; 2 – morosidade no processamento provocada pela entrevista um a um a respeito de cada funcionário subordinado a determinado supervisor. Menos satisfatório PERGUNTAS AO SUPERVISOR SOBRE O DESEMPENHO DO FUNCIONÁRIO Mais Satisfatório • Por que o desempenho foi insatisfatório? • Que responsabilidades da descrição de cargos deixou de executar? Por quê? • Foram atribuídas outras responsabilidades? • Por que o desempenho foi satisfatório? • Que motivos o senhor dá para justifi car esse desempenho? • O avaliado atendeu a todos os itens de sua descrição? Por quê? • Que tipo de ajuda o funcionário recebeu? • Quais foram os resultados? • Já recebeu treinamento? • Ele precisa de treinamento? • O senhor já experimentou o funcionário em outras atividades mais complexas? • Quais foram os resultados? • Já recebeu treinamento? • Ele precisa de treinamento? Demonstra potencial para se desenvolver? 39 “O método da pesquisa de Campo é um método de AD especialmente indicado no levantamento do potencial de gerência de equipes de trabalho. Permite um planejamento adequado, aplicado às características específicas da empresa em termos de carreira [...]. Desse modo, a pesquisa de campo pode ter uma enorme gama de aplicação, pois permite avaliar o desempenho e suas causas, planejar com a supervisão imediata os meios para o desenvolvimento e, principalmente, acompanhar o desempenho do empregado de uma forma mais dinâmica do que outros métodos de AD” (CARVALHO; NASCIMENTO (1998, p. 270) PLANEJAMENTO • Que outros aspectos o senhor gostaria de analisar em relação ao desempenho e potencial do funcionário? • Qual o plano de ação que o senhor recomenda para o funcionário? • O senhor está certo de que essa é a melhor recomendação? • Indique, em ordem prioritária, dois prováveis substitutos para esse funcionário. • Houve mudança de substitutos em relação à avaliação anterior? • Após essa análise do desempenho, que avaliação o senhor dará a esse funcionário? Fonte: CARVALHO, Antonio Vieira; NASCIMENTO, Luis Paulo. Recursos humanos. São Paulo: Pioneira, 1998. p. 263. O formulário acima está incompleto, porém, serve de base para que você tenha uma ideia de como se procede a entrevista para a avaliação, mediante o método da pesquisa de campo. Caso desejar, consulte as obras referenciadas nesta disciplina. Método do Incidente Crítico: esse método consiste em avaliar o comportamento do funcionário, registrando o histórico e o “comportamento crítico” do avaliado. Dessa forma, toda vez que o funcionário realiza um trabalho tido como realmente excepcional ou, ao contrário, executa um determinado serviço de forma acentuadamente negativa - a crítica, segundo o método, se aplica a ambas as situações – tal comportamento é registrado em ficha de AD do empregado (CARVALHO; NASCIMENTO, 1993). Ao contrário de outros métodos de avaliação de desempenho, o método de Incidente Crítico não exige qualquer programação antecipada por parte do avaliador. Segundo Carvalho e Nascimento (1998, p. 107) “da mesma maneiracomo ocorre com o método da pesquisa de campo, o processo dos incidentes críticos pode ser aplicado na análise de dados comportamentais do avaliado com vistas a um plano de carreira”. Para Carvalho e Nascimento (1993), o método de incidente crítico não é recomendado para se obter do avaliado informações unicamente objetivas. Esse método tem como vantagem a orientação e o aconselhamento ao funcionário face aos aspectos importantes e decisivos de seu desempenho, tais como: bom senso, compreensão, segurança, iniciativa, etc. Autoavaliação: é um método simples e que permite ao avaliado fazer uma análise sincera de seu desempenho, seus pontos fortes e seus pontos fracos. Pode ser usada sistematicamente. Por se tratar de uma avaliação feita pelo próprio avaliado, podem ocorrer viés e falta de sinceridade. França (2007) sugere que esse método seja utilizado com outros métodos. Avaliação por resultados: segundo França (2007), esse método baseia-se numa comparação periódica entre os resultados fixados para cada funcionário e os resultados efetivamente alcançados. As conclusões a respeito dos resultados permitem a identificação dos pontos fortes e fracos do funcionário, bem como as providências necessárias para o próximo período. A avaliação por resultados, como o próprio nome diz, avalia os resultados planejados e almejados pela organização com relação ao empregado. Outros métodos são desenvolvidos, tais como: avaliação por competências, avaliação por objetivos, avaliação de habilidades, entre outros. Conforme já enfatizado nesta aula, a AD mediante esses métodos pode avaliar: desempenho, resultados, competências, comportamentos, habilidades, clima organizacional, entre outros. Avaliação por Objetivos: esse método está profundamente relacionado ao modelo de administração por objetivos. É um método no qual o superior (o chefe) e o subordinado (o operário) identificam, juntos, os objetivos a serem atingidos pelo funcionário em um determinado período de tempo. Esse método permite um acompanhamento periódico dos resultados alcançados e os anteriormente fixados e a identificação das providências necessárias para o próximo período. CASO PRÁTICO Ticket – empresa do grupo francês Edenred que administra cartões de benefícios como os de refeição e alimentação. Do estagiário ao presidente, os 632 funcionários da Ticket Brasil têm suas metas anuais estabelecidas – “contrato de gestão” – em conjunto com o superior imediato. A ferramenta, aliada à avaliação de desempenho, tem peso na definição da participação nos lucros e resultados, que em 2010 correspondeu, em média, a mais de 2,8 salários por trabalhador. A receita líquida da operação brasileira subiu 15%, para R$530 milhões, e o lucro foi de R$ 19 1,9 milhões. Na opinião de 80% dos colaboradores, o processo de avaliação ajuda a melhorar os resultados do trabalho. AVALIAÇÃO 360 GRAUS Na avaliação 360º, conhecida também como Feedback 360 Graus, Feedback com Múltiplas Fontes, e Avaliação Multivisão, o colaborador recebe feedbacks simultâneos de diversas fontes ao seu redor (daí o nome 360º). Ele pode ser avaliado por seus pares de trabalho, superiores, subordinados, clientes internos e externos. Neste tipo de avaliação é considerada também a avaliação que o próprio funcionário faz de si mesmo. Nesse método – conhecido também como Feedback 360 40Política de Avaliação de Desempenho Graus, Feedback com Múltiplas Fontes e Avaliação Multivisão – o colaborador recebe feedbacks simultâneos de diversas fontes ao seu redor (daí o nome 360º). Ele pode ser avaliado por seus pares de trabalho, superiores, subordinados, clientes internos e externos. Neste tipo de avaliação é considerada também a que o próprio funcionário faz de si mesmo. Essa avaliação é feita por meio de um questionário específico, que visa descrever os comportamentos e competências considerados essenciais pela organização, a fim de facilitar o alcance de seus objetivos estratégicos. Esse método de avaliação de desempenho é o mais adequado para situar o colaborador com relação às competências desejadas pela empresa. Objetivos • Estabelecer, de maneira clara, o que é esperado de cada colaborador, com base na descrição e na análise do cargo que o profissional ocupa. • Dotar o colaborador de um esquema de acompanhamento e aconselhamento, onde ele terá a oportunidade de conhecer seus pontos fortes e fracos, reforçando seu bom desempenho e procurando corrigir suas deficiências. • Elaborar planos de ação para os colaboradores que apresentam desempenho insatisfatório. • Estabelecer metas e novas conquistas com base nos objetivos organizacionais. Pré-requisitos • Definição de todas as competências necessárias para os diversos cargos existentes na estrutura organizacional. • Elaboração mais clara da análise e da prática na descrição de competências. • Base de dados informatizada que viabilize o processo e garanta o sigilo das informações. Benefícios • Aperfeiçoa a produtividade. • Orienta o desempenho. • Diagnostica os pontos de melhoria no desempenho dos avaliados. • Proporciona o desenvolvimento pessoal e profissional Dificuldades • Mudança de cultura, porque a avaliação passou de um processo unilateral para outro, onde é necessário avaliar e ser avaliado por outras pessoas. • Em algumas empresas, esse tipo de avaliação já é realizado pela Intranet. Nesse caso, é preciso que os colaboradores que não são acostumados a lidar com computadores sejam previamente treinados e tenham um terminal à disposição. • Mostrar a todos os colaboradores os ganhos com o novo processo de avaliação, sensibilizando e estimulando a participação do processo. Para tanto, o líder deverá atuar como agente facilitador do processo. • Os funcionários de nível hierárquico inferior encontram maior dificuldade em avaliar seu superior, seja por ausência de esclarecimento sobre o propósito da avaliação ou pela falta de uma visão holística da organização. Avaliação 360º: prós • Sistema mais compreensivo / avaliações provêm de múltiplas perspectivas. • A qualidade da informação é melhor. • A qualidade dos avaliadores é mais importante que a quantidade. • Complementa as iniciativas da qualidade total e enfatiza os clientes interno-externos e a equipe. • O feedback proporcionado por colegas e outros pode aumentar o autodesenvolvimento do avaliado. Avaliação 360º: contras • O sistema é complexo demais. • Intimidação do avaliado. • Diferentes pontos de vista: conflito. • Requer muito treinamento e uma cultura permeável. • As pessoas podem fazer avaliações inválidas umas com as outras. A avaliação 360º é um método de avaliação de desempenho que se baseia na ampla participação de todos os integrantes da equipe, as informações sobre o desempenho do avaliado são coletadas de todas as pessoas ao redor do funcionário. É também chamada de “feedback 360”. Segundo Chiavenato (1999), a avaliação de desempenho é feita de modo circular por todos os elementos que mantêm alguma interação com o avaliado. CASO PRÁTICO A Cielo, antiga VISANET, com receita líquida de R$4,2 bilhões, e lucro de R$1,8 bilhões em 2011 . Todos os 1600 funcionários têm seus objetivos definidos no começo do ano e são elegíveis aos bônus. No final do ano, um por um é avaliado pelo seu superior imediato. Da nota que define o tamanho do bônus individual, 70% representa seu desempenho e 30% a maturidade que o profissional demonstra nas competências comportamentais. Isso garante que fins satisfatórios não tenham sidoalcançados por meios duvidosos. A gerência sênior e seus superiores também podem contar com um programa de ações da empresa. Depois dessa avaliação 360 graus, cerca de 60% dos funcionários passam por outro processo, o fórum de gestão de talentos, em que um comitê avalia o desempenho dessas pessoas no contexto da performance dos demais colaboradores. A avaliação influi no tamanho do bônus, aponta aqueles que vão fazer um curso de pós-graduação, 41 um MBA ou até receber promoção. Causas do mau desempenho Por que em certos casos os funcionários não cumprem as metas, as expectativas e os padrões de desempenho esperados? Nem sempre é por falha particular do próprio empregado. Podem haver outras razões que justifiquem, ou que pelo menos explique o mau desempenho. Algumas vezes há causas ponderáveis para que o desempenho esperado não seja alcançado. É preciso estar aberto para oferecer sempre ao avaliado a chance da justificativa e da explicação. Existem algumas questões importantes. Houve algum problema operacional na realização dos processos de trabalho exigidos do empregado? O desempenho desejado era ilusório? Houve falha na cadeia de desempenho dos trabalhos por parte dos demais colegas, resultando na perda de eficiência, produtividade ou qualidade do resultado obtido? A busca constante e sistemática do feedback do avaliado o mantém ligado no que faz, ativamente comprometido com o processo de avaliação de desempenho, o que estimula o seu espírito de participação e cooperação, elementos essenciais para a melhoria do resultado no trabalho. Recuperar o nível de esforço, dedicação e compromisso no trabalho de quem já foi um excelente profissional é um dos mais delicados desafios gerenciais. Cedo ou tarde, o avaliador defronta-se com um avaliado que já há algum tempo não desempenha bem seu trabalho, vai na onda da aceitabilidade, executa apenas o necessário para continuar integrando a folha de pagamentos. Muitas vezes, pode ter sido até um empregado com um desempenho excelente, mas que, por diferentes motivos, perdeu o interesse no que faz. Esses funcionários não são apenas um peso morto inserido na força de trabalho, mas também significam um desperdício inútil de recursos. Com o potencial, a competência e a experiência de que dispõem, são pessoas que deveriam estar oferecendo importantes reforços à organização a qual fazem parte, mas tornam-se verdadeiros sanguessugas de seus colegas, dissipadores da energia e dos recursos organizacionais. Muitas são as origens de tais desvios no desempenho funcional. Por certo, você pode considerar que aquilo que eles agora fazem não mais lhes adiciona significado e desafio, não enseja autonomia, perspectivas de crescimento e progresso, nem sentimento de autorrealização no trabalho. Pode ser também, que o empregado esteja apenas em busca de um pouco mais de atenção de seu supervisor, que ignora por completo os que realizam um bom trabalho. Talvez o empregado não apresente mais o desempenho de antigamente, porque não vê perspectivas à sua frente, não há possibilidades de promoções ou aumentos por mérito, ressentindo-se da falta de incentivos materiais concretos ou simbólicos, psicológicos, que motivem o seu comportamento. E até pode ser que a perda do interesse no trabalho decorra da falta de sentido e de responsabilidade do próprio trabalho, que não possibilita a quem o executa satisfação e orgulho. Podemos melhorar o desempenho dos funcionários que inadvertidamente perderam o interesse no que fazem, considere as ações que se seguem, mas sem deixar de utilizar as consideradas eficazes. O funcionário que não quer ser promovido É preciso que reconheçamos que o mundo percebido não é necessariamente o mesmo mundo real. A nossa percepção depende do que ouvimos, não do que se diz, efetivamente. Sentirmos frio ou calor depende de nós, e não do termômetro. A mesma função, numa relação de emprego, pode parecer magnífica a alguns e péssima a outros. Os avaliadores têm como certo que, em geral, os avaliados desejam ser promovidos. No entanto, mais de um avaliado entrou em pânico e desapontamento, porque se sentiu compelido ao aceitar uma promoção que, ninguém talvez, nem ele mesmo havia se dado conta de que não queria. Muitas vezes, a apreciação das percepções de outrem é equivocada por ser incompleta. O avaliador pode julgar corretamente que os avaliados querem mais dinheiro, porém dificilmente compreendem que ganhar mais só é adequado em conformidade com maior iniciativa, autonomia e desafio no trabalho. Outras vezes, o problema surge por falta de sensibilidade a respeito dos outros, pela falta de adequação no tratamento do dia a dia, que acarreta melindres, decepções, frustrações ou preconceitos. As mais bem-sucedidas organizações diferenciam o pagamento, as oportunidades e os investimentos que fazem nos seus quadros profissionais, recompensando os de melhor desempenho e desenvolvendo os de desempenho satisfatório. No entanto, essas diferenças não podem ser igualmente tratadas como se todos os que fazem um bom trabalho devam por isso ser promovidos. É preciso respeitar as diferenças individuais e tratá-los de forma desigual, pois nada mais desigual do que igualar os desiguais. Há pessoas que querem continuar responsáveis pelo que já fazem bem, não se encantando por novas tarefas, desafios e responsabilidades. Devem ser compreendidas e respeitadas por sua decisão. E mais bem aproveitadas naquilo que realmente gostam de fazer. Feedback Geralmente, o mais simples e poderoso remédio para recuperar o desempenho, consiste em fazer o empregado compreender o quanto você e a organização o estimam, respeitam e apreciam o bom trabalho que ele sempre realizou. As vezes, uma mera massagem no ego, desde que sincera e genuína, pode ser tão importante quanto um aumento de salário ou uma promoção. Dê um pouco mais de atenção aos que reduzem a qualidade ou a quantidade do que fazem. Faça- os saber da importância que têm para a organização. Esteja especialmente atento para reconhecer e elogiar um trabalho bem-feito. Muitas vezes esses problemas de desempenho originam-se depois de o empregado não ter sido sequer notado pela execução de algo especial. Perspectivas de progresso O empregado pode ter estagnado no exercício de suas funções, tornando-se obsoleto. Estimule-o a se reciclar, a aprender e a incorporar novas competências, a examinar e a identificar novas formas e métodos de fazer melhor o que já faz bem, a enriquecer e ampliar os seus horizontes e a visão do que realiza no cotidiano. Rodízio funcional Mesmo que uma completa mudança de atribuições 42Política de Avaliação de Desempenho e posições nos processos de trabalho de sua equipe não seja factível, geralmente você conseguirá transferir temporariamente alguns funcionários para novas áreas. Quando retornarem às funções anteriores, não só estarão mais arejados pela aquisição de novas vivências, como poderão agregar eventualmente o que vivenciaram no desempenho de antigas atribuições. Autodireção e autocontrole Teoricamente, um bom empregado necessita cada vez menos de orientação e supervisão à medida que amplia a sua maturidade no que faz. Supervisioná-lo por meio de um controle direto certamente esgota a sua iniciativa, autonomia e criatividade. Uma maneira adequada de reacender o seu entusiasmo é deixá-lo constantemente à vontade para fixar os seus próprios objetivos, programar o seu trabalho e acompanhar o seu desempenho. A autodireção e o autocontrole proporcionam inúmeras vantagens, dentre elas, a de despertar o interesse do empregado no trabalho e a de estimulá-lo a buscar melhores formas e processos de desincumbir-se de suas atribuições, além de reduzir o volume de trabalho direto da supervisão. Minhas anotações Retomando a aula Caros(as) alunos(as), retomando os conteúdos estudados vimos que eles podem ser classifi cadosem relatórios verbais, relatórios escritos, escalas gráfi cas, método da escolha forçada, pesquisa de campo, método do incidente crítico, entre outros. Esses métodos são considerados como métodos tradicionais, e classifi cam-se em quantitativos ou qualitativos. Todos os métodos apresentam vantagens e desvantagens, cabendo ao avaliador em parceria com o gestor de recursos humanos identifi car o melhor método para a organização. 1 – Métodos de avaliação de desempenho Nessa seção, estudamos oito métodos de avaliação de desempenho, são eles: relatórios verbais, destacado como o método mais simples, de fácil aplicação, consiste no relato que o avaliador faz verbalmente; relatórios escritos, segue os mesmos parâmetros do relatório verbal só que são emitidos por escrito pelos avaliados; escala gráfica descontínua: o avaliador utiliza um gráfico analítico descontínuo, em que estão presentes as gruas (escalas) de avaliação para cada fator; método da escolha forçada: esse método consiste em avaliar o desempenho dos avaliados por intermédio de frases descritivas de alternativas de tipos de desempenho individual. Em cada bloco ou conjunto composto de duas, quatro ou mais frases, o avaliador deve escolher forçosamente apenas uma ou duas que mais se aplica ao desempenho do empregado avaliado; método de pesquisa de campo, avalia o desempenho do empregado, identificando-se as causas, as origens e os motivos de tal desempenho, por meio de análise de fatos e situações. É um método de avaliação mais amplo que permite, além de um diagnóstico do desempenho do empregado, a possibilidade de planejar com o superior do avaliado seu desenvolvimento no cargo; método do incidente crítico, ao contrário de outros métodos de avaliação de desempenho, esse não exige qualquer programação antecipada por parte do avaliador, o processo dos incidentes críticos pode ser aplicado na análise de dados comportamentais do avaliado com vistas a um plano de carreira; autoavaliação, é o método em que permite ao avaliado fazer uma análise sincera de seu desempenho, seus pontos fortes e seus pontos fracos; 360 graus, nesse método que também é conhecido como Feedback 360 Graus, Feedback com Múltiplas Fontes, e Avaliação Multivisão, o colaborador recebe feedbacks simultâneos de diversas fontes ao seu redor (daí o nome 360º). Ainda, vocês estudaram nessa seção os casos práticos. CARVALHO, A. V.; NASCIMENTO, L. P. Administração de Recursos Humanos. São Paulo: Pioneira, 1998. CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos: edição compacta. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 1997. ______.Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. LUCENA, Maria Diva da Salete. Avaliação de Desempenho. São Paulo: Atlas, 1992. PONTES, B. R. Avaliação de Desempenho: nova abordagem. 7. ed. São Paulo: Atlas, 1999. Vale a pena Vale a pena ler 5ºAula O medo do avaliado Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • identificar causas e efeitos do medo de avaliação de desempenho; • entender os benefícios da avalição de desempenho para o funcionário, para a chefia e para a empresa; • desenvolver uma visão geral sobre feedback na avaliação de desempenho; • compreender que a avaliação pode ser um processo agradável dentro da empresa. Caros(as) alunos(as), esta aula é de grande importância para formar uma reflexão crítica, pois trata de um tema subjetivo, o medo da avaliação. Combater o medo é um desafio pessoal que cada indivíduo deve enfrentar. Nesta aula, abordaremos algumas dicas que facilitarão o enfrentamento do medo da avaliação, por isso estude, reflita e pesquise, para que todas as vezes que tiver que aplicar ou passar por um processo avaliativo estejam preparados. Bons estudos! 44Política de Avaliação de Desempenho 1 - O medo do avaliado 2 - Avaliação de desempenho 3 - A importância do feedback na avaliação de desempenho Seções de estudo 1 - O medo do avaliado O medo passa a ser uma pedra no caminho do empregado, interfere com a sua capacidade de crescer, de ganhar autonomia, de assumir maiores responsabilidades e de realizar-se plenamente em sua profissão. É responsabilidade do avaliador ajudar o avaliado a alcançar o desempenho extraordinário, propiciar-lhe condições e oportunidades adequadas de desenvolvimento individual e profissional. Se você consegue ajudá-lo a superar temores e vencer limitações, o avaliado provavelmente atingirá níveis bem mais satisfatórios de desempenho. Reconheça as suas realizações e méritos. As vezes, uma simples palavra de apoio, um mimo, um tapinha nas costas significam muito para o subordinado, fazendo-o sentir-se especialmente reconhecido, prestigiado e capaz. O elogio adequado é sempre um incentivo a ser tentado. O avaliado deseja ser reconhecido, fazendo-se merecedor de receber o seu elogio outras tantas vezes. Discuta com o subordinado a falta de confiança que tenha em si mesmo e as razões subjacentes que justificam os seus temores. Por mais estranho que lhe possa parecer, admita que o avaliado tenha medo de assumir novas responsabilidades além das que já tem, time fracassar e perder prestígio, ou até mesmo o próprio emprego. Ele pode estar sentindo-se desconfortável por parecer inseguro e irracional, mas talvez tenha consciência de que faça um bom trabalho e, portanto, não veja vantagens em colocar a sua posição em risco. Tente quebrar as bases de apoio de atitudes negativas ou derrotistas sempre que conseguir identificá-las. Os que temem fracassar não duvidam em dissimular a própria ansiedade e em esconder que pensam ser falta de habilidade. Dedique especial atenção às justificativas e aos álibis que apresentam na ilusão de encobrir os seus verdadeiros sentimentos. Muitos se escondem atrás de barreiras e defesas ou mecanismos psicológicos de justificação, fingindo para si próprios e para os demais que não estão interessados em assumir novas responsabilidades. Preferem permanecer parados pelos seus temores e constrangimentos, fazendo tudo o que lhes estiver ao alcance para manter uma confortável situação. Garanta todo o apoio possível ao avaliado inseguro. Ao atribuir-lhe novas atividades, dê-lhe um suporte especial nas primeiras semanas, fase em que se sentirá mais vulnerável. Outras vezes, ao começar com novas atividades ele é capaz por algum tempo de obter satisfação devido às responsabilidades intrínsecas ou pelo simples fato de ser o escolhido, até que se instale o pânico da incerteza produzida pelo novo. Você deve mostrar com exemplos concretos, valha-se dos resultados das avaliações de desempenho anteriores, demonstre com fatos e argumentos o quanto você pensa que ele é capaz de realizar o que lhe atribuiu, e foi exatamente por confiar em sua capacidade que você o escolheu. Recompense-o por todo esforço realizado e que seja significativo. Provavelmente, nem todos os avaliados conseguirão superar os seus medos de fracassar. Se perceber que ele se afunda sem conseguir safar-se, ajude-o sem pensar. Se as novas atribuições mostrarem-se superiores às suas capacidades, não vacile em voltar atrás e atribuir-lhe responsabilidades mais compatíveis com as suas qualificações. Não se esqueça, que os empregados que têm maus hábitos no trabalho vivem alarmados sobre o que de ruim pode acontecer-lhes a qualquer momento. Convivem com o receio permanente do inevitável, de algo terrível e final que está prestes a ocorrer. O medo e o sentimento de baixa autoestima são inter- relacionados. Pessoas que não se veem de forma positiva tendem a se tornar obcecadas pelo medo do fracasso. Não acreditam que existe algo a fazer para evitar a ocorrência de situações desagradáveis. Combater o medo e a baixa autoestima do avaliado praticamente se faz da mesma maneira, utilizando-se dos mesmos recursos e artifícios. Despersonalize os erros, focalize o que estiver errado e não martirize o culpado. Ressalte os êxitos obtidose busque sempre aprender com a experiência. Propicie sistematicamente treinamento para suprir deficiências e alavancar potencialidades. O futuro é certamente menos nebuloso e ameaçador quando nos preparamos para recepcioná-lo. Estabeleça metas, padrões e expectativas de desempenho mutuamente acordados. A incerteza de objetivos difusos sempre contribui para aumentar os medos e retirar as fantasias. A autoestima A baixa autoestima é uma das mais importantes causas dos maus comportamentos e dos hábitos impróprios no trabalho. Pessoas de baixa autoestima não se empenham para alcançar níveis excelentes de desempenho, porque não acreditam que sejam capazes de realizá-los. Conformam- se com os resultados obtidos, aceitam a inevitabilidade de desempenhos medíocres, fazem apenas o indispensável para continuar na folha de pagamentos. Para compensar as suas limitações e como forma de autoproteção procuram, sempre que podem, depreciar o trabalho dos colegas, falar mal deles pelas costas, no intuito de justificar os seus próprios desempenhos insatisfatórios. Pensam que agindo assim conseguem mostrar que não são piores do que ninguém, equiparando-se a qualquer um dos considerados bons pela organização. As vezes a baixa autoestima tem origem na mais rígida 45 fase da infância e da adolescência. Emergem como resultados dos mais diferentes processos de socialização a que foram expostos: família, escola, igreja, grupos de amigos etc. Pais e professores excessivamente críticos e severos, por exemplo, podem levar no futuro a comportamentos simultaneamente dependentes e antissociais por parte dos empregados. Uma vez plantada a semente, as pessoas tendem a ter dificuldades de superar o sentimento de desapreço e de baixa autoavaliação que incorporam como parte de sua própria natureza, como se fossem inerentes à sua identidade. Transformam a baixa autoestima numa verdadeira profecia que se autorrealiza, num dogma de destino sistematicamente alimentado por atitudes pessoais que reafirmam a inevitabilidade do que julgam ser a rígida condição humana no exercício do trabalho: a) Concentração nos fracassos mais do que nos sucessos. Valorizam as derrotas e veem nos sucessos apenas situações anormais que não tendem a se repetir. b) Autoacusação pelos fracassos. Assumem uma atitude de vítimas pelos maus resultados alcançados, vistos como inevitáveis; simples golpes de azar ou de má sorte. c) Sentimentos de impotência diante de acontecimentos sobre os quais não exercem controle. A culpa é sempre dos outros. As causas das próprias dificuldades jamais são em decorrência de suas atitudes, mas de fatores externos que não controlam. d) Discrepância com as maneiras de pensar e agir de seus colegas de trabalho. Destoam do senso comum sobre as políticas e diretrizes, normas e procedimentos da organização, sobre como o trabalho deve ser feito, configurando um sentimento de isolamento que induz à autopercepção, nem sempre adequada, de rejeição pelos demais membros da equipe, só porque são diferentes, extravagantes ou excêntricos. A autoafirmação, o reconhecimento e a autorrealização são condições psicológicas poderosas para a superação da baixa autoestima dos empregados. Normalmente estão relacionados às formas pelas quais o indivíduo é tratado e utilizado no contexto de realização de suas atividades. A motivação está ligada ao próprio trabalho, ao que o indivíduo faz que lhe proporcione sentido e significado, dando possibilidades de autonomia e progresso, iniciativa e criatividade, desafio e responsabilidades. As pessoas são motivadas não tanto pelo que os outros desejam que elas façam, mas pelos seus próprios desejos e aspirações, por aquilo que para elas tenha significado e valor. A motivação resulta mais da forma como a organização é administrada do que da má vontade inerente ao trabalho. Se você, como avaliador, deseja compreender as razões das atitudes e dos comportamentos dos empregados, deve olhar o ambiente organizacional em que atuam e aprender a ver como eles a veem, e não como você veria se estivesse no lugar deles. A modificação tentadora do ambiente de trabalho é uma das principais causas da redução das práticas, dos processos e dos procedimentos adotados pelas organizações. O profissional educado e sofisticado dos dias de hoje é muito distinto em suas exigências e necessidades do trabalhador manual das gerações passadas. Mas as organizações não têm sabido acompanhar essas transformações. Utilizam- se de tecnologias de ponta, mas se valem de conceitos e práticas de gestão do século passado. Consequentemente, estratégias de motivação que serviram no passado não mais atendem às características do profissional educado, globalizado e competitivo. É preciso que se destaque o caráter não estabelecido da motivação humana. O processo comportamental do ser humano no trabalho é complexo demais para ser tratado por mecanismos de caráter geral que dispensem a capacidade crítica e diagnóstica do avaliador visando a buscar soluções criativas e específicas para cada caso. O que os avanços da ciência do comportamento humano no trabalho oferece é apenas um referencial teórico para a análise e as indicações sobre causas gerais de problemas comuns. Compete ao avaliador identificar problemas específicos e implementar soluções adaptadas às necessidades concretas de cada situação. Delegue tarefas e atividades compatíveis com os pontos fracos e fortes dos avaliados, de forma, que sejam estimulados a realizar de acordo com as suas potencialidades. Ajude- os a estabelecer objetivos de autodesenvolvimento no qual constatem a melhora de suas competências. Se cometerem erros, não os personalize. Focalize o erro em si, sem buscar condenar os culpados. Esqueça dos erros passados que já tenham sido superados. Reprisar erros dificilmente aumenta a autoestima. Talvez apenas provoque ressentimentos. (SIQUEIRA, 2002 ) Finalmente, se necessário, estimule o subordinado a buscar formas adequadas de ajuda por meio de aconselhamento e consultoria. Os compromissos de desempenho Caro aluno, não ignore as diferenças de habilidades, energia, vocação e interesses entre os componentes de sua equipe. Precisamos entender que até os próprios filhos diferem tanto uns dos outros, apesar de receberem a mesma criação, muito mais diferem os nossos subordinados. Eles não são nossos filhos, mas nossos colegas de trabalho, colaboradores experientes com os quais passamos uma parcela substancial de tempo das nossas vidas. Nada mais desigual do que tratar igualmente os desiguais. É falsa a perspectiva de tentar no ambiente de trabalho em equipe, igualar os desiguais. É preciso respeitar as diferenças individuais, ajustando os compromissos de desempenho às características de cada um. Se você não fizer, alguns se sentirão sobrecarregados, enquanto outros ficarão aborrecidos por desempenhar tarefas que não lhes proporcionam iniciativa, desafio, autonomia ou criatividade. O desenvolvimento de uma equipe em busca da excelência não exclui, pelo contrário, pressupõe a preocupação do gerente com o desenvolvimento individual de seus componentes. Isto significa a fixação de compromissos de desempenho para cada um, de tal modo que assegure a todos autorrealização no trabalho por meio da plena satisfação por aquilo que fazem. 46Política de Avaliação de Desempenho O conhecimento científico sobre a motivação do ser humano no trabalho tem mais do que provado ser o próprio trabalho, o que de fato motiva o ser humano. A realização de tarefas sem sentido, destituídas de desafio, monótonas e repetitivas ou a atribuição de responsabilidades muito além daquelas que os indivíduos podem assumir, geram a perda de motivação e, obviamente, a deterioração da qualidade do desempenho. A avaliação de desempenho tem assim papel decisivo na fixação adequada do comportamento esperado às características individuais de cada um. E, assim entendida, a avaliaçãohumano (do empregado) no cargo, frente aos objetivos organizacionais. Porém, esses objetivos ou resultados esperados, devem ser combinados com a pessoa. Não se pode avaliar aquilo que não foi estabelecido, combinado ou orientado. Afinal, você vai avaliar com base em quê? Espero que até aqui você já tenha tirado as suas conclusões, ou seja, formulado o seu conceito de avaliação de desempenho e descoberto a sua importância. Exemplo de avaliação de desempenho: suponha que Joaquim da Silva São José foi contratado em uma empresa de revenda de aparelhos telefônicos. Após a sua contratação e a sua integração na empresa o seu supervisor convidou-o para uma reunião e lhe passou como desafios as metas de vendas para o período de experiência de 90 dias, o comportamento esperado diante de seus colegas de equipe e a qualidade e o padrão de atendimento ao cliente. O supervisor também explicou a Joaquim que a empresa tinha um sistema e políticas de avaliação de experiência e de desempenho sistemático que ocorre a cada 04 meses. Joaquim ficou sabendo que para continuar na empresa seria avaliado pelo supervisor e pela equipe à qual pertencia e que precisaria obter no mínio nota 4,0 para que o seu contrato fosse efetivado após o seu . Acesso em 26/05/2012 às 20:10h período de experiência na empresa. Essa informação não lhe agradou muito, pois sabia que já tinha mais de 10 anos de experiência como vendedor e no ramo de vendas de aparelhos telefônicos. Pensou e agradeceu ao supervisor as informações. Antes de sair da sala solicitou ao supervisor que lhe dissesse quais seriam os fatores de avaliação que determinariam a sua vida ou morte na empresa. Ficou sabendo que seriam os fatores de: iniciativa, qualidade da produção, quantidade produzida, satisfação do cliente, relacionamento interpessoal, assiduidade, espírito de equipe, apresentação e aparência no local de trabalho, capacidade de comunicação e senso de organização. Satisfeito com a informação prestada pelo supervisor, voltou para o seu posto de trabalho, começou de fato a sua vida profissional na empresa. Veja bem: a empresa tinha uma política clara e aberta de avaliação de desempenho. O funcionário foi avisado, esclarecido dos métodos, das práticas e dos fatores de avaliação, bem como ficou sabendo com antecedência das consequências dos resultados obtidos em sua avaliação. Considera-se essa atitude e política da empresa como uma política inovadora de recursos humanos. É claro que você percebeu o medo e a insegurança de Joaquim. Quando esse processo se dá de forma humana, respeitosa e ética, o avaliado não tem por que temer a AD. Histórico da avaliação de desempenho A avaliação de desempenho pode ser definida como a identificação e mensuração das ações que os colaboradores de uma organização realizaram durante determinado período. A avaliação de desempenho tem como objetivo diagnosticar e analisar o desempenho individual e grupal dos funcionários, promovendo o crescimento pessoal e profissional, bem como melhor desempenho. Além disso, fornece à Administração de recursos humanos informações para tomadas de decisões acerca de salários, bonificações, promoções, demissões, treinamento e planejamento de carreira, proporcionando o crescimento e o desenvolvimento da pessoa avaliada. Através da avaliação de desempenho é mais fácil fornecer feedback às pessoas da organização, baseado em informações sólidas e tangíveis, e auxiliá-las no caminho para o autodesenvolvimento. Outro benefício é a possibilidade de descoberta de talentos resultante da identificação das qualidades de cada pessoa da organização. Evolução As ofertas para obtenção de vantagem competitiva, apesar das diferenças de ordem semântica, parecem caminhar para uma mesma direção: gestão estratégica de recursos humanos (Kamoche, 1996; Taylor, Beechler & Napier, 1996); gestão de competências (Prahalad & Hamel, 1990; Heene & Sanchez, 1997); gestão de desempenho (Edwards & Ewen, 1996); acumulação do saber (Arrègle, 1995; Wright et al., 1995); e gestão do capital intelectual (Stewart, 1998). Percebe- se, nessas proposições, a ênfase dada às pessoas como recurso determinante do sucesso de uma organização. Precisamos buscar na Introdução a Administração, o Histórico que levou as instituições a procurarem aprimorar 12Política de Avaliação de Desempenho as relações de trabalho. Na tabela abaixo, tirada do Livro do Chiavenato (1993), analisamos em resumo os caminhos da Administração, com ênfase nas pessoas. ÊNFASE TEORIAS ADMINISTRATIVAS PRINCIPAIS ENFOQUES Nas Pessoas Teorias das Relações Humanas Organização Informal. Motivação, Liderança, Comunicações e Dinâmica de Grupo Teoria do Comportamento Organizacional Estilos de Administração; Teoria das Decisões. Integração dos Objetivos Organizacionais e Individuais. Teoria do Desenvolvimento Organizacional Mudança Organizacional Planejada. Abordagem de Sistema Aberto Fonte: Introdução à Teoria Geral da Administração (CHIAVENATO, 1993, p.10). Porque avaliar o desempenho das pessoas? Toda organização necessita ser avaliada através de um sistema para poder, por meio de um processo de retroalimentação, rever suas estratégias e métodos de trabalho, minimizando os efeitos da tendência à entropia e melhorando suas práticas. Assim ela se recicla, oxigena-se e torna- se capaz de sobreviver em ambientes turbulentos e mutáveis. As Teorias Administrativas Vamos retratar apenas um resumo de cada teoria, para que você possa entender um pouco da evolução dos conceitos da Administração de Recursos Humanos. Na Teoria das Relações Humanas, por volta de 1932, identifica-se as novas variáveis para melhorar as relações de trabalho: a integração social e o comportamento social dos empregados, as necessidades psicológicas e sociais e a atenção a novas formas de recompensas e sansões não materiais, o entendimento da organização informal, os aspectos emocionais e não racionais do comportamento humanos e a importância do cargos e tarefas para as pessoas que realizam e executam. Já em 1957, com o nascimento da Teoria do Comportamento Organizacional que marca a mais profunda influência das ciências do comportamento na Administração. Podemos dizer que representa a aplicação da Psicologia no contexto organizacional. Aqui, vemos que todo indivíduo pode tomar decisão independente do cargo que ocupa e para isso busca conhecer o ambiente, analisar as informações obtidas e levar em conta as suas convicções, opiniões e pontos de vista. A organização é vista como um sistema de decisões, os indivíduos têm a sua racionalidade limitada ao seu ambiente e estes tomam decisões baseados em orientações, passadas pelas organizações. Nas organizações, sempre irá existir conflitos que envolvem os objetivos individuais e os objetivos organizacionais. Por último, não menos importante, na década de 60, nasce a Teoria do Desenvolvimento Organizacional (D.O.), que tem origem na Teoria do Comportamento. No D.O., apresenta- se um conceito mais dinâmico de organização, de cultura organizacional e de mudança organizacional, tendo assumido uma abordagem mais sistêmica. Existe uma variedade de modelos no D.O., que não será apresentado aqui. Pode ser uma moda passageira dentro da Administração, porém, é uma alternativa democrática e participativa. Objetivo Precisamos entender que a Avaliação de Desempenho é um aprimoramento das Teorias Administrativas, e que busca fazer com que os colaboradores atinjam as metas determinadas e sejam de forma justa recompensados pelos esforços. A avaliação de desempenho tem o propósito essencial de buscar a excelência da organização por intermédio da melhora do desempenho de seus recursos humanos, provendo-se dosde desempenho torna-se simultaneamente um sistema de influência planejada na cultura da organização, visando ao desenvolvimento individual, grupal e da própria organização. Na verdade, não há como falar em desenvolvimento organizacional em busca da excelência, sem a utilização adequada de um sistema de avaliação de desempenho. Processo de facilitação da avaliação É preciso estabelecer uma comunicação franca e aberta para resultar em um maior senso de cooperação do avaliador e avaliado, o que redunda na melhora futura de desempenho. Os subordinados que, de fato, percebem que os seus gerentes têm muito interesse por eles (em seus comentários, suas sugestões, ideias, seus problemas profissionais ou pessoais), em geral, empenham-se mais no trabalho, excedem os limites de suas competências e responsabilidades, aprendem, crescem e tornam-se profissionais mais qualificados e maduros. A definição precisa, mutuamente acordada, de metas, expectativas e padrões de resultados, facilita o processo da avaliação de desempenho, por meio da crítica baseada em fatos, entre o comportamento esperado e o comportamento real do empregado. Objetividade da crítica em lugar de subjetivismo na diferença de desempenho reduz em muito o sentimento de injustiça. Haverá um número bem menor de desculpas ou de justificativas, quando o avaliador identificar aqueles que não alcançaram os resultados esperados. Quando o avaliado sabe antecipadamente o que dele se espera, provavelmente reclama muito menos e até reconhece com maior facilidade o desempenho insatisfatório, em face de um contrato de compromissos previamente estabelecido de comum acordo e que não foi cumprido. Abre-se melhor ao feedback e apresenta maior disposição psicológica para aceitar a necessidade da mudança de hábitos, de práticas e de comportamentos pessoais que dificultam o seu desempenho. A regra do jogo Em decorrência de problemas de comunicação, muitas vezes, os avaliados desconhecem como são avaliados. Os indicadores que pensam estar sendo considerados são frequentemente distintos dos utilizados pelos avaliadores. Nenhum sistema de avaliação de desempenho pode ser eficaz, se os avaliados não sabem o que deles se espera e sob quais critérios são fundamentadas as avaliações. Embora muitos funcionários sejam capazes de estabelecer para si próprias metas, padrões e expectativas de desempenho que consigam realizar, a grande maioria não possui essa autodisciplina. Se, aliás, todos fossem capazes de fixar e cumprir compromissos, não haveria mais necessidade das gerências. Mas esse, de fato, não é o caso da totalidade das organizações. É responsabilidade do avaliador ajudar os empregados a estabelecer compromissos de desempenho adequados às suas possibilidades e apoiá-los na sua execução. Não fixe compromissos de desempenho demasiadamente altos ou baixos com os seus subordinados em relação às suas potencialidades. Ambos são equívocos capazes de desmoraliza- -los. Objetivos muito altos são apenas alcançáveis pelos seus melhores subordinados. O restante não será capaz de manter o mesmo padrão de desempenho. Alguns tentarão realizá-los e só conseguirão reduzir a autoestima e desmotivarem-se ainda mais pelo fracasso. Outros vão simplesmente desconsiderar os compromissos por serem exatamente inalcançáveis. Em pouco tempo, você disporá de uma parcela expressiva de sua equipe que se considerará perdedora, com redução ainda maior da qualidade do desempenho. Por outro lado, não fixe compromissos por baixo, pois os seus subordinados ficarão entediados e frustrados com o que fazem. Se perceberem a falta de desafio, de iniciativa, de motivação, de autonomia e de oportunidade de desenvolvimento na realização de suas tarefas, logo sentirão que o que fazem não é importante. E o desempenho coletivo além do individual vai piorar ainda mais. Na entrevista de avaliação, estabeleça critérios específicos para analisar as metas, expectativas e padrões de desempenho alcançados. Não peça ao avaliado simplesmente para duplicar, aumentar ou melhorar os seus resultados. Estabeleça níveis de desempenho aceitáveis, inaceitáveis ou excelentes para cada uma das dimensões em análise. Certifique-se de que esses critérios estão claramente delineados e que o avaliado compreende e concorda com o que dele se espera para o próximo período de avaliação. Assegure-se de que o avaliado disporá do treinamento necessário e dos recursos de infraestrutura indispensáveis à realização dos compromissos ajustados. Você, como gerente, não pode esperar que o avaliado realize os compromissos de desempenho fixados por acordo na entrevista, se ele não estiver efetivamente preparado, se não dispuser dos recursos adequados ou se os procedimentos e processos de trabalho parecerem-lhe confusos ou inapropriados. Certifique-se de que nos processos de avaliação de desempenho são discutidas efetivamente as questões sob controle do avaliador e do avaliado. As pessoas são responsáveis por suas atitudes e hábitos, práticas e comportamentos. Não podem ser responsabilizadas por deficiências de desem- penho decorrentes de equipamentos ou recursos inadequados, treinamento insubsistente ou instruções conflitantes da gerência. Permitir sempre um espaço para ajustamentos e revisões passo a passo aos compromissos enquanto estes estiverem sendo implementados. Problemas, dificuldades ou obstáculos inesperados poderão surpreender tanto a você quanto ao avaliado. Além das entrevistas previstas formalmente no sistema de avaliação de desempenho, faça da crítica sistemática uma forma permanente de checar com o avaliado como ele está se saindo na execução dos compromissos. Em muitos casos, você poderá antecipar-se por meio da oportuna adequação dos compromissos à realidade do cotidiano. 47 Uma vez que os problemas de implementação tenham sido resolvidos e os compromissos de desempenho estejam ajustados à situação real de trabalho, não esqueça de aplicar os critérios de análise de resultados. O avaliado tende a desconsiderar e até a menosprezar compromissos que não são cobrados e que também não sejam utilizados na prática. Ele espera o feedback da avaliação para aprimorar o seu desempenho, não o decepcione. O Registro das avaliações Mesmo de forma resumida, não deixe de registrar por escrito todas as observações que fizer a respeito das diferentes dimensões de desempenho do avaliado. Armazene-as em seus arquivos. Ofereça cópia ao empregado. Sem apreciações escritas, provavelmente o avaliado terá enormes dificuldades em incorporar tudo o que você lhe disser. Isso sempre causa um bom impacto e demonstra a seriedade com que você formula os seus comentários e apreciações. Além disso, para os casos de mau desempenho frequentes, os registros das avaliações feitas poderão ser de grande utilidade para consubstanciar demissões, minimizando o risco de demandas na Justiça do Trabalho. Por meio da Avaliação de Desempenho é possível acompanhar o desenvolvimento individual, até mesmo o andamento do trabalho em equipe. Dessa forma, o gestor descobre as potencialidades do colaborador, ou seja, o que ele realmente possui de talento para ser aplicado à empresa. Também é possível identificar os pontos fracos dos colaboradores e capacitá-los para sanar os pontos de melhorias identificados. Já para a empresa, a Avaliação de Desempenho oferece a oportunidade de formar uma equipe mais forte e eficiente, treinada para trabalhar de acordo com as suas necessidades, o que favorece a boa colocação no mercado, uma imagem íntegra e a geração de lucros. A Avaliação de Desempenho acaba sendo um meio para identificar problemas dentro da empresa e também uma forma de valorizar o capital humano. Além do mais, todo colaborador precisa obter uma apreciação sobre seu trabalho e desempenho. Somente a partir daí, que eles poderão desenvolver suas potencialidades e expor suas dificuldades. 2 - Avaliação de desempenho 48Política de Avaliaçãode Desempenho 3 - A importância do feedback na avaliação de desempenho Uma Avaliação de Desempenho sem feedback perde completamente sua razão de ser. De nada adiantará avaliar a performance dos colaboradores se eles não tiverem um retorno sobre o que foi avaliado. O feedback é um retorno que pode ser considerado como uma crítica ou sugestão, sendo positivo ou negativo. Em todos os casos, ele possui uma forma construtiva, que visa sempre melhorias no ambiente do trabalho. Pode ser dado aos colaboradores de diversas formas: sob forma de elogio, como uma análise e, até mesmo, como uma opinião falada diretamente ao interessado. Sendo assim, ele é uma das ferramentas essenciais para o desenvolvimento de equipes de alta performance. Quando usado de forma correta, ajuda na identificação dos pontos fortes e fracos dos colaboradores. Ao identificar o que precisa de ajustes, através dele permite que o profissional desenvolva plenamente suas habilidades e estejam de acordo com as expectativas da empresa. Por sua função construtiva, ele é tido como um excelente instrumento de aprimoramento e aprendizado, pois a partir desse retorno de seus superiores, os empregados podem buscar a perfeição de seus afazeres, além de serem colocados no caminho traçado pela empresa. Mas, por avaliar o trabalho, muitas vezes, é visto com a “hora da bronca”, o que faz com que o processo seja mal visto e indesejado pelos colaboradores. O feedback não deve ser visto, de forma alguma, como uma bronca, conselho ou lição de moral do chefe, mas como um instrumento para alterar aquilo que está inapropriado. Para resolver essa tensão, o gestor precisa mostrar a seus colaboradores que ele é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento de suas carreiras. Por isso, ele deve ser tratado pelos gestores como uma demonstração de consideração e respeito pelos colaboradores. Assim, quando este for uma crítica construtiva, deve ser dado de forma particular, de modo a não deixar o colaborador constrangido perante seus colegas. Não pode ser carregado com carga emocional, pois, se for assim, é bem provável que um processo construtivo se transforme em desentendimentos e ressentimentos na organização. Além do mais, para o feedback ser eficaz, é preciso que os gestores além de apontar os erros de execução de trabalho, devem ser acompanhados pelas soluções e rotas a serem seguidas pelos colaboradores. Se bem recebido, certamente, será uma fonte de motivação e renovação de energia para os colaboradores apresentarem ótimos resultados em suas funções. Também não deve ser dado somente quando houver algo a ser reparado, mas também para dar elogios e reconhecer trabalhos bem feitos que contribuíram positivamente à empresa. A sua falta, frequentemente deixa os colaboradores desorientados e sem rumo em seu trabalho. Por isso, ele pode ser comparado a uma bússola que fornece a direção correta para que se atinja os objetivos de evolução pessoal, as metas da empresa e a satisfação do cliente, que é o que mais importa. Também deve ser uma relação de segurança e confiança entre gestores e colaboradores. Contudo, é necessário que o gestor se certifique que o feedback foi entendido claramente pelo colaborador, pois se não for bem compreendido e mal interpretado, é possível que seja gerado efeito contrário ao que se pretendia. Por que os colaboradores não gostam de avaliações de desempenho? A maioria dos empregados em empresas de hoje estão muito familiarizados com o conceito da Avaliação de Desempenho. Entretanto, muitas vezes, só a menção desta ocorrência é temida por eles, pois é vista como um momento de crítica e discussões. Mas isso não ocorre somente com os colaboradores, já que a avaliação de desempenho, geralmente, tem um efeito semelhante sobre os gerentes e supervisores também. Então, você deve estar se perguntando: se a Avaliação de Desempenho traz benefícios tanto para os colaboradores quanto para a empresa, por que esse processo é tão temido e odiado por muitos? Confira as principais razões abaixo: 1. Colaboradores: por que eles odeiam o Processo de Avaliação de Desempenho? Nesse processo eles não têm controle da situação. Os gestores definem classificações e comentários em várias áreas de atuação, que são na maioria das vezes de natureza subjetiva. Assim, se um empregado não concorda, ele podem ter um pequeno espaço para demonstração suas discordâncias. Mas, mesmo usando esse pequeno espaço de comentário, o colaborador está ciente que o gestor possui o controle do processo e que, na prática, os comentários podem ter pouca relevância no resultado final da avaliação. Do mesmo modo acontece com a autoavaliação. Geralmente, este processo também não é levado em consideração na tomada de decisões. 2. Gestores: por que eles odeiam o Processo de Revisão de Desempenho? Já os gerentes, muitas vezes, temem a discussão da Avaliação de Desempenho do empregado, pois consideram que esse debate pode se transformar em uma batalha de convencimento entre ambas as partes. Gerentes estão ocupados com tarefas e a o processo de avaliação de colaboradores, que considera um ano inteiro, é demorado. Se os gerentes não cumprem os prazos, são cobrados pelo departamento de RH. Dicas para que a avaliação de desempenho seja um processo agradável dentro da empresa Agora que vimos os principais motivos de colaboradores e gestores não gostarem do processo de Avaliação de Desempenho, vejamos algumas maneiras que colaboram para que esse processo seja implantado sem problemas e 49 aborrecimentos. Confira: Se você for o profissional da área de recursos humanos 1. Construa um processo de avaliação de desempenho que se encaixe na cultura organizacional da SUA empresa. Preferencialmente, gestores também deverão ser avaliados por seus superiores. 2. Prepare gestores para que sejam também gestores de pessoas. 3. Divulgue o processo de avaliação de desempenho o ano todo para que o tema não caia no esquecimento. Use os canais adequados para o seu público e seja criativo. Busque apoio de formadores de opinião e patrocinadores. 4. Treine, incansavelmente, gestores e avaliados na aplicação da avaliação de desempenho do software de avaliação. 5. Ofereça apoio constante a avaliados e avaliadores. 6. Atenda rigidamente aos prazos e aos critérios do processo. 7. Entregue, a avaliados e avaliadores, o resultado da avaliação com informações relevantes e de fácil compreensão. 8. Apoie os gestores nas etapas de avaliação, feedback e elaboração do Plano Individual de Desenvolvimento – PDI. Se você for um gestor 1. Defina expectativas claras desde o primeiro dia de trabalho. 2. Crie o hábito de fornecer o feedback durante todo o ano, isto é, estimule uma cultura onde as discussões de desempenho consistam em uma parte regular da rotina de trabalho e que as reuniões de avaliação sejam realizadas em intervalos frequentes, tais como mensal. 3. Inicie uma discussão desempenho pedindo ao empregado para avaliar o seu desempenho. Neste sentido, peça para que eles forneçam exemplos de onde eles consideram que se encontraram profissionalmente e superaram expectativas. 4. Garanta que não haja nenhuma surpresa para os colaboradores na reunião anual, já que o desempenho deve ser discutido mensalmente. Se você esperar a reunião anual para essa discussão, certamente irá perder sua chance de se mostrar eficaz. Retomando a aula Pessoal, agora que a aula 05 terminou, vamos fazer uma retomada do que foi estudado em cada seção de forma resumida, para que vocês tenham um esquema a seguir quando tiver que usar dos ensinamentos aqui estudados. 1 – O medo do avaliado Nessa seção, estudamos que o medo é um dos maiores empecilhos para que o empregado seja bem sucedido no desenvolvimento de suas atividades profissionais. Cabe ao avaliador mostrar caminhos que o avaliado possa trilhar para dominar a baixa autoestima que provoca o medo, assim, fazendo com que oavaliado domine esse medo e passe a ter compromissos com o desenvolvimento de sua atividade profissional e encare o processo avaliativo de forma positiva, como um meio de demonstrar a sua capacidade e desempenho. Vimos ainda como ocorre o processo de facilitação da avaliação e algumas regras importantes que facilitam o comprometimento do avaliado com a empresa e melhora seu desempenho. E, por fim, compreendemos a importância dos registros da avaliação de desempenho. 2 – Avaliação de desempenho Nessa seção, estudamos os benefícios da Avaliação de Desempenho, mediante um quadro desenvolvido por Chiavenato (2009), o qual apresentava um resumo dos benefícios que a Avaliação de Desempenho oferece para o funcionário, para a chefia e para a empresa, resumo que pode ser ampliado por meio de estudo mais aprofundado direto no livro citado. 3 – A Importância do feedback na avaliação de desempenho Nessa seção, tratamos alguns dos fundamentos que tornan o feedback em avaliação de desempnho um fenômeno de grande importância para o avaliado, pois é a partir desse retorno que o avaliado pode definitivamente enfrentar seus medos, corrigir os pontos negativos identificados ou melhorar o desempenho diante dos pontos positivos destacados. É nesse feedback que surge a oportunidade de melhorar, rever condutas e ajustar habilidades de acordo com as expectativas da empresa. Ainda nessa seção foi possível verificar algumas dicas que podem tornar a avaliação de desempenho em um processo agradável dentro da empresa. CHIAVENATO, Idalberto. Desempenho humano nas empresas: como desenhar cargos e avaliar o desempenho para alcançar resultados. 6.ed. Barueri(SP): Manole, 2009. ______. Treinamento de desenvolvimento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresa. 7. ed. Barueri(SP): Manole, 2009. _____. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus,1999. GENTIL, Eduardo. Avaliação de desempenho: uma visão moderna. Disponível em: . Acesso em: julho de 2017. MARQUES, José Roberto. Como funciona a avaliação 360º? Disponível em: . Acesso em: julho de 2017. Vale a pena Vale a pena ler Política de Avaliação de Desempenho 6º Aula Métodos modernos de avaliação de desempenho Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • favorecer a compreensão da gestão de competência e sua importância nas empresas; • compreender os métodos modernos de avaliação de desempenho. Caros(as) alunos(as), nesta aula 6, iremos estudar a gestão de competência e os métodos modernos de avaliação de desempenho. Pessoal, o novo momento em que vivem as organizações, fez surgir novos métodos de avaliação de desempenho, com uma abordagem completamente inovadora, onde impera a autoavaliação e autodireção das pessoas, formando uma participação ativa dos colaboradores no próprio planejamento e desenvolvimento, dentro da organização, passando a ter foco no futuro e na melhoria contínua do próprio desempenho. Bons estudos! 51 1 – Gestão de competência 2 –Avaliação de desempenho Seções de estudo 1 - Gestão de competência O que contribuiu para o surgimento de uma nova abordagem da avaliação de desempenho, foi a reestruturação das organizações, deixando de lado aquelas antigas estruturas funcionais e passando a trabalhar em estruturas de processos, ao qual mudou rapidamente os indicadores e medições, pois deixaram de lado a departamentalização e passaram a trabalhar em equipes. Outro fator muito importante que também contribuiu, foi a nova forma de remuneração dos colaboradores, que é a participação nos resultados da empresa e que requer novas formas de avaliação para que possam ir ao encontro desse novo modelo de remuneração. Como salienta Chiavenato (1999), “A APPO é uma das boas ideias que foram destruídas pelo furor burocrático de algumas organizações.” Por ser democrática, participativa, envolvente e motivadora é um sistema totalmente oposto aos métodos tradicionais. Os objetivos são definidos conjuntamente, cada um é responsável pelo comprometimento para com os objetivos definidos, negociação aberta entre gerente e colaborador, o desempenho é o reflexo do comportamento do colaborador no alcance dos objetivos, constante monitoração dos objetivos e desempenhos e avaliação conjunta e retroação dos resultados para os avaliados. “Na moderna concepção, a avaliação de desempenho começa não pela apreciação do passado, mas pela focalização no futuro. Ou melhor, está mais orientada para o planejamento do desempenho futuro do que para o julgamento do desempenho passado” (CHIAVENATO, 1999). Percebe-se, portanto, que na visão moderna a avaliação do desempenho não está preocupada em punir ou celebrar alguma ação do passado, mas em determinar ações para melhorar o desempenho futuro. A avaliação de desempenho está passando por uma mudança muito importante para o sucesso das organizações. Requerem maior agilidade e velocidade na medição do desempenho das pessoas da organização, para que possam traçar um planejamento para a melhoria contínua das pessoas dentro da organização, para melhorar os processos e atividades e cada vez mais alcançar os objetivos com eficiência e eficácia. A tendência é que este modelo de avaliação de desempenho participativa, democrática, envolvente e motivadora venha prevalecer na grande maioria das organizações, é claro, sem esquecer que cada organização tem sua cultura, que é a sua identidade. Portanto, o que pode estar dando certo em uma organização pode não dar certo em outra. As organizações, cada vez mais conscientes de que seu sucesso será determinado pelas habilidades, aptidões, talentos e experiências de seus empregados, passaram a atribuir maior relevância à gestão estratégica de recursos humanos, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de competências profissionais. O interesse pelo assunto estimulou a realização de pesquisas e estudos, dando origem a uma corrente teórica que propõe a “gestão de competências” como mecanismo para gerar e sustentar vantagem competitiva. É importante esclarecer a diferença entre os termos gestão de competências e gestão por competências. Enquanto o primeiro diz respeito à forma como a organização planeja, organiza, desenvolve, acompanha e avalia as competências necessárias ao seu negócio, o segundo sugere que a organização divida o trabalho de suas equipes segundo as competências. A gestão de competências pode incluir, ou não, a gestão por competências. A influência da gestão de competências Alguns autores elevam o conceito de competência à equipe de trabalho ou mesmo à organização como um todo. Zarifian (1996), por exemplo, sustenta que não se deve desconsiderar a dimensão da equipe no processo produtivo. Uma competência pode ser atribuída tanto a um indivíduo quanto a um grupo de trabalho. Durand (1999) chama a atenção para esse aspecto ao afirmar que crenças e valores compartilhados pela equipe de trabalho influenciam sobremaneira a conduta e o desempenho de seus componentes. Prahalad & Hamel (1990), por sua vez, tratam do conceito no nível organizacional, referindo-se à competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades, tecnologias, sistemas físicos, gerenciais e valores que geram um diferencial competitivo para a organização. Para esses autores, competências essenciais nas organizações, são aquelas que conferem vantagem competitiva, geram valor diferente percebido pelos clientes, e são difíceis de serem imitadas pela concorrência. A mecânica de alta precisão da Canon, o design de motores leves e eficientes da Honda, e a capacidade de miniaturização da Sony são alguns dos exemplos de competência citados pelos autores. Nessa mesma linha, Arrègle (1995) definecompetência como o saber que a empresa acumulou e que lhe confere certo nível de competitividade atual e futuro. Assim, torna-se possível classificar competências como humanas (aquelas relacionadas ao indivíduo ou à equipe de trabalho) e organizacionais (aquelas que dizem respeito à organização como um todo ou a uma de suas unidades), ressaltando-se que o conjunto de competências profissionais, aliado a processos e outros recursos, é o que dá origem e sustentação à competência organizacional. Figura 2: As três dimensões da competência. 52Política de Avaliação de Desempenho O Processo A gestão de competências pode ser visualizada como uma tecnologia de gestão derivada da Resource-Based Management Theory. Essa teoria sustenta que determinados atributos organizacionais (recursos) são condicionantes do sucesso da empresa frente à concorrência. O pressuposto é o de que os domínios de recursos raros, valiosos e difíceis de serem imitados conferem à organização certa vantagem competitiva atual e futura (Taylor, Beechler & Napier, 1996; Barney apud Raub, 1998). Essa corrente teórica sugere, ainda, que a gestão estratégica de recursos humanos contribui para gerar vantagem competitiva sustentável por promover o desenvolvimento de habilidades, produzir um complexo de relações sociais e gerar conhecimento, ou seja, por desenvolver competências. A gestão de competências faz parte de um sistema maior de gestão organizacional. Trata-se de um processo contínuo que toma como alusão a estratégia da empresa e direciona suas ações de recrutamento e seleção, treinamento, gestão de carreira, avaliação de desempenho e formalização de alianças estratégicas, entre outras, para captação e desenvolvimento das competências necessárias para atingir seus objetivos. Esse processo, além de promover o envolvimento de acionistas, empregados, executivos, clientes e fornecedores, gera o que Tilles (1997:6) denominou “consistência interna da estratégia”, ou seja, um impacto positivo cumulativo dessas ações sobre o desempenho organizacional. Os esforços de planejamento, captação, desenvolvimento e avaliação de competências devem dar-se não apenas no nível individual, mas, sim, em todos os níveis da organização, mesmo porque são as competências das pessoas que compõem a empresa que, aliadas a outros recursos, dão origem e sustentação à competência organizacional. Esse processo confere certo nível de competitividade atual e futuro da organização, com isso, acesso potencial ao novo mercado, dando a ela sentido de continuidade e sustentabilidade (PRAHALAD & HAMEL, 1990). Seria arrojado afirmar que o processo de gestão de competências é do tipo top down, onde as competências essenciais da organização são determinantes das competências individuais, ou o seu contrário, do tipo bottom up onde estas determinam aquelas. A gestão de competências deve ser vista, portanto, como um processo circular, envolvendo os diversos níveis da organização, desde o corporativo até o individual, passando pelo divisional e grupal. O importante é que a gestão de competências esteja em perfeita sintonia com a estratégia organizacional (missão, visão de futuro e objetivos). A visão determina o estado futuro desejado pela organização, sua intenção estratégica, e orienta a formulação das políticas, diretrizes e todos esforços em torno da captação e desenvolvimento de competências. A importância da gestão por competência nas empresas Depois do conhecimento da importância da gestão de competência, percebemos que novas necessidades vão surgindo dentro da empresa. As empresas sempre vão procurar por novas formas de aprimoramento. É questão de sobrevivência diante do mercado globalizado. É importante entender que a Gestão por competência veio para ficar. Isso significa que é preciso evoluir cada vez mais nos conceitos e, principalmente, nas práticas da organização. 2 - Avaliação de desempenho O modelo de Avaliação de Desempenho tradicional, com questionários que buscam avaliar o desempenho dos colaboradores e reuniões de feedback para acompanhar a evolução, desempenho e possíveis regressões, foram popularizados na década de 1960, passando a ser aplicados em grandes empresas por todo o mundo. Esse modelo ainda é muito utilizado e, até muito pouco tempo atrás, pouco se questionava sobre o funcionamento desse sistema. Contudo, nos últimos anos, com a crescente utilização de artifícios virtuais, o modelo tradicional passou a ser substituído. As ferramentas virtuais de Avaliação de Desempenho, como softwares específicos para esse fim, permite que o planejamento estratégico seja feito e revisto trimestralmente e não apenas uma vez por ano. Assim, esse novo tipo de avaliação fornece uma análise mais real dos serviços desempenhados pelos colaboradores da empresa. A essência de qualquer tipo de Avaliação de Desempenho é deixar bem claro aos colaboradores o que a organização espera deles e que ela está disposta a trabalhar no desenvolvimento de sua carreira. Benefícios da avaliação de desempenho Este novo processo de avaliação é baseado na premissa de avaliados e avaliadores acompanharem periodicamente seus desempenhos e posições dentro da empresa, sem esperar um semestre ou ano para isso. Dessa forma, é possível identificar competências e desenvolver todo o seu potencial em concordância com os objetivos da empresa. Veja os benefícios de uma Avaliação de Desempenho 2.0: • estimula o trabalho e equipe em prol do crescimento da empresa e desenvolvimento de carreiras, no lugar da competitividade; • permite que o face-a-face entre gestores e colaboradores seja mais frequente, o que quebra um pouco a rigidez da hierarquia; • o processo leva menos tempo, pois o próprio programa realiza análises quantitativas e qualitativas das variáveis incluídas no questionário. Essas análises possibilitam a criação de rankings, de relatórios administrativos e gerenciais e de desempenhos, gráficos etc; • os colaboradores podem avaliar seus pares e gestores no total anonimato; • cria um histórico de avaliação e desempenho de cada colaborador que pode ser acessado a qualquer momento; • contribui para a redução do índice turnover, isto é, na diminuição da rotatividade de colaboradores, que causa gastos indesejáveis de rescisão contratual e treinamento para a empresa; • o feedback pode ser mais frequente e dado de forma online, mas esse processo, de forma alguma, extingue os encontros presenciais. 53 Motivos para aplicar avaliação de desempenho Avaliações de desempenho formais podem ser de grande benefício para o empregador e o empregado. Infelizmente, no entanto, elas estão cada vez mais subestimadas e subutilizadas por ambas as partes. Uma pesquisa recente da Society for Human Resource Management descobriu que 72% das organizações realizam avaliações formais apenas uma vez por ano. Os empregadores devem reconhecer que as avaliações formais tem um enorme impacto sobre quão satisfeito, motivado e produtivo seus funcionários são. 1. Valorização dos colaboradores Colaboradores precisam sentir que eles estão sendo valorizados e estão realizando um bom trabalho. A avaliação formal é uma grande oportunidade para dar a sua equipe um feedback sincero, estimulando-os a trabalhar de forma mais inteligente e melhor. Pessoas realmente valorizam elogios frequentes e reconhecimento, então deixá-los saber que você está ciente do bom trabalho que eles estão fazendo vai ajudar você a manter o pessoal engajado e motivado. 2. Estabelecimento de metas Os colaboradores mais produtivos são aqueles que estão constantemente com metas em dia, eles são focados em sua busca por resultados. Definir metas alcançáveis antes do processo de avaliação, ajuda a motivar os profissionais. A avaliação é também uma ocasião para realinhar os objetivos de negócios como a mudança de condições de mercado. 3. Resolver problemas de comunicação Muitas vezes, os gerentes estão muitoocupados no dia para ter uma visão geral sobre um empregado. A avaliação é um grande momento para resolver quaisquer preocupações que você ou que possam ter. 4. Fortalecer relacionamento É importante para a coesão da equipe e a produtividade geral que os gerentes tenham um bom relacionamento com sua equipe. Aproveitar esta ocasião para alinhar as prioridades e discutir vários assuntos de interesse para o negócio com membros de sua equipe; quase como uma sessão de brainstorming. 5. Reorientar sua equipe Avaliações podem ser usadas para ajudar a comunicar a sua visão aos membros da equipe. Esta é sua chance de esclarecer e articular a sua visão, garantindo que todo mundo está no mesmo caminho. É também uma oportunidade para gerenciar as expectativas de promoção dos colaboradores, principalmente, para aqueles com uma ideia exagerada de suas próprias habilidades e papel dentro da empresa. 6. Avaliar as necessidades de treinamento de sua equipe Diferentes pessoas dentro da sua equipe terá forças diferentes. Use a avaliação para avaliar os pontos fracos de seus colaboradores, identificando as áreas que podem exigir treinamento e apoio adicional. Deixando sua equipe saber que você está preocupado com o seu desenvolvimento vai ajudar a criar uma cultura de ambição, por sua vez, conduzir o negócio para ser mais produtivo e lucrativo. Realizado corretamente e com frequência avaliações pode ter um efeito muito positivo sobre o sucesso de sua equipe. Uma vez por ano, as vezes não é suficiente para realmente entender o quão bem seus funcionários estão realizando, e como eles estão satisfeitos. São 3 os Objetivos Fundamentais da Avaliação de Desempenho: 1. Permitir condições de medição do potencial humano no sentido de determinar plena aplicação. 2. Permitir o tratamento do recurso de pessoas como um recurso básico da organização e cuja produtividade pode ser desenvolvida indefinidamente, dependendo, obviamente, da forma de administração. 3. Fornecer oportunidades de crescimento e condições de efetiva participação a todos os membros da organização, tendo em vista, de um lado, os objetivos organizacionais e, de outro, os objetivos individuais. Avaliação do desempenho humano As práticas da Avaliação do Desempenho não são o que podemos chamar de atuais. Desde que empresas, indústrias ou qualquer outra iniciativa foram direcionadas a atingir um objetivo, o homem e seu trabalho passaram a serem avaliados por alguém. Em 1842, o Serviço Público Federal dos EUA implantou um sistema de relatórios anuais para avaliar o desempenho dos funcionários. Em 1880, o exército americano também desenvolveu o seu sistema. Mais adiante, em 1918, a General Motors (GM) já tinha um sistema de avaliação para os seus executivos. Contudo, somente após a Segunda Guerra Mundial é que os sistemas de Avaliação do Desempenho tiveram uma ampla divulgação entre as empresas, onde passaram a ser vistos como parte de sua gestão estratégica. Durante muito tempo, os administradores preocuparam-se exclusivamente com a eficiência da máquina como meio de aumentar a produtividade da empresa. A ênfase sobre o equipamento e a abordagem mecanicista da administração não resolveu o problema do aumento da eficiência da organização. O homem era visto como um objeto moldável aos interesses da organização e facilmente manipulável, uma vez que se acreditava ser motivado exclusivamente por motivos salariais e econômicos. Constatou-se que as organizações conseguiram resolver os problemas relacionados com as máquinas, porém nenhum progresso foi alcançado em relação ao homem e a eficiência das organizações ainda estava deixando a desejar. Com o surgimento da Escola de Relações Humanas e a humanização da teoria da administração, a preocupação dos administradores passou a ser o homem social. Uma figura que possui necessidades, objetivos, vontade própria, sensação de pertencer, sentimento de estima e que tinha como objetivo maior a sua autorrealização. → Escuta Ativa A Capacidade de Ouvir “A natureza nos deu dois ouvidos, dois olhos e uma língua para que pudéssemos ouvir e ver mais do que falar”, 54Política de Avaliação de Desempenho observa Zenão, velho filósofo grego. E um filósofo chinês faz a seguinte observação: “O bom ouvinte colhe, enquanto aquele que fala semeia”. Seja como for, até há bem pouco tempo, dava-se pouca atenção à capacidade de ouvir O ouvir é algo muito mais complicado do que o processo da audição, ou de escutar. O ouvir, de forma eficaz, ocorre quando o receptor é capaz de discernir e compreender o significado da mensagem do emissor. Escutar os outros representa uma atividade que todos consideram saber fazer. A verdade é que as pessoas não estão habituadas a dedicar atenção ao outro. Escutar ativamente constitui uma técnica que é preciso aprender e praticar, principalmente, por todos aqueles que, em decorrência de sua profissão, mais lidam com o público. Retomando a aula Finalizando esta aula 6 é importante fazer a retomada do conteúdo, trazendo os principais aspectos estudos para serem reafi rmados. 1 – Gestão de competências Nessa seção, vimos que a gestão de competências é responsável pelo comprometimento dos colaboradores para com os objetivos definidos pela organização, cabendo ao gestor negociar de forma aberta com os colaboradores. O desempenho é o reflexo do comportamento do colaborador no alcance dos objetivos, nesse sentido, a constante monitoração dos objetivos e desempenhos formam a avaliação conjunta, com retroação dos resultados para os avaliados. Observamos que a competência pode ser identificada em três dimensões e que o processo define a gestão estratégica de recursos humanos, contribuindo para gerar vantagens competitivas sustentável, por promover o desenvolvimento de habilidades, produzir relações sociais e gerar conhecimento, ou seja, desenvolver competências, tendo o envolvimento de toda a estirpe humana envolvida na organização, ou seja: acionistas, empregados, executivos, clientes e fornecedores. 2 – Avaliação de desempenho Nesta seção 2, estudamos a avaliação de desempenho, identificando os benefícios da avaliação formal tanto para colaboradores como o empregador. A avaliação formal apresentou 6 aspectos que demonstram quanto o funcionário está satisfeito, motivado e produtivo dentro da empresa. Destacamos 3 objetivos da avaliação de desempenho são eles: permitir a medição do potencial humano no sentido de determinar plena aplicação; o tratamento do recurso de pessoas como um recurso básico da organização; e oportunidades de crescimento e condições de efetiva participação a todos os membros da organização. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. PRAHALAD, C. K.; HAMEL, G. The Core Competence of the Corporation. Harvard Business Review, p. 3- 15, May/ June, 1990. ZARIFIAN, P. A gestão da e pela competência. In: Seminário Educação Profissional, Trabalho e Competências. Rio de Janeiro: Centro Internacional para a Educação, Trabalho e Transferência de Tecnologia, 1996. Vale a pena Vale a pena ler 7ºAula Avaliação e os processos organizacionais Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • apresentar definições e conceitos sobre gestão de informação e gestão de conhecimento; • compreender a diferença entre informação e conhecimento; • compreender a avaliação de desempenho com foco em competências. Caros(as) alunos(as), nesta aula, estudaremos a gestão de informação e gestão do conhecimento, tema de grande relevância, principalmente para que podemos diferenciar informação de conhecimento, por isso foquem no estudo, pesquisem e reflitam sobre os conceitos e discussões que estudaremos nesta aula. Bons estudos! 56Política de Avaliação de Desempenho 1 - Mapeamento das competências organizacionais 2 - Diferença entre gestão da informação e gestãodo conhecimento 1 - Mapeamento das competências organizacionais O mapeamento das competências de cada função e de cada colaborador não deve ser apenas das competências comportamentais, ou somente das competências técnicas, mas sim ambas. Competência é o conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos manifestados no desempenho em determinadas atividades por meio de ações observáveis pelos outros; pode-se dizer que é o conjunto de três variáveis: • saber fazer: são os conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para realizar um determinado trabalho. • querer fazer: envolve as motivações, as iniciativas pessoais e a vontade de realizar um determinado trabalho. O Conhecimento é o saber, o que aprendemos nas escolas, universidades, nos livros, no trabalho e na escola da vida. A Habilidade é o saber, tudo o que utilizamos dos nossos conhecimentos no dia a dia. A Atitude é o que nos leva a exercitar nossa habilidade de um determinado conhecimento, pois ela é o querer fazer. Análise das variáveis Para a análise dessas três variáveis, os avaliadores deverão levar em consideração o desempenho das equipes e dos indivíduos no que se refere ao comprometimento de ambos, quanto à atuação e à contribuição, para atingir os resultados esperados. O desempenho será analisado a partir das seguintes competências e habilidades: • Competências Técnicas: dizem respeito à aplicabilidade dos conhecimentos e experiências “específicas” no que se refere ao uso das ferramentas, materiais, normas, procedimentos e metodologias necessárias para o desenvolvimento das atividades/serviços. É tudo o que o profissional precisa ter para desempenhar seu papel, e são expressas pelo C e pelo H do CHA, o “ Saber Fazer”. • Habilidades Comportamentais: são atitudes relativas a estímulos que refletem na ação e reação comportamental e no desenvolvimento das atividades do indivíduo. São do diferencial competitivo de cada profissional e têm impacto em seus resultados. Expressas pelo A do CHA, o “Querer Fazer”. Aprimorar as Competências Técnicas, aumentando a habilidade de um conhecimento adquirido, como arremessar ou bater na bola (CH). Porém, isso acontece somente pelo diferencial competitivo de cada um que, ao término do treino, ao invés de ir para casa, persistam no treinamento, e que, durante o jogo, tem coragem de arremessar de três pontos ou bater a falta ou pênalti. Esse diferencial competitivo é a Competência Comportamental (A). No mundo corporativo a evolução que precisamos fazer no conceito de Gestão por Competências (comparando com o upgrade - atualização - do computador quando compramos o micro e já sentimos que precisa evoluir), não mais podemos utilizar os mesmos recursos dos sistemas tradicionais de Gestão Seções de estudo Difi culdades Necessidades Histórico Sentimentos Pessoa Vontades 57 de Pessoas: precisamos de Novos Recursos e Ferramentas. Por exemplo, de nada adianta promover o mapeamento e a avaliação das competências na organização se não for implantada a Seleção por Competências. Afinal, a Seleção é a porta de entrada dos colaboradores. Também é preciso mudar a antiga forma de fazer Treinamento nas empresas, substituindo o tradicional Levantamento das Necessidades de Treinamento por um baseado em Competências, com características precisas. Tudo isso é Gestão por Competências e, assim, conseguimos visualizar que os antigos procedimentos da Gestão devem ser substituídos pelos novos, sempre com foco em competência. Remuneração e Carreira, a nova forma de mencionar Cargos e Salários em Gestão por Competências, não poderia ficar de fora. Aliás, implantar a Remuneração por Competências é a grande necessidade que encontramos hoje nas empresas. Por outro lado, existe uma falta de literatura que trate esse tema de forma clara, objetiva e com praticidade. Avaliação de desempenho com foco em competências Justamente na identificação do novo conceito sobre a tão utilizada Avaliação de Desempenho, que deve chamar-se Avaliação de Desempenho com Foco em Competências, identificamos nos colaboradores o que eles efetivamente “entregam” para a Organização. Em outras palavras, a Gestão de Pessoas realizada por competências não pode ficar somente no conceito do CHA - Conhecimentos, Habilidades e Atitudes -, pois ele por si só é fundamental, mas não é suficiente. Precisamos fazer a atualização do processo, o upgrade no método, identificando a complexidade das suas funções, atividades, atribuições e responsabilidades, bem como aquilo que o colaborador efetivamente entrega à organização. Joel Dutra, através de seus livros e artigos, traduz e complementa as visões de diversos autores de outros países, como Dalton e Thompson, Jaques, Towbottoom, Bílis e Stamp, dentre outros, sobre os conceitos de entrega e complexidade. Ele afirma que “o fato de as pessoas possuírem determinado conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, não é a garantia de que elas irão agregar valor à organização” (DUTRA, 2004). Isso é fácil de se compreender, pois não quer dizer que com apenas uma avaliação técnica (o CH do CHA) e outra comportamental (o A do CHA) poderemos afirmar que um profissional serve para a sua função e que trará resultados. Precisamos de outros fatores. O pior é o conceito errôneo que algumas empresas estão utilizando ao aplicar o mapeamento de competências e implantar a avaliação de Desempenho ou de Performance. O CHA por si só não é Desempenho ou Performance do colaborador. Para que serve então todo o processo de avaliação, inclusive o conceito de Avaliação 360°? Segundo a definição de Scott B. Parry, competências são: “Um agrupamento de conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionadas, que afeta parte considerável da atividade de alguém, que se relaciona com seu desempenho, que pode ser medido segundo padrões preestabelecidos, e que pode ser melhorado por meio de treinamento e desenvolvimento”. Note o seguinte fragmento: “... que se relaciona com seu desempenho...”. Isso significa que o CHA se relaciona com o desempenho, mas não que o CHA seja o desempenho. É primordial entendermos que Avaliação de Competência Técnica e Avaliação de Competência Comportamental fazem parte do processo da Avaliação de Desempenho, mas elas somente não são a Avaliação de Desempenho, pois não mensuram a “Entrega” do colaborador e a Complexidade de sua função. Ficar somente no conceito ou na avaliação do CHA e, a partir deles, promover ações de Treinamento e de Desenvolvimento dos colaboradores com foco em competências e levar esses conceitos para a Seleção, realizando Seleção por Competências é, sim, sem sombra de dúvidas, fazer Gestão por Competências. Isso, porém, é muito pouco e superficial para o que deve ser explorado em termos de Gestão por Competências, considerando-se a Estratégia da Empresa, ou seja, é preciso fazer a Gestão por Competências Estratégica. Toda empresa vive de resultados e é feita de seus colaboradores. Daí a afirmação de que o maior capital das empresas é o capital humano. Mas o capital humano precisa trazer resultados, caso contrário a organização não sobreviverá nem para ela mesma, nem para seu capital humano. Precisamos promover e valorizar as pessoas. Claro que isso é fundamental, pois se os colaboradores não se sentirem valorizados e motivados a empresa não atingirá os resultados. Mas a empresa precisa de lucro, mesmo as entidades não governamentais ou filantrópicas precisam pagar suas contas e ter o lucro do resultado de sua atividade-fim, mesmo que não seja monetário. E não apenas “às vezes”, mas, infelizmente, muitas vezes, gestores de pessoas, do RH ou não, canalizam seus esforços apenas nas pessoas, no ambiente, e se esquecem dos resultados. Fazer Gestão por Competências Estratégica é fazer, por meio das pessoas, com que a empresa cumpra na plenitude sua Estratégia, justificando sua Missão e alcançando a Visão determinada. Desempenhocom foco em competências Existe atualmente um movimento que quer levar a Avaliação de Competência para a Remuneração, gerando a Remuneração por Competências. Um grande erro, porque um colaborador não é apenas comportamento, a Avaliação de Competências não é Avaliação de Desempenho. Existem três perspectivas importantes. São elas: • Perspectiva Técnica. • Perspectiva Comportamental. • Perspectiva Resultado. Segundo o dicionário Aurélio, perspectiva significa: 1. Aspecto sob o qual uma coisa se apresenta; ponto de vista: Numa perspectiva egoística, tais atos não são condenáveis. 2. Aspecto dos objetos vistos de uma certa distância; panorama: 58Política de Avaliação de Desempenho “Quão tristonhos e acanhados lhe pareceram .... os horizontes e os outeiros de Congonhas do Campo à vista das risonhas campinas e largas perspectivas da fazenda paterna!” (Bernardo Guimarães, O Seminarista, p. 97.) 3. Expectativa, esperança, probabilidade: A perspectiva de uns dias de folga calmou-lhe os nervos. [Var: perspetiva.] O sentido do terceiro significado, expectativa, foi o que definitivamente selou o motivo de chamá-la de perspectiva, pois, segundo o dicionário, o significado é “esperança fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas” e a palavra promessa recorda o significado da palavra empenho. Parece, então, que essas perspectivas seriam suficientes para montar a Avaliação de Desempenho, agora com o adicional de ser uma Avaliação com Foco em Competências, pois, além do APO temos a análise do CHA. Falta o conceito de entrega e complexidade do colaborador. Conceito de Complexidade Embora eu não seja favorável ao termo “cargo”, para um entendimento mais fácil do conceito de Complexidade vamos recorrer a uma prática comum na montagem de um Plano de Cargos e Salários - PCS - que é uma prática tradicional na administração de RH. Vamos substituir o termo “Cargo” pelo termo “Função”, de forma a ficar coerente com um novo ponto de vista sobre as diferenças entre esses termos . Após ter as funções de uma empresa definidas, é necessário promover um equilíbrio interno dessas funções, de acordo com as atribuições e responsabilidades de cada função, ponderando o impacto de seus resultados financeiros e estratégicos dentro da organização. Em outras palavras, se o colaborador da função ‘A’, por exemplo, comete um erro e isso ocasiona um impacto financeiro de mil reais, é bem menos significativo se comparado a um erro de proporção similar cometido por um colaborador de função ‘B’, e que, devido a sua função, esse erro tenha o impacto de um milhão de reais. Isso ocorre porque a complexidade da função ‘A’ é bem menor que a complexidade da função ‘B’. O exemplo atrelado a um impacto financeiro por ser mais simples de ser visualizado; no entanto, vale ressaltar que a complexidade não está associada apenas à visão financeira, e sim a qualquer fato dentro da organização, como a imagem da empresa, por exemplo. Essa constatação de que outras visões têm impacto na complexidade se justifica pela “simples” introdução apresentada por Robert S. Kaplan e David P. Norton, os autores do conceito do Balanced Scorecard e do livro A Estratégia em Ação - Balanced Scorecard, no qual relatam que “motivado pela crença de que os métodos existentes para avaliação do desempenho empresarial, em geral apoiados nos indicadores contábeis e financeiros, estavam se tornando obsoletos. Os participantes (do estudo) acreditavam que depender de medidas de desempenho consolidadas, baseadas em dados financeiros, estava prejudicando a capacidade das empresas de criar valor econômico para o futuro”. A imagem da empresa, assim como diversos outros indicadores, influenciam no valor econômico da organização e também na estratégia. Guy Lê Boterf, autor francês, em seu livro Desenvolvendo a Competência dos Profissionais, também citado por Dutra, define como profissional “aquele que administra uma situação profissional complexa”, e Dutra complementa o significado de complexidade como “o conjunto de características objetivas de uma situação as quais estão em um processo contínuo de transformação”. É que é possível encontrar essa complexidade na descrição das funções, justamente nas “Atribuições e Responsabilidades”. Mas como tudo requer uma melhoria, o tal do upgrade, é preciso preparar as descrições de função, visando à extração dessas informações de forma concreta e alinhada ao Plano Estratégico da empresa. Complexidade é uma responsabilidade dentro da organização. Mais uma vez recorrendo ao dicionário, responsabilidade significa: “obrigação de responder pelos seus atos ou pelos de outrem”. E, levando para o contexto organizacional, o colaborador deve responder pelos seus atos e decisões; e não somente os seus, mas os de sua equipe. E realmente é assim que ocorre, até o nível mais alto da organização. Olhando o exemplo que James Hunter, autor do livro “O Monge e o Executivo”, relata em seu recente livro “Como se Tornar um Líder Servidor” ao trazer o exemplo de um feedback de Jack Welch, ex-presidente da GE, para Jeffrey lmmelt, um dos três colaboradores que estavam sendo preparados para sua sucessão. Quando Jeffrey Immelt dirigia uma subsidiária da GE, Plastic Américas, que estava com péssimo resultado, apesar de toda a admiração de Welch por lmmelt, aquele disse-lhe: “Eu amo você, sou seu maior fã! Mas você é responsável pelo pior ano da empresa. Terei de afastá-lo, se não puder dar um jeito”. Mesmo Jeffrey Immelt sendo quem era, e atual presidente da GE, o que indica que ele reverteu a situação, teve de responder pelos seus atos. Assim como o presidente de uma empresa tem de responder por um problema que tenha ocorrido com um produto ou serviço quanto maior o nível hierárquico, maior a complexidade, maior a responsabilidade. A tomada de decisão deve ser realizada em todos os níveis da organização, mas cada uma tem um impacto diferente de acordo com a complexidade da função. Tomar uma decisão conforme a complexidade da função pode levar uma empresa ou um país à falência, e isso precisa ser considerado dentro da avaliação de desempenho. A 4ª Perspectiva da composição da Avaliação de Desempenho, sendo estas as “Perspectivas Básicas da Avaliação de Desempenho com “Foco em Competências”: • Perspectiva Técnica. • Perspectiva Comportamental. • Perspectiva Resultado. • Perspectiva Complexidade. Conceito de Entrega Quando identificamos no colaborador essas quatro perspectivas por meio da Avaliação de Desempenho, conseguimos identificar e mensurar qual foi a sua entrega à organização. A entrega não é apenas uma das perspectivas, nem tão pouco a execução de uma meta em específico. A entrega é o que 59 o colaborador deixa para a organização, quais os valores que ele acrescenta ou como que ele colaborará para o crescimento e para a realização da estratégia da organização. Quando temos a entrega desejada mapeada em cada uma dessas perspectivas de forma clara, fica mais fácil para o colaborador empenhar-se para que o resultado seja o melhor possível, e, no caso dos profissionais diferenciados, saberemos no que ele se supera, possibilitando o estudo de casos para buscar multiplicar seu exemplo. No modelo de Avaliação de Desempenho com Foco em Competências, a entrega do colaborador será expressa pela consolidação estratégica de cada uma das perspectivas, que irá gerar como resultado o Coeficiente de Desempenho do Colaborador. Cada empresa tem uma estratégia e está inserida em um contexto de mercado, que é o seu negócio, e dependendo da estratégia e desse contexto, outras perspectivas podem ser necessárias. Trabalhando com as perspectivas, a fórmula fica modular, podendo ser adaptada à cada organização de acordo com novas perspectivas a serem criadas, em coerência com a estratégia e com o foco da empresa. 2 - Diferença entre gestão da informação e gestão do conhecimento Estamos diante de um cenário de raracomplexidade, no mundo corporativo e na sociedade em geral. Fenômenos econômicos e sociais de alcance mundial, como a globalização da economia e a generalização do uso da tecnologia da informação, são responsáveis pela reestruturação do ambiente e do modo de vida. É nesse contexto que a gestão do conhecimento se transforma em um valioso recurso estratégico para a vida das pessoas e das empresas. Não é de hoje que o conhecimento desempenha papel fundamental na história. Sua aquisição e aplicação sempre representaram estímulo para as conquistas de inúmeras civilizações. No entanto, apenas “saber muito” sobre alguma coisa não proporciona, por si só, maior poder de competição para uma organização, mas sim, exatamente quando aliado a sua gestão que ele faz diferença. A criação e a implantação de processos que gerenciem, armazenem e disseminem o conhecimento representam um novo desafio a ser enfrentado pelas empresas. Será que informação e conhecimento são a mesma coisa? Pode parecer um detalhe semântico, mas faz muita diferença na gestão organizacional. Gestão da informação não é a mesma coisa que gestão do conhecimento. Hoje em dia qualquer pessoa tem acesso abundante de informação sobre qualquer assunto na internet. No entanto, a informação pela informação não tem valor algum. É a capacidade de filtrar, de articular e de aplicar essas informações de forma a dar uma solução – desde a mais simples até a mais sofisticada – que faz a diferença. É a capacidade de realizar, de executar e de criar que geram real valor para a organização. E, para isso, precisamos de: CONHECIMENTO. O conhecimento passa pela bagagem, pelas experiências, pela visão de mundo e até pelos valores pessoais. A mesma informação pode ser interpretada de maneira totalmente diferente dependendo de quem tem acesso a ela. Tudo depende de como cada um vai transformar a informação que recebe. Alguns profissionais fazem gestão da informação pensando que estão fazendo gestão do conhecimento. Organizar documentos e extrair relatórios a partir de bases de dados são atividades importantes, mas gestão do conhecimento vai muito além do que gerir o que está explícito. O conhecimento é essencialmente intangível e depende da inteligência humana para se manifestar. A própria inteligência artificial é um produto da inteligência humana. A capacidade de inferência, de dedução, de formulação de novas hipóteses a partir da interpretação de um conjunto de dados, de informações e da percepção da realidade é que fazem com que os profissionais (e as organizações) evoluam continuamente. Gerar e replicar informações é mais natural. Gerar novos conhecimentos demanda uma certa dose de ousadia. Precisamos exercitar os músculos do aprendizado mais do que armazenar um volume enorme de informações perecíveis. Gestão do Conhecimento (Knowledge Management) refere-se à criação, identificação, integração, recuperação, compartilhamento e utilização do conhecimento dentro da empresa. O “KM”, como é conhecido, é considerado um sistema de gerenciamento corporativo. Tendo em vista as mudanças ocorridas, como a globalização da economia, o avanço tecnológico, o conhecimento tornou-se valioso. As empresas passaram por três etapas: era industrial clássica, era industrial neoclássica e era da informação. A Tecnologia da Informação aliada à Gestão do Conhecimento, torna-se um meio e não um fim, para o sucesso de uma estratégia. Ao contrário do que acontecia antigamente, em que as empresas guardavam seus conhecimentos a sete chaves, com a Gestão do Conhecimento, toda informação deve ser transformada em conhecimento e distribuída a todos interessados. O segredo está em divulgá-lo em toda organização, e não mais detê-lo. O conhecimento passa a ser ativo na empresa, portanto motivar, recompensar e reter as pessoas que têm conhecimento é um foco das empresas bem sucedidas. Com a adoção do “KM”, um dos principais benefícios, além de outros, é o melhor aproveitamento do conhecimento já existente na empresa. É como se o próprio valor da empresa se tornasse maior a cada momento, em cada ação bem sucedida de pessoas comprometidas. Agregando valores as pessoas e à empresa. A Gestão do Conhecimento é um valioso recurso estratégico para a vida das pessoas e das empresas, que a médio e longo prazo colherá frutos. A agilidade e rapidez passam a ser característica das empresas que adotam o Knowledge 60Política de Avaliação de Desempenho Management. Constatado que a principal fonte de conhecimento já se encontra na própria empresa, faz-se necessário o seu gerenciamento. Não menosprezando esta fonte, existem outras fontes complementares, que devem ser reconhecidas, como por exemplo: fornecedores, Internet, consultorias, relatórios financeiros de concorrentes e universidades. Cada vez mais, a Gestão do Conhecimento é uma realidade no mundo dos negócios, pois o conhecimento numa empresa não a torna mais competitiva, e sim o seu gerenciamento que faz a diferença. Com a Gestão do Conhecimento temos a “venda” do projeto para todos os colaboradores; a importância do treinamento, a educação; todos participantes ativos ou receptivos serão beneficiados pela estratégia; a premiação, como forma de reconhecimento; e a comunicação clara, atingindo todos os níveis afetados. A Knowledge Management, vem de encontro com o capital intelectual e a Tecnologia da Informação; sendo que precisamos reorganizar esses valores, que muitas vezes se encontram dispersos. Trata-se de uma mudança de comportamento para se agregar valores, o segredo está nas pessoas, nada mais é que criação de valor. Histórico O conceito de Gestão do Conhecimento surgiu no início da década de 90 e, segundo Sveiby (1998, p. 3), “a Gestão do Conhecimento não é mais uma moda de eficiência operacional. Faz parte da estratégia empresarial”. Para compreender Gestão do Conhecimento, se devem descrever os conceitos de dado, informação, conhecimento, e por fim, de Gestão do Conhecimento. Dado pode ter significados distintos, dependendo do contexto no qual a palavra é utilizada. Para uma organização, dado é o registro estruturado de transações. Genericamente, pode ser definido como um “conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos” (DAVENPORT & PRUSAK, 1998, p.2). É informação bruta, descrição exata de algo ou de algum evento. Os dados em si não são dotados de relevância, propósito e significado, mas são importantes porque compõem a matéria-prima essencial para a criação da informação. Informação é uma mensagem com dados que fazem diferença, podendo ser audível ou visível, e onde existe um emitente e um receptor. É o insumo mais importante da produção humana. “São dados interpretados, dotados de relevância e propósito” (DRUCKER, 1999, p.32). É um fluxo de mensagens, um produto capaz de gerar conhecimento. É um meio ou material necessário para extrair e construir o conhecimento. Afeta o conhecimento acrescentando-lhe algo ou reestruturando-o. O conhecimento deriva da informação assim como esta, dos dados. O conhecimento não é puro nem simples, mas é uma mistura de elementos; é fluido e formalmente estruturado; é intuitivo e, portanto, difícil de ser colocado em palavras ou de ser plenamente entendido em termos lógicos. Ele existe dentro das pessoas e por isso é complexo e imprevisível. Segundo Davenport e Prusak (1998, p. 6), “o conhecimento pode ser comparado a um sistema vivo, que cresce e se modifica à medida que interage com o meio ambiente”. Os valores e as crenças integram o conhecimento, pois determinam, em grande parte, o que o conhecedor vê, absorve e conclui a partir das suas observações. Nonaka e Takeushi (1997, p.63) observam que “o conhecimento, diferente da informação, refere-se a crenças e compromisso”. Estes autores classificaram o conhecimento humano em dois tipos: conhecimento tácito e conhecimento explícito. O conhecimento tácito é difícil de ser articuladona linguagem formal, é um tipo de conhecimento mais importante. É o conhecimento pessoal incorporado à experiência individual e envolve fatores intangíveis como, por exemplo, crenças pessoais, perspectivas, sistema de valor, insights, intuições, emoções e habilidades. Só pode ser avaliado por meio da ação. Conhecimento explícito é o que pode ser articulado na linguagem formal, inclusive em afirmações gramaticais, expressões matemáticas, especificações, manuais etc., facilmente transmitido, sistematizado e comunicado. Ele pode ser transmitido formal e facilmente entre os indivíduos. Esse foi o modo dominante de conhecimento na tradição filosófica ocidental. Os conhecimentos tácito e explícito são unidades estruturais básicas que se complementam e a interação entre eles é a principal dinâmica da criação do conhecimento na organização. Segundo Nonaka e Takeuchi (1997, p.79), para se tornar uma “empresa que gera conhecimento” a organização deve completar uma “espiral do conhecimento”, espiral esta que vai de tácito para tácito, de explícito a explícito, de tácito a explícito, e finalmente, de explícito a tácito. Logo, o conhecimento deve ser articulado e então internalizado para tornar-se parte da base de conhecimento de cada pessoa. A espiral começa novamente depois de ter sido completada, porém em patamares cada vez mais elevados, ampliando assim a aplicação do conhecimento em outras áreas da organização. Espiral do Conhecimento - Nonaka, I. & Takeuchi, H., (1997, p. 80) 61 Socialização é o compartilhamento do conhecimento tácito, por meio da observação, imitação ou prática (tácito para tácito). Externalização/Articulação é a conversão do conhecimento tácito em explícito e sua comunicação ao grupo (tácito para explícito). Combinação – padronização do conhecimento é juntá-lo em um manual ou guia de trabalho e incorporá-lo a um produto (explícito para explícito). Internalização é quando novos conhecimentos explícitos são compartilhados na organização e outras pessoas começam a utilizá-los para aumentar, estender e reenquadrar seu próprio conhecimento tácito (explícito para tácito). Gestão do Conhecimento é o processo sistemático de identificação, criação, renovação e aplicação dos conhecimentos que são estratégicos na vida de uma organização. É a administração dos ativos de conhecimento das organizações. Permite à organização saber o que ela sabe. O PROCESSO DE GESTÃO DO CONHECIMENTO A gestão do conhecimento é um processo corporativo, focado na estratégia empresarial e que envolve a gestão das competências, a gestão do capital intelectual, a aprendizagem organizacional, a inteligência empresarial e a educação corporativa. Gestão das competências da informação Competência engloba o conhecimento real, a habilidade, a experiência, os julgamentos de valor e redes sociais. É o elo entre conhecimento e estratégia. Não pode ser copiada com exatidão, é transferida pela prática. Competência é a capacidade de gerar resultados observáveis, necessários ao alcance dos objetivos definidos no posicionamento estratégico da empresa e no propósito de manutenção e desenvolvimento de sua ideologia essencial. É um conceito pelo qual se define quais são as atitudes, as habilidades e os conhecimentos necessários para alcançar resultados diferenciados, o conjunto de qualificações que a pessoa tem para executar um trabalho com um nível superior de performance. Está associada às realizações das pessoas, àquilo que elas produzem e/ou entregam. Desta forma, a competência não é um estado ou um conhecimento que se tem e nem é resultado de treinamento. Competência é, na verdade, colocar em prática o que se sabe em um determinado contexto. Há competência apenas quando há competência em ação. A Gestão de Recursos Humanos está em amplo processo de transformação. Sistemas tradicionalmente utilizados como referencial - centrados em cargos - vêm mostrando sua fragilidade em articular sistemicamente as várias ações da gestão da organização, e comprometem o reconhecimento do seu valor. A abordagem de gestão de pessoas que tem no seu núcleo o conceito de competência apresenta imensas possibilidades de articular as relações entre as diferentes ações de gestão de RH, como a conjugação de desempenho, desenvolvimento e potencial, aumentando em consequência a sinergia do sistema. Aprendizagem organizacional O tema central da Gestão do Conhecimento é aproveitar os recursos que já existem na organização para que as pessoas procurem, encontrem e empreguem as melhores práticas em vez de tentar criar algo que já havia sido criado. Cuida de agregar valor às informações, filtrando, resumindo e sintetizando as informações e, dessa forma, desenvolvendo um perfil de utilização pessoal que ajuda a chegar ao tipo de informação necessário para passar à ação. Através da aprendizagem contínua, a organização exercita a sua competência e inteligência coletiva para responder ao seu ambiente interno (objetivos, metas, resultados) e externo (estratégia). Nas “organizações que aprendem, as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar resultados que elas realmente desejam, onde maneiras novas e expansivas de pensar são encorajadas, onde a aspiração coletiva é livre, e onde as pessoas estão constantemente aprendendo a aprender coletivamente” (SENGE, 1999, p.21). A organização que aprende possui a capacidade de, continuamente, criar o futuro que realmente deseja. Para isto, reflete sobre o desempenho atual e os fatores que o geram, pensa sobre os diversos futuros possíveis e qual entre eles é o desejado, e planeja e programa as ações para se mover da situação atual para a desejada. A aprendizagem organizacional é, portanto, o processo contínuo de detectar e corrigir erros. Errar significa aprender, envolvendo a autocrítica, a avaliação de riscos, a tolerância ao fracasso e a correção de rumo, até alcançar os objetivos. É a capacidade das organizações em criar, adquirir e transferir conhecimentos e em modificar seus comportamentos para refletir estes novos conhecimentos e insights, conforme Senge (1999). Isso implementa um mecanismo pelo qual os colaboradores contribuem para o desempenho da empresa por meio da aplicação dos seus conhecimentos e habilidades em resolver problemas e de inovar constantemente. Cria-se a organização que aprende e que gera conhecimento. Retomando a aula Este é o momento de retomar o que foi estudado e então refl etir sobre os entendimentos e procurar pesquisar nas obras que estão como sugestão, para formular o próprio conhecimento. 1 - Mapeamento das competências organizacionais Nessa seção, fizemos o mapeamento das competências de cada função e de cada colaborador, mostramos que comportamentos e técnicas devem ser trabalhados de forma conjunta para então formar a competência, que nada mais é, o conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos manifestados no desempenho em determinadas atividades por meio de ações observáveis pelos outros. Vimos ainda, que a avaliação de desempenho com foco nas competências é a forma mais eficaz de identificar 62Política de Avaliação de Desempenho nos colaboradores o que eles oferecem dos seus talentos à empresa. 2 - Diferença entre gestão da informação e gestão do conhecimento Nessa seção 2, vimos que existem diferenças claras entre a informação e o conhecimento. O gestor deve ter habilidades para administrar as duas competências, tendo clareza de que a informação é todo e qualquer assunto acessado nos diferentes canais de comunicação, já o conhecimento é a capacidade de filtrar, de articular e de aplicar essas informações de forma a trazer soluções para a empresa. Sendo então o conhecimento, a capacidade que o indivíduo tem de realizar, de executar e de criar para gerar real valor para a organização. Foi destacado que a gestão do conhecimento (Knowledge Management) refere-se à criação, identificação, integração,recuperação, compartilhamento e utilização do conhecimento dentro da empresa, dentro de uma visão de gerenciamento corporativo, sempre atendendo as mudanças ocorridas, devido a globalização da economia e o avanço tecnológico. Portanto, o gestor de informação deve atender às necessidades da gestão de conhecimento, fazendo que o acúmulo de informação seja processada pelo indivíduo na transformação do seu conhecimento e depois deve ser partilhada com os demais colaboradores da empresa. Artigo publicado na Revista HSM Management 42 janeiro-fevereiro 2004. ARAÚJO, A. Curso de gestão de recursos humanos: sistemas de avaliação de desempenho e administração de carreiras. Rio de Janeiro: AVM, 2007. BECKER, B. E., HUSELID, M. A., ULRIC H. D. Gestão estratégia de pessoas com “scorecard”. Rio de Janeiro: Campus, 2001. DAVENPORT, Thomas H.; PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Campus, 1998. DRUCKER, Peter F. e outros. Aprendizagem organizacional. São Paulo: Campus, 1999. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard. 20 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. MOYSÉS, J. Estratégia de empresas. Rio de Janeiro: FGV, 2003. NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus,1997. SENGE, P. M. et. al. A dança das mudanças: os desafios de manter o crescimento e o sucesso em organizações que aprendem. 7 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. SVEIBY, Karl Erik. A nova riqueza das organizações Vale a pena Vale a pena ler – gerando e avaliando patrimônios de conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1998. Minhas anotações 8ºAula Avaliação como estrategia competitiva Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • compreender como ocorre a implantação do planejamento para avaliação; • entender os conceitos e definições sobre inteligência competitiva; • compreender o processo da inteligência competitiva diante da nova ordem mundial “era da informação”. Pessoal, chegamos ao final da aula 8, aqui, iremos sobre a Inteligência Competitiva (IC), ou seja, o processo sistemático que visa descobrir forças que regem negócios, reduzem riscos e auxiliam na tomada de decisões, além de proteger o conhecimento gerado na organização. Nesse sentido, na primeira seção, abordaremos como é realizado a implantação do planejamento para a avaliação. E na segunda seção, como ocorre a IC diante da nova ordem mundial “era da informação”. Bons estudos! 64Política de Avaliação de Desempenho 1 - Planejamento para a avaliação 2 - Inteligência competitiva diante da nova ordem mundial “a era da informação” Seções de estudo 1 - Planejamento para a avaliação 1.1- A implantação do planejamento para a avaliação O desenvolvimento de um programa de avaliação de desempenho (AD) está fortemente associado ao estudo do processo de trabalho da organização e, como hipótese subjacente, ao aperfeiçoamento de seus quadros gerenciais. Dar capacidade aos gerentes para avaliarem, significa interiorizar conhecimentos, valores, habilidades e atitudes que possam ser produtivamente aproveitados no exercício de suas funções, isto é, torná-los mais objetivos e consequentes na direção das operações organizacionais e na melhora do desempenho de seus subordinados, quer como indivíduos, profissionais, membros de grupos e de equipes. A implantação de um programa de avaliação de desempenho não pode abstrair da discussão sobre os elementos universais e específicos que promovem uma maior reflexão sobre as necessidades de mudança da organização, de suas ações e resultados, dos papéis e funções essenciais que exerça no conjunto da sociedade, da sua visão do negócio e das estratégias de implementação. Tal contenda só pode ocorrer efetivamente, se o programa contar com a aprovação, a participação e a interferência interessada da própria cúpula dirigente da organização. É preciso desenvolver um programa descontaminado dos constrangimentos próprios da percepção da avaliação de desempenho como ferramenta administrativa, burocrática ou me-ramente dependente pelos limites estreitos das regras e dos regulamentos das relações de trabalho. É necessário estender o programa ao universo do desempenho da organização e das pessoas que a integram, ampliá-lo ao cotidiano do estudo da interação humana, fundamentada no complexo trabalho- crítica-aprendizagem e aplicação prática. Conceber e elaborar um programa de avaliação de desempenho que qualifique os gerentes, como avaliadores, a administrá-lo autonomamente é sempre um desafio para a sua implantação. Embora a área de Recursos Humanos deva fazer a sua parte para assegurar a adequação e o apoio ao processo de avaliação em toda a organização, a responsabilidade pela liderança do programa deve ser dos gerentes de linha. A qualidade dos resultados das avaliações de desempenho concentra-se nas mãos dos avaliadores, e não nas dos especialistas da área de Recursos Humanos. Estes têm apenas o papel de apoio e consultoria do processo. Nenhum processo de implantação de um programa de avaliação de desempenho pode ser desencadeado sem que a direção da organização não o patrocine de forma convicta. É natural que no decurso da implementação do programa surjam - diversas propostas de modificação do status prevalecente na organização. Tais esforços autênticos irão revelar-se infrutíferos e rejeitáveis, se não contar com a disposição da direção para proceder ao seu exame e à eventual aprovação. Assim, é indispensável o compromisso e a adesão dos dirigentes de topo aos postulados da avaliação de desempenho. Em compensação, os benefícios resultantes da participação redundarão em forte prestígio para a qualidade das avaliações e para a melhoria da performance da própria organização. Todos os avanços da teoria das organizações negam a tese da melhor estrutura, do arranjo estrutural-funcional mais adequado, da solução superior às demais, uma vez apreendidas e devidamente tratadas todas as variáveis envolvidas na implantação de um programa de avaliação de desempenho. Assim, qualquer sistema a ser adotado não é melhor, mas é a resposta mais apropriada a um conjunto específico de circunstâncias e problemas particulares de uma dada organização. A implantação, por meio dos possíveis diferentes sistemas, é uma questão que precisa ser vista caso a caso, com prudência, pois as condições diversificadas que vicejam em cada organização são exclusivas e peculiares. A dimensão operacional do programa deve, assim, ajustar-se a cada situação em particular, dentro de uma estratégia comum de ação. Antes de começar a efetiva implantação do programa, a equipe responsável deve definir adequadamente a estratégia a ser seguida, e não cometer a ingenuidade de pretender que um processo de avaliação de desempenho operacionalize- se sem que haja assimilação, participação, envolvimento e compreensão adequados da validade do processo em relação ao cotidiano de trabalho de cada um dos envolvidos. A experiência mostra uma grande quantidade de exemplos de modelos concebidos como racionais e apropriados, mas que a realidade social rejeitou ou que nunca chegaram a sequer ser implantados. Isto porque os seus agentes não incorporaram os objetivos desses modelos ou as evidências específicas contraindicavam, naquela situação, a medida recomendada. Decorre daí um descompasso entre a estrutura do programa e o comportamento dos atores (avaliadores e avaliados) responsáveis por sua implementação. A implantação do programa deve superar o falso dilema “decisão versus execução”, que se consubstancia na falácia: decisão é uma responsabilidade “política” e execução é uma responsabilidade “técnica”. Como a orientação “correta” da avaliação de desempenho é a sua aplicação, o programa esvai- se como um “problema técnico”, deixando de lado os valores, as crenças, as aspiraçõesmais diferentes papéis profissionais: membros de equipes, colegas supervisores e gerentes. Os resultados da avaliação de desempenho passam a ser apenas referências ou indicações para a aplicação de políticas e normas administrativas. Cultura Não podemos esquecer da influência da cultura organizacional, e do meio onde a empresa está inserida. Conforme Siqueira (2002), “Cultura é uma combinação de crenças, comportamentos, hábitos, tradições, concepções e práticas que uma organização desenvolve ao longo do tempo como resultado da integração das pessoas que a integram e com ela interagem”. Podemos analisar, por exemplo, empresas que tem matriz no sul do Brasil e filiais no Nordeste, nesse caso, o recursos humanos, não pode-se esquecer de analisar a diferença cultural que existe entre essas duas regiões ao estabelecer as metas e objetivos, com base na avaliação de desempenho. Procedimentos de Implantação Guimarães (1998) seguindo as proposições de Alury & Riechel (1994), sugere o desenvolvimento de um modelo integrado de gestão de desempenho, entendido, aqui, como um processo resultante de três etapas – planejamento, acompanhamento e avaliação. Esse modelo, com fases sequenciais e interdependentes (ver Figura 1), compreende uma espécie de ciclo de gestão, podendo ser visualizado como parte de um contexto organizacional mais amplo. Isso porque as etapas de acompanhamento e avaliação formam, juntas, um mecanismo de retroalimentação (feedback) que, de acordo com os pressupostos da abordagem sistêmica, torna possível minimizar os efeitos da tendência à entropia a que as organizações estão sujeitas. 13 Figura 1: Etapas de um modelo integrado de gestão de desempenho. Estabelecer objetivos e metas a serem alcançados Definir recursos necessários Definir indicadores de desempenho Planejar atividades Identificar desvios na execução das atividades planejadas Estabelecer alternativas e implementar ações para corrigir os desvios detectados Apurar os resultados alcançados Comparar resultados alcançados com resultados esperados Planejamento Avaliação Acompanhamento O planejamento compreende o estabelecimento de objetivos e metas a serem alcançados, dos recursos necessários, e dos indicadores sobre os quais será realizada a avaliação. Indicador de desempenho é uma variável ou parâmetro que reflete um estágio de desenvolvimento desejável, podendo ser utilizado para avaliação tanto quantitativa como qualitativa de organizações, de processos de trabalho, de equipes e indivíduos (GUIMARÃES, 1998). O acompanhamento, por sua vez, possui a finalidade de assegurar que a execução corresponda ao que foi planejado, o que pressupõe a necessidade de identificar desvios que porventura ocorram na execução das atividades planejadas, estabelecer alternativas de solução e implementar ações para corrigir as falhas detectadas. Finalmente, a terceira etapa, a avaliação propriamente dita, destina-se a comparar os resultados alcançados com aqueles que eram esperados (planejados), figurando como uma consequência das fases anteriores. É importante que você entenda de forma mais clara como funciona fator do desempenho acima descrito. Exemplo: Planejamento (Planejamento num setor comercial para os Vendedores Externos) No planejamento, devemos buscar estabelecer os objetivos e metas. Objetivo: identificar os clientes que mais se adéquam ao produto e abordá-los. Meta: vender no prazo de um mês X unidades. Recursos Necessários: formulário de vendas, folder explicativo, caneta, crachá de identificação e fardamento. Planejar Atividades: os vendedores procuraram formular os métodos e a abordagem que os levaram a identificar seus clientes e formalizar as vendas. (Identificar através de catalogo telefônico e junto formulação de texto que ajude a manter uma linha lógica de conversa.) Acompanhamento O acompanhamento é uma atividade desenvolvida pelo supervisor dos vendedores. O supervisor deverá procurar desvios na execução adotada pelos vendedores e estabelecer alternativas para corrigir as distorções (Refazer o planejamento). Avaliação Apurar os resultados da equipe de vendas e fazer 14Política de Avaliação de Desempenho a comparação com as metas determinadas. Tendo ocorrido dentro do esperado, restabelecer novas metas no planejamento. Caso tenham ocorrido distorções, procurar rever o planejamento executado pelos vendedores. Os passos para avaliação de desempenho Temos que analisar se a Avaliação de Desempenho será subjetiva ou objetiva, eventual ou sistemática, casual ou formal. Ela deve ser simultaneamente objetiva, sistemática e formal, para que tenhamos uma ótima avaliação. Podemos até aplicá-la de forma subjetiva, eventual ou casual, mas não teremos um bom resultado. Afinal, a subjetividade é algo muito particular, e estaremos não só avaliando o indivíduo, mas o conjunto onde está inserido. O sistema de avaliação aplicado pela empresa não deve enfatizar vagamente apenas a personalidade do avaliado, nem somente considerar as suas realizações objetivas, ou simultaneamente combinar trações de personalidade e de realizações objetivas. Devemos levar em consideração fatos objetivos e traços subjetivos, vejamos: Fato Objetivo • assiduidade. • pontualidade. • autonomia. • aparência. • planejamento. • produção e rendimento. • organização. • produtividade. Traços Subjetivos • decisão. • liderança. • julgamento. • resistência ao estresse. • resolução de problemas. • espírito de equipe. • adaptação ao novo. • criatividade e inovação. • sociabilidade. Além de vários fatores que devem ser ajustados à natureza do trabalho desenvolvido e aos interesses da organização, sempre vinculado da visão do negócio e à realização dos objetivos, sonhos e missões. Quem deve ser avaliado? Devemos observar que existem dificuldades envolvidas nos processos de avaliação de desempenho e que são agravadas quando se pretende, de forma geral, aplicá-las a todos os níveis hierárquicos, cargos e funções da organização. O cuidado que se deve ter ao aplicar a avaliação de desempenho, está no tamanho da contribuição individual, em que alguém no exercício de suas funções seja capaz de ampliar os limites estreitos de seu cargo, enriquecendo-o com maior conteúdo ocupacional, assumindo maiores responsabilidades, autonomia e iniciativa. A exemplo disso, atividades repetitivas e sequenciais, como os que trabalham no chão de fábrica, em processos de produção em massa, certamente não são as mais adequadas para se utilizar de um sistema de avaliação de desempenho. Nesse caso, deve-se procurar caminhos administrativos, tais como acompanhamento do valor do salário no mercado de trabalho, políticas de partição no lucro ou outros mecanismos que possa ser avaliado em separado. Quando muito, pode-se valer de sistemas de pouco detalhamento, em que o avaliador apenas indique a satisfação ao não do desempeno do avaliado, sem qualquer gradação dos níveis de desempenho ou de explicações e justificativas para as avaliações realizadas. Quem deve avaliar? Podemos ter um comitê especializado em avaliação ou o funcionário pode ser avaliado, pela equipe que integra, pelo superior imediato ou pelo chefe do superior imediato, por meio de autoavaliação ou por especialistas em recursos humanos. A avaliação é um valor determinado pelos avaliadores, é preciso que este valor seja justo e que não haja dúvidas sobre ele. Daí a importância de se usar na avaliação de desempenho, critérios objetivos e mensuráveis. Mesmo a conduta, que faz parte do processo de avaliação, precisa ser mensurável, e isso é possível por meio dos indicadores de comportamento. Como já disse, os critérios devem ser claros, mensuráveis, conhecidos por todos e devem referir-se ao período do empenho até a data do início da avaliação. Quando avaliar? O processo de avaliação de desempenho deve ser contínuo, implicando na realização de entrevistas formais e informais.e as necessidades do programa como um todo e suas partes componentes. Se a implantação do programa concentra-se sobremaneira no “que fazer”, muito mais do que no “decidir o que fazer” e na adequabilidade e na oportunidade das decisões tomadas, acabam por preponderar consequências não previstas e desgastantes, disfuncionalizando os resultados das avaliações 65 de desempenho realizadas. Um programa de avaliação de desempenho é também (e, muitas vezes, é antes de tudo) um problema político. Ele só deve ser efetivado com a adequada previsão ou antecipação dos condicionamentos e das reações daqueles que serão atingidos pelo processo e da clara definição das ações que têm por objetivo reduzir o impacto das reações dos circunstantes, em especial dos avaliadores e avaliados. Sem a competência política (vale dizer, estratégica), nenhuma organização consegue operacionalizar um autêntico programa de avaliação de desempenho, por melhores que sejam os seus objetivos e mais genuínas as suas intenções. A avaliação de desempenho há de ser uma ferramenta de gestão produzida para a organização, mas, antes e além disso, uma ação gerencial comprometida com os seus quadros funcionais e para eles, aí entendidos os avaliadores e os avaliados. Só assim a avaliação de desempenho conquistará ressonância comportamental, inserindo-se como um relevante instrumento da organização, para alcançar níveis superiores de produtividade e motivação. Fases de implantação de um sistema de avaliação de desempenho. I) Análise preliminar • Objetivos e condições políticas. • Qualidade do grupo gerencial. • Viabilidade objetiva de utilização do sistema como ferramenta de desenvolvimento organizacional. • Compromisso da direção; Definição de papéis: corpo gerencial x profissionais de recursos humanos. II) Divulgação Prévia • Objetivos do sistema. • Razões para implantação. • Clarificação de valores e percepção. • Busca de envolvimento e de comprometimento do corpo gerencial e dos profissionais. III) Seleção do sistema • Objetivos. • Adaptação à organização e à natureza das diferentes funções. • Conexão com outras políticas e normas da gestão de pessoas. Um só sistema? Porquê? IV) Elaboração do sistema • Método a ser utilizado. • Objetivos. • Fatores. • Graus. • Um só método? • Adaptação do sistema às peculiaridades da organização. V) Elaboração das normas • Conexão com as demais políticas e normas da gestão de pessoas. Comunicação ao subordinado da avaliação de desempenho Os funcionários precisam saber e a organização tem o dever de informar aos funcionários sobre a situação em que se encontram em termos de desempenho: “a quantas andam”, “em que ponto estão”; “como estão sendo vistos por seus gerentes”; “quais os planos da organização a seu respeito” etc. É o mínimo em termos de direito que o empregado precisa ter em relação à organização em que trabalha. Para que a avaliação de desempenho seja eficaz, é importante haver uma preparação prévia, tanto da parte do avaliador quanto da parte do avaliado. Assim, é indispensável que o avaliador informe, com antecedência, o dia, o local e a hora da entrevista, bem como defina, com precisão, os objetivos da avaliação que pretende discutir na reunião, em todos os aspectos e dimensões, a fim de que o subordinado disponha de um tempo adequado para se preparar. Desse modo, o su-bordinado poderá posicionar-se quanto ao que será abordado, possibilitando-lhe maior segurança para discutir o seu desempenho. Embora o avaliador possa alegar que no dia a dia, entre eles, se desenvolve “um clima de abertura e franqueza”, em que “tudo é esclarecido e resolvido”, o momento apropriado para formalizar os compromissos recíprocos decorrentes da interação chefe-subordinado é na avaliação de desempenho. É verdade que, de forma alguma, a avaliação de desempenho troca a ação educacional diária do avaliador junto aos seus subordinados. O papel de educador é fundamental e deve também estar calcado no contato formal e psicológico pro-veniente da entrevista de avaliação de desempenho. O avaliador não se deve surpreender ao observar que seus subordinados não manifestam entusiasmo com a avaliação de desempenho. É provável que experiências anteriores tenham deixado marcas devido à impressão de que a avaliação de desempenho é pura perda de tempo, por ser um instrumento da chefia para punir ou premiar os subordinados. Passos 1) Informar ao subordinado o dia, a hora e o local da entrevista, bem como a expectativa de duração. O espaço de tempo suficiente para a entrevista de avaliação de desempenho possibilita debater a fundo, e com uma adequação bem mais provável, as diferenças de percepção eventualmente existentes entre o avaliador e o avaliado. O avaliador deve marcar a entrevista consensualmente com o avaliado, com antecedência de alguns dias, para que ambos possam preparar-se cuidadosamente. Muitos avaliados gostariam de debater, com seus superiores, assuntos que no dia a dia do trabalho acabam relegados a segundo plano, por falta de tempo ou oportunidade, ou mesmo por indisposição psicológica. Daí precisarem dispor de um período prévio de preparação para que possam selecionar e ordenar as ideias antes de apresentá-las. 2) Descrever os objetivos da entrevista de avaliação. O avaliador precisa assegurar-se de que o avaliado compreende a finalidade da avaliação. 3) Definir o conteúdo a ser discutido na entrevista (objeto da reunião) e a sua agenda. O avaliador deve definir, especificamente, quais as dimensões de desempenho e os tipos de dados e de informações que serão discutidos na entrevista. 4) Indicar a fonte de informações em que se baseará a entrevista. Para reduzir ao máximo o subjetivismo na avaliação de desempenho, o avaliador deve apoiar-se, sempre que possível, em informações factuais, em dados concretos, mensuráveis, para que opiniões, impressões fiquem relegados 66Política de Avaliação de Desempenho a segundo plano. Relatórios mensais, semanais ou diários de produção; registros e controles em geral; programações de trabalho e o próprio formulário da avaliação anterior são todos instrumentos valiosos como base substantiva para a discussão. 5) Estimular o subordinado a preparar-se para a entrevista. O subordinado tem percepções próprias e faz avaliações a respeito de seu desempenho. É fundamental, portanto, que estas sejam confrontadas com as do avaliador para que, por meio de um consenso, obtenha-se um denominador comum que constitua a base de aperfeiçoamento do avaliado e do próprio avaliador. O avaliado precisa contribuir, na medida em que, ao trocarem feedback, um conjunto de informações correspondentes é gerado, o que muitas vezes permite ao próprio avaliado, aos seus colegas e ao avaliador reavaliarem ações e comportamentos operacionais de trabalho. A aprendizagem do avaliador é tão grande que, ao ser confrontado com informações estas podem estar inteiramente fora do alcance de suas percepções. 6) Enfatizar a importância da entrevista. O avaliador deve manifestar com firmeza a sua crença de que a avaliação de desempenho constitui-se numa das mais importantes oportunidades educacionais que o chefe e o subordinado têm em conjunto. Comunicação ao subordinado da avaliação de desempenho: pontos importantes Para alcançar o que pode ser considerada uma boa entrevista de avaliação de desempenho, o avaliador tem de estar bem preparado. Vejamos em que consiste uma boa preparação: Preparação do avaliador Ao preparar-se para a entrevista de avaliação de desempenho, o avaliador deve considerar, entre outros, os aspectos que se seguem. 1) Definir as áreas ou as dimensões de desempenho que examinará com o subordinado. 2) Rever padrões, metas e expectativas do desempenho desejado para cada área ou dimensão a ser examinada. 3) Verificar o desempenho real do avaliado em cada área ou dimensão. O avaliador deve contar com dados completos para não ser surpreendidocom quaisquer perguntas de seu gerente ou de seu subordinado na fase de preparação, e mesmo durante a entrevista de avaliação. 4) Comparar o desempenho real com padrões, metas ou expectativas desejadas de desempenho. Quando o desempenho real se afastar, de modo significativo, do desempenho desejado, o avaliador deve buscar as causas que, a seu ver, determinaram a diferença, tanto positiva quanto negativa. 5) Classificar o desempenho em cada área ou dimensão. 6) Fazer uma classificação geral a desempenho do subordinado, considerando todas as áreas. 7) Registrar dois ou três exemplos que justifiquem a classificação dada para cada área ou dimensão de desempenho. 8) Estabelecer novas metas, padrões é expectativas de desempenho a serem discutidas com o avaliado. Ao realizar essa atividade, é importante que o avaliador considere as possíveis aspirações profissionais do subordinado; é provável que o avaliador não disponha de informações precisas sobre isso, mas ele deverá transmitir suas impressões a seu gerente, a fim de examinarem as possibilidades efetivas de atendimento por parte da organização; de qualquer maneira, o avaliador e seu gerente precisam decidir quais as oportunidades profissionais que poderão ser oferecidas ao avaliado; 9) Examinar o salário atual do subordinado, em relação à estrutura salarial da organização, ao mercado de salários e ao seu desempenho no cargo. 10) Reservar algum tempo da entrevista para discutir aspectos a serem levantados pelo subordinado, que talvez não tenham sido ainda pressentidos por você. Lembre-se de que você pediu-lhe que trouxesse contribuições e idéias, portanto não poderá deixar de considerá-las. É importante saber que o papel do gerente no planejamento da avaliação é crucial, porque ele atua educacionalmente como um modelo a ser replicado pelos avaliadores junto aos subordinados. Na verdade, o avaliador tende a incorporar valores, crenças, padrões de conduta, conhecimentos e expectativas de seu gerente, transmitindo-os, por sua vez, a seus subordinados. A liderança exerce influência decisiva na situação de trabalho. O dia a dia do relacionamento chefe/subordinado tende a contaminar a objetividade das avaliações feitas pelo avaliador. Neste sentido, o gerente funciona como um “filtro” que minimiza a influência de eventuais simpatias ou antipatias em relação ao avaliado, ou como um “freio” que reduz o impacto das idiossincrasias, preconceitos ou estereótipos no processo de avaliação. A participação do gerente é também indispensável, por permitir a homogeneização das avaliações conduzidas em sua área de supervisão, tendo em vista o posicionamento absoluto e relativo de cada uma em relação às demais. Por outro lado, o gerente fixa as prioridades da organização junto aos avaliadores, para que sejam transmitidas aos escalões subalternos. O avaliador, em geral, precisa de informações e do apoio de seu gerente, para discutir as oportunidades salariais e as perspectivas de carreira a serem oferecidas ao avaliado. 2 - Inteligência Competitiva diante da Nova Ordem Mundial “a era da Informação” Na nova ordem mundial “a era da informação”, cresce a utilização do processo de Inteligência Competitiva fora das organizações, não somente como ambiente de negócio, mas também como meio de comunicação rápida e interativa que promove a conectividade entre os funcionários de uma organização, facilitando a implantação de sistemas de Inteligência. A fim de clarificar a questão, apresento definições e objetivos da Inteligência Competitiva no atual mundo empresarial, buscando a integração desses conceitos. Nova Ordem Mudial – A Era Da Informação A nova ordem mundial já foi estabelecida, movida pela informação e pelo conhecimento, criou-se um ambiente competitivo e nunca antes vivido pelas organizações. Se antes 67 o gestor possuía dificuldades em tomar decisões em função da falta de informação, hoje ele passa pelo mesmo dilema, em virtude da problemática da hiperinformação causada pela explosão documentária. O que dificulta uma tomada de decisão a nível estratégica em tempo real. O advento das tecnologias da informação e dos meios de comunicação que se quadruplicaram nos últimos 10 anos, ao mesmo tempo em que facilitam o acesso às mais diversas informações, também criaram um ambiente mais vulnerável a ações maliciosas externas (exógenas). Hoje o efeito borboleta (NOBREGA, 1999) é muito mais real do que quando foi citado pela primeira vez. A aceleração da taxa de absorção de tecnologia – associada à convergência, interatividade, conectividade, velocidade e intangibilidade (DAVIS, 1999). Está criando um ambiente cada vez mais incerto e instável em todos os sentidos. A empresa que no passado se preocupava apenas com o seu ambiente interno (endógeno). Hoje tem que monitorar tanto o ambiente interno quanto o ambiente externo a organização. Todos os fatores potenciais de sucesso devem ser observados a todo instante (avanços científicos, tecnológicos, socio-demográfico, político e até mesmo os avanços na área da religião e os desdobramentos econômicos em escala global). Tentar antever as futuras modificações que irão ocorrer para se manter atualizado é uma tarefa árdua e complexa no mundo atual. O que se fazer para uma organização e/ou empresa se manter competitiva no mercado globalizado? É nesse contexto que surge a discussão sobre Inteligência Competitiva (IC). O seu papel é explicado pelo trinômio “globalização, competitividade e acirramento da concorrência” (Maldonado, 1998). A busca por crescentes fontes de informações científicas, tecnológicas, econômicas, políticas, empresariais e analises mercadológicas que podem pautar a tomada de decisão estratégica e reduzir o tempo de resposta frente as contingências e exigências do ambiente empresarial externo, visando o melhor desempenho e posicionamento no contexto em as empresas e agora os governos também atuam, vejam o caso (case)de espionagem que envolve os Estados Unidos da América e alguns países emergentes, inclusive o Brasil (América Latina em 09/2013). O advento da Internet criou “um novo ambiente onde os processos de comunicação e a interatividade estão lado a lado, mudando o modo das organizações trabalharem”. A revolução da Web no mundo dos negócios e na vida da sociedade moderna que já foi denominada “ERA DO CONHECIMENTO ou GLOBALIZAÇÃO”, que hoje vivenciamos deverá ter “um impacto tão grande, ou maior, do que a Revolução Industrial”. A “Internet” transformou a velocidade, distância, o tamanho e os ativos físicos em fatores irrelevantes, em termos de vantagem competitiva. O processo de inteligência competitiva Segundo Polmar e Allen (1998), a Inteligência é um dos processos mais antigos e um dos mais empregados no mundo. Registros podem ser encontrados desde citações no Antigo Testamento, nas obras de Sun-Tzu, renomado general Chinês que em seu livro “A arte da Guerra” nos ensina que: “Se você conhece a si e a seu inimigo você não deverá temer 100 batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo para cada vitória você sofrerá uma derrota. Se você não conhece nem a si e nem ao inimigo você é um tolo e perderá todas as batalhas.” No entanto, os registros mais confiáveis já catalogados nos anais da história contemporânea é a da utilização das práticas de Inteligência Competitiva sob a óptica real de um processo minucioso de análise de dados para transformar em informações estratégicas surgiram no pós Segunda Guerra Mundial, ligadas à reconstrução da Europa e do Japão (KAHANER, 1996). Casos Reais da Aplicabilidade da IC A infra-estrutura no Japão pós guerra era precária, e por este motivo algumas empresas que resolveram empregar o processo da Inteligência Competitiva para superar as dificuldades existentes naquele momento, e essas empresas privadas e também órgãos estatais (sogo shosha) começaram a operar em volta do mundo para coletar informações que auxiliam suas empresasna tomada de decisão (MARCIAL, 2001). Exemplos: Canon, NEC, Toshiba, Toyota e Nissan. Segundo Kahaner (1996) a Mitsubishi, por exemplo, possui mais ou menos cerca de 11 mil empregados em mais de 200 escritórios alocados em todo o mundo. Independente da função que executam, repassavam dados ao sistema de Inteligência Competitiva do Japão. Esses dados são filtrados, analisados e disseminados para as empresas pertencentes ao ciclo informacional das empresas e dos órgãos estatais. Na Europa, a situação é similar, uma vez que as agências estatais também têm atuado em parceria com o setor produtivo na área de Inteligência Competitiva. Na Alemanha o sistema de Inteligência Competitiva conta com os bancos alemães como importantes repassadores de dados brutos. Os bancos operam em uma grande extensão de negócios junto às empresas, inclusive com participação societária. Para protegerem seus investimentos, esses bancos têm utilizado sua força e influência “na coleta de dados e informes brutos” em informações confidenciais sobre empresas estrangeiras, disseminando-as para as grandes empresas alemãs (MARCIAL, 2001). Mesmo com a queda do comunismo, a implementação de uma nova moeda e após o surgimento de um novo bloco econômico as praticas de IC inda estão sendo empregadas em larga escala. Suas principais bases de informações são obtidas através dos cadastros que as empresas, principalmente as estrangeiras, mantêm atualizados para obtenção de limites de crédito. A Suécia é outro exemplo de país onde a Inteligência Competitiva tem se desenvolvido bastante. A maioria de 68Política de Avaliação de Desempenho suas grandes empresas dispõe de modernos sistemas de IC implementados. São exemplos a Volvo, Saab, Eletrolux, Ericsson, ABB, Gambro, Nobel Industries, Astra, Skandia Group, Nokia e SCA. Também os bancos suecos são bem atuantes na área de IC, com o governo dando suporte a essas atividades através de suas embaixadas, fornecendo às empresas relatórios sobre tendências econômicas e políticas dos diversos países (KAHANER, 1996). Na França o governo trabalha com as empresas, não somente repassando as informações a nível empresarial que são obtidas por suas embaixadas em outros países, como também através da parceria desenvolvida com algumas universidades que propiciam às empresas o acesso às mais novas tecnologias de monitoramento tecnológico e Inteligência Competitiva. Um Breve Resumo Sobre Histórico do Processo de IC no Brasil No Brasil, a discussão sobre IC se inicia em meados da década de 90, culminando no ano 2000 com a criação da Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva – ABRAIC. Apesar do tema ser recente no País, já podemos encontrar empresas como a Embraer, Petrobrás, Banco do Brasil, White Martins, Embratel, TCBCTelecom, IBM Brasil, DirecTV, Ericsson Br, HP Br e Telefônica, cada uma delas em diferentes estágios de implementação. Segundo Kahaner (1996), o processo de Inteligência Competitiva tem sua origem nos métodos utilizados pelos órgãos de Inteligência estatais, que visavam basicamente identificar e avaliar informações ligadas à defesa nacional. Essas ferramentas foram adaptadas à realidade empresarial, onde o “inimigo” passa a ser o concorrente. Diversas são as definições que podemos encontrar na literatura especializada em Inteligência Competitiva. Verificamos que Fuld (1995) define Inteligência Competitiva voltado apenas para o monitoramento dos concorrentes: Inteligência Competitiva é informação analisada sobre os concorrentes que tem implicações no processo de tomada de decisão da empresa. Já Herring (1996) possui uma visão mais ampla: “Inteligência é o conhecimento do ambiente competitivo da organização e de seu macroambiente, aplicado a processos de tomada de decisão, nos níveis estratégico e tático. Sistema de Inteligência Competitivo é o processo organizacional de coleta e análise da informação, que por sua vez é disseminado como inteligência aos usuários em apoio à tomada de decisão, tendo em vista a geração ou sustentação de vantagens competitivas”. A partir das definições de diversos autores, dentre eles Miller (2000), Fuld (1995) e Kahaner (1996) entendemos que: “Inteligência Competitiva como sendo o processo informacional proativo que conduz à melhor tomada de decisão, seja ela estratégica e/ou empresarial que visa proteger todo o conhecimento sensível da empresa”. “É um processo sistemático e ético de coleta, análise e disseminação de informações” que visa descobrir as forças que regem os negócios, reduzir o risco e conduzirão o tomador de decisão a agir proativamente, bem como proteger o conhecimento sensível produzido pelo sistema de IC e pela organização. O que não é o caso dos Estados Unidos da américa com relação ao crescimento ecnômico do brasil na américa latina. Retomando a aula Ao término da aula 8, faz-se necessário retornar aos estudos feitos nas duas seções, apontando os aspectos tratados para que você(s) aluno(s) possa(m) refl etir e buscar nas sugestões de leitura mais informações e conhecimentos sobre o tema estudado. 1 – Planejamento para vvaliação Nessa seção, o estudo teve como foco a Implantação do Planejamento para a Avaliação, processo que capacita os gerentes para avaliarem de forma significativa os conhecimentos, valores, habilidades e atitudes que podem ser produtivamente aproveitadas no exercício das funções dos colaboradores e consequentes na otimização das operações organizacionais, como também na melhora do desempenho dos subordinados como indivíduos, profissionais, membros de grupos e de equipes. Apontamos as fases de implantação de um sistema de avaliação de desempenho, focando na análise preliminar, divulgação, seleção do sistema e elaboração do sistema. A partir daí fazer a comunicação ao subordinado da avaliação de desempenho que está sendo implantada. Então organizar todos os passos de implantação. 2 – Inteligência competitiva diante da Nova Ordem Mundial “a Era da Informação” Nessa seção, identificamos que a nova ordem mundial estabelecida é movida pela informação e pelo conhecimento, criando-se um ambiente competitivo que nunca antes foi vivido pelas organizações. O Processo de Inteligência Competitiva tem como fundamento os registros antigos que tem como máxima: “Se você conhece a si e a seu inimigo você não deverá temer 100 batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo para cada vitória você sofrerá uma derrota. Se você não conhece nem a si e nem ao inimigo você é um tolo e perderá todas as batalhas.” Por fim, demonstramos alguns casos reais de aplicabilidade da IC, focando principalmente como ocorre no Brasil. AMOR, Daniel. A revolução do business: vivendo e Vale a pena Vale a pena ler 69 trabalhando em um mundo interconectado. São Paulo: Makron Books, 2000. ARAÚJO, A. Curso de gestão de recursos humanos: sistemas de avaliação de desempenho e administração de carreiras. Rio de Janeiro: AVM, 2007. BECKER, B. E., HUSELID, M. A., ULRIC H. D. Gestão estratégia de pessoas com “scorecard”. Rio de Janeiro: Campus, 2001. BEHNKE, Lynn; SLAYTON, Paul. Shaping a corporate competitive intelligence funcion at IBM. Competitive Intelligence Review, vol. 9(2), p. 4 - 9, 1998. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. Introdução à teoria geral da administração. 6 ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. DAVIS, Stan; MEYER, Chistopher. Blur: a velocidade da mudança na economia integrada. Rio de Janeiro: Campus, 1999. DICIONÁRIO DO AURELIO. Acesso em: 24 jul. 2014. Disponível em: . FREITAS, Henrique; JANISSEK, Raquel. Análise léxica e análise de conteúdo: técnicas complementares, sequenciais e recorrentes para exploração de dados qualitativos. Porto Alegre: Sphinx : Editora Sagra Luzzatto, 2000. FULD, L. M. The new competitorintelligence: the complete resource for finding, analysing, and using information about your competitors. New York: Wiley, 1995. GIESKES, Hans. Competitive intelligence at lexis-Nexis. Competitive Intelligence Review, vol. 11(2), p. 4-11, 2000. HERRING, Jan P. Measuring the effectiveness of Competitive Intelligence. Alexandria: SCIP, 1996. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard. 20 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. MOYSÉS, J. Estratégia de empresas. Rio de Janeiro: FGV, 2003. SOUZA, V. L. Gestão de desempenho. Rio de Janeiro: FGV, 2005. Minhas anotações Referências CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. ______________. Introdução à teoria geral da administração . 6 ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. DICIONÁRIO DO AURELIO, acesso: em 24.07.2014, disponível em: . SOUZA, V. L. Gestão de Desempenho. Rio de Janeiro: FGV, 2005. MOYSÉS, J. Estratégia de Empresas. Rio de Janeiro: FGV, 2003. BECKER, B. E., HUSELID, M. A., ULRIC H. D. Gestão estratégia de pessoas com “scorecard”. Rio de Janeiro: Campus, 2001. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard. 20 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. ARAÚJO, A. Curso de Gestão de Recursos Humanos: Sistemas de Avaliação de Desempenho e Administração de Carreiras. Rio de Janeiro: AVM, 2007.As entrevistas formais devem ser feitas ao longo do ano para todos os subordinados do avaliador. As entrevistas informais devem ser realizadas a qualquer momento, tanto para confirmar as entrevistas formais como para clarificar a tempo os problemas eventuais surgidos no cotidiano da situação de trabalho. É importante realizar as avaliações no decorrer do ano e não num único período. Procurar tornar o ambiente deleitoso antes do início do processo e de suma importância, porque, nas semanas que antecedem as entrevistas, cresce o nível de tensão e de ansiedade entre os avaliados. A importância dos métodos Instrumentos utilizados: elementos de análise Caros(as) alunos(as), o instrumento pode ser definido como sendo o recurso empregado para se alcançar um objetivo determinado e/ou conseguir um resultado esperado. Já o método é um programa que regula com antecipação uma série de operações que se devem realizar, apontando erros evitáveis, em vista de um resultado determinado ou o modo de proceder com vista a atingir um objetivo. A técnica é o conjunto de processos de uma arte, a habilidade especial de executar algo ou simplesmente a prática. A avaliação do desempenho pode ser feita por intermédio 15 de métodos que podem variar intensamente não só de uma empresa para outra, mas dentro da mesma empresa, quer trate- se de níveis diferentes de pessoal ou áreas de atividades diversas. Geralmente, a sistemática da avaliação do desempenho atende a determinados objetivos traçados com base em uma política de aplicação do pessoal. (...) Cada sistemática atende a determinados objetivos específicos e a determinadas características das várias categorias de pessoas. Há vários métodos de avaliação do desempenho e cada um apresenta vantagens e desvantagens e relativa adequação a determinados tipos de cargos e situações. (Chiavenato, 1981, p. 195-196) Precisamos entender que a escolha do método ou técnicas a serem utilizados no sistema de avaliação influenciará diretamente e decididamente no resultado final da avaliação. Podemos dizer que o método é a segunda variável mais importante de todo o processo, pois o avaliador terá resultados semelhantes, diferentes ou convergentes em razão da escolha do método. Cabe aos membros do grupo de trabalho a escolha do método mais apropriado para a organização. Segundo Bergamini (1986) não há entre os pesquisadores um consenso quanto a classificação atribuída aos instrumentos a serem utilizados nos sistemas de avaliação de desempenho, de qualquer forma, de uma maneira geral, pode-se classificá-los em 2 categorias: avaliação direta ou absoluta (onde as técnicas utilizadas são centradas no indivíduo avaliado) e a avaliação relativa ou por comparação (com ênfase na eficiência do indivíduo em relação ao seu grupo de trabalho). Existem os elementos indiretos de um sistema de avaliação de desempenho, ou seja, são aqueles que envolvem aspectos institucionais e ponderáveis no processo de gestão de negócios. São essenciais ao sistema, já que dão peso e sentido na interpretação e julgamento das informações coletadas nos elementos diretos de avaliação. Entre os principais elementos indiretos estão: a organização e suas políticas, a chefia, o grupo de trabalho, os clientes, a recompensa/remuneração e a informação do sistema. Sistema tradicional: virtudes, problemas e disfunções Precisamos entender que a avaliação de desempenho acompanhou a evolução das organizações que sempre estiveram de alguma forma refletindo as mudanças sociais. Assim, pode-se definir três fases do processo de avaliação de desempenho, conforme sua evolução: sistema tradicional; sistema contemporâneo e propostas futuras. Agora, o objeto de estudo dessa parte será o sistema tradicional de avaliação de desempenho, objetiva-se realizar uma análise crítica sobre as virtudes, as disfunções e os problemas naturais do sistema tradicional de avaliação de desempenho utilizado pelas organizações. A avaliação de desempenho visa medir o desempenho do funcionário no exercício do cargo, durante certo período de tempo, como já retratarmos anteriormente. Por seu intermédio, a empresa toma conhecimento da conduta do trabalhador, ou seja, se corresponde ou não às expectativas que a empresa teve com relação a ele, por ocasião da seleção oferecendo ao administrador informações sobre as ações do indivíduo no cargo. (AQUINO, 1980, p. 199). O sistema tradicional de avaliação de desempenho, sendo o instrumento mais utilizado pelas organizações atualmente para avaliarem seus funcionários, pode ser classificado como uma técnica de controle e supervisão do trabalho executado pelos funcionários. A primeira posição é aquela voltada para o passado histórico do empregado na organização, caracterizada pela preocupação em gratificá-lo ou puni-lo por este passado histórico (desempenho). Isto é, uma vez diagnosticada a sua atuação ou desempenho no trabalho, receberá um “prêmio” que se traduzirá em um possível aumento salarial por mérito ou um elogio registrado na sua ficha funcional. Ou, então, será “punido” pela privação do aumento e, o que é mais grave, “rotulado” como um empregado deficiente. Como efeito, esses dois resultados condicionarão, profundamente, a construção da história futura do empregado na organização. Caso o empregado tenha sido bem-sucedido na sua avaliação, desfrutara para sempre desta condição, mesmo que seu desempenho real, no futuro, não corresponda mais aquele diagnosticado. Para o empregado malogrado na avaliação, o melhor seria mudar de emprego, pois seu futuro estará seriamente comprometido pelo julgamento desfavorável que recebeu. Dentro desta sistemática, a organização e suas chefias não assumem qualquer responsabilidade no processo. Cabe apenas ao empregado arcar, sozinho, com as conseqüências. (LUCENA, 1977, p. 3-4) O que uma avaliação de desempenho pode definir O sistema de avaliação de desempenho implantado e utilizado definirá o estilo gerencial e a cultura organizacional subjacente à organização. Como qualquer processo, o sistema tradicional, por ter sido formulado e adotado por várias décadas sem ter sido revisto e ajustado às transformações ocorridas nesse período, foi e ainda continua sendo alvo de inúmeras críticas de estudiosos e pesquisadores da área. Entretanto, é preciso sempre analisar criteriosamente essas críticas para verificar se têm validade científica e estão embasadas teoricamente. As propostas tradicionais de avaliação de desempenho, na maioria dos casos, são utilizadas como instrumento punitivo ou de promoção dos funcionários 16Política de Avaliação de Desempenho em relação aos resultados esperados pela organização. Isso ocorre porque, em muitos casos, elas não possuem propostas adequadas de avaliação, técnicas e pessoal qualificado para realizarem a análise, sendo o desempenho dos servidores apenas avaliado pelos superiores. Desta forma, torna-se uma avaliação subjetiva e dependente da postura profissional do avaliador, em muitos casos o avaliador utiliza-se do poder como um instrumento punitivo. Mas, aos poucos, a avaliação de desempenho começa a ser encarada como um instrumento auxiliar no desenvolvimento do avaliado. Segundo Milani (1988), os sistemas de avaliação de desempenho são utilizados com vários objetivos, gerando inúmeros problemas e conflitos entre os mesmos. Problemático e conflituoso, pois os objetivos individualmente precisam de estratégias e dados específicos para cumprir suas funções. O principal objetivo do sistema tradicional é o de realizar uma análise do desempenho individual dos membros da organização. Essa análise leva em conta apenas o trabalho realizado de forma objetiva. A avaliação deve criar um quadro exato do desempenho de cargo de um indivíduo. Para a realização dessa meta, os sistemas de avaliação devem ser relacionados ao cargo, ser práticos, ter padrões e usar medidas seguras. Relacionado ao cargo significa que o sistema avaliacomportamentos críticos que constituem sucesso no cargo. Se a avaliação não for relacionada ao cargo, é inválida e provavelmente não confiável. Sem validade e confiabilidade, o sistema pode discriminar. Mesmo quando não ocorre discriminação, as avaliações são inexatas e inúteis quando não se relacionam ao cargo. (...) A avaliação de desempenho exige padrões de desempenho. Estes são os marcos comparativos para mensuração. Para serem efetivos, devem relacionar-se aos resultados desejados de cada cargo. Não podem ser estabelecidos arbitrariamente. Coleta-se conhecimento destes padrões através da análise de cargo. (WERTHER, 1983, p. 272) Sendo a avaliação de desempenho uma técnica para atingir seus objetivos, faz-se uso de inúmeros métodos e instrumentos. A definição deles ocorre em função das necessidades da organização e dos objetivos propostos. Os métodos tradicionais de avaliação de desempenho utilizados pelas organizações são classificados de diferentes maneiras pelos pesquisadores, conforme sua conceituação e visão. Lucena (1977) coloca que a avaliação de desempenho é utilizada como instrumento de desenvolvimento de recursos humanos e classifica em três métodos: (1) escolha forçada consiste em avaliar o desempenho dos indivíduos por meio de frases descritivas em relação às tarefas executadas pelo mesmo; (2) pesquisa de campo é o método que avalia o desempenho utilizando-se de entrevista com o chefe; (3) método das escalas gráficas avalia o desempenho através de uma. Sequência de fatores ou qualidades dos indivíduos conforme a graduação estabelecida. Para os gerentes, existem três métodos que podem ser utilizados: (1) plano analítico de metas; (2) planejamento do trabalho; (3) método da escala gráfica. Bergamini (1986) classifica os métodos de avaliação de desempenho em dois grupos. Avaliação direta ou absoluta são aqueles métodos que fornecem uma quantidade maior de informações sobre o funcionário e a avaliação relativa ou por comparação, são os tipos de avaliação em que a ênfase desloca- se do indivíduo para a eficiência do grupo de trabalho. Apesar de tantos problemas apontados, os métodos tradicionais de avaliação são ainda amplamente utilizados em função de um conjunto de vantagens e virtudes que contém, para uma ampla gama de usuários. Variações na forma de avaliação de desempenho → Avaliação de desempenho: razões para promovê-la na organização. O propósito deste tópico é listar, as várias razões para desenvolver ou criar políticas, técnicas e procedimentos para avaliar desempenho na organização. Acredita-se que, até aqui, essas razões já foram explicadas. Porém, neste tópico, serão reforçadas as razões para se promover ou instituir a AD na empresa. A você, caro(a) aluno(a), como estudante e futuro gerente, consultor ou empresário, quanto mais conhecer as razões para avaliar as pessoas na organização, mais argumento terá para convencer a todos, incluindo a direção da organização, a aceitar e enxergar a AD como um meio de desenvolvimento organizacional - DO. Dentre as razões que se acredita serem necessárias para se promover a AD na organização, destacam- se: 1 – criar uma cultura forte de avaliação de desempenho fortalecendo a gestão de pessoas; 2 – criar mecanismos de comunicação entre liderados e líder; 3 – estabelecer padrão de desempenho e verificar se o desempenho foi alcançado; 4 – identificar pontos fortes e fracos do empregado na empresa e em seu cargo; 5 – utilizar os dados obtidos na avaliação de desempenho para identificação de necessidades de treinamento; 6 – utilizar os resultados da avaliação de desempenho para promover, transferir ou demitir; 7 – corrigir as fraquezas do empregado no cargo; 8 – combinar com antecedência com o empregado o seu padrão de desempenho; 9 – dar retorno ao empregado sobre o seu desempenho; 10 – antecipar os problemas e as dificuldades para a realização de resultados da empresa; 11 – criar um clima de confiança, de motivação e de segurança na organização; 12 – valorizar o potencial humano; . Acesso em: 05 maio 2012, às 8h15. 17 13 – gerir os talentos e as competências; 14 – utilizar os resultados da avaliação de desempenho para possibilitar o encarreiramento e também para rever o perfil do cargo (redesenhar os cargos); 15 – promover o desenvolvimento do empregado e consequentemente o DO. Organização • Dados sobre o desempenho organiza- cional • Dados do planejamento de RH • Melhor comunicação • Melhor motivação • Melhor desempenho organizacional Avaliado • Melhor compreensão dos requisitos de desempenho, levando a melhorá-lo • Oportunidade para discutir problema / queixas • Enfoque sobre si mesmo e necessidades pertinentes Avaliador • Melhor desempenho da equipe • Retifi cação de problema • Retorno sobre si Fonte: FRANÇA, A. C. Práticas de recursos humanos. São Paulo: Atlas, 2007 (p. 117). Na visão de Bergamini apud França (2007), quando feita com a devida atenção, uma boa avaliação de desempenho pode facilitar: 1 – alinhamento entre objetivos individuais e estratégias; 2 – melhoria da comunicação entre chefe e subordinado; 3 – clareza de expectativas e critério de avaliação; 5 - identificação de necessidades de treinamento; 6 – reforços de competências estratégicas para a empresa; 7 – melhoria de processo de trabalho. A lista seria interminável, mas acredito que as razões relacionadas são suficientes para convencê-los da importância da avaliação de desempenho. A Avaliação de desempenho é um instrumento que possibilita o alcance de todos os aspectos aqui destacados. O objetivo maior da AD é, portanto, promover ações que impulsionem o desenvolvimento profissional dos empregados. A Avaliação de Desempenho é uma apreciação e um julgamento sistemático das competências, dos resultados, do comportamento, das habilidades e do desempenho do colaborador no cargo ou na posição que ocupa na empresa. Espera-se que você tenha compreendido até aqui as razões para promover a AD na organização, bem como para que serve. Nos tópicos seguintes, iremos estudar algumas etapas, alguns métodos e alguns procedimentos necessários para instituir e desenvolver a avaliação de desempenho. Retomando a aula Caros(as) alunos(as), na retomada da conversa inicial é importante destacar que dentre os vários conceitos de Avaliação de Desempenho, vocês constataram que na visão de Chiavenato (2002) avaliação de desempenho é uma “apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa no cargo e o seu potencial de desenvolvimento futuro”; sendo para Carvalho (1993) o conceito identifi cado a partir de 5 pontos: estratégia que melhora as relações internas dos colaboradores; ferramenta gerencial que facilita encontrar pontos fracos e fortes dos colaboradores; meio de conhecer o potencial individual em cada cargo; apreciação sistemática do desempenho de toda a organização; uso de diferentes técnicas para desenvolver uma mesma atividade. No caos da trajetória histórica da Avaliação de Desempenho, verifi camos que ela passou por todas as fases evolutivas da Administração de Empresas, sendo que o procedimento de implantação da Avaliação de Desempenho é formada diante dos seguintes aspectos: planejamento, acompanhamento e avaliação. 1 – Conceitos de avaliação de desempenho Nessa seção, estudamos vários conceitos sobre avaliação de desempenho, vejamos algumas definições: segundo Ribeiro (2006, p. 34), a “avaliação de desempenho é o momento esperado pelo o funcionário para que alguém fale de seu desempenho”; Chiavenato (2002, p. 57) declara que “a avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa no cargo e o seu potencial de desenvolvimento futuro. Toda avaliação é um processo para estimular ou julgar o Valor, a excelência, as qualidades de alguma pessoa”; e já Carvalho (1993) define a “avaliação de desempenho como um procedimento básico e necessário para acionar o sistema de recursoshumanos, diante dos objetivos de (outputs), isto é, entradas”. CARVALHO, A. V.; NASCIMENTO, L. P. Administração de recursos humanos. São Paulo: Pioneira, 1993. CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas: como transformar gerentes em gestores de pessoas. 4. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. ______. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. RIBEIRO, A. L. Gestão de Pessoas. São Paulo: Saraiva, 2006. Vale a pena Vale a pena ler 3ºAula Desenhos de cargos da avaliação de desempenho Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • compreender os modelos de desenhos de cargos; • formar a compreensão do conceito de gestão estratégica competitiva por meio de ferramentas como o Balanced Scorecard (BSC); • oportunizar a compreensão do desenho de cargos da avaliação de desempenho. Caros(as) alunos(as), nesta aula 3, iremos estudar os modelos de desenhos de cargos, as estratégias competitivas com uso da ferramenta Balanced Scorecard e na sequência o desenho de cargos da avaliação de desempenho. Com o estudo, iremos compreender como ocorre o aprendizado e o crescimento profissional, os benefícios e a formulação de estratégias, bem como a análise do fluxo de trabalho e dos outputs do trabalho, do processo de trabalho e dos inputs do trabalho. Bons estudos! 28Política de Avaliação de Desempenho 1 – Modelos de desenhos de cargos 2 – O Balanced Scorecard 3 - Desenhos de cargos da avaliação de desempenho Seções de estudo 1 - Modelos de desenhos de cargos 2 - O Balanced Scorecard Antes de falar sobre avaliação de desempenho humano, devemos entender um pouco sobre a descrição e o desenho do cargo. Veremos como é realizada essa tarefa de descrição e análise de cargo. No processo de aplicar pessoas na gestão de recursos humanos de uma empresa, destacam-se as atividades de desenho de cargos e avaliação de desempenho. Sabendo disso, veremos como se desenvolve a atividade de desenho de cargos nas empresas. Cargo é um conjunto de funções atribuídas a cada indivíduo na empresa de mesma natureza e complexidade. Segundo Chiavenato (1999), o cargo é uma composição de todas as atividades desempenhadas por um funcionário que podem ser englobadas em um todo unificado e que figura em certa posição formal do organograma da empresa. A estrutura de cargos é condicionada pelo desenho organizacional em que ela está contida. Quando pensamos em cargo pensamos em atividades a serem executadas. Quando você trabalha em uma empresa e assume um cargo “x” você logo pergunta: Qual é o meu trabalho? O que eu faço? O que realmente importa nele? O desenho de cargos pode ajuda a responder essas questões. Mas o que é desenho de cargos? Segundo Chiavenato (1999), o desenho de cargos envolve a especificação do conteúdo de cada cargo, dos métodos de trabalho e das relações com os demais cargos. Chiavenato também define desenho de cargos como o processo de organizar o trabalho por meio das tarefas que são necessárias para desempenhar um cargo específico. Chiavenato afirma que o desenho de cargos se constitui a maneira como cada cargo é estruturado e dimensionado. Ele ainda afirma que para desenhar um cargo devemos definir quatro condições básicas: 1. o conjunto de tarefas ou atribuições que o funcionário deverá desempenhar; 2. como as tarefas ou atribuições deverão ser desempenhadas; 3. a quem o funcionário do cargo deverá se reportar; 4. quem o funcionário do cargo deverá supervisionar ou dirigir. • Modelos de desenho de cargos Chiavenato aponta três modelos de desenho de cargos: 1. Modelo Clássico ou Tradicional – esse modelo foi elaborado na Administração Cientifica no início do século XX e foi projetado para alcançar a redução de custos, padronização das atividades e apoio à tecnologia, mas, na realidade, trouxe desvantagens e limitações – cargos simples e repetitivos, desmotivação pelo trabalho, trabalho individualizado entre outros problemas. Esse modelo tem como aspectos principais: a) a pessoa como apêndice da máquina, onde a racionalidade é técnica, lógica e determinística; b) fragmentação do trabalho, onde o trabalho é dividido e fragmentado para atender a racionalidade técnica; c) ênfase na eficiência, onde cada trabalhador segue as regras e procedimentos estabelecidos; d) permanência, onde o desenho clássico é definitivo e feito para durar sempre. 2. Modelo humanístico – esse modelo apareceu por volta da década de 1930, modelo denominado de relações humanas pelo fato de ter surgido com a experiência de Hawthorne. Segundo Chiavenato (1999), o desenho humanístico preocupa-se mais com o contexto do cargo do que propriamente com o conteúdo do cargo. O modelo humanista procura incrementar a interação das pessoas entre si e superiores, como meio de satisfazer as necessidades individuais e aumentar o moral do pessoal. 3. Modelo contingencial – nesse modelo, a abordagem é mais holística e complexa, pois considera três variáveis simultaneamente: as pessoas, a tarefa e a estrutura da organização. Segundo Chiavenato (1999), o desenho do cargo no modelo contingencial não se baseia na presunção de estabilidade dos objetivos e dos processos organizacionais, mas, ao contrário, é dinâmico e se baseia na continua mudança e revisão do cargo como uma responsabilidade básica colocada nas mãos do gerente ou de sua equipe de trabalho. Esse modelo tem como dimensões essenciais a variedade, autonomia, significado das tarefas, identidade com a tarefa e retroação. À medida que são verificados os diversos conceitos e concepções ligados à avaliação de desempenho, torna -se necessário enfocar uma eficiente estratégia contemporânea quanto ao alinhamento do desempenho humano e do organizacional. Com isso, a escolha recaiu sobre o Balanced Scorecard (BSC), um instrumento gerencial concebida por Robert Kaplan e David Norton no início da década de 1990, para avaliar o desempenho da empresa. Segundo Moysés (2003), para atuar num ambiente que se torna a cada dia mais complexo, estrategistas, gerentes e com base no ciclo de vida da empresa, os colaboradores necessitam de ferramentas que propiciem alinhamento, suporte e controle estratégico em todos os níveis, gerando competências e conhecimentos para a organização. Ele afirma, ainda, que na gestão estratégica competitiva, o alinhamento e o controle estratégicos são promovidos pelo Balanced Scorecard (BSC), ferramenta pela qual se elaboram medidas financeiras e não financeiras que possibilitam o desdobramento das estratégias a serem implementadas. Becker e Ulrich (2001) afirmam que a implementação efetiva de um processo integrado de avaliação de desempenho, 29 capaz de comprometer a força humana com o negócio, deve orientar-se por um mapa estratégico que represente a cadeia de valor da empresa e, portanto, constitua a base de sustentação da tomada de decisão, permitindo a definição de expectativas de desempenho que agregam valor. Ainda, segundo Becker e Ulrich (2001), o BSC deve ser percebido como uma bússola que orienta o gerenciamento do negócio, cuja principal característica é a aproximação do planejamento estratégico da ação empresarial, por meio da elaboração e do desdobramento de planos de ação, com acompanhamento e controle dos resultados. Souza (2005) afirma que o BSC foi estruturado para dar visibilidade aos demais fatores críticos que afetam o desempenho organizacional, como aqueles vinculados aos clientes, aos processos internos e ao aprendizado. O BSC permite a sustentação de um olhar estratégico capaz de visualizar o desempenho organizacional e, por desdobramento, o humano, por intermédio de um painel de indicadores.Conceito O Balanced Scorecard (BSC) é um sistema de mensuração de desempenho empresarial, que complementa as medições financeiras tradicionais com avaliações sobre o cliente, determina os processos internos que devem ser aprimorados e analisa as possibilidades de aprendizado e de crescimento. Também identifica investimentos em recursos humanos, sistemas e capacitação que poderão influir positivamente nas atividades da empresa. Kaplan e Norton dividiram em quatro as estratégias de perspectivas de negócio: • perspectiva financeira; • perspectiva cliente; • perspectiva processos internos; • perspectiva aprendizado e crescimento. Perspectiva financeira Esta perspectiva resume as três fases do ciclo de vida da empresa: Crescimento – estágios iniciais de seus ciclos de vida e em fase de crescimento, investem no desenvolvimento de novos produtos e serviço. Sustentação – empresas em fase de crescimento investem, buscando manter ou aumentar gradativamente market share. Colheita – fase em que a empresa investe em manutenção dos ativos imobilizados e capacidade. Podemos apresentar três temas estratégicos citados por Kaplan e Norton (1997): • crescimento e mix de receita; • redução de custos e melhoria da produtividade; • utilização de ativos/estratégias de investimento. Perspectiva clientes Nessa perspectiva, referem -se a criação de valor para o cliente, variando de acordo com o setor de atividade. Kaplan e Norton (1997) acentuam que o conjunto de atributos se divide em três categorias: • produtos ou serviço; • relacionamento com os clientes; • imagem e reputação Os autores ainda argumentam que essas medidas decorrem das propostas de valor e, por serem comuns a quaisquer empresas, propõem os seguintes indicadores: • market share; • retenção de clientes; • captação de clientes; • satisfação de clientes; • lucratividade de clientes. Perspectiva processos internos Segundo Souza (2005), para estudar a cadeia de valores de uma empresa dentro dessa perspectiva, cita Hamel e Prahalad (1995), que sugerem três grandes processos genéricos: • inovação; • operação; • pós-venda. Podemos citar alguns indicadores de desempenho nessa perspectiva como: • inovação – tipo de medida: pesquisa básica e aplicada e desenvolvimento de produtos; • operações – tipo de medida: medidas de tempo, medidas de qualidade e custo; • pós-venda – tipo de medida: tempo, qualidade e custo. 3 - Desenhos de cargos da avaliação de desempenho • Perspectiva Aprendizado e Crescimento O aprendizado e o crescimento da organização vêm de três principais fontes: as pessoas, os sistemas e os procedimentos organizacionais. É a base para a obtenção dos objetivos das outras perspectivas, representa o maior interesse do executivo principal e dos arquitetos do plano de negócios de longo prazo. Identifica também as capacidades de que a empresa deve dispor para conseguir processos interno capazes de criar valor para clientes e acionistas. Como indicadores importantes podem ser considerados: nível de satisfação dos funcionários, rotatividade dos funcionários, lucratividade por funcionário, capacitação e treinamento dos funcionários e participação dos funcionários com sugestões para redução de custos ou aumento de receitas. Essas perspectivas devem ser ligadas entre si, em relações de causa e efeito que “contam a história” da estratégia da empresa, que faz uma alusão das perspectivas como processos intimamente ligados e interrrelacionados. Benefícios Os benefícios decorrentes da implementação do BSC na empresa: traduz a estratégia em objetivos e ações concretas; promove o Alinhamento dos indicadores chave com os objetivos estratégicos a todos os níveis organizacionais; proporciona à gestão uma visão sistematizada do desempenho operacional; constitui um processo de avaliação e atualização da estratégia; facilita a comunicação dos objetivos estratégicos, focalizando os colaboradores na sua consecução; permite desenvolver uma cultura de aprendizagem e melhoria 30Política de Avaliação de Desempenho continua; Suporta a atribuição de incentivos em função do desempenho individual e da contribuição para os resultados do negócio. O Balanced Scorecard ajuda a reduzir a quantidade de informação utilizada a um conjunto mínimo de indicadores vitais e críticos. Formulação de Estratégia Os procedimentos relacionados com a formulação estratégica, com a implementação estratégica e com o papel do RH, foram o objeto de estudo do capítulo anterior. Considerou-se, então, que a implementação estratégica consiste na operacionalização da estratégia escolhida, através das atividades práticas dos diversos RH da organização, e verificou-se que o sucesso desse processo está dependente de cinco variáveis, estando três delas diretamente relacionadas com a gestão da função de RH. Assim como objeto de estudo do presente capítulo, iremos analisar uma dessas três variáveis: a tarefa ou o cargo. Para que a implementação estratégica possa ser efetuada, o primeiro aspecto a considerar é a definição e o desenho das tarefas que têm de ser realizadas. Seguidamente, é importante, considerar o modo como essas tarefas serão realizadas, ou seja, individualmente, coletivamente, em equipes de trabalho, por especialistas, generalistas ou por um outro tipo de organização do trabalho. Os dois aspetos anteriores justificam a necessidade de se proceder a uma análise do trabalho a efetuar. Só assim é possível propor a forma mais eficiente e eficaz de realizar a implementação estratégica requerida. A análise e o desenho de tarefas baseiam-se num conjunto de conceitos, que é importante esclarecer, como podemos observar na tabela abaixo, representativa do cargo de treinador. Esses conceitos são os aspectos determinantes para compreender a forma como o trabalho é analisado e organizado. Deste modo, a análise de cargos tem como objetivo analisar os cargos existentes para obter informações necessárias à outras atividades de gestão de RH, é o caso do recrutamento, seleção, treino, avaliação do desempenho e remuneração, entre outras atividades. Por sua vez, o desenho de cargos tem como objetivo a redefinição dos cargos existentes, para torná-los mais eficientes na organização ou mais motivantes para os respectivos ocupantes. Conceitos chave na análise e desenho do trabalho do treinador Elemento A unidade de trabalho mais pequena, sem analisar os processos mentais (ex.: elaboração de um exercício de treino); Tarefa Conjunto de elementos realizados sequencialmente e produzindo um resultado signifi cativo e identifi cável (ex.. elaboração da sessão de treino); Dever Conjunto de tarefas com um objetivo comum (ex.: trei- nar); Posição Conjunto de tarefas e deveres a serem realizados por um único indivíduo na organização (ex.: treinador prin- cipal); Cargo Conjunto de posições que são semelhantes nas tarefas e nos deveres e por isso têm a mesma designação (ex.: treinador); Família de cargos Conjunto de dois ou mais cargos com tarefas e deveres semelhantes (ex.: treinador adjunto, treinador de guarda-redes, treinador principal); Ocupação/ profi ssão Cargo ou conjunto de cargos existentes num grupo de diversas organizações (ex.: treinador em geral); Carreira Sequência de posições, cargos e ocupações que uma pessoa tem ao longo da sua vida profi ssional (ex.: jogador, treinador, director técnico, director geral, presidente, etc...) Existe, portanto, uma certa relação de complementaridade entre esses dois aspectos. O desenho de cargos tem uma natureza mais ativa relacionada com a necessidade de mudanças do cargo, enquanto a análise de cargos tem uma natureza mais passiva, relacionada sobretudo com a obtenção de informação sobre as carcterísticas do cargo. Análise do fluxo de trabalho Um dos erros frequentes e tradicionais nessa área, caracteriza-se pelo fato dos gestores responsáveis pela análise e desenhode cargos isolarem os cargos do envolvimento em que eles se inserem. Nesse tipo de procedimento, os cargos são analisados e desenhados sem serem levados em consideração as diversas variáveis, que intervêm no processo que suporta o fluxo de trabalho da seção, departamento ou organização. Considera-se que a análise do fluxo de trabalho é o processo de análise das tarefas necessárias para a produção, de um bem ou serviço, e a atribuição dessas tarefas a uma determinada unidade da organização ou a um determinado conjunto de indivíduos. Desse modo, verifica-se que a análise de cargos, o desenho de cargos e a análise do fluxo de trabalho, estão interrelacionados, uma vez que a definição do fluxo de trabalho afeta o desenho de cargos, bem como a forma como esses cargos podem ser analizados. A necessidade de uma análise do fluxo de trabalho prende-se com a necessidade de compreender corretamente um determinado cargo individual, o gestor de RH deve, em primeiro lugar, compreender o contexto onde o cargo se encontra e com o qual o se relaciona. Análise dos outputs do trabalho Qualquer unidade funcional de trabalho que se considere, seja departamento, seção, equipe ou indivíduo, produz sempre algo que pode ser utilizado por outras unidades de trabalho. O output é o resultado de uma unidade de trabalho que se pode identificar como um produto ou como um serviço. É o caso dos produtos e equipamentos desportivos, ou dos serviços de prática de atividades físicas e espectáculos desportivos, oferecidos por ginásios e clubes. Alíás, existe frequentemente a tendência para identificar as organizações desportivas, apenas com os produtos e serviços que elas próprias produzem, evidenciando esse produto ou serviço como o output da organização. No entanto, o processo de preparação de uma equipe que participa em competições desportivas, necessita do suporte de várias unidades de trabalho, produzindo cada uma os seus 31 outputs e tendo cada uma diversos indivíduos contribuindo com o seu trabalho, para uma quota parte desses mesmos outputs. A eficiência e eficácia dos outputs produzidos pelos diversos RH´s, nas diversas unidades de trabalho, é determinante, por sua vez, para o sucesso da organização. Por outro lado, identificar o outputs de uma organização, não é só por si suficiente. É necessário também especificar os padrões ou critérios de avaliação quantitativa ou qualitativa desses outputs. Sem compreender o output de uma determinada unidade de trabalho, bem como o conhecimento das suas características quantitativas e qualitativas, não é possível aumentar ou melhorar a eficiência e a eficácia de qualquer unidade de trabalho. Análise do processo de trabalho Para continuar a realizar a análise do fluxo de trabalho, uma vez efetuada a identificação dos outputs de uma unidade de trabalho, agora é hora de conhecer o processo de trabalho utilizado para a produção dos outputs. Esse processo de trabalho é entendido como as atividades realizadas pelo RH de uma determinada unidade, com o objetivo de produzir um determinado output. Cada processo é constituido por procedimentos práticos, que definem o modo como as diversas operações devem ser realizadas, em cada uma das fases de desenvolvimento do produto ou serviço. Por sua vez, os procedimentos práticos ou operacionais englobam todas as tarefas que devem ser realizadas na produção do output. Finalmente, as tarefas são divididas em elementos, os quais são realizados por cada uma das pessoas da unidade de trabalho. Esse tipo de abordagem é fundamental, pois sem uma clara compreensão das tarefas necessárias para a produção de um determinado output, não seria possível um gestor de RH, por exemplo, determinar se a unidade de trabalho tem o correto número e tipo de funcionários. Desse modo, e mais uma vez, para criar sistemas de trabalho caracterizados pela máxima eficiência, o gestor precisa compreender os processos adequados para o desenvolvimento de produtos e serviços de uma dada unidade de trabalho. A clara compreensão das tarefas necessárias para produzir um determinado output, permite ao gestor especificar quais as tarefas a serem realizadas por cada funcionário e ao mesmo tempo permite eliminar as tarefas não necessárias para o output pretendido. Análise dos inputs do trabalho A identificação dos inputs utilizados no desenvolvimento dos produtos e serviços de uma unidade de trabalho, é a última operação a realizar no processo de análise do fluxo de trabalho. Como podemos verificar na figura acima, esses inputs repartem-se pelos inputs em bruto, pelos equipamentos e pelos recursos humanos. Os inputs em bruto são constituidos por tudo aquilo que será convertido no produto ou serviço da unidade de trabalho. Os equipamentos englobam as tecnologias e a maquinaria necessária à transformação dos inputs em bruto no produto ou serviço. Os inputs finais do processo do fluxo de trabalho são os recursos humanos com a sua capacidade técnica, conhecimento, competência e esforço necessários para realizar as tarefas. Uma vez que as unidades de trabalho são constituidas por pessoas que realizam tarefas, com o objectivo de produzirem um determinado output, e se o processo do fluxo de trabalho é para ser realizado de forma eficiente, então o RH da unidade de trabalho deverá possuir conhecimentos, habilidades e técnicas necessárias solicitadas pelas tarefas que lhes são distribuidas. Por outro lado, esses RH’s deverão, não só, compreender perfeitamente as tarefas, mas também estarem dispostos e receptivos às exigências da sua execução. A obtenção desse último tipo de recursos é da responsabilidade dos gestores. Asseguram assim, que os funcionários da unidade de trabalho têm as técnicas necessárias e encontram-se motivados para executarem essas tarefas. Em síntese, os gestores precisam compreender o processo de produção das respectivas unidades de trabalho, para poderem maximizar sua eficiência e eficácia. No entanto, coloca-se um problema: como é que o gestor adquire uma compreensão dos vários cargos que constituem a unidade de trabalho ? A resolução desse problema é efetuada pelo conhecimento obtido através da análise de cargos. Análise de cargos Tal como McCormick (1979) considera-se que a análise de cargos é o processo de obter informação detalhada sobre os cargos. Esta informação é de grande importância, e de acordo com Cascio (1995) considera-se inclusivamente a análise de cargos como a origem e ponto de partida fundamental para muitas das outras funções relacionadas com a gestão dos RH’s. Informação da análise de cargos Recrutamento Seleção Avaliação e classificação Padrões de rendimento e recompensa Elaboração de programa de treinoDesenvolvi/ e plano de carreiras Plano de promoções Análise da força de trabalho Sistemas Homem Máquina Sistemas de informação de RH’s Análise do fluxo de trabalho Planeamento de RH’s Representação da importância da análise de cargos para as outras funções relacionadas com a gestão de RH’s (adaptado e modificado de Cascio, W., 1995, p. 129). Na realidade, como se pode verificar na figura acima, as informações obtidas através da análise de cargos são importantes tanto para o gestor de RH´s como para o gestor de linha, pois sem estas informações não seria possível realizar corretamente o planejamento de RH´s, o respectivo recrutamento e a seleção. Do mesmo modo, a avaliação do desempenho só será realizada de modo comparativamente equivalente, para os diversos ocupantes do mesmo tipo de cargo, se existir informação sobre as características do cargo, relativamentre 32Política de Avaliação de Desempenho as quais se possa avaliar o desempenho dos ocupantes. Por sua vez, a realização de programas de treino só poderá ser elaborada de modo adequado e apropriado às necessidades verificadas, se existir um conhecimento sobre os tipo de exigências de cada um dos cargos, que só é possível obter,mais uma vez, através da análise de cargos. Muitas seriam as relações entre a análise de cargos e as restantes funções da gestão de RH’s, para evidenciar ainda mais a importância dessa função no âmbito dos RH’s, no entanto, importa agora perceber o processo de análise de cargos e como se obtém as informações os cargos. O PROCESSO DE ANÁLISE DE CARGOS Fontes de dados. Para Bohlander (1998), o processo de análise de cargos, representado na figura abaixo, inicia-se com a identificação das fontes de dados, a saber: o analista de cargos, o próprio ocupante do cargo e o supervisor ou gestor de linha. Dados do Cargo Tarefas: Padrões de rendimento, responsabilidades, conhecimentos, técnicas experiência, contexto deveres equipamentos... Métodos de Escolha Entrevistas, questionários, observações, registos e CNP Fontes de Dados Analista de cargos, Funcionário, e Supervisor Especifi cação de cargos Técnicas, habilidades e conhecimentos necessários . Funções dos RH’S Planejamento, recrutamento, seleção, treino e desenvolvimento, avaliação do rendimento, remuneração, controlo, etc... Padrões de rendimento Niveis de rendimento, Critérios de avaliação, Descrição de cargos Tarefas, Deveres, Responsabilidades Métodos de recolha de dados. O momento seguinte consiste na escolha de um ou mais métodos de recolha de dados, como sejam: as entrevistas, os questionários, as observações, os registos ou a Classificação Nacional das Profissões (CNP). Na CNP podem-se encontrar as descrições de todas as profissões existentes no país, como é o caso da descrição das tarefas do Árbitro Desportivo que se encontram na tabela abaixo. ÁRBITRO DESPORTIVO Descrição geral: Dirige encontros desportivos, mediante remuneração, aplicando as respectivas leis e velando pela sua observância. Descrição detalhada: Verifi ca se o local das provas apresenta as condições requeridas, nomeadamente as marcações; identifi ca os participantes e verifi ca se têm a respectiva autorização de participação; estabelece, antes dos encontros, com os auxiliares a coordenação que deve existir entre eles para uma boa observação dos lances; dá inicio, na hora determinada, aos encontros; vigia o desenrolar do encontro e aplica as penalidades correspondentes às infracções cometidas; assinala os golos ou pontos marcados; cronometra o tempo do encontro efectuando os descontos que se justifi quem; participa superiormente faltas graves dos atletas ou dirigentes. Por vezes elabora relatórios sobre os encontros arbitrados. Pode ocupar- se da arbitragem de uma determinada modalidade desportiva e ser designado em conformidade. Representação do processo de análise de cargos (adaptado e modificado de Bohlander, G., 1998, p. 91). Dados do cargo: os dados dos cargos entretanto recolhidos, são transformados em diversos tipos de informação, obtendo-se assim as tarefas realizadas, os critérios ou padrões de rendimento, as técnicas, conhecimentos, habilidades e experiência necessárias, entre outros aspectos. Representa tudo aquilo que um ocupante de cargo faz. Descrição dos cargos: esta informação, por sua vez, vai permitir elaborar a descrição dos cargos, ou seja, uma lista de tarefas, deveres e responsabilidades características de cada um dos cargos analisados. Representa tudo aquilo que um ocupante de cargo deverá fazer. Especificação dos cargos: é também uma lista, elaborada a partir da recolha dos dados do cargo, onde se enunciam os conhecimentos, as técnicas, as habilidades e os outros aspectos que o ocupante do cargo deverá possuir. Representa tudo aquilo que um ocupante de cargo deverá saber. Padrões de rendimento: representam o nível de rendimento esperado e os critérios utilizados para avaliar esse mesmo rendimento. Representa tudo aquilo que um ocupante de cargo deverá saber fazer bem. Todo esse processo só terá significado se for utilizado sobre todas as funções da gestão de RH’s, para aumentar e melhorar o rendimento da organização e respectiva produtividade. MÉTODOS DE RECOLHA DE DADOS Verificou-se anteriormente, que a recolha de dados pode ser efetuada recorrendo a vários tipos de técnicas e procedimentos, não existindo “a melhor maneira” para analisar cargos, dada a sua grande diversidade. Existem assim vários métodos a utilizar de acordo com o cargo que se pretende analisar. Análise funcional do cargo Esta técnica de análise foi desenvolvida pelo Serviço de Formação e Emprego dos Estados Unidos da América. É uma perspectiva quantitativa de análise de cargos, que recorre a um inventário, descrito na tabela, com as várias atividades de trabalho, constituintes de todos os cargos. Essa técnica, 33 assume que cada cargo solicita a realização de algumas dessas atividades de trabalho. Na prática, permite descrever o que é que um trabalhador faz, utilizando para isso a observação e a entrevista ao próprio trabalhador, como forma de recolha de informação. Seguidamente, esta informação é classificada em três funções gerais, existentes em todos os cargos: 1) dados; 2) pessoas; 3) coisas. Por sua vez, cada uma destas três funções gerais é subdividida formando uma escala de atividades de trabalho. Níveis de dificuldades das atividades de trabalho de cada uma das três funções gerais de trabalho. Os cargos em análise são comparados com a escala de atividades de trabalho, de cada uma das três funções gerais. Após esta comparação, obtém-se o nível funcional que o cargo ocupa na escala, bem como a percentagem de participação que este nível tem no cargo. Por exemplo, pode-se dizer que o árbitro analisa os acontecimentos (dados) do jogo, supervisiona os jogadores (pessoas) e controla as operações durante o desenrolar do jogo, como, por exemplo, o tempo de jogo, as substituições e as condições de segurança, entre outras(coisas). Cada um desses níveis funcionais reflete em termos percentuais a forma como está envolvido no cargo do árbitro. Por exemplo, o nível funcional referido como “Analisar” representa cerca de 70% da atividade do trabalho do árbitro. Do mesmo modo, o nível de “Supervisão” e o nível de “Controlo de Operações”, representam cada um, respectivamente, 20% e 10% da atividade do árbitro. O resultado final da aplicação deste método é um cargo avaliado quantitativamente, facilmente utilizado para descrever os conteúdos dos cargos e fundamentar as descrições e especificações dos cargos. Retomando a aula Fazendo um retorno ao que foi estudado aponta-se de forma resumida o que foi discutido em cada seção. 1 – Modelos de desenhos de cargos Na seção 1, estudamos os modelos de desenhos de cargos. O foco do nosso estudo foi na classificação dos desenhos de cargos conforme a estrutura administrativa utilizada pela organização, assim foi visto o desenho de cargos estabelecidos pela Administração Científica (clássica tradicional), Administração Humanística e Administração Contingencial. 2 – O Balanced Scorecard Nessa seção 2, vimos as estratégias organizacionais para avaliação de desempenho, tendo como foco a ferramenta Balanced Scorecard. Sendo esta ferramenta um sistema de mensuração de desempenho empresarial do ponto de vista avaliativo do cliente, é um processo que analisa as possibilidades e desempenhos dos recursos humanos. 3 – Desenho de cargos da avaliação de desempenho Nessa seção, discutimos os desenhos de cargos da avaliação de desempenho, fizemos uma abordagem sobre o aprendizado e o crescimento da organização diante das três principais fontes: as pessoas, os sistemas e os procedimentos organizacionais. Vimos os benefícios decorrentes da implementação do Balanced Scorecard na empresa e como deve ser a formulação de estratégias. E, por fim, fizemos um apanhado do que entende-se por análise do fluxo de trabalho, análise dos outputs do trabalho, análise do processo de trabalho, análise dos inputs do trabalho e a análise de cargos dentro de um processo detalhado. BECKER, Brian E.; ULRICH, Dave; HUSELID, Mark