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BIOLOGIA II
PROMEDICINA 1SISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO
CIRURGIA BARIÁTRICA, 
REFLUXO E GASTRITE
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas a obesidade se tornou progressivamente 
mais frequente na população mundial, trazendo com ela o aumento 
da frequência de outras patologias associadas como hipertensão 
arterial, hipercolesterolemia, diabetes mellitus tipo 2, infarto agudo 
do miocárdio, acidente vascular encefálico, etc.
Diante desse cenário e da incapacidade de reverter quadros 
mais graves das doenças citadas anteriormente apenas por meio 
do tratamento farmacológico, novas técnicas cirúrgicas envolvendo 
o tubo digestivo foram desenvolvidas, refinadas, testadas e 
finalmente implementadas como alternativa de tratamento para 
casos selecionados.
A nova modalidade de tratamento cirúrgico da obesidade 
e suas doenças associadas ficou conhecida como cirurgia 
bariátrica, porém, existem diversas técnicas de cirurgia bariátrica, 
com diferentes características no ato cirúrgico em si, alterações 
fisiológicas, metabólicas, complicações e mudança na vida dos 
pacientes.
INDICAÇÃO E 
TÉCNICAS CIRÚRGICAS
Não é qualquer paciente com obesidade que pode ser 
submetido ao tratamento por meio da cirurgia bariátrica, existem 
alguns critérios que devem ser seguidos para identificar aqueles 
que se enquadram nessa modalidade terapêutica.
CRITÉRIOS PARA INDICAÇÃO DE CIRURGIA 
BARIÁTRICA:
• IMC > 40 Kg / m2
• IMC entre 35 e 40 Kg / m2 + 1 coomorbidade associada à 
obesidade *.
• Ausência de causas secundárias de obesidade. Ou seja, 
obesidade que não é causada por distúrbio hormonal 
ou genético, mas sim por conta dos hábitos de vida do 
paciente.
• Falha do tratamento farmacológico com duração mínima 
de 2 anos.
• Estabilidade psicológica. O paciente passa por um período 
de avaliação com psicólogo(a).
• Coomorbidades associadas à obesidade: hipertensão 
arterial, diabetes mellitus tipo 2, trombose venosa, apneia 
obstrutiva do sono, doenças cardiovasculares, etc.
A técnica cirúrgica mais utilizada mundialmente é conhecida 
como by-pass gástrico, também chamada cirurgia de Fobi – 
Capella. É uma cirurgia que possui um componente restritivo 
e disabsortivo. O componente restritivo reduz a capacidade 
do paciente de consumir alimentos nas refeições, gerando um 
efeito mais rápido de sensação de satisfação e “estar cheio”. Já 
o componente disabsortivo, diminui o comprimento pelo qual o 
alimento entra em contato com o intestino delgado, reduzindo a 
atividade das enzimas digestivas e a absorção dos nutrientes.
CARACTERÍSTICAS DO BY PASS GÁSTRICO:
• Componente restritivo: o estômago é dissecado 
verticalmente, sendo mantido apenas uma pequena porção 
perto do esôfago e conectado diretamente ao jejuno-íleo, 
cerca de 1 metro após o duodeno. Essa pequena porção de 
estômago que permanece, faz com que o paciente se sinta 
satisfeito consumindo pequenas porções de alimento.
• Componente disabsortivo: a região do jejuno seguinte ao 
duodeno é conectada diretamente no íleo, cerca de 50 a 60 
cm antes da válvula íleo-cecal, ou seja, antes do término 
do intestino delgado e início do intestino grosso. Como 
consequência disso, o paciente apresenta cerca de 1 metro 
de comprimento intestinal onde as enzimas pancreáticas 
estarão em contato com o alimento ingerido. O resultado 
é uma grande redução da hidrolise enzimática e absorção 
dos nutrientes provenientes da alimentação.
https://drpaulopittelli.com.br/wp-content/uploads/2019/12/gastroplastia-bypass.jpg
Figura 1 – ilustração mostrando o novo trânsito alimentar (seta 
vermelha), o trânsito da bile, suco gástrico e pancreático (seta 
verde) e a região onde o alimento entra em contato com essas 
secreções (seta preta).
LINK COM O VESTIBULAR:
• Temos que perceber que, o menor contato das enzimas 
com o alimento vai impactar diretamente na digestão e 
absorção dos nutrientes, gerando grande influência na 
perda de peso.
• Outro ponto importante é a pequena região do novo 
estômago, como sua capacidade é pequena, diminutas 
porções de alimento são capazes de gerar satisfação 
durante uma refeição.
• Um detalhe importante é que, o estômago que foi 
desconectado do trânsito intestinal, sofre uma alteração 
cirúrgica dos seus vasos sanguíneos com o intuito de reduzir 
a quantidade de grelina que é lançada na circulação. Como 
a grelina é um hormônio estomacal que estimula a fome, a 
menor quantidade deste na circulação reduz sua ação no 
sistema nervoso central e a sensação de fome do paciente.
• A pequena região pelo qual o paciente consegue absorver 
os nutrientes pode trazer diversos problemas após a 
cirurgia. Nesses casos, indivíduos submetidos a cirurgia 
bariátrica apresentam maior risco de hipovitaminoses, 
principalmente as lipossolúveis (K, A, D e E), além da 
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BIOLOGIA II CIRURGIA BARIÁTRICA, REFLUXO E GASTRITE
deficiência de ferro, tiamina (B1), cálcio e ácido fólico (B9), 
pois a absorção desses elementos ocorre no duodeno.
• Maior risco de deficiência de B12, pois sua absorção 
depende de uma substância produzida no estômago 
chamada fator intrínseco.
DOENÇA DO REFLUXO 
GASTROESOFÁGICO E GASTRITE
A doença do refluxo é uma patologia muito comum na 
população, ela ocorre como consequência da exposição da 
mucosa do esôfago ao suco gástrico (muito ácido). Essa grande 
acidez do suco gástrico, em longo prazo, irrita e inflama a mucosa 
do esôfago, causando sensação de azia (queimação), incômodo ou 
“bolo” na garganta e até mesmo tosse crônica.
ALGUNS FATORES AUMENTAM O RISCO DA 
OCORRÊNCIA DO REFLUXO:
• Comer grandes quantidades de comida e fazer a 
digestão deitado.
• Alterações anatômicas como hérnia de hiato.
• Esfíncter esofágico com menor tônus muscular.
O tratamento consiste em mudanças dos hábitos alimentares 
e o uso de fármacos da família dos “prazóis” (Exemplo: omeprazol).
LINK COM O VESTIBULAR:
• O omeprazol, e os outros fármacos da mesma classe, 
são conhecidos como inibidores da bomba de prótons 
(H+) estomacal. Essa inibição reduz a secreção do suco 
gástrico e consequentemente a acidez que provocava 
irritação e inflamação da mucosa do esôfago.
• A ação desses fármacos pode atrapalhar a digestão de 
proteínas, já que a acidez gástrica é importante para 
ativação do pepsinogênio em pepsina, enzima que inicia o 
processo da digestão das proteínas.
• A menor acidez gástrica pode facilitar intoxicações 
alimentares, pois o pH reduzido do suco gástrico atua 
como uma barreira protetora intestinal, eliminando várias 
bactérias expostas ao ambiente ácido.
E A GASTRITE?
A gastrite consiste na irritação e inflamação da mucosa do 
estômago, em geral causado pela exposição das células da parede 
estomacal com o próprio suco gástrico.
As células do estômago secretam um muco alcalino que fica 
aderido numa camada fina logo acima das células da mucosa, 
quando algum evento atrapalha essa secreção ou diminui a 
camada do muco protetor, a acidez do suco gástrico entra em 
contato direto com as células gerando inflamação e gastrite.
Um dos fatores mais frequentemente associados à gastrite 
crônica é a infeção estomacal pela bactéria H. pylori. Essa bactéria 
é transmitida por alimentos ou líquidos contaminados, se instala 
na mucosa estomacal e produz substâncias que anulam a camada 
de muco protetora. 
O tratamento da gastrite também envolve o uso dos inibidores 
de bomba de próton (omeprazol) como no refluxo, além do 
tratamento com antibióticos para eliminar a H.pylori.
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