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Terapia Cognitivo Comportamental 
Aqui você tem acesso a 9 módulos para o aprendizado da matéria, perfazendo 
50 horas curriculares. Conheça um pouco mais do que você vai estudar: 
 O que é Terapia Cognitivo-Comportamental? 
 Modelo Cognitivo de Beck 
 O modelo cognitivo na prática clínica 
 O caminho da terapia a partir do modelo cognitivo 
 Características da Terapia Cognitivo-Comportamental 
 Princípios básicos da Terapia Cognitivo-Comportamental 
 Princípios etiológicos 
 Estrutura da terapia 
 Objetivos da Terapia Cognitivo-Comportamental 
 Para quem a Terapia Cognitivo-Comportamental é recomendada? 
 Principais Técnicas 
 Psicoeducação 
 Registro de pensamentos disfuncionais 
 Questionamento socrático 
 Técnicas de exposição 
 Dessensibilização sistemática 
 Técnicas de relaxamento 
 Técnicas de habilidades sociais 
 Enfrentamento do estresse 
 Espectador ou observador distante 
 Troca de papéis 
 Parada do pensamento e autoinstrução 
 Papel do Terapeuta 
 
Descrição 
No início da década de 1960, Aaron Beck desenvolveu uma forma de 
psicoterapia denominada originalmente por “terapia cognitiva”. A terapia 
cognitiva é um sistema de psicoterapia que integra um modelo cognitivo de 
psicopatologia e um conjunto de técnicas e estratégias terapêuticas baseadas 
nesse modelo. 
As diversas formas de terapia cognitivo-comportamental derivam-se do modelo 
de Beck, onde o tratamento baseia-se numa formulação cognitiva, as crenças 
e estratégias comportamentais que são caraterísticas de um 
transtorno específico. 
A busca de produzir de várias maneiras uma modificação cognitiva (mudança 
no pensamento e no sistema de crenças do paciente) a fim de produzir uma 
mudança emocional e comportamental duradoura para o bem das 
organizações. 
 
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Módulo 1: 
Introdução 
Aaron Beck desenvolveu uma forma de psicoterapia no início da década de 
1960, a qual denominou originalmente “terapia cognitiva”. O termo “terapia 
cognitiva” hoje é usado por muitos da nossa área como sinônimo de “terapia 
cognitivo-comportamental”. Para o tratamento da depressão, Beck concebeu 
uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, 
direcionada para a solução de problemas atuais e a modificação de 
pensamentos e comportamentos disfuncionais (inadequados e/ou inúteis) 
(Beck, 1964). Desde aquela época, ele e outros autores tiveram sucesso na 
adaptação dessa terapia a populações surpreendentemente diversas e com 
uma ampla abrangência de transtornos e problemas. Essas adaptações 
alteraram o foco, as técnicas e a duração do tratamento, porém os 
pressupostos teóricos em si permaneceram constantes. Em todas as formas de 
terapia cognitivo-comportamental derivadas do modelo de Beck, o tratamento 
está baseado em uma formulação cognitiva, as crenças e estratégias 
comportamentais que caracterizam um transtorno específico (Alford e Beck, 
1997). 
O tratamento também está baseado em uma conceituação, ou compreensão, 
de cada paciente (suas crenças específicas e padrões de comportamento). O 
terapeuta procura produzir de várias formas uma mudança cognitiva – 
modificação no pensamento e no sistema de crenças do paciente – para 
produzir uma mudança emocional e comportamental duradoura. 
Beck lançou mão de inúmeras e diferentes fontes quando desenvolveu essa 
forma de psicoterapia, incluindo os primeiros filósofos, como Epiteto, e teóricos 
como Karen Horney, Alfred Adler, George Kelly, Albert Ellis, Richard Lazarus e 
Albert Bandura. O trabalho de Beck, por sua vez, foi ampliado por 
pesquisadores e teóricos atuais dos Estados Unidos e do exterior, numerosos 
demais para serem aqui mencionados. 
Existem muitas formas de terapia cognitivo-comportamental que compartilham 
características da terapia de Beck, mas cujas conceitualizações e ênfases no 
tratamento variam até certo ponto. Elas incluem a terapia racional-emotiva 
comportamental (Ellis, 1962), a terapia comportamental dialética (Linehan, 
1993), a terapia de solução de problemas (D’Zurilla e Nezu, 2006), a terapia de 
aceitação e compromisso (Hayes, Follette e Linehan, 2004), a terapia de 
exposição (Foa e Rothbaum, 1998), a terapia de processamento cognitivo 
(Resick e Schnicke, 1993), o sistema de psicoterapia de análise cognitivo-
comportamental (McCullough, 1999), a ativação comportamental (Lewinsohn, 
Sullivan e Grosscup, 1980; Martell, Addis e Jacobson, 2001), a modificação 
cognitivo-comportamental (Meichenbaum, 1977) e outras. A terapia cognitivo-
comportamental de Beck frequentemente incorpora técnicas de todas estas e 
outras psicoterapias, dentro de uma estrutura cognitiva. O panorama histórico 
da área apresenta uma descrição rica de como se originaram e se 
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desenvolveram as diferentes correntes da terapia cognitivo-comportamental 
(Arnkoff e Glass, 1992; A. Beck, 2005; Clark, Beck e Alford, 1999; Dobson e 
Dozois, 2009; Hollon e Beck, 1993). 
A terapia cognitivo-comportamental tem sido adaptada a pacientes com 
diferentes níveis de educação e renda, bem como a uma variedade de culturas 
e idades, desde crianças pequenas até adultos com idade mais avançada. É 
usada atualmente em cuidados primários e outras especializações da saúde, 
escolas, programas vocacionais e prisões, entre outros contextos. É utilizada 
nos formatos de grupo, casal e família. Embora o tratamento descrito neste 
livro esteja focado nas sessões individuais de 45 minutos, elas podem ser mais 
curtas. Alguns pacientes, como os que sofrem de esquizofrenia, 
frequentemente não conseguem tolerar uma sessão inteira, e certos 
profissionais podem vir a utilizar técnicas da terapia cognitiva sem realizar uma 
sessão completa de terapia, seja durante uma consulta clínica ou de 
reabilitação, seja na revisão da medicação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Módulo 2: 
O que é Terapia Cognitivo-Comportamental? 
Terapia Cognitiva é um sistema de psicoterapia, proposto e desenvolvido pelo 
Dr. Aaron Beck e seus colaboradores, que integra um modelo cognitivo de 
psicopatologia e um conjunto de técnicas e estratégias terapêuticas baseadas 
diretamente nesse modelo. 
Em meados da década de 1950, o Dr. Beck, Professor de Psiquiatria da 
Universidade da Pennsylvania em Philadelphia e um eminente Psicanalista, 
conduziu estudos empíricos para comprovar princípios psicanalíticos. A partir 
de seus estudos, propôs um modelo de depressão, que, evoluindo em seus 
aspectos teórico e aplicado, constitui-se em um novo sistema de psicoterapia, 
que ele denominou inicialmente de Terapia Cognitiva e que hoje é mais 
amplamente conhecida como Terapia Cognitivo-Comportamental. 
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) baseia-se na hipótese de 
vulnerabilidade cognitiva como um modelo de transtorno emocional. Seu 
princípio básico, que reflete uma postura construtivista, é de que nossas 
representações de eventos internos e externos, e não um evento em si, 
determinam nossas respostas emocionais e comportamentais. Nossas 
cognições ou interpretações, as quais refletem formas idiossincráticas de 
processar informação e representar o real, constituiriam a base dos transtornos 
emocionais, os quais seriam definidos, em TCC, mais propriamente como 
transtornos de processamento de informação. 
Fundamentada no princípio básico da TCC e, em particular, na hipótese de 
primazia das cognições sobre as emoções e comportamentos, em TCC busca-
se a reestruturação cognitiva, a partir de uma conceituação cognitiva do 
paciente e de seus problemas. Inicialmente, objetiva devolver ao paciente a 
flexibilidade cognitiva, através da intervenção sobre as suas cognições, a fim 
de promover mudanças nas emoções e comportamentos que as acompanham. 
Ao longo do processo terapêutico, no entanto, atua diretamente sobre o 
sistema de esquemas e crenças do paciente a fim de promover sua 
reestruturação. Em paralelo à reestruturação cognitiva, o terapeuta cognitivo 
utiliza ainda uma abordagem de resolução de problemas. 
A TCCreflete aspectos interessantes em sua práxis. Baseia-se na noção de 
esquemas, construídos ao longo do desenvolvimento, cujo conjunto resume as 
percepções pelo indivíduo de regularidades do real com base em suas 
experiências históricas relevantes. Esquemas são definidos como 
superestruturas cognitivas que, em uma relação circular, organizam nossas 
experiências do real e são atualizados por elas, ao mesmo tempo em que 
guiam o foco de nossa atenção. TCC adota uma abordagem estruturada, mas 
apoia-se em uma relação colaborativa entre o terapeuta e o paciente, na qual 
ambos têm um papel ativo através do processo psicoterápico. Objetiva não 
apenas a resolução dos problemas imediatos do paciente, mas, através da 
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reestruturação cognitiva, busca dotá-lo de um novo conjunto de técnicas e 
estratégias cognitivas para, a partir daí, processar e responder ao real de forma 
funcional, sendo o funcional definido como formas que concorrem para a 
realização de suas metas. 
Características que a distinguem de outras formas de psicoterapia são o tempo 
curto e limitado e a eficácia comprovada através de estudos empíricos, em 
várias áreas de transtornos emocionais, como depressão, transtornos de 
ansiedade (transtorno de ansiedade generalizada, fobias, pânico, hipocondria, 
transtorno obsessivo-compulsivo), dependência química, transtornos 
alimentares, dificuldades interpessoais (terapia de casal e de família), 
transtornos psiquiátricos, etc., para adultos, crianças e adolescentes, nas 
modalidades individual e em grupo. Sua utilização no tratamento de psicoses 
apresenta resultados encorajadores. TCC ainda é indicada como coadjuvante 
no tratamento de transtornos orgânicos, e em intervenções nas áreas de 
educação, organizações e esportes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Módulo 3: 
Modelo Cognitivo de Beck 
Falaremos nesse módulo sobre o modelo cognitivo na Terapia Cognitiva, 
modelo este que é fundamental para o entendimento desta abordagem da 
psicologia. Apesar de sua enorme profundidade teórica e prática, o modelo 
cognitivo é simples de entender. Em suma, podemos dizer que todos nós 
temos interpretações a respeito do mundo e dos eventos e, com isso, não são 
os eventos, fatos ou situações que causam problemas ou dificuldades, mas 
sim, o modo como interpretamos as situações. 
No livro de Judith Beck, Terapia Cognitiva, Teoria e Prática, vemos um 
exemplo muito interessante. A autora coloca cinco possíveis reações de 
supostos leitores do livro. Ou seja, ao ler um livro (estar de frente de um 
conteúdo novo), as pessoas podem: 
1) Achar que o livro é excelente e será de grande utilidade e sentir entusiasmo. 
2) Achar que o livro é muito simples e que não acrescentará nada e sentir 
decepção. 
3) Achar que o livro é desperdício de tempo e dinheiro e sentir aborrecimento. 
4) Achar que o livro tem conteúdo e pensar, ao mesmo tempo, que terá que 
aprender tudo o mais rápido que puder e sentir ansiedade. 
5) Achar que o livro é difícil e pensar que não tem inteligência para 
acompanhar e sentir tristeza. 
Ou seja, o objeto, o livro, é idêntico para todos. Mas apesar desta objetividade 
do conteúdo, cada pessoa terá uma reação, uma interpretação e, 
consequentemente, terá reações emocionais e sensações corporais 
condizentes com o seu modo de pensar. 
A autora do livro, Judith Beck, então resume: “a terapia cognitiva baseia-se no 
modelo cognitivo, que levanta a hipótese de que as emoções e 
comportamentos das pessoas são influenciados por sua percepção dos 
eventos. Não é uma situação por si só que determina o que as pessoas 
sentem, mas, antes, o modo como elas interpretam uma situação” 
O modelo cognitivo na prática clínica 
O modelo cognitivo, portanto, é fundamental para a atuação profissional do 
psicólogo de abordagem cognitiva ou cognitiva-comportamental. Mas antes de 
mostrarmos na prática, é importante entendermos que existe uma hierarquia 
neste modelo: 
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1) Crenças centrais 
2) Crenças intermediárias (regras, atitudes, suposições) 
3) Pensamentos automáticos 
4) Emoção 
As crenças centrais são normalmente desconhecidas pelo próprio sujeito e 
consistem em ideias gerais, globais, rígidas e generalizadas para centenas de 
situações que a pessoa vivencia em seu dia-a-dia. O último exemplo, acima, do 
sujeito que se considerava pouco inteligente para compreender o livro poderia 
ter uma crença de que não era capaz de compreender nada, de que era burro, 
de que não tinha inteligência suficiente para entender os conceitos do autor. 
As crenças intermediárias se baseiam na crença central. O mesmo leitor que 
tem a crença central de que é burro pode ter a atitude de que odeia ser 
incompetente e uma regra de que deve se esforçar muito para se superar, ou, 
talvez, a regra inversa de que não adianta se esforçar já que não irá 
compreender nem memorizar o que está sendo dito ou lido. Na regra também 
encontramos suposições que podem ser úteis (se esforçar mais) ou 
desfuncionais (não adianta tentar). 
Por sua vez, as crenças centrais e as crenças intermediárias (regras, atitudes, 
suposições) dão espaço para o surgimento de pensamentos automáticos. O 
que é curioso é que frequentemente o sujeito que busca terapia acaba se 
espantando com o fato de ter estes pensamentos automáticos. Quando o 
terapeuta o ajuda a ouvir estes pensamentos e a questioná-los, confrontá-los, 
contradizê-los, o paciente passa a aprender mais sobre si e passa a conseguir 
perceber e mudar. 
De acordo com o tipo de pensamento automático, uma emoção aparecerá e 
permanecerá se o pensamento for mantido. Como vimos no primeiro exemplo, 
um pensamento gera um tipo de emoção. Se o livro for considerado simples 
demais, temos uma decepção. Se o livro for considerado difícil demais, temos 
tristeza e assim por diante. 
O caminho da terapia a partir do modelo cognitivo 
Tendo em vista o modelo cognitivo, o terapeuta cognitivo experiente poderá 
abordar nas sessões os pensamentos automáticos, relacioná-los às crenças 
intermediárias ou crenças centrais de acordo com a avaliação inicial do 
paciente e do momento no qual o processo terapêutico está. 
A grosso modo, podemos dizer que a meta maior da terapia é modificar as 
crenças fundamentais, as crenças centrais que são disfuncionais e acabam 
organizando a vida do sujeito, sem que talvez ele consiga perceber exatamente 
o que está acontecendo. 
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Por exemplo, se a pessoa tem a crença fundamental de que é burra ela 
acabará conseguindo comprovar esta crença fundamental em suas 
experiências, na medida em que descarta as experiências que comprovam a 
sua capacidade e guarda apenas as que a depreciam. 
Quer dizer, se ela consegue tirar uma nota alta em uma prova, pensará que é 
por sorte ou que a prova estava fácil. Talvez se compare com outra pessoa da 
sala que foi ainda melhor. De todo modo, a nota alta não estará modificando a 
crença fundamental. Se a nota fosse baixa, com certeza seria uma 
comprovação de que realmente não tem nenhuma facilidade mental ou 
inteligência. 
Enfim, com o processo terapêutico da terapia cognitiva os pensamentos 
automáticos são observados e começa uma jornada de autoconhecimento no 
qual a observação por parte do próprio sujeito de como as suas crenças estão 
estruturando o seu mundo e de como é salutar questionar estas crenças 
básicas e modificá-las por crenças mais funcionais, ou seja, mais positivas. 
O modelo cognitivo é um conceito fundamental para a teoria e prática clínica 
dentro da psicologia cognitiva. Em resumo, podemos compreender que há um 
modelo teórico que auxilia na prática e que compreende uma hierarquia de 
funções cognitivas que começa nas crenças centrais, passa pelas crenças 
intermediárias (ou regras, atitudes, suposições) e pelos pensamentos 
automáticos até as emoções e sensações corporais. 
Para a terapia cognitiva não são os fenômenos no mundo que são de um jeito 
ou de outro, mas sim o modo como interpretamos estes fenômenos que otransformam em fatos positivos ou negativos, construtivos ou destrutivos. 
Lembrei-me agora de uma história, para concluir, de dois sujeitos. Um era um 
bem sucedido empresário, com família estruturada, filhos e emocionalmente 
equilibrado. O outro era um presidiário, preso por tráfico, viciado e 
emocionalmente desequilibrado. 
Quando perguntaram a eles o motivo de eles terem a vida que tinham, eles 
responderam: “Também, com o pai que eu tive”. 
Acontece que os dois eram irmãos e, portanto, tinham o mesmo pai. Enquanto 
um utilizou o exemplo do pai para copiá-lo e seguir na vida do crime, o outro 
rechaçou aquela vivência e foi para um caminho totalmente outro. 
De toda forma é muito interessante como a justificava para a vida de cada um 
se deu pelo mesmo motivo: a relação com pai. Ou seja, não é o fato (a relação 
com o pai) que determina o que se pensa, sente ou acredita mas é a 
interpretação a respeito desta relação que faz com que cada um siga um 
determinado caminho. 
 
 
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Módulo 4: 
Características da TCC 
As principais características da Terapia Cognitiva, como um sistema de 
psicoterapia, são: 
a) Constitui um sistema de psicoterapia integrado. Combina o modelo cognitivo 
de personalidade e de psicopatologia a um modelo aplicado, que reúne um 
conjunto de princípios, técnicas e estratégias terapêuticas fundamentado 
diretamente em seu modelo teórico. Conta, ainda, com comprovação empírica 
através de um volume respeitável de estudos controlados de eficácia. Em 
outras palavras, satisfaz os critérios básicos que lhe conferem o status de 
sistema de psicoterapia. 
b) Demonstra aplicabilidade eficaz, segundo estudos controlados, em várias 
áreas: na área tradicional da Psicologia Clínica, em que TC é aplicada à 
depressão, aos transtornos de ansiedade (ansiedade generalizada, fobias, 
pânico, hipocondria, transtorno obsessivo-compulsivo), à dependência química, 
aos transtornos alimentares, aos transtornos de stress pós-traumático, aos 
transtornos de personalidade, à terapia com casais e em grupo etc., com 
adultos, crianças e adolescentes. A Terapia Cognitiva padrão, reunindo 
técnicas e estratégias terapêuticas destinadas à realização de seus objetivos 
básicos, é modificada para aplicação a diferentes áreas de especialidade, 
refletindo modelos teóricos e aplicados particulares para cada classe de 
transtorno. 
c) Aplica-se ainda às áreas de educação, esportes e organizações, sendo 
também utilizada com sucesso como coadjuvante no tratamento de distúrbios 
orgânicos, área em que conta com um grande volume de estudos científicos. E, 
no caso particular das psicoses, as publicações se avolumam nas áreas de 
esquizofrenia e transtorno bipolar, indicando resultados encorajadores. 
Representa um processo terapêutico diretivo e semiestruturado, orientado à 
resolução de problemas. É colaborativa, ou seja, reflete um processo em que 
ambos, terapeuta e paciente, têm um papel ativo e estabelecem 
colaborativamente metas terapêuticas, as agendas de cada sessão, tarefas 
entre sessões etc. Requer a socialização do paciente ao modelo, a fim de que 
ele possa desempenhar seu papel como colaborador ativo. Envolve uma 
relação genuína entre terapeuta e paciente, baseada em empatia terapêutica, 
em que o terapeuta é amigável, caloroso e genuíno. 
d) As sessões, bem como o processo terapêutico, são semiestruturadas, 
envolvendo tarefas entre as sessões. É focal, requerendo uma definição 
concreta e específica dos problemas do paciente e das metas terapêuticas. 
e) Tem um caráter didático, em que o objetivo não é unicamente ajudar o 
paciente com seus problemas, mas dotá-lo de um novo instrumental cognitivo e 
comportamental, através de prática regular, a fim de que ele possa perceber e 
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responder ao real de forma funcional, sendo o funcional definido como aquilo 
que concorre para a realização de suas metas. Nesse sentido, as intervenções 
são explícitas, envolvendo feedback recíproco entre o terapeuta e o paciente. É 
um processo terapêutico de tempo curto e limitado, podendo sua aplicação 
variar entre aproximadamente 12 e 24 sessões, tornando-a apropriada ao 
contexto socioeconômico atual, e possibilitando sua utilização pelo sistema de 
saúde público, bem como pelos convênios e seguros de saúde. 
f) Mostra-se eficaz para diferentes populações, independentemente de cultura 
e níveis socioeconômico e educacional (Serra et al., 2001). 
A reunião de todas essas características seguramente nos permite afirmar que 
a Terapia Cognitiva representa uma mudança de paradigma no campo das 
psicoterapias. 
 
Entretanto, a Terapia Cognitiva parece fácil, mas não é! A média de trainees 
que se tornam proficientes em Terapia Cognitiva após o primeiro ano de 
treinamento em centros internacionais é de apenas 25%, índice que tende a 
aumentar a medida que se prolonga o tempo de treinamento, apontando para a 
relevância do treinamento adequado. Recomenda-se, portanto, treinamento 
extenso e formal, com instrutores capacitados na área específica da Terapia 
Cognitiva, e supervisão clínica prolongada, até que o terapeuta esteja apto a 
atender independentemente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Módulo 5: 
Princípios da TCC 
Listaremos neste módulo os princípios básicos e etiológicos da Terapia 
Cognitivo-Comportamental. 
Princípios Básicos 
Embora a terapia deva se adequar a cada indivíduo, existem determinados 
princípios que estão presentes na terapia cognitivo-comportamental para todos 
os pacientes. 
Os princípios básicos da terapia cognitivo-comportamental são os seguintes: 
Princípio 1: A terapia cognitivo-comportamental está baseada em uma 
formulação em desenvolvimento contínuo dos problemas dos pacientes e em 
uma conceituação individual de cada paciente em termos cognitivos 
Princípio 2: A terapia cognitivo-comportamental requer uma aliança 
terapêutica sólida. 
Princípio 3: A terapia cognitivo-comportamental enfatiza a colaboração e a 
participação ativa. 
Princípio 4: A terapia cognitivo-comportamental é orientada para os objetivos e 
focada nos problemas. 
Princípio 5: A terapia cognitivo-comportamental enfatiza inicialmente o 
presente. 
Princípio 6: A terapia cognitivo-comportamental é educativa, tem como 
objetivo ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção 
de recaída. 
Princípio 7: A terapia cognitivo-comportamental visa ser limitada no tempo. 
Princípio 8: As sessões de terapia cognitivo-comportamental são estruturadas. 
Princípio 9: A terapia cognitivo-comportamental ensina os pacientes a 
identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais. 
Princípio 10: A terapia cognitivo-comportamental usa uma variedade de 
técnicas para mudar o pensamento, o humor e o comportamento 
Esses princípios básicos se aplicam a todos os pacientes. No entanto, a terapia 
varia consideravelmente de acordo com cada paciente, com a natureza das 
suas dificuldades e seu momento de vida, assim como seu nível intelectual e 
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de desenvolvimento, seu gênero e origem cultural. O tratamento também varia 
dependendo dos objetivos do paciente, da sua capacidade para desenvolver 
um vínculo terapêutico consistente, da sua motivação para mudar, sua 
experiência prévia com terapia e suas preferências de tratamento, entre outros 
fatores. 
Princípios etiológicos 
Os transtornos mentais são vistos como fruto de um desequilíbrio entre os 
fatores salutogênicos por um lado e os fatores patogênicos por outro. 
Fatores salutogênicos são aqueles que permitem ao indivíduo ser saudável. 
Dentre eles se distinguem determinados fatores da personalidade, como os 
estilos de coping, os fatores de fomento à saúde, que ajudam a mantê-la (ex. a 
prática de esportes, uma vida equilibrada etc.), e os fatores de proteção, que 
ajudam a defendê-la em momentos de estresse (ex. uma boa rede social, bom 
acesso à rede de saúde etc.). 
Fatores patogênicos são aqueles que levam à doença. Os fatores de 
vulnerabilidadesão as predisposições e tendências pessoais, quer de ordem 
genético-biológicas, quer ligadas à história de vida da pessoa, a desenvolver 
determinado transtorno mental; os fatores desencadeadores são os eventos 
que levaram ao aparecimento do transtorno (ex. diferentes tipos de estresse, 
perda de entes queridos, acidentes e outros traumas etc.) e os fatores 
mantenedores são aqueles que propiciam a continuação do transtorno mesmo 
após os fatores desencadeadores não estarem mais presentes (ex. estresse 
permanente, tentativas errôneas do paciente ou de pessoas a ele próximas de 
lidar com a situação etc.). Dentre os fatores mantenedores a funcionalidade (ou 
ganho secundário) do transtorno desempenha um papel importante: Trata-se 
dos aspectos positivos que toda doença e transtorno mental, por mais grave 
que seja, tem para o indivíduo. Assim determinados transtornos infantis têm 
como funcionalidade a manutenção do relacionamento instável dos pais, que 
permanecem juntos somente por causa do filho. Como se depreende do 
exemplo, não se deve confundir a funcionalidade com má-fé ou intenção 
maldosa do paciente. 
Tradicionalmente a TCC dedica-se especialmente aos fatores mantenedores, 
sem no entanto perder de vista os demais fatores. Nos últimos anos vem 
crescendo cada vez mais a consciência de que sobretudo os fatores 
salutogênicos têm grande importância na recuperação da saúde e devem ser 
fomentados. 
 
 
 
 
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Módulo 6: 
Estrutura da terapia 
A estrutura da TCC pode ser descrita em uma série de cinco passos: 
1) Apresentação do problema 
a) Primeira orientação a respeito problemática - consiste na coleta e 
organização dos dados relevantes para a compreensão do paciente e de seu 
problema: dados pessoais, sintomática e seu desenvolvimento, objetivos do 
paciente, esclarecimento das condições necessárias para o trabalho 
psicoterapêutico; 
b) Definição dos problemas e diagnóstico - definição dos diversos problemas 
envolvidos e da relação entre eles, esclarecimentos, diagnóstico (ex. possíveis 
causas fisiológicas do problema), diagnóstico provisório (segundo CID 10 ou 
DSM IV) e definição da indicação psicoterapêutica (ou seja, qual método 
psicoterapêutico é o mais indicado); 
c) Escolha dos problemas a serem tratados 
2) Análise do(s) problema(s) 
a) Análise comportamental - escolha do comportamento problemático, análise 
da sua incidência (em que situações, com que frequência, acompanhado de 
que pensamentos, emoções, com que consequências); 
b) Análise motivacional - análise do valor do comportamento problemático: que 
objetivos são perseguidos com ele? Quais motivos influenciam a vida da 
pessoa? O comportamento se origina de conflitos entre objetivos distintos? 
c) Análise sistêmica - análise da pertinência do indivíduo a diferentes sistemas 
sociais, com regras e exigências distintas e, por vezes contraditórias e a 
influência dessa pertinência sobre seu comportamento; 
d) Origem e desenvolvimento do problema: Anamnese, geração de hipóteses 
sobre a origem do problema; 
e) Condensamento do conhecimento ganho até então: geração de um modelo 
etiológico individual. 
3) Análise do objetivo 
a) Pré-requisitos da mudança (de comportamento) - consideração dos lados 
positivo e negativo do comportamento atual (problemático), definição da 
motivação para a mudança, determinação dos fatores ambientais que auxiliam 
a mudança e daqueles que a atrapalham; 
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b) Determinação dos objetivos - quais os objetivos perseguidos pelas partes 
envolvidas (paciente, terapeuta, terceiros), formulação de objetivos e dos 
passos necessários para alcançá-los; 
c) Relacionamento paciente-terapeuta - o relacionamento entre paciente e 
terapeuta é tal que permite um trabalho produtivo? Como mantê-lo (ou 
modificá-lo)? 
4) Análise dos meios 
a) Pontos de partida: quais pessoas devem ser envolvidas na mudança? Com 
quais situações, problemas, pessoas começar? 
b) Princípios da mudança - com base na análise do problema, quais passos 
devem ser dados? Como? Explicação da lógica do tratamento (dos passos a 
serem dados) ao paciente 
c) Planejamento concreto da terapia - que novos comportamentos devem ser 
aprendidos, em que situação? Como? Definir os parâmetros formais 
(frequência das consultas, duração da terapia) e determinar se outros 
tratamentos (ex. medicamentos) são necessários. Definir exatamente (de forma 
observável) o que se considera "sucesso" 
5) Teste e avaliação dos passos definidos 
Realização dos passos tal qual definidos anteriormente, sempre levando em 
conta de que as hipóteses sobre as quais elas se baseiam são provisórias e, 
assim, modificáveis sempre que necessário. Avaliação permanente de cada um 
dos passos e dos diferentes objetivos alcançados. 
Término da terapia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Módulo 7: 
Objetivos da Terapia Cognitivo-Comportamental 
Muitas pessoas têm essa dúvida: afinal, qual é o objetivo da TCC? 
Como uma abordagem da psicologia, o objetivo da Terapia Cognitivo 
Comportamental é permitir aos pacientes encontrarem um caminho para a 
solução de seus problemas. Assim como as outras abordagens da psicologia, a 
TCC tem seus processos e particularidades. No caso da TCC a abordagem é 
bastante prática e direta. 
A partir da análise de um problema, o foco passa a ser sua solução, através da 
mudança de comportamento. Isso não significa que o método seja melhor do 
que outros tipos de psicoterapia ou que o tratamento psicanalítico. 
O que acontece é que a Terapia Cognitivo Comportamental costuma trazer 
resultados mais visíveis e rápidos. Esse é um fator que influencia positivamente 
na satisfação e confiança do paciente, o que ajuda bastante na sequência do 
processo de tratamento ou desenvolvimento. 
A TCC é amplamente recomendada para quem tem problemas facilmente 
identificáveis e precisa de uma mudança nas ações e comportamentos para 
resolvê-los. Isso vale para questões da vida pessoal (como relacionamentos 
amorosos e sociais e problemas familiares), estudantil e profissional. 
O objetivo da terapia cognitiva comportamental é nos mostrar que o que tem 
influência sobre nós não são diretamente os acontecimentos e situações 
diárias, mas sim a forma que interpretamos cada uma dessas situações. 
A Terapia Cognitivo Comportamental acredita que a ação (comportamento) é 
consequência de uma emoção desencadeada pelo pensamento. Nós agimos 
de acordo com a influência das emoções em nossos pensamentos. Ou seja, 
quando você recebe uma crítica em seu local de trabalho, qual seu 
pensamento? “ele tem razão, sou mesmo um fracasso, nunca conseguirei 
nada”; o que você sente? Tristeza; como você se comporta? Isolando-se. 
E é exatamente neste aspecto que a TCC poderá ajudá-lo: evitando que você 
tenha o pensamento negativo e, consequentemente, evitando que desencadeie 
uma série de questões e sentimentos negativos em sua vida. 
A TCC tem como objetivo principal o restabelecimento do controle da atenção, 
a ressignificação do pensamento por meio da reestruturação cognitiva do 
paciente, a partir do uso de estratégias terapêuticas adaptadas a cada 
subjetividade e sintoma. 
Um dos grandes benefícios da TCC é a reorganização dos pensamentos 
disfuncionais. Pensamentos disfuncionais são pensamentos que estão 
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distorcidos, a partir de um quadro situacional de patologia física emocional 
como, por exemplo, ansiedade, depressão e as suas categorias. 
Para quem a TCC é recomendada? 
A Terapia Cognitivo Comportamental é recomendada para pessoas que 
identificam padrões de pensamentos e comportamentos que estão 
prejudicando sua vida de alguma maneira. Pode ser algo aparentemente 
simples, como um medo excessivo de assumir riscos, baixa autoestima ou 
dificuldade em se concentrar nos estudos ou em tarefas a complexas. Esses 
exemplos são problemas que, na maioria dos casos, não correspondem a uma 
patologia, mas podem atrapalhar a pessoa. Como existem causas cognitivas e 
comportamentais para essasdificuldades, a TCC é uma ótima maneira de 
reverter esses padrões negativos. Mas estamos falando de um método 
terapêutico bem aceito em todo o mundo, com eficácia observada no 
tratamento de uma série de questões mais complexas, como: 
• Agressividade; 
• Anorexia; 
• Ansiedade; 
• Compulsão (alimentar, por acumulação, por jogos, por drogas, etc.); 
• Déficit de atenção; 
• Depressão; 
• Estresse pós-traumático; 
• Fobia social; 
• Síndrome do pânico; 
• Transtorno bipolar; 
• Transtorno disfórmico corporal; 
• Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). 
Além de tudo isso, a TCC é um método que tem grande colaboração geral para 
a qualidade de vida e bem-estar do paciente. O objetivo da TCC é ajudar a 
pessoa a viver melhor e, por isso, é recomendada para qualquer um que 
busque evoluir em seus comportamentos. 
 
 
17 
 
Módulo 8: 
Principais Técnicas 
Depois de fazer a identificação dos problemas e compreender o que está por 
trás deles, o terapeuta cognitivo-comportamental faz uso das técnicas de 
intervenção. Para isso, ele considera tanto as particularidades das demandas 
quanto o grau de sofrimento do paciente. Conheça a seguir algumas das 
técnicas mais utilizadas na TCC. 
1. Psicoeducação 
Essa técnica se baseia na explicação de questões importantes do tratamento 
psicológico ao paciente. Ela deve ser feita da forma mais simples e didática 
possível, de acordo com a linguagem de cada pessoa. A psicoeducação trata 
tanto de dados sobre o diagnóstico quanto de explicações sobre as atividades 
que são utilizadas durante as sessões. 
Realizar a psicoeducação traz bons resultados na adesão da pessoa à terapia, 
pois oferece informações relevantes para que ela se envolva no tratamento 
ativamente. Além disso, a técnica contribui também para diminuir a ansiedade 
do paciente diante de um diagnóstico difícil ou mesmo do desafio de fazer 
terapia. Essa é uma estratégia muito utilizada também na Psicologia hospitalar. 
Algumas pessoas são encaminhadas ao psicólogo depois de serem 
identificadas com algum transtorno emocional, como a síndrome do pânico ou 
o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Muitas vezes, esses pacientes 
chegam à terapia com poucas informações sobre o problema que enfrentam. 
Assim, a postura do terapeuta cognitivo-comportamental faz toda a diferença 
no acolhimento que eles recebem e na perspectiva de melhora que podem ter. 
2. Registro de pensamentos disfuncionais 
Essa é outra atividade muito comum na terapia cognitivo-comportamental. 
Como o foco da abordagem é a relação entre pensamento e comportamento, é 
essencial identificar os elementos disfuncionais. Ao utilizar essa técnica, o 
terapeuta pede que o paciente registre os pensamentos desagradáveis que 
surgem em determinadas situações. 
Por exemplo, se a pessoa tem fobia social, ela deve escrever o que pensa 
quando está com medo ou ansiosa diante da possibilidade de se expor. 
Algumas vezes, também é pedido que se registrem sentimentos, reações 
físicas e comportamentos envolvidos na situação. Essa tarefa ajuda o paciente 
a tomar consciência de si. 
O registro de pensamentos disfuncionais tem diversas utilidades na clínica. A 
primeira delas é para que o paciente se dê conta do que pensa e sente quando 
enfrenta um problema, já que, em muitos casos, as pessoas reagem de forma 
18 
 
automática e não conseguem entender a situação. Além disso, o terapeuta faz 
uso desse registro para encaminhar as sessões e utilizar outras técnicas que 
auxiliem no processo de modificação dos padrões negativos. 
3. Questionamento socrático 
Essa também é uma das técnicas de terapia cognitivo-comportamental mais 
utilizadas. A atuação clínica da TCC se baseia bastante no questionamento 
socrático. Na prática, isso significa que o terapeuta vai fazer uma série de 
perguntas com o objetivo de ajudar o paciente a aprofundar sua compreensão 
sobre os próprios pensamentos. 
Como falamos, muitas pessoas se comportam de forma automática, sem 
perceber os pensamentos e emoções que estão por trás disso. Na terapia, o 
paciente é colocado diante de perguntas que aprofundam a reflexão e o fazem 
pensar sobre as relações complexas que a mente dele estabelece. Assim, é 
possível perceber e modificar distorções cognitivas. 
A função do psicólogo não é oferecer respostas ou direcionar a forma como as 
pessoas pensam e se comportam. Ao fazer perguntas, ele constrói 
possibilidades para que os pacientes compreendam melhor seus pensamentos 
e tomem suas próprias decisões. Com essa técnica, os elementos 
disfuncionais podem ser questionados e colocados em xeque. 
4. Técnicas de exposição 
As técnicas de terapia cognitivo-comportamental são muito eficientes para 
intervir diretamente em problemas específicos, como fobias. Esse é o caso das 
atividades de exposição, que podem ser utilizadas para tratar medos e traumas 
que limitam a vida do paciente. 
É muito comum que pessoas procurem terapia por terem um medo excessivo. 
Na maioria das vezes, isso acontece pela generalização da ansiedade 
vivenciada em determinada situação. Por exemplo, alguém que ficou preso em 
um elevador há alguns anos pode enfrentar muita dificuldade em se expor a 
essa realidade de novo. 
Quando o medo atrapalha a vida do paciente — caso ele deixe de lado 
momentos de trabalho ou lazer por não conseguir encarar o elevador, por 
exemplo —, a questão precisa ser mediada na terapia. As técnicas de 
exposição são muito úteis para a resolução do problema, pois transportam a 
pessoa para o que lhe causa ansiedade, ao mesmo tempo em que a ensina 
modos de controlar as emoções negativas e lidar com a situação de outra 
forma. 
5. Dessensibilização sistemática 
Essa atividade é um tipo de técnica de exposição muito utilizada no tratamento 
de fobias e síndrome do pânico. Ela consiste em expor a pessoa aos 
elementos que lhe causam medo de maneira gradual, segura e guiada pelo 
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terapeuta. Ao fazer isso na terapia, o paciente tem a possibilidade de substituir 
os sentimentos de tensão por relaxamento. 
A exposição, nesse caso, não é física. Em geral, o terapeuta conduz o paciente 
na sua imaginação. Enquanto pensa na fonte de ansiedade, ele coloca em 
prática as técnicas de relaxamento que aprendeu. Quando já estiver mais 
seguro, a pessoa pode repetir esse exercício em sua rotina fora da clínica. 
6. Técnicas de relaxamento 
Nos últimos anos, tem crescido muito o número de casos de transtornos 
ligados à ansiedade ou ao medo, como o transtorno de ansiedade 
generalizada. As pessoas que têm esse problema e vivenciam situações de 
crise enfrentam muita dificuldade para conseguir acalmar as emoções e pensar 
racionalmente nos momentos extremos. 
O paciente ansioso ou com crise de pânico vive situações de medo extremo e 
sofre de sintomas físicos, como falta de ar, taquicardia, tremores no corpo e 
agitação psicomotora. As técnicas de relaxamento são usadas durante a 
terapia e servem como aprendizado para que a pessoa conquiste o 
autocontrole em períodos críticos. 
O terapeuta cognitivo-comportamental ajuda o paciente a respirar 
pausadamente, seguindo determinados ritmos para aumentar a oxigenação do 
corpo e regularizar as sensações. Além disso, as técnicas de relaxamento 
muscular são úteis para potencializar a percepção de si durante a crise, 
aumentar a concentração e gerar sentimento de bem-estar, diminuindo, assim, 
a tensão. 
7. Técnicas de habilidades sociais 
Essas também estão entre as técnicas de terapia cognitivo-comportamental 
mais usadas. Não é difícil entender os motivos quando consideramos o quanto 
nossa sociedade expõe as pessoas ao julgamento de outras. Muitos pacientes 
procuram terapia para tratar a timidez ou o pavor vivido em situações de 
exposição social. 
Essa dificuldade atrapalha a vida em muitos aspectos, distanciando o sucesso 
em avaliações educacionais ou em situações de trabalho, por exemplo. Assim, 
é um problema que precisa ser tratado o quanto antes, pois costuma trazer 
consequênciasmais sérias na vida adulta. 
O terapeuta da abordagem cognitivo-comportamental é capacitado para ajudar 
a pessoa a desenvolver mecanismos de superação da timidez por meio do 
treino de habilidades sociais em terapia individual ou de grupo. Ele consiste em 
simular cenários na relação com o terapeuta para que o paciente consiga 
desenvolver e expressar competências sociais primeiro na clínica e depois na 
sua rotina. 
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Além de casos de fobia social, essa técnica também é muito válida para 
pacientes que enfrentam dificuldade em desenvolver aspectos como empatia e 
capacidade de comunicação. Muitas pessoas têm dificuldade para expressar 
suas emoções de forma eficiente — algumas choram ao primeiro sinal de uma 
conversa mais tensa, por exemplo. Assim, as técnicas não servem apenas para 
ter mais segurança ao falar em público, mas também para iniciar e concluir 
diálogos particulares ou íntimos. 
8. Enfrentamento do estresse 
Muitos pacientes estão expostos a situações estressantes e não conseguem 
mobilizar esforços saudáveis para lidar com as emoções geradas nesses 
momentos. É preciso construir estratégias de enfrentamento quando o contexto 
externo apresenta poucas possibilidades de mudança para a diminuição da 
sobrecarga. 
Essa pode ser a realidade de profissionais com alto nível de estresse ou de 
pessoas que precisam cuidar de entes queridos doentes, por exemplo. Alguns 
cenários de vida geram respostas emocionais negativas com as quais é difícil 
lidar. As técnicas de terapia cognitivo-comportamental auxiliam o paciente no 
sentido de entender os elementos geradores de estresse, identificar os 
sentimentos envolvidos e encontrar alternativas de enfrentamento. 
Podem ser desenvolvidas estratégias voltadas ao problema, como modificar o 
evento estressor, realizar atividade física ou aumentar as horas de descanso 
para diminuir a tensão. Também existem aprendizagens voltadas às emoções, 
com objetivo de controlar as respostas negativas às situações externas que 
não podem ser modificadas. 
9. Espectador ou observador distante 
Muitas vezes, os pacientes têm grande dificuldade em superar seus problemas 
por não conseguir analisá-los de forma eficiente. Afinal, para quem está 
vivendo uma situação complicada, a solução pode parecer muito longe e até 
mesmo impossível. 
Um pensamento popular afirma que quem não está passando pelo problema 
consegue enxergar aspectos que a pessoa envolvida não vê. Você 
provavelmente já ouviu alguém falar sobre isso, não é? De fato, é comum que 
a visão de amigos ou familiares ajudem a ampliar as possibilidades e encontrar 
caminhos para superação das dificuldades. 
Podemos dizer que a mediação do psicólogo também se insere nesse cenário, 
especialmente quando falamos da estratégia do espectador ou observador 
distante. Essa é uma das técnicas de terapia cognitivo-comportamental e 
consiste em estimular que o paciente utilize sua imaginação para visualizar 
seus problemas como se fossem uma peça ou representação. 
Ao fazer isso, é possível diminuir as reações emocionais e proporcionar uma 
análise mais lúcida das experiências de vida. Como o paciente passa a narrar a 
21 
 
situação como se não acontecesse com ele, novas visões sobre um mesmo 
acontecimento podem surgir, tornando mais fácil driblar os obstáculos. 
10. Troca de papéis 
Essa é outra técnica que faz uso da imaginação ou visualização criativa para 
proporcionar maior tomada de consciência sobre determinadas vivências — 
principalmente conflitos interpessoais. Na troca de papéis, o terapeuta incentiva 
o paciente a se colocar no lugar de outra pessoa, tentando avaliar o contexto 
pelo ponto de vista dela. 
Assim, o paciente deve se manifestar na terapia como se fosse essa pessoa, 
avaliando o que ela pensaria e o que falaria em relação ao conflito existente. 
Esse exercício pode ser muito útil no desenvolvimento da empatia e na 
melhoria de relações sociais. Assim, é muito utilizado nos treinos de 
habilidades sociais. 
Há, ainda, outra estratégia clínica relacionada a esses aspectos — o role-
playing. O funcionamento dessa técnica é semelhante à da troca de papéis, 
mas, nesse caso, a atividade vai além da imaginação. É feita uma espécie de 
simulação, em que o terapeuta participa imitando o comportamento de uma 
pessoa próxima ao paciente. 
11. Parada do pensamento e autoinstrução 
Controlar os próprios pensamentos e ações pode ser uma tarefa muito 
complexa, principalmente quando as pessoas apresentam alguma condição 
que dificulta esse processo — como depressão, ansiedade ou transtornos de 
personalidade. Existem técnicas de terapia cognitivo-comportamental que 
podem ajudar muito nesse ponto. 
Uma delas é a da parada do pensamento e autoinstrução, em que o paciente é 
orientado a identificar ideias que o fazem mal e dar um comando de “pare” 
sempre que elas surgirem. Como a TCC intervém na relação entre 
pensamentos e comportamentos, essa é uma maneira de identificar distorções 
cognitivas e exercer maior autocontrole sobre elas, diminuindo seus efeitos 
negativos. 
A utilização eficiente dessa estratégia traz ótimos resultados, já que a pessoa 
aumenta a consciência sobre o que pensa e exercita seu poder de interromper 
e modificar os pensamentos. Ela costuma ser utilizada, principalmente, em 
casos relacionados à ansiedade e ao estresse pós-traumático. 
 
 
 
 
22 
 
Módulo 9: 
Papel do Terapeuta 
Através de testes comportamentais, o psicólogo, em um primeiro momento, 
identificará qual a frequência de pensamentos negativos de seu paciente. O 
próximo passo é descobrir qual a emoção que mais se manifesta diante destes 
pensamentos, tais como: raiva, tristeza, ansiedade, medo, entre outras. Com 
esta informação, o terapeuta trabalhará com o paciente a forma de poder 
identificar seus pensamentos negativos e desafiá-los automaticamente, quando 
a situação desagradável surgir. 
O maior foco da TCC é mostrar ao paciente que é possível mudar 
completamente uma situação, apenas com a forma que ele pensa: a forma que 
o paciente vê o mundo. Em contrapartida, apesar de parecer simples quando 
lemos a respeito, desafiar os próprios pensamentos não é tarefa das mais 
fáceis. 
A ajuda de um profissional especializado é sempre muito importante, até para 
que a tarefa de se desafiar seja uma rotina e não apenas algo momentâneo. O 
psicólogo através da psicoterapia ajuda o paciente na busca do 
autoconhecimento e equilíbrio emocional, que nos dias de hoje, em meio ao 
estresse e ansiedade tem se tornado algo cada vez mais frequente. 
A terapia cognitiva comportamental é uma abordagem que foca numa outra 
forma de entender a questão que o paciente traz, mas não significa que não 
seja procurada para tratar questões passadas que o paciente tem interesse em 
esclarecer para si mesmo. 
Mais do que ir em busca do autoconhecimento, um psicólogo deverá sempre 
ser contatado quando o paciente sente que algo não está “dentro dos 
conformes”. Quando o paciente percebe que os pensamentos estão sendo 
cada vez mais pessimistas e que isso está afetando sua rotina, o psicólogo 
deve estar pronto para ajudar. 
O papel do terapeuta será o de auxiliar o paciente a reencontrar o seu 
“equilíbrio”, e, assim, viver de forma mais saudável e feliz. É importante 
ressaltar que o processo terapêutico acontece tanto no viés do vínculo de 
confiança entre paciente e terapeuta, bem como pelo despertar para a 
adaptação ao processo. Isso quer dizer, que a psicoterapia é ajustável à 
condição atual do paciente, conduzida pela ética profissional e pela 
fidedignidade do processo que se compromete com o alívio, com o suporte e 
apoio no momento da dor emocional. 
 
Referências Bibliográficas 
https://www.psicologiamsn.com/2014/04/o-modelo-cognitivo-crencas-
pensamentos-automaticos-e-emocoes.html 
http://www.itcbr.com/hotsite/frames.htm?http://www.itcbr.com/hotsite/01d.htm 
https://www.cetcc.com.br/blog/12/Qual+%C3%A9+o+objetivo+da+TCC%3F#:~:text
=A%20TCC%20tem%20como%20objetivo,a%20cada%20subjetividade%20e%20sintoma. 
https://blog.cognitivo.com/tecnicas-cognitivo-comportamentais/ 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Terapia_cognitivo-comportamental 
	Terapia Cognitivo Comportamental
	Descrição
	Módulo 1:
	Introdução
	Módulo 2:
	O que é Terapia Cognitivo-Comportamental?
	Módulo 3:
	Modelo Cognitivo de Beck
	Módulo 4:
	Características da TCC
	Módulo 5:
	Princípios da TCC
	Módulo 6:
	Estrutura da terapia
	Módulo 7:
	Objetivos da Terapia Cognitivo-Comportamental
	Módulo 8:
	Principais Técnicas
	Módulo 9:
	Papel do Terapeuta
	Referências Bibliográficas

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