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1 Terapia Cognitivo Comportamental Aqui você tem acesso a 9 módulos para o aprendizado da matéria, perfazendo 50 horas curriculares. Conheça um pouco mais do que você vai estudar: O que é Terapia Cognitivo-Comportamental? Modelo Cognitivo de Beck O modelo cognitivo na prática clínica O caminho da terapia a partir do modelo cognitivo Características da Terapia Cognitivo-Comportamental Princípios básicos da Terapia Cognitivo-Comportamental Princípios etiológicos Estrutura da terapia Objetivos da Terapia Cognitivo-Comportamental Para quem a Terapia Cognitivo-Comportamental é recomendada? Principais Técnicas Psicoeducação Registro de pensamentos disfuncionais Questionamento socrático Técnicas de exposição Dessensibilização sistemática Técnicas de relaxamento Técnicas de habilidades sociais Enfrentamento do estresse Espectador ou observador distante Troca de papéis Parada do pensamento e autoinstrução Papel do Terapeuta Descrição No início da década de 1960, Aaron Beck desenvolveu uma forma de psicoterapia denominada originalmente por “terapia cognitiva”. A terapia cognitiva é um sistema de psicoterapia que integra um modelo cognitivo de psicopatologia e um conjunto de técnicas e estratégias terapêuticas baseadas nesse modelo. As diversas formas de terapia cognitivo-comportamental derivam-se do modelo de Beck, onde o tratamento baseia-se numa formulação cognitiva, as crenças e estratégias comportamentais que são caraterísticas de um transtorno específico. A busca de produzir de várias maneiras uma modificação cognitiva (mudança no pensamento e no sistema de crenças do paciente) a fim de produzir uma mudança emocional e comportamental duradoura para o bem das organizações. 2 Módulo 1: Introdução Aaron Beck desenvolveu uma forma de psicoterapia no início da década de 1960, a qual denominou originalmente “terapia cognitiva”. O termo “terapia cognitiva” hoje é usado por muitos da nossa área como sinônimo de “terapia cognitivo-comportamental”. Para o tratamento da depressão, Beck concebeu uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e a modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais (inadequados e/ou inúteis) (Beck, 1964). Desde aquela época, ele e outros autores tiveram sucesso na adaptação dessa terapia a populações surpreendentemente diversas e com uma ampla abrangência de transtornos e problemas. Essas adaptações alteraram o foco, as técnicas e a duração do tratamento, porém os pressupostos teóricos em si permaneceram constantes. Em todas as formas de terapia cognitivo-comportamental derivadas do modelo de Beck, o tratamento está baseado em uma formulação cognitiva, as crenças e estratégias comportamentais que caracterizam um transtorno específico (Alford e Beck, 1997). O tratamento também está baseado em uma conceituação, ou compreensão, de cada paciente (suas crenças específicas e padrões de comportamento). O terapeuta procura produzir de várias formas uma mudança cognitiva – modificação no pensamento e no sistema de crenças do paciente – para produzir uma mudança emocional e comportamental duradoura. Beck lançou mão de inúmeras e diferentes fontes quando desenvolveu essa forma de psicoterapia, incluindo os primeiros filósofos, como Epiteto, e teóricos como Karen Horney, Alfred Adler, George Kelly, Albert Ellis, Richard Lazarus e Albert Bandura. O trabalho de Beck, por sua vez, foi ampliado por pesquisadores e teóricos atuais dos Estados Unidos e do exterior, numerosos demais para serem aqui mencionados. Existem muitas formas de terapia cognitivo-comportamental que compartilham características da terapia de Beck, mas cujas conceitualizações e ênfases no tratamento variam até certo ponto. Elas incluem a terapia racional-emotiva comportamental (Ellis, 1962), a terapia comportamental dialética (Linehan, 1993), a terapia de solução de problemas (D’Zurilla e Nezu, 2006), a terapia de aceitação e compromisso (Hayes, Follette e Linehan, 2004), a terapia de exposição (Foa e Rothbaum, 1998), a terapia de processamento cognitivo (Resick e Schnicke, 1993), o sistema de psicoterapia de análise cognitivo- comportamental (McCullough, 1999), a ativação comportamental (Lewinsohn, Sullivan e Grosscup, 1980; Martell, Addis e Jacobson, 2001), a modificação cognitivo-comportamental (Meichenbaum, 1977) e outras. A terapia cognitivo- comportamental de Beck frequentemente incorpora técnicas de todas estas e outras psicoterapias, dentro de uma estrutura cognitiva. O panorama histórico da área apresenta uma descrição rica de como se originaram e se 3 desenvolveram as diferentes correntes da terapia cognitivo-comportamental (Arnkoff e Glass, 1992; A. Beck, 2005; Clark, Beck e Alford, 1999; Dobson e Dozois, 2009; Hollon e Beck, 1993). A terapia cognitivo-comportamental tem sido adaptada a pacientes com diferentes níveis de educação e renda, bem como a uma variedade de culturas e idades, desde crianças pequenas até adultos com idade mais avançada. É usada atualmente em cuidados primários e outras especializações da saúde, escolas, programas vocacionais e prisões, entre outros contextos. É utilizada nos formatos de grupo, casal e família. Embora o tratamento descrito neste livro esteja focado nas sessões individuais de 45 minutos, elas podem ser mais curtas. Alguns pacientes, como os que sofrem de esquizofrenia, frequentemente não conseguem tolerar uma sessão inteira, e certos profissionais podem vir a utilizar técnicas da terapia cognitiva sem realizar uma sessão completa de terapia, seja durante uma consulta clínica ou de reabilitação, seja na revisão da medicação. 4 Módulo 2: O que é Terapia Cognitivo-Comportamental? Terapia Cognitiva é um sistema de psicoterapia, proposto e desenvolvido pelo Dr. Aaron Beck e seus colaboradores, que integra um modelo cognitivo de psicopatologia e um conjunto de técnicas e estratégias terapêuticas baseadas diretamente nesse modelo. Em meados da década de 1950, o Dr. Beck, Professor de Psiquiatria da Universidade da Pennsylvania em Philadelphia e um eminente Psicanalista, conduziu estudos empíricos para comprovar princípios psicanalíticos. A partir de seus estudos, propôs um modelo de depressão, que, evoluindo em seus aspectos teórico e aplicado, constitui-se em um novo sistema de psicoterapia, que ele denominou inicialmente de Terapia Cognitiva e que hoje é mais amplamente conhecida como Terapia Cognitivo-Comportamental. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) baseia-se na hipótese de vulnerabilidade cognitiva como um modelo de transtorno emocional. Seu princípio básico, que reflete uma postura construtivista, é de que nossas representações de eventos internos e externos, e não um evento em si, determinam nossas respostas emocionais e comportamentais. Nossas cognições ou interpretações, as quais refletem formas idiossincráticas de processar informação e representar o real, constituiriam a base dos transtornos emocionais, os quais seriam definidos, em TCC, mais propriamente como transtornos de processamento de informação. Fundamentada no princípio básico da TCC e, em particular, na hipótese de primazia das cognições sobre as emoções e comportamentos, em TCC busca- se a reestruturação cognitiva, a partir de uma conceituação cognitiva do paciente e de seus problemas. Inicialmente, objetiva devolver ao paciente a flexibilidade cognitiva, através da intervenção sobre as suas cognições, a fim de promover mudanças nas emoções e comportamentos que as acompanham. Ao longo do processo terapêutico, no entanto, atua diretamente sobre o sistema de esquemas e crenças do paciente a fim de promover sua reestruturação. Em paralelo à reestruturação cognitiva, o terapeuta cognitivo utiliza ainda uma abordagem de resolução de problemas. A TCCreflete aspectos interessantes em sua práxis. Baseia-se na noção de esquemas, construídos ao longo do desenvolvimento, cujo conjunto resume as percepções pelo indivíduo de regularidades do real com base em suas experiências históricas relevantes. Esquemas são definidos como superestruturas cognitivas que, em uma relação circular, organizam nossas experiências do real e são atualizados por elas, ao mesmo tempo em que guiam o foco de nossa atenção. TCC adota uma abordagem estruturada, mas apoia-se em uma relação colaborativa entre o terapeuta e o paciente, na qual ambos têm um papel ativo através do processo psicoterápico. Objetiva não apenas a resolução dos problemas imediatos do paciente, mas, através da 5 reestruturação cognitiva, busca dotá-lo de um novo conjunto de técnicas e estratégias cognitivas para, a partir daí, processar e responder ao real de forma funcional, sendo o funcional definido como formas que concorrem para a realização de suas metas. Características que a distinguem de outras formas de psicoterapia são o tempo curto e limitado e a eficácia comprovada através de estudos empíricos, em várias áreas de transtornos emocionais, como depressão, transtornos de ansiedade (transtorno de ansiedade generalizada, fobias, pânico, hipocondria, transtorno obsessivo-compulsivo), dependência química, transtornos alimentares, dificuldades interpessoais (terapia de casal e de família), transtornos psiquiátricos, etc., para adultos, crianças e adolescentes, nas modalidades individual e em grupo. Sua utilização no tratamento de psicoses apresenta resultados encorajadores. TCC ainda é indicada como coadjuvante no tratamento de transtornos orgânicos, e em intervenções nas áreas de educação, organizações e esportes. 6 Módulo 3: Modelo Cognitivo de Beck Falaremos nesse módulo sobre o modelo cognitivo na Terapia Cognitiva, modelo este que é fundamental para o entendimento desta abordagem da psicologia. Apesar de sua enorme profundidade teórica e prática, o modelo cognitivo é simples de entender. Em suma, podemos dizer que todos nós temos interpretações a respeito do mundo e dos eventos e, com isso, não são os eventos, fatos ou situações que causam problemas ou dificuldades, mas sim, o modo como interpretamos as situações. No livro de Judith Beck, Terapia Cognitiva, Teoria e Prática, vemos um exemplo muito interessante. A autora coloca cinco possíveis reações de supostos leitores do livro. Ou seja, ao ler um livro (estar de frente de um conteúdo novo), as pessoas podem: 1) Achar que o livro é excelente e será de grande utilidade e sentir entusiasmo. 2) Achar que o livro é muito simples e que não acrescentará nada e sentir decepção. 3) Achar que o livro é desperdício de tempo e dinheiro e sentir aborrecimento. 4) Achar que o livro tem conteúdo e pensar, ao mesmo tempo, que terá que aprender tudo o mais rápido que puder e sentir ansiedade. 5) Achar que o livro é difícil e pensar que não tem inteligência para acompanhar e sentir tristeza. Ou seja, o objeto, o livro, é idêntico para todos. Mas apesar desta objetividade do conteúdo, cada pessoa terá uma reação, uma interpretação e, consequentemente, terá reações emocionais e sensações corporais condizentes com o seu modo de pensar. A autora do livro, Judith Beck, então resume: “a terapia cognitiva baseia-se no modelo cognitivo, que levanta a hipótese de que as emoções e comportamentos das pessoas são influenciados por sua percepção dos eventos. Não é uma situação por si só que determina o que as pessoas sentem, mas, antes, o modo como elas interpretam uma situação” O modelo cognitivo na prática clínica O modelo cognitivo, portanto, é fundamental para a atuação profissional do psicólogo de abordagem cognitiva ou cognitiva-comportamental. Mas antes de mostrarmos na prática, é importante entendermos que existe uma hierarquia neste modelo: 7 1) Crenças centrais 2) Crenças intermediárias (regras, atitudes, suposições) 3) Pensamentos automáticos 4) Emoção As crenças centrais são normalmente desconhecidas pelo próprio sujeito e consistem em ideias gerais, globais, rígidas e generalizadas para centenas de situações que a pessoa vivencia em seu dia-a-dia. O último exemplo, acima, do sujeito que se considerava pouco inteligente para compreender o livro poderia ter uma crença de que não era capaz de compreender nada, de que era burro, de que não tinha inteligência suficiente para entender os conceitos do autor. As crenças intermediárias se baseiam na crença central. O mesmo leitor que tem a crença central de que é burro pode ter a atitude de que odeia ser incompetente e uma regra de que deve se esforçar muito para se superar, ou, talvez, a regra inversa de que não adianta se esforçar já que não irá compreender nem memorizar o que está sendo dito ou lido. Na regra também encontramos suposições que podem ser úteis (se esforçar mais) ou desfuncionais (não adianta tentar). Por sua vez, as crenças centrais e as crenças intermediárias (regras, atitudes, suposições) dão espaço para o surgimento de pensamentos automáticos. O que é curioso é que frequentemente o sujeito que busca terapia acaba se espantando com o fato de ter estes pensamentos automáticos. Quando o terapeuta o ajuda a ouvir estes pensamentos e a questioná-los, confrontá-los, contradizê-los, o paciente passa a aprender mais sobre si e passa a conseguir perceber e mudar. De acordo com o tipo de pensamento automático, uma emoção aparecerá e permanecerá se o pensamento for mantido. Como vimos no primeiro exemplo, um pensamento gera um tipo de emoção. Se o livro for considerado simples demais, temos uma decepção. Se o livro for considerado difícil demais, temos tristeza e assim por diante. O caminho da terapia a partir do modelo cognitivo Tendo em vista o modelo cognitivo, o terapeuta cognitivo experiente poderá abordar nas sessões os pensamentos automáticos, relacioná-los às crenças intermediárias ou crenças centrais de acordo com a avaliação inicial do paciente e do momento no qual o processo terapêutico está. A grosso modo, podemos dizer que a meta maior da terapia é modificar as crenças fundamentais, as crenças centrais que são disfuncionais e acabam organizando a vida do sujeito, sem que talvez ele consiga perceber exatamente o que está acontecendo. 8 Por exemplo, se a pessoa tem a crença fundamental de que é burra ela acabará conseguindo comprovar esta crença fundamental em suas experiências, na medida em que descarta as experiências que comprovam a sua capacidade e guarda apenas as que a depreciam. Quer dizer, se ela consegue tirar uma nota alta em uma prova, pensará que é por sorte ou que a prova estava fácil. Talvez se compare com outra pessoa da sala que foi ainda melhor. De todo modo, a nota alta não estará modificando a crença fundamental. Se a nota fosse baixa, com certeza seria uma comprovação de que realmente não tem nenhuma facilidade mental ou inteligência. Enfim, com o processo terapêutico da terapia cognitiva os pensamentos automáticos são observados e começa uma jornada de autoconhecimento no qual a observação por parte do próprio sujeito de como as suas crenças estão estruturando o seu mundo e de como é salutar questionar estas crenças básicas e modificá-las por crenças mais funcionais, ou seja, mais positivas. O modelo cognitivo é um conceito fundamental para a teoria e prática clínica dentro da psicologia cognitiva. Em resumo, podemos compreender que há um modelo teórico que auxilia na prática e que compreende uma hierarquia de funções cognitivas que começa nas crenças centrais, passa pelas crenças intermediárias (ou regras, atitudes, suposições) e pelos pensamentos automáticos até as emoções e sensações corporais. Para a terapia cognitiva não são os fenômenos no mundo que são de um jeito ou de outro, mas sim o modo como interpretamos estes fenômenos que otransformam em fatos positivos ou negativos, construtivos ou destrutivos. Lembrei-me agora de uma história, para concluir, de dois sujeitos. Um era um bem sucedido empresário, com família estruturada, filhos e emocionalmente equilibrado. O outro era um presidiário, preso por tráfico, viciado e emocionalmente desequilibrado. Quando perguntaram a eles o motivo de eles terem a vida que tinham, eles responderam: “Também, com o pai que eu tive”. Acontece que os dois eram irmãos e, portanto, tinham o mesmo pai. Enquanto um utilizou o exemplo do pai para copiá-lo e seguir na vida do crime, o outro rechaçou aquela vivência e foi para um caminho totalmente outro. De toda forma é muito interessante como a justificava para a vida de cada um se deu pelo mesmo motivo: a relação com pai. Ou seja, não é o fato (a relação com o pai) que determina o que se pensa, sente ou acredita mas é a interpretação a respeito desta relação que faz com que cada um siga um determinado caminho. 9 Módulo 4: Características da TCC As principais características da Terapia Cognitiva, como um sistema de psicoterapia, são: a) Constitui um sistema de psicoterapia integrado. Combina o modelo cognitivo de personalidade e de psicopatologia a um modelo aplicado, que reúne um conjunto de princípios, técnicas e estratégias terapêuticas fundamentado diretamente em seu modelo teórico. Conta, ainda, com comprovação empírica através de um volume respeitável de estudos controlados de eficácia. Em outras palavras, satisfaz os critérios básicos que lhe conferem o status de sistema de psicoterapia. b) Demonstra aplicabilidade eficaz, segundo estudos controlados, em várias áreas: na área tradicional da Psicologia Clínica, em que TC é aplicada à depressão, aos transtornos de ansiedade (ansiedade generalizada, fobias, pânico, hipocondria, transtorno obsessivo-compulsivo), à dependência química, aos transtornos alimentares, aos transtornos de stress pós-traumático, aos transtornos de personalidade, à terapia com casais e em grupo etc., com adultos, crianças e adolescentes. A Terapia Cognitiva padrão, reunindo técnicas e estratégias terapêuticas destinadas à realização de seus objetivos básicos, é modificada para aplicação a diferentes áreas de especialidade, refletindo modelos teóricos e aplicados particulares para cada classe de transtorno. c) Aplica-se ainda às áreas de educação, esportes e organizações, sendo também utilizada com sucesso como coadjuvante no tratamento de distúrbios orgânicos, área em que conta com um grande volume de estudos científicos. E, no caso particular das psicoses, as publicações se avolumam nas áreas de esquizofrenia e transtorno bipolar, indicando resultados encorajadores. Representa um processo terapêutico diretivo e semiestruturado, orientado à resolução de problemas. É colaborativa, ou seja, reflete um processo em que ambos, terapeuta e paciente, têm um papel ativo e estabelecem colaborativamente metas terapêuticas, as agendas de cada sessão, tarefas entre sessões etc. Requer a socialização do paciente ao modelo, a fim de que ele possa desempenhar seu papel como colaborador ativo. Envolve uma relação genuína entre terapeuta e paciente, baseada em empatia terapêutica, em que o terapeuta é amigável, caloroso e genuíno. d) As sessões, bem como o processo terapêutico, são semiestruturadas, envolvendo tarefas entre as sessões. É focal, requerendo uma definição concreta e específica dos problemas do paciente e das metas terapêuticas. e) Tem um caráter didático, em que o objetivo não é unicamente ajudar o paciente com seus problemas, mas dotá-lo de um novo instrumental cognitivo e comportamental, através de prática regular, a fim de que ele possa perceber e 10 responder ao real de forma funcional, sendo o funcional definido como aquilo que concorre para a realização de suas metas. Nesse sentido, as intervenções são explícitas, envolvendo feedback recíproco entre o terapeuta e o paciente. É um processo terapêutico de tempo curto e limitado, podendo sua aplicação variar entre aproximadamente 12 e 24 sessões, tornando-a apropriada ao contexto socioeconômico atual, e possibilitando sua utilização pelo sistema de saúde público, bem como pelos convênios e seguros de saúde. f) Mostra-se eficaz para diferentes populações, independentemente de cultura e níveis socioeconômico e educacional (Serra et al., 2001). A reunião de todas essas características seguramente nos permite afirmar que a Terapia Cognitiva representa uma mudança de paradigma no campo das psicoterapias. Entretanto, a Terapia Cognitiva parece fácil, mas não é! A média de trainees que se tornam proficientes em Terapia Cognitiva após o primeiro ano de treinamento em centros internacionais é de apenas 25%, índice que tende a aumentar a medida que se prolonga o tempo de treinamento, apontando para a relevância do treinamento adequado. Recomenda-se, portanto, treinamento extenso e formal, com instrutores capacitados na área específica da Terapia Cognitiva, e supervisão clínica prolongada, até que o terapeuta esteja apto a atender independentemente. 11 Módulo 5: Princípios da TCC Listaremos neste módulo os princípios básicos e etiológicos da Terapia Cognitivo-Comportamental. Princípios Básicos Embora a terapia deva se adequar a cada indivíduo, existem determinados princípios que estão presentes na terapia cognitivo-comportamental para todos os pacientes. Os princípios básicos da terapia cognitivo-comportamental são os seguintes: Princípio 1: A terapia cognitivo-comportamental está baseada em uma formulação em desenvolvimento contínuo dos problemas dos pacientes e em uma conceituação individual de cada paciente em termos cognitivos Princípio 2: A terapia cognitivo-comportamental requer uma aliança terapêutica sólida. Princípio 3: A terapia cognitivo-comportamental enfatiza a colaboração e a participação ativa. Princípio 4: A terapia cognitivo-comportamental é orientada para os objetivos e focada nos problemas. Princípio 5: A terapia cognitivo-comportamental enfatiza inicialmente o presente. Princípio 6: A terapia cognitivo-comportamental é educativa, tem como objetivo ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção de recaída. Princípio 7: A terapia cognitivo-comportamental visa ser limitada no tempo. Princípio 8: As sessões de terapia cognitivo-comportamental são estruturadas. Princípio 9: A terapia cognitivo-comportamental ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais. Princípio 10: A terapia cognitivo-comportamental usa uma variedade de técnicas para mudar o pensamento, o humor e o comportamento Esses princípios básicos se aplicam a todos os pacientes. No entanto, a terapia varia consideravelmente de acordo com cada paciente, com a natureza das suas dificuldades e seu momento de vida, assim como seu nível intelectual e 12 de desenvolvimento, seu gênero e origem cultural. O tratamento também varia dependendo dos objetivos do paciente, da sua capacidade para desenvolver um vínculo terapêutico consistente, da sua motivação para mudar, sua experiência prévia com terapia e suas preferências de tratamento, entre outros fatores. Princípios etiológicos Os transtornos mentais são vistos como fruto de um desequilíbrio entre os fatores salutogênicos por um lado e os fatores patogênicos por outro. Fatores salutogênicos são aqueles que permitem ao indivíduo ser saudável. Dentre eles se distinguem determinados fatores da personalidade, como os estilos de coping, os fatores de fomento à saúde, que ajudam a mantê-la (ex. a prática de esportes, uma vida equilibrada etc.), e os fatores de proteção, que ajudam a defendê-la em momentos de estresse (ex. uma boa rede social, bom acesso à rede de saúde etc.). Fatores patogênicos são aqueles que levam à doença. Os fatores de vulnerabilidadesão as predisposições e tendências pessoais, quer de ordem genético-biológicas, quer ligadas à história de vida da pessoa, a desenvolver determinado transtorno mental; os fatores desencadeadores são os eventos que levaram ao aparecimento do transtorno (ex. diferentes tipos de estresse, perda de entes queridos, acidentes e outros traumas etc.) e os fatores mantenedores são aqueles que propiciam a continuação do transtorno mesmo após os fatores desencadeadores não estarem mais presentes (ex. estresse permanente, tentativas errôneas do paciente ou de pessoas a ele próximas de lidar com a situação etc.). Dentre os fatores mantenedores a funcionalidade (ou ganho secundário) do transtorno desempenha um papel importante: Trata-se dos aspectos positivos que toda doença e transtorno mental, por mais grave que seja, tem para o indivíduo. Assim determinados transtornos infantis têm como funcionalidade a manutenção do relacionamento instável dos pais, que permanecem juntos somente por causa do filho. Como se depreende do exemplo, não se deve confundir a funcionalidade com má-fé ou intenção maldosa do paciente. Tradicionalmente a TCC dedica-se especialmente aos fatores mantenedores, sem no entanto perder de vista os demais fatores. Nos últimos anos vem crescendo cada vez mais a consciência de que sobretudo os fatores salutogênicos têm grande importância na recuperação da saúde e devem ser fomentados. 13 Módulo 6: Estrutura da terapia A estrutura da TCC pode ser descrita em uma série de cinco passos: 1) Apresentação do problema a) Primeira orientação a respeito problemática - consiste na coleta e organização dos dados relevantes para a compreensão do paciente e de seu problema: dados pessoais, sintomática e seu desenvolvimento, objetivos do paciente, esclarecimento das condições necessárias para o trabalho psicoterapêutico; b) Definição dos problemas e diagnóstico - definição dos diversos problemas envolvidos e da relação entre eles, esclarecimentos, diagnóstico (ex. possíveis causas fisiológicas do problema), diagnóstico provisório (segundo CID 10 ou DSM IV) e definição da indicação psicoterapêutica (ou seja, qual método psicoterapêutico é o mais indicado); c) Escolha dos problemas a serem tratados 2) Análise do(s) problema(s) a) Análise comportamental - escolha do comportamento problemático, análise da sua incidência (em que situações, com que frequência, acompanhado de que pensamentos, emoções, com que consequências); b) Análise motivacional - análise do valor do comportamento problemático: que objetivos são perseguidos com ele? Quais motivos influenciam a vida da pessoa? O comportamento se origina de conflitos entre objetivos distintos? c) Análise sistêmica - análise da pertinência do indivíduo a diferentes sistemas sociais, com regras e exigências distintas e, por vezes contraditórias e a influência dessa pertinência sobre seu comportamento; d) Origem e desenvolvimento do problema: Anamnese, geração de hipóteses sobre a origem do problema; e) Condensamento do conhecimento ganho até então: geração de um modelo etiológico individual. 3) Análise do objetivo a) Pré-requisitos da mudança (de comportamento) - consideração dos lados positivo e negativo do comportamento atual (problemático), definição da motivação para a mudança, determinação dos fatores ambientais que auxiliam a mudança e daqueles que a atrapalham; 14 b) Determinação dos objetivos - quais os objetivos perseguidos pelas partes envolvidas (paciente, terapeuta, terceiros), formulação de objetivos e dos passos necessários para alcançá-los; c) Relacionamento paciente-terapeuta - o relacionamento entre paciente e terapeuta é tal que permite um trabalho produtivo? Como mantê-lo (ou modificá-lo)? 4) Análise dos meios a) Pontos de partida: quais pessoas devem ser envolvidas na mudança? Com quais situações, problemas, pessoas começar? b) Princípios da mudança - com base na análise do problema, quais passos devem ser dados? Como? Explicação da lógica do tratamento (dos passos a serem dados) ao paciente c) Planejamento concreto da terapia - que novos comportamentos devem ser aprendidos, em que situação? Como? Definir os parâmetros formais (frequência das consultas, duração da terapia) e determinar se outros tratamentos (ex. medicamentos) são necessários. Definir exatamente (de forma observável) o que se considera "sucesso" 5) Teste e avaliação dos passos definidos Realização dos passos tal qual definidos anteriormente, sempre levando em conta de que as hipóteses sobre as quais elas se baseiam são provisórias e, assim, modificáveis sempre que necessário. Avaliação permanente de cada um dos passos e dos diferentes objetivos alcançados. Término da terapia. 15 Módulo 7: Objetivos da Terapia Cognitivo-Comportamental Muitas pessoas têm essa dúvida: afinal, qual é o objetivo da TCC? Como uma abordagem da psicologia, o objetivo da Terapia Cognitivo Comportamental é permitir aos pacientes encontrarem um caminho para a solução de seus problemas. Assim como as outras abordagens da psicologia, a TCC tem seus processos e particularidades. No caso da TCC a abordagem é bastante prática e direta. A partir da análise de um problema, o foco passa a ser sua solução, através da mudança de comportamento. Isso não significa que o método seja melhor do que outros tipos de psicoterapia ou que o tratamento psicanalítico. O que acontece é que a Terapia Cognitivo Comportamental costuma trazer resultados mais visíveis e rápidos. Esse é um fator que influencia positivamente na satisfação e confiança do paciente, o que ajuda bastante na sequência do processo de tratamento ou desenvolvimento. A TCC é amplamente recomendada para quem tem problemas facilmente identificáveis e precisa de uma mudança nas ações e comportamentos para resolvê-los. Isso vale para questões da vida pessoal (como relacionamentos amorosos e sociais e problemas familiares), estudantil e profissional. O objetivo da terapia cognitiva comportamental é nos mostrar que o que tem influência sobre nós não são diretamente os acontecimentos e situações diárias, mas sim a forma que interpretamos cada uma dessas situações. A Terapia Cognitivo Comportamental acredita que a ação (comportamento) é consequência de uma emoção desencadeada pelo pensamento. Nós agimos de acordo com a influência das emoções em nossos pensamentos. Ou seja, quando você recebe uma crítica em seu local de trabalho, qual seu pensamento? “ele tem razão, sou mesmo um fracasso, nunca conseguirei nada”; o que você sente? Tristeza; como você se comporta? Isolando-se. E é exatamente neste aspecto que a TCC poderá ajudá-lo: evitando que você tenha o pensamento negativo e, consequentemente, evitando que desencadeie uma série de questões e sentimentos negativos em sua vida. A TCC tem como objetivo principal o restabelecimento do controle da atenção, a ressignificação do pensamento por meio da reestruturação cognitiva do paciente, a partir do uso de estratégias terapêuticas adaptadas a cada subjetividade e sintoma. Um dos grandes benefícios da TCC é a reorganização dos pensamentos disfuncionais. Pensamentos disfuncionais são pensamentos que estão 16 distorcidos, a partir de um quadro situacional de patologia física emocional como, por exemplo, ansiedade, depressão e as suas categorias. Para quem a TCC é recomendada? A Terapia Cognitivo Comportamental é recomendada para pessoas que identificam padrões de pensamentos e comportamentos que estão prejudicando sua vida de alguma maneira. Pode ser algo aparentemente simples, como um medo excessivo de assumir riscos, baixa autoestima ou dificuldade em se concentrar nos estudos ou em tarefas a complexas. Esses exemplos são problemas que, na maioria dos casos, não correspondem a uma patologia, mas podem atrapalhar a pessoa. Como existem causas cognitivas e comportamentais para essasdificuldades, a TCC é uma ótima maneira de reverter esses padrões negativos. Mas estamos falando de um método terapêutico bem aceito em todo o mundo, com eficácia observada no tratamento de uma série de questões mais complexas, como: • Agressividade; • Anorexia; • Ansiedade; • Compulsão (alimentar, por acumulação, por jogos, por drogas, etc.); • Déficit de atenção; • Depressão; • Estresse pós-traumático; • Fobia social; • Síndrome do pânico; • Transtorno bipolar; • Transtorno disfórmico corporal; • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Além de tudo isso, a TCC é um método que tem grande colaboração geral para a qualidade de vida e bem-estar do paciente. O objetivo da TCC é ajudar a pessoa a viver melhor e, por isso, é recomendada para qualquer um que busque evoluir em seus comportamentos. 17 Módulo 8: Principais Técnicas Depois de fazer a identificação dos problemas e compreender o que está por trás deles, o terapeuta cognitivo-comportamental faz uso das técnicas de intervenção. Para isso, ele considera tanto as particularidades das demandas quanto o grau de sofrimento do paciente. Conheça a seguir algumas das técnicas mais utilizadas na TCC. 1. Psicoeducação Essa técnica se baseia na explicação de questões importantes do tratamento psicológico ao paciente. Ela deve ser feita da forma mais simples e didática possível, de acordo com a linguagem de cada pessoa. A psicoeducação trata tanto de dados sobre o diagnóstico quanto de explicações sobre as atividades que são utilizadas durante as sessões. Realizar a psicoeducação traz bons resultados na adesão da pessoa à terapia, pois oferece informações relevantes para que ela se envolva no tratamento ativamente. Além disso, a técnica contribui também para diminuir a ansiedade do paciente diante de um diagnóstico difícil ou mesmo do desafio de fazer terapia. Essa é uma estratégia muito utilizada também na Psicologia hospitalar. Algumas pessoas são encaminhadas ao psicólogo depois de serem identificadas com algum transtorno emocional, como a síndrome do pânico ou o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Muitas vezes, esses pacientes chegam à terapia com poucas informações sobre o problema que enfrentam. Assim, a postura do terapeuta cognitivo-comportamental faz toda a diferença no acolhimento que eles recebem e na perspectiva de melhora que podem ter. 2. Registro de pensamentos disfuncionais Essa é outra atividade muito comum na terapia cognitivo-comportamental. Como o foco da abordagem é a relação entre pensamento e comportamento, é essencial identificar os elementos disfuncionais. Ao utilizar essa técnica, o terapeuta pede que o paciente registre os pensamentos desagradáveis que surgem em determinadas situações. Por exemplo, se a pessoa tem fobia social, ela deve escrever o que pensa quando está com medo ou ansiosa diante da possibilidade de se expor. Algumas vezes, também é pedido que se registrem sentimentos, reações físicas e comportamentos envolvidos na situação. Essa tarefa ajuda o paciente a tomar consciência de si. O registro de pensamentos disfuncionais tem diversas utilidades na clínica. A primeira delas é para que o paciente se dê conta do que pensa e sente quando enfrenta um problema, já que, em muitos casos, as pessoas reagem de forma 18 automática e não conseguem entender a situação. Além disso, o terapeuta faz uso desse registro para encaminhar as sessões e utilizar outras técnicas que auxiliem no processo de modificação dos padrões negativos. 3. Questionamento socrático Essa também é uma das técnicas de terapia cognitivo-comportamental mais utilizadas. A atuação clínica da TCC se baseia bastante no questionamento socrático. Na prática, isso significa que o terapeuta vai fazer uma série de perguntas com o objetivo de ajudar o paciente a aprofundar sua compreensão sobre os próprios pensamentos. Como falamos, muitas pessoas se comportam de forma automática, sem perceber os pensamentos e emoções que estão por trás disso. Na terapia, o paciente é colocado diante de perguntas que aprofundam a reflexão e o fazem pensar sobre as relações complexas que a mente dele estabelece. Assim, é possível perceber e modificar distorções cognitivas. A função do psicólogo não é oferecer respostas ou direcionar a forma como as pessoas pensam e se comportam. Ao fazer perguntas, ele constrói possibilidades para que os pacientes compreendam melhor seus pensamentos e tomem suas próprias decisões. Com essa técnica, os elementos disfuncionais podem ser questionados e colocados em xeque. 4. Técnicas de exposição As técnicas de terapia cognitivo-comportamental são muito eficientes para intervir diretamente em problemas específicos, como fobias. Esse é o caso das atividades de exposição, que podem ser utilizadas para tratar medos e traumas que limitam a vida do paciente. É muito comum que pessoas procurem terapia por terem um medo excessivo. Na maioria das vezes, isso acontece pela generalização da ansiedade vivenciada em determinada situação. Por exemplo, alguém que ficou preso em um elevador há alguns anos pode enfrentar muita dificuldade em se expor a essa realidade de novo. Quando o medo atrapalha a vida do paciente — caso ele deixe de lado momentos de trabalho ou lazer por não conseguir encarar o elevador, por exemplo —, a questão precisa ser mediada na terapia. As técnicas de exposição são muito úteis para a resolução do problema, pois transportam a pessoa para o que lhe causa ansiedade, ao mesmo tempo em que a ensina modos de controlar as emoções negativas e lidar com a situação de outra forma. 5. Dessensibilização sistemática Essa atividade é um tipo de técnica de exposição muito utilizada no tratamento de fobias e síndrome do pânico. Ela consiste em expor a pessoa aos elementos que lhe causam medo de maneira gradual, segura e guiada pelo 19 terapeuta. Ao fazer isso na terapia, o paciente tem a possibilidade de substituir os sentimentos de tensão por relaxamento. A exposição, nesse caso, não é física. Em geral, o terapeuta conduz o paciente na sua imaginação. Enquanto pensa na fonte de ansiedade, ele coloca em prática as técnicas de relaxamento que aprendeu. Quando já estiver mais seguro, a pessoa pode repetir esse exercício em sua rotina fora da clínica. 6. Técnicas de relaxamento Nos últimos anos, tem crescido muito o número de casos de transtornos ligados à ansiedade ou ao medo, como o transtorno de ansiedade generalizada. As pessoas que têm esse problema e vivenciam situações de crise enfrentam muita dificuldade para conseguir acalmar as emoções e pensar racionalmente nos momentos extremos. O paciente ansioso ou com crise de pânico vive situações de medo extremo e sofre de sintomas físicos, como falta de ar, taquicardia, tremores no corpo e agitação psicomotora. As técnicas de relaxamento são usadas durante a terapia e servem como aprendizado para que a pessoa conquiste o autocontrole em períodos críticos. O terapeuta cognitivo-comportamental ajuda o paciente a respirar pausadamente, seguindo determinados ritmos para aumentar a oxigenação do corpo e regularizar as sensações. Além disso, as técnicas de relaxamento muscular são úteis para potencializar a percepção de si durante a crise, aumentar a concentração e gerar sentimento de bem-estar, diminuindo, assim, a tensão. 7. Técnicas de habilidades sociais Essas também estão entre as técnicas de terapia cognitivo-comportamental mais usadas. Não é difícil entender os motivos quando consideramos o quanto nossa sociedade expõe as pessoas ao julgamento de outras. Muitos pacientes procuram terapia para tratar a timidez ou o pavor vivido em situações de exposição social. Essa dificuldade atrapalha a vida em muitos aspectos, distanciando o sucesso em avaliações educacionais ou em situações de trabalho, por exemplo. Assim, é um problema que precisa ser tratado o quanto antes, pois costuma trazer consequênciasmais sérias na vida adulta. O terapeuta da abordagem cognitivo-comportamental é capacitado para ajudar a pessoa a desenvolver mecanismos de superação da timidez por meio do treino de habilidades sociais em terapia individual ou de grupo. Ele consiste em simular cenários na relação com o terapeuta para que o paciente consiga desenvolver e expressar competências sociais primeiro na clínica e depois na sua rotina. 20 Além de casos de fobia social, essa técnica também é muito válida para pacientes que enfrentam dificuldade em desenvolver aspectos como empatia e capacidade de comunicação. Muitas pessoas têm dificuldade para expressar suas emoções de forma eficiente — algumas choram ao primeiro sinal de uma conversa mais tensa, por exemplo. Assim, as técnicas não servem apenas para ter mais segurança ao falar em público, mas também para iniciar e concluir diálogos particulares ou íntimos. 8. Enfrentamento do estresse Muitos pacientes estão expostos a situações estressantes e não conseguem mobilizar esforços saudáveis para lidar com as emoções geradas nesses momentos. É preciso construir estratégias de enfrentamento quando o contexto externo apresenta poucas possibilidades de mudança para a diminuição da sobrecarga. Essa pode ser a realidade de profissionais com alto nível de estresse ou de pessoas que precisam cuidar de entes queridos doentes, por exemplo. Alguns cenários de vida geram respostas emocionais negativas com as quais é difícil lidar. As técnicas de terapia cognitivo-comportamental auxiliam o paciente no sentido de entender os elementos geradores de estresse, identificar os sentimentos envolvidos e encontrar alternativas de enfrentamento. Podem ser desenvolvidas estratégias voltadas ao problema, como modificar o evento estressor, realizar atividade física ou aumentar as horas de descanso para diminuir a tensão. Também existem aprendizagens voltadas às emoções, com objetivo de controlar as respostas negativas às situações externas que não podem ser modificadas. 9. Espectador ou observador distante Muitas vezes, os pacientes têm grande dificuldade em superar seus problemas por não conseguir analisá-los de forma eficiente. Afinal, para quem está vivendo uma situação complicada, a solução pode parecer muito longe e até mesmo impossível. Um pensamento popular afirma que quem não está passando pelo problema consegue enxergar aspectos que a pessoa envolvida não vê. Você provavelmente já ouviu alguém falar sobre isso, não é? De fato, é comum que a visão de amigos ou familiares ajudem a ampliar as possibilidades e encontrar caminhos para superação das dificuldades. Podemos dizer que a mediação do psicólogo também se insere nesse cenário, especialmente quando falamos da estratégia do espectador ou observador distante. Essa é uma das técnicas de terapia cognitivo-comportamental e consiste em estimular que o paciente utilize sua imaginação para visualizar seus problemas como se fossem uma peça ou representação. Ao fazer isso, é possível diminuir as reações emocionais e proporcionar uma análise mais lúcida das experiências de vida. Como o paciente passa a narrar a 21 situação como se não acontecesse com ele, novas visões sobre um mesmo acontecimento podem surgir, tornando mais fácil driblar os obstáculos. 10. Troca de papéis Essa é outra técnica que faz uso da imaginação ou visualização criativa para proporcionar maior tomada de consciência sobre determinadas vivências — principalmente conflitos interpessoais. Na troca de papéis, o terapeuta incentiva o paciente a se colocar no lugar de outra pessoa, tentando avaliar o contexto pelo ponto de vista dela. Assim, o paciente deve se manifestar na terapia como se fosse essa pessoa, avaliando o que ela pensaria e o que falaria em relação ao conflito existente. Esse exercício pode ser muito útil no desenvolvimento da empatia e na melhoria de relações sociais. Assim, é muito utilizado nos treinos de habilidades sociais. Há, ainda, outra estratégia clínica relacionada a esses aspectos — o role- playing. O funcionamento dessa técnica é semelhante à da troca de papéis, mas, nesse caso, a atividade vai além da imaginação. É feita uma espécie de simulação, em que o terapeuta participa imitando o comportamento de uma pessoa próxima ao paciente. 11. Parada do pensamento e autoinstrução Controlar os próprios pensamentos e ações pode ser uma tarefa muito complexa, principalmente quando as pessoas apresentam alguma condição que dificulta esse processo — como depressão, ansiedade ou transtornos de personalidade. Existem técnicas de terapia cognitivo-comportamental que podem ajudar muito nesse ponto. Uma delas é a da parada do pensamento e autoinstrução, em que o paciente é orientado a identificar ideias que o fazem mal e dar um comando de “pare” sempre que elas surgirem. Como a TCC intervém na relação entre pensamentos e comportamentos, essa é uma maneira de identificar distorções cognitivas e exercer maior autocontrole sobre elas, diminuindo seus efeitos negativos. A utilização eficiente dessa estratégia traz ótimos resultados, já que a pessoa aumenta a consciência sobre o que pensa e exercita seu poder de interromper e modificar os pensamentos. Ela costuma ser utilizada, principalmente, em casos relacionados à ansiedade e ao estresse pós-traumático. 22 Módulo 9: Papel do Terapeuta Através de testes comportamentais, o psicólogo, em um primeiro momento, identificará qual a frequência de pensamentos negativos de seu paciente. O próximo passo é descobrir qual a emoção que mais se manifesta diante destes pensamentos, tais como: raiva, tristeza, ansiedade, medo, entre outras. Com esta informação, o terapeuta trabalhará com o paciente a forma de poder identificar seus pensamentos negativos e desafiá-los automaticamente, quando a situação desagradável surgir. O maior foco da TCC é mostrar ao paciente que é possível mudar completamente uma situação, apenas com a forma que ele pensa: a forma que o paciente vê o mundo. Em contrapartida, apesar de parecer simples quando lemos a respeito, desafiar os próprios pensamentos não é tarefa das mais fáceis. A ajuda de um profissional especializado é sempre muito importante, até para que a tarefa de se desafiar seja uma rotina e não apenas algo momentâneo. O psicólogo através da psicoterapia ajuda o paciente na busca do autoconhecimento e equilíbrio emocional, que nos dias de hoje, em meio ao estresse e ansiedade tem se tornado algo cada vez mais frequente. A terapia cognitiva comportamental é uma abordagem que foca numa outra forma de entender a questão que o paciente traz, mas não significa que não seja procurada para tratar questões passadas que o paciente tem interesse em esclarecer para si mesmo. Mais do que ir em busca do autoconhecimento, um psicólogo deverá sempre ser contatado quando o paciente sente que algo não está “dentro dos conformes”. Quando o paciente percebe que os pensamentos estão sendo cada vez mais pessimistas e que isso está afetando sua rotina, o psicólogo deve estar pronto para ajudar. O papel do terapeuta será o de auxiliar o paciente a reencontrar o seu “equilíbrio”, e, assim, viver de forma mais saudável e feliz. É importante ressaltar que o processo terapêutico acontece tanto no viés do vínculo de confiança entre paciente e terapeuta, bem como pelo despertar para a adaptação ao processo. Isso quer dizer, que a psicoterapia é ajustável à condição atual do paciente, conduzida pela ética profissional e pela fidedignidade do processo que se compromete com o alívio, com o suporte e apoio no momento da dor emocional. Referências Bibliográficas https://www.psicologiamsn.com/2014/04/o-modelo-cognitivo-crencas- pensamentos-automaticos-e-emocoes.html http://www.itcbr.com/hotsite/frames.htm?http://www.itcbr.com/hotsite/01d.htm https://www.cetcc.com.br/blog/12/Qual+%C3%A9+o+objetivo+da+TCC%3F#:~:text =A%20TCC%20tem%20como%20objetivo,a%20cada%20subjetividade%20e%20sintoma. https://blog.cognitivo.com/tecnicas-cognitivo-comportamentais/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Terapia_cognitivo-comportamental Terapia Cognitivo Comportamental Descrição Módulo 1: Introdução Módulo 2: O que é Terapia Cognitivo-Comportamental? Módulo 3: Modelo Cognitivo de Beck Módulo 4: Características da TCC Módulo 5: Princípios da TCC Módulo 6: Estrutura da terapia Módulo 7: Objetivos da Terapia Cognitivo-Comportamental Módulo 8: Principais Técnicas Módulo 9: Papel do Terapeuta Referências Bibliográficas