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1 Análise de Marketing Aqui você tem acesso a 15 módulos para o aprendizado da matéria, perfazendo 80 horas de estudo. Conheça um pouco mais do que você vai estudar: Identidade Corporativa Estratégia Competitiva Produto A Marca Consumidor Mercado e Tendências Concorrência Plano de Ação Mix de Marketing Tipos de Custos Marketing de Relacionamento Marketing de Serviços Logística Canais de Distribuição Sistemas de Recolhimento de Informação Descrição Aqui em Análise de Marketing o objetivo é de apresentar a você os principais tópicos relacionados ao marketing como o mix de marketing, a importância do produto, da marca, do consumidor e da concorrência. Também falamos sobre Marketing de Relacionamento e de Serviços, Logística e canais de distribuição. A Análise de Marketing é indicado para todas estudantes de Marketing que precisam agregar conteúdo em seu saber. 2 Módulo 1: Identidade Corporativa Antes de mais nada, vamos separar a expressão “Identidade Corporativa” e verificar o que cada uma das partes significa. Identidade, segundo o dicionário Aurélio, é um substantivo feminino que significa conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa. Assim, a “identidade” de uma pessoa é o conjunto de características que torna essa pessoa especial e única. Pessoas diferentes podem ter várias características em comum, mas o que torna alguém original e exclusivo, sem igual no mundo, é justamente a maneira como essas características se combinam na sua formação, e olha que estamos falando de características físicas e de caráter. Alguém pode ter os olhos parecidos com os de outra pessoa, a forma de andar de uma terceira pessoa, ou pode até mesmo ter o orgulho parecido com uma quarta pessoa, mas no geral ela fica bem diferente das demais, pois é o conjunto que forma a pessoa. Já a palavra “corporativa” está associada à empresa, corporação. Então, resumindo, a Identidade Corporativa é tudo o que a empresa é; o conjunto de características que combinadas, fazem com que a empresa (ou até mesmo o profissional) seja única, especial e diferente das outras. Aspectos positivos de formar uma Identidade Corporativa Quando a identidade corporativa é bem definida, estruturada e divulgada, tanto o mercado como público sabem o que esperar da empresa em determinadas situações. Por exemplo: se ocorre um erro qualquer em um procedimento de uma empresa que transmite seriedade e ética, a primeira reação da parte afetada é concluir que o erro não foi proposital e que o problema será resolvido da maneira mais justa e rápida para todos os envolvidos. Já se a empresa possui atitudes ambíguas e sua identidade não são bem definidas, as conclusões podem ser bem diversas. Por exemplo, que o erro foi proposital e que a empresa quer tirar vantagem do fato ocorrido, que a luta será árdua até que os direitos sejam garantidos e os prejuízos ressarcidos. No mercado não existe espaço para empresas onde a Identidade Corporativa não esteja bem definida, o mercado não irá te respeitar e a empresa estará fadada ao desaparecimento, ou seja, à falência. O Marketing tem vital importância nesse processo e mais uma vez auxilia na Gestão Empresarial. Querem ver como a Identidade Empresarial faz parte do dia-a-dia de todos e passamos por ela muitas vezes e não percebemos? 3 Quem já não trabalhou ou viu em alguma empresa coisas do tipo: “A Missão é....” ou “A Visão é...” estabelecimento da missão da empresa é algo que vem justificar a formação e mais do que isso a documentação da identidade da empresa. O marketing tem fundamental responsabilidade pela formação e divulgação da Missão das empresas e com a ajuda do RH (Recursos Humanos) o treinamento dessa missão para todos os funcionários para encarnarem o espírito da missão da empresa. A identidade estabelecida e adotada pelo mercado como sendo verdadeira, tem-se uma consequência natural, a credibilidade. Marcas que o mercado confia e acredita são de antemão aceitas pelo público, seja matéria-prima, seja produtos manufaturados, seja serviço, enfim seja o que for, o mercado aceita e dá respaldo. Uma outra característica básica que vêm com o estabelecimento da Identidade Corporativa é a definição clara do diferencial competitivo. Quando há o estabelecimento da identidade o mercado reconhece no que a empresa se destaca. Não gosto de exemplos para não enaltecer ou depreciar empresas, mas nesse caso é válido pois ilustraremos o conceito com a prática. Quando pensamos em cosméticos, podemos pensar em diversas empresas, posso citar algumas: Avon, Boticário, L’acqua di Fiori, Racco entre outras. Mas quando falamos numa “empresa de cosmético que preza a natureza“ é impossível não vir à cabeça a empresa Natura. Sabe o que é isso? A força da identidade corporativa e que o mercado adotou. Veja o que diz a Visão (missão) da Natura, extraída do seu site: “A Natura, por seu comportamento empresarial, pela qualidade das relações que estabelece e por seus produtos e serviços, será uma marca de expressão mundial, identificada com a comunidade das pessoas que se comprometem com a construção de um mundo melhor através da melhor relação consigo mesmas, com o outro, com a natureza da qual fazem parte e com o todo.” Como vimos acima, a identidade corporativa é a alma da empresa, eu arriscaria mais ainda, é a alma, o caráter e a personalidade de empresa (e não estamos falando de personalidade jurídica e sim personalidade empresarial, de negócio). Componentes da Identidade Corporativa É claro que o processo de estabelecer uma empresa é burocrático e muitas das vezes desanimam, mas são necessários. Mas o que é mais complexo e precisa de muito planejamento, empenho e trabalho é o estabelecimento de uma Marca. 4 Para tal precisamos recorrer a alguns componentes essenciais, são eles: • Logotipo • Cores da Empresa • Propaganda (anúncios) • Brindes • Patrocínio a Eventos • Lojas • Padrões (Uniformes, Avisos Internos, entre outros) • Produtos Sem esses componentes é extremamente difícil à empresa ter sua identidade corporativa e o mercado adotá-la e tornar-se o que todo empresário e profissional de gestão almeja, tornar-se referência. Quem nunca foi a um supermercado e colocou em sua lista uns itens do tipo “Gillete”, “Bombril” ou “Leite Moça”? E na realidade o que se desejava comprar era uma lâmina de barbear, uma esponja de aço e um Leite Condensado. Isso é ser referência de mercado. 5 Módulo 2: Estratégia Competitiva E como atingir a identidade corporativa, definir o planejamento, conquistar o mercado e nos estabelecermos? Que instrumentos e ferramentas são oferecidas para nos indicar a forma de trabalho e com um mínimo de garantia de sucesso? Já sabemos que o Marketing está presente na maioria das áreas e é fundamental para viabilizar a Gestão Empresarial. Será que teremos que recorrer a ele mais uma vez? O Marketing sempre estará presente na Gestão, direta ou indiretamente, mas dessa vez temos uma nova ferramenta que suporta o processo de formulação da Identidade Corporativa, a Estratégia. Vamos entender um pouco sobre Estratégia e a definição sobre a Estratégia Competitiva e a Corporativa. Um dos primeiros usos do termo estratégia foi feito há aproximadamente 3.000 anos pelo estrategista chinês Sun Tzuo, que afirmava que “todos os homens podem ver as táticas pelas quais eu conquisto, mas o que ninguém consegue ver é a estratégia a partir da qual grandes vitórias são obtidas”. Estratégia significava inicialmente a ação de comandar ou conduzir exércitos em tempo de guerra – um esforço de guerra. Representava um meio de vencer o inimigo, um instrumento de vitória na guerra, mais tarde estendido a outros campos do relacionamento humano: político, econômico e ao contexto empresarial, mantendo em todosdia? Como garantir que grandes organizações com centenas de funcionários falem a mesma língua, trate o cliente do mesmo modo, tenham a mesma performance? Como uniformizar o serviço se está imersos num conjunto heterogêneo de culturas, de organizações, de critérios e, sobretudo, de relacionamentos pessoais que tanto podem ajudar quanto atrapalhar o serviço? A consequência é que a qualidade do serviço depende das pessoas que o prestam e consomem. E o segredo do serviço é conseguir, respeitando-se a variabilidade, estabelecer padrões mínimos que garantam uma performance adequada ao serviço. O difícil não é ser excelente um dia, mas conservar a excelência todos os dias. Intangibilidade O serviço é intangível, isto é, não é palpável. Esta é sua mais evidente característica. Contudo, é preciso, aqui, fazer um alerta: embora seja essencialmente intangível, todo serviço possui diversos elementos “tangíveis”, palpáveis, perceptíveis. Por exemplo, em uma escola, o ambiente físico, as instalações, os materiais utilizados em sala, livros, apostilas e pessoas são elementos tangíveis. Mais ainda: todas as comunicações da escola são elementos visíveis do serviço, que, no mínimo, comunicam algo sobre ele. Os elementos tangíveis funcionam como evidências do serviço. São pistas, sugestão de como ele deve ser. Assim, voltando ao exemplo da escola, se vemos uma sala de aula moderna, bem iluminada, com amplos recursos tecnológicos, apoiada em modernos conceitos pedagógicos, naturalmente inferimos “modernidade”. Isto é, os tangíveis, aí, são sinais que o serviço nos envia. Dizemos mesmo que uma das técnicas de marketing de serviços é justamente “tangibilizar o serviço”, isto é, tornar visível o invisível, evidenciar aquilo que o serviço promete. Na verdade, os elementos tangíveis do serviço, que podem mesmo ser as pessoas que nele trabalham, cumprem o papel de reduzir o nível de dúvida sobre a qualidade do serviço. É que, como se diz com frequência, todo serviço é a compra de uma promessa. Temos que acreditar na promessa do serviço e “pagar pra ver”, isto é, só saberemos se a promessa que o serviço sugere foi cumprida após a experiência de o serviço ocorrer. Os tangíveis são, portanto, sinalizadores de que podemos confiar ou não na promessa do serviço. Citando 39 um exemplo simples, muitas vezes julgamos a qualidade de um supermercado pela limpeza de seus ambientes. Um ambiente sujo nos comunica má qualidade, assim como uma proposta de orçamento mal redigida e pouco apresentável pode nos indicar baixa qualidade também. Assim, os tangíveis acabam funcionando como uma “embalagem do serviço”, e, como para um produto, traduzem a qualidade do serviço. Neste ponto, é preciso mais um alerta: os elementos tangíveis de um serviço estão na esfera do parecer e não do ser, isto é, eles cumprem o papel da sedução, da transferência da confiança. Somente o próprio serviço é que irá validar a promessa, e então iremos não apenas parecer, mas também ser um serviço de alta qualidade. Perecibilidade Serviços são perecíveis, isto é, não podem ser estocados. Assim, são temporais, prestados num tempo e local precisos. O que essa característica gera para o marketing de serviços? Uma pressão e uma necessidade de encontrar um ponto ótimo entre a oferta e a demanda do serviço. Ou seja, o grande problema é como administrar a demanda de um serviço. É fácil explicar. Imagine uma viagem aérea com 100 lugares. Se houver apenas 1 ou 100 passageiros, o custo do vôo será praticamente o mesmo. Na verdade, o lugar que a empresa aérea não conseguir negociar ela jamais conseguirá recuperar novamente. Um médico não pode fazer amanhã as mesmas consultas que deixou de fazer hoje. Um hotel que não conseguir vender suas diárias não irá recuperá-las na semana seguinte, isto é, a semana não vendida representará um faturamento definitivamente perdido. Ora, em todos esses exemplos o problema é que haverá momentos de altíssima demanda e outros de pequena demanda. Em todos eles, contudo, persistirá um alto custo fixo, que a empresa precisa procurar vender pelo menos ao nível do seu ponto de equilíbrio operacional. Assim, encontrar o ponto ótimo entre oferta e demanda é crucial em serviços, para não ocorrer um problema comum em serviços, que tanto pode ser não conseguir atender o excesso de demanda (e perder clientes em função disso) quanto ter que suportar pesados custos operacionais sem a demanda correspondente. 40 Módulo 13: Logística Kotler em seu livro “Como Criar, Conquistar e Dominar Mercados” indica algumas preocupantes constatações influenciadas diretamente pela forma de atendimento do mercado pelas empresas. De uma maneira geral, os formatos estão muito próximos uns dos outros. Os produtos e serviços pouca diferença apresentam. E os custos de atendimento destes mercados, o que é grave, têm subido de uma forma constante. Neste início de século vamos encontrar clientes cada vez mais sensíveis a preço de um lado e, de outro, cada vez mais exigentes e sofisticados. Procuram uma conveniência maior, têm alta expectativa de atendimento e têm menos tempo para executar o que necessitam. Não encontram mais nas marcas a principal razão para a decisão de compra, podendo aceitar até as marcas genéricas ou as marcas próprias de varejo, causando uma queda nos índices de fidelidade. Atendimento para eles vem em primeiro lugar. O custo de atender estes clientes tem sido cada vez maior, a disputa pelo "pedido" do cliente é inflacionada por muito atendimento gratuito, as políticas de preços são rapidamente copiadas pelo mercado e as ações de comunicação são de curto prazo, principalmente aquelas de promoção de vendas que pouco ou quase nada contribuem para formação de imagem da empresa (produto). Propaganda, que seria o caminho ideal para isto, perde sua efetividade pela grande e diversificada quantidade de meios disponíveis para o consumidor, tornando esta atividade "cara" e de menor efetividade. E ainda as equipes de vendas que, de um lado, diminuem de tamanho e de outro aumentam seus custos em face do competitivo mercado que têm pela frente, impulsionados pelo uso cada vez maior dos suportes eletrônicos, básicos para sua sobrevivência. Isto implica dizer que as empresas estão enfrentando enormes desafios ao tentar buscar um melhor posicionamento no mercado. E cada setor está enfrentando seu próprio desafio: margens menores, maiores custos de promoções, maior poder do varejo e menor, cada vez menor, espaço de prateleira para tentar ainda absorver as compras por impulso fruto de um melhor trabalho de merchandising. As empresas que não estão tendo sucesso neste mercado com certeza continuam praticando atitudes erradas ao tentar conquistar o cliente em vez de atender o cliente, "forçar" a venda de seu produto em vez de tentar entender quais são as reais necessidades de seus clientes, fazer de cada venda uma única transação em vez de colocar a venda como parte de uma série de atendimentos, construindo relacionamentos duradouros, praticarem preço com base nos custos e não naquilo que o consumidor deseja pagar. 41 Mas nem tudo é tão ruim assim. Empresas que estão obtendo sucesso têm um caminho voltado para seus clientes, conhecendo suas necessidades, seus sistemas econômicos, projetando produtos em conjunto, praticando ofertas mais flexíveis e aperfeiçoando, no seu dia-a-dia, cada vez mais as tecnologias de ligação, o uso de vídeo-conferência, páginas na Internet, internalizando a Intranet e, para muitos casos, franqueando a comunicação direta com seus clientes através da Extranet. Para estas empresas os Canais de Distribuição (estudaremos mais adiante com maior profundidade) são verdadeiros parceiros e não adversários, praticam muito mais a integração do sistema como um todo no lugar da egoísta interface, estão prontos para dar atendimento 24 horas por dia, tudo isto em busca de oferecerem efetivamenteum valor superior a seus clientes. Para estas empresas os intermediários fazem parte de seu planejamento estratégico. E é olhando tudo isto que vem a importância do estudo da Logística. É o estudo da movimentação de bens e serviços do ponto de produção, seja ele qual for, ao ponto de consumo, não importa se numa indústria ou no consumidor final. É o estudo dos fluxos distributivos e a determinação das responsabilidades por sua execução. É o estudo de como agregar valor de utilidade de tempo e lugar aos produtos e na direção do consumidor a quem tudo deve ser direcionado e referenciado. É a forma de praticar o pensamento estratégico de colocar o produto (serviço) efetivamente disponível para o cliente consumidor de toda a Cadeia de Suprimentos, ganhando posicionamento destacado neste mercado cada vez mais igual e competitivo. Neste ambiente, três são as questões importantes que afetam diretamente o sucesso do marketing. E são três as questões que estão diretamente ligadas ao Estudo da Logística e da Distribuição: • Na ordem, Necessidades e Desejos do Cliente vêm antes do que Produto ou serviço. • Um produto só é um produto quando seu usuário tem a possibilidade de usufruir sua proposta. Enquanto "caminha" pela Cadeia de Suprimentos ainda não é um produto, não tem qualquer valor. Produtos e Serviços só têm valor quando estiverem sendo utilizados pelo cliente. • A Era do Marketing de Massa já era. Rentabilidade, de um modo geral, é mais importante do que volume. Após anos de Reengenharias, Downsizing etc., as empresas não têm para onde recorrer a fim de buscar custos mais competitivos. É através da aliança dos membros da Cadeia de Suprimentos que isto será possível. 42 O desafio então é o entendimento de como obter vantagem competitiva dentro do estudo da movimentação da mercadoria na direção do consumidor final - o estudo, portanto, da Logística. As empresas que descobrirem esta forma serão vencedoras. Os Gestores de Marketing pouca ou quase nenhuma atenção davam a tão importante e relevante assunto. Poucas, mas muito poucas vezes, programas surgidos na Área de Marketing privilegiavam ações partidas do sério estudo estratégico da Logística. E aqueles poucos programas levados adiante visavam sempre a resultados de curto prazo. Provavelmente calcados muito mais numa ação promocional de vendas de curto prazo do que distribuir estrategicamente ou então "manter, proteger" um produto no mercado. E aí as ações mais utilizadas são os "comuns" concursos de vendas, previstos para "ajudar" a vender muito mais que distribuir. Muito pouco frente à grave importância do assunto distribuir. Daí surge à necessidade de entender que ao lado das ações que preparam a oferta, o "P" de Produto e o "P" de Preço, e das ações que promovem a demanda, o "P" de Promoção (que significa Comunicação de uma forma ampla) existe a importante estratégica de ações que atendem esta demanda provocada que é o importante estudo do "P" de Praça ou Distribuição, completando os 4 "Ps" do Marketing Mix. É indiscutível o fator agregador que o Marketing está trazendo para a Gestão Mercadológica das Empresas. Ele facilita principalmente o contato e os processos que dizem respeito à promoção, negociação e obtenção do pedido do cliente, parte importante das Atividades Logísticas e dos Fluxos Distributivos. Mas um fato não pode deixar de ser observado e que faz aumentar em muito à importância deste estudo. 43 Enquanto o Marketing provoca maior rapidez na obtenção do pedido do cliente, ele não provoca o mesmo ritmo no processo da entrega, criando aí problemas para as empresas. Afinal, até hoje não foi desenvolvida a tecnologia de Teletransporte. Se existisse, este processo eletrônico estaria completo. Ainda, por muito tempo, a mercadoria deverá caminhar fisicamente através dos meios de transporte. A antecipação da demanda, o estoque, continuará existindo. E o armazenamento físico da mercadoria continuará sendo necessário para atender as crescentes e diferenciadas necessidades dos clientes no tempo e lugar desejados por ele. Um desafio para os gestores destes novos tempos. Um desafio estratégico para o Planejador de Marketing deste novo século. A figura abaixo faz um comparativo de um “Iceberg” com todas as variáveis que estão envolvidas num processo empresarial. Tem o que vemos e torna-se foco e tem o que não vemos, que representa a maior parte e essencial para o sucesso da empresa. A logística está nessa parte do “Iceberg”. É normalmente o que não se vê. Cuidado! 44 Atualmente as organizações são desafiadas a operar de forma eficiente e eficaz para garantir a continuidade de suas atividades, o que as obriga a constantemente desenvolver vantagens em novas frentes de atuação. As demandas impostas pelo aumento da complexidade operacional e pela exigência de maiores níveis de serviço pelos clientes, mas que anseiam por preços declinantes, servem de exemplo aqui. Surge uma questão: como agregar mais valor e, ao mesmo tempo, reduzir os custos, garantindo o aumento da lucratividade? A logística tem sido uma das maneiras mais frequentemente utilizadas para vencer esses desafios. A explicação reside na sua capacidade de evoluir para responder as necessidades advindas das profundas e constantes mudanças que as organizações estão enfrentando. O modo como a logística vem sendo aplicada e desenvolvida, no meio empresarial e acadêmico, denota a evolução do seu conceito, a ampliação das atividades sob sua responsabilidade e, mais recentemente, o entendimento de sua importância estratégica. 45 Em seu estágio mais avançado, está sendo utilizada para o planejamento de processos de negócios que integram não só as áreas funcionais da empresa, como também a coordenação e o alinhamento dos esforços de diversas organizações na busca por reduzir custos e agregar o máximo valor ao cliente final. A isto tem sido dado o nome de Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento ou, em inglês, Supply Chain Management. Em uma primeira fase, a logística foi aplicada de forma fragmentada, onde se buscou melhorar o desempenho individual de cada uma das atividades básicas. Ou seja, não havia uma abordagem sistêmica, a ênfase era funcional e a execução dava-se por departamentos especializados. No momento seguinte, diversos fatores evidenciaram o imperativo de que as atividades funcionais deveriam ser executadas de forma integrada e harmoniosa para obter-se uma boa performance da organização. O avanço na tecnologia da informação e a adoção de um gerenciamento orientado para processos facilitaram essa mudança. Essa etapa é conhecida como Logística Integrada, veremos a seguir um diagrama que representa os principais elementos que compõem o processo da Logística Integrada. 46 Isto culminou com a percepção de que o processo logístico não começa e nem termina nos limites da própria empresa. Na verdade, o início se dá na correta escolha e no estabelecimento de parcerias com fornecedores, exigindo ademais que o canal de distribuição esteja apto a atender plenamente às necessidades e expectativas do cliente final. Para citar um exemplo, um fabricante de barras de chocolate só atingirá sucesso pleno quando o consumidor aprovar a qualidade de seu produto e do serviço ofertado no momento da compra. Isso reforça a ideia de que esse fabricante e o varejo devem se unir e focar sua atenção na agregação de valor para o cliente final. Se isto não acontecer, toda a cadeia terá falhado e poderá ser substituída por outra mais apta. Esse fato mostra que a competição está acontecendo entre cadeias. Diante desse cenário, muitas empresas vêm empreendendo esforços para organizar uma rede integrada e realizar de forma eficiente e ágil o fluxo de materiais, que vai dos fornecedores e atinge os consumidores, garantindo a sincronização com o fluxo de informações que acontece no sentido contrário. As empresasque têm implementado o Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento estão conseguindo significativas reduções de estoque, otimização dos transportes e eliminação das perdas, principalmente aquelas que acontecem nas interfaces entre as organizações e que são representadas pelas duplicidades de esforços. Como agregação de valor, está conseguindo maior confiabilidade e flexibilidade, melhoram o desempenho de seus produtos e estão conseguindo lançar novos produtos em menores intervalos de tempo. Em suma, o Supply Chain Management consiste no estabelecimento de relações de parceiras, de longo prazo, entre os componentes de uma cadeia produtiva, que passarão a planejar estrategicamente suas atividades e partilhar informações de modo a desenvolverem as suas atividades logísticas de forma integrada, através e entre suas organizações. Com isso, melhoram o desempenho conjunto pela busca de oportunidades, implementada em toda a cadeia, e pela redução de custos para agregar mais valor ao cliente final. 47 Apesar dos expressivos resultados obtidos, muitas dificuldades existem na implementação desse conceito, pois torna-se necessária uma profunda análise na cultura das empresas que irão compor a cadeia. A visão funcional deve ser abandonada, informações precisam ser compartilhadas, inclusive aquelas sobre os custos. Os relacionamentos devem ser construídos com base em confiança mútua; o horizonte de tempo desloca-se do curto para o longo prazo e um dos elos, chamado de elo forte, será responsável pela coordenação do sistema e seu desempenho neste papel será fundamental par o atingimento dos objetivos. Um outro desafio é equacionar os diferentes tamanhos e objetivos dos componentes, e como isso exige uma mudança de cultura, o estabelecimento da cadeia requer tempo e esforço. Dada à complexidade desse novo arranjo, que passa a ter dimensão interorganizacional, a medição de desempenho necessita de indicadores que permitam o controle da performance da cadeia como um todo. Não se pode esquecer que deve existir compatibilidade entre os sistemas de informação dos elos, que muitas vezes se utilizam de plataformas diferentes. Por último, e muitas vezes esquecido, está o fato de que o elemento humano é de suma importância e, portanto, deverá ser treinado e estar preparado para esta nova realidade. Cabe registrar a escassez de profissionais nessa área, em especial, aqueles com visão sistêmica e conhecedores de todas as atividades logísticas. Embora o conceito de Supply Chain Management ainda esteja sendo desenvolvido e não exista uma metodologia única para a sua implementação, a sua adoção poderá ser uma fonte potencial de obtenção de vantagem competitiva para as organizações e mostra-se como um caminho a ser seguido pelas demais. No Brasil, a maioria das empresas ainda está aplicando a logística de forma embrionária, o que as coloca em desvantagem diante de concorrentes externos. Poucos são os segmentos mais adiantados, como os da indústria automobilística e dos supermercados, que adotaram tais medidas. Esforços para mudar este cenário já estão acontecendo, o que permite uma visão mais otimista na aplicação da logística no aproveitamento de seus benefícios para o país, melhorando assim nossa capacidade de competir. Logística no Brasil A Logística no Brasil atravessa um momento interessante, pois, por um lado nota-se uma grande defasagem com relação aos padrões dos países mais desenvolvidos, por outro tem apresentado mudanças positivas e principalmente excelentes perspectivas. A face do atraso do Brasil é atestada por Hill (ex-presidente da ASLOG – Associação Brasileira de Logística). Se por um lado afirma que “estamos exatamente na fase da descoberta das ótimas perspectivas de se trabalhar com a logística”, por outro afirma que “as organizações continuam míopes em relação à Logística Integrada e a gerencia da cadeia de suprimentos, práticas há muito desenvolvidas em países como os Estados Unidos da América”. 48 Atestou-se também uma total inexistência de informações sobre a melhor prática logística e sobre empresas de desempenho superior. No entanto, a mudança está ocorrendo. Especialmente a partir da década de 90 a logística brasileira passou por extraordinárias mudanças. Os motivos para isso foram à explosão do comércio internacional, a estabilizações da moeda como o Real e as privatizações da infraestrutura de telecomunicações, do sistema ferroviário e dos terminais portuários. O principal motivo para o atraso era o processo inflacionário. Este fomentava as práticas especulativas no processo de compras e tornava impossível qualquer tentativa de integração na cadeia de suprimentos. Também gerava baixa eficiência dos ativos, pois se devia dimensioná-los para a demanda dos picos de final de mês. Por outro lado, a utilização do JIT (Just in Time), exigiu a aplicação de uma logística mais sofisticada, atraindo empresas internacionais prestadoras de serviço logístico. São expressivos os investimentos em automação e tecnologia da informação nos serviços logísticos. O crescimento de produtos disponibilizados com códigos de barras por exemplo, aumentou 40% de 2000 até hoje. Mas o principal vilão do processo logístico é o transporte, que no Brasil o mais utilizado é o rodoviário (cerca de 60% de todas as cargas), onde nos EUA e China é o ferroviário (3 vezes e meia mais barato que o rodoviário). A logística do país ainda tem que evoluir e suportar cada vez mais a Gestão empresarial, pois fará a diferença, principalmente no mercado internacional. 49 Módulo 14: Canais de Distribuição Para melhor entender o conceito de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, ou SCM do inglês, é fundamental entender primeiro o conceito de canal de distribuição já bastante consolidado e há muito utilizado por marketing. Instrumento fundamental para a eficiência do processo de comercialização e distribuição de bens e serviços, o conceito de canal de distribuição pode ser definido como sendo o conjunto de unidades organizacionais, instituições e agentes, internos e externos, que executam as funções que dão apoio ao marketing de produtos e serviços de uma determinada empresa. Dentre as funções de suporte ao marketing incluem-se compras, vendas, informações, transporte, armazenagem estoque, programação da produção, e financiamento. Qualquer unidade organizacional, instituição ou agente que execute uma ou mais funções de suporte ao marketing é considerado um membro do canal de distribuição. Os diversos membros participantes de um canal de distribuição podem ser classificados em 2 grupos: membros primários e membros especializados. Membros primários são aqueles que participam diretamente, assumindo o risco pela posse do produto, e incluem fabricantes, atacadistas, distribuidores e varejistas. Membros secundários são aqueles que participam indiretamente, basicamente através da prestação de serviços aos membros primários, não assumindo o risco da posse do produto. Exemplos mais comuns são as empresas de transporte, armazenagem, processamento de dados e prestadores de serviços logísticos integrados. As estruturas dos canais de distribuição vêm se tornando mais complexas ao longo dos anos. A figura abaixo mostra uma estrutura de canal de distribuição bastante simples, característica do período anterior, à década de 50, quando o conceito de marketing era pouco desenvolvido e a ideia de segmentação de mercado era pouco utilizada. Anteriormente a este período, a presença de membros especializados era pouco difundida. As relações entre os membros principais do canal eram distantes e conflituosas. Existia uma forte tendência à integração vertical como forma de manter controle e coordenação no canal. 50 Vale lembrar que temos várias formas de distribuição, mas nesse curso veremos as duas principais que são: • Distribuição Direta: Ocorre quando o produtor do serviçoou produto os vende diretamente ao consumidor. Exemplo: algumas empresas utilizam-se das chamadas lojas da fábrica, em que fabricantes de produtos vendem diretamente aos consumidores. O exemplo que ilustra esse tipo de distribuição/venda é o Boticário, que fabrica o produto e o vende em lojas próprias. Não possui revendedor de produtos da Boticário, ao contrário da Avon ou Natura por exemplo. Também podemos citar os prestadores de serviços, os quais executam, eles mesmos, o serviço para o consumidor, como os dentistas ou os cabeleireiros. • Distribuição Indireta: Ocorre quando o produtor do produto ou serviço utiliza- se de distribuidores para levar o produto ou serviço até o consumidor. Exemplo: quase que a totalidade dos produtos encontrados nos supermercados não é fabricada por eles. Os supermercados são intermediários entre o fabricante e o consumidor. O exemplo clássico é a Coca-Cola, que fabrica o produto e utiliza-se de estabelecimentos comerciais, sejam supermercados, bares, restaurantes, clubes etc. para efetuar a venda do produto. Com a evolução do conceito de marketing, e mais especificamente, das práticas de segmentação de mercado e do lançamento contínuo de novos produtos, juntamente com o surgimento de novos e variados formatos de varejo, os canais de distribuição vêm se tornando cada vez mais complexos. Por outro lado, o aumento da competição e a cada vez maior instabilidade dos mercados levaram a uma crescente tendência à especialização, através da desverticalização / terceirização. O que muitas empresas buscam neste processo, é o foco na sua competência central, repassando para prestadores de serviços especializados a maioria das operações produtivas. Uma das principais consequências deste movimento foi o crescimento da importância dos prestadores de serviços logísticos. A combinação de maior complexidade com menor controle, consequência da desverticalização, tem levado ao aumento dos custos operacionais nos canais de distribuição. O crescente número de participantes trabalhando num ambiente competitivo e de pouca coordenação é a principal razão para o crescimento dos custos. A solução para este problema passa necessariamente pela busca de uma maior coordenação e sincronização, através de um processo de cooperação e troca de informações. O avanço da informática, combinado com a revolução nas telecomunicações criou as condições ideais para se implementar processos eficientes de coordenação. É exatamente este esforço de coordenação nos canais de distribuição, através da integração de processos de negócios que interligam seus diversos 51 participantes, que está sendo denominado de Supply Chain Management. Em outras palavras, o SCM representa o esforço de integração dos diversos participantes do canal de distribuição através da administração compartilhada de processos-chave de negócios que interligam as diversas unidades organizacionais e membros do canal, desde o consumidor final até o fornecedor inicial de matérias-primas. Em suma, o SCM é uma abordagem sistêmica de razoável complexidade, que implica em alta interação entre os participantes, exigindo a consideração simultânea de diversos trade-offs. O SCM vai além das fronteiras organizacionais e considera tanto os trade-offs internos quanto os inter- organizacionais, relativamente a quem deve se responsabilizar pelos estoques e em que estágio do canal as diversas atividades deveriam ser realizadas. Apenas como exemplo, podemos comparar os trade-offs existentes entre as opções de distribuição direta ou indireta por um dado fabricante. Numa estrutura de canal onde o fabricante distribui diretamente para o consumidor final, como faz a Dell Computer, a empresa tem muito maior controle sobre as funções de marketing. No entanto, o custo da distribuição 52 tende a ser muito maior, exigindo do fabricante um alto volume de vendas ou uma saturação geográfica em um mercado regional. No caso da distribuição indireta, as instituições externas ou agentes (transportadores, armazenadores, atacadistas e varejistas) assumem grande parte do controle e risco, e por esta razão o fabricante recebe um menor valor pelo seu produto. Por outro lado, um fabricante que ofereça uma baixa disponibilidade e tempo de entrega inconsistente, tende a forçar o atacadista a carregar mais estoque de segurança a fim de ser capaz de oferecer um nível aceitável de serviço para o varejista. Neste caso, um menor custo logístico para o fabricante seria alcançado à custa de outros membros do canal, resultando provavelmente numa cadeia de suprimento menos eficiente e eficaz. Uma maneira de evitar este trade-off indesejado entre os membros do canal seria através da mudança da estrutura, ou através da adoção de novos procedimentos ou tecnologias. Por exemplo, a adoção de um sistema de processamento de pedidos automatizado em substituição a um sistema arcaico poderia permitir uma melhoria do nível de serviço, redução de estoque, redução nos custos de transporte e armazenagem, aceleração do ciclo de caixa e aumento do retorno sobre o investimento A adoção do conceito de SCM incentiva, através do processo de coordenação e colaboração, a busca e identificação de oportunidades deste tipo e sua implementação conjunta. 53 Módulo 15: Sistemas de Recolhimento de Informação Uma poderosa ferramenta na Gestão Empresarial, bem como em qualquer área no mercado é a Informação. A concorrência é acirrada e requer uma série de ações para nos estabelecermos no mercado. Atualmente o diferencial é a informação, tendências e inovações. Para isso precisamos ir atrás da informação, seja no banco de dados da empresa seja indo ao mercado. De uma forma geral, os métodos de recolhimento de informação podem ser tipificados em métodos qualitativos e métodos quantitativos. Os métodos qualitativos, independentemente da técnica utilizada, são baseados num guia de entrevista, que contém questões de caráter aberto. As pessoas são selecionadas para estes estudos em função de características e atributos pessoais. As técnicas qualitativas usadas com mais frequência são a dinâmica de grupos e as entrevistas de profundidade. A dinâmica de grupos proporciona um conhecimento e uma compreensão profunda das necessidades, motivações, atitudes, desejos e comportamento reais dos inquiridos. Através desta técnica podem conhecer-se sistemas de valores, atributos e imagens associados ao objeto da investigação. As entrevistas em profundidade diferenciam-se da dinâmica de grupos pela interação produzida nos indivíduos que compõem o grupo, na medida em que pretende encontrar as razões que sustentam as atitudes, os desejos e as preferências dos inquiridos. Os métodos quantitativos de recolhimento de informação baseiam-se num questionário, sendo os inquiridos escolhidos em função de uma amostra representativa da população a investigar. Basicamente, podemos tipificar estes métodos em três técnicas: entrevistas pessoais, por telefone e por correio. As entrevistas pessoais permitem um contato personalizado, o que pode acarretar o risco do entrevistador influenciar o entrevistado. O seu custo é normalmente elevado. As entrevistas telefônicas têm um custo inferior, são mais rápidas e mais facilmente supervisionáveis. No entanto, a amostra exclui desde logo todas as pessoas que não possuam telefone. As entrevistas pelo correio têm um custo mais baixo do que as pessoais ou telefônicas. Neste caso, não existe qualquer tipo de influência do entrevistador sobre o entrevistado. Esta técnica dificulta a caracterização da amostra na medida em que nunca se sabe quem efetivamente responde ao questionário (pode ser alguém pertencente ao agregado familiar escolhido, mas não se pode ter certeza absoluta de quem respondeu efetivamente) e é, das três, a que tem a mais baixa taxa de repostas. 54 Tentando olhar de forma mais precisaum processo de pesquisa qualquer, vai- se notar que dificilmente ele deixa de recorrer a mais de uma técnica de coleta de dados, bem como mais de uma fonte, fazendo inclusive recurso a diferentes técnicas de análise de dados. Cada vez mais forte é a tendência de que uma pesquisa quantitativa, mais objetiva, deve ser precedida de uma atividade mais subjetiva, qualitativa, que permita melhor definir o escopo e a forma de focar o estudo. Também tem sido consenso que, mesmo sendo objetiva em sua essência, sempre se pode recorrer a algum tipo de opinião mais espontânea ou aberta, de forma a captar ‘um algo mais’ da parte do respondente. Nas pesquisas, de forma geral, uma etapa pouco valorizada ou um tanto negligenciada é a de preparação de dados: além do esforço para que os dados sejam coletados (que não deixa muito tempo para que sejam analisados a fundo), são necessários que sejam preparados certos tipos de dados (idade em faixa etária, por exemplo). (Da mesma forma, é necessário um investimento de tempo de análise) para que sejam criadas categorias pertinentes e claras a partir de dados tipo texto. Um exemplo é a criação de um dado novo a partir de uma questão texto que poderia ser “quais as sugestões que você apresentaria para melhorar nossos serviços?” ou então “quais as principais reclamações que você apresentaria?”. Pesquisadores (talvez despreparados) sobrecarregam suas pesquisas com questões abertas, criando uma expectativa em quem responde, visto que tais respostas poderão nunca ser tabuladas e avaliadas como se deveria. Logo, o aprendizado que tal conteúdo permitiria não será jamais produzido. Cuidado especial é necessário, pois esse ‘excesso’ exige que o respondente se concentre bem mais que o normal: ele poderá pois ficar gradativamente desatento nas suas respostas e mesmo se desinteressar pelas questões posteriores. Cria-se pois uma falsa de ideia de que um dado espontâneo como esse dos exemplos recém evocados deve ser analisado uma só vez, quando ele poderia ser uma fonte bastante grande e diferenciada para a geração de novos, diferentes e curiosos dados. Esta geração de novos dados a partir de um dado texto pode emergir do próprio texto de cada respondente, como uma lista mais objetiva de sugestões ou de reclamações (no caso dos dois exemplos citados). Mas tal fonte de dados também pode ser objeto de um julgamento a partir de critérios a priori adotados pelo gerente, analista ou pesquisador, como por exemplo gerar um indicador de satisfação a partir da simples leitura das sugestões ou das reclamações emitidas pelo respondente. Isto é claro de forma subjetiva, contudo, muitas vezes este dado poderá ser melhor considerado para fins de análise. Ou seja, a um dado aberto e espontâneo, podem corresponder n dados objetivos, gerados seja pela análise e identificação gradativa de um protocolo (como a lista de sugestões que se faz emergir do texto), seja pela avaliação da opinião de cada pessoa em relação a um protocolo ou mesmo escala de medida preparada pelo analista (como por exemplo ‘satisfeito’ ou ‘insatisfeito’). É importante a definição de quem deveria realizar as análises (e quem finalmente as realiza): normalmente, solicita-se a um terceiro (auxiliar, bolsista 55 etc.) para realizar esta única codificação, quando ela poderia ser rica em aprendizado caso feita pelo analista ou pesquisador. Esta atividade exige a leitura de cada uma das respostas, gerando, neste processo, novas ideias de análise e uma riqueza de compreensão e percepção sem iguais para o analista. Diversos aspectos inerentes são abordados por Freitas e Janissek (2000). Métodos Qualitativos ou Quantitativos de Marketing? A busca por informações consistentes e válidas não deve se deter somente nos dados estruturados, quantitativos, na forma de clássicas planilhas, relatórios volumosos, números, percentuais e gráficos: cada vez mais precisa-se recorrer aos dados de natureza qualitativa, como textos, discursos, entrevistas, reportagens, etc. Dados estes que envolvem elementos que muitas vezes desafiam a astúcia do pesquisador ou do homem de negócios, pois escondem em suas entrelinhas posicionamentos, opiniões, perfis, que exigem uma leitura atenta e ferramentas que possibilitem chegar com maior rapidez (condição de sobrevivência) às informações realmente pertinentes (Lesca, Freitas e Cunha, 1996). Deve-se poder ir do dado bruto ou puro ao dado elaborado, via interpretação, análise e síntese, e, a partir disso, por uma constatação ou curiosidade, poder rapidamente aprofundar a investigação, eventualmente voltando à fonte e ao dado bruto como recurso mesmo de sustentação de argumento ou simplesmente de ilustração. É importante explorar e sobretudo cruzar de todas as formas possíveis dados quantitativos e qualitativos para a geração de ideias, a verificação de hipóteses, a elaboração de conclusões ou indicação de planos de ação etc. O uso de técnicas qualitativas x quantitativas, tanto para coleta quanto análise de dados, permite, quando combinadas, estabelecer conclusões mais significativas a partir dos dados coletados, conclusões estas que balizariam condutas e formas de atuação em diferentes contextos. A abordagem literária, dita qualitativa, mais associada às técnicas de análise léxica e de conteúdo, pressupõe a análise de poucas fontes ou dados, num procedimento exploratório ou de elaboração de hipóteses. Já a abordagem mais quantitativa pressupõe grande quantidade de dados num procedimento de confirmação de hipóteses. Há necessidade de se tratar do quantitativo, enriquecendo-o com informações qualitativas em grande número, de forma a ganhar força de argumento e qualidade nas conclusões e relatórios: o desafio é à busca da associação entre o quantitativo e o qualitativo, onde, por exemplo, o procedimento exploratório ganha força, visto que se poderão multiplicar os dados tratados, reforçando sobremaneira (e mesmo garantindo o ‘bom caminho’) o procedimento confirmatório. Segundo Keller (1995), "espera-se que as forças de ambas as abordagens possam se reforçar mutuamente: a intersubjetividade e a fidedignidade ou confiabilidade providas pela informação padronizada derivada de amplas amostras, por um lado, e o conhecimento íntimo de um simples caso ou 56 passagem de um texto adquirido pela análise interpretativa, por outro lado. A questão essencial nesse tipo de análise seria como transformar o significado da análise textual numa matriz de dados quantitativa, isto de maneira didática e sistemática". Sejam quais forem os fenômenos, entidades ou realidade objetos de investigação, o uso conjunto destes métodos qualitativos e quantitativos permitiria um maior aprofundamento no conhecimento dos dados (Mason, 1997; Lee, Liebenau e DeGross, 1997; Miles e Huberman, 1997; Creswell, 1998; Kirk e Miller, 1986), evidenciando-se aspectos do que se deseja investigar e, da mesma forma, possibilitando focar o pensamento sobre o assunto, decidir e executar. O uso conjunto destes dois tipos de análise permite estabelecer conclusões: é importante, pois, diferenciar ambos os enfoques, identificando as possibilidades de cada um. No escopo de uma análise de dados qualitativos, pode-se ter uma abordagem mais qualitativa, com base na presença ou ausência de uma dada característica, ou então uma bordagem mais digamos ‘quantitativa’, onde se busca identificar a frequência dos temas, palavras, expressões ou símbolos considerados. A noção de importância deve ser clara em cada uma destas duas abordagens: o que aparece com mais frequência é o que importa na abordagem quantitativa, enquanto a abordagem qualitativa valoriza a novidade, o interesse e os aspectos que permanecem na esfera do subjetivo. Tem-se assim um dilema de análise: adotar categorias específicas, retratando fielmente a realidade, mas com uma lista de temas cuja frequência será fraca, ou então reagrupar deliberadamente os dados num pequeno númerode categorias, não sem sacrificar informação talvez essencial, a qual estará eventualmente perdida no resultado final (Freitas e Moscarola, 2000). 57 Referências Bibliográficas KOTLER, Philip. , Princípios de Marketing. Rio de Janeiro: LTC, 1999. KOTLER, Philip. , Administração de Marketing: Análise, Planejamento e Controle. São Paulo: Editora Atlas, 1985. WESTWOOD, J. , Plano de Marketing . Makron Books, 1995. CHURCHILL, G. A., Marketing: criando valor para o cliente . São Paulo: Saraiva, 2000. ANSOFF, H.I. , Estratégia Empresarial . São Paulo: McGraw -Hill. 1997. PORTER, Michael. Estratégia Competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 1989. FREITAS, H.; MOSCAROLA, J. Análise de dados quantitativos e qualitativos: casos aplicados. Tese UFRJ, 2003. NOVAES, A.G.N. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distribuição. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2001. CHRISTOPHER, Martin. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Estratégias para a Redução de Custos e Melhoria dos Serviços. São Paulo: Pioneira, 1997. Análise de Marketing Descrição Módulo 1: Identidade Corporativa Módulo 2: Estratégia Competitiva Módulo 3: Produto Módulo 4: A Marca Módulo 5: Consumidor Módulo 6: Mercado e Tendências Módulo 7: Concorrência Módulo 8: Plano de Ação Módulo 9: Mix de Marketing Módulo 10: Tipos de Custos Módulo 11: Marketing de Relacionamento Módulo 12: Marketing de Serviços Módulo 13: Logística Módulo 14: Canais de Distribuição Módulo 15: Sistemas de Recolhimento de Informação Referências Bibliográficasos seus usos a raiz semântica, qual seja, a de estabelecer caminhos. Origina-se assim como um meio de “um vencer o outro”, como uma virtude de um general de conduzir seu exército à vitória, utilizando- se para isso de estratagemas e instrumentos que assegurassem a superioridade sobre o inimigo. A estratégia teve várias fases e significados, evoluindo de um conjunto de ações e manobras militares para uma disciplina do Conhecimento Administrativo, a Administração Estratégica, dotada de conteúdo, conceitos e razões práticas, e que vem conquistando espaço tanto no âmbito acadêmico como no empresarial. Existem algumas definições sobre estratégia, mas a que mais pactuo e acredito ter mais aderência ao nosso curso são a de THOMPSON JR. e STRICKLAND III (2000) que diz que estratégia é um “conjunto de mudanças competitivas e abordagens comerciais que os gerentes executam para atingir o melhor desempenho da empresa. É o planejamento do jogo de gerência para reforçar a posição da organização no mercado, promover a satisfação dos clientes e atingir os objetivos de desempenho”. Mas não podemos deixar de mencionar a definição de estratégia mais utilizada pelo mercado cujos autores são WRIGHT, KROLL e PARNELL (2000) e que diz que estratégias são “planos da 6 alta administração para alcançar resultados consistentes com a missão e os objetivos gerais da organização.” A Administração Estratégica (AE) teve uma constituição tardia em relação a outras disciplinas tradicionais do Conhecimento Administrativo. Surgiu como uma disciplina híbrida, sofrendo influências da sociologia e da economia; é, essencialmente, uma evolução das teorias das organizações. Somente a partir da década de 1950 (lembram-se de algo na década de 50? Marketing) passou a receber maior atenção dos meios acadêmico e empresarial, quando então alavancou o seu desenvolvimento, notadamente a partir dos anos 60 e 70. Até os anos 50, a preocupação dos empresários se restringia aos fatores internos às empresas, como a melhoria da eficiência dos mecanismos de produção, uma vez que ainda não existia um ambiente de hostilidade competitiva, o mercado não era muito diversificado e oferecia oportunidades de crescimento rápido e não muito complexo. A Administração Estratégica é, atualmente, uma das disciplinas do campo da Administração de maior destaque e relevância, pelo número de consultorias organizacionais. Qualquer organização, conscientemente ou não, adota uma estratégia, considerando-se que a não adoção deliberada de estratégia por uma organização pode ser entendida como uma estratégia. Além disso, a importância maior da AE está no fato de se constituir em um conjunto de ações administrativas que possibilitam aos gestores de uma organização mantê-la integrada ao seu ambiente e no curso correto de desenvolvimento, assegurando-lhe atingir seus objetivos e sua missão. A estratégia, nesse contexto, assim como a organização e o seu ambiente, não é algo estático, acabado; ao contrário, está em contínua mudança, desempenhando a função crucial de integrar estratégia, organização e ambiente em um todo coeso, rentável e sinérgico para os agentes que estão diretamente envolvidos ou indiretamente influenciados. A partir do modelo de tomada de decisões estratégicas elaborado por ANSOFF (um dos precursores do pensamento estratégico), a Administração Estratégica evoluiu para um modelo mais amplo, como o proposto por WRIGHT, KROLL e PARNELL, o qual é baseado em uma série de passos inter-relacionados, de forma que uma mudança em algum estágio do processo pode afetar os demais. 7 De maneira semelhante, ANSOFF e MCDONNELL (1993) veem a AE como uma abordagem sistemática à gestão de mudanças, que compreende: posicionamento da empresa por meio da estratégia e do planejamento de potencialidades; resposta estratégica em tempo real por meio da administração de questões; e gestão sistemática da resistência durante a implementação da estratégia. Definido os componentes de estratégias de diversos autores, vamos adotar o modelo WRIGHT, KROLL e PARNELL e nesse modelo determina-se que destacam que uma empresa pode adotar uma estratégia corporativa de: crescimento, quando dispõe de recursos ou tem oportunidades que lhe permitam aumentar a participação de mercado, e o valor da empresa; estabilidade, quando visar a concentrar suas forças na melhoria da produtividade e na inovação das empresas existentes, tiver custos de crescimento maiores do que os benefícios gerados e baixo crescimento do setor; e redução, empregada quando o desempenho das unidades de negócio de uma empresa está abaixo do esperado, ou, na pior das hipóteses, quando coloca em risco a sobrevivência da empresa. 8 Os diferentes tipos de estratégia corporativa, na visão desses autores, estão compilados na Tabela 1 a seguir. A empresa deve desenvolver uma metodologia de identificação de oportunidades atraentes de negócios que agreguem valor e enriqueçam a estratégia corporativa. É nesse ponto onde o Marketing mais vez nos auxilia e é primordial para que a estratégia tenha fundamento e existam condições de ser realizada. A começar pela parte do crescimento, solidificando produto, marca, e conquistando mercado. Também na esfera da estabilidade, fidelizando cada vez mais o consumidor (cliente), além de atuar fortemente nas tendências do mercado, não permitindo que a empresa se distancie do mercado e da concorrência. Já na área de Redução, o Marketing tem forte atuação através dos planos de ação a fim de minimizar o risco e levar a estratégia corporativa ao sucesso. 9 Veremos a seguir cada elemento em que o Marketing foca nas diversas áreas da estratégia corporativa. Mas antes de evoluirmos na conceituação de qualquer elemento precisamos definir o mercado-alvo da empresa, pois antes de diversificarmos a atuação da nossa empresa, precisamos nos estabelecermos no mercado. Para isso, temos que responder a algumas perguntas, por exemplo: Quem iremos atender? Qual o mercado iremos atuar? Que região vamos desenvolver nosso negócio? e vários outros questionamentos que poderemos ter. 10 Módulo 3: Produto O produto é o elemento-chave na oferta de mercado. Existem várias concepções para se entender o que é produto, e dentre as quais pode-se destacar o entendimento de Crawford, que se refere ao produto como sendo uma ideia, uma entidade física (uma mercadoria), um serviço ou qualquer combinação dos três com o propósito da troca, objetivando a satisfação de indivíduos e organizações. Segundo Kotler, a definição de produto é “algo que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer a um desejo ou necessidade”. Para Kotler, o conceito de produto “assume que os consumidores favorecerão aqueles produtos que oferecem mais qualidade, desempenho ou características inovadoras. Os gerentes das organizações orientadas para o produto focam sua energia em fazer produtos superiores, melhorando-os ao longo do tempo”. Por isso, o mercado vive numa busca incessante de um produto diferenciado e inovador. A Gestão da empresa vive em função de oferecer um produto de ótima qualidade, inovador e com um custo acessível. Do mesmo modo, o conceito desse “novo produto” também tem várias concepções. Muitos autores fazem considerações importantes a respeito disso. Entretanto, a visão que se aplica melhor ao nosso curso é o apresentado por Crawford, que fala da importância de diferenciar o conceito de novo produto e o conceito de produto. Para Crawford, um novo produto pode ser assim considerado após ter sido comercializado com sucesso. Antes disso, ainda é um conceito de produto, pois na fase onde o produto ainda não foi consolidado poderá ser necessário fazer algumas alterações para adequá-lo ao mercado. Diante disso, o conceito de produto é um importante e necessário passo para se obter um novo produto de sucesso. Crawford apresenta um conceito denovo produto que permite uma clara compreensão através de três elementos: forma, tecnologia e necessidade. A forma representa o produto físico criado ou a sequência de etapas necessárias para o fornecimento do serviço, no caso de serviços. A tecnologia é a fonte da qual emergiu e que sustenta a inovação. E a necessidade é o que irá auferir valor ao novo produto, sob a perspectiva do consumidor. O processo de inovação pode começar em qualquer uma das três dimensões; porém, a falta de uma no conceito representaria problemas. Um conceito forma-tecnologia representa um potencial fracasso, pois não definiria qual o real benefício que o consumidor obteria com o uso de determinado produto. Se o conceito for necessidade-forma também apresentaria alto risco por não incorporar tecnologia ao produto. E, do mesmo modo, o conceito necessidade- tecnologia também estaria incompleto, pois representaria projetos difíceis de 11 serem executados por exigir processos de fabricação caros e complexos, ou porque seriam inviáveis tecnicamente. Portanto, o conceito de novo produto, de acordo com Crawford, é “um produto (bem ou serviço) novo para a comercialização de uma empresa”. O autor exclui produtos que são diferentes no modo de promoção, mesmo que para algumas pessoas produto reposicionado ou com novo uso seja considerado novo produto. Em relação aos níveis de produto, Kotler refere que é necessário considerar cinco níveis. Cada nível acrescenta mais valor para o consumidor, e os cincos formam uma hierarquia de valor para o consumidor. O nível mais fundamental é o benefício-núcleo, isto é, benefício ou serviço fundamental que o consumidor está realmente comprando. No segundo nível, a empresa precisa transformar o benefício-núcleo em um produto básico. No terceiro nível, a empresa prepara um produto esperado, ou seja, um conjunto de atributos que os compradores normalmente esperam ao comprar um produto. No quarto nível, a empresa prepara um produto ampliado que atenda aos desejos dos consumidores além de suas expectativas. No quinto nível, está o produto potencial que envolve todos os acréscimos e as transformações que esse produto deve sofrer no futuro. Cada produto está relacionado a outros produtos. Segundo Day, Schocker e Srivastava, pode haver muitos ou poucos níveis em uma hierarquia de produto, depende da amplitude e complexidade da necessidade genuína e da variedade de alternativas disponíveis para satisfazê-la. Os autores fazem três distinções: tipos ou subclasses de produtos, variantes de produtos e marca. Para Kotler, “a hierarquia de produto parte das necessidades básicas e vão até itens particulares que satisfazem a essas necessidades”. Os produtos também podem ser classificados com base nas suas várias características: durabilidade, tangibilidade e uso (bens de consumo ou industrial) (Kotler). Quanto à durabilidade ou tangibilidade, os produtos podem ser classificados como bens de conveniência, bens de compra comparada, bens de especialidades ou bens não procurados. Quanto aos bens industriais, os produtos podem ser classificados como materiais e componentes, bens de capital ou suprimentos, e serviços administrativos. Como a maioria das empresas vende mais de um produto, o seu composto de produto pode ser classificado conforme amplitude, extensão, profundidade e consistência (Kotler). Concluindo, das visões apresentadas, a que melhor se aplica para este curso é a definição de Crawford, que considera produto como sendo bens e serviços. Portanto, sempre que se fizer referência à palavra produto, neste curso, considera-se como sendo bens ou serviços, e não apenas o produto físico. 12 Módulo 4: A Marca A noção original de marca advém do sinal, identificador do proprietário, aplicado a bens, a animais ou a escravos. A ele estavam, historicamente, inerentes algumas vantagens: a) para o proprietário: promoção de uma mais rápida localização e identificação dos ativos, b) para o comprador: identificação da origem. Posteriormente, a necessidade de proteção do valor patrimonial da marca levou à sua consideração como entidade jurídica. No Quadro abaixo, podemos ver como a definição de marca é enquadrada. Sequencialmente, o caráter distintivo da marca – fonte de diferenciação da oferta da empresa – evoluiu para uma combinação holística no nível do produto ou das suas associações e identificação. Na concepção holística, as marcas são vistas como objetos vivos que se relacionam com os consumidores, ou seja, a marca poderá ser, dessa forma, entendida como uma promessa de um compósito de atributos (reais versus ilusórios, racionais versus emocionais, tangíveis versus intangíveis) geradores de satisfação. Os avanços nessa área estão, no entanto, condicionados à falta de uma definição integradora dessa visão. Neste sentido, Aaker refere-se à marca como sendo não só um ativo estratégico mas também a fonte principal de vantagem competitiva para uma empresa – visão centrada no negócio. 13 Numa outra concepção complementar, focalizada no consumidor, a marca poderá também ser entendida como a expressão de um conjunto de três tipos de benefícios proporcionados ao consumidor: a) funcionais: relacionados com a qualidade intrínseca do produto/serviço e com a sua funcionalidade; b) econômicos: integradores de vantagens relativas avaliadas em termos de custo e de tempo; c) psicológicos: de índole subjetiva, ligados às expectativas e percepções do consumidor determinantes para a sua satisfação. Embora as marcas traduzam uma realidade histórica com alguma expressividade e extensão espaço-temporal, a teorização do conceito constitui- se como um fenômeno recente. A sua primeira articulação aprofundada é desenvolvida no artigo de Gardner e Levy, publicado na Harvard Business Review em 1955 (reparem a década de 50 presentes de novo), encontrando-se fortemente associada à noção de “imagem de marca”. Esse conceito foi, até a década de 80, bastante periférico em relação ao marketing, sendo considerado insuficientemente desenvolvido para ser incorporado na linguagem e nas práticas profissionais. A partir da década de 90 a marca foi assumida como propriedade e um dos bens mais valiosos da empresa que merece planejamento e total monitoramento. Sendo assim, o reconhecimento do papel e do valor da marca como ativo das organizações obriga o desenvolvimento de estratégias de gestão e potenciação do seu valor. Essa gestão deve ser feita balanceando a obtenção de resultados de curto prazo com o investimento na capacidade de geração de valor futuro por parte da marca. Os conceitos, sistemas e esforços regulares de medição do desempenho da marca emergem como elementos orientadores da reflexão estratégica e da ação tática das empresas, essenciais para uma integração bem-sucedida de objetivos de curto e longo prazo. 14 Módulo 5: Consumidor Conceituar consumidor é algo bem complexo e pode ter várias interpretações. Segundo o código de defesa do consumidor segundo o art. 2º da lei 8.078/90 estabelece que “consumidor é toda a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”. O legislador definiu no art. 2, o conceito jurídico de consumidor padrão estabelecendo como sendo consumidor qualquer pessoa natural ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final, ou seja, para seu uso pessoal ou de sua família, não comercializando o serviço ou produto. Verifica-se a princípio que o art. 2 estabelece o conceito de consumidor denominado standard ou stricto sensu, onde o consumidor seria a pessoa física ou jurídica que adquire o produto como destinatário final. A interpretação do conceito vão desde caráter social a caráter econômico, nesse curso vai adotar um mix das interpretações e focaremos o caráter socioeconômico. Sendo assim, consumidor é uma pessoa (física ou jurídica) queadquire um produto ou serviço, independente se for para seu uso ou não, pois não podemos esquecer que estamos com a visão empresarial e o empresário não releva a utilização do produto ou serviço. O que interessa é a comercialização e atender as necessidades e desejos do nosso consumidor. Como já vimos anteriormente, o consumidor, também chamado cliente é o que importa na Gestão Empresarial na visão do Marketing, considerando tanto o endomarketing como o exomarketing. 15 Módulo 6: Mercado e Tendências Vamos inicialmente ver um pouco do histórico do que é Mercado, passando pelo surgimento, passando pelos Shoppings Centers até chegar a mais nova (nem tão nova assim) forma de mercado, a Internet. No início, mercado era um local, uma praça, uma rua ou conjunto de ruas, onde compradores e vendedores se encontravam para fechar negócio. Mas isso, antigamente. Todo mundo que se interessa por marketing já ouviu falar da evolução do conceito de mercado. Da feira ao ar livre, o mercado foi para debaixo de grandes áreas cobertas, depois passou a ser sinônimo de ruas ou quarteirões cheios de lojas e por fim, dentro deste mesmo conceito, evoluiu para Shopping Centres. Isto tudo continua existindo e funcionando, mas ainda na Antiguidade os comerciantes passaram a considerar também como mercado, cidades e terras distantes. Na segunda metade do século XX, com o surgimento e difusão de teorias de Marketing, grupos de pessoas passaram a ser considerados como mercados. Mas ainda assim, na prática, a vinculação entre as pessoas que negociavam e a região onde estavam era claras. As empresas, mesmo as multinacionais, agiam de acordo com cada região onde atuavam (segmentavam-se), e a expressão marketplace continuava representando até então fidedignamente o que se passava na mente de qualquer negociante quando pensava em mercado. A Internet permitiu quebrar pela primeira vez a vinculação entre as pessoas e o lugar onde compram/vendem. No comércio eletrônico a visualização de mercados é tão complexa que até autoridades judiciais ficam em dúvida quanto à "onde" os negócios se realizam na rede mundial. Quando eu um dia, em Curitiba, comprei um whisky escocês na loja virtual de uma importadora sediada em Indiana, nos Estados Unidos, poderia até dizer que a negociação envolveu uma compra no Paraná apesar da venda ter ocorrido em Indiana. Mas onde foi fechado o negócio? No local onde estava o computador que abriga o site da importadora americana, seja lá onde isto for? Então criaram a expressão marketspace, que concede maior amplidão ao conceito de mercado. Mas será suficiente? 16 Com um esforço da imaginação podemos "visualizar" um espaço virtual onde se encontrariam compradores e vendedores independentemente de onde estiverem fisicamente. Sim, marketspace é um passo a mais, porém denota a dificuldade de pensar em mercado sem pensar em lugar. Não é fácil, pois há milhares de anos pensamos desta forma. Para aproveitar o potencial da Internet, não se pode abrir mão do marketing one to one, e com ele podemos atender a públicos tão distintos que não seria útil considerá-los como subgrupos. O ideal na Internet é tratar cada cliente de forma individual. Assim, consideramos suas características pessoais, além das culturais, e fica bem mais fácil conquistar sua fidelidade. Enquanto a Internet permite o acesso a clientes de naturezas tão heterogêneas, as tecnologias como as de datawarehouse viabilizam trata-los com individualidade. Na Rede, entender mercado como um grupo de pessoas com um mesmo perfil pode ser completamente desnecessário, e uma vez conseguindo realizar o marketing “one to one”, pensar em mercado como marketplace ou mesmo como marketspace levaria na melhor das hipóteses a lugar nenhum. Proponho então uma nova expressão que modifica o conceito de mercado para atender às características do comércio eletrônico. Que tal marketfog? Na Internet vendemos para todo tipo de pessoa ainda que cada consumidor esteja a milhares de quilômetros do outro. Se pudéssemos olhar para todos nossos potenciais clientes na Internet de uma só vez, o que veríamos? Algo como uma névoa (fog em inglês) ao redor de praticamente todo o mundo. Então, quando pensar em mercado pela Internet pense em marketfog, e só assim terá a chance de aproveitar o imenso potencial do comércio eletrônico. 17 Módulo 7: Concorrência A competição existe onde há disputa por algo que dois ou mais competidores desejam. Assim, são vários os tipos de competições que se sucedem no quotidiano. A competição econômica existe em um ambiente que se denomina sistema concorrencial, no qual duas ou mais firmas disputam mais pela sobrevivência no mercado que pela própria busca do maior lucro possível. A melhor definição é a de Marx e segundo POSSAS (escritor de “Dinâmica e Concorrência Capitalista”), “Marx entende por concorrência a ação recíproca que os vários capitais exercem entre si ao se defrontarem nos vários planos em que o mercado se faz presente”, pressupondo-se “conferir à concorrência, como conceito dinâmico, um lugar de importância capital nesta problemática – o de elo de ligação, vínculo teórico principal, entre ambos”. Portanto, utilizando- se da definição de Marx para concorrência, podem-se abstrair alguns tópicos importantes: a) a existência de disputas em um ambiente denominado mercado, no qual se encontram as várias forças e agentes; b) o conceito de concorrência como algo dinâmico e não inerte ou pacífico; c) a concorrência como à forma em que se viabiliza a dinâmica do sistema capitalista a partir de suas leis de movimento. Dessa forma, o mercado não está imune às alterações de sua estrutura e do comportamento de seus agentes econômicos, que se transformam para criar ou desenvolver novas formas ou configurações a fim de possibilitar a reprodução do capital. A globalização é uma dessas novas configurações do sistema, trazendo novos papéis e funções para os agentes econômicos de forma que eles encontrem condições de reproduzir o capital e sobreviver no mercado. Essas novas funções e movimentos do mercado ocorrem justamente por sua característica dinâmica, que age sobre o comportamento dos agentes econômicos, na busca da sobrevivência e da reprodução do capital, influenciando na reconfiguração do próprio mercado e de seus agentes econômicos no ambiente concorrencial, tornando-os competitivos. Estes agentes econômicos são as firmas, o Estado, os consumidores, os legisladores, os pesquisadores, enfim todos aqueles que fazem parte do mercado. Competir é participar, mas, principalmente, é uma ação daqueles que continuam existindo e em busca do lucro ou da “mais valia”. A empresa que compete, sobrevive a novas transformações, desenvolve-se e estrutura-se para 18 alcançar o objetivo final: manter ou aumentar a sua participação no mercado com a otimização do binômio lucro-sobrevivência. Todo jogo é composto de ganhadores e perdedores, e a história não desmente essa característica do mercado, pois são vários os exemplos de empresas que nascem ou morrem todos os dias. Para vencer o jogo, as empresas se utilizam de estratégias, que se relacionam com a capacidade da firma de compreender o ambiente e visualizar caminhos diferenciados para a utilização de seus recursos a fim de manter ou ganhar mercados. O Marketing, através de análise de dados, análise de tendências, inovações e porque não dizer publicidade suporta a visualização dos novos caminhos indicando o que se deve ou não fazer. Os jogadores (empresas) são concorrentes entre si, e no processamento do jogo (concorrência) buscam formas de ganhar mais espaço (no mercado) a fim de alcançar seus objetivos (a busca do lucro). Para isso, utiliza-se de estratégias (formas alternativas de participação e diferenciação no mercado, como já vimos anteriormente, através da estratégia competitiva)para poder continuar competindo e ser mais competitivos que os outros jogadores (qualidade da concorrência). Tais estratégias fundamentam- se nos instrumentos que cada competidor irá utilizar, e a melhor combinação entre eles (refletindo a melhor estratégia) resultará no ganhador temporário do jogo. Neste caso, inclui-se a noção de tempo porque o jogo não tem fim enquanto o mercado existir; a simples existência de um mercado concorrencial que se fundamente em suas leis irá garantir a existência de jogadores e portanto do jogo (da concorrência). Os instrumentos para competir podem ser quaisquer elementos que componha a existência econômica da empresa, tal como a sua característica de relação com o ambiente ou a sua forma de organização, podendo ser representada pelo produto, pela marca, ou pelo preço e o custo, ou pela qualidade, ou pela tecnologia e inovação, ou simplesmente pela capacidade empresarial. Poder- se-ia continuar enumerando os instrumentos de estratégia, mas todos apresentam como característica fundamental a especialização e criação de métodos que viabilizem a forma de competir, representando a estratégia visualizada dentro de um planejamento estabelecido e já explanamos sobre estratégia. Concluindo, a noção de concorrência caracteriza-se pelo processo de disputa entre as empresas, e a competitividade é entendida como a capacidade das firmas de estabelecer estratégias que compreendam tanto o contexto externo (mercado e sistema econômico) quanto o interno (sua organização) a fim de manter ou superar a sua participação no mercado no processo de competição. A noção de competitividade é intrínseca à noção de concorrência, pois o próprio conceito de concorrência se traduz como competição ou disputa. O ambiente empresarial é constituído na concorrência, em que se busca maior competitividade para obter vantagens sobre os demais competidores. 19 Módulo 8: Plano de Ação Para conceituar Plano de Ação, precisamos primeiro entender que existem dois cenários para que possamos criar Planos de Ação. O primeiro cenário é o de ações de conquista e investimento. Nesse cenário a empresa traçou seus objetivos, fez o planejamento estratégico e cria um plano de ação para viabilizar a conquista das metas. No segundo cenário tem aspecto corretivo. Nesse cenário, a empresa vive problemas ou no aspecto administrativo ou no aspecto financeiro e precisa definir um plano de ação para corrigir o problema e trazer a empresa para os “trilhos”. É nesse ponto que o Marketing tem sua maior e mais importante participação, no momento de estabelecer o Plano de Ação da Empresa. Entendido os dois cenários, vamos a definição do que é Plano de Ação. Quando se quer atingir metas, é importante planejar algumas ações, como os meios e caminhos para chegarmos até a meta. Este conjunto de ações é chamado PLANO DE AÇÃO. Se o Plano de Ação for bem elaborado, a meta será atingida. Cada plano deve ter um responsável (quem), um prazo (quando), um local (onde), uma justificativa (porque) e um procedimento (como). Conhecemos isso como 4W e 1H. Mas o que vem a ser isso? São as iniciais em inglês de WHO, WHEN, WHERE, WHY e HOW, ou popularmente conhecido como 4W1H. O Plano de Ação é composto por: • Indicadores de Resultado: meio para gerenciar o plano de ação e verificar se o resultado está sendo atingido. São eles que quantificam e qualificam o resultado. São fontes importantes para a avaliação; • Ação: tudo de que necessitamos fazer para atingir o resultado proposto; • Prazo: data precisa em que o gerenciamento será feito; • Responsável: pessoa que nem sempre terá de realizar uma ação, mas será fundamental para que essa ação seja cumprida. O responsável pela ação tem nome e sobrenome, não pode ser o grupo todo; • Recursos: tudo de que necessitamos para realizar a ação. Não apenas recursos financeiros, mas custo, recursos de conhecimento, tempo em horas, infraestrutura, recursos políticos, de organização ou até uma ação realizadora anteriormente. 20 Temos que ter um cuidado especial com a viabilidade do Plano de Ação, se é algo possível ou inatingível. O Marketing tem papel de fazer essa análise junto ao pessoal de “Datawarehouse”. Trata-se de verificar se o plano de ação desenhado tem viabilidade. Não adianta um plano de ação bem elaborado se o grupo não tem os recursos para colocar em prática. O que é analisar a viabilidade do Plano de Ação? É analisar a viabilidade e estabelecer a relação entre os recursos de que necessitamos e os recursos que temos efetivamente. Se uma ação é bastante estratégica, ou seja, elimina nossos principais problemas, mas não temos os recursos necessários para realizá-la, então vamos construir o plano de viabilidade. A análise da viabilidade deve servir para o responsável fazer uma avaliação sobre seu plano de ação. Devemos saber itens do tipo: Que recursos eu tenho? Caso não tenha, sei onde conseguir? É melhor evitar suposições do tipo: “poderemos ter este recurso”. Análise de viabilidade não se trata de adivinhação. É melhor ficar próximo à realidade, levando em conta as fragilidades, incertezas e possibilidades do Plano de Ação. A análise de viabilidade servirá para aumentar ou não o percentual de “certeza” do Plano de Ação. 21 Módulo 9: Mix de Marketing O conceito de Mix de Marketing ou Composto de Marketing é uma das ideias básicas do marketing. Segundo Gombeski Jr. (1998), desde a metade dos anos 60, o paradigma da gestão do composto de marketing era baseado nos 4Ps (Produto, Preço, Praça e Promoção), o qual foi concebido por McCarthy (escritor de Basic Marketing: a managerial approach, em 1996), e tem sido o modelo tradicionalmente utilizado pela maioria dos educadores e profissionais de marketing. A mesma constatação é feita por Waterschoot e Bulte (1992) quando afirmam que muitos autores seguem a classificação 4Ps. A predominância do paradigma do composto de marketing baseado na classificação dos 4Ps pode ser constatada através da antiga definição de marketing da Americam Marketing Association (AMA, 2005), a qual vigorou de 1985 até 15-09-2005. Segundo esta definição, marketing é “o processo de planejar e executar a concepção, fixação do preço, promoção e a distribuição de ideias, bens e serviços para criar trocas que satisfaçam objetivos individuais e organizacionais”. Ou seja, a definição que a AMA adotava até pouco tempo atrás, reforçava a ideia dos 4Ps como ferramentas de marketing que devem ser utilizadas para a consecução dos objetivos organizacionais. Rafiq e Ahmed (1995) observam, no entanto, que a classificação de McCarthy baseada nos 4Ps tem sido alvo de críticas crescentes, o que tem motivado o surgimento de diferentes proposições de compostos de marketing. Pesquisa feita pelos autores junto a acadêmicos europeus constatou um alto grau de insatisfação com os 4Ps. As principais fontes de críticas são provenientes dos pesquisadores da área de serviços, dos que focam o marketing industrial, e dos interessados nos aspectos relacionais do marketing. Schultz (2001) afirma que os 4Ps foram concebidos dentro de uma visão de que era o profissional de marketing quem controlava o mercado, mas que, nos dias de hoje, é cada vez mais claro que é o usuário final quem efetivamente tem o controle. Outra crítica relevante é feita pelo fato do modelo não servir para analisar as interações entre os componentes do composto de marketing. Gatignon e Hanssens (1987) destacam a importância de modelos para analisar essas interações. O mesmo foi feito por Logman e Pauwels (1998). Além disso, avaliação feita por Waterschoot e Bulte (1992) dos 4Ps com base nos critérios propostos por Hunt, constatou que o esquema não atende aos requerimentos de uma boa taxonomia. 22 Com base nessas críticas, a “morte” dos 4Ps já foi preconizada (ENGLISH, 2000). Sugiram também versões em que o número de Ps seamplia (atualmente há autores que defenda 9Ps, são eles: Produto, Preço, Promoção, Praça, Pessoal, Pós-Venda, Proteção, Provedores e Pesquisa Mercadológica), outros utilizam novos mnemônicos (4Rs e 4Vs) ou propuseram esquemas que focam outros recursos e não possuem caráter mnemônico (4Cs, veremos a seguir). Segundo Kotler (2000), as variáveis específicas de marketing sob cada P são: • Produto: variedade de produtos, qualidade, design, características, nome de marca, embalagem, tamanhos, serviços, garantias e devoluções; • Preço: preço de lista, descontos, concessões, prazo de pagamento, condições de financiamento; • Praça: canais, cobertura, variedades, locais, estoque, transporte. • Promoção: promoção de vendas, publicidade, força de vendas, relações públicas, marketing direto. Veremos a seguir a importância de cada “P”, suas características e importância no Marketing e influência na Gestão Empresarial. PRODUTO “Algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou consumo e para satisfazer um desejo ou uma necessidade.” Produtos são mais do que bens tangíveis. Incluem bens físicos, serviços, eventos, pessoas, lugares, organizações, ideias ou um misto de todas essas entidades. Vale a pena deixar claro que Serviço é uma espécie de produto intangível. Vamos agora classificar os Níveis de Produtos. Existem três níveis de produtos e serviços. Ao projetar produtos, as empresas devem primeiramente definir o núcleo de benefícios que eles ofereceram aos compradores. Devem entender a experiência total do cliente à compra e ao uso do produto. 23 A figura abaixo demonstra os três níveis de um produto. Vejamos a Classificação de Produtos: Inicialmente precisamos definir a classificação quanto à finalidade. Existem dois grandes grupos, são eles: Produtos de Consumo e Produtos Empresariais. Produtos de consumo são aqueles comprados por consumidores finais para uso próprio. E são classificados como: • Produtos de Conveniência - produtos e serviços de consumo comprados com maior frequência. São produtos que o consumidor tem hábito de compra. (sabonete, doces, jornais e fast-food). • Produtos de compra comparada – produtos e serviços de consumo comprados com menor frequência e cujas características de adequação, qualidade, preço e estilo do consumidor compara cuidadosamente. (móveis, vestuário, carros usados, eletrodomésticos e serviços de hotelaria e motéis). • Produtos de especialidade – produtos e serviços de consumo com características singulares ou identificação de marca pelos quais um significativo grupo de compradores está disposto a fazer um esforço especial de compra. 24 (equipamento fotográfico, marcas e tipos específicos de carro, roupas de estilistas). • Produtos não procurados – produtos de consumo que o consumidor não conhece ou conhece mas normalmente não pensa em comprar. Exigem muita propaganda. E como citamos anteriormente, existem os Produtos empresariais, que são aqueles comprados para processamento posterior ou para uso na gestão de um negócio. PREÇO Ao contrário do que possa parecer, a definição do preço não é uma conta simples, onde se considera os insumos, os custos de fabricação, os impostos e a lucratividade. É claro que isso tudo também entra na conta, mas a percepção de valor que o cliente tem do produto deve ser considerada com bastante cuidado. Muitas vezes, o preço barato demais faz com o que o produto perca a sua credibilidade. Em marketing, a luta não é por oferecer um preço menor, mas por oferecer maior valor ao cliente, ou melhor relação custo-benefício. Se tiver um preço baixo, tanto melhor, mas a equação não é tão simples. Por exemplo, as pessoas fariam filas nas lojas Victor Hugo (fabricante de bolsas) para comprar bolsas se elas custassem apenas R$ 10,00? Resposta: É claro que não. Em síntese, o Preço “é a soma de todos os valores que os consumidores trocam pelos benefícios de obter ou utilizar um produto ou serviço.” É o único elemento do mix de marketing (4Ps) que produz receita, é também um dos mais flexíveis. Veremos agora como é a determinação de preço numa empresa e como o Marketing influencia na Gestão Empresarial. • Política de preços fixos – estabelecimento de preço único para todos os compradores. • Política de preços dinâmica – cobrança de preços diferentes conforme os clientes e as situações individuais. 25 A figura abaixo mostra os fatores (internos e externos) que afetam as decisões de preço numa empresa. Após um produto ser produzido, com o seu preço estabelecido, ele precisa ser distribuído no mercado até os pontos de vendas. PRAÇA A praça ou distribuição de um produto no mercado tem um importantíssimo papel no mix de marketing. Pois é a partir da distribuição que o consumidor terá acesso a oferta do produto. Um exemplo para ilustrar nosso pensamento é quando um consumidor interessa-se pelo produto, pela qualidade, pelo preço e vai até o ponto de venda, mas não o encontra, consequentemente o consumidor fica irritado e procura uma opção de compra. Caracterizando assim a perda de negócio por parte do empresário que produz o produto e que estabelece um ótimo preço. Os produtos depois de produzidos precisam, portanto, chegar ao consumidor final, e para isso passam por diversos elos da cadeia de distribuição, sendo importante destacar os intermediários (revendedores), transportadores e armazenadores que fazem a ligação entre a empresa produtora e o consumidor final. PROMOÇÃO A promoção é a comunicação das informações entre quem vende algo e quem compra algo. Nickels e Wood (1999) propõem ainda, uma comunicação mais ampla do que a comunicação tradicional de marketing, a comunicação integrada de marketing - 26 CIM envolvendo relacionamentos longos e duradouros não só com clientes mas com os parceiros do canal, empregados e outros grupos de interesse. “O objetivo da comunicação integrada de marketing é manter um diálogo com os clientes e outros grupos de interesse, permitindo que a empresa responda de forma rápida às suas necessidades e desejos em constante mutação” (NICKLES E WOOD, 1999). Percebe-se, contudo, na afirmação de Nickels e Wood (1999), que a comunicação (promoção) não se limita a simplesmente informar o mercado acerca de um produto/serviço; o que se pretende é desenvolver uma comunicação a fim de levar o consumidor à realmente adquirir o produto, satisfazendo a sua necessidade, e maximizando o lucro da empresa. Para os autores, existem vários tipos de comunicação. Destacaremos cinco: propaganda, publicidade, venda pessoal, promoção de vendas e relações públicas. Normalmente confundida com marketing a propaganda conforme se observa é uma das ferramentas do marketing, dentro do “P” promoção que tem por objetivo atingir um grande número de pessoas e apresentar-se repetitivamente, a fim de fixar a mensagem na mente do consumidor. Ao contrário da publicidade, a propaganda é paga, e, portanto tem necessariamente que dar retorno à empresa, em forma de incremento nas vendas. Neste aspecto é importante que a empresa selecione a mídia correta, a fim de a propaganda ser eficaz. A publicidade diferencia-se da propaganda por não ter custo para a empresa. Ou seja, o fator diferenciador entre a propaganda e a publicidade, é que esta última não é paga e nem controlada pela empresa. Cabe destacar que uma das formas bastante praticadas pelas empresas é através do patrocínio esportivo. Podemos notar que diversas empresas, industriais, comerciais e até financeiras têm direcionado recursos para o marketing esportivo. Esta é uma modalidade que tem por objetivo aprimorar a imagem da empresa junto a seu público. A Venda pessoal é a comunicação feita de pessoa a pessoa, gerando resposta imediata (Kotler, 2000). Trata-se da atuação da força de vendas, portanto, depende muito da atuação dos vendedores,para que a empresa alcance o sucesso. Na venda pessoal, são apresentadas pelo pessoal de vendas, todas as informações do produto. Ou seja, conforme o próprio nome sugere, a venda pessoal baseia-se no contato pessoal. A promoção de vendas é aquele esforço que a empresa faz, complementarmente a venda pessoal. Visa atingir os consumidores finais, os revendedores (distribuição) e a própria força de vendas. A promoção de vendas geralmente é temporária e esporádica. As relações públicas “é o processo de avaliar as atitudes dos grupos de interesse, identificando os produtos e atividades da empresa com os interesses 27 destes últimos e utilizando comunicações não-pagas para construir relacionamentos de longo prazo com eles” (NICKELS E WOOD, 1999). Da inserção dos autores pode-se depreender que a relações públicas é uma forma da empresa comunicar-se com o público que realmente está interessado no produto/serviço, e a empresa enxergar potencial para o seu sucesso. Como mencionamos anteriormente, o 4Ps são defendidos por alguns autores, mas existe uma outra corrente que faz um paralelo aos 4Ps. Essa corrente, defendida principalmente por Robert Lauterborn criou em 1990 os 4Cs, que significa Cliente, Custo, Conveniência e Comunicação. Lauterborn pregava que: • Produto se converte em valor para o Cliente • Preço se converte em Custo para o cliente • Praça se converte em comodidade e Conveniência • Promoção se converte em Comunicação ao cliente. Sendo qualquer uma das correntes a adotar, é importante o Mix de Marketing na Gestão Empresarial e no planejamento estratégico da empresa. 28 Módulo 10: Tipos de Custos Inicialmente vamos definir o que é Custo. Custo é todo o gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens e serviços: são todos os gastos relativos à atividade de produção. Temos diversos Tipos de Custos dependendo do critério de classificação dos tipos, nesse curso vamos nos deter nos tipos de custo Fixos e Variáveis. Vamos entender um pouco o que é Custo Fixo e Variável e suas diferenças. Custos fixos são aqueles cujos valores são os mesmos, qualquer que seja o volume e produção da empresa. É o caso, por exemplo, do aluguel da empresa. Este será cobrado pelo mesmo valor qualquer que seja o nível de produção, inclusive no caso da empresa nada produzir. Custos variáveis são aqueles cujos valores se alteram em função do volume de produção da empresa. Exemplo: matéria-prima consumida. Se não houver quantidade produzida, o custo variável será nulo. Os custos variáveis aumentam à medida que aumenta a produção. O estudo dos custos de produção está diretamente relacionado com a quantidade a ser produzida pela empresa e com a análise temporal. Abaixo os principais custos na Gestão Empresarial. 29 A seguir veremos os principais tipos de Custo: 30 Módulo 11: Marketing de Relacionamento Uma das mais comentadas e concentradas ramificações do marketing atual é o aspecto do relacionamento, ou em termos técnicos o chamado CRM – Customer Relationship Management, uma nova face dos negócios, um conjunto de oportunidades estratégicas, no qual o consumidor torna-se o centro de toda atenção da organização em tempo integral. É através do marketing de relacionamento, que as organizações podem projetar e lançar ações voltadas aos clientes, buscando sempre que estes se tornem cada vez mais próximos de seus produtos e/ou serviços, de forma a utilizá-los e recomendá-los a inúmeras pessoas, pois indiretamente e imperceptivelmente, reconhecem o valor e o esforço a eles disponibilizado por aquela empresa, que a todo o momento se preocupa com seu bem estar e atende prontamente a suas solicitações. Porém, sabemos que todo relacionamento requer um conhecimento, e aí é que mora o perigo. Cada vez mais, os consumidores estão perdendo sua privacidade, pois preenchem constantemente intermináveis formulários, onde as organizações buscam extrair ao máximo os dados pertinentes sobre aquela pessoa. Do ponto de vista mercadológico, isso é ótimo, mas este tipo de ação deve ser realizado com muito cuidado e pudor, já que estas infindáveis fichas não podem criar, junto ao cliente, um constrangimento a ponto de fazê-lo sentir-se exposto a uma situação inesperada. Explorar o conhecimento é imprescindível para a realização do marketing de relacionamento, mas saber coletar e trabalhar os dados é uma outra história, que se não realizada de forma profissional, poderá acarretar em inúmeros prejuízos para as organizações que possuem este tipo de prática. O relacionamento é uma forma presente no sistema de comercialização, pois faz parte do processo existente na venda, em suas três fases: pré-venda, venda e pós-venda, sendo nestes estágios que o trabalho começa. Vamos definir esses estágios com 10 dicas de planejamento e execução de cada estágio. PRÉ-VENDA: 1) Fique atento aos sinais do mercado e gere leads (Um lead é uma pessoa ou organização com o potencial para tornar-se um cliente. Fique atento aos sinais do mercado. Por exemplo, se você ouvir que certa pessoa ou empresa está interessada em comprar seu produto, essa pessoa ou empresa torna-se um lead). 31 2) Identifique os clientes em potencial (Nem todos os leads se tornarão realmente clientes. Identifique aqueles com maior possibilidade de se tornarem). 3) Qualifique os clientes em potencial (Procure o máximo de informações sobre o cliente em potencial. Conheça-o bastante a fim de adequar sua oferta às necessidades dele). 4) Defina os objetivos de sua visita de vendas (Se você pensa que o objeto de uma visita de vendas é unicamente vender o produto, está enganado. Outros objetivos podem ser vislumbrados e nem sempre a venda se dá a partir de uma única visita). 5) Planeje sua estratégia de persuasão (Quais mecanismos específicos de persuasão você irá utilizar? Adotará uma postura baseada em poder? Ou em credibilidade?). 6) Planeje o formato de sua visita de vendas (Os formatos de uma visita de vendas podem variar, indo desde os muito formais e estruturados, em que o vendedor repete um discurso memorizado, aos não-estruturados, nos quais vai incluindo informações sobre o produto em uma conversa informal com o cliente. Planeje o formato que você utilizará). 7) Planeje o conteúdo de sua visita de vendas (Quer sua apresentação seja estruturada ou não-estruturada, o conteúdo deve demonstrar como seu produto pode beneficiar o cliente. Isso significa que você deve chegar em sua visita de vendas com total conhecimento de seu produto e dos produtos de seus concorrentes). 8) Planeje o uso de dispositivos audiovisuais (O uso de dispositivos audiovisuais pode tornar a visita de vendas mais eficaz. No entanto, não há nada pior do que um vendedor que planeja, por exemplo, a utilização de uma apresentação de slides e na hora dá tudo errado). 9) Identifique as possíveis objeções e prepare contra-argumentos (As objeções sempre aparecem. Mas podem ser superadas. Prepare seus argumentos. Lembre-se que, no fundo, objeções representam interesse). 10) Exercite o que foi planejado e marque a visita de vendas (Não acredite que um bom planejamento seja suficiente para uma visita de vendas eficaz. Exercite o planejado, faça testes. Depois disso, verifique qual a melhor data para se encontrar com o cliente). VENDA: 1) Inicie sua venda de maneira profissional (Cumprimente o cliente, apresente- se e identifique sua empresa ou área). 2) Estimule o cliente a participar da entrevista (Comente seus objetivos com a visita, seja cordial, mostre-se solícito). 32 3) Faça perguntas (Diversas informações sobre o cliente ainda podem ser conseguidas na própria visita de vendas). 4) Ouça com atenção (Ouça, ouça e ouça. Com muita atenção). 5) Enfatize os benefícios e não as características (As características de um produto por si só não vendem um produto. Épreciso que o cliente saiba quais benefícios ele obterá a partir destas características). 6) Tome cuidado com a comunicação não-verbal (O processo de comunicação se dá nos níveis verbal e não-verbal. Atente para o segundo; tome cuidado com a postura, à altura e a firmeza da voz, a vestimenta, a gesticulação etc.). 7) Esteja preparado para as objeções (Elas aparecerão e você terá de enfrentá-las. Se você se preparou anteriormente, fica mais fácil). 8) Preste atenção aos sinais do cliente (Se por um lado você deve tomar cuidado com sua comunicação não-verbal, por outro, fique atento para os sinais transmitidos pelo cliente. Eles podem indicar se a visita deve continuar ou não, se está na hora do fechamento etc.). 9) Em caso positivo, feche a venda (Existem vários tipos de fechamento de uma venda. Identifique rapidamente o mais adequado para a situação. E não fuja). 10) Lembre-se de prometer apenas o que pode cumprir (A venda não acaba com a "venda". Você terá que cumprir todas as promessas feitas ao longo da visita. Assim, prometa o que pode cumprir). PÓS-VENDA: 1) Se prometeu, cumpra (Garanta que tudo que foi prometido ao cliente seja cumprido. Você é o intermediário entre ele e sua empresa ou área). 2) Lembre-se de que o cliente nem sempre tem razão, mas nunca está completamente errado (Se o cliente reclama, tente descobrir o motivo que o levou a agir assim. Não se deixe levar pela "ditadura do cliente", mas também saiba aproveitar as oportunidades de aumentar sua satisfação). 3) Não misture seus problemas pessoais com os problemas do cliente (Para o cliente não interessa seus problemas pessoais ou os problemas de sua empresa ou área. Resolva os dele). 4) Faça follow-up em quantidade adequada (Não se esqueça de seu cliente. Nem o procure todo dia). 5) Assuma o problema do cliente como se fosse seu (Não passe o problema do cliente para outra área. Assuma sua responsabilidade). 33 6) Use tecnologia amigável (Nada de complicações na hora do cliente lhe procurar como, por exemplo, "Disque 3 para Departamento de Vendas e depois disque 259 para vendas de produtos descartáveis". Facilite-lhe o caminho). 7) Seja pró-ativo (Não espere os problemas aparecerem. Aja antes. Ofereça novas soluções para novos problemas do cliente). 8) Agradeça a comunicação do cliente (Muitos vendedores se esquecem de agradecer a oportunidade que lhes é oferecida a partir de um contato pós- venda. Mostre ao cliente a importância deste contato. E agradeça-o). 9) Lembre-se que a pós-venda é o início de um novo ciclo de venda (O objetivo não é só conquistar o cliente, mas sim torná-lo fiel e permanente). 10) Cumpra mais do que prometeu (Não se contente com a satisfação do cliente. Procure encantá-lo ao máximo. Dê a ele aquele algo mais). Com o conhecimento sobre os hábitos e costumes de seu cliente é que você pode antever-se a qualquer ação, surpreendendo e fazendo-se presente em seu cotidiano. Com os dados em mãos, você poderá oferecer ou até mesmo realizar a manutenção de compra de seu cliente, pois você possui as informações, históricos de grande valia que tornam sua comercialização mais personalizada, mais próxima e informal. Mas este tipo de relacionamento ainda não é muito praticado em inúmeros segmentos, os que fazem com que essas empresas venham perder espaço no mercado. Um exemplo clássico por mim presenciado, está relacionado a uma pizzaria de Niterói, cidade do Rio de Janeiro. Um amigo, tem o costume de comer pizzas pelo menos três vezes por semana. Com este hábito, tem preferência por uma pizzaria perto de sua casa. Com isso, ao sair de seu trabalho diário, liga para sua casa para que seus familiares façam o pedido, para que, ao chegar, sua pizza já esteja ali, pronta para o consumo. Este hábito se repete a meses, chegando ao ponto da atendente chamá-lo pelo nome e não solicitar mais o endereço para a entrega. Engana-se porém, quem pensou que esta empresa está praticando um marketing de relacionamento eficiente. Isto pode ser percebido pela sua forma de atuação, ela não realizou um cadastro formal junto ao cliente e nem sequer possui um histórico de consumo, pois o pedido dos sabores sempre é questionado, havendo hábito de consumo deste cliente. Em nenhuma ocasião, esta pizzaria ligou até a casa ou mesmo no celular deste consumidor, em dias potenciais de consumo, para oferecer-lhe alguma promoção, algum sabor diferenciado, ou mesmo pedir uma sugestão. O que isso nos mostra? Ao passo que este consumidor venha a conhecer um outro estabelecimento, que possua uma qualidade nos produtos semelhantes a este, mas que pratique um serviço diferenciado, este venha a migrar, deixando de lado a antiga, possivelmente não mais realizando seus pedidos lá. 34 Perder clientes é uma tarefa extremamente fácil, o mercado é muito competitivo e inúmeras empresas estão surgindo com uma mentalidade mais avançada e com cuidado junto ao seu mercado, como um todo. Criar sistemas de fidelidade é um passo importante para que as empresas não tenham a todo o momento, que passar por dificuldades, pois desta forma poder-se-á planejar ações preventivas que auxiliarão em um processo organizacional constante. Este é um exemplo entre muitos, ocorridos diariamente comigo e com você. Quem nunca passou por uma situação como esta, mesmo que de forma passiva? São locadoras de vídeo que cadastram nosso histórico e nem por isso nos mandam promoções e lançamentos de segmentos de filmes que gostamos... Postos de gasolina que costumamos abastecer, que nem sequer realizam um cadastro para saber quem somos, apenas marcam nossas placas para que se precisarem posteriormente, correr atrás de um cheque sem fundo, tenham a possibilidade de nos encontrar. Tudo isso ocorre frequentemente e diariamente em nossas vidas e como vimos, não está a cargo das grandes organizações este tipo de prática, mas sim a todo o mercado, principalmente para aqueles menores estabelecimentos que necessitam muito conhecer seus consumidores, pois sofre constantemente a influência dos grandes concorrentes, mais fortes em preço, atendimento, diversidade de produtos e serviços. Desta forma, é importante ressaltar que, a tônica do mercado em um futuro próximo, está voltada aos serviços, isso porque produtos são lançados e aperfeiçoados constantemente, com inúmeras marcas e variações de preços, o que ressalta ainda mais a importância dos serviços, pois são através deste que surgirão os diferenciais, os aspectos positivos que tornarão os consumidores adeptos ao consumo de determinados produtos. Por isso, oferecer mais do que o esperado, surpreender, é extremamente importante para que as diferenciações sejam notadas e para que os clientes tornem-se cada vez mais propensos a adquirir seus produtos e/ou serviços, por motivos estes, que vão além do aspecto material, originados de fatos inconscientes e motivadores, que tornam sua marca evidenciada e extremamente valiosa, pois ocupa uma posição de destaque no mercado, a mente do seu consumidor. Pense, reflita e encontre os passos a serem realizados por você e sua empresa diante do mercado. Diferencie-se, torne-se produto das ações por você realizadas e lembre-se: “Programas de marketing de frequência deve se utilizar das oportunidades oferecidas pela identificação dos seus clientes, para assim saber quem são os clientes de maior valor e de maior potencial, para que assim possam ser desenvolvidas ações inteligentes, através de uma relação de constante aprendizado, pois é através deste ponto que a organização muda o seu comportamento frente aquilo que aprendeu a respeito de seus clientes, personalizando aspectos do serviço e produto. Afinal, a única vantagem competitiva real é o conhecimento que você e sua empresa possuem de seu cliente, fato este, que seus concorrentes não têm”. 35 Módulo 12: Marketing de Serviços Vivemos em uma economia de serviços. As estatísticas variam um pouco,mas de modo geral é possível atribuir 70% de toda a riqueza mundial ao setor de serviços. No Brasil, segundo o IBGE, 58% do PIB nacional é serviço e esse número tende a aumentar, acompanhando as maiores economias e a própria revolução do conhecimento, que multiplica os serviços que agregam valor à experiência humana. Do ponto de vista do emprego, o panorama dos serviços é bastante favorável: setor empregador, de mão-de-obra intensiva, há trabalho em serviços para praticamente todas as faixas de escolaridade e renda. Custa significativamente menos a criação de um emprego em serviços do que a criação de um emprego na indústria. Enquanto a indústria tende à automação, à especialização do trabalho, reduzindo a participação humana, o setor de serviços não consegue facilmente prescindir do elemento humano. Na verdade, para grande parte das empresas de serviço o único ativo disponível são as pessoas que compõem a empresa, seus quadros, sua inteligência e conhecimento. Uma agência de propaganda, uma escola, uma consultoria, uma clínica médica e outros serviços são fortemente dependentes das pessoas que ali trabalham. Assim é que súbitas mudanças no quadro de pessoal podem afetar profundamente uma empresa do serviço. É comum, por exemplo, um gerente de banco “levar” clientes de um banco para outro. O vínculo estabelecido é com a pessoa, com o gerente, e não com a empresa. Ou ainda, para o cliente, o prestador de serviço representa a empresa e é o depositário de sua confiança. Outra questão que aponta para o crescimento da economia de serviços é a própria comoditização dos produtos. Por comoditização entende-se a dificuldade cada vez maior que um produto tem para se diferenciar de outro, tanto do ponto de vista técnico quanto do ponto de vista de utilidade. Os produtos estão cada vez mais parecidos, similares, e a profusão de marcas e fabricantes acabam comprimindo as margens de lucro. De fato, há pouca ou nenhuma diferença entre, por exemplo, uma dezena de marcas de massa de tomate, creme dental e mesmo carros de um mesmo segmento. O comprador de um carro popular compara as várias opções disponíveis no mercado e encontra pouca diferença entre elas, inclusive no preço. Tecnicamente falando, como diferenciar realmente uma série de aparelhos de TV? Muitas vezes só mesmo a marca é que consegue gerar uma percepção de diferenciação, que, de todo modo, não é fácil (nem barato) para sustentar. Mesmo uma empresa líder, de marca reputadíssima, como a Coca Cola, tem dificuldade de competir com os refrigerantes populares, as chamadas tubaínas. 36 Ora, tudo isso fez com que os fabricantes percebessem que a única ou melhor forma de realmente diferenciar seu produto é mediante um conjunto de serviços que agregam valor a ele: entrega, assistência técnica, garantias, seguros, crédito, distribuição, informação, pós-venda, etc. Mesmo empresas tipicamente de produtos, ou conhecidas como líderes de produtos, já pensam, hoje, em serviços como estratégia de lucro. Serviços permitem diferenciação, personalização e customização. Assim, permite margem, lucro. Serviços vão de telecomunicações a bancos; são escolas, hospitais, profissionais liberais, até serviços domésticos e pessoais. Passam pela internet e pelo varejo (o serviço da venda e atendimento ao público), pelas consultorias especializadas, serviços técnicos, logística e serviços de distribuição. Este é o mundo dos serviços, que cresce a cada dia e que exige uma nova abordagem, que passaremos a discutir a seguir. Características e implicações do serviço para a prática da administração de marketing: • O que é um serviço? • Como defini-lo? • Como diferenciar serviço e produto? Uma boa definição pode ser a seguinte: Serviço é um desempenho, essencialmente intangível, que não resulta na propriedade de algo. O serviço pode ou não estar ligado a um produto físico. Assim, serviços são desempenhos no tempo e espaço que geram valor para o cliente por meio de uma transformação, uma experiência de serviço. Quando alguém vai ao cabeleireiro, não fica proprietário do corte de cabelo; na verdade, “sofre” o corte de cabelo. Durante uma aula, um aluno não se torna dono da aula, mas “sofre”, “recebe”, a experiência da aula, que deve gerar uma transformação, gerando valor. O mesmo ocorre num consultório médico, num restaurante, numa oficina mecânica: o cliente não se torna dono do serviço. O serviço é um desempenho transformador, intangível em essência, mesmo quando ligado a um produto físico. Mesmo em serviços que possuem um forte componente de bens, produtos e máquinas, como o transporte aéreo, o cliente não pode levar a viagem para casa e mostrar aos amigos. Ele pode, sim, viver a experiência transformadora da viagem e, no máximo, mostrar a passagem, as fotos, alguns elementos tangíveis do serviço. Esses elementos inclusive são fundamentais para “tangibilizar”. O serviço, mas essa já é uma outra história, da qual falaremos mais tarde. 37 Um serviço também precisa ser entendido por suas características: inseparabilidade, variabilidade, intangibilidade e perecibilidade. Vamos entender um pouco cada uma das características do serviço. Inseparabilidade Essa característica aponta para a seguinte questão: todo serviço tem um momento em que sua produção e consumo são simultâneos, inseparáveis. Assim, ao mesmo tempo em que um professor “produz” a sua aula, esta é “consumida” pelos alunos. Ao mesmo tempo em que um médico produz sua consulta, o paciente a consome, como cliente do serviço. Nesses exemplos, produção e consumo são simultâneos, diferentemente de uma empresa de produtos, em que claramente existe um momento de produção e um momento de consumo. Por que essa característica é tão importante para o marketing de serviços? Por várias razões, que veremos a seguir: • O prestador de serviços é a “fábrica do serviço” diante do cliente; assim, será julgado por tudo que fizer (ou deixar de fazer); • O cliente interfere na produção do serviço com sua participação. Na verdade, ele coproduz o serviço, pois o ambiente de produção do serviço não é controlado e depende e precisa da interação do cliente. Assim, este também precisa ser educado sobre o serviço e precisa, minimamente, aprender sobre ele; • Não há uma segunda chance para o prestador, pois o serviço tem que ser adequado no momento em que o cliente necessita. Assim, numa viagem aérea, precisa acontecer de forma satisfatória na primeira vez, do contrário só restará à empresa pedir desculpas e tentar recuperar seu erro. O mesmo se dá em uma aula, num cabeleireiro ou numa consultoria. Se alguém errar, pode não ter uma segunda chance, pois a fábrica não terá sido capaz de entregar o que o cliente queria no momento em que precisava. Como agravante, muitos serviços, se não prestados adequadamente da primeira vez, podem causar danos irreparáveis, como no exemplo mais óbvio dos serviços médicos. Variabilidade Serviços são variáveis. Isto é, os serviços variam e podem variar conforme o prestador do serviço e o cliente. Esta característica tanto pode ser vista sob um prisma positivo quanto negativo. O prisma positivo da variabilidade é que ela permite a customização, a personalização, o atendimento diferenciado às expectativas de grupos de clientes. 38 Assim, um palestrante pode adaptar a palestra a seu público, assim como um médico pode adaptar o seu serviço ao tipo de cliente que está atendendo. O lado negativo da variabilidade é que ela torna difícil o estabelecimento de um padrão de serviço, de uma performance padronizada, imune a erros. Isso faz com que seja comum, por exemplo, o seguinte problema: como atender sempre bem o cliente, se tanto o cliente pode ser mais ou menos favorável ao serviço, quanto o próprio prestador de serviços pode ter uma performance mais ou menos adequada, dependendo de suas características pessoais ou até mesmo do seu “astral” num certo