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N O Ç Õ ES D E R EC U R SO S M AT ER IA IS 411 necessárias e o tempo exato para utilização dos mate- riais na fabricação dos produtos finais” (DIAS,2019). Podemos apresentar os objetivos do MRP como sendo: � Garantir a disponibilidade de materiais, com- ponentes e produtos para atendimento ao planejamento da produção e às entregas dos clientes; � Manter os inventários no nível mais baixo possível; � Planejar atividade de manufatura, de supri- mento e de programação de entregas. As informações de entrada para o sistema MRP provêm de três grandes bases de dados: z Plano mestre de produção dos produtos finais: que envolve os pedidos em carteira e as previsões de vendas. z Estruturas do produto com base na lista de com- ponentes: é a relação de todos os materiais neces- sários para montar uma unidade do produto final. z A situação geral dos estoques destes itens: que envolve os materiais em estoque. Fonte: Dias, Marco Aurélio P. Administração de Materiais (p. 103). 2019. 7º edição. Atlas. z MRP II (Planejamento das necessidades de manufatura). Assim como o MRP, o sistema MRP II (Manufacturing Resources Planning) baseia-se na lógica do cálculo de necessidades, cujo objetivo principal é o planejamen- to da compra e produção de itens componentes para que ocorram nas quantidades e momentos necessá- rios, sem faltas ou excessos. Entretanto, o sistema MRP II amplia o escopo do MRP, permitindo a integração do planejamento financeiro com o operacional e assim passa a considerar o Planejamento da Capacidade de Recursos (CRP – Capacity Resource Planning). Importante! MRP II é uma excelente ferramenta de plane- jamento estratégico em áreas como logística, manufatura, marketing e finanças. A grande inovação trazida pelo sistema MRP II foi a possibilidade de gerenciar todos os recursos mate- riais da organização em um só sistema. z ERP (Enterprise Resource Planning) Com a evolução tecnológica da década de 1990, culmi- nou no surgimento dos sistemas ERP (Enterprise Resour- ce Planning), um sistema de gestão integrada no qual abrange todas as funções da organização, tornando-se uma poderosa ferramenta à gestão e à tomada de decisão referente aos recursos humanos, finanças, área comer- cial, gerenciamento de projetos e gestão de processos. Conforme Gonçalves (pág. 276), “O ERP é um sis- tema que obtém informações de todas as funções da empresa, monitorando materiais, compras, progra- mação de produção, estoque de produtos acabados e outras informações que tramitam na empresa como um todo”. (Gonçalves, 2007). O sistema ERP típico é estruturado em módulos, no qual permite sua implantação separadamente ou ain- da integrados com outros módulos, facilitando assim a sua integração com toda a estrutura organizacional. Esses módulos são basicamente, conforme Gonçalves: � Finanças: rastreiam as informações financeiras, tais como, receitas e custos das diversas áreas da empresa. � Logística: cobre diferentes funções logísticas como transporte, gerenciamento de estoques e gerenciamento de centros de distribuições. � Manufatura: rastreia o fluxo de produtos ao longo dos processos de manufatura, coorde- nando o que fazer, quando fazer e com que fazer. � Acompanhamento das ordens: monitora o ciclo de ordens, acompanhando o progresso da empresa para satisfazer os requisitos da demanda. � Recursos Humanos: apoio a todas as atividades relacionadas com recursos humanos. � Gerenciamento de Suprimento: monitora a performance dos fornecedores e ainda ras- treia as liberações de produtos por parte dos fornecedores. Finanças Acompanhamento das ordens Suprimentos ERP Recursos Humanos Logística Manufatura 412 São exemplos de sistema ERP: SAP-R/3, Oracle, Peo- pleSoft, Baan, que ao serem implantados permitem que as empresas façam uma reengenharia de seus processos, reduzindo atividades que não agregam valor. A grande crítica ao sistema ERP é em relação ao seu foco ser predominantemente no nível operacional, faltando assim uma maior capacidade analítica para auxiliar a tomada de decisão na fase do planejamento. Gonçalves nos ensina que: “Os sistemas ERP são excelentes para indicarem aos gerentes o que está acontecendo, mas não têm capacidade para assinalar o que poderá acontecer”. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Acerca da função da administração financeira hospitalar, julgue o próximo item. Na administração dos estoques just-in-time, se man- tém um estoque de segurança para que, na necessida- de do produto, o material já esteja disponível. ( ) CERTO ( ) ERRADO Just in Time é a produção na quantidade necessária, no momento necessário, para atender à variação de vendas com o mínimo de estoque (se possível, busca o estoque nulo). Os elementos principais do just in time, entre outros, são: ter somente o estoque neces- sário e melhorar a qualidade tendendo a zero defei- to. Resposta: Errado. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Julgue o item subsequen- te, a respeito da administração de recursos materiais. O setor de controle de estoques de materiais é respon- sável por definir que produtos devem ser mantidos em estoque, bem como a quantidade necessária e a perio- dicidade de reabastecimento de cada um deles. ( ) CERTO ( ) ERRADO Exatamente! É de responsabilidade do setor de esto- ques definir o que armazenar, a quantidade a arma- zenar e quando realizar o pedido. Resposta: Certo. COMPRAS MODALIDADES DE COMPRA, CADASTRO DE FORNECEDORES Conceitos Iniciais A função de compra é uma das atividades da gestão de materiais e tem por finalidade suprir as necessidades de materiais ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momento ade- quado com as quantidades corretas, verificar se rece- beu efetivamente o que foi comprado e providenciar armazenamento. Assim, inferimos, que uma aquisição é bem con- duzida quando obtém o equilíbrio entre os atributos da celeridade (rapidez), qualidade e preço econômico. Celebridade Qualidade Preço Econômico Fonte: elaborado pelo autor com base em Fenili. Conforme o mestre Gonçalves, para garantir que os materiais e serviços exigidos sejam fornecidos nas quantidades corretas, com qualidade e no tempo desejado é essencial a busca dos seguintes objetivos nos processos de compras: z Comprar de forma eficiente, maximizando o ganho da organização, dentro dos padrões éticos. z Garantir o suprimento dos materiais nos prazos e qualidade definidas. z Criar e desenvolver um cadastro de fornecedores. z Criar processos de aquisição, que sejam ágeis e que permitam um efetivo controle. PERFIL DO COMPRADOR Atualmente, com os inúmeros casos de corrupção, tanto na iniciativa privada quanto na esfera pública, a figura do comprador tornou-se central nos debates nas organizações. O comprador é o elemento humano das compras, responsável pelo contato com o ambiente externo, representando a imagem da organização. O atributo indispensável ao comprador é, sem sombra de dúvidas, sua postura ética, sempre respei- tando os valores da empresa. De acordo com Viana, “Ser bom negociador, ter ini- ciativa e capacidade de decisão, bem como objetividade e idoneidade, são as principais características do com- prador, as quais norteiam sua conduta profissional” (VIANA, 2009). Seguindo esse raciocínio, listamos no quadro abai- xo as posturas desejadas ao comprador em um pro- cesso de negociação: PERFIL DO COMPRADOR POSTURAS DESEJADAS z Priorizar os interesses da organização, sempre pautado nos valores éticos. z Atuar de forma transparente nas negociações. z Denunciar quaisquer irregularidades ou ilicitudes nas negociações. z Tratar os fornecedores com isonomia. z Buscar uma relação ganha-ganha com os fornecedores. z Cumprir com os termos da negociação. Fonte: elaborado pelo autor com base em Fenili. N O Ç Õ ES D E R EC U R SO S M AT ER IA IS 413 ESTRATÉGIAS DE AQUISIÇÃO A escolha correta da estratégia de compras podedar à organização uma grande vantagem competiti- va. A primeira análise na estrutura organizacional é a decisão entre produzir o máximo de itens interna- mente na organização (Verticalização) ou adquirir o máximo de itens de terceiros (Horizontalização). Horizontalização X Verticalização A organização pode decidir como estratégia de aquisição a produção interna da maioria dos mate- riais/produtos necessários para o processo produ- tivo (Verticalização), ou optar por adquirir mais de terceiros, em detrimento de fabricação própria (Horizontalização). A verticalização é a estratégia que prevê que a empresa produzirá internamente tudo o que puder, ou pelo menos tentará produzir. A horizontalização consiste na estratégia de com- prar de terceiros o máximo possível de itens que com- põem o produto final ou os serviços de que necessitam. A escolha em produzir internamente, ou em adquirir os materiais no mercado, é sempre da alta administração, considerando os custos e a estrutura da organização. Atualmente, as organizações têm grande preferên- cia pela estratégia da horizontalização, assim, pode- mos constatar que um dos setores de maior expansão é o de terceirização e parcerias. No quadro abaixo, listamos as vantagens e desvan- tagens dessas estratégias: HORIZONTALIZAÇÃO (COMPRAR DE TERCEIROS O MÁXIMO POSSÍVEL) VANTAGENS DESVANTAGENS z Redução de custos z Maior flexibilidade e eficiência z Incorporação de novas tecnologias z Foco no negócio prin- cipal da organização z Menor controle tecnológico z Deixa de auferir o lucro do fornecedor z Maior exposição VERTICALIZAÇÃO (PRODUZIR INTERNAMENTE O MÁXIMO POSSÍVEL) VANTAGENS DESVANTAGENS z Independência de terceiros z Maiores Lucros z Maior autonomia z Domínio sobre tecno- logia própria z Maior Investimento z Menor Flexibilidade (perda de foco) z Aumento da estrutura da empresa Fonte: Elaborado pelo autor com base em Martins & Alt. De um modo geral, não se terceiriza os processos fundamentais, ou também denominados “core pro- cess”, por questões de detenção tecnológica, qualida- de do produto e responsabilidade final sobre ele. Centralização X Descentralização Após a escolha entre produzir internamente ou adquirir de terceiros, é necessário definir a estrutura organizacional do setor de compras, assim, podendo ser centralizado ou descentralizado. Na estrutura centralizada, as compras são agrupa- das em um único órgão, permitindo assim uma maior coesão na política de compras. Quando a organização possui unidades adminis- trativas dispersas geograficamente, a centralização não é recomendável. Nesse caso, opta-se por uma estrutura descentralizada das aquisições entre as diversas unidades regionais. Esquematizando: Setor de Compras Descentralizado Centralizado Único órgão responsável pelas compras Compras são realizadas pelas unidades regionais Vantagens da Centralização: z Melhor controle por parte da direção; z Economia de escala (compras maiores); z Otimização e especialização de pessoal; z Evita a concorrência interna (entre os comprado- res regionais) e a disparidade de preços; z Homogeneidade da qualidade de materiais; z Melhoria na relação com fornecedores. Vantagens da Descentralização: z Maior autonomia funcional (unidades regionais); z Maior flexibilidade e sensibilidade na solução dos problemas; z Permite responder mais rapidamente às necessi- dades de compras emergenciais; z Maior conhecimento dos fornecedores locais. Na centralização, obtém-se um maior controle por parte da direção. Na descentralização, obtém-se uma maior agilida- de nos processos de aquisição. CICLO DE COMPRA Para fins didáticos, podemos dividir o ato de com- prar nas seguintes atividades: z Determinação do que, de quanto e de quando comprar. z Estudo dos fornecedores e suas capacidades técnicas. z Promoção da concorrência entre os fornecedores para decisão da proposta mais vantajosa. z Fechamento do Pedido (contrato). z Acompanhamento ativo entre o pedido e a entrega. z Encerramento do processo através do recebimento do material (controle da qualidade e quantidade). 414 Assim, de acordo com o autor Viana, podemos identificar a amplitude de uma compra conforme o ciclo abaixo: Pedido de compra Concorrência Julgamento Negociação Adjulgação do pedido Diligenciamento (Follow Up) Recebimento Processamento da compra Cadastro de fornecedores Portanto, o chamado ciclo de compras de uma orga- nização engloba todas as atividades que se estendem, desde o pedido de compra (proveniente dos diversos setores internos da organização) até o recebimento dos materiais e aprovação da fatura para pagamento ao fornecedor. MODALIDADES (TIPOS) DE COMPRAS Conforme a literatura especializada, é possível classificar uma determinada requisição de acordo com a sua necessidade ou forma de comprar. De acordo com a necessidade de entrega do item: z Compra normal: Procedimento adotado quando o prazo for compatível. Utiliza-se para obter as melhores condições do mercado e das técnicas de aquisição. É o cenário mais vantajoso, pois permi- te ao comprador o estabelecimento de condições ideais para a organização. z Compra em emergência: Acontece quando a necessidade de material é urgente, muitas vezes, devido a falha no planejamento ou por situações imprevistas. Neste caso, para a compra ser mais célere, ocorre a supressão de algumas das fases do ciclo de compras, o que torna a compra mais one- rosa para a empresa. DE ACORDO COM A NECESSIDADE DE ENTREGA DO ITEM Compra normal Compra em emergência Ocorre quando o prazo dis- ponível possibilita que o comprador execute todas as atividades necessárias. Ex.: A compra segue todos os trâmites pré-estabelecidos, sem nenhuma limitação de tempo (prazo de entrega) Ocorre quando a compra de material é urgente, nes- te caso, não há tempo para executar todas as etapas da aquisição. Ex.: Na falta de um item ma- terial, o setor de compras realiza a aquisição sem a devida pesquisa de merca- do (o que leva a compras desvantajosas). De acordo com a formalização das compras z Compras Formais: São as compras que exigem documentos que comprovem a tramitação de um processo. z Compras Informais: São as compras de peque- no valor, as quais dispensam maiores trâmites burocráticos. DE ACORDO COM A FORMALIZAÇÃO DAS COMPRAS Compras Formais Compras Informais São as aquisições de mate- riais em que é obrigatório a documentação do processo de compra. Ex.: Normalmente, são com- pras com valores pré-esta- belecidos na qual justifica a formalização de todo o processo (exigência de com- provação de pesquisa de mercado, negociação) São aquisições que não ne- cessitam de documentação de todo o processo. Ex.: Em regra, são as com- pras de pequeno valor. Como exemplo, podemos citar a compra de um pacote de café, ou seja, não necessi- tando de nenhum trâmite burocrático. De acordo com localização do fornecedor z Compra Local: O fornecedor é da mesma naciona- lidade do comprador. z Compra por importação: Fornecedor e compra- dor são de países distintos. DE ACORDO COM LOCALIZAÇÃO DO FORNECEDOR Compra local Compra por importação São as compras realizadas com fornecedores da mesma localidadedo comprrador. Ex.: Uma grande empresa de fabricação de móveis adquiri as fechaduras de uma em- presa localizada na mesma região. São as aquisições em que os compradores e fornecedores são de países distintos. Ex.: Aquisição de insumos para fabricação de remédios de uma farmacêutica Brasi- leira com um fornecedor lo- calizado na Índia. De acordo com o item comprado z Compra para investimento: São as aquisições de bens patrimoniais. z Compra para consumo: São as aquisições de materiais de consumo (matérias-primas, produtos intermediários e auxiliares). DE ACORDO COM O ITEM COMPRADO Compra para investimento Compras para consumo São as aquisições de bens e materiais que irão compor o ativoda organização. Nor- malmente, a vida útil do item é elevada. Ex.: Compras de máquinas, veículos. São as aquisições em que os itens materiais serão consumidos em curto ou médio prazo. Ex.: Matérias-primas, ma- terial de consumo, itens de escritório. De acordo com a recorrência da compra z Compras Diretas: São as compras realizadas usualmente pela empresa (rotineiras). z Compra Nova: São as compras inéditas, ou seja, realizadas pela primeira vez (em regra, são mais demoradas devido à pouca informação disponível no mercado). z Recompra Modificada: São as compras rotineiras, as quais sofrem alguma variação nos procedimentos.