Prévia do material em texto
N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 343 § 1º A lei que instituir o plano plurianual estabelece- rá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. Importante salientar, que apesar do caráter dire- tivo e estratégico do PPA, ele não tem por função a redução das desigualdades, sendo essa uma função reservada aos orçamentos fiscal e de investimentos, contemplados na Lei Orçamentária Anual. Veja os dis- postos no §5º e §7º do art. 165: [...] § 5º A lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da adminis- tração direta e indireta, inclusive fundações insti- tuídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; [...] § 7º Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste artigo, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desi- gualdades inter-regionais, segundo critério populacional. Destacamos na tabela abaixo, outros dispositivos relevantes relacionados ao PPA: DISPOSITIVO NA CF/88 CONTEÚDO Art. 166, caput PPA será apreciado pelas duas Casas do Congresso Nacional Art. 166, §1º, I Caberá a uma Comissão Mista Permanente de senadores e de- putados examinar e emitir pare- cer sobre o PPA Art. 166, §2º Emenda dos parlamentares re- lativas ao PPA serão apresenta- das na Comissão Mista Art. 166, §5º O Presidente da República po- derá enviar mensagem ao Con- gresso Nacional para propor modificação no PPA Art. 166, §6º e art.135, §2º, I da ADCT O projeto de lei do PPA será en- viado pelo Presidente da Repú- blica ao Congresso Nacional até quatro meses antes do encerra- mento do exercício financeiro. Art. 166, §7º Aplica-se ao PPA, no que não contrariar o disposto nessa se- ção, as demais normas do pro- cesso legislativo. Art. 167, §1º Nenhum investimento cuja exe- cução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no Plano Plurianual, o sem lei que autori- ze a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade. 1. STF,ADI 2.238-MC ORÇAMENTO ANUAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E ESTRUTURA PROGRAMÁTICA Em outros capítulos você estudou conteúdos importantes relacionados à administração financeira e orçamentária, como princípios orçamentários, ciclo orçamentários e técnicas orçamentárias. Vimos tam- bém, que a disciplina se encontra dispersa em alguns normativos, dentre os quais destacamos a Lei 4.320/64 e a Lei Complementar 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal), além da Constituição. Neste capítulo, veremos com maiores detalhes os dispositivos constitucionais, analisando-os de forma detalhada e comentada. Dispositivos constitucionais e administração financeira e orçamentária Destacamos na tabela abaixo os artigos da Cons- tituição Federal que serão tratados ao longo deste capítulo: DISPOSITIVO NA CF/88 CONTEÚDO Art. 163 e 164 Normas Gerais Art. 165 Leis dos orçamentos (PPA, LDO, LOA) Art. 166 Ciclo orçamentário Art. 167 Vedações constitucionais Art. 168 Duodécimos Art. 169 Limites para despesas de pessoal Art. 163 Lei complementar disporá sobre: I - finanças públicas; II - dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades controla- das pelo Poder Público; III - concessão de garantias pelas entidades públicas; IV - emissão e resgate de títulos da dívida pública; V - fiscalização financeira da administração públi- ca direta e indireta; VI - operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Fede- ral e dos Municípios; VII - compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas as carac- terísticas e condições operacionais plenas das vol- tadas ao desenvolvimento regional. ARTS. 163 E 164 – DAS FINANÇAS PÚBLICAS: NORMAS GERAIS Antes de falarmos especificamente da PPA, LDO e LOA, cabe analisarmos os artigos que abrem o capítu- lo das Finanças Públicas na Constituição, destacando os pontos relevantes para o seu concurso. Segundo o art. 163, as matérias elencadas nos incisos I a VII são reservadas à Lei Complementar. Segundo o Supremo Tribunal Federal – STF, tais matérias não precisam figurar em um único diploma legal, podendo ser vei- culadas de forma fragmentada no nosso ordenamento jurídico1. A reserva de Lei Complementar é apresenta- da também nos § 9º do art. 165: 344 [...] § 9º Cabe à lei complementar: I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual; II - estabelecer normas de gestão financeira e patri- monial da administração direta e indireta bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos. III - dispor sobre critérios para a execução equita- tiva, além de procedimentos que serão adotados quando houver impedimentos legais e técnicos, cumprimento de restos a pagar e limitação das pro- gramações de caráter obrigatório, para a realiza- ção do disposto nos §§ 11 e 12 do art. 166. Art. 163-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disponibilizarão suas informações e dados contábeis, orçamentários e fiscais, conforme periodicidade, formato e sistema estabelecidos pelo órgão central de contabilidade da União, de forma a garantir a rastreabilidade, a comparabili- dade e a publicidade dos dados coletados, os quais deverão ser divulgados em meio eletrônico de amplo acesso público. O art. 163-A foi introduzido recentemente pela Emenda Constitucional nº 108 de 2020. Note que o dispositivo tem estrita relação com o princípio orça- mentário da publicidade e da transparência. Dessa forma, questões relacionando o artigo a esses princí- pios, e a mitigação da publicidade e transparência dos atos públicos (quando se tratar de informação estraté- gia, afeto à segurança nacional, por exemplo) poderão ser explorados em seu exame. Art. 164 A competência da União para emitir moe- da será exercida exclusivamente pelo banco central. § 1º É vedado ao banco central conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacio- nal e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira. § 2º O banco central poderá comprar e vender títu- los de emissão do Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros. § 3º As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco central; as dos Esta- dos, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empre- sas por ele controladas, em instituições financei- ras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei. Em relação ao art. 164, destacamos à vedação do banco central na concessão de empréstimo e sua pre- visão constitucional de vender títulos de emissão do Tesouro Nacional. O § 3º merece destaque, pois pode ser cobrado no exame. Trata das instituições autori- zadas para receber o dinheiro dos entes da federação. No caso da União, o banco central. Os demais entes realizarão o depósito das disponibilidades nas insti- tuições financeiras oficiais. Trataremos em seguida o art. 165, situado na seção II – dos orçamentos. Trata-se de um artigo longo, com diversos parágrafos e inciso, de modo que faremos a sua análise em partes. Art. 165 Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I - o plano plurianual; II - as diretrizes orçamentárias; III - os orçamentos anuais. § 1º A lei que instituir o plano plurianual esta- belecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duraçãocontinuada. § 2º A lei de diretrizes orçamentárias compreen- derá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, dis- porá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. § 3º O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relató- rio resumido da execução orçamentária. § 4º Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão ela- borados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional. PPA – Plano plurianual e a LDO – Lei de diretrizes orçamentárias Inicialmente, destaca-se que o PPA e a LDO são inovações trazidas pela Carta de 1988, em substituição aos antigos orçamentos plurianuais de investimen- tos. A PPA, LDO e LOA são leis de iniciativa do Poder Executivo. Ou seja, na União a responsabilidade é do Presidente da República e é indelegável (nos estados e municípios a responsabilidade será respectivamente dos governadores e prefeitos). Concernente à definição de PPA e LDO, costu- ma ser cobrado de forma literal nos certames. Vale compreendermos bem esse ponto. O PPA e a LDO se diferenciam pela função que desempenham no ciclo orçamentário. Podemos dizer que o PPA é um instru- mento de médio prazo, pois estabelece o planejamen- to da administração em um horizonte de quatro anos. Já a LDO fará a “ponte” entre o planejamento de médio prazo da administração e a Lei Orçamentária – LOA. (orientará a elaboração da lei orçamentária anual). Enquanto o PPA estabelecerá as Diretrizes, Obje- tivos e Metas (DOM) a LDO compreenderá as Metas e Prioridades da administração. Então: PPA → DOM LDO → MP Notar também que: programas de duração con- tinuada constam no PPA (pois o PPA tratará de um plano com duração de quatro anos) e alterações na legislação tributária e a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento constam na LDO. Ainda sobre a relação entre PPA, LDO e LOA, podemos dizer que o PPA estabelece as ações de gover- no no nível estratégico e a LOA responde colocando-as em prática no nível operacional anualmente. O § 3º dispõe sobre a obrigatoriedade do Poder Executivo em divulgar o RREO - relatório resumido de execução orçamentária 30 dias após o encerramento de cada bimestre, consagrando novamente o princí- pio da transparência e publicidade, além de reforçar a etapa de monitoramento e avaliação do orçamento dentro do ciclo orçamentário. Fechamos esta parte com o § 4º onde destacamos que a apreciação será feita pelo Congresso Nacional nos termos da Constituição. Atenção, pois não se trata do Senado Federal ou da Câmara de Deputados, mas do Congresso Nacional. N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 345 LOA – Lei Orçamentária Anual Vamos avançar com os demais dispositivos do art. 165: § 5º A lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da adminis- tração direta e indireta, inclusive fundações insti- tuídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social, abrangen- do todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. § 6º O projeto de lei orçamentária será acompa- nhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. § 7º Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste arti- go, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desigualdades inter-regionais, segundo critério populacional. § 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplemen- tares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei. Estes parágrafos tratam do conteúdo da Lei Orça- mentária – LOA, algumas regras e restrições que a LOA deve observar. Não se assustem, pois o texto só parece difícil. Primeiramente, veja que a LOA é com- posta por três orçamentos: o fiscal, de investimento e da seguridade social: Orçamento Fiscal LOA Orçamento de Investimento Orçamento da Seguridade Social O fato de a LOA ser composta por três orçamen- tos distintos não confronta o princípio da unidade, o qual determina que o orçamento deve ser uno, ou seja, representado por uma única peça orçamentária. Na realidade, a divisão entre esses três orçamentos está em consonância com o princípio, servindo ape- nas como uma referência para classificação do gasto na administração pública. O § 6º dispõe que caso o orçamento tenha previs- to algum tipo de “redução” do potencial de receita por conta de isenções fiscais, benefícios concedidos, remis- sões, entre outros, deverá acompanhar um demonstra- tivo dos efeitos nas despesas e receitas do ente. A ideia imprimida neste parágrafo é o seguinte: “se você está prevendo uma queda de arrecadação por conta de algum benefício que estima conceder, você deve apresentar os efeitos que esse benefício trará no orçamento”. O § 7º trata dos orçamentos fiscal e de investimen- to da LOA, que em conjunto com o PPA possuem o papel de reduzir as desigualdades inter-regionais. Por fim, o § 8º apresenta uma importante vedação cons- titucional, relacionado ao princípio orçamentário da Exclusividade. O dispositivo impede que o legislador inclua na lei orçamentária matérias não relacionadas ao tema orçamentário, mais especificamente disposi- tivos que não sejam relativos à previsão da receita e fixação de despesas. Trata-se de uma previsão impor- tante para evitar as “caudas orçamentárias”, temas alheios à matéria da LOA que pegariam “carona” na tramitação célere da LOA. Veja que a vedação não é absoluta: o próprio § 8º prevê que a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipa- ção de receita podem ser incluídas na LOA. É uma exceção ao princípio da exclusividade. Os dispositivos que trataremos a seguir merecem atenção, pois foram introduzidos recentemente pela Emenda Constitucional nº 102/19. § 10 A administração tem o dever de executar as programações orçamentárias, adotando os meios e as medidas necessários, com o propósito de garan- tir a efetiva entrega de bens e serviços à sociedade. § 11 O disposto no § 10 deste artigo, nos termos da lei de diretrizes orçamentárias: I - subordina-se ao cumprimento de dispositivos constitucionais e legais que estabeleçam metas fis- cais ou limites de despesas e não impede o cancela- mento necessário à abertura de créditos adicionais; II - não se aplica nos casos de impedimentos de ordem técnica devidamente justificados; III - aplica-se exclusivamente às despesas primá- rias discricionárias. § 12 Integrará a lei de diretrizes orçamentárias, para o exercício a que se refere e, pelo menos, para os 2 (dois) exercícios subsequentes, anexo com pre- visão de agregados fiscais e a proporção dos recur- sos para investimentos que serão alocados na lei orçamentária anual para a continuidade daqueles em andamento. § 13 O disposto no inciso III do § 9º e nos §§ 10, 11 e 12 deste artigo aplica-se exclusivamente aos orçamentos fiscal e da seguridade social da União. § 14 A lei orçamentária anual poderá conter pre- visões de despesas para exercícios seguintes, com a especificação dos investimentos plurianuais edaqueles em andamento. § 15 A União organizará e manterá registro cen- tralizado de projetos de investimento contendo, por Estado ou Distrito Federal, pelo menos, análises de viabilidade, estimativas de custos e informações sobre a execução física e financeira. Incialmente, observe que temos disposições aplicá- veis à LDO e à LOA. No que tange à LDO, o § 12 prevê a inclusão do anexo com previsão de agregados fiscais e proporção dos recursos para investimentos. Ademais, a redação do § 10 reforça o dever da administração pública para execução das programações orçamen- tárias, mas ratificando a observância aos limites de despesas e metas fiscais determinados em lei, não se aplicando nos casos de impedimento de ordem técni- ca justificados e aplicado exclusivamente às despe- sas primárias discricionárias. Em relação à LOA, originalmente fixa a despesa para o exercício a que se refere, mas o § 14 traz uma 346 inovação referente à possibilidade de conter previ- sões de despesas para exercícios seguintes, espe- cificando os investimentos plurianuais e aqueles em andamento. Art. 166 - Processo legislativo orçamentário A seguir, vamos adentrar aos dispositivos do art. 166, que tratarão do ciclo orçamentário. Art. 166 Os projetos de lei relativos ao plano plu- rianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum. § 1º Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados: I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas apresenta- das anualmente pelo Presidente da República; II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais pre- vistos nesta Constituição e exercer o acompanha- mento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58. § 2º As emendas serão apresentadas na Comissão mista, que sobre elas emitirá parecer, e aprecia- das, na forma regimental, pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional. § 3º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso: I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias; II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre: a) dotações para pessoal e seus encargos; b) serviço da dívida; c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou III - sejam relacionadas: a) com a correção de erros ou omissões; ou b) com os dispositivos do texto do projeto de lei § 4º As emendas ao projeto de lei de diretrizes orça- mentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual. Os principais pontos dos trechos apresentados aci- ma se referem ao seguinte exame do PPA, LDO e LOA, que serão apreciados pelas duas casas do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal). O exame e parecer sobre as peças orçamentárias, os pla- nos e programas serão de responsabilidade de uma Comissão Mista. Outro ponto se refere às emendas. Emendas são utilizadas para modificar os itens dos projetos de lei, para que necessidades ou compromissos políticos sejam atendidos. A discussão, apreciação e aprovação dessas emendas devem seguir as regras dispostas nes- se artigo. Dessa forma as emendas são apresentadas na Comissão Mista e apreciadas no Plenário das duas casas do Congresso Nacional. Ademais, as emendas somente poderão ser aprova- das se forem compatíveis com o PPA e LDO e tenham os recursos necessários indicados. Esses recursos devem ter origem da anulação de despesa (exceto anulação de despesas de pessoal e encargos, serviços da dívida e transferências tributá- rias para outros entes da federação). O fundamento desta regra está no seguinte: emendas não podem ser financiadas por despesas essenciais para a adequada operação do aparato administrativo (despesa com pes- soal), tampouco financiadas por recursos que possam comprometer o funcionamento de entes, que muitas vezes dependem dos repasses tributários para equili- brar o seu orçamento (transferências tributárias). Por fim, emendas podem ser aprovadas para correção de erros e omissões na peça orçamentária. Emendas Indicar recursos necessários (de anulação de des- pesa, exceto): Compatibilidade com PPA e LDO Correção de Erros ou Omissões Pessoal e encargos Serviço da dívida Transferências tributárias constitucionais Art. 166-A As emendas individuais impositivas apresentadas ao projeto de lei orçamentária anual poderão alocar recursos a Estados, ao Distrito Federal e a Municípios por meio de: I - transferência especial; ou II - transferência com finalidade definida. § 1º Os recursos transferidos na forma do caput deste artigo não integrarão a receita do Esta- do, do Distrito Federal e dos Municípios para fins de repartição e para o cálculo dos limites da despesa com pessoal ativo e inativo, nos ter- mos do § 16 do art. 166, e de endividamento do ente federado, vedada, em qualquer caso, a aplicação dos recursos a que se refere o caput deste artigo no pagamento de: I - despesas com pessoal e encargos sociais relati- vas a ativos e inativos, e com pensionistas; e II - encargos referentes ao serviço da dívida. § 2º Na transferência especial a que se refere o inciso I do caput deste artigo, os recursos: I - serão repassados diretamente ao ente federado beneficiado, independentemente de celebração de convênio ou de instrumento congênere; II - pertencerão ao ente federado no ato da efetiva transferência financeira; e III - serão aplicadas em programações finalísticas das áreas de competência do Poder Executivo do ente federado beneficiado, observado o disposto no § 5º deste artigo § 3º O ente federado beneficiado da transferência especial a que se refere o inciso I do caput deste artigo poderá firmar contratos de cooperação técnica para fins de subsidiar o acompanhamen- to da execução orçamentária na aplicação dos recursos. § 4º Na transferência com finalidade definida a que se refere o inciso II do caput deste artigo, os recursos serão: I - vinculados à programação estabelecida na emenda parlamentar; e II - aplicados nas áreas de competência constitu- cional da União.