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N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 341 Caso os prazos acima não sejam respeitados (por exemplo, por uma omissão do Poder Executivo em enviar a proposta orçamentária), o Poder Legislativo considerará como proposta a Lei de Orçamento vigen- te, conforme disposto no art.32 da Lei 4.320/64: Art. 32 Se não receber a proposta orçamentária no prazo fixado nas Constituições ou nas Leis Orgâni- cas dos Municípios, o Poder Legislativo considera- rá como proposta a Lei de Orçamento vigente. Discussão e aprovação A fase de discussão e aprovação tem início com o recebimento das peças orçamentárias pelo Congresso Nacional. Os projetos de PPA, LDO e LOA são examina- dos por uma Comissão Mista, que é responsável pela emissão de parecer sobre os projetos e as contas apre- sentadas pelo Presidente da República. Art. 166 Os projetos de lei relativos ao plano plu- rianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum. § 1º Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados: I - examinar e emitir parecer sobre os projetos refe- ridos neste artigo e sobre as contas apresentadas anualmente pelo Presidente da República; II - examinar e emitir parecer sobre os planos e pro- gramas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atua- ção das demais comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58. Outro processo importante nesta etapa de apro- vação e discussão do orçamento (e que rende muitas negociações!) envolve a apresentação de emendas. As emendas são utilizadas para modificar os itens dos projetos de lei, para que necessidades ou compro- missos políticos sejam atendidos. Em outras palavras, neste processo os parlamentares brigam para alocar os recursos aos projetos de seus interesses. Há, con- tudo, regras para a aprovação de tais emendas. Essas regras estão dispostas no art.166, §3º: § 3º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso: I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias; II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre: a) dotações para pessoal e seus encargos; b) serviço da dívida; c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou III - sejam relacionadas: a) com a correção de erros ou omissões; ou b) com os dispositivos do texto do projeto de lei. § 4º As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual. Em resumo: as emendas só poderão ser aprovadas se compatíveis com o PPA e LDO, se os recursos des- tinados às emendas sejam devidamente indicados e sejam oriundos da anulação de despesas, desde que a anulação não tenha sido sobre despesas com pessoal e encargos, dívida e transferências tributárias. Outra hipótese é a aprovação de emendas no caso de erros, omissões das peças orçamentárias. O Presidente da República poderá também propor modificações nos projetos de lei por meio das men- sagens. As mensagens poderão ser submetidas ao Congresso Nacional antes do início da votação na comissão mista, da parte cuja alteração é proposta. Além das vedações às emendas já apresentadas, destacamos outras hipóteses previstos na art. 33 da Lei 4.320/64 Art. 33 Não se admitirão emendas ao projeto de Lei de Orçamento que visem a: a) alterar a dotação solicitada para despesa de cus- teio, salvo quando provada, nesse ponto a inexati- dão da proposta; b) conceder dotação para o início de obra cujo pro- jeto não esteja aprovado pelos órgãos competentes; c) conceder dotação para instalação ou funcio- namento de serviço que não esteja anteriormente criado; d) conceder dotação superior aos quantitativos previamente fixados em resolução do Poder Legis- lativo para concessão de auxílios e subvenções. Findo o processo de discussão, os projetos são apreciados pelo Plenário do Congresso Nacional. Caso alcance o quórum de maioria simples em cada uma das casas do Poder Legislativo (Câmara dos Deputa- dos e Senado Federal), são encaminhados ao Presiden- te da República para sanção ou veto. Execução orçamentária Orçamento aprovado, passa-se para a etapa de execução. De pronto, destacamos o art. 8º da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/00): Art. 8º Até trinta dias após a publicação dos orça- mentos, nos termos em que dispuser a lei de diretri- zes orçamentárias e observado o disposto na alínea c do inciso I do art. 4o, o Poder Executivo estabele- cerá a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso. Caberá ao Poder Executivo publicar a programa- ção financeira e o cronograma de desembolso dos recursos em até 30 (trinta) dias após a aprovação da LOA. Além disso, a LRF é cuidadosa em estabelecer mecanismo de cumprimento da execução orçamentá- ria, como a necessidade de apresentação das metas de arrecadação dos recursos orçamentários. Veja o que diz o art. 13 da LRF: Art. 13 No prazo previsto no art. 8o, as receitas pre- vistas serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em metas bimestrais de arrecadação, com a especifica- ção, em separado, quando cabível, das medidas de combate à evasão e à sonegação, da quantidade e valores de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa, bem como da evolução do montante dos crédi- tos tributários passíveis de cobrança administrativa. Acompanhamento da execução orçamentária Por fim, os processos de avaliação e controle têm como finalidade acompanhar o cumprimento das metas e objetivos estabelecidos nas peças orçamentárias. 342 Nesse sentido, a Administração Pública deverá implementar as medidas de controle e as estruturas de controle interno necessárias para a avaliação da legalidade dos atos, correta aplicação dos recursos orçamentários e cumprimento do programa de tra- balho. O tema de avaliação e controle orçamentário é denso, cabendo seções exclusivas para tratar de seu conteúdo, abrangência, aspectos constitucionais, entre outros. Para fins de compreensão do ciclo orça- mentário, destaca-se a importância de compreender a avaliação e controle como fornecedora de informa- ções para “retroalimentar” o ciclo orçamentário. O ORÇAMENTO PÚBLICO NO BRASIL O estudo do orçamento público é ancestral, e o orça- mento na administração pública é um dos mais antigos instrumentos de planejamento e controle na humani- dade. No caso brasileiro, as normas regrando o orça- mento público acompanharam a evolução legislativa brasileira, de modo que podemos encontrar traços des- se tema nas diversas Constituições da nossa história. Faremos a seguir uma breve retrospectiva histórica. A Constituição de 1824 do Brasil Imperial é con- siderada pioneira por prever a elaboração formal do orçamento pela administração. Havia a figura do “orçamento misto”, em decorrência da interação entre o Poder Executivo, responsável pela elaboração, e o Poder Legislativo, pela sua aprovação. Na Consti- tuição de 1891 o Poder Legislativo passa a ter maior protagonismo no processo orçamentário, elaborando e aprovando o orçamento. A Constituição de 1934 resgata o “orçamento misto” com o reestabelecimento do rito de elaboração da pro- posta pelo Poder Executivo e a aprovação pelo Legislati- vo. Ocorre que a Constituição de 1937 retrocede neste ponto, pois apesar de legalmente termos a previsão do envolvimento do Legislativo e Executivo na peça orça- mentária, na prática o orçamento passou a ser elabora- do e decretado pelo próprio Poder Executivo. Com a Constituição de 1946 e o processo de rede- mocratização do país, retoma-se o processo misto. Destaca-se, ainda, que, na Carta de1946, alguns prin- cípios da legislação atual, como os princípios da uni- dade, universalidade e exclusividade, que veremos adiante, são introduzidos no ordenamento pátrio e as funções do Tribunal de Contas se tornam mais eviden- tes. Em seguida, a Constituição de 1967 (no período do regime militar) mantém o orçamento misto, contu- do considerava-se que a participação do Poder Legis- lativo ocorria somente no plano teórico, pois pelo arranjo institucional era praticamente impossível o parlamento propor emendas à peça orçamentária. Por fim, a Constituição de 1988, vigente, conserva o orçamento misto e devolve a prerrogativa da pro- posição de emendas ao projeto de lei orçamentária pelo Poder Legislativo. Ademais, a carta de 1988 inova introduzindo o conjunto de instrumentos de planeja- mento, composto pelo PPA – Plano Plurianual; a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO e os Planos e Progra- mas Nacionais, Regionais e Setoriais de orçamentos. Art. 165 Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I - o plano plurianual; II - as diretrizes orçamentárias; III - os orçamentos anuais. Outras normas infraconstitucionais são de extre- ma relevância para o estudo do orçamento no Brasil. Tratam-se da Lei nº 4.320 de 17 de março de 1964 e da Lei Complementar nº 101 de 4 de maio de 2000, a cha- mada “Lei de Responsabilidade Fiscal” (LRF). A primeira, em vigor até os dias atuais, represen- tou um marco histórico e se tornou o principal nortea- dor dos processos orçamentários de todos os órgãos da Administração. Já a LRF trouxe importantes inova- ções no que tange às novas formas de responsabiliza- ção dos gestores públicos, regras e limites para gastos com pessoal, criação de despesas de duração conti- nuada entre outras inovações. PLANO PLURIANUAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Diretrizes Orçamentárias na Constituição Federal O PPA é uma inovação trazida pela Constituição de 1988. Trata-se do planejamento estratégico de médio prazo da administração pública e tem por finalida- de estabelecer e informar de forma regionalizada as Diretrizes, Objetivos e Metas (DOM) da adminis- tração. Importante destacar qual o significado desses conceitos: z Diretrizes: normas e orientações de caráter geral e estratégico para o Governo; z Objetivos: o que deve ser feito, concretizado, durante o período do PPA, em linha com as dire- trizes traçadas; z Metas: alcance do objetivo, de natureza quantita- tiva ou qualitativa Podemos representar o DOM como o triângulo da figura abaixo: as diretrizes sendo apresentadas de for- ma ampla, abrangente, de caráter geral, seguido dos objetivos que especificarão as diretrizes em um nível de concretude maior. As metas traduzem os alcances dos objetivos de forma mais específica, apresentando medidas, indicadores e referências. Trazendo para o mundo das empresas privadas, podemos nos arriscar em dizer que o PPA é semelhante ao planejamento estratégico das organizações, guiando todas as ações no horizonte do médio prazo. O PPA está previsto na Constituição Federal conforme abaixo: Art. 165 Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I - o plano plurianual; [...] N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 343 § 1º A lei que instituir o plano plurianual estabelece- rá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. Importante salientar, que apesar do caráter dire- tivo e estratégico do PPA, ele não tem por função a redução das desigualdades, sendo essa uma função reservada aos orçamentos fiscal e de investimentos, contemplados na Lei Orçamentária Anual. Veja os dis- postos no §5º e §7º do art. 165: [...] § 5º A lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da adminis- tração direta e indireta, inclusive fundações insti- tuídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; [...] § 7º Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste artigo, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desi- gualdades inter-regionais, segundo critério populacional. Destacamos na tabela abaixo, outros dispositivos relevantes relacionados ao PPA: DISPOSITIVO NA CF/88 CONTEÚDO Art. 166, caput PPA será apreciado pelas duas Casas do Congresso Nacional Art. 166, §1º, I Caberá a uma Comissão Mista Permanente de senadores e de- putados examinar e emitir pare- cer sobre o PPA Art. 166, §2º Emenda dos parlamentares re- lativas ao PPA serão apresenta- das na Comissão Mista Art. 166, §5º O Presidente da República po- derá enviar mensagem ao Con- gresso Nacional para propor modificação no PPA Art. 166, §6º e art.135, §2º, I da ADCT O projeto de lei do PPA será en- viado pelo Presidente da Repú- blica ao Congresso Nacional até quatro meses antes do encerra- mento do exercício financeiro. Art. 166, §7º Aplica-se ao PPA, no que não contrariar o disposto nessa se- ção, as demais normas do pro- cesso legislativo. Art. 167, §1º Nenhum investimento cuja exe- cução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no Plano Plurianual, o sem lei que autori- ze a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade. 1. STF,ADI 2.238-MC ORÇAMENTO ANUAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E ESTRUTURA PROGRAMÁTICA Em outros capítulos você estudou conteúdos importantes relacionados à administração financeira e orçamentária, como princípios orçamentários, ciclo orçamentários e técnicas orçamentárias. Vimos tam- bém, que a disciplina se encontra dispersa em alguns normativos, dentre os quais destacamos a Lei 4.320/64 e a Lei Complementar 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal), além da Constituição. Neste capítulo, veremos com maiores detalhes os dispositivos constitucionais, analisando-os de forma detalhada e comentada. Dispositivos constitucionais e administração financeira e orçamentária Destacamos na tabela abaixo os artigos da Cons- tituição Federal que serão tratados ao longo deste capítulo: DISPOSITIVO NA CF/88 CONTEÚDO Art. 163 e 164 Normas Gerais Art. 165 Leis dos orçamentos (PPA, LDO, LOA) Art. 166 Ciclo orçamentário Art. 167 Vedações constitucionais Art. 168 Duodécimos Art. 169 Limites para despesas de pessoal Art. 163 Lei complementar disporá sobre: I - finanças públicas; II - dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades controla- das pelo Poder Público; III - concessão de garantias pelas entidades públicas; IV - emissão e resgate de títulos da dívida pública; V - fiscalização financeira da administração públi- ca direta e indireta; VI - operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Fede- ral e dos Municípios; VII - compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas as carac- terísticas e condições operacionais plenas das vol- tadas ao desenvolvimento regional. ARTS. 163 E 164 – DAS FINANÇAS PÚBLICAS: NORMAS GERAIS Antes de falarmos especificamente da PPA, LDO e LOA, cabe analisarmos os artigos que abrem o capítu- lo das Finanças Públicas na Constituição, destacando os pontos relevantes para o seu concurso. Segundo o art. 163, as matérias elencadas nos incisos I a VII são reservadas à Lei Complementar. Segundo o Supremo Tribunal Federal – STF, tais matérias não precisam figurar em um único diploma legal, podendo ser vei- culadas de forma fragmentada no nosso ordenamento jurídico1. A reserva de Lei Complementar é apresenta- da também nos § 9º do art. 165: 344 [...] § 9º Cabe à lei complementar: I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual,da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual; II - estabelecer normas de gestão financeira e patri- monial da administração direta e indireta bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos. III - dispor sobre critérios para a execução equita- tiva, além de procedimentos que serão adotados quando houver impedimentos legais e técnicos, cumprimento de restos a pagar e limitação das pro- gramações de caráter obrigatório, para a realiza- ção do disposto nos §§ 11 e 12 do art. 166. Art. 163-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disponibilizarão suas informações e dados contábeis, orçamentários e fiscais, conforme periodicidade, formato e sistema estabelecidos pelo órgão central de contabilidade da União, de forma a garantir a rastreabilidade, a comparabili- dade e a publicidade dos dados coletados, os quais deverão ser divulgados em meio eletrônico de amplo acesso público. O art. 163-A foi introduzido recentemente pela Emenda Constitucional nº 108 de 2020. Note que o dispositivo tem estrita relação com o princípio orça- mentário da publicidade e da transparência. Dessa forma, questões relacionando o artigo a esses princí- pios, e a mitigação da publicidade e transparência dos atos públicos (quando se tratar de informação estraté- gia, afeto à segurança nacional, por exemplo) poderão ser explorados em seu exame. Art. 164 A competência da União para emitir moe- da será exercida exclusivamente pelo banco central. § 1º É vedado ao banco central conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacio- nal e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira. § 2º O banco central poderá comprar e vender títu- los de emissão do Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros. § 3º As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco central; as dos Esta- dos, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empre- sas por ele controladas, em instituições financei- ras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei. Em relação ao art. 164, destacamos à vedação do banco central na concessão de empréstimo e sua pre- visão constitucional de vender títulos de emissão do Tesouro Nacional. O § 3º merece destaque, pois pode ser cobrado no exame. Trata das instituições autori- zadas para receber o dinheiro dos entes da federação. No caso da União, o banco central. Os demais entes realizarão o depósito das disponibilidades nas insti- tuições financeiras oficiais. Trataremos em seguida o art. 165, situado na seção II – dos orçamentos. Trata-se de um artigo longo, com diversos parágrafos e inciso, de modo que faremos a sua análise em partes. Art. 165 Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I - o plano plurianual; II - as diretrizes orçamentárias; III - os orçamentos anuais. § 1º A lei que instituir o plano plurianual esta- belecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. § 2º A lei de diretrizes orçamentárias compreen- derá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, dis- porá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. § 3º O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relató- rio resumido da execução orçamentária. § 4º Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão ela- borados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional. PPA – Plano plurianual e a LDO – Lei de diretrizes orçamentárias Inicialmente, destaca-se que o PPA e a LDO são inovações trazidas pela Carta de 1988, em substituição aos antigos orçamentos plurianuais de investimen- tos. A PPA, LDO e LOA são leis de iniciativa do Poder Executivo. Ou seja, na União a responsabilidade é do Presidente da República e é indelegável (nos estados e municípios a responsabilidade será respectivamente dos governadores e prefeitos). Concernente à definição de PPA e LDO, costu- ma ser cobrado de forma literal nos certames. Vale compreendermos bem esse ponto. O PPA e a LDO se diferenciam pela função que desempenham no ciclo orçamentário. Podemos dizer que o PPA é um instru- mento de médio prazo, pois estabelece o planejamen- to da administração em um horizonte de quatro anos. Já a LDO fará a “ponte” entre o planejamento de médio prazo da administração e a Lei Orçamentária – LOA. (orientará a elaboração da lei orçamentária anual). Enquanto o PPA estabelecerá as Diretrizes, Obje- tivos e Metas (DOM) a LDO compreenderá as Metas e Prioridades da administração. Então: PPA → DOM LDO → MP Notar também que: programas de duração con- tinuada constam no PPA (pois o PPA tratará de um plano com duração de quatro anos) e alterações na legislação tributária e a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento constam na LDO. Ainda sobre a relação entre PPA, LDO e LOA, podemos dizer que o PPA estabelece as ações de gover- no no nível estratégico e a LOA responde colocando-as em prática no nível operacional anualmente. O § 3º dispõe sobre a obrigatoriedade do Poder Executivo em divulgar o RREO - relatório resumido de execução orçamentária 30 dias após o encerramento de cada bimestre, consagrando novamente o princí- pio da transparência e publicidade, além de reforçar a etapa de monitoramento e avaliação do orçamento dentro do ciclo orçamentário. Fechamos esta parte com o § 4º onde destacamos que a apreciação será feita pelo Congresso Nacional nos termos da Constituição. Atenção, pois não se trata do Senado Federal ou da Câmara de Deputados, mas do Congresso Nacional.