Prévia do material em texto
N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 345 LOA – Lei Orçamentária Anual Vamos avançar com os demais dispositivos do art. 165: § 5º A lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da adminis- tração direta e indireta, inclusive fundações insti- tuídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social, abrangen- do todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. § 6º O projeto de lei orçamentária será acompa- nhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. § 7º Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste arti- go, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desigualdades inter-regionais, segundo critério populacional. § 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplemen- tares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei. Estes parágrafos tratam do conteúdo da Lei Orça- mentária – LOA, algumas regras e restrições que a LOA deve observar. Não se assustem, pois o texto só parece difícil. Primeiramente, veja que a LOA é com- posta por três orçamentos: o fiscal, de investimento e da seguridade social: Orçamento Fiscal LOA Orçamento de Investimento Orçamento da Seguridade Social O fato de a LOA ser composta por três orçamen- tos distintos não confronta o princípio da unidade, o qual determina que o orçamento deve ser uno, ou seja, representado por uma única peça orçamentária. Na realidade, a divisão entre esses três orçamentos está em consonância com o princípio, servindo ape- nas como uma referência para classificação do gasto na administração pública. O § 6º dispõe que caso o orçamento tenha previs- to algum tipo de “redução” do potencial de receita por conta de isenções fiscais, benefícios concedidos, remis- sões, entre outros, deverá acompanhar um demonstra- tivo dos efeitos nas despesas e receitas do ente. A ideia imprimida neste parágrafo é o seguinte: “se você está prevendo uma queda de arrecadação por conta de algum benefício que estima conceder, você deve apresentar os efeitos que esse benefício trará no orçamento”. O § 7º trata dos orçamentos fiscal e de investimen- to da LOA, que em conjunto com o PPA possuem o papel de reduzir as desigualdades inter-regionais. Por fim, o § 8º apresenta uma importante vedação cons- titucional, relacionado ao princípio orçamentário da Exclusividade. O dispositivo impede que o legislador inclua na lei orçamentária matérias não relacionadas ao tema orçamentário, mais especificamente disposi- tivos que não sejam relativos à previsão da receita e fixação de despesas. Trata-se de uma previsão impor- tante para evitar as “caudas orçamentárias”, temas alheios à matéria da LOA que pegariam “carona” na tramitação célere da LOA. Veja que a vedação não é absoluta: o próprio § 8º prevê que a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipa- ção de receita podem ser incluídas na LOA. É uma exceção ao princípio da exclusividade. Os dispositivos que trataremos a seguir merecem atenção, pois foram introduzidos recentemente pela Emenda Constitucional nº 102/19. § 10 A administração tem o dever de executar as programações orçamentárias, adotando os meios e as medidas necessários, com o propósito de garan- tir a efetiva entrega de bens e serviços à sociedade. § 11 O disposto no § 10 deste artigo, nos termos da lei de diretrizes orçamentárias: I - subordina-se ao cumprimento de dispositivos constitucionais e legais que estabeleçam metas fis- cais ou limites de despesas e não impede o cancela- mento necessário à abertura de créditos adicionais; II - não se aplica nos casos de impedimentos de ordem técnica devidamente justificados; III - aplica-se exclusivamente às despesas primá- rias discricionárias. § 12 Integrará a lei de diretrizes orçamentárias, para o exercício a que se refere e, pelo menos, para os 2 (dois) exercícios subsequentes, anexo com pre- visão de agregados fiscais e a proporção dos recur- sos para investimentos que serão alocados na lei orçamentária anual para a continuidade daqueles em andamento. § 13 O disposto no inciso III do § 9º e nos §§ 10, 11 e 12 deste artigo aplica-se exclusivamente aos orçamentos fiscal e da seguridade social da União. § 14 A lei orçamentária anual poderá conter pre- visões de despesas para exercícios seguintes, com a especificação dos investimentos plurianuais e daqueles em andamento. § 15 A União organizará e manterá registro cen- tralizado de projetos de investimento contendo, por Estado ou Distrito Federal, pelo menos, análises de viabilidade, estimativas de custos e informações sobre a execução física e financeira. Incialmente, observe que temos disposições aplicá- veis à LDO e à LOA. No que tange à LDO, o § 12 prevê a inclusão do anexo com previsão de agregados fiscais e proporção dos recursos para investimentos. Ademais, a redação do § 10 reforça o dever da administração pública para execução das programações orçamen- tárias, mas ratificando a observância aos limites de despesas e metas fiscais determinados em lei, não se aplicando nos casos de impedimento de ordem técni- ca justificados e aplicado exclusivamente às despe- sas primárias discricionárias. Em relação à LOA, originalmente fixa a despesa para o exercício a que se refere, mas o § 14 traz uma 346 inovação referente à possibilidade de conter previ- sões de despesas para exercícios seguintes, espe- cificando os investimentos plurianuais e aqueles em andamento. Art. 166 - Processo legislativo orçamentário A seguir, vamos adentrar aos dispositivos do art. 166, que tratarão do ciclo orçamentário. Art. 166 Os projetos de lei relativos ao plano plu- rianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum. § 1º Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados: I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas apresenta- das anualmente pelo Presidente da República; II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais pre- vistos nesta Constituição e exercer o acompanha- mento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58. § 2º As emendas serão apresentadas na Comissão mista, que sobre elas emitirá parecer, e aprecia- das, na forma regimental, pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional. § 3º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso: I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias; II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre: a) dotações para pessoal e seus encargos; b) serviço da dívida; c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou III - sejam relacionadas: a) com a correção de erros ou omissões; ou b) com os dispositivos do texto do projeto de lei § 4º As emendas ao projeto de lei de diretrizes orça- mentárias não poderão ser aprovadasquando incompatíveis com o plano plurianual. Os principais pontos dos trechos apresentados aci- ma se referem ao seguinte exame do PPA, LDO e LOA, que serão apreciados pelas duas casas do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal). O exame e parecer sobre as peças orçamentárias, os pla- nos e programas serão de responsabilidade de uma Comissão Mista. Outro ponto se refere às emendas. Emendas são utilizadas para modificar os itens dos projetos de lei, para que necessidades ou compromissos políticos sejam atendidos. A discussão, apreciação e aprovação dessas emendas devem seguir as regras dispostas nes- se artigo. Dessa forma as emendas são apresentadas na Comissão Mista e apreciadas no Plenário das duas casas do Congresso Nacional. Ademais, as emendas somente poderão ser aprova- das se forem compatíveis com o PPA e LDO e tenham os recursos necessários indicados. Esses recursos devem ter origem da anulação de despesa (exceto anulação de despesas de pessoal e encargos, serviços da dívida e transferências tributá- rias para outros entes da federação). O fundamento desta regra está no seguinte: emendas não podem ser financiadas por despesas essenciais para a adequada operação do aparato administrativo (despesa com pes- soal), tampouco financiadas por recursos que possam comprometer o funcionamento de entes, que muitas vezes dependem dos repasses tributários para equili- brar o seu orçamento (transferências tributárias). Por fim, emendas podem ser aprovadas para correção de erros e omissões na peça orçamentária. Emendas Indicar recursos necessários (de anulação de des- pesa, exceto): Compatibilidade com PPA e LDO Correção de Erros ou Omissões Pessoal e encargos Serviço da dívida Transferências tributárias constitucionais Art. 166-A As emendas individuais impositivas apresentadas ao projeto de lei orçamentária anual poderão alocar recursos a Estados, ao Distrito Federal e a Municípios por meio de: I - transferência especial; ou II - transferência com finalidade definida. § 1º Os recursos transferidos na forma do caput deste artigo não integrarão a receita do Esta- do, do Distrito Federal e dos Municípios para fins de repartição e para o cálculo dos limites da despesa com pessoal ativo e inativo, nos ter- mos do § 16 do art. 166, e de endividamento do ente federado, vedada, em qualquer caso, a aplicação dos recursos a que se refere o caput deste artigo no pagamento de: I - despesas com pessoal e encargos sociais relati- vas a ativos e inativos, e com pensionistas; e II - encargos referentes ao serviço da dívida. § 2º Na transferência especial a que se refere o inciso I do caput deste artigo, os recursos: I - serão repassados diretamente ao ente federado beneficiado, independentemente de celebração de convênio ou de instrumento congênere; II - pertencerão ao ente federado no ato da efetiva transferência financeira; e III - serão aplicadas em programações finalísticas das áreas de competência do Poder Executivo do ente federado beneficiado, observado o disposto no § 5º deste artigo § 3º O ente federado beneficiado da transferência especial a que se refere o inciso I do caput deste artigo poderá firmar contratos de cooperação técnica para fins de subsidiar o acompanhamen- to da execução orçamentária na aplicação dos recursos. § 4º Na transferência com finalidade definida a que se refere o inciso II do caput deste artigo, os recursos serão: I - vinculados à programação estabelecida na emenda parlamentar; e II - aplicados nas áreas de competência constitu- cional da União. N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 347 § 5º Pelo menos 70% (setenta por cento) das transferências especiais de que trata o inciso I do caput deste artigo deverão ser aplicadas em des- pesas de capital, observada a restrição a que se refere o inciso II do § 1º deste artigo. O artigo 166-A também foi incluído pela Emenda Constitucional 100/19 e trata de situações específicas de alocação das emendas aos Estados, DF e Municí- pios. Via de regra, temos duas formas de transferência, quais sejam, a transferência especial e a com finalida- de definida. Cada forma de transferência contemplará regras e procedimentos específicos, apresentados no esquema abaixo para melhor visualização. Transferências Especial Com finalidade definida Recursos são repassadas diretamente ao entente beneficiado (não necessita celebração de convênio) Pertencerá ao ente na efetivação da transferência financeira Aplicação em programa finalísticos das áreas de competência do ente Vinculado à programação estabelecida ma emenda parlamentar Aplicação nas áreas de competência da União Pelo menos 70% aplicados e despesas de capital As regras comuns às duas modalidades de transfe- rência envolvem: z Os recursos recebidos pelos entes nas duas formas de transferência não integram a base para o cálcu- lo de limite de despesas com pessoal ativo e inati- vo; e z Os recursos recebidos em transferência não pode- rão ser utilizados para pagamento de despesas com pessoal e encargos referentes ao serviço da dívida Para saber um pouco mais sobre as emendas z A Emenda Constitucional 86/15 tornou obrigatória a execução da programação orçamentária relativa às emendas individuais à LOA por parte dos con- gressistas (tais emendas são aprovadas no limite de 1,2% da Receita Corrente Líquida – RCL). Res- saltamos a obrigatoriedade da execução das emen- das individuais, e não as emendas de bancada. Somente com a introdução da Emenda Constitu- cional 100/19 as emendas de bancada passam a ser obrigatórias (no limite de 0,8% da RCL em 2020 e 1,0% da RCL em 2021). Quanta “emenda” não é mesmo? Só não confunda as Emendas Constitucionais com as emendas parla- mentares. Estas últimas, são alterações no orçamento anual feitas pelos parlamentares e podem ser de apro- priação (acréscimo de despesas para um projeto de seu interesse), remanejamento (proposição de novos projetos com recursos já previstos anteriormente), ou cancelamento (supressão, eliminação de alguma des- pesa prevista). Art. 167 – Vedações constitucionais Veremos agora as vedações constitucionais em matéria de orçamento público. As vedações se encon- tram no art. 167 da Carta de 1988. Destacamos nos quadros abaixo as principais vedações: Art. 167 São vedados: I - o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual; II - a realização de despesas ou a assunção de obri- gações diretas que excedam os créditos orçamentá- rios ou adicionais; III - a realização de operações de créditos que exce- dam o montante das despesas de capital, ressalva- das as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta; [...] Os incisos I e II são de simples compreensão. Por uma questão da responsabilidade no uso do recurso público, uma despesa imprevista no orçamento, ou uma despesa acima do que está previsto, não será per- mitida. Destacamos o inciso III, que consagra a “Regra de Ouro” e o equilíbrio orçamentário. A regra do refe- rido inciso tem como objetivo o controle do endivi- damento do Estado, impondo limites à realização de operações de créditos pelos entes. Há, contudo, uma exceção: o Poder Legislativo poderá autorizar despe- sas com finalidades específicas, por meio de créditos suplementares ou especiais, mediante aprovação por maioria absoluta. Art. 167 São vedados: [...] IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do pro- duto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manuten- ção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação degarantias às opera- ções de crédito por antecipação de receita, previs- tas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo; V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes; VI - a transposição, o remanejamento ou a trans- ferência de recursos de uma categoria de progra- mação para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa; VII - a concessão ou utilização de créditos ilimitados; 348 VIII - a utilização, sem autorização legislativa espe- cífica, de recursos dos orçamentos fiscal e da segu- ridade social para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas, fundações e fundos, inclusive dos mencionados no art. 165, § 5º; IX - a instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa. [...] O inciso IV está relacionado ao princípio da não vinculação da receita de impostos, determinando que a arrecadação de impostos não poderá ter desti- nação definida, excetuada as hipóteses definidas nes- te inciso. Esta vedação tem como objetivo permitir a aloca- ção racional dos recursos conforme as prioridades públicas e não “engessar” o orçamento público. Exis- tem, contudo, exceções à referida vinculação, como a disposta no § 4º desse mesmo artigo: § 4º É permitida a vinculação de receitas próprias geradas pelos impostos a que se referem os arts. 155 e 156, e dos recursos de que tratam os arts. 157, 158 e 159, I, a e b, e II, para a prestação de garan- tia ou contragarantia à União e para pagamento de débitos para com esta. [...] Os incisos V, VI e VII operam no sentido de redu- zir os riscos de endividamento do ente pela abertura descontrolada de créditos, bem como as alocações e realocações arbitrárias dos recursos de uma categoria para outra. Veja que se tais vedações não existissem, a essência do orçamento programático se perderia e o controle e avaliação dos programas seria prejudicado. A vedação dos incisos VIII e IX limitam a atuação do administrado, à medida que obriga a obtenção de autorização legislativa para instituição de fundos e direciona recursos para suprir déficit de empresas, fundações e fundos. § 1º Nenhum investimento cuja execução ultra- passe um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade. § 2º Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem auto- rizados, salvo se o ato de autorização for promul- gado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subsequente. § 3º A abertura de crédito extraordinário somen- te será admitida para atender a despesas imprevi- síveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, observado o disposto no art. 62. [...] § 5º A transposição, o remanejamento ou a transfe- rência de recursos de uma categoria de programa- ção para outra poderão ser admitidos, no âmbito das atividades de ciência, tecnologia e inovação, com o objetivo de viabilizar os resultados de proje- tos restritos a essas funções, mediante ato do Poder Executivo, sem necessidade da prévia autorização legislativa prevista no inciso VI deste artigo. Por fim, destacamos os parágrafos finais do art. 167. O §1º impõe importante regra na gestão orçamentária, vedando a assunção de compromissos financeiros que perdurem por mais de um exercício se estes não estive- rem previstos no PPA. De fato, caso a vedação não existisse, encontraría- mos um problema ainda maior com projetos e pro- gramas iniciados e inacabados e gestores públicos herdando verdadeiros “elefantes brancos” de gestões passadas. Note que a questão de abertura de créditos é sempre tratada com muita cautela pela legislação. E com razão, pois um “território livre” para a con- tratação de operações de crédito traria um resultado desastroso com entes assumindo dívidas impagáveis. Art. 168 – Duodécimos e Art. 169 – Limites para despesa de pessoal Para fecharmos este capítulo vamos tratar dos artigos 168 e 169 da Constituição. Art. 168 Os recursos correspondentes às dotações orçamentárias, compreendidos os créditos suple- mentares e especiais, destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério Públi- co e da Defensoria Pública, ser-lhes-ão entregues até o dia 20 de cada mês, em duodécimos, na forma da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º. Trata-se de um dispositivo que objetiva regrar a execução do orçamento pelo Poder Executivo, deter- minando que os recursos devem ser entregues todo o dia 20 de cada mês em duodécimos (razão de 1/12), evitando que algum ente ou órgão sofra com a incer- teza de recebimento de recursos em sua programação orçamentária. Art. 169 A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni- cípios não poderá exceder os limites estabeleci- dos em lei complementar. § 1º A concessão de qualquer vantagem ou aumen- to de remuneração, a criação de cargos, empregos e funções ou alteração de estrutura de carreiras, bem como a admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades da admi- nistração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público, só pode- rão ser feitas: I - se houver prévia dotação orçamentária suficien- te para atender às projeções de despesa de pes- soal e aos acréscimos dela decorrentes; II - se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e as sociedades de econo- mia mista. § 2º Decorrido o prazo estabelecido na lei com- plementar referida neste artigo para a adaptação aos parâmetros ali previstos, serão imediatamen- te suspensos todos os repasses de verbas federais ou estaduais aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios que não observarem os referidos limites. § 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo fixado na lei complementar referida no caput, a União, os Esta- dos, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes providências: I - redução em pelo menos vinte por cento das despesas cargos em comissão e funções de confiança; II - exoneração dos servidores não estáveis