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DIREITOS REAIS O Direito Civil brasileiro, em seu artigo 1.473, prevê que podem ser objeto de hipoteca: Imóveis e os acessórios dos imóveis conjuntamente com eles, o domínio direto, ou seja, a relação de propriedade de um bem, uso e gozo e disposição de um bem imóvel, o domínio útil, direito de uso e gozo sem a plena propriedade, as estradas de ferro, os recursos naturais a que se refere o art. 1.230, independentemente do solo onde se acham, não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. Os navios e as aeronaves (disposto em lei especial. ), o direito de uso especial para fins de moradia, o direito real de uso e a propriedade superficiária (ficam limitados à duração da concessão ou direito de superfície, caso tenham sido transferidos por período determinado), os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de cessão. Hipoteca A hipoteca é um direito real de garantia sobre coisa alheia que recai sobre bens imóveis, exigindo registro no cartório imobiliário, e se caracteriza pela não transmissão da posse do bem. De acordo com o art. 1.473 do Código Civil, em atenção aos requisitos objetivos da hipoteca, podem ser hipotecados os seguintes bens (BRASIL, 2002): os imóveis; o domínio direito; o domínio útil; as estradas de ferro; os recursos naturais referidos no art. 1.230, como jazidas e minas; 6 Do penhor, hipoteca e anticrese os navios; as aeronaves; o direito de uso especial para fins de moradia; o direito real de uso; a propriedade superficiária. Sobre os requisitos subjetivos, Diniz (2017, p. 607) comenta que “[...] esse direito real de garantia requer a capacidade de alienar do devedor; só o que pode alienar é o que poderá hipotecar, já que, se o débito não for pago, o imóvel onerado será vendido em leilão”. Assim, se a hipoteca for constituída por quem não é proprietário, será nula, salvo o devedor de boa-fé, nos termos no art. 1.420, § 1o. As espécies de hipoteca são (BRASIL, 2002): Tipos: A hipoteca convencional é oriunda do acordo entre credor hipotecário e o devedor principal ou terceiro hipotecante (quem dá o bem em garantia). Obriga-se a ser feita por escritura pública com a exigência da presença de duas testemunhas. A hipoteca legal é decorrente da norma jurídica, nas hipóteses previstas no art. 1.489 do Código Civil. O credor pode exigir outros imóveis como reforço, caso os imóveis específicos sejam insuficientes, da mesma forma que poderão ser substituídos por caução. A hipoteca judicial é prevista no CPC, art. 495 e diz respeito à decisão que condenar o réu ao pagamento de prestação liquida, e a que determinar a conversão de prestação de fazer, de não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária valer como título constitutivo de hipoteca judiciária. Adendo: A hipoteca deve ser registrada no Cartório de Registro de Imóveis; o devedor sofre restrição em seu direito de propriedade e não poderá praticar nenhum ato que diminua o valor do bem, porém, como mantém a posse do bem, o devedor também mantém a possibilidade de exercer o direito de posse pelos mecanismos previstos na legislação. A anticrese é regulamentada pelos arts. 1.506 e seguintes do Código Civil: Art. 1.506 Pode o devedor ou outrem por ele, com a entrega do imóvel ao credor, ceder-lhe o direito de perceber, em compensação da dívida, os frutos e rendimentos. § 1o É permitido estipular que os frutos e rendimentos do imóvel sejam per- cebidos pelo credor à conta de juros, mas se o seu valor ultrapassar a taxa máxima permitida em lei para as operações financeiras, o remanescente será imputado ao capital Para Tartuce (2017, p. 614): [...] a anticrese está no meio do caminho entre o penhor e a hipoteca, tendo características de ambos. Com a hipoteca tem em comum o fato de recair sobre imóveis, como é corriqueiro. Do penhor, há a similaridade em relação à transmissão da posse. De diferente, a retirada dos frutos do bem. Podemos observar a difícil operacionalização prática desse instituto, por isso, é um direito real de garantia bastante impopular. A anticrese pode decorrer de contrato ou de testamento. Se instituída por contrato, requer uma escritura pública, e ambas as espécies exigem o respectivo registro no Cartório de Registro de Imóveis, estabelecendo todas as condições firmadas entre o credor e o devedor anticrético. Penhor legal surge como imposição legal, a fim de assegurar o pagamento de determinadas dívidas de que determinadas pessoas são credoras. É regulamentado pelos arts. 1.467 e seguintes do Código Civil. Nos termos do art. 1.467: Art. 1.467 São credores pignoratícios, independentemente de convenção: I — os hospedeiros, ou fornecedores de pousada ou alimento, sobre as bagagens, móveis, joias ou dinheiro que os seus consumidores ou fregueses tiverem consigo nas respectivas casas ou estabelecimentos, pelas despesas ou consumo que aí tiverem feito; II — o dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens móveis que o rendeiro ou inquilino tiver guarnecendo o mesmo prédio, pelos aluguéis ou rendas (BRASIL, 2002, documento on-line). Formas de extinção: O penhor, a hipoteca e a anticrese, Nos termos do art. 1.436 do Código Civil, o penhor pode ser resolvido das seguintes formas (BRASIL, 2002): 1Com a extinção da obrigação — se paga ou extinta de qualquer forma a dívida que deu origem ao penhor, desaparece o direito real de garantia. 2Com o perecimento do bem — devido à impossibilidade de executar o objeto, o penhor é extinto. No entanto, caso haja apenas uma deterioração parcial do bem, o penhor subsistirá, permitindo que o credor exija o reforço da garantia sob pena de vencimento antecipado da dívida. Com a 3renúncia do credor — o credor poderá abrir mão do ônus real, desde que seja capaz e possa dispor livremente sobre seus bens. A renúncia poderá ser feita por ato inter vivos ou mortis causa, com a ressalva do § 1o do art. 1.436 do Código Civil: Art. 1.436 Extingue-se o penhor: [...] § 1o Presume-se a renúncia do credor quando consentir na venda particular do penhor sem reserva de preço, quando restituir a sua posse ao devedor, ou quando anuir à sua substituição por outra garantia. 4Com a confusão — quando na mesma pessoa se concentrarem as figuras do credor e do devedor. Nesse sentido, prevê o § 2o do art. 1.436 do Código Civil: “Art. 1.436 Extingue-se o penhor: [...] § 2o Operando-se a confusão tão-somente quanto a parte da dívida pignoratícia, subsistirá inteiro o penhor quanto ao resto” (BRASIL, 2002, documento on-line). Com a 5adjudicação judicial, remição ou venda da coisa emprenhada feita pelo credor ou por ele autorizada. Outras possibilidades de extinção do penhor não direta-mente indicadas pela legislação, tendo em vista que não se trata de rol taxativo: a nulidade ou a prescrição da obrigação principal; o perdão da dívida; o decurso do tempo, no caso de penhor a termo; a reivindicação do bem, julgada procedente. Em quaisquer dos casos de extinção do penhor, o credor deverá restituir o objeto empenhado. No que se refere à extinção da hipoteca — que exige a averbação do cancelamento do registro no Cartório de Registro de Imóveis para que opere todos os seus efeitos —, o Código Civil prevê as seguintes hipóteses, nos termos do art. 1.499: Art. 1.499 A hipoteca extingue-se: I — pela extinção da obrigação principal; II — pelo perecimento da coisa; III — pela resolução da propriedade; IV — pela renúncia do credor; V — pela remição; VI — pela arrematação ou adjudicação Surgem restrições à propriedade consistentes no direito de vizinhança que, conceituando-se como direitos de convivência decorrentes da proximidade ou interferência entre prédios, não necessariamente contíguos, coíbe o uso nocivo da propriedade. Pontes de Miranda (2012, p. 450) afirmava que “[...] os direitos de vizinhança se produzem simetricamente às outras limitações ao direito de propriedade em seu conteúdo, pela substantivação dos direitos que objetivamente resultariam delas”. O art. 1.277 do Código Civil estabelece o uso normal da propriedade e proíbe o uso nocivo do bem que possa comprometer a segurança, o sossego e a saúde dos demais vizinhos. Dependendo da natureza do distúrbio, que poderá ser sonoro, gasoso, edilício, comportamental ou qualquer outra ordem de perturbação Ações de direito de vizinhança, quais ações podem ser movidas: Ação de perdas e danos: ação judicial em que se buscam os prejuízos decorrentes de ato ou fato do vizinho, fundamentado na culpa aquiliana e no art. 1.277, § 1o, do Código Civil. Ação de obrigação de fazer ou não fazer: ação em que se busca sustar ato ou fato realizado pelo vizinho que possa comprometer a segurança, o sossego e a saúde dos lindeiros. Fundamenta-se no art. 1.277, § 1o, do Código Civil. Ação de dano infecto: ação em que se busca impedir ou acautelar obras em imóvel vizinho que possam trazer risco de ruína aos imóveis lindeiros. Sua previsão legal vem contida nos arts. 1.280 e 1.281 do Código Civil. Nos condomínios edilícios, é a convenção de condomínio que constituirá e prescreverá as principais estipulações da convivência comum, conforme art. 1.333 do Código Civil. Para ser oponível a terceiros, a convenção de condomínio necessariamente deverá ser registrada no cartório de registro de imóveis. Ainda que não registrada, porém, ela terá igual validade para os condôminos. Na convenção, que é uma espécie de constituição da copropriedade, deverão constar a discriminação e a individualização das unidades autônomas e áreas comuns, isto é, a fração ideal das partes comuns atribuíveis a cada unidade exclusiva e os fins destas unidades. Constarão também na convenção: as quotas proporcionais e a forma de pagamento das contribuições ordinárias e extraordinárias para a manutenção da coisa comum; a forma de administração, a competência, a forma de convocação e os quoruns das assembleias condominiais; as sanções a que estão sujeitos os condôminos pela desobediência às regras condominiais; e o regimento interno, que disciplinará o dia-a-dia da convivência. Observe que, para a aprovação da convenção de condomínio, são necessários os votos de dois terços das frações ideais do bem condominial, em assembleia especialmente convocada para esse fim. Inexistindo previsão específica na Convenção, o regimento interno poderá ser aprovado por maioria simples dos presentes em assembleia igualmente convocada para o fim de sua aprovação. O órgão deliberativo máximo do condomínio é a assembleia geral de condôminos, equivalente ao Poder Legislativo. Todos os condôminos deverão ser previamente convidados a participar das assembleias e cientificados Direito de vizinhança e condomínio 313 Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 313 22/05/2018 13:31:57 das matérias que serão discutidas e deliberadas, sob pena de nulidade. Anualmente a Assembleia deverá se reunir por convocação do síndico, para deliberar assuntos gerais, aprovar as contas e dispor sobre a manutenção e a conservação do bem comum. Caso o síndico não convoque a assembleia, esta poderá ser convocada por um quarto das frações ideais ou, inexistindo o quorum mínimo para a con- vocação, por decisão judicial requerida por qualquer condômino, nos termos dos parágrafos primeiro e segundo do art. 1.350 do Código Civil. O síndico representa o Poder Executivo do condomínio. Além de administrar o condomínio em nome dos demais coproprietários e por deliberação da assembleia geral, representará ativa e passivamente em juízo. A sua representação poderá ser por até dois anos, conforme art. 1.347 do Código Civil, embora recomendável e mais usual seja a eleição anual do síndico. É possível a reeleição. O síndico, não obstante a possibilidade de delegar algumas de suas tarefas, exerce uma série de funções, responsabilizando-se pessoalmente por sua culpa ou dolo, competindo-lhe as seguintes tarefas: convocar a assembleia dos condôminos; representar, ativa e passivamente, o condo- mínio, praticando, em juízo ou fora dele, os atos necessários à defesa dos interesses comuns; dar imediato conhecimento à assembleia da existência de procedimento judicial ou administrativo, de interesse do condomínio; cumprir e fazer cumprir a convenção, o regimento interno e as determinações da assembleia; diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns e zelar pela prestação dos serviços que interessem aos possuidores; elaborar o orçamento da receita e da despesa relativa a cada ano; cobrar dos condôminos as suas contribuições, bem como impor e cobrar as multas devidas; prestar contas à assembleia, anualmente e quando exigidas; realizar o seguro da edificação. Por se tratar de cargo de confiança e delegação dos demais condôminos, poderá ser destituído de suas funções por maioria absoluta de votos em assembleia especialmente convocada para o fim, assegurados o princípio do contraditório e a ampla defesa ao síndico antes de sua eventual destituição. ?Usucapião: A teoria subjetivista teve como principal doutrinador o alemão Friedrich Carl von Savigny, para quem a posse possuiria dois elementos, quais sejam: o “corpus", elemento material da posse (aquilo que é possuído). E o segundo elemento é o chamado animus domini, ou seja, ânimo de dono, a intenção de ter a coisa e cuidar com o se sua fosse. Essa teoria não se aplica aos detentores da posse, como um locatário ou comodatário, a defender a posse contra terceiros. Em razão da dificuldade prática para os possuidores, o Código Civil não a adotou como regra geral, deixando os possuidores sem intenção de se tornarem proprietários, possibilitados de ajuizarem as ações possessórias na defesa da sua posse. A teoria objetivista teve como defensor Rudolf von Ihering e firmava que, possuidor seria aquele que tivesse a disposição física da coisa ou a mera possibilidade de a ter, bastando apenas que o possuidor tenha o elemento material, o “corpus”, dispensando-se o elemento subjetivo de ser dono da coisa, consiste em uma intenção de explorar economicamente a coisa possuída. Para essa teoria, na posse apenas o “corpus”, tornando a prova muito mais fácil ao possuidor. É parcialmente adotada pelo Código Civil de 2002, nos termos de seu art. 1.196. O direito real de laje é um instituto novo, o qual ainda é discutido hodiernamente na doutrina brasileira, trata-se de um direito real contratualmente estabelecido, é regulado pelo art. 1.510 do Código Civil/2002. O direito real de laje é um direito autônomo e permite que o proprietário de uma construção autorize a constituição de uma unidade autônoma sobre sua edificação originária, conferindo ao titular do direito de laje um título de propriedade separado da construção principal. Tem por finalidade oferecer maior segurança jurídica e regularização para proprietários e possuidores, principalmente em comunidades e periferias, onde é comum a construção de moradias em níveis sobrepostos. Nesse instituto, é passível a alienação, herança, e uso por parte do titular, tendo como requisitos de sua efetivação o acordo entre as partes envolvidas e a observância das normas urbanísticas e de engenharia civil, como segurança estrutural e limites da propriedade. características que formarão o conceito do direito real de laje: é cedida pelo proprietário da construção-base; poderá ser superior ou inferior à sua construção; distinta da construída sobre o solo; é um direito real; espaço aéreo ou o subsolo; de terrenos públicos ou privados; projeção vertical e unidade autônoma. O imóvel que não tenha passagem para via pública, porto ou nascente de água perde seu valor e utilidade. Por essa razão, o Código Civil prescreve a possibilidade do vizinho forçar aquele que pode permitir a passagem a tolerar o direito de passagem do proprietário de imóvel encravado. Essa espécie de servidão vem prevista no art. 1.285 do Código Civil. Esta passagem deverá ser a menos onerosa possível ao imóvel gravado, preferencialmente pelo caminho mais curto e pelo vizinho que possa conceder a passagem na forma mais natural possível. Importante notar que essa passagem não será gratuita, pois deverá o juiz fixar uma justa indenização, que deverá levar em conta a diminuição do valor da propriedade serviente e o incômodo causado. A tecnologia tem avançado, e o atual estágio tecnológico obriga a tolerância de uma espécie de servidão típica da sociedade moderna, que é aquela consistente na passagem de cabos e tubulações, conforme os arts. 1.286 e 1.287 do Código Civil. O proprietário deverá permitir a instalação em seu imóvel de dutos e encanamentos que permitam a passagem de cabos ou outras instalações aos demais imóveis vizinhos. Dois direitos assistirão ao proprietário do imóvel onerado: o ressarcimento pela desvalorização da área remanescente, o que deverá ser judicialmente demonstrado, e a realização de toda e qualquer obra de segurança para que as pessoas e bens do imóvel onerado fiquem indenes. Destina-se uma longa Seção do Código Civil para tratar das águas no direito de vizinhança, como se constata entre os arts. 1.288 e 1.296. A extensão demonstra a importância desse recurso, não apenas como possibilidade de desarmonia entre vizinhos, mas como necessidade de se evitar desastres ecológicos. O prédio inferior deverá receber as águas que venham do prédio superior, desde que estas fluam naturalmente. Vedam-se obras realizadas pelo dono do prédio inferior que obstruam a descida da água (o que acarretaria alagamento no imóvel superior), assim como não poderá o dono do imóvel superior realizar obras que aumentem ou direcionem o fluxo de água e que poderão causar prejuízos ao imóvel inferior. Direito de vizinhança e condomínio 309O art. 1.289 do Código Civil estabelece que as águas artificialmente levadas ao imóvel superior que causem prejuízos ao imóvel inferior deverão ser desviadas, e os prejuízos, ressarcidos. Esse é o fundamento usado para a discussão entre vizinhos quando, em prédios de apartamentos, o apartamento superior causa infiltração no apartamento inferior. Pontes de Miranda (2012) recorda a Resolução Régia de 1775, que já dispunha que as águas nascidas em imóvel, ou por ele atravessadas, poderiam ser usadas pelo proprietário até a satisfação de suas necessidades. Entretanto, como comenta Venosa (2005), os arts. 1.290 e 1.291 do Código Civil de 2002 estabelecem que as águas remanescentes deverão fluir para os prédios inferiores e não poderão ser poluídas. O proprietário de imóvel superior poderá construir barragens ou açudes de represamento, indenizando os lindeiros caso o transbordamento de água cause prejuízo aos lindeiros inferiores, conforme art. 1.292 do Código Civil. Igualmente será lícita a construção de canais ou aquedutos em imóveis lindeiros, preferencialmente subterrâneos, para o recebimento de águas necessárias às primeiras necessidades humanas. A possibilidade de construção exige a prévia indenização dos prejuízos ocasionados. A possibilidade prevista nos arts. 1.293 e 1.294 do Código Civil permite àqueles que necessitem usar as águas supérfluas do aqueduto construído captarem a água para si, conforme se verifica nos arts. 1.295 e 1.296 do Código Civil. A demarcação entre prédios é necessária não somente para o estabelecimento do exercício de propriedade de cada unidade autônoma, mas também para o exercício correto do poder de polícia pelas autoridades públicas e a cobrança de tributos incidentes sobre os imóveis. O proprietário poderá obrigar o vizinho a demarcar e instalar cercas, muros, tapumes divisórios, ou outras formas de demarcação na divisa entre os imóveis. Ambos deverão arcar com as despesas de instalação e manutenção da divisa, salvo se houver a necessidade de algum cercamento especial em razão de animais de pequeno porte. Nessa hipótese, conforme o parágrafo terceiro do art. 1.297 do Código Civil, apenas o proprietário dos animais arcará com o custo do cercamento. Havendo dúvida quanto aos limites dos imóveis, a fração de área contestada será dividida por igual ou, não sendo possível, um dos vizinhos indenizará o outro e ficará com a parte contestada, nos termos do art. 1.297 do Código Civil. O proprietário tem o direito de construir em seu imóvel, desde que respeitadas as prescrições administrativas, que visam à proteção do bem comum, e as regras do direito de vizinhança, que buscam a proteção dos lindeiros. 310 Direito de vizinhança e condomínioÉ vetada qualquer obra que invada a área lindeira e a instalação de aberturas de janelas, terraços ou varandas a menos de um metro e meio do terreno vizinho. Tampouco é permitido abrir janelas perpendiculares ou sem incidência direta sobre a linha divisória a menos de setenta e cinco centímetros desta. O legislador, no art. 1.301 do Código Civil, intenciona proteger a intimidade alheia. A exceção é a possibilidade de aberturas para luz ou ventilação não maiores de dez centímetros de largura sobre vinte de comprimento e construídas a mais de dois metros de altura de cada piso. Em razão da aeração e da maior possibilidade de espaço, nas zonas rurais a distância da edificação aumenta para três metros do terreno vizinho. Não será lícito encostar em parede divisória chaminés, fogões, fornos ou qualquer aparelho ou depósitos que possam prejudicar o vizinho ou causar infiltrações. Tampouco se poderão construir benfeitorias que possam poluir ou inutilizar nascentes ou poços d’água, ou mesmo colocar em risco de desmoronamento o imóvel vizinho. As prescrições dos arts. 1.308 a 1.311 do Código Civil usualmente encontram respaldo no Código de Construção de cada cidade. Recorde-se, porém, que o ingresso no terreno vizinho deverá ser tolerado pelo proprietário quando necessário para apanhar algum animal extraviado ou outros bens, assim como para a realização de limpezas, consertos ou reformas, cujo acesso apenas se poderá fazer pelo vizinho. A regra constante no art. 1.313 do Código Civil observa a realidade dos grandes centros urbanos. Fatores econômicos e sociais levaram ao desenvolvimento da propriedade comum, exercida em condomínio. Conforme Gonçalves (2012), a propriedade passou a ter como pressuposto a função social, que determina seu uso para o crescimento da riqueza e da interdependência social. Isso se dá por expressa determinação constitucional, conforme o art. 5º, XXIII, da Constituição Federal de 1988 Não constou como objeto de prova As previsões do que não se considera invenção, nem modelo de utilidade estão no art. 10, da lei nº 9.279/96, quais sejam: As descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos, as concepções puramente abstratas, os esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização, as obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética, os programas de computador em si, apresentação de informações, regras de jogo, técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal e o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. Não constou como objeto de prova - Usucapião: A teoria subjetivista teve como principal doutrinador o alemão Friedrich Carl von Savigny, para quem a posse possuiria dois elementos, quais sejam: o “corpus", elemento material da posse (aquilo que é possuído). E o segundo elemento é o chamado animus domini, ou seja, ânimo de dono, a intenção de ter a coisa e cuidar com o se sua fosse. Essa teoria não se aplica aos detentores da posse, como um locatário ou comodatário, a defender a posse contra terceiros. Em razão da dificuldade prática para os possuidores, o Código Civil não a adotou como regra geral, deixando os possuidores sem intenção de se tornarem proprietários, possibilitados de ajuizarem as ações possessórias na defesa da sua posse. A teoria objetivista teve como defensor Rudolf von Ihering e firmava que, possuidor seria aquele que tivesse a disposição física da coisa ou a mera possibilidade de a ter, bastando apenas que o possuidor tenha o elemento material, o “corpus”, dispensando-se o elemento subjetivo de ser dono da coisa, consiste em uma intenção de explorar economicamente a coisa possuída. Para essa teoria, na posse apenas o “corpus”, tornando a prova muito mais fácil ao possuidor. É parcialmente adotada pelo Código Civil de 2002, nos termos de seu art. 1.196. image1.png