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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS DEPARTAMENTO DE ESTRUTURAS Concreto Annado: Vigas submetidas a esforços de torção José Samuel Giongo sao Carlos, agosto de 1994 Publicação 057/94 O deste é as da área de concreto ministradas na Escola de Engenharia de Canos - USP, Departamento de Estruturas. O serve como apoio ao aprendizado e com a bibliografia pertinente, as noçOes sobre a mataria abrangida. ~·~•~~-"'''~~ analisa a verificação segurança de vigas de concreto empregaclaS em estruturas de edifrcios submetidas a tensOes tangenciais análise teórica é baseada em trabalho de LEONHARDT (1977), são discutidos os modelos para determinação dos esforços resistentes e, é apresentada a de dimensionamento mostrada na NB 1 flS. De modo didático é o exemplo de dimensionamento de uma viga continua que faz parte de uma estrutura de marquise de ediflcio, desenvolvido inicialmente em notas de aula de PINHEIRO e GIONGO (1989). No exemplo é mostrado o detalhamento, em forma de memória de cálculo, das armaduras dimensionadas e, nao o detalhamento que deve ser encaminhado à obra, ficando este para uma versão posterior do trabalho. Nos casos de vigas o efeito de torção vem sempre acompanhado dos efeitos de flexao - momento fletor e força cortante, pois nao é possfvel evitar, pelo menos a açao de peso próprio das estruturas. Além disto ocorrem as ações inerentes à própria razao de existir da estrutura - ações de paredes, ações de utilizaçao, ações de costruçao, etc. Assim, sao discutidos os efeitos de torçao simples e torção combinada com os efeitos citados. No decorrer do desenvolvimento do trabalho o autor contou com a coiaboraçao do Eng. Flávio Barboza de Uma, professor na Universidade Federal de Alagoas e doutorando na ESSC-USP, Departamento de Estruturas, responsável pela revisao do texto e digitacao de parte dele. o autor agradece este inestimável apoio. DEDALUS - Acervo - EESC lllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll 31100103729 1. 1 .1 12 1.3 2. 2.1 2.2 2.2.1 2.2.2 3. 4. 4.1 4.2 4.3 4.4 5. 5.1 5.2 5.2.1 52.2 5.2.3 5.3 5.3.1 5.3.2 5.3.3 5.3.4 5.3.5 Introdução Generalidades SUMÁRIO Tensões principais no caso de torção simples Torção com empenamento impedido Esforços e tensões no caso de torção simples Analogia da treliça Determinação dos esforços e tensões em treliças espaciais Caso de armadura transversal inclinadas de 45 o Caso de barras longitudinais e estribos verticais Tensão tangencial de Torção Tipos de colapso em vigas submetidas à torção Escoamento das armaduras Ruptura por compressão do concreto Ruptura das quinas Ruptura das ancoragens Critérios de dimensionamento especificados pela N B 1 I 78 Dimensionamento de peças submetidas a esforços de torção combinados com força cortante e momento fletor Cálculo da tensão na seção vazada Tensão na seção cheia Valor último de tensão de cálculo Resistência do banzo comprimido Cálculo da áreas de armaduras Generalidades Armadura para torção composta Armaduras para caso de torção simples Área da armadura mínima Espaçamento máximo entre as barras que compõem a armadura 1 1 3 7 8 8 9 9 12 14 16 16 16 16 17 17 17 18 18 19 20 20 20 21 21 22 22 6. 6 1 6.2 6.2.1 6.2.2 6.2.3 6.2.4 6.2.5 6 2.6 6.2.7 6.2.8 6.2.9 6.3 6.3.1 6.3.2 6.3.3 6.3.4 6.35 636 637 6 3.8 639 Exemplo de aplicação Apresentação Dimensionamento da laje da marquise Ações uniformente distribuídas Ação variável normal Ação total na laje Uniformemente distribuída no contorno Cálculo das solicitações Verificação das tensões devidas à força cortante Armadura transversal na laje Determinação das armaduras na laje Detalhamento esquemático das armaduras Dimensionamento da viga Ações a considerar Determinação dos momentos fletores e forças cortantes Determinação dos momentos torçores Verificação da segurança da viga Cálculo das armaduras longitudinais para momento fletor Cálculo das armaduras transversais para absorver a ação da força cortante Cálculo das armaduras para absorver o momento torçor Determinação das áreas das armaduras longitudinal e transversal finais Detalhamento esquemático da seção transversal da estrutura da marquise Referências Bibliográficas 23 23 24 24 25 25 25 25 26 27 27 28 29 29 30 30 32 35 36 36 37 38 1. INTRODUÇÃCD / Nas vigas de edifícios só se considera o efeito da torção quando este for imprescindível para a verificação do equilíbrio da estrutura. Podem ser citados como exemplos de situações em que a sua consideração é necessária para o equilíbrio da estrutura os casos de vigas que recebem lajes em balanços sem continuidade com outras lajes da estrutura. A simples ligação de lajes maciças com as vigas de borda , embora gerem torção, esta não é considerada, pois não há necessidade para o equilíbrio da estrutura. Considerando o pavimento de edifícios, constituído por lajes maciças e vigas, as vigas podem ser consideradas, estruturalmente fazendo parte da grelha do pavimento. Ao se determinar os esforços solicitantes nas barras da grelha vai se deparar com esforços de flexão - momento fletor e força cortante - e de torção oriundos das ligações entre as vigas no plano horizontal. Como será visto as seções transversais retangulares de vigas de concreto armado exigem rigidez suficiente à torçao para que este efeito seja considerado. Como na maioria dos casos de projetos estruturais de edifícios as espessuras das vigas ficam limitadas a valores da ordem de 1 Ocm a 20cm, por questões de interferência com o projeto arquitetônico, e estes valores não são suficientes para uma seção transversal absorver as tensões tangenciais oriundas da torção, na maiorias dos casos este efeito é desprezado. 1.1 GENERALIDADES Nas estruturas usuais os efeitos da torção estão acompanhados dos efeitos de flexão (momento fletor e força cortante). Isto se dá pelo fato de as estruturas estarem submetidas às ações inerentes ao fim para qual a estrutura se destina. Para as vigas submetidas à torção simples muitos ensaios experimentais foram realizados justificando o modelo teórico para o dimensionamento. Estes resultados podem ser extrapolados para torção com ação combinada de momento fletor e força cortante. O efeito das tensões tangenciais oriundas da torçao provoca empenamento da seção transversal, isto devido aos diferentes alongamentos longitudinais das fibras. Quando o empenamento não é impedido, este tipo de torção é chamada de torção livre ou de St. Venant. Com impedimento, o que mais ocorre na prática das estruturas pois há iigaçao entre os elementos estruturais, originam-se novas tensões longitudinais. Nos casos de seções transversais com rigidez à torção e por ocorrer a fissuração do concreto, com perda de rigidez, o efeito de coação devido ao impedimento pode ser muito reduzido. Este efeito gerado pelo impedimento ao empenamento é considerado com a colocação de uma armadura construtiva convenientemente detalhada. A verificação da segurança de vigas de concreto armado submetida a tensões tangenciais oriundas da torção é feita baseada no princípio de que as resistências do concreto à tração são desprezadas e, portanto as barras de aço devem absorver as tensões de tração. O momento torçor deve ser majorado do coeficiente de majoração das solicitações, que é adotado igual a 1 ,4 , conforme indicação da NB 1/78. As condições de segurança devem atender: a As tensões nas armaduras, calculadas supondo o concreto fissurado (Estádioll), não devem ultrapassar a resistência de cálculo das barras da armadura; b. as tensões de compressão no concreto, no Estádio 11, devem ser limitadas a valores baixos, restringindo-se a uma parcela da resistência à compressão do concreto, pois nas diagonais comprimidas surgem tensões secundárias elevadas. Quando as tensões de torção foremelevadas, em função das ações atuantes na viga, há necessidade de se verificar as deformações, considerando as hipóteses do Estádio li - concreto fissurado, pois os deslocamentos podem ser incompatíveis com o fim ao qual se destina a estrutura. Lembra-se que a rigidez no estádio 11. é bem menor que a rigidez no estádio I - concreto ainda não fissurado. Nos casos em que os deslocamentos não forem satisfeitos há que reprojetar as dimensões da peça. Como já foi dito os momentos torçores surgem nas estruturas de barras devido ao efeito de coação, ou seja através de impedimento às deformações longitudinais. Esta situação é denominada de torção de compatibilidade. Como exemplo podem ser citadas as vigas de borda dos pavimentos de edifícios. que devido à ação do momento fletor de engastamento da laje, tende a provocar giro na viga. Como a rigidez à flexão dos pilares se contrapõem ao giro, aparecem na viga tensões tangenciais que por sua vez provocam torção. A figura 1, apresentada em LEONHARDT(1977), mostra a situação de ligação de laje com viga de borda. O momento fletor uniformemente distribuído que atua na ligação da laje com a viga e, que provoca tração nas fibras superiores da laje, é transferido, por equilrbrio, para a viga. Este momento uniformemente distribuído atuante na viga, gera reações nos pilares que são momentos atuantes na ligação da viga com o pilar. O plano de ação destes momentos é perpendicular ao eixo da viga, gerando para os pilares uma situação de flexão normal composta Na viga há a ação de uma força uniformemente distribuída vertical representada pela reação de apoio na laje. Esta ação provoca na viga efeitos de flexão (momento fletor e força cortante). Em função das baixas rigidezes à torção das vigas de pavimentos de edifícios o efeito da torção é desprezado, isto se dá pela consideração de apoio das lajes nas vigas de borda e não de engastamento. As armaduras nas vigas são constituídas por estribos verticais e barras longitudinais por questões de facilidade de execução e de otimização de trabalho na obra. Este tipo de armação leva a uma diminuição da rigidez à torção de 5 a 8 vezes em relação à rigidez de flexão, justificando o fato de serem desprezados por ocasião do dimensionamento das vigas de pavimento. Define-se torção de equilíbrio aquela em que há necessidade de sua consideração para satisfazer as condições de equilíbrio estático da estrutura. A não consideração pode levar a estrutura ao colapso, por falta de capacidade resistente à torção. Como exemplo apresenta-se o caso das marquises ou de lajes onde não é possível considerar a sua continuidade com laje contígua. 2 Me (ll'illmr} FIGURA 1 -Laje maciça de pavimento ligada a viga de extremidade [Leonhardt, 1977] Na estrutura da figura 2 que representa o caso de uma marquise constituída por laje em balanço, isto é, laje com três bordas livres vinculada à viga e esta, por sua vez vinculada aos pilares. A única consideração possível de vinculação ê considerar a laje engastada na viga, o que gera na viga, além das ações verticais uniformemente distribuídas, um momento uniformemente distribuído que para ser equilibrado mobiliza a ação de momentos nos pilares. A ação do momento uniformemente distribuído na viga e dos momentos gerados pelos pilares leva ao aparecimento de momentos torçores nas seções transversais da viga, cujo valor máximo ocorre junto aos pilares. A viga deve ser dimensionada para absorver integralmente os momentos de torção. 1.2 TENSÕES PRINCIPAIS NO CASO DE TORÇÃO SIMPLES Nas seções transversais com dupla simetria o centro de cisalhamento coincide com o centro de gravidade, sendo que o momento torçor deve ser referido a este centro. 3 PILAR VIGA PILAR ~ PILAR P----- ------- ______ LL ________ t· --------- =q ; i :I LAJE . i 1~-----------------------~-----1---------- ~I NERVURA ~ VIGA NERVURA L LAJE NERVURA~ - VIGA PILAR F I G U RA 2 - Laje maciça engastada em viga - Laje em balanço A torção simples com empenamento livre produz nas barras um sistema de tensões principais inclinadas de 45° e 135° . Analisando a figura 3 percebe-se que as tensões de tração ocorrem na direção da rotação e as de compressão perpendicular, de acordo com uma trajetória helicoidal, sendo que os valores máximos das tensões ocorrem nas faces externas da barra. A figura 4 mostra a variação das tensões em seções transversais retangulares, circulares e seções vazadas. 4 t y FIGURA 3 -Tensões principais em barra cilindrica submetida a torçao simples [Leoohardt, 1977] FIGURA 4 -Variação das tensOes em seções retangular, circulares e vazadas [Leoohardt, 1977] A tensão de torça pode ser calculada pela expressao 1 que representa uma tensão tangencial. T t'f =- Wt [1] onde, T é o momento de torçao atuante na seçao transversal e Wt é o módulo de resistência à torçao. Sendo x o eixo coordenado paralelo ao eixo da barra e y o eixo perpendicular a este, contido no plano de corte da seçao transversal, e tendo em vista que a torçao livre ox = O e oy = O, a tensão tangencial 'tt é igual à tensão principal, ou seja: sendo a direçao de o-1 igual a 45° A variação da tensão tangencial 'tt na seçao transversal é indicada na figura 4, para diversos tipos de seçao transversal, sendo que ao longo da seçao transversal a tensao tangencial troca de sinal. Ao longo do eixo longitudinal e nos cantos da barra a tensão tangencial é igual a zero ( 'tt = o ). 5 Na tabela 1 indicam-se os valores da tensão tangencial máxima ( ttmax) e dos momentos de inércia à torção lt para as seções transversais usuais A tabela 1 foi adaptada de LEONHARDT(1977). TABELA 1 -Tensão de torção e momento de inércia à torção -r-- d t B1 16 T Tt dT 2 Tt 16 rr 1.,81 T hedm2 T --;3 It 'lt d I. 32 'lt (é-di 4 ) - 32 Tt hedm 3 - 4 O, 11.1 a I. 1,5 2,0 3,0 I. ,O 6,0 8,0 10,0 co O, 196 0,229 0,263 0,281 0,299 O, 307 0,313 Q333 ~ 1.,33 1.,01 3, 74 3,55 3,35 3,26 3,20 3,00 1---------- - ···-- __ L.-·- -'--r-~---'-----'"---'---1 Fórmula de Brlldt Seçlo vauc:la qU41iquar T 2 Ae. he ----- ---~---------1 Soçio retlllragular vazada T 2 1 1 --+--+-- bs he hs h e hs· he - 5,32 ;3 o ,130 d'- 6 Como já foi dito a deforTnaÇao das da barra na direção do eixo que surge em funça das rotações é denominada empanamento. Segundo Timoshenko o empanamento de uma barra retangular sob ação de uma . rotaçao pode ser representado 5. Este fenômeno fica mais visível se for desenhado um reticulado nas faces prisma. O plano da seçao transversal, depois do empenamento se transforma em curva espacial . FIGURA 5 - Barra solicitada à torção [Sossekind, 1985] As tensões longitudinais de empenamento sao variáveis ao longo do comprimento da barra, sendo que os valores máximos ocorrem nos pontos onde o empanamento é impedido. Nestes pontos as tensões diminuem com maior ou menor intensidade em função da rigidez e esbeltez da barra. As regiOes onde ocorrem as perturbações têm comprimentos menores que aqueles onde ocorrem o efeito de O't. St. Venant, isto é, com comprimento igual à altura da seção transversal. Para uma viga de seçao retangular, com vinculo de engastamento nas extremidades para as ações horizontais, a vanaçao das tensões pode ser vista na figura 6. O impedimento ao empenamento ocorre na regiao dos vinculas, no ponto de apiicaçao do momento torçor e, no caso de vigas continuas, entre os apoios intermediários. h Vwiaçio das tM~ loflgitudiMill d® Gill'l'lpc~N~m411'1to IJX FIGURA 6- Distribuiçao das tensões de empenamento [leonhardt, 1977] O valor e a variaçao das tensões longitudinais de empenamento sao calculados com as hipóteses da Teoria da Elasticidade, sendo que para peças de concreto armado as hipóteses só têm validade para peças que as tensões de 7 tração no concreto sao menores ( Estádio I ) do que aquelas que provocam o aparecimento de f;ssuras. As vigasque tenham seções com suficiente rigidez à torça, e que em função das ações aplicadas estejam fissuradas, foi observado que as tensões devidas ao empenamento descrescem oom a fissuraçao do concreto. Desse modo as peças fteam com sua segurança garantida, quando convenientemente dimensionadas à torçAo e, com relação ao empenamento recomenda-se dispor, na região de perturbação, armadura adicional com a finalidade de limitar a abertura das fissuras. 2. ESFORÇOS E TENSÕES 2.1 ANALOGIA DA TRELIÇA CASO DE Ensaios realizados por Leonhardt justificam que, após iniciado o processo de fissuraçâo das vigas submetidas a esforços de torção, as fessuras se desenvolvem em forma de hélice e com angu!o de 135° de inclinaçao. A resistência da peça é tal que apenas as paredes delgadas externas da seçao transversal colaboram, como se a seção transversal fosse vazada. As armaduras utilizadas no modelo foram constituidas por estribos verticais e barras longitudinais distribuídas na seçao transversal. O fato de apenas as paredes delgadas ooaborarem na resistência é justifteado pelo fato de ao se comparar os resultados de ensaios de viga de seção o que com outra de seçao cheia, os diagramas de deformações e de tensões no aço sao semelhantes nos dois casos. As áreas das seções transversais das armaduras e suas posiçOes foram as mesmas nos dois modelos. Como conclusão pode-se depreender que para a verifiCação da segurança de uma peça estrutural submetida à tensões tangenciais oriundas da torção, o procedimento é tal que as seções cheias podem ser analisadas como se fossem seção vazada. Os resultados dos ensaios comprovam este fato. A figura 7 mostra as forças internas atuantes na seção transversal de uma peça submetida a torçao simples. As forças Rst sao as que atuam na armadura longitudinal e o eixo destas barras e deve estar contido nos pianos médios das seções vazadas. As forças Reter sao as que atuam nas bielas de concreto e atuam com as inclinações indicadas na figura e em toda a espessura da seção vazada fictícia. As forças Rswt são as que atuam nos estribos verticais e sao devidas exclusivamente aos efeitos da torção. Nas vigas submetidas a tensões tangenciais oriundas da torção e do cisalhamento a armadura transvesal deverá resistir aos esforços transversais oriundos de ambas solicitações. As paredes de seçao vazada de espessura t podem ser associadas, para verifiCação da segurança, podem ser consideradas, para efeito de modelo de cálculo, como sendo treliças espaciais. As diagonais comprimidas da treliça desenvolvem-se em hélice ao redor da seção vazada, com uma inclinação de 135° em relação ao eixo da peça. Os esforços solicitantes na treliça espacial é feito considerando-a como uma superposição de seções vazadas com treliças de diagonais simples, ou seja treliças planas dispostas em cada face da peça, possibilitando, deste modo, a determinação dos esforços solicitantes na treliça espacial associando aos valores 8 obtidos para treliça plana. As direções da armadura transversal, a exemplo do que foi considerado para peças submetidas à ação de força cortante, são adotadas de 45° e 90° em relação ao eixo longitudinal FIGURA 7 -Torção simples- modelo de uma seção cheia fissurada [Leonhardt, 1977] O mecanismo resistente da peça é tal que os esforços de traçao são absorvidos pela armadura transversal pois as treliças, que se formam nas faces da viga, não possuem banzes comprimidos inclinados e também não possuem diagonais comprimidas com inclinação menor do que 45°, a exemplo do que se fez para o mecanismo resistente para força cortante. 2.2. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS E TENSÕES EM TRELIÇAS ESPACIAIS 2.2.1 CASO DE ARMADURA TRANSVERSAL INCLINADAS DE 45° O modelo adotado para a determinação dos esforços internos em uma viga submetida a momento de torção consiste em associar a estrutura real a uma treliça espacial conforme mostrado na figura 8. Analisando o equilíbrio do nó A da treliça pode-se escrever: ou seja, a força atuante na diagonal tracionada é iguai à força atuante na diagonal comprimida 9 As l!amlis do benzo não são solicitadas por nenhuma força R 5 w to r Chapa extrema P!lnll a llfllieaçio de MT DisgoNis comprimidas FIGURA 8 - Treliça com armadura inclinada de 45°, [Leonhardt, 1977] Na seçao transversal representada pelo corte transversal passando pelo plano I - I, se for feita a análise do equilíbrio do esforço externo ( T ) e do esforço interno tem-se: [2] isto é, T Rsw = Rcw = b [3] w.J2 Considerando a treliça espacial adotada como modelo, é possivef referir os esforços internos à unidade de comprimento, que neste caso é determinado como sendo a distância entre dois nós da treliça distantes ai do nó em retaçêo ao qual se fará referência para calcular este esforço. Geometricamente o segmento que define o comprimento unitário é determinado sobre a reta perpendicular à direçao 10 perpendicular ao eixo da barra da treliça que representa a armadura transversal, como pode ser visto na figura 9. A unidade de comprimento é dada por: Portanto os esforços internos referidos à unidade de comprimento podem ser escritos: [4] [5] As tensOes nas barras comprimidas e tracionadas da treliça espacial podem ser calculadas entendo-se que a tensão na barra comprimida é a tensao que ocorre nas bielas de concreto da viga e a tensao na barra tracionada é a que atua na armadura helicoidal. A área da seçao transvesal da treliça ( D2m) deve ser substituída pela área da viga de seção retangular que no caso é a área média Ae da seção vazada. A expressao com a qual se determina a tensao no aço da armadura helicoidal é dada por: Rsw T Se O"s,e = As . Se sena = 2Ac. r;:; ,e Ase'\12 ' sendo, Ash a área da seção transversal da barra da armadura helicoidal e s o passo da armadura e a o angulo de inclinação da armadura adotado igual a 45° . conforme indicado na figura 9. FIGURA 9 - Área (Astor) e espaçamento (s) dos esbibos [Leonhardt, 1977] A tensão no concreto é calculada pela expressao [7] onde t é a espessura da parede da seção vazada associada à. seção real da viga. 1 1 O arranjo da armadura constituído barras dispostas longitudinalmente e distribufdas ao longo do perimetro dos estribos e por estribos perpendiculares ao eixo da viga, é o mais indicado. Pois, as barras a sua área da seçao transversal calculadas para absorver as tensOes normais oriundas da flexão e, os estribos também têm sua àrea em ·função· das tensOes tangenciais devido à flexêo. Além disto, este arranjo facilita a execução da viga na obra, em contraposição às armaduras helicoidais que exigem maior dispêndio de mão de obra. A análise dos esforços internos e tensões é feito considerando como modelo resistente a treliça da figura 1 O, que é constitulda por barras longitudinais tradonadas, barras perpependiculares ao eixo também tracionadas e por diagonais comprimidas. ~/ CNp.~~ atrel'ml p.~~ra mt'licaçio de T FIGURA 10 - Torção simples- armadura perpendicular e paralela ao eixo [leonhardt, 1977] O equinbrio do nó B, figura 1 O, fornece: [8] Analisando o corte transversal li - li da treliça e determinado-se o equilíbrio das forças atuantes, pode-se escrever: Rcw 4.R5 t = 4.---=- -.. /2 [9] e, ainda, considerando a mesma seção e, equilibrando a ação do momento torçor com as quatro forças que atuam nesta seção, vem: T - ~-Rcw bm -b P r2· - . - m··~·'li J2 2 [1 O] As forças que atuam nas bielas de concreto comprimido, na armadura longitudinal tracionada e nos estribos verticais também tracionados podem ser calculadas pelas expressões: [ 11] Rcw T Rst = Rsw = .J2 = 2 bm [12] No item anterior foi feita referência às unidades de comprimento sendo que as forças podem ser referidas à estas unidades, que estão indicadas na figura 1 O. As tensões que ocorrem na treliça são calculadas dividindo-se as forças calculadas por unidade de comprimento pelas àreas dos respectivoselementos da treliça. As tensões nos estribos verticais podem ser caiculadas por: T Se CJsw = 2 .4; · Asw As tensões na armadura longitudinal ficam: T u ast =--.- 2.Ac A 5 As tensões nas bielas de concreto são dadas por: [13] [14] [15] Comparando as expressões 7 e 15 pode-se notar que as tensões que ocorrem no concreto nas treliças com armadura constituída por estribos verticais 13 é o dobro da tensao que ocorre na treliça com armadura inclinada. As tensões observadas, neste caso, sao maiores que as calculadas teoricamente o que indica que as tensões no concreto devem ser limitadas à valores compat~veis. Leonhardt indica que para a velificaçao do equiffblio da treliça não importa a posição das barras longitudinais na seção transversal; elas podem estar distribuidas nos quatro cantos ou no meio dos quatro lados. Alerta, ainda, que para evitar o deslocamento das diagonais comprimidas é necessário, no arranjo da armadura longitudinal, prever barras posicionadas nos cantos. Porém, para limitar a abertura das fissuras, há necessidade de distribuí-las em tocio o perimetro, dispondo sempre quatro barras nos cantos. Para as vigas de concreto armado o valor de cálculo das tensões, supondo a peça com tensões compatíveis com o Estádio 11, isto é, considerando-se seção fissurada, e considerando a seçao vazada equivalente, é calculado com a fórmula de Bredt, ou seja: T Tt = 2/Aehe [16] A espessura (he) da parede da seçao vazada é determinada como o sendo o menor valor entre, um sexto da dimensao menor da seção transversal e um quinto das distância entre os eixos das barras longitudinais posicionadas nas quinas dos estribos verticais, medida paralelamente ao menor lado da seção. Para seçao retangular indica-se as diversas possibilidades para a seçao vazada equivalente. Na figura 11 pode-se notar que os eixos da barras longitudinais posicionadas nas quinas podem coincidir com os planos médios da parede da seção vazada (figura 11 a ), podem ficar situadas para dentro ( f~gura 11 . b ) , ou fiCar mais próximas das bordas ( figura 11 c ) No caso de seçao retangular a área limitada pela linha média da parede pode set calculada como a seguir se expõem, para os dois casos possiveis de determinaçao da espessura da seçao vazada: [17] b. Se ~ h = ~ e A = ~ bÍ h-~] e 6 e 6 L 6 [18] 14 t ~ -.11"---hs -,IJL----h-----,ô"- al !Esquema básico h T b l FIGURA 11 - Seções vazadas equivalentes- análise das posições das barras [Leonhardt, 1977] LEONHARDT(1977) indica que, se prevalecer o critério de he = bw/6. 1sto é. quando as barras junto as quinas do estribo vertical estao posicionadas próximos das faces da viga, deve-se adotar a seçao vazada equivalente, de tal modo que os seus lados externos coincidam com o contorno da seçao retangular da viga. No caso de seções transversais constituídas por retângulos, a área da seção vazada correspondente é determinda com os critérios indicados na figura 12a. Para seções irregulares a área da seçao vazada é área da seção da circular correspondente ao círculo de maior área incrito na seçao, conforme figura 12b. t -~ T,l - S I _j_ h dm e=-s F!GURA 12- Seções vazadas equivalentes para torção [Leonhardt, 1977] 15 4. TIPOS DE COLAPSO EM VIGAS SUBMETIDAS TORÇÃO 4.1 Escoamento das armaduras A ruptura brusca de viga submetidas a tensões oriundas da torção deve ser evitada e, para que isto ocorra uma armadura mínima, para absorver as tensões de tração, deve ser adotada. A armadura deve ser dimensionada de tal modo que, se a peça for !evada à ruina, esta deve ocorrer por escoamento da armadura e não por ruptura do concreto. Assim procedendo fissuras características do efeito de torção aparecem na peça e medidas de proteção podem ser adotadas. As tensões de tração devem ser absorvidas exclusivamente pelas armaduras convenientemente ancoradas não havendo, portanto, possibilidade de redução como feita no modelo adotado para verificação da segurança com relação à força cortante. Leonhardt, indica que assim deve ser o procedimento, pois no modelo de treliça espacial, adotado para o mecanismo interno resistente, não há nenhum banzo comprimido inclinado. 4.2 Ruptura por compressão do concreto Nas peças de concreto armado submetidas a tensões devidas a efeito de torção, as tensões no concreto são elevadas. E, as intensidades dependem do tipo de armadura adotada no projeto. Nos casos usuais a armação adotada é constitufda por estribos perpendiculares ao eixo e por barras longitudinais dispostas no perímetro dos estribos. Neste caso, ocorrem, no meio das diagonais comprimidas, junto as faces da peça, tensões da ordem de cinco vezes a tensão de torção dada pela fórmula de Bredt, ou seja, mais elevadas do que as avaliadas pela analogia da treliça espacial. Isto ocorre devido ao empenamento das faces laterais, sendo as comprimidas solicitadas com grande excentricidade. Leonhardt, indica que para as tensões oriundas da torção há necessidade de limitá-las a valores mais baixos que os adotados para o caso de solicitação de força cortante. Quando se adota armadura inclinada de 45° as tensões de compressão são cerca de quarenta por cento menores que as que ocorrem no caso de armadura perpendicular e paralela ao eixo, devido ao fato dos empenamentos serem menores. 4.3 Ruptura das quinas Devido a mudança de direção das forças de compressão nas bielas inclinadas junto aos cantos de vigas de seção retangular, surgem forças de tração que podem provocar ruptura. isto ocorre para valores tais que suplantem a resistência à tração do concreto. Para evitar isto é indicado um espaçamento máximo de estribos de lOcm. Além disto há que se adotar diâmetros elevados para as barras longitudinais 16 posicionadas nas quinas dos estribos. Leonhardt indica que a tensão de torção determinada pela fórmula de Bredt, supondo seção fissurada ( Estádio li ) e, calculada com o valor do momento torçor de cálculo ( T d ), não deve ser maior do que 4% da resistência característica à compressão determinada através de cubos de 20cm de lado. Para utilizar esta indicação é preciso transformar a resistência determinada através de cubos em resistência cilíndrica. 4.4 Ruptura das ancoragens Para evitar a ruptura da armadura na região das ancoragens, tanto as barras longitudinais quanto os estribos devem estar convenientemente ancorados Os estribos devem ser ancorados em ganchos e as barras longitudinais devem ter comprimentos de ancoragem suficientes para transferir as tensões de tração para o concreto que as envolve. 5. CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO ESPECIFICADOS PELA NB 1/18 5.1 Dimensionamento de peças submetidas a esforços de torção combinados com força cortante e momento fletor A NB1/78 indica que: quando a torção não for essencial ao equilíbrio da estrutura, a sua consideração no estado !imite último pode ser dispensada a critério do projetista. As armaduras a serem dispostas nas vigas submetidas à ação de momento torçor acompanhado de momento fletor e força cortante são calculadas considerando-se cada efeito separadamente. Assim as armaduras longitudinais são dimensionadas para o momento fletor de cálculo para absorver as tensões normais de tração oriundas do efeito de flexão. Quando se fizer o dimensionamento das armaduras longitudinais para absover as tensões de tração devidas ao efeito do momento torçor, deve-se lembrar que as barras devem ser distribuídas ao longo do perímetro dos estribos. Portanto, na região tracionada da viga, devido à ação de momento fletor, as áreas das armaduras devem ser somadas. As áreas das armaduras transversais devem ser determinadas separadamente para os efeitos da força cortante e do momento torçor. As áreas mínimas de armadura para cada caso devem ser respeitadas e os espaçamentos máximos dos estribos devem ser atendidos para ambos os casos. Com relação à verificação das bielas de concreto que são comprimidasa segurança é verificada somando-se as tensões tangenciais devidas à força cortante e à torção. A resistência de cáiculo da armadura, a exemplo do que foi indicada para tensões tangenciais para verificação das tensões tangenciais oirundas da força cortante, não deve ultrapassar 435MPa. 17 As peças torcidas de seçao vazada deverao ser enrijecidas por diafragmas transversais nas extremidades e nas seções intermecflárias onde agirem momentos de torçao concentrados importantes. Quando a torçao nao for essencial ao equilibrio da estrutura, a sua oonsideraçao no estado limite último poderá ser dispensada a critério do projetista. 5.2. CÁLCULO SECAO A tensão tangencial oriunda da torçao será [19j onde: Ae é área limitda pela linha média da parede, a parte vazada he é a espessura da parede no ponto considerado Quando o menor he for maior do que a espessura da parede fictícia da seção cheia de mesmo contorno externo, referida no item 3, adotar-se-á essa espessura em lugar de he. 5.2.1- Tensão na seção cheia As seções cheias serão calculadas como seções vazadas, com parede fictícia de espessura h 1 , de acordo com as regras que seguem A. Seções retangulares Se b e h > b forem os lados do retângulo e bs e hs as distâncias entre os eixos das barras da armadura longitudinal dos cantos, medidas respectivamente nas direções paralelas aos lados b e h, a seção vazada a considerar será a seguinte: a) se bs ~ Sb/6, a espessura h1 da parede fictícia será tomada igual a b/6 sobre todo o contorno do retângulo, considerando-se o contorno externo da parede fictícia coincidente com o contorno externo da seçao: b) se bs:::;; 5b/6, a espessura h1 da parede fictícia será tomada a bsf5 sobre todo o contorno do retângulo, a linha média desta parede · coincidindo com o retângulo cujos vértices das barras de canto da armadura longitudinal. B. Seções compostas de retângulos Para as seções compostas de retângulos (figura 13), serao aplicadas as regras anteriores a cada um dos retângulos justapostos, suprimindo-se depois os 18 elementos da parede entre os vazamentos que não atinjam o contorno externo da seção. Obter-se-á, assim, uma parede contínua envolvendo um único vazamento Quando a razão dos lados dos retângulos não estiver entre 1/3 e 3, serão desprezados trechos desses retângulos de modo a fazer que a relação fique dentro destes limites . ..... Vl .o FIGURA 13- Seção composta de retângulos [NB 1 I 1978] C Seções quaisquer de contorno convexo Para as seções de contorno poligonal convexo distinguem-se os seguintes casos: a) Se todos os ângulos do contorno forem superiores a 600, serão considerados os diâmetros b e bs dos círculos inscritos nesse contorno e no polígono formado pelos centros das seções das barras de canto de armadura longitudinal; a seção vazada correspondente será a que tem espessura b/6 e é limitada pelo contorno externo, se bs;::: Sb/6, e em caso contrário a espessura bsf5, tendo a parede por eixo central o polígono formado pelos centros das seções das barras de canto da armadura . b) Se houver ângulos menores ou iguais a 600, a parede da seção vazada será circular e inscrita no contorno externo, com espessura igual a 1 /6 do seu diâmetro. 5.2.2- Valor último de tensão de cálculo Para as peças submetidas e efeitos de torção simples ou torção com cisalhamento os valores últimos das tensões de cálculo, são os indicados na NB1178, como segue: 19 a) Torção simples com armaduras paralela e normal ao eixo da peça: rtu = 0,22fcd :::; 4MPa b) Torção simples com armadura inclinada a 450 c) Torção e flexão: rtu = 0,27fcd :::; SMPa 7 wd + 7 td :::; 1 7wu 7tu [20] [21] [22] Quando a peça estiver exposta à ação prejudicial de agentes externos, tais como ácidos, álcalis, águas agressivas, óleos e gases nocivos, temperatura muito alta ou muito baixa, os valores últimos das tensões de cálculo serão divididos por 1,2 mantidos, porém, os limites absolutos. 5.2.3- Resistência do banzo comprimido Nas seções em que a torção atua simultanemanete com solicitações normais intensas, que reduzam excessivamente a profundidade da linha neutra, particularmente em vigas de seção celular, o valor de cálculo da tensão principal de compressão não deve superar o valor 0,85 fcd· Esta tensão principal deve ser calculada como em um estado plano de tensões, a partir da tensão normal média que age no banzo comprimido de flexão e da tensão tangencial 'ttd de torção. 5.3- CÁLCULO DAS ÁREAS DAS ARMADURAS 5.3.1- Generalidades A armadura longitudinal de torção de área total Ast poderá ter arranjo distribuído ou concentrado, mantendo-se obrigatoriamente constante a relação Msl~u, onde ~u é o trecho de perímetro, da seção efetiva, correspondente a cada barra ou feixe de barras de áreas Mst. Nas seções poligonais, em cada vértice dos estribos de torção, deve ser colocada pelo menos uma barra longitudinal. 20 5.3.2 Armadura para torção composta Nas peças submetidas à torção e flexão simples ou composta, as armaduras longitudinais devem ser calculadas separadamente para a torção e para as solicitações normais, como exposto a seguir. a. Armadura longitudinal Nas zona tracionada pela flexão, a armadura de torção é acrescentada à armadura necessária para solcitações normais, considerando-se em cada seção os esforços que agem concomitantemente. b. Armadura longitudinal no banzo comprimido por flexão No banzo comprimido pela flexão, a armadura longitudinal de torção pode ser reduzida em função dos esforços de compressão que atuam na esfessura efetiva het e no trecho de comprimento u correspondente à barra ou feixe de barras consideradas. 5.3.3- Armaduras para caso de torção simples A armadura de torção será toda ela contida na área correspondente à parede fictícia: a. quando a armadura for composta de barras longitudinais e estribos normais ao eixo da peça, deve-se-á ter Td -=-= Vlefyd s u [23] onde: A90 = área da seção transversal de um estribo, simples ou múltiplo, normal ao eixo da peça Ast = soma das áreas das seções das barras longitudinais Ae = área limitada pela linha média da parede, incluindo a parte vazada u = perímetro de Ae s = afastamento entre os eixos dos estribos b. quando a armadura for inclinada a 450 sobre o eixo da peça, dever-se-á ter A4s Td -- s 2J2.Aefyd [24] onde: A45 = área da seção da barra inclinada a 450 21 s = distância entre os eixos dos ramos da barra inclinada a 450, medida paralelamente ao eixo da peça. 5.3.4 - Area da Armadura Minima Na armadura de torçao, o volume das barras longitudinais, o volume dos estribos ou o volume das barras indicadas a 450 , em determinado trecho da peça, nao deve ser inferior, cada um deles, a 0,25% do volume do concreto nesse trecho, considerada apenas a parede, real ou flcUcia, para os aços CA-25, ou a O, 14% desse volume para os aços, CA-50 e CA-60. 5.3.5- Espaçamento Máximo entre as barras que compõem a armadura Quando 'ttd 2! 0,6 'ttu o espaçamento das barras da armadura transversal, medido paralelamente ao eixo longitudinal da peça, nao deve ser superior ao menor dos três valores seguintes. - metade da menor dimensao transversal da peça; - um terço da maior dimensao transversal da peça; - 20cm. 22 6 EXEMPLO DE APLICAÇÃO 6.1. Apresentação Este exemplo de estrutura linear em concreto armado submetida a tensões tangenciais oriundas da torção e flexão foi desenvolvido inicialmente, como nota de aula, em trabalho de Pinheiro e Giongo [1979]. O exemplo apresentado nesta secção é relativo ao projeto estrutural de uma marquise, normalmente adotada nos projetos arquitetônicos para as entradas dos edifícios. A estrutura da marquise, neste caso, é constituída por laje maciça em balanço e viga contínua vinculada a três pilares. A figura 14 representa a forma estrutural da estrutura da marquise. O desenho da forma estrutural das estruturas de edifícios, construídosem concreto armado, são desenhados com o observador posicionado no nível inferior à estrutura que se quer mostrar e olhando para cima. Por isto os traços internos da viga e das nervuras na borda da marquise são desenhados em traço pontilhado. O corte transversal pode ser representado no próprio desenho da forma estrutural, desde que ai seja rebatido, ou fora dela, conforme mostrado na figura. ~~-4~----------~3~53~--------~~30~--------~3=5~3------~----~Qf I Pl ....E_L i 20130 Vl ( 20 x 50 l 20/30 2 -o .,;-I õ ------- ------------ I~ X I S 1 10 LOl ~ L_ _________________ V~l_l~x~O_!_ _______ _ íl FORMA ESTRUTURAL ESC.: 1:50 o r') 776 V2 V3 LDl 85 CORTE ~ ESC. 1:20 Figura 14- Forma estrutural da marquise 23 IS 1- 1.,; I> _ ____ j Vl o l[) I I , I A marquise deste projeto é inacessivel a pessoas, isto é, acessfvel apenas a pessoas responsáveis por manutenção. O projeto arquitetônico prevê uma nervura em concreto aparente em todo o contorno, como pode ser visto no desenho da forma estrutural da marquise. A nervura é invertida, ou seja, a face inferior da nervura coincide com a face inferior da laje da marquise. As dimensões dos lados da seçao transversal dos pilares são 20cm e 30cm, sendo esta medida paralelamente ao eixo da viga; as dimensões da viga são -largura (bw) igual a 20cm e altura (h) de 50cm; a largura da nervura é igual a 10cm e a altura de 40cm. A largura da laje da marquise é de 90cm. Todas as medidas indicadas se referem as medidas da forma estrutural e não da edificação acabada que deve prever as espessuras dos revestimentos. A espessura da laje (h), em balanço, foi adotada com 1 Ocm e altura útil (d) com 8cm. Considera-se que as dimensões adotadas são de prédimensionamento que podem ser confirmadas ou modificadas na fase de dimensionamento, isto é, fase de verificaçao da segurança da estrutura em face dos esforços solicitantes de cálculo que atuam na estrutura em função das ações. As ações são as permanentes - calculadas em função dos pesos próprios dos materiais que compõem a estrutura e os materiais de acabamento da obra - e, as variáveis normais determinadas em funçao da utilizaçao da obra e indicadas na N B 5/80. O projeto arquitetônico prêve concreto aparente como acabamento e sobre a viga V 01 há uma parede de alvenaria de tijolos maciços de uma vez, isto é, com espessura total acabada de 23cm, ou seja, tijolos com 19cm de espessura e 2cm de revestimento de reboco em cada face .. 6.2 Dimensionamento da laje da marquise Na laje da marquise existem dois tipos de ações: as ações uniformemente distribuidas na laje e as linearmente distribuídas no contorno externo da marquise, representada pela nervuras. 6.2.1 Ações uniformemente distribuídas As ações permanentes diretas são as representadas pelo peso próprio da laje e pelo revestimento na face superior da laje, realizado com argamassa de cimento e areia com impermeabilizante. - açao devida ao peso próprio da laje gPP = 0,10. 25 = 2,50kNfm2 sendo esta açao por unidade de área definida pelo produto da espessura da laje, em metro, e pelo peso especffico do concreto; - ação devida ao peso próprio da camada impermeabilizante gpp,imp = 0,03 . 21 = 0,63kNJm2 24 sendo a espessura da camada de argamassa impermeabilizante adotada de 3cm. Esta camada impermeabilizante serve também como regularização da face superior da laje, sendo que terá inclinação prevista para escoamento de água pluvial. oomo é o caso desta laje de marquise inacessfvel a pessoas a 5/80 prevê uma ação uniformemente distribuída considerada para a situaçao de utilização de manutenção de: q = 0,5kNJm2 ação atuante na é somatório das ações permanentes e variável normal, resultando: g + q = 2,50 + 0,63 + 0,5 = 3,63 kNJm2 Esta ação representa a ação total posslvel que atuará na laje; na maioria do tempo de vida útil da estrutura deve atuar apenas as ações permanentes, pois a utização da laje da marquise nao prevê o acesso de pessoas. Ela tem finalidade arquitetônica de cobrir a entrada do edifício. 6.2.4 Uniformemente distribuída no contorno No contorno da laje da marquise há uma ação de peso próprio devida as nervuras, em concreto aparente. A força relativa a este peso próprio é dada por: 9pp,nerv = 0,10 . 0,30 . 25 = 0,75 kN/m 6.2.5 Cálculo das solicitações A vinculélção considerada para a laje da marquise é de engastamento da laje na viga interna: Esta consideração é a única possivel, pois o elemento estrutural capaz de fornecer reaçOes que mantenha o equilfbrio da laje é a viga. Com isto a laje têm, ao longo da ligação oom a viga, a ação de momento fletor uniformemente distribuído e força cortante uniformemente distribulda. Para determinação dos esforços solicitantes na laje, pode-se considerá-la como sendo uma sucessao de faixas unitárias, com a mesma condição de vinculação da laje e com o mesmo vao teórico. O comportamento das faixas é idêntico ao de viga em balanço. Esta consideração é possfvel pelo fato da laje ser armada em uma direçao, isto é, a laje têm três bordos considerados livres, pois as nervuras nos bordos nao têm finalidade estrutural. Na figura 15 encontram-se as dimensões geométricas, as indicações das ações atuantes e os diagramas dos esforços solicitantes. 25 rNERV" 0,75 kN/m 100 1----g +q = 3, 6 3 k N /m 2 i ====:dm, FIGURA 15- Vinculação, ações e esforços solicitantes Os valores do momento fletor máximo e força cortante, atuantes nas seções do engastamento da laje sao dados por: m'x = 3·~1•02 +0,75.1,0 = 2,57kNm I m V'x = 3,63.1,0 + 0,75 = 4,38kN I m sendo que os esforços solicitantes assim calculados representam os valores caracterfsticos, e para estes cálculos foi considerado como distancia da ação da nervura até a seçao do engastamento o comprimento teórico do balanço que é de 1m. 6.2.6 Verificação das tensões devidas à força cortante Nesta fase do projeto, antes de se determinar as armaduras necessárias e verificar a capacidade resistente da seçao transversal em absorver tensOes normais, é necessário verif~ear a capaciade resistente às tensões tangenciais. A tensao de referência com a qual se verifica a capacidade resistente às tensões tangenciais é dado por: V' x,d 1,4.4,38 O nno ,_,,.e I _? O 08Mil:) 1:wd = bw.d = 1 OO.B = ;vuonnu c:nr = , r8 26 Este ultrapassar o limite de 'tbu dado, no anexo da NB 116/90, por: "rbw = P 6.2.7 a altura da laje é igual a 1 Ocm espessura relativa a este haver colapso da seçao do concreto comprimido das armadura transversal nas lajes usuais de estruturas de as dimens6es das espessuras das lajes sao de 1 Ocm e, na maioria dos casos nao ultrapassando 15cm, fica o trabalho de mao de obra de confecção e montagem de estribos com comprimentos dos ramos da ordem de 6cm. Assim estribos sao utilizados em lajes nos casos de grandes valores de forças cortantes e quando, por indicações do projeto arquitetônico, nao há possibilidade de se aumentar a espessura laje. O anexo da 116 /90 prevê que nos caso em que a tensao de referência ( 'twd) for menor que um particular da tensao última de cisalhamento ( twu1) pode-se considerar que só o concreto é capaz de absorver as tensOes de traçao transversais devidas à açao da força cortante. O valor de twu1 pode ser determinado com os critérios indicados na norma citada ou usando tabela apresentada por GIONGO e TOTTI(1994) e PINHEIR0(1993), resultando: ~wu1 = ljl4- Jt;k O valor de para ações uniformemente distribufdas é determinado em tabela, apresentada nos autores citados, em funçao da altura da laje (h) e da taxa geométrica da armadura longitudinal (p1) que neste exem~o é de 0,15%.Portanto: -rwu1 = 0;227. J2õ = 1,02MPa ft"l~.?'lll transversal na laje. 6.2.8 Detenninação A determinaao eixo IOrnln:u::~u da viga e deve ficar junto à face superior 27 da laje, é feita usando-se as tabelas tipo k, indicadas em Pinheiro (1993). Com isto se faz simultaneamente a verlficaçao da capacidade resistente do concreto sob açao de tensões normais e se determina a área de armadura iongitudinal. Para o momento fletor solicitante de valor caractertstioo de 2,57kN/m calcula-se o valor de kc dado por: ~., = bw. d2 = 1 oo.a2 - 17 a nc 1,4.257 - ' Na tabela indicada em Pinheiro, determina-se o valor de ~ e, com este determina-se o valor da área da seção transversal da armadura principal da laje, que é calculada por: kc = 0,024 ................... .4s = 0,024. 1 •4·~7 = 1,0&rn2 I m As peças estruturais fletidas devem ter área da seção transversal de armadura respeitando as indicaçOes da NB 1/78 com relaçao ao valor mfnimo, que é dado por: 0,15 2 .4smin = 0,15%.bw.h = 100 .100.10 = 1,5an I m A área de armadura efetiva nao deve ser menor que a área minima de armadura que no caso desta laje é maior do que a calculada Os espaçamentos entre as barras da armadura deve respeitar a indicaçao da NB 1/78 com relaçao aos valores máximos. Assim, o espaçamento máximo, nao deve ser maior que duas vezes o valor da espessura da laje ( 2. h), que por sua vez nao deve ser maior que 20cm, como valor absoluto, no caso de laje armada em uma direçao . A distribuiçao de armadura que respeita estas indicações e atende a área de armadura mfnima calculada é representada pela área efetiva de armadura de As = 1 ,58 cm2fm, correspondente a um diametro de 6,3mm distribuído a cada 20cm, conforme pode ser observado em tabela apresentada em Pinheiro. As lajes armadas em uma direçao devem ter, posicionada na direção secundária, uma armadura de distribuição de área igual a 1/5 da área da armadura principal mas nao menor do que 0,9 cm2/m. Ao se detalhar esta armadura de distribuiçao deve-se atentar para a indicaçao da N B 1 ns com relação ao fato de se ter pelo menos três barras fazendo parte desta armadura. O espaçamento máximo entre as barras da armadura de distribuiçao indicado na NB 1/78 é de 33cm. Com as indicações citadas a área transversal da armadura de distribuíçao efetiva é de 0,91 cm2Jm representada pela distribuiçao de um diametro de 5mm a cada 22cm. 6.2.9 Detalhamento esquemático das armaduras O detalhamento esquemático das armaduras dimensionadas pode ser visto na figura 16, onde se destacam a posiçao em verdadeira grandeza as barras da 28 armadura principal e em corte as barras da armadura de distribuição. Deve-se observar que as armaduras da laje em balanço são posicionadas junto a face superior, isto é, onde ocorrem as tensões longitudinais de tração, sendo portanto, a face inferior da laje submetida a tensões longitudinais de compressão. 11'\ 1\ 0sPRINC. '\ '\ '\ \ \ \ ~ 6,3 c/20(122) 106 '\ '\I \ 1\ í1l 5 c/22 0 sDIST. 2 FIGURA 16 - Detalhamento esquemático da armação da laje 6.3 DIMENSIONAMENTO DA VIGA As ações que atuam na viga são as diretas - que atuam diretamente na viga -representadas pelos pesos próprios da viga e da parede de alvenaria construída sobre ela e, as ações uniformemente distribuídas, por unidade de comprimento, oriundas da reação de apoio da laje. Além destas há que se considerar as ações oriundas da laje representada pela reação de apoio que é numericamente igual a força cortante que atua na laje ou seja, vale a lei da ação e reação. Os tramos da viga estão submetidos a ação de momento uniformemente distribuído que é igual ao momento fletor atuante na ligação da laje com a viga, onde, lembra-se, foi considerada engastada. 6.3.1 Ações a considerar a. Peso próprio da viga A força atuante na viga devida ao seu próprio peso, por unidade de comprimento é dada pelo produto da área da seção transversal pelo peso específico do concreto, ou seja: gpp, = 0,20 . 0,50 . 25 = 2,50 kN/m b. Peso próprio da parede de alvenaria O peso próprio da parede de alvenaira, por unidade de comprimento da viga, é calculado pelo produto da altura da parede pela massa da parede por 29 unidade de área. No caso de parede de um tijolo furado rebocada nas duas faces, o peso próprio por unidade de área é de 3,2 kN/m2. Ou seja: gpp,alv = 2,0 . 3,2 = 6,40 kN/m c. Ação na viga devida a laje A ação na viga devida as ações que ocorrem na laje são numericamente igual à força cortante que atua na laje - lei da ação e reação. O módulo da reação de apoio, como já calculado no item 6.2.3, é igual a 4,38 kN/m. 6.3.2 Determinação dos momentos fletores e forças cortantes O modelo adotado para o esquema estrutural da viga, para a determinação dos momentos fletores e forças cortantes, é aquele que considera a viga simplemente apoiada nos pilares. Para a avaliação dos momentos torçores há que se considerar os dois tramos das vigas engastados nos pilares. Para cálculo dos esforços solicitantes na viga se utilizará o processo de Cross para determinação do momento fletor atuante na seção transversal que coincide com o eixo do pilar P 2. Os momentos fletores atuantes ao longo dos tramos, bem como os valores das forças cortantes são determinados a partir do conhecimento do momento fletor negativo atuante no apoio central da viga. A figura 17 representa o modelo de vinculação adotado para a determinação dos momentos fletores e forças cortantes atuantes na viga. Indica os vãos teóricos - distâncias entre os centros dos pilares, as ações uniformemente distribuídas atuantes nos trames, os índices de rigidezes dos trames (r= 1/t) e os coeficientes de distribuição dos momentos fletores no apoio central ( ~t = rt::_r ), os momentos fletores de engastamentos perfeitos, a distribuição dos momentos fletores no apoio central, o cálculo dos valores das forças cortantes, as abscissas das seções, a partir da esquerda, onde atuam os máximos valores dos momentos fletores de sinal positivo e na linha seguinte, os valores característicos destes. Estão indicados também os valores de cálculo dos momentos fletores máximos que provocam tração nas fibras superiores ( M'd ) e inferiores ( Md ) e os valores das forças cortantes atuantes nas seções transversais que coincidem com os eixos dos pilares. As armaduras longitudinais devidas as ações dos momentos fletores são também mostradas na figura. 6.3.3 Determinação dos momentos torçores Os momentos torçores atuantes nos trames das vigas são determinados com o modelo de vinculação indicado na figura 18. A ação que provoca o efeito de torção na viga é numericamente igual ao momento fletor oriundo da consideração de engaste da laje da marquise na viga. As reações de apoio, que sao momentos atuantes na seção de ligação da viga com os pilares, 30 v 1 ( 20 l( 50) .L.l... 383 Pl 19,1 9pp= 2,50 ' 9par= 6,40 LAJE=~ 13' 28 r 543,9 5 0,50 - 24,3 5 2 5, 4 3 25 '43 - 6' 3 6 + 6,36 ~9 '07 31 '79 1,4 4 13,69 26,7 44,5 19,2 792 30 10 15 I ~5 I 3 I2'J lO 792 ..c:,._ 383 P2 63,6 2, 50 6,40 4,38 13,28 543, 95 0,50 + 24,35 25' 4 3 +6, 36 31,79 2, 39 13,70 34,1 44,5 19,2 (822) (822) L[.l... P'3 19,1 25,43 -6,36 19,07 26,7 ~= ~rvig 20x 50 3 12x 383 543,95 0,50 13,28 X 3,83 z Mk = Meng= 8 24,35kNm X l 15 I~ 5 FIGURA 17- Determinação dos momentos fletores e forças cortantes 31 são determinadas com as condições de equilíbrio da estática das estruturas. O módulo do momento torçor é determinado pelo produto do momento uniformemente distribuído aplicado ao longo do eixo da viga pelo comprimento teórico do tramo e dividido por dois. Analisando o diagrama de momentos torçores atuantes no tramo percebe-se que, a exemplo do que ocorre com as forças cortantes, os valores máximos atuam nas seções dos engastamentos junto aos pilares. ~~ - ~ 0 t >> >> 3> -383 )(t T - T - 2,57. 3,83 - 4 92 kN Pl- P2- 2 - • m 'JdPl = T dPZ = 6,89 kN m FIGURA18 - Determinação dos momentos torçores 6.3.4 Verificações da segurança da viga a. Tensões normais Para verificar se as dimensões adotadas para a seção transversal estão compatíveis com os valores dos momentos fletores calculados, pode-se determinar o valor do momento fletor limite. Este momento fletor é o relativo ao limite entre os domínios 3 e 4 de deformações; se o momento fletor de cálculo para uma seção transversal for maior que o momento fletor limite há que se prever armadura dupla, em caso contrário armadura simples. O valor de Mdlim é determinado usando as tabelas tipo k de Pinheiro (1993) com kc igual a Kc1im , que para o caso de se adotar concreto C 20 e aço CA 50 A vale 2,2. O valor do momento fletor de cálculo limite para a seção transversal da viga da marquise é dado por; 20.522 Md lim = 22 = 24582kNcm = 245,8kNm Como o valor do máximo momento fletor de cálculo que atua na viga é de 34,1 kNm, com certeza todas as seções transversais devem ser armadas com armadura simples. 32 b. Tensões tangenciais b.1 Força cortante A tensão tangencial de cálculo de referência twd não deve ser maior do que o valor último indicado na N B 1 . Se isto ocorrer as dimensões da seção transversal devem ser aumentadas. Esta verificação pode ser feita comparando o valor da força cortante de cálculo máxima atuante na viga com o valor da força cortante última. O valor da força cortante última pode ser calculado pela expressão, conforme mostrada em GIONGO e TOTTI(1994): Vdu = 0,1. twu .bw .d O valor da tensão última de cisalhamento para o concreto C 20 é 4,286 MPa e, com bw e d iguais a 20cm e 47cm, respectivamente, resulta: Vdu = 0,1 . 4,286. 20. 47 = 402,9 kN Como o valor da máxima força cortante de cálculo atuante na seção transversal é de 45,4 kN e, portanto, menor que o valor último, não há necessidade de se alterarem as dimensões da seção transversal da viga. Comparando os valores das forças cortante de cálculo atuante nas várias seções da viga com valor da força cortante de cálculo mínima pode-se determinar as regiões que deve ter armadura transversal calculada ou mínima. O valor de Vdmin é dado pela expressão: Vdmin = O, 1 · 'twmin .bw .d para concreto C 20 o valor de twmin é de 1,113 MPa, resultando: Vdmin = 0,1 . 1,113. 20. 47 = 104,6kN Como os valores das forças cortantes de cálculo atuantes na seção transversal são menores do que o valor de V dmin todas as seções transversais terão armadura mínima. b. 2 F orça cortante com momento torço r A verificação da segurança da seção transversal de vigas submetidas a ação de força cortante e momento torço r é feita com a expressão: 1:wd + 1:td nos=, 4 Este transversal da armadura é menor que o mínimo de 1,5cm2, que deve prevalecer em relaçao ao valor calculado (As= 0,98cm2 ). Recorde-se que as áreas das armaduras longitudinais calculadas para absorver momento fletor devem ser acrescidas das áreas das armaduras longitudinais calculadas para absorver momento torçor. 6.3.6 Cálculo cortante transversal para absorver a açio da forç~ Como foi vistCI no item 6.3.4-b1 o valor da máxima força cortante atuante nas barras da viga 44,5kN é menor que o valor da força cortante mínima de cálculo ( 104,6kN ). Esta condição indica que a armadura calculada é menor que a minima e, portanto, esta deve ser a adotada. A NB1!78 indica como taxa minima, para aço CA 50 ou CA 60 como armadura transversal, o valor de O, 14%. Foi mostrado e trabalho de GIONGO e TOTTI(1994) que a expressão com a qual se determina a área mlnima de armadura transversal para força cortante é: Awmin = 0,14.,-- ..... (cm2 / m) onde n é o número de ramos verticais do estribo. No caso do exemplo resulta: 20 Awmin = 0,14. 2 = 1,40crn2 I m 6.3.7 Cálculo absorver o momento torçor Na figua 18 determinou-se o valor máximo do momento torçor de cálculo que é de 6,89kNm. Lembre-se que as expressões com as quais se determina as áreas das seções das armaduras transversal e longitudinal é dada por: t"d - = - = -:--:,--------:-- 2.t\e.fyd s n com as indicações já feitas no item 5.3.5 o valor do terceiro membro da expressao anterior é dado por: t"d 689 2 Ae. fyd = 2616.50 /1,15 = 0·0129 A determinação da área de armadura transversal e longitudinal para absorver momento torçor é feita com a expressão: ----- -s n 6.3.8 Determinação finais a. Área da armadura transversal e transversal Como foi visto vale a superposição dos efeitos da força cortante e do momento fletor. Calcula-se a área da armadura transversal final, somando-seos valores parciais determinados nos ítens 6.3.6 e 6.3.7, resultando portanto: Aswtotal = Asw + Aoo = 1,40 + 1,29 = 2,69em2fm ' O espaçamento máximo entre os estribos nao deve ultrapassar os valores indicados na N B 1/78 nos casos de peças submetidas a ação de força cortante e de momento torçor. Para ação de força cortante o espaçamento máximo entre estribos é o menor valor entre: metade da altura útil ( d) = 0,5 . 47 = 23,50cm; 30cm ou doze vezes o diâmetro da barra longitudinal comprimida, quando exigida pelo cálculo, o que nao ocorre neste exemplo. Para a ação do momento torçor o espaçamento máximo dos estribos é o menor valor entre: metade da largura da viga = 0,5 . 20 = 1 Ocm, um terço da altura da viga = 0,33 . 50 = 16,7cm e 20cm. De todos os valores indicados percebe-se que o espaçamento máximo entre os estribos é de 1 Ocm. Consultando tabela pertinente em Pinheiro, percebe-se que para as condições indicadas, Asw,total = 2,69cm2fm e espaçamento máximo de 10cm, pode-se adotar para armadura transversal: ~6,3 c/1 Ocm, perfazendo uma área de armadura transversal efetiva de 3, 15cm2fm. b. Áreas de armadura longitudinal Como a viga é contínua há que se considerar os casos de armaduras junto a face superior, junto a face inferior e junto aos ramos dos estribos. Devem ser somadas as áreas das armaduras longitudinais calculadas para absorver momento fletor e momento torçor. 37 b.1 . Armadura longitudinal superior As,sup = 1,74 + 1,29. b5 = 1,74 + 1,29. 0,14 = 1 ,92cm2 Considerando que a área de uma barra de 10mm é 0,8cm2 tem-se: para área efetiva da armadura longitudinal superior 2,40cm2, ou seja, 34p10. b.2. Armadura longitudinal inferior As,inf = 1,50 + 1,29. O, 14 = 1 ,68cm2 Considerando que a área de uma barra de 1 Omm é 0,8cm2 tem-se: para área efetiva da armadura longitudinal superior 1 ,60cm2, ou seja, 2$10. b.3. Armadura longitudinal junto aos ramos dos estribos As,lateral = 1 ,29 . hs = 1 ,29 . 0,44 = 0,57cm2 Considerando que a área de uma barra de Smm é 0,20cm2 tem-se: para área efetiva da armadura longitudinal superior 0,60cm2, ou seja, 3$5, dispostas em cada face da viga. Como pode ser visto na figura 19, optou-se por posicionar 4q>5 em cada face, sendo que uma destas barras serve como armadura para posicionar a armadura principal da laje da marquise. 6.3.9 Detalhamento esquemático da seção transversal da estrutura da marquise. A figura 19 representa o detalhe esquemático da seção transversal da viga e da laje da marquise. As armaduras indicadas nestes elementos estruturais são as calculadas nesta memória de cálculo. Lembrando que as nervuras em concreto armado, na borda da laje não são estruturais, é necessário se determinar uma armadura construtiva, tanto longitudinal como transversal. É conveniente adotar para área da seção dessas armaduras os valores mínimos indicados na NB1/78. a. Armadura longitudinal na nervura Lembrando que para a área da armadura longitudinal de vigas a N B 1/78 indica o valor da taxa de O, 15%, resulta: flsmin = 0,15%. bw. h = ~~ .1 0.40 = 0,60cm2 I m Esta armadura é representada por 2$6,3mm, As eft = 0,64cm2. Sendo que as barras são posicionadas duas junto a face superior e duas junto a face inferior da nervura. 38 b Armadura transversal na nervura A área mínima de armadura transversal posicionada nas nervuras é dada .nervura bw 1 O '/ -·-·-'--·- = 0,14.- = 0,14 - 2 = 0,70cm- l m s n n Representada pela armadura efetiva de 1,11 cm2fm, ou seja, ~5 c/18crT· ~o 6 4405 c/18(95) 8 N5 N5 Nl- 41 0 6,3 c/20( 122) 106 N2-1305 (792) N 3- 2 d 0 lO ( 8 22 l N5- 2x2 QJ 6,3(792) N3 16 N4-79 0 6,3 c/10 (135 l N3 ·8 19 - Detalhamento das seções transversais da viga, laje e nervura 39 o cálculo 5 e/ou NBR 6120 ) elementos Setor de PubiicaçOes. Concreto. Princlpios básicos 1. Livraria lnterciência 11. Editora Globo. Porto