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Classificação da Posse I. Quanto ao exercício e gozo (Posse direta e Posse indireta) Possuidor é quem dá destinação econômica ao bem, ou seja, é aquele que exerce qualquer um dos poderes inerentes à propriedade (poder de usar, gozar, dispor e reaver). ☆ Posse direta: é aquela exercida mediante o poder material ou contato direto com a coisa; É aquela em que o possuidor tem contato direto e imediato com a coisa. Se o possuidor exercer qualquer um desses poderes em contato direto e imediato com a coisa ele é possuidor direto. Seria o inquilino (aluguel), comodatário (empréstimo), depositário (quem recebeu para guardar como depósito). ☆ Posse indireta: é aquela exercida por via oblíqua. É aquela em que o possuidor não tem esse contato direito e imediato com a coisa, apesar de ele poder dar destinação econômica. Se o possuidor exercer qualquer um desses poderes sem contato direito ou imediato com a coisa ele é possuidor indireto. Seria aquele que depositou, emprestou, o locador, o proprietário da coisa. ☆ Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. São as dívidas de contrato. O locatário que quem a coisa em razão de um contrato, ou real (usufruto), não anula a indireta (de quem ele foi havido), podendo o possuidor direto defender sua posse contra o indireto. Foi o exemplo que o locatário pode se defender contra o locador. Quando houver posse direta e posse indireta, o possuidor direto pode proteger sua posse, inclusive contra o possuidor indireto, através de uma ação possessória. ☆ Paralelismo ou desdobramento da posse. Quando tem uma situação de posse direta e posse indireta, diz que existe o paralelismo ou desdobramento da posse. É uma situação de posse direta e posse indireta. II. Quanto à existência de vício (Posse justa e Posse injusta) Para saber se a posse é justa ou injusta, é preciso saber se a posse é clandestina, violenta ou precária. Quando se trata de posse justa ou injusta, está se referindo aos critérios objetivos da posse, que são os defeitos da posse em si. → Critério objetivo da posse O critério de classificação da posse ser justa ou injusta é de natureza objetiva, relacionada única e exclusivamente com a posse em si. ☆ Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária. Diz que a posse justa é aquela que não é violenta, clandestina ou precária, ou seja, posse injusta é aquela violenta, clandestina ou precária. Quando você toma a posse de alguma coisa, mediante violência, clandestinidade ou precariedade. Será analisado como a forma foi obtida, se ela não foi obtida de forma violenta, clandestina ou precária: a posse é justa. Agora, se ela foi obtida de forma violenta, clandestina ou precária, ela é injusta. ☆ Posse violenta: é aquela obtida por meio de esbulho, for força física ou violência moral. Na posse violenta, dá para associar a roubo. Aqui, você tomou posse através de um roubo. É aquela obtida por meio de esbulho, que é a apropriação violenta da coisa, podendo ser uma força física ou grave ameaça. Quando se toma a coisa de alguém diante de uma violência, onde você invadiu uma propriedade de alguém de forma armada ou de forma violenta, você tirou essa pessoa dessa propriedade, então a posse foi violenta. Se você tomou posse de alguma coisa de forma violenta, sua posse não é justa. E deveria ser chamada de posse obtida de forma violenta. ☆ Posse clandestina: é aquela obtida às escondidas, de forma oculta. Na posse clandestina, dá para associar a furto. Aqui, você tomou posse através de um furto. É aquela posse feita às escondidas, de forma oculta. Quando a pessoa saiu para viajar e durante a noite foram lá e invadiram a propriedade dela, isso é uma posse clandestina. Se você tomou posse de alguma coisa de forma clandestina, sua posse não é justa. E deveria ser chamada de posse obtida de maneira clandestina. ☆ Posse precária: é aquela obtida com abuso de confiança ou de direito. Na posse clandestina, dá para associar a apropriação indébita. Aqui, você tomou posse através de uma apropriação indébita. É aquela obtida de comum acordo com o possuidor. No entanto, quando o possuidor pede para devolver o bem, aquele que recebeu o bem não devolve. No caso do locatário, é quando você alugou sua casa para uma pessoa e entregou a casa para a pessoa, acabou o contrato de locação, e você pede a casa de volta e a pessoa não devolve, essa pessoa está adquirindo a posse de forma precária. Pois ela até adquiriu a posse de forma lícita (não foi de forma violenta e nem foi de forma clandestina), você passou a posse para ela de forma lícita, livre e consensual. Porém, no momento da devolução ela se recusa a devolver, e isso é chamado de posse precária. É quando se obteve a posse de forma lícita, só que na hora de devolver você não devolveu, aí houve uma interversão da posse, ou seja, mudou a natureza dela. Observações Aquisição de Posse Violenta e Clandestina Comentário: A aquisição dessa posse clandestina e violenta, no momento da violência não existe posse. Enquanto você está brigando para entrar no terreno, ou seja, enquanto você está brigando para com a pessoa para tomar a posse, não há posse ainda. Só vai haver posse, quando você conseguiu com todas as suas forças tirar a pessoa de lá, ou o contrário também. Pergunta: Vamos supor que você seja a vítima. Você está na sua casa, vem alguém de forma armada e fica no lado de fora da sua casa, apontando uma arma e ameaçando de te matar. Ele está tomando posse? É uma posse violenta? Resposta: Não, ele está apenas tentando a posse. Enquanto ele está praticando atos de violência não é posse em si, ele está tentando. Nesse momento ele não tem posse, ele está apenas tentando a posse. Comentário: Só pode dizer que tem posse violenta quando ele finalmente conseguiu te tirar do lugar. Se ele conseguiu tirar você e se cessou a violência, aí que tem posse violenta. Pergunta: Mas acabou a violência? Resposta: Acabaram os atos de violência, mas a posse dele foi obtida por meio violento, então eu chamo de posse violenta. Comentário: Mas a posse mesmo se obtém, na hora que cessar os atos de violência, durante os atos de violência não tem posse, pois às vezes ele pode ficar com a prática desses atos violentos há muito tempo. Pergunta: Esse muito tempo já conta como posse dele? Resposta: Não, enquanto você não sair de lá, mesmo diante das ameaças dele, ele não tem posse. A posse não conta em favor dele, ele não tem posse enquanto ele está ameaçando ou praticando violência, como jogar pedras na porta. Comentário: Enquanto ele está praticando atos violentos, ele não tem posse, ele só tem posse, na hora em que ele entrou e cessou qualquer ato violento, só aí ele tem posse. Comentário: E a posse é chamada de posse violenta, pois ele obteve de forma violenta, não porque ainda tenha violência, mas porque ele obteve de forma violenta. Comentário: Não é que perduram os atos de violência ou que perduram os atos de clandestinidade, é que essa posse foi obtida de forma violenta ou de forma clandestina. Acerca da Posse Precária Comentário: Na posse violenta e na posse clandestina, após a posse a violência cessou. Comentário: Agora, na posse precária é diferente, pois nunca vai deixar de ser precária, enquanto não for devolvida, ela nunca vai deixar de ser precária. Comentário: Enquanto ela não for devolvida ela vai continuar sendo precária, pois você pediu e a pessoa não te devolve, a precariedade está sempre lá, enquanto ela não te devolver vai continuar sendo precária. ☆ De início, é lícita. Quando o possuidor precário não devolve, ela se torna ilícita, por meio do fenômeno da interversio possessionis(interversão da posse). Outra característica quanto à obtenção da posse, é que geralmente, a forma que essa posse é obtida vai ser a forma como ela vai ser para sempre. Então, como você obteve a posse de forma violenta, a posse vai ser violenta para sempre. Como você obteve a posse de forma clandestina, ela vai ser clandestina para sempre. Mas na precariedade não é assim, pois você obteve a posse de forma lícita, só que na hora de devolver você não devolveu, aí houve uma interversão da posse, ou seja, mudou a natureza dela. Pergunta: Uma posse violenta, em algum momento pode deixar de ser violenta? E uma posse clandestina, em algum momento pode deixar de ser clandestina? Resposta: Pode. Será usado um exemplo para explicar. Exemplo: Você viajou e alguém invadiu sua casa e você não está sabendo (continua clandestino). Mas aí quando você fica sabendo que alguém invadiu sua casa (a posse continua sendo clandestina, porém você já está sabendo), aí você tem que ir atrás de propor a ação respectiva. Comentário: Você deve propor a ação, pois existe um prazo para a posse perder esse caráter de clandestinidade. Porém a jurisprudência defende que se no prazo de um ano e um dia, você não propor a ação, ela vai perder essa característica de clandestinidade, pois você sabe que tem gente lá. Comentário: Da mesma forma a posse violenta, se foi obtida de forma violenta, mas se você nunca fez nada, nunca foi atras de nada e deixou a pessoa lá, significa dizer que você convalidou. Comentário: Mas, de forma tradicionalmente falando, jeito que foi obtida a posse é o jeito que a posse vai ser para sempre, ela não vai mudar a natureza dela. Então se ela foi obtida de forma clandestina, vai ser sempre clandestina, se foi obtido de forma violenta, vai ser sempre violenta, pois o jeito que ela foi obtida é o jeito que ela vai permanecer. ☆ Quantos critérios para que a posse seja caracterizada como injusta? Para que a posse possa ser caracterizada como injusta, basta preencher um desses critérios. Então, a posse pode ser só violenta ou só clandestina ou só precária. ☆ A posse, mesmo que injusta, pode ser defendida por ações do juízo possessório? E se a posse for violenta, clandestina ou precária, o possuidor injusto, pode usar uma ação possessória em favor dele? Pode sim, pois ele pode se defender contra terceiro. Exemplo: Vamos supor que eu invadi a casa dela. Ela viajou para os EUA e a casa dela estava vazia. Eu invadi a casa dela e estou morando na casa dela, de forma oculta, ela não sabe que eu estou lá. Então eu sou possuidora injusta, pois estou morando de forma clandestina. Eu sou possuidora injusta em relação à ela, pois a casa é dela e foi de forma clandestina. Quando eu saí para trabalhar, o Fernando invadiu a casa, será que eu poderia propor uma ação possessória contra ele? Resposta: A posse é um estado de fato. Eu não sou proprietária, isso é fato. Mas eu preciso ser proprietária para poder usar um juízo possessório? Não, pois eu tenho essa situação de fato que é a posse. Então, mesmo sendo possuidora injusta em relação à ela, eu posso me defender em relação ao Fernando. Exemplo: Vamos supor que eu invada a casa dela, à noite, e depois eu digo para o Fernando que é uma casa simples e sem escritura, mas se ele quiser eu posso alugar para ele. E eu alugo a casa para ele, mas ele não sabe que a casa não é minha. Ele não sabe que a casa é dela, e ele fica morando na casa dela e pagando o aluguel para mim. Se chegar uma terceira e tentar invadir a casa dela, o Fernando poderia usar uma ação possessória contra essa outra pessoa? Resposta: Sim. A posse do Fernando é injusta? Sim, pois uma vez que a posse é clandestina, ela vai se transformando em clandestina para quem for. Comentário: O critério da posse ser injusta ou justa é objetivo, pois cola na posse. Então a posse do Fernando seria injusta, mas o fato de ser justa ou injusta, não vai fazer com que ele se proteja da posse em relação a terceiro. Resposta: Então, mesmo sendo posse injusta, poderia sim se usar proteção possessória só que apenas contra terceiro, pois não poderia usar contra o verdadeiro proprietário. ☆ Segundo a visão clássica (e art. 1.208, segunda parte, do CC/2002), as posses injustas por violência ou clandestinidade podem ser convalidadas, o que não se aplicaria à posse injusta por precariedade; É aquela questão de que se cessou a clandestinidade ou se cessou a violência, a posse pode deixar de ser clandestina e violenta. ☆ Os vícios da violência, da clandestinidade ou da precariedade não influenciam na questão dos frutos, das benfeitorias e das responsabilidades. Quando a pessoa está na posse, de forma injusta, os frutos que a coisa produzir vão ser dele? Não é com base nessa classificação que vamos responder se os frutos vão ser dele ou não, é com base em outra classificação. É com base na classificação subjetiva, de descobrir se o possuidor estava de boa ou má fé. Na posse justa ou injusta, não vão ser apurados questões de frutos, nem de responsabilidade e nem de benfeitorias. Aqui não se estuda isso, aqui só se estuda questões de ações possessórias mesmo, questões processuais. → Modificação do título da posse (interversio possessionis) ☆ Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade. O fato de estar no meio da violência, isso não é posse, só é posse quando cessa a violência ou clandestinidade. ☆ Quebra a regra pela qual a posse mantém o mesmo caráter com que foi adquirida (Art. 1.203); É aquela questão de que quando cessar a clandestinidade, cessar a violência aí é que a posse pode se transformar a posse em justa. ☆ Em conjugação com o art. 558, CPC: após um ano e um dia do ato de violência ou de clandestinidade, a posse deixaria de ser injusta e passa a ser justa (corrente clássica). Após um ano e um dia do ato de violência ou clandestinidade a posse deixa de ser injusta e passa a ser justa. ☆ Corrente contemporânea: análise da cessação caso a caso, de acordo com a finalidade social da posse (função social da posse). A doutrina clássica defende que se a pessoa sabe que alguém invadiu o terreno dela e não fez nada, passando um ano e um dia, a posse se transforma de injusta em justa. A mesma coisa com a violência, cessaram os atos de violência, a posse deixa de ser violenta, passa a ser pacífica, e a pessoa não faz nada no prazo de um ano e um dia, não significa dizer que o proprietário conseguiu a propriedade não, só significa dizer que a posse deixou de ser injusta e passa a ser justa. Isso quer dizer que pode correr o prazo do usucapião, mas não quer dizer que ela adquiriu nada não, isso é o que a doutrina falava. Hoje, a jurisprudência defende que deve ser analisado o caso concreto, pois, às vezes, questões sociais têm autorizado menos tempo para você contar o prazo de posse justa, quando cessou a clandestinidade, quando cessou a violência. Hoje, esse prazo para a posse deixar de ser injusta e passar a ser justa, vai depender da análise do caso concreto, se levar em consideração a função social da posse. ☆ Para essa mesma corrente, a posse precária também pode ser convalidada. E essa mesma corrente diz que a posse precária pode ser convalidada, mas não é a doutrina clássica. III. Quanto à legitimidade do título ou ao elemento subjetivo (Posse de boa-fé e Posse de má-fé) Para saber se a posse é de boa ou de má fé, é preciso saber se o elemento subjetivo da posse. Quando se trata de posse de boa ou má fé, está se referindo aos critérios subjetivos da posse, que dizem respeito às questões do possuidor. → Critério Subjetivo da posse O critério de classificação da posse ser de boa ou de má fé é de natureza subjetiva, relacionada à cabeçado possuidor. Por isso é chamada de classificação subjetiva. Essa classificação vai analisar qual é a intenção do possuidor. Se o possuidor sabia que aquele bem não era dele e se ele sabia que a posse que ele está tomando é injusta. Possuidor de boa-fé é quando o possuidor não tinha conhecimento que a posse era injusta. E possuidor de má-fé é quando o possuidor não tinha conhecimento que a posse era injusta. Pergunta: Qual a diferença de possuidor de boa-fé e ser um possuidor de má-fé? Está relacionado com a questão de frutos e benfeitorias, onde será analisado no caso concreto a diferença do que um possuidor vai levar quando ele sair daquela posse, quando ele perder aquela posse. ☆ Posse de boa-fé: é quando o possuidor ignora os vícios ou os obstáculos para aquisição da coisa ou quando tem um justo título. É quando o possuidor ignora qualquer vício na posse. Se o possuidor não tinha conhecimento que a posse adquirida era injusta, ele é um possuidor de boa fé. Existem dois tipos de boa-fé: a boa-fé real e a boa-fé presumida. → Posse de boa-fé real; É quando o possuidor realmente desconhece qualquer problema na posse. Ele tem certeza de que a posse dele é lícita, mas não tem nenhum documento. → Posse de boa-fé presumida; É quando o possuidor tem um documento de aquisição dessa posse. Esse documento é chamado de justo título, que pode ser um contrato, recibo, habilitação. Ele tem um documento em mãos que dá a ele o título de possuidor. Então ele tem em favor dele a presunção de boa-fé. Exemplo: Minha vizinha tem um imóvel e eu soube que ela vai passar um ano nos EUA. Eu chamei um chaveiro, abri o apartamento e entrei e tirei as coisas de valor e guardei. Minha posse é injusta, pois é clandestina, eu fiz isso escondido. Eu sabia que o Fernando queria alugar o apartamento por seis meses. Eu digo que tenho um apartamento para alugar por seis meses. Eu digo para ele que o apartamento é meu e alugo para ele, ele pensa que o apartamento é meu. Eu alugo o apartamento dela para ele, sem ela saber. Pergunta: Minha posse é justa ou injusta? Resposta: É injusta, pois há vicio de clandestinidade. Pergunta: Minha posse é de boa ou má fé? Resposta: É de má-fé. Pergunta: A posse do Fernando é justa ou injusta? Resposta: É injusta, pois também é clandestina. Pergunta: A posse do Fernando é de boa-fé ou de má-fé? Resposta: É de boa-fé, pois ele desconhece a clandestinidade, ele achava que o apartamento era meu. Se eu dissesse que o apartamento era dela e dissesse que ela sabia, mesmo assim ele desconheceria o vício. Ele é possuidor de boa-fé até o momento que ele não sabe do esquema que eu fiz, mas na hora que ele toma ciência e não devolve, ele passa a ser possuidor de má-fé. Comentário: Não esquecer que o critério de classificação de posse justa ou injusta está na posse em si, e não muda, pois é um critério que cola na posse. Já o critério de boa ou má fé muda, pois é da pessoa, é um critério subjetivo, onde você terá que analisar a pessoa para saber se ela está agindo de boa ou de má fé. ☆ Posse de má-fé: é quando o possuidor sabe do vício que acomete a coisa. Se o possuidor tinha conhecimento que a posse adquirida era injusta, ele é um possuidor de má fé. ☆ Momento que a posse passa a ser de má-fé: circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente. Na posse precária também existe uma modificação da boa e má fé, pois a posse precária, no início ela é uma posse de boa-fé. A posse precária sempre começa como uma posse de boa-fé. É aquela posse que a pessoa recebe de forma lícita, o problema é que ela não quer devolver. Quando ela é intimada a devolver ela não devolve, ou seja, no começo, quando ela recebe a posse, além dela ter posse justa, ela tem posse de boa-fé, pois ela não tem problemas na posse. Mas na hora que eu peço de volta, ela não quer devolver e ela sabe que tem que devolver, ou seja, ela sabe que a posse é precária e não quer devolver. Comentário: Não tem muitos problemas para o possuidor de má-fé, a única coisa é que não será indenizado pelas benfeitorias, não vai ter direito de receber os frutos, terá que pagar para a pessoa certa. IV. Quanto ao tempo (Posse nova e Posse velha) No plano processual, o prazo para contar uma posse é em ano e dia, ou seja, o prazo para reclamar uma posse é de um ano e um dia. Existem três ações possessórias que estão previstas no código civil. No código de processo civil tem o procedimento dessas ações possessórias. Essas ações possessórias, previstas no código civil, possuem um procedimento especial. A posse é uma situação de fato que existe para ser protegida de forma rápida e imediata, para garantir que as pessoas fiquem na situação que elas estão, principalmente porque diz respeito à direitos fundamentais (direito fundamental de moradia, patrimônio mínimo, propriedade). E para poder resguardar esse direito de forma rápida, a legislação trouxe procedimentos rápidos, no sentido que a ação possessória ela é muito célere. O juiz vai apenas conferir se sua petição inicial está bem feita e verificar se as condições estão presentes, ele já vai deferir uma liminar para reintegração, manutenção ou suspensão da posse. Porém, o CPC diz que a liminar vai ser deferida no caso de posse com força nova. ☆ Posse nova ou de força nova: é a que tem menos de ano e dia. É uma posse que existe em menos de um ano e um dia. É quando a pessoa que tomou posse de forma injusta já invadiu e já está lá como invasor há menos de um ano. Se o invasor está lá há menos de um ano e um dia, e o proprietário entrou com uma ação, o juiz defere logo a liminar, onde o processo irá tramitar no procedimento especial nos juizados especiais. Comentário: O prazo só vai ser contado a partir do dia em que os invasores ficaram em paz lá, no dia que cessarem os atos de violência e de clandestinidade. Enquanto estiverem praticando atos de violência e de clandestinidade, esse prazo de ano e dia ainda não está correndo. O prazo para procuração de posse de força nova só vai começar a ser contado no dia em que o dono desistir de vez. Enquanto o dono estiver tentando afastá-los, o prazo não vai começar a ser contado. Só começa a contar quando os atos cessarem e o dono desistir de lutar. ☆ Posse velha ou de força velha: é a que tem mais de ano e dia. É uma posse que existe há mais de um ano e um dia. É quando a pessoa que tomou posse de forma injusta já invadiu e já está lá como invasor há mais de um ano. Se o invasor está lá há mais de um ano e um dia, e o proprietário ainda não entrou com uma ação. Mesmo passado esse prazo de um ano e um dia, essa pessoa ainda pode entrar com uma ação, onde o juiz até pode deferir a liminar, mas o processo irá tramitar no procedimento comum ordinário. ☆ Relevância no plano processual - liminar prevista no art. 562, CPC. Questão Momento de Aquisição da Posse Exemplo: Vamos supor que o Fernando está na casa dele. Mas ele percebe que existe um movimento de pessoas tentando invadir sua casa. Dia 1º de janeiro começaram a jogar pedra na sua janela para ver se ele se amedrontava e saia. Dia 1° de fevereiro derrubam o portão da casa dele. Durante esse mês todo um cara armado ficava esperando para invadir a casa dele. Em março estouraram a porta dele, e ele continuou firme dentro de sua casa. Em maio entraram na casa e o Fernando os tirou de lá. Até que em 1° de julho, ele já estava bastante machucado e deixou eles ficarem lá, nesse dia eles entraram de vez. Mas o Fernando já podia ter entrado com uma ação judicial dia 1° de janeiro, mas optou por lutar pela sua casa. Pergunta: Quando eles tiveram posse? Quando começa a contar o prazo de força nova? Resposta: Dia 1° de julho, pois quando eles entraram na casa e cessaram a violência. Pergunta: E se eles estivessem entrado dia 1° de julho e dia 3 de julho você conseguiutirar eles de lá? Será contado do dia 1° de julho ou do dia 3 de julho? Resposta: Será contado do dia 3 de julho, pois enquanto tiver atos de violência não tem posse. Comentário: Vamos supor que em julho de 2021 o Fernando definitivamente desistiu de lutar. Ele terá até o dia 02 de julho de 2022 para propor a ação possessória com procedimento especial e pedir a liminar da ação possessória de procedimento especial. Mas se ele quiser propor a ação em julho de 2023, ele pode propor a ação, pedir a posse de volta, pedir a liminar só que aí ele vai ter que se submeter às regras do procedimento ordinário. Obs.: Ele pode propor a ação em julho de 2030 pedindo reintegração de posse, só que aí eles podem alegar usucapião em defesa. Obs.: A posse precisa convalescer para virar usucapião. Se ela continua sendo clandestina, a posse não se transformou de clandestina em pública, agora se você soube aí a posse convalesceu. Pois posse injusta não gera usucapião! V. Quanto à proteção (Posse ad interdicta e Posse ad usucapionem) ☆ Posse ad interdicta → Apenas ações possessórias, sem usucapião É aquela que o possuidor direito tem o direito de usar ações possessórias para se proteger do possuidor indireto. Mas jamais pode usar essa ação para adquirir propriedade através de usucapião. É aquela que eu posso me proteger só no juízo possessório, mas que nunca vai gerar um direito à usucapião. Como a posse do locatário (possuidor direto), que possui o direito de entrar com uma ação possessória contra o locador (possuidor indireto), através de ações possessórias, pois tem a posse ad interdicta. ☆ Posse usucapionem → Para adquirir a propriedade de outrem É aquela posse que eu posso usar para adquirir a propriedade de outra pessoa. Quando você recebe algo de alguém, achando que está recebendo a propriedade e a pessoa não passa o título. Futuramente eu posso pedir o título de direito, demonstrando que eu exerço a posse. Composse ☆ É a posse em comum. É quando duas ou mais pessoas exercem posse sobre bem comum. São duas pessoas exercendo posse sobre um único bem. Como marido e mulher que moram em uma casa, eles exercem composse. A defesa da posse não precisa ser feita pelos dois, um só pode defender a posse sozinho, inclusive um pode defender a posse do outro. Comentário: Se na casa moram marido e mulher. E o marido tranca a porta e não deixa a mulher entrar, ela pode entrar com uma ação possessória, pois ele está impedindo a utilização da posse dela. Pode acontecer de um usar a posse do outro e eles podem defender a posse perante terceiros sozinhos. Se alguém invadir a casa do casal. Eles podem propor a ação possessória sozinhos ou juntos. O que não pode fazer é impedir que a outra pessoa utilize o imóvel. ☆ Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores. É possível que mais de uma pessoa exerça a posse sobre o mesmo bem. Pode sozinho ou em conjunto defender a posse de terceiros. Só não pode excluir o direito um do outro. Comentário: Condomínio é o mesmo que compropriedade, que é quando duas ou mais pessoas são donas de um único bem. Nele, tem um bem indivisível, e mais de uma pessoa como sendo proprietária. Como, por exemplo, a pessoa ser dona de uma chácara com seus irmãos. E nesse ter áreas que são de cada um e áreas que são comuns. ☆ Poderá ser: → PRO DIVISO: áreas delimitadas. Quando se tem a posse de áreas que são só de uma pessoa, sendo uma posse dividida e unitária. Ex: Cada um com o seu quarto. → PRO INDIVISO: exercem a posse simultaneamente sobre todo o bem. Quando se tem a posse de áreas que são de todo mundo, sendo uma posse unida e de todos em conjunto. Ex: Piscina e cozinha. Momento de Aquisição da Posse ☆ Art. 1.204: desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. Os poderes inerentes à propriedade são quatro: poder de usar, gozar, dispor e reaver. No momento que se tem qualquer um desses quatro poderes, se tem a posse do bem, ou seja, é nesse momento que se tem a posse. ☆ Transmissibilidade: (art. 1.206/1.207) – aos herdeiros com os mesmos caracteres; continuidade e soma do prazo. Pode transmitir a posse aos herdeiros. Se for à título universal, com a morte já se transmite, ou seja, quando não tem testamento e sem destinação especifica para aquele bem é uma sucessão da posse. Se for à titulo singular, como a herança, vai ser transmitido também, onde soma as posses, sendo chamado de soma de posses. Comentário: Se você mora com os seus pais em uma casa e seu pai morre, sem deixar testamento, sem deixar uma herança específica, se você está na posse daquele imóvel há 10 anos, continua. Exemplo: Vamos supor que você tem 18 anos, e seu pai está na posse do imóvel há 20 anos, seu pai morre. Você exerce posse naquele imóvel há 20 anos, pois você sucede à morte do seu pai. Não é uma soma de posse, é uma sucessão de posse. Exercia uma pessoa na posse e essa pessoa morreu, os herdeiros necessários vão herdar a posse também e vão seguir no prazo da posse, eles herdam a posse também se estavam na casa. Comentário: Agora se a pessoa não estava na casa, mas o pai deixou um testamento à casa, a pessoa vai entrar na posse da casa através do testamento, ela vai somar a posse dela com a posse do pai. ☆ A aquisição pode ser: → ORIGINÁRIA: opera-se independente de translatividade, em regra, unilateral) ou Geralmente tem um rompimento com o possuidor anterior. Quando não tem nenhum acordo com a pessoa que estava na posse anterior, como quando se adquiri a posse através de uma invasão. → DERIVADA: requer existência de uma posse anterior, transmitida por título jurídico, portanto bilateral. Surge de um contrato ou herança. Quando se adquiri a posse através de um contrato que fez com o possuidor anterior. Quem pode adquirir a posse? Qualquer pessoa pode adquirir a posse, pois a posse é uma situação de fato. ☆ Art. 1.205. A posse pode ser adquirida: I — pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante; A pessoa pode adquirir a posse por ela mesma, ou ela pode mandar uma terceira pessoa adquirir a posse. A posse pode ser adquirida até mesmo por procuração. II — por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação. Essa terceira pessoa pode agir por procuração ou até por ordem e, depois sem procuração, dependendo do mandato que vai ser juntado. → cláusula constituti x traditio brevi manu Geralmente, a aquisição da posse é quando se recebe a cosia, mais algumas vezes a gente já está com a coisa. E aí a gente adquire através de contrato. → Cláusula constituti ☆ A pessoa tem a posse do bem como seu e passa a exercer a posse sobre bem alheio. É quando se tem a posse em um título e passa a a exercer a posse em outro título. No contrato de locação, essa cláusula constituti não é aquisição da posse é uma transformação da posse, que depende de previsão contratual. É quando você é proprietária, mora na casa e resolve vender a casa e ficar inquilina dessa pessoa, ou seja, você continua na posse, mas a natureza da posse mudou. Exemplo: Suponhamos que eu tenho uma casa e moro nela. E vou vender a casa para o Fernando e ficar inquilina dele. Eu digo para ele que eu vou continuar morando na casa, pagando o aluguel, só acontece se estiver previsão contratual, senão, quando ele comprar eu tenho que sair da casa. → Traditio brevi manu ☆ A pessoa tem a posse do bem alheio e passa a exercê-la em seu próprio bem, em seu próprio benefício, em sua própria coisa. Exemplo: Suponhamos que eu seja locatária de um bem, e aí eu adquiro e compro o bem, sem sair do bem, sem sair do imóvel, ou seja, eu era possuidora e continuo sendo possuidora. A diferença era que eu erapossuidora ad interdicta e agora eu sou possuidora dona. Isso se dá através da traditio brevi manu. Perda da Posse A posse é uma situação de fato, então você pode perder ela de várias formas, pois na hora em que não se tem mais o poder de fato sobre a coisa você deixa de ter posse. ☆ Art. 1.223 e 1.224: o possuidor perde o poder sobre o bem A lei elenca alguns casos que a pessoa deixa de ter a posse sobre o bem. → Pelo abandono intencional Perde a posse através de abandono intencional (é quando não se quer mais a coisa). → Pela tradição Perde a posse pela tradição (entrega da coisa). → Pela perda da própria coisa quando for impossível encontrá-la, pela destruição ou inutilização definitiva da coisa por evento natural ou fortuito. Perde a posse pela perda da própria coisa quando for impossível encontrá-la. Ex: Perder um brinco no mar. → Com o perecimento do objeto, há extinção do direito. Perde a posse pelo perecimento do objeto. Ex: Você tem um cachorro e ele morreu. → Pela posse de outrem se o possuidor não for reintegrado ou mantido em tempo hábil. Perde a posse se o possuidor não for reintegrado ou mantido em tempo hábil. Ex: Quando o dono desiste de lutar pela posse, ele perde a posse e outro toma posse. Efeitos da Posse Os efeitos da posse estão muito relacionados se o consumidor é de boa ou de má-fé. I. Percepção dos frutos e produtos A primeira coisa é diferenciar o que são frutos do que são produtos, pois o Código Civil só menciona frutos, ele não fala nada sobre produtos. ☆ Frutos: não alteram a substância. É tudo o que a coisa dá periodicamente, sem alterar a substância. Ex: Cria de um cavalo, plantação de fruta, verdura e legumes. - Podem ser: a) Naturais, industriais ou civis Naturais são as frutas, vegetais, animais. Industriais é tudo o que a indústria produz reiteradamente. Civis são os juros. b) Colhidos/percebidos, pendentes, percipiendos, estantes e consumidos Colhidos ou percebidos são frutos que já foram colhidos e retirados da sua origem, porém ainda não foram consumidos. Pendentes são aqueles que ainda estão na sua origem. Percipiendos são aqueles que se estragaram antes de serem colhidos. Estantes são aqueles que já foram colhidos, mas estão armazenados. Consumidos são aqueles que não existem mais. ☆ Produtos: alteram a substância. É tudo o que a coisa dá, mas que altera a sua substância, ou seja, não produz periodicamente. Ex: Retirar minério e petróleo do solo (não serão extraídos novamente). → E os produtos? A lei não fala sobre produtos, ela só fala sobre frutos. → Código Civil foi omisso. Clóvis Beviláqua: frutos. Orlando Gomes: indenização. Beviláqua diz que como o código civil não fala sobre produtos, a gente tem que tratar produtos como frutos. Defende que o possuidor de boa-fé tem direitos plenos. Gomes diz que você tratar produto como fruto traz um prejuízo para as partes, devendo ser pensado em indenização. Defende que, mesmo o possuidor sendo de boa-fé, o possuidor teria que dividir o lucro dos produtos colhidos com o dono e teria que indenizar. a) Possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos colhidos ou percebidos (art. 1.214, caput). Tudo o que foi colhido pelo possuidor enquanto ele era de boa-fé é dele. → Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio (art. 1.214, parágrafo único). Quando cessou a boa-fé, se ele colheu, ele tem que devolver, mas a dona tem que pagar para ele o que ele gastou para manter esses frutos lá. → Devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação Se os frutos pendentes são da dona, obviamente os frutos colhidos com antecipação também. b) Possuidor de má-fé: responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé, com direito às despesas da produção e custeio (art. 1.216). A regra é que até cessar a boa-fé é tudo do possuidor de boa fé. Se cessar a boa-fé, é tudo da outra parte. Só que o possuidor de má-fé sempre terá o direito de ser ressarcido do que ele gastou para produção. II. Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa ☆ Perda x deterioração Perda é um estrago total. Deterioração é um estrago parcial. → Possuidor de boa-fé: Não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa (art. 1.217). O possuidor de boa-fé só responde pelo que ocorreu por culpa dele, ou seja, ele só vai responder pelo que ele causou. → Possuidor de má-fé: Responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante (art. 1.218). O possuidor de má-fé vai responder por tudo, inclusive pelo que ocorreu sem a culpa dele. A única exceção é ele conseguir provar que aquilo teria acontecido mesmo que ele não fosse possuidor de má fé.