Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Direito Civil – Direitos Reais – Prof. Mario Konrad – 2º semestre de 2020.
20/08/2020
A avaliação será única.
Art. 1.196 até 1.510
Tópicos a serem abordados no semestre:
· Posse;
· Propriedade; e
· Direitos reais sobre coisas alheias (art. 1.225)
Todo proprietário é possuidor, mas nem todo possuidor é proprietário.
A posse são explicadas pelo Savigny e Ihreing.
Elementos da propriedade/poderes do proprietário:
· Usar;
· Fruir; 
· Dispor; e
· Reivindicar. 
No caso do usufruto, o usufrutuário pode usar e fruir. O proprietário poderá dispor e reivindicar.
27/08/2020
Conceito de direito das coisas (direitos reais): conjunto de normas que regula a relação jurídica estabelecida entre o homem e as coisas, tanto materiais (móveis ou imóveis) quanto imateriais (direito autoral). Impõe a todos os demais da coletividade o dever de se absterem de qualquer atitude em relação àquele objeto.
Se tomarmos o vocábulo direito no sentido de faculdade, o direito real é o direito sobre a coisa (res), que não envolve sujeito passivo[3], nem prestação, é oponível erga omnes e confere ao seu titular o direito de sequela, exercido através da ação real, a ação reivindicatória. (ED)
Características dos direitos reais:
a. Relação entre o homem e a coisa, sem intermediário. 
b. Oponibilidade “erma omnes”; direito de sequela e de preferência; caráter absoluto 
· Direito de sequela: prerrogativa de buscar o bem onde este estiver.
Sequela.
Existe para dar eficácia ao direito. É a prerrogativa concedida ao titular de seguir a coisa nas mãos de quem quer que a detenha, e apreendê-la para exercer sobre a coisa o seu direito real. Ex.: proprietário oferta imóvel em garantia hipotecária e o aliena. O credor hipotecário pode apreender a coisa nas mãos do adquirente, penhorá-la, levá-la à praça e com o produto da arrematação receber o seu pagamento. (ED)
Os direitos reais permitem a ação real (ação reivindicatória).
c. “Numerus clausus”: art. 1.225, CC. Só são direitos reais aqueles previstos na lei. É um rol taxativo.
  Art. 1.225. São direitos reais:
I - a propriedade;
II - a superfície;
III - as servidões;
IV - o usufruto;
V - o uso;
VI - a habitação;
VII - o direito do promitente comprador do imóvel;
VIII - o penhor;
IX - a hipoteca;
X - a anticrese.
XI - a concessão de uso especial para fins de moradia;
XIII - a laje.
A propriedade é o principal dos direitos reais! Os demais direitos só existem se existir a propriedade.
d. Exclusividade. 
Não se pode conceber dois direitos reais, de igual conteúdo, sobre a mesma coisa. Se sobre a mesma coisa recaírem dois direitos reais, não serão da mesma espécie, ou, não serão integrais. (ED)
· Assim, pode haver vários direitos reais sobre um mesmo bem, desde que não sejam antagônicos
e. Perpetuidade: não se perde a propriedade pelo seu não uso.
Obs. pode ensejar a perda da propriedade: o não pagamento de impostos por 3 anos; ou o não cumprimento da função social; ou a invasão com posterior usucapião.
f. Incidência sobre objeto determinado.
g. Usucapião é um dos meios de aquisição do direito real.
h. O direito real pode ser abandonado
i. É suscetível de posse.
POSSE
A posse é a exteriorização da propriedade e essa exteriorização (aparência de propriedade) é protegida pelo Direito. Quando vemos uma pessoa falando ao celular, imaginamos que a pessoa seja a proprietária do aparelho, quando, na verdade, só podemos ter certeza que ela está na posse do objeto.
A propriedade exige o registro para os bens imóveis e a tradição para os móveis.
A posse não é um direito real: não está descrita no artigo 1.225 e nem necessita de registro.
Elementos constitutivos da posse e teorias possessórias
Existem duas teorias que tratam da posse. O CC adotou, como regra geral, a Teoria Objetiva de Ihering. A Teoria Subjetiva do Savigny só é usada para usucapião.
· Teoria objetiva da posse de Ihering (para regra geral)
· Teoria subjetiva da posse de Savigny (para estudar usucapião)
Savigny foi professor do Ihering. Este melhorou a teoria do professor.
O possuidor, para ambos teóricos, pode se valer dos remédios jurídicos de proteção à posse. Ex. ação de reintegração de posse. 
Teoria Subjetiva do Savigny
· Para Savigny, para haver posse, é indispensável ter corpus (aspecto objetivo) e animus domini, (aspecto subjetivo). Assim, para Savigny, o locatário não é possuidor, pois não tem o animus domini. O inquilino é apenas detentor, não podendo usar as ações reivindicatórias.
Teoria Objetiva do Ihering
· Para caracterizar posse, basta o corpus. O animus está dentro do corpus. Assim, o inquilino tem posse. O locatário pode usar ação reivindicatória para proteção da posse.
· Protege-se a posse para proteger o proprietário. 
Obs.: presume-se que o possuidor seja o proprietário. Presume-se que a proteção seja ao proprietário. Se não for, é o preço que se paga para facilitar ao proprietário a defesa de seu interesse. (ED)
· A posse é a exteriorização da propriedade, visibilidade. 
· Para Ihering, a posse pode existir sem a detenção:
· Maria está caminhando numa trilha na floresta, área pública e se depara com um feixe de lenha. Ela vai precisar fazer uma fogueira, mas não leva a lenha porque esta pertence a alguém, é útil economicamente a alguém
· Lavrador deixa a colheita no campo; não a tem fisicamente, mas, mesmo assim, conserva sua posse.
	Qual a diferença entre posse e detenção?
Para Ihering, o detentor tem vínculo de subordinação. Ex. motorista contratado em relação ao carro, caseiro que cuida da chácara. 
Obs. Se o carro fosse alugado, o locatário teria a posse, pois não há subordinação entre o locatário e a locadora de veículos.
Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas.
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o contrário.
O detentor não é considerado possuidor do bem, não sendo possível confundir um conceito com o outro, sendo vedada ao detentor qualquer proteção possessória.
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.
Possuidor
Conceito – É o que age em face da coisa corpórea como se fosse o proprietário, pois a posse é exteriorização de propriedade. (ED)
A lei reconhece como possuidor tanto quem tem a posse direta (ex. inquilino) quanto quem tem a posse indireta (ex. proprietário-locador); e ambos podem recorrer aos interditos para proteger a sua posição ante terceiros. (ED)
Então, tanto o possuidor direto quanto o indireto podem usar as ações possessórias.
E a posse que começou com uma invasão?
Vera é dona de uma propriedade no MS, mas nem liga para ela. Marlon a ocupa e age como se fosse dono: constrói casa, planta, instala energia elétrica. Vera não se mexe para reclamar o imóvel. Posteriormente, Yanca aparece no local com seus capangas com o intuito de tirar Marlon.
Marlon está na posse da propriedade e pode usar as ações possessórias para retirar Yanca do local, já que ele é o possuidor direto. Não pode, todavia, usar as ações contra a própria proprietária. Por outro lado, Vera é a possuidora indireta e também pode se valer das mesmas ações.
Só há usucapião na posse NÃO autorizada.
03/09/2020
Natureza jurídica da Posse: 
a. Fato?
a. Posse é fato, é visibilidade. 
b. Direito?
Não dá para admitir que é só fato, então posse é fato e direito. Ex. o posseiro tem direito a usar ação de reintegração de posse.
a. Pessoal?
b. Real?
Talvez posse seja direito real, mas não está no art. 1.225. Há controvérsia sobre o assunto. Prof. Mario defende que é direito real.
Objeto da posse:
Coisas corpóreas, móveis ou imóveis e direitos.
	Servidão:
· Ex. De passagem ou de trânsito
· Pode ser:
· Contínua e aparente →pode ser usucapida.
Assim, usucapião também serve para adquirir servidão! Mas a servidão deve ser contínua e aparente!
A, dono de sítio continuo, colocou um cano aparente(aqueduto) puxando água do sítio de B. Passados 10 anos, poderá ingressar com ação de usucapião.
MODALIDADES DE POSSE – CLASSIFICAÇÃO DA POSSE
A posse pode ser classificada de diversas maneiras:
a) Quanto ao exercício e gozo:
J posse direta
J posse indireta
b) Quanto à existência de vício:
J posse justa
J posse injusta
c) Quanto à legitimidade do título (ou ao elemento subjetivo):
J posse de boa-fé
J posse de má-fé
d) Quanto ao tempo:
J posse nova
J posse velha
e) Quanto à proteção:
J posse ad interdicta
J posse ad usucapionem
Direta ou indireta
Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto.
a. Aplicável à posse autorizada.
b. Ex. inquilino em relação ao locador.
i. Inquilino: posse direta.
ii. Locador: posse indireta.
c. É o caso de bipartição da posse.
d. Possuidor direto pode mover ação contra o indireto.
e. O invasor da fazenda só pode mover ação possessória contra terceiro, não contra o proprietário da fazenda.
Posse direta é aquela exercida mediante o poder material ou contato direto com a coisa, a exemplo daquela exercida pelo locatário; por outro lado, a posse indireta é aquela exercida por via oblíqua, a exemplo daquela exercida pelo locador, que frui ou goza dos aluguéis, sem que esteja direta e pessoalmente exercendo poder físico ou material sobre o imóvel locado.
B. Composse: art. 1.199.
Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.
· É o paralelo do condomínio.
· É a posse conjunta por várias pessoas
Exemplo ilustrativo de composse é a exercida pelos herdeiros, durante o inventário, em face do acervo.
· Pode ser:
· “Pro diviso” →invadimos a área abaixo e dividimos em pedaços.
	A1
	B1
	C1
	D1
	A2
	B2
	C2
	D2
	A3
	B3
	C3
	D3
A pessoa que mora em D1 poderia defender a posse de A3, assim como a de C1.
No pro diviso as pessoas dividem a área em pedaços e cada um fica com um pedaço. Assim, eles se defendem juntos contra pessoas de fora, mas podem brigar entre si.
A composse poderá ser:
a) Pro diviso, quando os possuidores, posto tenham direito à posse de todo o bem, delimitam áreas para o seu exercício (Ex.: três irmãos, condôminos e compossuidores do mesmo imóvel, resolvem delimitar a área de uso de cada um).
“Pro indiviso” → cada um tem uma cota parte, mas todos trabalham pelo bem comum, em comunhão.
Invadimos a área abaixo, mas não dividimos em pedaços.
Aqui não existe ação possessória entre os habitantes internos.
No pro indiviso eles também se juntam para brigar com gente de fora, mas não podem brigar entre si.
A composse poderá ser:
b) Pro indiviso, quando os possuidores, indistintamente, exercem, simultaneamente, atos de posse sobre todo o bem.
· Nas duas composses, podem os invasores entrar com uma única ação de usucapião.
C. Posse justa e posse injusta → art. 1.200
A posse justa é um conceito residual, pois tal espécie de posse decorre da inexistência de violência, clandestinidade ou precariedade e, dessa forma, primeira será necessário estabelecer se a posse é ou não injusta para depois chegarmos à posse justa.
A clandestinidade pressupõe a ausência do antigo possuidor e, sem que este saiba, o imóvel é ocupado por outrem.
Na violência, que poderá surgir por intimidação física ou psicológica, o antigo possuidor ou proprietário é retirado do bem pelo uso da força. 
Apesar da injustiça presente na posse, há a proteção legal quando superada a violência e a clandestinidade, mas tal superação não ocorre no que diz respeito à precariedade, pois quem tem a posse dessa natureza abusou da confiança de outro contratante.
Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.
· Do art. 1.200 conclui-se que a posse será injusta quando for violenta, clandestina ou precária.
· Se alguém Invadiu uma área de forma pacífica e não clandestina, a posse é justa, embora de má-fé.
· Quando o invasor deixa de se esconder, passa a ter posse.
Obs. Há quem diga que antes de ano e dia não pode haver posse, assim não contaria para tempo de usucapião. 
· Então o tempo de posse pode começar no dia da invasão? Sim, se a posse não for violenta nem clandestina.
Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade.
O final do dispositivo menciona ainda duas outras modalidades de posse injusta: a posse clandestina e a posse violenta, que poderão ser convalidadas para efeito de usucapião (...)
O que é posse precária?
(...) na precariedade há a obrigação de restituir (como no contrato de comodato ou de locação) e quem tem o dever legal de restituição nega-se a cumpri-lo.
É a posse que decorre de posse previamente autorizada. O possuidor tinha a posse legítima, autorizada. Ex. acabou o contrato de locação; o inquilino devia ter saído, mas não saiu. A partir desse momento, a posse é precária. 
A posse precária nunca será ad usucapionem. Isto é, a posse precária sempre será precária, nunca poderá ensejar usucapião. Ela nunca se convalida, diferente das posses clandestinas e violentas que podem se convalidar.
Exceção → Edna alugava a casa de Joana. A inquilina não saiu após o fim do contrato e o proprietário, ocupado com outras coisas, não se mexeu. A Edna, que foi notificada para sair, mas não saiu, parou de pagar aluguel. Edna começou a arrumar a casa: fez reformas e cuidou de tudo. Mudou um vizinho novo e a Edna se apresentou como proprietária. Está pagando até o IPTU do imóvel. Enfim, Edna passou a agir com ânimo de dono. Houve a inversão do título da posse, mas a posse continua precária.
A Edna resolveu “vender” a casa. Acontece que ela só tem a posse precária, então “vende” a posse precária para a Vera. Esta poderá usar a ação de usucapião após o prazo da lei.
Art. 1.203. Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida.
D. POSSE DE BOA-FÉ OU MÁ-FÉ
· Leva em conta o estado de ânimo do possuidor.
Boa-fé
Posse autorizada, permitida →ex. Locatário, comodatário –→ posse de boa-fé
Posse do invasor → de má-fé →o possuidor não ignora o vício ou obstáculo que impede a aquisição da coisa. O invasor sabe que a invasão é errada, mas ela pode se convalidar. Mesmo assim, ele poderá se valer da usucapião extraordinário após 15 anos.
· O possuidor de boa-fé está em estado de inocência, é ignorante a respeito de determinada circunstância.
Segundo o art. 1.201, “é de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”, como se dá, por exemplo, na hipótese em que o sujeito desfruta da posse de uma fazenda que lhe fora transmitida por herança, após a morte do seu tio, ignorando o vício existente no formal de partilha, na medida em que o falecido havia falsificado o registro imobiliário, sem que de nada soubesse.
10/09/2020 - 983
 Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.
Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção.
Efeitos:
a. Efeito Usucapião ordinário (art. 1.242)
Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos.
Sr. João, quase analfabeto, sem nenhuma instrução sempre quis ter um pedacinho de chão. Ele sabe que tem, próximo da cidade, um sitio com uma casinha quase desabando, árvores frutíferas tomadas pelo mato, pois há tempos não tem ninguém. Aparece um sujeito na cidade que propõe a venda desse local para o Sr. João, que fecha negócio. Ele compra esse sitiozinho. A venda é feita por escrito particular, contrato de compra e venda, com um timbre “estranho”, numa pastabonita, com duas testemunhas do vendedor. Sr. João transfere o dinheiro e guarda o contrato. Sai feliz da vida com o seu sonho realizado. Passa a morar no sítio, tira o mato, conserta a casa, planta novas árvores etc. 
Sr. João não sabe que para tonar-se proprietário tem que fazer escritura pública e leva-la no cartório de imóveis. Ele também não sabia que precisava verificar no registro que quem vendia era o proprietário mesmo. Assim, Sr. João acha que alcançou seu sonho. Tem comprovante do pagamento, contrato. 
Esse contrato, se necessário, entrando com ação de usucapião, será entendido como justo título. Isso, somado aos outros elementos (analfabeto, sem instrução, etc.), não será aplicado o artigo da LINDB que diz que: Art. 3o - Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.
Com 10 anos de posse, com esse justo título, Sr. João poderá usucapir.
b. Efeito sobre Benfeitorias e frutos (art. 1.214 e seguintes)
Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.
O art. 1.202 traz o momento em que a boa-fé passa a ser considerada má-fé. Isso ocorre quando o possuidor, que até então ignorava o vício, ficar ciente deste.
E se o Sr. João for citado antes dos 10 anos? A partir do momento que ele fica ciente do problema, a posse não é mais de boa-fé. 
Benfeitorias e frutos: até a citação do Sr. João, as benfeitorias, mesmo necessárias e úteis, darão direito à indenização. As voluptuárias, ele poderá levantá-las.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
A partir da citação, só há direito à indenização pelas benfeitorias necessárias, sem direito de retenção.
 Art. 1.222. O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual.
Trata da indenização das benfeitorias necessárias apenas. 
Obs. Benfeitoria necessária é aquela indispensável à conservação da coisa.
O art. 1222 é muito criticado. Deveria dizer apenas para indenizar pelo custo da obra, monetariamente atualizado apenas.
Quanto aos frutos, há 4 espécies. Cada espécie gera uma reação se houver a reintegração.
· Percebidos/apartados/colhidos/separados
· Colhidos antes da citação –→ pertencem ao possuidor
· Pendentes –→ o dinheiro é do proprietário, mas pode-se abater o custo de produção
· Colhidos com antecipação–→ se for comprovada a colheita antecipada, o valor será do proprietário, abatido os custos da produção
· Deixados de colher–→ deverá indenizar o proprietário, abatido os custos da produção.
A laranja no pé é bem imóvel. Separada, passa a ser coisa móvel. 
POSSE “AD INTERDICTA” e “AD USUCAPIONEM”
· Ad Interdicta: pode ser defendida de agressão de terceiros.
· Permite usar as ações possessórias, mas não conduz à usucapião.
· Posse autorizada é ad interdicta.
· Ex. locatário, comodatário.
· Ad usucapionem: pode gerar o usucapião
· Toda posse ad usucapionem é sempre ad interdita.
POSSE NOVA e POSSE VELHA
· Art. 558 do CPC
 Art. 558. Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas da Seção II deste Capítulo quando a ação for proposta dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho afirmado na petição inicial.
Posse nova é a de menos de ano e dia. Gera ação possessória de força nova. O invasor será expulso liminarmente da área, sem ser ouvido. 
Passados ano e dia, a posse será velha. A ação será de força velha, então o sujeito não será expulso, isto é, não haverá liminar. O possuidor ficará até a sentença. Pode gerar a discussão de quem tem melhor posse.
“IUS POSSIDENDI” e “IUS POSSESSIONIS"
Ius Possidendi: é o direito à posse que decorre de um direito previamente estabelecido, seja real ou pessoal. Ex. O locatário tem ius possidendi, advindo do contrato de locação.
Ius Possessionis: é aquele sujeito que tem posse, mas que esta não decorre de um direito previamente estabelecido. Ex. invasor.
· Art. 1.203
Art. 1.203. Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida.
Vera vendeu a posse de 13 anos ao Mario. Ele compra a posse e fica mais 2 anos. Isso se chama UNIÃO DE POSSES. Assim, poderá pedir a usucapião.
MODOS DE AQUISIÇÃO DA POSSE
· Art. 1.204 c/c 1.196
Art. 1.204. Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade.
Assim, para ter posse, basta que o possuidor esteja usando, fruindo, reivindicando ou dispondo da coisa.
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.
Art. 1.205. A posse pode ser adquirida:
I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante;
II - por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.
· Art. 1.206
Art. 1.206. A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres.
A posse é transferida para os herdeiros no caso de morte do posseiro. Trata-se de sucessão de posse; é uma acessão. 
Como a posse é transmitida com os mesmos caracteres, carrega os vícios que tiver, em especial na sucessão universal, já que para o sucessor a título singular existe a faculdade de unir ou não sua posse à anterior, conforme art. 1.207.
Para usucapir, é possível somar a posse do falecido com a posse do sucessor para completar o prazo para usucapir.
Lembrando →Legatário é disposição testamentária em que o testador deixa coisa certa para certa pessoa.
· Art. 1.207
Art. 1.207. O sucessor universal continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais.
O legatário (sucessão singular) decide se quer ou não unir o tempo anterior com o atual para usucapir.
O herdeiro é sucessor a título universal; recebe patrimônio ou quota-parte de patrimônio. Já o legatário é sucessor a título singular; recebe coisa certa e determinada; 2. O herdeiro é figura comum à sucessão legítima e à testamentária, enquanto o legatário é peculiar à testamentária. https://felippelimasantanna.jusbrasil.com.br/artigos/654122230/a-diferenca-entre-herdeiros-e-legatarios
· Art. 1.208
Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade.
· Modo de aquisição da posse originário: a posse é conquistada.
· Modo de aquisição da posse derivado: posse que decorre de um sujeito anterior que te transfere a posse.
Modos de aquisição da posse originários:
· Apreensão da coisa: é o sujeito que invade a fazenda no MT, ou o sujeito que pega o computador abandonado na rua. 
· Exercício do direito: é a história do aqueduto. O sujeito pôs um cano para pegar água do vizinho. 
Posse Injusta
Violência
Clandestinidade
Precariedade
Bibliografia: Código civil interpretado artigo por artigo, parágrafo por parágrafo.

Mais conteúdos dessa disciplina