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1 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
CASO 01 
ÁREAS DO AMBIENTE CIRÚRGICO 
O ambiente cirúrgico é uma unidade de 
intervenção cirúrgica à âmbito hospitalar. É um 
conjunto de áreas e dependências interligadas para 
garantir um procedimento seguro e asséptico. 
Apesar de definir-se apenas como “área complexa 
de acesso restrito em um estabelecimento de 
assistência de saúde (EAS)”, tem-se como 
importante porção hospitalar, que deve seguir a 
legislação sanitária vigente, RDC no 50 de 21 de 
fevereiro de 2022., que diz: 
 
Em geral, é uma área que deve promover fácil 
acesso aos setores de suporte (como farmácia, 
lavanderia, radiologia, etc...), para facilitar o fluxo de 
pacientes. Seja para cirurgias eletivas ou urgentes, 
devem-se ter algumas instalações mínimas no local, 
com a presença de sistemas diferenciados, ar-
condicionado, canalização de vácuo dentre outros. 
Para que sejam autorizadas as cirurgias, deve-se 
observar também a bioengenharia e as 
características físicas de iluminação, temperatura e 
planejamento, considerando os aspectos físicos e 
filosóficos da EAS em questão. Por haver 
atendimentos de vários pacientes e diferentes 
especialidades, deve ser composto de blocos 
operatórios (salas de operação), setor de 
recuperação pós-anestésica (RPA) e centro de 
Material e Esterilização (CME). 
Em geral, áreas restritas relacionam-se ao controle 
e manutenção da assepsia, é considerada área 
restrita, visando diminuir os riscos de contaminação, 
privativa à profissionais prontificados com 
uniformes especiais, em todo o local 
Por outro lado, as áreas semi-restritas são aquelas 
que permitem circulação de pessoal e 
equipamentos, desde que esses não interfiram na 
região restrita. Engloba os corredores e a 
recuperação pós-anestésica, por exemplo, onde 
ainda são necessários EPIs especiais, geralmente 
sendo associada a “transição” entre áreas. 
Por fim, a área não restrita é aquela de livre 
circulação, que não necessita de EPI/uniformização 
privativa, ainda que possa ser usado (geralmente é), 
como nos vestiários, corredores externos e de 
entrada, locais de transferência de macas, 
elevadores e até áreas administrativas. 
As salas de operação, em geral, podem ter 
diferentes graus de proteção bacteriológica, 
subdivididos em estéril (imediato aos 
procedimentos), asséptica (em volta da estéril) e 
limpa (restante, nos locais de circulação) 
1 - COMPOSIÇÃO 
Existem algumas padronizações que abrangem 
(considere “S.” como “sala de (a/o)”, mas é pouco importante) 
• Vestiários 
• Conforto (sala de descanso) 
• S. Recepção e transferência 
• S. anestesistas e cirurgiões 
• S. enfermagem 
• Secretaria 
• S. laboratório e anatomia 
• S. material de limpeza (DML) 
• S. p/ guardar equipamentos 
• S. p/ armazenar materiais esterilizados. 
• Corredores 
• S. p/ depósito de gases medicinais 
• S. utilidades (expurgo), onde ficam localizadas 
as pias para lavagem de artigos e mãos, assim 
como armazenamento de materiais 
contaminados e presença de rotas de fuga e 
emergência sinalizadas. 
2 – SALA DE OPERAÇÃO 
A sala de operação é a porção central, podendo ser 
ela pequena, média ou grande, dependendo dos 
tipos de procedimentos abrangidos. A regra da RDC 
no 307/2002 estabelece que deve haver uma sala 
para cada 50 leitos não especializados ou 15 leitos 
cirúrgicos. Recebem as macas que passam pelas 
grandes portas com abertura motorizada, além de 
 
2 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
possuir uma infraestrutura de fácil esterilização, 
resistentes, sem quaisquer fendas ou ralos. Tem-se 
que a iluminação dessas salas deve seguir a NR-17 
e ABNT, com presença de focos que servem para 
reduzir o contraste e prevenir fadiga visual. 
Ainda que se fale pouco sobre a ventilação em geral 
deve seguir a NBR, com a presença de filtros de 
retenção, filtros HEPA, remoção de partículas sem 
turbulência aérea e ar-condicionado especial, 
recomendando-se de 20 a 25 renovações ar/hora. 
Entrando na mesma porção, deve-se haver ruídos 
sonoros mínimos, assim como sistema energético 
próprio para comportar queda ou falha de energia, 
assim como sistema de iluminação de emergência, 
tomadas e rede de gases medicinais, subdivididos 
em verde (oxigênio), azul (óxido nitroso), amarelo 
(ar comprimido medicinal) e cinza (vácuo medicinal 
canalizado), abrangendo também os lavabos em aço 
inox com torneiras quente, fria, escovas e 
antissépticos, localizado sempre próximo a sala de 
operações. Localizam-se a cada 2 salas de operação, 
um lavabo com duas torneiras controladas pelo pé, 
antebraço ou outros sistemas que não usem das 
mãos, assim como dispensadores automáticos para 
os produtos, regulamentados e autorizados p/ CCIH. 
OBSERVAÇÃO: TIPOS DE SALA DE OPERAÇÃO 
Existem algumas diferenças entre os tamanhos 
observáveis em uma sala de operação. Tem-se: 
Pequena: uma sala com 20m² e dimensão mínima 
igual a 3.45m, utilizada para procedimentos de 
otorrinolaringologia e oftalmologia. 
Média: uma sala com 25m² e dimensão mínima 
igual a 4.65m, utilizada para procedimentos 
gástricos, por exemplo 
Grande: uma sala com 36m² e dimensão mínima 
igual a 5.0m, utilizada para procedimentos 
neurocirurgia, cardiovascular e ortopédica. 
Sala Robótica: mínimo de 48 m² 
ESCOVAÇÃO DAS MÃOS (PRÁTICA) 
Deve-se destacar, inicialmente, que a escovação das 
mãos ocorre antes de quaisquer procedimentos 
cirúrgicos, na intenção de diminuir o máximo 
possível a carga de contaminantes presentes. É 
parte da antissepsia, para desinfectar os membros 
superiores e diminuir a chance de contaminação 
cruzada entre os pacientes e profissionais. 
Existe um movimento feito pela OMS que evidencia 
a necessidade da realização da técnica da lavagem 
cirúrgica das mãos, para que sejam seguidos os 
passos da cirurgia segura. Deve ser feita apenas 
após a colocação do privativo e EPIs. 
PREPARATIVOS 
• Abrir a embalagem da escova 
• Mantê-la no envoltório (saquinho) 
• Fazer uma lavagem simples das mãos 
• Umedecer as mãos e antebraços 
• Evitar respingar água 
• Embeber a escova em antisséptico 
TÉCNICA (MÃO DOMINANTE) 
(existem diversas possibilidades de realizar essa técnica, sendo essa descrita apenas uma delas) 
• 10 movimentos com as cerdas nos dedos 
• 10 movimentos na lateral externa do mindinho 
• 10 movimentos na lateral interna do mindinho 
• 10 movimentos na lateral externa do anelar 
• 4 movimentos entre mindinho e anelar 
• 10 movimentos na lateral interna do anelar 
• 10 movimentos na lateral externa do médio 
• 4 movimentos entre médio e anelar 
• 10 movimentos na lateral interna do médio 
• 10 movimentos na lateral externa do indicador 
• 4 movimentos entre médio e indicador 
• 10 movimentos na lateral interna do indicador 
• 10 movimentos na “lateral externa” do polegar 
• 4 movimentos entre o indicador e o polegar 
• 10 movimentos na lateral externa do polegar 
• 10 movimentos na palma da mão (em 1x ou 2x) 
• 10 movimentos no dorso da mão (em 1x ou 2x) 
• 10 movimentos na região ventral do antebraço 
• 10 movimentos na região medial do antebraço 
• 10 movimentos na região dorsal do antebraço 
TÉCNICA (OUTRA MÃO) 
(É literalmente a mesma coisa) 
• 10 movimentos com as cerdas nos dedos 
• 10 movimentos na lateral externa do mindinho 
• 10 movimentos na lateral interna do mindinho 
• 10 movimentos na lateral externa do anelar 
• 4 movimentos entre mindinho e anelar 
• 10 movimentos na lateral interna do anelar 
• 10 movimentos na lateral externa do médio 
• 4 movimentos entre médio e anelar 
 
3 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
• 10 movimentos na lateral interna do médio 
• 10 movimentos na lateral externa do indicador 
• 4 movimentos entre médio e indicador 
• 10 movimentos na lateral interna do indicador 
• 10 movimentos na “lateral externa” do polegar 
• 4 movimentos entre o indicador e o polegar 
• 10 movimentos na lateral externa do polegar 
• 10 movimentos na palma da mão (em 1x ou 2x) 
• 10 movimentos no dorso da mão (em 1x ou 2x) 
• 10 movimentos na região ventral do antebraço• 10 movimentos na região medial do antebraço 
• 10 movimentos na região dorsal do antebraço 
CONSIDERAÇÕES 
• Tomar cuidado para não deixar espaços sem escovação 
• Tomar cuidado para não deixar resíduos 
• Enxaguar da ponta dos dedos ao cotovelo 
• Manter as mãos unidas e elevadas (90o) 
• Nunca deixar escorrer água ou produto nas mãos 
• Não encostar as partes escovadas nos lugares 
• Realizar a secagem com a compressa estéril 
• Vestir-se sem contaminar o procedimento 
TÉCNICA (SECAGEM) 
• Seguir até a compressa estéril com as mãos elevadas 
(EVITAR ABAIXAR AS MÃOS) 
• Abrir a compressa e fechá-la ao meio 
• Utilizar a parte com a dobra para fora 
• Secar a mão dominante 
• Envolver o antebraço com a compressa estéril 
• “Enxugar” o antebraço 
• Virar a compressa do “avesso” 
• Repetir os passos na outra mão 
• Repetir os passos no outro antebraço 
PARAMENTAÇÃO 
Tem-se que, em geral, quaisquer procedimentos 
anestésico-cirúrgico tem necessidade 
imprescindível de tomar precauções como forma 
de reduzir os riscos biológicos. A paramentação 
nada mais é que a colocada de roupas adequadas 
e higienizadas, a fim de criar uma barreira entre 
superfícies contaminadas e o sítio cirúrgico para 
diminuir o risco de contaminação e infecção. 
A) ROUPAS 
O uso do uniforme varia entre as áreas, sendo que 
as partes não restritas não necessitam de 
paramentação, as áreas semi-restritas necessitam 
de uniformes privativos com roupa de manga curta, 
calça comprida e sapatos adequados. A área restrita 
tem limites completamente definidos, onde passa 
a ser obrigatório o uso de EPIs (máscara) e 
paramentação cirúrgica estéril e descartável. 
É importante que, caso o profissional tenha lesões 
abertas, não se deve realizar os procedimentos, por 
risco de contaminação. Em geral, o uniforme 
privativo é não estéril, reprocessável e feito de 
algodão que, mesmo sendo próprio para 
procedimentos, não deve entrar em contato com 
superfícies estéreis (pode haver contaminação). 
B) CALÇADOS 
Os chamados “própés” são paramentações próprias 
para os pés, descartáveis ou de pano, que parecem 
toucas descartáveis de cabelo colocadas nos pés, 
atualmente em desuso. Para prevenir a 
contaminação do chão de áreas críticas, utilizam-
se sapatilhas cirúrgicas fornecidas pelo hospital. 
C) GORRO 
A utilização de gorros ou toucas servem para 
prevenir a queda de cabelo dentro da ferida 
operatória, devendo cobrir completamente o cabelo. 
São não estéreis e podem ser de tecido ou material 
descartável, desde que evite a queda. 
D) ÓCULOS DE PROTEÇÃO 
Os óculos ideais como EPI são aqueles que 
protegem a região superior dos olhos, para evitar 
contaminação por respingos de líquidos. 
E) MÁSCARA CIRÚRGICA 
A máscara utilizada deve ser confortável e de fácil 
adaptação, com boa filtragem. Deve cobrir 
totalmente a boca e o nariz, com adaptadores 
maleáveis de metal. Não são estéreis e devem ser 
trocadas sempre que estiverem molhadas ou sujas. 
São, em sua maioria, feitas de duas camadas de 
fibra de vidro ou lã + elemento filtrante, não 
devendo permanecer em contato com outros locais 
do corpo e nem devem ser reutilizadas. 
A utilização de máscara de alta proteção (N95 e 
PFF2 por exemplo) serve apenas no caso de 
procedimentos com risco de geração de aerossóis, 
mesmo que seja durante o processo de intubação. 
 
 
4 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
F) AVENTAL CIRÚRGICO 
O chamado “capote” é um avental cirúrgico estéril 
que pode ser feito de tecido ou material 
descartável, cobrindo a área final do pescoço, assim 
como tronco, membros superiores, punho e 
membros inferiores até a área dos joelhos. Devem 
ser resistentes e íntegros, seja para descarte ou 
posterior reesterilização, sendo considerados a 
barreira máxima de proteção na cirurgia. 
Para colocação, a porção estéril não pode de forma 
alguma ser tocada, devendo colocá-lo apenas tendo 
contato com as partes internas do avental ou 
cadarços na parte de fora. Deve-se posicionar a 
manga com o elástico de dedo, apenas para que o 
avental não saia do local durante a cirurgia. 
G) CAMPO CIRÚRGICO 
O campo cirúrgico serve para impedir ou minimizar 
a passagem de microrganismos, podendo ser 
necessário não só na cirurgia, como também na 
realização de procedimentos invasivos. São locais 
encobertos por tecidos esterilizados, dispostos em 
cores frias para evitar o cansaço visual (verde/azul) 
Existem campos de uso único, fabricados de 
material sintético impermeável, seja de tecido 
(Spunbounded Meltblown Spunbonded/camada 
tripla de polipropileno) ou não tecido (camadas de 
fibras naturais ou sintéticas entrelaçadas) 
H) LUVAS ESTÉREIS 
Ainda que existam outras opções, as luvas estéreis 
são geralmente feitas de látex, preferencialmente 
sem talco, devendo ser utilizados por toda a equipe 
cirúrgica durante todo o procedimento, para 
qualquer contato com superfícies, materiais e/ou 
roupas contaminadas. Devem ser sobrepostas e de 
duração prolongada, para não perder continuidade. 
Após serem colocadas, deve haver inspeção da 
integridade e, se necessário, trocá-la. Ainda que não 
forneçam proteção total contra a contaminação das 
mãos, existe uma pequena interação até mesmo 
durante a técnica, que causa pequeno contato. 
I) OBSERVAÇÕES 
Todo e qualquer objeto utilizado na cirurgia deve 
ter sido previamente esterilizado de forma 
adequada e, se houver dúvida, não o utilizar. Após a 
paramentação, só se deve entrar em contato com 
objetos estéreis, inclusive a mesa e avental 
cirúrgicos, que só são estéreis até o nível do 
paciente, devendo se afastar de maneira segura e 
possível para realizar o procedimento. 
Não se deve transitar pela sala cirúrgica e, se 
necessário, deve-se pedir passagem para pessoas 
não estéreis, passando de costas por elas, sempre 
mantendo posição ereta, cotovelos à 90o e ombros 
relaxados, podendo utilizar estrados para ficar mais 
alto se for necessário (para profissionais baixinhos) 
ASSEPSIA & ANTISSEPSIA 
Deve-se lembrar inicialmente que assepsia são as 
medidas tomadas para impedir a contaminação de 
um ambiente não contaminado, enquanto a 
antissepsia são as técnicas e medidas utilizadas 
para desinfectar os tecidos com antissépticos ou 
desinfetantes. É importante saber que todo 
ambiente “asséptico” é livre de infecção. 
Ainda que não tenha muito a ver com esse assunto, 
cada cirurgia tem um prontuário onde são descritas 
as técnicas utilizadas, incluindo “assepsia”, 
“antissepsia” e colocação de campo estéril. 
A) FATORES DE CONTAMINAÇÃO 
São fatores que devem ser conhecidos pois 
aumentam o risco de contaminação. São alguns: 
• Idade (extremos) 
• Nutrição 
• Metabolismo 
• Tempo de cirurgia 
• Drenos 
• Sondas 
• Tricotomia (retirada de pelos) 
• Incisões 
• Técnicas cirúrgicas 
1 – ANTISSEPSIA 
A técnica de antissepsia é iniciada com a 
degermação que, no caso das mãos, é chamada de 
escovação, servindo para remover detritos ou 
impurezas com sabão ou detergente. É superficial 
assim como a antissepsia, que é o passo seguinte, 
 
5 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
servindo para destruir microrganismos com a 
aplicação de germicida, com ação profunda. 
Idealmente, os antissépticos devem ter atividade 
germicida sobre a flora da pele e/ou mucosas, sem 
interferência por sangue ou secreções, não sendo 
absorvível, irritativo e dispondo de ação rápida. 
Podem ser encontrados de forma líquida 
dispensável ou já embebendo a escova fechada. 
Dentre os mais utilizados, tem-se: 
A) COMPOSTOS DE IODO 
Iodo (I): tem ação rápida, é pouco solúvel em água 
(mancha tecidos), bom bactericida, bacteriostático 
e esporocida (fungicida), agindo ao penetrar a 
membrana plasmática do microrganismo. É 
corrosivo para o instrumental e tóxico para tecidos 
orgânicos, que prejudicam sua ação. 
Polivinilpirrolidona (PVP): também chamada de . 
iodopolividona, promove liberação lenta de iodo, 
tornando-o menos tóxico para os tecidos orgânicos, 
ainda que tenha sua eficácia diminuída, também 
dispondo de ação rápida e mecanismode ação 
similar, não mancha tecidos (solúvel em água). 
(PVPI): existe a possibilidade de unir a PVP ao Iodo, 
podendo ser encontrada nas formas de 
degermante, tintura (irritativo e deve ser utilizado 
apenas na pele íntegra) ou tópico (para áreas não 
íntegras), todos compostos de “10% PVP / 1% Iodo” 
B) CLORHEXEDINA 
Rompe a membrana plasmática do microrganismo, 
precipitando, coagula proteínas e ácidos nucleicos. 
É solúvel em álcool ou detergente, (solução aquosa 
precisa de álcool), agindo de forma imediata, com 
baixa toxicidade e ótima ação bactericida, 
diminuída contra bactérias GN, fungos e vírus, mas 
não é afetada pela presença de matéria orgânica. 
Geralmente une clorhexedina 0,5% com álcool 70%, 
podendo ser encontrada em solução detergente 
(gluconato de clorhexedina) ou aquosa, 
contaminável se não for armazenada 
adequadamente, sendo que ambos podendo ser 
encontradas em diferentes concentrações. 
C) ÁLCOOL 
Age desnaturando as células, útil apenas contra 
vírus envelopados, bactérias e fungos não 
esporuláveis, com ação imediata responsável por 
ressecar a pele, podendo haver adição com 
glicerina, geralmente utilizado como “adicional”, seja 
na forma etílica (70%) ou isopropílica (92%). 
O PBA é uma solução com álcool considerada 
“prática”, com custos mais baixos e tempo reduzido 
de uso, mantendo eficácia antimicrobiana e maior 
facilidade de aplicação. Tem atividade considerada 
excelente contra bactérias, micobactérias, fungos e 
vírus, mas tem efeito ressecante na pele, 
necessitando de união com compostos para 
hidratação e/ou proteção do tecido. 
TERMINOLOGIA CIRÚRGICA 
As terminologias cirúrgicas servem para descrever 
o procedimento realizado de forma técnica, 
permitindo preparação de instrumental apropriado 
e padronização para entendimento universal. 
A nomenclatura é feita com prefixo de termo 
técnico-científico do local da intervenção (raiz) 
seguido por sufixo com a classificação do 
procedimento a ser realizado. 
Tem-se como intervenção cirúrgica toda 
intervenção sangrenta praticada em um organismo 
vivo por meio de instrumentos após incisão. Ou 
seja? Qualquer operação. 
Segundo Goffi, são realizados três passos: 
• Diérese dos tecidos (corte) 
• Operação (técnicas variam) 
• Síntese dos tecidos (sutura) 
TERMINOLOGIA CIRÚRGICA (EXERCÍCIO) 
A) REMOÇÃO (-ECTOMIA) 
• APÊNDICE ➜ apendicectomia 
• BEXIGA ➜ cistectomia 
• VESÍCULA BILIAR ➜ colecistectomia 
• COLON ➜ colectomia ou hemicolectomia 
• CALOTA ÓSSEA ➜ craniectomia 
• EMBOLO ➜ embolectomia 
• ESÔFAGO ➜ esofagectomia 
• BAÇO ➜ esplenectomia 
• FISTULA ➜ fistulectomia 
• ESTÔMAGO ➜ gastrectomia ou hemigastrectomia 
• HEMORRÓIDAS ➜ hemorroidectomia 
• FIGADO ➜ hepatectomia 
• UTERO ➜ histerectomia 
• LOBO DE ÓRGÃO ➜ lobectomia 
• MAMA ➜ mastectomia 
 
6 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
• MIOMA ➜ miomectomia 
• OVÁRIO ➜ ooforectomia 
• PÂNCREAS ➜ pancreatectomia 
• PULMÃO ➜ pneumectomia 
• PRÓSTATA ➜ prostatectomia 
• RETO-SIGMOIDE ➜ retossingmoidectomia 
• TROMPA ➜ salpingectomia 
• TIREÓIDE ➜ tireoidectómica 
B) FIXAÇÃO (-PEXIA) 
• BEXIGA ➜ cistopexia 
• ÚTERO À PAREDE ABDOMINAL➜ histeropexia 
• RIM À PAREDE ABDOMINAL ➜ nefropexia 
• RETINA ➜ retinopexia 
• TESTICULO EM SUA BOLSA ➜ orquiopexia 
C) ALTERAR FORMA OU FUNÇÃO (-PLASTIA) 
• ARTICULAÇÃO (RESTAURAÇÃO MOVIMENTO E FUNÇÃO) ➜ 
artroplastia 
• PÁLPEBRAS ➜ blefaroplastia 
• MAMA ➜ mamoplastia 
• PILORO ➜ piloroplastia 
• LÁBIO ➜ queiloplastia 
• NARIZ ➜ rinoplastia 
• RUGAS DA FACE ➜ ritidoplastia 
• TROMPA (RECANALIZAÇÃO) ➜ salpingoplastia 
• PAREDE TORÁCICA ➜ toracoplastia 
D) SUTURA (-RAFIA) 
• PÁLPEBRA ➜ blefarorrafia 
• VAGINA ➜ colporrafia 
• ESTÔMAGO ➜ gastrorrafia 
• HÉRNIA ➜ herniorrafia 
• SUTURA OU COLOCAÇÃO DE FIO METÁLICO NO OSSO ➜ 
osteorrafia 
• FENDA PALATINA ➜ palatorrafia 
• PERINEO ➜ perineorrafia 
• TENDÃO ➜ tenorrafia 
E) ABERTURA (TOMIA ou STOMIA) 
• DA ARTICULAÇÃO ➜ artrotomia ou artrostomia 
• DOS BRÔNQUIOS ➜ broncotomia ou broncostomia 
• DA CÁRDIA 
• DA BEXIGA PARA DRENAGEM DA URINA POR SONDA ➜ 
cistomia ou cistostomia 
• E COLOCAÇÃO DE DRENO NA VESÍCULA BILIAR ➜ 
colecistotomia ou colecistostomia 
• DO COLÉDOCO PARA RETIRADA DE CÁLCULO ➜ 
coledocolitotomia 
• EXPLORAÇÃO DO COLÉDOCO➜ coledocotomia 
• DO DUODENO 
• DO CÓLONS ATRAVÉS DA PAREDE ABDOMINAL 
• DISSECÇÃO DE VEIA ➜ flebotomia 
• COLOCAÇÃO DE UMA SONDA NO ESTOMAGO ATRAVÉS DA 
PAREDE ABDOMINAL 
• DO FIGADO ➜ hepatotomia 
• COLOCAÇÃO DE SONDA OU DRENO NO ILEO 
• COLOCAÇÃO DE SONDA NO JEJUNO PARA ALIMENTAÇÃO 
• DA CAVIDADE ABDOMINAL 
• COLOCAÇÃO DE SONDA NO RIM ➜ hepatotomia 
• DO TENDÃO ➜ tenotomia 
• DA PAREDE TORÁCICA ➜ toracotomia 
• DA PAREDE DO TÓRAX PARA DRENAGEM 
• DA TRAQUÉIA PARA FACILITAR A ENTRADA DE AR ➜ 
traqueostomia 
• DO URETER PARA RETIRADA DE CÁLCULO ➜ 
ureterolitotomia 
F) VISUALIZAÇÃO (-SCOPIA) 
• ARTICULAÇÃO ➜ artroscopia 
• BRÔNQUIOS ➜ broncoscopia 
• BEXIGA ➜ cistoscopia 
• CÓLONS 
• VAGINA ➜ colpocospia 
• DUODENO ➜ duodenoscopia 
• ESÔFAGO 
• ESTOMAGO ➜ gastroscopia 
• LARINGE ➜ laringoscopia 
• CAVIDADE ABDOMINAL ➜ laparoscopia 
• SIGMOIDE ➜ sigmoidoscopia 
• URETER 
• URETRA 
• VENTRÍCULO CEREBRAL 
G) INSTRUMENTAÇÃO (-OSCÓPIO) 
• ARTROSCÓPIO ➜ artroscopia 
• BRONCOSCÓPIO ➜ bronco e laringoscopia 
• CISTOSCÓPIO ➜ cisto, uretro e ureteroscopia 
• COLONOSCÓPIO ➜ colonoscopia 
• ENDOSCÓPIO DIGESTIVO ➜ esôfago, gastro e 
duodenoscopia 
• LARINGOSCÓPIO ➜ laringoscopia 
• SIGMOIDOSCÓPIO ➜ sigmoidoscopia 
H) REGRAS E PROCEDIMENTOS 
• AMPUTAÇÃO ➜ remoção (membro ou necrose) 
• ANASTOMOSE ➜ junção (conexão ou sutura) de dois órgãos 
ou vasos 
• ARTRODESE ➜ fixação cirúrgica de articulação 
• BARTHOLINECTOMIA ➜ retirada de cisto de 
Bartholin 
• BIÓPSIA ➜ abertura e remoção de tecido vivo 
para análise e diagnóstico 
• CAUTERIZAÇÃO ➜ destruição de tecido por 
agente cáustico ou calor 
• CESARIANA ➜ parto por incisão cirúrgica 
• CIRCUNCISÃO ➜ ressecção (retirada) da pele 
do prepúcio 
• CISTOCELE ➜ queda da bexiga 
• CURETAGEM UTERINA ➜ raspagem e 
remoção de conteúdo uterino 
• DEISCÊNCIA ➜ separação de bordos 
previamente 
• DISSECAÇÃO ➜ corte ou retalhamento 
• ENXERTO ➜ transplante de órgão ou tecido 
 
7 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
• EPISIOTOMIA ➜ incisão perineal para evitar 
rutura durante o parto normal 
• GONITOMIA ➜ cirurgia de glaucoma 
• ONFALECTOMIA ➜ remoção do umbigo 
• EVISCERAÇÃO ➜ saída de víscera da cavidade 
• FÍSTULA ➜ orifício que comunica dois órgãos 
• VARIOCELE➜ veias dilatadas no escroto 
• VASECTOMIA ➜ corte de um segmento do 
canal deferente 
• RETOCELE ➜ protusão de parte do reto 
• TORACOCENTESE ➜ punção cirúrgica na 
cavidade torácica 
• PARACENTESE ➜ punção cirúrgica na cavidade 
para retirada de líquido 
• RESSECAÇÃO ➜ ressecção de parte do órgão 
CASO 02 
PARAMENTAÇÃO 
A paramentação cirúrgica serve para proteger o 
profissional e o paciente da contaminação cruzada. 
Após a escovação das mãos, deve-se seguir para o 
centro cirúrgico, onde será encontrada a compressa 
e o avental estéril, denominado “capote”. 
1 – COLOCAÇÃO DO CAPOTE 
O capote deve ser colocado após a secagem das 
mãos, com técnica adequada para que não haja 
contaminação. Devem ser seguidos os passos: 
• Abrir o capote pelas pregas 
• Afastar o capote da mesa, tocando APENAS nas 
partes internas 
• Calçar os braços 
• Pedir que alguém amarre os laços de trás 
• APÓS calçar as luvas, amarrar o OPA 
 
2 – COLOCAÇÃO DAS LUVAS ESTÉREIS 
Para calçar as luvas estéreis, deve-se utilizar de 
técnicas para que não haja contaminação, seguindo: 
 
ASSEPSIA X ANTISSEPSIA 
Deve-se lembrar inicialmente que assepsia são as 
medidas tomadas para impedir a contaminação de 
um ambiente não contaminado, enquanto a 
antissepsia são as técnicas e medidas utilizadas 
para desinfectar os tecidos com antissépticos ou 
desinfetantes. É importante saber que todo 
ambiente “asséptico” é livre de infecção. 
Ainda que não tenha muito a ver com esse assunto, 
cada cirurgia tem um prontuário onde são descritasas técnicas utilizadas, incluindo “assepsia”, 
“antissepsia” e colocação de campo estéril. 
1 – ANTISSEPSIA 
A técnica de antissepsia é iniciada com a 
degermação que, no caso das mãos, é chamada de 
escovação, servindo para remover detritos ou 
impurezas com sabão ou detergente. É superficial 
assim como a antissepsia, que é o passo seguinte, 
servindo para destruir microrganismos com a 
aplicação de germicida, com ação profunda. 
Idealmente, os antissépticos devem ter atividade 
germicida sobre a flora da pele e/ou mucosas, sem 
interferência por sangue ou secreções, não sendo 
absorvível, irritativo e dispondo de ação rápida. 
Podem ser encontrados de forma líquida 
dispensável ou já embebendo a escova fechada. 
Dentre os mais utilizados, tem-se: 
A) COMPOSTOS DE IODO 
 
8 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
Iodo (I): tem ação rápida, é pouco solúvel em água 
(mancha tecidos), bom bactericida, bacteriostático 
e esporicida (fungicida), agindo ao penetrar a 
membrana plasmática do microrganismo. É 
corrosivo para o instrumental e tóxico para tecidos 
orgânicos, que prejudicam sua ação. 
Polivinilpirrolidona (PVP): também chamada de . 
iodopolividona, promove liberação lenta de iodo, 
tornando-o menos tóxico para os tecidos orgânicos, 
ainda que tenha sua eficácia diminuída, também 
dispondo de ação rápida e mecanismo de ação 
similar, não mancha tecidos (solúvel em água). 
(PVPI): existe a possibilidade de unir a PVP ao Iodo, 
podendo ser encontrada nas formas de 
degermante, tintura (irritativo e deve ser utilizado 
apenas na pele íntegra) ou tópico (para áreas não 
íntegras), todos compostos de “10% PVP / 1% Iodo” 
B) CLORHEXEDINA 
Rompe a membrana plasmática do microrganismo, 
precipitando, coagula proteínas e ácidos nucleicos. 
É solúvel em álcool ou detergente, (solução aquosa 
precisa de álcool), agindo de forma imediata, com 
baixa toxicidade e ótima ação bactericida, 
diminuída contra bactérias GN, fungos e vírus, mas 
não é afetada pela presença de matéria orgânica. 
Geralmente une clorhexedina 0,5% com álcool 70%, 
podendo ser encontrada em solução detergente 
(gluconato de clorhexedina) ou aquosa, 
contaminável se não for armazenada 
adequadamente, sendo que ambos podendo ser 
encontradas em diferentes concentrações. 
C) ÁLCOOL 
Age desnaturando as células, útil apenas contra 
vírus envelopados, bactérias e fungos não 
esporuláveis, com ação imediata responsável por 
ressecar a pele, podendo haver adição com 
glicerina, geralmente utilizado como “adicional”, seja 
na forma etílica (70%) ou isopropílica (92%). 
O PBA é uma solução com álcool considerada 
“prática”, com custos mais baixos e tempo reduzido 
de uso, mantendo eficácia antimicrobiana e maior 
facilidade de aplicação. Tem atividade considerada 
excelente contra bactérias, micobactérias, fungos e 
vírus, mas tem efeito ressecante na pele, 
necessitando de união com compostos para 
hidratação e/ou proteção do tecido. 
Dos métodos de eliminação total ou parcial de 
microrganismos, tem-se como destaque: 
1 – ESTERILIZAÇÃO 
Muito eficiente, consiste na eliminação total de 
microrganismos presentes, muito utilizado para 
manuseio de equipamentos cirúrgicos e 
laboratoriais, por exemplo. 
A) CALOR UMIDO 
O principal meio de esterilização por calor úmido 
é a utilização de autoclave, maquinário que se 
utiliza de calor (121o), pressão (1-ATM) e tempo (15 
minutos), tendo como mecanismo de ação a 
desnaturação de proteínas. Não é um bom método 
para materiais termolábeis 
B) CALOR SECO 
Os principais meios de esterilização por calor seco 
consistem na flambagem e oxidação, que se 
utilizam de altas temperaturas para oxidar as 
células dos microrganismos. Não é um bom 
método para materiais termolábeis. 
Existem ainda estufas capazes de oxidar as 
células, esterilizando o material exposto por certo 
tempo. 
 
C) RADIAÇÃO 
Os métodos de radiação para esterilização podem 
ser subdivididos em ionizantes e não ionizantes 
que, respectivamente, destroem e alteram o DNA 
do microrganismo. Ainda que ambos sejam bons 
métodos para materiais termolábeis, a radiação 
não ionizante não é capaz de matar os 
microrganismos, ainda que impeçam sua 
replicação, necessitando de maior tempo de ação 
para esterilizar de fato. 
D) FILTRAÇÃO 
A filtração consiste na remoção mecânica por 
filtros, que depende do microrganismo e da trama 
a ser utilizado, tendo eficácia moderada. 
E) QUÍMICOS 
Um dos compostos químicos mais utilizados na 
esterilização é o Oxido de Etileno, capaz de formar 
gases citotóxicos que destroem o DNA microbiano 
Além desses, são muito utilizados os compostos 
clorados, que esterilizam por oxidar a matéria 
orgânica ao serem capazes de permear a 
membrana celular. Seu lado negativo é que não 
 
9 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
são seletivos, então também oxidam tecidos 
humanos se ficarem muito tempo expostos ao 
produto 
2 – DESINFECÇÃO 
É um método que consiste na eliminação parcial, 
da maioria, dos microrganismos, mas não todos. 
A) CALOR UMIDO 
A fervura é o principal método utilizado para 
desinfecção de líquidos ou materiais de forma 
eficiente, ainda que não seja capaz de esterilizá-
los. O que define a eliminação é a junção do tempo 
e temperatura a que serão submetidos. 
B) CALOR SECO 
O calor seco consiste na utilização de fornos para 
desinfecção, dependentes do tempo e 
temperatura para eliminar a maior parte de forma 
eficiente 
C) QUÍMICOS 
Existem diversos métodos químicos utilizados na 
desinfecção, sendo os principais: 
Iodo, que prejudica síntese proteica e altera 
membrana celular microbiana 
Álcool, com eficiência de desinfecção apenas no 
“70%”, visto que o “40%” é insuficiente e o “94%” 
tem evaporação rápida, tornando ineficiente. O 
álcool é capaz de desnaturar proteínas, romper 
membranas e dissolver lipídeos de envelopes virais, 
sendo pouco eficiente contra endósporos e vírus 
não envelopados, ainda que seja eficiente contra 
bactérias e fungos diversos. 
Desinfetantes, que agem diluindo a parede celular 
dos microrganismos 
CASO 03 
POSIÇÕES CIRÚRGICAS 
Deve-se levar em consideração, inicialmente, a 
individualidade de cada paciente. Isso inclui o peso, 
sexo biológico, altura, procedimentos prévios, idade 
e quaisquer outras condições que possam 
influenciar no transoperatório e posicionamento. 
Inclusive, existe a necessidade de considerar a 
complexidade do procedimento e os riscos 
envolvidos com o transoperatório. Essas posições 
nada mais são do que o modo que o paciente está 
acomodado durante o procedimento, requerendo 
conhecimento científico e prático. 
1 – AORN 
Tem-se, de acordo com a “Association of 
periOperative Registered Nurses”, que o 
posicionamento deve ser iniciado antes da 
transferência do paciente para a maca cirúrgica, já 
preparando os acessórios de maca e/ou quaisquer 
dispositivos que sejam necessários para a cirurgia. 
A) CONSIDERAÇÕES PARA ESCOLHA 
Deve haver segurança para o paciente, sendo 
necessária organização adequada da equipe 
juntamente das técnicas de limpeza prévias. O 
paciente deve ser monitorado durante e após o 
posicionamento, para evitar quaisquer tipos de 
prejuízos lesivos ao paciente, seja com a integridade 
dos tecidos, ou do próprio alinhamento. 
Alguns pontos muito importantes para considerar: 
• Particularidades do paciente 
• Técnica da intervenção realizada 
• Local do procedimento 
• Manutenção do posicionamento 
• Acesso facilitado para os profissionais 
• Privacidade do paciente 
• Efeitos fisiológicos no transoperatório 
B) PROTEÇÃO 
É necessário registrar todos os procedimentos e 
proteções utilizadas, servindo de documento para 
respaldo posterior. Para auxiliar na proteção, 
existem acessórios responsáveis prevenir o 
estiramento de nervos ou tecidos, assim como 
absorver as forças compressivas, redistribuindo a 
pressão e evitando, por exemplo, uma LPP. Além 
disso, serão utilizados acessórios a fim de controlar 
a temperatura do paciente, visando diminuir as 
chances de hipotermia, auxiliando tambéma evitar 
o deslocamento (e até queda) do paciente. 
C) ACESSÓRIOS DE POSICIONAMENTO 
Existem equipamentos muito uteis para facilitar a 
exposição da área cirúrgica e, consequentemente, 
seu acesso. Alguns deles são; 
• Pederneiras 
• Braçadeiras 
• Coxins 
• Suporte de Wilson 
• Suporte de cabeça 
 
10 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
• Fixadores (MMII ou MMSS) 
• Cintos fixadores 
• Campo de algodão 
2 – POSIÇÕES 
A) DECÚBITO DORSAL 
Está ligada, geralmente, a cirurgias abdominais, 
torácica, vasculares e/ou umbilicais (tanto supra 
quanto infra). O paciente fica deitado com as 
costas encostadas com a mesa cirúrgica, com 
pernas estendidas, paralelas e descruzadas, 
devendo manter os braços apoiados em talas 
acessórias, em posição anatômica. Deverá haver 
apoio na região cervical e região dos joelhos, por 
causarem pontos potenciais de pressão (para LPP). 
É uma das posições mais comuns no centro 
cirúrgico, trazendo tolerância para o paciente 
anestesiado e menores complicações respiratórias 
intra e/ou pós-operatórias. 
B) DECÚBITO VENTRAL 
O paciente estará de “barriga pra baixo”, ou seja, 
com o abdome encostado na maca, com braços 
estendidos para frente, apoiados em tala. É muito 
utilizado para cirurgias de região dorsal, lombar, 
sacrococcígea e occipital como, por exemplo, uma 
cirurgia de hérnia de disco. 
É uma posição frágil para o sistema respiratório, 
devido a sobrecarga gerada pelo próprio peso do 
paciente, devendo haver controle do setor de 
anestesias para que não haja complicações. Sob os 
tornozelos, são utilizados coxins para evitar 
distensão e/ou compressão, assim como será 
evitado apoio da cabeça sobre o nariz, impedindo 
piora da respiração, visto que, naturalmente, nessa 
posição, há diminuição do movimento diafragmático 
C) FOWLER (SENTADA) 
É uma posição em que o paciente permanece semi-
sentado na mesa de operação, aumentando 
significativamente a pressão no dorso. Há risco para 
embolia devido a possível pressão venosa negativa 
nas região de cabeça e pescoço. 
Nessa posição, há hiperextensão dos ombros e 
braços, para evitar queda ou pressão contra 
superfícies duras. É uma posição utilizada, muitas 
vezes, para conforto em casos de dispineia pós-
cirúrgica de, por exemplo, tireóide, mamoplastia, 
drenagem ou abdomnoplastias. 
D) POSIÇÃO LITOTÔMICA (GINECOLÓGICA) 
É uma posição em que o paciente permanece em 
decúbito dorsal, mas com as pernas flexionadas, 
afastadas e apoiadas em perneiras acolchoadas. Os 
braços continuam em posição anatômica, apoiados 
em talas. A posição em si é considerada não 
anatômica, apresentando potencial risco de 
traumas, sobretudo na coluna. 
Geralmente, é utilizada para operações nas regiões 
inguinal e/ou genital (vagina e próstata), que 
acabam por aumentar os riscos da cirurgia, 
incluindo, por exemplo, cirurgias proctológicas, 
ginecológicas, utológicas, obstétricas (parto 
normal), perineoplastia, hemorroidectomia e 
histerectomia vaginal. Deve-se considerar a idade, 
peso e principalmente a flexibilidade do paciente. 
E) POSIÇÃO DE JACKNIFE (CANIVETE) 
É uma posição utilizadas para cirurgias mais 
específicas, geralmente relacionadas com a região 
anal, como no caso de fístulas ou fissuras. O 
paciente fica em “decúbito ventral”, com angulação 
significativa na região inguinal, para cima. 
F) LATERAL (SIMS) 
O paciente permanece em decúbito lateral 
(esquerdo ou direito), com a perna encostada na 
maca estendida, e a outra flexionada, afastada e 
apoiada na superfície de repouso. Nessa posição, 
existem diversos pontos de pressão importantes, 
devendo-se utilizar de mecanismos para evita-los, 
como travesseiros e/ou coxins, principalmente na 
região do dorso, cabeça e pés encostados na maca, 
assim como entre as pernas do paciente. 
Deve haver cuidados com as porções do plexo 
braquial e nervo fibular, por estarem comprimidas. 
Os braços ficam fixados e protegidos. 
G) POSIÇÃO DE TRENDELENBURG 
O paciente permanece em decúbito dorsal e a 
porção superior do dorso abaixada, com ombros 
apoiados em ombreiras acolchoadas para evitar 
pressão, assim como os membros inferiores 
elevados. É muito utilizada para manter as alças 
 
11 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
abdominais mais visíveis, facilitando também a 
visualização dos órgãos pélvicos. 
Para retornar o paciente a posição normal, deve-se 
ir devagar, para evitar hipotensão arterial. De forma 
coloquial, a cabeça fica abaixada e os pés elevados 
H) POSIÇÃO DE TRENDELENBURG REVERSO 
É o oposto da anterior, onde a cabeça fica elevada 
e os pés abaixados, útil para deslocar as vísceras 
abdominais adiantes do diafragma. 
OBS: ainda que seja incomum, visto que o 
posicionamento é previamente analisado para cada 
paciente de forma individual, caso haja uma 
descompensação do paciente, as complicações são, 
muitas vezes, irreversíveis. A cirurgia precisaria ser 
parada para estabilizar o quadro do paciente, o que 
nem sempre é uma possibilidade. 
3 – PÓS-OPERATÓRIO 
Deve-se considerar, inicialmente, que quaisquer 
mudanças repentina de posição pode atrapalhar 
completamente a operação e causar danos ao 
paciente, sendo muito importante manipular o 
paciente anestesiado de forma lenta, com 
movimentos firmes e seguros, até para evitar a 
queda de pressão arterial por mudanças bruscas. 
Alternadamente, deve-se retirar as pernas das 
perneiras, para prevenir o fluxo rápido de sangue 
da porção superior para os membros inferiores. 
COLOCAÇÃO DE CAMPOS CIRÚRGICOS 
Para o preparo adequado do pré-operatório, deve-
se fiscalizar a adequação do ambiente, equipe, 
instrumentais, materiais e equipamentos que serão 
utilizados durante a cirurgia. 
1 – CLASSIFICAÇÃO 
A) ARTIGOS CRÍTICOS 
São necessariamente estéreis, pois entrarão em 
contato com tecidos corporais estéreis, mucosas e 
sistema vascular. Geralmente, são o que participam 
da parte invasiva da cirurgia. 
B) ARTIGOS SEMI-CRÍTICOS 
São, ao menos, desinfectados em alto ou médio 
(mais alto) nível, pois entrarão em contato com 
pele não integra ou com mucosas. Não precisam ser 
esterilizados por questões de custo, praticidade e 
rapidez para disponibilização do material. 
C) NÃO CRÍTICOS 
São artigos que não entram em contato com o 
paciente ou, se entram, é apenas com pele íntegra. 
Precisam, ao menos, de desinfecção simples, de 
baixo nível, para evitar contaminações. 
3 – ANTISSEPSIA DA PELE 
É importante saber que a microbiota da pele é sim 
perturbada com a antissepsia, mas é necessário 
fazê-la para evitar a entrada de microrganismos 
transitórios potencialmente patológicos com as 
porções internas, ou não íntegras, do paciente. 
Para realizar a antissepsia, utiliza-se de pinça, 
compressa estéril de gaze e o degermante, 
podendo realizar movimentos “circulares” (em 
direção centrífuga), ou movimentos “longitudinais”, 
em direção retilínea e única (do meio para lateral) 
4 – TÉCNICA (CAMPOS) 
São utilizados vários tipos de campos sobrepostos, 
incluindo campos de uso único, reforço absorvente, 
tecido impermeável e o campo de mesa padrão. 
Para sua colocação, tem-se também os campos 
inferiores (cobrem os pés), superiores (demarcam 
posicionamento dos anestesistas), laterais em 
ambos os lados, devendo haver fixação pelo uso de 
pinças de Backhaus. 
EQUIPE CIRÚRGICA 
A equipe cirúrgica em si é composta de diversos 
integrantes, cada qual com sua função. Tem-se, por 
exemplo, os médicos cirurgiões, os médicos 
anestesiologistas, os enfermeiros (+ técnicos e 
circulante) e apoiadores, que incluem, técnicos em 
raio-x e/ou laboratório, biomédicos, perfusionistas 
ou outras especialidades necessárias para a 
cirurgia. Cada grupo atuante pode ser classificado 
como uma “subequipe”, onde cada integrante tem 
atribuições específicas para maior eficiência. 
OBS: perfusionistas são profissionais responsáveis por controlar máquinas de 
perfusão extracorpóreas, quando presentes 
Nem sempre estarão presentes todas as 
subequipes, estando, na maioria das vezes, apenas 
o anestesista, cirurgião,assistente e 
instrumentador, ainda que possa haver mais 
 
12 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
profissionais envolvidos, se necessário. Os 
profissionais devem levar em conta o centro 
cirúrgico para movimentação, evitando a 
contaminação de campos estéreis e problemas 
1 – EQUIPE MÉDICA 
A) CIRURGIÃO TITULAR 
É o médico que acompanha o caso do paciente, que 
deu o diagnóstico e o que indicou a cirúrgica. É 
responsável por “compor” a equipe cirúrgica, 
necessitando de conhecimentos técnicos, 
preparação emocional e mental, assim como 
direcionamento, para realizar uma boa cirurgia. 
Avalia a segurança do ambiente hospitalar, sempre 
vendo se a cirurgia é possível, se o local comporta 
intercorrências e se há material disponível, 
participando ativamente do checklist cirúrgico. 
Além de comandar a cirurgia, planejando as 
atuações dos outros integrantes, é o responsável 
integral pela cirurgia e quaisquer danos posteriores. 
B) CIRURGIÃO ASSISTENTE (1O AUXILIAR) 
É, teoricamente, o responsável por realizar as 
técnicas do pré-operatório imediato, incluindo 
intubação, passagem de sondas, dissecção venosa e 
posicionamento cirúrgico. 
Também pode agir como “substituto”, se necessário, 
entrando no lugar do cirurgião titular. Além disso, 
auxilia na montagem da instrumentação, no 
checklist cirúrgico e desenvolvimento operatório. 
É importante que conheçam as posições, tempo e 
características do operatório em questão, devendo 
haver conhecimento técnico para assumir o posto, 
se precisar. Acompanham o paciente durante o pós-
operatório, até que possam seguir para o leito. 
2 -EQUIPE DE ANESTESIA 
C) ANESTESIOLOGIA 
São responsáveis por monitorar os sinais vitais do 
paciente, sempre estabilizando, se necessário (o 
restante da equipe também pode fazê-lo). 
Também verificam a disponibilidade de 
equipamentos, tanto anestésicos quanto não. Após 
a cirurgia, encaminham os pacientes para a sala de 
recuperação pós-anestésica (SRPA), 
responsabilizando-se durante sua permanência. . 
Devem sempre analisar a possibilidade de 
conversão ou desestabilização do paciente. 
Também realizar anestesia em procedimentos 
ambulatoriais de curta permanência, ainda que 
devam participar integralmente da cirurgia, não 
podendo se retirar. Caso não haja anestesista, se 
for um procedimento de urgência, o cirurgião titular 
pode ser o responsável, tanto pela anestesia, quanto 
pela alta da recuperação no pós-operatório. 
D) AUXILIAR DE ANESTESIA 
É, em sua maioria, um técnico de enfermagem 
especializado em anestesia, atuando na preparação 
do material de anestesia, incluindo infusões 
venosas, posicionamentos, fixação de acessos e 
outros procedimentos, sempre supervisionado pelo 
anestesista e/ou cirurgião responsável. 
E) INSTRUMENTADOR 
É parte da equipe cirúrgica ou da equipe de 
enfermagem, devendo sempre conferir os materiais 
e equipamentos cirúrgicos, ainda que não seja o 
responsável por eles. Esse é o profissional que 
monta os campos cirúrgicos estéreis, auxiliando na 
antissepsia, ao posicioná-los sobre o paciente. 
Tem necessariamente que conhecer os 
instrumentos cirúrgicos e objetos que serão 
utilizados, montando a mesa de acordo com sua 
utilização durante a cirurgia, sendo o responsável 
pela assepsia, limpeza, organização e entrega do 
material. Além de conferir, é esse o profissional que 
checa a assepsia dos instrumentos posteriormente. 
Juntamente da circulante, confere a presença de 
materiais como gazes, compressas e agulhas em 
capo, antes do fechamento da ferida operatória, 
para evitar problemas posteriores por corpos 
estranhos dentro do paciente. 
3 – EQUIPE DE ENFERMAGEM 
É composta de diversos profissionais, 
imprescindíveis para a realização da cirurgia. Além 
do enfermeiro coordenador, haverá o enfermeiro 
chefe (equivale ao médico titular), enfermeiro 
assistencial e a circulante. 
Caso não haja enfermeiro assistencial disponível, 
poderá ser substituído por um técnico. Em alguns 
 
13 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
locais, há um profissional de enfermagem 
responsável exclusivamente pelo checklist. 
CLASSIFICAÇÃO CIRÚRGICA 
A classificação de uma cirurgia é essencial para 
planejar o procedimento de maneira adequada, 
definindo os riscos da operação para otimizar da 
melhor forma possível, fazendo medidas profiláticas 
e pós-cirúrgicas adequadas, assim como é essencial 
para prestação de contas e gestão administrativa. 
Tem-se as classificações de acordo com a urgência, 
porte, risco, finalidade e potencial de contaminação. 
1 – CLASSIFICAÇÃO POR URGÊNCIA 
CIRURGIA ELETIVA – são cirurgias programadas, 
que podem aguardar um momento propício como, 
por exemplo, cirurgias estéticas. 
CIRURGIA DE URGÊNCIA – são cirurgias que 
requerem atenção pronta, devendo ser realizadas 
de 24 a 48h, por haver piora progressiva do quadro 
como, por exemplo, uma apendicectomia. 
CIRURGIA DE EMERGÊNCIA – são cirurgias que 
necessitam de atenção imediata, de situações 
críticas, devido ao risco eminente de morte como, 
por exemplo, fraturas externas 
2 – CLASSIFICAÇÃO POR PORTE 
GRANDE PORTE – são cirurgias com grande 
probabilidade de perda de fluidos e/ou sangue, 
tornando-as cirurgias complexas como, por exemplo, 
correção de aneurisma de aorta 
MÉDIO PORTE – são cirurgias com média 
probabilidade de perda de fluido e/ou sangue, como 
cirurgias de cabeça e pescoço, urologia ou neuro. 
PEQUENO PORTE – são cirurgias com pequena 
probabilidade de perda de fluido e/ou sangue, como 
em cirurgias plásticas e oftalmológicas. 
3 – CLASSIFICAÇÃO POR TEMPO 
PORTE 1 – até 2h 
PORTE 11 – de 2 a 4h 
PORTE 111 – de 4 a 6h 
PORTE 1V – acima de 6h 
O tempo da cirurgia é calculado por estimativa, mas 
permite a criação de um “cronograma” médio, 
essencial para preparação do centro cirúrgico. 
4 – FERRAMENTAS DE CLASSIFICAÇÃO 
A classificação cirúrgica dispõe de ferramentas que 
“padronizam” os procedimentos, de acordo com a 
Classificação Brasileira Hierarquizada de 
Procedimentos Médicos (CBHPM), juntamente da 
tabela administrativa do SUS, AMB-92 
5 – CLASSIFICAÇÃO POR FINALIDADE 
CURATIVA – são cirurgias que servem para tratar 
a causa da doença de maneira direta 
PALIATIVA – são cirurgias que servem para 
compensar distúrbios e melhorar a condição da 
doença, quando não há cura. 
DIAGNÓSTICA – são cirurgias de “exploração” para 
análise como, por exemplo, biópsias ou laparotomias 
REPARADORA – são cirurgias que servem para 
reconstituição de tecidos lesionados como enxerto 
RECONSTRUTORA – são cirurgias cosméticas, para 
modificar ou desenvolver o local 
A finalidade pode “mudar” com o decorrer do 
procedimento, assim como não influencia 
necessariamente o porte da cirurgia, visto que os 
achados podem ser diferentes do esperado. 
6 – CLASSIFICAÇÃO POR CONTAMINAÇÃO 
Essa classificação analisa o potencial de 
contaminação da cirurgia, diferenciando o risco 
LIMPAS – realizadas em tecidos estéreis ou 
descontaminados, sem processo infeccioso e/ou 
inflamatório. Geralmente são cirurgias 
atraumáticas, eletivas, fora do TGI, TU e TR, com 
índices de contaminação de 1,5 a 5,1% 
POTENCIALMENTE CONTAMINADAS – realizadas 
em tecidos colonizados por pouca microbiota 
residente (difícil descontaminação), podendo ser 
nos TGI, TU e TR, com índices de contaminação 
que variam de 7,7 a 10%. 
CONTAMINADAS – realizadas em tecidos 
traumatizados recentemente, abertos ou 
colonizados por muita flora bacteriana, sem 
 
14 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
possibilidade de boa descontaminação, com índices 
que variam de 15,2 a 16,3%. A cirurgia pode se tornar 
contaminada por falha na antissepsia. 
INFECTADAS – realizadas em tecidos com 
processos infecciosos supurativos, com tecido 
necróticos e/ou corpo estranho, tendo índices que 
variam de 28 a 40%, sejam esses tecidos 
naturalmente infectados (como fezes) ou 
infectados por processos patológicos. 
Tem-se que a classificação quanto a infecção pode 
“mudar” durante o procedimento, como no caso da 
falha da técnicae/ou antissepsia, ainda que existam 
cirurgias que já iniciam contaminadas. É uma 
classificação importante para determinar a 
probabilidade de infecção pós-cirúrgica. 
CIRURGIA SEGURA 
A “cirurgia segura” abrange as medidas utilizadas 
para reduzir o risco de eventos adversos 
(iatrogenias) antes, durante e depois do 
procedimento. Surgiu com a campanha “Cirurgias 
Seguras Salvam Vidas”, em 2008. 
Busca também diminuir a ocorrência de incidentes, 
aumentando a segurança, realizando a cirurgia no 
local correto e no paciente correto, pautado pela 
Lista de Verificação de Cirurgia Segura (LVSC) 
1 – 1O DESAFIO GLOBAL 
Em 2005, lançou-se o desafio global para combate 
as infecções, antes mesmo da criação da campanha 
da cirurgia segura (2o foco). Esse desafio buscava: 
• Higienização das mãos 
• Procedimentos clínicos e cirúrgicos seguros 
• Segurança de sangue e hemoderivados 
• Administração segura de injetáveis e 
imunobiológicos 
• Segurança da água, saneamento básico e 
manejo de resíduos 
Ainda que o protocolo de cirurgia segura tenha sido 
apenas em 2008, o primeiro documento que fala a 
respeito da segurança desses procedimentos veio 
do primeiro desafio global. O foco em si, desse 
desafio, foi a higienização das mãos. 
2 – 2O DESAFIO GLOBAL 
Prevê os protocolos da cirurgia segura em si, com: 
• Prevenção de infecções e sítio cirúrgico 
• Anestesia segura 
• Equipes cirúrgicas seguras 
• Indicadores da assistência cirúrgica 
• O PROTOCOLO (https://www.gov.br/saude/pt-
br/composicao/saes/dahu/pnsp/protocolos-
basicos/protocolo-cirurgia-segura.pdf/view) 
3 – OBJETIVOS 
O cenário mundial da segurança em saúde exige a 
criação e seguimento do protocolo, visando não só 
evitar os erros, como as possíveis complicações. 
OBETIVO 1 – “a equipe operará o paciente e o sítio 
cirúrgico corretos” – envolve a checagem do 
paciente e do local a ser operado. 
OBJETIVO 2 – “a equipe usará métodos conhecidos 
para impedir danos na administração anestésica” - 
evitando que o paciente sinta dor” 
OBJETIVO 3 – “a equipe reconhecerá e estará 
preparada para perda da função respiratória” – 
preparando-se para estabilizar o paciente 
OBJETIVO 4 – a equipe reconhecerá e estará 
preparada para grandes perdas sanguíneas” – 
preparando-se para estabilizar o paciente 
 
OBJETIVO 5 – “a equipe evitará reações 
sabidamente adversas e/ou alérgicas a drogas, 
evitando riscos ao paciente” – deverá conhecer as 
alergias e características do paciente 
OBJETIVO 6 – “a equipe usará de maneira 
sistemática métodos conhecidos para minimizar o 
risco de infecção do sítio cirúrgico” – diz a respeito 
da criação adequada de sítios estéreis 
OBJETIVO 7 – “a equipe impedirá a retenção 
inadvertida de compressas ou instrumentos nas 
feridas cirúrgicas” 
OBJETIVO 8 – “a equipe manterá seguro e 
identificado de forma precisa todos os espécimes 
cirúrgicos” – do material ao paciente 
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/dahu/pnsp/protocolos-basicos/protocolo-cirurgia-segura.pdf/view
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/dahu/pnsp/protocolos-basicos/protocolo-cirurgia-segura.pdf/view
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15 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
OBJETIVO 9 – “a equipe se comunicará 
efetivamente, trocando informações críticas para 
condução segura da operação” 
OBJETIVO 10 – “os hospitais e sistemas de saúde 
pública estabelecerão vigilância de rotina sobre a 
capacidade, volumes e resultados” 
4 – LISTA DE VERIFICAÇÃO 
Cada hospital terá alguns passos próprios 
desenvolvidos para evitar problemas, que vão desde 
o serviço de transporte até o centro cirúrgico, até 
os checklists dentro do centro cirúrgico e na sala 
de recepção pós-cirúrgica. Destaca-se a checagem 
de materiais, campos e paramentações estéreis, 
assim como a dor do paciente no pós operatório e 
sua evolução à curto prazo. 
O médico atuante na cirurgia deverá preencher 
todo o protocolo do que será feito, passo a passo, 
incluindo quaisquer medicações utilizadas antes, 
durante e após a cirurgia, inclusive na estabilização 
do paciente. Esse documento deverá constar, 
inclusive, a prescrição pós-cirúrgica de internação 
como, por exemplo, a utilização de colchão 
específico para evitar lesão por pressão. 
A Organização Pan-Americana de Saúde (OMS), 
estabelece como passos necessários: 
A) ANTES DA CIRURGIA 
Envolve a porção de “sign-in” que será vista 
posteriormente. Nesse caso, deverá haver a 
verificação dos materiais e paciente, podendo haver 
necessidade de confirmação de informações como, 
por exemplo, alergias ou procedimentos prévios. 
 
Ainda que não esteja presente no checklist acima, 
podem conter também os passos da anestesia, que 
envolvem, do medicamento utilizado, a estabilização 
do paciente em caso de problemas anestésicos. 
B) ANTES DA INCISÃO 
Envolve a porção de “time-out”, verificando 
diretamente a prevenção de complicações durante 
a cirurgia e possibilitar a estabilização. 
 
C) ANTES DA SAÍDA DO PACIENTE (DA SALA 
CIRÚRGICA PARA O PÓS-OPERATÓRIO) 
Envolve a porção de “sign-out”, verificando o 
necessário antes de o paciente sair da sala de 
operações, evitando problemas no pós-operatório. 
 
5 – CHECKLIST DA CIRURGIA SEGURA 
É importante que a lista de verificação seja simples, 
mas completa e objetiva, contendo todos os 
materiais que serão utilizados e passos para 
checagem adequada do procedimento. Serão 
refeitos os passos “sign in”, “time out” e “sign out” 
 
Exemplo de checklist presente no centro cirúrgico 
 
16 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
Tem-se que o “sing in” são os passos necessários 
antes mesmo de iniciar a cirurgia, que envolvem 
precauções necessárias para adequação do 
procedimento. O paciente não poderá ser 
submetido a uma cirurgia se não tiver exames 
relacionados a alteração, assim como quaisquer 
exames complementares necessários. 
Tem-se que o “time out” são os passos necessários 
literalmente antes de iniciar a incisão, checando a 
cirurgia para evitar complicações. Isso inclui, por 
exemplo, o aterramento em cirurgias que poderão 
causar choque elétrico no paciente. 
Tem-se que o “sing out” são os passos necessários 
antes de finalizar a cirurgia e fechar a incisão, 
incluindo a contagem de materiais e compressas, 
evitando de todas as formas possíveis deixá-los 
dentro do paciente. Abrange também materiais de 
biópsia, checagem de soros, drenos, acessos e, se 
houver, equipamentos com problemas. 
OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS EM 
CIRURGIA 
Envolve o conjunto de gestos manuais ou 
instrumentais executados para o procedimento, seja 
esse de finalidade diagnóstica, terapêutica ou 
estética. Todo procedimento cirúrgico tem como 
elementos fundamentais: 
1 - DIÉRESE (acesso) 
Inclui quaisquer cortes ou aberturas que causem a 
divisão e exposição do tecido e/ou órgão que será 
operado, podendo incluir os processos de 
• Incisão (corte) 
• Secção (corte) 
• Divulsão (separação) 
• Punção (perfuração) 
• Dilatação 
• Serração 
A via de acesso utilizada deverá considerar a 
extensão da diérese, presença de bordas de 
segurança, preservando, se possível, nervos e vasos. 
Deverá ser considerado o plano anatômico, assim 
como aponeuroses deverão ser realizadas no 
sentido da fibra muscular, de preferência nas linhas 
de força (contrárias ao maior eixo do músculo) 
 
Incisões toracoabdominais (com destaque especial para a incisão de 
McBurney/oblíqua baixa, assim como Pfannestiel) 
2 - HEMOSTASIA 
Inclui quaisquer medidas para interromper 
temporariamente ou definitivamente um 
sangramento ocasionado pela diérese (A), com 
objetivo de manter a volemia e a limpeza. Deverá 
ser feita de modo a evitar o sangramento, com 
cuidado para não causar isquemia tecidual pela 
interrupção, ou infecções posteriores. 
Tem-se como mecanismos temporários: 
• Compressão 
• Parada circulatória 
• Incruenta ou Cruenta 
• Instrumentos atraumáticos 
• Oclusão – balão endovascular 
• Garroteamento(curto tempo) 
• Pinçamento – pinças atraumáticas 
• Bulldog – clipe para “segurar” vasos 
• Satinsky – pinça específica para cardiovascular 
• 
*Farmacologia – medicamentos para controlar 
hipotensão e corrigir distúrbios coagulatórios 
Tem-se como mecanismos definitivos: 
• Cruenta 
• Sutura 
• Fotocoagulação – (laser) 
• Cauterização – (eletrocautério) 
• Pinçamento – (hemostáticas traumáticas) 
• Grampeamento – de metal e/ou polímero 
• Obturação – oclusão do tecido 
• *Tamponamento – com compressas ou gazes 
 
17 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) 
*esse tamponamento pode ser temporário, tornando-o discutível nas literaturas. 
Considere ambas as possibilidades, dependendo do procedimento. 
Dos instrumentos, destacam-se as pinças de 
Halsted, Kelly, Crile, Rochester, Moyniham e 
grampos diversos. Deverão estar limpos, 
posicionados adequadamente, vigiando utilização 
adequada de fios e gases (inclusive o retorno), com 
troca de campos e compressas se necessário. 
3 - SÍNTESE. 
Inclui quaisquer medidas que visem reconstrução, 
recomposição ou restituição dos tecidos explorados, 
sejam estruturas ou órgãos inteiros. Promovem 
aproximação de tecidos para apressar a 
cicatrização, podendo ser por meio de suturas, 
afrontamento ou grampos, geralmente. 
Dos instrumentos, destacam-se porta-agulhas, 
pinças anatômicas e/ou dente de rato, agulhas, fios 
cirúrgicos e grampeadores diversos. Para adequação 
da síntese, deve haver boa assepsia e vitalidade 
tecidual, com bordas regulares, sem espaços de 
tecidos necrosados, utilizando-se de materiais e 
técnica apropriados para o procedimento. 
4 – POSICIONAMENTO 
Para saber o posicionamento dos instrumentos, 
deverá ser levado em consideração onde está o 
instrumentador. A mesa de instrumentação é 
dividida em quatro quadrantes, utilizando-se: 
 
EPÔNIMOS DO TGI 
Inicialmente, ainda que não seja o mais importante, 
temos que o epônimo “Doença de Chagas-Cruz”, 
popularmente chamado de doença de chagas, 
caracteriza a tripanossomíase sul-americana. 
 
TABELA PASSADA EM AULA

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