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1 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) CASO 01 ÁREAS DO AMBIENTE CIRÚRGICO O ambiente cirúrgico é uma unidade de intervenção cirúrgica à âmbito hospitalar. É um conjunto de áreas e dependências interligadas para garantir um procedimento seguro e asséptico. Apesar de definir-se apenas como “área complexa de acesso restrito em um estabelecimento de assistência de saúde (EAS)”, tem-se como importante porção hospitalar, que deve seguir a legislação sanitária vigente, RDC no 50 de 21 de fevereiro de 2022., que diz: Em geral, é uma área que deve promover fácil acesso aos setores de suporte (como farmácia, lavanderia, radiologia, etc...), para facilitar o fluxo de pacientes. Seja para cirurgias eletivas ou urgentes, devem-se ter algumas instalações mínimas no local, com a presença de sistemas diferenciados, ar- condicionado, canalização de vácuo dentre outros. Para que sejam autorizadas as cirurgias, deve-se observar também a bioengenharia e as características físicas de iluminação, temperatura e planejamento, considerando os aspectos físicos e filosóficos da EAS em questão. Por haver atendimentos de vários pacientes e diferentes especialidades, deve ser composto de blocos operatórios (salas de operação), setor de recuperação pós-anestésica (RPA) e centro de Material e Esterilização (CME). Em geral, áreas restritas relacionam-se ao controle e manutenção da assepsia, é considerada área restrita, visando diminuir os riscos de contaminação, privativa à profissionais prontificados com uniformes especiais, em todo o local Por outro lado, as áreas semi-restritas são aquelas que permitem circulação de pessoal e equipamentos, desde que esses não interfiram na região restrita. Engloba os corredores e a recuperação pós-anestésica, por exemplo, onde ainda são necessários EPIs especiais, geralmente sendo associada a “transição” entre áreas. Por fim, a área não restrita é aquela de livre circulação, que não necessita de EPI/uniformização privativa, ainda que possa ser usado (geralmente é), como nos vestiários, corredores externos e de entrada, locais de transferência de macas, elevadores e até áreas administrativas. As salas de operação, em geral, podem ter diferentes graus de proteção bacteriológica, subdivididos em estéril (imediato aos procedimentos), asséptica (em volta da estéril) e limpa (restante, nos locais de circulação) 1 - COMPOSIÇÃO Existem algumas padronizações que abrangem (considere “S.” como “sala de (a/o)”, mas é pouco importante) • Vestiários • Conforto (sala de descanso) • S. Recepção e transferência • S. anestesistas e cirurgiões • S. enfermagem • Secretaria • S. laboratório e anatomia • S. material de limpeza (DML) • S. p/ guardar equipamentos • S. p/ armazenar materiais esterilizados. • Corredores • S. p/ depósito de gases medicinais • S. utilidades (expurgo), onde ficam localizadas as pias para lavagem de artigos e mãos, assim como armazenamento de materiais contaminados e presença de rotas de fuga e emergência sinalizadas. 2 – SALA DE OPERAÇÃO A sala de operação é a porção central, podendo ser ela pequena, média ou grande, dependendo dos tipos de procedimentos abrangidos. A regra da RDC no 307/2002 estabelece que deve haver uma sala para cada 50 leitos não especializados ou 15 leitos cirúrgicos. Recebem as macas que passam pelas grandes portas com abertura motorizada, além de 2 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) possuir uma infraestrutura de fácil esterilização, resistentes, sem quaisquer fendas ou ralos. Tem-se que a iluminação dessas salas deve seguir a NR-17 e ABNT, com presença de focos que servem para reduzir o contraste e prevenir fadiga visual. Ainda que se fale pouco sobre a ventilação em geral deve seguir a NBR, com a presença de filtros de retenção, filtros HEPA, remoção de partículas sem turbulência aérea e ar-condicionado especial, recomendando-se de 20 a 25 renovações ar/hora. Entrando na mesma porção, deve-se haver ruídos sonoros mínimos, assim como sistema energético próprio para comportar queda ou falha de energia, assim como sistema de iluminação de emergência, tomadas e rede de gases medicinais, subdivididos em verde (oxigênio), azul (óxido nitroso), amarelo (ar comprimido medicinal) e cinza (vácuo medicinal canalizado), abrangendo também os lavabos em aço inox com torneiras quente, fria, escovas e antissépticos, localizado sempre próximo a sala de operações. Localizam-se a cada 2 salas de operação, um lavabo com duas torneiras controladas pelo pé, antebraço ou outros sistemas que não usem das mãos, assim como dispensadores automáticos para os produtos, regulamentados e autorizados p/ CCIH. OBSERVAÇÃO: TIPOS DE SALA DE OPERAÇÃO Existem algumas diferenças entre os tamanhos observáveis em uma sala de operação. Tem-se: Pequena: uma sala com 20m² e dimensão mínima igual a 3.45m, utilizada para procedimentos de otorrinolaringologia e oftalmologia. Média: uma sala com 25m² e dimensão mínima igual a 4.65m, utilizada para procedimentos gástricos, por exemplo Grande: uma sala com 36m² e dimensão mínima igual a 5.0m, utilizada para procedimentos neurocirurgia, cardiovascular e ortopédica. Sala Robótica: mínimo de 48 m² ESCOVAÇÃO DAS MÃOS (PRÁTICA) Deve-se destacar, inicialmente, que a escovação das mãos ocorre antes de quaisquer procedimentos cirúrgicos, na intenção de diminuir o máximo possível a carga de contaminantes presentes. É parte da antissepsia, para desinfectar os membros superiores e diminuir a chance de contaminação cruzada entre os pacientes e profissionais. Existe um movimento feito pela OMS que evidencia a necessidade da realização da técnica da lavagem cirúrgica das mãos, para que sejam seguidos os passos da cirurgia segura. Deve ser feita apenas após a colocação do privativo e EPIs. PREPARATIVOS • Abrir a embalagem da escova • Mantê-la no envoltório (saquinho) • Fazer uma lavagem simples das mãos • Umedecer as mãos e antebraços • Evitar respingar água • Embeber a escova em antisséptico TÉCNICA (MÃO DOMINANTE) (existem diversas possibilidades de realizar essa técnica, sendo essa descrita apenas uma delas) • 10 movimentos com as cerdas nos dedos • 10 movimentos na lateral externa do mindinho • 10 movimentos na lateral interna do mindinho • 10 movimentos na lateral externa do anelar • 4 movimentos entre mindinho e anelar • 10 movimentos na lateral interna do anelar • 10 movimentos na lateral externa do médio • 4 movimentos entre médio e anelar • 10 movimentos na lateral interna do médio • 10 movimentos na lateral externa do indicador • 4 movimentos entre médio e indicador • 10 movimentos na lateral interna do indicador • 10 movimentos na “lateral externa” do polegar • 4 movimentos entre o indicador e o polegar • 10 movimentos na lateral externa do polegar • 10 movimentos na palma da mão (em 1x ou 2x) • 10 movimentos no dorso da mão (em 1x ou 2x) • 10 movimentos na região ventral do antebraço • 10 movimentos na região medial do antebraço • 10 movimentos na região dorsal do antebraço TÉCNICA (OUTRA MÃO) (É literalmente a mesma coisa) • 10 movimentos com as cerdas nos dedos • 10 movimentos na lateral externa do mindinho • 10 movimentos na lateral interna do mindinho • 10 movimentos na lateral externa do anelar • 4 movimentos entre mindinho e anelar • 10 movimentos na lateral interna do anelar • 10 movimentos na lateral externa do médio • 4 movimentos entre médio e anelar 3 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) • 10 movimentos na lateral interna do médio • 10 movimentos na lateral externa do indicador • 4 movimentos entre médio e indicador • 10 movimentos na lateral interna do indicador • 10 movimentos na “lateral externa” do polegar • 4 movimentos entre o indicador e o polegar • 10 movimentos na lateral externa do polegar • 10 movimentos na palma da mão (em 1x ou 2x) • 10 movimentos no dorso da mão (em 1x ou 2x) • 10 movimentos na região ventral do antebraço• 10 movimentos na região medial do antebraço • 10 movimentos na região dorsal do antebraço CONSIDERAÇÕES • Tomar cuidado para não deixar espaços sem escovação • Tomar cuidado para não deixar resíduos • Enxaguar da ponta dos dedos ao cotovelo • Manter as mãos unidas e elevadas (90o) • Nunca deixar escorrer água ou produto nas mãos • Não encostar as partes escovadas nos lugares • Realizar a secagem com a compressa estéril • Vestir-se sem contaminar o procedimento TÉCNICA (SECAGEM) • Seguir até a compressa estéril com as mãos elevadas (EVITAR ABAIXAR AS MÃOS) • Abrir a compressa e fechá-la ao meio • Utilizar a parte com a dobra para fora • Secar a mão dominante • Envolver o antebraço com a compressa estéril • “Enxugar” o antebraço • Virar a compressa do “avesso” • Repetir os passos na outra mão • Repetir os passos no outro antebraço PARAMENTAÇÃO Tem-se que, em geral, quaisquer procedimentos anestésico-cirúrgico tem necessidade imprescindível de tomar precauções como forma de reduzir os riscos biológicos. A paramentação nada mais é que a colocada de roupas adequadas e higienizadas, a fim de criar uma barreira entre superfícies contaminadas e o sítio cirúrgico para diminuir o risco de contaminação e infecção. A) ROUPAS O uso do uniforme varia entre as áreas, sendo que as partes não restritas não necessitam de paramentação, as áreas semi-restritas necessitam de uniformes privativos com roupa de manga curta, calça comprida e sapatos adequados. A área restrita tem limites completamente definidos, onde passa a ser obrigatório o uso de EPIs (máscara) e paramentação cirúrgica estéril e descartável. É importante que, caso o profissional tenha lesões abertas, não se deve realizar os procedimentos, por risco de contaminação. Em geral, o uniforme privativo é não estéril, reprocessável e feito de algodão que, mesmo sendo próprio para procedimentos, não deve entrar em contato com superfícies estéreis (pode haver contaminação). B) CALÇADOS Os chamados “própés” são paramentações próprias para os pés, descartáveis ou de pano, que parecem toucas descartáveis de cabelo colocadas nos pés, atualmente em desuso. Para prevenir a contaminação do chão de áreas críticas, utilizam- se sapatilhas cirúrgicas fornecidas pelo hospital. C) GORRO A utilização de gorros ou toucas servem para prevenir a queda de cabelo dentro da ferida operatória, devendo cobrir completamente o cabelo. São não estéreis e podem ser de tecido ou material descartável, desde que evite a queda. D) ÓCULOS DE PROTEÇÃO Os óculos ideais como EPI são aqueles que protegem a região superior dos olhos, para evitar contaminação por respingos de líquidos. E) MÁSCARA CIRÚRGICA A máscara utilizada deve ser confortável e de fácil adaptação, com boa filtragem. Deve cobrir totalmente a boca e o nariz, com adaptadores maleáveis de metal. Não são estéreis e devem ser trocadas sempre que estiverem molhadas ou sujas. São, em sua maioria, feitas de duas camadas de fibra de vidro ou lã + elemento filtrante, não devendo permanecer em contato com outros locais do corpo e nem devem ser reutilizadas. A utilização de máscara de alta proteção (N95 e PFF2 por exemplo) serve apenas no caso de procedimentos com risco de geração de aerossóis, mesmo que seja durante o processo de intubação. 4 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) F) AVENTAL CIRÚRGICO O chamado “capote” é um avental cirúrgico estéril que pode ser feito de tecido ou material descartável, cobrindo a área final do pescoço, assim como tronco, membros superiores, punho e membros inferiores até a área dos joelhos. Devem ser resistentes e íntegros, seja para descarte ou posterior reesterilização, sendo considerados a barreira máxima de proteção na cirurgia. Para colocação, a porção estéril não pode de forma alguma ser tocada, devendo colocá-lo apenas tendo contato com as partes internas do avental ou cadarços na parte de fora. Deve-se posicionar a manga com o elástico de dedo, apenas para que o avental não saia do local durante a cirurgia. G) CAMPO CIRÚRGICO O campo cirúrgico serve para impedir ou minimizar a passagem de microrganismos, podendo ser necessário não só na cirurgia, como também na realização de procedimentos invasivos. São locais encobertos por tecidos esterilizados, dispostos em cores frias para evitar o cansaço visual (verde/azul) Existem campos de uso único, fabricados de material sintético impermeável, seja de tecido (Spunbounded Meltblown Spunbonded/camada tripla de polipropileno) ou não tecido (camadas de fibras naturais ou sintéticas entrelaçadas) H) LUVAS ESTÉREIS Ainda que existam outras opções, as luvas estéreis são geralmente feitas de látex, preferencialmente sem talco, devendo ser utilizados por toda a equipe cirúrgica durante todo o procedimento, para qualquer contato com superfícies, materiais e/ou roupas contaminadas. Devem ser sobrepostas e de duração prolongada, para não perder continuidade. Após serem colocadas, deve haver inspeção da integridade e, se necessário, trocá-la. Ainda que não forneçam proteção total contra a contaminação das mãos, existe uma pequena interação até mesmo durante a técnica, que causa pequeno contato. I) OBSERVAÇÕES Todo e qualquer objeto utilizado na cirurgia deve ter sido previamente esterilizado de forma adequada e, se houver dúvida, não o utilizar. Após a paramentação, só se deve entrar em contato com objetos estéreis, inclusive a mesa e avental cirúrgicos, que só são estéreis até o nível do paciente, devendo se afastar de maneira segura e possível para realizar o procedimento. Não se deve transitar pela sala cirúrgica e, se necessário, deve-se pedir passagem para pessoas não estéreis, passando de costas por elas, sempre mantendo posição ereta, cotovelos à 90o e ombros relaxados, podendo utilizar estrados para ficar mais alto se for necessário (para profissionais baixinhos) ASSEPSIA & ANTISSEPSIA Deve-se lembrar inicialmente que assepsia são as medidas tomadas para impedir a contaminação de um ambiente não contaminado, enquanto a antissepsia são as técnicas e medidas utilizadas para desinfectar os tecidos com antissépticos ou desinfetantes. É importante saber que todo ambiente “asséptico” é livre de infecção. Ainda que não tenha muito a ver com esse assunto, cada cirurgia tem um prontuário onde são descritas as técnicas utilizadas, incluindo “assepsia”, “antissepsia” e colocação de campo estéril. A) FATORES DE CONTAMINAÇÃO São fatores que devem ser conhecidos pois aumentam o risco de contaminação. São alguns: • Idade (extremos) • Nutrição • Metabolismo • Tempo de cirurgia • Drenos • Sondas • Tricotomia (retirada de pelos) • Incisões • Técnicas cirúrgicas 1 – ANTISSEPSIA A técnica de antissepsia é iniciada com a degermação que, no caso das mãos, é chamada de escovação, servindo para remover detritos ou impurezas com sabão ou detergente. É superficial assim como a antissepsia, que é o passo seguinte, 5 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) servindo para destruir microrganismos com a aplicação de germicida, com ação profunda. Idealmente, os antissépticos devem ter atividade germicida sobre a flora da pele e/ou mucosas, sem interferência por sangue ou secreções, não sendo absorvível, irritativo e dispondo de ação rápida. Podem ser encontrados de forma líquida dispensável ou já embebendo a escova fechada. Dentre os mais utilizados, tem-se: A) COMPOSTOS DE IODO Iodo (I): tem ação rápida, é pouco solúvel em água (mancha tecidos), bom bactericida, bacteriostático e esporocida (fungicida), agindo ao penetrar a membrana plasmática do microrganismo. É corrosivo para o instrumental e tóxico para tecidos orgânicos, que prejudicam sua ação. Polivinilpirrolidona (PVP): também chamada de . iodopolividona, promove liberação lenta de iodo, tornando-o menos tóxico para os tecidos orgânicos, ainda que tenha sua eficácia diminuída, também dispondo de ação rápida e mecanismode ação similar, não mancha tecidos (solúvel em água). (PVPI): existe a possibilidade de unir a PVP ao Iodo, podendo ser encontrada nas formas de degermante, tintura (irritativo e deve ser utilizado apenas na pele íntegra) ou tópico (para áreas não íntegras), todos compostos de “10% PVP / 1% Iodo” B) CLORHEXEDINA Rompe a membrana plasmática do microrganismo, precipitando, coagula proteínas e ácidos nucleicos. É solúvel em álcool ou detergente, (solução aquosa precisa de álcool), agindo de forma imediata, com baixa toxicidade e ótima ação bactericida, diminuída contra bactérias GN, fungos e vírus, mas não é afetada pela presença de matéria orgânica. Geralmente une clorhexedina 0,5% com álcool 70%, podendo ser encontrada em solução detergente (gluconato de clorhexedina) ou aquosa, contaminável se não for armazenada adequadamente, sendo que ambos podendo ser encontradas em diferentes concentrações. C) ÁLCOOL Age desnaturando as células, útil apenas contra vírus envelopados, bactérias e fungos não esporuláveis, com ação imediata responsável por ressecar a pele, podendo haver adição com glicerina, geralmente utilizado como “adicional”, seja na forma etílica (70%) ou isopropílica (92%). O PBA é uma solução com álcool considerada “prática”, com custos mais baixos e tempo reduzido de uso, mantendo eficácia antimicrobiana e maior facilidade de aplicação. Tem atividade considerada excelente contra bactérias, micobactérias, fungos e vírus, mas tem efeito ressecante na pele, necessitando de união com compostos para hidratação e/ou proteção do tecido. TERMINOLOGIA CIRÚRGICA As terminologias cirúrgicas servem para descrever o procedimento realizado de forma técnica, permitindo preparação de instrumental apropriado e padronização para entendimento universal. A nomenclatura é feita com prefixo de termo técnico-científico do local da intervenção (raiz) seguido por sufixo com a classificação do procedimento a ser realizado. Tem-se como intervenção cirúrgica toda intervenção sangrenta praticada em um organismo vivo por meio de instrumentos após incisão. Ou seja? Qualquer operação. Segundo Goffi, são realizados três passos: • Diérese dos tecidos (corte) • Operação (técnicas variam) • Síntese dos tecidos (sutura) TERMINOLOGIA CIRÚRGICA (EXERCÍCIO) A) REMOÇÃO (-ECTOMIA) • APÊNDICE ➜ apendicectomia • BEXIGA ➜ cistectomia • VESÍCULA BILIAR ➜ colecistectomia • COLON ➜ colectomia ou hemicolectomia • CALOTA ÓSSEA ➜ craniectomia • EMBOLO ➜ embolectomia • ESÔFAGO ➜ esofagectomia • BAÇO ➜ esplenectomia • FISTULA ➜ fistulectomia • ESTÔMAGO ➜ gastrectomia ou hemigastrectomia • HEMORRÓIDAS ➜ hemorroidectomia • FIGADO ➜ hepatectomia • UTERO ➜ histerectomia • LOBO DE ÓRGÃO ➜ lobectomia • MAMA ➜ mastectomia 6 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) • MIOMA ➜ miomectomia • OVÁRIO ➜ ooforectomia • PÂNCREAS ➜ pancreatectomia • PULMÃO ➜ pneumectomia • PRÓSTATA ➜ prostatectomia • RETO-SIGMOIDE ➜ retossingmoidectomia • TROMPA ➜ salpingectomia • TIREÓIDE ➜ tireoidectómica B) FIXAÇÃO (-PEXIA) • BEXIGA ➜ cistopexia • ÚTERO À PAREDE ABDOMINAL➜ histeropexia • RIM À PAREDE ABDOMINAL ➜ nefropexia • RETINA ➜ retinopexia • TESTICULO EM SUA BOLSA ➜ orquiopexia C) ALTERAR FORMA OU FUNÇÃO (-PLASTIA) • ARTICULAÇÃO (RESTAURAÇÃO MOVIMENTO E FUNÇÃO) ➜ artroplastia • PÁLPEBRAS ➜ blefaroplastia • MAMA ➜ mamoplastia • PILORO ➜ piloroplastia • LÁBIO ➜ queiloplastia • NARIZ ➜ rinoplastia • RUGAS DA FACE ➜ ritidoplastia • TROMPA (RECANALIZAÇÃO) ➜ salpingoplastia • PAREDE TORÁCICA ➜ toracoplastia D) SUTURA (-RAFIA) • PÁLPEBRA ➜ blefarorrafia • VAGINA ➜ colporrafia • ESTÔMAGO ➜ gastrorrafia • HÉRNIA ➜ herniorrafia • SUTURA OU COLOCAÇÃO DE FIO METÁLICO NO OSSO ➜ osteorrafia • FENDA PALATINA ➜ palatorrafia • PERINEO ➜ perineorrafia • TENDÃO ➜ tenorrafia E) ABERTURA (TOMIA ou STOMIA) • DA ARTICULAÇÃO ➜ artrotomia ou artrostomia • DOS BRÔNQUIOS ➜ broncotomia ou broncostomia • DA CÁRDIA • DA BEXIGA PARA DRENAGEM DA URINA POR SONDA ➜ cistomia ou cistostomia • E COLOCAÇÃO DE DRENO NA VESÍCULA BILIAR ➜ colecistotomia ou colecistostomia • DO COLÉDOCO PARA RETIRADA DE CÁLCULO ➜ coledocolitotomia • EXPLORAÇÃO DO COLÉDOCO➜ coledocotomia • DO DUODENO • DO CÓLONS ATRAVÉS DA PAREDE ABDOMINAL • DISSECÇÃO DE VEIA ➜ flebotomia • COLOCAÇÃO DE UMA SONDA NO ESTOMAGO ATRAVÉS DA PAREDE ABDOMINAL • DO FIGADO ➜ hepatotomia • COLOCAÇÃO DE SONDA OU DRENO NO ILEO • COLOCAÇÃO DE SONDA NO JEJUNO PARA ALIMENTAÇÃO • DA CAVIDADE ABDOMINAL • COLOCAÇÃO DE SONDA NO RIM ➜ hepatotomia • DO TENDÃO ➜ tenotomia • DA PAREDE TORÁCICA ➜ toracotomia • DA PAREDE DO TÓRAX PARA DRENAGEM • DA TRAQUÉIA PARA FACILITAR A ENTRADA DE AR ➜ traqueostomia • DO URETER PARA RETIRADA DE CÁLCULO ➜ ureterolitotomia F) VISUALIZAÇÃO (-SCOPIA) • ARTICULAÇÃO ➜ artroscopia • BRÔNQUIOS ➜ broncoscopia • BEXIGA ➜ cistoscopia • CÓLONS • VAGINA ➜ colpocospia • DUODENO ➜ duodenoscopia • ESÔFAGO • ESTOMAGO ➜ gastroscopia • LARINGE ➜ laringoscopia • CAVIDADE ABDOMINAL ➜ laparoscopia • SIGMOIDE ➜ sigmoidoscopia • URETER • URETRA • VENTRÍCULO CEREBRAL G) INSTRUMENTAÇÃO (-OSCÓPIO) • ARTROSCÓPIO ➜ artroscopia • BRONCOSCÓPIO ➜ bronco e laringoscopia • CISTOSCÓPIO ➜ cisto, uretro e ureteroscopia • COLONOSCÓPIO ➜ colonoscopia • ENDOSCÓPIO DIGESTIVO ➜ esôfago, gastro e duodenoscopia • LARINGOSCÓPIO ➜ laringoscopia • SIGMOIDOSCÓPIO ➜ sigmoidoscopia H) REGRAS E PROCEDIMENTOS • AMPUTAÇÃO ➜ remoção (membro ou necrose) • ANASTOMOSE ➜ junção (conexão ou sutura) de dois órgãos ou vasos • ARTRODESE ➜ fixação cirúrgica de articulação • BARTHOLINECTOMIA ➜ retirada de cisto de Bartholin • BIÓPSIA ➜ abertura e remoção de tecido vivo para análise e diagnóstico • CAUTERIZAÇÃO ➜ destruição de tecido por agente cáustico ou calor • CESARIANA ➜ parto por incisão cirúrgica • CIRCUNCISÃO ➜ ressecção (retirada) da pele do prepúcio • CISTOCELE ➜ queda da bexiga • CURETAGEM UTERINA ➜ raspagem e remoção de conteúdo uterino • DEISCÊNCIA ➜ separação de bordos previamente • DISSECAÇÃO ➜ corte ou retalhamento • ENXERTO ➜ transplante de órgão ou tecido 7 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) • EPISIOTOMIA ➜ incisão perineal para evitar rutura durante o parto normal • GONITOMIA ➜ cirurgia de glaucoma • ONFALECTOMIA ➜ remoção do umbigo • EVISCERAÇÃO ➜ saída de víscera da cavidade • FÍSTULA ➜ orifício que comunica dois órgãos • VARIOCELE➜ veias dilatadas no escroto • VASECTOMIA ➜ corte de um segmento do canal deferente • RETOCELE ➜ protusão de parte do reto • TORACOCENTESE ➜ punção cirúrgica na cavidade torácica • PARACENTESE ➜ punção cirúrgica na cavidade para retirada de líquido • RESSECAÇÃO ➜ ressecção de parte do órgão CASO 02 PARAMENTAÇÃO A paramentação cirúrgica serve para proteger o profissional e o paciente da contaminação cruzada. Após a escovação das mãos, deve-se seguir para o centro cirúrgico, onde será encontrada a compressa e o avental estéril, denominado “capote”. 1 – COLOCAÇÃO DO CAPOTE O capote deve ser colocado após a secagem das mãos, com técnica adequada para que não haja contaminação. Devem ser seguidos os passos: • Abrir o capote pelas pregas • Afastar o capote da mesa, tocando APENAS nas partes internas • Calçar os braços • Pedir que alguém amarre os laços de trás • APÓS calçar as luvas, amarrar o OPA 2 – COLOCAÇÃO DAS LUVAS ESTÉREIS Para calçar as luvas estéreis, deve-se utilizar de técnicas para que não haja contaminação, seguindo: ASSEPSIA X ANTISSEPSIA Deve-se lembrar inicialmente que assepsia são as medidas tomadas para impedir a contaminação de um ambiente não contaminado, enquanto a antissepsia são as técnicas e medidas utilizadas para desinfectar os tecidos com antissépticos ou desinfetantes. É importante saber que todo ambiente “asséptico” é livre de infecção. Ainda que não tenha muito a ver com esse assunto, cada cirurgia tem um prontuário onde são descritasas técnicas utilizadas, incluindo “assepsia”, “antissepsia” e colocação de campo estéril. 1 – ANTISSEPSIA A técnica de antissepsia é iniciada com a degermação que, no caso das mãos, é chamada de escovação, servindo para remover detritos ou impurezas com sabão ou detergente. É superficial assim como a antissepsia, que é o passo seguinte, servindo para destruir microrganismos com a aplicação de germicida, com ação profunda. Idealmente, os antissépticos devem ter atividade germicida sobre a flora da pele e/ou mucosas, sem interferência por sangue ou secreções, não sendo absorvível, irritativo e dispondo de ação rápida. Podem ser encontrados de forma líquida dispensável ou já embebendo a escova fechada. Dentre os mais utilizados, tem-se: A) COMPOSTOS DE IODO 8 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) Iodo (I): tem ação rápida, é pouco solúvel em água (mancha tecidos), bom bactericida, bacteriostático e esporicida (fungicida), agindo ao penetrar a membrana plasmática do microrganismo. É corrosivo para o instrumental e tóxico para tecidos orgânicos, que prejudicam sua ação. Polivinilpirrolidona (PVP): também chamada de . iodopolividona, promove liberação lenta de iodo, tornando-o menos tóxico para os tecidos orgânicos, ainda que tenha sua eficácia diminuída, também dispondo de ação rápida e mecanismo de ação similar, não mancha tecidos (solúvel em água). (PVPI): existe a possibilidade de unir a PVP ao Iodo, podendo ser encontrada nas formas de degermante, tintura (irritativo e deve ser utilizado apenas na pele íntegra) ou tópico (para áreas não íntegras), todos compostos de “10% PVP / 1% Iodo” B) CLORHEXEDINA Rompe a membrana plasmática do microrganismo, precipitando, coagula proteínas e ácidos nucleicos. É solúvel em álcool ou detergente, (solução aquosa precisa de álcool), agindo de forma imediata, com baixa toxicidade e ótima ação bactericida, diminuída contra bactérias GN, fungos e vírus, mas não é afetada pela presença de matéria orgânica. Geralmente une clorhexedina 0,5% com álcool 70%, podendo ser encontrada em solução detergente (gluconato de clorhexedina) ou aquosa, contaminável se não for armazenada adequadamente, sendo que ambos podendo ser encontradas em diferentes concentrações. C) ÁLCOOL Age desnaturando as células, útil apenas contra vírus envelopados, bactérias e fungos não esporuláveis, com ação imediata responsável por ressecar a pele, podendo haver adição com glicerina, geralmente utilizado como “adicional”, seja na forma etílica (70%) ou isopropílica (92%). O PBA é uma solução com álcool considerada “prática”, com custos mais baixos e tempo reduzido de uso, mantendo eficácia antimicrobiana e maior facilidade de aplicação. Tem atividade considerada excelente contra bactérias, micobactérias, fungos e vírus, mas tem efeito ressecante na pele, necessitando de união com compostos para hidratação e/ou proteção do tecido. Dos métodos de eliminação total ou parcial de microrganismos, tem-se como destaque: 1 – ESTERILIZAÇÃO Muito eficiente, consiste na eliminação total de microrganismos presentes, muito utilizado para manuseio de equipamentos cirúrgicos e laboratoriais, por exemplo. A) CALOR UMIDO O principal meio de esterilização por calor úmido é a utilização de autoclave, maquinário que se utiliza de calor (121o), pressão (1-ATM) e tempo (15 minutos), tendo como mecanismo de ação a desnaturação de proteínas. Não é um bom método para materiais termolábeis B) CALOR SECO Os principais meios de esterilização por calor seco consistem na flambagem e oxidação, que se utilizam de altas temperaturas para oxidar as células dos microrganismos. Não é um bom método para materiais termolábeis. Existem ainda estufas capazes de oxidar as células, esterilizando o material exposto por certo tempo. C) RADIAÇÃO Os métodos de radiação para esterilização podem ser subdivididos em ionizantes e não ionizantes que, respectivamente, destroem e alteram o DNA do microrganismo. Ainda que ambos sejam bons métodos para materiais termolábeis, a radiação não ionizante não é capaz de matar os microrganismos, ainda que impeçam sua replicação, necessitando de maior tempo de ação para esterilizar de fato. D) FILTRAÇÃO A filtração consiste na remoção mecânica por filtros, que depende do microrganismo e da trama a ser utilizado, tendo eficácia moderada. E) QUÍMICOS Um dos compostos químicos mais utilizados na esterilização é o Oxido de Etileno, capaz de formar gases citotóxicos que destroem o DNA microbiano Além desses, são muito utilizados os compostos clorados, que esterilizam por oxidar a matéria orgânica ao serem capazes de permear a membrana celular. Seu lado negativo é que não 9 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) são seletivos, então também oxidam tecidos humanos se ficarem muito tempo expostos ao produto 2 – DESINFECÇÃO É um método que consiste na eliminação parcial, da maioria, dos microrganismos, mas não todos. A) CALOR UMIDO A fervura é o principal método utilizado para desinfecção de líquidos ou materiais de forma eficiente, ainda que não seja capaz de esterilizá- los. O que define a eliminação é a junção do tempo e temperatura a que serão submetidos. B) CALOR SECO O calor seco consiste na utilização de fornos para desinfecção, dependentes do tempo e temperatura para eliminar a maior parte de forma eficiente C) QUÍMICOS Existem diversos métodos químicos utilizados na desinfecção, sendo os principais: Iodo, que prejudica síntese proteica e altera membrana celular microbiana Álcool, com eficiência de desinfecção apenas no “70%”, visto que o “40%” é insuficiente e o “94%” tem evaporação rápida, tornando ineficiente. O álcool é capaz de desnaturar proteínas, romper membranas e dissolver lipídeos de envelopes virais, sendo pouco eficiente contra endósporos e vírus não envelopados, ainda que seja eficiente contra bactérias e fungos diversos. Desinfetantes, que agem diluindo a parede celular dos microrganismos CASO 03 POSIÇÕES CIRÚRGICAS Deve-se levar em consideração, inicialmente, a individualidade de cada paciente. Isso inclui o peso, sexo biológico, altura, procedimentos prévios, idade e quaisquer outras condições que possam influenciar no transoperatório e posicionamento. Inclusive, existe a necessidade de considerar a complexidade do procedimento e os riscos envolvidos com o transoperatório. Essas posições nada mais são do que o modo que o paciente está acomodado durante o procedimento, requerendo conhecimento científico e prático. 1 – AORN Tem-se, de acordo com a “Association of periOperative Registered Nurses”, que o posicionamento deve ser iniciado antes da transferência do paciente para a maca cirúrgica, já preparando os acessórios de maca e/ou quaisquer dispositivos que sejam necessários para a cirurgia. A) CONSIDERAÇÕES PARA ESCOLHA Deve haver segurança para o paciente, sendo necessária organização adequada da equipe juntamente das técnicas de limpeza prévias. O paciente deve ser monitorado durante e após o posicionamento, para evitar quaisquer tipos de prejuízos lesivos ao paciente, seja com a integridade dos tecidos, ou do próprio alinhamento. Alguns pontos muito importantes para considerar: • Particularidades do paciente • Técnica da intervenção realizada • Local do procedimento • Manutenção do posicionamento • Acesso facilitado para os profissionais • Privacidade do paciente • Efeitos fisiológicos no transoperatório B) PROTEÇÃO É necessário registrar todos os procedimentos e proteções utilizadas, servindo de documento para respaldo posterior. Para auxiliar na proteção, existem acessórios responsáveis prevenir o estiramento de nervos ou tecidos, assim como absorver as forças compressivas, redistribuindo a pressão e evitando, por exemplo, uma LPP. Além disso, serão utilizados acessórios a fim de controlar a temperatura do paciente, visando diminuir as chances de hipotermia, auxiliando tambéma evitar o deslocamento (e até queda) do paciente. C) ACESSÓRIOS DE POSICIONAMENTO Existem equipamentos muito uteis para facilitar a exposição da área cirúrgica e, consequentemente, seu acesso. Alguns deles são; • Pederneiras • Braçadeiras • Coxins • Suporte de Wilson • Suporte de cabeça 10 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) • Fixadores (MMII ou MMSS) • Cintos fixadores • Campo de algodão 2 – POSIÇÕES A) DECÚBITO DORSAL Está ligada, geralmente, a cirurgias abdominais, torácica, vasculares e/ou umbilicais (tanto supra quanto infra). O paciente fica deitado com as costas encostadas com a mesa cirúrgica, com pernas estendidas, paralelas e descruzadas, devendo manter os braços apoiados em talas acessórias, em posição anatômica. Deverá haver apoio na região cervical e região dos joelhos, por causarem pontos potenciais de pressão (para LPP). É uma das posições mais comuns no centro cirúrgico, trazendo tolerância para o paciente anestesiado e menores complicações respiratórias intra e/ou pós-operatórias. B) DECÚBITO VENTRAL O paciente estará de “barriga pra baixo”, ou seja, com o abdome encostado na maca, com braços estendidos para frente, apoiados em tala. É muito utilizado para cirurgias de região dorsal, lombar, sacrococcígea e occipital como, por exemplo, uma cirurgia de hérnia de disco. É uma posição frágil para o sistema respiratório, devido a sobrecarga gerada pelo próprio peso do paciente, devendo haver controle do setor de anestesias para que não haja complicações. Sob os tornozelos, são utilizados coxins para evitar distensão e/ou compressão, assim como será evitado apoio da cabeça sobre o nariz, impedindo piora da respiração, visto que, naturalmente, nessa posição, há diminuição do movimento diafragmático C) FOWLER (SENTADA) É uma posição em que o paciente permanece semi- sentado na mesa de operação, aumentando significativamente a pressão no dorso. Há risco para embolia devido a possível pressão venosa negativa nas região de cabeça e pescoço. Nessa posição, há hiperextensão dos ombros e braços, para evitar queda ou pressão contra superfícies duras. É uma posição utilizada, muitas vezes, para conforto em casos de dispineia pós- cirúrgica de, por exemplo, tireóide, mamoplastia, drenagem ou abdomnoplastias. D) POSIÇÃO LITOTÔMICA (GINECOLÓGICA) É uma posição em que o paciente permanece em decúbito dorsal, mas com as pernas flexionadas, afastadas e apoiadas em perneiras acolchoadas. Os braços continuam em posição anatômica, apoiados em talas. A posição em si é considerada não anatômica, apresentando potencial risco de traumas, sobretudo na coluna. Geralmente, é utilizada para operações nas regiões inguinal e/ou genital (vagina e próstata), que acabam por aumentar os riscos da cirurgia, incluindo, por exemplo, cirurgias proctológicas, ginecológicas, utológicas, obstétricas (parto normal), perineoplastia, hemorroidectomia e histerectomia vaginal. Deve-se considerar a idade, peso e principalmente a flexibilidade do paciente. E) POSIÇÃO DE JACKNIFE (CANIVETE) É uma posição utilizadas para cirurgias mais específicas, geralmente relacionadas com a região anal, como no caso de fístulas ou fissuras. O paciente fica em “decúbito ventral”, com angulação significativa na região inguinal, para cima. F) LATERAL (SIMS) O paciente permanece em decúbito lateral (esquerdo ou direito), com a perna encostada na maca estendida, e a outra flexionada, afastada e apoiada na superfície de repouso. Nessa posição, existem diversos pontos de pressão importantes, devendo-se utilizar de mecanismos para evita-los, como travesseiros e/ou coxins, principalmente na região do dorso, cabeça e pés encostados na maca, assim como entre as pernas do paciente. Deve haver cuidados com as porções do plexo braquial e nervo fibular, por estarem comprimidas. Os braços ficam fixados e protegidos. G) POSIÇÃO DE TRENDELENBURG O paciente permanece em decúbito dorsal e a porção superior do dorso abaixada, com ombros apoiados em ombreiras acolchoadas para evitar pressão, assim como os membros inferiores elevados. É muito utilizada para manter as alças 11 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) abdominais mais visíveis, facilitando também a visualização dos órgãos pélvicos. Para retornar o paciente a posição normal, deve-se ir devagar, para evitar hipotensão arterial. De forma coloquial, a cabeça fica abaixada e os pés elevados H) POSIÇÃO DE TRENDELENBURG REVERSO É o oposto da anterior, onde a cabeça fica elevada e os pés abaixados, útil para deslocar as vísceras abdominais adiantes do diafragma. OBS: ainda que seja incomum, visto que o posicionamento é previamente analisado para cada paciente de forma individual, caso haja uma descompensação do paciente, as complicações são, muitas vezes, irreversíveis. A cirurgia precisaria ser parada para estabilizar o quadro do paciente, o que nem sempre é uma possibilidade. 3 – PÓS-OPERATÓRIO Deve-se considerar, inicialmente, que quaisquer mudanças repentina de posição pode atrapalhar completamente a operação e causar danos ao paciente, sendo muito importante manipular o paciente anestesiado de forma lenta, com movimentos firmes e seguros, até para evitar a queda de pressão arterial por mudanças bruscas. Alternadamente, deve-se retirar as pernas das perneiras, para prevenir o fluxo rápido de sangue da porção superior para os membros inferiores. COLOCAÇÃO DE CAMPOS CIRÚRGICOS Para o preparo adequado do pré-operatório, deve- se fiscalizar a adequação do ambiente, equipe, instrumentais, materiais e equipamentos que serão utilizados durante a cirurgia. 1 – CLASSIFICAÇÃO A) ARTIGOS CRÍTICOS São necessariamente estéreis, pois entrarão em contato com tecidos corporais estéreis, mucosas e sistema vascular. Geralmente, são o que participam da parte invasiva da cirurgia. B) ARTIGOS SEMI-CRÍTICOS São, ao menos, desinfectados em alto ou médio (mais alto) nível, pois entrarão em contato com pele não integra ou com mucosas. Não precisam ser esterilizados por questões de custo, praticidade e rapidez para disponibilização do material. C) NÃO CRÍTICOS São artigos que não entram em contato com o paciente ou, se entram, é apenas com pele íntegra. Precisam, ao menos, de desinfecção simples, de baixo nível, para evitar contaminações. 3 – ANTISSEPSIA DA PELE É importante saber que a microbiota da pele é sim perturbada com a antissepsia, mas é necessário fazê-la para evitar a entrada de microrganismos transitórios potencialmente patológicos com as porções internas, ou não íntegras, do paciente. Para realizar a antissepsia, utiliza-se de pinça, compressa estéril de gaze e o degermante, podendo realizar movimentos “circulares” (em direção centrífuga), ou movimentos “longitudinais”, em direção retilínea e única (do meio para lateral) 4 – TÉCNICA (CAMPOS) São utilizados vários tipos de campos sobrepostos, incluindo campos de uso único, reforço absorvente, tecido impermeável e o campo de mesa padrão. Para sua colocação, tem-se também os campos inferiores (cobrem os pés), superiores (demarcam posicionamento dos anestesistas), laterais em ambos os lados, devendo haver fixação pelo uso de pinças de Backhaus. EQUIPE CIRÚRGICA A equipe cirúrgica em si é composta de diversos integrantes, cada qual com sua função. Tem-se, por exemplo, os médicos cirurgiões, os médicos anestesiologistas, os enfermeiros (+ técnicos e circulante) e apoiadores, que incluem, técnicos em raio-x e/ou laboratório, biomédicos, perfusionistas ou outras especialidades necessárias para a cirurgia. Cada grupo atuante pode ser classificado como uma “subequipe”, onde cada integrante tem atribuições específicas para maior eficiência. OBS: perfusionistas são profissionais responsáveis por controlar máquinas de perfusão extracorpóreas, quando presentes Nem sempre estarão presentes todas as subequipes, estando, na maioria das vezes, apenas o anestesista, cirurgião,assistente e instrumentador, ainda que possa haver mais 12 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) profissionais envolvidos, se necessário. Os profissionais devem levar em conta o centro cirúrgico para movimentação, evitando a contaminação de campos estéreis e problemas 1 – EQUIPE MÉDICA A) CIRURGIÃO TITULAR É o médico que acompanha o caso do paciente, que deu o diagnóstico e o que indicou a cirúrgica. É responsável por “compor” a equipe cirúrgica, necessitando de conhecimentos técnicos, preparação emocional e mental, assim como direcionamento, para realizar uma boa cirurgia. Avalia a segurança do ambiente hospitalar, sempre vendo se a cirurgia é possível, se o local comporta intercorrências e se há material disponível, participando ativamente do checklist cirúrgico. Além de comandar a cirurgia, planejando as atuações dos outros integrantes, é o responsável integral pela cirurgia e quaisquer danos posteriores. B) CIRURGIÃO ASSISTENTE (1O AUXILIAR) É, teoricamente, o responsável por realizar as técnicas do pré-operatório imediato, incluindo intubação, passagem de sondas, dissecção venosa e posicionamento cirúrgico. Também pode agir como “substituto”, se necessário, entrando no lugar do cirurgião titular. Além disso, auxilia na montagem da instrumentação, no checklist cirúrgico e desenvolvimento operatório. É importante que conheçam as posições, tempo e características do operatório em questão, devendo haver conhecimento técnico para assumir o posto, se precisar. Acompanham o paciente durante o pós- operatório, até que possam seguir para o leito. 2 -EQUIPE DE ANESTESIA C) ANESTESIOLOGIA São responsáveis por monitorar os sinais vitais do paciente, sempre estabilizando, se necessário (o restante da equipe também pode fazê-lo). Também verificam a disponibilidade de equipamentos, tanto anestésicos quanto não. Após a cirurgia, encaminham os pacientes para a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), responsabilizando-se durante sua permanência. . Devem sempre analisar a possibilidade de conversão ou desestabilização do paciente. Também realizar anestesia em procedimentos ambulatoriais de curta permanência, ainda que devam participar integralmente da cirurgia, não podendo se retirar. Caso não haja anestesista, se for um procedimento de urgência, o cirurgião titular pode ser o responsável, tanto pela anestesia, quanto pela alta da recuperação no pós-operatório. D) AUXILIAR DE ANESTESIA É, em sua maioria, um técnico de enfermagem especializado em anestesia, atuando na preparação do material de anestesia, incluindo infusões venosas, posicionamentos, fixação de acessos e outros procedimentos, sempre supervisionado pelo anestesista e/ou cirurgião responsável. E) INSTRUMENTADOR É parte da equipe cirúrgica ou da equipe de enfermagem, devendo sempre conferir os materiais e equipamentos cirúrgicos, ainda que não seja o responsável por eles. Esse é o profissional que monta os campos cirúrgicos estéreis, auxiliando na antissepsia, ao posicioná-los sobre o paciente. Tem necessariamente que conhecer os instrumentos cirúrgicos e objetos que serão utilizados, montando a mesa de acordo com sua utilização durante a cirurgia, sendo o responsável pela assepsia, limpeza, organização e entrega do material. Além de conferir, é esse o profissional que checa a assepsia dos instrumentos posteriormente. Juntamente da circulante, confere a presença de materiais como gazes, compressas e agulhas em capo, antes do fechamento da ferida operatória, para evitar problemas posteriores por corpos estranhos dentro do paciente. 3 – EQUIPE DE ENFERMAGEM É composta de diversos profissionais, imprescindíveis para a realização da cirurgia. Além do enfermeiro coordenador, haverá o enfermeiro chefe (equivale ao médico titular), enfermeiro assistencial e a circulante. Caso não haja enfermeiro assistencial disponível, poderá ser substituído por um técnico. Em alguns 13 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) locais, há um profissional de enfermagem responsável exclusivamente pelo checklist. CLASSIFICAÇÃO CIRÚRGICA A classificação de uma cirurgia é essencial para planejar o procedimento de maneira adequada, definindo os riscos da operação para otimizar da melhor forma possível, fazendo medidas profiláticas e pós-cirúrgicas adequadas, assim como é essencial para prestação de contas e gestão administrativa. Tem-se as classificações de acordo com a urgência, porte, risco, finalidade e potencial de contaminação. 1 – CLASSIFICAÇÃO POR URGÊNCIA CIRURGIA ELETIVA – são cirurgias programadas, que podem aguardar um momento propício como, por exemplo, cirurgias estéticas. CIRURGIA DE URGÊNCIA – são cirurgias que requerem atenção pronta, devendo ser realizadas de 24 a 48h, por haver piora progressiva do quadro como, por exemplo, uma apendicectomia. CIRURGIA DE EMERGÊNCIA – são cirurgias que necessitam de atenção imediata, de situações críticas, devido ao risco eminente de morte como, por exemplo, fraturas externas 2 – CLASSIFICAÇÃO POR PORTE GRANDE PORTE – são cirurgias com grande probabilidade de perda de fluidos e/ou sangue, tornando-as cirurgias complexas como, por exemplo, correção de aneurisma de aorta MÉDIO PORTE – são cirurgias com média probabilidade de perda de fluido e/ou sangue, como cirurgias de cabeça e pescoço, urologia ou neuro. PEQUENO PORTE – são cirurgias com pequena probabilidade de perda de fluido e/ou sangue, como em cirurgias plásticas e oftalmológicas. 3 – CLASSIFICAÇÃO POR TEMPO PORTE 1 – até 2h PORTE 11 – de 2 a 4h PORTE 111 – de 4 a 6h PORTE 1V – acima de 6h O tempo da cirurgia é calculado por estimativa, mas permite a criação de um “cronograma” médio, essencial para preparação do centro cirúrgico. 4 – FERRAMENTAS DE CLASSIFICAÇÃO A classificação cirúrgica dispõe de ferramentas que “padronizam” os procedimentos, de acordo com a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), juntamente da tabela administrativa do SUS, AMB-92 5 – CLASSIFICAÇÃO POR FINALIDADE CURATIVA – são cirurgias que servem para tratar a causa da doença de maneira direta PALIATIVA – são cirurgias que servem para compensar distúrbios e melhorar a condição da doença, quando não há cura. DIAGNÓSTICA – são cirurgias de “exploração” para análise como, por exemplo, biópsias ou laparotomias REPARADORA – são cirurgias que servem para reconstituição de tecidos lesionados como enxerto RECONSTRUTORA – são cirurgias cosméticas, para modificar ou desenvolver o local A finalidade pode “mudar” com o decorrer do procedimento, assim como não influencia necessariamente o porte da cirurgia, visto que os achados podem ser diferentes do esperado. 6 – CLASSIFICAÇÃO POR CONTAMINAÇÃO Essa classificação analisa o potencial de contaminação da cirurgia, diferenciando o risco LIMPAS – realizadas em tecidos estéreis ou descontaminados, sem processo infeccioso e/ou inflamatório. Geralmente são cirurgias atraumáticas, eletivas, fora do TGI, TU e TR, com índices de contaminação de 1,5 a 5,1% POTENCIALMENTE CONTAMINADAS – realizadas em tecidos colonizados por pouca microbiota residente (difícil descontaminação), podendo ser nos TGI, TU e TR, com índices de contaminação que variam de 7,7 a 10%. CONTAMINADAS – realizadas em tecidos traumatizados recentemente, abertos ou colonizados por muita flora bacteriana, sem 14 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) possibilidade de boa descontaminação, com índices que variam de 15,2 a 16,3%. A cirurgia pode se tornar contaminada por falha na antissepsia. INFECTADAS – realizadas em tecidos com processos infecciosos supurativos, com tecido necróticos e/ou corpo estranho, tendo índices que variam de 28 a 40%, sejam esses tecidos naturalmente infectados (como fezes) ou infectados por processos patológicos. Tem-se que a classificação quanto a infecção pode “mudar” durante o procedimento, como no caso da falha da técnicae/ou antissepsia, ainda que existam cirurgias que já iniciam contaminadas. É uma classificação importante para determinar a probabilidade de infecção pós-cirúrgica. CIRURGIA SEGURA A “cirurgia segura” abrange as medidas utilizadas para reduzir o risco de eventos adversos (iatrogenias) antes, durante e depois do procedimento. Surgiu com a campanha “Cirurgias Seguras Salvam Vidas”, em 2008. Busca também diminuir a ocorrência de incidentes, aumentando a segurança, realizando a cirurgia no local correto e no paciente correto, pautado pela Lista de Verificação de Cirurgia Segura (LVSC) 1 – 1O DESAFIO GLOBAL Em 2005, lançou-se o desafio global para combate as infecções, antes mesmo da criação da campanha da cirurgia segura (2o foco). Esse desafio buscava: • Higienização das mãos • Procedimentos clínicos e cirúrgicos seguros • Segurança de sangue e hemoderivados • Administração segura de injetáveis e imunobiológicos • Segurança da água, saneamento básico e manejo de resíduos Ainda que o protocolo de cirurgia segura tenha sido apenas em 2008, o primeiro documento que fala a respeito da segurança desses procedimentos veio do primeiro desafio global. O foco em si, desse desafio, foi a higienização das mãos. 2 – 2O DESAFIO GLOBAL Prevê os protocolos da cirurgia segura em si, com: • Prevenção de infecções e sítio cirúrgico • Anestesia segura • Equipes cirúrgicas seguras • Indicadores da assistência cirúrgica • O PROTOCOLO (https://www.gov.br/saude/pt- br/composicao/saes/dahu/pnsp/protocolos- basicos/protocolo-cirurgia-segura.pdf/view) 3 – OBJETIVOS O cenário mundial da segurança em saúde exige a criação e seguimento do protocolo, visando não só evitar os erros, como as possíveis complicações. OBETIVO 1 – “a equipe operará o paciente e o sítio cirúrgico corretos” – envolve a checagem do paciente e do local a ser operado. OBJETIVO 2 – “a equipe usará métodos conhecidos para impedir danos na administração anestésica” - evitando que o paciente sinta dor” OBJETIVO 3 – “a equipe reconhecerá e estará preparada para perda da função respiratória” – preparando-se para estabilizar o paciente OBJETIVO 4 – a equipe reconhecerá e estará preparada para grandes perdas sanguíneas” – preparando-se para estabilizar o paciente OBJETIVO 5 – “a equipe evitará reações sabidamente adversas e/ou alérgicas a drogas, evitando riscos ao paciente” – deverá conhecer as alergias e características do paciente OBJETIVO 6 – “a equipe usará de maneira sistemática métodos conhecidos para minimizar o risco de infecção do sítio cirúrgico” – diz a respeito da criação adequada de sítios estéreis OBJETIVO 7 – “a equipe impedirá a retenção inadvertida de compressas ou instrumentos nas feridas cirúrgicas” OBJETIVO 8 – “a equipe manterá seguro e identificado de forma precisa todos os espécimes cirúrgicos” – do material ao paciente https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/dahu/pnsp/protocolos-basicos/protocolo-cirurgia-segura.pdf/view https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/dahu/pnsp/protocolos-basicos/protocolo-cirurgia-segura.pdf/view https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/dahu/pnsp/protocolos-basicos/protocolo-cirurgia-segura.pdf/view 15 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) OBJETIVO 9 – “a equipe se comunicará efetivamente, trocando informações críticas para condução segura da operação” OBJETIVO 10 – “os hospitais e sistemas de saúde pública estabelecerão vigilância de rotina sobre a capacidade, volumes e resultados” 4 – LISTA DE VERIFICAÇÃO Cada hospital terá alguns passos próprios desenvolvidos para evitar problemas, que vão desde o serviço de transporte até o centro cirúrgico, até os checklists dentro do centro cirúrgico e na sala de recepção pós-cirúrgica. Destaca-se a checagem de materiais, campos e paramentações estéreis, assim como a dor do paciente no pós operatório e sua evolução à curto prazo. O médico atuante na cirurgia deverá preencher todo o protocolo do que será feito, passo a passo, incluindo quaisquer medicações utilizadas antes, durante e após a cirurgia, inclusive na estabilização do paciente. Esse documento deverá constar, inclusive, a prescrição pós-cirúrgica de internação como, por exemplo, a utilização de colchão específico para evitar lesão por pressão. A Organização Pan-Americana de Saúde (OMS), estabelece como passos necessários: A) ANTES DA CIRURGIA Envolve a porção de “sign-in” que será vista posteriormente. Nesse caso, deverá haver a verificação dos materiais e paciente, podendo haver necessidade de confirmação de informações como, por exemplo, alergias ou procedimentos prévios. Ainda que não esteja presente no checklist acima, podem conter também os passos da anestesia, que envolvem, do medicamento utilizado, a estabilização do paciente em caso de problemas anestésicos. B) ANTES DA INCISÃO Envolve a porção de “time-out”, verificando diretamente a prevenção de complicações durante a cirurgia e possibilitar a estabilização. C) ANTES DA SAÍDA DO PACIENTE (DA SALA CIRÚRGICA PARA O PÓS-OPERATÓRIO) Envolve a porção de “sign-out”, verificando o necessário antes de o paciente sair da sala de operações, evitando problemas no pós-operatório. 5 – CHECKLIST DA CIRURGIA SEGURA É importante que a lista de verificação seja simples, mas completa e objetiva, contendo todos os materiais que serão utilizados e passos para checagem adequada do procedimento. Serão refeitos os passos “sign in”, “time out” e “sign out” Exemplo de checklist presente no centro cirúrgico 16 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) Tem-se que o “sing in” são os passos necessários antes mesmo de iniciar a cirurgia, que envolvem precauções necessárias para adequação do procedimento. O paciente não poderá ser submetido a uma cirurgia se não tiver exames relacionados a alteração, assim como quaisquer exames complementares necessários. Tem-se que o “time out” são os passos necessários literalmente antes de iniciar a incisão, checando a cirurgia para evitar complicações. Isso inclui, por exemplo, o aterramento em cirurgias que poderão causar choque elétrico no paciente. Tem-se que o “sing out” são os passos necessários antes de finalizar a cirurgia e fechar a incisão, incluindo a contagem de materiais e compressas, evitando de todas as formas possíveis deixá-los dentro do paciente. Abrange também materiais de biópsia, checagem de soros, drenos, acessos e, se houver, equipamentos com problemas. OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS EM CIRURGIA Envolve o conjunto de gestos manuais ou instrumentais executados para o procedimento, seja esse de finalidade diagnóstica, terapêutica ou estética. Todo procedimento cirúrgico tem como elementos fundamentais: 1 - DIÉRESE (acesso) Inclui quaisquer cortes ou aberturas que causem a divisão e exposição do tecido e/ou órgão que será operado, podendo incluir os processos de • Incisão (corte) • Secção (corte) • Divulsão (separação) • Punção (perfuração) • Dilatação • Serração A via de acesso utilizada deverá considerar a extensão da diérese, presença de bordas de segurança, preservando, se possível, nervos e vasos. Deverá ser considerado o plano anatômico, assim como aponeuroses deverão ser realizadas no sentido da fibra muscular, de preferência nas linhas de força (contrárias ao maior eixo do músculo) Incisões toracoabdominais (com destaque especial para a incisão de McBurney/oblíqua baixa, assim como Pfannestiel) 2 - HEMOSTASIA Inclui quaisquer medidas para interromper temporariamente ou definitivamente um sangramento ocasionado pela diérese (A), com objetivo de manter a volemia e a limpeza. Deverá ser feita de modo a evitar o sangramento, com cuidado para não causar isquemia tecidual pela interrupção, ou infecções posteriores. Tem-se como mecanismos temporários: • Compressão • Parada circulatória • Incruenta ou Cruenta • Instrumentos atraumáticos • Oclusão – balão endovascular • Garroteamento(curto tempo) • Pinçamento – pinças atraumáticas • Bulldog – clipe para “segurar” vasos • Satinsky – pinça específica para cardiovascular • *Farmacologia – medicamentos para controlar hipotensão e corrigir distúrbios coagulatórios Tem-se como mecanismos definitivos: • Cruenta • Sutura • Fotocoagulação – (laser) • Cauterização – (eletrocautério) • Pinçamento – (hemostáticas traumáticas) • Grampeamento – de metal e/ou polímero • Obturação – oclusão do tecido • *Tamponamento – com compressas ou gazes 17 BASES DA TÉCNICA OPERATÓRIA (BTO) *esse tamponamento pode ser temporário, tornando-o discutível nas literaturas. Considere ambas as possibilidades, dependendo do procedimento. Dos instrumentos, destacam-se as pinças de Halsted, Kelly, Crile, Rochester, Moyniham e grampos diversos. Deverão estar limpos, posicionados adequadamente, vigiando utilização adequada de fios e gases (inclusive o retorno), com troca de campos e compressas se necessário. 3 - SÍNTESE. Inclui quaisquer medidas que visem reconstrução, recomposição ou restituição dos tecidos explorados, sejam estruturas ou órgãos inteiros. Promovem aproximação de tecidos para apressar a cicatrização, podendo ser por meio de suturas, afrontamento ou grampos, geralmente. Dos instrumentos, destacam-se porta-agulhas, pinças anatômicas e/ou dente de rato, agulhas, fios cirúrgicos e grampeadores diversos. Para adequação da síntese, deve haver boa assepsia e vitalidade tecidual, com bordas regulares, sem espaços de tecidos necrosados, utilizando-se de materiais e técnica apropriados para o procedimento. 4 – POSICIONAMENTO Para saber o posicionamento dos instrumentos, deverá ser levado em consideração onde está o instrumentador. A mesa de instrumentação é dividida em quatro quadrantes, utilizando-se: EPÔNIMOS DO TGI Inicialmente, ainda que não seja o mais importante, temos que o epônimo “Doença de Chagas-Cruz”, popularmente chamado de doença de chagas, caracteriza a tripanossomíase sul-americana. TABELA PASSADA EM AULA