Prévia do material em texto
Ordem dos Advogados do Brasil 2º Simulado – Exame XXXIII 66 João ofereceu queixa-crime em face de José, imputan- do-lhe a prática do crime de calúnia. No curso da ins- trução, após recebimento da queixa-crime, João não compareceu para dar prosseguimento ao feito, sendo certificado pelo oficial de justiça que não foi possível in- timar João pelo fato de a área de sua residência ser de risco. O Ministério Público, na qualidade de custos legis, por meio de seus próprios servidores, auxiliou o Oficial de Justiça e foi realizada a intimação do querelante para dar prosseguimento ao feito e informando sobre a data da audiência designada. Passados 30 (trinta) dias, João manteve-se inerte e não compareceu à audiência de instrução e julgamento. Considerando apenas os fatos narrados, é correto afirmar que: (A) a perempção restou configurada, gerando a extinção da punibilidade do agente, aplicando-se o princípio da disponibilidade das ações penais privadas. (B) a renúncia restou configurada, gerando a extinção da punibilidade do querelado, em respeito ao princípio da oportunidade das ações penais privadas. (C) o perdão do ofendido restou configurado, gerando a extinção da punibilidade do querelado, independen- temente de sua concordância. (D) o procedimento deve prosseguir, cabendo ao Minis- tério Público assumir o polo ativo diante da omissão do querelante. Letra a. Restou configurada a perempção, nos termos do art. 60, inciso I, do CPP, conforme se lê a seguir: Art. 60. Nos casos em que somente se procede me- diante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal: I – quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos; II – quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (ses- senta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; III – quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; IV – quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. 67 Guilherme foi vítima de crime de ação penal pública condicionada à representação. Logo após os fatos, com- pareceu em sede policial e, oralmente, manifestou ao Delegado o interesse em representar em face do autor dos fatos. Diante disso, foi oferecida denúncia pelo Mi- nistério Público. Guilherme, porém, se arrependeu e demonstrou interesse em se retratar da representação enquanto a denúncia não era recebida. Considerando apenas as informações narradas, é correto afirmar que Guilherme: (A) não poderá se retratar da representação, já que o Có- digo de Processo Penal não admite retratação. (B) poderá se retratar da representação, mesmo após o recebimento da denúncia. (C) poderá se retratar da representação, tendo em vista que a denúncia não foi recebida. (D) não poderá se retratar da representação, tendo em vista que a denúncia já foi oferecida. Letra d. Sobre o instituto da retração, a questão cobra do aluno o conhecimento a respeito do art. 25 do CPP: “Art. 25. A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia.”. Atenção à exceção (mas que não foi cobrada na ques- tão): se for lei Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006, a re- presentação será irretratável depois do recebimento da denúncia. Conforme a mencionada Lei: Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à re- presentação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal fina- lidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. 68 Bruno foi preso em flagrante pela prática do crime de roubo com emprego de arma de fogo, sendo lavrado o auto de prisão respectivo em 12/8/2021. Considerando que até o dia 16/8/2020 o preso, sem qualquer moti- vação idônea, ainda não havia sido apresentado ao juiz para realização de audiência de custódia e que você foi contratado(a) para a defesa de Bruno, você deverá plei- tear que a prisão: (A) seja mantida, pois a realização da audiência de cus- tódia é facultativa. (B) tornou-se ilegal, devendo ser relaxada pelo delegado de polícia. (C) tornou-se ilegal, devendo ser relaxada pela autorida- de judiciária competente. (D) seja afastada, concedendo liberdade provisória ao Bruno, não sendo o caso de ilegalidade da prisão.