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Letra a. (A) Certo. Segundo decidiu o STF no julgamento da ADPF 54, não há crime de aborto nos casos de feto anencéfalo, o qual, por malformação congênita, não possui uma parte do sistema nervoso central, faltando- lhe os hemisférios cerebrais. Segundo restou decidido, para interromper a gravidez de feto anencéfalo, não é necessária decisão judicial prévia que a autorize. Basta o diagnóstico de anencefalia. Também não é necessário que a gestante esteja correndo risco de morte. (B) Errado. O Plenário do STF, em decisão com eficácia erga omnes e efeito vinculante, decidiu que é atípica a conduta da interrupção da gravidez de um feto anencéfalo. Não há, portanto, crime. Assim, por criação jurisprudencial, ampliou-se a possibilidade de realização do aborto para além das hipóteses descritas no Código Penal. (C) Errado. No Brasil, não se adota nenhum tipo de critério temporal para a realização do aborto nos casos legalmente permitidos, ao contrário do que se verifica em outros países. (D) Errado. Não há crime, a conduta é atípica, tanto em relação à gestante quanto aos médicos. Ainda que o fato fosse criminoso, a tipificação legal é diferente para a grávida (art. 124 do CP) e para os médicos (art. 126 do CP) nos casos de aborto feitos com consentimento da gestante. Trata-se de hipótese de exceção pluralística à teoria unitária ou monista quanto ao concurso de agentes. DIREITO PROCESSUAL PENAL LORENA OCAMPOS 64 Um Delegado de Polícia, ao tomar conhecimento de um suposto crime de ação penal pública incondicio- nada, determina, de ofício, a instauração de inquérito policial. Após adotar diligência, verifica que a conduta investigada era atípica. O indiciado, então, pretende o arquivamento do inquérito e procura você, como advo- gado, para esclarecimentos, informando que deseja que o inquérito seja imediatamente arquivado. Você deverá esclarecer que a autoridade policial: (A) deverá arquivar imediatamente o inquérito, fazendo a decisão de arquivamento por atipicidade de coisa julgada material. (B) não poderá arquivar imediatamente o inquérito, mas deverá encaminhar relatório final ao Poder Judiciário para arquivamento direto e imediato por parte do magistrado. (C) deverá elaborar relatório final de inquérito e, após o arquivamento, poderá proceder a novos atos de in- vestigação. (D) poderá elaborar relatório conclusivo, mas a promo- ção de arquivamento caberá ao Ministério Público, havendo coisa julgada em caso de homologação do arquivamento por atipicidade. Letra d. (A/B) Conforme o CPP: Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela au- toridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. (C) De acordo com a Súmula 524 do STF: “Arquivado o inquérito policial por despacho do juiz, a requerimento do promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas.” (D) Conforme doutrina majoritária, o arquivamento pela atipicidade produz coisa julgada material, impedindo o desarquivamento do inquérito policial e rediscussão do caso.