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RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL https://irmaospolicia.com.br/ Para mais conteúdo, clique aqui ORIENTAÇÃO 360 Fala, futuro(a) policial! Para dominar Ação Penal, foque nos seguintes aspectos: Espécies e Titularidade: Memorize as diferenças entre ação penal pública incondicionada, condicionada e privada (exclusiva, personalíssima e subsidiária da pública). Saiba quem é o titular em cada caso e em quais hipóteses o Ministério Público atua como parte ou como fiscal da lei. Prazos e Condições: Fixe os prazos decadenciais (6 meses para queixa ou representação) e as condições específicas, como a irretratabilidade da representação após o oferecimento da denúncia (CPP) e, na Lei Maria da Penha, após o recebimento. Institutos Extintivos: Diferencie renúncia, perdão e perempção na ação privada, entendendo quando cada um se aplica e seus efeitos sobre todos os querelados. Jurisprudência e Súmulas: Conheça súmulas e entendimentos mais cobrados. LEITURA OBRIGATÓRIA: Após o estudo da aula, leia os artigos 24 a 28-A, 46, 63 e 64 do Código de Processo Penal. Link: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm Lembre-se, a chave para o sucesso é a constância e a dedicação. Acredite em si mesmo e siga em frente! Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL https://irmaospolicia.com.br/ Para mais conteúdo, clique aqui AÇÃO PENAL A ação penal é o instrumento por meio do qual o Estado leva ao Poder Judiciário a pretensão de aplicar a lei penal ao autor de uma infração. Ela se desenvolve a partir do momento em que já existe um mínimo de prova sobre a ocorrência do crime e indícios da autoria, e sempre deve respeitar as regras previstas na Constituição e no Código de Processo Penal. CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL Para que o juiz aceite a ação penal, o titular deve demonstrar que estão presentes quatro requisitos básicos: 1. Possibilidade jurídica do pedido – significa que a conduta descrita se enquadra em um tipo penal previsto em lei. Não se propõe ação penal para fatos atípicos. 2. Interesse de agir – o processo deve ser útil e necessário; não se aciona o Judiciário se já há solução extrajudicial adequada. 3. Legitimação para agir – só quem a lei autoriza pode propor (ex.: Ministério Público para ações públicas, ofendido ou representante legal para privadas). 4. Justa causa – é o lastro probatório mínimo, normalmente formado no inquérito, que demonstre materialidade do crime e indícios de autoria. o Prova mínima é indispensável: instaurar um processo penal sem isso é abuso. o Nos crimes de lavagem de dinheiro, há a chamada justa causa duplicada, pois é preciso indício não só do crime de lavagem, mas também do crime antecedente. PRINCÍPIOS QUE REGEM A AÇÃO PENAL AÇÃO PENAL PÚBLICA 1. Obrigatoriedade (ou Legalidade): Sempre que presentes indícios de autoria e prova da materialidade, o MP deve propor a ação penal, sem avaliar conveniência ou oportunidade. o Exceções previstas em lei: transação penal, ANPP e hipóteses de arquivamento. 2. Oficialidade: A persecução penal é conduzida por órgãos oficiais do Estado (polícia, MP), e não por particulares. 3. Indisponibilidade: Iniciada a ação penal pública, o MP não pode desistir ou "abandonar" o processo, mesmo que a vítima concorde. 4. Divisibilidade: O MP pode denunciar apenas alguns autores ou alguns crimes, desde que justifique (diferente da ação privada, que é indivisível). Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL https://irmaospolicia.com.br/ Para mais conteúdo, clique aqui AÇÃO PENAL PRIVADA 1. Disponibilidade: O querelante (ofendido) pode desistir ou abrir mão da ação (renúncia, perdão), pois a iniciativa é dele. 2. Oportunidade (ou Conveniência): Cabe ao ofendido avaliar se é conveniente ou não propor a ação. 3. Indivisibilidade: Se oferecer queixa contra um autor do crime, deve incluir todos que participaram do fato, sob pena de se considerar renúncia em relação a todos. ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL A lei prevê duas grandes espécies, divididas em subtipos: 1. Ação penal pública a) Incondicionada – não depende de manifestação da vítima. b) Condicionada – só pode ser proposta se houver representação da vítima ou requisição do Ministro da Justiça. 2. Ação penal privada a) Exclusiva – somente o ofendido ou representante legal pode propor. b) Personalíssima – só o próprio ofendido pode propor, sem sucessão. c) Subsidiária da pública – usada quando o MP permanece inerte, sem oferecer denúncia no prazo legal. Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL https://irmaospolicia.com.br/ Para mais conteúdo, clique aqui AÇÃO PENAL PÚBLICA 1. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA É a regra geral no processo penal brasileiro: o Ministério Público tem a iniciativa exclusiva de propor a denúncia, independentemente de qualquer autorização ou manifestação da vítima. Aplica-se a crimes que afetam o interesse público de forma mais ampla, como os cometidos contra o patrimônio ou interesses da União, Estados e Municípios. O MP pode agir de ofício (por iniciativa própria) assim que dispõe de elementos mínimos de autoria e materialidade, respeitando o princípio da obrigatoriedade. Mesmo que a vítima manifeste desinteresse, isso não impede a propositura da ação. Súmulas relevantes: Súm. 608/STF – Estupro cometido com violência real é sempre de ação pública incondicionada. Súm. 609/STF – Crime de sonegação fiscal é de ação pública incondicionada. Súm. 542/STJ – Crime de lesão corporal no contexto de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada, mesmo que leve ou culposa. Nesse caso, não há possibilidade de retratação da vítima. Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL https://irmaospolicia.com.br/ Para mais conteúdo, clique aqui 2. AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA Nessa modalidade, a atuação do MP depende de manifestação formal para que a denúncia possa ser proposta. Essa manifestação pode vir em duas formas: 1. Requisição do Ministro da Justiça Utilizada em hipóteses específicas previstas em lei (ex.: crimes contra a honra do Presidente da República). Não existe prazo decadencial para a requisição. Mesmo recebendo a requisição, o MP não é obrigado a apresentar denúncia se não houver justa causa. 2. Representação do ofendido Prazo decadencial: 6 meses, contados do dia em que o ofendido soube quem é o autor. o Se for menor de 18 anos, o prazo começa a contar quando atinge a maioridade. Irretratabilidade: a representação é retratável até o oferecimento da denúncia (art. 25, CPP). o Exceção: na Lei Maria da Penha (art. 16), a retratação é possível até o recebimento da denúncia, em audiência específica, na presença do juiz e com manifestação do MP. Indivisibilidade: a representação deve abranger todos os autores do fato. Representar contra apenas um equivale a não representar. Forma: não há formalidade rígida; pode ser feita por boletim de ocorrência ou petição, desde que fique claro o interesse em processar. Bizu de prova: CPP → marco final para retratar: oferecimento da denúncia. Lei Maria da Penha→ marco final: recebimento da denúncia. Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL https://irmaospolicia.com.br/ Para mais conteúdo, clique aqui AÇÃO PRIVADA 1. AÇÃO PRIVADA EXCLUSIVA Prazo decadencial: 6 meses a partir da ciência de quem foi o autor do delito. Pode ser oferecida por procurador. Em caso de morte, a ação penal poderá ser ajuizada pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. INSTITUTOS ESPECÍFICOS: Renúncia: desistência antes de propor a ação; ato unilateral, estendendo-se a todos os autores. Perdão: desistência após o início da ação; ato bilateral, depende de aceitação expressa ou tácita do querelado. Se aceito por um, aproveita a todos. Perempção: perda do direito de prosseguir na ação por condutas como abandono do processo por mais de 30 dias ou não comparecimento injustificado a ato obrigatório. 2. AÇÃO PENAL PERSONALÍSSIMA A ação só pode ser iniciada ou conduzida exclusivamente pelo ofendido, não havendo transferência do direito para o cônjuge, ascendentes, descendentes ou irmãos. Só existe um caso no Código penal: crime de induzimento a erro essencial ou ocultação de impedimento, previsto no Código Penal. 3. AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA Em razão da inércia do MP em oferecer a denúncia no prazo legal (em regra, 15 dias se indiciado solto, ou 05 dias se indiciado preso), o ofendido poderá ajuizar uma ação penal privada (queixa-crime) no lugar da ação penal pública. Cabe ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. Prazo: 6 meses do término do prazo do MP Súmula 524 – STF Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL https://irmaospolicia.com.br/ Para mais conteúdo, clique aqui ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL O ANPP é um negócio jurídico processual previsto no art. 28-A do CPP, que busca evitar a abertura de um processo penal quando medidas alternativas forem suficientes para punir e prevenir o crime. REQUISITOS PARA PROPOSIÇÃO Todos devem estar presentes: 1. Confissão formal e circunstanciada do investigado. 2. Infração penal sem violência ou grave ameaça à pessoa. 3. Pena mínima inferior a 4 anos (considerando causas de aumento/diminuição). 4. Medida necessária e suficiente para prevenção e reprovação do crime. VEDAÇÕES AO OFERECIMENTO DO ACORDO Se for cabível transação penal (JECRIM). Se houver reincidência ou elementos que mostrem conduta criminosa habitual ou profissional (salvo infrações anteriores insignificantes). Se tiver sido beneficiado, nos últimos 5 anos, com ANPP, transação penal ou suspensão condicional do processo. Nos crimes de violência doméstica/familiar contra a mulher ou motivados por sua condição de sexo feminino. ASPECTOS RELEVANTES Em ação penal privada, se o querelante se omitir sem justificativa, o MP pode propor o ANPP (legitimidade supletiva). O acordo é feito por escrito, assinado pelo MP, investigado e defensor, e homologado pelo juiz. O descumprimento pode justificar que o MP não ofereça suspensão condicional do processo depois. Não é um direito automático: o MP avalia se é adequado ao caso. STJ, RHC 152756/2021: O ANPP não configura direito subjetivo do acusado; é ato de discricionariedade regrada do MP, condicionado à análise de conveniência e oportunidade dentro dos parâmetros legais. STF, RHC 222.589/2023: É inviável a celebração do ANPP em crimes de racismo e injúria racial, em razão da gravidade e da especial proteção conferida a esses bens jurídicos. STF, HC 194677/2021: Judiciário não pode impor ao MP a obrigação de propor o ANPP, pois a iniciativa integra a função institucional exclusiva do Ministério Público, prevista no art. 129, I, da Constituição Federal. Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL https://irmaospolicia.com.br/ Para mais conteúdo, clique aqui AÇÃO CIVIL EX DELICTO O termo ex delicto significa “decorrente de delito”. Trata-se da ação que busca reparar civilmente o dano causado por um crime ou contravenção. O fundamento está no art. 91, I, do Código Penal: a condenação criminal torna certa a obrigação de indenizar. Existem duas formas principais: 1. Execução Civil ex delicto – art. 63, CPP 2. Ação Civil ex delicto – art. 64, CPP 1. EXECUÇÃO CIVIL EX DELICTO – ART. 63, CPP É uma execução baseada diretamente na sentença penal condenatória. Precisa do trânsito em julgado da sentença penal condenatória (ou seja, não pode mais ser modificada). Tem a finalidade de cobrar o valor fixado na própria sentença penal como indenização mínima (art. 387, IV, CPP) ou, se não fixado, iniciar a liquidação para apurar o valor. Legitimados: vítima, seu representante legal ou herdeiros. Só pode ser ajuizada contra o condenado — não se aplica a terceiros (responsáveis civis que não participaram do processo penal). Exemplo: Um motorista é condenado criminalmente por lesão corporal culposa no trânsito e a sentença fixa indenização de R$ 15 mil à vítima. Após o trânsito em julgado, a vítima pode executar diretamente esse valor no juízo cível. 2. AÇÃO CIVIL EX DELICTO – ART. 64, CPP Natureza: é uma ação de conhecimento para discutir e apurar o valor da indenização. Momento: pode ser proposta antes do trânsito em julgado da condenação criminal ou até mesmo sem processo penal em andamento. Partes: pode ser movida contra o autor do crime e/ou o responsável civil (ex.: empregador, seguradora). É possível suspender o processo civil até a decisão criminal, quando o resultado da esfera penal puder influenciar o julgamento cível. Exemplo: Uma vítima de lesão corporal em um supermercado processa diretamente a empresa (responsável civil) no juízo cível, mesmo que o processo criminal contra o segurança ainda esteja em andamento. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PENAL NO CÍVEL – ART. 935, CC “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar no cível sobre a existência do fato ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões já se acharem decididas no juízo criminal.” Licenciado para Natália Rodrigues Cavalcante CPF 057.945.631-50, celular (61) 986539364 - Protegido por Irmãos Polícia