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PONTO DE PARTIDA
Caro estudante, boas-vindas a nossa aula sobre bioenergética e metabolismo do exercício.
As funções corporais são mantidas pela produção constante de energia, seja em repouso, durante a atividade
física e até mesmo enquanto dormimos. A moeda energética responsável por todo funcionamento corporal é
a adenosina trifosfato, ou como é comumente chamada o ATP. A transição do estado de repouso para o
exercício físico faz com que os músculos, especialmente quando comparados a outras células corporais,
aumentem a produção de ATP, a �m de realizar a contração muscular necessária para a prática de atividade
física (Carvalho et al., 2021).
As células musculares, assim como outras do corpo, possuem organelas, citoplasma – aqui chamado de
sarcoplasma –, núcleo e membrana, conhecida como sarcolema. São células (Figura 1) que possuem um
formato cilíndrico e são chamadas de �bras musculares, em seu interior estão também as mio�brilas, onde
são encontradas as unidades de contração muscular (sarcômeros), e o retículo sarcoplasmático, que possui
papel importante na contração e relaxamento por meio da liberação e captação de íons de cálcio no
sarcoplasma (Carvalho et al., 2021).
Figura 1 | Fibra muscular
Aula 1
BIOENERGÉTICA E METABOLISMO
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aliquet vel hendrerit vitae, convallis id enim.
BASES FISIOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS DO EXERCÍCIO FÍSICO
 Aula 1 - Bioenergética e metabolismo
 Aula 2 - Adaptações metabólicas
 Aula 3 - Termorregulação e hidratação
 Aula 4 - Balanço energético e aspectos nutricionais na prática esportiva
 Aula 5 - Encerramento da unidade
 Referências
Fonte: Shutterstock.
Além de toda essa estrutura, a �bra muscular armazena em seu sarcoplasma ATP, fosfocreatina (PCr),
glicogênio, gotículas de triacilglicerol e um pool de aminoácidos. Todos, com exceção dos aminoácidos em
momentos pontuais, são utilizados para produção de energia e movimentação do maquinário muscular
(Carvalho et al., 2021).
Antes de seguir com a nossa aula, é importante utilizar uma problematização para guiar as nossas discussões.
Sendo assim, imagine que você recebeu a sua primeira atleta de heptatlo, uma modalidade com dois dias de
competição nos quais os atletas realizam provas de 100 metros com barreiras, salto em altura e em distância,
arremesso de peso e de dardo, 200 metros rasos e 800 metros.  Considerando as demandas �siológicas e
psicológicas que a modalidade submete os atletas, como você acredita que a nutrição pode auxiliar na
manutenção de um bom desempenho?
Essas questões serão trabalhadas no decorrer da aula. Vamos lá? Bons estudos!
VAMOS COMEÇAR! – BIOENERGÉTICA E PRODUÇÃO DE ENERGIA NO EXERCÍCIO
Olá, estudante.
Na videoaula de bioenergética e metabolismo vamos destacar os pontos fundamentais para o entendimento
da produção de energia que move todo o maquinário muscular durante o exercício e como esse processo está
relacionado com o treinamento de um atleta. Além disso, vamos entender o contexto metabólico dos
macronutrientes e micronutrientes.
Assimilar todo esse contexto irá auxiliá-lo a desenvolver um atendimento adequado que garanta boas
respostas para o treinamento e desempenho físico durante as competições.
O uso de ATP é necessário em diversos processos musculares importantes para o exercício físico e é regulado
pela enzima ATPase, presente, por exemplo, na miosina como parte da ativação das unidades contráteis das
�bras musculares ou envolvida no processo de liberação de cálcio pelo retículo sarcoplasmático. Estima-se
que os estoques de ATP intramusculares correspondem a cerca de 5 mmol/kg/músculo, ou seja, são limitados
e incapazes de sustentar uma atividade intensa por mais do que poucos segundos. Por exemplo, se uma
atividade de alta intensidade fosse depender apenas dos estoques musculares, calcula-se que a utilização de
ATP seria em média de 3,7 mmol/kg e sustentaria a atividade por menos de 2 segundos (Katch; Katch;
Mcardle, 2016).
Por esse motivo, outras vias de produção de energia são importantes para manter os níveis de ATP, sendo a
produção anaeróbica (fosfocreatina e glicólise) e aeróbica (fosforilação oxidativa). A maior contribuição de
cada uma dessas vias irá depender principalmente da intensidade e duração do exercício, além disso, outros
fatores como nível de treinamento, planejamento alimentar, condições ambientais durante treinos e
competições, idade e sexo também podem in�uenciar na produção de ATP (Katch; Katch; Mcardle, 2016).
Comparadas a fosforilação oxidativa, as vias da PCr e glicólise produzem menor quantidade de ATP, porém
com uma taxa de produção mais acelerada. Enquanto a via aeróbica contribui com cerca de 32 ATPs por
molécula de glicose, a via da PCr produz 1 ATP por fosfocreatina e a glicólise cerca de 2 ATPs por molécula de
glicose (Nelson; Cox; Cuchillo, 2022).
A fosfocreatina também é conhecida como creatina-fosfato e possui como característica a rápida produção de
ATP a partir da adenosina difosfato (ADP) após ser catalisada de forma reversível pela enzima creatina-cinase.
A glicólise ocorre no citosol e envolve diversas etapas nas quais uma molécula de glicose será degradada por
diversas reações enzimáticas com consequente geração de ATP, piruvato e nicotinamida adenina
dinucleotídeo na sua forma reduzida (NADH). A via aeróbica acontece na mitocôndria por meio do uso do
piruvato gerado pela glicólise para rodar o ciclo de ácido tricarboxílico, ou ciclo de Krebs, e da ativação da
cadeira de elétrons para formação de ATP (Figura 2) (Nelson; Cox; Cuchillo, 2022).
Figura 2 | Visão geral da produção de ATP
Fonte: Shutterstock.
No exercício a maior contribuição da PCr e da glicólise está relacionada a atividades de alta intensidade ou
intermitentes e de curta duração, como arremesso de peso e corridas de 100 e 400 metros rasos. Caso o
exercício se prolongue por minutos ou até mesmo horas, a predominância de produção de energia se dá
pelas vias aeróbicas, sendo os principais exemplos o triátlon, a maratona e outras atividades com durações
que vão de minutos a horas. Os principais substratos intra e extramusculares utilizados na produção de
energia na via aeróbica são o glicogênio muscular, a glicose sanguínea e os ácidos graxos, tanto dos músculos
quanto do tecido adiposo (Silveira et al., 2011).
A duração e a intensidade do exercício irão determinar a magnitude de uso do carboidrato e da gordura na via
aeróbica, sendo que a oxidação do carboidrato se dá em atividades intensas, enquanto a utilização de gordura
ocorre em atividades menos intensas. Vale salientar que a oxidação de um substrato não inibe a do outro,
apenas ocorre predominância dependendo do exercício. No início do exercício o glicogênio e os ácidos graxos
musculares contribuem mais com a produção de energia e conforme o exercício é prolongado o músculo
passa a captar glicose e ácidos graxos circulantes derivados do fígado e do tecido adiposo (Silveira et al., 2011).
Os carboidratos e as gorduras são as principais fontes para a produção de energia e, apesar da possibilidade
de utilizar aminoácidos para produção de energia, especialmente em dietas com baixa disponibilidade de
carboidratos, a sua contribuição para a produção será muito baixa. Além disso, os aminoácidos possuem
papéis importantes no corpo e não são fontes prioritárias para a produção de ATP (Silveira et al., 2011). 
SIGA EM FRENTE – METABOLISMO DE MACRONUTRIENTES E MICRONUTRIENTES
Os aminoácidos são considerados as estruturas básicas das proteínas e são compostos por átomos de
carbono e hidrogênio, assim como os carboidratos e as gorduras, um grupamento amino contendo nitrogênio
e um grupamento lateral, que é responsável pelas propriedades físico-químicas do aminoácido (Cozzolino,
2020).
A primeira etapa metabólica das proteínas ocorre no fígado, que é um órgão responsável pelo controle das
concentrações plasmáticas dos aminoácidos.trifosfato (ATP) para treinar. Além disso, entender as vias e
principais substratos de produção de energia é de grande ajuda para o nutricionista que atende atletas de
diferentes modalidades esportivas.
Você também conheceu as adaptações �siológicas e metabólicas que o corpo humano é submetido de acordo
com o tipo de exercício físico que o indivíduo executa, por exemplo, a hipertro�a do músculo esquelético
muito comum em atletas de �siculturismo ou indivíduos que treinam em academias ou a forma como os
sistemas cardiopulmonar e circulatório respondem aos anos de experiência de um maratonista. Essas e
Aula 5
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520449813/pageid/0
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outras adaptações ao exercício sofridas pelo corpo humano aguda e cronicamente só ocorrem
adequadamente quando associadas a planejamentos alimentares que englobam todos os nutrientes
necessários em quantidades ideais.
Apesar dos mecanismos de termorregulação em pleno funcionamento para manter a homeostase da
temperatura corporal, não é incomum que atletas sejam submetidos a situações com variações de
temperatura ou treinos em locais abertos ou com equipamentos que podem levar à desregulação desses
mecanismos. Nesse contexto, você estudou o impacto da hidratação na vida de atletas e como elaborar
estratégias de hidratação corretas que vão além da simples ingestão de água, mas que contemplam também
eletrólitos essenciais para o bom desempenho.
Os indivíduos, sejam atletas ou praticantes de atividade física, apresentam balanço energético e aspectos
nutricionais muito especí�cos de acordo com o ciclo da vida em que se encontram. Compreender as
particularidades energéticas e nutricionais de um atleta jovem ou uma mulher em período reprodutivo que
treina, por exemplo, será o norte para desenvolver planos alimentares que foquem nas necessidades
individuais de macro e micronutrientes. Esses conhecimentos vão te capacitar para atuar junto a atletas de
forma individualizada em seu consultório e em equipes esportivas lado a lado com outros pro�ssionais que
farão total diferença na vida de um atleta.
Esses conhecimentos são necessários para desenvolver a competência desta Unidade, que exige que você
compreenda as adaptações �siológicas e metabólicas durante a prática do exercício físico para elaborar
planos alimentares de acordo com as necessidades nos diferentes ciclos de vida.
É HORA DE PRATICAR – PREPARAÇÃO DE UMA ATLETA FEMININA PARA A LUTA DE MUAY THAI 
Agora que você aprendeu partes necessárias dos conhecimentos básicos envolvendo a nutrição esportiva,
vamos simular uma situação real de atendimento de uma atleta. Vamos lá!
Você recebeu em seu consultório uma atleta de muay thai de 20 anos chamada Aline. Ela já treina há sete
anos, do quais durante quatro anos fez algumas lutas não pro�ssionais para praticar a técnica adquirida
durante os treinos. Porém, agora ela está em uma fase de transição da categoria amadora para a pro�ssional.
Além disso, a atleta vive integralmente do esporte, pois além das competições, ela dá aulas coletivas e
particulares de muay thai. Um detalhe importante informado por Aline durante a primeira consulta é que é a
primeira vez que ela iria fazer um acompanhamento com nutricionista e sempre perdeu peso com instrução
do seu mestre, que também é atleta, mas hoje se dedica a preparar outros lutadores.
Antes de continuar, gostaria de trazer uma problematização, estudante. Considerando que é comum que os
mestres ou atletas mais experientes em uma equipe de luta conduzam formas de perder peso com quem
pretende competir, quais as maneiras que você acredita que são utilizadas para reduzir o peso corporal de
forma rápida?
Durante a sua anamnese, você coletou algumas informações importantes sobre a atleta. Ela realiza dois
treinos por dia, sendo que na segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira são os dias de musculação e a duração
média do treino é de 1h. Os treinos de musculação são focados em aumento de força e potência musculares
durante os golpes. Na terça-feira, quinta-feira e no sábado, ela costuma correr em intensidade leve a
moderada para melhorar o sistema cardiorrespiratório, sendo que a duração média também é de 1h. Ambos
os treinos acontecem no período da manhã. Já os treinos do muay thai são diários, com exceção de domingo,
sempre no �nal do dia com duração que pode variar de 1h30min. a 2h.
Quanto ao campeonato, Aline te informou que precisa perder 10kg e que a luta está marcada para dois
meses, contando a partir da data da consulta nutricional, e relatou que já começou a comer menos do que o
habitual, especialmente os alimentos fontes de carboidratos, para evitar métodos mais restritivos de perda de
peso próximo da luta. Porém, ela percebeu que o peso começou a reduzir mais rápido do que deveria e tem
sentido que o desempenho no treino caiu consideravelmente, o �uxo sanguíneo está diferente do habitual no
período de menstruação, memorizar as sequências do treino está muito mais difícil e está sentido que a
musculatura �cou menos volumosa.
Estudante, vamos trazer mais problematizações levando em consideração o treino e os sintomas relatados
pela paciente. Como você investigaria se a ingestão alimentar e o volume de treino estão compatíveis? Quais
seriam as principais estratégias nutricionais que utilizaria com a atleta até o dia da pesagem?
Estudante, agora que você tem as informações mais importantes, vamos ver o que pode fazer como nutri.
A anamnese completa com histórico de saúde da paciente, histórico familiar de doença, suplementos
utilizados, qualidade de sono, medicamentos, funcionamento intestinal, investigação sobre ciclo menstrual,
sinais e sintomas e rotina completa é de extrema importância para agrupar todos os dados que irão te nortear
na elaboração do planejamento alimentar. Outra ferramenta útil para esse contexto é o recordatório
alimentar habitual, que objetiva conhecer os alimentos comumente ingeridos, as quantidades e a frequência
alimentar diária. O recordatório auxilia a identi�car de�ciências na alimentação, irregularidades relacionadas
ao objetivo dos atletas, bem como hábitos alimentares.
No muay thai e em outros esportes de combate à perda de peso para entrar em uma categoria de peso
abaixo do habitual, tem-se como objetivo aumentar a vantagem do atleta sobre o adversário, pois
normalmente os atletas realizam a pesagem o�cial para o campeonato vinte e quatro horas antes e usam
esse período para recuperar os estoques de glicogênio, substratos energéticos, água corporal e eletrólitos.
Infelizmente, o mais frequente é que a perda de peso seja conduzida por lutadores mais experientes por meio
de técnicas empíricas e, na maioria das vezes, sem levar em consideração os riscos que os atletas são
submetidos.
No caso da atleta Aline, os sintomas apresentados estão relacionados à incompatibilidade da ingestão
energética e de carboidratos com o volume de treino. O primeiro passo é calcular o valor calórico total correto
e ajustar as proporções de macronutrientes da dieta, favorecendo a ingestão de carboidratos e proteínas.
Como o tempo para a luta é longo, no primeiro mês pode ser aplicada uma restrição calórica com uma
ingestão diária em cerca de 25 a 30kcal/kg de peso corporal. Sendo que na última semana, dependendo do
peso perdido pela atleta, é possível reduzir para 20-23kcal/kg de peso corporal. Dentro dessas faixas calóricas
é esperada uma diminuição de peso em torno de 0,5kg a 1kg/semana, respectivamente, sendo essa média de
perda aceitável e com menor risco para a saúde da atleta.
É bem estabelecido que a ingestão proteica recomendada para atletas é de 2 a 3 vezes o recomendado para
indivíduos sedentários, sendo que para a sua atleta consumir algo entre 1,4 e 1,6g/proteína/kg de peso/dia
será su�ciente para garantir manutenção da massa muscular e maior saciedade. As gorduras seguem a
ingestãohabitual com valores entre 0,5 e 1g/kg de peso/dia. Já os carboidratos precisam ser precisamente
calculados, pois os esportes de combate apresentam predominância de vias anaeróbicas e reduções
exacerbadas desse macronutriente podem prejudicar o desempenho. Nesse sentido, recomenda-se ingestão
mais alta no início da preparação para a pesagem, algo entre 3-5g/kg de peso/dia, e reduzir gradativamente
com um limite inferior de 1 a 1,5g/kg de peso/dia.
No último mês antes da luta, a ingestão calórica pode ser mantida e é importante que o nutricionista
mantenha contato frequente com a atleta para entender como o peso corporal tem se comportado. Na
semana da luta, é comum que os atletas dobrem ou tripliquem a ingestão diária de água nos três primeiros
dias, já no quarto e quinto dia retornam à hidratação normal e no dia da pesagem apenas molham a boca
para não sucumbirem a sede. Nesse caso, o volume de água e urina podem favorecer a perda de eletrólitos,
sendo necessária a reidratação com água, carboidratos em pó, potássio e sódio. Assim, o peso irá se
reestabelecer e a atleta irá chegar mais forte no dia da competição.
É necessário entender que o esporte de alto rendimento foge do que é considerado saudável e o nutricionista
esportivo precisa conhecer as mudanças �siológicas relativas à modalidade esportiva que atende, pois na
maioria das vezes o nutricionista irá atuar para reduzir os danos aos quais os atletas são submetidos.
DÊ O PLAY!
Estudante, como futuro nutricionista você já deve ter ouvido muitos mitos que re�etem comportamentos
alimentares nocivos, certo?
No podcast da unidade nós vamos abordar os impactos de ingestões calóricas inadequadas na saúde dos
atletas e como o desempenho esportivo pode ser fortemente afetado. A�nal de contas, o mundo esportivo
também é afetado por comportamentos alimentares irregulares.
Te esperamos lá. Não perca tempo e corra ouvir o podcast.
ASSIMILE
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Figura: Bioquímica e Fisiologia do Exercício
Fonte: elaborada pelo autor.
Aula 1
CARVALHO, A. et al. Fisiologia do Músculo Esquelético. In: SATO, M. A. Tratado de �siologia médica. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. Cap. 5. p. 55-78.
COMINETTI, C.; COZZOLINO, S. M. F. Bases bioquímicas e �siológicas da nutrição: nas diferentes fases da
vida, na saúde e na doença. 2. ed. São Paulo: Manole, 2019. 1416 p.
COZZOLINO, S. M. F. Biodisponibilidade de nutrientes. 6. ed. São Paulo: Manole, 2020. 960 p.
FISBERG, M. et al. Ferro. São Paulo: Ilsi Brasil, 2017. 56 p. (Funções plenamente reconhecidas de nutrientes).
Disponível em: https://ilsibrasil.org/wp-content/uploads/sites/9/2017/07/Fasc%C3%ADculo-FERRO.pdf. Acesso
em: 2 mar. 2024.
GIUDICI, K. V.; PETERS, B. S. E.; MARTINI, L. A. Vitamina D. São Paulo: Ilsi Brasil, 2018. 43 p. (Funções
plenamente reconhecidas de nutrientes). Disponível em: https://ilsibrasil.org/wp-
content/uploads/sites/9/2018/10/Fasc%C3%ADculo-VITAMINA-D-�nal-ok-autora.pdf. Acesso em: 2 mar. 2024.
KATCH, F. I.; KATCH, V. L.; MCARDLE, W. D. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempenho humano.
8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. 1120 p.
NELSON, D. L.; COX, M. M.; CUCHILLO, C. M. Princípios de bioquímica Lehninger. 8. ed. Porto Alegre: Artmed,
2022. 1248 p.
SILVEIRA, L. R. et al. Regulação do metabolismo de glicose e ácido graxo no músculo esquelético durante
exercício físico. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, [S. l.], v. 55, n. 5, p. 303-313, jun.
2011. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0004-27302011000500002. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/abem/a/7F5SFsdvNhXFtM7bgjP7JnR. Acesso em: 1 mar. 2024.
Aula 2
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considerações moleculares e energéticas. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, [S. l.], v. 23, n. 1, p. 60-
65, fev. 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbme/a/nrVqz5ncsFTpzBrnvwhYfng/#. Acesso em: 6 mar.
2024.
BOMPA, T. O.; PASQUALE, M. di; CORNACCHIA, L. J. Treinamento de força levado a sério. 3. ed. Barueri:
Manole, 2015. 386 p.
JEUKENDRUP, A.; GLEESON, M. Nutrição no esporte: diretrizes nutricionais e bioquímica e �siologia do
exercício. 3. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2021. 550 p.
MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempenho humano.
8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 1043 p.
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Aula 3
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Universidade Católica de Brasília. DOI: http://dx.doi.org/10.31501/rbcm.v25i3.6570. Disponível em:
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Aula 4
BELAGUARDA, A. F. et al. Tríade da mulher atleta – uma revisão narrativa. Brazilian Journal of Health
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http://dx.doi.org/10.34119/bjhrv6n3-363. Disponível em:
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Disponível em: https://www.rbne.com.br/index.php/rbne/article/view/1008. Acesso em: 15 mar. 2024.
https://www.scielo.br/j/rbme/a/3ZTrhnhrpBBvZnSWFxXsjrB/#:~:text=As%20diretrizes%20da%20Sociedade%20Brasileira,a%2020%20minutos%20durante%20o
https://www.scielo.br/j/rbme/a/3ZTrhnhrpBBvZnSWFxXsjrB/#:~:text=As%20diretrizes%20da%20Sociedade%20Brasileira,a%2020%20minutos%20durante%20o
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http://dx.doi.org/10.34119/bjhrv6n3-363
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Aula 5
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http://dx.doi.org/10.1590/s0101-32892013000100018
https://www.scielo.br/j/rbce/a/H6CyFjkWRhYkvJBXmVkVB8P/Os processos de síntese e catabolismo das proteínas são
denominados turnover proteico, sendo que durante a síntese é necessária a presença de todos os
aminoácidos essenciais e não essenciais, caso contrário, ela não ocorre como deve ser e poderá afetar
especialmente a massa muscular do atleta. Durante o catabolismo, no fígado, o aminoácido sofre
desaminação, que separa o grupamento amino do esqueleto de carbono. O primeiro é transformado em
amônia para ser eliminado e o segundo pode ser utilizado para produzir ATP no ciclo de Krebs ou na
gliconeogênese (Cominetti; Cozzolino, 2019).
Quimicamente os carboidratos são compostos por carbono, hidrogênio e oxigênio e são classi�cados como
açúcares, oligossacarídeos e polissacarídeos. O subgrupo dos açúcares é composto por monossacarídeos
(glicose, frutose e galactose), polióis (xilitol, sorbitol, maltitol, isomalte e lactitol) e dissacarídeos (sacarose,
maltose e lactose). Os oligossacarídeos são representados pelos maltoligossacarídeos (maltodextrina) e outros
oligossacarídeos (ra�nose, estaquiose e frutooligossacarídeos). Já o amido (amilose e amilopectina) e os
polissacarídeos não amido (celulose, pectinas e inulina) são os polissacarídeos (Cozzolino, 2020).
A glicose, frutose e galactose são os principais produtos da digestão de carboidratos. A maior parte da frutose
e galactose são transformadas em glicose no fígado, que por sua vez pode ser metabolizada em glicogênio
muscular e hepático ou servir de energia imediata. A galactose restante que não foi transformada em glicose é
metabolizada para os estoques de glicogênio e a frutose restante é metabolizada e direcionada para a via
glicolítica ou gliconeogênese (Cominetti; Cozzolino, 2019).
Os ácidos graxos são as unidades funcionais mais importantes das gorduras e podem ser classi�cados de
acordo com a presença ou ausência de saturação (saturados ou insaturados) ou pelo tamanho de sua cadeia
carbônica (cadeia curta, média ou longa) ou também com a família que pertencem (ômegas) (Cozzolino, 2020).
O metabolismo das gorduras pode ser dividido em lipólise, a síntese de ácidos graxos e a oxidação. Na lipólise
ocorre quebra do triacilglicerol armazenado no tecido adiposo em glicerol e ácidos graxos, que podem ser
liberados na circulação ou no reesteri�cados para formar novamente triacilglicerol. Na oxidação os ácidos
graxos são transportados para dentro da mitocôndria com auxílio da carnitina, onde serão oxidados para
formar ATP. A síntese de ácidos graxos, conhecida como lipogênese, ocorre principalmente no fígado por meio
de processo dependente de ATP e pode ser ativada, por exemplo, pelo consumo exacerbado de calorias
(Cominetti; Cozzolino, 2019).
O exercício físico gera adaptações que afetam vias metabólicas nas quais os micronutrientes participam
ativamente e resulta na necessidade aumentada de alguns desses nutrientes, especialmente de ferro, cálcio,
vitamina D e vitamina C.
A de�ciência de ferro, independente da presença ou não de anemia, pode comprometer a função muscular e
a capacidade física dos atletas, comprometendo adaptações ao treinamento e o desempenho esportivo. A
de�ciência de ferro é normalmente associada à baixa ingestão energética. Após absorção intestinal, tanto o
ferro heme quanto o não heme são transportados para a circulação na sua forma inorgânica e são
metabolizados nas células para integrar a hemoglobina ou armazenados como ferritina (Katch; Katch;
Mcardle, 2016; Fisberg et al., 2017).
A vitamina D desempenha função importante na absorção e no metabolismo de cálcio e fósforo, além de seu
reconhecido papel na saúde óssea. Além disso, a vitamina D tem sido relacionada ao desempenho esportivo
via impactos positivos no músculo esquelético. Atletas que treinam e competem em ambientes fechados
parecem apresentar risco aumentado para de�ciência do nutriente, por exemplo. A vitamina D pode ser
ingerida via alimentação ou produzida na pele sob in�uência dos raios ultravioleta na sua forma inativa. A sua
ativação depende de duas etapas metabólicas, sendo a primeira no fígado, onde é metabolizada em calcidiol,
e em seguida nos rins, formando dois metabólitos ativos, o calcitriol e o 24-hidroxicalcidiol (Katch; Katch;
Mcardle, 2016; Giudici; Peters; Martini, 2018).
A principal função do cálcio está relacionada ao crescimento, à manutenção e ao reparo da massa óssea. No
esporte, o mineral atua na regulação das contrações musculares e condução dos sinais nervosos. A sua
de�ciência afeta a densidade óssea a aumenta o risco de fraturas e esse risco está aumentado em mulheres
atletas que ingerem pouco cálcio via alimentação e apresentam disfunção menstrual. Metabolicamente o
cálcio é regulado por células sensíveis ao mineral e que produzem hormônios responsáveis pela sua
homeostase, ou seja, a redução circulante do cálcio estimula a produção de paratormônio (PTH) e a ativação
de vitamina D para aumentar a reabsorção óssea e a absorção intestinal na tentativa de manter níveis
adequados (Katch; Katch; Mcardle, 2016; Cozzolino, 2020).
O exercício físico por si só eleva o estresse oxidativo que pode ser nocivo para o corpo humano. Na tentativa
de contornar os impactos negativos desse processo, a suplementação de vitamina C foi sugerida, porém além
de não fazer efeito, parece prejudicar as adaptações dos atletas. Nesse sentido, o ideal é manter a sua
ingestão via alimentação dentro do recomendado para cada faixa etária (Katch; Katch; Mcardle, 2016;
Cozzolino, 2020).
Diante do apresentado, compreender as vias de produção de energia amplia a visão do nutricionista sobre
como direcionar a ingestão adequada de macronutrientes, especialmente os carboidratos e as gorduras que
estão envolvidos diretamente na síntese de ATP. Além disso, vincular todo o contexto energético ao
metabolismo de macronutrientes e micronutrientes norteará toda a prescrição não do planejamento
alimentar, como também da suplementação personalizada de cada atleta e de acordo com as suas
especi�cidades. 
VAMOS EXERCITAR? – RESPONDENDO À PROBLEMATIZAÇÃO
Vamos retornar ao caso da nossa atleta de heptatlo.
Assim que você a receber em seu consultório, o primeiro passo é a realização de uma anamnese completa.
Será preciso entender o objetivo dessa atleta, como está a sua saúde, os detalhes do treinamento como
quantas horas ela treina por dia, se treina mais de uma vez no dia, quantas vezes treina na semana, como
está o desempenho, se percebeu algum sintoma ou viu algum sinal diferente do habitual que possa indicar
alguma de�ciência nutricional, como é o ciclo menstrual dessa atleta e se realiza exames laboratoriais
periodicamente.
Além da anamnese, é importante realizar um recordatório alimentar detalhado com frequência alimentar
diária, quais alimentos consome e as quantidades. Outro ponto importante é o calendário anual de treino e
competições. É comum que os treinos dos atletas sejam divididos em ciclos e em competições com maior ou
menor importância. Isso irá impactar totalmente as respostas metabólicas da atleta e a demanda de
macronutrientes e micronutrientes.
Todos esses detalhes serão utilizados para te guiar no planejamento alimentar e na suplementação dessa
atleta. Agora quero te propor uma re�exão, você consegue pensar em algum ponto que relacione o conteúdo
trabalhado nesta aula com a prática clínica do nutricionista esportivo?
 Saiba mais
No intuito de ampliar os conhecimentos acerca dos assuntos trabalhados nesta aula, recomendamos a
leitura dos capítulos: 3 – Bioenergética; 4 – Metabolismo do exercício. Você encontrará esses capítulos no
livro de Scott K. Powers intitulado Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao
desempenho. Nos textos, o autor discorre de maneira didática sobre o papel da bioenergética e do
metabolismo dos substratos energéticos aplicados ao exercício físico.
PONTO DE PARTIDA
A frequência, duração e intensidade do exercício são fatores que, associados à idade, à genética, ao gênero, àestratégia dietética e a quanto tempo o indivíduo treina, causam adaptações em diversos sistemas corporais,
como o cardiorrespiratório, circulatório, endócrino e neuromuscular. Todas essas adaptações podem resultar
em uma função �siológica otimizada. No geral, os exercícios são classi�cados como aeróbicos ou endurance e
força ou resistido (Soares, 2014).
Aula 2
ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520455104/pageid/0
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Caracteristicamente os exercícios de endurance são realizados em intensidade mais baixa e com maior
duração, além disso, são capazes de gerar adaptações como melhora do débito cardíaco, do consumo
máximo de oxigênio e diversas outras que possibilitam que um atleta desenvolva um modo de economia de
energia, ou seja, corra por mais tempo e longas distâncias sem gastar tanta energia quando comparado a um
indivíduo não treinado (Soares, 2014).
Por de�nição, o treinamento resistido diz respeito à aplicação de sobrecarga muscular que gera adaptação,
como aprimoramento da sinalização neural, favorecendo as unidades motoras, aumento do tamanho e força
muscular. Essas adaptações são positivas por melhorar a respostas especí�cas ao treinamento nos atletas e
reduzir as chances de perda de massa muscular e melhorar a saúde de indivíduo não atletas (Bompa;
Pasquale; Cornacchia, 2015).
Os exercícios resistidos podem ser divididos em dois tipos, sendo os dinâmicos e o isométricos. Os exercícios
dinâmicos envolvem a contração e o relaxamento muscular acompanhados de movimentação articular, por
exemplo, uma pessoa que está em pé e realiza um agachamento com movimento das articulações dos joelhos
associado à contração da musculatura das pernas e com retorno à posição em pé (Figura 1). No caso dos
isométricos, ocorre a contração muscular sem a movimentação constante da articulação, ou seja, imagine que
a pessoa realizou o agachamento, mas ao invés de agachar e levantar, ela se mantém agachada o máximo de
tempo possível (Bompa; Pasquale; Cornacchia, 2015).
Figura 1 | Exercício de agachamento
Fonte: Shutterstock.
Vale salientar que normalmente várias modalidades esportivas empregam tanto exercícios de endurance
quanto resistidos. Nesse sentido e antes de seguir com a nossa aula, é importante que usemos uma
problematização para guiar as nossas discussões. Sendo assim, imagine que você recebeu em seu consultório
um atleta de cross�t pro�ssional que irá competir em um dos eventos mais importantes da modalidade.
Cross�t é um esporte que envolve altas demandas musculares por conta de exercícios com peso e demandas
aeróbicas por causa de corridas, airbikes, remadas e peso corporal. Considerando as adaptações nos sistemas
corporais comuns aos treinos de cross�t, o que você considera importante para otimizar o desempenho desse
tipo de atleta durante os treinos e as competições?
Essas questões serão trabalhadas no decorrer da aula. Vamos lá? Bons estudos!
VAMOS COMEÇAR! – ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO RESISTIDO
Olá, estudante.
Na aula de adaptações metabólicas você vai aprender o que acontece com o corpo humano quando recebe os
estímulos impostos pelo treinamento. Serão trabalhos conteúdos importantes sobre o impacto das
adaptações �siológicas no sistema cardiorrespiratório, circulatório, neuromuscular e endócrino dos atletas no
treinamento aeróbico/endurance e no treinamento de força/resistido.
A transição do repouso para o exercício aumenta substancialmente as demandas musculares por oxigênio,
cerca de 15-25 vezes mais oxigênio. Os sistemas cardiorrespiratório e circulatório trabalham de forma
conjunta para garantir que as demandas musculares sejam alcançadas. Os pulmões são responsáveis por
eliminar o dióxido de carbono e inserir oxigênio no sangue, e o sistema cardiocirculatório por bombear e
distribuir o oxigênio para os tecidos e levar o dióxido de carbono para os pulmões (Mcardle; Katch; Katch,
2018).
Os exercícios resistidos isométricos geram respostas agudas, ou seja, que acontecem durante o exercício,
como os aumentos da frequência cardíaca, débito cardíaco e pressão arterial sistólica e diastólica. Os
mecanismos por trás dessas respostas ocorrem devido ao estímulo do sistema nervoso simpática e à redução
do parassimpático, que desencadeiam a elevação da frequência cardíaca e, consequentemente, leve aumento
do débito cardíaca. Além disso, a contração sustentada comum na isometria induz a compressão muscular
das artérias que também impactam a frequência cardíaca via estímulo de sistema nervoso central. A
vasoconstrição causada pela contração muscular faz com que a pressão arterial sistólica e diastólicas
aumentem. Essas respostas são proporcionais ao tamanho da musculatura exercitada e à intensidade do
exercício (Sousa et al., 2019).
Assim como os isométricos, os exercícios resistidos dinâmicos também estimulam o sistema nervoso
simpático e reduzem o parassimpático com consequente aumento da frequência cardíaca e débito cardíaco.
Além do mais, a contração e o relaxamento da musculatura com movimento articular comuns nos exercícios
dinâmicos acarretam o maior retorno venoso durante o relaxamento. Decorrente a isso, a frequência
cardíaca, pressão arterial sistólica e diastólica, volume sistólico e resistência vascular periférica encontram-se
aumentados. Essas respostas são intensi�cadas à medida que a pessoa realiza mais e mais repetições
(Sousa et al., 2019).
Quanto às adaptações crônicas, o exercício isométrico parece melhorar a funções endotelial dos indivíduos,
além de induzir redução na pressão arterial de normotensos e hipertensos. Todavia, esse tipo de exercício
precisa ser muito mais explorado na literatura cientí�ca quanto aos seus impactos nos sistemas
cardiorrespiratório e circulatório. O exercício resistido dinâmico promove hipertro�a das paredes do coração
que gera impactos positivos na saúde dos indivíduos e é totalmente diferente da hipertro�a nociva comum
em condições clínicas como a hipertensão arterial sistêmica. Outra adaptação relacionada aos exercícios
dinâmicos diz respeito ao efeito hipotensor em indivíduo normotensos, pré-hipertensos e hipertensos
(Sousa et al., 2019).
O aumento da força e da massa muscular (hipertro�a), acontecem devido a adaptações impostas pelos
exercícios resistidos ao sistema neuromuscular. Os resultados decorrentes dessas adaptações acontecem
devido à melhora na capacidade do sistema nervoso em ativar as �bras musculares, bem como na ativação
sincronizada que ocorre durante a contração. Geralmente entre 8 e 12 semanas é comum que os indivíduos
apresentem aumento na força muscular esquelética, e a hipertro�a pode acontecer após esse período de
forma lenta e progressiva. Aumentos de volume muscular similares à hipertro�a nas semanas iniciais ao
treinamento estão associadas à edema no músculo esquelético, ou seja, maior retenção de líquido na
musculatura (Jeukendrup; Gleeson, 2021).
A hipertro�a do músculo esquelético é uma das adaptações mais impressionantes e envolve uma série de
mudanças estruturais e metabólicas. Os ganhos musculares são mais evidentes no primeiro ano (em média 9-
11 kg), e se tornam menores com o avançar do tempo resistido (menos de 1 kg), logo, é comum que atletas
que não utilizam esteroides androgênicos anabolizantes apresentem ganhos mínimos com o passar dos anos
de treino. A hipertro�a se dá pelo maior acréscimo de proteína em forma de �lamentos de unidades
contráteis (�lamentos de actina e miosina) nas mio�brilas, consequentemente aumentando o volume da �bra
muscular em si (Jeukendrup; Gleeson, 2021).
Os danos causados nas �bras musculares em resposta ao treinamento resistido levam à ativação das células
satélites que se proliferam e/ou se fundem as �bras existentes a �m de regeneraro tecido muscular.
Subsequente a essa ação das células satélites, ocorre o aumento de mionúcleos (núcleos das células
musculares), que estão diretamente ligados à capacidade de síntese de proteína muscular. Conforme o
músculo esquelético se torna mais forte, os tendões, ligamentos e tecidos conjuntivos tendem a se adaptar
para responder corretamente aos estímulos do treinamento resistido (Jeukendrup; Gleeson, 2021).
Metabolicamente o treinamento induz melhora na atividade de enzimas que participam das vias de produção
de adenosina trifostato (ATP), sendo a creatina fosfoquinase, mioquinase e a fosfofrutoquinase. Ocorre
também o aumento das concentrações de glicogênio muscular e fosfocreatina, bem como a melhora na
capacidade oxidativa do músculo e maior atividade do transportador intracelular responsável pela captação
de glicose, o transportador de glicose do tipo 4 (GLUT-4). A hipertro�a faz com que ocorra crescimento de
vasos sanguíneos intramusculares (Mcardle; Katch; Katch, 2018).
O sistema endócrino durante o exercício é relacionado ao controle do metabolismo energético por tornar
disponíveis para uso substratos como a glicose e os ácidos graxos, bem como seu papel na preservação da
massa muscular após o exercício. A testosterona apresenta níveis elevados após o exercício e apresenta um
efeito estimulatório de outros hormônios anabólicos, como o hormônio do crescimento e o fator de
crescimento tipo insulina 1 (IGF-1), além de ativar vias metabólicas relacionadas à hipertro�a.
O IGF-1 parece atuar de forma importante na proliferação de células satélites e no aumento das mio�brilas. Já
o cortisol, um glicocorticoide com atividade catabólica, pode estar aumentado como resposta ao estresse
causado pelo exercício. Dentre os seus efeitos, é possível destacar o estímulo da lipólise, a degradação
proteica e a redução na síntese proteica muscular. Outros hormônios de destaque são a insulina, a
catecolaminas, os hormônios da tireoide e a miostatina (Mcardle; Katch; Katch, 2018).
SIGA EM FRENTE – ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO DE ENDURANCE
Assim como nos exercícios resistidos, durante o treinamento aeróbico/endurance ocorrem respostas agudas
na frequência cardíaca, volume sistólico e débito cardíaco. Conforme o tempo de exercício se prolonga, o
débito cardíaco se mantém estabilizado, o volume sistólico tende a cair e a frequência cardíaca aumenta.
Essas respostas se intensi�cam concomitantemente à duração do exercício e devido à in�uência da
temperatura corporal no processo de desidratação e redução do volume plasmático. Todo esse mecanismo é
denominado drift cardiovascular e pode implicar em redução no desempenho do atleta, especialmente
quando a hidratação e reposição de eletrólitos não são adequadas (Negrão et al., 2019).
O treinamento de endurance estruturado de forma adequada irá resultar em aumento no consumo máximo
de oxigênio (VO .), na capacidade aumentada de utilizar o VO e na melhora na economia de exercício.
Atletas tendem a entrar em um modo economia, que garante que eles desempenhem melhor as atividades e
gastem menos energia (Negrão et al., 2019).
Essas três características dependem das adaptações nos sistemas cardiorrespiratórios e circulatórios que são
impostas pelo treinamento de endurance, sendo a melhora do débito cardíaco (DC) um fator importante para
que essas adaptações ocorram. No geral, para melhorar o DC, o coração do atleta irá sofrer hipertro�a
cardíaca, especialmente do ventrículo esquerdo, melhora na e�ciência do bombeamento sanguíneo, melhora
na sucção diastólica, maiores taxas de captação de cálcio pelo retículo sarcoplasmático do músculo cardíaco e
mudanças signi�cativas nas capacidades vasculares. Além disso, a hipervolemia e a eritropoiese favorecem o
maior conteúdo de hemoglobinas circulantes e, consequentemente, mais oxigênio para produção de ATP
(Negrão et al., 2019).
A contração muscular repetida durante os exercícios de endurance causam, via estímulos mecânicos,
adaptações moleculares importantes para os atletas. Além da necessidade de um treino bem estruturado, ou
seja, frequência, duração e intensidade adequadas, essas adaptações parecem ser estimuladas por
mecanismos como alongamento da musculatura, �uxo intracelular de cálcio, oxidação de substratos
energéticos, níveis de energia estocada proveniente da estratégia alimentar adequada e do estresse oxidativo
comum ao exercício (Abreu; Leal-Cardoso; Ceccatto, 2017).
O resultado de todo esses estímulos ativa vias de sinalização e promove a expressão de fatores de transcrição
de induzem a biogênese mitocondrial, ou seja, o aumento no número, na densidade e no volume de
mitocôndrias no músculo esquelético. As �bras musculares do tipo 1 ou �bras musculares de contração lenta
são ricas em mitocôndrias, enzimas oxidativas, apresentam alta concentração de mioglobina e maior atividade
mitocondrial. Não obstante, durante atividade prolongada é possível observar aumento de 30 a 40 vezes o
consumo de oxigênio e �uxo sanguíneo por essas �bras (Abreu; Leal-Cardoso; Ceccatto, 2017).
As alterações moleculares descritas desencadeiam uma das adaptações mais importantes que ocorrem no
músculo esquelético durante o exercício de endurance, que é o aumento na capacidade oxidativa
mitocondrial. Esse aumento na capacidade oxidativa é crucial para a produção e�ciente de ATP durante o
exercício e a redução da fadiga muscular via inibição da via glicolítica. Esse processo irá garantir um bom
desempenho para os atletas de modalidades com predominância aeróbica, por exemplo, maratonistas e
triatletas. Outra adaptação decorrente desse processo é a maior utilização de ácidos graxos como substrato
2max 2max
energético e redução na utilização de glicose. Fato que atenua o uso e a depleção dos estoques de glicogênio
musculares durante exercício de baixa a moderada intensidade e aumento do tempo que o atleta leva para
entrar em fadiga (Abreu; Leal-Cardoso; Ceccatto, 2017).
As adaptações neurais sofridas pelo sistema neuromuscular, como maior ativação muscular e recrutamento
de unidades motoras, parecem estar intimamente ligadas à economia de energia em atletas. Todavia, é bem
documentado que atletas de endurance podem melhorar as adaptações ao incluir na sua rotina o
treinamento resistido. Atletas que incorporam exercícios resistidos apresentam melhora na economia de
energia advinda das adaptações neurais (Powers; Howley, 2017).
Os exercícios de endurance induzem diversas alterações no per�l hormonal dos atletas, sendo essas
proporcionais à intensidade do exercício. Excetuando a insulina, que permanece reduzida, hormônios como
aldosterona, cortisol, estradiol, glucagon, hormônio do crescimento (GH), prolactina, testosterona e TSH
encontram-se aumentados em decorrência de uma resposta aguda ao treinamento. Cronicamente, quando o
treino de endurance é muito bem estruturado e o atleta possui suporte nutricional adequado para suportar a
carga de treino e competições, as adaptações hormonais são positivas e regulam todas as adaptações
descritas nos outros sistemas (Powers; Howley, 2017).
Diante do que foi apresentado, os atletas e praticantes de atividade física sofrem adaptações em diversos
sistemas que culminam nos resultados, como a hipertro�a muscular, capacidade de correr ou nadar por mais
tempo, maior velocidade de execução do exercício, entre outras milhares de respostas. O nutricionista possui
papel importante nesse processo na medida em que fornece, por meio de estratégias nutricionais adequadas
à modalidade e ao momento da vida que o indivíduo se encontra, os macronutrientes, micronutrientes e
compostos ativos necessários para que todos os processos moleculares e metabólicos e que culminam nas
adaptações aconteçam.
VAMOS EXERCITAR? – ATENDIMENTO DE UM ATLETA DE CROSSFIT
Vamos retornar ao caso do atleta de cross�t.
Um ponto muito importante quando se trata de acompanhamento nutricional de atletas é a plena
compreensão da modalidade, ou seja, como é organizadoo treino, quais os estímulos presentes na
modalidade e a experiência de treino do atleta. Todas essas informações são coletadas na anamnese
nutricional. Detalhar a rotina de exercício irá te auxiliar demais na elaboração de um planejamento alimentar
adequado.
O cross�t é um esporte que envolve estímulos de endurance e resistidos. Os atletas costumam realizar
movimentos conhecidos como multiarticulares, por exemplo, levantar uma barra com 50 kg do chão e
impulsioná-la acima da cabeça exige geração de força e contração de músculos das pernas, do abdômen, dos
braços e ombros. Além disso, é comum que o atleta corra ou pedale durante os treinos e as competições.
Entender todas as nuances da modalidade e as adaptações advindas irá te auxiliar a determinar as
quantidades de carboidratos que serão trabalhadas no plano alimentar, qual o melhor momento para
consumir gordura, como deve ser a distribuição de proteínas ao longo do dia e quais os melhores esquemas
de suplementação.
A partir desse contexto, quero propor que você pense em outros pontos importantes para o
acompanhamento nutricional dos atletas de cross�t.  
 Saiba mais
A primeira recomendação para esta aula é o livro dos autores Rui Curi e Joaquim Procópio intitulado
Fisiologia básica. Nele você irá encontrar textos sobre a �siologia geral dos sistemas e adaptações
trabalhadas durante a aula. Fortalecer essa base irá auxiliar o desenvolvimento dos conhecimentos
necessários acerca da �siologia humana.
Outra indicação de leitura completar é o livro Fisiologia do exercício – nutrição, energia e desempenho
humano, de McArdle. Esse é o típico livro de cabeceira para a área e irá ampliar os conhecimentos
adquiridos com a �siologia básica, demonstrando as diferenças das adaptações dos sistemas corporais
que o exercício submete os atletas.
PONTO DE PARTIDA
A regulação da temperatura corporal, ou termorregulação, é um processo controlado por termorreceptores
localizados no sistema nervoso central e coordenados pelo hipotálamo e nas regiões mais periféricas do
corpo, por exemplo, a pele. Essas estruturas são responsáveis pela produção ou liberação do calor corporal
com o intuito de manter a homeostase, pois variações de 3,5ºC a partir da temperatura normal de 37º C
podem ser nocivas aos seres humanos (Branco, 2017).
Independente das variações de temperatura nas extremidades do corpo, é importante que as temperaturas
corporais internas sejam mantidas para o bom funcionamento de todos os processos metabólicos. A Figura 1
detalha corretamente a tentativa do corpo em manter a temperatura corporal interna independente da
externa. É possível ver na imagem A que mesmo quando as temperaturas externas estão elevadas e a dos
tecidos mais periféricas também, o centro do corpo é mantido nos 37º C. Na imagem B, mesmo com as
variações periféricas decorrentes de um ambiente frio, o corpo mantém as regiões mais internas também nos
37º C (Branco, 2017).
Figura 1 | Termorregulação corporal
Aula 3
TERMORREGULAÇÃO E HIDRATAÇÃO
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732307/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:2
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Fonte: Shutterstock.
Por de�nição, quando o corpo consegue manter a homeostase da temperatura e não precisa ativar nenhum
mecanismo de controle, por exemplo, aumento do gasto calórico para gerar calor, esse estado é conhecido
como eutermia. Porém, quando ocorre algum tipo de falha, como é o caso do hipotireoidismo, ou exaustão
dos mecanismos de termorreguladores, o corpo pode entrar em estado de hipertermia ou hipotermia
(Almeida; Vizin; Carrettiero, 2021).
A hipertermia é caracterizada por elevações de temperatura corporal acima dos 37ºC da eutermia e pode
apresentar manifestações clínicas como diarreia, vômitos, tontura e edema nas pernas. Já a hipotermia é
caracterizada por temperaturas corporais abaixo do ideal da eutermia e é comum que indivíduos nesse
estado apresentem coordenação motora reduzida, fala confusa, caminhar com tropeços, esquecimentos,
redução na frequência cardíaca e pressão arterial. Ambas em casos extremos podem levar à falência de
órgãos, coma e até mesmo óbito (Almeida; Vizin; Carrettiero, 2021).
Antes de seguir com a nossa aula, é importante que usemos uma problematização para guiar as nossas
discussões. Sendo assim, imagine que você é nutricionista em uma equipe de muay thai e alguns atletas estão
entrando na fase de perda de peso para participar de uma competição nacional. É comum que nos esportes
de combate os atletas reduzam o peso corporal para se encaixar em uma categoria de peso abaixo do seu
peso habitual com o intuito de conseguir “vantagem” sobre o oponente. A perda de peso pode ser alta em
curtos períodos, por exemplo, redução de 10-15 kg de peso corporal total em 1-2 semanas. Pensando nisso,
por que os atletas perdem peso tão rapidamente?
Vamos lá? Bons estudos!
VAMOS COMEÇAR! – NÍVEIS DE HIDRATAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A TEMPERATURA CORPORAL
Olá, estudante. 
Na videoaula sobre termorregulação e hidratação, serão abordados conceitos importantes para fundamentar
o seu conhecimento sobre os mecanismos da termorregulação, bem como o corpo se comporta durante a
prática de atividade física. Além disso, você irá ter acesso a estratégias de hidratação que farão toda diferença
no desempenho do treino e durante as competições do seu atleta. 
Geralmente, o corpo humano possui de 50% a 60% de sua massa composta por água que está distribuída em
quantidades diversas nos tecidos corporais (Figura 2). Entre indivíduos do sexo masculino e feminino, é
comum que os homens apresentem maior quantidade de água, pois, além de serem mais leves, as mulheres
possuem maior quantidade de gordura corporal. Nesse sentindo, é de suma importância que os níveis de
hidratação sejam mantidos para o bom funcionamento do corpo, especialmente de atletas (Jeukendrup;
Gleeson, 2021).
Figura 2 | Água corporal e sua distribuição nos sistemas corporais
Fonte: Shutterstock.
Fonte: Shutterstock.
O desempenho de um atleta pode ser in�uenciado por uma série de eventos como o tipo de treino, a
estratégia alimentar, o local que está treinando, o nível da hidratação, entre diversos outros motivos que
podem ser especí�cos de cada modalidade esportiva. Fato é que a hidratação do atleta possui papel
importantíssimo no seu desempenho, sendo necessária a utilização de estratégias adequadas para cada
contexto (Jeukendrup; Gleeson, 2021).
Compreender os impactos �siológicos da hidratação, desidratação e reidratação é o primeiro passo para
desenvolver estratégias assertivas no esporte. A hidratação diz respeito à adição de água aos tecidos
corporais em quantidades adequadas e é importante para os atletas, especialmente os de endurance, pois o
balanço hídrico adequado irá otimizar os volumes dos �uídos intravasculares e garantir impacto positivo no
desempenho esportivo. É comum que o volume urinário aumente juntamente com a ingestão hídrica, sendo
necessário que as estratégias de hidratação aconteçam com certa antecedência, em torno de 8h-12h antes de
treinos e provas, para garantir que o atleta alcance o nível correto de hidratação (Jeukendrup; Gleeson, 2021).
Já a desidratação se refere à perda de água corporal e se inicia com reduções dos níveis de líquidos
extracelulares, quando ocorre desidratação leve, e posteriormente em circunstâncias de perda de líquidos
mais graves, há redução de líquidos intracelulares. Os mecanismos de dissipação de calor corporal podem ser
alterados em estados de desidratação e elevar as temperaturas corporais do atleta, além disso, podeacontecer diminuições no �uxo sanguíneo do músculo esquelético, no débito cardíaco e na vascularização
sistêmica (Coimbra; Soares, 2017).
Os aumentos descontrolados na temperatura corporal aumentam a oxidação de carboidrato e uso do
glicogênio para produzir energia e, consequentemente, o atleta pode fadigar mais rápido do que deveria. Na
tentativa de combater os baixos níveis de água corporal, os rins ativam mecanismos da renina-angiotensina-
aldosterona para conservar maior quantidade de sódio no plasma e a glândula pituitária posterior aumenta a
liberação de hormônios antidiuréticos para reter mais líquidos no corpo (Coimbra; Soares, 2017).
Apesar do importante papel dos rins, os mecanismos são su�cientes para evitar perdas de líquidos, sendo
necessária a reidratação, ou seja, o ato de restaurar os níveis hídricos. Ela pode ocorrer durante ou após os
treinos e deve ser iniciada antes que o atleta ultrapasse 2% de desidratação. A ingestão de sódio via
alimentação e suplementação pode ser necessária para reter água corporal, dependendo das características
da modalidade. As estratégias de reidratação e eletrólitos serão vistas mais a frente neste material (Coimbra;
Soares, 2017).
O exercício físico está intimamente ligado à produção de calor, especialmente em intensidades mais altas e
em locais quentes. Durante o exercício, o corpo irá produzir cerca de 4 kcal de calor por litro de oxigênio
utilizado, sendo que apenas uma pequena parte desse calor é liberada pela pele subjacente ao músculo
trabalhado. A �m de evitar que as enzimas musculares sejam desativadas pelas altas temperaturas, grande
parte do calor produzido é enviada para o centro do corpo, que, por ativação dos termorreceptores
hipotalâmicos, aumenta o �uxo sanguíneo e libera o calor nos tecidos mais periféricos via sudorese (Melo-
Marins et al., 2017).
Esses aumentos na temperatura corporal podem favorecer a maior perda de líquidos e consequentemente
queda no desempenho esportivo, porém, a hidratação adequada é a melhor forma de “resfriar” o corpo
durante os exercícios e evitar que os atletas sintam efeitos prejudiciais, como alterações cardiovasculares,
aumento da percepção de esforço e alterações na regulação de temperatura corporal (Melo-Marins et al.,
2017).
SIGA EM FRENTE – ESTRESSE TÉRMICO, DESIDRATAÇÃO E ESTRATÉGIAS DE REIDRATAÇÃO
Condições climáticas extremas com variações de temperatura e humidade podem impactar na homeostase da
temperatura corporal, além disso, a roupa e/ou equipamento que o atleta utiliza durante o exercício também
podem in�uenciar nas respostas �siológicas ao calor. Esses fatores afetam os mecanismos da
termorregulação e levam o corpo ao estresse térmico induzido por calor. As principais modalidades afetadas
são as realizadas em ambientes abertos (maratonas, corridas de 10km e ciclismo), provas de ultraendurance
(ultramaratona e ironman), esportes coletivos (futebol) e disputados no verão (tênis) (Mcardle; Katch; Katch,
2018).
O estresse térmico é de�nido como a di�culdade do corpo em manter o débito cardíaco adequado e a
inabilidade de dissipar o calor da forma correta, acarretando o aumento da temperatura da pele com ou sem
a presença de hipertermia, ou seja, quando as temperaturas corporais ultrapassam os 38,5ºC. Nesse cenário,
os sintomas apresentados são ansiedade, tontura, fadiga e, caso atinja a hipertermia, o atleta pode
apresentar delírios, convulsões e até risco de vida (Mcardle; Katch; Katch, 2018).
Durante esse processo o corpo redistribui o �uxo sanguíneo e aumenta a sudorese, porém, como
consequência, pode ocorrer maior perda de água corporal e eletrólitos, dentre eles o sódio e o potássio, que
leva à desidratação. A desidratação pode afetar o desempenho tanto em modalidades com prevalência
aeróbica quanto modalidades com prevalência anaeróbica com prejuízos nos sistemas cardiovascular e
neuromuscular, bem como sobrecarga metabólica e hiponatremia (Melo-Marins et al., 2017).
A hiponatremia é uma condição que diz respeito à concentração de sódio na corrente sanguínea e pode
acontecer quando os níveis bioquímicos, normalmente estáveis em 140mEq/L, encontram-se abaixo de
136mEq/L. Os esportes que mais apresentam a condição são corridas, triátlons e outras provas de longa
duração, sendo que as principais causas envolvem desidratação com grave perda de eletrólitos via sudorese e
consumo exacerbado de água sem a quantidade adequada de sódio (Melo-Marins et al., 2017).
Quanto à avaliação do nível de desidratação, fora dos laboratórios de pesquisa não existe uma forma
de�nitiva de se avaliar, sendo possível utilizar bioimpedância, marcadores urinários de osmolalidade, peso
corporal, nível de sede do atleta e coloração da urina. Na prática clínica, pesar antes e após o exercício pode
ser interessante, sendo que se estima que a cada 1% de peso perdido signi�que cerca de 500ml de
desidratação, porém, é preciso utilizar esse método de forma criteriosa para não superestimar os níveis de
desidratação do atleta. A�nal de contas, a hiper-hidratação também pode ser prejudicial por induzir
hiponatremia, por exemplo (Carvalho; Mara, 2010).
Outra forma prática para a rotina clínica é a escala de coloração da urina (Figura 3), sendo avaliada
imediatamente após uma prova para que se aplique a hidratação correta. É importante saber se o atleta está
suplementando vitaminas do complexo B, pois estas tornam a urina amarela e aumentam as chances de
induzir o pro�ssional a erro (Carvalho; Mara, 2010).
Figura 3 | Escala de hidratação de acordo com a coloração da urina
Fonte: Shutterstock.
As estratégias de reidratação podem ser realizadas antes, durante e após o exercício. Recomenda-se que o
atleta faça a ingestão de 5-10 mL/kg peso corporal, 4h antes do exercício. Porém, de 8h-12h antes é possível
realizar a ingestão de 35-50 mL/kg peso corporal para se manter bem hidratado. Se o atleta apresentar
di�culdade em ingerir essa quantidade de líquidos, é possível aumentar a ingestão de alimentos ricos em
sódio ou suplementar sódio em doses que variam de 300-700mg. Porém, é preciso levar em consideração o
sódio dietético, clima, umidade e o estado de saúde do atleta para não aumentar demasiadamente a ingestão
de sódio (Clark, 2021; Jeukendrup; Gleeson, 2021).
Durante o exercício é importante não esperar que o atleta sinta sede, pois o sinal de sede já signi�ca certo
grau de desidratação. Recomenda-se que os atletas realizem a ingestão de pequenas quantidades de água a
cada 15-20 minutos (120-180ml) independente de sentir sede. Dependendo do nível de sudorese, do clima do
ambiente, intensidade e duração do exercício, o atleta pode se hidratar com bebidas que contenham água,
carboidratos e eletrólitos, sendo 20-30mEq/L ou 0,46-0,69g/L de sódio, 2-5mEq/L ou 0,07-0,19g/L de potássio e
6-8% de carboidratos. Porém, as quantidades podem variar de acordo com as demandas da modalidade
(Clark, 2021; Jeukendrup; Gleeson, 2021).
A reidratação após o exercício será determinada pelo nível de desidratação do atleta e a velocidade que esse
líquido precisa ser reposto. No geral, se o atleta não está com desidratação severa e tem tempo para a
reposição hídrica, a ingestão de água associada a refeições será su�ciente. Porém, se for necessária uma
rápida reidratação, a ingestão de 1,5L de água por quilo perdido com cloreto de sódio (0,45g/L de água)
diluído pode ser necessária (Clark, 2021; Jeukendrup; Gleeson, 2021).
Diante do apresentado, a hidratação possui papel importantíssimo, mesmo que muitas vezes esquecida, no
bom desempenho e saúde dos atletas. Nesse sentido, cabe ao nutricionista compreender os detalhes da
modalidade que o seu atleta disputa, bem como as condições climáticas que o atleta irá competir para
desenvolver a melhor estratégia de hidratação antes, durante e após o treino/campeonato.
VAMOS EXERCITAR? – CASO DE UM ATLETA DE COMBATE
Vamos retornar ao caso dos nossos atletas de combate?
O primeiro ponto que é preciso entender diz respeito àperda de peso. No geral, a grande quantidade de peso
perdido em tão pouco tempo é decorrente, em sua maioria, da redução da quantidade de água corporal, ou
seja, esses atletas perdem peso rápido desidratando.
O segundo ponto é compreender a estratégia utilizada pelo atleta para organizar a sua reidratação e
alimentação após a pesagem, que pode acontecer 24h a 2-3h antes da luta. Os métodos mais utilizados pelos
atletas são a redução ou o corte de carboidratos da dieta, sauna, treinam com moletom independente da
temperatura do ambiente, banheira quente com sódio diluído e, na semana da luta, podem dobrar a
quantidade de água ingerida, chegando a 10L/dia.
Quando ocorre redução ou corte de carboidratos da dieta, a simples ingestão de alimentos e bebidas ricas em
carboidratos irá auxiliar na retomada no peso corporal. Porém, quando o atleta utiliza qualquer um dos
outros métodos, muitos eletrólitos e água podem ser perdidos via sudorese e urina. Nesses casos, a reposição
hidroeletrolítica será necessária, especialmente quando a pesagem acontece poucas horas antes da luta.
Ainda é importante salientar que normalmente os atletas combinam o corte de carboidratos com outras
técnicas de desidratação.
Entender todo esse contexto é extremamente necessário para guiar não somente a estratégia dietética dos
atletas de combate, mas também para garantir que eles tenham a reidratação correta e desempenhem bem
durante a luta.
 Saiba mais
O capítulo 22 do livro Fisiologia Básica, disponível em sua biblioteca virtual, trata do assunto
termorregulação e seus mecanismos, além de diversos conceitos importantes sobre o tema. A segunda
indicação é um livro um pouco mais direcionado intitulado Nutrição no esporte. Todo o livro é
fantástico para fortalecer as bases dos pro�ssionais de nutrição, porém, o capítulo 9 trata muito bem
sobre o tema hidratação, focado nas estratégias de hidratação para diversos momentos do exercício.
PONTO DE PARTIDA
O resultado entre a quantidade de energia ingerida e a energia gasta é de�nido como balanço energético.
Quando a ingestão de energia supera o gasto, é considerado que o indivíduo está em balanço energético
positivo, consequentemente apresenta maiores chances de desenvolver obesidade. Já quando o gasto supera
a ingestão, o indivíduo está em balanço energético negativo e apresenta, por exemplo, menores chances de
desenvolver obesidade. Vale salientar que a ingestão e o gasto são componentes dinâmicos e que in�uenciam
a �siologia e o comportamento dos indivíduos (Wallis, 2022).
Aula 4
BALANÇO ENERGÉTICO E ASPECTOS NUTRICIONAIS NA
PRÁTICA ESPORTIVA
O resultado entre a quantidade de energia ingerida e a energia gasta é de�nido como balanço
energético.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732307/epubcfi/6/74%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcap-22%5d!/4/2/2/4%4053:0
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Por de�nição, a ingestão energética diz respeito ao conteúdo calórico dos alimentos consumidos e que são
de�nidos pela quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras e álcool, sendo o hipotálamo o responsável
pela regulação do apetite e, logo, o controle da ingestão energética. As interações entre o sistema nervoso
central e os órgãos e tecidos para o disparo de sinais de fome ou saciedade acontecem por meio de sinais
neurais, metabólicos e endócrinos (Ross et al., 2016).
A energia consumida em forma de calorias via alimentação é gasta pelo corpo nas mais diversas situações
como durante a respiração, contração muscular na atividade física, batimentos do coração, entre outras
funções metabólicas, celulares e mecânicas. Por sua vez, o gasto energético (GE) é composto pela taxa de
metabolismo em repouso (TMR), que é a energia gasta para manter o funcionamento de órgãos e sistemas, o
efeito térmico dos alimentos (ETA), que diz respeito à quantidade de energia necessária para metabolizar os
macronutrientes e, por último, o gasto energético com atividade física (GEA), ou seja, a energia utilizada
quando o indivíduo sai do estado de repouso e inicia uma atividade física planejada ou não (Wallis, 2022).
As recomendações de ingestão energética, macronutrientes e micronutrientes sofrem variações de acordo
com o ciclo da vida que o indivíduo se encontra. A ingestão adequada de calorias e nutrientes é um ponto
importante para o crescimento e a manutenção de peso saudável em crianças e adolescentes, especialmente
quando estes se exercitam para �ns competitivos ou recreacional. Outro público que ganha cada vez mais
espaço no esporte e na prática de atividade física são as mulheres, que sabidamente vivem diversas
mudanças �siológicas e comportamentais de acordo com a faixa etária em que se encontra e que podem
impactar na saúde e no desempenho de atletas das categorias femininas. Além disso, o envelhecimento
acarreta perda de força e massa muscular (sarcopenia), fatores que demandam uma ingestão proteica e
calórica adequadas para melhorar o desempenho de atletas mais velhos e o envelhecimento saudável (Ross et
al., 2016).
Antes de seguir com a nossa aula, é importante utilizar uma problematização para guiar as nossas discussões.
Sendo assim, imagine que você começou a trabalhar para a equipe feminina de futebol, uma modalidade com
demandas metabólicas distintas devido à posição que a atleta joga. Nesse cenário, alguns atletas podem
percorrer maiores distâncias no campo quando estão posicionadas no meio de campo, ou demandar uma
força mais explosiva no ataque para alcançar a bola com mais velocidade. Considerando as individualidades
das atletas de futebol, como você acredita que seriam estabelecidas as recomendações nutricionais?
Essa e outras questões serão trabalhadas no decorrer na nossa aula. Vamos lá? Bons estudos.
VAMOS COMEÇAR! – GASTO ENERGÉTICO APLICADO AO EXERCÍCIO FÍSICO
Olá, estudante. 
Na videoaula sobre balanço energético e aspectos nutricionais na atividade física, você irá conhecer as
competências importantes para todo nutricionista que atua no esporte. Além disso, entenderá o que é
balanço energético, gasto energético e todos os aspectos nutricionais envolvendo crianças, adolescentes,
adultos e idosos e como eles são importantes interconectados na vida dos atletas e de praticantes de
atividade física. 
As funções corporais demandam produção de energia para que tudo �ua de acordo com as necessidades dos
órgãos e sistemas. O corpo possui um estoque limitado de energia armazenada como gordura no tecido
adiposo e carboidrato armazenado na forma de glicogênio muscular, além disso, apresenta uma pequena
concentração de carboidratos no citosol e gotículas de gorduras na musculatura para suprir as necessidades
mais imediatas. A forma como o corpo utiliza a energia é conhecida como gasto energético, que, por sua vez, é
determinado pela taxa metabólica em repouso, pelo efeito térmico dos alimentos e pelo gasto energético com
atividade física (Ross et al., 2016).
O custo energético para digestão, absorção, estoque e destinos metabólicos dos componentes dietéticos é
conhecido como efeito térmico dos alimentos. Esse é o componente que menos contribui para o GE de atletas
e indivíduos sedentários, sendo cerca de 10% de contribuição. Hierarquicamente as proteínas são as que mais
impactam no ETA, seguida pelo carboidrato e pela gordura. Esse componente parece estar diminuído no
envelhecimento por mecanismos pouco conhecidos, mas que envolve a sensibilidade à insulina e em
indivíduos em uso de bloqueadores beta-adrenérgicos (Ross et al., 2016).
Cerca de 70% da energia utilizada pelo corpo na homeostase e manutenção das suas funções básicas em
repouso como a respiração, �ltração renal, batimentos cardíacos e contração muscular, por exemplo, de�nem
a taxa metabólica em repouso (TMR), que também é conhecida como gasto energético em repouso (GER).
Fatores como sexo, idade e composição corporal parecem in�uenciar naTMR, sendo que o envelhecimento
acarreta reduções de 2%-3% por década e os homens apresentam TMR mais elevado do que as mulheres. Já
no que diz respeito à composição corporal, o músculo esquelético parece representar 20% da TMR, enquanto
o tecido adiposo contribui apenas com 5% da taxa (Ross et al., 2016; Jeukendrup; Gleeson, 2021).
O cérebro, coração, fígado, intestino e rins são órgãos metabolicamente ativos e, apesar de contribuírem com
apenas 10% do peso corporal total, representam 75% da TMR. Já o músculo esquelético, mesmo sendo um
tecido mais denso e pesado, contribui com uma porcentagem signi�cativamente menor quando comparado a
outros tecidos, como mencionado no parágrafo anterior. É importante destacar que a contribuição do
músculo esquelético para o TMR, apesar de menor, apresenta maior variabilidade devido aos estados de
repouso e exercício físico (Jeukendrup; Gleeson, 2021).
Já o GEA é o último componente do GE e o que apresenta maior variabilidade, sendo dividido em gasto
espontâneo com atividade física e termogênese com atividades não intencionais. O primeiro caso diz respeito
ao gasto com exercício físico planejado, ou seja, aquele que o indivíduo voluntariamente se propõe a realizar
e, por sua vez, está relacionado à duração e intensidade do exercício em relação ao peso corporal. No
segundo caso, está associado ao gasto de energia com atividades do cotidiano que demandam esforço físico,
por exemplo, carregar caixas pesadas, subir escadas, caminhar de um ponto a outro e outras similares. O
peso corporal é um dos fatores de grande contribuição, pois para a mesma atividade indivíduos com pesos
diferentes irão demandar gastos diferentes (Silva Filho; Ferreira, 2014).
Quando comparados a indivíduos sedentários, os atletas possuem GEA muito superior, sendo que os de alto
nível e extremamente ativos podem alcançar valores superior a 5.000 kcal/dia, enquanto é comum que
indivíduos sedentários não superem as 100 kcal/dia. Devido a esse papel do exercício do gasto energético,
balancear corretamente as demandas energéticas do atleta é de suma importância, pois um balanço negativo
induzido por dieta inadequada ou exercício extenuante pode aumentar as chances de lesões, redução da
massa muscular, disfunção hormonal e na massa óssea. Nesse contexto, o público feminino precisa atenção
especial devido às complicações comuns da tríade da mulher atleta (Costa; Silva; Viebig, 2017).
É normal que as atletas de modalidades de endurance ou que possuem categorias de peso desenvolvam a
tríade da mulher atleta. Sendo a baixa ingestão energética intencional ou não intencional associada ou não a
transtornos alimentares, fator determinante para a tríade. No geral, é comum que as mulheres atletas
apresentem hábitos alimentares incompatíveis com o nível de treinamento exigido pelo esporte e tendem a
fazer jejuns prolongados, pular refeições, treinar de forma extenuante e utilizar recursos farmacológicos para
reduzir a ingestão alimentar ou induzir vômitos e diarreias (Belaguarda et al., 2023).
As disfunções menstruais como amenorreia ou oligomenorreia são resultado de funções hipotalâmicas
alteradas e estão diretamente correlacionadas às funções hormonais e densidade mineral óssea. Essas atletas
apresentam redução primária ou secundária de estrogênio devido à disfunção menstrual e a principal função
desse hormônio na massa óssea é a ativação dos osteoblastos, que são células responsáveis pela formação de
osso. O aumento na fragilidade óssea devido a essa alteração eleva as chances de fragilidade osteopenia e
fratura (Belaguarda et al., 2023).
Estimar o valor calórico de atletas pode ser desa�ador para os nutricionistas porque o tempo de treino,
composição corporal, intensidade e volume de exercícios são diversos entre modalidades esportivas e
indivíduos. O melhor método para avaliação da taxa metabólica é a calorimetria indireta, porém o seu uso é
restrito a grandes universidades e centros de pesquisa e exige treinamento especí�co para sua aplicação. Na
rotina de consultório o uso de equações preditivas e o cálculo calórico por quilo de peso são os mais
frequentes (Costa; Silva; Viebig, 2017).
Contudo, as equações preditivas como Harris Benedict, FAO/OMS e outras podem subestimar ou
superestimar a real taxa metabólica dos atletas, dependendo dos fatores mencionados no anteriormente.
Nesse cenário o ideal é que o nutricionista busque na literatura cientí�ca as equações validadas e mais
con�áveis para o tipo de atleta que atende. Após aplicar a equação mais adequada, o nutricionista deve
escolher o fator de atividade correto para garantir que a ingestão calórica consiga suprir as necessidades
�siológicas básicas e dar o aporte su�cientemente correto para cobrir as demandas do exercício (Costa; Silva;
Viebig, 2017; Branco et al., 2018).
Outra forma mencionada por sociedades da medicina esportiva nacionais e internacionais é o uso de calorias
por quilo de peso corporal. Recomenda-se que os atletas realizem a ingestão de 30 a 50 kcal/kg de peso
corporal para encontrar o valor calórico total do dia. Nesse sentido, o acompanhamento da composição
corporal, dos sinais e sintomas de de�ciência de nutrientes e desempenho são necessários por meio de
anamneses e recordatórios alimentares bem realizados (Costa; Silva; Viebig, 2017).
SIGA EM FRENTE – INTRODUÇÃO À NUTRIÇÃO ESPORTIVA E ASPECTOS NUTRICIONAIS DOS CICLOS
DE VIDA NO ESPORTE 
SIGA EM FRENTE – Introdução à nutrição esportiva e aspectos nutricionais dos ciclos de vida no esporte
A nutrição esportiva é uma área ampla e diversa no que concerne a presença de atletas de diversas idades,
ambos os sexos, com ou sem algum tipo de condição clínica e demandas metabólicas especí�cas a
determinadas modalidades. O pro�ssional precisará desenvolver competências na avaliação de composição
corporal, comportamento alimentar, nutrição clínica para detectar especialmente transtornos alimentares,
de�ciências e possíveis doenças que venham a ocorrer nos atletas, forte base dos conhecimentos gerais da
nutrição e técnicas dietéticas.
Além disso, é necessário se aprofundar nos meandros do treinamento, fortalecer os conhecimentos sobre
bioquímica e �siologia do exercício para construir uma base sólida e entender o papel da medicina esportiva e
da farmacologia para nortear o planejamento alimentar de acordo com o momento que o atleta está vivendo
(Hirschbruch, 2014; Jeukendrup; Gleeson, 2021).
Além do papel fundamental do nutricionista, outros pro�ssionais como, por exemplo, �sioterapeutas, médicos
das mais diversas especialidades, preparadores físicos e psicólogos, são essenciais na vida dos atletas,
especialmente os de alto rendimento, pois o desempenho esportivo depende de uma interação de fatores
físicos, técnicos, táticos e psicológicos. O trabalho conjunto desses pro�ssionais irá desempenhar uma função
que resultará em um atleta mais bem adaptado, corretamente recuperado de uma possível lesão,
psicologicamente estabilizado para suportar o estresse de treinos e competições e com estado clínico
otimizado (Inchauspe et al., 2020).
Rotineiramente o nutricionista atende atletas e praticantes de atividade física com os mais diversos objetivos e
em ciclos da vida que necessitam de suporte nutricional diferenciado. A nutrição é indispensável para crianças
e adolescentes envolvidos com o esporte, pois além de manter o crescimento adequado e peso saudável, irá
garantir um bom desempenho e recuperação adequada dos treinos.
A ingestão energética ideal para crianças e adolescentes irá reduzir as chances de prejudicar o crescimento,
atrasar o início da puberdade, disfunção menstrual, perda de massa muscular, lesões e desenvolver
sobrepeso ou obesidade, sendo sugerido o uso das equações recomendadas pelas referências de ingestão
dietéticas (DRIs) ou da FAO (Ross et al., 2016; Pinheiro et al., 2022).
Quanto ao macronutrientes, recomenda-se a ingestão de 10% a 30% do valor calórico total de proteína, 45% a
65% decarboidratos e de 25% a 35% de gorduras. Vale salientar que essas recomendações podem ser
utilizadas tanto para crianças e adolescentes que praticam atividade física sem �ns pro�ssionais, quanto para
os atletas na mesma faixa etária. Sendo que durante períodos de treinos mais intensos a ingestão calórica irá
aumentar e é recomendado manter a proporção de macronutrientes nos limites superiores indicados
(Hirschbruch, 2014).
No que concerne os micronutrientes, é preciso garantir a ingestão adequada de todos, porém a ingestão de
cálcio, ferro e vitamina D necessitam de atenção especial. O ferro é essencial no esporte por participar do
transporte de oxigênio pela hemoglobina e na fosforilação oxidativa, sendo muito comum que atletas jovens,
especialmente do sexo feminino, apresentem de�ciência. Já a vitamina D irá auxiliar na absorção de cálcio
que, por sua vez, desempenha papel primário no crescimento e na manutenção da saúde óssea e do sistema
imune. Na adolescência as necessidades de cálcio encontram-se aumentadas, sendo necessária a presença de
fontes alimentares em quantidades su�cientes (Hirschbruch, 2014; Pinheiro et al., 2022).
Metabolicamente homens e mulheres adultos apresentam necessidades energéticas com uma leve distinção,
pois ao atingir a maturidade, a mulher apresenta maiores concentrações de estoques de gordura do que os
homens. Por esse motivo, é comum que as necessidades energéticas do público feminino seja 5% a 10%
menor quando comparadas aos homens. No caso das mulheres, é importante se atentar aos sinais e sintomas
comuns da baixa ingestão calórica com consequente aumento de chances para a tríade da mulher atleta
(Hirschbruch, 2014).
A ingestão de gordura de atletas e praticantes de atividade física é similar e compreende 20-25% do valor
calórico total da dieta. A manutenção do balanço nitrogenado positivo é fundamental para o desempenho e a
massa muscular, nesse sentido a ingestão diária e distribuída em várias refeições ao longo do dia
recomendada é de 1,2 a 1,6 g/kg de peso corporal. É possível encontrar na literatura valores acima de 2 a 2,2
g/kg de peso corporal, porém a ingestão exacerbada de proteínas não trará nenhum tipo de vantagem
adicional (Oliveira et al., 2020).
Já a ingestão de carboidratos pode variar de acordo com a intensidade, o volume, a duração e o tipo de
treinamento. Valores recomendados partem de 2-3 g/kg de peso corporal e podem chegar a 12 g/kg peso
corporal dependendo do nível do atleta. No geral, o uso de valores superiores é limitado a um grupo muito
seleto de atletas de altíssimo nível, sendo o mais comum os valores das faixas mais inferiores. A distribuição
diária de carboidratos deve ser antes do exercício, durante o exercício em casos muito especí�cos como
treinos longos, ambientes quentes ou treinos em jejum, e durante todas as refeições após o treino para repor
os estoques de glicogênio muscular e hepático. No caso dos micronutrientes, a atenção deve ser maior para
vitaminas do complexo B, magnésio, cálcio, ferro, zinco e vitaminas antioxidantes (Hirschbruch, 2014;
Oliveira et al., 2020).
Os aspectos nutricionais que envolvem o indivíduo idoso atleta ou praticante de atividade física recreacional
devem levar em consideração as alterações comuns da idade, como redução na TMR, metabolismo proteico
diferenciado, uso de fármacos que podem afetar o estado nutricional e maior tendência à perda de massa
muscular (sarcopenia). Por esses fatores é fundamental que a ingestão calórica diária alcance níveis
adequados, além de ingestões proteicas na ordem das 0,3 a 0,4 g/kg de peso corporal/refeição ou 1,2 a 1,6
g/kg peso corporal/dia (Hirschbruch, 2014).
A ingestão de carboidratos e lipídeos segue a recomendada para idosos saudáveis sendo 50-60% de
carboidratos e 20-30% de gorduras com especial foco em alimentos �brosos e com gorduras insaturadas. Já
em relação ao consumo de micronutrientes, o nutricionista precisa monitorar sinais e sintomas de possíveis
de�ciências, sendo que vitaminas do complexo B, vitamina D, sódio e cálcio devem receber maior atenção
(Oliveira et al., 2020).
Diante do apresentado, �ca clara a importância de entender o papel do balanço energético na vida de um
indivíduo independente da faixa etária em que se encontra. Adequar a ingestão energética, principalmente no
que diz respeito ao gasto energético, pode fazer toda diferença para o desempenho, boas adaptações ao
treinamento e saúde dos atletas. Isso se torna mais real quando avaliadas as necessidades individuais de
acordo com o momento da vida que o atleta se encontra, pois cada etapa irá demandar a ingestão
diferenciada de calorias, macronutrientes e micronutrientes.
VAMOS EXERCITAR? – CASO DA EQUIPE DE FUTEBOL FEMININO
Vamos retornar ao caso da nossa equipe de futebol feminino?
O futebol é uma modalidade com demandas metabólicas distintas porque as diversas posições que as
jogadoras ocupam irão determinar o nível de esforço físico de cada uma. Então o primeiro passo como
nutricionista dessa equipe é realizar uma anamnese detalhada com o intuito de conhecer melhor cada atleta,
além disso, é preciso realizar um recordatório alimentar completo para compreender o per�l nutricional e
identi�car possíveis excessos e/ou de�ciências nutricionais.
Além desses dois passos importantes, conhecer sobre a modalidade e ter contato com outros pro�ssionais
envolvidos na equipe irá auxiliar e muito no planejamento alimentar e suplementação individualizada. A
avaliação de composição corporal periódica se faz extremamente necessárias para controle de saúde da atleta
e de�nir as necessidades energéticas com base em todos os dados coletados.
Agora me conta, você consegue pensar em algum outro fator importante para essas atletas?
 Saiba mais
A primeira indicação de leitura é o livro Bases bioquímicas e �siológicas da nutrição nas diferentes fases
da vida, na saúde e na doença, disponível em sua biblioteca virtual. Na parte 2 do livro as autoras
discorrem sobre todos os tópicos relacionados aos micronutrientes, fato importante para os
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555761764/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:2
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555761764/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:2
nutricionistas esportivos, pois infelizmente não existem recomendações especí�cas de todos os
nutrientes para atletas. Já na parte 3 do livro é possível encontrar o papel da nutrição nas fases da vida,
sendo fundamental para compreender as particularidades de cada etapa.
A outra indicação é mais voltada para a nutrição esportiva, sendo o livro intitulado Nutrição esportiva:
uma visão prática. Todos os capítulos são interessantes para o nutricionista que decide trabalhar com
nutrição esportiva, porém, para esta aula gostaria de indicar os capítulos 39, 40 e 41. Nesses capítulos
você irá encontrar informações mais detalhadas sobre os aspectos nutricionais na nutrição esportiva nos
diferentes ciclos de vida.
PONTO DE CHEGADA – A CONSTRUÇÃO DA BASE DE UM BOM NUTRICIONISTA ESPORTIVO
Olá, estudante. 
Na videoaula de encerramento desta unidade, você irá compreender como os conteúdos estudados até o
momento estão diretamente correlacionados com a prática clínica de um nutricionista esportivo por meio de
exemplos práticos e simples. Assim, cada conhecimento adquirido terá um signi�cado ainda maior se
aplicados corretamente. 
Te aguardamos para essa aula fantástica. Vamos lá?
Olá, estudante!
Durante as aulas você estudou conteúdos imprescindíveis que fazem parte da base de um bom nutricionista
que atua no exercício físico, seja com foco em atletas de alto rendimento que buscam bom desempenho ou
praticantes de atividade física que objetivam saúde e/ou estética. A bioenergética e o metabolismo dos
macronutrientes e micronutrientes é o passo inicial para compreender como o atleta irá conseguir e sintetizar
suas fontes de energia em forma de adenosina

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