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1ºAula Introdução à química Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: compreender a função da química na Engenharia Ambiental/Sanitária; conhecer a estrutura de um átomo, assim como a história da teoria atômica; identificar as propriedades periódicas dos elementos químicos; definir as propriedades da matéria e as características fundamentais das substâncias e soluções. Caros(as) alunos(as)! Na primeira aula, faremos uma abordagem introdutória à química, após retratar a importância desse estudo na engenharia Ambiental/Sanitária na seção 1. Na seção 2, trataremos da teoria atômica, nos aspectos relativos à história e as diferentes concepções sobre a estrutura atômica. Posteriormente, na seção 3, serão descritas as propriedades periódicas dos elementos químicos, como o raio atômico, volume atômico, afinidade eletrônica, entre outras. E por fim, na seção 4, serão demonstradas as propriedades da matéria e serão abordados os principais aspectos das substâncias e soluções. Dispondo assim de uma visão geral sobre os tópicos iniciais para o estudo da química ao longo da disciplina. Bons estudos! 7 Química Geral e Experimental 6 1 – Qual a importância da química na Engenharia Ambiental/Sanitária? 2 – Teoria atômica 3 – Elementos químicos 4 – Propriedades da matéria 1 - Qual a importância da química na Engenharia Ambiental/Sanitária? Muitos estudantes de engenharia acreditam que a disciplina de química ou grande parte da mesma não será em muitos processos ao longo da vida raramente não haverá alguma relação com a química, mesmo que seja mínima. A química está presente em tudo, desde as reações químicas que envolvem os processos industriais nas fábricas até a comunicação entre os seres vivos. Veja na Tabela 1.1 algumas reações comuns que diretamente ou indiretamente ser relacionam com a engenharia Ambiental/Sanitária ou com o cotidiano de todos: Tabela 1.1 – Algumas aplicações da química no cotidiano. Aplicação Reação Química do Músculo Energia consumida ATP ADP + Pi Ácido Láctico CH3COCOOH CH3CHCHCOOH Química Industrial - Fe2O3 + 3CO Combustão - 2C8H18 + 25O2 16 CO2 + 18H2O Química Atmosférica Ozônio 3O2 2O3 Chuva ácida 5O3 + H2O H2SO4 Oxidação - 4Fe + 3O2 + 6H2O 4Fe (OH)3 Bioquímica Fotossíntese 6CO2 + 6H2O C6H12O6 + 6O2 Remédio Paracetamol (Paracetamolum) C8H9NO2 Fonte: Brady e Humiston (2011). Vemos então que as aplicações da química são variadas, e estão presentes em todos os aspectos do cotidiano, envolvendo apenas em produtos perigosos como tóxicos e venenos, mas na realidade ela também está presente em verduras e frutas, como a utilização de agrotóxicos. De uma forma abrangente, a vida no nosso planeta não existiria. O meio ambiente também se relaciona diretamente com a química visto que atualmente a poluição de rios, lagos Mas com o correto emprego dessa ciência é possível Seções de estudo solucionar essa calamidade, por isso é fundamental os conhecerem, sobretudo a magnitude e a consequência dos produtos químicos empregados nas diversas atividades de processamento industrial, pois todos são responsáveis pela transformação do meio ambiente. o desenvolvimento de soluções para problemas técnicos relacionados ao meio ambiente e outros. Logo, a química é mais uma área essencial da formação do engenheiro Ambiental/Sanitária, possibilitando o entendimento de todas as áreas envolvidas de uma forma generalizada, porém necessária. Outras aplicações do conhecimento básico da química e o gerenciamento da produção de resíduos químicos as indústrias como, farmoquímicas, indústrias de fermentação, alimentos e de derivados químicos da madeira. Visualiza-se assim a enorme aplicabilidade da química na engenharia Ambiental/ Sanitária, onde grande quantidade de empresas no mercado atual se concentram diretamente no desenvolvimento e emprego de produtos químicos, e para resolver os problemas relacionados às suas produções é necessário conhecer suas nuances relacionadas diretamente aos estudos que serão conduzidos a seguir. 2 - Teoria atômica Histórico da teoria atômica: Os estudos mais próximos da teoria atualmente desenvolvida são de John Dalton, no período anterior a construção do laboratório Cavendish. No período posterior, tem-se J. Thomson, J. H. Jeans, H. Nagaoka, Lorde Rayleight, G. A. Schott, E. Rutherford, J. W. Nicholson e Niels Bohr (MELZER; AIRES, 2015). Durante o século XX foi desenvolvido o modelo atômico base da teoria atômica moderna, onde dentre outras características, o átomo possui três partículas subatômicas fundamentais: os prótons (carregados positivamente), os elétrons (carregados negativamente) e os nêutrons (eletricamente neutros). A história da teoria atômica teve início com Demócrito fundamentais da matéria de partículas minúsculas, indivisíveis (ATKINS; JONES, 2012). Parte dessa teoria é correta, pois na realidade, os átomos são divisíveis. Contudo, a teoria atômica clássica surgiu com o cientista inglês John Dalton, durante 1803 e 1807. Assim foi proposto que uma porção de matéria é formada por uma enorme quantidade de átomos. Baseando-se essencialmente nas leis ponderais de Lavoisier e Proust foram formulados postulados: 1. Todos os elementos são compostos por pequenas partículas denominadas de átomos; 2. Em um elemento, os átomos são todos idênticos e possuem as mesmas propriedades, contudo, átomos de elementos diferentes possuem diferentes propriedades, além de serem distintos; 8 7 3. Os átomos mantêm-se inalterados em reações químicas; 4. Nas reações químicas, os átomos formados são compostos, mantendo a mesma quantidade do início para cada elemento. Hoje, há uma íntima relação entre a matéria e a eletricidade. Isso surgiu com o uso da eletrólise, isto é, a utilização da eletricidade para a realização de uma transformação química, quando William Nicholson e Anthony Carlisle realizaram a decomposição da água nos gases de hidrogênio e oxigênio. Posteriormente, em 1832, Faraday estabeleceu fatores para a quantidade de produto formado na eletrólise, conhecidos com eletricidade aplicada e do próprio produto (FELTRE, 2005). Conforme exposto por Russell e Sanioto (1982), em 1850, William Crookes foi quem realizou o primeiro experimento sugerindo a existência de partículas menores que os átomos. Neste foi descoberto que os gerados resultaram de colisões entre as partículas em movimento e as moléculas do gás em baixa concentração, sendo que estas partículas atingiram o ânodo em grande quantidade. Em 1887, demonstrando que os raios catódicos são desviados ao passar entre placas de metais carregadas com cargas contrárias em um tubo de Crookes, o físico inglês J.J. Thomson provou que as partículas que constituem o raio catódico são formadas por cargas negativas. Por esta característica se repetir para diferentes materiais de cátodo, pode-se dizer que são partículas fundamentais, sendo denominadas de elétrons. Robert Millikan, em 1908, determinou a magnitude da carga no elétron, por meio do choque de elétrons com gotículas de óleo, pois acreditava que estas poderiam armazenar os elétrons, e com isso chegou ao valor de – 1,6 x 10 –19 da carga fundamental, e concluiu com seus experimentos que nada pode possuir uma carga menor que a carga fundamental (ATKINS; JONES, 2012). Em 1904 Thomson propôs o modelo conhecido como “pudim de ameixas”, caracterizando o átomo como uma esfera carregada positivamente contendo os elétrons que se moviam em círculos. Apesar do respaldo nas leis da mecânica e do eletromagnetismo, o modelo de Rutherford expôs seu erro (FELTRE, 2005). Em 1908, na Universidade de Manchester, Johanners Wilhelm Geiger e Ernest Marsdem realizaram o experimento conhecido como Geiger-Marsden, que se tratava de grande maioria das partículas atravessaram a folha, porém algumas outras foram ricocheteadas. Com folhas de outros peso atômico do material que constituía a folha mais partículasforam ricocheteadas (RUSSELL; SANIOTO, 1982). Rutherford baseou-se no sistema planetário, sendo esta uma concepção inicial das camadas eletrônicas dispostas na Figura 1.1, o núcleo carregado positivamente era então muito pequeno e ao redor eram dispostos os elétrons em forma de esfera e de massa extremamente menor que a do núcleo. Com este modelo atômico, Rutherford determinou uma fórmula para o espalhamento das partículas bombardeadas na folha de ouro e para outros materiais, e estimou o raio do núcleo atômico (ATKINS; JONES, 2012). Figura 1.1 – Camadas eletrônicas. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2018. Conforme mencionado por Atkins e Jones (2012), a teoria do eletromagnetismo tornou o modelo de Rutherford inválido, pois as cargas aceleradas continuamente em movimento espiral perderiam energia, e assim a matéria se desintegraria em uma fração de segundo. Esse problema foi solucionado em 1913 com o cientista dinamarquês Niels Bohr, propondo uma correção ao modelo de Rutherford, onde os elétrons realizavam movimentos em diferentes órbitas em torno do núcleo, veja a Figura 1.2. Logo, as diferentes órbitas circulares são as camadas eletrônicas que suportam determinadas quantidades de energia. Figura 1.2 – Modelo atômico de Rutherford-Bohr. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2018. O próton foi descoberto por um experimento que bombardeava o gás nitrogênio com partículas alfa, detectando hidrogênios, foi considerado que advinham do nitrogênio, logo o próton que constitui o hidrogênio, também constitui o nitrogênio, assim trata-se de uma partícula elementar. explicar a massa de um átomo, então pressupôs a existência de outras subpartículas. Em 1932, James Chadwick (1891-1974) 9 Química Geral e Experimental 8 conseguiu detectar as partículas neutras (ATKINS; JONES, 2012; MAHAN, 1995). Estrutura atômica: Estruturalmente, o átomo consiste fundamentalmente em prótons, elétrons e nêutrons. Sendo que os prótons e nêutrons possuem maior massa e formam um núcleo extremamente pequeno em relação aos orbitais onde localizam-se os elétrons. O núcleo concentra a maior parte da massa do átomo, sendo que a massa dos elétrons pode ser desprezada para a representação do número de massa. Atualmente, as partículas subatômicas apresentam os seguintes valores descrito na Tabela 1.2: Tabela 1.2 – Valores de massa e carga das partículas subatômicas. Partícula Massa () Carga () Próton 1,672621636 x 10 –27 1,602176487 x 10 –19 Nêutron 1,67492729 x 10 –27 0 Elétron 9,10938215 x 10 –31 1,602176487 x 10–19 Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2018. A seguinte notação é adotada para a representação de átomos: Onde Z é o número atômico dado pelo número de prótons, A é o número de massa correspondendo à soma entre o número de prótons e o número de nêutrons e q é a carga do átomo quando se tratar de um íon, ou seja, quando estiver carregado positivamente ou negativamente. à relação entre o número de massa (A), número atômico (Z) e número de nêutrons, tratam-se dos isótopos, isóbaros e isótonos. Os isótopos são os átomos de uma mesmo elemento químico que possuem o mesmo número atômico (Z), entretanto, diferentes números de massa (A), pois o número de nêutrons é diferente. Os isóbaros são átomos de elementos químicos diferentes que possuem o mesmo número de massa (A), contudo diferentes números atômicos (Z), logo para a soma de nêutrons e prótons serem iguais para ambos os átomos, o número de nêutrons também deve ser diferente. E os isótonos também são átomos de elementos químicos diferentes, mas o número de nêutrons é igual em ambos e os números atômicos (Z) e de massa (A) são diferentes. Niels Bohr demonstrou que os elétrons de um gás absorvem energia da eletricidade em uma situação que esteja passando corrente através deste, depois retornam ao orbital anterior de energia para se estabilizar, liberando energia isto é, pode ser quantizada. No início do século XX, os físicos Max Planck e Albert Einstein demonstraram que as radiações eletromagnéticas comportavam-se como “pacotes de energia” denominados de fótons (MAHAN, 1995). Figura 1.3 - Elétron em transição entre camadas. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2018. Russell e Sanioto (1982) expôs que a energia em um fóton é proporcional à frequência da radiação, para a igualdade aplica-se a constante de Planck, veja: Efóton = Onde Efóton é a energia contida em um fóton, dada em Joule (J), é a constante de Planck de valor 6,63 x 10–34 e é a frequência da radiação em Hz. Para o cálculo da velocidade da luz, tem-se: Onde c é a velocidade da luz em , é a sua frequência em Hz m. Portanto, a energia no fóton também pode ser calculada por: Na transição de níveis de energia em um átomo de hidrogênio, Bohr empregou a seguinte equação para o cálculo da energia absorvida (ATKINS, JONES, 2012; RUSSELL; SANIOTO, 1982): Onde o sinal negativo indica a absorção de energia, R é o raio atômico em m, Z é o número atômico e n = 6,02 x 1023 é o número de Avogrado. O raio atômico é obtido por: Em que A0 é uma constante denominada de Raio de Bohr. 10 9 As equações acima são aplicáveis a qualquer átomo, mas com apenas um elétron. Não se aplicam a outros elementos com mais de um elétron, pois precisam ser consideradas as repulsões intereletrônicas nas transições eletrônicas e no cálculo do raio atômico. Exemplo – comprimento de onda de uma radiação eletromagnética: Uma radiação eletromagnética se desloca à velocidade da luz, 3 x 108 –1, com uma frequência de 4,32 x 1014 oscilações por segundo. Calcule o comprimento de onda da radiação em (DE OLIVEIRA; FERNANDES, 2006). Solução O comprimento de onda pode ser determinado por c é a velocidade da luz, é a velocidade da substituindo c = 3 x 108 –1e = 4,32 x 1014 –1, opera-se: Nos lembremos que o exemplo exige o comprimento de onda na unidade (nanômetro), realizando a conversão, tem- se: Portanto, o comprimento de onda da radiação é de 694 nm. Exemplo – cálculo da quantidade de energia radiante: Calcule a menor quantidade de energia radiante que um corpo pode emitir de luz azul cujo comprimento de onda é 470 nm. Dados: n = 1, = 6,63 x 10–34 , c = 3,0 x 108 –1 azul = 470 nm = 4,70 x 10–7 m (DE OLIVEIRA; FERNANDES, 2006). Solução Um de energia, n = 1, é a menor quantidade de energia radiante que um corpo é capaz de emitir ou absorver, o que é deduzido pela fórmula apresentada na forma Eazul = = 6,63 x 10–34 , c = 3,0 x 108 –1 azul = 470 nm = 4,70 x 10–7 m, calcula-se: Logo, a quantidade de energia radiante foi de 4,23 x 10–19 J. 3 - Elementos químicos Tabela Periódica: Em 1869 Mendeleyev percebeu uma ordem entre os elementos químicos de acordo com as suas massas atômicas, tratava-se de uma ordem crescente, estabelecida pela natureza, assim os 63 elementos conhecidos foram agrupados de acordo com a semelhança entre as suas propriedades (TOLENTINO, et al., 1997). Foi criada então a tabela periódica. Em 1906, Mendeleyev recebeu o prêmio Nobel por esse trabalho. 1. Metais: são sólidos, exceto o mercúrio, bons condutores de energia, eletricidade ou calor, apresentam alta ductilidade e maleabilidade e possuem brilho metálico particularmente 2. Ametais: embora os metais sejam a maioria dos elementos da tabela, os ametais são os que estão em maior quantidade na natureza, suas propriedades são contrárias as dos metais, não são bons condutores de energia, apresentam baixa maleabilidade e ductilidade e não possuem brilho que os caracterizem. 3. Gases nobres: a principal característica desses elementos é serem encontradoslivres na natureza e possuírem estabilidade eletrônica, com 8 elétrons sua última camada eletrônica (último nível de energia). São no total 6 elementos, Hélio (He), Neônio (Ne), Argônio (Ar), Criptônio (Kr), Xenônio (Xe) e Radônio (Rn). 4. Hidrogênio: possui um comportamento químico único, por isso não se enquadra em nenhuma das A tabela periódica é organizada em períodos e grupos (ou famílias). Os períodos indicam a quantidade de níveis de energia que um elemento químico possui, são dispostos em linhas horizontais, observe a Figura 1.4 (TOLENTINO, Figura 1.4 – Períodos da tabela periódica. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2018. Os grupos ou famílias são as colunas (Figura 1.5), indicam o número de elétrons da última camada eletrônica (TOLENTINO, ., 1997). O Boro, por exemplo, localiza- se na coluna 3ª, logo a sua última camada eletrônica apresenta 3 elétrons. As séries dos lantanídeos e os actinídeos posicionam- se fora da tabela, no sexto e sétimo período, respectivamente. 11 Química Geral e Experimental 10 Figura 1.5 – Grupos da tabela periódica. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2018. Os grupos apresentam a notação característica de suas propriedades, além da nomenclatura apresentada, assim o Grupo 1 (Família 1A) é dos metais alcalinos, o Grupo 2 (Família 2 A) é dos metais alcalino-terrosos, o Grupo 3 à 12 (Família B) é dos metais de transição, o Grupo 13 (Família 3A) é da família do Boro, o Grupo 14 (Família 4A) é da família do carbono, o Grupo 15 (Família 5A) é da família do nitrogênio, o Grupo 16 (Família 6A) é dos calcogênios, o Grupo 17 (Família 7A) é dos halogênios, e o Grupo 18 (Família 0 ou 8A) é dos gases nobres. A distribuição dos elétrons é auxiliada pelo diagrama de Linus Pauling, representado na Figura 1.6, formado por sete níveis e quatro subníveis (s,p,d,f) (FELTRE, 2005). Conforme a distribuição, a ordem indicada pelas setas varia do nível de menor energia ao nível de maior energia (de 1s à 5f,6d,7p). Figura 1.6 – Diagrama de Linus Pauling. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2018. Assim, determinando uma quantidade de elétrons, 1.6. A quantidade de camadas eletrônicas abrangidas pela distribuição é a quantidade de níveis de energia que o átomo apresenta. Como visualiza-se na Figura 1.7, os subníveis podem ser associados a tabela periódica. Figura 1.7 – Subníveis de energia dos elementos químicos. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2018. Logo, dentre outras informações, o subnível de maior energia pode ser retirado da tabela, e a distribuição é facilitada pelo conhecimento da quantidade de elétrons na camada de valência do elemento. Exemplo – distribuição eletrônica do rubídio: Conforme o diagrama de Linus Pauling na Figura 1.6, realize a distribuição eletrônica do rubídio, de número atômico . Solução Observe as indicações direcionais presentes na Figura 1.6 para a transição entre níveis e subníveis de energia. Com isso, desenvolve-se: Na camada de valência do rubídio há elétron e corresponde ao quinto nível de energia. Exemplo – distribuição eletrônica do cálcio: Repita o procedimento anterior para a distribuição eletrônica do cálcio, de número atômico . Solução Realizando o mesmo procedimento do exemplo anterior, obtém-se: Assim, a camada de valência do cálcio corresponde ao quarto nível de energia, com elétrons. Propriedades Periódicas: As propriedades variam de acordo com a posição do elemento na tabela periódica. Os elementos são ordenados por ordem crescente de número atômico. Trata-se de uma enunciação da lei de Moseleyev, segundo a qual as propriedades físicas e químicas dos elementos variam de forma periódica conforme a ordem de seus números atômicos. As principais propriedades periódicas são o raio atômico, volume atômico, eletropositividade (BRADY , 2011). O raio atômico é um parâmetro para o tamanho dos átomos, na vertical aumenta de cima para baixo na tabela periódica, e na horizontal aumenta da direita para a esquerda. Calculado por: Onde é o raio atômico em (picômetros) ou é o –12 e é a distância internuclear também em . O volume atômico corresponde ao volume ocupado por 1 do respectivo elemento químico no estado sólido, onde 1 = 6,02 x 1023 átomos. Na tabela periódica, na direção vertical, os valores aumentam de cima para baixo, e na horizontal, aumentam do centro para as extremidades. Seu cálculo é feito pela relação: 12 11 Onde é o volume atômico, m é a massa dos átomos em 1 e absoluta, é a relação entre a massa de uma substância e o volume ocupado pela mesma. Na tabela periódica, no sentido na direção horizontal, aumenta das extremidades ao centro. Obtida pela relação: Onde é o volume ocupado pela mesma. O ponto de fusão (PF) é a temperatura na qual o elemento ou composto entra em fusão, ou seja, a matéria passa do estado sólido para o estado líquido. Na tabela periódica, na direção vertical e no lado esquerdo, o PF aumenta de baixo para cima, na direção vertical e no lado direito, o PF aumenta de cima para baixo, e na direção horizontal os valores aumentam das extremidades para o centro. Para o ponto de ebulição (PE), os sentidos de aumento na tabela periódica ocorrem da mesma forma, porém, corresponde a temperatura na qual o elemento se transforma do estado líquido para o estado gasoso. A energia de ionização (ou potencial de ionização) é a energia mínima necessária para retirar um elétron de um átomo com carga neutra, isto é, no estado fundamental. Com isso, o átomo neutro se torna um cátion. Na tabela periódica, na direção horizontal, a energia de ionização aumenta da esquerda para a direita, e na direção vertical aumenta de baixo para cima. O Flúor (F) e o Cloro (Cl) possuem a maior energia de ionização. da energia necessária para que um elétron seja recebido por um átomo, então trata-se da energia mínima envolvida na retirada de um elétron pelo ânion. Na tabela periódica, na direção horizontal, os valores crescem da esquerda para a direita, e na direção vertical aumentam de baixo para cima. A A eletronegatividade é a tendência que os elementos possuem em receber elétrons. Ocorre nas ligações covalentes (assunto pertencente a Aula 2), trata-se da propriedade periódica mais importante. Na tabela periódica, na direção vertical, aumenta de baixo para cima, e na direção horizontal aumenta da esquerda para a direita. Logo, analisando a tabela periódica, percebemos que o elemento mais eletronegativo é E a eletropositividade é a tendência que os átomos dos elementos possuem em perder elétrons, tornando um cátion. Na tabela periódica, na direção vertical, os valores aumentam de cima para baixo, e na direção horizontal aumentam da direita para a esquerda. Como será estudado na Aula 2, os metais apresentam maior tendência em perder elétrons, e com isso possuem maior propensão a oxidação, são os elementos com maior eletropositividade. O valor máximo apresentado pelo Frâncio (Fr). Exemplo – raio atômico: Estabeleça uma ordem crescente de raio atômico para os elementos (sódio), Rb (rubídio), K (potássio) e (césio). Solução Na tabela periódica, as linhas horizontais são os períodos e as linhas verticais ou colunas são as famílias. Todos os elementos (sódio), Rb (rubídio), K (potássio) e (césio) estão na primeira família (1A). E os períodos são III, V, IV e VI, respectivamente. Veja então que todos os elementos pertencem a uma mesma família, apenas precisará ser avaliado os diferentes períodos para caracterizar os raios atômicos, quanto maior o período maior o raio atômico, sendo crescente tem-se: Acima, a ordem crescente é expressa pelos símbolos de desigualdade. Exemplo – cálculo do volume atômico:Determine o volume atômico de (sódio), considerando que 1 igual a 23 g para o sódio, com densidade de 0,97 g/ cm3. Solução O volume atômico corresponde a razão entre a massa de 1 , 23,0 g Portanto, o volume atômico do sódio é de 23,71 cm3. 4 - Propriedades da matéria Um conceito geral de matéria e frequentemente utilizado é que se trata de tudo o que possui massa e ocupa lugar no espaço. Fundamentalmente, em termos práticos é o que possui existência física real, é a essência na qual fundamenta- se a ciência. permitem diferenciar uma matéria da outra, sendo estas divididas em físicas, químicas e organolépticas. Assim, as de modo particular, e pode-se dizer que as propriedades gerais caracterizam os materiais de um modo genérico. Temos assim a massa, inércia, peso, elasticidade, compressibilidade, extensão, divisibilidade e a impenetrabilidade como as propriedades gerais, e o ponto de fusão e de ebulição, propriedades magnéticas, maleabilidade, ductilidade, dureza 2005; MAHAN, 1995). Matéria, Massa, Inércia e Peso: Como expresso anteriormente de forma breve, a massa é 13 Química Geral e Experimental 12 a quantidade de matéria em um corpo, a inércia é a resistência do objeto a variação de seu estado de movimento ou repouso quando solicitado por esforços, e o peso é uma propriedade relacionada a massa de um objeto, assim é a força gravitacional que o atrai para o centro da Terra. Por exemplo, um balde cheio de chumbo tem mais matéria do que um balde cheio de água, isso porque o balde cheio de chumbo tem mais massa que o balde cheio de água. A inércia e a massa de um objeto estão diretamente relacionadas, por exemplo, se chutar um balde cheio de chumbo, e aplicar o mesmo chute no balde vazio, pois como sabemos conceitualmente, a inércia do balde cheio de chumbo é muito maior, logo sua resistência a alteração do estado de movimento também será, isso porque há mais matéria no mesmo (RUSSELL; SANIOTO, 1982; DOS SANTOS; DOMENECH, 2004). A inercia é basicamente a enunciação da primeira lei de Newton: um objeto em movimento tende a continuar em movimento com a mesma velocidade e direção e um objeto em repouso tende a continuar em repouso. A comparação entre essas massas é chamada erroneamente de “pesagem” e é feita com o auxílio de balança, contudo, o objeto de comparação é oculto em seu interior (RADÉ; DOS SANTOS, 2005). O peso de um objeto tem como variáveis a sua massa, a massa da Terra e a distância entre o centro de massa do objeto e da Terra, quanto menos distante do centro de massa da Terra, maior será o seu peso. Desse modo, um mesmo objeto possui menor peso na linha do equador do que nos polos norte ou sul, pois nesses locais a Terra possui uma forma mais achatada, o que diminui a distância entre os centros de massa. E de forma análoga, quanto mais alto um objeto está em relação ao nível do solo, menor o seu peso (RUSSELL; SANIOTO, 1982; RADÉ; DOS SANTOS, 2005). Substâncias puras e misturas: Como sabemos os átomos apenas possuem um tipo de elemento, porém, as moléculas podem ser constituídas por mais de um tipo de átomo. Nesse último caso, tem-se uma substância composta por mais de um elemento juntos, e dessa forma a substância é uma mistura. Se os átomos forem de apenas um elemento, a substância é chamada de pura. As misturas formam soluções chamadas de homogêneas ou heterogêneas. Desse modo, como o próprio termo indica, as água, o sal e o oxigênio. E a mistura consiste em duas ou mais Com isso, tem-se que a caracterização das substâncias pode demonstrar-se mais complexa do que aparentemente seria em casos mais simples como a mistura de água e sal. Por isso, nesse caso, realiza-se uma análise microscópica, por exemplo. As propriedades como o ponto de congelamento e o ponto de ebulição são alteradas conforme a composição, assim na mistura de água e sal, essas propriedades serão variadas conforme a quantidade de água e de sal. Ao adicionar sal, por exemplo, o ponto de congelamento da mistura é diminuído. Exemplos análogos de misturas são o concreto, a madeira e o óleo de motor, por exemplo. Soluções: Homogêneas e Heterogêneas, e Tipos de Soluções: As soluções são constituídas pelo soluto, trata-se da substância dissolvida, em menor quantidade, e pelo solvente que dissolve o soluto e consta em maior quantidade. Para a mistura de água e sal, o sal é o soluto e a água é o solvente. Como a água é capaz de dissolver muitas substâncias, é chamada de solvente universal. No caso de a mistura possuir igual quantidade de soluto e solvente, a determinação de qual dos componentes é soluto ou solvente irá depender (ATKINS; JONES, 2012). As fases são regiões distinguíveis de uma solução onde as propriedades são as mesmas, podem ser sólidas, líquidas ou gasosas. Na mistura de água e óleo, pode-se averiguar duas fases, uma de óleo e outra de água. Contudo, na mistura fase, logo a mistura é denominada monofásica. Como os gases se misturam, estes somente são considerados misturas monofásicas (BRADY et al., 2011). As misturas são homogêneas ou heterogêneas. No primeiro caso há apenas uma fase, como a gasolina, o vinagre, entre diversas outras misturas comuns ou não no cotidiano. As soluções podem ser sólidas, líquidas ou gasosas, se tratam de misturas homogêneas. A composição de uma solução pode ser separada por meio de processos físicos. Mas a separação dos compostos exige o uso de reações químicas, esta situação apenas envolve transformações físicas, enquanto substâncias compostas advém de outras substâncias reagindo quimicamente. As propriedades de uma solução e de uma substância pura são variáveis, por exemplo, o ponto de ebulição da água pura é diferente do ponto de ebulição da água salgada em que aumenta gradualmente, quanto maior a quantidade de soluto, maior é o ponto de ebulição. As concentrações dos componentes no processo de mudança de estado também podem ser avaliadas, pois no caso da água salgada em ebulição, a evaporação da água propicia um aumento da concentração de sal. De acordo com o exposto em Prolab (2014), os tipos de soluções químicas são: 1. Solução química sólida: é formada por solvente e sólido, uma das soluções desse tipo mais comuns no cotidiano são as ligas metálicas, como o bronze, originado pela mistura do cobre e estanho; 2. Soluções químicas líquidas: o solvente é líquido e o soluto é sólido, líquido ou gasoso. A solução sólido- líquido é obtida quando se combina um sólido e um líquido, como na mistura entre água e sal. Na solução líquido-líquido tanto o soluto como o solvente são líquidos, como a solução aquosa de peróxido de hidrogênio, conhecida como água oxigenada. E a solução gás-líquido contém o soluto em gás e o solvente em líquido, um exemplo comum são os refrigerantes; 3. Solução química molecular: solutos moleculares misturados na água, gerando outro tipo de solução não condutora de eletricidade, como por exemplo, a 14 13 água com açúcar; 4. Solução química gasosa: é a mistura de gases, como o oxigênio, nitrogênio e entre outros gases que formam o ar; 5. Soluções químicas iônicas: são soluções boas condutoras de eletricidade, como o cloreto de hidrogênio na água (devido a reações entre os solutos moleculares e a água) e solutos iônicos na água. Retomando a aula 1 - Qual a importância da química na Engenharia Ambiental/Sanitária? Então, sabendo que o engenheiro Ambiental/Sanitária percebe-se que a importância da química na área é grande devido à abrangência de áreas que o engenheiro Ambiental/Sanitária pode atuar. Onde, obviamente resolver problemas relacionados ao setor envolve o conhecimento de determinados tópicos da química. O mesmo ocorre, por exemplo, em indústrias farmoquímicas, indústrias de fermentação, alimentos e de derivados químicos da madeira. 2 - Teoria atômica Aprendemos que a história da teoria atômica teve início pensou na existência de minúsculas partículas indivisíveis eeternas. Durante 1803 e 1807, o químico John Dalton formulou a teoria em que o átomo era uma esfera maciça. Em 1850 William Crookes constatou a existência de partículas menores que os átomos. Em 1887, J.J. Thomson provou a existência de cargas negativas. Em 1908, Robert Millikan determinou o valor da carga fundamental como – 1,6 x 10–19 C. Ainda em 1904, Thomson propôs o modelo sendo uma esfera com carga positiva e contendo movimento circular dos elétrons. Rutherford sugeriu o modelo com base em todo o sistema planetário. Então, Niels Bohr corrigiu esta teoria mencionando que os elétrons se moviam em diferentes órbitas em torno do núcleo. Com a descoberta dos prótons e nêutrons, obteve-se a teoria atômica onde os prótons e nêutrons concentram quase toda a massa do átomo e formam o núcleo. 3 – Elementos químicos Em 1869, Mendeleyev descobriu uma ordem crescente entre os elementos químicos com base em suas massas atômicas, os agrupando com base em propriedades semelhantes. Assim foi criada a tabela periódica. A organização da tabela é realizada por períodos (linhas horizontais) e grupos ou famílias (as colunas). A distribuição dos elétrons nos sete níveis de energia pode ser realizada pelo diagrama de Linus Pauling, onde há 4 subníveis de energia. A quantidade de camadas eletrônicas, o último subnível e a quantidade de elétrons na camada de valência são algumas das informações que podem ser obtidas pela tabela periódica. Quanto às propriedades periódicas, tem-se o raio atômico; o volume atômico, correspondendo o volume ocupado por 1 ; a a eletropositividade. 4 – Propriedades da matéria Vimos que em termos gerais, a matéria é a existência física real. As propriedades da matéria podem ser gerais ou inércia, peso, elasticidade, compressibilidade, extensão, divisibilidade, impenetrabilidade, ponto de fusão, ponde maleabilidade, ductilidade, dureza e tenacidade. Como sabemos, as substâncias puras apresentam apenas um elemento em sua composição, enquanto que as misturas apresentam mais de um elemento juntos. Estudamos, por e existem diferentes tipos: solução química sólida; soluções químicas líquidas, subdividindo-se em solução sólido-líquido, líquido-líquido e gás-líquido; solução química molecular; solução química gasosa; e soluções químicas iônicas. Disponível em: . pena acessar Disponível em: . Disponível em: . Disponível em: . Disponível em: . pena assistir Vale a pena 15