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7
1ºAula
Educação de Jovens e Adultos: 
conceito histórico
Vamos refletir sobre a história da educação em 
que gerou em sua modalidade de ensino a Educação 
para Jovens e Adultos – EJA?
Se ao final desta aula tiverem dúvidas, vocês 
poderão saná-las através das ferramentas “fórum” 
ou “quadro de avisos” e “chat” conforme 
programado na ferramenta Agenda.
Comecemos, então, analisando os objetivos 
de aprendizagem e verificando as seções que serão 
apresentadas ao longo desta aula.
Bons estudos!
109
Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos
8
Objetivos de aprendizagem
1 - Conceito Histórico de Educação: suas 
origens e reflexões
2 - Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova
3 – Educação de Jovens e Adultos na perspectiva 
de Paulo Freire
Ao término desta aula, vocês serão capazes de:
 desenvolver estudos teóricos e práticos nas 
diversas abordagens da educação de jovens e adultos, 
com vistas a respeitar e valorizar a diversidade desse 
grupo de educandos;
 perceber que a EJA é uma modalidade de 
ensino devendo ser garantida como políticas públicas 
de instrumento para a cidadania e de contribuição 
para a redução das desigualdades sociais no âmbito 
educacional;
 analisar o histórico da EJA em um contexto 
geral, podendo assim, fazer uma co-relação entre as 
diferentes realidades e abordagens de ensino.
Seções de estudo
Conforme Dicionário Brasileiro Globo, educação referente 
ato de educar; conjunto de normas pedagógicas aplicadas ao 
desenvolvimento geral do corpo e do espírito; polidez; cortesia.
1 – Conceito histórico de educação: 
Vamos recordar o que significa educação?
Partindo da reflexão referente ao conceito de 
educação, podemos recordar sobre os primeiros 
escritos feitos na natureza.
O modo como organizamos a nossa 
sobrevivência, como nos comportamos e pensamos, 
tem muitas ligações com a história de vida do homem 
do passado. Assim, quando estudamos o passado 
histórico, não o fazemos apenas para conhecê-
lo, mas também para descobrir os caminhos que 
foram trilhados pelos homens na construção do 
desenvolvimento da humanidade.
Segundo Dantas (1985), o homem realizava 
dura luta pela sobrevivência na Terra, utilizando a 
Natureza como fonte de trabalho ou produção para 
adquirir os produtos que necessita para sobreviver. É 
por meio da Natureza que realiza a caça de animais 
e a coleta de produtos vegetais; utiliza o solo para 
produção agrícola; extrai mineral da Natureza e com 
eles fabrica seus instrumentos de trabalho; utiliza a 
água dos rios, lagos e mares, para a pesca, transporte, 
irrigação de terras e produção de eletricidade; enfim, 
é assim que a Natureza constitui-se para o homem, 
como fonte de recursos naturais e de vida.
O desenvolvimento cultural do homem, desde 
os povos primitivos, está ligado à produção de sua 
própria existência, pois diante de tantas dificuldades 
que encontrava naquela época para sobreviver, e não 
encontrando a caça, acabava pintando nas cavernas 
os animais que desejava caçar, e esta arte ficou 
conhecida como arte rupestre.
Fonte: .
O homem se distingue fundamentalmente 
do animal pelo trabalho, pois, o trabalho é a ação 
transformadora, dirigida por finalidade consciente, 
a partir da qual o homem produz sua própria 
existência, tendo em vista suas necessidades, na 
qual esta ação transformadora não é solitária, mas 
social, de maneira que os homens se relacionam para 
produzirem a própria existência. Conforme afirma 
Aranha (1989, p. 12), “[...] o homem reconstrói a 
história a partir do seu presente, e cada novo fato o 
faz reinterpretar a experiência vivida”.
Nessa citação, a autora argumenta 
também que o surgimento da escrita 
foi um fator importante na evolução 
do homem, enquanto ser social, pois 
desde 3500 a.C. os egípcios já faziam 
inscrições em hieróglifos. Essa 
escrita denomina-se de pictográfica, 
ou seja, representa figuras e não sons 
Termo que 
literalmente 
signi ca escrita 
sagrada”
110
9
Você sabia?
interesse em política.
como a nossa escrita fonética, composta por cerca 
de 600 sinais, e de tão difícil escrita é conhecida e 
utilizada pelos escribas. Além das inscrições nas 
pedras de túmulos e monumentos, os egípcios 
usam madeira e papiro para o registro das atas 
administrativas, da justiça, bem como do comércio, 
com importantes anotações contábeis. 
Mais tarde, por volta de 1500 a.C. os fenícios 
inventam o alfabeto, no qual são criados 22 sinais 
que representam sons diferentes e, reunidos, 
permitem as mais diferentes combinações, o que 
torna mais prático o uso e a aprendizagem da 
escrita. Com a invenção do alfabeto os negociantes 
fenícios facilitam seus registros e leituras necessárias 
às transações comerciais, se destacando como bons 
navegadores e excelentes comerciantes.
Assim, o fenômeno educacional está inserido 
dentro de um contexto social, econômico e 
político no qual quem tem o poder e/ou domínio 
é a classe dominante e, mesmo que a escola tente 
planejar e seguir seus próprios princípios educativos, 
desarticulados dos objetivos e finalidades impostos 
por esta sociedade dominante, não conseguirá 
manter-se em funcionamento por muito tempo, pois 
quem está no poder não aceita ser contrariado, muito 
menos questionado ou que as pessoas comecem a 
refletir sobre a situação atual. Então, para não perder 
o poder e nem para ser “fechada” a escola ou o 
fenômeno educacional necessita expor que não é 
neutro e nem apolítico.
Mas a educação, por si só, já é um ato político, 
no qual pessoas (comunidade escolar) professores 
e alunos se reúnem para dialogar, refletir, socializar 
conhecimento, aprender, ensinar, dentre outras 
funções, buscando assim, uma transformação 
cotidiana com vistas à sociedade mais justa, igualitária 
e humana.
Conforme argumenta Gadotti (2001): 
Pela educação, queremos mudar o mundo, 
a começar pela sala de aula, pois as 
grandes transformações não se dão apenas 
como resultantes dos grandes gestos, 
mas de iniciativas cotidianas, simples e 
persistentes. (GADOTTI, 2001, p. 65).
Boa parte das reflexões sobre a função social da 
escola no Brasil foi canalizada em torno do debate 
acerca das tendências pedagógicas, porque a escola 
tinha o papel de apenas cumprir uma clássica função 
da transmissão da cultura e do saber sistematizado, 
preparar o intelectual e moral do aluno para assumir 
sua posição na sociedade.
Gilberto Freyre (1993) em Casa Grande & Senzala, 
escritor pernambucano, morador de Apipucos, 
no Recife, descendente de senhores de engenho e 
conhecedor dos casarões, destaca as características 
presentes naquela época, na qual os senhores da casa-
grande tinham o poder, condições sociais, políticas 
e econômicas favoráveis, com grandes luxos, os 
homens não trabalhavam, mas somente executavam 
ordens aos negros escravos. As mulheres eram 
prendadas com os afazeres pequenos de bordados, 
tricô e outros, sua fecundidade era somente para 
gerar o herdeiro do poder, os filhos dos senhores da 
casa-grande tinham oportunidades de estudos como 
sendo privilegiados, e também podiam estudar nas 
cidades grandes para serem “doutores” formados.
Fonte: https://www.google.com.br/
imghp?hl=pt-BR&tab=wi
Fonte: http://www.multirio.rj.gov.
br/historia/modulo02/vida_corte.
html#f2014_amp.html
Fonte: http://www.multirio.
rj.gov.br/historia/modulo01/
eng_colonial.html
Pelas imagens mencionadas anteriormente, é 
possível verificar que, para os negros escravos ficava 
a mão de obra pesada nos engenhos e as mulheres 
também precisavam se dispor aos serviços domésticos 
nas casas-grandes para as mulheres dos senhores, 
como também de serem reprodutoras para o aumento 
do rebanho humano da senzala. Seus filhos aprendiam 
mediante convivência entre os negros da senzala, 
principalmente a trabalhar desde cedo. A cultura afro-
111
Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos
10
brasileira era forte e marcante: sua linguagem, seu modo 
de vida, seu canto, música e dança tornavam a casa-
grande mais alegre,e na religião conviviam a cultura 
do senhor e a do negro. Hoje, essas características 
estão presentes na cultura brasileira, de maneira que 
o negro e os pobres de certa forma ainda mantém sua 
cultura, seus costumes, dança e música afro-brasileira, 
enquanto que os senhores da casa-grande se mantêm 
numa mistura de culturas, aproveitando-se também da 
mão de obra “ainda escrava” e barata dos negros e/ou 
menos favorecidos.
Era necessário o conhecimento da mão de obra 
escrava (na agricultura e nos engenhos), benéfico 
para os senhores feudais. A escola, neste contexto 
era de interesse dos senhores da casa-grande, 
no qual seus filhos tinham maiores condições 
financeiras, privilégios e oportunidades de estudos e 
se encaminhavam para a Europa a fim de completar 
seus estudos, principalmente na Universidade de 
Coimbra, de onde deveriam voltar doutores. 
A educação no texto Casa Grande e Senzala retrata 
os ensinamentos transmitidos a todos: brancos e índios, 
pela Companhia de Jesus. Os primeiros educadores 
foram os padres jesuítas. A partir do momento em que 
chegaram ao Brasil (em 1549, com o governador Tomé 
de Sousa), fundaram numerosas escolas elementares, nas 
quais ensinavam tanto brancos como índios, a leitura, 
escrita, aritmética e música. Como praticamente não havia 
livros, os mestres copiavam as lições para seus alunos. A 
educação média e a educação superior sacerdotal eram 
ministradas somente para os homens da classe dominante 
e toda família de prestígio tinha um filho sacerdotal.
Além das escolas elementares (correspondente 
ao atual nível primário), os jesuítas fundaram 
vários colégios no Brasil. Todavia, tais colégios 
correspondiam apenas ao nível secundário, não 
chegando a proporcionar ao aluno o ensino superior. 
Desta forma, como o governo português jamais 
instalou uma universidade no Brasil, os estudantes 
que quisessem formar-se em Medicina ou Direito, 
por exemplo, precisavam se deslocar para a Europa.
OBSERVE QUE INTERESSANTE!
as suas colônias, onde se pode perceber a crítica feita por 
Essa medida provocou a decadência do ensino 
no Brasil, pois os jesuítas eram praticamente os 
únicos preceptores existentes naquela época. A 
educação ficou praticamente estagnada no período 
de 1759 a 1808. Para remediar o acontecido, as 
autoridades coloniais começaram a criar novas 
escolas, entregando também as escolas antigas 
para outros professores. Surgindo assim, as escolas 
tradicionais, marcada pela ausência de recursos 
materiais e, principalmente, pela escassez de 
professores que pudessem assumir as atividades de 
ensino que possibilitava um expressivo impulso no 
sentido de expandir os serviços educacionais.
Porém, partindo dessas limitações, o movimento 
escolanovismo criou um ambiente educacional muito 
mais rico, contribuindo para o incentivo à pesquisa 
educacional, a diversificação dos recursos didáticos, 
bem como a massificação da discussão das técnicas 
de ensino, a difusão da literatura pedagógica, dentre 
outras melhorias no sistema educacional.
A educação no Brasil passou por momentos de 
desenvolvimento e de conflitos até chegar aos dias 
atuais, com modelos propostos por pensadores, 
no qual buscava em sua meta principal uma escola 
modelo, de instituição que realmente formassem 
profissionais capacitados para atuar num mercado 
de trabalho cada vez mais exigente e competitivo.
Surgem, então, as 
escolas municipais que 
substituem o latim pelos 
idiomas nacionais e 
ressaltam a importância 
da aritmética e da 
geometria. São criadas 
as universidades, mas seu controle fica sob a tutela 
da Igreja e dos Reis, os burgueses mais uma vez 
conquistam vantagens antes permitidas somente ao 
clero e a nobreza.
Com a expansão da indústria e do comércio, 
vários navios foram em direção a continentes 
desconhecidos e os jesuítas se expandiram por meio 
das costas brasileiras trazendo a moral, os costumes, 
a religiosidade europeia e os métodos pedagógicos 
que se firmaram por cerca de 210 anos.
Marquês de Pombal pensava em reerguer 
Portugal da decadência que se encontrava diante 
de outras potências europeias, e os jesuítas 
preocupavam-se com o proselitismo e o noviciado 
(catequese religiosa) da colônia por causa de 
interesses conflitantes. Com isso, Pombal decide 
Fonte: .
112
11
expulsar os jesuítas, deixando a educação do Brasil 
numa grande desordem.
Somente em 1808, com a vinda da Família Real 
para o Brasil, que surge o interesse de se criar escolas 
médicas na Bahia e no Rio de Janeiro. Sendo que na 
Europa o iluminismo e a Revolução Francesa, por 
iniciativa de D. João VI, ganhavam força.
A educação escolar, nesta época, estava inserida 
num contexto social, político, econômico e cultural 
pós-guerra, no qual quem dominava grande parte da 
sociedade ainda eram os senhores de engenho (mão 
de obra escrava / mão de obra barata), justificando-
se a existência de uma educação tradicionalista na 
qual o saber estava centralizado somente na elite, e 
grande parte dos brasileiros e escravos estrangeiros, 
que tinham acesso à educação tinham o professor 
como sendo o “dono do saber”. Suas informações 
teriam que ser acatadas sem indagações, pois não 
podia haver nenhum tipo de diálogo entre professor 
e aluno.
Os moldes didáticos propostos por Comenius (ensinar tudo 
a todos) citado por Almeida (2006), foram revolucionários 
onde direcionava a educação para um número maior de 
crianças na escola, tendo ainda um único professor para 
ensinar todos os conteúdos. 
Mas a rigidez das salas de aulas e sua organização 
sistemática voltadas apenas para uma concepção 
tradicional da educação fizeram com que surgissem 
novas ideias pedagógicas, criadas em 1924 pela 
Associação Brasileira de Educação, na qual com o 
manifesto dos pioneiros, Fernando de Azevedo, 
Anísio Teixeira e Lourenço Filho entre outros, 
defendiam: a democracia, liberalismo e qualidade. 
E, criticavam também a educação tradicional, se 
opondo ao humanismo religioso e científico e a 
substituição do modelo tradicional (transmissão - 
assimilação).
2
Educação Nova
Vejam...
O “Manifesto dos Pioneiros da Educação 
Nova” redigido por Fernando de Azevedo e 
assinado por vinte e seis intelectuais em 1932, 
consolidava a visão de um segmento da elite 
intelectual que, embora com diferentes posições 
ideológicas, vislumbra a possibilidade de interferir na 
organização da sociedade brasileira do ponto de vista 
da educação. Ao ser lançado, em meio ao processo 
de reordenação política resultante da Revolução de 
30, o documento se tornou o marco inaugural do 
projeto de renovação educacional do país, pois além 
de constatar a desorganização do aparelho escolar, 
propunha que o Estado organizasse um plano geral 
de educação e também defendia a existência de uma 
escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita. A 
escola integral e única proposta pelo Manifesto, era 
defendida em oposição à escola existente, chamada 
de tradicional (transmissão - assimilação).
A educação nova assume uma característica 
mais humana, como função social, preparando-
se para formar a hierarquia democrática pela 
hierarquia das capacidades, que tem por objetivo o 
desenvolvimento natural e integral do ser humano 
em cada uma das etapas de seu crescimento. Desta 
forma, os educadores se propuseram a um programa 
de política educacional amplo e integrador da 
organização do ensino e dos sistemas escolares.
Seus princípios eram voltados para um novo 
homem e uma nova escola, baseados filosoficamente 
no humanismo moderno, centrado no sujeito que 
aprende, valorizando as características individuais de 
cada aluno, no qual o professor é um auxiliar essencial 
do desenvolvimento livre e espontâneo da criança.
A sociedade ainda estava sofrendo as 
consequências da Segunda Guerra Mundial e neste 
momento histórico é imposto um regime ditatorial 
por Getúlio Vargas, então os debates educacionais que 
persistiram até 1945, são paralisados e os educadores 
se condicionam asdiferentes posições políticas. 
Com o processo de redemocratização do 
Estado brasileiro, após 1945, a educação de adultos 
passou a ganhar vantagens dentro da preocupação 
geral com a universalização da educação elementar, 
pois foi nesse período que conseguiu definir sua 
identidade como forma de campanha nacional de 
massa. Esta Campanha de Educação de Adultos 
lançada em 1947 alimentou a reflexão e o debate 
em torno do analfabetismo no Brasil. Nesta ocasião, 
o analfabetismo era visto como causa e não efeito 
da situação econômica, social e cultural do país e, 
essa concepção validava a visão do adulto analfabeto 
como incapaz e marginal, sendo identificado 
psicológica e socialmente como criança.
113
Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos
12
Várias críticas à Campanha de Educação de 
Adultos começaram a serem feitas no final da década 
de 1950, quanto às deficiências administrativas e 
financeiras referente à orientação pedagógica desta 
campanha. Criticavam a metodologia inadequada 
que era aplicada para a população adulta, como 
também o aprendizado leviano adquirido no curto 
período de alfabetização.
3 - Educação de Jovens e Adultos na 
O pensamento 
pedagógico de Paulo Freire, 
assim como suas propostas 
para a alfabetização 
de adultos, inspirou os 
principais programas de 
alfabetização e educação 
popular que se realizaram 
no país no início dos anos 
1960. Esses programas 
foram empreendidos por 
intelectuais, estudantes e religiosos engajados numa 
ação política junto aos grupos populares. Em 
janeiro de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de 
Alfabetização, que previa a disseminação por todo 
Brasil de programas de alfabetização orientados pela 
proposta de Paulo Freire.
Com o golpe militar de 1964, os programas 
de alfabetização e educação popular que se 
haviam expandido no período entre 1961 e 1964, 
foram considerados como uma grave ameaça 
para a sociedade e acabaram sendo reprimidos. 
O governo passou então a permitir somente a 
realização de programas de alfabetização de adultos 
assistencialistas e conservadores, até que em 1967, ele 
mesmo assumiu o controle dessa atividade lançando 
o Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização.
Este movimento era a resposta do regime 
militar para grave situação do analfabetismo no 
país, constituindo-se como organização autônoma 
em relação ao Ministério da Educação. Em 1969, 
foram criadas grandes campanhas em benefício 
a alfabetização, sendo instaladas Comissões 
Municipais, que se responsabilizavam pela execução 
das atividades, mas a orientação e supervisão 
pedagógica ainda eram centralizadas.
Fonte: .
Durante a década de 1970, o Mobral expandiu-
se por todo o território nacional, diversificando sua 
atuação. Sendo que, paralelamente a este movimento, 
grupos dedicados à educação popular continuaram 
a realizar experiências pequenas e isoladas de 
alfabetização de adultos com propostas mais críticas, 
desenvolvendo os métodos de Paulo Freire.
Já na década de 1980, essas pequenas experiências 
foram se ampliando, construindo canais de troca de 
experiência, reflexão e articulação. Desacreditados 
nos meios políticos e educacionais, o Mobral foi 
extinto em 1985 e em seu lugar foi criado a Fundação 
Educar, passando a apoiar diretamente as iniciativas 
do governo, entidades civis e empresas conveniadas, 
referente às questões financeiras e tecnológicas. 
Nesse período de reconstrução democrática, muitas 
experiências de alfabetização obtiveram consistência, 
desenvolvendo os pressupostos de alfabetização 
conscientizadora criado por Paulo Freire. 
Com o fim do Regime Militar e com a eleição 
indireta de Tancredo Neves, as questões educacionais 
já tinham perdido seu sentido pedagógico e assumido 
um caráter político. Profissionais como sociólogos, 
filósofos entre outros, assumiram postos na área da 
educação e começaram a concretizar seus discursos.
Em 1990, a Fundação Educar foi extinta, e o 
governo federal foi a principal instância de apoio 
e articulação das iniciativas de Educação de Jovens 
e Adultos. A Educação de Jovens e Adultos chega 
nesta década de 1990, reclamando a consolidação de 
reformulações pedagógicas que vêm se mostrando 
necessárias em todo o processo de ensino. Esta 
situação ressalta o grande desafio pedagógico que 
este segmento social (educação de jovens e adultos) 
vem sofrendo por meio das esferas socioeconômica 
e educacional, de garantir o acesso dos educandos 
numa cultura letrada, possibilitando também uma 
participação mais ativa no mundo do trabalho, da 
política e da cultura.
O projeto de Lei da Nova LDB (Lei de 
Diretrizes e Bases) é aprovado em 1996, com a Lei 
nº. 9394/96, e inúmeros projetos são executados na 
área educacional, tais como:
 Programa de Avaliação Institucional – PAI;
 Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM;
 Exame Nacional de Cursos – ENC (atualmente 
denominado de ENADE Exame Nacional de 
Desempenho do Estudante).
114
13
Isto posto, podemos analisar diante deste 
contexto histórico (político, educacional, econômico 
e social) que o perfil necessário para o professor hoje 
se refere a um docente qualificado teoricamente, mas 
que tenha uma prática reflexiva sobre sua própria 
ação pedagógica. Que seja capaz de ministrar aulas 
teoricamente e que saiba desenvolver suas aulas de 
forma dinâmica e prazerosa para os alunos, ou seja, 
é necessário que o docente saiba dirigir situações 
de aprendizagem a partir da realidade vivenciada, 
integrando teoria e prática por meio de projetos 
de ensino, de forma que este aprendizado seja 
significativo para o aluno.
ATENÇÃO
Educação de Jovens e Adultos atualmente objetiva suprir 
melhores condições de vida, como também a inserção desses 
por ser leigos no mundo letrado.
De acordo com Freire apud Gadotti (2001), o 
grande número de analfabetismo, com faixa etária 
elevada pode ser explicado por vários problemas, 
tais como: a concepção pedagógica e problemas 
metodológicos detectados em sala de alfabetização, 
como a qualificação profissional do educador de 
jovens e adultos que é de suma importância para 
o processo de alfabetização, pois o professor desta 
modalidade de ensino precisa ser um professor 
criativo a fim de transformar sua aula numa “tarefa 
de educar”, visando assumir com responsabilidade 
o importante papel de alfabetizar mediante uma 
prática pedagógica reflexiva, de forma significativa e 
prazerosa para com os educandos. 
A Educação de Jovens e Adultos deve ser uma 
educação multicultural, uma educação que desenvolva 
o conhecimento e a conexão na heterogeneidade 
cultural. Como afirma Gadotti (2001), precisa ser 
uma educação para a compreensão mútua, contra a 
exclusão por motivos de raça, sexo, cultura ou outras 
formas de discriminação e, para isso, o educador 
deve conhecer bem o próprio contexto do educando, 
pois somente conhecendo e utilizando a realidade 
desses jovens e adultos é que haverá uma educação 
de qualidade.
Quando refletimos sobre a importância da 
Educação de Jovens e Adultos na transformação 
social, é que compreendemos as dificuldades de sua 
implantação, como política permanente, num país 
profundamente desigual como o Brasil.
Pois a EJA, está no contexto social e político 
em busca de melhorias para a qualidade de vida dos 
educandos, visando à inserção de milhares de pessoas 
numa sociedade de direitos, na qual de um lado, busca-
se a compreensão e superação das discriminações 
de classe, gênero, raça bem como também de idade, 
resultado de um modelo econômico, social e político. 
Mas, por outro lado, em uma sociedade guiada pelo 
sistema capitalista, observa-se que a expansão da EJA 
se dá devido às formas de organização do mercado 
de trabalhos que estão presentes nas rotinas de 
sobrevivências dessa população.
Portanto, a Educação 
de Jovens e Adultos 
deve ser uma educação 
multicultural, uma 
educação que desenvolva o 
conhecimento e a conexão 
na heterogeneidade 
cultural. Como afirma 
Gadotti (2001), precisa ser 
umaeducação para a compreensão mútua, contra a 
exclusão por motivos de raça, sexo, cultura ou outras 
formas de discriminação e, para isso, o educador 
deve conhecer bem o próprio contexto do educando, 
pois somente conhecendo e utilizando realidade 
desses jovens e adultos é que haverá uma educação 
de qualidade.
Fonte: .
Retomando a aula
histórico da EJA. Vamos, então, recordar:
1 – Conceito Histórico de Educação: suas 
origens e reflexões
Nesta seção apresenta o contexto histórico 
da educação relacionado à educação para pessoas 
adultas, demonstrando como a sociedade mediante 
as questões políticas, sociais, econômicas tem 
influenciado no campo educacional, uma vez que, 
a educação está interligada a própria sociedade por 
meio de interesses diversos, considerando que a 
educação por si não tem como se manter, porém um 
115
Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos
14
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes 
necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e 
Terra, 2003.
GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José E.. 
(Orgs.). Educação de jovens e adultos: teoria, prática e 
proposta. 3. ed. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo 
Freire, 2001.
REVEJA - Revista de Educação de Jovens e 
Adultos. Disponível em: Acesso em 12/04/2012.
As atividades referentes a esta aula 
estão disponibilizadas na ferramenta 
“Sala Virtual – Atividades”. Após 
responder, envie por meio do 
de aprendizagem UNIGRAN Virtual.
Vale a pena
Vale a pena ler
Vale a pena acessar
Vale a pena assistir
sistema depende do outro como uma teia conectada 
em seus diversos aspectos sociais.
2 – Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova
Esta seção argumenta sobre o Manifesto dos 
Pioneiros da Educação Nova ocorrido em 1932, 
como forma de reivindicar novas propostas para a 
educação de uma forma geral, visando um sistema de 
ensino gratuito e laico para todas as pessoas. O texto 
de Gilberto Freyre Casa Grande e Senzala também é 
um marco importante para se pensar na educação 
de adultos, ressaltando a importância de promover 
uma educação de qualidade para todas as pessoas, 
independente de raça, cor, gênero, classe social.
3 – Educação de Jovens e Adultos na 
perspectiva de Paulo Freire
Nesta perspectiva, a seção três, relata a 
relevância de Paulo Freire para com o avanço 
na educação de pessoas adultas, uma vez que, 
o mesmo acredita na possibilidade de que essas 
pessoas precisam de oportunidades para ter acesso 
à educação, proporcionando as mesmas, contextos 
de alfabetização como forma de aprender e terem 
condições de se libertarem de uma pedagogia 
individualista, mas acredita que por meio do 
conhecimento poderiam ter autonomia própria.
Site organizado pela Unitrabalho em parceria 
com o Ministério da Educação e Cultura - MEC e 
financiado com recursos da FNDE. Disponível em: 
. Acesso em 
12/04/2012.
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