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7 1ºAula Educação de Jovens e Adultos: conceito histórico Vamos refletir sobre a história da educação em que gerou em sua modalidade de ensino a Educação para Jovens e Adultos – EJA? Se ao final desta aula tiverem dúvidas, vocês poderão saná-las através das ferramentas “fórum” ou “quadro de avisos” e “chat” conforme programado na ferramenta Agenda. Comecemos, então, analisando os objetivos de aprendizagem e verificando as seções que serão apresentadas ao longo desta aula. Bons estudos! 109 Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos 8 Objetivos de aprendizagem 1 - Conceito Histórico de Educação: suas origens e reflexões 2 - Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova 3 – Educação de Jovens e Adultos na perspectiva de Paulo Freire Ao término desta aula, vocês serão capazes de: desenvolver estudos teóricos e práticos nas diversas abordagens da educação de jovens e adultos, com vistas a respeitar e valorizar a diversidade desse grupo de educandos; perceber que a EJA é uma modalidade de ensino devendo ser garantida como políticas públicas de instrumento para a cidadania e de contribuição para a redução das desigualdades sociais no âmbito educacional; analisar o histórico da EJA em um contexto geral, podendo assim, fazer uma co-relação entre as diferentes realidades e abordagens de ensino. Seções de estudo Conforme Dicionário Brasileiro Globo, educação referente ato de educar; conjunto de normas pedagógicas aplicadas ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito; polidez; cortesia. 1 – Conceito histórico de educação: Vamos recordar o que significa educação? Partindo da reflexão referente ao conceito de educação, podemos recordar sobre os primeiros escritos feitos na natureza. O modo como organizamos a nossa sobrevivência, como nos comportamos e pensamos, tem muitas ligações com a história de vida do homem do passado. Assim, quando estudamos o passado histórico, não o fazemos apenas para conhecê- lo, mas também para descobrir os caminhos que foram trilhados pelos homens na construção do desenvolvimento da humanidade. Segundo Dantas (1985), o homem realizava dura luta pela sobrevivência na Terra, utilizando a Natureza como fonte de trabalho ou produção para adquirir os produtos que necessita para sobreviver. É por meio da Natureza que realiza a caça de animais e a coleta de produtos vegetais; utiliza o solo para produção agrícola; extrai mineral da Natureza e com eles fabrica seus instrumentos de trabalho; utiliza a água dos rios, lagos e mares, para a pesca, transporte, irrigação de terras e produção de eletricidade; enfim, é assim que a Natureza constitui-se para o homem, como fonte de recursos naturais e de vida. O desenvolvimento cultural do homem, desde os povos primitivos, está ligado à produção de sua própria existência, pois diante de tantas dificuldades que encontrava naquela época para sobreviver, e não encontrando a caça, acabava pintando nas cavernas os animais que desejava caçar, e esta arte ficou conhecida como arte rupestre. Fonte: . O homem se distingue fundamentalmente do animal pelo trabalho, pois, o trabalho é a ação transformadora, dirigida por finalidade consciente, a partir da qual o homem produz sua própria existência, tendo em vista suas necessidades, na qual esta ação transformadora não é solitária, mas social, de maneira que os homens se relacionam para produzirem a própria existência. Conforme afirma Aranha (1989, p. 12), “[...] o homem reconstrói a história a partir do seu presente, e cada novo fato o faz reinterpretar a experiência vivida”. Nessa citação, a autora argumenta também que o surgimento da escrita foi um fator importante na evolução do homem, enquanto ser social, pois desde 3500 a.C. os egípcios já faziam inscrições em hieróglifos. Essa escrita denomina-se de pictográfica, ou seja, representa figuras e não sons Termo que literalmente signi ca escrita sagrada” 110 9 Você sabia? interesse em política. como a nossa escrita fonética, composta por cerca de 600 sinais, e de tão difícil escrita é conhecida e utilizada pelos escribas. Além das inscrições nas pedras de túmulos e monumentos, os egípcios usam madeira e papiro para o registro das atas administrativas, da justiça, bem como do comércio, com importantes anotações contábeis. Mais tarde, por volta de 1500 a.C. os fenícios inventam o alfabeto, no qual são criados 22 sinais que representam sons diferentes e, reunidos, permitem as mais diferentes combinações, o que torna mais prático o uso e a aprendizagem da escrita. Com a invenção do alfabeto os negociantes fenícios facilitam seus registros e leituras necessárias às transações comerciais, se destacando como bons navegadores e excelentes comerciantes. Assim, o fenômeno educacional está inserido dentro de um contexto social, econômico e político no qual quem tem o poder e/ou domínio é a classe dominante e, mesmo que a escola tente planejar e seguir seus próprios princípios educativos, desarticulados dos objetivos e finalidades impostos por esta sociedade dominante, não conseguirá manter-se em funcionamento por muito tempo, pois quem está no poder não aceita ser contrariado, muito menos questionado ou que as pessoas comecem a refletir sobre a situação atual. Então, para não perder o poder e nem para ser “fechada” a escola ou o fenômeno educacional necessita expor que não é neutro e nem apolítico. Mas a educação, por si só, já é um ato político, no qual pessoas (comunidade escolar) professores e alunos se reúnem para dialogar, refletir, socializar conhecimento, aprender, ensinar, dentre outras funções, buscando assim, uma transformação cotidiana com vistas à sociedade mais justa, igualitária e humana. Conforme argumenta Gadotti (2001): Pela educação, queremos mudar o mundo, a começar pela sala de aula, pois as grandes transformações não se dão apenas como resultantes dos grandes gestos, mas de iniciativas cotidianas, simples e persistentes. (GADOTTI, 2001, p. 65). Boa parte das reflexões sobre a função social da escola no Brasil foi canalizada em torno do debate acerca das tendências pedagógicas, porque a escola tinha o papel de apenas cumprir uma clássica função da transmissão da cultura e do saber sistematizado, preparar o intelectual e moral do aluno para assumir sua posição na sociedade. Gilberto Freyre (1993) em Casa Grande & Senzala, escritor pernambucano, morador de Apipucos, no Recife, descendente de senhores de engenho e conhecedor dos casarões, destaca as características presentes naquela época, na qual os senhores da casa- grande tinham o poder, condições sociais, políticas e econômicas favoráveis, com grandes luxos, os homens não trabalhavam, mas somente executavam ordens aos negros escravos. As mulheres eram prendadas com os afazeres pequenos de bordados, tricô e outros, sua fecundidade era somente para gerar o herdeiro do poder, os filhos dos senhores da casa-grande tinham oportunidades de estudos como sendo privilegiados, e também podiam estudar nas cidades grandes para serem “doutores” formados. Fonte: https://www.google.com.br/ imghp?hl=pt-BR&tab=wi Fonte: http://www.multirio.rj.gov. br/historia/modulo02/vida_corte. html#f2014_amp.html Fonte: http://www.multirio. rj.gov.br/historia/modulo01/ eng_colonial.html Pelas imagens mencionadas anteriormente, é possível verificar que, para os negros escravos ficava a mão de obra pesada nos engenhos e as mulheres também precisavam se dispor aos serviços domésticos nas casas-grandes para as mulheres dos senhores, como também de serem reprodutoras para o aumento do rebanho humano da senzala. Seus filhos aprendiam mediante convivência entre os negros da senzala, principalmente a trabalhar desde cedo. A cultura afro- 111 Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos 10 brasileira era forte e marcante: sua linguagem, seu modo de vida, seu canto, música e dança tornavam a casa- grande mais alegre,e na religião conviviam a cultura do senhor e a do negro. Hoje, essas características estão presentes na cultura brasileira, de maneira que o negro e os pobres de certa forma ainda mantém sua cultura, seus costumes, dança e música afro-brasileira, enquanto que os senhores da casa-grande se mantêm numa mistura de culturas, aproveitando-se também da mão de obra “ainda escrava” e barata dos negros e/ou menos favorecidos. Era necessário o conhecimento da mão de obra escrava (na agricultura e nos engenhos), benéfico para os senhores feudais. A escola, neste contexto era de interesse dos senhores da casa-grande, no qual seus filhos tinham maiores condições financeiras, privilégios e oportunidades de estudos e se encaminhavam para a Europa a fim de completar seus estudos, principalmente na Universidade de Coimbra, de onde deveriam voltar doutores. A educação no texto Casa Grande e Senzala retrata os ensinamentos transmitidos a todos: brancos e índios, pela Companhia de Jesus. Os primeiros educadores foram os padres jesuítas. A partir do momento em que chegaram ao Brasil (em 1549, com o governador Tomé de Sousa), fundaram numerosas escolas elementares, nas quais ensinavam tanto brancos como índios, a leitura, escrita, aritmética e música. Como praticamente não havia livros, os mestres copiavam as lições para seus alunos. A educação média e a educação superior sacerdotal eram ministradas somente para os homens da classe dominante e toda família de prestígio tinha um filho sacerdotal. Além das escolas elementares (correspondente ao atual nível primário), os jesuítas fundaram vários colégios no Brasil. Todavia, tais colégios correspondiam apenas ao nível secundário, não chegando a proporcionar ao aluno o ensino superior. Desta forma, como o governo português jamais instalou uma universidade no Brasil, os estudantes que quisessem formar-se em Medicina ou Direito, por exemplo, precisavam se deslocar para a Europa. OBSERVE QUE INTERESSANTE! as suas colônias, onde se pode perceber a crítica feita por Essa medida provocou a decadência do ensino no Brasil, pois os jesuítas eram praticamente os únicos preceptores existentes naquela época. A educação ficou praticamente estagnada no período de 1759 a 1808. Para remediar o acontecido, as autoridades coloniais começaram a criar novas escolas, entregando também as escolas antigas para outros professores. Surgindo assim, as escolas tradicionais, marcada pela ausência de recursos materiais e, principalmente, pela escassez de professores que pudessem assumir as atividades de ensino que possibilitava um expressivo impulso no sentido de expandir os serviços educacionais. Porém, partindo dessas limitações, o movimento escolanovismo criou um ambiente educacional muito mais rico, contribuindo para o incentivo à pesquisa educacional, a diversificação dos recursos didáticos, bem como a massificação da discussão das técnicas de ensino, a difusão da literatura pedagógica, dentre outras melhorias no sistema educacional. A educação no Brasil passou por momentos de desenvolvimento e de conflitos até chegar aos dias atuais, com modelos propostos por pensadores, no qual buscava em sua meta principal uma escola modelo, de instituição que realmente formassem profissionais capacitados para atuar num mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo. Surgem, então, as escolas municipais que substituem o latim pelos idiomas nacionais e ressaltam a importância da aritmética e da geometria. São criadas as universidades, mas seu controle fica sob a tutela da Igreja e dos Reis, os burgueses mais uma vez conquistam vantagens antes permitidas somente ao clero e a nobreza. Com a expansão da indústria e do comércio, vários navios foram em direção a continentes desconhecidos e os jesuítas se expandiram por meio das costas brasileiras trazendo a moral, os costumes, a religiosidade europeia e os métodos pedagógicos que se firmaram por cerca de 210 anos. Marquês de Pombal pensava em reerguer Portugal da decadência que se encontrava diante de outras potências europeias, e os jesuítas preocupavam-se com o proselitismo e o noviciado (catequese religiosa) da colônia por causa de interesses conflitantes. Com isso, Pombal decide Fonte: . 112 11 expulsar os jesuítas, deixando a educação do Brasil numa grande desordem. Somente em 1808, com a vinda da Família Real para o Brasil, que surge o interesse de se criar escolas médicas na Bahia e no Rio de Janeiro. Sendo que na Europa o iluminismo e a Revolução Francesa, por iniciativa de D. João VI, ganhavam força. A educação escolar, nesta época, estava inserida num contexto social, político, econômico e cultural pós-guerra, no qual quem dominava grande parte da sociedade ainda eram os senhores de engenho (mão de obra escrava / mão de obra barata), justificando- se a existência de uma educação tradicionalista na qual o saber estava centralizado somente na elite, e grande parte dos brasileiros e escravos estrangeiros, que tinham acesso à educação tinham o professor como sendo o “dono do saber”. Suas informações teriam que ser acatadas sem indagações, pois não podia haver nenhum tipo de diálogo entre professor e aluno. Os moldes didáticos propostos por Comenius (ensinar tudo a todos) citado por Almeida (2006), foram revolucionários onde direcionava a educação para um número maior de crianças na escola, tendo ainda um único professor para ensinar todos os conteúdos. Mas a rigidez das salas de aulas e sua organização sistemática voltadas apenas para uma concepção tradicional da educação fizeram com que surgissem novas ideias pedagógicas, criadas em 1924 pela Associação Brasileira de Educação, na qual com o manifesto dos pioneiros, Fernando de Azevedo, Anísio Teixeira e Lourenço Filho entre outros, defendiam: a democracia, liberalismo e qualidade. E, criticavam também a educação tradicional, se opondo ao humanismo religioso e científico e a substituição do modelo tradicional (transmissão - assimilação). 2 Educação Nova Vejam... O “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” redigido por Fernando de Azevedo e assinado por vinte e seis intelectuais em 1932, consolidava a visão de um segmento da elite intelectual que, embora com diferentes posições ideológicas, vislumbra a possibilidade de interferir na organização da sociedade brasileira do ponto de vista da educação. Ao ser lançado, em meio ao processo de reordenação política resultante da Revolução de 30, o documento se tornou o marco inaugural do projeto de renovação educacional do país, pois além de constatar a desorganização do aparelho escolar, propunha que o Estado organizasse um plano geral de educação e também defendia a existência de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita. A escola integral e única proposta pelo Manifesto, era defendida em oposição à escola existente, chamada de tradicional (transmissão - assimilação). A educação nova assume uma característica mais humana, como função social, preparando- se para formar a hierarquia democrática pela hierarquia das capacidades, que tem por objetivo o desenvolvimento natural e integral do ser humano em cada uma das etapas de seu crescimento. Desta forma, os educadores se propuseram a um programa de política educacional amplo e integrador da organização do ensino e dos sistemas escolares. Seus princípios eram voltados para um novo homem e uma nova escola, baseados filosoficamente no humanismo moderno, centrado no sujeito que aprende, valorizando as características individuais de cada aluno, no qual o professor é um auxiliar essencial do desenvolvimento livre e espontâneo da criança. A sociedade ainda estava sofrendo as consequências da Segunda Guerra Mundial e neste momento histórico é imposto um regime ditatorial por Getúlio Vargas, então os debates educacionais que persistiram até 1945, são paralisados e os educadores se condicionam asdiferentes posições políticas. Com o processo de redemocratização do Estado brasileiro, após 1945, a educação de adultos passou a ganhar vantagens dentro da preocupação geral com a universalização da educação elementar, pois foi nesse período que conseguiu definir sua identidade como forma de campanha nacional de massa. Esta Campanha de Educação de Adultos lançada em 1947 alimentou a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no Brasil. Nesta ocasião, o analfabetismo era visto como causa e não efeito da situação econômica, social e cultural do país e, essa concepção validava a visão do adulto analfabeto como incapaz e marginal, sendo identificado psicológica e socialmente como criança. 113 Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos 12 Várias críticas à Campanha de Educação de Adultos começaram a serem feitas no final da década de 1950, quanto às deficiências administrativas e financeiras referente à orientação pedagógica desta campanha. Criticavam a metodologia inadequada que era aplicada para a população adulta, como também o aprendizado leviano adquirido no curto período de alfabetização. 3 - Educação de Jovens e Adultos na O pensamento pedagógico de Paulo Freire, assim como suas propostas para a alfabetização de adultos, inspirou os principais programas de alfabetização e educação popular que se realizaram no país no início dos anos 1960. Esses programas foram empreendidos por intelectuais, estudantes e religiosos engajados numa ação política junto aos grupos populares. Em janeiro de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Alfabetização, que previa a disseminação por todo Brasil de programas de alfabetização orientados pela proposta de Paulo Freire. Com o golpe militar de 1964, os programas de alfabetização e educação popular que se haviam expandido no período entre 1961 e 1964, foram considerados como uma grave ameaça para a sociedade e acabaram sendo reprimidos. O governo passou então a permitir somente a realização de programas de alfabetização de adultos assistencialistas e conservadores, até que em 1967, ele mesmo assumiu o controle dessa atividade lançando o Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização. Este movimento era a resposta do regime militar para grave situação do analfabetismo no país, constituindo-se como organização autônoma em relação ao Ministério da Educação. Em 1969, foram criadas grandes campanhas em benefício a alfabetização, sendo instaladas Comissões Municipais, que se responsabilizavam pela execução das atividades, mas a orientação e supervisão pedagógica ainda eram centralizadas. Fonte: . Durante a década de 1970, o Mobral expandiu- se por todo o território nacional, diversificando sua atuação. Sendo que, paralelamente a este movimento, grupos dedicados à educação popular continuaram a realizar experiências pequenas e isoladas de alfabetização de adultos com propostas mais críticas, desenvolvendo os métodos de Paulo Freire. Já na década de 1980, essas pequenas experiências foram se ampliando, construindo canais de troca de experiência, reflexão e articulação. Desacreditados nos meios políticos e educacionais, o Mobral foi extinto em 1985 e em seu lugar foi criado a Fundação Educar, passando a apoiar diretamente as iniciativas do governo, entidades civis e empresas conveniadas, referente às questões financeiras e tecnológicas. Nesse período de reconstrução democrática, muitas experiências de alfabetização obtiveram consistência, desenvolvendo os pressupostos de alfabetização conscientizadora criado por Paulo Freire. Com o fim do Regime Militar e com a eleição indireta de Tancredo Neves, as questões educacionais já tinham perdido seu sentido pedagógico e assumido um caráter político. Profissionais como sociólogos, filósofos entre outros, assumiram postos na área da educação e começaram a concretizar seus discursos. Em 1990, a Fundação Educar foi extinta, e o governo federal foi a principal instância de apoio e articulação das iniciativas de Educação de Jovens e Adultos. A Educação de Jovens e Adultos chega nesta década de 1990, reclamando a consolidação de reformulações pedagógicas que vêm se mostrando necessárias em todo o processo de ensino. Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico que este segmento social (educação de jovens e adultos) vem sofrendo por meio das esferas socioeconômica e educacional, de garantir o acesso dos educandos numa cultura letrada, possibilitando também uma participação mais ativa no mundo do trabalho, da política e da cultura. O projeto de Lei da Nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases) é aprovado em 1996, com a Lei nº. 9394/96, e inúmeros projetos são executados na área educacional, tais como: Programa de Avaliação Institucional – PAI; Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM; Exame Nacional de Cursos – ENC (atualmente denominado de ENADE Exame Nacional de Desempenho do Estudante). 114 13 Isto posto, podemos analisar diante deste contexto histórico (político, educacional, econômico e social) que o perfil necessário para o professor hoje se refere a um docente qualificado teoricamente, mas que tenha uma prática reflexiva sobre sua própria ação pedagógica. Que seja capaz de ministrar aulas teoricamente e que saiba desenvolver suas aulas de forma dinâmica e prazerosa para os alunos, ou seja, é necessário que o docente saiba dirigir situações de aprendizagem a partir da realidade vivenciada, integrando teoria e prática por meio de projetos de ensino, de forma que este aprendizado seja significativo para o aluno. ATENÇÃO Educação de Jovens e Adultos atualmente objetiva suprir melhores condições de vida, como também a inserção desses por ser leigos no mundo letrado. De acordo com Freire apud Gadotti (2001), o grande número de analfabetismo, com faixa etária elevada pode ser explicado por vários problemas, tais como: a concepção pedagógica e problemas metodológicos detectados em sala de alfabetização, como a qualificação profissional do educador de jovens e adultos que é de suma importância para o processo de alfabetização, pois o professor desta modalidade de ensino precisa ser um professor criativo a fim de transformar sua aula numa “tarefa de educar”, visando assumir com responsabilidade o importante papel de alfabetizar mediante uma prática pedagógica reflexiva, de forma significativa e prazerosa para com os educandos. A Educação de Jovens e Adultos deve ser uma educação multicultural, uma educação que desenvolva o conhecimento e a conexão na heterogeneidade cultural. Como afirma Gadotti (2001), precisa ser uma educação para a compreensão mútua, contra a exclusão por motivos de raça, sexo, cultura ou outras formas de discriminação e, para isso, o educador deve conhecer bem o próprio contexto do educando, pois somente conhecendo e utilizando a realidade desses jovens e adultos é que haverá uma educação de qualidade. Quando refletimos sobre a importância da Educação de Jovens e Adultos na transformação social, é que compreendemos as dificuldades de sua implantação, como política permanente, num país profundamente desigual como o Brasil. Pois a EJA, está no contexto social e político em busca de melhorias para a qualidade de vida dos educandos, visando à inserção de milhares de pessoas numa sociedade de direitos, na qual de um lado, busca- se a compreensão e superação das discriminações de classe, gênero, raça bem como também de idade, resultado de um modelo econômico, social e político. Mas, por outro lado, em uma sociedade guiada pelo sistema capitalista, observa-se que a expansão da EJA se dá devido às formas de organização do mercado de trabalhos que estão presentes nas rotinas de sobrevivências dessa população. Portanto, a Educação de Jovens e Adultos deve ser uma educação multicultural, uma educação que desenvolva o conhecimento e a conexão na heterogeneidade cultural. Como afirma Gadotti (2001), precisa ser umaeducação para a compreensão mútua, contra a exclusão por motivos de raça, sexo, cultura ou outras formas de discriminação e, para isso, o educador deve conhecer bem o próprio contexto do educando, pois somente conhecendo e utilizando realidade desses jovens e adultos é que haverá uma educação de qualidade. Fonte: . Retomando a aula histórico da EJA. Vamos, então, recordar: 1 – Conceito Histórico de Educação: suas origens e reflexões Nesta seção apresenta o contexto histórico da educação relacionado à educação para pessoas adultas, demonstrando como a sociedade mediante as questões políticas, sociais, econômicas tem influenciado no campo educacional, uma vez que, a educação está interligada a própria sociedade por meio de interesses diversos, considerando que a educação por si não tem como se manter, porém um 115 Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos 14 FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003. GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José E.. (Orgs.). Educação de jovens e adultos: teoria, prática e proposta. 3. ed. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2001. REVEJA - Revista de Educação de Jovens e Adultos. Disponível em: Acesso em 12/04/2012. As atividades referentes a esta aula estão disponibilizadas na ferramenta “Sala Virtual – Atividades”. Após responder, envie por meio do de aprendizagem UNIGRAN Virtual. Vale a pena Vale a pena ler Vale a pena acessar Vale a pena assistir sistema depende do outro como uma teia conectada em seus diversos aspectos sociais. 2 – Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova Esta seção argumenta sobre o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova ocorrido em 1932, como forma de reivindicar novas propostas para a educação de uma forma geral, visando um sistema de ensino gratuito e laico para todas as pessoas. O texto de Gilberto Freyre Casa Grande e Senzala também é um marco importante para se pensar na educação de adultos, ressaltando a importância de promover uma educação de qualidade para todas as pessoas, independente de raça, cor, gênero, classe social. 3 – Educação de Jovens e Adultos na perspectiva de Paulo Freire Nesta perspectiva, a seção três, relata a relevância de Paulo Freire para com o avanço na educação de pessoas adultas, uma vez que, o mesmo acredita na possibilidade de que essas pessoas precisam de oportunidades para ter acesso à educação, proporcionando as mesmas, contextos de alfabetização como forma de aprender e terem condições de se libertarem de uma pedagogia individualista, mas acredita que por meio do conhecimento poderiam ter autonomia própria. Site organizado pela Unitrabalho em parceria com o Ministério da Educação e Cultura - MEC e financiado com recursos da FNDE. Disponível em: . Acesso em 12/04/2012. 116