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3 DIREITO PENAL CULPABILIDADE. Por Nathália Trindade SUMÁRIO 1. CULPABILIDADE 3 1.1 TEORIAS SOBRE A CULPABILIDADE. 3 A) TEORIA PSICOLÓGICA DA CULPABILIDADE 3 B) TEORIA PSICOLÓGICA NORMATIVA DA CULPABILIDADE 3 C) TEORIA NORMATIVA PURA (OU EXTREMADA) DA CULPABILIDADE 4 D) TEORIA LIMITADA DA CULPABILIDADE 4 1.2 IMPUTABILIDADE 5 1.2.1 INIMPUTABILIDADE EM RAZÃO DE ANOMALIA PSÍQUICA 5 1.2.2 INIMPUTABILIDADE EM RAZÃO DA IDADE DO AGENTE (ART. 27, CP). 6 1.2.3 INIMPUTABILIDADE EM RAZÃO DA EMBRIAGUEZ 7 1.3 POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE 8 1.3.1 ERRO DE TIPO X ERRO DE PROIBIÇÃO 9 A) ERRO SOBRE A SITUAÇÃO FÁTICA: ERRO DE TIPO PERMISSIVO 10 B) ERRO SOBRE A EXISTÊNCIA DE UMA JUSTIFICANTE: ERRO DE PERMISSÃO (ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO) 11 C) ERRO SOBRE OS LIMITES DE UMA JUSTIFICANTE: ERRO DE PERMISSÃO (ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO). 11 1.4 EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA 11 1.4.1 CAUSAS DE EXCLUSÃO (DIRIMENTES) DA EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA (ART. 22, CP): 11 A) COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL 11 B) OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA. 12 2. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO 12 3. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA 13 ATUALIZADO EM 14/11/2020[footnoteRef:1] [1: ] DIREITO PENAL 1. CULPABILIDADE TEORIA BIPARTITE TEORIA TRIPARTITE A culpabilidade não é substrato do crime. O crime existe com os requisitos fato típico e ilicitude. A culpabilidade é mero pressuposto de aplicação da pena, juízo de censura, pressupondo a prática de um crime. A culpabilidade deve ser tratada como substrato do crime. A tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade não são apenas pressupostos de aplicação da pena, mas elementos constitutivos do crime. 1.1 Teorias sobre a culpabilidade. a) Teoria psicológica da culpabilidade Base causalista. Culpabilidade: relação psíquica entre o autor e o resultado. A culpabilidade pode ser de duas espécies: dolo e culpa. Pressuposto da culpabilidade: imputabilidade do agente. Assim, segundo a teoria psicológica da culpabilidade, o dolo e a culpa fazem parte da análise da culpabilidade, e a imputabilidade penal é pressuposto desta. b) Teoria psicológica normativa da culpabilidade Base neokantista. Culpabilidade: deixa de ser puro vínculo psicológico e passa a exigir consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Pressupostos da culpabilidade: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa, culpa e o dolo. #SELIGA: na teoria psicológica normativa temos o dolo normativo (colorido ou híbrido), formado por consciência (sabe o que faz), vontade (quer fazer) e consciência atual da ilicitude (sabe o que faz e quer contrariar o ordenamento jurídico). c) Teoria normativa pura (ou extremada) da culpabilidade Base finalista. O dolo e a culpa migram para o fato típico. O dolo que migra para o fato típico é o natural, despido do elemento normativo. São pressupostos da culpabilidade: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. Assim, segundo a teoria normativa pura, a análise do dolo ou da culpa se encontra na tipicidade, e não na culpabilidade. A culpabilidade, dessa forma, é um juízo de reprovação social, incidente sobre o fato típico e antijurídico e sobre seu autor. d) Teoria limitada da culpabilidade Parte das mesmas premissas da teoria extremada, divergindo somente quanto à natureza jurídica da descriminante putativa sobre os pressupostos fáticos. Enquanto para teoria limitada da culpabilidade é erro de tipo, para a extremada se equipara ao erro de proibição. PSICOLÓGICA PSICOLÓGICA NORMATIVA T. NORMATIVA PURA (EXTREMADA) TEORIA LIMITADA Base causalista Base neokantista Base Finalista Base Finalista Pressupostos da culpabilidade: Imputabilidade. Pressupostos da culpabilidade: Imputabilidade. Exigibilidade de conduta diversa. Dolo normativo e culpa. Pressupostos da culpabilidade: Imputabilidade. Exigibilidade de conduta diversa. Potencial consciência da ilicitude. Elementos da culpabilidade: Imputabilidade. Exigibilidade de conduta diversa. Potencial consciência da ilicitude. Dolo e culpa são espécies de culpabilidade. Dolo e culpa passam a ser pressupostos da culpabilidade. Dolo (natural) e culpa migram para o fato típico. Dolo (natural) e culpa migram para o fato típico. 1.2 Imputabilidade Possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal. #SELIGA: nem todo capaz em direito civil é capaz no direito penal. Ex.: emancipado pelo casamento. Conquanto o Código Penal não conceitue imputabilidade, enumera hipóteses de inimputabilidade. Critérios de definição de imputabilidade: 1. Critério biológico: leva em conta apenas o desenvolvimento mental do agente, não importando a sua capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da conduta. 2. Critério psicológico: leva em conta a capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da conduta (não importando o seu desenvolvimento mental). 3. Critério biopsicológico: leva em conta o desenvolvimento mental do agente, além da capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da conduta. 1.2.1 Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica Previsão legal: art. 26, caput, CP. Sistema Biopsicológico (1ª parte – biológico; 2ª parte - psicológico). Art. 26. “É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou omissão inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento”. A expressão “doença mental” deve ser tomada em sua maior amplitude e abrangência, compreendendo qualquer enfermidade que venha debilitar as funções psíquicas do agente. O inimputável por doença mental é denunciado, processado e, ao final, poderá ser absolvido (absolvição imprópria) com imposição de medida de segurança (espécie de sanção penal). CUIDADO: o art. 26, parágrafo único, do CP não traz hipótese de inimputabilidade, mas de responsabilidade penal diminuída (semi-imputabilidade). O SEMI-IMPUTÁVEL é denunciado, processado e, ao final, CONDENADO, podendo o juiz optar (fundamentando) pela pena diminuída ou substituição da pena por medida de segurança. Art. 26, parágrafo único, CP: a pena pode ser reduzida de 1 a 2/3 se o agente em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e necessitando o condenado de especial tratamento curativo, a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela internação, ou tratamento ambulatorial, pelo prazo mínimo de 01 (um) a 3 (três) anos, nos termos do artigo anterior e respectivos §§ 1º a 4º. INIMPUTÁVEL SEMI-IMPUTÁVEL Absolvição imprópria Condenação A decisão não interrompe a prescrição Interrompe a prescrição A sentença não serve de título executivo A sentença serve de título executivo *(Atualizado em 14/11/2020) #SELIGANAJURIS #STJ O reconhecimento da inimputabilidade ou semi-imputabilidade do réu depende da prévia instauração de incidente de insanidade mental e do respectivo exame médico-legal nele previsto Importante!!! O art. 149 do CPP, ao exigir que o acusado seja submetido a exame médico-legal, não contempla hipótese de prova legal ou tarifada. A despeito disso, a partir de uma interpretação sistemática das normais processuais penais que regem a matéria, deve-se concluir que o reconhecimento da inimputabilidade ou semiimputabilidade do réu (art. 26, caput e parágrafo único do CP) depende da prévia instauração de incidente de insanidade mental e do respectivo exame médico-legal nele previsto. Vale ressaltar, por fim, que o magistrado poderá discordar das conclusões do laudo, desde que o faça por meio de decisão devidamente fundamentada. STJ. 6ª Turma. REsp 1.802.845-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 23/06/2020 (Info 675). 1.2.2 Inimputabilidade em razão da idade do agente (art. 27,CP). No caso da inimputabilidade em razão da idade do agente, foi acolhido o sistema biológico. Esse critério foi seguido pelo constituinte no art. 228, CP: “Os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial”. Há na legislação brasileira presunção absoluta de que o menor de 18 anos possui desenvolvimento mental incompleto (sistema biológico). Essa presunção, porém, está fundada em razões de política criminal (e não postulados científicos). 1.2.3 Inimputabilidade em razão da embriaguez Embriaguez é a intoxicação transitória causada pelo álcool ou substância de efeitos análogos. Interfere no psiquismo da pessoa, podendo afetar a capacidade intelectiva ou volitiva. EMBRIAGUEZ ACIDENTAL Caso fortuito: o agente ignora o efeito da substância. Força maior: o agente é obrigado a ingerir a substância. Completa: exclui a imputabilidade. Incompleta: diminui a pena. EMBRIAGUEZ NÃO ACIDENTAL Voluntária: o agente quer se embriagar. Culposa: fruto de negligência. Completa e incompleta: não excluem a imputabilidade. EMBRIAGUEZ PATOLÓGICA Doentia Completa: art. 26, caput. Incompleta: art. 26, p.u, CP. EMBRIAGUEZ PREORDENADA Vontade de embriagar-se para praticar o crime. Completa e incompleta: agravante de pena. Qual o fundamento para se punir a embriaguez não acidental e a embriaguez preordenada mesmo quando completa, isto é, quando o agente claramente não tem capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da conduta? Adota-se a teoria da “actio libera in causa”: o ato transitório revestido de inconsciência (momento do crime em que o agente se encontra embriagado) decorre de ato antecedente que foi livre na vontade (momento da ingestão da bebida), transferindo-se para esse momento anterior a constatação da imputabilidade e da voluntariedade. #SELIGA: a embriaguez completa pode dar causa à exclusão da imputabilidade penal, mas não descaracteriza a ilicitude do fato. CAUSAS DE EXCLUSÃO DA IMPUTABILIDADE: Doença mental (anomalia psíquica) Menoridade Embriaguez acidental completa proveniente de caso fortuito e força maior. 1.3 Potencial Consciência da Ilicitude Possibilidade que tem o agente imputável de compreender a reprovabilidade da conduta. Não se exige do sujeito ativo uma compreensão técnica, um conhecimento jurídico sobre o evento. Exige-se apenas uma percepção leiga de que o seu comportamento contraria o direito (o que se é certo). Trata-se da desvaloração paralela na esfera do profano. A causa de exclusão da potencial consciência da ilicitude (dirimente) é o erro de proibição (art. 21, CP). O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena. Se evitável, poderá diminuí-la de 1/6 a 1/3. Uma vez publicada no diário oficial da União, a lei se presume conhecida de todos. É possível, no entanto, que o agente, mesmo conhecendo a lei, incida em erro de proibição, valorando equivocadamente a reprovabilidade da sua conduta. Três situações possíveis: 1. O agente, apesar de ignorar a lei, conhece a reprovabilidade da conduta. Não configura erro de proibição. 2. O agente conhece a lei, mas ignora a reprovabilidade do comportamento. Pode alegar erro de proibição. 3. O agente ignora a lei e a reprovabilidade do seu comportamento. Pode alegar erro de proibição. Relembrando: TEORIA PSICOLÓGICA NORMATIVA TEORIA NORMATIVA PURA Elementos da culpabilidade: imputabilidade, exigibilidade da conduta diversa, culpa e dolo normativo (consciência, vontade, consciência atual da ilicitude). Elementos da culpabilidade: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa, potencial consciência de ilicitude. O erro de proibição evitável ou inevitável excluía a culpabilidade, pois em ambos os casos não existia a consciência atual da ilicitude. Quando se fala em potencial consciência da ilicitude, somente o erro de proibição inevitável exclui a culpabilidade, pois no evitável, o agente tem potencial consciência da ilicitude. ESPÉCIES DE ERRO DE PROIBIÇÃO (art. 21) a) erro de proibição inevitável/escusável/invencível: o critério de distinção é o perfil subjetivo do agente, pois estamos a tratar de questão de culpabilidade, diferentemente do erro de tipo, em que o critério era o homem médio. O agente errou e por mais que ele se esforçasse, ainda assim, ele erraria. Ex. pescador que joga uma laranja na cabeça de um golfinho por atrapalhar sua pescaria (molestar cetáceo). Esse erro isenta de pena por excluir a culpabilidade por faltar a potencial consciência da ilicitude. b) erro de proibição evitável/inescusável/vencível: o agente errou, mas poderia evitar pelo esforço do agente no caso concreto. Não isenta de pena. Não exclui a culpabilidade, mas a pena poderá ser diminuída de um sexto a um terço. O grau de reprovabilidade diz a quantidade de diminuição. c) erro de proibição direto: o agente se equivoca quanto ao conteúdo de uma norma proibitiva, ignorando a sua existência, conteúdo ou âmbito de incidência. d) erro de proibição indireto: o agente sabe que a conduta é típica, mas supõe presente uma norma permissiva (excludente de ilicitude). Ex.: fulano, agredido com um tapa, acredita estar autorizado a revidar com um disparo. e) mandamental: o agente acredita erroneamente estar autorizado a livrar-se do dever de agir. Diz respeito ao dever de agir. Chamada omissão penalmente relevante, própria ou imprópria. #SELIGA: Qual a diferença entre erro de proibição e delito putativo por erro de proibição ou delito por alucinação? No primeiro, o agente pratica um fato definido como crime, desconhecendo o caráter ilícito do fato. No segundo, o agente acredita que pratica um crime, mas não o faz, pois a conduta não é proibida pelo direito. 1.3.1 Erro de tipo x erro de proibição ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO O agente não sabe o que faz. O agente sabe o que faz, mas pensa que sua conduta é lícita, quando, na verdade, é proibida. É o erro incidente sobre os elementos objetivos do tipo É o erro quanto à ilicitude da conduta Trata-se da má interpretação sobre os FATOS. Recai sobre os requisitos ou elementos fático-descritivos do tipo, como também sobre requisitos jurídico-normativos do tipo. Afasta a POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE, que é requisito da culpabilidade. Não há erro sobre a situação de fato, mas não há a exata compreensão sobre os LIMITES JURÍDICOS DA LICITUDE da conduta. Exclui sempre o DOLO. Se poderia ser evitado, responde pela culpa, caso haja previsão da forma culposa do delito. Exclui a CULPABILIDADE, se INEVITÁVEL. Diminui a pena, se EVITÁVEL ou INESCUSÁVEL. Exclui CRIME Exclui PENA Não se confunde com a ideia de ERRO DE FATO Não se confunde com a ideia de ERRO DE DIREITO CAUSALISTAS: quando estão diante de ERRO DE TIPO ESCUSÁVEL afastam a CULPABILIDADE; para os FINALISTAS, afasta a própria tipicidade. CAUSALISTAS: quando estão diante de ERRO DE PROIBIÇÃO ESCUSÁVEL afastam a CULPABILIDADE; para os FINALISTAS, afasta a culpabilidade. EXEMPLO 02: mulher que levou o carro de outra pessoa achando que fosse o seu. EXEMPLO 02: turista, oriundo de país em que se admite uso de maconha, aqui fuma, mesmo sendo proibido. #APROFUNDANDO. DESCRIMINANTES PUTATIVAS OU ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO Descriminantes são as causas de exclusão da ilicitude. Descriminantes putativas são as causas de exclusão da ilicitude erroneamente imaginadas pelo agente. Ele acredita estar diante de uma situação, como por exemplo, de legítima defesa que não existe. Corresponde à suposição errônea de uma causa de justificação, errando o agente sobre a EXISTÊNCIA ou os LIMITES da proposição permissiva. Natureza jurídica Depende da teoria da culpabilidade adotada. No finalismo (o dolo é natural) adota-se a teoria normativa pura da culpabilidade. Essa teoria se subdivide em outras duas – extrema ou limitada. Para essas duas, a estrutura da culpabilidade é a mesma, o que muda é o tratamento das descriminantes putativas. · Teoria extrema, estrita ou extremada: as descriminantes putativas sempre serão errode proibição. É o chamado erro de proibição indireto. · Teoria limitada da culpabilidade: as descriminantes podem ser erro de proibição, como também podem ser erro de tipo. Erro na legítima defesa ou legítima defesa putativa: a) erro sobre a existência da legítima defesa. O homem encontra a mulher com outro homem. Ele acredita que a traição lhe assegura a legítima defesa. É um caso de erro de proibição. b) erro sobre os limites da legítima defesa. Sujeito encontra duas crianças furtando roupas em seu varal. Ele acha que tem o direito de matar essas crianças. É um caso de erro de proibição. Ele acredita que o direito penal autoriza matar quem furta suas roupas. c) pressupostos fáticos da legítima defesa. Há dez anos um homem prometeu matar outro. Anos depois eles se encontram. O que prometeu matar coloca a mão por dentro da blusa para pegar um bilhete de desculpa. O outro sujeito pensa que existia uma agressão injusta e iminente ali e mata o rapaz. É erro de tipo. É o chamado erro de tipo permissivo. Qual a teoria que o CP adota? A doutrina e a jurisprudência se dividem. O item 19 da exposição de motivos da parte geral do CP diz que foi adotada a teoria limitada. TEORIA LIMITADA DA CULPABILIDADE TEORIA EXTREMADA DA CULPABILIDADE Se o erro do agente recair sobre uma situação fática que, se existisse, tornaria a ação legítima, será considerado erro de tipo; se incidir sobre a existência ou sobre os limites de uma causa de justificação, o erro será de proibição (também chamado de erro de permissão). Foi ADOTADA PELO CP (exposição de motivos). Não faz distinção entre o erro que recai sobre uma situação de fato, sobre a existência ou sobre os limites de uma causa de justificação, pois para ela todos são considerados erro de proibição. Separa o dolo da consciência da ilicitude, estando o primeiro relacionado à tipicidade e esta à culpabilidade. #FOCANOQUEIMPORTA. No ordenamento jurídico brasileiro contamos com três hipóteses de discriminantes putativas: a) Erro sobre a situação fática: erro de tipo permissivo. b) Erro sobre a existência de uma justificante: erro de permissão (erro de proibição indireto). c) Erro sobre os limites de uma justificante: erro de permissão (erro de proibição indireto). 1.4 Exigibilidade de Conduta Diversa Para a reprovabilidade social não basta que o autor do fato lesivo seja imputável e tenha a possibilidade de lhe conhecer o caráter ilícito, exigindo-se, ainda, a possibilidade de atuar de acordo com o ordenamento jurídico. 1.4.1 Causas de exclusão (dirimentes) da exigibilidade de conduta diversa (art. 22, CP): a) coação moral irresistível Obs.: a coação resistível pode configurar atenuante de pena. b) obediência hierárquica. Manifestação de vontade emanada de um detentor de função pública dirigida a um agente público hierarquicamente inferior. Outras relações que não públicas não permitem essa dirimente. Não abrange subordinação familiar, eclesiástica ou particular. A ordem não deve ser manifestamente ilegal (não claramente ilegal). Só é punível o autor da ordem (autoria mediata). #SELIGANATABELA Elementos da Culpabilidade (IPE) Dirimentes da Culpabilidade (MEDECO) Imputabilidade Menoridade, embriaguez e doença mental. Potencial consciência da ilicitude Erro de proibição inevitável. Exigibilidade de conduta diversa Coação moral irresistível e obediência hierárquica. A menoridade, embriaguez, doença mental e erro de proibição = rol taxativo. A coação moral irresistível e obediência hierárquica = rol exemplificativo. Por mais previdente que o legislador seja, não há como prever todos os casos em que é inexigível do agente conduta diversa, admitindo-se hipóteses não previstas em lei (causas supralegais de exclusão da culpabilidade). Ex.: gestante pratica auto aborto em gravidez resultante de estupro. #PRAFECHAR. A cláusula de consciência, a desobediência civil e o conflito de deveres são considerados, pela doutrina majoritária, como CAUSAS SUPRALEGAIS de inexigibilidade de conduta diversa, excluindo a culpabilidade. 1) Cláusula de consciência: nos termos da cláusula de consciência, é isento de pena aquele que, por motivo de consciência ou crença, pratica um injusto penal, desde que não ofenda direitos fundamentais. 2) Desobediência civil: é o fato que objetiva, em última instância, mudar o ordenamento, sendo, no final das contas, mais inovador do que destruidor. Tem como requisitos: a) proteção de direitos fundamentais; b) que o dano causado não seja relevante. 3) Conflito de deveres: caso do empresário quase falido que deixa de recolher a contribuição previdenciária dos empregados para manter o negócio funcionando. Tem como fundamento a escolha do mal menor. 2. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO DIPLOMA DISPOSITIVOS Código Penal Arts. 21 e 26 image1.jpeg image2.jpeg