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CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 1 INTRODUÇÃO Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. BIBLIOGRAFIA BIBLIOGRAFIA ATENÇÃO ! Essa aula foi transcrita do livro DIREITO TRIBUTÁRIO do Prof. Luis Eduardo Schouer. Estado Fiscal, liberdade e tributação “O que se encontra em comum entre movimentos tão díspares como a Revolução Francesa, a Independência dos Estados Unidos e, entre nós, a Inconfidência Mineira? Em todos esses momentos, encontra-se a luta de um povo por sua liberdade. Sejam os ultrajantes tributos impostos por Luís XVI, sejam os tributos ingleses que levaram à Boston Tea Party, animada pelo jargão no taxation without representation, seja a derrama, que provocou a revolta contra o “Quinto dos Infernos”, o que se encontra, invariavelmente, é a luta pela liberdade. Daí, pois, a importância de o estudioso do Direito Tributário compreender a passagem de um poder de tributar para o moderno direito de tributar. Este opõe-se ao primeiro por ser regulado dentro dos princípios do Estado de Direito. Preservá-lo é honrar, antes de mais nada, o sangue daqueles que foram mártires para a afirmação da liberdade.” Tributo com Receita Pública A existência do Estado Fiscal está atrelada à existência de tributos. Na medida do agigantamento das tarefas estatais, cabe ao ordenamento prever os meios para o Estado financiar seus gastos. Cogita-se, aqui, obtenção de receita pública. Essa Receita Pública é dividida em originária e derivada. A originária tem origem numa atividade do Estado (preços públicos) ou será uma remuneração pelo emprego de patrimônio público (juros sobre empréstimos públicos, royalties pelo uso de bens públicos etc.). As derivadas implicam transferência ao Estado de riqueza gerada pelo particular. É um meio de financiamento do Estado que já não representa riqueza nova, mas mera transferência de riqueza gerada por terceiros. Ou seja: na receita derivada, se o Estado recebe os recursos é porque alguém a auferiu, originariamente, e, num segundo momento, a transferiu ao Estado. Note que, nesse caso, não se trata de riqueza social nova do Estado; este nada produziu, tampouco seu patrimônio foi empregado. São exemplos dessas receitas as multas e os tributos, esses a principal fonte de financiamento das atividades do Estado. Assim, a lei 4.320/1964 cunhou o seguinte conceito para tributo: “Tributo é a receita derivada, instituída pelas entidades de direito público, compreendendo os impostos, taxas e contribuições..., destinando-se o seu produto ao custeio de atividades gerais ou específicas exercidas por essas entidades. Conceito de tributo Essa foi a gênese do conceito de tributo, que depois veio consagrado no artigo 3º do CTN nos seguintes termos: Tributo é toda prestação pecuniária (relação jurídica) compulsória (poder de império), em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir (hoje só em dinheiro), que não constitua sanção de ato ilícito (multa não é tributo), instituída em lei (princípio da legalidade tributária) e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada(fiscalização vinculada à lei).” CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 2 FONTES DE DIREITO TRIBUTÁRIO Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. Conceito de fonte do direito A expressão “fonte do direito” retrata o ponto originário de onde provém a norma jurídica, isto é, as formas reveladoras do Direito. Desse modo, é o lugar onde nasce uma regra jurídica ainda não existente. Espécies de fontes do direito Fontes materiais ou reais – são os fatos, ou seja, as riquezas sobre as quais incide a tributação (patrimônio, renda, circulação de mercadorias etc). Fontes formais – são os atos normativos as normas jurídicas, ou seja, as formas de expressão do direito, os atos normativos. Dividem-se em fontes formais primárias (principais) e secundárias (complementares). Estão nos artigos 96 e 100 do CTN. a)Fontes formais principais são a Constituição Federal (CF), as Emendas à CF, as Leis Ordinárias, Lei Complementares, Decretos Legislativos, Lei Delegada, Medida Provisória, Resolução, Tratados e Convenções Internacionais. b)Fontes formais secundárias ou normas complementares são os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, decisões administrativas com eficácia normativa, práticas reiteradas das autoridades administrativas, convênios celebrados pelas entidades impositoras. Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas São comandos dos órgãos do Poder Executivo com o escopo de propiciar a correta aplicação da lei, do tratado ou do decreto. Decisões administrativas com eficácia normativa Há certas decisões, prolatadas por tribunais administrativos, às quais a lei confere eficácia normativa, tornando-as precedentes de observância obrigatória. O Poder Executivo, principalmente em relação à matéria tributária, detém em sua organização determinadas estruturas julgadoras, possibilitando ao contribuinte a elas recorrer. Exemplo são as decisões do Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo, quando aprovadas pelo quorum qualificado de dois terços ou homologadas pelo Secretário Estadual de Fazenda, momento a partir do qual passam a serem dotadas de eficácia normativa. Práticas Reiteradas das autoridades administrativas São os usos e costumes adotados reiteradamente pela Administração. Ocorre, por exemplo, quando as autoridades fiscais interpretam reiteradamente uma norma jurídica em determinado sentido, fazendo com que o contribuinte creia que, seguindo aquele entendimento, estará agindo corretamente. Convênios celebrados pelas entidades impositoras Entidades impositoras são as que cobram tributos (União, Estado, Município e Distrito Federal). Trata-se de ajustes celebrados entre duas ou mais pessoas de direito público para a prática ou omissão de determinados atos, visando ao aprimoramento da arrecadação e fiscalização tributária. São exemplos os convênios do ICMS e de troca de informações entre os Fiscos. CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 3 ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. Espécies tributárias Existem várias classificações das espécies tributárias, a mais comum é a quinquipartite, que divide o gênero tributo em cinco espécies, são elas: 1) Impostos a) ordinários (art. 145, I, 153, 155 e 156); b) residuais (art 154, I) - União; e c) extraordinário de guerra (art. 154, II). 2) Taxas a) pelo exercício do poder de polícia (art. 145,II, primeira parte) b)pela prestação de serviços públicos (art. 145, II, segunda parte) 3) Contribuições de Melhoria (art. 145, III) 4) Contribuições a) sociais (União) a.1) gerais; e a.2) de seguridade social (previdência,saúde e assistência social) b) de intervenção no domínio econômico (União) c)de interesse das categorias profissionais ou econômicas; (União) e d) de iluminação pública municipal e distrital (município e DF). 5) Empréstimo compulsório 1. Impostos Incidem sobre manifestações de riqueza e é um instrumento de justiça distributiva, fundado na capacidade contributiva. Os impostos tem a ver com certas condutas praticadas pelos contribuintes e nada tem a ver com atividades praticadas pelo Estado em contrapartida. O produto da arrecadação do imposto não pode ser afetado previamente a um fim. Esse é o princípio da não afetação, que comporta exceções as afetações para saúde, educação e para aparelhamento da administração tributária. 2. Taxas O exercício do poder de polícia é realizado, e os serviços públicos são prestados porque são atividades do interesse público. Contudo, não há por que toda a sociedade participar do custeio de tais atividades estatais na mesma medida se são elas específicas, divisíveis e realizadas diretamente em face ou para determinado contribuinte que a provoca ou demanda. O montante cobrado a título de taxa, diferentemente do que acontece com os impostos, não pode variar senão em função do custo da atividade estatal. 3. Contribuição de melhoria Realizada obra pública que implique particular enriquecimento de determinados contribuintes, podem estes ser chamados ao seu custeio em função de tal situação peculiar que os distingue. Efetivamente, havendo benefício direto para algumas pessoas, é razoável que o seu custeio não se dê por toda a sociedade igualmente, mas, especialmente, por aqueles a quem a obra aproveite. O STF prevê que é necessária a valorização imobiliária do imóvel. 4. Empréstimos compulsórios Os empréstimos compulsórios são tributos cujo critério de validação constitucional está na finalidade: gerar recursos para fazer frente a uma situação de calamidade ou guerra externa ou para investimento nacional relevante e urgente, conforme se extrai do art. 148 da CF. O seu traço peculiar e exclusivo é a promessa de devolução. 5. Contribuições Há situações em que o Estado atua relativamente a um determinado grupo de contribuintes. Não se trata de ações gerais, a serem custeadas por impostos, tampouco específicas e divisíveis, a serem custeadas por taxa, mas de ações voltadas a finalidades específicas que se referem a determinados grupos de contribuintes, de modo que se busca, destes, o seu custeio através de tributo que se denomina de contribuições. Não pressupondo nenhuma atividade direta, específica e divisível, as contribuições não são dimensionadas por critério comutativos, mas por critérios distributivos, podendo variar conforme a capacidade contributiva de cada um. CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 4 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. Conceito de Competência Tributária É o Poder dado pelo constituinte aos entes federados para criar (instituir) e majorar tributos, legislar sobre eles, arrecadá-los e fiscalizar os seus contribuintes. Fundamento Legal A competência tributária de cada ente político é estabelecida taxativamente pela Constituição da República em seus arts. 145 a 149-A. As possibilidades de tributação são, portanto, numerus clausus. As prerrogativas advindas da outorga de competências tributárias encontram-se regulamentadas pelos artigos 6ª e 8º do CTN. Da instituição de tributos O não exercício da competência tributária não implica perda da possibilidade de fazê-lo, tampouco a transfere “a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído” (art. 8ª). Da indelegabilidade A competência é indelegável. As funções fiscais (regulamentar, fiscalizar, lançar), são delegáveis, porquanto tal implica tão somente transferência ou compartilhamento da titularidade ativa (posição de credor na relação jurídica tributária) ou apenas de atribuições administrativas (atribuições de fiscalizar e lançar). A União, instituindo as contribuições previdenciárias, colocou, inicialmente, o INSS, que é autarquia federal, como credor, com todas as prerrogativas inerentes a tal posição, nos termos do art. 33 d Lei 8.212/91. Depois atribui à Receita Federal, revogando a delegação concedida ao INSS. Tal possibilidade se encontra no artigo 7º do CTN: Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao46.htm#art18§3 Encontra-se também prevista no artigo 84 do CTN: Art. 84. A lei federal pode cometer aos Estados, ao Distrito Federal ou aos Municípios o encargo de arrecadar os impostos de competência da União cujo produto lhes seja distribuído no todo ou em parte. Parágrafo único. O disposto neste artigo, aplica- se à arrecadação dos impostos de competência dos Estados, cujo produto estes venham a distribuir, no todo ou em parte, aos respectivos Municípios. Isso acontece com o ITR. Os municípios podem celebrar convênio com a União para fiscalizarem e cobrarem, eles próprios, o ITR, hipótese em que ficam com 100% do produto da arrecadação, e não apenas com os 50%, que lhes são destinados quando o tributo é fiscalizado e cobrado pela União, nos termos da nova redação do art. 158, II, da CF. Os artigos 153, 155 e 156 estabelecem as bases econômicas sobre as quais os entes políticos podem instituir impostos. À União, por exemplo, confere a tributação de determinadas riquezas, como importação, exportação, renda, operações com produtos industrializados etc. Para os Estados a tributação sobre circulação de mercadorias, propriedade de veículos automotores etc. Para os municípios a tributação sobre a prestação de serviços de qualquer natureza, propriedade ou posse de bem imóvel situado na área urbana etc. O art. 195, incisos I a IV, arrola as bases econômicas passíveis de serem tributadas para o custeio da seguridade social: folha de salário e demais pagamentos a pessoa física por trabalho prestado, faturamento ou receita, lucro etc. Critérios de atribuição da competência tributária 1)com base na atividade estatal exercida Há tributos cuja competência é outorgada em função da atividade estatal. É o caso das taxas e das contribuições de melhoria. 2)com fundamento na base econômica A competência tributária, relativamente a determinados tributos, é conferida mediante a indicação das situações reveladoras de riqueza passíveis de serem tributadas. Este é o critério de atribuição de competência pelo legislador no que se refere aos impostos. Depois da CF/88, passou a ser usado também para instituição das contribuições sociais. 3)com fundamento na finalidade A Constituição também outorga competências pelo critério da finalidade, indicando áreas de atuação que justificam a instituição de tributos para o seu custeio. Exemplos são as contribuições e os empréstimos compulsórios. Evidencia, nas espécies tributárias cuja competência é desse modo outorgada, o caráter instrumental do tributo: o tributo como instrumento da sociedade para viabilização de políticas públicas. Não se trata de arrecadação para a simples manutenção da máquina estatal em geral, mas de arrecadação absolutamente fundamentada e vinculada à realizaçãode determinadas ações de governo. CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 5 LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR - INTRODUÇÃO Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. Das limitações ao Poder de Tributar Como o ente político, denominado Estado, exige dos indivíduos uma parcela do seu patrimônio? R: O Estado é soberano e essa soberania se manifesta de diversas formas, uma delas é o poder de tributar. Esse poder é o de transferir parcela do patrimônio do particular para os cofres públicos é um poder de direito e não um poder-força (exercido pela força). Isso porque a relação de tributação é uma relação jurídica. O poder de tributar é um poder lastreado no consentimento do cidadão, destinatário da invasão patrimonial. Tributo não se confunde com Direito Tributário. Enquanto aquele visa obter recursos para custear as atividades estatais, o direito tributário visa efetivar o controle do poder de tributar. O Direito Tributário existe para delimitar o poder de tributar, transformando a relação tributária, que antigamente era de poder, em relação jurídica. O poder de tributar é exercido dentro de uma relação jurídica, portanto, não pode ser absoluto. É limitado por regras que visam coibir abusos. Por isso, a relação jurídica entre governante e governado deve se dar dentro do espaço definido na CF. Esse espaço constitucional, por muitos chamado de “moldura constitucional”, tem como normas limitadores ao poder de tributar as normas de competência tributária os princípios constitucionais tributários e as imunidades. Normas jurídicas de competência tributária São as normas constitucionais que repartem entre os entes federativos o poder de tributar, ou seja, são as que indicam quais tributos poderão ser cobrados por determinado ente federativo. Princípios constitucionais tributários São princípios que garantem o contribuinte contra a força tributária do Estado, por esse motivo, o STF considerou os princípios tributários como verdadeiras cláusulas pétreas. Alguns princípios estão nos artigos 150, 151 e 152, outros, estão em outros lugares da constituição. CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 6 LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. 1) Princípio da Legalidade Tributária Originou-se da Carta Magna, de 1215, do Rei João Sem Terra, de onde nasceu a expressão “no taxation without representation” (se não houver representantes do povo não deverá haver impostos). Reforça a ideia de que a tributação pressupõe consentimento popular. Na época, o rei tributava fortemente a nobreza e a plebe, que se uniram e impuseram a ele um estatuto visando limitá-la. A tributação excessiva também motivou a independência norte-americana e a revolução francesa. Por isso a tributação sempre dependerá de previsão legal. É tão importante, que só na CF está em três lugares: no artigo 5º, II (legalidade geral), no artigo 37 (princípio da administração pública) e no artigo 150, I (legalidade tributária). Prevê que nenhum tributo será criado (instituído) ou majorado (aumentado) ou reduzido sem lei que o faça. Para reduzir e extinguir tributo (desoneração tributária), também depende de lei (artigo 97 do CTN). Os tributos são instituídos pelos entes (criados) por lei ordinária (artigo 97 do CTN), mas há casos em que demanda lei complementar (imposto sobre grandes fortunas e empréstimos compulsórios). A Lei que institui o tributo deve ter os elementos citados no artigo 97 do CTN. Para todas as hipóteses previstas no artigo 97 do CTN só lei. Pelo artigo 97 do CTN, a previsão de imposição de multa para infração aos dispositivos da lei tributária também dependerá de lei. A legalidade do direito tributário é a estrita, onde todos os elementos do tributo: fato gerador, sujeitos, base de cálculo e alíquota devem constar da lei que o criou, assim como a sua redução, majoração ou extinção. Por isso se diz que estas matérias são reserva de lei, ou seja, reservadas a previsão em lei. O STF entende que não precisa de lei para fixar a data de pagamento do tributo, isso pode ser feito por ato normativo secundário. As chamadas obrigações acessórias (artigo 113, §2º, do CTN) , também conhecidas por obrigações instrumentais, que são obrigações que o contribuinte deve cumprir visando facilitar à fiscalização. Não envolvem pecúnia, invasão patrimonial. Por isso também podem ser criadas por atos normativos secundários, também chamados de atos infralegais. O princípio da legalidade é mitigado em relação ao imposto de importação, imposto de exportação, imposto sobre produtos industrializados e imposto sobre operações crédito, onde, dentro de limites estabelecidos em lei, o Poder Executivo pode variar a alíquota para menos ou para mais, mas isso não é uma exceção ao princípio da legalidade como muitos dizem. Por isso, não é correto dizer que qualquer tributo só pode ter suas alíquotas aumentadas ou reduzidas por lei. 1.1. A Medida provisória e os tributos A Medida Provisória, nos termos do artigo 62, §2º da CF, é meio idôneo a instituir e majorar tributo (a literalidade do artigo diz imposto). A Medida Provisória (MP) também pode ser usada pelos demais entes federativos, desde que haja previsão nas suas constituições, assim decidiu o STF: Ellen Gracie concluiu seu voto no sentido da constitucionalidade da adoção de medidas provisórias pelos estados, “com a condição inafastável de que esse instrumento esteja expressamente previsto na Constituição Estadual e nos mesmos moldes impostos pela Constituição Federal, tendo em vista a necessidade da observância simétrica do processo legislativo federal”. A Medida Provisória só pode instituir ou majorar tributo que possa ser instituído ou majorado por lei ordinária, por lei complementar não é possível, a exemplo dos impostos sobre grandes fortunas e os empréstimos compulsórios. 2) Princípio da Anterioridade Tributária Encontra-se expresso no artigo 150, III, alíneas “b” e “c”, da CF. A alínea “b” atrela-se à chamada anterioridade anual. A alínea “c” atrela-se à chamada anterioridade nonagesimal. A anterioridade é um princípio que mexe com a vigência da lei tributária, mas o que é vigência de uma lei? 2.1) Planos de normatividade das leis a)Plano de validade – Segundo Hans Kelsen “dizer que uma norma é válida importa afirmar que ela existe juridicamente. A validade é sinônimo de existência da norma no ordenamento jurídico. Ela faz parte do “mundo do direito”. Integra o direito positivo. Qual é o marco temporal da validade de uma Lei? Ou seja, a partir de que momento uma norma jurídica passa a pertencer ao direito positivo? É com o ato de publicação, isto é, o momento em que o direito considera a tomada de ciência pela mensagem produzida pelo legislador. b)Plano da vigência – Segundo Paulo de Barros Carvalho é o atributo das normas que estão preparadas (não significa dizer que irão incidir) para incidir no mundo social, regulando as condutas intersubjetivas (lembre-se: para Kelsen direito é uma ordem de conduta humana, ou seja,é um conjunto de normas jurídicas que visam regular a conduta humana). Quando a norma ingressa no ordenamento jurídico com a publicação ela apenas é valida. Não tem aptidão para produzir efeitos. Essa aptidão para produzir efeito (não quer dizer que vai produzir efeito) somente ocorrerá em regra 45 dias depois , ou salvo disposição em lei (da data da sua publicação etc), ou quando o prazo é fixado em ato normativo de superior hierarquia (como o princípio da anterioridade, que prescreve a entrada em vigor da norma instituidora de tributo no exercício financeiro seguinte ao da sua publicação ou/e noventa dias após). Isso é anterioridade. Princípio que define a partir de que momento a norma tributária irá entrar em vigencia. Esse período de tempo em que a norma é válida mas não tem força para regular as condutas humanas que prescreve, é denominada de vacatio legis. c)Plano da eficácia – a palavra eficácia, no âmbito jurídico, está relacionado à produção de efeitos normativos, isto é, à efetiva irradiação das consequências próprias à norma. Vigência e eficácia não se confundem. Uma coisa é a norma estar apta a produzir as consequências que lhe são próprias, outra coisa é a produção desta consequências. Existem normas que têm condições de produzir efeitos, mas não produzem, seja porque ou não incidem (explo: norma que depende de outra norma para incidir) ou porque simplesmente não são cumpridas pelos seus destinatários (antigos crime de sedução e adultério). 2.2) Conceito de anterioridade “A constituição exige que a lei que crie ou aumente tributo seja anterior ao exercício financeiro em que o tributo será cobrado e, ademais, que se observe a antecedência mínima de noventa dias entre a data da publicação da lei que o instituiu ou aumentou e a data em que passa a aplicar-se”. 2.3) Por que existe esse princípio? Visa ratificar o sobreprincípio da segurança jurídica. Visa coibir a tributação de surpresa. 2.4) O princípio da anterioridade de exercício /. anual Artigo 150, III, “b”, da CF: “é vedado cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou” É o período compreendido entre 1º de janeiro a 31 de dezembro. Ex: Tributo criado ou majorado em março de 2002: a norma entrará em vigência (adotamos o entendimento de Paulo de Barros Carvalho, visto anteriormente) em 1º de janeiro de 2003. 2.5) O princípio da anterioridade nonagesimal Artigo 150, III, “c”, da CF: “É vedado cobrar tributos antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea “b”.” Ex: Tributo criado ou majorado em março de 2002: a norma entrará em vigência (adotamos o entendimento de Paulo de Barros Carvalho, visto anteriormente) em junho de 2002. A regra é que a instituição, majoração, redução e extinção de tributos se submeta as duas anterioridades, porém, existem tributos que se submetem as duas anterioridades, outros a apenas uma e outros a nenhuma. 2.6) Não se submetem a anterioridade alguma Imposto de Importação, de Exportação, Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Imposto Extraordinário de Guerra (IEG), Empréstimos compulsórios para calamidade pública ou guerra externa, 2.7) Se submetem somente a anterioridade nonagesimal O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), CIDE – Combustível, ICMS – Combustível e as Contribuições para a Seguridade Social. 2.8) Se submetem somente a anterioridade anual Imposto de Renda e alterações na base de calculo do IP TU e do IPVA. 2.9) Se submetem as duas anterioridades Todos os demais tributos (IPTU, IPVA exceto as alterações nas suas bases de cálculo, ITBI, ICMS etc). 3) Princípio da Isonomia Tributária Encontra-se expresso no artigo 5º, caput, e no artigo 150, II, da CF (este é chamado de isonomia tributária). Esse princípio prevê o tratamento igual aos iguais e desigual aos desiguais, de modo a igualá-los substancialmente. A igualdade tributária impede o tratamento desigual a contribuintes que se encontram na mesma situação. Por isso é conhecido como o princípio da proibição dos privilégios odiosos. Na década de 1970 os militares, magistrados e deputados gozavam de isenção de imposto de renda, o que deixou de existir pela aplicação do princípio da isonomia tributária. Todos os atos com repercussão econômica previstos em lei são factíveis de serem tributados, sejam eles lícitos, ilícitos, nulos, anuláveis etc. Trata-se da cláusula pecunia non olet (resposta dada pelo imperador Vespasiano ao seu filho Tito, sobre a tributação do uso de banheiros ou mictórios públicos). A sua previsão se encontra no artigo 118 do CTN. Ou seja, não interessa que o dinheiro venha do tráfico de drogas, prostituição, roubo etc. Haverá tributação. 3.1) A capacidade contributiva e a tributação justa Cada um deve contribuir de acordo com a sua capacidade econômica. A equidade na tributação se desdobra em duas dimensões: a) Equidade horizontal – todos os indivíduos iguais devem ser tratados igualmente. b) Equidade vertical – tratamento desigual aos indivíduos desiguais. O tributo pode ter um fim fiscal (arrecadatório) ou extrafiscal, que consiste no uso de instrumentos tributários para fins não arrecadatórios. Há divergência sobre a necessidade de se observar a capacidade contributiva do contribuinte na imposição de tributos com funções extrafiscais. Encontra previsão no artigo 145, §1º da CF 4) Princípio da Irretroatividade Tributária A irretroatividade tributária está prevista no artigo 150, III, “a”, da CF e no artigo 105 do CTN. A irretroatividade genérica se encontra no artigo 5º, XXXVI da CF. A vigência da lei é prospectiva (para frente). “ A ação do Fisco deve ser previsível. Em nome dessa previsibilidade, a lei que cria ou aumenta um tributo não pode alcançar fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor. Sem esse penhor de confiança, toda a vida jurídica do contribuinte perigaria.” Roque Carrazza. É um ideal de segurança jurídica. Há exceções a irretroatividade no artigo 106 do CTN, pois há dois tipos de normas jurídicas que podem retroagir. As normas interpretativas e as em geral as multas. 5) Princípio da Vedação ao Confisco Previsto no artigo 150, IV, da CF. Se diz que será confiscatório o tributo que exceder a capacidade contributiva, mas não oferece critérios objetivos para se saber quando é ou não confiscatório. O confisco no ordenamento jurídico brasileiro só é permitido nas hipóteses dos artigos 5º, XLVI, “b”, da CF (imposição de pena de perdimento) e artigo 243, parágrafo único, da CF (expropriação de glebas destinadas a cultura de plantas psicotrópicas e ao trabalho escravo). O confisco faz com que se ultrapasse a capacidade contributiva do cidadão. A vedação do confisco decorre do princípio da capacidade contributiva, que, por sua vez, decorre do princípio da igualdade. 6) Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Bens e a Ressalva do Pedágio Previsto no artigo 150, V, da CF. Para este princípio, a intermunicipalidade e a interestadualidade não poderão ser fatos geradores de quaisquer tributos, sejam federais, estaduais ou municipais. O tráfego de pessoas e bens, entre Municípios e Estados não pode ser tributado. O fato gerador do tributo não pode ser a transposição de Municípios ou Estado. Visa dar efetividade ao artigo 5º, XV, da CF. A exceção era o pedágio, necessário à conservação das rodovias públicas, mas hoje ele não é mais considerado uma exação tributária, mas sim uma tarifa ou preço público. O ICMS não se refere a uma exceção pois o seu fato gerador não é a transposição interestadual ou intermunicipal, mas sim a circulação da mercadoria. Há uma divergência sobre a natureza jurídica do pedágio. Para alguns é taxa, para outros é preço público da espécie tarifa. Para nós a segunda corrente é a correta, pois se tributo fosse não poderia ser arrecadado e fiscalizado por entes privadoscomo as concessionárias, pois quando se trata de tributo somente entes públicos pode fazê-lo. Além do mais, as prestações são majoradas por atos normativos que não são leis. 7) Princípio da Uniformidade Geográfica Previsto no artigo 151, I, da CF. Os tributos federais devem ser cobrados da mesma forma em todo território federal. As exceções estão previstas no próprio artigo e são os incentivos fiscais, isto é, aqueles destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do pais. 8) Princípio da Vedação às Isenções Heterônomas Previsto no artigo 151, III, da CF. Veda à União a concessão de isenção de tributos que refogem a seu plano de competência tributária. Ou seja, impede que a União isente de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 9) Princípio da Não Discriminação Baseada em Procedência ou Destino Previsto no artigo 152 da CF. Visa dar efetividade ao princípio da uniformidade da tributação federal no território nacional. É vedado aos Estados, DF, Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços em razão da sua procedência ou destino. CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 7 LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR – IMUNIDADES Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. IMUNIDADES 1) Conceito É uma limitação constitucional à competência tributária outorgada aos entes federativos pela constituição. Ou seja, o ente federativo não poderá tributar (criar tributo) as situação a que se refere a norma isentiva. 2) Localização - A previsão constitucional das imunidades se encontra no artigo 150, inciso VI, da CF. Só é aplicado aos impostos, não sendo aplicado a outros tributos, como taxas, contribuições etc. 3) Espécies - Há duas espécies de imunidades. A objetiva que é estabelecida em favor de um bem ou operação e a subjetiva, que é estabelecida em prol de uma pessoa, que pode ser um ente político, um credo religioso (templo), um partido político ou uma entidade sem fins lucrativos. 3.1) Imunidades subjetivas a) imunidade recíproca – visa garantir o federalismo, impedindo que um ente federativo cobre imposto (lembre-se que imunidade é só para imposto) de outro ente federativo, isso porque ao ser tributado o contribuinte se coloca em situação de sujeição. Essa imunidade não é restrita somente a renda, patrimônio e serviço, alcança todo e qualquer imposto. b) imunidade dos templos – visa garantir a liberdade de culto. Abrange, toda e qualquer forma de expressão da religiosidade, mas não alcança cultos satânicos, por contrariar a teleologia do texto constitucional e o preâmbulo da constituição, que informa ser a mesma promulgada sob a proteção de Deus. Nos termos do artigo 150, §4º, da CF (atividades relacionadas as atividades fins da entidade imune) , as residências dos padres, pastores e seus escritórios, quermesses, almoços e lojas de produtos religiosos estão abrangidos pela imunidade, ou seja, tem-se que verificar se o valor obtido com o exercício da atividade lucrativa é vertido para as finalidade essencial do credo. Locação de imóveis de entidades imunes – súmula vinculante 52 do STF: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas.” : c) imunidade dos partidos, sindicatos, entidades educacionais e assistenciais – alínea “c” do inciso VI do artigo 150 da CF. O artigo 14 do CTN define as condições necessárias a usufruir do benefício: I)aplicar todos os recursos obtidos na manutenção dos seus fins no Brasil; II)manter escrituração regular; e III)não distribuir lucro. Os sindicatos são somente os dos trabalhadores. A imunidade às instituições de educação alcança todo e qualquer estabelecimento de ensino (nível fundamental até o superior). Não se exige que as entidades assistenciais atuem de forma exclusiva com pessoas carentes. Ou seja, entidades de previdência social fechada onde não há contribuição do beneficiário se enquadra em entidade assistencial. 3.1) Imunidade objetiva a) imunidade dos livros, jornais, periódicos e do papel para impressão – artigo 150, VI, d, da CF. Visa garantir o acesso à cultura. Essa imunidade é objetiva. Só incide sobre os objetos acima. Não alcança as editoras, empresas jornalísticas etc, que são tributadas normalmente. O STF vem reconhecendo essa imunidade para os livros em CD-ROM e E-BOOKS. Alcança também apostilas, lista telefônica, álbuns de figurinhas etc. Não abrange distribuição de encartes de propaganda. Pelo STF não estão abrangidos na imunidade a tinta especial para jornal, máquinas e aparelhos usados pela empresa jornalística. CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 8 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. 1) Conceito A expressão “legislação tributária” compreende todo o espectro de normas jurídica. Sejam atos normativos primários, sejam secundários e até atos administrativos. 2) Normas constitucionais O sistema tributário nacional tem todo o seu desenho na Constituição Federal, que estabelece a competência tributária de cada ente político e as limitações que estes enfrentarão quando as competências forem exercidas. 3) Leis complementares (LC) São leis que visam complementar uma norma constitucional. A CF prevê expressamente as matérias que serão reguladas por lei complementar. Para saber se determinada matéria deve ser regulamentada por LC precisamos olhar antes a CF. Só precisa de LC se a CF assim prever, caso contrário a matéria pode ser tratada por lei ordinária. A CF requer LC, por exemplo, em seus arts. 146, I a III, 154, I, 155, §2º, XII, e 156,III. Reserva de LC para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária São normas gerais aquelas que definem o arquétipo (estrutura) do tributo. Estabelecem princípios, fundamentos, diretrizes, que as leis que o irão instituir devem observar em todo país. O ICMS, por exemplo, foi instituído em cada Estado do Brasil por uma Lei ordinária (se foi por lei complementar não precisaria). Mas todas essas leis devem observância a LEI COMPLEMENTAR Nº 87, DE 13 DE SETEMBRO DE 1996. Em São Paulo, o ICMS foi instituído pela Lei Estadual n. 6.374/89, que lhe é anterior. Quando a LC 87/1996 entrou em vigor, a Lei Estadual a ela precisou se adequar. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lcp 87-1996?OpenDocument O artigo 146, III, da CF qualifica como normas gerais “especialmente” (são apenas exemplos) as que versam sobre a definição de tributos e de suas espécies, sobre fato gerador, base de cálculo, contribuintes dos impostos discriminados na CF, obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários etc. 3) Resolução do Senado Cabe ao senado fixar alíquotas máximas do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação, o que é feito por resolução. Fixa também alíquotas mínimas do IPVA e mínima e máxima do ICMS, tambémpor resolução 4) Convênios São acordos estabelecidos entre entes políticos visando principalmente a troca de informações, fiscalização etc. A deliberação sobre a concessão de isenções, incentivos e benefícios fiscais de ICMS é realizada mediante convênios entre as Fazendas de tais entes políticos, firmados no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ). 3) Tratados internacionais Um tratado percorre um caminho composto pela sua assinatura, aprovação pelo congresso nacional por decreto legislativo, ratificação pelo Presidente da República, promulgação por Decreto do Presidente e publicação do texto do tratado. Feito isso ele passa a integrar a legislação tributária. Se dispuser sobre garantia fundamentais dos contribuintes ostentará o status de norma constitucional. Os tratados e convenções internacionais não “revogam” a legislação interna. O que ocorre é que as normas contidas em tais tratados, por serem especiais, prevalecem sobre a legislação interna, afastando sua eficácia no que com esta forem conflitantes. 4) Leis ordinárias e medidas provisórias Exige-se lei ordinária para instituição, majoração, redução e exoneração da obrigação de pagar tributo e para o estabelecimento de penalidade pelo descumprimento de obrigações tributárias (multas). São DETALHADOS por lei ordinária o fato gerador e a base de cálculo (nesses 2 casos a sua definição é por lei complementar , artigo 146, III, “a”, da CF). Por ela são concedidas as isenções, os créditos presumidos etc. Exige-se a legalidade estrita. A lei deve dispor por completo sobre a matéria, deixando para o executivo apenas a sua regulamentação. Às medidas provisórias aplica-se o mesmo, pois tem força de lei ordinária. Sobre a criação de obrigações acessórias (obrigações de prestar informações ao fisco por declarações, em geral) há duas correntes: 1ª Corrente – Só podem ser criadas por lei, com fundamento no artigo 5º, inciso II, da CF. Só a lei pode obrigar a alguém fazer ou deixar de fazer algo e as obrigações acessórias de fazer e não fazer. 2ª Corrente – Podem ser criadas por atos normativos secundários, assim dispõe o artigo 113, §2º, do CTN c/c artigo 97, inciso III (lei só para obrigação principal). 5) Decretos, instruções normativas, regulamentos etc Em matéria tributária, não se pode dizer que os Decretos ou outros atos normativos secundários se limitem à regulamentação estrita das leis. Poderão detalhar obrigações acessórias criadas por lei, definir data de vencimento de tributos, definir indexador que serve a correção determinada por lei, especificar procedimentos de fiscalização etc. 6) Vigência e aplicação da legislação tributária A regra é comum àquela estudada em direito constitucional, porém, são exceções que: 1- a lei só passará a ser vigente depois de observadas as anterioridades do exercício e nonagesimal. 2- se aplica retroativamente quando a lei for expressamente interpretativa, deixar de definir determinados atos como infração e estabelecer penalidade menos severa. 6) Integração e interpretação da legislação tributária O CTN no artigo 107 orienta o operador do direito acerca de como a norma tributária deve ser interpretada em determinadas circunstâncias. Da diferença entre interpretação e integração A interpretação ocorre quando há um dispositivo normativo específico aplicável a uma situação concreta, e o aplicador da lei procura definir o sentido e a abrangência da norma. A integração ocorre quando não há norma específica aplicável ao caso concreto.É quando há uma lacuna legislativa. 6.1) Interpretação Classificação segundo a fonte: judicial, doutrinária, autêntica. Classificação segundo o método: gramatical ou literal, sistemática, teleológica, extensiva e restritiva. Regras específicas sobre a Interpretação da norma tributária Para interpretação literal ou gramatical (artigo 111) é usada quando se for interpretar leis que: a)disponham sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário; b)outorga de isenção; c)dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. Para interpretação benéfica (artigo 112) é usada quando se for interpretar leis que apliquem penalidades e haja dúvida sobre a : a)capitulação legal do fato; b)às circunstâncias materiais do fato; c)a autoria, imputabilidade ou punibilidade; e d)à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A interpretação benéfica só pode ser aplicada em caso de dúvida. Não havendo dúvida não deve ser aplicada. A sua máxima é: in dubio pro contribuinte. Para pelo princípio pecunia non olet (artigo 118) – “A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelo contribuinte”. Nós devemos somente olhar para lei e ver se aquele fato nela prevista aconteceu ou não. Não interessa se a circunstância que lhe deu origem foi ou não lícita. Por exemplo: o fato que dá origem a tributação pelo imposto de renda é a obtenção de renda (produto do trabalho ou do capital) ou proventos (qualquer acréscimo patrimonial que não resulte do trabalho ou do capital). Se alguém obtém renda traficando drogas, a renda será tributada, pois o que se tributa é a renda, não interessando de onde tenha vindo. Para interpretação usando os princípios gerais e os institutos de direito privado (artigo 109 e 110) Se os conceitos de direito privado estiverem na constituição (ex: bem imóvel etc), não podem ser alterados pelo direito tributário. Se não estiverem previstos na constituição federal podem ser alterados. Exemplos: no direito tributário a transação não pode ser usada para prevenir litígios, como ocorre no direito privado, também não pode a solidariedade decorrer da vontade das partes, mas somente da lei. Conclui-se, porém, que não se interpreta no direito tributário normas que usem institutos de direito civil alterados pelo direito tributário, à luz do código civil, por exemplo. 6.2) Integração Os métodos de integração estão previstos no artigo 108 e devem ser usados na ordem em que se encontram: a) analogia, que não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei; b) os princípios gerais de direito tributário; c) os princípios gerais de direito público; e d) a equidade, que não resultar na dispensa de pagamento de tributo devido. CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO APRESENTAÇÃO 9 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Prof. Marco Antônio de Mello Pacheco Neves ATENÇÃO ! O “slide” tem apenas duas finalidades. A primeira de servir como um roteiro a ser seguido pelo Prof., quando da aula. A segunda, de permitir ao aluno que faça um planejamento, de modo que, ao assistir a aula, já tenha tomado contato prévio com o conteúdo que será ministrado. Não esgota a matéria, não dispensa a presença do aluno em sala de aula e não dispensa a pesquisa doutrinária e jurisprudencial. Linha do tempo do estabelecimento da obrigação tributária Hipótese de incidência Fato Gerador Obrigação Tributária Crédito Tributário. sujeitos ativo, sujeito passivo, objeto (prestação) Relação jurídica de natureza tributária Ocorrendo no mundo dos fenômenos um evento tido pela legislação tributária como apto a ser tributado por um dos entes federados, estabelece-se, automaticamente e compulsoriamente, uma relação jurídica entre o Estado e aquele que se enquadrou na previsão legal. Esta relação jurídica nasce por força de lei, por isso é compulsória e não espontânea. O sujeito ativo será o ente federativo com competência tributária para instituir o tributo. O sujeito passivo aquele que praticou o fato previsto em lei como apto a ser tributado. A prestação , que é o objeto da relação jurídica tributária, será o tributo devido. O objeto pode se materializar em uma obrigação dotada de patrimonialidade (obrigação de pagar – obrigação de dar) ou de instrumentalidade (obrigação de fazer ou não fazer). A primeira, quando se traduz em pagamento (sempre em pecúnia), é denominada deprincipal, e se consubstancia em uma obrigação de dar, prevista no artigo 113, parágrafo primeiro do CTN. A segunda, é chamada de acessória ou instrumental, pois tem como objeto uma obrigação de fazer ou não fazer, prevista no parágrafo segundo do mesmo artigo. A hipótese de incidência e o fato gerador A hipótese de incidência representa o momento abstrato previsto em lei, hábil a deflagrar a relação jurídico-tributária. Traduz a escolha feita pelo legislador de fatos quaisquer do mundo fenomênico, propensos a ensejar o nascimento da obrigação tributária. Em síntese, a lei descreve um fato que, quando ocorrer, vai dar ensejo a relação jurídico-tributária. O fato gerador, também chamado de fato imponível, é a materialização da hipótese de incidência. Portanto, o acontecimento da previsão legal abstrata de um fato no mundo dos fenômenos dá existência ao fato gerador. A adaptação do fato ao tipo tributário previsto abstratamente leva ao fenômeno da subsunção. A partir dela, nascerá o liame jurídico obrigacional, que dará lastro a relação jurídica obrigacional. Conclui-se que: “A hipótese de incidência é a situação descrita em lei,recortada pelo legislador entre inúmeros fatos do mundo fenomênico, a qual, uma vez concretizada no fato gerador, enseja o surgimento da obrigação tributária.” PBC Critérios que integram a hipótese de incidência, o tipo (artigo de lei) tributário No nosso estudo usaremos como exemplo o IPTU. A competência tributária (definição de que ente irá cobrar o IPTU) é definida no artigo 156, I, da CF: Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: I - propriedade predial e territorial urbana; Em seguida, o Código Tributário Nacional (lei complementar) define a sua hipótese de incidência, nos termos da exigência contida no artigo 146, III, “a”, da CF: Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município. Se o município quiser cobrá-lo deve, por lei, instituí-lo. Então, toda hipótese de incidência deverá conter os seguintes critérios abaixo, a que Paulo de Barros Carvalho denominou de Regra Matriz de Incidência Tributária: Critério Material É a ação que o contribuinte irá praticar que o levará a ostentar a condição de devedor do Fisco municipal. No IPTU é se tornar proprietário de um imóvel, ou ter a sua posse ou domínio útil. Ou seja, o critério material é: “adquirir a propriedade, a posse ou domínio útil de imóvel”. ´É representado pelo verbo e seu complemento. Critério Temporal Fixa em que momento o fato gerador irá ocorrer. Isso é estabelecido na Lei que institui o IPTU. Em regra é no primeiro dia do ano. Critério Espacial O imóvel deve estar situado na zona urbana. O artigo 32 do CTN estabelece o que vem a ser zona urbana. Se o fato (evento) que ocorreu contiver todos esses elementos poderemos dizer que ocorreu o fato gerador, pois foram preenchidos todos os critérios da hipótese de incidência. Nesse momento surge a obrigação tributária e surge com ela o sujeito ativo e passivo. O contribuinte ou o Auditor Fiscal irão definir a prestação dessa obrigação, identificando a base de cálculo (riqueza sobre a qual o tributo irá incidir), aplicarão uma porcentagem chamada de alíquota e, assim chegarão à prestação (tributo devido). Espécies de obrigações tributárias O legislador considera a existência de duas espécies de obrigação tributária. Uma denominada de obrigação principal, que é aquela que consiste em uma obrigação de dar, traduzida no pagamento de tributo e de multa. A outra é denominada de obrigação acessória, que consiste na obrigação de fazer ou de não fazer, em regra consubstanciada em uma obrigação de prestar informações para o fisco, viabilizando assim a fiscalização.A essa obrigação Paulo de Barros Carvalho denomina de “deveres instrumentais”. Sujeitos da relação jurídica tributária 1) Sujeito ativo É aquele que pode exigir tributo. Pode ocorrer que o ocupante do polo ativo da relação obrigacional não seja a mesma pessoa competente para instituir o tributo. Mas deve ser um pessoa jurídica de direito público, que receberá a atribuição de fiscalizar, arrecadar e executar leis etc da pessoa política que detém a competência tributária, passa a ser aquele o sujeito ativo da obrigação tributária. A competência tributária (de instituir tributo) é indelegável. A capacidade tributária ativa (de cobrar, fiscalizar etc) é delegável, mas somente a pessoas jurídicas de direito público. Sujeitos da obrigação tributária Sujeito passivo é aquele que é responsável por cumprir com a prestação estabelecida na obrigação tributária de dar, fazer ou não-fazer. O sujeito passivo da obrigação principal é aquele que tem o dever de pagar tributo ou multa (obrigação de dar). O sujeito passivo da obrigação acessória é aquele que tem o dever de fazer ou não-fazer alguma coisa que não seja pagar tributo ou multa. Espécies de Sujeitos passivos da obrigação principal (artigo 121 do CTN) a) Contribuinte; e b) responsável. a) Contribuinte É aquele que pratica a ação descrita no fato gerador. No Imposto de Renda Pessoa Física o fato gerador é adquirir disponibilidade de renda ou proventos. Se Fulano trabalha, quem adquire rendimentos do trabalho é Fulano, e Fulano é contribuinte do Imposto de Renda. b) Responsável É aquele que não praticou a ação descrita na hipótese de incidência, mas tem relação com ela. No caso do imposto de renda pessoa física, o responsável é a empresa que fez o pagamento a fulano. Não é ela quem vai pagar o imposto, mas é ela que o vai descontar do pagamento que fez a fulano e repassar à União. Critério de distinção entre contribuinte e responsável O critério usado pelo CTN para distinguir o contribuinte do responsável é o da proximidade com o fato gerador, chamado pela doutrina como critério da proximidade. O contribuinte tem uma relação mais próxima, o responsável mais distante, mas ambos têm relação com o fato gerador. Essa bipartição não existe em relação à obrigação acessória. Capacidade tributária Ter capacidade passiva significa apenas ter possibilidade de realizar o fato gerador de obrigação tributária. Não importa se a cobrança poderá ser feita diretamente da pessoa que realizou o fato gerador ou terá que ser feita de um representantes. A pessoa que tem relação direta com o fato gerador é contribuinte, mesmo que a cobrança não seja feita diretamente contra ela. Assim, um recém-nascido pode ser proprietário de um imóvel urbano; o contribuinte do IPTU é ele. Ter capacidade ativa é poder exigir o tributo e fiscalizar o seu pagamento. Inoponibilidade ao Fisco de convenções havidas entre particulares Os particulares celebram contratos, acordos etc. O que ficar definido entre eles não pode ser oposto ao Fisco. No direito tributário não vigora a autonomia da vontade. Se João, proprietário do imóvel locado, estabelece com o seu inquilino, no contrato de locação, que ele é o devedor do IPTU, isso só vale para eles dois. Se ele deixar de pagar, João continua como contribuinte junto ao Fisco municipal e dele será cobrado o IPTU.