Prévia do material em texto
Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Apostila: DIREITO TRIBUTÁRIO I Profª. Me. Amanda Zini Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito RELAÇÃO COM AS OUTRAS DISCIPLINAS DIREITO CIVIL Artigo 110 do CTN – competências DIREITO ADMINISTRATIVO – o tributo é cobrado por meio de atividade administrativa vinculada (temos a competência de quem pode cobrar); DIREITO FINANCEIRO – funcionalidade da tributação análise da instituição de contribuições e empréstimos compulsórios; DIREITO COMERCIAL – tipos de sociedade, responsabilidade dos sócios, representantes das empresas, adquirentes de fundos de comércio, apuração do lucro função social da empresa, contratos, falência, recuperação judicial; DIREITO DO TRABALHO – comprovação do vínculo trabalhista – recolhimento do INSS (por exemplo); DIREITO INTERNACIONAL - convenções internacionais (União Europeia – Mercosul) DIREITO PROCESSUAL CIVIL – satisfação de créditos bem como restituição de valores ao contribuinte; DIREITO PENAL – criminalização do descumprimento de obrigações tributárias CIÊNCIA DO DIREITO TRIBUTÁRIO O direito tributário é um ramo do direito público que vai tratar da regulamentação da cobrança de tributos pelo Estado, tanto das pessoas naturais como das pessoas jurídicas. Nas palavras de Moraes1: “pode ser definido como o conjunto sistemático de princípios e normas jurídicas que disciplinam o poder fiscal do Estado e suas relações com as pessoas sujeitas a tal poder”. O direito tributário, surgiu muito antes da contemporaneidade, e possuía muitas características diversas das que vemos hoje. Quando as pessoas começaram a se reunir e 1 Moraes, Bernardo Ribeiro de. Compêndio de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1984. p. 106. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito formar sociedades, foi que surgiu a necessidade de um fundo financeiro, que fosse fruto da colaboração da coletividade, cujo objetivo era suprimir as necessidades coletivas. A origem do direito tributário no tempo é difícil de se precisar, pois passa pela antiguidade onde pode ser identificada no Código de Hamurabi e Manu. No Brasil, a tributação começa a ser instituída quando do seu descobrimento, isso se dá em razão da imposição do direito português, o qual foi consolidado pelas Ordenações Manuelinas. Um exemplo de tributo nessa época era o pagamento do Quinto do Pau Brasil, ou seja, por meio de contratos particulares firmados com a Coroa poderia ser explorado o pau-brasil, em troca quem fosse detentor do monopólio deveria pagar 1/5 dos frutos da venda da madeira ao soberano. Importante destacar, aqui, que embora o Brasil tenha sido descoberto em 1500, passaram- se mais de 30 anos até que ele passou a ser desenvolvido. As modificações começaram a acontecer quando em 1534, são instituídas as capitanias hereditárias que dividiram o Brasil em territórios com autonomia própria as quais eram administradas por donatários indicados pela corte portuguesa. CONCEITO DE TRIBUTO Além da relação com algumas das outras áreas do direito, precisamos entender o conceito de tributo, e como esse conceito reflete em toda a disciplina. Encontramos o conceito de tributo no artigo terceiro do CTN Art. 3º: Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Tributo é, portanto, uma prestação pecuniária compulsória, que uma vez prevista na legislação em norma que foi criada pelo ente competente e ocorrendo seu fato gerador e sem qualquer previsão de dispensa pela CF (que seriam as imunidades) ou em norma infraconstitucional (como é o caso das isenções/convênios) o tributo deverá ser pago. Exprime-se, do conceito de tributo que ele é obrigatório e compulsório. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito DO PAGAMENTO DO TRIBUTO Com relação ao pagamento do tributo, via de regra este deverá ser feito em pecúnia (dinheiro), o CTN facultativamente, permite o pagamento do tributo por meio de dação em pagamento de bem imóvel, tal opção está prevista nas formas de extinção de crédito tributário: Art. 156: Extinguem o crédito tributário: XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela LCP nº 104, de 2001). A dação em pagamento, contudo, não abrange bens móveis. Somente poderia ser realizada se atendesse os seguintes critérios: - lei específica autorizando; - criada pelo ente competente; Dessa forma, poderia ser criada uma norma infraconstitucional que autoriza outra forma de dação em pagamento, como por exemplo a dação em pagamento de bens móveis? De acordo com a Constituição e com a Lei, se compreende que não, tendo em vista que a Constituição em seu artigo 146, dispõe expressamente que as normas gerais sobre direito tributário somente poderão ser alteradas pela União, por meio de lei complementar. Outra característica do tributo é que ele não poderá ter caráter sancionatório, ou seja, ser forma de punição para qualquer pessoa. Diante disso, compreende-se que quem pratica um ato ilícito, como jogo do bicho, venda de drogas, crime ambiental, não poderá ser penalizado com a cobrança de um tributo. Mas, importante dizer que os frutos oriundos da atividade ilícita poderão ser tributados, visto que na forma do artigo 118, I do Código Tributário Nacional abstrai-se a validade dos fatos jurídicos praticados pelo contribuinte. Portanto, uma pessoa que auferir renda com atividade ilícita, poderá responder civil e criminalmente por isso, mas para fins de tributação ela aufere renda, praticando o fato gerador do imposto de renda, conforme artigo 26 da Lei 4.506/64: Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Art. 26: os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos a tributação, sem prejuízo das sanções que couberem. Diante disso, surge a expressão: pecúnia non olet, o dinheiro não tem cheiro. Destaca-se, também que nenhum tributo será pago sem lei que o estabeleça, atendendo ao princípio máximo da legalidade, na forma do artigo 150, I da Constituição Federal, devendo o administrador público analisar de forma objetiva o que diz a norma, para tributar o contribuinte, não podendo realizar ato discricionário para cobrar o mesmo. CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS EM ESPÉCIE Os tributos podem ser classificados em cinco espécies tributárias: imposto, taxa, contribuição de melhoria, empréstimo compulsório e contribuição especial. Essa classificação quinquipartida teve origem quando do julgamento do RE 14.733-9/SP, dessa forma o artigo 145 da Constituição Federal determina que compete a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, instituir impostos, taxas e contribuições de melhoria. Já os artigos 148 e 149 da que tratam do empréstimo compulsório e da contribuição especial, disciplinam que tais modalidades tributárias somente podem ser instituídas pela União, inclusive as contribuições sociais que trate de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Os tributos são classificados com as seguintes espécies e subespécies: IMPOSTOS Ordinários (arts. 145, I, 153, 155 e 156) Residuais (art. 154, I) Extraordinários de guerra (art. 154, II) TAXAS Pelo exercício do poder de polícia (art. 145, II, primeira parte) Pela prestação de serviços públicos específicos e divisíveis (art. 145, II, segunda parte) Contribuições de melhoria (art. 145, III) Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito CONTRIBUIÇÕES Sociais Gerais (art. 149, primeira parte e §§ 2º, 3º e 4º)o direito de lançar, que deve ser exercido pelo fisco. Conforme dispõe o artigo 142 parágrafo único do CTN o prazo é de 5 anos para o lançamento. Já a prescrição, começa a partir da constituição do crédito tributário com o procedimento do lançamento, conforme artigo 142 do CTN, inicia-se ai, o prazo para a cobrança do crédito tributário, pelo fisco, em 5 anos (prescrição tributária, artigo 174 do CTN). A prescrição é a extinção pelo decurso do tempo, do direito de uma prestação. A prescrição é portanto, a perda do direto do fisco de ajuizar ação de execução do crédito tributário (execução fiscal). O prazo prescricional começa a fluir a partir da data de constituição definitiva do crédito, do lançamento eficaz, que é aquele compreendido como o qual onde o devedor é regularmente comunicado por meio de notificação. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ARTIGO 151 e seguintes do CTN O artigo 151 do CTN indica algumas hipóteses de suspensão do crédito tributário. Quando ocorrer qualquer uma das situações previstas nos incisos (rol taxativo), o fisco fica impedido, temporariamente de exigir o crédito tributário. É hipótese que impede a execução fiscal, mas não a constituição do crédito, que é feita por meio do lançamento, sob pena de ocorrer a decadência. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; II - o depósito do seu montante integral; Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Como o próprio artigo indica, a primeira hipótese é a moratória, a qual concede por meio de lei específica criada pelo ente competente de aumento do prazo para pagamento do crédito tributário. Nesse caso, se o contribuinte se encaixar nos critérios que concedem a moratória, terá o prazo para o pagamento do tributo estendido. A moratória em geral é um mecanismo para casos de calamidade, cujo objetivo é colaborar com os contribuintes em casos de extrema calamidade. Dispõe o artigo 152 do CTN: Art. 152. A moratória somente pode ser concedida: I - em caráter geral: a) pela pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo a que se refira; b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, quando simultaneamente concedida quanto aos tributos de competência federal e às obrigações de direito privado; II - em caráter individual, por despacho da autoridade administrativa, desde que autorizada por lei nas condições do inciso anterior. Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circunscrever expressamente a sua aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos. A moratória, pode ser concedida tanto de forma individual como geral. A moratória geral é concedida a um número indeterminado de pessoas e não depende de requisitos ou autorização do ente administrativo competente. Já a moratória individual ocorre quando uma lei específica do ente exige alguns requisitos do contribuinte para que ele possa usufruir dessa modalidade. Ainda, é necessária a conferência desses itens pela autoridade competente, o que não gera, portanto, direito adquirido. Conforme o artigo 155 do CTN: Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora: I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II - sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Outra questão importante a ser destacada é que a moratória via de regra deve ser concedida por lei específica do ente competente, contudo existe uma possibilidade de mitigação prevista no artigo 151, I, alínea B da Constituição que diz que a União poderá conceder moratória para tributos que não são de sua competência desde que faça a mesma coisa com os seus tributos. A segunda hipótese é o depósito do montante integral. Nesse caso, já existe um processo judicial e é feito o depósito. Contudo a simples interposição de recurso administrativo já suspende a exigibilidade do crédito, dessa forma não é necessário o depósito recursal para Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito que seja suspenso o crédito. Cabe destacar, ainda que a suspensão do crédito pelo depósito do montante integral sempre será facultada a parte. Somente não será facultada em caso de Consignação em pagamento. Após o depósito integral do valor será suspensa a exigibilidade do crédito, bem como ele não pode ser considerado condição para a interposição de recurso administrativo ou de ajuizamento de ação judicial. SÚMULAS IMPORTANTES: Súmula 112 do STJ - O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. Súmula Vinculante nº 21 do STF - É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Súmula Vinculante nº 28 do STF - É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário. A terceira hipótese é a reclamação e o recurso administrativo. Essa hipótese é realizada quando houver interposição de recurso administrativo de forma tempestiva pelo contribuinte. Salienta-se: não será exigido o depósito recursal ou custas para essa forma de suspensão. A quarta hipótese é a liminar e a tutela provisória. Tais hipóteses vão ocorrer quando do mandado de segurança e nas outras ações do processo subjetivo (tutela provisória). Para que qualquer uma dessas formas ocorram o contribuinte deve solicitar ou fazer o pedido para a concessão, e poderá o juiz para deferir o pedido solicitar que seja realizada uma caução que garanta a indenização em caso de dano a parte prejudicada. A quinta forma de suspensão do crédito é o parcelamento. Nesse caso o contribuinte parcela o pagamento da dívida. Dispõe o artigo 155-A do CTN: Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito § 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001 § 3oLei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal específica. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005). Por fim, cumpre salientar que mesmo ocorrendo qualquer uma das hipóteses de suspensão, suspensa será a obrigação principal (de pagar), sendo dever do contribuinte continuar a efetuar o cumprimento das obrigações acessórias. CERTIDÃO NEGATIVA A certidão negativa é uma exigência para comprovação de regularidade fiscal e estão previstas nos artigos 205 à 208 do CTN: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Art. 207. Independentemente de disposição legal permissiva, será dispensada a prova de quitação de tributos, ou o seu suprimento, quando se tratar de prática de ato indispensável para evitar a caducidade de direito, respondendo, porém, todos os participantes no ato pelo tributo porventura devido, juros de mora e penalidades cabíveis, exceto as relativas a infrações cuja responsabilidade seja pessoal ao infrator. Art. 208. A certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a Fazenda Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito tributário e juros de mora acrescidos. Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a responsabilidade criminal e funcional que no caso couber. Os sistemas dos fiscos podem emitir três certidões distintas: Os sistemas do Fisco podem, pois, acusar três situações distintas: 1ª SITUAÇÃO: inexistência de formalização de crédito, dando ensejo à expedição de Certidão Negativa de Débitos (CND); 2ª SITUAÇÃO: existência de crédito formalizado exigível e não garantido por penhora, dando ensejo à expedição de Certidão Positiva de Débitos (CPD); 3ª SITUAÇÃO: existência de crédito formalizado não vencido, com a exigibilidade suspensa ou garantido por penhora, dando ensejo à expedição de Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa (CPD-EN). A certidão negativa será expedida quando efetivamente não forem encontrados débitos em nome do contribuinte. Havendo lançamento de auto de infração, notificação fiscal de lançamento de débito ou declaração do contribuinte, não terá direito a certidão negativa. Tal entendimento é consolidado na súmula 446 do STJ: “Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa”. O mesmo se aplica para as divergências entre a declaração do contribuinte e a guia de pagamento, quando o monte de pago for inferior ao declarado. Valores que sejam Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito declarados como devidos e que não sejam pagos, ou pagos de forma parcial, acarretam a certificação da existência de débito quanto a saldo. Em caso de haver créditos que estejam devidamente documentados, poderá ser expedida a certidão positiva, podendo ser verificado se o contribuinte tem direito a certidão positiva com efeito de negativa, conforme artigo 206 do CTN. Extinção do crédito tributário Conforme dispõe o artigo 156 do CTN, diversas são as formas de extinção do crédito tributário. O rol do referido artigo é taxativo, somente podendo ser alterado por meio de lei complementar. MODALIDADES DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Pagamento: é quando o contribuinte objetivando extinguir o tributo, faz o pagamento em pecúnia ao ente público competente. Importante destacar, que o artigo 158 do CTN, diferentemente do Código Civil o mero pagamento de parcelas não ocasiona a presunção de que as demais estão quitadas. Exemplo: mesmo que o IPTU do corrente ano esteja pago, não se presume que o dos anos anteriores estejam pagos. Em caso de não pagamento do tributo no prazo determinado pela lei, os efeitos moratórios são automáticos, conforme disposto no artigo 161 do CTN. Quanto ao prazo de pagamento, em caso de não haver uma regra específica, o vencimento do crédito ocorrerá trinta dias após a data em que se considera que o sujeito passivo foi notificado do lançamento. • Tributos federais a correção e juros serão calculados com base na Selic, conforme entendimento pacificado no STJ, não pode ser cumulado o valor da Selic com qualquer outro índice. O artigo 162 do CTN determina que o pagamento será em moeda corrente, cheque ou vale postal. E nos casos previstos em lei, estampilha, papel selado ou processo mecânico. Compensação: Outra modalidade de extinção é a compensação, a qual vai ocorrer quando duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra. Contudo, Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito somente isso não basta para que ocorra a compensação do crédito, e necessário, também uma norma específica do ente competente estipulando as condições e garantias, observando-se o artigo 170 do CTN. Ainda, sobre a compensação, importante destacar as súmulas 212, 213, 460 e 461 do STJ. Transação: Temos, também, como modalidade de extinção a transação, que é quando o as partes negociam mediante uma concessão única, e extinguem as obrigações com o intuito de terminar com litígios. E conforme dispõe o 171 do CTN, ela somente termina com os litígios, não pode ser usada de forma preventiva. Ademais, essa modalidade de extinção somente pode ser feita mediante lei específica do ente competente que irá delimitar condições para essa transação. Importante: a lei não específica se serão litígios judiciais ou administrativos, cabendo ao signatário da lei determinar tal critério. Remissão: é outra forma de extinção que importa na dispensa gratuita da dívida tributária, conforme artigo 150, §6º da Constituição, e somente pode ser concedida por meio de lei específica do ente competente. A diferença entre remissão e anistia reside no fato de que a remissão pode perdoar o tributo e a multa, e como se trata de forma de extinção do crédito tributário, somente pode existir de créditos já constituídos (lançados). Por fim, teremos a remissão individual ou geral, a qual será aplicada de acordo com os parâmetros da moratória. Prescrição e decadência: O prazo que a administração por meio da autoridade competente tem para lançar o tributo é decadencial; O prazo para ajuizar a ação de execução é prescricional. Em caso de decadência, a administração, perde o direito de lançar o tributo, a prescrição impede o manejo da execução fiscal. • Salienta-se, que diferente do código civil, em matéria tributária o pagamento de débito prescrito resulta em pedido de repetição a medida e que embora exista o direito material, a pretensão de ocorrência do pagamento está extinta. • O lançamento é o que separa a prescrição da decadência. • O prazodecadencial é de 5 anos Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Com relação a prescrição, esta vai ocorrer quando no prazo estipulado não for ajuizada a execução fiscal para satisfação coativa do crédito. Conforme artigo 174 do CTN. Conversão de depósito em renda: ocorre quando é feito o depósito ou a penhora de dinheiro em processo judicial e em caso de vitória (decisão favorável ao fisco) o dinheiro irá para a fazenda pública. Consignação em pagamento: ocorre quando é ajuizada uma ação de consignação em pagamento pelo contribuinte de acordo com as possibilidades do 164 do CTN, lembrando que essa demanda busca justamente a satisfação do crédito, que não foi recebido pela fazenda pública. Julgada procedente a ação o dinheiro será depositado conforme dispõe o artigo 542, I do CPC. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Pode ocorrer conforme artigo 175 do CTN mediante lei própria bem como vão impedir que a fazenda constitua o crédito. Como consequência, o contribuinte não precisa fazer o pagamento da obrigação principal. Isenção: é um instituto que desonera o contribuinte do pagamento mediante lei que dispensa o dever da pagar o tributo. É diferente da imunidade, pois é uma dispensa constitucional do dever de pagar o tributo, ainda conforme o artigo 176, a isenção mesmo que decorrente de contrato sempre decorre de lei que especifica as condições e requisitos exigidos para sua concessão, os tributos aos quais será aplicada e se for o caso o prazo que irá durar. Pode, portanto, ser revogada a qualquer tempo, salvo o caso de isenção onerosa que é feita na condição de tempo conforme 178 do CTN, a qual é realizada na maior parte da vezes quando a empresa quer instalar-se em algum lugar e por certo período de tempo não paga tributo. Destaca-se a súmula 544 do STF - Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. As isenções via de regra, não se estendem a taxas e contribuições de melhoria, conforme artigo 177 do CTN, não observa a anterioridade por se tratar de benefício ao contribuinte. Podem ser em caráter geral ou individual, não gera direito adquirido em razão da necessidade de análise dos requisitos de concessão, conforme artigo 179 do CTN. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Anistia: trata-se de uma medida desonerativa que tem o objetivo de perdoar do contribuinte o aspecto de infrator, pode excluir ou dispensar o contribuinte do pagamento de multa, conforme artigo 180 do CTN, pode ser concedido em caráter individual ou geral, conforme artigo 180 e seguintes do CNT. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO NORMAL GERAL ANTILESIVA OFFSHORES E PARAÍSOS FISCAIS TRIBUTAÇÃO INTERNACIONALDe seguridade social Ordinárias (art. 149, primeira parte e §§ 2º a 4º, c/c art. 195, I a IV) Residuais (art. 149, primeira parte c/c art. 195, § 4º) Provisória (arts. 74 a 90 do ADCT) De previdência do funcionalismo público estadual, distrital e municipal (149, § 1º) De intervenção no domínio econômico (art. 149, segunda parte e §§ 2º a 4º, e art. 177, § 4º) Do interesse das categorias profissionais ou econômicas (art. 149, terceira parte) De iluminação pública municipal e distrital (art. 149-A) EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS Extraordinários de calamidade ou guerra (art. 148, I) De investimento (art. 148, II). REGRA MATRIZ DA INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA A regra matriz da incidência tributária descreve o fato jurídico tributário e diz quem é o sujeito passivo tributário. Em outras palavras ela prevê a hipótese de incidência e qual a obrigação dela decorrente. CRITÉRIO MATERIAL O critério material da regra-matriz de incidência tributária é o comportamento previsto em lei de uma pessoa, física ou jurídica, delimitado por condições de tempo e espaço. Exemplos: auferir renda, industrializar produtos e exportar mercadorias. CRITÉRIO TEMPORAL Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito O critério material da hipótese de incidência tributária ocorre no instante e quem acontece o fato gerador, determinando o direito subjetivo do Estado e o dever jurídico do contribuinte que é a obrigação tributária. Exemplo: ISSQN é uma prestação efetiva de um serviço que é tributável. CRITÉRIO ESPACIAL O critério espacial é o local onde ocorre o fato jurídico tributário para que ele possa produzir seus efeitos jurídicos. O legislador nem sempre delimita o local onde o fato jurídico tributário deve acontecer, contudo, existem elementos que permitem identificar onde ocorreu o fato tributário. CRITÉRIOS DO CONSEQUENTE Regula dos direitos e obrigações surgidas com o enquadramento do fato a norma jurídica. CRITÉRIO PESSOAL (SUJEITO ATIVO E SUJEITO PASSIVO) A obrigação tributária surge com o fato jurídico é a materialização da hipótese de incidência. Com o enquadramento, surgem as figuras do credor e do devedor. SUJEITO ATIVO O sujeito ativo é a pessoa jurídica de direito público titular da competência para exigir seu cumprimento artigo 119 do Código do Tributário Nacional. Nessa condição estão as pessoas jurídicas de direito público interno, chamadas entes tributantes. Os entes federativos: União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios são, dessa forma, sujeitos ativos. Essas pessoas jurídicas tem o poder de instituir tributo, isto é sua competência tributária. O contribuinte deve pagar o tributo para um credor, e não para mais de um, sob pena de ocorrer o vício da solidariedade ativa. Não é incomum a presença de mais de um ente cobrar um ou mais tributos sobre o mesmo fato jurídico. SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo é a pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que é obrigada a cumprir com a obrigação tributária. Existem dois tipos de sujeitos passivos previstos no artigo 121, parágrafo único, do Código Tributário Nacional: Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito - Contribuinte: tem relação direta com o fato jurídico tributário artigo 121, parágrafo único, inciso I, do Código Tributário Nacional; e, - Responsável: é o terceiro escolhido para pagar o tributo artigos 128 a 138 do Código Tributário Nacional. O sujeito passivo deve, necessariamente, estar previsto em lei, uma vez que se trata de um item adstrito à reserva legal artigo 97, inciso II, parte final, do Código Tributário Nacional. CAPACIDADE TRIBUTÁRIA E CAPACIDADE CIVIL A capacidade tributária não se refere a capacidade civil das pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas. Refere o artigo 126 do Código Tributário Nacional: Art. 126: A capacidade tributária passiva independe: I - da capacidade civil das pessoas naturais; II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Ou seja, mesmo uma sociedade de fato ou uma pessoa absolutamente incapaz que sejam proprietários de um imóvel, pagarão tributos com normalidade. CRITÉRIO QUANTITATIVO (BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA) Quanto ao critério quantitativo da regra-matriz de incidência de incidência tributária – alíquota e base de cálculo. A base de cálculo é o valor do fato jurídico e somado a alíquota, é que se define a quantia que o sujeito passivo deve pagar a título de tributo. Exemplo: artigo 38 do Código Tributário Nacional Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito A base de cálculo tem três funções: mensurar - mediar as proporções do fato; objetiva – compõe a específica determinação dívida, da certeza do crédito; e a comparativa – confirmar, infirma ou afirma o critério material da hipótese de incidência. Ex: Através do critério quantitativo da regra-matriz de incidência tributária, será possível identificar o quantum debeatur (quantia devida, o valor exato a ser pago), bastando aplicar a alíquota sobre a base de cálculo. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO Dispõe o artigo 127 do Código Tributário Nacional que poderá o contribuinte indicar o lugar onde deverá ser pago o tributo, ou seja, o domicilio tributário. Trata-se do domicílio de eleição. Será considerado como domicílio do contribuinte ou responsável: I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. Em caso de impossibilidade de aplicação das regras do artigo 127, e de recusa da autoridade administrativa, pela impossibilidade ou dificuldade de fiscalização ou arrecadação do tributo, será considerado domicílio tributário o local onde estiverem os bens ou onde ocorreu o fato gerador. Art. 127, §1º e §2º do Código Tributário Nacional. VALIDADE, VIGÊNCIA DA NORMA TRIBUTÁRIA Para que se elabore uma norma é necessário que: Seja proposta; Discutida no parlamento; Manifestação de aquiescência; Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Promulgação; Após a realização de todas essas fases, considera-se que a lei é válida. A validade da lei, assim, se concretiza quando presentes as diretrizes e os requisitos procedimentais previstos na CF (aspecto formal) e seu conteúdo não pode ir contra a CF (aspecto material). Após a publicação presume-se que todos conhecem a lei, não podendo dizer que não a cumpriram por desconhecimento (art. 3º da LINDB). Em suma: Válida: é a lei que do ponto de vista técnico é constitucional (formal e materialmente) Vigente: é a lei cujo ciclo de produção foi concluído, foi publicada, existe judicialmente e atinge seus objetivos finais. E para estar vigente é necessário que a lei não tenha sido revogada. Eficácia: é a lei apta, por completo para gerar seus efeitos jurídicos, imediatamente. É necessário, também que a lei não tenha sido considerada inconstitucional pelo legislador. A VIGÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA NO CTN No que tange sobre as regras de vigência das normas, as mesmas podem ser encontradas na LINDB (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro). Dessa forma, aplica-se a LINDB ao direito tributário, salvo a necessidade de lei específica, pois em caso de conflito aparente de normas, utiliza-se o critério da especialidade. (Lex specialisderogat legi generali), claramente um princípio de hermenêutica jurídica (ciência da interpretação jurídica). Dessa forma, nos casos em que houver lei especial tributária que discipline a temática, e que seja disciplinado pela LINDB, aplicar-se-á, a norma tributária. Art. 101 do CTN. Além de determinar o princípio da especialidade como mecanismo de solução de conflito aparente entre normas, o CTN ainda separa a vigência da norma em dois ramos: Espacial: objetiva revelar o âmbito territorial em que cada norma tributária vigora, portanto a regra fundamental é a territorialidade. Cada ente que tem um território delimitado, logo, as normas que são expedidas por um só ente, se aplicam em seu território, não podendo ser aplicadas nos territórios dos outros entes. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Logo, as normas da união aplicar-se-ão em todo o território nacional; as normas do RS em todo seu território; as de Erechim, em todo o território do município. A territorialidade comporta as exceções que estão dispostas no artigo 102 do CTN: Art. 102. A legislação tributária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios vigora, no País, fora dos respectivos territórios, nos limites em que lhe reconheçam extraterritorialidade os convênios de que participem, ou do que disponham esta ou outras leis de normas gerais expedidas pela União. Temos a regra, e temos como exceção a extraterritorialidade. A EXTRATERRITORIALIDADE PREVISTA EM CONVÊNIO DE COOPERAÇÃO É admitida em casos que existam convênios em que haja a participação dos municípios dos Estados e do Distrito Federal. Neste caso em especial, não pode ocorrer qualquer violação ao princípio federativo. EXTRATERRITORIALIDADE EM NORMA GERAL NACIONAL Existe, também, a extraterritorialidade nos limites do CTN e outra de normas gerais que são expedidas pela União. Assim como normas gerais em caráter tributário devem ser disciplinadas por lei complementar elaborada pela União (146, III), pode o congresso estipular casos em que a norma de um ente poderá ser aplicada no território de outros. Para que isso ocorra, é necessário que a extraterritorialidade, seja o único mecanismo para solucionar determinado problema, sob pena de inconstitucionalidade, violação do pacto federativo. VIGÊNCIA TEMPORAL Após a publicação da lei, seguimos para sua vigência. Que pode ser imediata, ou após um período de tempo (vacacio legis). Assim, como o artigo 8º da Lei complementar 95/1998, determina que a data de vigência da lei, deve ser indicada de forma expressa na legislação. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Em caso de ausência desta disposição, o ordenamento jurídico prevê que no artigo 1º da LINDB uma solução subsidiária: “Art. 1.º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. § 1.º Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada”. A regra é plenamente aplicável no que se refere a normas tributárias, ressalvadas as regras específicas. (Artigo 101 do CTN). Diante disso, após publicada a lei, sua vigência se dará de acordo com a redação de seu próprio texto. Em caso de omissão, observar-se-á o prazo de 45 dias da data de sua publicação. Em caso de aplicação de lei brasileira em território estrangeiro (resultante de tratado) a vigência ocorrerá em 3 meses. Salienta-se que em caso de normas complementares o CTN em seu art. 100 prevê regras diferentes. Com base na especialidade, tem vigência de norma complementar CTN art. 103: Atos normativos expedidos por autoridades administrativas entram em vigor na data da sua publicação. Estes atos (portarias, instruções normativas, atos declaratórios normativos) devem conter cláusula de vigência. Na ausência desta disposição, a vigência ocorrerá na data da publicação não ocorrendo o vacatio legis. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA E FATO GERADOR Quando a lei institui um tributo, determina sua hipótese de incidência, prevendo a situação abstrata que atribuí o efeito jurídico que gera a obrigação de pagar. Dessa forma, Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito distingue-se a previsão abstrata, que é a hipótese de incidência, da concretização no plano fático (fato gerador). O fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como suficiente para sua ocorrência conforme artigo 114 do CTN. Já o fato gerador da obrigação acessória é a situação em que a legislação aplicável determina a prática ou abstenção de ato que não seja resultante de uma obrigação principal artigo 115 do CTN. CLASSIFICAÇÃO DE FATOS GERADORES Fato gerador instantâneo: é o fato isolado que ocorre em um determinado momento que é possível de identificar como por exemplo a saída de um produto industrializado do mercado, ou lançamento de um débito em conta corrente de um depósito. Fato gerador continuado: é a situação que ocorre no tempo, como o ITR Fato gerador de período: é composta por diversos fatos que em conjunto como os rendimentos anuais da pessoa física ou da pessoa jurídica, resultam em uma unidade. Fato gerador vinculado: É aquele realizado pela própria Administração como a prestação de serviço de recolhimento de lixo (taxa de lixo), renovação de licença de funcionamento (taxa de renovação de alvará). Fato gerador não vinculado: é aquele que não está ligado à atividade da Administração, mas o próprio contribuinte, como ser proprietário de um imóvel rural (ITR), promover saída de mercadoria do estabelecimento (ICMS), importação de produto estrangeiro (II). Hipótese de incidência: É a situação descrita de forma abstrata pela lei. É quando o legislador, pega um fato ocorrido na vida real e o torna tributável, ou passível da incidência tributária. São elementos da hipótese de incidência: Quem? (pessoa) O que? (material) Onde? (local) Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Quando? (tempo) Quanto? (quantidade) REPARTIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS TRIBUTÁRIAS Competência privativa Os impostos são tributos não vinculados CTN artigo 16. A CF determinou que sua competência seria privativa. Dessa forma, as competências deferidas a determinado ente são denominadas privativas. Competência comum Instituição de contribuição de melhoria e taxas. O ente que prestar o serviço público específico e divisível ou exercer o poder de polícia cobra a respectiva taxa; aquele responsável pela realização de obra pública da qual decorra valorização de imóvel pertencente a particular tem competência para instituir a contribuição de melhoria decorrente. Competência cumulativa Prevista no artigo 147 da CF: “Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais”. Bis in idem ou bitributação É quando a mesma situação é definida na lei como fato gerado de mais de uma incidência tributária, é quando surgem os fenômenos do bis in idem ou da bitributação. Bis in idem Ocorre quando o mesmo ente tributante edita duas leis com diversas exigências tributárias, que decorrem do mesmo fato gerador. Não temos uma vedação genérica para o bis in idem. A regra que restringe o bis in idem é da do artigo 154, I da CF, uma vez que impede que seja copiado um imposto que já é de sua competência. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Bitributação Ocorre quando entes diferentes exigem do mesmo sujeito passivo tributos que decorram do mesmo fato gerador. Em virtude da rígida competência tributária a bitributação é proibida no Brasil. E os casos concretos que ocorremé possível identificar o conflito aparente de competência. PRINCÍPIOS A Constituição Federal autoriza o ente público, com o objetivo de exercer sua competência tributária, delimitando as limitações ao exercício do poder de tributar, as quais estão amplamente dispostas na Constituição. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O artigo 150, I, da Constituição Federal dispõe: Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; NULUM TRIBUTUM SINE LEGE Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Assim, anteriormente exposto, nenhum tributo poderá ser criado ou majorado, sem lei que o estabeleça. Portanto, via de regra, somente o poder legislativo tem competência para criar ou majorar tributo, devendo sempre, observar o devido processo legislativo. Majorar: aumentar a base de cálculo ou aumentar a alíquota (%) Exceções ao princípio da legalidade: Quanto ao poder executivo, no que se refere a criação ou majoração de tributos a Constituição reservou-lhe possibilidades, especialmente objetivando o controle econômico e de mercado. Dessa forma, pode se dizer que houve uma mitigação do princípio da legalidade. 1ª Exceção ao Princípio da Legalidade: o Poder Executivo da União, mediante decreto, portaria ou resolução, pode alterar as alíquotas dos impostos (Imposto de importação, Imposto de exportação, Imposto sobre operações financeiras, e Imposto sobre produtos industrializados). O motivo da mitigação deste princípio com relação a estes tributos é porque são tributos extrafiscais, servem para a regulação do mercado econômico. Dispõe o artigo 153, parágrafo 1º da CF: Art. 153: Compete à União instituir impostos sobre: § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. 2ª Exceção ao Princípio da Legalidade: o Poder Executivo, de mesma forma, por meio de decreto ou convênio, pode reduzir ou restabelecer as alíquotas de CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) e ICMS Combustível. Ressalta-se, nestes casos, não se trata de majoração, mas sim redução ou retorno das alíquotas anteriores. 3ª Exceção ao Princípio da Legalidade: pode o executivo, por meio de portaria ou decreto, atualizar a base de cálculo de um tributo. Salienta-se: o objetivo é atualizar, recompor a base, não podendo ocasionar onerosidade para o contribuinte. Assim, é importante também salientar que esta atualização deverá observar os limites estabelecidos pelos indexadores oficiais, ou seja, dentro de um limite permitido observando-se estes índices. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Art. 97: Somente a lei pode estabelecer: § 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Súmula 160 STJ - É defeso, ao município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária. 4ª Exceção ao Princípio da Legalidade: o Poder Executivo Federal, mediante Medida Provisória, pode criar ou majorar qualquer espécie tributária. Contudo, para que assim o faça terá de atender a dois requisitos: que o tributo possa ser criado por lei ordinária e que seja convertido em lei no mesmo ano de sua edição. Art. 62: Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. 5ª Exceção ao Princípio da Legalidade: o Poder Executivo, pode alterar o prazo para pagamento de tributo por meio de decreto ou portaria. Entende-se pela desnecessidade de norma, visto que tal matéria não está assim disposta no artigo 97 do CTN, ou seja, não sendo necessária lei para tal realização. PRINCÍPIO DA ISONOMIA Dispõe o artigo 150, II, da Constituição Federal que: Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. Todos terão tratamento igual perante a lei tributária. Contudo, é vedado instituir um tratamento desigual para os contribuintes que se encontram em situação equivalente PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Dispõe o artigo 150, inciso III, alínea b, da Constituição Federal que: Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; É vedada a cobrança de tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os criou ou aumentou. Limita-se, assim, a atividade dos entes competentes de cobrarem tributos, que foram realizados por eles, esse princípio tem o objetivo de informar ao contribuinte quando ele deve pagar os tributos, quando da realização do fato gerador. Exercício: começa em primeiro de janeiro – termina em 31 de dezembro. Protegendo, assim, do aumento imediato. Tal princípio também é chamado de princípio da proteção Ex: publicado em 2022, somente pode ser cobrado no primeiro dia de 2023. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Ressalta-se, tal princípio é uma limitação ao exercício da competência tributária, e será considerado quando for criado ou majorado tributo, pois quando for o caso de medida que seja benéfica para o contribuinte, a norma deverá ser aplicada imediatamente. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL Dispõe o artigo 150, inciso III, alínea c: Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; Houve uma alteração no texto constitucional, que criou o princípio da anterioridade nonagesimal. Assim, como disposto no artigo 150, inciso III, alínea C, da Constituição Federal, todo tributo que for criado ou majorado, somente poderá ser exigido, após transcorridos 90 dias de sua publicação, para que se evite a surpresa ao contribuinte. Diante disso, os tributos que forem criados ou majorados só poderão ser cobrados quando atendendo dois requisitos cumulativos: só podem ser exigidos no exercício seguinte ao que foram publicados, e noventa dias após a data da publicação. Contudo, entendeu o legislador que alguns tributos deveriam ter sua exigência mitigada, justamente em razão da instabilidade do mercado econômico. Assim, foi mitigada a cobrança e, portanto, o princípio da anterioridade para os seguintes tributos: Art. 150 da Constituição Federal: § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplicaaos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) EXERCÍCIO 90 DIAS Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito 150, inciso III, alínea B 150, inciso III, alínea C Imposto de importação, 153, I Imposto de importação 153, I Imposto de exportação, 153 , II Imposto de exportação, 153, II Imposto sobre produtos industrializados, 153, IV Imposto de renda 153, III Imposto sobre operações financeiras, 153, V Imposto sobre operações financeiras, 153, V Empréstimos compulsórios, 148, I Empréstimos compulsórios, 148, I Imposto extraordinário, 154, II Imposto Extraordinário, 154, II IPTU, 156, I IPVA, 155, III Diante do parágrafo acima mencionado, compreendeu o legislador constituinte que poderão ser exigidos de forma imediata, ou seja, mesmo que tenham sido majorados ou criados, após a publicação, os seguintes tributos: Imposto de Importação, Imposto de Exportação, Imposto sobre Operações Financeiras, Empréstimo Compulsório de Guerra Externa ou sua Iminência, Empréstimo Compulsório de Calamidade e Imposto Extraordinário de Guerra. Ademais, terão exigência, tendo que respeitar apenas a anterioridade nonagesimal, ou seja, os 90 dias, após a sua publicação, sendo possível sua exigência no mesmo ano em que for publicada: Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuições Sociais e CIDE/ICMS Combustíveis. Ainda, terão exigência, respeitando a anterioridade de exercício, ou seja, podendo ser majorados em 28 de dezembro, publicados em 29 de dezembro e já serem exigidos em 1º de janeiro: Imposto de Renda (alíquotas, base de cálculo) e Base de Cálculo (apenas) de IPVA e IPTU. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Por fim, importante destacar com relação ao princípio da anterioridade é que a mudança do prazo de pagamento, mesmo objetivando antecipar a arrecadação/pagamento, não está sujeita a anterioridade, conforme a súmula nº 50 do STF: Súmula Vinculante 50: Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade. OBS: art. 148, II – investimento público ou de caráter urgente – Tem que aguardar o exercício ou os 90 dias. EXEMPLOS: a) Estado do RS publicou lei reduzindo a alíquota do ICMS 18% - 15% em 30/11/2020. Entra em vigor imediatamente, pois beneficia. b) Estado do RS publicou Lei que majorou alíquota do ICMS de 15% - 18% em 30/11/2020. Entra em vigor final de fevereiro – tem que aguardar os 90 dias c) União publica Lei que aumentou as alíquotas do IRPJ (é exceção, então entra no próximo exercício) de 15% - 18% em 10/12/2020 d) União publica Lei aumentando as alíquotas do IPI de 30% - 40% em 10/08/2020, IPI é exceção do exercício, mas não dos 90 dias, então entra em vigor em 10/11/2020 e) União, por meio de decreto, aumenta a alíquota do IRPJ de 15% - 18% entrando em vigor em 15/12/2020. Errado, pois não pode ser por meio de decreto é inconstitucional f) União cria decreto aumentando a alíquota do IPI 10% - 20% em 15/12/2020. Art, 153 §1º (somente as alíquotas, não a base de cálculo) - o poder executivo poderá aumentar as alíquotas dos Impostos, II, IE, IPI e IOF. Entende-se que por decreto, em razão de que os atos do poder executivo são por meio de decreto. STJ entendeu que IPI deve respeitar os 90 dias. g) Erechim cria lei fixando nova base de cálculo do IPTU em 19/12/2020. Efeitos em 1º de janeiro de 2020. h) Erechim cria decreto que atuliza a base de cálculo do IPTU em 10/12/2020. Atualizar é diferente de fixar base de cálculo, sendo portanto IMEDIATO, pois não está criando ou aumentando. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito i) MEDIDAS PROVISÓRIAS Artigo 62, §2º da Constituição Federal, permite a criação ou majoração por meio de medida provisória: Art. 62: Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. É um ato discricionário do Presidente da República. Exceção: 153, I – Imposto de Importação, 153, II - Imposto de Exportação, 153, IV - Imposto sobre Produtos Industrializados, 153, V – Imposto Sobre Operações Financeiras, 154, II – Imposto Extraordinário. A análise dos princípios da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal, será feita a partir da edição da Lei. EXEMPLOS: a) Presidente da República editou Medida Provisória em 10/11/2020 majorando as alíquotas do II e convertendo em Lei em 15/012021, os efeitos começam em 10/11/2020. b) Presidente da República editou Medida Provisória em 10/11/2020 majorando as alíquotas do IRPJ de 15% - 23%, convertendo em lei em 15/01/2021, como não foi convertida em lei no exercício ela “morre”, e não vai surtir mais efeitos em nenhum momento. c) Presidente da República editou Medida Provisória majorando as alíquotas do ITR de 0,5% até 22% em 01/112020. Converteu em lei em 30/12/2020 – Respeitou o artigo 62, §2º, conta 90 dias da edição = 01/02/2021. d) Presidente da República editou Medida Provisória na data de 05/11/2020 por meio Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito da qual criou o Imposto sobre Grandes Fortunas, esta medida provisória foi convertida em Lei em 29/12/2020. A parti de que momento surgirão os efeitos? É inconstitucional – IGF 157, CF é por Lei Complementar. Art. 62, §1º, III – reservada a Lei Complementar. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE Dispõe o artigo 150, III, a, da Constituição Federal que: Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; A presente alínea, dispõe que a norma tributária não poderá retroagir, ou seja, ela não pode ser aplicada para fatos geradores pretéritos a sua vigência. Dessa forma, aplica-se a lei em vigor, base de cálculo, e alíquota que estiverem em vigor quando ocorrido o fato gerador. Assim, a norma tributária não retroage objetivando preservar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito, garantindo a segurança jurídica ao contribuinte. Quanto as exceções, a Constituição Federal não traz nenhuma mitigação a este princípio. Contudo o Código Tributário Nacional nos apresenta 3: 1ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: norma nova que tem o objetivo de interpretar norma antiga, para esclarecer pontos obscuros, da norma antiga, desde que não penalizem ou causem onerosidade contribuinte, podem retroagir. Art. 106: A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 2ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: norma nova que deixe de tratar como infração (extinguir multa) ou reduzir a infração (reduzir o percentual da multa), pode retroagir para fatos geradores que já ocorreram, desde que não tenha ocorrido o Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito julgamento definitivo, tanto judicial, como administrativamente. Trata-se de retroatividade benéfica, exclusivamente no que tange as infrações, não se fala aqui, em alíquotas ou base de cálculo Art. 106: A lei aplica-se a ato ou fatopretérito: II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: poderá retroagir, norma que estabeleça novos critérios de fiscalização e/ou proporcione ao crédito tributário nova classificação: Art. 144: O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO Dispõe o artigo 150, IV, da Constituição Federal que: Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV- utilizar tributo com efeito de confisco; Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito A redação do presente artigo, determina que nenhum ente público pode exigir tributo em caráter confiscatório, que limite o uso da propriedade ou não possibilite o exercício da atividade privada. Assim, o contribuinte não precisa se desfazer de seus bens em razão da exigência de tributos que impeçam de exercer o direito fundamental a propriedade. Cabe ressaltar, ainda, que STF passou a aplicar este dispositivo para as multas também, ou seja, nem as penalidades poderão ser exigidas em caráter confiscatório, como por exemplo a multa moratória, por atraso no pagamento, que não pode ter percentual superior a 20%. Sobre a matéria, três súmulas impostantes: SÚMULA 70 STF: É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo. SÚMULA 323 STF: É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos. SÚMULA 547 STF: Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais. PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFEGO Dispõe o artigo 150, V, da Constituição Federal que: Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: V- estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. O tributo não pode impedir o exercício do direito de ir e vir. Contudo, mitiga-se este princípio, com relação a cobrança dos pedágios, pois a cobrança do pedágio não se trata Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito de tributo, mas de uma tarifa para que as permissionárias ou concessionárias, prestem este serviço público. PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE GEOGRÁFICA Dispõe o artigo 151, I e II, da Constituição Federal que: Art. 151: É vedado à União: I- instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País; II- tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes; Este princípio tem força coercitiva com relação a União, pois veda o tratamento desigual entre os entes federativos e os contribuintes. O objetivo da presente norma é o respeito a isonomia e ao pacto federativo. A exceção está presente no tratamento diferenciado que a União pode conceder em tributação que seja de sua competência, buscando o desenvolvimento socioeconômico de determinada região do pais. Como é o caso da Zona Franca de Manaus, buscando-se gerar emprego e renda. Com relação ao inciso II, a União não pode tratar de forma diferente os servidores, e as obrigações de dívidas públicas. Ex: se um Magistrado Federal tem retenção de 27,5% de seu ordenado, o mesmo deverá valer para o Magistrado Estadual, não pode haver tratamento diferenciado para o servidor federal em razão de pertencer ao quadro de servidor federal. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito PRINCÍPIO DA ISENÇÃO HETERÔNOMA Dispõe o artigo 151, III, da Constituição Federal que: Art. 151: É vedado à União: III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A União não pode interferir nos benefícios fiscais de tributos que não são de sua competência. Assim, não cabem isenções heterônomas da União para tributos que não são de sua competência. Porém temos algumas mitigações que estão compreendidas como imunidades e que estão expressas na Constituição Federal 1ª Exceção: Imunidade de ISSQN para serviços destinados ao Exterior. Art. 156: Compete aos Municípios instituir impostos sobre: III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) § 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei complementar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 37, de 2002) II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o exterior. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 2ª Exceção: Imunidade de ICMS para Mercadorias e Serviços para o Exterior: Art. 155: Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) X - não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 3ª Exceção: de acordo com o STF, Tratados ou Convenções Internacionais que sejam ratificados pelo Presidente da República, agindo como Chefe de Estado, na condição de Pessoa Jurídica de Direito Público Internacional, pode isentar tributos estaduais e municipais, observando o disposto no artigo 98 do CTN: Art. 98: Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. IMUNIDADES A imunidade é a dispensa constitucional de pagar o tributo, são formas de dispensa permitidas pela constituição para que o contribuinte não pague o crédito tributário. As imunidades são divididas em específicas e genéricas. ESPECÍFICAS São todas aquelas que estão dispostas no texto da constituição. E podem englobar qualquer espécie tributária. Exemplos: não incidir ISS de serviço destinado ao exterior, não incidir contribuição social para as entidades de assistência social semfins lucrativos, entre outros. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Ainda, a Constituição apresenta as imunidades genéricas, que estão dispostas no artigo 150, VI, dispensando apenas os impostos. São espécies de imunidades genéricas: 1ª Espécie – Art. 150, VI, A, CF – Imunidade Recíproca, os entes públicos: União, Estados, Distrito Federal e Municípios não podem cobrar tributos entre si sobre o patrimônio, renda e serviços. Exemplos: a União não pode cobrar imposto de renda sobre a renda do Município, assim como os Estados não podem cobrar IPVA de veículos da União. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: Patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; Com relação a esta espécie de imunidade genérica, as mesmas se estendem as autarquias e fundações públicas, conforme artigo 150, §2º da Constituição Federal, desde que a renda, patrimônio e serviços prestados tenham como objetivo a utilização e destinação dos serviços para cumprir com a finalidade essencial destas entidades públicas. § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Contudo, para que possam usufruir desta imunidade essas autarquia e fundações precisam cumprir com os requisitos do artigo 150, §3º e §4º: • Ser mantidas ou instituídas pelo poder público; • Manter atividade essencialmente pública; • Não entrar na concorrência privada; • Não cobrar taxa ou tarifa. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Cabe salientar, também que o STF, embora a Constituição seja omissa, entende que a Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista, também direito a usufruir desta imunidade genérica, desde que explorem atividade pública essencial em caráter de monopólio e não visem lucro. Nesse sentido, foram concedidas imunidades para os correios (agências), casa da moeda entre outros. Art. 150, §3º: As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. 2ª Espécie – Art. 150, VI, B, CF – Imunidade Templos de Qualquer Culto: a imunidade, é criticada contemporaneamente, tem objetivo de proteger a liberdade religiosa. Ressalta- se que a Constituição não tinha o objetivo de escolher uma ou outra religião para ser imunizada, tendo em vista que somos um estado laico. Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: b) templos de qualquer culto; Dessa forma, usufruirão desta imunidade qualquer religião que prestigie Deus, e cujo objetivo seja transmitir a palavra de Deus para toda uma comunidade. Contudo, para que tais religiões possam usufruir dessa imunidade genérica sobre seu patrimônio, renda e serviços, devem aplicar seu patrimônio ou renda para a finalidade essencial. Nesse caso se a igreja ou templo fizer alguma atividade com o objetivo de arrecadar valores, esse Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito dinheiro terá que ser revertido para a finalidade essencial que é levar a palavra de Deus, dessa forma não terá que pagar impostos sobre o valor que arrecadou. Isso se aplica também ao pagamento do dízimo, cobrar estacionamento, ou até mesmo para manter o cemitério em nome da instituição religiosa, conforme disposto no artigo 150, §4º da Constituição Federal. Com relação a esta imunidade cabe destacar, por exemplo, que a Maçonaria não usufrui desta imunidade, pois não é uma religião e sim um estilo de vida. Um cemitério que seja de uma empresa privada, também não goza desta imunidade, pois visa o lucro. 3ª Espécie – Art. 150, VI, C, CF – Imunidade Subjetiva: esta imunidade contempla os partidos políticos e suas fundações, sindicatos de trabalhadores, instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos, essas pessoas não pagarão impostos sobre seus patrimônios, rendas ou serviços desde que cumpram a norma e as finalidade essencial. Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Entretanto, diferente das demais imunidades genéricas, a norma impõe que sejam observados e cumpridos os requisitos da lei. Tais critérios serão encontrados no artigo do Código Tributário Nacional. Art. 14: O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Cumpre destacar que esta imunidade, com relação as entidades de assistência social sem fins lucrativos, na forma do artigo 195, §7º da Constituição Federal, também são imunes com relação a contribuições sociais, trata-se de imunidade específica. Art. 195, §7º: São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Exemplo: se estas pessoas colocarem um imóvel de sua propriedade para locação, e os valores da locação forem revertidos para a atividade essencial, tais pessoas gozarão de imunidade, conforme disposto na Súmula Vinculante 52 e Súmula 724 do Superior Tribunal Federal, e continuarão a usufruir da imunidade genérica. SÚMULA VINCULANTE 52: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. 4ª Espécie – Art. 150, VI, D e E, CF – Imunidade Objetiva: essa imunidade trata da imunidade genérica com relação a objetos. Tais objetos seriam: os livros, periódicos, jornais e papéis destinados a sua impressão, bem como CD´S e DVD´s confeccionados por artistas ou intérpretes brasileiros não pagarão impostos. Art. 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivosdigitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013). Destaca-se: esta imunidade somente se aplica ao objeto, não ao lucro obtido com a venda dele, ou imóvel que pertence a fábrica de jornal. Para que usufruam desta imunidade é necessário que observem os seguintes critérios: transmissão de pensamento, te ideia formalmente orientada independentemente do conteúdo. Dessa forma, revistas com conteúdo sexual, não usufruirão desta imunidade. Portanto, revistas com finalidade de marketing, com o objetivo de vender produtos não terão imunidade. Já listas telefônicas, usufruirão desta imunidade, pois objetivam transmitir informação. Nesse mesmo sentido, o papel fotográfico destinado a impressão desses itens terá imunidade, ao contrário da tinta, que não terá imunidade. Súmula 657 – STF: A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da Constituição Federal abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito ISENÇÃO É a dispensa legal do pagamento do tributo. Assim o ente político pode instituir o tributo e ao fazer isso, decide dispensar o pagamento do tributo em determinados casos. Exemplos: IPI e IOF para deficientes físicos que compram carros adaptados. ALÍQUOTA ZERADA Na alíquota zerada, o fato gerador ocorre, mas a obrigação tributária decorrente dele, por uma questão de cálculo é nula. A alíquota zerada é aplicada, em geral, para os tributos que são regulatórios (II, IE, IPI e IOF). Tendo como objetivo incentivar determinada atividade. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito O TRIBUTO E SUAS FUNÇÕES O tributo serve para manterá máquina estatal funcionando. O contribuinte paga os impostos para que a administração utilize estes recursos na manutenção de suas atividades. O tributo exerce três funções: Fiscalidade: arrecadar tributos para custear as atividades do Estado, sejam elas específicas ou gerais. Entretanto, quando o tributo é utilizado como mecanismo de incentivo ou desincentivo para as ações dos contribuintes e intervindo diretamente na sociedade e na economia, nos deparamos com a função extrafiscal. Extrafiscalidade: Neste caso, o tributo é usado como mecanismo para regular a economia, exemplo disso é o imposto de importação, que pode ter suas alíquotas majoradas a fim de incentivar o mercado interno, reduzindo a saída de capital do país. Parafiscal: Aqui é possível identificar quando o tributo tem o objetivo de financiar atividades de entidades diversas daquelas para as quais ele foi instituído. Assim, os valores que foram arrecadados custeiam atividades do Estado que não são exercidas diretamente por ele. RESPONSABILDIADE TRIBUTÁRIA SUJEIÇÃO PASSIVA PAPEL DOS SÓCIOS Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito COOBRIGADOS RESPOSABILIDADE PRESUMIDA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E CRÉDITO TRIBUTÁRIO A obrigação tributária nasce quando ocorre o fato gerador, contudo ainda não temos o cálculo do montante de tributo a ser pago, nem a identificação de quem é de fato o sujeito passivo. Um exemplo é que via de regra quem é proprietário de um imóvel tem a obrigação de pagar tributo sobre ele para o município (no exemplo do IPTU). Mas como vimos em aula, até chegarmos no valor que efetivamente deve ser pago precisamos saber: Qual a alíquota ou base de cálculo ou alíquota aplicável? Quem é o proprietário do imóvel efetivamente? Inicialmente não teremos liquidez e certeza, tendo em vista que a obrigação tributária não será efetivamente exigível. Só a ocorrência do fato gerador não faz com que o contribuinte deva necessariamente fazer o pagamento do tributo. Após, com o lançamento do crédito tributário através do processo administrativo, que é responsabilidade da autoridade administrativa é que se verifica a ocorrência do fato gerador. É determinada, portanto a matéria a ser tributada, calculado o valor do tributo devido, identificado quem é o responsável pelo pagamento e aplicada a penalidade (se for o caso) é que se verifica a constituição do crédito tributário conforme expresso no artigo 142 do Código Tributário. O lançamento constituí o crédito tributário, o que permite que o tributo seja exigível. É o que ocorre, por exemplo quando o proprietário de um imóvel é notificado do lançamento do IPTU, nesse momento é possível identificar o valor venal atribuído ao imóvel (pela prefeitura, neste caso), qual alíquota foi aplicada, podendo assim, ser analisado o que originou o tributo devido. Diante disso, é possível identificar que o crédito tributário é o vínculo jurídico entre o sujeito ativo que é quem pode exigir o crédito tributário, e o sujeito passivo que é quem tem o dever de pagar o tributo. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito A diferença reside entre a obrigação tributária e o crédito tributário. O crédito tributário é dotado de exigibilidade. Importante destacar que o crédito tributário conforme artigo 139 do Código Tributário o crédito tributário decorre da obrigação principal. Portanto, com a ocorrência do fato gerador surge a obrigação tributária, com o lançamento tributário, constitui-se o crédito tributário. GARANTIAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O objetivo das garantias do crédito tributário é assegurar a proteção da entidade impositora, tornando viável o recebimento do saldo devedor que tem direito em relação ao sujeito passivo da relação jurídica. Conforme artigo 183 do Código Tributário. O objetivo do legislador a partir deste artigo foi resguardar ao sujeito ativo diversas garantias para que o contribuinte cumpra com sua obrigação. Além do rol de garantias já positivadas no CTN, temos também a possibilidade de que outras garantias sejam criadas por lei para assegurar ainda mais os interesses da autoridade detentora do crédito tributário. O artigo 184 do CTN deixa isso claro (ressalvados os bens absolutamente impenhoráveis como o bem de família), permitindo que o fisco submeta o patrimônio do particular aos objetivos de arrecadação do fisco. Destaca-se que irá responder pelo pagamento do crédito tributário, bens e rendas do espólio, da massa falida, inclusive bens que sejam gravados por ônus real ou cláusulas de inalienabilidade ou impenhorabilidade. Sobre esse mesmo tema, dispõe o artigo 10 da Lei 6.830/80 Lei de execução fiscal, que não sendo paga ou garantida a dívida, poderá recair a penhora sobre quaisquer bens do executado, salvo o que a lei considere absolutamente impenhoráveis. Diante disso, o final do artigo 184 do CTN reforça a mitigação na afetação da totalidade do patrimônio do sujeito passivo para pagamento do crédito tributário. O artigo 185 do CTN busca formas de evitar atos que atos fraudulentos sejam praticados com o intuito de o sujeito passivo eximir-se do pagamento ao sujeito ativo. Diante disso, após a inscrição do crédito tributário na dívida ativa qualquer ato que tenha por objetivo a alienação ou oneração de bens ou rendas será caracterizado como fraude. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito O parágrafo único do 185 trata da garantia da dívida mesmo quando o devedor aliena ou onera bens. Se já garantida a dívida, e o sujeito passivo continuar solvente, qualquer alienação ou oneração realizada, não será considerada fraudulenta. Os parágrafos 1º e 2º do artigo 185, tratam da penhora online, que é permitida quando já foram esgotadas todas as formas possíveis de se localizar bens dos devedores, nesse caso o pedido será feito e o magistrado vai determinar a indisponibilidade de bens e de direitos do executado, limitando, contudo, o valor total exigível. Uma realizada a indisponibilidade os órgãos eentidades enviarão as informações ao juízo e a relação de bens e direitos cuja a indisponibilidade tiverem provido. Por fim, com relação as garantias tributárias, importante destacar a cautelar fiscal prevista na Lei nº 8-937/92, a qual objetiva decretar a indisponibilidade dos bens e direitos antes mesmo do ajuizamento da execução fiscal, podendo, ser ajuizada logo após o lançamento tributário. PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (PREFERÊNCIA) Trata-se da sua preferência, com relação a outros créditos de outras naturezas. Dessa forma, o crédito tributário tem preferência sobre qualquer outro, ressalvados os créditos decorrentes de legislação trabalhista ou de acidente de trabalho (regra geral). Contudo, na falência, ele não se sobrepõe aos créditos extraconcursais ou importâncias que seja passível de restituição, nem aos créditos de garantias real no limite do valor do bem gravado. Inventário e arrolamento Serão pagos de forma preferencial os créditos que seja habilitado em inventário e arrolamento ou a outros encargos do monte créditos tributários vencidos ou que estejam a vencer que sejam a cargo do falecido ou do espólio, que sejam exigíveis dentro do processo de inventário ou arrolamento. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – art. 142 à 150 do CTN. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO A obrigação tributária surge com a prática do fato gerador pelo contribuinte. Quando ele realiza a hipótese de incidência, ele sabe que deverá pagar o tributo. Contudo, embora tenha sido dado causa a obrigação tributária o fisco ainda não pode cobrar o contribuinte do valor devido, apenas com base na realização do fato gerador. Para que a cobrança ocorra é preciso que seja individualizada a conduta do contribuinte, indicado do tributo devido o valor a ser pago e quando ocorreu o fato gerador e quando vence o valor a ser pago. O lançamento é a forma de identificar todo o procedimento realizado para que se chegue na constituição do crédito tributário, de modo que permita ao fisco a possibilidade de realizar a cobrança do valor devido pelo contribuinte. O artigo 142 do CTN dispõe: Art. 142: “Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LANÇAMENTO E TRIBUTOS SUJEITOS A HOMOLOGAÇÃO, POR DECLARAÇÃO, DE OFÍCIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Expressa no artigo 148 do CTN, essa hipótese ocorre quando o fisco identifica a ocorrência do fato gerador, calcula o valor devido e já emite a guia de pagamento e notifica o contribuinte. Aqui o contribuinte não interfere na apuração do tributo. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito Um exemplo de lançamento de ofício é o IPTU, o fisco do município calcula o valor do IPTU com base no valor venal do imóvel envia o carnê para o proprietário do imóvel para que ele realize o pagamento do tributo. Além do IPTU outros tributos que são lançados de ofício são o IPVA, Taxas, Contribuição de Melhoria. Importante destacar que o lançamento de ofício tem caráter substitutivo, ou seja, sempre que o contribuinte não lançar de forma correta ou houverem informações conflitantes, cabe ao fisco efetuar o lançamento de forma adequada para que o crédito seja constituído de forma correta. Cabe lembrar, ainda, que o lançamento é ato privativo da administração pública, sendo que em algumas situações alguns atos em específico são transferidos ao sujeito passivo, mas com a fiscalização do fisco, mas como antes mencionado quando os atos forem praticados de forma defeituosa o fisco tem o dever de realizar o lançamento corretamente de forma substitutiva. De encontro com o artigo 148, do CTN, temos o artigo 149 do CTN que vai esclarecer quando o lançamento será de forma obrigatória, ou de forma substitutiva: em sua grande maioria, as hipóteses de lançamento devem ser feitas de ofício quando o contribuinte prestar informações inverídicas ou quando estiverem repletas de vícios, como em casos de dolo, simulação, fraude. Além disso, deve ocorrer o lançamento de ofício, quando o contribuinte não entrega as declarações necessárias ao fisco, em outras palavras, são casos em que permitem que o fisco faça o relançamento. LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO É conhecida, também, como lançamento misto. É com base nas declarações do contribuinte que o fisco faz a apuração do tributo devido e do valor a ser pago. A diferença nesse caso, é que nós na condição de contribuintes enviamos a declaração e com base nela é que há o lançamento de um tributo pela autoridade competente. Dispõe o artigo 147 do CTN: Art. 147: ”O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Neste caso, o contribuinte informa ao fisco que realizou o fato gerador, ficando a cargo da fazenda pública os demais itens e procedimentos para que a cobrança do crédito seja efetivada. O fisco calcula o valor do tributo e emite a guia. São exemplos: ITCMD e ITBI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Conforme dispõe o artigo 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se Faculdade de Ciências Jurídicas de Erechim – RS Curso de Direito homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme o artigo supracitado, o contribuinte vai declarar a existência do fato gerador, irá calcular o imposto devido, e emitira a guia de pagamento. São exemplos: IR, IPI, ICMS, ISS, entre outros. LANÇAMENTO E PRESCRIÇÃO A prescrição é a extinção pelo decurso do tempo. A prescrição afeta a exequibilidade do crédito. Tanto a prescrição como a decadência estão previstas no artigo 156, V, do CTN. A decadência ocorre, pelo decurso do tempo de um direito potestativo, neste caso