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Universidade Evangélica de Goiás – Engenharia Civil Disciplina: Estruturas Metálicas e de Madeira Prof. Me. Igor Cezar Silva Braga ______________________________________________________________________ DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÃO DE BARRAS TRACIONADAS 1 CONCEITOS INICIAIS Peças tracionadas são elementos estruturais onde atua força axial, perpendicularmente ao plano da seção. No caso particular, quando a força axial é aplicada no centro de gravidade da seção, denomina-se de Tração Simples. São as peças de verificação mais simples, pois não envolvem o perigo de instabilidade, ao contrário da compressão, que será vista adiante. Os critérios de dimensionamentos verificados são: o escoamento da seção bruta, que é responsável pelas deformações excessivas e ruptura da seção líquida efetiva, responsável pelo colapso total da peça. Um dos conceitos de maior importância neste dimensionamento é a determinação correta da área da seção transversal e os coeficientes envolvidos. A partir dos resultados obtidos pelos dois critérios, admite-se o menor valor entre os dois. 1.1 CONDIÇÃO DE SEGURANÇA A condição de segurança para barras metálicas tracionadas, em função do estado limite último, é definida por: 𝑁𝑡,𝑆𝑑 ≤ 𝑁𝑡,𝑅𝑑 Na qual: • 𝑁𝑡,𝑆𝑑 : é a força axial de tração solicitante de cálculo, obtida pela envoltória do estado limite ´ultimo em sua combinação de ações mais desfavorável, sejam elas, normal, especial ou excepcional; • 𝑁𝑡,𝑅𝑑 : é a força axial de tração resistente de cálculo, determinada de acordo com os as seções a seguir. 1.2 FORÇA AXIAL RESISTENTE DE CÁLCULO A força axial de tração resistente de cálculo, 𝑁𝑡,𝑅𝑑 , deve ser o menor dos valores obtidos pelas equações abaixo, sendo a primeira para o escoamento da seção bruta e a segunda para a ruptura da seção líquida. a) Escoamento da seção bruta: 𝑁𝑡,𝑅𝑑 = 𝐴𝑔 ∙ 𝑓𝑦 𝛾𝑎1 b) Ruptura da seção líquida: 𝑁𝑡,𝑅𝑑 = 𝐴𝑒 ∙ 𝑓𝑢 𝛾𝑎2 • 𝐴𝑔: área bruta da seção transversal da barra; • 𝐴𝑒: área líquida efetiva da seção transversal, determinada nas regiões de furacão; • 𝑓𝑦: tensão de resistência ao escoamento do aço; • 𝑓𝑢: é a tensão de resistência a ruptura do aço ou resistência última. Universidade Evangélica de Goiás – Engenharia Civil Disciplina: Estruturas Metálicas e de Madeira Prof. Me. Igor Cezar Silva Braga ______________________________________________________________________ • 𝛾𝑎1 : coeficiente de ponderação da resistência, obtido através da Tabela 3. • 𝛾𝑎2 : coeficiente de ponderação da resistência, obtido através da Tabela 3. 1.2.1 Área Bruta (𝑨𝒈). É a área total da seção transversal das barras e perfis. Normalmente seu valor é fornecido em tabelas pelos fabricantes. 1.2.2 Área Líquida efetiva (𝑨𝒆). 𝐴𝑒 = 𝐴𝑛 ∙ 𝐶𝑡 • 𝐴𝑛: Área líquida da seção transversal. • 𝐶𝑡: Coeficiente de redução da área líquida. 1.2.3 Área Líquida (𝑨𝒏). Numa barra com furos (Figura 1.b), a área líquida (𝐴𝑛) é obtida subtraindo-se da área bruta (𝐴𝑔 ) as áreas dos furos contidos em uma seção reta da peça (linha de ruptura). Figura 1 – Barra sob tração axial: a) lisa; b) com ligação parafusada No caso de uma série de furos distribuídos transversalmente ao eixo da barra, em diagonal ou ziguezague: furação enviesada (Figura 2). Figura 2 – Barra com furos distribuídos transversalmente ao seu eixo. Universidade Evangélica de Goiás – Engenharia Civil Disciplina: Estruturas Metálicas e de Madeira Prof. Me. Igor Cezar Silva Braga ______________________________________________________________________ Para estes casos, pesquisa-se diversos percursos, a peça pode romper segundo qualquer um deles. Escolhe-se o menor valor de seção líquida obtido. Os seguimentos enviesados são calculados com um comprimento reduzido, onde para cada linha ligando dois furos soma-se a quantidade: 𝑠2 4 ∙ 𝑔 • 𝑠: espaçamento horizontal; • 𝑔: espaçamento vertical. Para fins de cálculo adota-se (NBR 8800:2024): 𝑑𝑐 = 𝑑𝑓 + 2 𝑚𝑚 (Furos Puncionados) 𝑑𝑐 = 𝑑𝑓 (Furos broca) • 𝑑𝑓 = diâmetro máximo do furo (tabelado); • 𝑑𝑐 = diâmetro de cálculo. No caso de Furo padrão (tabela pg. 90 NBR 8800:2024): 𝑑𝑓 = 𝑑𝑏 + 2,0 𝑚𝑚 • 𝑑𝑏 = diâmetro nominal do furo ou barra rosqueada Logo: 𝑑𝑐 = 𝑑𝑏 + 4 𝑚𝑚 (Furos Puncionados) 𝑑𝑐 = 𝑑𝑏 + 2 𝑚𝑚 (Furos broca) Dessa forma, a área líquida efetiva de barras com furos, considerando ligação parafusada por punção, pode ser representada pela equação (Pfeil, 2008): 𝐴𝑛 = [𝑏 + − ∑ 𝑑𝑐 + ∑ 𝑠² 4 ∙ 𝑔 ] ∙ 𝑡 Nota: 𝐴𝑛 em mm, logo todos os dados devem entrar em mm. Se os dados forem utilizados em cm, utiliza-se 0,4 na equação. Na equação: • 𝑡 = espessura; • 𝑏 = largura. 1.2.4 Coeficiente de Redução (𝑪𝒕). Quando a ligação é feita por todos os segmentos (elementos AA e/ou AL) de um perfil, a seção transversal participa integralmente da transferência dos esforços. Isto não acontece, por exemplo, nas cantoneiras conectadas por uma aba apenas, nas quais a transferência dos esforços se dá apenas através da aba conectada. Nesses casos as tensões se concentram no segmento conectado e não mais se distribuem em toda a seção. Esse Universidade Evangélica de Goiás – Engenharia Civil Disciplina: Estruturas Metálicas e de Madeira Prof. Me. Igor Cezar Silva Braga ______________________________________________________________________ efeito, conhecido como “Shear Lag” e apresentado pela primeira vez no AISI:1993, é levado em consideração através do coeficiente: 𝐶𝑡. a) Força de tração transmitida diretamente para cada um dos elementos da seção transversal da barra, por soldas ou parafusos: 𝐶𝑡 = 1,0 b) Força de tração transmitida somente por soldas transversais (Figura 3): 𝐶𝑡 = 𝐴𝑐 𝐴𝑔 • 𝐴𝑐 = área da seção transversal dos elementos conectados. Figura 3 – Força de tração transmitida somente por soldas transversais c) Para perfis de seção aberta: Quando a força de tração for transmitida por alguns (não todos) elementos da seção transversal somente usando: • Parafusos; • Soldas longitudinais; • Combinação de soldas longitudinais e transversais. 𝐶𝑡 = 1 − 𝑒𝑐 𝑙𝑐 Nas barras com seções transversais abertas, quando a força de tração for transmitida somente por parafusos ou somente por soldas longitudinais ou ainda por uma combinação de soldas longitudinais e transversais para alguns (não todos) elementos da seção transversal, conforme mostrado na Figura 4. Figura 4 – Ilustração dos valores de 𝑒𝑐 em seções abertas. Universidade Evangélica de Goiás – Engenharia Civil Disciplina: Estruturas Metálicas e de Madeira Prof. Me. Igor Cezar Silva Braga ______________________________________________________________________ • 𝑒𝑐 = é a excentricidade do plano de ligação (ou da face do segmento ligado) em relação ao centro geométrico. • 𝑙𝑐 = comprimento da ligação, igual ao comprimento do cordão de solda em ligações soldadas e em ligações parafusadas é igual a distância entre o primeiro e o último parafuso na direção na força. d) Nas chapas planas, quando a força de tração for transmitida somente por soldas longitudinais ao longo de ambas as suas bordas, visto na Figura 5. 𝐶𝑡 = 3𝑙𝑐 2 3𝑙𝑐 2 + 𝑏2 (1 − 𝑡 2𝑙𝑐 ) Onde, lc = (lw1+lw2)/2 é o valor médio dos comprimentos dos cordões de solda. b é a largura da chapa (distância entre as soldas situadas nas duas bordas. t é a espessura da chapa. Figura 5 – Chapa plana com força de tração transmitida por soldas longitudinais 2 LIMITAÇÕES (ÍNDICE DE ESBELTEZ) Recomenda-se que o índice de esbeltez das barras tracionadas, tomado como a maior relação entre o comprimento destravado e o raio de giração correspondente, não supere 300, conforme Figura 6. 𝜆 = 𝑙 𝑟 ≤ 300 • 𝑙 = Comprimento não travado da peça nadireção em que se tomar 𝑟; • 𝑟 = raio de giração. Figura 6 – Barra composta tracionada