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Prévia do material em texto

Secretaria de Estado
SEDUC
da Educação
Tutoria
Ficha Técnica
Ronaldo Ramos Caiado 
Governador do Estado de Goiás 
Daniel Elias Carvalho Vilela
Vice-governador do Estado de Goiás 
Aparecida de Fátima Gavioli 
Soares Pereira 
Secretária de Estado da Educação 
Helena da Costa Bezerra 
Secretária-Adjunta de Educação
Lucca Silva Perdigão 
Chefe de Gabinete 
Oberdan Humberto Rodrigues 
Valle 
Procurador Setorial
Alessandra Oliveira de Almeida
Diretora Pedagógica
Patrícia Morais Coutinho
Diretora de Política Educacional 
Andros Roberto Barbosa
Diretor Administrativo e Financeiro
Giselle Pereira Campos Faria
Superintendente de Educação Infantil e Ensino 
Fundamental
Osvany da Costa Gundim Cardoso
Superintendente de Ensino Médio
Elaine Machado Silveira 
Superintendente de Desporto Educacional, Arte e 
Educação
Rupert Nickerson Sobrinho
Superintendente de Atenção Especializada
Márcia Maria de Carvalho Pereira
Superintendente de Gestão Estratégica e 
Avaliação de Resultados
Cel. Mauro Ferreira Vilela
Superintendente de Segurança Escolar e Colégio 
Militar
Márcio Roberto Ribeiro Capitelli 
Superintendente do Programa Bolsa Educação
Hudson Amarau de Oliveira
Superintendente de Gestão e Desenvolvimento de 
Pessoas
Taís Gomes Manvailer
Superintendente de Planejamento e Finanças
Leonardo de Lima Santos
Superintendente de Gestão Administrativa
Gustavo de Morais Veiga Jardim
Superintendente de Infraestrutura
Bruno Marques Correia
Superintendente de Tecnologia
Marcley Rodrigues de Matos 
Chefe da Comunicação Setorial 
Equipe da Gerência Educação 
Integral 2024 
Bianca Kelly Verly Maia
Pereira
Gerente de Educação Integral
Janaína Fernandes da Silva 
Maracaípe
Coordenadora de Informação e Monitoramento 
das Escolas de Tempo Integral
José Joaquim Gomes Neto 
Coordenação de Acompanhamento das Escolas 
de Tempo Integral - EF e EM
Belizia Oliveira Nóbrega
Dorian Carneiro de Abreu Carvalho 
Pinto
Glenia das Chagas Carneiro Silva 
Gustavo Bordignon Franz
Herica Cristina de Araújo
Kathelyn Luiza Gonçalves Barbosa 
Marcilene Barbosa de Andrade
Mirian Vieira Teixeira
Silvia Aparecida dos Santos Santana
Revisão 
Marcilene Barbosa de Andrade 
Projeto Gráfico e Diagramação
Sarah Marciano Silva
3Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Sumário
APRESENTAÇÃO • 5
CONCEITOS E REFERENCIAIS DA TUTORIA • 7
 » O sujeitO da tutOria: juventudes • 8
 » O que é a tutOria? • 10
 » tutOria nOs CentrOs de ensinO em PeríOdO integral • 13
 » PedagógiCa da Presença • 15
 » PrOCessO de esCOlha dO tutOr • 16
 » dimensões da tutOria • 17
 » tutOr: sujeitO em COnstruçãO • 18
A TUTORIA COMO FORTALECIMENTO DO PROTAGONISMO E 
PROJETO DE VIDA • 20
 » tutOria Para a exCelênCia aCadêmiCa • 21
 » tutOria COmO fOrtaleCimentO dO PrOjetO de vida • 23
 » tutOria COmO fOrtaleCimentO dO PrOtagOnismO juvenil • 24
 » tutOria COmO fOrtaleCimentO da gestãO • 25
PROCESSOS E PROCEDIMENTOS • 27
 » CaminhOs da tutOria • 28
 » O temPO da tutOria • 30
 » O esPaçO da tutOria • 30
 » O PaPel dO tutOr e dO estudante • 31
 » registrOs e PrOCessOs de aCOmPanhamentO • 32
4Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
 » Lista/Pasta ou PLaniLha da Coordenação de integração CurriCuLar • 33
 » instrumentOs de aPOiO à tutOria • 33
 » Lista de Fotos ou CatáLogo de estudantes • 34
 » tomada de deCisão Baseada em dados • 34
 » doCumentos de registro de tutoria • 35
 » vulnerabilidade: COmO agir? • 36
ESCUTA ATIVA E COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS • 38
 » vínCulO e emPatia • 39
 » esCuta ativa • 41
 » COmuniCaçãO nãO viOlenta • 42
 » COmPetênCias sOCiOemOCiOnais • 44
REFERÊNCIAS • 46
5Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Apresentação
Caros professores e professoras, 
É com grande satisfação que apresentamos o Caderno de Tutoria da co-
leção “Meu CEPI é 10”. Este trabalho se debruça sobre a metodologia da 
tutoria, cuja importância reside na compreensão de que a educação plena e 
integral vai além de um currículo estruturado, métodos eficientes e materiais 
inovadores; ela demanda uma rede de apoio sólida e bem articulada. 
Nesse contexto, destaca-se o papel dos educadores na escola - profes-
sores, gestão, coordenadores, servidores administrativos – que atuam como 
promotores de intencionalidade formativa. Eles auxiliam os estudantes em 
suas trajetórias, alicerçadas em valores como a democracia, honestidade, 
idoneidade e empatia. É nesse cenário que se ressalta a atuação dos profes-
sores tutores nos Centros de Ensino em Período Integral (CEPIs), pois essa 
metodologia se configura como um elo essencial de apoio para os estudan-
tes, conectando-os a diferentes camadas e representações dentro e fora da 
escola.
 A tutoria estabelece um vínculo qualificado, pautado pelo compromisso 
com o projeto de vida dos estudantes e fortalecido pelo afeto e pelo genuíno 
interesse em seu desenvolvimento. 
Neste caderno, refletiremos sobre a tutoria, suas bases, métodos e possi-
bilidades, além de seu profundo compromisso com os projetos de vida dos 
estudantes. Exploraremos conceitos, processos e procedimentos, e, claro, a 
afirmação e reafirmação da construção e reconstrução dos afetos que impul-
sionem o desenvolvimento e a realização dos projetos de vida dos milhares 
de estudantes em nossos CEPIs.
Boa leitura! 
EquipE dE Educação intEgral
6Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
7Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
CONCEITOS E
REFERENCIAIS
DA TUTORIA
8Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
O sujeito da tutoria: 
juventudes 
A juventude é uma fase da vida marcada por pro-
fundas transformações e desafios, sendo um perío-
do crucial para a construção da identidade. Nessa 
etapa, os jovens buscam sua independência, es-
tabelecem círculos de relações, reconhecem ter-
ritórios de interesses, desenvolvem habilidades e 
definem seus projetos de vida. No entanto, essa jor-
nada é complexa, pois exige lidar com mudanças 
físicas e emocionais, além de conciliar as expec-
tativas da sociedade com seus próprios desejos e 
aspirações.
É importante destacar que adolescência e juven-
tude são fases da vida que, apesar de serem colo-
cadas dentro de uma faixa etária, não se encontram 
de maneira delineada dentro da experiência de vida 
dos sujeitos. De acordo com o Estatuto da Criança 
e do Adolescente (BRASIL, 1990), a adolescência 
compreende dos 12 aos 18 anos. Já o Estatuto da 
Juventude define a juventude como período dos 15 
anos aos 29 anos. Assim, temos imbricações en-
tre a experiência assumida como juventude e como 
adolescência.
Segundo Gomes Neto (2023), a distinção entre 
essas duas fases é complexa, pois envolve não 
apenas mudanças corporais, mas também repre-
sentações sociais, a construção de identidade e fa-
tores culturais e sociais, além da própria experiên-
cia do jovem ou adolescente. Para determinados 
grupos, as experiências sociais podem correspon-
der ao que se espera dos adolescentes; em outros, 
os sujeitos podem enfrentar situações que os levam 
“A tutoria é muito 
importante para nós, 
por isso agradecemos a 
oportunidade de ter uma 
tutoria e, principalmente, 
uma excelente tutora.” 
Estudante do CEPI 
Professor César Augusto 
Ceva – CRE de Pires do Rio
9Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
a assumir responsabilidades e experiências asso-
ciadas à vida adulta. 
O uso do termo “juventudes” no plural reflete 
essa multiplicidade, reconhecendo que não há ho-
mogeneidade nessa etapa da vida. A juventude é 
moldada por uma série de fatores, como contexto 
cultural, condições socioeconômicas, localização 
geográfica, etnia e raça, gênero e acesso a recur-
sos. Nesse sentido, compreendemos que a juven-
tude ou adolescência vivenciada por nossos es-
tudantes é diversa, complexa e multifacetada. Isso 
demanda que o professor tutor tenha a sensibilida-
de e a capacidade de interpretar essas perspecti-
vas dentro do contexto escolar. 
De acordo com o “Atlas da Juventude”, em par-
ceria com a FGV Social, o Brasil vive atualmente a 
maior população jovem de sua história, com cer-
ca de 47,8 milhões de pessoasnessa faixa etária. 
Contudo, o estudo também revela que a porcenta-
gem de jovens está em declínio, concentrando-se 
principalmente nas periferias metropolitanas, além 
de evidenciar o aprofundamento das desigualda-
des entre essa população.
Esse cenário apresenta um desafio significativo: 
como apoiar nossos jovens, considerando a diver-
sidade de suas experiências, os múltiplos engaja-
mentos, as diferentes perspectivas, bem como as 
variadas possibilidades e oportunidades? Que tipo 
de vínculo a escola deve construir para atender a 
essas necessidades?
Reconhecemos que a escuta ativa, o fortale-
cimento do estudante, o apoio na construção de 
projetos de vida e a garantia da aprendizagem são 
estratégias fundamentais. Nesse contexto, a tutoria 
surge como uma ferramenta essencial para trans-
formar e qualificar esses vínculos, promovendo o 
desenvolvimento integral dos estudantes.
“Obrigada por dispor 
de tempo e paciência 
para nos acompanhar 
pedagogicamente e até 
mesmo como um ombro 
amigo.” 
Estudante do CEPI 
Osvaldo da Costa Meireles – 
CRE de Luziânia
10Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Foto: Hevelyn Gontijo
O que é a tutoria?
A educação tem o potencial de construir as bases 
de uma sociedade mais justa, fraterna, democrá-
tica e responsável, tanto social quanto ambiental-
mente. No entanto, os inúmeros desafios enfrenta-
dos na formação básica de jovens, provenientes 
de experiências sociais tão diversas, são signifi-
cativos. Desde a promulgação da Constituição de 
1988, a educação foi reconhecida como um direito 
universal, considerando tanto a perspectiva indivi-
dual quanto as obrigações do Estado e da família. 
Esse princípio foi reafirmado pela Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), que 
assegura o acesso à educação para todos.
Qual é o papel da escola no desenvolvimen-
to social? Que bases formativas ela pode oferecer 
aos jovens? Como enfrentar os desafios de uma so-
ciedade em constante transformação, marcada por 
camadas complexas de relações? No cerne dessas 
reflexões está a pergunta essencial: que tipo de jo-
vem a escola é capaz de formar?
“Agradeço pela 
compreensão, cuidado e 
atenção das tutoras.”
Estudante do CEPI 
Osvaldo da Costa Meireles – 
CRE de Luziânia
11Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Diante das múltiplas necessidades, perspectivas 
e diferenças, emergiu a ideia de uma educação in-
tegral, voltada para o desenvolvimento das habili-
dades essenciais que capacitam os estudantes a 
enfrentar os desafios do século XXI e a participar 
ativamente da sociedade. O relatório da Comis-
são Internacional sobre Educação para o Século 
XXI para a UNESCO (DELORS et al., 1998 [1996]) 
apoia essa abordagem, enfatizando a importância 
de uma educação que priorize a formação cidadã 
no contexto contemporâneo. Além disso, a LDB de-
fende a ampliação progressiva do tempo de per-
manência dos alunos na escola, promovendo um 
processo educacional mais democrático.
Nesse contexto, a educação integral em tempo 
integral apresenta-se como um território genuíno de 
desenvolvimento para os jovens. O Plano Nacional 
de Educação (2014), por meio de sua Meta 6, es-
tabelece a meta de “oferecer educação em tempo 
integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, 
de forma a atender pelo menos 25% dos(as) alu-
nos(as) da educação básica”.
O objetivo é formar jovens competentes, capazes 
de aplicar o conhecimento adquirido para interpre-
tar o mundo. Esses jovens devem ser solidários, 
comprometidos com a realidade e ativos na trans-
formação social. Além disso, é imprescindível que 
sejam autônomos, com capacidade de tomar deci-
sões baseadas em uma visão clara de si mesmos 
e da realidade que os cerca. Reconhecer esse pro-
cesso de formação como uma vocação da esco-
la é consistente com os valores de uma sociedade 
comprometida com princípios como honestidade, 
integridade, respeito e responsabilidade.
Ao longo da vida, aprendemos o valor de uma 
rede de apoio. Saber que podemos contar com 
pessoas que se importam conosco nos ajuda a en-
frentar os desafios com maior segurança. Na es-
cola, os estudantes encontram inspiração em pro-
“O encontro com 
tutores poderia ser mais 
frequente, mas todos 
são ótimos e muito 
compreensivos.”
Estudante do CEPI 
Castelo Branco – CRE de 
Uruaçu
12Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
fessores, servidores, gestores e outros agentes que 
atuam como referências.
Nesse sentido, a tutoria desponta como uma fer-
ramenta de apoio e reafirmação dos avanços por 
meio da colaboração. Trata-se de um suporte sis-
temático oferecido por educadores para fortalecer 
valores, reafirmar responsabilidades e desenvolver 
competências que permitam aos jovens lidar com 
decisões, conflitos e inseguranças. Conforme Lá-
zaro e Asensi (apud Agüis et al., 2002), “a tutoria é 
uma atividade inerente à função do professor, rea-
lizada individual e coletivamente com os alunos de 
uma sala de aula, para facilitar a integração nos 
processos de aprendizagem”.
No contexto educacional, a tutoria destaca-se 
como um instrumento pedagógico essencial para 
apoiar o desenvolvimento acadêmico e pessoal 
dos estudantes. Ela promove uma educação mais 
humanizada, com foco no fortalecimento dos valo-
res e no desenvolvimento das habilidades necessá-
rias para enfrentar os desafios da vida. A tutoria vai 
além de uma simples metodologia: é uma aborda-
gem colaborativa que integra os diversos agentes 
escolares, criando vínculos e fortalecendo projetos 
de vida.
A tutoria, tema central deste documento, trans-
cende a simples metodologia. Representa uma 
abordagem colaborativa que integra os diversos 
agentes escolares, estabelecendo bases sólidas 
para uma construção sistemática, em que vínculos, 
cuidado, reflexão e projetos de vida se tornam efe-
tivos e propositivos.
“Obrigado por sempre 
tentar me ajudar, sua 
força me encoraja a 
conquistar o que precisa 
ser conquistado.” 
Estudante do CEPI Parque 
Estrela D’Alva XIII – CRE de 
Águas Lindas
13Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Tutoria nos Centros de 
Ensino em Período Integral 
Nos Centros de Ensino em Período Integral (CE-
PIs), a tutoria desempenha um papel central como 
metodologia que acompanha, inspira, orienta e es-
tabelece vínculo com os estudantes. Além disso, 
a tutoria fortalece o sentimento de pertencimento 
à escola, auxilia no monitoramento da frequência, 
fomenta o protagonismo juvenil, promove o diálogo 
e a colaboração, e potencializa as ações da gestão 
escolar.
Assim, a tutoria torna-se um suporte essencial 
para o desenvolvimento de jovens competentes, 
solidários e autônomos, capacitando-os a enfrentar 
os desafios do século XXI. Os professores desem-
penham um papel inspirador e equilibrado, ajudan-
do os estudantes a lidar com a vida, as relações e 
as expectativas, além de indicar caminhos para o 
protagonismo escolar.
Nos CEPIs, é fundamental que os educadores es-
tejam abertos à metodologia da tutoria. Essa dispo-
sição generosa é crucial para que o processo seja 
conduzido com eficiência, orientado por princípios 
sólidos que promovam o desenvolvimento integral 
dos estudantes.
Os Quatro Pilares da Educação
Apresentado no relatório da UNESCO “Educação: Um Tesouro a Descobrir” 
(1996), são princípios fundamentais para o desenvolvimento integral do 
indivíduo ao longo da vida. Cada um desses pilares desempenha um 
papel crucial na formação de cidadãos capazes de enfrentar os desafios 
do século XXI.
“Agradeço à minha 
tutora por estar me 
ajudando a me organizar 
e ao tutor por estar ali 
para me ouvir.”
Estudante do CEPI Parque 
Estrela D’Alva XIII – CRE de 
Águas Lindas
14Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
CONHECER
FAZER
CONVIVER
SER
Aprender a
Aprender a
Aprender a
Aprender a
Esse pilar enfatiza o desenvolvimento da habilidade de ad-
quirir, construir e utilizar o conhecimento de maneira autô-
noma e crítica. Trata-se de aprender a aprender, cultivando 
a curiosidade intelectual e a capacidade de lidar com si-
tuações complexas,que exigem raciocínio e pensamento 
reflexivo.
Focado nas competências práticas e habilidades necessá-
rias para o trabalho e a vida em sociedade, este pilar en-
volve a aplicação do conhecimento em situações reais. Ele 
promove a capacidade de enfrentar desafios e adaptar-se 
a novas condições, destacando a importância do trabalho 
em equipe e da colaboração.
Este pilar sublinha a importância de compreender e res-
peitar os outros, além de trabalhar em conjunto de forma 
harmoniosa. Promove a educação para a paz, a tolerância, 
e o respeito às diversidades culturais, sociais e pessoais, 
essencial para a construção de uma sociedade mais justa 
e solidária.
O pilar mais abrangente, que visa o desenvolvimento inte-
gral do indivíduo, abrangendo a dimensão física, emocio-
nal, intelectual e ética. Ele se concentra na formação da 
identidade, na autonomia pessoal e na capacidade de to-
mar decisões conscientes e responsáveis, com um sentido 
de propósito e ética.
15Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Pedagogia da Presença
A pedagogia da presença é um princípio desen-
volvido por Antônio Carlos Gomes da Costa, que 
estabelece que essa presença deve ser empática 
e afirmativa, capaz de promover reflexões sobre a 
vida, o futuro e a construção de um espírito comuni-
tário. Essa abordagem pode pavimentar um mode-
lo de relação entre educandos e educadores fun-
damentado na generosidade e na empatia.
Esse modo de significar as relações na escola 
destaca a relevância do educador para além de 
sua mera presença física no ambiente escolar. Pro-
põe-se uma presença integral, caracterizada por 
escuta atenta, empatia, respeito às singularidades 
de cada estudante e um envolvimento genuíno no 
processo de desenvolvimento deles. Mais do que 
ensinar conteúdos, a pedagogia da presença, atre-
lada à metodologia da tutoria, permite o cultivo de 
vínculos genuínos baseados em confiança e dispo-
nibilidade. Esse vínculo favorece a criação de um 
ambiente seguro, acolhedor e estimulante para o 
crescimento intelectual e emocional dos estudan-
tes.
Essa presença acolhedora ganha significado ao 
estabelecer relações de confiança e transforma-
ção. Nesse sentido, Antônio Carlos (2021, p. 83) 
afirma: “Significar é assumir, diante de alguém ou 
de alguma coisa, uma atitude de não indiferença.”
A postura generosa e encorajadora do educa-
dor, ao acompanhar os alunos em seus desafios e 
conquistas, oferece suporte não apenas acadêmi-
co, mas também emocional. Dessa forma, o pro-
fessor torna-se uma figura de referência positiva, 
capaz de estimular a autonomia e o protagonismo 
dos estudantes, contribuindo para a construção de 
“Meu tutor é uma 
pessoa sensacional. 
Todas as vezes que tenho 
dificuldades, procuro por 
ele, e ele sempre está 
disposto a me ajudar.” 
Estudante do CEPI Parque 
Estrela D’Alva XIII – CRE de 
Águas Lindas
16Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Processo de escolha do Tutor
sua autoestima e senso de pertencimento. Como 
resultado, as interações interpessoais melhoram, 
criando um ambiente mais colaborativo e acolhe-
dor – elementos fundamentais para o sucesso edu-
cacional.
O título deste tópico destaca um passo essen-
cial para consolidar a tutoria: a escolha do tutor. A 
formação integral, em tempo integral, oferecida pe-
los Centros de Ensino em Período Integral (CEPIs) 
busca desenvolver jovens capazes de interpretar 
o mundo de maneira crítica e ética. Esses jovens 
devem ser agentes de solução e iniciativa frente 
aos diversos desafios da vida, capazes de avaliar 
múltiplas variáveis em suas decisões e escolher ca-
minhos pautados em princípios e valores. Assim, o 
exercício diário da escolha é um desafio que a es-
cola pode promover de forma estruturada.
A escolha do tutor é um processo crucial para a 
construção de vínculos que favoreçam a formação, 
o desenvolvimento e o projeto de vida dos estudan-
tes. Para isso, é necessário respeitar a aproxima-
ção, a admiração e o respeito que alguns estudan-
tes desenvolvem por determinados educadores. 
Nos CEPIs, essa escolha ocorre entre 15 e 30 
dias após o início das aulas, permitindo que os estu-
dantes conheçam melhor os professores e possam 
identificar aqueles com quem estabelecem maior 
afinidade. No dia da escolha, é essencial garantir 
equilíbrio no número de estudantes acompanhados 
por cada professor, evitando sobrecarga ou desi-
gualdade na distribuição. A tutoria deve represen-
tar uma abertura generosa para o outro e para seu 
desenvolvimento.
“Minha tutora ajuda 
no meu projeto de 
vida.” 
Estudante do CEPI 
Presidente Vargas – CRE de 
Formosa
17Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Dimensões da Tutoria
Segundo Agüis (2002), a tutoria se apresenta 
como uma estratégia eficaz para a promoção da 
educação integral, que considera todas as dimen-
sões do desenvolvimento humano. Sendo assim, 
ela mesma se orienta em vários aspectos:
oriEntação pEssoal: A tutoria reconhece os 
grandes desafios enfrentados pelos estudantes 
em suas decisões, na adaptação de suas expec-
tativas e na construção de suas relações e visões 
de futuro. Ela auxilia o processo de autoconheci-
mento, ajudando o estudante a refletir sobre seus 
movimentos e as forças que atravessam suas expe-
riências. Assim, a tutoria fortalece uma visão mais 
positiva dos estudantes sobre si mesmos e seus 
projetos de vida.
oriEntação acadêmica: Muitos estudantes en-
frentam dificuldades para estabelecer uma rotina 
de estudos organizada. A tutoria apoia a constru-
ção de hábitos positivos voltados para a autoges-
tão, disciplina, autorregulação e responsabilidade, 
contrastando esses objetivos com os impulsos e 
distrações do dia a dia.
oriEntação profissional: O Projeto de Vida dos 
estudantes inclui o desafio de escolher uma pro-
fissão. Esse processo passa pelo reconhecimento 
de suas habilidades, interesses e pela busca de 
sentido nas opções disponíveis. A tutoria auxilia o 
estudante a fazer escolhas coerentes com suas ca-
racterísticas pessoais, ajudando a evitar decisões 
baseadas apenas em status.
“Não tenho o que 
reclamar. A tutoria 
é organizada, e os 
professores atendem 
com atenção.” 
Estudante do CEPI 
Presidente Vargas – CRE de 
Formosa
18Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Tutor: sujeito em construção 
A formação de cada ser humano é um processo 
contínuo que demanda apoio. Agüis (2002) alerta 
para o risco de criar um perfil idealizado de tutor, 
tão perfeito que desestimule os educadores a par-
ticipar do processo de maneira aberta e generosa.
Com frequência, ouve-se que determinado pro-
fessor “não tem perfil” para ser tutor. No entanto, é 
necessário questionar o que significa “ter perfil”. A 
ideia de que o tutor já chega à escola com todas 
as competências e habilidades desenvolvidas não 
deve ser uma regra. O processo de formação do 
tutor deve ser visto como um percurso, assim como 
o desenvolvimento dos estudantes.
Como nos apontou Argüis, a construção do ser 
humano é complexa, multifacetada, possui várias 
camadas de intencionalidades, afetos, vivências. 
Assim, reconhecer que os educadores também po-
dem ser formados incide no mesmo ponto em que 
reconhecemos que também os estudantes podem 
aprender, desenvolver e melhorar os modos como 
se engajam no mundo e tomam suas decisões.
Pere Arnaiz, citado por Agüis (2002, p. 17), apre-
senta um conjunto de qualidades desejáveis que 
podem ser intencionalmente trabalhadas e fomen-
tadas em educadores, fortalecendo o papel trans-
formador da tutoria.
“Quero agradecer 
à minha tutora, ela é 
incrível comigo, me 
ajuda muito, me apoia 
e, quando precisa, 
briga. Ela é incrível. A 
melhor do mundo, mais 
que uma tutora, é uma 
amiga, professora e 
companheira.” 
Estudante do CEPI Dr. 
Mauá Cavalcante Sávio – 
CRE de Anápolis
19Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
qualidadEs EssEnciais dE um tutor
1. Qualidades humanas (o ser do tutor):
 » Empatia
 » Maturidade intelectual, volitiva e 
afetiva
 » Sociabilidade
 » Responsabilidade
 » Capacidade de acolhimento e 
aceitação2. Qualidades científicas (o saber):
 » Conhecimento da psicologia do (a) 
estudante
 » Domínio de elementos pedagógicos
 » Compreensão das necessidades 
individuais dos alunos
3. Qualidades técnicas (o saber fazer):
 » Trabalho eficaz em equipe
 » Participação em projetos e progra-
mas de formação
 » Desenvolvimento de estratégias 
personalizadas para alunos
1. 
2. 
3. 
20Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
A TUTORIA COMO 
FORTALECIMENTO 
DO PROTAGONISMO 
E PROJETO DE VIDA
21Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Tutoria para a Excelência 
acadêmica
A tutoria é um componente essencial no contex-
to acadêmico, caracterizando-se por um acompa-
nhamento personalizado que vai além da simples 
transmissão de conhecimento. Esse processo ofe-
rece aos estudantes um ambiente de aprendizado 
mais acolhedor, atento às suas individualidades e 
necessidades específicas. O tutor atua como um 
guia, auxiliando no desenvolvimento de competên-
cias de estudo, na autogestão do tempo, na elabo-
ração e consolidação de planos de estudo, além 
de ajudar no enfrentamento de barreiras emocio-
nais e cognitivas que podem comprometer o de-
sempenho escolar.
Por meio da tutoria, os alunos encontram um su-
porte consistente que os incentiva a refletir sobre 
seu projeto de vida e a construir estratégias para 
alcançá-lo. Esse processo promove a autonomia e 
a resiliência necessárias para superar os desafios 
acadêmicos e pessoais que surgem ao longo do 
caminho.
A busca pela excelência acadêmica, entendida 
como um processo contínuo de aprimoramento, é 
amplamente favorecida pelo suporte oferecido pela 
tutoria. Uma tutoria bem planejada e propositiva 
pode contribuir significativamente para o sucesso 
escolar, aumentando a confiança e o engajamento 
dos estudantes. Além disso, ela oferece um acom-
panhamento capaz de identificar e abordar dificul-
dades de forma precoce e proativa.
Para que o processo de tutoria seja eficaz e pro-
mova mudanças positivas no comportamento e no 
“Agradeço muito ao 
meu tutor por me ajudar 
nos momentos difíceis e 
a melhorar meu estudo.” 
Estudante do CEPI Rui 
Barbosa – CRE de Ceres
22Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
desempenho dos estudantes, é essencial que o tu-
tor analise diversos aspectos, como: desempenho 
acadêmico, frequência escolar, participação em 
eletivas e clubes, e disciplinas em que o aluno en-
frenta maior dificuldade. Identificar os pontos frá-
geis permite a elaboração de um plano de ação 
que inclua reflexões sobre comportamento, hábi-
tos, prioridades e processos de estudo.
Nesse contexto, o professor tutor desempenha 
um papel fundamental ao apoiar os estudantes na 
construção de hábitos de estudo consistentes, in-
centivando o engajamento em seus projetos de vida 
e auxiliando-os a enfrentar os diversos desafios que 
surgem durante o processo de crescimento.
Como melhorar o desempenho do tutorado?
Aumentar a 
frequência
Escolher clubes 
e eletivas 
adequados
Focar em 
disciplinas com 
menor desempenho
Potencializar 
habilidades e 
competências
Maior contato 
com o conteúdo e 
professores.
Desenvolvimento 
de habilidades 
específicas.
Equilíbrio nas 
notas.
Maximização do 
desempenho.
“O papel de um 
tutor na escola é 
muito importante para 
incentivar o aluno a 
seguir em frente.” 
Estudante do CEPI Dr. 
Mauá Cavalcante Sávio – 
CRE de Anápolis
23Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Tutoria como fortalecimento 
do Projeto de Vida
Todos os esforços voltados para a construção da 
excelência acadêmica têm como objetivo fortale-
cer as condições para a realização do projeto de 
vida dos estudantes. Nesse sentido, a tutoria pode 
contribuir significativamente para que esse percur-
so seja comprometido e sistematizado.
Ademais, observa-se que cada etapa da expe-
riência acadêmica dos (das) estudantes exige uma 
habilidade específica do professor:
Nesta fase, mais próxima da infância, os estudantes apresentam 
comportamentos característicos dessa etapa de transição. A 
tutoria pode ajudar os adolescentes a refletirem sobre temas 
como o cuidado com o corpo, o respeito ao outro, a prevenção 
de violências e bullying, bem como o cuidado com a escola e 
consigo mesmos. É um momento oportuno para desenvolver 
habilidades essenciais para a convivência, o trabalho em grupo 
e a comunicação não violenta.
Ensino 
Fundamental 
2ª Fase
Na primeira série, os estudantes começam a mergulhar em 
si mesmos, explorando sua história, identidade e potenciais. 
Esse processo é guiado pelo componente “projeto de vida”, 
e a tutoria deve ajudar o estudante a refletir sobre seu papel 
na escola, na família e em sua comunidade, incentivando-o 
a encontrar sentido na construção de seu projeto de vida e 
a planejar o futuro. Além disso, é fundamental observar as 
transformações físicas e emocionais pelas quais eles estão 
passando.
Ensino Médio
1ª Série
“A tutoria é uma coisa 
massa, tipo você tem 
alguém que te ajuda a 
toda hora.” 
Estudante do CEPI 
Domingos Alves – CRE de 
Santa Helena de Goiás
24Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Tutoria como fortalecimento 
do Protagonismo Juvenil
A escola oferece inúmeras oportunidades para 
que os estudantes assumam papéis protagonis-
tas. Contudo, esse protagonismo só se torna viável 
quando a equipe escolar cria espaços de partici-
pação e valoriza as iniciativas juvenis. É essencial 
adotar uma perspectiva que reconheça o jovem 
como uma potência, uma fonte de inovação e solu-
ções.
Nesta etapa, os estudantes avançam na construção de seus 
projetos de vida, e a tutoria desempenha um papel central na 
sistematização desse processo. É importante abordar aspectos 
como comportamento, responsabilidades escolares, sonhos e 
as ações necessárias para realizá-los. Nesse momento, os 
estudantes começam a construir reflexões mais complexas 
sobre estruturas de poder e os limites que essas impõem. 
O tutor deve, portanto, demonstrar empatia e ser capaz de 
desenvolver argumentos mais elaborados para dialogar com 
os jovens.
Ensino Médio
2ª Série
No último ano do Ensino Médio, os estudantes consolidam 
seus projetos de vida e começam a projetar-se para o futuro. 
Isso, muitas vezes, vem acompanhado de medo e insegurança, 
intensificados pela pressão de tomar decisões corretas e 
atender às expectativas dos adultos. A tutoria deve focar em 
fortalecer a confiança e a resiliência dos alunos, ajudando-
os a manterem-se firmes em seus planos ou a ajustá-los de 
maneira reflexiva e crítica.
Ensino Médio
3ª Série
25Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
A tutoria desempenha um papel fundamental 
nesse processo, promovendo diálogos e reflexões 
sobre diversas escolhas dos estudantes, como par-
ticipação em clubes, liderança de turma, mediação 
de conflitos e formas de lidar com desafios na co-
municação com professores. Assim, a tutoria se 
torna um espaço colaborativo onde os estudantes 
podem amadurecer suas iniciativas e fortalecer seu 
protagonismo.
Tutoria como fortalecimento 
da Gestão
A tutoria também desempenha um papel essen-
cial no fortalecimento da gestão escolar, contribuin-
do para que os estudantes se tornem participantes 
ativos e conscientes das dinâmicas escolares. Ao 
promover momentos de reflexão e diálogo, a tuto-
ria fomenta a participação em atividades como clu-
bes, lideranças de turma e mediação de conflitos. 
Dessa forma, não apenas contribui para a forma-
ção dos alunos, mas também enriquece a gestão 
escolar ao criar um ambiente mais colaborativo e 
democrático.
A valorização das juventudes em sua multiplici-
dade ressignifica o papel da equipe gestora, am-
pliando os espaços de escuta e participação dos 
estudantes. Quando a escola reconhece as capa-
cidades e iniciativas dos jovens, a gestão se torna 
mais inclusiva e sensível às suas realidades. Essa 
abordagem exige uma mudança de perspectiva, 
na qual os jovens deixam de ser apenas receptores 
de diretrizes escolares para se tornarem parceiros 
 “Amo minha tutora, 
ela me fez mudar e 
criar mais maturidade e 
cabeça para resolveras 
coisas, e lidar com os 
meus problemas. Sinto 
como se eu tivesse 
outra visão de tudo, 
e agradeço a ela por 
isso.” 
Estudante do CEPI Rui 
Barbosa – CRE de Ceres
26Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
na construção de soluções e estratégias, criando 
uma escola que dialoga com suas aspirações e de-
safios.
Ao proporcionar um espaço de diálogo, apren-
dizado e amadurecimento colaborativo, a tutoria 
fortalece a gestão escolar ao promover uma cultu-
ra de corresponsabilidade. Nesse processo, os es-
tudantes desenvolvem habilidades para lidar com 
conflitos, aprimoram competências de comunica-
ção e constroem uma visão crítica e reflexiva de 
suas ações. Assim, a gestão escolar se beneficia 
de uma comunidade mais engajada, onde alunos 
e professores caminham juntos na construção de 
um ambiente educacional que apoia o crescimento 
integral e valoriza o protagonismo juvenil.
 “A cada dia que 
passa, aprendo mais e 
mais e agradeço muito 
por me ensinar vá-rias 
coisas que eu tinha 
dificuldade.” 
Estudante do CEPI Dom 
Bosco – CRE de Jussara
27Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
PROCESSOS E 
PROCEDIMENTOS
28Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Caminhos da Tutoria
A tutoria afirma e reafirma o compromisso da 
escola com os estudantes e seu processo de de-
senvolvimento. Ela representa uma expressão viva 
e pulsante do vínculo generoso entre o educador 
e o projeto de vida dos alunos, refletindo o cuida-
do e o apoio necessários para que cada um deles 
construa sua trajetória com segurança e propósito. 
A tutoria se apresenta como um espaço de escuta, 
orientação e diálogo, no qual o educador partici-
pa ativamente do crescimento pessoal e acadêmi-
co dos estudantes, reforçando o papel da escola 
como um ambiente de formação integral.
COmuniCaçãO 
sistemátiCa, Planejada
COmuniCaçãO COm 
intenCiOnalidade PedagógiCa
avaliaçãO dO PerCursO 
de desenvOlvimentO dO 
estudante
melhOria dO 
estudante 
nas relações 
interPessOais, 
nas esCOlhas 
e na 
estruturaçãO 
dOs afetOs
desenvOlvimentO dO 
PrOjetO de vida
interaçãO 
PedagógiCa
“Depois que comecei 
a participar da tutoria, 
melhorei bastante no 
meu desenvolvimento, 
comportamento, e só 
tenho a agradecer.” 
Estudante do CEPI Dom 
Bosco – CRE de Jussara
29Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
É importante destacar que a tutoria não deve ser 
um processo improvisado ou desprovido de plane-
jamento. Pelo contrário, trata-se de um apoio sis-
temático, articulado e cuidadosamente estruturado 
para auxiliar os estudantes em suas escolhas, pro-
mover o autoconhecimento, desenvolver compe-
tências socioemocionais e fomentar a construção 
de hábitos saudáveis. A tutoria oferece um suporte 
consistente, alinhado às necessidades dos alunos, 
contribuindo para seu crescimento integral. Assim, 
ela transcende o conteúdo acadêmico, abrangen-
do o desenvolvimento pessoal em suas múltiplas 
dimensões.
Nos Centros de Educação em Período Integral 
(Cepis), a tutoria está inserida na perspectiva dos 
ambientes de aprendizagem. Sob essa ótica, todos 
os espaços escolares são concebidos como locais 
que estimulam processos de aprendizado. Dessa 
forma, esses ambientes estruturam oportunidades 
para o saber, para o estabelecimento de relações 
significativas e para interações saudáveis, promo-
vendo o crescimento dos estudantes.
Nesse contexto, compreendemos que a tutoria 
deve ser conduzida com intencionalidade. Isso sig-
nifica refletir sobre o tempo e o espaço dedicados a 
essa prática, compreendendo-a como um momen-
to planejado para favorecer o desenvolvimento in-
tegral dos alunos, respeitando suas necessidades 
e promovendo interações que potencializem seu 
aprendizado e crescimento.
“Acho a tutoria algo 
muito importante, até 
porque minha tutora 
me ajudou a superar 
muitos momentos. Não 
tem nada melhor do que 
conversar com alguém 
em quem a gente 
confia. Espero que meu 
vínculo com a minha 
tutora nunca acabe..” 
Estudante do CEPI 
Bartolomeu Bueno – CRE 
de Quirinópolis
30Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
O Tempo da Tutoria
O Espaço da Tutoria
O tempo da tutoria deve responder a demandas 
específicas dos estudantes, sendo pautado por 
objetivos claros. Esse momento deve ser planejado 
para oferecer apoio e promover o desenvolvimento 
de maneira direcionada, com foco nas necessida-
des individuais de cada estudante.
Em relação ao espaço, é essencial que o tutor 
adote alguns cuidados fundamentais:
 » Transparência e segurança: Evitar reu-
niões isoladas com os estudantes, preferindo 
locais discretos, porém visíveis, para garantir a 
transparência do encontro.
 » Postura profissional: Durante a conversa, 
é importante evitar situações que possam ser 
interpretadas de forma inadequada, bem como 
relatos pessoais ou intimistas por parte do tu-
tor. O ambiente deve permanecer respeitoso e 
profissional.
 “Acho a tutoria algo 
de extrema importância 
e necessário para a vida 
do estudante em sua 
afirmação escolar.” 
Estudante do CEPI Ary 
Ribeiro Valadão – CRE de 
Goiânia
 “A tutoria é algo 
fundamental na 
escola.”
Estudante do CEPI 
Dom Veloso – CRE de 
Itumbiara
31Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Como agir diante de 
situações que exigem 
atenção espeCial dos 
estudantes?
Estudantes em es-
tado de confusão e 
angústia precisam 
de um diálogo mais 
próximo e acolhedor, 
portanto o professor 
deve garantir esse 
encontro com maior 
celeridade.
Diálogo
Em casos de violên-
cia, o professor deve 
informar o gestor 
imediatamente para 
tomar as providên-
cias cabíveis. 
Notificação
Professores devem 
observar comporta-
mentos dissonantes 
e convocar reuniões 
quando necessário.
Observação
O Papel do Tutor 
e do Estudante
É fundamental que haja uma compreensão cla-
ra dos papéis durante a tutoria. O professor deve 
atuar dentro dos limites de sua função como edu-
cador, mantendo uma postura profissional que res-
peite a dinâmica do processo educativo. Por sua 
vez, o estudante deve ser acolhido e respeitado em 
sua individualidade, mesmo que apresente com-
portamentos mais maduros ou “adultizados”. Essa 
abordagem assegura que o vínculo entre tutor e 
aluno seja construído com base no respeito mútuo, 
contribuindo para o fortalecimento de um ambiente 
educativo seguro e formativo.
“Sou muito grata 
por ter uma tutoria de 
verdade, que me ajudou 
e ainda ajuda em várias 
coisas.” 
Estudante do CEPI Dom 
Veloso – CRE de Itumbiara
32Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Registros e processos de 
acompanhamento
A dinâmica escolar é extremamente acelerada, 
com uma grande quantidade de afazeres, proces-
sos e planejamentos. Diante desse cenário, como 
conduzir de forma propositiva e qualificada um 
processo de tutoria com 15 ou 20 estudantes? É 
imprescindível sistematizar esse processo para 
que ele seja eficaz. O tutor deve orientar-se pelos 
registros das conversas, que permitem retomar os 
tópicos discutidos e verificar se os acordos e en-
caminhamentos foram cumpridos, se os problemas 
mudaram de perspectiva ou se houve amadureci-
mento em relação às pautas tratadas.
É fundamental reconhecer o valor dos registros 
no acompanhamento do desenvolvimento dos es-
tudantes. Esses documentos contribuem significa-
tivamente para o avanço dos alunos na escola e 
para a consolidação de seu potencial. Caso a ins-
tituição julgue necessário, pode personalizar os re-
gistros para incluir outras informações, desde que 
se respeite sua integridade e conteúdo.
Deve-se ressaltar que esses registros não podem 
ser manipulados por terceiros, considerando que 
podem conter questões delicadas, íntimas ou con-
fidenciais, compartilhadas pelos estudantes em si-
tuações de confiança. A confiança é, inclusive, um 
elemento essencial para o bom andamento e a efe-
tividade da tutoria.
“Gosto muito da 
tutoria e amo quando 
tem encontro com os 
tutores, pois posso me 
abrir e falar sobre os 
problemas que enfrento, 
tanto na vida pessoal 
quanto acadêmica.” 
Estudante do CEPI 
Domingos Alves – CRE de 
Santa Helenade Goiás
33Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Instrumentos de Apoio à 
Tutoria
Embora não seja exclusiva da tutoria, essa fer-
ramenta é extremamente útil para compreender as 
situações, escolhas e trajetórias dos estudantes, 
além de facilitar a identificação de responsabilida-
des e a ativação de redes de colaboração. A lista 
pode incluir o nome de cada estudante por turma, 
o clube escolhido, o tutor e, se possível, a eletiva 
cursada. Isso permite que gestão, coordenação 
ou professores identifiquem rapidamente o tutor de 
um estudante e repassem informações relevantes 
quando necessário.
Instrumentos como este agilizam a tomada de 
decisões em situações específicas e ajudam a ma-
pear as escolhas e trajetórias dos alunos, fortale-
cendo o apoio e acolhimento que a escola pode 
oferecer.
Lista/Pasta ou Planilha da 
Coordenação de Integração 
Curricular
“Agradeço ao meu 
tutor e a quem teve 
a ideia de criar a 
tutoria.” 
Estudante do CEPI 
Professor César Augusto 
Ceva – CRE de Pires do Rio
34Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Identificar e reconhecer os estudantes pode le-
var tempo, especialmente em escolas com grande 
número de turmas. Organizar um catálogo de fotos, 
agrupadas por turma, pode facilitar esse processo. 
Assim, mesmo professores que não lecionam para 
uma turma específica podem identificar os alunos e 
acionar as redes de apoio quando necessário.
Esses e outros instrumentos podem ser utilizados 
para aprimorar a gestão dos processos, garantindo 
maior efetividade no apoio aos estudantes.
Toda tomada de decisão requer conhecimento, 
dados e evidências para garantir uma avaliação 
ampla, precisa e respeitosa. A efetividade da tuto-
ria pode ser observada em várias dinâmicas esco-
lares, como a redução de conflitos, a melhoria nas 
relações entre alunos e professores, a diminuição 
de faltas e transferências, além de mudanças posi-
tivas no engajamento dos estudantes com a escola.
Para entender como os estudantes percebem a 
tutoria e como ela se materializa na prática, é re-
comendável realizar pesquisas periódicas de fee-
dback. Essas pesquisas podem ser feitas por meio 
de formulários em plataformas como Google For-
ms, com perguntas sobre o processo de tutoria, es-
colhas, encontros e efetividade.
Lista de Fotos ou Catálogo de 
Estudantes
Tomada de Decisão Baseada 
em Dados
 “[A tutoria] me ajuda 
a entender as coisas 
melhor e me organizar.”
Estudante do CEPI 
Castelo Branco – CRE de 
Uruaçu
“Agradeço à tutoria, 
pois é através dela que 
minha saúde mental 
melhorou muito, e 
meu foco nos estudos 
também!” 
Estudante do CEPI 
Edmundo Pinheiro de 
Abreu – CRE de Goiânia
35Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
A escola deve organizar documentos que forneçam ao tutor informações 
completas sobre os estudantes, além de permitir que a gestão e os professo-
res identifiquem os tutores responsáveis por cada aluno.
Esses documentos podem ser personalizados pela escola, mas deve con-
ter informações básicas, como: 
 » Nome do estudante
 » Série e turma
 » Projeto de vida
 » Clubes Juvenis
 » Componentes curriculares com maior facilidade ou dificuldade
 » Pautas dos encontros
 » Encaminhamentos realizados 
Documentos de Registro de Tutoria
Registro dos encontros
Projeto de Vida
Componentes 
Curriculares 
com Facilidade
Hobbies
Data Pautas Encaminhamento
Clubes Juvenis
Disciplinas com 
dificuldade
Habilidades
Nome:
Série: Turma:
Ser professor de 
Física
Matemática, física e 
química
Games
10/04 • Notas do 1º bimestre 
• Excesso de faltas 
• Maior atenção ao com-
pontente matemática. 
Fazer todas as ativida-
des. 
• Diminuir as faltas. 
Dormir mais cedo para 
estar mais disposto.
Clube de Xadrez
História e Língua 
Portuguesa
Comunicação, criati-
vidade
36Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Durante a tutoria, ao identificar situações de vul-
nerabilidade, o professor deve agir com empatia, 
ética e discrição, respeitando a privacidade do es-
tudante. O primeiro passo é escutar atentamente, 
proporcionando um ambiente acolhedor e seguro 
para que o aluno se sinta à vontade para comparti-
lhar suas dificuldades.
É essencial evitar julgamentos e observar sinais 
que indiquem possíveis riscos à saúde física, emo-
cional ou social. Em casos graves, como suspeitas 
de violência, abuso ou abandono, o professor deve 
garantir a confidencialidade, mas não manter sigilo 
absoluto, comunicando a situação à coordenação 
pedagógica e à gestão escolar.
A coordenação e a gestão, por sua vez, devem 
acionar as redes de apoio de acordo com as orien-
tações da SEDUC/CRE. O professor deve continuar 
acompanhando o estudante, demonstrando apoio 
e promovendo um ambiente educativo inclusivo, 
enquanto a equipe responsável conduz as interven-
ções necessárias.
Perguntas para construção de formulário de 
pesquisa sobre a efetividade da tutoria
ou aponte seu celular para o QR CODE.
CLIQUE AQUI
Vulnerabilidade: Como agir?
“Muito obrigado por 
me colocar na linha e 
por me ajudar em tudo, 
muito obrigado.” 
Estudante do CEPI 
Domingos Alves – CRE de 
Santa Helena de Goiás
https://docs.google.com/document/d/1NgS7rCzpfGrxiNvT32XolMt7o-In1JVe/edit?usp=drive_link&ouid=106225636909516275770&rtpof=true&sd=true
37Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
passos a sErEm sEguidos:
Escuta ativa: Ouvir o estudante com atenção, 
empatia e respeito, evitando julgamentos.
Identificação do risco: Observar e registrar, 
de forma objetiva, os sinais de vulnerabilida-
de.
Relato institucional: Informar a coordenação 
e gestão para as providências.
Conduzir e acionar as redes de apoio segun-
do orientações da SEDUC/CRE.
Acompanhamento contínuo: Manter o apoio 
ao aluno dentro do ambiente escolar, refor-
çando o sentimento de acolhimento e perten-
cimento.
38Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
ESCUTA ATIVA E 
COMPETÊNCIAS 
SOCIOEMOCIONAIS
39Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
O sucesso da tutoria depende de vários fatores: 
um ambiente saudável e organiza-do, abertura ao 
outro, empatia, uma rede de apoio, além da dispo-
nibilidade tanto do tutor quanto do tutorando, entre 
outros. Nesse sentido, destaca-se como fundamen-
tal o compromisso com o potencial dos estudantes, 
acreditando em sua capacidade de avançar tanto 
em processos internos quanto externos. Esses pro-
cessos envolvem a forma como os alunos perce-
bem a si mesmos e como projetam suas ações em 
seus círculos de relacionamento.
Para que a tutoria seja efetiva, é importante 
considerar alguns aspectos essenciais:
Sentimo-nos valorizados quando somos notados, 
e nosso esforço e progresso são reconhecidos. Na 
tutoria, reconhecer o aluno dentro do ambiente es-
colar é uma atitude essencial. Essa percepção cria 
uma dinâmica de responsabilidade e corresponsa-
bilidade com os estudantes. É igualmente impor-
tante não ser indiferente à presença ou ausência do 
aluno nos espaços escolares.
Mostrar ao estudante que ele é importante implica 
adotar uma postura de escuta ativa e observação 
atenta. Uma tutoria efetiva baseia-se no interesse 
genuíno do tutor pela trajetória de desenvolvimento 
do estudante. Assim, evitando julgamentos, é pos-
sível identificar progressos e fragilidades, o que 
permite estabelecer metas e ajustar comportamen-
tos de forma construtiva.
Vínculo e empatia
1. nãO indiferença
“Tutores são muito 
importantes para os 
alunos, pois os ajudam 
a serem pessoas 
melhores.” 
Estudante do CEPI 
Bartolomeu Bueno – CRE 
de Quirinópolis
40Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Estar atento aos movimentos dos estudantes é 
essencial para compreender como eles se veem, 
pensam e se projetam em suas relações e intera-
ções cotidianas. Essa observação ajuda a identi-
ficar sinais de apatia, desânimo ou intenção de 
abandonar a escola. Quanto mais rápido forem as 
intervenções, mais eficazes elas serão.
Além disso, a observação atenta pode revelar 
sinais de violência, alterações de humor, ansieda-
de ou tristeza, possibilitando ações preventivas oucorretivas de forma ágil e eficiente.
O tutor deve estar consciente da posição que 
ocupa nesse processo. Apesar de construir víncu-
los significativos com os estudantes, é imprescin-
dível manter-se dentro do papel de professor. Isso 
inclui cuidado com a linguagem utilizada, postura 
corporal e temas abordados. O profissionalismo 
também se manifesta na prudência em relação à 
proximidade física, evitando interpretações equivo-
cadas ou mal-entendidos.
As conversas durante a tutoria devem ser dire-
cionadas à vida escolar, buscando sempre promo-
ver reflexões e planejamentos que incentivem o de-
senvolvimento acadêmico e social dos estudantes. 
Por isso, é importante evitar temas que não tenham 
relação direta com o contexto escolar ou que não 
contribuam significativamente para o progresso 
dos estudantes.
2. 
3. 
4. 
ObservaçãO atenta
ZelO
intenCiOnalidade
“A tutoria pode 
me ajudar tanto no 
meu desenvolvimento 
acadêmico quanto em 
questões pessoais, e 
isso é muito importante.” 
Estudante do CEPI Ary 
Ribeiro Valadão – CRE de 
Goiânia
41Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
A escuta ativa é um elemento essencial na tutoria, proporcionando um es-
paço de diálogo genuíno e respeitoso. Quando o tutor ouve com atenção, 
sem interrupções ou julgamentos, demonstra interesse pelas preocupações, 
ideias e sentimentos do estudante, fortalecendo uma relação de confiança 
e respeito mútuo. Essa prática permite captar não apenas o que é dito, mas 
também os significados subjacentes, como emoções e necessidades, crian-
do um ambiente acolhedor e compreensivo.
A escuta ativa também auxilia na identificação de barreiras que dificultem o 
progresso acadêmico ou emocional do estudante, facilitando o planejamento 
de ações mais assertivas. Perguntas abertas, reformulações e validações aju-
dam a aprofundar a compreensão do contexto do estudante, incentivando-o a 
refletir sobre suas questões e desenvolver sua autonomia.
Essa prática vai além da tutoria, promovendo uma comunicação empática e 
respeitosa em toda a escola. Ela fortalece as relações interpessoais, contribui 
para a mediação de conflitos e consolida dinâmicas colaborativas e inclusi-
vas.
Escuta Ativa
1. 
2. 
3. 
componEntEs da Escuta ativa
Atenção Plena e Empatia
Concentrar-se totalmente na pessoa que está 
falando.
Demonstrar compreensão e empatia pelos 
sentimentos e perspectivas do outro, validando 
suas emoções. 
Parafrasear
Repetir o que foi dito com suas 
próprias palavras para confirmar a 
compreensão e mostrar que você está 
prestando atenção.
Perguntas investigativas, devolutiva
Fazer perguntas e fornecer respostas que 
mostram que você está envolvido e interessado.
42Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
A comunicação não violenta (CNV) é um recur-
so essencial na tutoria, pois promove um diálogo 
baseado no respeito mútuo, na empatia e na com-
preensão das necessidades de cada indivíduo. 
Com a CNV, o tutor aprende a expressar pensa-
mentos e sentimentos de forma clara e assertiva, 
sem julgamentos ou acusações, enquanto busca 
compreender as perspectivas do estudante.
Essa abordagem cria um ambiente seguro e aco-
lhedor, facilitando a resolução de conflitos de ma-
neira construtiva e fortalecendo as relações. Além 
disso, a CNV ensina habilidades importantes para a 
vida, como a capacidade de ouvir sem reagir defen-
sivamente, expressar emoções de forma respeitosa 
e buscar soluções alternativas para problemas.
Para implementar a CNV na escola, é necessário 
adotar estratégias que promovam a escuta empá-
tica, a expressão clara de necessidades e a bus-
ca conjunta por soluções. Essa prática não apenas 
melhora as interações no ambiente escolar, mas 
também prepara os estudantes para lidar com de-
safios sociais e profissionais no futuro.
Além disso, a CNV é uma ferramenta poderosa 
para lidar com situações delicadas ou desafiadoras 
no ambiente escolar. Por meio dela, o tutor pode 
identificar e comunicar as necessidades subjacen-
tes de cada situação, incentivando o aluno a fazer 
o mesmo. Isso permite que ambos colaborem na 
busca de soluções que sejam satisfatórias para to-
dos os envolvidos. A prática da comunicação não 
violenta também ensina ao estudante habilidades 
importantes para a vida, como a capacidade de ou-
vir sem reagir defensivamente, de expressar suas 
emoções de forma respeitosa e de encontrar alter-
Comunicação não violenta
 “Depois da tutoria, 
eu melhorei muito. A 
tutoria é muito boa para 
desenvolver e superar 
as inseguranças. 
Agradeço de coração 
ao meu tutor.” 
Estudante do CEPI 
Bartolomeu Bueno – CRE 
de Quirinópolis
43Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
nativas para resolver problemas sem recorrer ao 
confronto ou à passividade.
Para uma efetiva prática da comunicação não vio-
lenta na escola, é importante que se leve em conta:
Estratégias 
de Comuni-
cação Eficaz
Pedidos claros e possíveis
Empatia
Observação sem 
julgamento
Expressão clara de 
sentimentos
Resolução colaborativa 
de conflitos
Escuta ativa
Identificação de necessidades
• Fazer solicitações objetivas
• Realizáveis
• Demonstrar atenção genuí-
na sem interrupções
• Reconhecer necessidade 
por trás dos comportamen-
tos
• Compreender sentimen-
tos antes de responder
• Descrever fatos sem 
críticas
• Compartilhar emoções 
sem acusações
• Buscar soluções
• Atender necessidades 
de ambas as partes
“Obrigado ao meu 
tutor, que é bem sincero 
comigo, me ajudou 
bastante.” 
Estudante do CEPI Dr. 
Menezes Junior – CRE de 
Itumbiara
44Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
As competências socioemocionais desempe-
nham um papel fundamental no desenvolvimento 
integral dos estudantes, sendo indispensáveis para 
o sucesso acadêmico e a formação cidadã. Habi-
lidades como resiliência emocional, empatia, auto-
gestão e engajamento social ajudam os estudantes 
a compreender e gerenciar suas emoções, estabe-
lecer relacionamentos saudáveis e tomar decisões 
responsáveis.
A tutoria escolar é um catalisador nesse proces-
so, oferecendo suporte individualizado que fortale-
ce a autoconfiança dos estudantes e os ajuda a su-
perar adversidades emocionais e sociais. Por meio 
da escuta ativa e da comunicação não violenta, os 
tutores incentivam os alunos a identificar suas emo-
ções, refletir sobre comportamentos e estabelecer 
metas que promovam melhorias no desempenho 
acadêmico e nas relações interpessoais.
Incorporar competências socioemocionais ao 
currículo escolar, mediadas por uma tutoria bem 
estruturada, não só melhora o desempenho aca-
dêmico, mas também prepara os estudantes para 
enfrentar desafios da vida em sociedade com inteli-
gência emocional e autoconfiança. Assim, a escola 
cumpre seu papel de formar cidadãos capazes de 
tomar decisões responsáveis e de contribuir positi-
vamente para as dinâmicas sociais.
Competências 
Socioemocionais
“Muito obrigada ao 
professor pelo ótimo 
acompanhamento na 
tutoria, por dar o suporte 
quando necessário e 
por dar voz ao aluno. 
A melhor escolha de 
tutoria que poderia ter 
feito.” 
Estudante do CEPI Dr. 
Menezes Junior – CRE de 
Itumbiara
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macrocompEtências socioEmocionais
Resiliência 
emocional
abeRtuRa 
ao novo
amabilida-
de
autoges-
tão
engaja-
mento com 
os outRos
Demonstrar equilíbrio e controle 
diante de emoções como raiva, 
insegurança e ansiedade fortale-
ce a capacidade dos indivíduos 
de enfrentar desafios e superar 
adversidades.
Essa prática é fundamental para 
estimular um aprendizado enri-
quecedor, tornando os alunos 
receptivos a diversas culturas, 
opiniões e desafios, expandindo 
sua visão de mundo.
Fomentar a amabilidade na esco-
la cria um ambiente de respeito 
mútuo, fortalecer laços afetivos 
e uma comunidade escolar mais 
saudável e positiva.
Essa habilidade está relaciona-
da com a capacidade de fazer 
escolhas, promover liberdade e 
autonomia. Indivíduos com auto-
gestão são reconhecidos por sua 
disciplina, perseverança, eficiên-
cia e orientação para metas.O desenvolvimento dessa com-
petência na escola é fundamental 
para promover relações interpes-
soais saudáveis, preparando os es-
tudantes não apenas para a convi-
vência na sociedade, mas também 
para o ambiente profissional.
 » Tolerância ao estresse
 » Autoconfiança
 » Tolerância à frustração
 » Curiosidade para 
Aprender
 » Imaginação Criativa
 » Interesse Artístico
 » Empatia
 » Respeito
 » Confiança
 » Determinação
 » Organização
 » Foco
 » Persistência
 » Responsabilidade
 » Iniciativa Social
 » Assertividade
 » Entusiasmo
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
A integração dessas competências no currículo escolar, mediada por uma 
tutoria bem estruturada, não apenas melhora o desempenho acadêmico, mas 
também prepara os estudantes para a vida em sociedade, permitindo que 
enfrentem desafios com confiança e inteligência emocional, mais discussões 
para tomar decisões sobre sua vida, seu futuro e as diversas dinâmicas da 
sociedade.
46Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
Referências
47Caderno Tutoria
 
Meu CEPI é 10
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SEDUC
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	O sujeito da tutoria: juventudes 
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