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ARTRITE GOTOSA Quando se fala de artrite, quer dizer que há uma inflamação que ocorre pela vascularização do tecido, provocando dor + incapacidade funcional (momentânea ou permanente). As artrites podem levar a deformidades ósseas e articulares (incapacidade permanente) o tratamento visa evitar isso, com o uso de MMCD (medicamentos modificadores do curso da doença). A artrite gotosa é também conhecida como artrite de cristais, pois cristais de ácido úrico são formados devido a um desequilíbrio na produção de ácido úrico (excessiva muito relacionado a ingestão alimentar) ou excreção de ácido úrico (diminuída). Nessa doença, necessariamente irá ter a presença de hiperuricemia (excesso de ácido úrico circulante). Se tem gota, tem hiperuricemia. Se tem hiperuricemia, não necessariamente terá gota (hiperuricemia assintomática). Valores de referência ácido úrico sanguíneo: M F O ácido úrico é produzido a partir da quebra de proteínas e purinas em hipoxantina, que é convertida em xantina pela xantina oxidase depois em ácido úrico. A deposição de ácido úrico articular (sinovial) é maior do que a renovação local de células (turnover pois nas articulações a vascularização é menor), facilitando o acúmulo de ácido úrico na forma de monourato sódico + H+ a renovação local seria importante para excretar esse ácido úrico depositado. A agregação desses compostos gera uma cristalização (tem alto peso molecular). Esses cristais são reconhecidos como um corpo estranho e são fagocitados pelos macrófagos, porém, eles não conseguem digerir os cristais, morrendo e liberando interleucinas (IL-1 e TNF-α), isso irá provocar quimiotaxia, levando mais células de defesa para o local, mantendo o ciclo de morte e quimiotaxia. A presença de células de defesa no local provoca inflamação excessiva, levando a destruição tecidual. Essa destruição irá se manifestar com os seguintes SINTOMAS: · Monoartrite (1° episódio): normalmente podraga: artrite/inflamação na 1° articulação metacarpo falangeana (dedão do pé). · Poupa “pontos quentes” articulações mais centrais. Solubilizam os cristais. · Tofos: nódulos de cristais de ácido úrico rígidos que se depositam na cartilagem das articulações sinoviais, bem como nos ossos próximos as articulações e na pele ao seu redor. Tem uma resposta inflamatória limitada que “derrete” o osso. Também podem se desenvolver nos rins e outros órgãos e abaixo da pele das orelhas. EPIDEMIOLOGIA • Sexo masculino. • Obesos. • 35-45 anos. DIAGNÓSTICO · Segundo livros: realizar punção articular cristais (monourato de sódio) com birefrigência negativa. · Na prática: diagnóstico clínico + laboratorial (dosagem sérica de ácido úrico). · Diagnóstico diferencial: artrite séptica (diferencia pela punção – essa terá bactérias), trauma, pseudogota. TRATAMENTO PARA CRISES: · Colchicina: Inibe a quimiotaxia (movimentação das células de defesa para o local) cuidado com pacientes renais, pode ter intoxicação por não conseguir excretar. - Medicação emergencial, para tirar da crise. - Dose de ataque (quantidade de medicação administrada afim de aumentar a concentração medicamentosa no local): 0,5 mg 2 comp. Via oral, repetindo 0,5mg a cada hora, até melhorar OU até atingir a dose máxima 7mg/dia. Usar por até 15 dias. - Efeitos colaterais: diarreia, epigastralgia se aparecer antes de 7mg, suspender uso mesmo assim. - Associar a colchicina com algum AINE: diclofenaco 50mg de 8/8h por 7-10 dias OU ibuprofeno 600mg 8/8h por 7-10 dias OU piroxicam 20mg 1x ao dia por 7-10 dias. · Corticoide apenas em pacientes refratários (que não tiveram melhora mesmo após o tratamento sendo realizado de forme correta). Ou que possuem contraindicações para AINES e colchicina. - Prednisona 20mg 2 comp. 1x ao dia por 10-14 dias: inibe a fosfolipase A2 (liberada quando existe agressão na membrana). Até 14 dias não necessita de desmame. PARA PERÍODO INTERCRÍTICO (ASSINTOMÁTICO): · Dosar ácido úrico. A prescrição de diuréticos tiazídicos deve ser avaliada, pois podem provocar hiperuricemia (eles reduzem a excreção de ácido úrico). · Alopurinol: bloqueia a ação da enzima xantina oxidase (impede a conversão de hipoxantina em ácido úrico) mexe na produção de ácido úrico. - Não usar na crise. - Se está usando pela 1° vez: 150mg 2x ao dia. - Se já teve várias crises pode usar de 300 a 600mg/dia. - Comprimidos de 150mg ou 300mg.