Prévia do material em texto
179enapol.com.br 643 QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PENAL Professor Wallace França Comentário: Houve, no caso narrado, a desistência voluntária. Para que seja configurada, deve o agente desistir do prosseguimento dos atos executórios, não é necessário, porém, a espontaneidade. O crime impossível ocorre quando houver ineficácia absoluta do meio ou impropriedade ab- soluta do objeto. Quanto ao crime tentado, ocorrerá quando a cessação dos atos executórios se der por cir- cunstâncias alheias a vontade do agente (art. 14, II, CP). Gabarito: B 412. INÉDITA / 2022 Caio, maior e capaz, inconformado com o término de seu namoro com Larissa, manda men- sagens de cunho ameaçador, reiteradamente, por meio do aplicativo WhatsApp. Inclusive, uma mensagem, em especial, assustou Larissa, que dizia: “Se não ficar comigo, não ficará com mais ninguém.”. Caio praticou: a) Um fato atípico. b) Praticou o crime de perseguição, nesse caso, na forma de cyberstalking. c) Praticou o crime de perseguição o qual tem pena de detenção. d) Praticou o crime de ameaça. Comentário: A questão trata de novidade legislativa a qual está prevista no art. 147-A, Código Penal e foi inserida pela lei 14.132/21 que cria o crime de perseguição/Stalking: “Perseguir al- guém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológi- ca, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou pertur- bando sua esfera de liberdade ou privacidade.”. Ademais, a doutrina ressalta que sendo realizado o tipo penal, por meios virtuais, existirá a modalidade de stalking chamada de cyberstalking. Por fim, a pena cominada para o delito é de 6 meses a 2 ano de reclusão. Gabarito: B 413. INÉDITA / 2022 A seguir será dada uma situação hipotética e uma assertiva a ser julgada à luz dos crimes contra a pessoa. Situação hipotética: Flávia, sob a influência de estado puerperal, mata o filho, recém-nasci- do, de sua amiga Cláudia. Assertiva: Flávia cometeu o crime de infanticídio. Comentário: Para que seja configurado o crime de infanticídio, a mulher, que está sob in- fluência de estado puerperal, deve matar seu próprio filho. Licenciado para - C laudia E llew da S ilva - 10468712429 - P rotegido por E duzz.com 180enapol.com.br 643 QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PENAL Professor Wallace França Assim determina o art. 123, do Código Penal: “Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após.”. Gabarito: Errado 414. INÉDITA / 2022 Julgue o item a seguir à luz dos crimes contra a pessoa. O crime de feminicídio é próprio quanto ao sujeito passivo e comum quanto ao sujeito ativo. Comentário: Realmente, quanto ao sujeito passivo o crime é próprio, pois apenas a mulher pode ser vítima. Porém, quanto ao sujeito ativo, pode ser homem ou mulher o executor do delito. Gabarito: Certo 415. INÉDITA / 2022 Julgue o item a seguir à luz dos crimes contra a pessoa. O crime de homicídio doloso quando praticado contra menor de 18 anos tem causa de au- mento de pena de 1/3. Comentário: O crime de homicídio doloso tem aumento de pena de 1/3 quando praticado contra menor de 14 anos ou pessoa maior de 60 anos. Conforme preceitua o art. 121, § 4º, CP: “No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüên- cias do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado con- tra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.”. Gabarito: Errado 416. INÉDITA / 2022 À luz dos crimes contra a pessoa e jurisprudência dos tribunais superiores, julgue o item a seguir. É reconhecido no Direito Penal brasileiro, de forma pacífica, três formas de interrupção da gravidez, sendo elas: quando a gravidez resulta de estupro (aborto humanitário), quando é posta em risco a vida da mãe (aborto necessário) e a interrupção da gravidez quando o feto é anencefálico (aborto eugênico). Comentário: O aborto humanitário está previsto no art. 128, II, CP “Não se pune o aborto Licenciado para - C laudia E llew da S ilva - 10468712429 - P rotegido por E duzz.com 181enapol.com.br 643 QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PENAL Professor Wallace França praticado por médico se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consenti- mento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal”; o aborto necessário está previsto no mesmo art. 128, I, CP “Não se pune o aborto praticado por médico se não há outro meio de salvar a vida da gestante”. Por último, a interrupção da gravidez que tem causa quando o feto é anencefálico é uma criação jurisprudencial, decorrente da ADPF 54 (arguição de descumprimento de preceito fun- damental), porém não se deve confundir com aborto eugênico o qual ocorre não quando o feto anencefálico, mas sim quando possui anomalias genéticas graves. Esse último não é per- mitido, em regra, no direito brasileiro. Gabarito: Errado 417. INÉDITA / 2022 À luz dos crimes contra a pessoa e jurisprudência dos tribunais superiores, julgue o item a seguir. Negar socorro à vítima em caso de homicídio culposo, é causa de aumento de pena 1/3. Comentário: Dispõe o art. 121, § 4o que “No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüên- cias do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado con- tra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.”. Portanto, negar socorro à vítima é causa de aumento de pena em 1/3. Gabarito: Certo 418. INÉDITA / 2022 À luz dos crimes contra a pessoa e jurisprudência dos tribunais superiores, julgue o item a seguir. A qualificadora do crime de feminicídio é, segundo a jurisprudência do STJ, de natureza obje- tiva, podendo ser cumulada com o motivo torpe. Comentário: A jurisprudência do STJ é pacífica ao dizer que a qualificadora do crime de feminicídio é de natureza objetiva e pode ser cumulada com o motivo torpe. Nesse sentido o julgamento: “Não há dúvidas acerca da natureza subjetiva da qualificadora do motivo torpe, ao passo que a natureza do feminicídio, por se ligar à condição especial da vítima, é objetiva, não havendo, assim, qualquer óbice à sua imputação simultânea”. (Resp 1739704/RS Rel. Min. Jorge Mussi, 5ª Turma). Gabarito: Certo Licenciado para - C laudia E llew da S ilva - 10468712429 - P rotegido por E duzz.com