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643 QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PENAL
Professor Wallace França
Comentário: Houve, no caso narrado, a desistência voluntária. Para que seja configurada, 
deve o agente desistir do prosseguimento dos atos executórios, não é necessário, porém, a 
espontaneidade. 
O crime impossível ocorre quando houver ineficácia absoluta do meio ou impropriedade ab-
soluta do objeto. 
Quanto ao crime tentado, ocorrerá quando a cessação dos atos executórios se der por cir-
cunstâncias alheias a vontade do agente (art. 14, II, CP). 
Gabarito: B
412. INÉDITA / 2022
Caio, maior e capaz, inconformado com o término de seu namoro com Larissa, manda men-
sagens de cunho ameaçador, reiteradamente, por meio do aplicativo WhatsApp. Inclusive, 
uma mensagem, em especial, assustou Larissa, que dizia: “Se não ficar comigo, não ficará com 
mais ninguém.”. 
Caio praticou: 
a) Um fato atípico.
b) Praticou o crime de perseguição, nesse caso, na forma de cyberstalking.
c) Praticou o crime de perseguição o qual tem pena de detenção. 
d) Praticou o crime de ameaça. 
Comentário: A questão trata de novidade legislativa a qual está prevista no art. 147-A, Código 
Penal e foi inserida pela lei 14.132/21 que cria o crime de perseguição/Stalking: “Perseguir al-
guém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológi-
ca, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou pertur-
bando sua esfera de liberdade ou privacidade.”. 
Ademais, a doutrina ressalta que sendo realizado o tipo penal, por meios virtuais, existirá a 
modalidade de stalking chamada de cyberstalking. Por fim, a pena cominada para o delito é 
de 6 meses a 2 ano de reclusão. 
Gabarito: B
413. INÉDITA / 2022
A seguir será dada uma situação hipotética e uma assertiva a ser julgada à luz dos crimes 
contra a pessoa.
Situação hipotética: Flávia, sob a influência de estado puerperal, mata o filho, recém-nasci-
do, de sua amiga Cláudia. 
Assertiva: Flávia cometeu o crime de infanticídio.
Comentário: Para que seja configurado o crime de infanticídio, a mulher, que está sob in-
fluência de estado puerperal, deve matar seu próprio filho. 
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Assim determina o art. 123, do Código Penal: “Matar, sob a influência do estado puerperal, o 
próprio filho, durante o parto ou logo após.”. 
Gabarito: Errado
414. INÉDITA / 2022
Julgue o item a seguir à luz dos crimes contra a pessoa.
O crime de feminicídio é próprio quanto ao sujeito passivo e comum quanto ao sujeito ativo. 
Comentário: Realmente, quanto ao sujeito passivo o crime é próprio, pois apenas a mulher 
pode ser vítima. Porém, quanto ao sujeito ativo, pode ser homem ou mulher o executor do 
delito. 
Gabarito: Certo
415. INÉDITA / 2022
Julgue o item a seguir à luz dos crimes contra a pessoa.
O crime de homicídio doloso quando praticado contra menor de 18 anos tem causa de au-
mento de pena de 1/3.
Comentário: O crime de homicídio doloso tem aumento de pena de 1/3 quando praticado 
contra menor de 14 anos ou pessoa maior de 60 anos. 
Conforme preceitua o art. 121, § 4º, CP: “No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 
(um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou 
se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüên-
cias do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. 
Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado con-
tra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.”.
Gabarito: Errado 
416. INÉDITA / 2022
À luz dos crimes contra a pessoa e jurisprudência dos tribunais superiores, julgue o item a 
seguir.
É reconhecido no Direito Penal brasileiro, de forma pacífica, três formas de interrupção da 
gravidez, sendo elas: quando a gravidez resulta de estupro (aborto humanitário), quando é 
posta em risco a vida da mãe (aborto necessário) e a interrupção da gravidez quando o feto é 
anencefálico (aborto eugênico).
Comentário: O aborto humanitário está previsto no art. 128, II, CP “Não se pune o aborto 
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praticado por médico se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consenti-
mento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal”; o aborto necessário está 
previsto no mesmo art. 128, I, CP “Não se pune o aborto praticado por médico se não há outro 
meio de salvar a vida da gestante”. 
Por último, a interrupção da gravidez que tem causa quando o feto é anencefálico é uma 
criação jurisprudencial, decorrente da ADPF 54 (arguição de descumprimento de preceito fun-
damental), porém não se deve confundir com aborto eugênico o qual ocorre não quando o 
feto anencefálico, mas sim quando possui anomalias genéticas graves. Esse último não é per-
mitido, em regra, no direito brasileiro. 
Gabarito: Errado
417. INÉDITA / 2022
À luz dos crimes contra a pessoa e jurisprudência dos tribunais superiores, julgue o item a 
seguir.
Negar socorro à vítima em caso de homicídio culposo, é causa de aumento de pena 1/3. 
Comentário: Dispõe o art. 121, § 4o que “No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 
(um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou 
se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüên-
cias do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. 
Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado con-
tra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.”. 
Portanto, negar socorro à vítima é causa de aumento de pena em 1/3.
Gabarito: Certo
418. INÉDITA / 2022
À luz dos crimes contra a pessoa e jurisprudência dos tribunais superiores, julgue o item a 
seguir.
A qualificadora do crime de feminicídio é, segundo a jurisprudência do STJ, de natureza obje-
tiva, podendo ser cumulada com o motivo torpe.
Comentário: A jurisprudência do STJ é pacífica ao dizer que a qualificadora do crime de 
feminicídio é de natureza objetiva e pode ser cumulada com o motivo torpe. 
Nesse sentido o julgamento: “Não há dúvidas acerca da natureza subjetiva da qualificadora 
do motivo torpe, ao passo que a natureza do feminicídio, por se ligar à condição especial da 
vítima, é objetiva, não havendo, assim, qualquer óbice à sua imputação simultânea”. 
(Resp 1739704/RS Rel. Min. Jorge Mussi, 5ª Turma). 
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