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Prof.ª Pâmella Tayná
CRIMES CONTRA A VIDA E LESÕES CORPORAIS
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TÍTULO I – CRIMES CONTRA A PESSOA
CAP. I – CRIMES CONTRA A VIDA
Há grande relevância em saber quais são os crimes contra a vida, isso porque alguns deles 
possuem regramento diferenciado. A vida é um direito fundamental e, ainda que goze de expres-
siva importância, a exemplo de todos os direitos fundamentais, não é absoluto, pois há casos em 
que pode ser relativizado, como na hipótese da pena de morte em caso de guerra declarada.
O Código Penal arrola quatro crimes contra a vida: homicídio (art. 121, CP); induzi-
mento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação (art. 122, CP); infanticídio (art. 123, 
CP) e aborto (art. 123 a 128, CP).
A Constituição, em seu art. 5º, XXXVIII, “d”, traz a competência mínima para julgamento 
dos crimes DOLOSOS contra a vida pelo Tribunal do Júri. Isso implica em uma série de mudan-
ças procedimentais no processo de apuração do ato criminoso. Perceba que a competência do 
Tribunal do Júri é para julgamento de crime DOLOSO, logo, dos crimes acima referenciados, 
apenas o homicídio culposo não será de competência do Júri, já que inexiste a figura culposa 
nos crimes de infanticídio, induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação.
No tocante à ação penal, todos os crimes desse capítulo são de ação penal pública 
incondicionada. Isso significa que o titular da ação penal é, a priori, o Ministério Público. Con-
tudo, havendo inércia, nada impede a utilização do permissivo constitucional do art. 5º, LIX, 
da CF: ação penal privada subsidiária da pública.
1. (2021/FGV/PC-RJ/PERITO CRIMINAL – ENGENHARIA CIVIL) Do ponto de vista legis-
lativo, constitui espécie de crime contra a vida:
a. lesão corporal seguida de morte.
b. abandono de recém-nascido com resultado morte.
c. maus-tratos com resultado morte.
d. instigação, auxílio ou induzimento à automutilação.
e. tortura com resultado morte.
Letra d.
O capítulo I do CP cuida de todos os crimes contra a vida, sendo eles: homicídio (art. 121, 
CP); induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação (art. 122, CP); infan-
ticídio (art. 123, CP) e aborto (art. 123 a 128, CP).
A despeito de todos os crimes citados na questão invocarem o resultado morte, o legislador 
optou por reconhecer como crime contra a vida apenas os já citados. Note, também, que 
um dos critérios diferenciadores dos crimes é que, nos crimes contra a vida, o dolo do su-
jeito ativo é, desde o princípio, atentar contra a vida da vítima, já nos outros crimes, o dolo 
inicial é a prática de outra conduta, sendo a morte apenas o resultado.
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Prof.ª Pâmella Tayná
CRIMES CONTRA A VIDA E LESÕES CORPORAIS
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Art. 121. Homicídio
Homicídio simples
Art. 121. Matar alguem:
Pena - reclusão, de seis a vinte 
anos.
Caso de diminuição de pena (privilegiado)
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante 
valor social ou moral, ou sob o DOMÍNIO de violenta emoção, logo 
em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a 
pena de um sexto a um terço (- 1/6 a 1/3).
Aumento de pena
§ 4º Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um 
terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) 
ou maior de 60 (sessenta) anos.
§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime 
for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de 
serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
Homicídio culposo
§ 3º Se o homicídio é culposo: (vide 
Lei n. 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de um a três anos.
Perdão judicial 
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar 
a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente 
de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.
Aumento de pena
§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), 
se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, 
arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro 
à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou 
foge para evitar prisão em flagrante.
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Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; (natureza subjetiva 
– Incomunicável a coautores e partícipes – comentário nosso)
II - por motivo futil; (natureza subjetiva – incomunicável a coautores e partícipes – comentário 
nosso)
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou 
de que possa resultar perigo comum; (natureza objetiva – comunicável a coautores e partíci-
pes – comentário nosso)
IV - à traição (natureza subjetiva), de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso 
que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido; (natureza objetiva – comunicável a 
coautores e partícipes – comentários nossos)
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: (natureza 
subjetiva – incomunicável a coautores e partícipes – comentário nosso)
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integran-
tes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou 
em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro 
grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei n. 13.142, de 2015)
VIII - com emprego de ARMA DE FOGO de uso restrito ou proibido: (Incluído pela Lei n. 13.964, 
de 2019) (destaques nossos)
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Homicídio qualificado
Feminicídio (Incluído pela Lei n. 
13.104, de 2015)
VI - contra a mulher por razões 
da condição de sexo feminino: 
(Incluído pela Lei n. 13.104, 
de 2015) (natureza objetiva – 
comunicável a coautores e 
partícipes – comentário nosso)
§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo femi-
nino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 
2015)
I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, 
de 2015)
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Inclu-
ído pela Lei nº 13.104, de 2015)
§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a 
metade se o crime for praticado: (Incluído pela Lei n. 13.104, de 
2015) (destaques nossos)
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; 
(Incluído pela Lei n. 13.104, de 2015)
II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiên-
cia ou com doenças degenerativas que acarretem condição limi-
tante ou de vulnerabilidade física ou mental; (Redação dada pela 
Lei n. 14.344, de 2022) Vigência
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascen-
dente da vítima; (Redação dada pela Lei n. 13.771, de 2018)
IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência 
previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei n. 11.340, 
de 7 de agosto de 2006. (Incluído pela Lei n. 13.771, de 2018)
Homicídio contra menor de 14 
(quatorze) anos (Incluído pela 
Lei n. 14.344, de 2022)
IX - contra menor de 14 (qua-
torze) anos: (Incluído pela Lei n. 
14.344, de 2022) Vigência
Pena - reclusão, de doze a trinta 
anos.
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos 
é aumentada de: (Incluído pela Lei n. 14.344, de 2022) Vigência
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com defici-
ência ou com doença que implique o aumento de sua vulnerabili-
dade; (Incluído pela Lei n. 14.344, de 2022) Vigência (destaques 
nossos)
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou 
madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, pre-
ceptor ou empregadordo feminicídio mediante a análise de 
aspectos subjetivos da motivação do crime, dada a natureza objetiva da referida 
qualificadora, ligada à condição de sexo feminino.
STJ. 5ª Turma. REsp n. 1.739.704/RS, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 
18/09/2018.
29. É possível haver homicídio qualificado pelo motivo torpe praticado com dolo eventual.
Certo.
O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual), não 
exclui a possibilidade de o crime ter sido praticado por motivo fútil, uma vez que o dolo do 
agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que ensejou a conduta.
STJ. 6ª Turma. REsp 1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/06/2017.
II – Motivo fútil
II – por motivo fútil; [...].
O motivo fútil é caracterizado como algo insignificante, de pouca importância, des-
proporcional ao resultado da conduta. Por ser uma qualificadora de natureza subjetiva, ela 
requer análise no caso concreto, levando em consideração todo o contexto da sociedade em 
que o sujeito está inserido.
É necessário fazer alguns esclarecimentos sobre as situações em que não se considera 
como motivo fútil:
• A ausência de motivo não é equiparada ao motivo fútil. Todo crime tem sua motivação, 
ainda que não seja proporcional à ação do autor.
• O ciúme também não pode ser entendido como motivo fútil, uma vez que pode ser 
interpretado como uma paixão (lembra da explicação sobre isso na parte em que trata-
mos sobre homicídio privilegiado?).
• A embriaguez também é incompatível com o motivo fútil, depender de como a embria-
guez tenha se apresentado no caso, pode ser uma excludente de culpabilidade (art. 28, 
§1º e §2º, do CP) ou uma agravante (art. 61, II, “l”, do CP)
• O motivo injusto não se confunde com o motivo fútil, até porque todo crime é, de certa 
forma, injusto.
• O “racha” não é circunstância apta a caracterizar o motivo fútil.
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• Não é possível coexistir o motivo fútil e o motivo torpe: ou é um ou o outro, obriga-
toriamente.
30. (2019/FUNDEP GESTÃO DE CONCURSOS/DPE-MG/DEFENSOR PÚBLICO) De 
acordo com entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça, responde por homi-
cídio simples aquele que pratica o delito sem motivo, não se admitindo a incidência da 
qualificadora do motivo fútil pelo simples fato de o delito ter sido praticado com ausência 
de motivos.
Certo.
31. (2013/IBFC/PC-RJ/OFICIAL DE CARTÓRIO) O cliente que suprime a vida do dono de 
um bar porque este se negou a servir-lhe uma dose de bebida fiado comete o crime de 
homicídio qualificado pelo motivo fútil.
Certo.
32. Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP), na hipótese de ho-
micídio supostamente praticado por agente que disputava “racha”, quando o veículo 
por ele conduzido – em razão de choque com outro automóvel também participante do 
“racha” – tenha atingido o veículo da vítima, terceiro estranho à disputa automobilística.
Certo.
O trecho da questão é exatamente a ementa do HC n. 307.617-SP (STJ. 6ª Turma. HC 
307617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado 
em 19/4/2016 – Info 583).
33. A qualificadora do motivo fútil é compatível com dolo eventual.
Certo.
O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual) não ex-
clui a possibilidade de o crime ter sido praticado por motivo fútil, uma vez que o dolo do 
agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que ensejou a conduta.
STJ. 6ª Turma. REsp n. 1.601.276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 
13/06/2017.
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34. O homicídio é qualificado por motivo fútil quando fato que surgiu como uma bobagem, 
mas virou briga.
Errado.
Se o fato surgiu por conta de uma bobagem, mas depois ocorreu uma briga e, no contexto 
desta, houve o homicídio, tal circunstância pode vir a descaracterizar o motivo fútil.
Vale ressaltar, no entanto, que a discussão anterior entre vítima e autor do homicídio, por 
si só, não afasta a qualificadora do motivo fútil. Assim, é preciso verificar a situação no 
caso concreto.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp n. 1.113.364-PE, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado 
em 06/08/2013 (Info 525).
III – Qualificadoras de meio
III – com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insi-
dioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; [...].
Esse inciso traz cinco circunstâncias e outras três fórmulas genéricas que ensejam o 
reconhecimento da interpretação analógica. Há, então, três gêneros de qualificadoras de 
meio: insidioso, cruel e que possa resultar em perigo comum. Cinco espécies: veneno, fogo, 
explosivo, asfixia e tortura. E, ainda, o encerramento do inciso contém uma fórmula genérica 
(“ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum”) que traduz a 
abertura para a interpretação analógica.
O meio insidioso é aquele em que o agente faz uso de fraude para cometer um crime 
sem que a vítima perceba. O meio cruel é aquele que causa à vítima um intenso e desneces-
sário sofrimento físico ou mental. O meio de que possa resultar perigo comum é aquele 
que expõe não só a vítima ao risco, mas todos as pessoas que estão ao redor.
As espécies podem ser compreendidas, em sua maioria, no seu sentido literal, mas 
ainda assim é preciso que observemos algumas possíveis variantes:
O veneno é conceituado como “qualquer substância, preparada ou natural, que por sua 
atuação química é capaz de destruir ou perturbar as funções vitais de um organismo”. Contudo, 
algumas substâncias, inofensivas para as pessoas em geral, podem se revelar como verdadeiros 
venenos no organismo de outras pessoas, como é o caso da glicose para o diabético. Perceba 
que até nas qualificadoras de meio é necessário analisar a situação específica de casa pessoa.
A asfixia pode constituir meio cruel ou meio insidioso, dependerá da forma em que for 
utilizada. Se for um afogamento ou soterramento, será cruel. Se for o uso de gás tóxico, se a 
vítima não o notar, será meio insidioso.
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A tortura pode ser física ou mental e constitui meio cruel. A grande questão é: qual é a dife-
rença entre o homicídio qualificado pela tortura e a tortura com resultado morte? O que diferencia 
os crimes é o dolo do agente. No homicídio qualificado pela tortura (art. 121, § 2º, III, CP), o 
agente tem o dolo de matar desde o princípio e a tortura é a “ferramenta” que ele utiliza para atin-
gir sua finalidade. Na tortura com resultado morte (art. 1º, § 3º, da Lei n. 9.455/1997), crime 
essencialmente preterdoloso (dolo na conduta antecedente e culpa no resultado), o dolo inicial 
do agente era de torturar a vítima, e, dessa conduta, resulta a morte, mas culposamente.
35. (2013/IBFC/PC-RJ/OFICIAL DE CARTÓRIO) O agente que emprega violência física 
reiterada contra o suspeito da prática de um crime visando extrair-lhe a confissão, mas 
lhe causa a morte em decorrência da intensidade das sevícias, responde pelo crime de 
homicídio qualificado pela tortura.
Errado.
Perceba que, pelo caso apresentado na questão, o dolo inicial do agente era obter a 
confissão.
36. (2021/CEBRASPE/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO – PROVA 1) No 
homicídio qualificado, o dolo eventual é incompatível com o meio cruel.
Errado.
A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual: não há incompatibili-
dade entre o dolo eventual e o reconhecimento do meio cruel, na medida em que o dolo do 
agente, direto ou indireto, não exclui a possibilidade de a prática delitiva envolver o empre-
go de meio mais reprovável, como veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio 
insidioso ou cruel (art. 121, § 2º, III, do CP). STJ. 5ª Turma. AgRgno REsp n. 1.573.829/
SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 09/04/2019. STJ. 6ª Turma. REsp 
n. 1.829.601-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/02/2020 (Info 665).
37. O dolo eventual no crime de homicídio é incompatível com as qualificadoras de meio.
Errado.
Esse ponto específico é objeto de divergência no próprio STJ. Por isso, o gabarito da 
questão está errado, pois, para que fosse correto, deveria haver uma maior ponderação, 
ou seja, não poderia ser tão categórico. Perceba:
1ª corrente: SIM.
O dolo eventual no crime de homicídio é compatível com as qualificadoras objetivas previs-
tas no art. 121, § 2º, III e IV, do Código Penal.
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As referidas qualificadoras serão devidas quando constatado que o autor delas se utilizou 
dolosamente como meio ou como modo específico mais reprovável para agir e alcançar 
outro resultado, mesmo sendo previsível e tendo admitido o resultado morte.
STJ. 5ª Turma. REsp 1836556-PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/06/2021 
(Info 701).
2ª corrente: NÃO.
A qualificadora de natureza objetiva prevista no inciso III do § 2º do art. 121 do Código Pe-
nal não se compatibiliza com a figura do dolo eventual, pois, enquanto a qualificadora su-
gere a ideia de premeditação, em que se exige do agente um empenho pessoal, por meio 
da utilização de meio hábil, como forma de garantia do sucesso da execução, tem-se que 
o agente que age movido pelo dolo eventual não atua de forma direcionada à obtenção de 
ofensa ao bem jurídico tutelado, embora, com a sua conduta, assuma o risco de produzi-la.
STJ. 6ª Turma. EDcl no REsp n. 1.848.841/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/2/2021.
38. (2018/CEBRASPE/PC-MA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) O Código Penal estabelece 
como hipótese de qualificação do homicídio o cometimento do ato com emprego de ve-
neno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa 
resultar perigo comum. Esse dispositivo legal é exemplo de interpretação
a. analógica.
b. teleológica.
c. restritiva.
d. progressiva.
e. autêntica.
Letra a.
A interpretação analógica é aquela em que o legislador lança uma formula genérica (“ou 
outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum”) e fica a cargo do 
intérprete conhecer do caso concreto e fazer o juízo de adequação.
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39. A reiteração de golpes, por si só, configura a qualificadora do meio cruel.
Errado.
A doutrina majoritária entende que a reiteração de golpes isoladamente considerada não 
configura a qualificadora do meio cruel. Assim, a caracterização da qualificadora depende 
da produção de intenso e desnecessário sofrimento à vítima.
O juiz, na decisão de pronúncia, só pode fazer o decote (retirada) da qualificadora 
imputada se ela for manifestamente improcedente, ou seja, se estiver completa-
mente destituída de amparo nos elementos cognitivos dos autos. Isso porque o 
verdadeiro julgador dos crimes dolosos contra a vida são os jurados. O juiz togado 
somente deve atuar em casos excepcionais em que a pretensão estatal estiver 
claramente destituída de base empírica idônea.
O fato de o agente ter praticado o crime com reiteração de golpes na vítima, ao 
menos em princípio e para fins de pronúncia, é circunstância indiciária do “meio 
cruel”, previsto no art. 121, § 2º, III, do CP.
STJ. 6ª Turma. REsp n. 1.241.987-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 
julgado em 6/2/2014 (Info 537).
IV – Qualificadora da traição
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que 
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; [...].
Essa qualificadora é marcada, notadamente, pela dificuldade ou impossibilidade de 
essa vítima se defender. Aqui, o homicídio é qualificado pelo modo de execução e, de forma 
semelhante ao inciso anterior, o legislador usou da interpretação analógica para encerrar o 
inciso de forma não categórica (“ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa 
do ofendido”).
As qualificadoras desse inciso possuem natureza majoritariamente objetiva. Contudo, 
a doutrina majoritária leciona que a traição, à exceção das demais, possui natureza subje-
tiva, uma vez que o agente se vale da confiança que o ofendido depositava nele para matá-
-lo num momento em que estava sem vigilância. Vale destacar que o homicídio não será 
qualificado pela traição se a vítima teve tempo para fugir ou se ocorreu um ataque frontal e 
repentino (mera surpresa).
ATENÇÃO
• Traição: natureza subjetiva.
• Emboscada, dissimulação ou recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da 
vítima: natureza objetiva.
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Cléber Masson alerta que a relação de confiança na qualificadora de traição é preexistente 
ao crime. Já na hipótese em que o agente se aproxima da vítima única e exclusivamente 
com o fim de fazer nascer um vínculo de confiança, a qualificadora será a de dissimula-
ção, e não a de traição.
A emboscada (tocaia) ocorre naquelas situações em que o agente faz a famosa “casinha”: 
ele aguarda escondido a passagem da vítima, para que, assim, possa matá-la quando esta 
passar. O outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima é qual-
quer meio análogo à traição, à dissimulação ou à emboscada.
40. (2008/ACAFE/PC-SC/DELEGADO DE POLÍCIA) Na “emboscada” o sujeito ativo aguar-
da ocultamente a passagem ou chegada da vítima, que se encontra desprevenida, para 
o fim de atacá-la. É inerente a esse recurso a premeditação.
Certo.
Não existe “emboscada” se não houver planejamento da ação, de acordo com a dou-
trina penal.
41. O dolo eventual no crime de homicídio é incompatível com as qualificadoras de traição, 
emboscada e dissimulação.
Errado.
Esse ponto específico é objeto de divergência no próprio STJ. Por isso, o gabarito da 
questão está errado, pois, para que fosse correto, deveria haver uma maior ponderação, 
ou seja, ele não poderia ser tão categórico. Perceba:
1ª corrente: SIM.
O dolo eventual no crime de homicídio é compatível com as qualificadoras objeti-
vas previstas no art. 121, § 2º, III e IV, do Código Penal.
As referidas qualificadoras serão devidas quando constatado que o autor delas se 
utilizou dolosamente como meio ou como modo específico mais reprovável para agir e 
alcançar outro resultado, mesmo sendo previsível e tendo admitido o resultado morte.
STJ. 5ª Turma. REsp n. 1.836.556-PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 
15/06/2021 (Info 701).
2ª corrente: NÃO.
O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (trai-
ção, emboscada dissimulação).
Para que incida a qualificadora da surpresa, é indispensável que fique provado 
que o agente teve a vontade de surpreender a vítima, impedindo ou dificultando 
que ela se defendesse. Ora, no caso do dolo eventual, o agente não tem essa 
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intenção, considerando que não quer matar a vítima, mas apenas assume o risco 
de produzir esse resultado.
Como o agente não deseja a produção do resultado, ele não direcionou sua von-
tade para causar surpresa à vítima. Logo, não pode responder por essa circuns-
tância (surpresa).
STF. 2ª Turma. HC n. 111.442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 
(Info 677).
V – Conexão
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro 
crime: [...].
Essa qualificadora está intimamente relacionada às motivações do agente. Perceba que 
o agente vai praticar o delito com a finalidade de assegurar a execução, a ocultação, a impu-
nidade ou a vantagem de outro delito, sendo, portanto, qualificadora de natureza subjetiva.
Esse incisoprevê duas espécies de conexão: a teleológica e a consequencial. Na tele-
ológica tem por finalidade assegurar a execução de outro CRIME (se for contravenção, não 
incidirá a qualificadora). Exemplo: o agente mata o segurança de uma famosa para em seguida 
sequestrá-la. Nessa hipótese, o agente responde tanto pelo homicídio qualificado pela cone-
xão (homicídio do segurança) quanto pelo crime que objetivava assegurar (sequestro da 
famosa), caso consiga executar esse segundo crime, por óbvio. Se não conseguir executar 
esse segundo crime, responderá apenas pelo homicídio qualificado pela conexão teleológica.
ATENÇÃO
Se o homicídio for praticado para assegurar a execução de uma contravenção penal, não 
incidirá a qualificadora!
Na conexão consequencial, o agente pratica o homicídio a fim de assegurar a ocultação, 
a impunidade ou a vantagem do outro crime. Aqui, diferentemente da conexão teleológica, 
o homicídio será praticado em momento posterior ao crime que o agente busca assegurar. 
A doutrina alerta que, tanto na ocultação quanto na impunidade, não é necessário que o 
agente seja o responsável tanto pelo crime anterior quanto pelo homicídio, assim, basta 
que esse agente tivesse a intenção de ocultar o cometimento do primeiro delito ou assegu-
rar a impunidade desse delito anterior.
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42. (2019/VUNESP/PREFEITURA DE CERQUILHO – SP/GUARDA MUNICIPAL III) Hér-
cules havia cometido um crime de roubo e ficou sabendo que Medusa foi testemunha 
ocular desse delito. Assim, resolve tirar a vida de Medusa, crime este que veio a exe-
cutar, pessoalmente, mediante disparo de arma de fogo. Nessa situação hipotética, 
considerando apenas essas informações, segundo o Código Penal, é correto afirmar 
que Hércules cometeu o crime de
a. homicídio simples.
b. homicídio simples, com atenuante, por ter agido sob o domínio de violenta emoção.
c. feminicídio em razão de a vítima ser mulher.
d. homicídio qualificado, por ter agido para assegurar a impunidade de outro crime.
e. homicídio qualificado, em razão de a vítima ser mulher.
Letra d.
Vou aproveitar essa questão para fazer uma pequena diferenciação entre ocultação, impu-
nidade e vantagem.
Na ocultação, o agente quer impedir a descoberta da prática de outro crime (exemplo: o 
agente mata a única testemunha do crime de furto que cometera). Na impunidade, o agen-
te busca dificultar o reconhecimento do autor do crime (exemplo: o agente estupra uma 
pessoa e depois a mata para que não seja reconhecido posteriormente). Já na vantagem, 
o agente quer assegurar o produto/proveito do crime (exemplo: dois agentes cometeram, 
em concurso, um furto, daí um deles mata o comparsa para ficar com todo o valor furtado.
43. (2008/ACAFE/PC-SC/DELEGADO DE POLÍCIA) O “outro crime” de que fala a qualifica-
dora do homicídio sob o inciso V do § 2º do artigo 121 (conexão teleológica) do Código 
Penal somente pode ser executado pelo agente do homicídio.
Errado.
O “outro crime” pode ser inclusive o que venha a ser executado por outra pessoa. Basta 
que o agente pratique o homicídio com a finalidade de assegurar outro crime, ainda que 
não venha a ser praticado por ele.
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VI – Feminicídio
Feminicídio (Incluído pela 
Lei n. 13.104, de 2015)
VI – contra a mulher por 
razões da condição de sexo 
feminino: (Incluído pela Lei n. 
13.104, de 2015) (natureza 
objetiva – comunicável 
a coautores e partícipes) 
(comentários nossos)
§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando 
o crime envolve: (Incluído pela Lei n. 13.104, de 2015) (grifos nossos)
I – violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei n. 13.104, de 2015)
II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei 
n. 13.104, de 2015)
§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se 
o crime for praticado: (Incluído pela Lei n. 13.104, de 2015) (grifos nossos)
I – durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; (Incluído 
pela Lei n. 13.104, de 2015)
II – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com 
doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabili-
dade física ou mental; (Redação dada pela Lei n. 14.344, de 2022) Vigência
III – na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da 
vítima; (Redação dada pela Lei n. 13.771, de 2018)
IV – em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas 
nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 
2006. (Incluído pela Lei n. 13.771, de 2018)
O feminicídio é o homicídio doloso cometido contra a mulher por razões da condição 
de a pessoa ser do sexo feminino. Perceba que, para ser feminicídio, não basta que a vítima 
seja uma pessoa do sexo feminino, é necessário que essa condição tenha sido a motivação 
para a prática do delito. O homicídio contra uma mulher, sem que esse seja o fator motivacio-
nal da conduta, é denominado de femicídio.
44. (2019/CEBRASPE/TJ-PR/JUIZ SUBSTITUTO) O agente que matar sua empregadora 
por ter sido dispensado sem justa causa responderá por feminicídio, haja vista a vítima 
ser mulher.
Errado.
Para que seja feminicídio, é necessário que o homicídio seja praticado em razão da condição 
de mulher. O caso da questão não apresentou essa hipótese, sendo, então, um femicídio.
Muito embora o feminicídio seja assim compreendido levando-se em consideração aspec-
tos internos do agente (o motivo do delito), o STJ compreende que essa qualificadora pos-
sui natureza objetiva, uma vez que o § 2º-A, norma penal explicativa, buscou delimitar o 
que é compreendido nesta categoria de “razões da condição de sexo feminino” utilizando, 
para tanto, conceitos de outra lei:
§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime 
envolve: (Incluído pela Lei n. 13.104, de 2015) (grifos nossos).
I – violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei n. 13.104, de 2015)
II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei n. 
13.104, de 2015)
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O art. 5º da Lei n. 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) determina: “configura violência do-
méstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe 
causa morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial (gri-
fos nossos)” e, em seus incisos, traz explicações sobre a delimitação dos campos afetivos.
Já o inciso II do § 2º-A estabelece que haverá razões de condição do sexo feminino quando hou-
ver “menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. Nesse caso, não se exige a vio-
lência doméstica e familiar, sendo a qualificadora configurada com o menosprezo ou discrimina-
ção à condição de mulher, ou seja, o agente mata a mulher por considerá-la como um ser inferior.
Embora o crime seja comumente praticado por homem, ele é classificado como crime comum, 
pois o sujeito ativo pode ser homem ou mulher (exemplo: uma mulher mata sua namorada em 
uma discussão por considerar que ela não tinha o direito de romper com o relacionamento).
A vítima será obrigatoriamente uma pessoa do sexo feminino (criança, adulta, idosa, pessoa 
com deficiência, desde que seja do sexo feminino), então, quanto à sujeição passiva, o crime 
é classificado como próprio. Nesse contexto, houve intensa discussão acerca dos homos-
sexuais, travestis e transgêneros. Hodiernamente, o que prevalece é que os homossexuais 
e os travestis não podem ser vítimas de feminicídio; a mulher transgênero, por outro lado, 
pode ser vítima tanto de violência doméstica e familiar contra a mulher quanto de feminicídio.
O § 7º do art. 121 traz as causas de aumento de pena aplicáveis exclusivamente ao femi-
nicídio. Essas causas de aumento de penaincidem na terceira fase de aplicação da pena 
e, para que sejam reconhecidas no caso concreto, devem integrar o dolo do agente. São 
as causas de aumento:
§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime 
for praticado: (Incluído pela Lei n. 13.104, de 2015) (grifos nossos)
I – durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; (Incluído 
pela Lei n. 13.104, de 2015) (grifos nossos)
II – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças 
degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou 
mental; (Redação dada pela Lei n. 14.344, de 2022)
III – na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; 
(Redação dada pela Lei n. 13.771, de 2018)
IV – em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos 
I, II e III do caput do art. 22 da Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006. (Incluído pela 
Lei n. 13.771, de 2018)
Essas causas de aumento visam a aumentar o rigor da norma no caso em que houver 
nítida situação de vulnerabilidade. Perceba que a causa de aumento de pena do inciso IV 
não vai incidir no descumprimento de toda e qualquer medida protetiva de urgência, mas 
apenas as previstas no art. 22, I, II e III, da Lei n. 11.340 de 2006:
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Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, 
nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto 
ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:
I – suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao ór-
gão competente, nos termos da Lei n. 10.826, de 22 de dezembro de 2003;
II – afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;
III – proibição de determinadas condutas, entre as quais;
a. aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limi-
te mínimo de distância entre estes e o agressor;
b. contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de 
comunicação;
c. frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e 
psicológica da ofendida; [...].
45. (2017/IBADE/PC-AC/AGENTE DE POLÍCIA CIVIL) Terêncio, em razão da condição de 
sexo feminino, efetua disparo de arma de fogo contra sua esposa Efigênia, percepti-
velmente grávida, todavia atingindo, por falta de habilidade no manejo da arma, Nereu, 
um vizinho, que morre imediatamente. Desconsiderando os tipos penais previstos no 
Estatuto do Desarmamento e levando em conta apenas as informações contidas no 
enunciado, é correto afirmar que Terêncio praticou crime(s) de:
a. feminicídio majorado.
b. aborto, na forma tentada, e homicídio.
c. homicídio culposo, feminicídio majorado, na forma tentada, e aborto, na forma tentada.
d. aborto, na forma tentada, e feminicídio majorado.
e. homicídio culposo e aborto, na forma tentada.
Letra d.
A primeira informação que precisamos saber aqui é a respeito do erro, previsto no art. 73 
do CP. No caso de erro na execução, o agente responde como se tivesse atingido quem 
ele pretendia atingir (vítima virtual).
É bem verdade que a causa de aumento do § 7, I, determina que o crime terá a pena au-
mentada se o feminicídio ocorrer durante a gestação e o agente conhecesse tal circunstân-
cia. Ocorre que a causa de aumento tutela a vida da gestante e não propriamente do feto. 
Por isso que não há bis in idem no reconhecimento do feminicídio majorado e também do 
aborto, até porque são crimes diferentes.
Com isso, teremos alguns desdobramentos:
• A mulher e o feto sobrevivem – o agente responde por tentativa de feminicídio e por 
tentativa de aborto.
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• A mulher e o feto morrem – o agente responde por feminicídio consumado e por 
aborto consumado.
• A mulher morre e o feto sobrevive – o agente responde por feminicídio consumado, 
em concurso com uma tentativa de aborto.
• A mulher sobrevive e o feto morre – o agente responderá por feminicídio tentado, em 
concurso com o aborto consumado.
46. (2021/CEBRASPE/PC-AL/ESCRIVÃO DE POLÍCIA – PROVA ANULADA) Para fins de 
tipificação penal, admite-se a possibilidade de incidência da qualificadora do motivo 
torpe em caso de crime de feminicídio, visto que este possui natureza objetiva na qua-
lificadora do crime de homicídio, não havendo, com as incidências, bis in idem.
Letra c.
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de femi-
nicídio no crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica 
e familiar.
Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA – vai incidir sem-
pre que o crime estiver atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquan-
to que a torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que 
levaram um indivíduo a praticar o delito.
STJ. 6ª Turma. HC 433898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625).
Não há dúvidas acerca da natureza subjetiva da qualificadora do motivo torpe, ao passo 
que a natureza do feminicídio, por se ligar à condição especial da vítima, é objetiva, não 
havendo, assim, qualquer óbice à sua imputação simultânea.
É inviável o afastamento da qualificadora do feminicídio mediante a análise de aspectos 
subjetivos da motivação do crime, dada a natureza objetiva da referida qualificadora, ligada 
à condição de sexo feminino.
STJ. 5ª Turma. REsp 1739704/RS, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 18/09/2018.
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47. (2021/CEBRASPE/MPE-AP/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Tiago, movido 
por um sentimento de posse, disparou dois tiros contra sua companheira, Laura, que 
morreu em razão dos ferimentos causados pelos disparos. Laura estava grávida de seis 
meses e, quando da prática do crime, Tiago sabia da gravidez dela.
Nessa situação hipotética, Tiago praticou
a. o crime de feminicídio apenas.
b. os crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, feminicídio e aborto.
c. o crime de feminicídio em concurso com o de aborto.
d. os crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e feminicídio apenas.
e. o crime de feminicídio em concurso com o de aborto na modalidade culposa.
Letra b.
PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. DE-
CISÃO DE PRONÚNCIA ALTERADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. INCLUSÃO DA 
QUALIFICADORA DO FEMINICÍDIO. ALEGADO BIS IN IDEM COM O MOTIVO TORPE. 
AUSENTE. QUALIFICADORAS COM NATUREZAS DIVERSAS. SUBJETIVA E OBJETI-
VA. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO. COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. ORDEM 
DENEGADA. 1. Nos termos do art. 121, § 2º-A, II, do CP, é devida a incidência da quali-
ficadora do feminicídio nos casos em que o delito é praticado contra mulher em situação 
de violência doméstica e familiar, possuindo, portanto, natureza de ordem objetiva, o que 
dispensa a análise do animus do agente. Assim, não há se falar em ocorrência de bis in 
idem no reconhecimento das qualificadoras do motivo torpe e do feminicídio, porquanto, a 
primeira tem natureza subjetiva e a segunda objetiva. 2. A sentença de pronúncia só deve-
rá afastar a qualificadora do crime de homicídio se completamente dissonante das provas 
carreadas aos autos. Isso porque o referido momento processual deve limitar-se a um juízo 
de admissibilidade em que se examina a presença de indícios de autoria, afastando-se, 
assim, eventual usurpação de competência do Tribunal do Júri e de risco de julgamento 
antecipado do mérito da causa. 3. Habeas corpus denegado.
(STJ. HC n. 433.898-RS 2018/0012637-0, Relator: Ministro NEFI CORDEIRO, Data de 
Julgamento: 24/04/2018, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 11/05/2018).
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48. (2021/INSTITUTO AOCP/PC-PA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) Assinale a alternativa 
correta no que concerne aos crimes contra a vida.
a. No homicídio, se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor 
social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta pro-
vocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um a dois terços.
b. A pena do feminicídio é aumentada de um terço até a metade se o crime for praticado 
durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto.
c. É possível o homicídio privilegiado qualificado, desde que a qualificadora tenha natu-
reza subjetiva.
d. No crime de instigação ao suicídio ou à automutilação, a pena é triplicada se o crime 
é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil.
e. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada pela metade se o crime é praticado 
contra pessoa menor de quatorze ou maior de sessenta anos.
Letra b.
a. A diminuição é de 1/6 a 1/3.
c. A qualificadora deve ser de natureza objetiva.
d. A pena é duplicada.
49. (2020/CEBRASPE/MPE-CE/PROMOTOR DE JUSTIÇA DE ENTRÂNCIA INICIAL) A 
qualificadora do feminicídio, caso envolva violência doméstica, menosprezo ou discri-
minação à condição de mulher, não é incompatível com a presença da qualificadora da 
motivação torpe.
Certo.
Importante destacar que, de acordo com entendimento jurisprudencial do STJ, a qualifica-
dora do feminicidio tem natureza OBJETIVA.
50. (2019/CEBRASPE/DPE-DF/DEFENSOR PÚBLICO) A circunstância do descumprimen-
to de medida protetiva de urgência imposta ao agressor, consistente na proibição de 
aproximação da vítima, constitui causa de aumento de pena no delito de feminicídio.
Certo.
Lembre-se de que apenas o descumprimento de medidas protetivas específicas é que faz 
incidir a causa de aumento no crime.
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51. (2018/FCC/MPE-PE/TÉCNICO MINISTERIAL – ADMINISTRATIVA) Ficou comprovado 
que houve assassinato, pela única razão de menosprezo à condição de mulher, pratica-
do por Samuel contra sua vizinha Maria de Fátima, de trinta anos de idade, que possuía 
um filho ao qual deu à luz dois meses exatos antes do crime. Com base nas disposições 
da Lei no 13.104/2015 (Lei do Feminicídio), nesse caso, o crime de feminicídio
a. está caracterizado e a pena prevista em lei será aumentada de um terço até a metade.
b. não está caracterizado, pois não houve violência doméstica.
c. está caracterizado em sua modalidade simples, não havendo aumento de pena.
d. está caracterizado e a pena prevista em lei será aumentada de um a dois terços.
e. está caracterizado e a pena prevista em lei será aumentada de um sexto a um terço.
Letra a.
VII – Homicídio funcional
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição 
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Públi-
ca, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, com-
panheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: 
(Incluído pela Lei n. 13.142, de 2015)
Esta qualificadora tem a finalidade de tornar mais severa a pena do homicídio praticado 
contra os integrantes dos órgãos de segurança pública ou contra as pessoas a eles ligadas, 
seja por casamento, união estável ou parentesco consanguíneo. Com isso, percebe-se que 
essa qualificadora tem natureza subjetiva, pois está intimamente relacionada com a motiva-
ção do agente e, consequentemente, não admite a figura qualificado-privilegiada.
Trata-se de norma penal em branco, uma vez que a descrição típica depende da complemen-
tação dos arts. 142 e 144 da CFRB/1988. A incidência dessa qualificadora requer a presença de 
dois requisitos: o sujeito que figura na condição de vítima e a correlação entre o crime e sua função.
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Requisito 1:
Condição da vítima
Requisito 2:
Relação com a função
• Forças Armadas;
• Polícia Federal;
• Polícia Rodoviária Federal;
• Polícia Ferroviária Federal;
• Polícias Civis;
• Polícias Militares;
• Corpos de Bombeiros Militares;
• Guardas Municipais;
• Agentes de segurança viária;
• Sistema Prisional
• Força Nacional de Segurança Pública.
Desde que o crime tenha sido praticado 
contra a pessoa no exercício das funções
ou
em decorrência dela.
• Cônjuge
• Companheiro
Parente consanguíneo até o 3º grau.
Em razão da condição de cônjuge, compa-
nheiro ou parente consanguíneo até o 3º 
grau do agente de segurança pública.
Fonte: Dizer o direito.
Os integrantes das Guardas Municiais, muito embora não sejam classificados como 
agentes dos órgãos de segurança pública no caput do art. 144 da CF, estão inseridos nessa 
previsão porque possuem resguardo no art. 144, § 8º, da CF. A previsão não contempla, con-
tudo, os Policiais Legislativos, uma vez que estão previstos apenas nos art. 51, IV e art. 52, 
XIII, da CF, e não nos art. 142 e 144, como requer expressamente o Código Penal.
A doutrina alerta, ainda, que a qualificadora abarca apenas os funcionários públicos da 
ativa, assim, se a vítima tiver deixado de exercer a função de agente de segurança pública, 
mesmo que há pouco tempo, estará excluída a figura qualificada, ainda que o crime tenha 
sido motivado pela atividade anteriormente desempenhada por ele.
O tipo penal também engloba o cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até 
o 3º grau, em razão dessa condição. Cônjuge é aquele que é formalmente casado com o 
agente de segurança pública, seja homem ou mulher, já o companheiro é aquele que dete-
nha união estável com o agente. O parente consanguíneo até o terceiro grau são os pais, 
avós, bisavós, filhos, netos, bisnetos, irmãos, tios e sobrinhos.
Quanto à consanguinidade, ela diz respeito ao vínculo biológico (parente de sangue), 
sendo assim, a qualificadora não abarca o filho adotivo nem o parentesco por afinidade 
(aquele adquirido em razão do casamento ou união estável. Ex.: sogro, sogra, genro, nora e 
cunhado). Em razão do princípio da taxatividade e da proibição da analogia in malam partem, 
o intérprete não pode ampliar o alcance da norma penal para incluir no âmbito de proteção 
o filho adotivo, ainda que a CF traga em seu texto a isonomia entre os filhos biológicos e os 
adotivos (art. 227, § 6º, da CF).
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52. (2019/FUNDEP GESTÃO DE CONCURSOS/DPE-MG/DEFENSOR PÚBLICO) A qua-
lificadora do chamado homicídio funcional, de acordo com o texto legal, só abrange o 
vínculo consanguíneo, de forma que ela não incide se a vítima for o filho adotivo do 
agente de segurança.
Certo.
53. (2018/FUMARC/PC-MG/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) A policial Michele Putin, na 
noite de 14 de março de 2018, quando retornava para sua casa, após liderar uma exito-
sa operação contra o tráfico de entorpecentes na comunidade de “Miracema do Norte”, 
foi abordada por dois homens armados e friamente assassinada. Num fenomenal traba-
lho investigatório, a Polícia Civil logrou êxito em identificar os assassinos como sendo 
os irmãos Jorge e Ernesto Petralha, apurando que tal homicídio se deu em represália 
pelas prisões ocorridas quando da citada operação policial.
Diante desse quadro, podemos asseverar que os assassinos responderão por:
a. feminicídio, conduta tipificada no art. 121, § 2º, VI, CP.
b. homicídio funcional, conduta tipificada no art. 121, § 2º, VII, CP.
c. homicídio qualificado por motivo fútil, conduta tipificada no art. 121, § 2º, II, CP.
d. homicídio qualificado por motivo torpe, conduta tipificada no art. 121, § 2º, II, CP.
Letra b.
54. (2021/CEBRASPE/PC-AL/AGENTE DE POLÍCIA – PROVA ANULADA) Em janeiro de 
2021, Lucas, com 20 anos de idade e nítida vontade de matar Rafael, adquiriu uma 
arma de fogo e começou a procurá-lopela cidade. Na semana anterior ao aniversário 
de 14 anos de Rafael, Lucas encontrou Rafael enquanto este conversava com uma 
pessoa e, então, disparou cinco tiros contra a vítima, que veio a óbito trinta dias depois. 
Posteriormente, em seu interrogatório, Lucas afirmou que havia matado Rafael por este 
ser enteado de um policial civil que o investigava por outros crimes.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item a seguir.
Lucas cometeu crime de homicídio doloso qualificado pela impossibilidade de defesa 
da vítima e pela relação de parentesco dela com o policial civil que investigava Lucas.
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Errado.
Não incidirá a qualificadora do homicídio funcional porque Rafael era apenas enteado de 
um policial civil, e enteado não é parente consanguíneo. Assim, não incidirá essa qualifica-
dora, porque o Direito Penal brasileiro não admite analogia in malam partem.
Sobre a qualificadora “que impossibilite a defesa da vítima”, a priori, não está presente no 
caso, já que a simples surpresa não é suficiente para tipificá-la.
55. (2019/FUNDEP GESTÃO DE CONCURSOS/DPE-MG/DEFENSOR PÚBLICO) A qua-
lificadora do chamado homicídio funcional, de acordo com o texto legal, só abrange o 
vínculo consanguíneo, de forma que ela não incide se a vítima for o filho adotivo do 
agente de segurança.
Certo.
Não há consanguinidade, ou seja, relação de sangue, que permita o reconhecimento de 
um tronco comum com relação ao filho adotivo. Dessa forma, infelizmente, se o homicídio 
for praticado contra o filho adotivo de um policial, em razão dessa condição, não podere-
mos aplicar a qualificadora do VII do § 2º do art. 121 do CP, tendo em vista que, caso assim 
fizéssemos, estaríamos utilizando a chamada analogia in malam partem (GRECO, 2015, 
apud BARBOSA; PEIXOTO).
VIII – Arma de fogo
VIII – com emprego de ARMA DE FOGO de uso restrito ou proibido: (Incluído pela 
Lei n. 13.964, de 2019) (grifos nossos) [...].
Essa qualificadora, introduzida pelo Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019), buscou 
trazer maior rigor ao julgamento do crime cometido com arma de fogo, seja ela de uso restrito 
ou proibido. Ou seja, se o homicídio for praticado com uso de arma branca (exemplo: faca) 
ou arma de fogo de uso permitido, não será qualificado.
ATENÇÃO
Essa é uma qualificadora de natureza objetiva.
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56. (2022/INSTITUTO AOCP/DPE-PR/DEFENSOR PÚBLICO) Em relação aos crimes do-
losos contra a vida, analise as seguintes afirmações:
I – O crime de homicídio é privilegiado se praticado sob a influência de violenta emoção, 
provocada por ato injusto da vítima.
II – As qualificadoras do motivo torpe e do feminicídio são incompatíveis entre si, de 
modo que é vedado sua imputação simultânea, sob pena de bis in idem.
III – O homicídio é qualificado se praticado com o emprego de arma de fogo.
Considerando a legislação aplicável e o entendimento dos Tribunais Superiores, está 
INCORRETO o que se afirma em
a. II.
b. I e II.
c. II e III.
d. I, II e III.
e. I e III.
Letra d.
Todas as afirmativas estão incorretas.
I – Será privilegiado se praticado mediante DOMÍNIO de violenta emoção + injusta provo-
cação da vítima + reação imediata.
II – O STJ entende ser compatível a qualificadora do motivo torpe com o feminicídio.
III – Somente será qualificado pelo emprego de arma de fogo de uso RESTRITO ou PROI-
BIDO. Se a questão disser apenas “arma de fogo”, estará errada.
IX – Menor de catorze anos (qualificadora Henry Borel)
Homicídio contra menor de 14 (qua-
torze) anos (Incluído pela Lei n. 14.344, 
de 2022) Vigência
IX – contra menor de 14 (quatorze) anos: 
(Incluído pela Lei n. 14.344, de 2022) 
Vigência
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) 
anos é aumentada de: (Incluído pela Lei n. 14.344, de 2022) 
Vigência
I – 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com 
deficiência ou com doença que implique o aumento de sua 
vulnerabilidade; (Incluído pela Lei n. 14.344, de 2022) Vigên-
cia (grifos nossos)
II – 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou 
madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, 
preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro 
título tiver autoridade sobre ela. (Incluído pela Lei n. 14.344, 
de 2022) Vigência (grifos nossos)
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Essa qualificadora de natureza objetiva foi introduzida no Código Penal pela Lei n. 
14.344, de 24 de maio de 2022. Essa lei é denominada Lei Henry Borel, e ela não alterou 
apenas o Código Penal, em verdade, ela amplia as medidas protetivas para crianças e ado-
lescentes vítimas de violência doméstica e familiar.
ATENÇÃO
A lei foi publicada em 24 de maio de 2022. Teve vigor apenas 45 dias após oficialmente 
publicada (art. 34 da Lei n. 14.344/2022). Assim, essa qualificadora só irá incidir aos crimes 
cometidos a partir de 09 de julho de 2022.
Antes dessa lei, o fato de a vítima do homicídio ser menor de catorze anos era hipótese de 
causa de aumento de 1/3, conforme ainda continua vigente no § 4º do art. 121. Contudo, 
entende-se que houve revogação tácita dessa previsão. Assim, hodiernamente, se a vítima 
do homicídio for criança ou adolescente menor de catorze anos, haverá incidência da qua-
lificadora e, ainda, poderá haver causa de aumento própria, prevista no § 2º-B do art. 121.
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Induzimento, instigação e auxílio ao suicídio ou à automutilação
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação (Redação dada pela Lei n. 13.968, 
de 2019)
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio mate-
rial para que o faça: (Redação dada pela Lei n. 13.968, de 2019)
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei n. 13.968, de 2019)
§ 3º A pena é duplicada: (Incluído pela Lei n. 13.968, de 2019)
I – se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; (Incluído pela Lei n. 13.968, de 2019)
II – se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. (Incluído pela 
Lei n. 13.968, de 2019)
§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede 
social ou transmitida em tempo real. (Incluído pela Lei n. 13.968, de 2019)
§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual. (Inclu-
ído pela Lei n. 13.968, de 2019) (grifos nossos)
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio 
resulta lesão corporal de natureza grave ou gra-
víssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste 
Código: (Incluído pela Lei n. 13.968, de 2019)
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Incluído 
pela Lei n. 13.968, de 2019)
• Não é CRIMPO, mas aceita SURSIS.
• Aplicam-se às causas de aumento de pena dos §§ 
3º a 5º.
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automu-
tilação resulta morte: (Incluído pela Lei n. 13.968, 
de 2019)
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Inclu-
ído pela Lei n. 13.968, de 2019)
• Aplicam-se às causas de aumento de pena dos §§ 
3º a 5º.
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo 
resulta em lesão corporal de natureza GRAVÍS-
SIMA e é cometido contra menor de 14 (quatorze) 
anos ou contra quem, por enfermidade ou defi-
ciência mental, não tem o necessário discerni-
mento para a prática do ato, ou que, por qual-
quer outra causa, não pode oferecer resistência, 
responde o agente pelo crime descrito no § 2º do 
art. 129 deste Código. (Incluído pela Lei n. 13.968, 
de 2019) (grifos nossos)
• Não se aplica às causas de aumento de pena dos 
§§ 3º a 5º.
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é 
cometidocontra menor de 14 (quatorze) anos 
ou contra quem não tem o necessário discerni-
mento para a prática do ato, ou que, por qual-
quer outra causa, não pode oferecer resistência, 
responde o agente pelo crime de homicídio, nos 
termos do art. 121 deste Código. (Incluído pela Lei 
n. 13.968, de 2019) (grifos nossos)
• Não se aplica às causas de aumento de pena dos 
§§ 3º a 5º.
A Lei n. 13.968, de 26 de dezembro de 2019, alterou significativamente todo o art. 122 
do CP. Essa lei trouxe uma verdadeira repaginação ao crime, que antes era apenas induzi-
mento, instigação e auxílio ao suicídio, e hoje o tipo penal foi ampliado a fim de contemplar 
não só o induzimento, instigação e auxílio ao suicídio, mas também a automutilação.
O tipo penal prevê duas condutas distintas: aquela que busca que o próprio sujeito tire 
sua própria vida e a conduta de induzir ou instigar a vítima a produzir lesões em seu próprio 
corpo (automutilação).
O crime é classificado como bicomum, pois tanto o sujeito ativo quanto o sujeito pas-
sivo podem ser qualquer pessoa. É necessário ter atenção ao fato de que o sujeito ativo 
do crime é aquele que induz, instiga ou presta auxílio para que a própria vítima pratique o 
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suicídio (matar a si mesma) ou se automutile. Lembrando que é necessário que as condutas 
devem ser direcionadas a pessoas específicas.
Isso porque, amparado pelo princípio da alteridade, o Direito Penal não pode punir os 
comportamentos que sejam limitados a lesionar ou a expor a perigo bem jurídico pertencente 
exclusivamente a quem os praticou. No caso do suicídio, também seria impossível punir o 
suicida, pois a morte é causa de extinção da punibilidade (art. 107, I, do CP).
Induzir significa introduzir na mente alheia a ideia suicida. Exemplo: A procura B afir-
mando que está passando por muitos problemas, e B diz que a solução mais fácil é A acabar 
com a própria vida.
Instigar é reforçar a ideia suicida já preexistente. Exemplo: A procura B afirmando que 
está passando por muitos problemas e, para acabar de vez com esse sofrimento, pensa em 
ceifar a própria vida. B lhe diz que, se estivesse no seu lugar, também adotaria tal posição.
Auxiliar, por sua vez, é contribuir materialmente para a prática do suicídio ou da auto-
mutilação. Exemplo: A procura B afirmando que está passando por muitos problemas. Para 
acabar de vez com esse sofrimento, pensa em ceifar a própria vida e pede a arma de B 
emprestada. B, sabendo do propósito de A, empresta-lhe a arma.
Ressalta-se que, para esse auxílio ser punível, é necessário que tenha sido eficaz, ou 
seja, deve ter contribuído efetivamente para o suicídio ou a automutilação. É preciso lembrar 
que o auxílio não se confunde com a execução: se o agente pede ajuda para que terceiro efetue 
o disparo da arma de fogo, por exemplo, o crime será de homicídio, e não de auxílio ao suicídio.
57. (2018/FUNDATEC/PC-RS/ESCRIVÃO E DE INSPETOR DE POLÍCIA – TARDE) Três são as 
formas de praticar o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio: nas duas primeiras hipó-
teses (induzimento e instigação), temos a participação moral; já na última (auxílio), material.
Certo.
Essa definição não sofreu modificação pela lei Lei n. 13.968, de 26 de dezembro de 2019, 
que alterou o art. 122 do CP.
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58. (2021/IDECAN/PC-CE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) Tassiana, com o objetivo de in-
duzir Rogério a praticar suicídio, diz-lhe que os problemas pelos quais ele passa não 
têm solução e que apenas a morte daria o conforto necessário, entre outras afirmações. 
Efetivamente induzido pelas palavras de Tassiana, Rogério, com intenção de suicidar-
-se, atira-se da janela de seu apartamento, localizado no terceiro andar de um prédio 
residencial. Ocorre que a queda de Rogério é amortecida pelo toldo do apartamento 
de baixo, bem como pela rede de proteção do edifício, que estava passando por obras 
na fachada. Rogério sofre apenas lesões corporais de natureza leve. Nessa hipótese, 
assinale a alternativa correta.
a. Tassiana responderá por tentativa de homicídio.
b. Tassiana responderá por tentativa de induzimento ou instigação ao suicídio.
c. Tassiana responderá por lesão corporal dolosa.
d. Tassiana responderá por induzimento ou instigação ao suicídio na modalidade 
consumada.
e. Tassiana não responderá por crime algum.
Letra d.
O crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação é formal, as-
sim, consuma-se com a mera prática das condutas de induzir, instigar ou prestar auxílio ma-
terial, independentemente do resultado morte (suicídio) ou lesão corporal (automutilação).
Assim, mesmo que a vítima não sofra nenhuma lesão corporal, ou sofra apenas lesão 
corporal de natureza leve, em razão da tentativa de suicídio ou da automutilação, o crime 
estará consumado, ficando o agente instigador sujeito à pena de reclusão de 6 (seis) me-
ses a 2 (dois) anos.
O elemento subjetivo dos delitos do art. 122 é única e exclusivamente o dolo, seja direto 
ou eventual, não havendo possibilidade de caracterização de induzimento, instigação ou 
auxílio ao suicídio ou automutilação de forma culposa, por falta de previsão legal, já que 
um dos requisitos do crime culposo é a tipicidade.
59. (2019/NUCEPE/PREFEITURA DE TIMON – MA/GUARDA-CIVIL MUNICIPAL) Em relação 
ao crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, assinale a alternativa INCORRETA.
a. Comete o crime quem induz ou instiga alguém a cometer o suicídio ou presta auxílio 
para que o faça.
b. A pena é duplicada se o crime é praticado por motivo egoístico.
c. Caso o suicídio se consume, a pena é mais grave.
d. O referido crime é previsto na modalidade culposa.
e. O supracitado delito é um crime contra a vida.
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Letra d.
Note que a questão pede a alternativa incorreta. Somente existirá crime culposo se houver 
previsão legal (princípio da taxatividade); como não existe essa previsão, se o induzimento 
ocorrer de forma culposa (se é que isso é possível), a conduta será atípica.
A doutrina majoritária diz que as condutas só podem ser praticadas, em regra, de forma 
comissiva (por ação), mas, nos casos em o agente tinha o dever de evitar o resultado (art. 
13, § 2º, do CP) e nada fez, haverá o crime pela via da omissão imprópria.
Um dos efeitos mais impactantes da Lei n. 13.968/2019 foi a alteração do momento con-
sumativo do delito. Com a nova redação, temos a modalidade fundamental do caput, as 
formas qualificadas dos §§ 1º, 2º, 6º e §7º e, ainda, as previsões especiais.
Consumação do tipo fundamental do caput: hoje, o delito na sua forma fundamental do 
caput é classificado como formal, já que o crime resta consumado quando a vítima, após 
ter sido induzida, instigada ou auxiliada pelo agente, inicia os atos executórios do suicí-
dio ou da automutilação, assim, a consumação do delito nessa modalidade prescinde que 
a vítima tenha de fato conseguido eliminar a própria vida ou se automutilar.
Consumação das figuras qualificadas dos §§ 1º e 2º: nesses casos, a consumação da 
qualificadora está condicionada ao resultado imposto pela norma, assim, o crime qualifica-
do está consumado no momento em que ocorrer a lesão corporal grave ou gravíssima (§ 
1º) ou a morte (§ 2º).
Se, contudo, os resultados morte ou lesão grave/gravíssima não ocorrerem, o crime será 
punido na forma do caput, pois esse crime não precisa de resultado naturalístico. A despei-
to dessa conclusão, a doutrina afirma que a tentativa é permitida, já que se trata de crime 
plurissubsistente.
Um ponto de destaque é a vítima. Isso porque, a depender de quem seja, teremos trata-
mentos diferentes. Observe que a regra estampada no caput, §§ 1º e 2º, é esta aqui:
Se a vítima for plenamente imputável:V
íti
m
a
↑ 18 anos e plenamente imputável
R
es
ul
ta
do
Sem resultado aparente ou 
lesão corporal leve
Lesão corporal 
grave
Lesão corporal 
gravíssima Morte
Pu
ni
çã
o Simples
Pena – reclusão, de seis 
meses a dois anos 
(art. 122, caput)
Qualificada
Pena – reclusão, de um a três anos 
(art. 122, § 1º, CP)
Qualificada
Pena – reclusão, de 
dois a seis anos 
(art. 122, § 2º, CP)
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Se a vítima tiver entre catorze anos completos a dezoito anos ou tiver a capacidade de 
resistência DIMINUÍDA, por qualquer causa:
V
íti
m
a ↑ = 14 anos a ↓18 anos
Vítima com capacidade de resistência DIMINUÍDA por qualquer causa.
R
es
ul
ta
do
Sem resultado aparente 
ou lesão corporal leve
Lesão corporal 
grave
Lesão corporal 
gravíssima Morte
Pu
ni
çã
o
Simples + duplicada
Pena – Reclusão, de seis 
meses a dois anos 
(art. 122, caput) + dupli-
cada (art. 122, §3º, II)
Qualificada + duplicada
Pena – Reclusão, de um a três anos (art. 
122, § 1º, CP) + duplicada 
(art. 122, § 3º, II)
Qualificada + duplicada
Pena – Reclusão, de dois 
a seis anos (art. 122, § 2º, 
CP) + duplicada (art. 122, 
§ 3º, II)
Os §§ 6º e 7º informam que serão considerados como se tivesse praticado o delito de 
lesão corporal gravíssima ou de homicídio se as vítimas forem vulneráveis. Em alguns casos, 
a lei traz a presunção absoluta de vulnerabilidade, é o que ocorre em relação a) aos menores 
de catorze anos; b) às pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o 
necessário discernimento para a prática do ato; ou c) pessoas que, por qualquer outra causa, 
não puderem oferecer resistência.
V
íti
m
a
↓ 14 anos
Pessoa que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiver o necessário discernimento para a prá-
tica do ato.
Pessoa que, por qualquer outra causa, não puder oferecer resistência.
R
es
ul
ta
do
Sem resultado aparente ou lesão 
corporal leve
Lesão corporal 
grave
Lesão corporal 
gravíssima Morte
Pu
ni
çã
o
Simples + duplicado
Pena – Reclusão, de seis meses a 
dois anos 
(art. 122, caput) + duplicado (art. 
122, § 3º, II)
Qualificado + 
duplicado
Pena – Reclusão, 
de um a três anos 
(art. 122, § 1º) 
+ duplicada (art. 
122, § 3º, II)
Responde de por 
lesão corporal 
gravíssima
(art. 129, § 2º, CP)
Pena – Reclusão, 
de dois a oito anos 
(art. 122, § 6º, CP)
Responde por 
homicídio
(art. 121, CP)
Pena – Reclusão, 
de seis a vinte 
anos (art. 122, § 
7º, CP)
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60. (2021/CETAP/SEAP – PA/POLICIAL PENAL/AGENTE PENITENCIÁRIO MASCULINO) 
O primeiro título do Código Penal é o de crimes contra a pessoa. Sobre esse título, 
marque a alternativa correta:
a. A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for pra-
ticado na gestação ou até as 3 (três) semanas posteriores ao parto.
b. Responde por homicídio quem induz menor de 14 (quatorze) anos ao suicídio e este 
se consuma.
c. Provocar aborto com o consentimento da gestante menor de 14 (quatorze) anos, tem 
pena de reclusão, de um a quatro anos.
d. É crime exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o 
preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendi-
mento médico-hospitalar emergencial com pena aumentada de 1/3 (um terço) até a 
metade se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de natureza grave.
Letra b.
É exatamente isso que determina o art. 122, § 7º, do CP.
61. (2021/CEBRASPE/PC-AL/AGENTE DE POLÍCIA – PROVA ANULADA) Incorrerá em 
crime de induzimento ao suicídio majorado o agente que induzir uma pessoa de doze 
anos de idade a pular de prédio para que ela alcance sua própria morte, ainda que te-
nha como resultado apenas uma lesão grave.
Errado.
Como a vítima era uma pessoa menor de catorze anos, o agente responderá por homicídio 
(art. 122, § 7º, do CP).
ATENÇÃO
• A doutrina diz que se admite a tentativa, uma vez que é crime plurissubsistente!
• Pode ser praticado na forma omissiva (omissivo impróprio), quando houver dever jurí-
dico de impedir o resultado.
Os §§ 3º, 4º e 5º preveem causas de aumento de pena. Por serem classificadas como cau-
sas de aumento de pena, incidem na 3ª fase de aplicação da pena. Passemos à análise 
de cada uma delas.
O § 3º elenca as hipóteses em que a pena é duplicada. Perceba que, nesse caso, o le-
gislador não deu margem de liberdade para o Juiz decidir o quantum ou se vai aumentar a 
pena, pois, ocorrendo as hipóteses, necessariamente a pena será duplicada.
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§ 3º A pena é duplicada: (Incluído pela Lei n. 13.968, de 2019)
I – se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; (Incluído pela Lei n. 
13.968, de 2019)
II – se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de 
resistência (Incluído pela Lei n. 13.968, de 2019) (grifos nossos).
O § 4º, por outro lado, traz uma margem de liberdade ao Juiz que, ao analisar o caso concreto, 
irá decidir o quanto a pena será aumentada, e isso pode ser em qualquer quantidade, até o 
limite do dobro da pena. Há quem sustente que, para que seja mantida a coerência com as 
demais causas de aumento, o aumento mínimo deverá ser de 1/6 (um sexto). E essa causa de 
aumento ocorrerá quando o autor do delito utilizar rede social (ex.: Facebook, Telegram), rede 
de computadores (equipamentos que possibilitem a troca de dados entre si) ou transmissão 
em tempo real (qualquer meio que possibilite a comunicação entre o agente e a vítima) para 
acessar a vítima e a instigar, induzir ou auxiliar a praticar o suicídio ou a automutilação.
§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede 
de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real (Incluído pela Lei 
n. 13.968, de 2019) (grifos nossos).
O § 5º visa punir mais severamente o agente que lidera ou coordena grupo ou rede virtual 
direcionada à prática das atividades de suicídio ou automutilação.
§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo 
ou de rede virtual. (Incluído pela Lei n. 13.968, de 2019)
Ao estudar essas três causas de aumento, você pode ter chegado à conclusão de que é per-
feitamente possível que as três incidam num mesmo caso concreto. Basta lembrar do caso do 
Jogo Baleia Azul. Nesse “jogo”, surgido em rede social russa, havia vários desafios diários e 
autodestrutivos, toda a dinâmica do grupo acontecia nas redes sociais e existiam os administra-
dores. Foram exatamente contextos como esses que motivaram a criação desses tipos penais.
Com isso, a solução adequada para a pluralidade de causa de aumentos ou de diminuição de 
pena está prevista no parágrafo único do art. 68 do Código Penal, que assim prevê: “No concurso 
de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só 
aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua”.
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62. (2021/INSTITUTO AOCP/PC-PA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – ADAPTADA) No cri-
me de instigação ao suicídio ou à automutilação, a pena é triplicada se o crime é prati-
cado por motivo egoístico, torpe ou fútil.
Errado.
O pacto de morte é o acordo celebrado entre duas ou mais pessoas que desejam se matar. 
Com isso, várias questões surgem a partir dos desdobramentos desse tipo de situação. 
Imagine o caso em que dois amigos fazem o pacto de morte e, para tanto, decidem se ma-
tar por asfixia; então, teremos as seguintes possibilidades:
• Se aquele que praticou o ato de execução (exemplo: destravar a válvula do gás) sobre-
viver, responderá pelo crime de homicídio consumado;
• Se o sobrevivente tiver apenas auxiliado,sem praticar o ato de execução (exemplo: 
ficou aguardando o amigo destravar a válvula do gás), responderá por participação 
em suicídio;
• Se um deles tiver praticado ato de execução, mas ambos tiverem sobrevivido, o que 
praticou o ato de execução responderá por tentativa de homicídio e o outro por parti-
cipação em suicídio;
• Se ambos os agentes tiverem praticado os atos de execução, um contra o outro, (exem-
plo: os dois juntos ficaram incumbidos de destravar a válvula de gás) e ambos sobrevi-
veram, responderão por tentativa de homicídio;
• Se ambos se auxiliarem mutuamente e ambos sobreviverem, responderão por partici-
pação em suicídio.
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63. (2022/CEBRASPE/PC-RJ/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) Desolados após a 
morte dos pais em um acidente de trânsito, os irmãos Paulo e Roberto, com 21 anos e 
19 anos de idade, respectivamente, fizeram um pacto de suicídio a dois em 20/2/2022: 
fecharam as portas e janelas do apartamento, e Paulo abriu a válvula de gás. Após 
poucos minutos, ambos desmaiaram. Os vizinhos sentiram o forte odor de gás e arrom-
baram o apartamento, evitando o óbito dos irmãos. Em decorrência da queda da própria 
altura, Paulo sofreu lesão corporal leve, e Roberto, lesão corporal gravíssima.
Acerca dessa situação hipotética, é correto afirmar que
a. Paulo e Roberto não poderão ser responsabilizados criminalmente, por se tratar de 
autolesões.
b. Paulo deverá responder pelo crime de homicídio na forma tentada (art. 121 c/c art. 
14, II, do Código Penal), e Roberto, pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio 
a suicídio ou a automutilação na forma simples (art. 122, caput, do Código Penal).
c. Paulo deverá responder pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou 
a automutilação na forma qualificada (art. 122, § 1º, do Código Penal), e Roberto não 
poderá ser responsabilizado criminalmente.
d. Paulo deverá responder pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou 
a automutilação na forma qualificada (art. 122, § 1º, do Código Penal), e Roberto, pelo 
crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação na forma 
simples (art. 122, caput, do Código Penal).
e. Paulo deverá responder pelo crime de homicídio na forma tentada (art. 121 c/c art. 14, 
II, do Código Penal), e Roberto não poderá ser responsabilizado criminalmente.
Letra b.
Paulo: sobreviveu + praticou ato de execução (abriu o gás) → responde por tentativa 
de homicídio.
Roberto: sobreviveu + não praticou ato de execução, → responde por instigação.
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64. (2009/CEPERJ/PC-RJ/DELEGADO DE POLÍCIA) Caio e Tício, sob juramento, decidi-
ram morrer na mesma ocasião. Para isso, ambos trancaram-se em um quarto herme-
ticamente fechado e Caio abriu a torneira de um botijão de gás; todavia, apenas Tício 
morreu. Nessa situação, Caio deverá responder por participação em suicídio.
Errado.
Como Caio praticou atos de execução do delito, deverá responder por homicídio.
O jogo roleta-russa é aquele em que uma arma de fogo é municiada com um único pro-
jétil, que deve ter o gatilho acionado pelos participantes cada um em sua vez e contra o 
próprio corpo. Se houver alguma morte, então os sobreviventes responderão por partici-
pação em suicídio.
No jogo duelo americano, há duas armas de fogo, uma municiada e outra desmuniciada. 
O participante deverá escolher uma das armas, sem saber previamente qual delas está 
municiada, e acionar o gatilho contra outro participante. Nesse contexto, aquele que provo-
ca a morte de outrem responderá por homicídio, em razão do dolo eventual.
Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o 
parto ou logo após:
Pena – detenção, de dois a seis anos.
O infanticídio constitui uma forma privilegiada de homicídio. Esse crime possui as ele-
mentares de seu tipo base, o homicídio, mas a ele ainda foram agregados outros elementos, 
como o fato de o sujeito ativo ser necessariamente a mãe + durante o parto ou logo após + 
sob influência do estado puerperal + o sujeito passivo será necessariamente o recém-nas-
cido. Perceba então que temos as seguintes elementares:
Matar
+
o próprio filho (alguém)
+
influência do estado puerperal
+
durante o parto ou logo após.
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65. (2018/CEBRASPE/POLÍCIA FEDERAL/PERITO CRIMINAL FEDERAL – ÁREA 12/
ADAPTADA) Uma mulher de 28 anos de idade foi presa acusada do crime de infanti-
cídio, após ter jogado em uma centrífuga o bebê que ela havia dado à luz. Segundo a 
ocorrência policial, um familiar da suspeita disse que ela havia escondido a gravidez e 
que negava que houvesse praticado aborto.
A configuração do crime de infanticídio independe da existência de estado puerperal, 
bastando para tal que o sujeito passivo seja uma criança.
Errado.
O estado puerperal é circunstância elementar do crime de infanticídio. Sem ela, o crime 
será de homicídio. Em relação ao crime de infanticídio, a lei brasileira não adotou o critério 
psicológico, mas sim o critério fisiopsicológico, levando em conta o desequilíbrio oriundo 
do processo do parto.
Para a doutrina, o início do parto se dá com a dilatação, seguida da expulsão. Então, se 
ocorrer a morte antes da dilatação, ficará configurado o crime de aborto. Se a conduta ocor-
rer após o início da dilatação, será homicídio ou infanticídio, a depender do caso concreto.
O crime é classificado como bipróprio, pois o sujeito ativo só pode ser a mãe e o sujeito 
passivo só pode ser o nascente ou recém-nascido. Admitem-se, contudo, a coautoria e a 
participação. Assim, se houver concurso de pessoas, o coautor e o partícipe responde-
rão por infanticídio, uma vez que o estado puerperal e a condição de mãe é elementar do 
crime e, sendo assim, se comunica no concurso de pessoas (art. 30, CP).
O crime só existe na modalidade dolosa, não havendo previsão da modalidade culposa.
Qual crime comete a mãe que matar o filho, sob influência do estado puerperal, 
culposamente?
Divergência!
• Doutrina majoritária: a mãe responderá por homicídio culposo.
• Corrente minoritária: a conduta será atípica, uma vez que não há a figura do infanticí-
dio na modalidade culposa.
O estado puerperal é o conjunto de alterações físicas e psíquicas que acometem as partu-
rientes. Diz-se que esse estado é um efeito normal do parto e é inerente a todo e qualquer 
parto. O infanticídio só restará caracterizado se for praticado em decorrência desse estado 
e, para constatação, não é necessário haver perícia.
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ATENÇÃO
Embora o estado puerperal altere a saúde mental, não afeta a imputabilidade penal da 
mulher. Contudo, se restar comprovado que, no momento da conduta, a parturiente estava 
completamente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo 
com esse entendimento, aí sim será tratada como inimputável.
O critério temporal exigido pelo legislador é “durante o parto” ou “logo após”. Não há con-
trovérsia sobre qual momento constitui o “durante o parto”, o “logo após”, por outro lado, 
precisa ser interpretado no caso concreto e, enquanto subsistirem os efeitos da afetação 
hormonal no agir da mulher, será possível a caracterização do crime.
66. (2021/CEBRASPE/PC-AL/AGENTE DE POLÍCIA – PROVA ANULADA) O delito de infan-
ticídio, por ser crime próprio, não admite coautoria e participação, de modo que condições 
e circunstâncias de caráter pessoal não serão comunicadas aos demais concorrentes.
Errado.
É pacífico na doutrina e jurisprudência a possibilidade de coautoria e participação em cri-
me próprio. Assim, por ser a condição de mãe e estarno estado puerperal elementares do 
crime, o terceiro responderá também por infanticídio.
67. (2011/CEBRASPE/PC-ES/PERITO CRIMINAL – ESPECÍFICOS) Determinada mãe, sob 
influência do estado puerperal e com o auxílio de terceiro, matou o próprio filho, logo 
após o parto. Nessa situação, considerando que os dois agentes são maiores e capazes 
e agiram com dolo, a mãe responderá pelo delito de infanticídio; o terceiro, por homicídio.
Errado.
Prevalece na doutrina que o estado puerperal é elementar do crime e, portanto, comuni-
cável em concurso de pessoas. Logo, o agente que pratica o crime juntamente com a mãe 
responde por infanticídio, e não por homicídio.
68. (2017/IBADE/PC-AC/AGENTE DE POLÍCIA CIVIL) Abigail, depois de iniciado parto ca-
seiro, mas antes de completá-lo, sob influência do estado puerperal, mata o próprio 
filho. Abigail praticou crime de:
a. homicidio qualificado.
b. consentimento para o aborto.
c. homicídio.
d. autoaborto.
e. infanticídio.
Letra e.
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69. (2009/MPDFT/MPDFT/PROMOTOR DE JUSTIÇA) O nosso sistema penal reconhece a 
forma privilegiada do infanticídio, ainda que “honoris causa”.
Errado.
O Direito brasileiro não reconhece o infanticídio em razão da honoris causa, ou seja, quan-
do o infanticídio é causado para proteger a honra.
A única hipótese em que o infanticídio é aceito é em decorrência de alteração hormonal 
causada pelo estado puerperal.
Aborto
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: (Vide ADPF 54)
Pena – detenção, de um a três anos.
Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento 
da gestante:
Pena – reclusão, de três a dez anos.
Forma qualificada (CAUSA DE AUMENTO DE 
PENA)
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos 
anteriores são aumentadas de um terço, se, em 
consequência do aborto ou dos meios empregados 
para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal 
de natureza grave; e são duplicadas, se, por qual-
quer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
Aborto provocado por terceiro com consenti-
mento da gestante
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da 
gestante: (Vide ADPF 54)
Pena – reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, 
se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é 
alienada ou debil mental, ou se o consentimento é 
obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
Aborto necessário Aborto Terapêutico
I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro (aborto sentimental, humanitário ou piedoso)
II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando inca-
paz, de seu representante legal.
STF (ADPF 54): interrupção da gravidez de feto anencéfalo -> Exclusão da tipicidade
STF (INFO 849): interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação.
O aborto é conceituado como a interrupção da gestação com a remoção prematura do feto 
ou do embrião, resultando em sua morte. A medicina diz que o início da gestação se dá com a 
fecundação do óvulo e, por essa razão, há aborto em qualquer momento após a fecundação, 
uma vez que a proteção jurídica recai sobre o óvulo fecundado, embrião e, também, sobre o feto.
ATENÇÃO
• Não haverá aborto na destruição de um tubo de ensaio que contém um óvulo fertili-
zado in vitro.
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http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=54&processo=54
http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=54&processo=54
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• Para que esteja caracterizado o aborto, basta que o feto esteja vivo, não sendo exigível 
que ele tenha viabilidade
O aborto é criminalizado desde a fecundação do óvulo. Contudo, há o entendimento do STF acer-
ca da descriminalização do aborto no primeiro trimestre da gestação. Veja a ementa do julgado:
A interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela pró-
pria gestante (art. 124) ou com o seu consentimento (art. 126) não é crime.
É preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos arts. 124 a 126 do 
Código Penal – que tipificam o crime de aborto – para excluir do seu âmbito de 
incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre.
A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, 
bem como o princípio da proporcionalidade.
STF. 1ª Turma. HC 124306/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Ro-
berto Barroso, julgado em 29/11/2016 (Info 849).
Dentro desse capítulo sobre aborto, falaremos detalhadamente das suas modalidades, 
mas, nesse primeiro momento, vamos explorar os aspectos em comum desses crimes.
O bem jurídico protegido é a vida humana intrauterina. No autoaborto (aborto provocado 
pela gestante) e no aborto com o consentimento da gestante, o único bem jurídico tutelado 
é a vida do feto. Já no aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante, 
protege-se não só a vida do feto, mas também a vida da gestante.
O aborto é crime de forma livre, assim, admite qualquer meio de execução, físico (exem-
plo: golpes na barriga da gestante) ou psíquico (exemplo: provocar forte abalo emocional 
a ponto de levar ao aborto), comissivo (exemplo: ingestão de medicamento abortivo) ou 
omissivo (exemplo: deixar de tomar os cuidados necessários com a gestação).
O elemento subjetivo é o dolo, não havendo a previsão da modalidade culposa. Contudo, 
se o aborto for provocado de forma culposa, teremos o seguinte desdobramento:
• Aborto culposo praticado por terceiro: responderá por lesão corporal culposa (lem-
bre-se que, quando o crime for culposo, as qualificadoras não incidirão).
• Autoaborto culposo: será conduta atípica em razão do princípio da alteridade, que 
veda a punição de conduta que não ultrapasse o próprio autor.
• Agressão dolosa e resultado aborto culposo (o agente tinha a intenção apenas de 
lesionar, mas produz o resultado aborto culposamente): lesão corporal gravíssima (art. 
129, § 2º, V, CP)
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ATENÇÃO
Via de regra, o dolo tem de estar presente tanto na conduta base quanto na qualificadora, 
mas Cleber Masson defende que, na hipótese em que o agente agride uma mulher, conhe-
cendo a circunstância de que estava grávida, com o dolo apenas de lesioná-la, mas acaba 
por produzir o resultado abortivo culposamente, então deverá responder por lesão corporal 
gravíssima (art. 129, § 2º, V, CP).
Há, todavia, quem entenda que, no caso apresentado, resta evidente o dolo eventual, por 
isso deve incidir a qualificadora da lesão gravíssima.
70. (2014/VUNESP/PC-SP/DELEGADO DE POLÍCIA) “X” recebe recomendação médica 
para ficar de repouso, caso contrário, poderia sofrer um aborto. Ocorre que “X” precisa 
trabalhar e não consegue fazer o repouso desejado e, por essa razão, acaba expelindo 
o feto, que não sobrevive.
Em tese, “X”
a. não praticou crime algum.
b. praticou o crime de aborto doloso.
c. praticou o crime de aborto culposo.
d. praticou o crime de lesão corporal qualificada pela aceleração do parto.
e. praticou o crime de desobediência.
Letra a.
O resultado naturalístico aborto espontâneo não decorreu da vontade livre e consciente de 
X. Sendo assim, não se pode falar em dolo direto. Também não se fala em dolo indireto, pois, 
de acordo com a narrativa contida neste item, embora o resultado fosse previsível, X não 
conseguiu fazer o repouso desejado, circunstância que afasta a hipótese de ter assumido o 
risco de que o resultadoda vítima ou por qualquer outro título tiver 
autoridade sobre ela. (Incluído pela Lei n. 14.344, de 2022) (des-
taque nosso)
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Homicídio simple
Homicídio simples
Art. 121. Matar alguém (destaque nosso):
Pena – reclusão, de seis a vinte anos.
O crime de homicídio simples é conceituado como a eliminação da vida extraute-
rina praticada por outra pessoa. Tendo por base esse conceito, já podemos extrair pontos 
importantes:
a. Quem pode ser o sujeito ativo e passivo do crime
O crime de homicídio é classificado como comum, assim, em regra, qualquer pessoa 
pode praticá-lo, seja individualmente ou em concurso de pessoas. Nesse caso, comportam-se 
coautoria e participação. Agora imagine a hipótese em que o crime seja praticado por xifópagos 
(irmãos siameses); nesse caso, será necessário saber se o delito foi praticado por ambos os 
irmãos ou só por um deles. Se tiver sido praticado por ambos, não temos dúvidas, ambos respon-
derão (pau que dá em Chico dá em Francisco). Se for praticado por apenas um deles, a absol-
vição será a medida imposta em virtude do dever legal do princípio da pessoalidade da pena.
Quanto à sujeição passiva, o delito também é comum, ou seja, qualquer pessoa pode 
ser sujeito passivo. É como diz o ditado popular, “para morrer, basta estar vivo”. Quanto ao 
sujeito passivo – o morto –, é necessário atentar-se que a proteção jurídica prevista nesse 
artigo é a vida extrauterina, logo, se a vida humana for intrauterina (ainda não houve o parto), 
não teremos homicídio, mas sim aborto. Se já iniciado o trabalho de parto, a eliminação da 
vida humana pode caracterizar homicídio ou infanticídio, a depender do caso concreto.
Considera-se que a vida extrauterina é iniciada com a primeira respiração autônoma da 
pessoa que está nascendo, sendo irrelevante perquirir se essa vida tem viabilidade ou não 
de permanecer, e encerra-se com a morte encefálica.
Ainda quanto ao sujeito passivo, é preciso ter em mente o princípio da especialidade, 
pois há casos nos quais as condições pessoais da vítima fazem incidir normas específicas 
previstas em legislação extravagante, como é o caso de homicídio doloso do Presidente da 
República, que constitui crime contra a segurança nacional (Lei n. 7.170/1983); o crime de 
genocídio (Lei n. 2.889/1956), quando há a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo 
racial, étnico ou religioso etc.
b. Qual é a conduta nuclear do tipo?
O núcleo do tipo no crime de homicídio é o verbo “matar”. Diante da simplicidade do 
caput do art. 121 (“matar alguém”), temos dois pontos a tratar:
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• Ação ou omissão: o crime ocorre de forma livre, ou seja, pode ser praticado tanto por 
ação quanto por omissão. Quanto à forma omissiva, é preciso lembrar que o vínculo 
entre a omissão e o óbito será estabelecido apenas em razão da relevância da omissão 
do art. 13, § 2º, do CP.
• Forma direta ou indireta: a forma direta é quando o próprio agente fisicamente manu-
seia o meio de execução (exemplo: golpes de faca). A forma indireta ocorre quando o 
agente manipula um terceiro para que este execute o crime em seu lugar (exemplo: o 
dono que ordena ao cão que ataque um terceiro).
2. (2009/CEBRASPE/PM-CE/SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR – CURSO DE FORMA-
ÇÃO) Lívia, mãe de um recém-nascido, decidida a não mais cuidar da criança, deixou 
de amamentá-la, vindo o bebê a falecer por inanição. Nessa situação, Lívia responderá 
por omissão de socorro.
Errado.
Trata-se do crime de homicídio doloso praticado por omissão. O núcleo do tipo do art. 121 
é o verbo “matar”, mas é crime de forma livre. Admite, portanto, qualquer meio de execução 
e pode ser praticado por ação ou por omissão, desde que presente o dever de agir, por se 
enquadrar o agente em alguma das hipóteses previstas no art. 13, § 2º, do Código Penal.
Como Lívia era a mãe do recém-nascido, ela responde por homicídio, e não por omissão 
de socorro.
3. (2021/IDECAN/PC-CE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) Rafael conta a Sandra que tem 
intenção de matar Raimundo e pede opinião da amiga. Sandra, que secretamente de-
sejava a morte dessa mesma pessoa, incentiva que Rafael pratique delito de homicídio 
contra Raimundo. Influenciado pelas palavras de Sandra, Rafael chama Raimundo para 
sair com o objetivo de matá-lo. Todavia, poucas horas antes, Rafael desiste e manda 
mensagem para Raimundo desmarcando o encontro.
Nessa hipótese, assinale a alternativa correta.
a. Rafael e Sandra devem responder por tentativa de homicídio praticado em concurso de pessoas.
b. Nem Rafael nem Sandra poderão ser responsabilizados penalmente.
c. Apenas Rafael deve responder por tentativa de homicídio.
d. Caso Rafael viesse, efetivamente, a matar Raimundo, Sandra poderia ser conside-
rada coautora do delito.
e. Apenas Sandra deve responder pelo delito de tentativa de homicídio, a título de par-
ticipação, pois Rafael beneficia-se da desistência voluntária.
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Letra b.
Nem Rafael, nem Sandra poderão ser responsabilizados. Rafael, por não ter adentrado na 
realização de atos executórios do homicídio que cogitou cometer; Sandra, que participou mo-
ralmente da conduta de Rafael, por não ter praticado qualquer ato punível, uma vez que os 
atos executórios do crime de homicídio que ela estimulou Rafael a praticar não tiveram início.
c. Elemento subjetivo
O homicídio pode ser doloso ou culposo. O dolo de matar é denominado de animus 
necandi e não se condiciona a nenhuma finalidade especial, ou seja, o sujeito intencional-
mente matou um indivíduo ou assumiu o risco de fazê-lo. Muito já se discutiu sobre a possi-
bilidade de dolo eventual no crime de homicídio. Hoje, contudo, é pacificado que há compa-
tibilidade entre o dolo eventual e o crime de homicídio.
A maior discussão acerca da possibilidade ou não do reconhecimento do dolo eventual 
para o crime de homicídio envolve a influência do álcool na direção de veículo automotor. 
Em 2018, o STF decidiu que o simples fato de o condutor do veículo estar embriagado não 
gera a presunção de que tenha havido dolo eventual, sendo imprescindível demonstrar que 
o agente tenha assumido o risco do resultado:
Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a influ-
ência de álcool, além de fazê-lo na contramão. Esse é, portanto, um caso específico 
que evidencia a diferença entre a culpa consciente e o dolo eventual. O condutor as-
sumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o risco de, eventualmente, cau-
sar lesões ou mesmo a morte de outrem (STF. 1ª Turma. HC n. 124.687/MS, rel. Min. 
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 – Info 904).
4. (2018/FUNDATEC/DPE-SC/ANALISTA TÉCNICO) Pode-se asseverar que se o agente 
ativo, portador de HIV – AIDS, tem por intenção transmitir a sua doença a outrem, poderá 
responder pelo delito de perigo de contágio de moléstia grave, se o seu dolo se dirigir 
tão somente à transmissão da doença; poderá responder pelo delito de homicídio ou de 
tentativa de homicídio, se o seu dolo se dirigir para além da transmissão da doença à 
morte da vítima; ou, ainda, poderá responder por lesão corporal de natureza gravíssima, 
se seu dolo se dirigir à produção de ofensa à integridade física ou saúde da vítima, com 
o resultado enfermidade incurável, ou, ainda, por lesão corporal seguida de morte, acaso 
essa ocorra, mas o dolo do agente abranja apenas a intenção de lesionar a vítima.
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Certo.
Esse tema é bastante polêmico. Não há consenso sobre a correta tipificação. A princípio, a 
conduta não se enquadra no crime de perigo de contágioocorresse. Por outro lado, não se pode falar em aborto na modalida-
de culposa por falta de previsão legal em nosso ordenamento, incidindo, com efeito, a regra 
do parágrafo único do artigo 18 do Código Penal. Desta feita, X não cometeu nenhum crime.
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71. (2008/ACAFE/PC-SC/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) “Madalena”, grávida de 3 meses, 
ciente de sua condição, continuou praticando arremesso de peso, pois pretendia partici-
par das eliminatórias para o campeonato estadual dessa modalidade. Ela, que desejava 
muito ser mãe, também nutria a esperança de ganhar uma medalha.
Assim, embora previsse a possibilidade de abortamento, contava com a sua não ocor-
rência e, por isso, manteve a rotina de treinamentos.
Entretanto, em virtude dos esforços físicos intensos que ela realizou, para sua infelici-
dade, ocorreu a morte e expulsão do feto.
No caso apresentado, ela:
a. responderá por crime de aborto provocado pela gestante, com dolo direto.
b. responderá por crime de aborto provocado pela gestante, com dolo eventual.
c. não responderá penalmente por crime de aborto provocado pela gestante.
d. responderá por crime de aborto provocado pela gestante, com culpa consciente.
Letra c.
O aborto não prevê a modalidade culposa. No caso da questão, Madalena agiu com culpa 
consciente e, inexistindo a modalidade culposa, a conduta será atípica.
A consumação do delito se dá com a morte do feto (crime material). A tentativa é admitida 
(crime plurissubsistente) em todas as modalidades de aborto, mas é necessário obser-
var estes desdobramentos:
• Responderá por tentativa de aborto: se praticada a conduta abortiva e o feto for 
expulso com vida.
• Responderá por lesão corporal grave em virtude da aceleração do parto (art. 129, 
§ 1º, IV, CP): se a intenção do agente era ferir a gestante e não provocar o aborto pro-
priamente dito, isto é, se o feto permanecer vivo.
• Responderá por tentativa de aborto em concurso material com homicídio ou 
infanticídio: se, após a conduta de tentativa de abortamento, o feto permanecer vivo e 
o agente realizar nova conduta, agora, contra o recém nascido, a fim de matá-lo.
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Autoaborto
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: 
(Vide ADPF 54) (grifos nossos)
Pena – detenção, de um a três anos.
Esse tipo penal comporta duas condutas criminosas: o autoaborto e o consentimento 
para que terceiro provoque o aborto.
É classificado como crime de mão própria, pois somente a gestante pode provocar 
o autoaborto ou permitir que outrem lho provoque. Por ser um crime de mão própria, não 
admite coautoria, apenas participação.
Para tanto, é preciso lembrar que a participação ocorre nos casos em que o sujeito não 
realiza diretamente o núcleo do tipo penal, mas de qualquer modo concorre para o crime. 
Ou seja, o partícipe do crime de autoaborto ou consentimento para aborto é quele que 
presta auxílio moral (induzir ou instigar) ou auxílio material. Já o autor do crime de aborto 
do art. 126 é aquele que executa o ato de abortamento.
ATENÇÃO
O terceiro a quem a gestante consente que provoque o aborto não precisa ser médico, 
pode ser qualquer pessoa. Então é possível haver dois desdobramentos:
• A (gestante) deseja interromper a gravidez e pede a B que compre os remédios 
abortivos: A e B responderão por aborto, A na condição de autora e B na condição de 
partícipe (prestou auxílio material).
• A (gestante) deseja interromper a gravidez e pede para que B pratique o aborto: A 
responde por aborto consentido (art. 124, segunda parte) e B responde por aborto pro-
vocado por terceiro com o consentimento da gestante (art. 126, CP) » exceção plura-
lista à teoria monista.
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72. (2021/CEBRASPE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/PROVA ANULADA) O crime de consen-
timento para o aborto não admite coautoria, consumando-se no momento em que a 
gestante anui para sua realização, ainda que não haja a execução do procedimento 
abortivo por terceiro.
Errado.
O crime de aborto consentido (art. 124, CP) é um crime de mão própria, ou seja, somente 
a mulher grávida poderá cometê-lo, não se admitindo coautoria (admite-se participação).
O referido crime é também um crime material, ou seja, somente se consuma quando, de 
fato, ocorrer o aborto. O mero consentimento, sem que haja a execução do procedimento 
abortivo, não configura o crime.
73. (2022/CEBRASPE/IBAMA/ANALISTA AMBIENTAL – RECUPERAÇÃO AMBIENTAL, 
MONITORAMENTO E USO SUSTENTÁVEL DA BIODIVERSIDADE, CONTROLE E 
FISCALIZAÇÃO) Considere que uma mulher penalmente imputável tenha provocado 
em si um aborto, restando caracterizados, objetivamente, quando da sua conduta, os 
pressupostos do estado de necessidade, os quais eram totalmente desconhecidos da 
autora. Nessa situação hipotética, a falta dos elementos subjetivos de justificação acar-
reta a ilicitude da conduta e enseja a punição da autora pelo crime correspondente.
Certo.
74. (2012/CEBRASPE/2012/TJ-RR/AGENTE DE PROTEÇÃO) Lia, grávida de 8 meses, pe-
diu ao médico que a atendera no hospital, onde chegara em trabalho de parto, que inter-
rompesse a gravidez, pois ela não queria ter mais filhos. O médico, então, matou o bebê 
durante o procedimento cirúrgico para realização do parto. O marido de Lia, Augusto, 
sob a influência de violenta emoção, matou-a quando recebeu a notícia de que o bebê 
havia morrido. Depois de matar a esposa, Augusto, decidido a cometer suicídio, pediu a 
Cláudio, seu amigo, que lhe emprestasse sua arma de fogo para que pudesse se matar. 
Sem coragem para cometer o suicídio, Augusto pediu a ajuda de sua mãe, Severina, 
que, embora concordasse com o ato do filho, não teve coragem de apertar o gatilho. 
Augusto, então, incentivado pela mãe, atirou contra si. O tiro, entretanto, ocasionou ape-
nas um ferimento leve em seu ombro. Desesperado, Augusto recorreu novamente a seu 
amigo Cláudio, a quem implorou auxílio. Muito a contragosto, Cláudio matou Augusto.
Caso Lia tivesse tentado contra a própria vida ingerindo veneno, responderia por tentati-
va de aborto, visto que, objetivando o suicídio, necessariamente causaria a morte do feto.
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Certo.
A doutrina diz que responde por autoaborto a gestante que, ciente de sua gravidez, tenta 
se suicidar e, se a manobra suicida causa o aborto, responderá pelo autoaborto (se per-
manecer viva, claro). Se, a despeito das manobras, o aborto não ocorrer, responderá pelo 
autoaborto tentado, pois essa possibilidade estava abrangida por seu dolo.
75. (2009/CESPE/PC-RN/DELEGADO DE POLÍCIA) No crime de autoaborto, a gestante é, 
ao mesmo tempo e em razão da mesma conduta, autora do crime e sujeito passivo.
Errado.
Em virtude do princípio da alteridade, não se punem as condutas que não transcendem a fi-
gura do autor. Sendo assim, no caso de autoaborto, a gestante não é sujeito ativo e passivo 
do crime de autoaborto, mas apenas o sujeito ativo, enquanto o feto será o sujeito passivo.
76. (2015/FUNCAB/PC-AC/PERITO CRIMINAL – CONTABILIDADE) Nei Santos, jovem de 
família conservadora, toma conhecimento de que sua noiva Ana Silva, com quem está 
prestes a casar, se encontra no segundo mês de gravidez. Preocupado em não decep-
cionar seus familiares, Nei faz de tudo para convencer Ana a realizar o aborto. Para 
tanto, orienta-a a procurar uma conhecida clínica clandestina situada próximo a sua re-
sidência. O procedimento abortivo realizado pelo cirurgião Carlos Quintão provoca em 
Ana uma lesão leve (pequena escoriação), em face de seu comportamento negligente. 
Indique o(s) crime(s)praticado(s) por Nei, Ana e Carlos, respectivamente:
a. Autoaborto, aborto provocado por terceiro com consentimento da gestante e aborto 
provocado por terceiro com consentimento da gestante em concurso material com 
lesão corporal de natureza leve.
b. Consentimento para o aborto, aborto provocado por terceiro com consentimento 
especialmente agravado e aborto provocado por terceiro com consentimento da ges-
tante em concurso material com lesão corporal de natureza leve.
c. Consentimento para o aborto, consentimento para o aborto e aborto provocado 
por terceiro.
d. Autoaborto, aborto praticado por terceiro com consentimento, em concurso de crimes 
com o delito de lesão corporal e aborto praticado por terceiro com consentimento, em 
concurso formal de crimes com o delito de lesão grave em sentido estrito.
e. Consentimento para o aborto, consentimento para o aborto e aborto praticado por ter-
ceiro com consentimento da gestante, em concurso material de crimes com o delito 
de lesão corporal leve.
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Letra c.
A gestante responde por consentimento para aborto, uma vez que não praticou diretamen-
te o aborto, mas permitiu que outro o fizesse.
O namorado responderá por consentimento para aborto na condição de partícipe, uma vez 
que prestou auxílio moral (induzimento).
O médico é o terceiro que pratica o aborto, logo, responde pelo delito do art. 126 do CP.
77. (2011/MPE-SP/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Aquele que encoraja a gestante a praticar 
um aborto, acompanhando-a à clínica médica, mas sem participar fisicamente das ma-
nobras abortivas, responde por:
a. participação em aborto provocado por terceiro, com o consentimento da gestante.
b. participação na modalidade própria do aborto consensual ou consentido.
c. participação na modalidade própria do chamado autoaborto.
d. participação no aborto qualificado, desde que a vítima venha a sofrer lesão 
grave ou morte.
e. participação em aborto provocado por terceiro, sem o consentimento da gestante.
Letra b.
Aborto provocado por terceiro
Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena – reclusão, de três a dez anos.
Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos 
dois artigos anteriores são aumentadas 
de um terço, se, em consequência do 
aborto ou dos meios empregados para 
provocá-lo, a gestante sofre lesão cor-
poral de natureza grave; e são duplica-
das, se, por qualquer dessas causas, lhe 
sobrevém a morte.
Aborto provocado por terceiro com consentimento da ges-
tante
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: 
(Vide ADPF 54)
Pena – reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a ges-
tante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil 
mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave 
ameaça ou violência.
a. Aborto praticado por terceiro sem o consentimento da gestante ou com o consen-
timento viciado:
O aborto provocado por terceiro, sem que tenha havido o consentimento da gestante 
(art. 125) é classificado como crime comum, uma vez que qualquer pessoa poderá come-
tê-lo. Esse crime poderá ocorrer em três hipóteses:
• Se não houve, de fato, consentimento da gestante. É só imaginar o caso em que uma mãe 
não aceita a gravidez de sua filha e decide colocar um remédio abortivo em sua comida.
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• No caso em que houve o consentimento da gestante, mas este é inválido em decorrên-
cia de uma presunção absoluta de vulnerabilidade. Isso ocorrerá quando a gestante for 
menor de catorze anos, alienada ou deficiente intelectual (art. 126, parágrafo único)
• Se o consentimento da gestante foi obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência 
(art. 126, parágrafo único).
Nas hipóteses deste artigo e ao parágrafo único do art. 126, o crime é de dupla subjetivi-
dade passiva, pois tanto o feto quanto a gestante são vítimas.
78. (2017/IBADE/PC-AC/AGENTE DE POLÍCIA CIVIL) Terêncio, em razão da condição de 
sexo feminino, efetua disparo de arma de fogo contra sua esposa Efigênia, percepti-
velmente grávida, todavia atingindo, por falta de habilidade no manejo da arma, Nereu, 
um vizinho, que morre imediatamente. Desconsiderando os tipos penais previstos no 
Estatuto do Desarmamento e levando em conta apenas as informações contidas no 
enunciado, é correto afirmar que Terêncio praticou crime(s)de:
a. feminicídio majorado.
b. aborto, na forma tentada, e homicídio.
c. homicídio culposo, feminicídio majorado, na forma tentada, e aborto, na forma tentada
d. aborto, na forma tentada, e feminicídio majorado.
e. homicídio culposo e aborto, na forma tentada.
Letra d.
Aqui é necessário conhecer um pouco da teoria do erro. Segundo essa teoria, havendo 
erro no uso dos meios de execução e se o agente atinge pessoa diversa da que desejava 
atingir, responderá como se tivesse atingido a pessoa visada (art. 73). No caso da questão, 
a pessoa visada era Efigênia. Sabendo disso, vamos partir dos crimes em espécie.
O enunciado da questão informa um feminicídio na parte em que diz “em razão da con-
dição de sexo feminino”. Sobre o aborto, a doutrina diz que é plenamente possível haver 
tentativa. Veja que o enunciado disse que o sujeito ativo tinha conhecimento da gestação, 
logo, ele, ainda que não quisesse diretamente matar o feto, assumiu o risco ou tinha um 
dolo de 2º grau, assim, para todos os efeitos, tinha o dolo do aborto.
Como no caso concreto quem morreu foi um homem (vítima real), não se pode atribuir o 
resultado aborto, mas restou claro o resultado morte. Assim, considerando que os princí-
pios do Direito Penal, vamos considerar o cenário mais benéfico ao acusado: feminicídio 
consumado e aborto tentado.
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b. Aborto provocado por terceiro com o consentimento da gestante:
O aborto provocado por terceiro com o consentimento da gestante (art. 126, caput) é 
classificado como crime comum e plurissubjetivo ou de concurso necessário, uma vez 
que representa a exceção pluralista à teoria monista do concurso de pessoas.
O sujeito ativo do delito é o terceiro que provoca o aborto na gestante. Ela responderá 
pelo delito do art. 124, 2ª parte, e aquele que praticar o aborto responderá por esse crime 
do art. 126.
ATENÇÃO
É nesse ponto que incide a exceção à teoria unitária ou monista do concurso de pessoas, 
pois, pela regra do art. 29, caput, do CP, tanto a gestante quanto o terceiro deveriam res-
ponder pelo mesmo crime, mas o CP decidiu adotar, nesse ponto, a teoria pluralista. Assim: 
a gestante que consente com o aborto pratica o crime do art. 124, 2ª parte (consentimento 
para o aborto), e o terceiro que provoca o aborto com seu consentimento é enquadrado no 
crime do art. 126 (aborto consensual).
No caso do caput do art. 126, a gestante é completamente capaz de compreender e con-
sentir com o aborto e o faz de forma expressa ou tácita. A doutrina diz que o consentimento 
acerca do aborto deve subsistir até a consumação do aborto. Se, durante o procedimento 
abortivo, a gestante se arrepender e requerer a interrupção da conduta abortiva e o terceiro 
não atender a seu requerimento, este responderá pelo aborto sem o consentimento (art. 
125) e a gestante não responderá por crime algum.
Frisa-se que, se esse delito for praticado num contexto de clínica médica com o propósito es-
pecífico de cometer abortos, poderá ser também reconhecido o crime de associação criminosa 
em concurso material de crimes, isto é, desde que cumpridos os requisitos do art. 288 do CP.
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79. (2012/FUNCAB/PC-RJ/DELEGADO DE POLÍCIA) Após ter ciência da gravidez de sua 
namoradaSilmara, Nicanor convence a gestante a abortar, orientando-a a procurar 
uma clínica clandestina. Durante o procedimento abortivo, praticado pelo médico Horá-
cio, Silmara sofre grave lesão, decorrente da imperícia do profissional, perdendo, pois, 
sua capacidade reprodutiva. Nesse contexto, considerando que a intervenção cirúrgica 
não era justificada pelo risco de morte para a gestante ou em virtude de estupro prévio, 
Silmara, Nicanor e Horácio responderão, respectivamente, pelos crimes de:
a. consentimento para o aborto (artigo 124, 2ª parte, CP); consentimento para o aborto 
(artigo 124, 2ª parte, CP); e aborto praticado por terceiro com consentimento, em con-
curso de crimes com o delito de lesão corporal qualificada (artigo 126 c/c artigo 129, 
§ 2º, III, ambos do CP).
b. consentimento para o aborto (artigo 124, 2ª parte, CP); aborto provocado por terceiro 
com consentimento especialmente agravado (artigo 126 c/c artigo 127, ambos do 
CP); e aborto provocado por terceiro com consentimento especialmente agravado 
(artigo 126 c/c artigo 127, ambos do CP).
c. consentimento para o aborto (artigo 124, 2ª parte, CP); consentimento para o aborto 
(artigo 124, 2ª parte, CP); e aborto provocado por terceiro com consentimento espe-
cialmente agravado (artigo 126 c/c artigo 127, ambos do CP).
d. autoaborto (artigo 124, 1ª parte, CP); aborto praticado por terceiro com consenti-
mento, em concurso de crimes como delito de lesão corporal qualificada (artigo 126 
c/c artigo 129, § 2º, III, ambos do CP); e aborto praticado por terceiro com consenti-
mento, em concurso de crimes com o delito de lesão corporal qualificada (artigo 126 
c/c artigo 129, § 2º, III, ambos do CP).
e. autoaborto (artigo 124, 1ª parte, CP); aborto provocado por terceiro com consenti-
mento especialmente agravado (artigo 126 c/c artigo 127, ambos do CP); e aborto 
provocado por terceiro com consentimento especialmente agravado (artigo 126 c/c 
artigo 127, ambos do CP).
Letra c.
O grande ponto na questão é saber que Nicanor atuou como partícipe, e não como exe-
cutor do aborto. Perceba, a conduta dele foi convencer a namorada a abortar, e depois foi 
ela mesma quem procurou a clínica. Desta forma, a conduta dele foi a de induzir. Para o 
Direito Penal, a participação é modalidade de concurso de pessoas em que o sujeito não 
realiza diretamente o núcleo do tipo penal, mas de qualquer modo concorre para o crime e 
se dará com o auxílio moral (induzir ou instigar) ou material.
A causa de aumento de pena só será aplicada ao médico, uma vez que o art. 127 fala cla-
ramente que só será aplicada nos dois artigos anteriores, ou seja, no art. 126 e 125.
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80. (2019/INSTITUTO ACESSO/PC-ES/DELEGADO DE POLÍCIA – ANULADO) Ana, após 
realizar exame médico, descobriu estar grávida. Estando convicta de que a gravidez se 
deu em decorrência da prática de relação sexual extraconjugal que manteve com Pedro, 
seu colega de faculdade, e temendo por seu matrimônio, decidiu por si só que iria prati-
car um aborto. A jovem comunicou a Pedro que estava grávida e pretendia realizar um 
aborto em uma clínica clandestina. Pedro, por sua vez, procurou Robson, colega que 
cursava medicina, e o convenceu a praticar o aborto em Ana. Assim, alguns dias depois 
de combinar com Pedro, Robson encontrou Ana e realizou o procedimento de aborto.
Sobre a questão apresentada, é correto afirmar que a conduta de Ana se amolda ao 
crime previsto no
a. art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por 
sua vez, tem sua conduta subsumida ao crime previsto no art. 126, do Código Penal 
(aborto provocado por terceiro com consentimento). Já Pedro responderá como par-
tícipe no crime de Robson.
b. art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por 
sua vez, tem sua conduta subsumida ao crime previsto no art. 124, segunda parte, do 
Código Penal. Já Pedro responderá como partícipe no crime de Ana.
c. art. 125, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por 
sua vez, tem sua conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal 
(aborto provocado por terceiro sem consentimento). Já Pedro responderá como par-
tícipe no crime de Robson.
d. art. 124, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua 
conduta subsumida ao crime previsto no art. 126 do Código Penal (aborto provocado 
por terceiro com consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Ana.
e. art. 126, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua 
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado 
por terceiro com consentimento). Já Pedro responderá como participe no crime de Ana.
Letra a.
Majorado
c. Causa de aumento para o aborto praticado por terceiro (art. 127)
O primeiro ponto que merece destaque neste artigo é a nomenclatura empregada. O legis-
lador optou por denominar como qualificadora o que claramente é causa de aumento de 
pena. Perceba que não houve modificação no quantum mínimo e máximo da pena, mas, 
de outra forma, há previsão de aumento de 1/3 (um terço) e de metade da pena aplicável.
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Por expressa previsão legal (“as penas cominadas nos dois artigos anteriores”), essas 
causas de aumento somente são aplicáveis ao aborto praticado por terceiro, com ou sem 
o consentimento da gestante (art. 125 e 126).
A doutrina dominante entende que essas causas de aumento de pena fazem parte dos cri-
mes qualificados pelo resultado, de natureza preterdorlosa. Uma vez que a conduta inicial 
é dolosa (aborto) e o resultado agravador, que pode ser morte ou lesão corporal, culposo.
É o caso em que agente busca matar o feto, mas por culpa acaba produzindo lesão corpo-
ral ou morte da gestante. Esse artigo não incidirá, contudo, na hipótese em que o agente 
tinha dolo – direto ou eventual – de praticar ambos os crimes. Nesse caso, responderá por 
aborto e lesão corporal grave, em concurso de crimes.
Se, por outro lado, o agente que, com dolo de matar a gestante, ciente da gravidez, conse-
gue atingir o resultado almejado, responde por homicídio doloso e por aborto em concurso de 
crimes, uma vez que é inegável a existência, ao menos, de dolo eventual no resultado aborto.
Não se pune o aborto
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
Aborto necessário (aborto terapêutico)
I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante.
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro (aborto sentimental, huma-
nitário ou piedoso)
II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da 
gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
O aborto, via de regra, é crime. Mas há situações em que a própria lei excepciona a regra. 
Os casos em que a própria lei permite o aborto estão previstos no art. 128 do CP, que tra-
taremos agora. Existem também outras hipóteses trazidas pela jurisprudência.
a. Aborto necessário ou terapêutico e aborto sentimental ou humanitário.
A natureza jurídica é de causa especial de exclusão da ilicitude. O legislador utiliza o 
termo “não se pune”, mas a doutrina majoritária entende se tratar de causa especial de 
exclusão da ilicitude.
Para que essas causas especiais de exclusão da ilicitude sejam reconhecidas, em regra, 
é necessário que o aborto seja praticado por médico, exceto no caso do aborto necessário 
ou terapêutico, pois este pressupõe o risco de morte da gestante, assim, estando em caso 
de estado de necessidade (perigo atual) qualquer pessoa poderá proceder.
Para que se permita o aborto necessário ou terapêutico, é desnecessária a autoriza-
ção judicial, basta que o médico entenda sobra a imprescindibilidade da interrupção da 
gravidez. Essa hipótese de aborto permitido depende de doisrequisitos:
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• A vida da gestante tem de estar em perigo em razão da gravidez;
• Não haver outro meio de salvar a vida da gestante.
ATENÇÃO
Esse perigo não precisa ser atual, basta que haja a previsibilidade de risco à vida da ges-
tante e que esse risco seja atestado pelo médico. Se o perigo for atual, poderá caracterizar 
o estado de necessidade.
O aborto sentimental, humanitário, ético ou piedoso é aquele em que a gravidez decor-
re de estupro e depende de três requisitos:
• Ser praticado por médico;
• Consentimento válido da gestante ou de seu responsável legal, se ela for incapaz;
• Gravidez resultante de estupro.
ATENÇÃO
É indispensável que haja consentimento válido da gestante ou de seu representante legal, 
quando incapaz, pois, ausente o risco de morte.
A autorização judicial também é dispensável nesse caso, basta que se apresentem ao 
médico provas seguras acerca da existência do crime, tais como boletim de ocorrência, 
declaração de testemunhas, inquérito policial etc.
81. (2017/IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR/MÉDICO LEGISTA ÁREA B) O aborto é a interrup-
ção da gravidez em qualquer época gestacional, antes da data prevista, com a morte do 
concepto, intra ou extrauterina. Em relação a esse assunto, analise as afirmativas abaixo.
I – O aborto realizado pelo médico para salvar a vida da gestante é chamado de aborto 
terapêutico.
II – O aborto indicado nas causas de estupro é chamado de aborto sentimental.
III – Somente o aborto sentimental é legalmente permitido no Código Penal.
Assinale a alternativa correta.
a. Todas as afirmativas estão corretas.
b. Estão corretas apenas as afirmativas I e II.
c. Estão corretas apenas as afirmativas II e III.
d. Está correta apenas a afirmativa II.
e. Está correta apenas a afirmativa III.
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Letra b.
Estão corretas apenas as afirmativas I e II.
O aborto necessário ou terapêutico é aquele em que não há outro meio de salvar a vida 
da gestante.
O aborto humanitário, sentimental ou ético ocorre no caso de gravidez resultante de estupro.
82. (2012/VUNESP/TJ-MG/JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO) Maria da Piedade, com 21 
(vinte e um) anos, foi estuprada por um desconhecido. Envergonhada com o fato, não 
tomou nenhuma providência perante a polícia, o Ministério Público ou a justiça. Desse 
fato, resultou gravidez. Maria provocou aborto em si mesma.
Em face da legislação que rege a matéria, assinale a alternativa correta.
a. Agiu amparada pelo estado de necessidade.
b. Praticou o crime de aborto, descrito no artigo 124 do Código Penal Brasileiro.
c. O aborto sentimental pode ser praticado pela própria vítima.
d. Agiu impelida por relevante valor social.
Letra b.
Para que seja reconhecida a excludente de ilicitude do aborto humanitário, é preciso que 
um médico tenha realizado o aborto. Assim, ainda que a causa seja presente, se o sujeito 
não for legitimado, o fato será típico e ilícito.
83. (2005/NCE-UFRJ/PC-DF/DELEGADO DE POLÍCIA) O médico está autorizado a prati-
car o aborto com conhecimento da gestante ou de seu representante legal (artigo 128, 
inciso II, do Código Penal), quando a gestante for vítima de estupro:
a. após convencido de que tal circunstância tenha ocorrido.
b. após o registro do fato na Delegacia de Polícia.
c. após o oferecimento da denúncia contra o autor do fato.
d. após a condenação do autor do fato.
e. após a condenação transitada em julgado em face do autor do fato.
Letra a.
b. Interrupção da gravidez de feto anencéfalo:
O STF, no julgamento da ADPF 54, entendeu que a interrupção da gravidez de feto anen-
céfalo é conduta atípica. Os argumentos utilizados pelos ministros foram no sentido de 
que a ocorrência da morte é constatada com a morte cerebral, assim, se o feto é anencéfa-
lo, ou seja, não possui cérebro, é inviável se falar em proteção da vida. Por isso, a natureza 
jurídica desse permissivo é de exclusão da tipicidade.
Ao ler os comentários dos votos dos Ministros no julgamento da ADPF 54, alguns trechos 
se fazem importantes para entendermos melhor essa celeuma. Veja:
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Em seu voto, o Min. Marco Aurélio sustentou que na ADPF 54 não se discute a 
descriminalização do aborto, já que existe uma clara distinção entre este e a 
antecipação de parto no caso de anencefalia. “Aborto é crime contra a vida. 
Tutela-se a vida potencial. No caso do anencéfalo, repito, não existe vida pos-
sível”. A anencefalia, que pressupõe a ausência parcial ou total do cérebro, é 
doença congênita letal, para a qual não há cura e tampouco possibilidade de de-
senvolvimento da massa encefálica em momento posterior. “O anencéfalo jamais 
se tornará uma pessoa. Em síntese, não se cuida de vida em potencial, mas de 
morte segura”, afirmou o Ministro.
Em seu voto, ele lembrou que há diversos conceitos de vida, sobre seu início e 
fim, e que a Constituição não define quando ela se inicia. Entretanto, o Ministro 
lembrou que o critério deve ser mesmo o previsto na Lei 9.434/97 e na Resolução 
1.752/97 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que consideram morto um 
ser humano quando cessa completamente sua atividade cerebral, ou seja, 
a morte encefálica. Por analogia, segundo ele, o feto anencéfalo não é um 
ser humano vivo, porque não tem cérebro e nunca vai desenvolver atividade 
cerebral (fonte: Dizer o Direito).
c. Interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação:
O STF, por intermédio de seus órgãos fracionários, já decidiu que não constitui crime a 
interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação. Parte da doutrina entende que 
essa decisão do STF é manifestamente contrária ao direito à vida e, ainda, foi julgada 
apenas pelas turmas da Suprema Corte, sendo assim, ainda não se pode afirmar que re-
presenta o entendimento majoritário do STF.
A interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela 
própria gestante (art. 124) ou com o seu consentimento (art. 126) não é crime. É 
preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos arts. 124 a 126 do Código 
Penal – que tipificam o crime de aborto – para excluir do seu âmbito de incidência a 
interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre. A criminalização, 
nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem como o princípio 
da proporcionalidade (STF. 1ª Turma. HC n. 124.306/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, 
red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/11/2016 – Info 849).
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84. (2022/CEBRASPE/PC-RJ/DELEGADO DE POLÍCIA) Ao analisar sob o prisma jurídi-
co-penal um abortamento, o delegado de polícia deverá verificar se a interrupção da 
gravidez, nas circunstâncias em que ocorreu, era permitida. Acerca do abortamento 
permitido, assinale a opção correta.
a. Conforme entendimento majoritário do STF, o abortamento de feto anencefálico é 
possível, haja vista a tese de que a gestante que opta pela interrupção da gravidez 
atua em estado de necessidade.
b. Deve ser responsabilizado por aborto culposo o médico que, por erro vencível, diag-
nostique uma gravidez com sério risco para a vida da gestante e realize a intervenção 
abortiva por equívoco.
c. Consoante o STJ, a Síndrome de Body Stalk autoriza a intervenção abortiva porque, 
embora exista uma mínima chance de salvar o feto e garantir o nascimento com vida, 
determina a morte da gestante durante o parto, cuidando-se de abortamento terapêutico.
d. Em discussão acerca da possibilidade de aborto no primeiro trimestre de gravidez, 
ministro do STF proferiu voto defendendo a inexistência de aborto criminoso nesse 
período, invocando para tanto, entre outros argumentos, ocritério da proporcionalidade.
e. No aborto sentimental ou humanitário, dado que a ocorrência de um estupro nem 
sempre será verificável de plano, exige-se ordem judicial, sem a qual a intervenção 
será criminosa.
Letra d.
85. (2013/MPE-SP/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) A Suprema Corte tratou do 
tema antecipação do parto ou interrupção da gravidez na ADPF 54 em que foi postulada 
a interpretação dos arts. 124 e 126 do Código Penal – autoaborto e aborto com o con-
sentimento da gestante – em conformidade com a Constituição Federal, quando fosse 
caso de feto anencéfalo. Após julgar procedente a ação, o Colendo Tribunal declarou 
que a ocorrência de anencefalia nos dispositivos invocados provoca a
a. exclusão da antijuridicidade.
b. exclusão da tipicidade.
c. exclusão do concurso de crimes.
d. aplicação de perdão judicial.
e. inexigibilidade de conduta diversa.
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Letra b.
O STF, no julgamento da ADPF 54/DF, criou uma nova exceção e decidiu que a interrupção 
da gravidez de feto anencéfalo é conduta atípica (Plenário. ADPF 54/DF, rel. Min. Marco 
Aurélio, 11 e 12/4/2012). Assim, por força de interpretação jurisprudencial, realizar aborto 
de feto anencéfalo também não é crime.
Ao ler os comentários dos votos dos Ministros no julgamento da ADPF 54, vou grifar essas 
partes mais importantes:
Em seu voto, o Min. Marco Aurélio sustentou que na ADPF 54 não se discute a descrimi-
nalização do aborto, já que existe uma clara distinção entre este e a antecipação de parto 
no caso de anencefalia. “Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida potencial. No caso 
do anencéfalo, repito, não existe vida possível”. A anencefalia, que pressupõe a ausência 
parcial ou total do cérebro, é doença congênita letal, para a qual não há cura e tampouco 
possibilidade de desenvolvimento da massa encefálica em momento posterior. “O anencé-
falo jamais se tornará uma pessoa. Em síntese, não se cuida de vida em potencial, mas de 
morte segura”, afirmou o Ministro.
Em seu voto, ele lembrou que há diversos conceitos de vida, sobre seu início e fim, e que 
a Constituição não define quando ela se inicia. Entretanto, o Ministro lembrou que o critério 
deve ser mesmo o previsto na Lei n. 9.434/1997 e na Resolução 1.752/1997 do Conselho 
Federal de Medicina (CFM), que consideram morto um ser humano quando cessa comple-
tamente sua atividade cerebral, ou seja, a morte encefálica. Por analogia, segundo ele, o 
feto anencéfalo não é um ser humano vivo, porque não tem cérebro e nunca vai desenvol-
ver atividade cerebral.
Portanto, sequer haveria tipicidade de crime contra a vida na interrupção antecipada de tal 
parto (fonte: Dizer o Direito).
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86. (2016/VUNESP/TJ-RJ/JUIZ SUBSTITUTO) A anencefalia, de acordo com entendimen-
to jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADPF (arguição de 
descumprimento de preceito fundamental), ajuizada pela Confederação dos Trabalha-
dores na Saúde – CNTS, sob relatoria do Ministro Marco Aurélio de Mello:
a. não qualifica direito da gestante de submeter-se à antecipação terapêutica de parto 
sob pena de o contrário implicar pronunciamento da inconstitucionalidade abstrata 
dos artigos 124, 126 e 128, I e II, do Código Penal, e, via de consequência, a descri-
minalização do aborto.
b. permite a antecipação terapêutica do parto, com proteção à vida da mãe, a exemplo do 
aborto sentimental, que tem por finalidade preservar a higidez física e psíquica da mulher, 
conclusão que configura interpretação do Código Penal de acordo com a Constituição 
Federal, orientada pelos preceitos que garantem o Estado laico, a dignidade da pessoa 
humana, o direito à vida e a proteção à autonomia, da liberdade, da privacidade e da saúde.
c. não dispensa autorização judicial prévia ou qualquer forma de autorização do Estado 
para a antecipação terapêutica do parto, implicando ajustamento dos envolvidos nas 
condutas típicas descritas pelos artigos 124, 126 e 128, I e II, do Código Penal, com 
vistas à proteção do direito à vida.
d. estendeu a desnecessidade de autorização judicial prévia ou qualquer forma de auto-
rização do Estado para a antecipação terapêutica do parto, no aborto sentimental ou 
humanitário, decorrente da gravidez em caso de estupro, em respeito aos princípios 
da moral razoável e da dignidade da pessoa humana.
e. porque há vida a ser protegida, implica a subsunção da conduta dos envolvidos no pro-
cedimento de antecipação terapêutica do parto aos tipos de aborto previstos no Estatuto 
Repressivo, dependendo da qualidade do agente que o praticou ou permitiu a sua prática.
Letra b.
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CAP II – LESÃO CORPORAL
Lesão corporal leve
Lesão corporal 
grave
Lesão corporal gra-
víssima
Lesão corporal 
seguida de morte 
(preterdolo)
Lesão corporal 
culposa
Art. 129. Ofender a 
integridade corpo-
ral ou a saúde de 
outrem:
Pena – detenção, de 
três meses a um ano.
Substituição da 
pena
§ 5º O juiz, não 
sendo graves as 
lesões, pode ainda 
substituir a pena de 
detenção pela de 
multa, de duzen-
tos mil réis a dois 
contos de réis:
I – se ocorre qual-
quer das hipóteses 
do parágrafo ante-
rior (privilégio);
II – se as lesões 
são recíprocas
§ 1º Se resulta:
I – Incapacidade 
para as ocupações 
habituais, por mais 
de trinta dias;
II – perigo de vida;
III – debilidade 
permanente de 
membro, sentido ou 
função;
IV – aceleração de 
parto:
Pena – reclusão, de 
um a cinco anos.
§ 2º Se resulta:
I – Incapacidade 
permanente para o 
trabalho;
II – enfermidade 
incuravel;
III – perda ou inuti-
lização do membro, 
sentido ou função;
IV – deformidade 
permanente;
V – aborto:
Pena – reclusão, de 
dois a oito anos.
§ 3º Se resulta 
morte e as circuns-
tâncias evidenciam 
que o agente não 
quis o resultado, 
nem assumiu o 
risco de produzí-lo:
Pena – reclusão, de 
quatro a doze anos.
§ 6º Se a lesão é 
culposa: (Vide Lei 
n. 4.611, de 1965)
Pena – detenção, de 
dois meses a um ano.
Perdão judicial
§ 8º - Aplica-se à 
lesão culposa o dis-
posto no § 5º do art. 
121.
Diminuição de pena (Privilégio) (1/6 a 1/3)
§ 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio 
de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um 
sexto a um terço.
Aumento de pena + 1/3
§ 7º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 6º do art. 121 deste 
Código. (Redação dada pela Lei n. 12.720, de 2012)
§ 4º: Doloso: contra menor de 14 anos ou maior de 60 anos // Culposo: inobservância de regra técnica de pro-
fissão, arte ou ofício, se deixa de prestar socorro imediato à vítima, não procura diminuir as consequências do 
seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.
§6º: Milícia privada ou grupo de extermínio
Aumento funcional + 1/3 a 2/3
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Fede-
ral, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em 
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão 
dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído pela Lei n. 13.142, de 2015)
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Lesão corporal no contexto de violência doméstica
Violência Doméstica (Incluído pela Lei n. 10.886, de 2004)
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou 
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, 
de coabitação ou de hospitalidade:(Redação dada pela Lei n. 11.340, de 2006)
Lesão corporal leve
Lesão 
corporal 
Grave
Lesão 
Corporal 
Gravíssima
Lesão Corporal seguida de morte 
(preterdolo)
»»» Qualifica §9
Pena – detenção, de 3 (três) 
meses a 3 (três) anos. (Reda-
ção dada pela Lei n. 11.340, 
de 2006)
Lesão grave, gravíssima ou seguida de morte »»» Causa de aumento
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se as circunstâncias 
são as indicadas no § 9º deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
§ 11. Na hipótese do § 9º 
deste artigo, a pena será 
aumentada de um terço se 
o crime for cometido contra 
pessoa portadora de defici-
ência. (Incluído pela Lei n. 
11.340, de 2006)
Lesão corporal contra a mulher
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos termos 
do § 2º-A do art. 121 deste Código: (Incluído pela Lei n. 14.188, de 2021)
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). (Incluído pela Lei n. 14.188, de 2021)
Lesão corporal leve
Lesão corporal leve
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena – detenção, de três meses a um ano.
Lesão corporal é a ofensa à integridade física ou à saúde de outra pessoa. A exposi-
ção de motivos da parte especial do Código penal, no item 42, diz: “o crime de lesão corporal 
é definido como ofensa à integridade corporal ou saúde, isto é, como todo e qualquer dano 
ocasionado à normalidade funcional do corpo humano, quer do ponto de vista anatômico, 
quer do ponto de vista fisiológico ou mental”.
Sendo assim, vê-se que a lesão corporal depende de algum dano no corpo da vítima, 
de alteração prejudicial à saúde e engloba, inclusive, problemas psíquicos. Dessa forma, fica 
nítido que o legislador quis coibir não apenas o dano externo, mas também o interno, desde 
que haja algum prejuízo ao corpo, sendo a saúde psíquica incluída no conceito de corpo, 
mais especificamente na modalidade de ofensa à saúde.
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Esse dano provocado ao corpo pode ter sido ocasionado por qualquer forma, não tendo 
meio vinculado de provocação (crime de forma livre) e, assim, erra quem imagina que a lesão 
corporal somente pode ser caracterizada quando houver o emprego de meio violento. Masson diz 
que o crime pode ser cometido, por exemplo, mediante ato sexual consentido ou no caso em que 
a promessa de morte provoca perturbações mentais na pessoa (com emprego de grave ameaça).
Embora a doutrina fale claramente sobre a possibilidade de caracterização do crime em decor-
rência de perturbação mental (modalidade de ofensa à saúde), não há muitas questões sobre o 
assunto. Assim, quando for responder questões que envolvam essa temática, tenha bastante atenção.
Em que pese a exposição de motivos dizer que o crime se configura com a ofensa à 
integridade física, é preciso lembrar que eritemas (aquela vermelhidão que ocorre em decor-
rência de um esbarrão ou tapa) não caracteriza lesão corporal, mas pode caracterizar, a 
depender do caso, a contravenção penal de vias de fato.
Algumas questões trazem nomenclaturas da medicina legal a fim de perquirir ao candi-
dato se caracteriza ou não lesão, então, caracterizam lesão corporal:
• fraturas
• escoriações (são lesões simples que ocorrem na camada mais superficial da pele, 
exemplos: aquele raladinho no joelho de uma criança);
• queimaduras;
• luxações (deslocamento repentino, parcial ou completo, das extremidades dos ossos 
que compõem uma articulação);
• equimose (roxidão causado pelo rompimento de pequenos vasos sanguíneos);
• hematoma (equimose com inchaço).
ATENÇÃO
A depender da motivação do sujeito ativo, o corte de cabelo ou de barba sem autorização 
da vítima pode configurar lesão corporal (quando o objetivo era unicamente remover a par-
te do corpo) ou injúria real (quando a intenção era de humilhar a vítima).
Em razão de o crime de lesão corporal ser classificado como crime de forma livre, ele 
admite qualquer meio de execução e, ainda, pode ser praticado por ação ou por omissão, 
isto é, se presente o dever de agir para evitar o resultado (art. 13, § 2º, do CP).
Quanto ao sujeito ativo, é classificado como crime comum, já que pode ser praticado 
por qualquer pessoa. Quanto ao sujeito passivo, em regra, também é classificado como 
comum, mas há alguns casos em que o tipo penal exige uma situação diferenciada em 
relação à vítima (sujeição passiva própria), como ocorre, por exemplo, na lesão grave 
ou gravíssima em que a vítima necessariamente deve ser gestante para que seja possível 
existir a aceleração de parto ou o aborto e na lesão qualificada pela violência doméstica.
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O art. 129 contempla vários elementos subjetivos. Em regra, o crime será doloso, por dolo 
direto ou eventual, nomeado como animus laedendi ou animus nocendi, mas também é 
possível haver lesão corporal culposa (art. 129, § 6º, CP) e preterdolosa art. 129, § 3º, CP).
A lesão corporal é classificada como crime material ou de dano, pois a consumação ocorre 
com a efetiva lesão, ou seja, requer um resultado naturalístico. É cabível tentativa em todas as 
modalidades dolosas de lesão corporal, mas não nas modalidades culposas e preterdolosas.
ATENÇÃO
Há diferença entre tentativa de lesão corporal e contravenção penal de vias de fato. Na 
lesão corporal tentada, o dolo do agente era ofender a integridade física ou a saúde, mas 
não conseguiu por circunstâncias alheias à sua vontade. Nas vias de fato, o agente queria 
agredir a vítima, mas não queria lesioná-la (exemplo: empurrão).
87. (2011/CEBRASPE/PC-ES/AUXILIAR DE PERÍCIA MÉDICO-LEGAL – ESPECÍFICOS) 
Constitui lesão corporal grave a agressão contra um cadáver ou destruição parcial do 
corpo ou de parte deste.
Errado.
O bem jurídico do crime de lesão corporal é a integridade física, abarcando a integridade 
corporal e a saúde.
Sendo assim, o crime em comento não pode ser de lesão corporal, mas sim o crime de 
destruição, subtração ou ocultação de cadáver (art. 211).
ATENÇÃO
O cadáver não é um bem tutelado juridicamente pelo Direito Penal, sendo assim, os crimes 
que o envolvem, em verdade, protegem outros bens jurídicos, como é o caso do respeito 
aos mortos ou a proteção ao patrimônio (exemplo de furto de cadáver de universidade).
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88. (2021/IDECAN/PEFOCE/ODONTOLOGIA) O Código Penal brasileiro define o crime de 
lesão corporal como sendo o resultado de uma ação ou omissão humana capaz de 
causar dano à integridade corporal ou à saúde de um indivíduo qualquer que seja esse 
dano, de ordem fisiológica, anatômica ou mental. O momento consumativo do crime de 
lesão corporal ocorre no momento da efetiva violação à integridade física ou à saúde da 
vítima e, via de regra, exige a comprovação do dano mediante de um exame
a. grafotécnico.
b. papiloscópico.
c. de constatação da veracidade.
d. testemunhal indireto.
e. de corpo delito.
Letra e.
Substituição da pena de detenção pela de multa
O art. 129, § 5º, do Código Penal estabelece:
Substituição da pena
§ 5º O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção 
pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis:
I – se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II – se as lesões são recíprocas.
Essa hipótese de substituição de pena é aplicável exclusivamente à lesão corporal leve 
e é possível chegar a essa conclusão pelo trecho “não sendo graves as lesões”. A doutrina 
diz também que não é aplicável às lesões culposas em razão de a culpa ser incompatível 
tanto com a figura do privilégio (inciso I) quanto da reciprocidade das lesões (inciso II).
O inciso I dispõe que, não sendo graves as lesões e comprovado o privilégio (“se ocor-
rer qualquer das hipóteses do parágrafo anterior”),o Magistrado pode optar por dois cami-
nhos: aplicar as regras da lesão corporal privilegiada (reduzir a pena de 1/6 [um sexto] a 1/3 
[um terço]), ou então substituir a pena de detenção por multa.
O inciso II, por sua vez, traz a hipótese de substituição de pena em decorrência de 
lesões corporais recíprocas. Lesões recíprocas ocorrer quando duas pessoas se agridem: 
“A” ataca “B” e “B” ataca “A”.
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ATENÇÃO
As lesões recíprocas não se confundem com as situações de legítima defesa. Nas lesões 
recíprocas, ambos querem agredir. Na legítima defesa, há uma reação à injusta agressão, 
ou seja, a vítima somente agride o ofensor para se defender. Nesse caso, se preenchidos 
os requisitos do art. 25 do CP, não haverá crime.
Lesão corporal culposa
Lesão corporal culposa
§ 6º Se a lesão é culposa: (Vide Lei n. 4.611, de 1965)
Pena – detenção, de dois meses a um ano.
A lesão corporal culposa é a ofensa à integridade corporal ou à saúde de outrem 
mediante culpa, ou seja, a conduta é voluntária, mas o resultado é involuntário. Trata-se de 
um tipo penal aberto, pois depende de um juízo de valor do intérprete que irá analisar se, no 
caso concreto e com base no homem médio, a produção do resultado adveio de uma con-
duta praticada com imprudência, negligência ou imperícia e se era possível ao agente prever 
objetivamente a ocorrência desse resultado.
Não há, na lesão culposa, a distinção de pena com base na gravidade dos feri-
mentos. Assim, se a lesão for culposa, não se diferencia entre lesão leve, grave ou gravís-
sima, mas o Juiz irá sopesar as consequências do crime no momento da aplicação da pena 
base (art. 59, caput, CP).
A lesão culposa é de ação penal pública condicionada à representação e é infração 
de menor potencial ofensivo, já que a pena é de 2 (dois) meses a 1 (um) ano de detenção 
e, com isso, cabe transação penal (art. 76 da Lei n. 9.099/1995) e composição civil dos danos 
(art. 88 da Lei n. 9.099/1995), que acarreta em renúncia ao direito de representação e, con-
sequentemente, extingue a punibilidade (art. 74, parágrafo único, Lei n. 9.099/1995).
ATENÇÃO
Se a lesão corporal culposa for praticada na direção de veículo automotor, será aplicado o 
art. 303 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei n. 9.503/1997), e não o Código Penal.
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89. (2021/CEBRASPE/PC-DF/AGENTE DE POLÍCIA DA CARREIRA DE POLÍCIA CIVIL 
DO DISTRITO FEDERAL) Responderá pelo crime de lesão corporal seguida de morte 
o agente que não quis o resultado morte nem assumiu o risco de produzi-lo.
Certo.
90. (2016/FUNCAB/PC-PA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – ADAPTADA) Queimar culpo-
samente significativa parte do corpo da vítima, de modo a causar-lhe deformidade per-
manente caracteriza crime de lesão corporal gravíssima (art. 129, § 2º, do CP).
Errado.
Na verdade, essa hipótese é de lesão corporal culposa. Perceba que a conduta foi pra-
ticada culposamente, sendo assim, independentemente da gradação do resultado dessa 
conduta, a tipificação será a mesma: lesão corporal culposa.
Contudo, se o resultado deformidade permanente em razão da queimadura fosse culposo, 
mas a conduta de tacar fogo fosse dolosa, então seria lesão corporal gravíssima.
Causas de aumento de pena previstas no § 7º
Aumento de pena
§ 7º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos 
§§ 4º e 6º do art. 121 deste Código. (Redação dada pela Lei n. 12.720, de 2012)
O § 7º do art. 129 faz referência expressa ao art. 121, §§ 4 e 6º do CP, que tratam de 
causa de aumento de pena, respectivamente, ao crime doloso e culposo, bem como ao crime 
praticado por milícia privada ou em atividade típica de grupo de extermínio. Veja:
Aumento de pena
§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resul-
ta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa 
de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu 
ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é 
aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (qua-
torze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Redação dada pela Lei n. 10.741, de 2003)
§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado 
por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por 
grupo de extermínio. (Incluído pela Lei n. 12.720, de 2012)
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Assim, haverá o aumento de 1/3 da pena no crime de lesão corporal nos seguintes casos:
Lesão corporal dolosa Lesão corporal culposa
Se o crime é praticado contra:
• menor de 14 anos;
• maior de 60 anos.
Ou se o crime for praticado por
• milícia privada, sob o pretexto de prestação de 
serviço de segurança;
• grupo de extermínio.
Se o crime for resultado de inobservância de 
regra técnica de profissão, arte ou ofício.
Se o agente:
• deixa de prestar socorro imediato à vítima;
• não procura diminuir as consequências de seu 
ato;
• foge para evitar a prisão em flagrante.
ATENÇÃO
• No homicídio, a causa de aumento de pena para o crime praticado por milícia privada 
ou por atividade típica de grupo de extermínio é de 1/3 até a metade. Na lesão corpo-
ral, a causa de aumento de pena será necessariamente de 1/3.
• A lesão corporal praticada por grupo de extermínio não é crime hediondo!
• A causa de aumento de pena do § 7º também é aplicável à lesão corporal leve.
Perdão judicial
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.
Esse parágrafo determina a incidência do perdão judicial ao crime de lesão corporal cul-
posa e, para isso, faz referência expressa ao perdão judicial no crime de homicídio. Assim, 
entende-se que os requisitos são os mesmos: crime culposo + quando as consequências da 
infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção se torna desnecessária.
Violência doméstica
Violência Doméstica (Incluído pela Lei n. 
10.886, de 2004)
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascen-
dente, descendente, irmão, cônjuge ou com-
panheiro, ou com quem conviva ou tenha con-
vivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente 
das relações domésticas, de coabitação ou 
de hospitalidade: (Redação dada pela Lei n. 
11.340, de 2006)
Lesão Leve »»» Qualifica §9
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
(Redação dada pela Lei n. 11.340, de 2006)
Causa de aumento de pena
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será 
aumentada de um terço se o crime for cometido contra 
pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei n. 
11.340, de 2006)
Lesão grave, gravíssima ou seguida de morte »»» 
Causa de aumento
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se 
as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste artigo, 
aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
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A violência doméstica, no crime de lesão corporal, pode caracterizar uma qualifica-
dora, quando o resultado for uma lesão leve (§ 9º), ou uma causa de aumento de pena de 
1/3, quando o resultado for uma lesão grave, gravíssima ou seguida de morte (§ 10º).
A violência doméstica e familiar pode ter como vítima homem ou mulher, desde que o 
agente pratique o crime prevalecendo-se das relações domésticas, de coabitação ou de hos-
pitalidade. E essas relações devem existir no momento da prática do crime, mas sendo pres-
cindível que o crime ocorra nestes ambientes, ou seja, o delito pode acontecer em qualquer 
lugar, desde que a situação fática seja contemporânea (a relação).
Relações domésticas são aquelas criadas entre os membros de uma família, podendo 
ter ou não ligações de parentesco (exemplo: patrãoe babá). A coabitação é a moradia sob 
o mesmo teto, não importando o tempo de duração (exemplo: moradores de uma república). 
A hospitalidade é a recepção eventual, sendo desnecessário, inclusive, que haja pernoite 
(exemplo: a estadia provisória na casa de alguém ou a recepção de amigos para o jantar).
Assim, os sujeitos passivos da violência doméstica podem ser:
Sujeito passivo expresso Sujeito passivo por interpretação
• Ascendente;
• Descendente;
• Irmão;
• Cônjuge;
• Companheiro;
• Com quem conviva ou tenha convivido.
Não sendo os sujeitos do quadro anterior, haverá 
violência doméstica se o sujeito ativo se preva-
lecer de:
• relação doméstica;
• coabitação;
• hospitalidade.
ATENÇÃO
A violência doméstica não contempla única e exclusivamente a mulher, em verdade, a Lei 
n. 14.188, de 2021, trouxe um tipo penal específico para o caso em que a mulher for vítima 
do crime de lesão corporal.
Explicado o que é violência doméstica, vamos entender quando esta será qualificadora e 
quando será causa de aumento de pena:
Será qualificadora quando a lesão for leve e, com isso, em razão da pena prevista, a lesão 
leve praticada nas condições descritas deixa de ser crime de menor potencial ofensivo, afas-
tando, assim, os benefícios da transação penal e da composição civil dos danos. Contudo, em 
razão de a pena mínima ser de 3 (três) meses, é cabível a suspensão condicional do processo.
Será causa de aumento de pena, em 1/3 (um terço), quando a lesão for grave, gravís-
sima ou seguida de morte. Nesse caso, a pena base será aquela estampada no pará-
grafo correspondente à lesão (§§ 1º, 2º ou 3º, a depender do caso) e, na terceira fase de 
dosimetria da pena, haverá a causa de aumento de 1/3 em razão da violência doméstica.
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Em razão da proibição do bis in idem, existente a situação de violência doméstica, serão 
inaplicáveis as agravantes genéricas do art. 61, inciso II, “e” e “f” do CP ao crime de lesão 
corporal dolosa (leve, grave, gravíssima ou seguida de morte).
91. (2021/CEBRASPE/PC-AL/ESCRIVÃO DE POLÍCIA – PROVA ANULADA) O crime de 
lesão corporal qualificado pela violência doméstica admite mulher como sujeito ativo do 
delito e homem como sujeito passivo.
Certo.
92. (2021/CEBRASPE/PC-DF/ESCRIVÃO DE POLÍCIA DA CARREIRA DE POLÍCIA CIVIL DO 
DISTRITO FEDERAL) O crime de lesão corporal leve cometido em situação de violência 
doméstica não configura um tipo penal autônomo, mas uma qualificadora do delito de lesão 
corporal, em decorrência da relação havida entre os sujeitos ativo e passivo do delito.
Certo.
93. (2021/FGV/PC-RJ/INSPETOR DE POLÍCIA CIVIL) O Código Penal conta com dispositi-
vo cuja finalidade é coibir a violência doméstica, entendida esta como a prática do delito 
de lesão corporal contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou 
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das rela-
ções domésticas, de coabitação ou de hospitalidade (art. 129, § 9º, do Código Penal).
Sobre essa norma, é correto afirmar que:
a. a lesão imposta é de natureza unicamente leve, dando margem a um tipo qualificado, 
mas não pelo resultado.
b. a qualificadora da violência doméstica pode ser aplicada aos casos de lesão corpo-
ral culposa.
c. a qualificadora da violência doméstica pode ser aplicada aos casos de vias de fato.
d. a qualificadora da violência doméstica não pode ser aplicada aos casos de parentali-
dade socioafetiva.
e. a qualificadora da violência doméstica pode ser aplicada a todas as relações de con-
vivência cotidiana.
Letra a.
Conforme se observa na própria redação da violência doméstica, há uma situação especí-
fica para os casos em que a lesão seja grave, gravíssima ou seguida de morte, em que 
a pena será aumentada de 1/3 (§ 10). Dessa forma, conclui-se que o dispositivo que trata 
da violência doméstica em si (§ 9º) discorre a respeito de uma lesão leve.
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De fato, a violência doméstica é uma qualificadora, mas por ser praticado contra CCADI (as-
cendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro), e não qualificada pelo resultado.
Quanto à letra “c”, cabe uma importante explicação: vias de fato são casos em que se 
ameaça a integridade física pela prática de atos de ataque ou violência contra pessoa, 
desde que não resulte em lesões corporais. São os atos agressivos de provocação 
praticados contra alguém. Não se pode aplicar a qualificadora de violência doméstica, pois 
esta é praticada mediante lesão, sendo incompatível com casos de vias de fato.
94. (2021/FGV/TJ-PR/JUIZ SUBSTITUTO) Antônio, 19 anos de idade, filho de José, agre-
diu reiteradas vezes Pedro, marido de seu pai. O agressor residia com o casal, na casa 
de seu genitor. Chegando o processo ao Judiciário, o juiz impôs medida protetiva em 
favor do casal, José e Pedro, determinando que o agressor se afastasse de ambos, 
proibindo-o de manter contato ou se aproximar das vítimas. Houve descumprimento da 
medida por parte do agressor, com ingresso na casa paterna, mas com consentimento 
de José, e nova agressão a Pedro, que chamou força policial, sendo Antônio levado à 
delegacia policial. Nesse caso, as figuras típicas em análise são:
a. lesão corporal (art. 129, caput, do CP).
b. lesão corporal (art. 129, caput, do CP), invasão de domicílio (art. 150, caput, do CP) 
e descumprimento de medida protetiva (art. 24-A, caput, da Lei n. 11.340/2006).
c. violência doméstica (art. 129, § 9º, do CP).
d. violência doméstica (art. 129, § 9º, do CP) e descumprimento de medida protetiva 
(art. 24-A, caput, da Lei n. 11.340/2006).
e. violência doméstica (art. 129, § 9º, do CP), invasão de domicílio (art. 150, caput, do 
CP) e descumprimento de medida protetiva (art. 24-A, caput, da Lei n. 11.340/2006).
Letra c.
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95. (2020/CEBRASPE/POLÍCIA CIVIL DO DISTRITO FEDERAL/ESCRIVÃO DE POLÍCIA 
CIVIL/19º SIMULADO) Carlos França, maior imputável, em discussão com sua esposa, 
Camila França, atingiu sua honra subjetiva ao usar termos pejorativos em relação a sua 
cor. Em seguida, desferiu um soco no braço da vítima, produzindo lesões leves. Diante 
desses fatos, Camila procura a Polícia Civil e Carlos França é preso em flagrante. Já 
na audiência de custódia, diante da representação do Ministério Público, a prisão de 
Carlos é convertida em preventiva. Entretanto, antes que fosse conduzido ao presídio, 
Carlos consegue fugir, pois as algemas haviam sido mal empregadas, de forma culpo-
sa, pelo policial penal que realizava sua escolta.
A lesão corporal praticada por Carlos França contra sua esposa é crime de menor po-
tencial ofensivo.
Errado.
Não há que se falar em crime de menor potencial ofensivo quando for praticado em situa-
ção de violência doméstica e contra a mulher. Contudo, se o crime for de violência domés-
tica, mas a vítima for um homem, então os institutos da Lei n. 9.099/1995 serão aplicáveis.
Pessoa com deficiência e aumento de pena na lesão corporal leve com violência 
doméstica:
Violência Doméstica (Incluído pela Lei n. 10.886, 
de 2004)
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, 
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou 
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, 
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, 
de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada 
pela Lei n. 11.340, de 2006) Violência Doméstica 
(Incluído pela Lei n. 10.886, de 2004)
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, 
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou 
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, 
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, 
de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada 
pela Lei n. 11.340, de 2006)
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será 
aumentadade um terço se o crime for cometido 
contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído 
pela Lei n. 11.340, de 2006)
Como foi dito, a lesão corporal leve cometida com violência doméstica terá a pena de três 
meses a três anos (crime qualificado). Se o sujeito passivo do crime, além de ser qualquer 
pessoa abarcada pela hipótese explicada no item anterior, for pessoa com deficiência, a 
pena será aumentada de 1/3.
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ATENÇÃO
Para incidir a causa de aumento de pena de 1/3, é preciso haver a soma de dois fatores: a víti-
ma deve ser pessoa com deficiência + ligada ao autor do crime pelos laços estampados no § 9º.
O aumento de pena não tem incidência sobre as demais figuras de lesão corporal (culposa, 
dolosa, graves, gravíssimas e seguidas de morte), uma vez que o § 11 do art. 129 refere-se 
exclusivamente ao § 9º.
Lesão corporal contra a mulher
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo 
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código: (Incluído pela Lei n. 
14.188, de 2021)
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). (Incluído pela Lei n. 14.188, de 2021)
Com a lei, a lesão corporal praticada contra a mulher passou ser hipótese qualificadora do 
crime, isto é, ainda que a lesão seja leve, incidirá a pena do § 13.
É preciso lembrar que para a lesão corporal praticada com violência contra a mulher não se 
aplicam as disposições da Lei dos Juizados Especiais (art. 41 da Lei n. 11.340/2006) e que 
a ação penal será sempre pública incondicionada (Súmula 542 do STJ). Com isso, ainda 
que a pena mínima seja de 1 (um) ano, não caberá suspensão condicional do processo.
96. (2018/POLÍCIA CIVIL DE GOIÁS/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) Preenchidos 
os requisitos legais para concessão da benesse, é possível aplicar ao crime de lesão 
corporal de natureza leve praticado em situação de violência doméstica e familiar contra 
a mulher a suspensão condicional da pena.
Certo.
O STJ entende que os benefícios da Lei n. 9.099/95 não serão aplicáveis aos casos de 
violência doméstica e familiar contra a mulher. Contudo, a suspensão condicional da pena 
é prevista no Código Penal, artigo 77 a 79 e tem como requisitos:
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, 
poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: (Redação dada 
pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)
I – o condenado não seja reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei n. 
7.209, de 11.7.1984)
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II – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, 
bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; 
(Redação dada pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)
III – Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código. 
(Redação dada pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)
Lembrando que o STJ também entende ser inaplicável o princípio da insignificância e a 
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em caso de violência 
doméstica e familiar.
O STJ entende que os benefícios da Lei n. 9.099/1995 não serão aplicáveis aos casos 
de violência doméstica e familiar. Contudo, a suspensão condicional da pena é prevista 
no Código Penal (artigo 77 a 79) e, portanto, pode ser aplicada ao caso.
Lembrando que o SURSIS da pena tem como requisitos: (I) que o condenado não seja 
reincidente em crime doloso; (II) que a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e 
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão 
do benefício; e (III) que não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 do CP.
Lesão corporal grave
Lesão corporal de natureza grave
§ 1º Se resulta:
I – Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II – perigo de vida;
III – debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV – aceleração de parto:
Pena – reclusão, de um a cinco anos.
A lesão corporal grave, assim como a lesão corporal gravíssima, constitui crime qualificado 
pelo resultado, na modalidade preterdolosa, ou seja, a lesão corporal é dolosa e o resulta-
do agravador é culposo.
Atenção! Parte da doutrina entende que nem todas as lesões graves (grave ou gravís-
sima) são preterdolosas, ou seja, para eles, há hipóteses em que tanto a lesão quanto o 
resultado agravador são dolosos.
Essas qualificadoras possuem natureza objetiva, assim, comunicam-se aos coatores e partí-
cipes se praticadas em concurso de pessoas e forem do conhecimento de todos os envolvidos.
O § 1º tipifica as lesões nominadas de lesões graves e, para elas, estipulou a pena de reclusão 
de 1 (um) a 5 (cinco) anos, sendo, portanto, infração penal de médio potencial ofensivo. E, 
em razão de a pena mínima ser de 1 (um) ano, é cabível o benefício da suspensão condicio-
nal do processo, desde que presentes os demais requisitos do art. 89 da Lei n. 9.099/1995.
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A primeira hipótese de lesão grave é a incapacidade para as ocupações habituais por mais 
de 30 dias (inciso I). Entende-se como ocupação habitual qualquer atividade, seja física ou 
mental, que a vítima pratique habitualmente, e não apenas atividades relacionadas ao trabalho.
A incidência da qualificadora independe da idade da vítima, assim, se houver a incapaci-
dade para as ocupações habituais de um idoso ou de uma criança de tenra idade, estará 
caracterizada a qualificadora.
Trata-se de crime a prazo, pois somente se concretiza após o decurso do prazo de trinta 
dias. Em decorrência desse lapso temporal, é necessário realizar dois exames periciais 
(art. 168, § 2º, do CPP): um assim que a agressão ocorre e o exame complementar, efetu-
ado logo que decorra o prazo de trinta dias.
Atenção! Esse prazo tem natureza penal, assim, na contagem do prazo, inclui-se o dia de 
começo e exclui-se o dia de término (art. 10, CP).
A segunda hipótese de lesão grave está estampada no inciso II: perigo de vida. Esse 
perigo de morte (acho que essa expressão seria a mais correta, não?!) deve ser concreto 
e comprovado por perícia médica, que indicará de modo preciso e fundamentado o que 
constituiu esse perigo. Ou seja, não se admite que o perigo de morte seja presumido, sen-
do necessário um prognóstico médico.
A terceira hipótese é a debilidade permanente de membro, sentido ou função (inciso 
III). A debilidade é a diminuição da capacidade funcional do membro (exemplo: braços, per-
nas), sentido (exemplo: visão, audição, paladar) ou função (exemplo: função respiratória) e 
essa debilidade deve ser permanente (duradoura e de recuperação incerta).
Atenção! A recuperação de membro, sentido ou função por meio cirúrgico ou ortopédico 
não acarreta a exclusão da qualificadora, pois a vítima não é obrigada a se submeter a tais 
procedimentos.
A quarta e derradeira hipótese de lesão corporal grave é a aceleração do parto (inci-
so IV). A aceleração do parto ocorre com a antecipação do momento em que deveria ocor-
rer. Só incidirá essa qualificadora se a criança nascer viva e continua a viver; se a criança 
for expulsa do ventre morta ou se falece logo após, então o crime será de lesão corporal 
gravíssima em decorrência do aborto (art. 129, § 2º, V, CP).
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97. Pratica lesão corporal grave o agente que lesiona uma prostituta causando a incapaci-
dade de desempenhar programas sexuais por quarenta dias.
Certo.
Caracteriza a qualificadora do inciso I sempre que a lesão acarretar na vítima a incapacidade das 
ocupações habituais lícitas por mais de trinta dias. Assim, como a prostituição é uma atividade 
lícita (o que é ilícito é ser o cafetão– promoter da prostituta), haverá a incidência da qualificadora.
Situação diferente seria se, em decorrência da lesão, um traficante ficasse impossibilitado 
de vender suas mercadorias, já que o tráfico é crime (art. 33, Lei n. 11.343/2006).
98. A perda de um dos órgãos, em caso de órgãos duplos, caracteriza o crime de lesão 
grave pela debilidade permanente.
Certo.
Se forem órgãos duplos (exemplo: rins e olhos), a perda de um deles será lesão grave. 
Se a pessoa perder ambos, será lesão gravíssima. E se não for órgão duplo, será lesão 
corporal gravíssima, isto é, se não acarretar na morte da vítima.
99. (2021/FGV/IMBEL/ADVOGADO) Francisco decide matar Antônio, ao descobrir que este 
seria promovido no trabalho em seu lugar. Para tanto, mistura uma pequena quantidade 
de veneno em uma bebida e, aproveitando-se de uma confraternização no local de tra-
balho, serve a bebida a Antônio, que, após a ingestão, começa a se contorcer de dor.
Antônio percebe que está ficando sem ar e diz a Francisco que ele sempre foi um ex-
celente amigo e que será uma pena não poderem mais trabalhar juntos. Ouvindo tais 
palavras, Francisco coloca Antônio em seu carro e dirige-se ao hospital, informando aos 
médicos o veneno que colocou na bebida servida a Antônio. Antônio fica internado por 
dois meses, mas sobrevive, sendo certo que os médicos atestam que se não fosse a 
ação rápida de Francisco, Antônio teria morrido.
Assinale a opção que indica a responsabilidade penal de Francisco.
a. Tentativa de homicídio qualificado pelo emprego de veneno.
b. Lesão corporal grave.
c. Lesão corporal culposa.
d. Nenhuma responsabilidade penal, em razão do arrependimento eficaz.
e. Tentativa de homicídio, com atenuação de pena pelo arrependimento eficaz.
Letra b.
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100. (2004/CESPE/POLÍCIA FEDERAL/AGENTE FEDERAL DA POLÍCIA FEDERAL – NA-
CIONAL) Vítor desferiu duas facadas na mão de Joaquim, que, em consequência, pas-
sou a ter debilidade permanente do membro. Nessa situação, Vítor praticou crime de 
lesão corporal de natureza grave, classificado como crime instantâneo.
Certo.
Crime instantâneo é aquele que se consuma em determinado momento.
101. (2018/CEBRASPE/POLÍCIA CIVIL DO MARANHÃO/PERITO CRIMINAL – ADAPTADA) 
Mário, ao envolver-se em uma briga, lesionou Júlio.
Nessa situação hipotética, Mário responderá por lesão corporal de natureza grave se 
tiver provocado em Júlio debilidade permanente de função, como, por exemplo, a redu-
ção da capacidade mastigatória pela perda dentária.
Certo.
A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art. 
129, § 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP). A perda de dois dentes 
pode até gerar uma debilidade permanente (§ 1º, III), ou seja, uma dificuldade maior da 
mastigação, mas não configura deformidade permanente (§ 2º, IV) (Info 590/STJ).
Lesão corporal gravíssima
§ 2º Se resulta:
I – Incapacidade permanente para o trabalho;
II – enfermidade incurável;
III – perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV – deformidade permanente;
V – aborto:
Pena – reclusão, de dois a oito anos.
A primeira coisa que é preciso esclarecer é que a denominação “lesão corporal gravíssima” 
é fruto de construção doutrinária. O Código Penal trata genericamente como “lesão corporal 
grave”, mas trouxe penas distintas e, por isso, a doutrina nomeou como lesão gravíssima.
A pena da lesão corporal gravíssima é de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e, assim, não é crime de 
menor potencial ofensivo e nem cabe a suspensão condicional do processo.
A primeira hipótese de lesão corporal gravíssima é a incapacidade permanente para 
o trabalho (inciso I). A incapacidade permanente compreende toda e qualquer incapaci-
dade que não tenha um limite temporal pré-definido de recuperação.
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Diferentemente da lesão grave, aqui, a atividade deve ser necessariamente uma atividade 
remunerada (um trabalho). A doutrina ainda diz que essa incapacidade deve ser para o 
trabalho em geral, ou seja, e não apenas o trabalho/atividade que exercia. Mas aqui é ne-
cessário ponderar. Veja o que Marvim de Oliveira (2017) diz sobre o tema.
Exemplificativamente, não há falar em qualificadora quando a vítima, outrora ci-
rurgião cardíaco, não mais pode mais desempenhar essa atividade, mas nada a 
impede de ser clínico-geral. Mas a lesão corporal será gravíssima quando essa 
mesma vítima somente puder trabalhar como faxineiro depois da prática do crime.
A segunda hipótese de lesão gravíssima é a enfermidade incurável (inciso II), que 
nada mais é do que a alteração prejudicial da saúde e que não pode ser combatida de ma-
neira eficaz com os recursos da medicina disponíveis à época do crime ou que dependa de 
procedimento cirúrgico complexo ou penoso.
Atenção! Incidirá a qualificadora se a recuperação da vítima depender de procedimento 
cirúrgico complexo, mas se a cirurgia for simples, não será a hipótese desta qualificadora.
O inciso III diz que qualifica o crime a perda ou inutilização de membro, sentido ou 
função. A perda é retirada do membro, sentido ou função, que pode ocorrer por mutilação 
ou amputação. Na inutilização, o membro ou órgão continua no corpo da vítima, mas não 
consegue desempenhar suas funções (exemplo: paralisia em decorrência da lesão).
A quarta hipótese de lesão gravíssima é aquela que resulta em deformidade perma-
nente (inciso IV). Essa qualificadora está diretamente ligada a questões estéticas, assim, a 
deformidade permanente é aquela alteração (não desejada) em alguma parte do corpo da ví-
tima (visível, mas não necessariamente no rosto) e que perdura por longo tempo (permanen-
te não se confunde com perpetuidade). Veja o que o STJ decidiu sobre o assunto neste ano:
A qualificadora prevista no art. 129, § 2º, inciso IV, do Código Penal (de-
formidade permanente) abrange somente lesões corporais que resultam em 
danos físicos.
STJ. 6ª Turma. HC 689.921-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 08/03/2022 
(Info 728).
Entende-se que são causas aptas a afastar a qualificadora de deformidade permanente:
• A correção da deformidade com o emprego de prótese;
• A possibilidade de ocultação da deformidade com acessórios;
• A reparação da deformidade em razão de cirurgia estética reparadora.
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O aborto (inciso V) é a última hipótese de lesão gravíssima. Para que seja o crime de lesão 
corporal gravíssima (e não o crime de aborto), é necessário que a morte do feto tenha sido 
provocada culposamente (crime preterdoloso). Na hipótese de aborto doloso, o agente res-
ponderá por lesão corporal em relação a mãe e aborto sem o consentimento da gestante 
em relação ao feto, em concurso formal impróprio.
102. É possível a caracterização simultânea de dois crimes de lesão corporal gravíssima na 
hipótese em que há duas ou mais modalidades de lesão corporal gravíssima e, nesse 
caso, é o que se chama de crime duplamente qualificado.
Errado.
Pode até existir duas hipóteses de qualificadora, mas estará configurado crime único. Nada 
impede, contudo, que essa outra circunstância qualificadora seja utilizada para incremen-
tar a pena base como circunstância judicial desfavorável (art. 59, caput, CP).
103. (2021/CEBRASPE/PC-AL/AGENTE DE POLÍCIA – PROVA ANULADA) O agente que 
jogar óleo quente na vítima, com animus laedendi, causando, assim, deformidade per-
manente nela, segundo laudo médico, cometerá crime de lesão corporal gravíssima.
Certo.
104. (2021/FGV/PC-RN/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL SUBSTITUTO) Saulo se desenten-
deu, na fila do caixa de um supermercado, com outra consumidora, Viviane, que estava 
no 8º mês de gestação, e lhe desferiu um fortíssimo soco no rosto. Em razão do golpe, 
Viviane perdeuvenéreo (art. 120, CP), pois a AIDS 
não é moléstia venérea e não é transmitida apenas sexualmente. O STF, contudo, já disse que 
a conduta pode configurar o crime de perigo de contágio de moléstia grave (art. 121), crime 
de lesão corporal gravíssima ou, ainda, crime de homicídio. Tudo depende do dolo do agente.
5. (2018/FUNDATEC/PC-RS/ESCRIVÃO E DE INSPETOR DE POLÍCIA – TARDE) O dolo 
do homicídio pode ser direto (o agente quer o resultado) ou eventual (o agente assume 
o risco de produzi-lo).
Letra c.
6. (2018/FGV/TJ-AL/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Arlindo desferiu diver-
sos golpes de faca no peito de Tom, sendo que, desde o início dos atos executórios, 
tinha a intenção de, com seus golpes, causar a morte do seu desafeto. No início, os 
primeiros golpes de faca causaram lesões leves em Tom. Na quarta facada, porém, as 
lesões se tornaram graves, e os últimos golpes de faca foram suficientes para alcançar 
o resultado morte pretendido.
Arlindo, para conseguir o resultado final mais grave, praticou vários atos com crescen-
tes violações ao bem jurídico, mas responderá apenas por um crime de homicídio por 
força do princípio da:
a. subsidiariedade, por se tratar de progressão criminosa.
b. alternatividade, por se tratar de crime progressivo.
c. consunção, por se tratar de progressão criminosa.
d. especialidade, por se tratar de progressão criminosa.
e. consunção, por se tratar de crime progressivo.
Letra e.
A questão busca saber da aplicação do princípio da consunção. Como a intenção do 
agente era, desde o princípio, a morte de Tom, é caso de crime progressivo, ou seja, o 
dolo sempre foi atingir o resultado mais grave, mas, para que isso fosse possível, o agente 
precisou praticar conduta menos grave.
Na progressão criminosa (há mudança de dolo), o dolo inicial era menos grave e, poste-
riormente, o agente resolve executar um crime mais grave. Já no crime progressivo (meio 
necessário), desde o princípio o agente quer praticar a conduta mais grave, mas, para isso, 
precisa praticar conduta menos grave como meio para alcançar um crime mais grave.
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d. Consumação e tentativa
A consumação do crime de homicídio se dá com a morte do indivíduo, ou seja, no momento 
em que há a cessação da atividade encefálica. Por isso que se diz que o homicídio é um crime 
material e instantâneo, pois a consumação requer um resultado naturalístico (a morte do indi-
víduo) que ocorre num momento determinado, sem continuidade no tempo (morte encefálica).
Quanto ao momento da consumação, é importante salientar que parte da doutrina considera 
ser mais adequada a classificação como crime instantâneo de efeitos permanentes, já que a 
morte ocorre num determinado momento, mas os efeitos dela são irreversíveis e persistentes.
A tentativa (conatus) é permitida, uma vez que é possível o fracionamento do iter cri-
minis. Isso quer dizer que, após dar início à prática delituosa, o sujeito ativo pode desistir de 
dar continuidade aos atos (desistência voluntária) ou ser impedido de continuar (tentativa).
e. Classificação do homicídio:
• Simples: possui um único bem jurídico protegido.
• Bicomum: pode ter qualquer pessoa como sujeito ativo e passivo.
• Material: a consumação requer um resultado naturalístico.
• De forma livre: admite qualquer meio de execução.
• Comissivo ou omissivo: a regra é que seja comissivo (por ação), mas é possível que 
seja praticado por omissão, quando houver o dever de agir.
• Instantâneo (para a doutrina majoritária) ou instantâneo de efeitos permanentes: 
instantâneo, porque a consumação se dá num momento específico e determinado; ins-
tantâneo de efeitos permanentes em razão de os efeitos serem irreversíveis.
• Unissubjetivo, unilateral ou de concurso eventual: praticado por um só agente ou 
por vários em concurso de pessoas.
• Plurissubsistente: o iter criminis pode ser fracionado.
• Crime progressivo: para alcançar o resultado mais grave, passa, necessariamente, 
pelo menos grave.
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Homicídio privilegiado
Caso de diminuição de pena
§ 1º Se o agente comete o crime IMPELIDO por motivo de relevante valor social 
ou moral, ou sob o DOMÍNIO de violenta emoção, logo em seguida a injusta 
provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço (- 1/6 a 
1/3) (destaques nossos).
Primeiramente, é importante saber que a nomenclatura “homicídio privilegiado” é uma cons-
trução doutrinária, já que o texto do Código Penal diz apenas que é uma causa de diminuição 
de pena. A relevância de se saber a natureza jurídica de qualquer instituto reside na forma de seu 
tratamento, pois, tendo essa natureza jurídica de causa de diminuição de pena, incide na terceira 
fase de dosimetria da pena, e, assim, pode transpor os limites máximo e mínimo da pena base.
Vamos imaginar a seguinte situação hipotética: Ricardo, conhecido por suas brinca-
deiras de mau gosto, certo dia ultrapassa todos os limites e utiliza de bullying para provocar 
João. Ricardo o fez de tal forma que faz João ser tomado de violenta emoção e, com isso, 
João acaba por matar Ricardo.
Ao analisar o caso, o Juiz, atentando-se ao disposto no art. 68 do CP, aplica a pena 
de quatro anos de reclusão em razão do seguinte cálculo: na primeira fase da dosimetria da 
pena, analisando o art. 59 do CP, o Juiz entende por aplicar a pena no mínimo legal (seis 
anos). Na segunda fase, vê-se a presença da atenuante etária (art. 65, I “ser o agente menor 
de 21 anos, na data do fato”), mas, por força da Súmula 231 do STJ, essa circunstância não 
poderá ser aplicada a João, já que sua pena já estava no mínimo legal. Na terceira fase da 
dosimetria, o Juiz reconheceu a presença da circunstância privilegiadora da violenta emoção, 
o que enseja a aplicação causa de diminuição de pena do § 1º do art. 121. Ao analisar o caso 
concreto, o Juiz entende que João faz jus à diminuição de 1/3 da pena. Aqui, mesmo a pena 
já estando no mínimo legal previsto no art. 121 do CP, haverá a incidência da diminuição de 
pena, ficando a pena final em quatro anos (pena base - 1/3 = 4 anos).
Essa causa de diminuição de pena apresenta um caráter subjetivo, já que diz respeito 
a emoções do agente. Justamente por possuir caráter subjetivo, não é comunicável aos 
demais coautores ou partícipes, pois, de acordo com o art. 30 do CP, “não se comunicam 
as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.”
Lembra do caso hipotético de João e Ricardo? Imagine a mesma situação, mas, agora, 
com o acréscimo de Maria. Maria, namorada de João, ao chegar e se deparar com a cena de 
João agredindo Ricardo, sem saber ao certo as razões daquele fato, adere a João e, juntos, 
acabam por matar Ricardo. Nesse caso, como Maria não ostentava as circunstâncias privi-
legiadoras, responderá por homicídio simples sem qualquer causa de diminuição de pena, 
enquanto João responderá por homicídio privilegiado.
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7. (2014/UFMT/MPE-MT/PROMOTOR DE JUSTIÇA/ADAPTADA) O denominado homicí-
dio privilegiado se constitui em uma causa de diminuição de pena prevista no art. 121, 
§ 1º, do Código Penal. O dispositivo tem caráter subjetivo, razão pela qual, em confor-
midade com o art. 30 do Código Penal, não se comunica aos autores e partícipes.
Certo.
É exatamente isso. Veja o que o art. 30 dispõe: “Art. 30 - Não se comunicam as circunstân-
cias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime”.
Pense: se as circunstâncias são PESSOAIS, por qual razão ela comunicaria aos agentes 
que não sustentam aquelas circunstâncias? Somente nos casos em que forem elementa-
res do crime, ou seja, constituírem parte/requisito do crime.
A despeito de o § 1º afirmar que o Juizo equilíbrio e caiu com a barriga no chão. Ao ser levada ao hospital, foi 
constatado que Viviane apresentava lesão leve na face, mas que havia perdido o bebê 
em decorrência da queda.
Considerando o estado gravídico evidente de Viviane, a conduta praticada por Saulo 
configura o crime de:
a. lesão corporal seguida de morte.
b. lesão corporal qualificada pelo aborto.
c. aborto na modalidade dolo eventual, apenas.
d. aborto culposo, ficando a lesão corporal absorvida.
e. lesão corporal leve em concurso formal com aborto na forma culposa.
Letra b.
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105. (2020/CEBRASPE/DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL/AGENTE 
FEDERAL DE EXECUÇÕES PENAIS – 4º SIMULADO) Situação hipotética: José, com 
animus laedendi, feriu João, provocando-lhe a emasculação. Assertiva: Pode-se afirmar 
que José praticou, em tese, o crime de lesão corporal gravíssima.
Certo.
O animus laedendi significa a intenção de ferir, de ofender (é dolo de lesão). Emasculação 
significa castração, com isso, a perda da função reprodutora. Desse modo, José respon-
derá por lesão corporal gravíssima ao provocar em João a perda da função reprodutora.
106. (2019/CEBRASPE/DEFENSORIA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL/DEFENSOR 
PÚBLICO DE SEGUNDA CATEGORIA – 2º SIMULADO) A qualificadora “deformidade 
permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por 
posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a deformidade na vítima.
Certo.
Procurar jurisprudência. Para o STJ, “a realização de cirurgia estética posteriormente à 
prática do delito não afeta a caracterização, no momento do crime constatada, de lesão 
geradora de deformidade permanente seja porque providência não usual (tratamento cirúr-
gico custoso e de risco), seja porque ao critério exclusivo da vítima.” (HC n. 306.677/RJ)
107. (2016/FUNCAB/PC-PA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) Considerando apenas as in-
formações existentes nas alternativas, assinale aquela que caracteriza crime de lesão 
corporal gravíssima (art. 129, § 2º, do CP).
a. Queimar culposamente significativa parte do corpo da vítima, de modo a causar-lhe 
deformidade permanente.
b. Lesionar a vítima dolosamente, causando-lhe por culpa incapacidade permanente 
para o trabalho.
c. Provocar dolosamente a perda de audição em um dos ouvidos da vítima.
d. Transmitir a vítima, intencionaImente, enfermidade grave, mas curável.
e. Agredir a vitima com intenção de interromper sua gravidez mediante aborto, o que 
efetivamente ocorre.
Letra b.
A doutrina e a jurisprudência dizem que a lesão gravíssima é sempre um crime qualificado pelo 
resultado. Em alguns casos, o resultado agravador é produzido a título de dolo (ex.: inciso I) e, 
em outros, é produzido a título de culpa, pois a modalidade dolosa configura crime autônomo.
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Assim, se
(a) Na verdade, essa hipótese é de lesão corporal culposa. Perceba que a conduta foi 
praticada culposamente, sendo assim, independentemente da gradação do resultado des-
sa conduta, a tipificação será a mesma: lesão corporal culposa.
Contudo, se o resultado deformidade permanente em razão da queimadura fosse culposo, 
mas a conduta de atear fogo fosse dolosa, então seria lesão corporal gravíssima (só não 
sei como alguém atearia fogo dolosamente, mas sem a intenção de causar deformidade. 
Você sabe, canga?).
(b) É a correta.
(c) É um crime específico, não lesão corporal.
(d) Se o resultado aborto foi causado a título de culpa, configura lesão gravíssima. Con-
tudo, se o agente agiu com intenção de causar aborto (dolo quanto ao resultado), então 
responderá pelo crime de aborto.
Lesão corporal seguida de morte
Lesão corporal seguida de morte
§ 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o 
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:
Pena – reclusão, de quatro a doze anos (grifos nossos).
Essa modalidade de lesão corporal é o único crime autenticamente preterdoloso tipifi-
cado no Código Penal, pois o legislador foi explícito ao exigir o dolo antecedente (lesão 
corporal) e a culpa no resultado agravador (morte: “não quis o resultado nem assumiu o 
risco de produzi-lo”).
Perceba que o resultado é culposo, mas teve origem (relação de causalidade) com a con-
duta dolosa do agente. Assim, se a morte não for causada pela agressão, o resultado mor-
te não pode ser imputado ao agente.
Por ser um crime preterdoloso, não admite tentativa.
108. Responde por lesão corporal seguida de morte o agente que pratica lesão corporal cul-
posa e, de sua conduta, advém o resultado morte.
Errado.
A lesão corporal seguida de morte tem como pressuposto necessário uma lesão corporal 
dolosa. Se o agente pratica lesão corporal culposa ou vias de fato e, com isso, advém o re-
sultado morte também de forma culposa, deverá responder por homicídio culposo, ficando, 
assim, absorvido o delito mais leve.
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109. (2012/CEBRASPE/PC-AL/DELEGADO DE POLÍCIA) A lesão corporal seguida de mor-
te não se confunde com o homicídio culposo, pois, na primeira situação, chamada de 
homicídio preterdoloso, ocorre o dolo. Nesse caso, o autor tem a intenção de provocar 
a lesão corporal, mas não a morte da vítima.
Certo.
Perceba que o que diferencia é o dolo do agente. No homicídio há o dolo de matar. Na 
lesão corporal com resultado morte, o dolo era de lesionar e o resultado ocorreu sem que 
o agente tivesse assumido o risco de produzi-lo.
Assim, observamos uma conduta, inicialmente, dolosa e um resultado agravador culposo. 
Afirma-se que, no crime preterdoloso, há DOLO no antecedente (conduta) e CULPA no 
consequente (resultado).
110. (2021/FCC/DPE-BA/DEFENSOR PÚBLICO) Em 12/3/2021, Fernando chegou em casa 
alcoolizado e após discussão por ciúme, desferiu dois fortes socos no olho de sua es-
posa Vitória. Em seguida, Fernando disse que “não quer que ela fique novamente de 
conversa com outros homens na rua” e saiu de casa. Vitória pediu ajuda a vizinhos que 
a encaminharam ao pronto-socorro para os devidos cuidados. Em razão dos ferimen-
tos, Vitória precisou ser submetida a pequena cirurgia, que necessitou de cinco dias de 
observação no hospital, mas após alta médica poderia voltar às suas atividades habi-
tuais normalmente. Contudo, no último dia se sentiu mal e realizou exames no hospital, 
tendo sido constatada infecção por Covid-19, que ocorrera no hospital. Em razão das 
complicações do vírus, Vitória seguiu internada no hospital e morreu vinte e um dias 
depois. Diante dos fatos narrados, Fernando deve responder por
a. lesão corporal em situação de violência doméstica.
b. lesão corporal seguida de morte.
c. feminicídio.
d. crime nenhum, pois o fato é atípico.
e. tentativa de homicídio.
Letra a.
Lesão corporal privilegiada
Diminuição de pena (privilégio) 
§ 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou 
moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provo-
cação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço (grifos nossos).
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Essa causa de diminuição de pena incide única e exclusivamente nas lesões corporais 
dolosas, em quaisquer de suas modalidades: leve, grave, gravíssima ou seguida de morte.
Em razão de já termos explicado detalhadamente as hipóteses e minúcias do privilégio 
quando tratamos do homicídio, peço que retorne ao item para fazer aquela revisão marota.
111. (2012/CEBRASPE/PC-AL/DELEGADO DE POLÍCIA) Considere que José, penalmente 
imputável, horas após ter sido injustamente provocado por João, agindo sob influência 
de violenta emoção, tenha desferido uma facada em João com a intençãode lesionar-
-lhe, o que resultou em sua morte. Nessa situação, impõe-se em benefício de José, o 
reconhecimento do homicídio privilegiado.
Errado.
Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob 
o DOMÍNIO (e não mera influência) de violenta emoção, LOGO EM SEGUIDA (e não horas 
após) a injusta provocação da vítima.
Lesão corporal contra integrantes dos órgãos de segurança pública
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 
da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Se-
gurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu côn-
juge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condi-
ção, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído pela Lei n. 13.142, de 2015)
Diferentemente do homicídio, aqui, na lesão corporal, o fato de a vítima ser agente de segu-
rança pública é causa de aumento de pena e é aplicável exclusivamente à lesão corporal 
dolosa, em quaisquer de suas modalidades (leve, grave, gravíssima ou seguida de morte).
ATENÇÃO
As mesmas circunstâncias que caracterizam uma qualificadora no crime de homicídio en-
sejam, na lesão corporal, uma causa de aumento de pena!
Em razão de todo o detalhamento dessa circunstância já ter sido explicado quando trata-
mos do homicídio, peço para que retome ao item para revisar o assunto.
Atenção! A lesão corporal gravíssima e a lesão corporal seguida de morte é crime hedion-
do quando praticada nas condições aqui estudadas (§ 12)
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112. (2020/VUNESP/2020/PREFEITURA DE FERRAZ DE VASCONCELOS – SP/GUARDA 
MUNICIPAL) Com relação aos crimes contra a pessoa, previstos no Código Penal, é 
correto afirmar que
a. o homicídio praticado contra parente consanguíneo até terceiro grau da esposa será 
considerado violência doméstica em razão dessa condição.
b. a lesão corporal praticada contra o cônjuge do Guarda Civil Municipal, em razão 
dessa condição, terá a pena aumentada.
c. crime doloso contra a vida de mulher é feminicídio e contra a vida do homem é 
homicídio.
d. a omissão de socorro é considerada um crime essencialmente doloso que, excepcio-
nalmente, admite a modalidade culposa.
e. violência doméstica é crime doloso contra a vida ou a integridade exclusivamente da 
esposa em razão dessa condição.
Letra b.
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REFERÊNCIAS
BARBOSA, Igor de Andrade; PEIXOTO, Ana Raquel de Mattos Saboia. A situação jurídica 
do filho adotivo no homicídio funcional: um estudo da divergência entre o princípio da lega-
lidade e o princípio da igualdade. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/73573/a-situa-
cao-juridica-do-filho-adotivo-no-homicidio-funcional/3. Acesso em: 15 ago. 2022.
DE OLIVEIRA, Marvim Sabino Alves. Lesão corporal: particularidades e características. 
BIC, Belo Horizonte, v. 4, n. 1, p. 154-183, 2017. Disponível em: file:///C:/Users/Online/
Downloads/187-Article%20Text-644-2-10-20171130.pdf. Acesso em: 17 ago. 2022.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui-
cao.htm. Acesso em: 17 ago. 2022. 
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto-Lei n. 2.848/1940. Código Penal. Dispo-
nível em: planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 17 ago. 2022.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 520. Disponível em: https://www.stj.jus.br/
publicacaoinstitucional/index.php/informjurisdata/issue/view/688. Acesso em: 17 ago. 2022.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 525. Disponível em: https://www.stj.jus.br/publi-
cacaoinstitucional/index.php/informjurisdata/issue/view/683/showToc. Acesso em: 17 ago. 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 537. Disponível em: https://www.stj.jus.br/
publicacaoinstitucional/index.php/informjurisdata/issue/view/671. Acesso em: 17 ago. 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 554. Disponível em: https://www.stj.jus.br/publi-
cacaoinstitucional/index.php/informjurisdata/issue/view/655/showToc. Acesso em: 17 ago. 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 583. Disponível em: https://www.stj.jus.br/publi-
cacaoinstitucional/index.php/informjurisdata/issue/view/626/showToc. Acesso em: 17 ago. 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 625. Disponível em: https://www.stj.jus.br/
publicacaoinstitucional/index.php/informjurisdata/issue/view/585. Acesso em: 17 ago. 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 665. Disponível em: https://www.stj.jus.br/pu-
blicacaoinstitucional/index.php/Informjuris20/issue/view/505/showToc. Acesso em: 17 ago. 2022. 
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https://jus.com.br/artigos/73573/a-situacao-juridica-do-filho-adotivo-no-homicidio-funcional/3
https://jus.com.br/artigos/73573/a-situacao-juridica-do-filho-adotivo-no-homicidio-funcional/3
108
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BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 677. Disponível em: https://www.stj.jus.br/publi-
cacaoinstitucional/index.php/Informjuris20/issue/view/1811/showToc. Acesso em: 17 ago. 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 679. Disponível em: https://www.stj.jus.br/publi-
cacaoinstitucional/index.php/Informjuris20/issue/view/1816/showToc. Acesso em: 17 ago. 2022.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo 701. Disponível em: https://www.stj.jus.br/
publicacaoinstitucional/index.php/Informjuris20/issue/view/2121. Acesso em: 17 ago. 2022.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Informativo 849. Disponível em: https://www.stf.jus.br/
arquivo/informativo/documento/informativo849.htm. Acesso em: 17 ago. 2022.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Informativo 904. Disponível em: https://www.stf.jus.br/
arquivo/informativo/documento/informativo904.htm. Acesso em: 17 ago. 2022.
DIZER O DIREITO. Comentários sobre a Lei 13.142/2015, que trata sobre a lesão corporal e o 
homicídio praticados contra integrantes dos órgãos de segurança pública ou seus familiares. Dis-
ponível em: https://www.dizerodireito.com.br/2015/07/comentarios-sobre-lei-131422015-que.
html#:~:text=Trata%2Dse%20da%20Lei%20n,a%20Lei%20de%20Crimes%20Hediondos.&-
text=1)%20O%20homic%C3%ADdio%20cometido%20contra,rela%C3%A7%C3%A3o%20co-
m%20a%20fun%C3%A7%C3%A3o%20exercida. Acesso em: 17 ago. 2022.
DIZER O DIREITO. Decisão do STF na ADPF 54: não existe crime de aborto de fetos anencéfa-
los. Disponível em: https://www.dizerodireito.com.br/2012/04/decisao-do-stf-na-adpf-54-nao-
-existe.html#:~:text=Marco%20Aur%C3%A9lio%20sustentou%20que%20na,%2C%20n%-
C3%A3o%20existe%20vida%20poss%C3%ADvel%E2%80%9D. Acesso em: 17 ago. 2022.
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https://www.grancursosonline.com.br/assinatura-ilimitada#utm_source=Landing_Page&utm_medium=Materiais_Gratuitos&utm_campaign=anuncio_material_gratuito_AI“pode reduzir a pena”, a doutrina e a jurisprudên-
cia são firmes ao tratarem como causa de redução obrigatória, havendo espaço para a 
discricionariedade apenas no quantum da diminuição, que deve ser motivado à luz do 
caso concreto.
8. (2010/CEBRASPE/MPE-SE/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Estando o agente em uma das 
situações que ensejem o reconhecimento do homicídio privilegiado, o juiz é obrigado a 
reduzir a pena, mas a lei não determina o patamar de redução.
Errado.
Provado o privilégio, o Juiz pode ou deve diminuir a pena? O parágrafo fala em “pode”, 
mas é um dever. Alguns falam em direito subjetivo do réu, mas, como é uma espécie de 
homicídio doloso, julgado pelo Tribunal do Júri, a concessão do privilégio acaba sujeita à 
soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIII, da CF). O que resta no campo do livre conven-
cimento motivado (“pode”) é a quantidade de diminuição.
Lembra que falei sobre a importância de se saber sobre a natureza de crime doloso con-
tra a vida? Então, por ser crime doloso contra a vida, a competência para julgamento e 
reconhecimento das circunstâncias do crime (tanto autoria, materialidade, qualificadoras 
e causas de aumento ou diminuição de pena) é do corpo de jurados do Tribunal do Júri, 
cabendo ao Juiz togado única e exclusivamente fazer a dosimetria do quantum da pena.
9. (2021/INSTITUTO AOCP/PC-PA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) No homicídio, se o 
agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob 
o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz 
pode reduzir a pena de um a dois terços.
Errado.
Atenção para o quantum de diminuição da pena (- 1/6 a 1/3).
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Passadas essas causas gerais de aplicabilidade do instituto, vamos entender cada hipóte-
se de incidência do privilégio, que pode se dar por três circunstâncias:
Relevante valor social OU relevante valor moral
A fim de deixar a explicação mais didática, vou falar sobre essas duas circunstâncias num 
mesmo tópico, mas tenha em mente que são duas circunstâncias diversas: 1) motivo de 
relevante valor social e 2) motivo de relevante valor moral.
Tanto o motivo de relevante valor social quanto o de relevante valor moral são, também, 
circunstâncias atenuantes da pena, previstas no art. 65, III, “a”, do CP. Embora tais circuns-
tâncias sejam, em tese, as mesmas, há três diferenças cruciais entre as atenuantes e essa 
causa de diminuição de pena:
I – as atenuantes incidem na 2ª fase de dosimetria de pena, logo, nesse momento ainda 
há a limitação da pena base, sendo impossível diminuir a pena abaixo do mínimo legal 
previsto na pena em abstrato;
II – as atenuantes são aplicadas a todo e qualquer crime indistintamente; a causa de di-
minuição de pena do art. 121, §1º, CP, por sua vez, aplica-se tão somente ao crime de 
homicídio;
III – para caracterização da atenuante genérica, é suficiente que o crime tenha sido come-
tido por influência de motivo de relevante valor social ou moral, já o privilégio requer que 
o agente tenha atuado impelido por motivo de relevante valor social ou moral.
Agora passemos aos motivos:
O motivo de relevante valor social é aquele que diz respeito a um interesse coletivo, sem 
se considerarem as convicções pessoais do agente. Exemplo: matar o traidor da pátria ou um 
criminoso que cometeu uma chacina. O motivo de relevante valor moral, por outro lado, diz 
respeito a aspectos intrínsecos ao agente. Exemplo: matar o estuprador de sua filha.
10. (2013/IBFC/PC-RJ/OFICIAL DE CARTÓRIO) O homicídio praticado por agente público, 
que tem como vítima o morador de uma comunidade carente suspeito de colaborar com 
os traficantes locais, caracteriza figura privilegiada, em decorrência do relevante valor 
social da conduta.
Errado.
Perceba que, no caso da questão, não há que se falar em relevante valor social. A conduta 
do morador da comunidade não é louvável, mas não cabe a qualquer pessoa, ainda mais 
um agente público, revelar sua insatisfação e ceifar a vida de outrem sob tal pretexto.
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11. (2013/IBFC/PC-RJ/OFICIAL DE CARTÓRIO) O pai de um jovem viciado em “crack” que, 
em ato de desespero, mata o traficante que fornece drogas para o seu filho, poderá ter sua 
pena reduzida em face da caracterização do homicídio privilegiado por relevante valor moral.
Certo.
Outro ponto relevante sobre o relevante valor moral é a discussão acerca da eutanásia. 
O Código Penal, no item 39 da Exposição de Motivos da Parte Especial, consigna como 
exemplo de relevante valor moral apto a ensejar o reconhecimento do privilégio no homicí-
dio “a compaixão ante o irremediável sofrimento da vítima (caso do homicídio eutanásico)”.
Perceba que a eutanásia, mesmo que seja motivada por razões humanitárias, não é causa de 
exclusão da ilicitude da conduta ou da culpabilidade do agente, já que a vida é direito indisponí-
vel. A despeito disso, não há discussão a respeito da possibilidade do reconhecimento do privi-
légio para o caso, constituindo-se, então, crime de homicídio com causa de diminuição de pena.
12. (2021/MPE-RS/PROMOTOR DE JUSTIÇA/ADAPTADA) À luz das diretrizes indicadas 
na Exposição de Motivos da Parte Especial do Código Penal brasileiro, a eutanásia 
ativa direta – como tal entendida a provocação, por comissão intencional, da morte de 
alguém, a seu pedido, em situação de doença acompanhada de padecimento de sofri-
mento intenso – deve ser considerada crime de homicídio minorado, previsto no artigo 
121, § 1º, do Código Penal (Art. 121 - Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte 
anos. § 1º - Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social 
ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação 
da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço).
Certo.
É exatamente isso que a exposição de motivos diz. Ainda que a eutanásia seja um motivo 
extremamente altruísta, a conduta é criminosa, mas, a priori, poderá ser entendida como 
homicídio privilegiado.
a. Domínio de violenta emoção, após injusta provocação da vítima
Essa modalidade de privilégio requer a presença de três requisitos: DOMÍNIO de violen-
ta emoção + injusta provocação da vítima + reação imediata.
O domínio de violenta emoção é algo muito intenso, capaz de alterar a capacidade do 
agente de se portar de forma como ordinariamente se porta. A emoção e a paixão não se 
confundem. A paixão é tida como mais duradoura, sendo inaplicável o privilégio para essa 
modalidade, ainda que presente a alegação de total domínio, já que, por ser mais duradou-
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ra, se mostra incompatível com a imediatez da reação do agente. A emoção, por possuir 
caráter mais volátil, em tese, pode caracterizar a circunstância privilegiadora.
Para ser injusta, a provocação não precisa ser necessariamente criminosa. A provocação 
injusta é aquela que ultrapassa os limites do simples aborrecimento, é aquela apta a de-
sencadear a violenta emoção do sujeito, prescinde que essa provocação tenha o propósito 
específico de despertar reação, sendo suficiente que o agente a compreenda dessa forma, 
como ocorre no caso de bullying.
Essa injusta provocação nem sequer precisa ser direcionada ao agente. Pode ser direcio-
nada a alguma pessoa próxima ao agente ou aos seus afetos, como ocorre na hipótese 
de ofensa a algum familiar do agente (exemplo: um terceiro ofende a mãe ou a esposa do 
agente) ou até mesmo contra um animal. Imagine quantas pessoas tratam seus animais de 
estimação como verdadeiros filhos e uma pessoa qualquer machuca esse animal – essa 
conduta, sem dúvidas, provocará emoções no agente.
É importante perceber que o que o tipo penal exige para o reconhecimento do privilégioé a 
injusta PROVOCAÇÃO do agente, e não AGRESSÃO injusta. Se houver injusta agressão, 
o agente estará acobertado pela excludente de ilicitude de legítima defesa. Nesse caso, o 
fato deixa de ser crime, o que não ocorre com a injusta provocação, isto é, se presentes os 
demais requisitos.
O último requisito que se impõe é a imediatidade da reação a essa injusta provocação. 
Embora não haja um critério objetivo para definir qual é o lapso temporal correspondente 
ao “logo em seguida”, entende-se que o objetivo do legislador é impedir uma relevante in-
terrupção entre o momento da provocação injusta e o cometimento do homicídio.
13. (2020/CEBRASPE/MPE-CE/PROMOTOR DE JUSTIÇA DE ENTRÂNCIA INICIAL/
ADAPTADA) Constitui forma privilegiada do crime de homicídio doloso o seu cometi-
mento por agente impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob influ-
ência de violenta emoção provocada por ato injusto da vítima.
Errado.
Atenção a cada palavra da questão: ela disse ser INFLUÊNCIA, e é justamente essa única 
palavra que tornou a assertiva errada. Aconselho a já grifar aí na sua lei seca a palavra 
DOMÍNIO e indicar ≠ INFLUÊNCIA.
Perceba que as questões exploram a diferenciação entre a atenuante genérica e essa cau-
sa de aumento de pena, sendo possível fazer esse pequeno comparativo:
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Art. 121, § 1º, CP Art. 65, III, “c”, CP
§ 1º Se o agente comete o crime IMPELIDO por 
motivo de relevante valor social ou moral, ou 
sob o DOMÍNIO de violenta emoção, logo em 
seguida a injusta provocação da vítima, o juiz 
pode reduzir a pena de um sexto a um terço 
(- 1/6 a 1/3).
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a 
pena:
c. cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou 
em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou 
sob a influência de violenta emoção, provocada por 
ato injusto da vítima; [...].
A aplicável apenas ao homicídio doloso. A atenuante genérica é aplicável para qualquer crime.
O privilégio requer o domínio de violenta emoção. Para a atenuante genérica, basta a influência de vio-
lenta emoção.
Injusta provocação da vítima. Ato injusto da vítima.
Reação imediata: logo em seguida. Pode ocorrer a qualquer momento.
Havendo privilégio, exclui-se a atenuante genérica.
Por fim, é necessário salientar:
• A premeditação é incompatível com o privilégio, já que a arquitetura da trama criminosa 
fere o requisito da imediatez.
• O privilégio é compatível com o dolo eventual. Exemplo: o filho maior de idade que, de-
pois de ser humilhado injustamente pelo pai, o agride de tal forma que assume o risco de 
causar sua morte.
• O homicídio qualificado privilegiado não é hediondo.
Homicídio culposo
Homicídio culposo
§ 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei n. 4.661, de 1965)
Pena – detenção, de um a três anos.
O homicídio culposo é um tipo penal aberto e, por isso, contém um elemento norma-
tivo do tipo: a culpa. O elemento normativo do tipo é aquele que depende de um juízo de valor 
do magistrado. A culpa depende dessa valoração do magistrado porque a lei não determina 
claramente o que a constitui. Dendo assim, o magistrado, tomando por base o homem médio, 
irá verificar se o resultado da ação era ou não o esperado de uma pessoa em circunstâncias 
normais de inteligência e sociabilidade.
O homicídio culposo resta configurado quando o sujeito, violando o dever objetivo de cui-
dado, realiza uma conduta voluntária e, dessa conduta, advém um resultado naturalístico (a 
modificação no mundo exterior) involuntário, resultado este objetivamente previsível e evitá-
vel, já que qualquer pessoa comum poderia prever a possibilidade de ocorrência do resultado.
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Como em todos os crimes culposos, o homicídio culposo pode decorrer de imprudência, 
negligência e imperícia.
• Imprudência ou culpa positiva: consiste em um agir, e esse agir é perigoso, preci-
pitado e imponderado. A característica fundamental da imprudência é seu desenvolvi-
mento no decorrer da ação, assim, enquanto o agente pratica a conduta comissiva, vai 
ocorrendo a imprudência. Ex.: manusear arma de fogo em local movimentado.
• Negligência: consiste num não fazer, na ausência de precaução na ação do sujeito. 
Ex.: deixar uma arma de fogo ao alcance de uma criança.
• Imperícia: é a falta de habilidade técnica para o exercício de arte, profissão ou ofício 
para o qual o agente se disponibiliza a fazer. Ex.: cirurgião médico que mata sua paciente 
por falta de habilidade em realizar a cirurgia.
ATENÇÃO
• O crime culposo, salvo no caso de culpa imprópria, não admite tentativa.
• O homicídio culposo praticado na direção de veículo automotor tem regramento próprio 
no art. 302 do CTB.
14. (2021/IDECAN/PC-CE/INSPETOR DE POLÍCIA CIVIL) Wilson, engenheiro civil, está 
construindo um edifício em região pantanosa. Durante a obra, é alertado pelo seu mes-
tre de obras acerca da necessidade de criar uma fundação mais profunda, já que o 
terreno onde o prédio está sendo construído possui leito de rocha mais profundo que 
o usual. Do contrário, segundo o alerta feito, a construção poderia adernar e chegar a 
cair, ocasionando a morte de pessoas. Levando em conta os custos da construção e 
sem se importar com as consequências, Wilson decide não seguir as orientações do 
mestre de obras e leva a obra adiante. Infelizmente, dois anos após a inauguração do 
prédio, ele desaba e seis pessoas morrem.
Nessa hipótese, é correto afirmar que Wilson
a. deve responder por seis delitos de homicídio culposo, praticados com culpa cons-
ciente, em concurso formal de delitos.
b. deve responder por seis delitos de homicídio, praticados com dolo eventual, em con-
curso formal de delitos.
c. deve responder por seis delitos de homicídio, praticados com dolo direto, em con-
curso material de delitos.
d. não praticou crime algum, mas deverá responder na esfera civil.
e. deve responder por seis delitos de homicídio preterdoloso, praticados em concurso 
material de delitos.
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Letra b.
Perceba que, no caso hipotético, o engenheiro civil foi alertado sobre a necessidade de criar 
uma fundação mais profunda, mas, considerando apenas “os custos da construção e sem se 
importar com as consequências, Wilson decide não seguir as orientações do mestre de obras”.
Não é possível caracterizar culpa consciente, já que, nesta, muito embora o resultado seja 
previsível, o agente acredita sinceramente que não acontecerá.
Não é possível se falar em dolo direto, porque a conduta do agente não foi direcionada ao 
resultado morte. Lembre-se de que o dolo, para o sistema finalista, é composto pela von-
tade + consciência.
Resta, então, o dolo eventual, já que o agente, sabendo da possibilidade da ocorrência do 
resultado, não age de forma a evitá-lo, não se importando com ele.
E será em concurso formal de crimes em razão do exposto no art. 70, caput, do CP: “Quan-
do o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou 
não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade.”
Vale lembrar que, em decorrência da pena, in abstrato, prevista para o delito de homicídio 
culposo, é cabível o benefício da suspensão condicional do processo, desde que estejam 
presentes os demais requisitos do art. 89 da Lei n. 9.099/1995.
Causas de aumento de pena
Aumento de pena
§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime 
resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o 
agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as con-
sequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o 
homicídio,a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra 
pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos (Redação dada 
pela Lei n. 10.741, de 2003) (destaques nossos).
Esse parágrafo traz a incidência de causas de aumento de pena em dois “crimes dife-
rentes”: a) crime doloso e b) crime culposo. Vamos tratá-las separadamente para ficar de 
melhor compreensão.
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a. Causas de aumento no homicídio culposo
A primeira parte do § 4º do art. 121 arrola quatro hipóteses de causas de aumento de 
pena aplicáveis única e exclusivamente ao homicídio culposo. São elas: I) inobservância de 
regra técnica de profissão, arte ou ofício; II) deixar de prestar imediato socorro à vítima; III) 
não procurar diminuir as consequências do seu ato; IV) fugir para evitar prisão em flagrante.
A inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício incide apenas ao pro-
fissional, ou seja, àquele que exerce a arte, ofício ou profissão. Essa inobservância de regra 
técnica não se confunde com a imperícia, que ocorre quando o sujeito não reúne a qualifi-
cação técnica esperada em sua profissão. Já a inobservância de regra técnica visa coibir o 
profissional desidioso: aquele que detém as habilidades necessárias para o desempenho do 
cargo, mas, por desídia, não as observa.
Perceba que a culpa pode ocorrer em três modalidades: negligência, imperícia e impru-
dência, e o STF já entendeu não haver bis in idem no reconhecimento do homicídio culposo 
com a causa de aumento de pena de inobservância de regra técnica.
A segunda e terceira hipótese de incidência de causa de aumento de pena no homi-
cídio culposo é deixar de prestar imediato socorro à vítima e não procurar diminuir as 
consequências de seu ato. Essas causas de aumento se relacionam diretamente com os 
crimes culposos praticados na direção de veículo automotor, mas a eles não se restringe. É 
importante lembrar que o art. 302, § 1º, III, do Código de Trânsito Brasileiro já traz a causa 
de aumento de 1/3 à metade (perceba que no CP a causa de aumento de pena é de 1/3 e 
pronto) traz uma úpara à hipótese de homicídio culposo na direção de veículo automotor:
Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:
§ 1º No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é 
aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o agente: (Incluído pela Lei n. 12.971, 
de 2014) (destaques nossos
III – deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima 
do acidente; (Incluído pela Lei n. 12.971, de 2014).
É preciso se atentar a três pontos: essa causa de aumento de pena não tem cabi-
mento quando ocorrer a morte instantânea e incontestável da vítima, bem como no caso em 
que o agente não prestou o socorro por não ter condições de fazê-lo sem se expor ao perigo; 
ao agente que presta socorro não incide a atenuante genérica do art. 65, III, “b”, do CP.
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei 
n. 7.209, de 11.7.1984)
III – ter o agente: (Redação dada pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)
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b. procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, 
evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado 
o dano; [...].
Perceba que a causa de aumento por não procurar diminuir as consequências do seu 
ato é um desdobramento normal da causa de aumento de deixar de prestar socorro, uma vez 
que incidirá apenas se agente deixou de prestar socorro direto (“prestar socorro à vítima”) 
por uma justa razão, mas deixou de exercer qualquer atividade a fim de minorar as consequ-
ências do ato, como, por exemplo, no caso do agente que nem sequer telefona ao Corpo de 
Bombeiros para que estes realizem os atendimentos de primeiros socorros.
Por derradeiro, a última causa de aumento do homicídio doloso é a fuga para evitar 
prisão em flagrante. Aqui o legislador buscou punir aquele que pratica atos a fim de assegu-
rar sua impunidade, dificultando, assim, a ação da justiça. A doutrina salienta que essa causa 
de aumento não incide no caso em que o agente fugiu em razão de ameaças dos populares 
que presenciaram o ato criminoso.
15. Não é possível aplicar a causa de aumento de pena de 1/3 em homicídio culposo come-
tido por médico.
Errado.
O STJ já sustentou pela possibilidade da incidência da causa de aumento.
É possível a aplicação da causa de aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do 
CP no caso de homicídio culposo cometido por médico e decorrente do descum-
primento de regra técnica no exercício da profissão. Nessa situação, não há que 
se falar em bis in idem (STJ. 5ª Turma. HC n. 181.847-MS, Rel. Min. Marco Aurélio 
Bellizze, Rel. para acórdão Min. Campos Marques [Desembargador convocado do 
TJ/PR], julgado em 4/4/2013 – Info 520).
b. Causas de aumento no homicídio doloso
A segunda parte do § 4º do art. 121 prevê duas causas de aumento de pena aplicáveis 
única e exclusivamente ao homicídio doloso, como o próprio artigo diz claramente, e 
estas são aplicáveis em quaisquer das modalidades desse crime: simples, privilegiado, 
qualificado, consumado ou tentado. Isto é, desde que o agente tenha conhecimento da 
idade da vítima, pois todas as elementares e circunstâncias do crime devem integrar o 
dolo do agente, sob pena de se caracterizar responsabilidade objetiva. Assim, se o agente 
desconhecer a idade da vítima, não incidirá a causa de aumento.
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Pelo próprio texto do tipo legal, vê-se a natureza objetiva e cogente dessas causas de 
aumento. Natureza objetiva, porque não faz nenhuma referência a questões internas do 
agente, e cogente, porque não concede ao Juiz nenhuma margem de discricionariedade 
quanto à aplicação ou não da causa de aumento de pena.
A circunstância majorante diz respeito à idade da vítima ao tempo do cometimento do de-
lito: menor de catorze anos ou maior de sessenta anos de idade. A importância de se saber 
esse detalhe de quando será considerada a idade da vítima decorre do caso em que o agente 
for atingido numa data e o óbito em si só ocorrer dias após completar catorze anos ou, no caso 
da vítima maior de sessenta anos, o agente praticar a conduta quando a vítima tinha 59 anos 
e o falecimento ocorrer quando já tinha sessenta anos. Imagine só que insegurança jurídica!
Quanto à causa de aumento em razão de a vítima ser menor de catorze anos, agora é 
necessário tomar MUITO cuidado. A Lei n. 14.344, de 24 de maio de 2022, introduziu o 
inciso IX no § 2º e o § 2º-B, que tratam, respectivamente, da qualificadora ao crime pratica-
do contra o menor de catorze anos e de duas causas de aumento de pena para a mesma 
hipótese. Observe:
Homicídio qualificado
§ 2º Se o homicídio é cometido:
IX – contra menor de 14 (quatorze) anos: (Incluído pela Lei n. 14.344, de 
2022) Vigência
Pena – reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é aumentada de: 
(Incluído pela Lei n. 14.344, de 2022) Vigência
I – 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com do-
ença que implique o aumento de sua vulnerabilidade; (Incluído pela Lei n. 14.344, 
de 2022) Vigência
II – 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, 
cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por 
qualquer outro título tiver autoridade sobre ela. (Incluído pela Lei n. 14.344, de 
2022) Vigência (destaques nossos).
Essas inovações legislativas precisam observar os princípios da legalidade e da especiali-
dade, mormente por se tratar de norma mais gravosa. A lei que alterou o CP começou a ter 
vigência 45 dias após oficialmente publicada. Assim, se oagente tiver cometido a conduta 
antes de 08 de julho de 2022, a ele será aplicada a causa de aumento do § 4º, mas, se ele 
cometer o homicídio doloso após 08 de julho de 2022, responderá por homicídio qualifica-
do; se houver a incidência de alguma causa de aumento do § 2º-B, poderá, ainda, ter uma 
causa de aumento, sendo, portanto, um homicídio qualificado circunstanciado.
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Outro ponto importante de se observar é que o art. 61, II, “f”, “g”, “h” e “i” prevê hipóteses 
de circunstâncias agravantes com conteúdo protetivo semelhante. Por serem hipóteses 
semelhantes, o magistrado, por força do princípio ne bis in idem, não poderá reconhecer 
a agravante (segunda fase de aplicação da pena) e a causa de aumento (terceira fase de 
aplicação da pena) de pena em razão do mesmo fato.
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem 
ou qualificam o crime:
II – ter o agente cometido o crime:
f. com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de co-
abitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei 
específica; (Redação dada pela Lei n. 11.340, de 2006)
g. com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou 
profissão;
h. contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; (Re-
dação dada pela Lei n. 10.741, de 2003)
i. quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; [...].
16. (2021/CEBRASPE/PC-AL/AGENTE DE POLÍCIA – PROVA ANULADA) Em janeiro de 
2021, Lucas, com 20 anos de idade e nítida vontade de matar Rafael, adquiriu uma 
arma de fogo e começou a procurá-lo pela cidade. Na semana anterior ao aniversário 
de 14 anos de Rafael, Lucas encontrou Rafael enquanto este conversava com uma 
pessoa e, então, disparou cinco tiros contra a vítima, que veio a óbito trinta dias depois. 
Posteriormente, em seu interrogatório, Lucas afirmou que havia matado Rafael por este 
ser enteado de um policial civil que o investigava por outros crimes.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item a seguir.
Ainda que Lucas soubesse a idade de Rafael quando do cometimento do crime, não 
haverá a incidência da previsão de aumento de pena baseada na idade da vítima, pois, 
no momento de sua morte, Rafael tinha mais de quatorze anos.
Errado.
O Código Penal adota a teoria da atividade para definir o tempo do crime. Sendo assim, 
a idade da vítima será aferida no momento do cometimento do delito, ainda que a vítima 
venha a falecer dias ou meses após o fato.
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17. A morte instantânea da vítima sempre afasta a majorante de 1/3 pelo fato de o agente 
não ter prestado imediato socorro à vítima.
Errado.
Se a vítima tiver morte instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar a 
causa de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121?
NÃO. No homicídio culposo, a morte instantânea da vítima não afasta a causa de aumento 
de pena prevista no art. 121, § 4º, do CP, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, per-
ceptível por qualquer pessoa.
STJ. 5ª Turma. HC n. 269.038-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 2/12/2014 (Info 554).
18. A tenra idade da vítima é fundamento idôneo para a majoração da pena-base do crime 
de homicídio pela valoração negativa das consequências do crime.
Certo.
O homicídio perpetrado conta a vítima jovem ceifa uma vida repleta de possibilidades e 
perspectivas, que não guardam identidade ou semelhança com aquelas verificadas na 
vida adulta.
Há que se sopesar, ainda, as consequências do homicídio contra vítima de tenra idade no 
núcleo familiar respectivo: pais e demais familiares enlutados por um crime que subverte a 
ordem natural da vida. Não se pode olvidar, ademais, o aumento crescente do número de 
homicídios perpetrados contra adolescentes no Brasil, o que reclama uma resposta estatal.
Assim, deve prevalecer a orientação no sentido de que a tenra idade da vítima (menor 
de 18 anos de idade) é elemento concreto e transborda aqueles inerentes ao crime de 
homicídio, sendo apto, pois, a justificar o agravamento da pena-base, mediante valoração 
negativa das consequências do crime, ressalvada, para evitar bis in idem, a hipótese 
em que aplicada a causa de aumento prevista no art. 121, § 4º (parte final), do Có-
digo Penal.
STJ. 3ª Seção. AgRg no REsp n. 1.851.435-PA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado 
em 12/08/2020 (Info 679).
§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado 
por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, // ou 
por grupo de extermínio (hediondo) (Incluído pela Lei n. 12.720, de 2012) (grifos 
e comentários nossos).
Essa causa especial de aumento de pena é aplicável exclusivamente ao homicídio do-
loso, na modalidade simples ou qualificada (modalidade de crime) praticado por milícia 
privada (qualidade especial do sujeito ativo) e, ainda, sob o pretexto de prestação de 
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serviço de segurança (finalidade especial) ou por grupo de extermínio (qualidade espe-
cial do sujeito ativo), sem estar condicionado, nesse último caso, a uma finalidade especial.
A milícia privada é um agrupamento armado e estruturado (por civis ou militares) cujo objetivo 
da formação do grupo é restaurar a segurança, são grupos de justiceiros. Já o grupo de exter-
mínio, como o próprio nome diz, é um grupo cuja finalidade é exterminar classes de indivíduos.
Feitos esses devidos esclarecimentos, vamos passar para o aspecto mais cobrado em 
provas de concursos: a hediondez, tanto do homicídio praticado por grupo de extermínio 
quanto do homicídio qualificado.
Hediondez
Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no 
Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, consumados 
ou tentados:
I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de ex-
termínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 
121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII); (Redação dada pela Lei n. 13.964, de 
2019) (grifos e comentários nossos).
O homicídio simples, via de regra, não será crime hediondo. Contudo, quando praticado 
em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que por um só́ agente, nos termos do art. 1º, 
I, da Lei de Crimes Hediondos, será crime hediondo. O grupo de extermínio, na verdade, nem 
precisa existir, sendo suficiente que a ATIVIDADE seja típica de grupo de extermínio. Ex.: pessoa 
que resolve matar moradores de rua simplesmente pelo fato de estes serem moradores de rua.
Há uma parcela da doutrina que entende ser possível dar tratamento privilegiado ao 
grupo de extermínio quando suas razões sejam de relevante valor moral. Ex.: um policial 
que, durante sua folga, resolve exterminar ladrões que atentavam reiteradamente na cidade 
(motivo de relevante valor social). Nesse caso, por haver a incidência de causa subjetiva e, 
também, em consideração ao tratamento dado ao homicídio qualificado-privilegiado, enten-
de-se que também não seria caso de hediondez.
As outras hipóteses de hediondez no delito de homicídio são todas as modalidades qua-
lificadas do delito, exceto quando for hipótese de homicídio qualificado-privilegiado e desde 
que a qualificadora seja de ordem objetiva. Assim, temos:
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NÃO HEDIONDOS HEDIONDOS
Simples Qualificados
Qualificado – privilegiado (híbrido) Grupo de extermínio
Praticado por milícia privada
19. (2014/UFMT/MPE-MT/PROMOTOR DE JUSTIÇA) O homicídio simples não é crime 
hediondo, exceto quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda 
que cometidopor um só agente.
Certo.
20. (2022/CEBRASPE/DPE-RS/DEFENSOR PÚBLICO) O reconhecimento da causa es-
pecial de diminuição de pena, quando coexistir com o homicídio qualificado, afastará o 
caráter hediondo do delito.
Certo.
21. (2019/FUNDEP GESTÃO DE CONCURSOS/DEFENSOR PÚBLICO) O homicídio qua-
lificado-privilegiado, nos termos da jurisprudência predominante do STJ, é considerado 
crime hediondo, porque a qualificadora prepondera sobre o privilégio, pois este é mera 
causa de diminuição da pena.
Errado.
22. (2021/FCC/DPE-AM/DEFENSOR PÚBLICO) Sobre o crime de homicídio:
a. Não é possível o reconhecimento da causa de diminuição de pena quando praticado 
mediante o emprego de veneno.
b. É possível o reconhecimento do homicídio qualificado-privilegiado quando a qualifica-
dora for de natureza subjetiva.
c. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o homicídio qualifi-
cado-privilegiado não é considerado crime hediondo.
d. Não é admitido pela jurisprudência o reconhecimento do homicídio qualificado-privile-
giado, uma vez que as qualificadoras preponderam sobre a causa de diminuição de 
pena em razão da gravidade do crime.
e. É possível o reconhecimento do homicídio qualificado-privilegiado, permanecendo 
nesta hipótese o seu caráter hediondo, em razão de previsão expressa na Lei n. 
8.072/1990.
Certo.
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23. (2019/FUNDEP GESTÃO DE CONCURSOS/DPE-MG/DEFENSOR PÚBLICO) É pos-
sível o homicídio qualificado-privilegiado desde que a qualificadora tenha natureza obje-
tiva, já que todas as causas de privilégio são de natureza subjetiva.
Certo.
Perdão judicial
§ 5º Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, 
se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão gra-
ve que a sanção penal se torne desnecessária. (Incluído pela Lei n. 6.416, de 
24.5.1977) (grifos nossos).
Como se sabe, o homicídio culposo é aquele em que não houve vontade do agente 
quanto ao resultado que dele decorreu. Assim, o legislador prevê que, nos casos em que as 
consequências advindas do homicídio sejam dolorosas ao agente, não há razão de aplicação 
da pena. Com isso, o Juiz, mesmo reconhecendo que existem provas suficientes para conde-
nar o réu, não aplica nenhuma pena. Perceba que o fato é típico, ilícito e culpável, mas não 
haverá a aplicação da pena.
A lei penal determina que a aplicação do perdão judicial requer que “as consequências 
da infração atinjam o agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária”, 
e a doutrina esclarece que essas consequências podem ser físicas (exemplo: o sujeito ficou 
tetraplégico) ou psicológicas (exemplo: perda de um filho).
O perdão judicial, conforme a Súmula 18 do STJ, tem natureza de causa extintiva da 
punibilidade (art. 107, IX, CP), sendo assim, a contar da sentença concessiva, que possui 
natureza declaratório, não surtirá mais nenhum efeito negativo para o réu, nem mesmo rein-
cidência (art. 120, CP).
Súmula 18/STJ. A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extin-
ção da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
Art. 120. A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efei-
tos de reincidência.
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24. (2022/MPE-RJ/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO – CONCURSO XXXVI) Em 
algumas hipóteses, o CP autoriza o juiz a “deixar de aplicar a pena”. Assinale a alter-
nativa que apresenta crimes aos quais, a depender das demais condições que o CP 
estabelece, o juiz pode “deixar de aplicar a pena”, concedendo perdão judicial.
a. Outras fraudes; difamação; furto.
b. Receptação; injúria; homicídio.
c. Calúnia; excesso de exação; desobediência.
d. Dano; apropriação indébita previdenciária; ameaça.
e. Sonegação de contribuição previdenciária; parto suposto; esbulho possessório.
Letra b.
25. (2017/FEPESE/PC-SC/AGENTE DE POLÍCIA CIVIL) De acordo com o Código Penal, 
quando o juiz deixar de aplicar a pena na hipótese de homicídio culposo, por considerar 
que as consequências da infração atingem o próprio agente de forma tão grave que a 
sanção penal se torne desnecessária, ocorre o fenômeno:
a. da desclassificação da conduta.
b. da imputabilidade familiar.
c. da excludente de ilicitude.
d. do perdão judicial.
e. da atipicidade judicial.
Letra d.
Homicídio qualificado
O art. 121, § 2º, do CP traz hipóteses de homicídio qualificado, que é assim denomi-
nado por agregar circunstâncias especiais ao tipo fundamental escrito no caput. Essa agre-
gação de circunstâncias tem por consequência imediata a alteração dos parâmetros de pena. 
Enquanto o homicídio simples tem pena de 6 (seis) a 20 (vinte) anos de reclusão, o homicídio 
qualificado, em todas as suas hipóteses, tem a pena base de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
É de suma importância lembrar que o homicídio qualificado, em todas as suas modali-
dades, é hediondo e a implicação disso reverbera no tratamento que a lei penal vai dar à apli-
cação da pena, à possibilidade de substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de 
direitos, na progressão de regime etc., mas isso não é tema para ser tratado neste material.
As qualificadoras, justamente por serem circunstâncias especiais agregadas ao tipo 
fundamental, podem possuir natureza objetiva ou subjetiva e a principal consequência dessa 
diferenciação é a possibilidade (ou não) de comunicarem-se aos coautores e partícipes no 
concurso de pessoas.
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As circunstâncias de natureza subjetiva dizem respeito ao agente e não ao fato pra-
ticado. As de natureza objetiva, por outro lado, dizem respeito ao fato praticado, e não às 
condições pessoais do agente. Assim, em caso de concurso de pessoas, as circunstân-
cias subjetivas não são comunicáveis aos demais agentes, já as de natureza objetiva, se 
forem de conhecimento de todos os indivíduos, comunicam-se.
É importante perceber que, para que as qualificadoras objetivas sejam comunicáveis 
aos coautores e partícipes, elas precisam ser de conhecimento dos indivíduos e, ainda, inte-
grar o dolo do agente, sob pena de se caracterizar responsabilidade penal objetiva. Com 
isso, quero dizer que o dolo deve abranger todos os elementos objetivos da conduta crimi-
nosa, tanto no tipo fundamental (a ação de matar alguém) quanto nas qualificadoras (o meio 
empregado para causar a morte, por exemplo).
Aqui é importante lembrar do que dispõe o art. 19 do CP: “Art. 19 - Pelo resultado que 
agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado ao menos cul-
posamente”.
Outro ponto de extrema relevância que se atrela à natureza das qualificadoras é a pos-
sibilidade do reconhecimento do homicídio qualificado-privilegiado. Se as qualificadoras 
forem de ordem objetiva e o sujeito ativo reunir os requisitos subjetivos do § 1º do art. 121 do 
CP, o Magistrado poderá reconhecer o privilégio no crime.
Com isso, passemos às qualificadoras propriamente ditas.
I – Motivo torpe
Homicídio qualificado
§ 2º Se o homicídio é cometido:
I – mediante paga ou promessa de recompensa, ou por OUTRO motivo torpe; [...] 
(destaques nossos).
A qualificadora do inciso I do § 2º do art. 121 é de natureza subjetiva e traz duas hipóte-
ses casuísticas (paga ou promessa de recompensa) e uma fórmula genérica (ou por OUTRO 
motivo torpe). Essa fórmula genérica é proposital e tem por finalidade permitir a interpreta-
ção analógica, uma vez que, num primeiro momento, o legislador deixa nítido que a paga ou 
a promessa de recompensa são motivos torpes, mas que não são os únicos motivos torpes, 
sendo possível, portanto, aplicar o mesmo entendimento para hipóteses não contempladas 
no texto, ou seja, não há um rol taxativo de hipóteses de motivo torpe.A paga ou promessa de recompensa são denominadas de homicídio mercenário ou 
homicídio por mandato remunerado. O que as diferencia é que, na paga, o recebimento da 
recompensa é prévio ao crime, já na promessa de recompensa, o pagamento é convencio-
nado para momento posterior à execução do delito. Note que, na segunda modalidade, não é 
necessário que haja o efetivo pagamento, sendo suficiente a mera PROMESSA de pagamento.
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Para caracterização dessa qualificadora, é necessário a presença de, no mínimo, duas 
pessoas: o mandante – aquele que paga ou promete a recompensa – e o executor – aquele 
que pratica a conduta de matar alguém. Perceba, portanto, que se trata de crime plurissub-
jetivo ou de concurso necessário.
O primeiro questionamento a respeito da qualificadora de paga ou promessa de 
recompensa é se ela é aplicável tanto ao mandante quanto ao executor do delito. Veja-
mos esta questão:
26. (2021/FCC/DPE-GO/DEFENSOR PÚBLICO) O crime de homicídio é considerado qua-
lificado para o mandando e privilegiado para o executor, se cometido mediante paga.
Errado.
A qualificadora de “paga de recompensa” é definida pelo legislador como uma espécie de 
torpeza, sendo assim, no tocante ao executor do delito, jamais poderá ser privilegiado.
O mandante do crime não responderá pela qualificadora de “paga de recompensa”, uma 
vez que ele é quem efetua o pagamento, e não quem o recebe. Contudo, nada impede que 
esse sujeito seja condenado por homicídio privilegiado ou pela qualificadora da torpeza, 
tudo dependerá do caso concreto.
A doutrina diz que, por ser uma qualificadora de natureza subjetiva, a comunicação entre 
coautor e partícipe (mandante e executor) não é automática, sendo necessário avaliar o 
caso concreto para saber as razões que levaram o mandante a encomendar o homicídio. 
Se essas razões forem torpes, incidirá a qualificadora em razão da torpeza genérica, e não 
em razão da paga ou promessa de recompensa.
Com base nesse raciocínio, vê-se que é plenamente possível que o mandante seja conde-
nado por homicídio privilegiado, e o executor, por homicídio qualificado.
O motivo torpe é aquele que é vil, repugnante, moralmente reprovável. Muito se questiona 
sobre a possibilidade de a vingança e o ciúme caracterizarem motivo torpe. A doutrina 
majoritária é no sentido de que a vingança não caracteriza automaticamente a torpeza, 
assim, mais uma vez, será necessário perquirir qual foi o motivo que levou o a agente a 
querer se vingar. Já o ciúme não é considerado torpe.
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27. (2018/MPE-MS/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Assinale a alternativa 
incorreta.
a. É possível a aplicação da interpretação analógica no tipo de homicídio qualificado 
pelo fato de o crime ter sido praticado mediante paga ou promessa de recompensa, 
ou por outro motivo torpe.
b. O fato de a vítima de homicídio doloso ter mais de sessenta anos constitui circunstân-
cia agravante, prevista no artigo 61 do Código Penal, considerada na segunda fase 
de aplicação da pena.
c. No homicídio doloso qualificado pela motivação torpe, é possível reconhecimento da 
atenuante genérica do cometimento do crime por motivo de relevante valor moral.
d. O homicídio híbrido é admitido pela jurisprudência, desde que a circunstância qualifi-
cadora tenha caráter objetivo.
e. O homicídio é qualificado pela conexão quando cometido para assegurar a execução, 
a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outro crime.
Letra b.
b. Se a vítima de homicídio doloso tiver mais de 60 anos, incidirá a causa de aumento de 
pena do art. 121, § 4º, do CP, e não a agravante genérica do art. 61 do CP.
c. Perceba que não se trata de homicídio qualificado-privilegiado, mas sim de homicídio 
qualificado pelo motivo torpe e atenuado pelo motivo de relevante valor moral. Na primeira 
hipótese, há expressa vedação, uma vez que só é permitido reconhecer o privilégio nas 
qualificadoras de ordem objetiva. Já no segundo caso, a jurisprudência do STJ já entendeu 
como possível há muito. Veja só a decisão do STJ:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXAME DE MATÉRIA 
CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TRI-
BUNAL DO JÚRI. RECONHECIMENTO DA ATENUANTE GENÉRICA DO RELE-
VANTE VALOR MORAL OU DA INFLUÊNCIA DE VIOLENTA EMOÇÃO NO DELITO 
DE HOMICÍDIO QUALIFICADO PELO MOTIVO TORPE. POSSIBILIDADE. AUSÊN-
CIA DE CONTRADIÇÃO NOS QUESITOS. DEMAIS ARGUMENTOS BUSCANDO 
A INVERSÃO DO JULGADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DESTA CORTE.
1. Embora reconheça que, no âmbito do sistema difuso de controle de constitucio-
nalidade, o Superior Tribunal de Justiça, bem como os demais órgãos jurisdicionais 
de qualquer instância, tenha o poder de declarar incidentemente a inconstitucio-
nalidade de lei, mesmo de ofício, tal atribuição, contudo, não lhe autoriza analisar 
suposta violação a dispositivos da Constituição, pois se estaria desrespeitando a 
competência estabelecida no art. 102, III, da Carta Magna.
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2. De outra parte, de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal e desta 
Corte, é possível a coexistência, no crime de homicídio, da qualificadora do 
motivo torpe, prevista no art. 121, § 2º, I, do Código Penal, com as atenuantes 
genéricas inseridas no art. 65, II, “a” e “c”, do mesmo dispositivo, podendo, 
pois, concorrerem no mesmo fato.
3. Com efeito, o reconhecimento pelo Tribunal do Júri de que o paciente agiu 
sob por motivo torpe, em razão de ter premeditado e auxiliado na morte de 
sua esposa para ficar com todos os bens do casal, e, concomitantemente, 
das atenuantes genéricas do relevante valor moral ou da violenta emoção, 
provocada pela descoberta do adultério da vítima, um mês antes do fato de-
lituoso, não importa em contradição.
4. Cumpre ressaltar que, no homicídio privilegiado, exige-se que o agente se 
encontre sob o domínio de violenta emoção, enquanto na atenuante gené-
rica, basta que ele esteja sob a influência da violenta emoção, vale dizer, o 
privilégio exige reação imediata, já a atenuante dispensa o requisito tempo-
ral (AgRg no Ag n. 1.060.113/RO, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, 
julgado em 16/9/2010, DJe de 4/10/2010) (grifos nossos).
 28. (2019/FUNDEP GESTÃO DE CONCURSOS/DPE-MG/DEFENSOR PÚBLICO) De 
acordo com o STJ, a qualificadora do feminicídio pode coexistir com a qualificadora do 
motivo torpe, pois o feminicídio tem natureza objetiva, o que dispensa a análise do animus 
do agente, enquanto o motivo torpe tem natureza subjetiva, já que de caráter pessoal.
Certo.
O STJ já decidiu reiteradas vezes que o feminicídio tem natureza objetiva e que o motivo 
torpe possui natureza subjetiva. Sendo assim, não há óbice para a coexistência entre as 
qualificadoras.
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe 
e de feminicídio no crime de homicídio praticado contra mulher em situação de 
violência doméstica e familiar.
Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA – vai 
incidir sempre que o crime estiver atrelado à violência doméstica e familiar pro-
priamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, continuará 
adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito.
STJ. 6ª Turma. HC n. 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 
(Info 625).
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Não há dúvidas acerca da natureza subjetiva da qualificadora do motivo torpe, ao 
passo que a natureza do feminicídio, por se ligar à condição especial da vítima, é 
objetiva, não havendo, assim, qualquer óbice à sua imputação simultânea.
É inviável o afastamento da qualificadora

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