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Direito Penal
Iter Crimins
DIREITO PENAL
1. Iter Criminis
7.1 Conceito
O iter criminis, ou “caminho do crime”, são as fases que sucedem a prática de um fato
previsto em lei como infração penal. Há duas fases: uma interna e outra externa.
A fase interna é representada pela cogitação do crime, sua primeira etapa. Por sua vez,
a fase externa se divide em outras três: preparação, execução e consumação. O exaurimento
não integra o iter criminis.
7.2 Fase Interna
7.2.1Cogitação
É a ideação do crime na mente do agente. É chamada de claustro-psíquico, tendo em vista
que a vontade criminosa está “presa” na mente do agente. É sempre interna, não se revelando
em atos externos.
Tratando-se de mera ideia e sem qualquer possibilidade de ofensa ao bem jurídico, não
será punível. Caso fosse punida, seria típico caso de direito penal do autor.
É possível a divisão da cogitação em três momentos distintos:
● Idealização: surgimento da intenção.
● Deliberação: o agente analisa as circunstâncias do crime.
● Resolução: o sujeito se decide pelo cometimento da infração penal.
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7.3 Fases externas
7.3.1Preparação
Também chamada de fase dos atos preparatórios, cria condições prévias adequadas
para realização do crime, sem que se deva, contudo, iniciar a imediata realização tipicamente
relevante da vontade delitiva (máximo). É o caso, por exemplo, da aquisição de um revólver para
a prática de um homicídio.
Geralmente, os atos preparatórios não são puníveis, nem mesmo na forma tentada,
uma vez que não se iniciou a realização do núcleo do tipo penal. De fato, o art. 14, inc. II, do
Código Penal vinculou a tentativa à prática de atos executórios.
Excepcionalmente, é possível a punição de atos preparatórios nas hipóteses em que a lei
optou por incriminá-los de forma autônoma. São os chamados crimes-obstáculo. Nesses casos,
o legislador transforma o ato preparatório de um determinado delito em crime diverso e
independente, ou seja, passa a tratá-lo como ato de execução, a exemplo da associação
criminosa, petrechos para falsificação de moeda, fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou
transporte de explosivos e gás tóxico.
A única exceção a esta regra consta na Lei n.º 13.260/2016 (Lei de terrorismo), em seu art.
5º, a qual contempla o tipo penal de praticar atos preparatórios de terrorismo. É típico exemplo de
direito penal do inimigo.
Art. 5º Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco
de consumar tal delito:
7.3.2Atos executórios
A fase da execução, ou dos atos executórios, é o momento em que o agente realiza o
núcleo do tipo. É a maneira pela qual o agente atua exteriormente. Em regra, é aqui que começa
a punibilidade, configurando no mínimo um crime tentado.
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O ato de execução deve ser idôneo e inequívoco. Idôneo, quer dizer, o suficiente para
lesar o bem jurídico penalmente tutelado. Essa idoneidade deve ser constatada no caso concreto.
Inequívoco, porque é direcionado ao cometimento do delito, almejando a consumação da
infração penal.
O ato de execução deve, obrigatoriamente, possuir essas características,
simultaneamente.
A seguir iremos analisar as teorias referentes à transição dos atos preparatórios para os
atos executórios.
Transição dos atos preparatórios para os atos executórios
Não é uma tarefa fácil estabelecer a diferença exata entre os atos preparatórios e os atos
de execução. Inúmeras foram às teorias que apresentaram propostas para solução dessa
discussão. Dividem-se em subjetiva e objetiva:
1. Teoria subjetiva: não faz distinção entre ato preparatório e ato de execução. O que
interessa é a vontade criminosa. Logo, as duas fases são puníveis. Não foi aceita.
2. Teoria objetiva: os atos preparatórios dependem do início de realização do tipo penal, não
podendo o agente ser punido pelo seu mero “querer interno”. Subdividem-se em:
● Teoria da hostilidade ao bem jurídico (Nelson Hungria, Max Ernst Mayer): os atos
executórios são aqueles que atacam o bem jurídico, enquanto os atos preparatórios não
caracterizam afronta ao bem jurídico. Está ultrapassada.
● Teoria objetivo-formal ou lógico-formal (Franz Von Liszt): o ato executório é aquele
em que se inicia com a realização do verbo contido na conduta criminosa. Exige a
efetivação de uma parte da conduta criminosa. É a preferida pela doutrina pátria.
● Teoria objetivo-material (Reinhart Franck): Atos executórios são aqueles que se
realizam no período imediatamente anterior ao começo da realização do núcleo do tipo,
na visão de um terceiro observador.
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● Teoria objetivo-individual: Criada por Hans Welzel. Possui como um dos seus grandes
adeptos Zaffaroni. O ato de execução é aquele em que o agente pratica o núcleo do
tipo, mas também são os atos que lhe são imediatamente anteriores, de acordo com o
plano concreto do autor.
7.3.3Consumação
Também chamada de crime consumado, crime pleno ou summatum opus, é a última fase,
o encerramento da iter criminis. Reúne todos os elementos de sua definição legal (CP, art. 14, I).
Crime completo ou perfeito.
É a reunião de todas as elementares descritas pelo preceito primário de uma lei penal.
Exemplo: no homicídio, em que a conduta é “matar alguém”, a consumação ocorre com a morte
de um ser humano, provocada por outra pessoa.
Art. 14, I, CP - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de
sua definição legal;
Nos crimes materiais, a consumação ocorre com a produção do resultado naturalístico. Já
nos crimes formais, ocorre com a prática da conduta, podendo o resultado naturalístico ocorrer
ou não.
No caso dos crimes de mera conduta, a consumação ocorre com a prática da conduta,
jamais ocorrerá resultado naturalístico. Os crimes qualificados pelo resultado tem a
consumação verificada com a produção do resultado agravador, doloso ou culposo.
E, por fim, a consumação dos crimes de perigo concreto ocorre com a efetiva exposição
do bem jurídico a uma probabilidade de dano. Já nos crimes de perigo abstrato ou presumido
a consumação opera-se com a mera prática da conduta definida em lei como perigosa.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SALIM, Alexandre; AZEVEDO, Marcelo André de. Coleção Sinopses para Concursos. Direito Penal -Vol 1 – Salvador:
Juspodivm. 2021
Masson, Cleber. Direito Penal: parte geral (arts. 1º a 120) – vol. 1 / Cleber Masson. – 14. ed. – Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2020.
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