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Direito penal 3 
TEORIA GERAL DA PARTE ESPECIAL DO CP 
TEORIA DO TIPO 
• ESTRUTURA DO TIPO PENAL 
Núcleo (verbo) 
Elementos 
• Objetivos ou descritivos (são elementos que 
dispensam o juízo de valoração e não se limita ao 
sujeito que o pratica. É o juízo de certeza. Ex.: 
‘Alguém’.) 
• Subjetivos (elemento anímico do agente) 
• Normativos (necessita de interpretação valorativa – 
juízo de valoração) 
• Princípios que regem a classificação dos crimes 
em espécies: a importância da classificação 
para coesão lógica do sistema. 
 
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE 
(art. 1º, CP e art. 5º, XXXIX, CF) 
 
“não há crime sem lei anterior que do defina”– “nullum 
crimen sine lege”; 
• 
“não há pena sem prévia cominação legal” “nulla poena 
sine lege”; 
PRINCÍPIO DA LESIVIDADE OU OFENSIVIDADE OU 
ALTERIDADE 
 
Funções do princípio da lesividade: 
 
➢ Proibir a incriminação de uma atitude interna; 
➢ Proibir a incriminação de uma conduta que não 
exceda o âmbito do próprio autor; 
➢ Proibir a incriminação de simples estados ou 
condições existenciais; 
➢ Proibir a incriminação de condutas desviadas 
que não afete qualquer bem jurídico. 
 
PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA 
ou DA ULTIMA RATIO 
• O Direito Penal só deve preocupar-se com a 
proteção dos bens mais importantes e 
necessários à vida em sociedade; 
• Se outras formas (extra penais) de sanção ou 
meios de controle social forem suficientes para 
tutelar bens jurídicos, a criminalização se 
tornará inadequada – caráter subsidiário do 
Direito Penal (Claus Roxin). 
 
Ex.: Lei nº. 11.106/05 – descriminalizou o adultério. 
 
Obs.: Discute-se atualmente sobre os crimes de 
descaminho , de uso de drogas e de emissão de 
cheque sem suficiente provisão de fundos. 
• PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE 
 
‘Não é tudo que o Direito Penal vai tutelar, mas 
somente uma parte (fragmento) do que é mais 
importante a sociedade’. 
• PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL. 
 
“Apesar de uma conduta se subsumir ao modelo 
legal não será considerado típico se for socialmente 
adequada ou reconhecida, isto é, se estiver de 
acordo com a ordem social da vida historicamente 
condicionada”. Luiz Regis Prado. 
 
Funções: 
1. Restringir o âmbito de abrangência do tipo 
penal, limitando a sua interpretação e dele 
excluindo as condutas consideradas 
socialmente adequadas e aceitas pela 
sociedade. 
2. Dirigida ao legislador em duas vertentes: 
➢ Orienta o legislador para a seleção dos bens a 
serem tutelados; 
➢ Legislador repense os tipos penais. 
 
➢ O princípio da adequação social não revoga 
tipos penais incriminadores. 
• PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA ou DA BAGATELA 
 
 
“Segundo o princípio da insignificância, que se 
revela por inteiro pela sua própria denominação, o 
direito penal, por sua natureza fragmentária, só vai 
aonde seja necessário para a proteção do bem 
jurídico. Não deve ocupar-se de bagatelas”. 
 
Assis Toledo. 
 
CÓDIGO PENAL 
 
Parte Especial 
Dos crimes contra a vida 
Do homicídio 
• Conceito: Eliminação da vida de uma pessoa 
praticada por outra (matar alguém). 
 
• Objeto jurídico: vida 
 
• Objeto material: a pessoa 
 
• Ação nuclear: “matar” - Crime de ação livre. 
 
• Crime instantâneo com efeitos permanentes. 
 
a) Sujeito ativo: qualquer pessoa; 
b) Sujeito passivo: qualquer pessoa. 
 
Obs.: Tratando-se das autoridades enumeradas no 
art. 29 da Lei nº 7.170/83 (Presidente da República, 
Deputado Federal, Senador ou Ministro do STF), o 
fato pode constituir crime contra a segurança 
nacional, a depender da motivação e dos objetivos 
do agente (art. 2º da Lei nº 7.170/83), e não 
homicídio; 
 
c) Elemento subjetivo: Dolo (animus necandi ou 
occidendi). 
d) Consumação: com a morte, tratando-se de 
crime material. 
 O critério legal hoje é o da “morte encefálica” 
comprovada, criado pela Lei nº 9.434/97 – Lei de 
Transplantes de Órgãos (art. 3º); 
 
e) Tentativa imperfeita ou propriamente dita: 
 
f) Tentativa perfeita ou acabada (crime falho): 
 
g) Tentativa abandonada (arrependimento eficaz e 
desistência voluntária): 
 
h) Tentativa inidônea (crime impossível): 
 
i) Tentativa branca: 
 
 
 
Espécies : 
➢ simples; 
➢ privilegiado; 
➢ qualificado; 
➢ Culposo; 
➢ Híbrido. (qualificado-privilegiado ou privilegiado-
qualificado). 
 
Homicídio “privilegiado” (§1º): 
 
Privilégio: causa especial de diminuição de pena (1/6 
a 1/2); 
Hipóteses: 
1) relevante valor moral: quando o fim é 
individual, ligado a interesses particulares do 
agente. Ex.: eutanásia, para evitar a dor. 
2) relevante valor social: quando o objetivo é 
coletivo para o bem da sociedade. Ex.: mata o 
traidor da pátria. 
3) Domínio de violenta emoção + Logo após a 
injusta provocação da vítima: choque 
emocional e reação imediata. 
Obs.: Homicídio passional (movido pela paixão) 
 
Homicídio qualificado (§2º): 
 
Pode ter: 
• caráter pessoal 
• caráter real 
 
Comunicabilidade em caso de concurso de pessoas: 
só as objetivas, desde que haja ciência 
(conhecimento) do outro agente. 
 
A. Paga ou promessa de recompensa ou outro 
motivo torpe: 
 
 Torpe é o motivo moralmente reprovável, 
desprezível, abjeto, repugnante. 
 Parâmetro: senso comum da coletividade. 
 
Paga ou promessa de recompensa – Homicídio 
mercenário. 
 
Obs.: Vingança nem sempre é torpe. 
 Ciúme não é torpe. 
 
 
B. Motivo fútil: é o motivo insignificante, vil, 
desproporcional em relação ao crime praticado. 
 Parâmetro: senso comum da coletividade. 
- Ciúme não é motivo fútil: divergência. 
 
C. Meio insidioso e veneno: venefício. 
 
Veneno = Qualquer substância que, introduzida no 
organismo, seja capaz de colocar em risco a vida e a 
saúde humana. (chumbinho, açúcar para o 
diabético etc.) 
O emprego insidioso de outras substâncias, como o 
açúcar e o sal, traz a possibilidade de configuração 
da qualificadora, pois o que qualifica o homicídio 
não é o objeto escolhido ou usado para a prática do 
crime, mas o modo (meio) insidioso que dificulte ou 
torne impossível a defesa da vítima. 
 
D. Meio cruel: Ocorre quando o agente efetua o ato 
com manifesto intuito de maldade, impondo à 
vítima um sofrimento desnecessário (RT 
768/559). 
Exige-se, ainda, que o agente esteja com o ânimo 
(mente, espírito) calmo ao empregar a crueldade, 
pois só este estado permite ao agente a escolha dos 
meios capazes de infligir maior padecimento à 
vítima. 
 
E. Fogo ou explosivo: são meios cruéis. 
 
F. Asfixia: é a falta de oxigênio no sangue 
(anoxemia) ocasionada por: 
• esganadura (constrição do pescoço da vítima 
com as mãos); 
• estrangulamento (constrição muscular com fios, 
arames, cordas, seguros pelo agente); 
• enforcamento (constrição pelo próprio peso da 
vítima); 
• afogamento (submersão em meio líquido); 
• soterramento (submersão em meio sólido); 
• sufocação (uso de objetos como travesseiros, 
mordaças); 
• confinamento (colocação em local onde não 
penetre o ar). 
 
G. Tortura: é o tormento que obriga a vítima a 
sofrer desnecessariamente antes da morte. 
É meio cruel por excelência. 
Ex.: esfolamento, decepar dedos. 
Homicídio qualificado pela tortura é diferente do 
crime de tortura qualificada pelo resultado morte 
previsto no art. 1º, §3º, da Lei nº 9.455/97 (crime 
preterdoloso). 
 
H. Outro meio que possa resultar perigo comum: 
expõe em risco um número indeterminado de 
pessoas. 
I. Traição: é a quebra de confiança existente entre 
o agente e a vítima. 
Para que a traição qualifique o crime de homicídio é 
necessário que o ataque seja brusco e inopinado, 
pegando a vítima desprevenida. 
 
 
J. Emboscada: é a chamada tocaia, que pressupõe 
necessariamente a premeditação do delito. 
 
K. Dissimulação: é a ocultação da intenção hostil, 
para acometer a vítima de surpresa. O criminoso 
age com falsas mostras de amizade, de modo 
que a vítima, iludida, não tem motivo para 
desconfiar do ataque e é apanhada desatenta e 
indefesa. 
 
L. Outro recurso que dificulte ou torneimpossível 
a defesa da vítima. Ex.: surpresa, amarrar a 
vítima. 
 
M. Conexão: espécies: 
• Teleológica (assegurar a execução). 
• Consequencial (assegurar a vantagem, a 
impunidade ou a ocultação). 
• Ocasional (praticado por ocasião de outro 
crime). 
 
Feminicídio 
 (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) 
 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo 
feminino: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
 
 
 
 
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de 
sexo feminino quando o crime envolve: 
I - violência doméstica e familiar; 
II - menosprezo ou discriminação à condição de 
mulher. 
§ 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um 
terço) até a metade se o crime for praticado: 
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses 
posteriores ao parto; 
II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com 
deficiência ou com doenças degenerativas que 
acarretem condição limitante ou de 
vulnerabilidade física ou mental; (Redação 
dada pela Lei nº 14.344, de 2022) 
III - na presença física ou virtual de descendente ou 
de ascendente da vítima; (Redação dada pela 
Lei nº 13.771, de 2018) 
• IV - em descumprimento das medidas 
protetivas de urgência previstas nos incisos 
I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 
7 de agosto de 2006. (Incluído pela Lei nº 
13.771, de 2018) 
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do 
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança 
Pública, no exercício da função ou em decorrência 
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou 
parente consanguíneo até terceiro grau, em razão 
dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 
2015). 
VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito 
ou proibido: 
 
Homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos 
(Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) 
IX - contra menor de 14 (quatorze) anos: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 
(quatorze) anos é aumentada de: 
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa 
com deficiência ou com doença que implique o 
aumento de sua vulnerabilidade; 
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto 
ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, 
tutor, curador, preceptor ou empregador da 
vítima ou por qualquer outro título tiver 
autoridade sobre ela. 
 
Homicídio duplamente/triplamente 
qualificado: 
 
Divergência: 
 
A. considera uma circunstância como qualificadora 
e as demais como agravantes. 
 
B. considera uma como qualificadora e as demais 
como circunstâncias judiciais na fixação da pena-
base. 
 
• Homicídio, quando praticado em atividade típica 
de grupo de extermínio, ainda que praticado por 
um só agente; 
 
• Homicídio qualificado (tentado ou consumado); 
 
 Crimes hediondos (art. 1º, I, da lei 8072/90) 
 
Homicídio híbrido ou qualificado-privilegiado ou 
privilegiado-qualificado: 
 
a) Possibilidade, desde que as circunstâncias 
sejam compatíveis (qualificadoras objetivas). 
 
b) Não é hediondo. 
 
Homicídio culposo (art. 121, §3º, CP). 
 
Tipo penal aberto, pois não menciona a conduta 
típica ou o núcleo do tipo. 
Realiza o crime com a quebra do dever de cuidado. 
Delito de homicídio culposo no trânsito (art. 302 do 
CTB). 
Causa de aumento de pena (art. 121, §4º, do CP). 
 
 Perdão judicial (§5º). 
 
• Natureza jurídica da sentença concessiva. 
Divergência. 
• Efeitos da condenação. 
 
 § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a 
metade se o crime for praticado por milícia privada, 
sob o pretexto de prestação de serviço de 
segurança, ou por grupo de 
extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 
2012) 
Dos crimes contra a vida. 
Induzimento, instigação ou auxílio a 
suicídio ou a automutilação. 
Suicídio – matar a si mesmo; é o extermínio de si 
próprio. 
Automutilação - conhecido como “cutting”. Ferir a si 
mesmo deliberadamente, resultando em dano 
imediato a uma parte do corpo, sem intenção 
suicida, e não aprovado socialmente dentro da 
própria cultura, nem mesmo para exibição (GIUSTI, 
2013; ISSS, 2017; MUEHLENKAMP et al., 2013; 
WHITLOCK; LLOYD-RICHARDSON, 2019). 
 
A conduta suicida ou de autolesão não lesa 
interesses de terceiros, sendo, por isso, impossível 
criminalizá-la, em respeito ao princípio da alteridade 
ou da transcendentalidade. Logo, fato atípico. 
 
Induzimento, instigação ou auxílio a 
suicídio ou a automutilação. 
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a 
praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio 
material para que o faça: (Redação dada pela 
Lei nº 13.968, de 2019) 
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. 
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio 
resulta lesão corporal de natureza grave ou 
gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 
129 deste Código: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação 
resulta morte: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
§ 3º A pena é duplicada: 
I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe 
ou fútil; 
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por 
qualquer causa, a capacidade de resistência. 
§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é 
realizada por meio da rede de computadores, 
de rede social ou transmitida em tempo real. 
§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é 
líder ou coordenador de grupo ou de rede 
virtual. 
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta 
em lesão corporal de natureza gravíssima e é 
cometido contra menor de 14 (quatorze) anos 
ou contra quem, por enfermidade ou 
deficiência mental, não tem o necessário 
discernimento para a prática do ato, ou que, por 
qualquer outra causa, não pode oferecer 
resistência, responde o agente pelo crime 
descrito no § 2º do art. 129 deste Código. 
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é 
cometido contra menor de 14 (quatorze) anos 
ou contra quem não tem o necessário 
discernimento para a prática do ato, ou que, por 
qualquer outra causa, não pode oferecer 
resistência, responde o agente pelo crime de 
homicídio, nos termos do art. 121 deste Código. 
 
Tipo Penal: art. 122. CP. 
O partícipe do suicídio ou da automutilação é 
punido a título de autoria, eis que a participação 
(instigação, induzimento ou auxílio) constitui o 
próprio núcleo do tipo penal. 
Insta notar que se o agente vier a realizar a conduta 
“matar” ou “lesar” estará cometendo o delito de 
homicídio (art. 121) ou lesao corporal (art. 129), e 
não o de participação em suicídio (art. 122). 
 
 Condutas: 
- Induzir (apoio moral): quando o suicida não tem 
em mente o suicídio por sua própria vontade, porém 
alguém o induz a cometer o ato. Dar a ideia. 
- Instigar (apoio moral): quando uma outra pessoa 
reforça a ideia do autor de tirar sua própria vida, 
sendo que já existia uma predisposição para o ato. 
Prestar auxílio (apoio material): quando o autor é 
ajudado com meio material para obtenção do 
resultado morte. 
 
Tipo penal misto alternativo (ação múltipla ou de 
conteúdo variado) 
 
Sujeito ativo: qualquer pessoa, tratando-se de 
crime comum. 
Sujeito passivo: qualquer pessoa com 
discernimento e capacidade para consentir em 
dispor de sua vida. (divergência) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Participação em suicídio 
 Questões especiais: 
 
 1. Roleta Russa. 
 
2. Duelo americano. 
 
3. Pacto de morte. 
 
3. Pacto de morte = duas pessoas resolvem suicidar 
juntas. 
 Ex.: Trancados num quarto com o gás aberto. 
3.1. havendo um sobrevivente: 
 Quem abriu = art.121, CP 
 Quem não abriu = art. 122, CP 
 3.2. Se os dois sobrevivem, havendo lesão corporal 
grave: 
 Quem abriu = art.121 c/c 14, II, CP 
 Quem não abriu = art. 122, CP 
3.3. Se os dois sobrevivem, não havendo lesão 
corporal grave: 
 Quem abriu = art.121 c/c 14, II, CP 
 Quem não abriu = fato atípico 
3.4. Se os dois sobrevivem e ambos abriram a 
torneira = art.121 c/c 14, II, CP. 
 
Doscrimes contra a vida. 
Infanticídio. 
 
 a) Tipo Penal (art. 123). 
 
Núcleo e elementares do crime: 
Matar + o próprio filho + durante o parto ou logo 
após + sob influência do estado puerperal. 
 
b) Sujeito ativo e passivo. 
É crime bi-próprio, pois exige qualidade especial 
tanto do sujeito ativo (mãe) como da vítima (próprio 
filho, que deve ser o nascituro – nascente ou 
neonato). 
• Se a mãe, conscientemente, matar outro filho, 
sob a influência do estado puerperal, haverá o 
crime de homicídio e não de infanticídio. 
• Ressalva-se a possibilidade de erro sobre a 
pessoa (§3º do art. 20 do CP), quando a mãe 
continuará respondendo pelo infanticídio, como 
se tivesse atingido o próprio filho. 
 
c) Estado puerperal. 
 
Trata-se de alterações de ordem física e psicológica 
que acometem as mulheres e são decorrentes do 
parto. 
 
Produz sentimentos de angústia, ódio, desespero, 
terminando por eliminar a vida do próprio filho. 
De fato, reconhece-se que a presença do puerpério 
pode: 
1. Não produzir nenhuma alteração na 
capacidade de entendimento da mulher; Neste 
caso, a mulher responderá pelo homicídio. 
 
2. Acarretar-lhe perturbações psicossomáticas 
que a levem a matar o próprio filho; cometerá 
infanticídio. 
 
3. Reduzir-lhe a capacidade de entendimento ou 
de determinação; o que seria algo superior a 
mera perturbações psicossomáticas; gera a 
semi-imputabilidade. 
 
4. Provocar-lhe doença mental; gera a 
inimputabilidade. 
 
D) Momento do crime: “durante ou logo após o 
parto”. 
 
O início do parto ocorre com o rompimento do saco 
amniótico (entendimento dominante). 
 
“Logo após” deve ser entendido nos limites do 
tempo de duração do estado puerperal, que, em 
regra, vai de 6 (seis) dias a 6 (seis) semanas. 
 
E) Elemento subjetivo do tipo: dolo. 
 
• Caso a mãe, sob a influência do estado 
puerperal, durante ou logo após o parto, venha 
a matar, por culpa, o próprio filho: 
 
1. Noronha, Mirabete, Bitencourt e Capez: 
homicídio culposo. 
2. Frederico Marques e Damásio, o fato é atípico. 
 
 
 
 
f) Consumação e Tentativa. 
• Consuma-se com a morte do filho. 
• É possível a tentativa. 
 
g) Concurso de Pessoas. Divergência. 
Comunicabilidade das elementares: 
 
Hipóteses: 
1. O terceiro é autor (ele mata a criança) e a mãe 
é partícipe: terceiro pratica homicídio e a mãe é 
partícipe do infanticídio (quebra da teoria 
monista) 
 
2. A mãe é autora (ela mata o filho) e o terceiro é 
partícipe: Há divergência. Corrente Majoritária: 
ambos responderão pelo infanticídio. 
 
3. Mãe e terceiro são coautores: Há divergência. 
Corrente Majoritária: ambos responderão pelo 
infanticídio. 
 
Aborto. 
 
Conceito: 
Aborto é a interrupção da gravidez com a morte do 
produto da concepção, seja ele ovo, embrião ou feto, 
pois a lei não restringe a fase de evolução da vida 
intra-uterina. 
 
No sentido etimológico, aborto significa privação 
(ab) do nascimento (ortus). 
 
a) Consumação e tentativa. 
 
Consuma-se o aborto com a interrupção da gravidez 
e morte do feto. 
 
É possível a tentativa quando não ocorrer o óbito do 
feto, por circunstâncias alheias à vontade do agente. 
 
b) Espécies de aborto: 
• Provocado: consiste na interrupção da gravidez 
por intervenção humana, seja da própria 
gestante ou de terceiro. 
• Natural: é a interrupção espontânea da 
gravidez. 
• Acidental: é a interrupção da gravidez por 
conduta humana não intencional, isto é, 
provocada, não por dolo, mas por culpa. 
 
Destas, a única espécie que constitui crime é o 
aborto provocado. 
 
c) Espécies delitivas: 
 
• Auto-aborto (aborto provocado pela gestante 
em si mesma) ou aborto com o consentimento 
da gestante (art. 124); 
 
• Aborto provocado por terceiro sem o 
consentido da gestante (art.125); 
 
• Aborto provocado por terceiro com o 
consentido da gestante (art. 126). 
 
d) Aborto provocado pela gestante (auto-aborto) 
ou com seu consentimento (art. 124,CP). 
 
Sujeito ativo: a gestante (crime de mão própria) 
Sujeito passivo: o feto. 
Admite-se a participação de terceiros. 
Impossível que terceiro seja coautor do delito em 
estudo. 
Casos: 
• Se o terceiro comprar um remédio abortivo e o 
entregar para a mulher, ambos responderão 
pelo crime do art. 124, ela como autora e ele 
como partícipe. 
• Se o terceiro colocar o remédio na boca da 
gestante, sobrevindo o aborto, a gestante 
responde pelo crime do art. 124 (consentir que 
outrem lho provoque) e o terceiro pelo art. 126 
(aborto consensual). 
• Se não houver o consentimento da gestante, o 
delito do terceiro será o do art. 125. 
 
f) Aborto provocado por terceiro sem o 
consentimento da gestante (art. 125). 
 
- Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime 
comum). 
- Sujeito passivo: gestante e o feto (crime de 
dupla subjetividade passiva) 
- Dissentimento: pode ser: real (expresso) ou 
tácito (presumido). (parágrafo único do art. 
126 do CP) 
1. Real: gestante expressamente contrária ao 
aborto, ou quando o agente empregar violência, 
grave ameaça ou fraude para a obtenção de seu 
fim. 
2. Presumido: gestante menor de 14 anos ou 
alienada ou débil mental. 
 
g) Aborto provocado por terceiro com o 
consentimento da gestante (art. 126). 
 
• Sujeito ativo: Qualquer pessoa. 
• Sujeito passivo: o feto. 
 
Obs.: A gestante e seus partícipes respondem pelo 
crime do art. 124 (pena de detenção de 
1 a 3 anos); 
 
É necessário que a gestante tenha capacidade de 
consentir, pois, em caso contrário, seu 
dissentimento será presumido (parágrafo único do 
art. 126 do CP). 
e) Formas “Qualificadas”. (Art. 127, CP). Causas 
de aumento de pena 
• se do aborto resultar lesão grave na gestante, a 
pena deve ser aumentada de um terço; 
• se resultar a morte, a sanção penal será 
duplicada. 
 
Crime Preterdoloso: o resultado qualificador (morte 
ou lesão grave) é obtido a título de culpa. 
 
Se houver dolo do agente em relação à morte ou à 
lesão grave, responderá ele por dois delitos em 
concurso formal. 
 
h) Formas “Qualificadas”. (Art. 127, CP). Causas de 
aumento de pena 
 
Ausência de aborto e existência do resultado 
qualificador: 
 
Ex.: morte da gestante e aborto tentado: 
 
Crime de aborto qualificado tentado (Rogério 
Greco) 
Crime de aborto qualificado consumado (Capez). 
Tratando-se de figuras preterintencionais não se 
pode falar em tentativa. 
 
h) Formas “Qualificadas”. (Art. 127, CP). Causas de 
aumento de pena 
 
Responsabilização do terceiro partícipe da 
gestante, havendo o crime do art. 124 com morte 
ou lesão grave nesta. 
Há três posições: 
(1) Responde somente por homicídio culposo ou 
lesão culposa (Hungria); 
(2) Responde somente pela participação no crime do 
art. 124 (Noronha e Mirabete); 
(3) Responde pela participação no crime do art. 124 
e por homicídio culposo ou lesão culposa, em 
concurso formal, sendo inaplicável, na 
hipótese, o art. 127. (Damásio e Capez) 
 
Diferença entre: 
Aborto “qualificado” pelas lesões graves e lesões 
graves qualificadas pelo aborto (art. 129, §2°, V). 
 
A diferença reside no dolo do agente. 
• No delito do art. 129, o agente não quer o 
aborto, que resulta a título de culpa. 
• A seu turno, no aborto “qualificado”, a intenção 
do sujeito é provocar o aborto, sobrevindo a 
lesão grave na gestante ou a sua morte a título 
de culpa. 
• Assemelham-se, por fim, por serem ambos os 
delitos preterdolosos. 
 
i) Aborto legal (art. 128). 
 
Espécies. 
• aborto necessário (ou terapêutico): (inciso I) 
• aborto sentimental (humanitário ou ético): 
(inciso II) 
 
Beneficiário: Em ambos os casos, só o médico e sua 
equipe. 
 
• Obs.: Se o aborto for praticado por outra pessoa 
(Ex. enfermeira), sem a presença de um 
médico: 
 
• Na hipótese do inciso I: estado de necessidade 
de terceiro (art. 24). 
• Na hipótese do inciso II: não é beneficiada pelos 
arts. 24 ou 128, CP. (não está salvando vida). 
 
Aborto necessário. Requisito: 
 
1. Risco da vida. 
Não impõe o CP qualquercondição para a prática do 
aborto necessário, eis que o próprio inciso I do §3° 
do art. 146 permite a intervenção médica ou 
cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de 
seu representante legal, se justificada por iminente 
perigo de vida. 
 
Aborto sentimental. Requisitos: 
 
2. Consentimento da gestante ou de seu 
representante legal 
3. Médico convencido de que a gravidez é 
consequência de prática delituosa. 
 
• Não exige a abertura ou encerramento de 
inquérito policial ou de processo relativo ao 
estupro. 
• É conveniente que o médico se acautele, 
exigindo prova cabal do consentimento e da 
prática do estupro. 
• Dispensável autorização judicial ou prova de 
condenação do agente pelo crime sexual. 
• Boletim de ocorrência, testemunhos colhidos 
perante a autoridade policial são provas hábeis 
à comprovação da prática do estupro. 
 
Natureza jurídica das excludentes. 
 
• Trata-se de causas de exclusão da 
antijuridicidade, e não de isenção de pena, pois 
o legislador penal excluiu a punição do fato 
(“não se pune o aborto”), e não do agente (neste 
caso, o CP usa a frase “é isento de pena”). 
 
• Rogério Greco defende que, no aborto 
sentimental, há causa de excludente da 
culpabilidade, por inexigibilidade de conduta 
diversa. 
 Crítica: o CP adota a teoria da acessoriedade 
limitada, que prevê a punibilidade do partícipe 
quando o fato praticado pelo autor for típico e 
antijurídico. 
 
f) Aborto Eugênico ou eugenésico ou piedoso ou 
antecipação terapêutica do parto: 
 
• É o aborto realizado para impedir que a criança 
nasça com deformidade ou enfermidade grave e 
incurável. 
• O direito penal não exclui o crime. 
 
• O caso da anencefalia. 
• A decisão proferida pelo STF na ADPF 54 
acrescentou nova modalidade que exclui a 
hipótese de crime de aborto, qual seja, quando 
se tratar de feto anencéfalo. A tese abraçada 
pelo STF segue a linha adotada pela medicina, 
que considera o feto anencéfalo um natimorto 
cerebral.

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