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328 Bases Psicológicas da Aprendizagem jeito para que este possa sair da ZDR e alcançar a Zona de Desenvolvimento Potencial. Esse movimento é constante, pois enquanto su- jeitos pensantes aprendemos por toda a vida: Sintetizando, poderíamos dizer que, para Vygot- sky, as relações entre aprendizagem e desenvolvi- mento são indissociáveis. O indivíduo, imerso em um contexto cultural, tem seu desenvolvimento movido por mecanismos de aprendizagem acionados exter- namente. A matéria-prima deste desenvolvimento encontra-se fundamentalmente, no mundo externo, nos instrumentos culturais construídos pela humani- dade. Assim, o homem, ao buscar respostas para as necessidades de seu tempo histórico, cria, junto com os outros homens, instrumentos que consolidam o desenvolvimento psicológico e 昀椀siológico obtido até então (BOCK, FURTADO e TEIXEIRA, 1999, p. 126). Jean Piaget, fundador da epistemologia genética que viveu entre 1896 e 1980, trouxe grandes contri- buições à psicologia contemporânea. Piaget buscava compreender as mudanças na inteligência do sujeito mediante seu crescimento. Ele acreditava que à me- dida que o sujeito interagia com o objeto, exploran- do-o, suas estruturas cognitivas eram modi昀椀cadas e o sujeito aprendia. Explicava, também, que era por meio da tentativa e do erro que essa aprendizagem ia se constituindo. Assim, este passava por alguns esquemas: equilibração, assimilação, acomodação. Conceitos principais da epistemologia genética. Pia- get de昀椀nia as fases da vida e assim as nomeou: • Sensório-motora (0-2 anos): nesse estágio toda aprendizagem passa pelos órgãos sensoriais e pelo desenvolvimento motor. É a fase na qual o engatinhar, o andar e o falar estão em voga; • Pré-operatório (2-6 anos): é o período no qual o jogo simbólico assume papel importante. Atra- vés da representação, o sujeito constrói seus conceitos e entende o mundo que o rodeia. A linguagem está em pleno desenvolvimento. No 昀椀nal dessa fase a criança procura entender a causa e a 昀椀nalidade das coisas, entra na fase dos porquês; • Operações concretas (7-11 ou 12 anos): nessa fase o egocentrismo, que é uma das marcas do período anterior, é superado. Nesse momento começa a surgir o período da lógica, ou seja, coordenar diferentes pontos de vista. Isso al- tera dois âmbitos da psyché da criança: afe- tivo, intelectual. No afetivo, a criança adquire autonomia em relação ao adulto e é capaz de desenvolver trabalhos em grupo. No intelec- tual, está o aparecimento das operações men- tais que darão condição de integrar uma ação física ou mental para um determinado 昀椀m e revertê-la. • Operações formais (a partir dos 11-12 anos): é o momento que o adolescente sai do pensamen- to concreto para o abstrato, ou seja, é capaz de realizar as operações no campo das ideias e não do concreto. Durante todo o processo de desenvolvimento, o sujeito passa por etapas de reestruturação cognitiva que, segundo Piaget, são: • Equilibração: a ideia de equilibração surge a partir do momento que o sujeito entra em con- tato com o novo e para conhecê-lo precisa ex- plorar, causando, dessa forma, o desequilíbrio; • Assimiliação: conceito elaborado por Piaget que representa o processo pelo qual acres- centamos novas informações aos conceitos já existentes em nossa cognição; • Acomodação: é o processo pelo qual necessita- mos modi昀椀car as informações já internalizadas anteriormente. Discípula de Piaget, temos Emília Ferreiro, que parte dos princípios de Piaget e de昀椀ne as fases de desenvolvimento do processo de alfabetização. São elas: • Garatujas: são os primeiros rabiscos das crian- ças no papel, sem formas, sem de昀椀nições, ex- ploram todo espaço do papel sem perceber os limites do mesmo; • Icônicas: são as primeiras formas circulares que a criança faz no papel, dessas células origina- rão os primeiros desenhos; • Pré-silábica: fase da escrita na qual a criança já tem consciência que utilizamos símbolos para representar nossa fala na escrita, portanto, ain- da não são capazes de relacionar tais símbolos à correspondência sonora, fazem uso de letras e números aleatórios; • Silábica: nessa fase a criança inicialmente per- cebe que os sons emitidos podem ser represen- tados e passam a colocar a mesma quantidade de sílabas e o número de letras, mesmo sem correspondência sonora (ex: DHM – CAMISA). Na Baixado por Thaise Ribeiro (thaise.fla2@gmail.com) lOMoARcPSD|35930103 329Patrícia Maltez fase mais avançada, a consciência fonológica da criança já está mais desenvolvida e esta é capaz de relacionar o som à gra昀椀a, mesmo sen- do uma letra de cada sílaba (ex: AIA – CAMISA); • Silábica-alfabética: a criança, nessa fase, já é capaz de identi昀椀car duas ou mais letras de uma sílaba e representar (ex: KMIA); • Alfabética: a criança já consegue escrever pra- ticamente todas as letras da palavra, mesmo que não tenha a ortogra昀椀a correspondente (ex: CAMIZA); As contribuições de Emília Ferreiro para o pro- cesso de alfabetização são extremamente importan- tes, portanto, vale ressaltar que mesmo tendo sua fundamentação em Piaget, é um equívoco relacionar as fases da escrita às fases de desenvolvimento de Piaget. O processo de alfabetização acontece no 昀椀- nal do período pré-operatório para o início do ope- ratório concreto. Ainda no âmbito da psicologia contemporânea temos as contribuições de Ausubel e Gardner. David Paul Ausubel (1918-2008) fala sobre a aprendizagem signi昀椀cativa que parte dos conhecimentos prévios do indivíduo para a aquisição de novos conhecimen- tos. Aprender signi昀椀cativamente para ele era dar condição ao sujeito de acrescentar informações ou modi昀椀cá-las em suas estruturas mentais. Dessa for- ma, o sujeito seria capaz de relacionar, interpretar novos conhecimentos. Howard Gardner aborda as múltiplas inteligên- cias e cria uma nova linha de pensamento da inte- ligência que vai além dos conhecidos testes de Q. I de Alfred Binet. Gardner e seus colaboradores des- crevem oito inteligências: linguística, lógico-mate- mática, espacial, musical, sinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista. Segundo esse teórico, to- das as pessoas possuem tais habilidades, portanto, cada uma possui determinadas inteligências mais desenvolvidas que as outras pessoas. No novo contexto educacional, se está atrelando pedagogia e psicologia às neurociências. Através da Neuropsicologia podemos compreender os proces- sos neurológicos para a aprendizagem e, assim, en- tender os processos de cognição, as di昀椀culdades e os transtornos de aprendizagem. A Neuropsicologia é um ramo da psicologia que está em pleno desen- volvimento e seus conceitos precisam ser agregados à educação contemporânea. REFERÊNCIAS 1. BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEI- XEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias, São Paulo, 1999. 2. FRANCO, Marai Amélia do Rosário Santoro. Pe- dagogia e prática docente, Editora Cortez, São Paulo, 2012. 3. HERMETO, M. Clara; MARTINS, Ana Luísa. O livro da Psicologia, São Paulo Globo Livros, 2012 4. PSICONLINEWS. A Teoria das Inteligências Múl- tiplas de Gardner. Disponível em: http://www. psiconlinews.com/2015/05/teoria-das-inteli- gencias-multiplas-de-gardner.html 5. REVISTA Nova Escola, Grandes pensadores. Dis- ponível em: http://novaescola.org.br/forma- cao/david-ausubel-aprendizagem-signi昀椀cati- va-662262.shtml 6. REVISTA Nova Escola, Grandes pensadores. Dis- ponível em: http://novaescola.org.br/formacao/ cientista-inteligencias-multiplas-423312.shtml Baixado por Thaise Ribeiro (thaise.fla2@gmail.com) lOMoARcPSD|35930103 330 Baixado por Thaise Ribeiro (thaise.fla2@gmail.com) lOMoARcPSD|35930103 Avaliação da Aprendizagem9 Poliana Marina Mascarenhas e Jefferson Moreira 01. Questão (CEFET - CESGRANRIO - 2014) Antônio é professor recém- -formado e, ao chegar ao colégio, se depara com o quadro abaixo, a昀椀xadono mural de entrada. “Virando os jogos dos aprendizados” Para onde caminharemos? • Adesão de uma visão mais igualitária da escola; • Possibilidade de reunir o que já foi aprendido e o que deve vir a sê-lo, nos vários campos do conhe- cimento; • Participação ativa e dinâmica dos estudantes desencadeando forças em geral; • Ruptura com o esquema tradicional de ensino por disciplina; • Articulação entre trabalho individual e coletivo, e valorização de atitudes; • Combinação entre o trabalho realizado interna- mente e o de várias outras instituições e agências. Em conversa posterior com a equipe docente, a coor- denação pedagógica destaca alguns pontos sobre a concepção de avaliação da aprendizagem escolar a ser adotada no planejamento. - O trabalho escolar passa a ser avaliado, não como julgamento de昀椀nitivo e dogmático do professor, mas como uma comprovação para os estudantes de seu progresso em direção a noções mais sistematizadas. - Parte-se de uma relação direta com a experiência dos estudantes, confrontada com o saber trazido de fora. - Passa a ser imperativo propor conteúdos e mode- los compatíveis com experiências vividas, para que os estudantes se mobilizem para uma participação ativa. Pelo exposto, o projeto educativo está pautado na: Ⓐ concepção de avaliação enquanto mensuração, por meio de provas e testes voltados para a medida de aptidões e habilidades dos alunos. Ⓑ concepção tecnicista de avaliação com ênfase na e昀椀cácia e na competência. Ⓒ concepção de avaliação formativa, que demanda um processo acompanhado de uma intervenção di- ferenciada. Ⓓ concepção que rompe com a diversidade de práti- cas avaliativas e prioriza a avaliação somativa. Ⓔ concepção que fomenta a criação de hierarquias de excelência, pela valorização do mérito. DICA DO AUTOR: A avaliação formativa não despreza a avaliação somativa. Contudo, lhe concede um ca- ráter qualitativo, porque utiliza os dados quantitati- vos para traçar novas estratégias para o alcance dos objetivos pré-estabelecidos. Grau de Di昀椀culdade Baixado por Thaise Ribeiro (thaise.fla2@gmail.com) lOMoARcPSD|35930103 332 Avaliação da Aprendizagem Alternativa A: INCORRETA. O que foi proposto pela escola vai de encontro à perspectiva de mensuração, que consiste basicamente em testes de veri昀椀cação e quanti昀椀cação de resultados. O projeto proposto nega o julgamento de昀椀nitivo e volta à atenção para o acompanhamento do progresso do aluno. Alternativa B: INCORRETA. A concepção tecnicista se baseia em uma epistemologia comportamental e se preocupa em quanti昀椀car a aprendizagem. Alternativa C: CORRETA. Ao considerar o que já foi aprendido e o que deve vir a sê-lo pelo aluno, suas experiências de aprendizagem dentro e fora da es- cola, a avaliação formativa, preocupa-se com o pro- cesso de aprendizagem e com os diferentes cami- nhos que ela percorre, na intenção de pensar novas estratégias para alcançar os objetivos que ainda não foram vislumbrados. Alternativa D: INCORRETA. A avaliação proposta vai de encontro à perspectiva somativa, a qual, prima pelo resultado como 昀椀m em si mesmo. Ela rompe com a diversidade das práticas avaliativas porque suas ações são sempre de昀椀nidas pelo professor, sem levar em conta, muitas vezes, a necessidade do alu- no. Sem desprezar a avaliação somativa, que pode ter um papel importante no processo avaliativo, a avaliação formativa se utiliza dos dados da somativa para traçar novos caminhos para ensinar e aprender. Alternativa E: INCORRETA. Essa prática preza pela avaliação por competência e é pautada na concep- ção tecnicista, que nega as experiências do aluno, o progresso do mesmo, pois visa apenas o resultado 昀椀nal, fazendo da avaliação um momento classi昀椀ca- tório e excludente. 02. Questão (FUNDAÇÃO CASA – CETRO – 2014) Vygotsky traz grande con- tribuição para a avaliação da aprendizagem. Para ele, todas as crianças têm possibilidades intrínsecas de progresso intelectual e, assim, na perspectiva da avaliação para promover a aprendizagem, deve-se procurar analisar: Ⓐ o que a criança já faz sozinha e não o seu po- tencial, visando a reforçar esses conceitos já cons- truídos para programar novos passos e processos de domínio de saberes. O seu registro tem por 昀椀nali- dade informar a família visando ao seu processo de acompanhamento dos estudos. Ⓑ se os alunos alcançaram ou não os resultados es- perados pelo professor ao término de determinada sequência didática. É fundamental registrar os re- sultados de desempenho escolar alcançados pelos alunos para informar aos pais e à direção da escola sobre o trabalho desenvolvido em sala de aula. Ⓒ o seu potencial de aprendizagem, e não determi- nar suas capacidades em algum momento para sim- plesmente apontá-la. É tarefa do avaliador desen- volver estratégias desa昀椀adoras para que a criança, a partir dos conceitos que já construiu, alcance formas mais elaboradas de compreensão da realidade. As avaliações para a aprendizagem servem também para subsidiar a ação educativa dos professores. Ⓓ o já construído pelos alunos a partir da assimila- ção do ensinado. Todo conteúdo ensinado deve-se transformar em conteúdo aprendido. A avaliação es- colar é um procedimento para medir esta aprendi- zagem, o seu registro visa a informar o aluno e seus familiares. Ⓔ os resultados de desempenho escolar obtidos pelos alunos nos testes aplicados pelo governo (as avaliações externas). Trata-se de uma prova de múl- tipla escolha elaborada a partir das expectativas de aprendizagem institucional e os seus resultados informam se o aluno está no patamar insu昀椀ciente, satisfatório ou plenamente satisfatório para o com- ponente e série ou ano escolar. DICA DO AUTOR: Vygotsky não trata especi昀椀camente da avaliação da aprendizagem, e sim, do processo de aprendizagem do sujeito. É importante se apropriar da sua teoria para entender como ela contribui para os processos da avaliação escolar, uma vez que o teórico defende a mediação social como imprescin- dível para que o desenvolvimento ocorra. Construir a avaliação da aprendizagem requererá “[...] a rela- ção educador/educando exige o processo avaliativo mediador, que, por sua vez, só sobrevive por meio do resgate à sensibilidade, do respeito do outro, da convivência e de procedimentos dialógicos e signi昀椀- cativos” (HOFFMANN, 2005, p. 15). Alternativa A: INCORRETA. Para Vygotsky, todo su- jeito tem um potencial para aprender, que deve ser mediado por alguém mais experiente. O autor não se preocupa com o reforço da aprendizagem, mas com a importância da mediação nesse processo. Grau de Di昀椀culdade Baixado por Thaise Ribeiro (thaise.fla2@gmail.com) lOMoARcPSD|35930103